tag:blogger.com,1999:blog-72275402008-08-16T03:34:11.726+01:00A Luz do FarolA Mão Amiga que se alonga no horizonte e nos conduz a um Porto Seguro.Faroleirohttp://www.blogger.com/profile/01169920831638413623noreply@blogger.comBlogger250125tag:blogger.com,1999:blog-7227540.post-8107764622378892992008-08-16T03:30:00.001+01:002008-08-16T03:34:11.738+01:00A Luz da Partida<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; line-height: 150%; font-family: georgia;">A luz da lua atravesso-a como por magia.<br /></p><p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; line-height: 150%; font-family: georgia;">Ao largo, o mar brilhava tocado pela magia do beijo que ternamente ele lhe depositara nos lábios. </p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; line-height: 150%; font-family: georgia;">Um suave e acetinado lençol branco de espuma enrolou-os num suspiro final de êxtase. Vozes ténues e longínquas lembravam que não estavam sós naquela praia. </p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; line-height: 150%; font-family: georgia;">A coberto do manto espesso do amor estavam a salvo. Apenas a luz do luar e o farol distante que periodicamente os espreitava tinham sido testemunha do intenso momento de paixão.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; line-height: 150%; font-family: georgia;">Abraçados deixaram-se levar pelas ondas e partiram sem rumo, como o grande navio sem destino que se rende, definitivamente, à força do amar.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; line-height: 150%; font-family: georgia; font-weight: bold; font-style: italic;">Mas afinal eram apenas como duas pequenas barcaças que jamais voltariam a tocar terra, …juntas.</p><p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; line-height: 150%; font-family: georgia; font-weight: bold; font-style: italic;"><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_yuQOAoQTvrw/SKY79lvuLbI/AAAAAAAAAAc/ABUgmXFCpdQ/s1600-h/Clipboard01.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_yuQOAoQTvrw/SKY79lvuLbI/AAAAAAAAAAc/ABUgmXFCpdQ/s320/Clipboard01.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5234937546155109810" border="0" /></a></p>Faroleirohttp://www.blogger.com/profile/01169920831638413623noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7227540.post-20343427040164383022008-07-03T05:47:00.001+01:002008-07-09T15:17:10.779+01:00A História Que Nunca o Foi<span style="FONT-STYLE: italic">“Sentado no presente, que já é passado, recordava o passado longínquo e sonhava, sonhava com o futuro, um futuro que nunca teria.”</span> <p class="MsoNormal">Este poderia ser o princípio de uma longa história, mas não o será, porque o futuro morreu na tristeza do olhar. </p><p class="MsoNormal">Um olhar que não abria janelas à imaginação. Um olhar que transbordava segurança. Ali tudo era certeza, tudo era real, tão real que até tristeza se podia sentir, tocar e saborear, no gosto salgado das lágrimas que lhe corria pela alma. </p><p class="MsoNormal">Na alma sim! Pois no rosto o mesmo sorriso de sempre. Aquele sorriso que cativa ao primeiro olhar, que apaga a tristeza dos olhos do mundo cruel.</p><p class="MsoNormal"><?xml:namespace prefix = o /><o:p></o:p>Esta poderia ser uma longa história, mas não o será, porque esta história nunca começou.</p><p class="MsoNormal"><o:p></o:p>Resta sonhar, deste presente que não o é, com a vista naquele futuro que nunca o será, e assim nunca haverá um passado para recordar. </p><p class="MsoNormal"><o:p></o:p>Esta é a história da história que nunca aconteceu. </p><p class="MsoNormal" style="FONT-WEIGHT: bold"><o:p></o:p><span style="FONT-STYLE: italic">Restava-lhe apenas sonhar que tinha acontecido…</span></p><p class="MsoNormal" style="FONT-WEIGHT: bold"><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_yuQOAoQTvrw/SGwPgpKIVhI/AAAAAAAAAAU/ndSX1ASf4wQ/s1600-h/aaa.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5218563121694135826" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 378px; CURSOR: pointer; HEIGHT: 196px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_yuQOAoQTvrw/SGwPgpKIVhI/AAAAAAAAAAU/ndSX1ASf4wQ/s400/aaa.jpg" border="0" /></a></p><p class="MsoNormal" style="FONT-WEIGHT: bold"><span style="FONT-STYLE: italic"><br /></span></p>Faroleirohttp://www.blogger.com/profile/01169920831638413623noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7227540.post-48267125906599584132008-02-27T00:02:00.001Z2008-02-28T10:14:51.993Z... --- ... (ou SOS)Nestes dias só me apetece sair e gritar:<br /><br />SOCORRO!!!!!!!!!!!!<br /><br /><div style="text-align: center;">-~-~-~-~-~~~- - ~~~<br /></div><br />Nas ondas do teu mar<br />navega este meu barco,<br />estúpida bóia de salvação,<br />perdida<br />na imensidão de uma vida<br />que não se quer perdida.<br /><br />Nas ondas do teu mar,<br />navega este meu coração,<br />sedento de paixão,<br />louco de aflição<br />para em teus lábios repousar.<br /><br />Nas ondas do teu mar,<br /><center></center>naufraga a minha esperança<br />no doce e amargo ondular<br />do temor de te ver naufragar<br />de perder o toque do beijo do teu olhar<br />que a minha alma faz vibrar<br />e sem mais mais acreditar<br />que ainda vale a pena sonhar<br /><br />Ohh, quem me dera,<br />Nas ondas do teu mar poder navegar<br />Sem medo de me perder<br />Sem receio de teu nome cantar<br />Com a certa esperança<br /><span style="font-weight: bold;">Que um dia nos iremos amar.<br /></span><br /><div style="text-align: center;"> -~-~-~-~-~~~- - ~~~<br /></div><span style="font-weight: bold;"><br /></span><center><img src="http://img.photobucket.com/albums/v434/luzinhas/SOS.jpg" alt="Photobucket" border="0" /></center>Faroleirohttp://www.blogger.com/profile/01169920831638413623noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7227540.post-70202375416846810612008-01-26T23:31:00.000Z2008-01-26T23:47:13.705ZCaminhos diferentes, destinos iguais.Sei que não é comum colocar vídeos, penso mesmo que nunca o fiz, mas esta música é especial.<br /><br />Tantas perguntas filosóficas... tantos porquês, tantos: why?<br /><br />Talvez o porquê seja a essência da vida, o sal que condimenta e o fermento que nos faz crescer e ser mais.<br /><br />- Mais do quê? - Perguntam vocês.<br />- Mais porquê?<br /><br />Sei lá!<br /><br />O que realmente sei é que sempre que ouço esta música ela leva-me pela mão a recordar de onde vim, os caminhos que percorri, as pessoas que encontrei, as almas que amei, os corpos a quem me dei, os mares ondulados, calmos, encapelados e lagos serenos que com as mãos acariciei.<br /><br />Mas nem tudo foi assim tão calmo, tão azul sereno. Também me queimei. Vulcões de emoções cujas erupções recordo com carinho, com respeito e até com um pouco de medo, confesso.<br /><br />É a adrenalina que sobe para doses que qualquer médico classificaria de fatais. É o tição vermelho ardente, calcinado no fogo das emoções a marcar a alma de forma indelével. O guincho ardente, profundo, como o de um bezerro assustado e lacerado na sua condição de virgem.<br /><br />Tudo isto recordo num misto de dor, de paixão e de nostalgia e ao mesmo tempo com muita alegria, comoção e imenso prazer.<br /><br />Tudo vivi, tudo recordo, tudo esqueço.<br /><br />Como se fosse possível...<br /><br />Não esqueço, jamais esquecerei. Posso até esquecer os lugares, os nomes, as datas, as horas, mas nunca esquecerei os rotos, o toque suave da pele, o convívio das mãos com o cabelos sedosos, os cheiros, as sensações, tudo o que não se disse, mas que se sentiu.<br /><br />Os olhares, os beijos, as carícias... ooh as carícias, as do corpo e principalmente as da alma. O conforto da palavra, o aconchego do gesto, o contacto da pele, os lábios sedentos percorrem desertos procurando um oásis onde repousar, beber um pouco de água doce e fresca na fonte da vida eterna. A harmonia dos pensamentos. Desejar quem deseja ser desejado.<br /><br />É isto tudo, e apenas um pouco, o significado desta música.<br /><br />É isto tudo, e apenas um pouco, que hoje sinto. Não é uma saudade triste e nostálgica, mas uma saudade viva, alegre e cheia de esperança. Uma saudade que dá graças por tanto ter vivido, por ter uma alma repleta de cicatrizes de momentos que jamais esquecerei.<br /><br /><center> <a style="left: 340px ! important; top: 0px ! important;" title="Clique aqui para bloquear este objecto com o Adblock Plus" class="abp-objtab-0934451946310225 visible ontop" href="http://www.youtube.com/v/aVlbbk4SPC4&rel=1"></a><a style="left: 340px ! important; top: 0px ! important;" title="Clique aqui para bloquear este objecto com o Adblock Plus" class="abp-objtab-0934451946310225 visible ontop" href="http://www.youtube.com/v/aVlbbk4SPC4&rel=1"></a><a style="left: 340px ! important; top: 0px ! important;" title="Clique aqui para bloquear este objecto com o Adblock Plus" class="abp-objtab-0934451946310225 visible ontop" href="http://www.youtube.com/v/aVlbbk4SPC4&rel=1"></a><a style="left: 340px ! important; top: 0px ! important;" title="Clique aqui para bloquear este objecto com o Adblock Plus" class="abp-objtab-0934451946310225 visible ontop" href="http://www.youtube.com/v/aVlbbk4SPC4&rel=1"></a><object height="355" width="425"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/aVlbbk4SPC4&rel=1"><param name="wmode" value="transparent"><embed src="http://www.youtube.com/v/aVlbbk4SPC4&rel=1" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" height="355" width="425"></embed></object> </center><br /><br /><span style="font-weight: bold; font-style: italic;">...Tell me why the road turns.</span>Faroleirohttp://www.blogger.com/profile/01169920831638413623noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7227540.post-85455644464740140692007-12-24T02:04:00.000Z2007-12-25T00:12:32.732ZO Espírito do Natal<span style="FONT-STYLE: italic">Não gosto de deixar passar o natal sem pintar as paredes deste farol com luzinhas cintilantes e coloridas. Este ano esteve mesmo para acontecer, a magia do Natal enganou-se e foi desembarcar noutro oceano. Mas como este é um farol mágico, a história repete-se a cá está a luzinha de Natal.</span><br /><br /><div style="TEXT-ALIGN: justify">A luz fosca do final de tarde de Dezembro, espraiava os últimos raios através das vidraças do atelier. Sabiamente virado a Norte, Sul, Este e Oeste, dispunha de gigantescas janelas, pelo tamanho dir-se-ia que eram portas para gigantes. Aquelas descomunais janelas abocanhavam com a voracidade de um tubarão a luminosidade indispensável para captar a natureza, a alma das pessoas e objectos que iniciavam a cominho da imortalidade nas telas dos quadros.</div><div style="TEXT-ALIGN: justify"></div><p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"><?xml:namespace prefix = o /><o:p></o:p>Pedro deu dois passos atrás. Inclinou ligeiramente a cabeça para a esquerda, depois para a direita, como faria um daqueles especialistas de arte, que de especialista tem apenas a vaidade. Não tinha o aspecto típico de um pintor. O cabelo bem penteado, a baba aparada e a roupa perfeitamente comum, algo clássica mesmo. Na roupa nem uma gota de tinta. Pode parecer incrível, mas Pedro não era um pintor comum.</p><div style="TEXT-ALIGN: justify"></div><p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"><o:p></o:p>Esticou o braço e pousou o pincel sobre a mesa de apoio à sua direita. Descolou os dedos da paleta multicolor e deslizou-a até à mesma, cuidadosamente para não se pintar. Cerrou os olhos e contemplou com todo o esplendor da sua imaginação a obra que acabara de finalizar. Era o culminar de muitas horas de dedicação exclusiva, de esforços sem graduação, de emoções, de risos e choros convulsivos, de gritos, de desejos de raiva reprimidos, em suma, a dor e a alegria num só, um pouco como o amor.</p><div style="TEXT-ALIGN: justify"></div><p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify">Mas agora, que podia celebrar o ter chegado ao fim, agora sentia que tinha valido a pena, todo o esforço, toda a dedicação tinham-lhe proporcionado uma recompensa satisfatória. A sua obra-prima estava finalmente terminada. Recordava ainda as primeiras aulas de pintura. Aquele professor, que de pintor tinha só o título que ele próprio se atribuíra. </p><div style="TEXT-ALIGN: justify"></div><p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify">Uma verdadeira besta, era o que ele era. </p><div style="TEXT-ALIGN: justify"></div><p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify">Zurrava–lhes aos ouvidos palavras de incentivo que desanimavam o aluno mais talentoso e empenhado. Na sua cabeça estava ainda fresca, tão fresca quando a tinta da paleta que acabara pousar, a humilhação com que o presenteara num das primeiras aulas. Em alto e bom som , bradou na sua costas um pergunto. </p><div style="TEXT-ALIGN: justify"></div><p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify">- Ó Sr. Pedro, julgava eu que estava a dirigir uma academia de belas artes, mas olhando para os seus quadros fico com a sensação de estar a dirigir uma escola profissional para pintores….de paredes. Onde estava ao senhor quando Deus distribuiu o talento? Quem o convenceu que algum dia poderia vir a ser um pintor, era realmente um óptimo vendedor… ou então pensava que eu era Deus e fazia milagres.</p><div style="TEXT-ALIGN: justify"></div><p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify">Desde aquele dia tomou conta dele uma enorme raiva, a vontade de demonstrar que poderia ser um verdadeiro pintor, nem fosse por uma única vez e produzir uma obra de arte. E ali estava ele, em frente à sua obra de arte, uma verdadeira obra-prima na qual conseguira captar a essência mais pura, o que de mais autentico havia para captar no espírito do Natal. </p><div style="TEXT-ALIGN: justify"></div><p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify">Era esse o tema do seu quadro: O espírito do natal.</p><div style="TEXT-ALIGN: justify"></div><p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify">Sem luzinha coloridas, sem neve artificial, sem pai natal, sem renas com nariz vermelho e nome de pessoa, sem inovações, sem compras, sem corridas e partidas e chegadas, sem falsos e ocos cartões de boas festas, sem beijos hipócritas, sorrisos fictícios e doces que, de tão doces até amargam o verdadeiro sentido do Natal.</p><div style="TEXT-ALIGN: justify"></div><p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify">Era uma obra de contestação e sabia que, como tal, muitos a haveriam de criticar, humilhar mesmo, mas que lhe importava a ele, pois era assim que a sentia, como um grito de desespero e alerta para todos quantos tinham embarcado naquele cruzeiro maravilhoso em direcção a… pois esse era o verdadeiro problema, aquele cruzeiro não tinha destino fixo.</p><div style="TEXT-ALIGN: justify"></div><p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify">Abriu os olhos, e contemplou mais uma vez o quadro. Estava perfeito. O equilíbrio das formas, a harmonia das cores, a unicidade dos elementos, a sua organização, a profundidade, a consistência geral, a simetria, tudo, tudo perfeito.</p><div style="TEXT-ALIGN: justify"></div><p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify">Absorvido pela intensidade da emoção do seu trabalho não percebeu que alguém acabara de galgar o último degrau da escada do farol e penetrara na cúpula de cristal, agira transformada em atelier de pintura e observatório dão mundo.</p><div style="TEXT-ALIGN: justify"></div><p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify">A mão doce e suave enroscada na sua cintura, o leve beijo no pescoço acordaram-no para a realidade.</p><div style="TEXT-ALIGN: justify"></div><p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify">- Está acabado? – Perguntou ela.</p><div style="TEXT-ALIGN: justify"></div><p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify">- Que te parece? – Disse Pedro.</p><div style="TEXT-ALIGN: justify"></div><p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify">- Acho que está perfeito, querido.</p><div style="TEXT-ALIGN: justify"></div><p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify">- Eu também.</p><div style="TEXT-ALIGN: justify"></div><p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify">- Já tem um título? – Perguntou ela delicadamente.</p><div style="TEXT-ALIGN: justify"></div><p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify">- Sim vou chamar-lhe: “Espírito de Natal”. Que te parece?</p><div style="TEXT-ALIGN: justify"></div><p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify">- Parece-me que…que… te Amo.</p><div style="TEXT-ALIGN: justify"></div><p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify">- Eu também. - Disse ele abraçando-a. Ao longe, no horizonte o último raio de sol definhava dando lugar à noite escura, pintalgada no horizonte distante por luzinhas que piscavam anunciado o Natal dos homens.<br /><o:p></o:p></p><div style="TEXT-ALIGN: justify"></div><p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify">No quadro, em fundo cru de tela, brilhava inexplicavelmente a palavra AMOR em grandes letras pretas!<br /><o:p></o:p></p><div style="TEXT-ALIGN: justify"></div><p class="MsoNormal" style="FONT-WEIGHT: bold; FONT-STYLE: italic; TEXT-ALIGN: justify">Esse era o verdadeiro espírito do Natal, uma luzinha que, do cimo do farol, brilhava intensamente para todo o mundo.</p><p class="MsoNormal"><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_yuQOAoQTvrw/R28TVtsE8-I/AAAAAAAAAAM/RuzfMqeMCyI/s1600-h/1591414227_5db1e94ff5.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5147354162870416354" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 365px; CURSOR: pointer; HEIGHT: 197px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_yuQOAoQTvrw/R28TVtsE8-I/AAAAAAAAAAM/RuzfMqeMCyI/s320/1591414227_5db1e94ff5.jpg" border="0" /></a></p><p class="MsoNormal" style="FONT-WEIGHT: bold"><span style="font-size:180%;">Feliz Natal!</span></p><p class="MsoNormal"><span style="font-size:85%;">Crédito da imagem a <a href="http://www.flickr.com/photos/islenska/1591414227/">este senhor</a>.<br /></span></p><p class="MsoNormal"><span style="font-size:85%;">Desculpem as gralhas, depois corrijo, afinal é Natal!<a href="http://www.flickr.com/photos/islenska/1591414227/"><br /></a></span></p>Faroleirohttp://www.blogger.com/profile/01169920831638413623noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7227540.post-1136942049594766572007-08-28T14:01:00.000+01:002007-08-28T15:18:22.459+01:00Apenas Mais Um Dia... Banal<p class="MsoNormal">Parecia que se tinha tornado um vício escrever-lhe à noite. E lá estaria ela, mais uma vez, no dia seguinte (ou no mesmo dia, apenas umas horas mais tarde) ao chegar ao seu local de trabalho e ao ligar o computador lá estaria mais uma luzinha, um raio de sol, ou talvez nada disso, talvez mais uma lágrima, um grito de dor, daqueles que se espetam sem anestesia profundamente na alma, ou simplesmente uma simples nuvem negra a ameaçar borrasca, para ensombrar o começo de um novo dia.<br /></p> <p class="MsoNormal">Na verdade não sabia bem como olhava ela estas mensagens, tinha sempre muitas dúvidas antes de as enviar, mas relendo o seu mail de ontem, um que começava com “Vou ser breve, porque quero e tenho que ser breve…”, que mais lhe podia dizer, que mais lhe podia dizer com palavras que ela não tivesse já compreendido pelos actos?<br /></p><p class="MsoNormal">Voltando o pensamento para a sua última mensagem, cada vez que a lia vários pensamentos dominam a sua mente, é claro que não lhe ia contar nenhum, não acreditasse que lhe fizesse bem ouvir alguns.<br /></p> <p class="MsoNormal">Depois de pensar um pouco, concordou com ela, pois deixar a vida ao acaso era perigoso, muito perigoso, talvez tanto ou mais perigoso do que o tinham (ou não tinham) presentemente. Apesar de tudo hoje portara-se bem e resistira a enviar-lhe um único sms durante o dia e nem mesmo à noite tinha capitulado ao desejo, à tentação. A vontade era muita, mas não o fizera. No fim sentia falta das suas palavras, ainda que fosse apenas na ponta dos dedos. Sentia a falta da razão que lhe dizia que “como não queremos, pronto, acabou.”, numa voz arrastada, em que cada palavra brota do canto do olho esborratada por uma enorme vontade de gritar algo bem diferente. Lembrava até um sorriso, um sorriso singelo, bonito mas que tivera a capacidade de o gelar por completo.</p> <p class="MsoNormal">Partir ou ficar, que dói mais? Ainda não conseguira compreender. Com a mente pejada de imagens elas, dos escassos momentos em que estiveram a sós, contudo infelizmente nunca puramente sozinhos. Lembrar como a apertara …, lembrar, lembrar, lembrar, apenas lembrar um nada que mesmo assim teimava em ser tudo, um vazio repleto de pequenos nadas que preenchem um espaço infinito.</p> <p class="MsoNormal">Não sabia o dia de amanhã, não o queria saber, e se alguém soubesse, o melhor mesmo é pegar na borracha, porque iria ter que apagar e corrigir muitas vezes, não lhe iria facilitar a vida, nunca o fizera e não era agora que o iria fazer.</p> <p class="MsoNormal">O dia começara nos correios. Tinha o nº 745 e a última pessoa que o placard eletrónico libertara da prisão da espera tinha sido o 482, por isso decidiu deambular pelos expositores olhando os livros. É então que um livro sobre os signos em banda desenhada lhe despertou a atenção. Não era o seu estilo preferido, mas não pudera deixar de ler o que dizia do seu signo que também era o dela. Grande surpresa! Descobriu que não era nada do que lá estava,… bem nada, nada, também não era assim completamente . É claro que o pensamento voou para o pé dela e para as primeiros mensagens que trocaram há..., há tanto tempo. </p> <p class="MsoNormal">Bolas, mas como conseguia e porque motivo ela se infiltrava nas coisas mais simples para que pensasse nela? Até um simples pacote de açúcar lhe lembrava a gargalhada do adoçante. Qual é o seu segredo, será que ela lhe conseguia ensinar… assim podia ser que conseguisse um antídoto para este veneno que lhe adoçava os dias.</p> <p class="MsoNormal">Não iria escrever mais, hoje não, amanhã talvez, mas também não dava certezas, não queria que nenhum “master plan” tomasse conta de uma vida que era só dela e a mais nenhuma divindade pertencia. Ficavam por ali as palavras cansadas de hoje, afinal mais palavras para quê, quando as palavras calam as emoções que os sentimentos bradam,… mais palavras para quê.</p> <p class="MsoNormal">Não sei se ela conseguiria chegar até ali, ou se apenas leria o primeiro parágrafo e como lhe tinha aconselhado, reciclara prematuramente os bits e os bytes daquela mensagem, para que outros sentimentos se propaguem pelos caminhos, nem sempre rectos, deste universo imperfeito, e no qual os sentimentos mergulham e se afogam num oceano de regras, normas, princípios, costumes, tradições, num oceano em que a fronteira entre o certo e o errado é aquela fina linha no horizonte que separa o mar do céu, e que nunca ninguém foi capaz de apagar.<br /></p><p class="MsoNormal">Mas para o caso de chegar até aqui, então ficaria a saber que estava com ela apesar de…do oceano que os separava.</p>E assim terminava mais um dia, um dia simples, banal e sem emoções...<br /><br /><span style="font-style: italic; font-weight: bold;">...um dia triste sem Amor.</span><br /><br /><div style="text-align: center;"><img src="http://img.photobucket.com/albums/v434/luzinhas/solidao-1.jpg" /><br /></div>Faroleirohttp://www.blogger.com/profile/01169920831638413623noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7227540.post-24284804870545683932007-08-28T02:04:00.000+01:002007-08-28T02:21:04.422+01:00Refúgio de Amor<p class="MsoNormal">A lua nova estava opulenta, irradiando um brilho que ofuscava a claridade da noite. Parado na soleira da porta, admirava aquele céu incrivelmente brilhante despido de estrelas. Apenas uma ou duas estrelas mais teimosas, lutavam por um lugar no olhar, todas as outras tinham sido ofuscadas pela beleza da lua.</p> <p class="MsoNormal">A beleza daquela luz contrastava com a escuridão que reinava no seu interior. Bem, na verdade nem sabia se era escuridão. Aquele era um daqueles dias em que sentia que nem sabia como se sentia. </p> <p class="MsoNormal">Que confusão! Até as palavras reflectiam a profunda desordem que reinava no seu interior. Inspirou fundo tentando aspirar toda a luz daquela noite, podia ser que ela o ajudasse a iluminar os seus sentimentos. Inclinou o tronco para a frente em claro desequilíbrio, prontamente corrigido pelas pernas, dando início à marcha. </p> <p class="MsoNormal">Não tinha propriamente um destino, ou uma rota, mês tinha esperança que aquela caminhada servisse para colocar alguma ordem nos pensamentos e racionalizar o que sentia.<span style=""> </span></p> <p class="MsoNormal">Na verdade era estranho, mesmo muito estranho pois sentia-se vazio, mas ao mesmo tempo estava completamente preenchido, cheio com um vácuo imensamente grande, também ele cheio de um vazio pleno, mas que, ao mesmo tempo servia para encher. </p> <p class="MsoNormal">Como era possível, o vazio encher algo?</p> <p class="MsoNormal">Ali estava uma boa questão filosófica.</p> <p class="MsoNormal">Por momentos parou, parece que toda a sua energia tinha sido consumida instantaneamente. Era só o que estava necessitar. Já se sentia o suficientemente mal, para ainda ter de estar á procura de respostas a questões filosóficas, pensou. Mas talvez... se encontrasse a respostas aquela pergunta, talvez conseguisse compreender melhor o que sentia. Mas eram muito talvez, mas conseguir algo de concreto.</p> <p class="MsoNormal">Na verdade sentia-se desprotegido, era isso, sentia-me como uma criança que se perdeu dos pais na colossal festa de verão. Centenas de caras passavam por ela, riam, gritavam, falavam, olhavam para ela a chorar, mas nenhuma lhe estendia a mão.</p> <p class="MsoNormal">Sentia que necessitava de um abrigo, urgente! Não um abrigo com paredes e telhado, com portas e janelas. Não, definitivamente não era esse o abrigo que necessitava. O seu abrigo era diferente. O que lhe fazia realmente falta era um porto de abrigo, um refúgio sem limites, sem grades reais ou virtuais. </p> <p class="MsoNormal">Sentou-se num pequeno banco, típico mobiliário urbano, como lhe chamam agora. Aquele banco poderia bem ser o seu refúgio, o seu porto de abrigo. Afinal não tinha limites, paredes ou telhado que o oprimissem. </p> <p class="MsoNormal">O que muito simplesmente necessitava eram dois braços que o aconchegassem e duas mãos meigas que o acariciassem, e uma voz meiga, suave e encantada de uma sereia, que ao ouvido lhe cantasse uma bela melodia e lhe dissesse: Je T’adore.</p> <p class="MsoNormal">Essa era o refúgio que mais desejava. O único que verdadeiramente o poderia proteger das tormentas que assolavam a agreste costa da sus existência. O murmurar do mar ao enrolar na areia dizendo: My Dear, Sweetie, Meu doce pecado, ai como a desejava ali.</p> <p class="MsoNormal">Meteu a mão no bolso e apanhou o telemóvel. Sem pensar mais procurou na agenda o número dela para lhe ligar. Ligou e ficou a aguardar. Atrás de si um telemóvel tocou. Virou-se instintivamente, pois imaginou que … Apenas algumas pessoas que caminhavam ao longo da avenida e que por coincidência o telemóvel de uma tocou no instante em que passavam naquele ao banco. </p> <p class="MsoNormal">Claro que não podia ser. O dela também tocaria, mas seguramente bem longe dali, tão longe que seria possível ouvi-lo. Desligou a chamada sem sequer tentar ver se ela tinha atendido. Voltou à posição inicial. Guardou o telemóvel no bolso e debruçando-se, resguardou a cabeça entre as mãos. </p> <p class="MsoNormal">Era o único refúgio possível!</p> <p class="MsoNormal">Começou então a sonhar, fantasiava com duas mãos que, por trás o abraçavam naquele momento, os lábios encostados ao seu ouvido murmuravam Adoro-te, e depois o beijavam. Era uma fantasia bela e tão desejada que quase lhe parecia real. Sentiu os braços, as mãos e até conseguiu ouvir a voz.</p> <p class="MsoNormal">- Estavas a pensar em mim? -Mais uma vez em harmonia, não é?</p> <p class="MsoNormal">Aquela voz, o calor da sua respiração, o trovejar suave, os micro-relâmpagos que provocava a pele dela encostada na dele e que lhe eriçava os sentidos era demasiado real para ser fruto da sua imaginação.</p> <p class="MsoNormal">Virando-se lentamente, olhou-a profundamente nos olhos, acariciou-lhe o cabelo, o rosto, atravessou os lábios lentamente e beijo-a por fim disse-lhe:</p> <p class="MsoNormal">- Contigo sinto-me seguro.</p> <p class="MsoNormal"><b style=""><i style="">Ela era o seu refúgio, o seu porto de abrigo.<o:p></o:p></i></b></p><div style="text-align: center;"><img src="http://img.photobucket.com/albums/v434/luzinhas/1768069.jpg" /></div>Faroleirohttp://www.blogger.com/profile/01169920831638413623noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7227540.post-22651987571445223122007-08-01T18:35:00.000+01:002007-08-01T20:10:55.185+01:00Clamor de AmorSuspiro<br />Suspiro longamente<br />Profundamente<br />Como o peixe<br />Que agoniza a vista da morte<br />Certa<br />Anunciada pelas redes<br />E alcançada<br />Nas mãos do pescador<br /><br />Grito<br />Grito perdidamente<br />Mudo no desespero<br />Como a ave<br />Que se atravessa<br />No caminho da bala do caçador<br /><br />Choro<br />Choro convulsivamente<br />Com uma criança<br />Um bebé<br />Sedento de leite<br />Sôfrego pela vida<br />Que jorra do peito<br />De sua mãe<br /><br />Clamo<br />Clamo por ti<br />Pela pureza do teu sorriso<br />Pela doçura dos teus lábios<br />Pelo teu olhar meigo<br />Pelo calor da tua pele<br />Pela entrega plena<br />Pela intensidade<br />Pela paixão<br />Pela loucura<br />Brado por ti como um louco<br />Como uma criança travessa<br />Que<br />Sem pudor<br /><span style="FONT-WEIGHT: bold; FONT-STYLE: italic"><br />Implora pelo teu Amor<br /><br /><br /><br /></span><div style="TEXT-ALIGN: center"><span style="FONT-WEIGHT: bold; FONT-STYLE: italic"><img src="http://img.photobucket.com/albums/v434/luzinhas/Implorar_sm.jpg" /></span><br /><span style="FONT-WEIGHT: bold; FONT-STYLE: italic"></span></div>Faroleirohttp://www.blogger.com/profile/01169920831638413623noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7227540.post-56844291597818704602007-07-20T02:58:00.000+01:002007-07-21T00:39:13.430+01:00Razão de Viver<p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;">A estrada desaparecia sem pressa sob a frente do carro. Tomás completamente embriagado pelos pensamentos permitia que, quase sozinho, o automóvel o conduzisse a casa, quase como aquele nostálgico cavalo dos filmes de cowboys que deixa o seu cavaleiro à porta sem qualquer ajuda.</p> <p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;">No seu pensamento uma frase central:</p> “Não pedimos para nascer<br /><span style=""> </span>Não mandamos no morrer<br />Vamos aproveitar o intervalo” <p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;">Simples, curta, directa, contudo tão complexa de implementar. Dissecando a frase começaria pelo nascer. Era verdade, ninguém pede para nascer, mas a verdade é que nascemos. Nascemos e vivemos, pelo menos alguns. Outros, apesar de nascerem, é como se não vivessem, ou vivendo, mais parecem não viver. </p> <p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;">A questão fundamental estava em determinar o que é viver. </p> <ul><li>Viver é respirar?</li><li>Viver é comer?</li><li>Viver é falar?</li><li>Viver é andar?</li><li>Viver é ver?</li><li>Viver é ouvir?</li><li>Viver é pensar?</li><li>Viver é cheirar?</li><li>Viver é comunicar?</li><li>Viver é….?</li><li>Viver é….?</li></ul>Afinal o que é viver? <p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;">Esta era a pergunta para a qual procurava Tomás uma resposta. </p> <p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;">Com o <span style="font-style: italic;">Cruise Control</span> (virtual) ligado, o carro avançada a uma velocidade constante, elevada, mas, ainda assim, ridiculamente baixa quando comparada com a velocidade do seu pensamento. </p> <p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;">Afinal, o que verdadeiramente definiria o viver, essa era a questão.<br /></p><p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;">Uma questão filosófica sem dúvida. Uma daquelas questões enfadonhas, capazes de colocar o mais feroz tubarão a dormir como um anjinho antes de conseguir abocanhar a sua presa. No entanto, mesmo as questões filosóficas podem, por vezes ter uma resposta simples.<br /></p><p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;">Essa é a beleza do pensamento, do raciocínio ilógico, abstracto, irracional, incoerente com os padrões da sociedade, mas não menos verdadeiro e real. A beleza de procurar respostas onde não há perguntas, ter perguntas para as quais não há respostas lógicas e coerentes e no final perceber que, apesar do insólito das situações e dos pensamento, tudo bate certo, porque….afinal, some things are meant to be!</p> <p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"><o:p> </o:p></p> <p style="text-align: center;" class="MsoNormal"><span style="" lang="EN-GB">You can find things meant to be<br />If you look hard into the sea<br />As the waves land on the beach<br />I feel her eyes fixed on me<br />Through the wind in the trees<br /><br />Mother nature she speaks<br />Take what she says<br />Let your heart do the rest<br /><br />It's in the wind<br />It's in the trees<br />It's in the way you smile<br />At me<br />It's in the waves up from the sea<br />It's in the way you feel<br />When you're pleased<br />It's all meant to be<br />It's all meant to be<br /><br />Your heart knows where to go<br />But your mind can take it slow<br />It's okay to rest your mind<br />Let your heart seek and find<br /><br />It's in the wind<br />It's in the trees<br />Listen hard and you<br />Will see<br />It's in the waves up from the sea<br />It's in the way you feel<br />When you're pleased<br />It's all meant to be<br />It's all meant to be<br />These are things just meant to be<br />These are things like you and me<br /><br />It's all meant to be<br />It's all meant to be<br /><br />These are things just meant to be<br />These are things like you and me<br />Mother nature sings and breathes:<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"><span style="" lang="EN-GB"><o:p> </o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"><br /></p><p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;">No final viver é algo tão simples. Viver é sentir. Viver é olhar, tocar, ouvir, cheirar, saborear. Viver é sentir emoções, é desejar, é dar e receber, viver é recordar, viver é chorar, viver é sentir falta, viver é amar. Tomás tinha consciência que sempre o soube, mas que, por algum capricho da natureza, morrera antes de viver. </p> <p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;">Na verdade quantas pessoas acordam todos os dias mortos, afogados em problemas, em desgostos, em responsabilidades, afundados sob milhares de milhões de grãos de areia, de pó, que se acumulam dia após dia nas suas vidas impedindo-os de viver. Até que, um dia, inesperadamente, sem aviso prévio, uma onda de mar, de braços abertos varre a areia que durante anos se acumulou sobre as suas vidas e, sem mais, voltam a viver.</p> <p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;">Tomás adorava viver, era um verdadeiro apaixonado pela vida, pelo cheiro, pelo toque, pelo olhar, por escutar, por rir, por saborear, por beijar, por amar, ainda que a maior parte do tempo permanecesse sepultado por toneladas de areia e grão de pó. Só uma força extraordinária, um oceano de vida poderia varrer tanta areia e colocar à vista a luz do farol, a luz que se estende pelos oceanos da vida para nos guiar a um porto seguro.</p> <p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"><o:p></o:p>Se aquilo que sentia era, ou não, um intervalo entre duas tempestades de areia pouco lhe interessava naquele momento, o que sinceramente lhe interessava é que vivia e recordava com intensidade os momentos juntos, encaixados um no outro, o toque, as carícias, os beijos, os sorrisos, o olhar meigo, o cheiro, o sabor dos seus lábios, e mais, muito mais. Passava-lhe tudo pela frente, como a vida passa aos olhos de um condenado, neste caso, não à morte, mas sim à vida.</p> <p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"><o:p> </o:p>Pegou no telemóvel e marcou os números. Esperou que os intermináveis pis terminassem para anunciarem uma presença do outro lado.</p> <p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;">Uma voz suave e meiga surgiu do outro lado.</p> <p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;">- Olá! disse ela.</p> <p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;">- Olá! Eu sei que ainda estivemos juntos, mas fica sempre tanto por te dizer…</p> <p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;">- Eu sei – disse ela. – Isso é também o que sempre sinto.</p> <p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;">- Tenho algo de importante que gostaria de te dizer – continuou ele. – Pensava na questão que nunca me colocaste, mas para a qual julgo ter uma resposta.</p> <p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;">- De que falas?</p> <p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;">- De nade em especial – brincou ele – e de tudo. Há algo muito pequeno que que gostaria de te dizer. É importante que to diga.</p> <p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;">- Então diz!</p> <p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;">- Sabes...- soluçava ele - …que hoje descobri que vivo. Agora sei que vivo. Sei que vivo porque me fazes viver. </p> <p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;">- Queria agradecer-te…, dizer-te obrigado, bem…o que te queria dizer é que…</p> <p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; font-weight: bold; font-style: italic;">- …Obrigado por me devolveres à vida!</p><p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; font-weight: bold; font-style: italic; text-align: center;"><span style="font-weight: normal;"><img src="http://img.photobucket.com/albums/v434/luzinhas/Abrao.jpg" /></span><br /></p>Faroleirohttp://www.blogger.com/profile/01169920831638413623noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7227540.post-79849139898101384862007-07-19T00:44:00.000+01:002007-07-19T00:54:38.248+01:00Poema de Amor e Pele<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.85pt 12pt 0cm;"><span style="font-size: 10pt; font-family: "Century Gothic";">A brisa fria da nortada varria a areia depositada pelos veraneantes na marginal. Os pés enfarinhados de areia foram matraqueando em coro as pedras da calçada portuguesa. Os grãos de areia bem se esforçavam por se agarrar à pele, por manter a sua ligação aos corpos dourados pelo sol, mas a golpes turcos de toalha, foram, um a um, perecendo, indo acabar agonizantes no pavimento. <o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.85pt 12pt 0cm;"><span style="font-size: 10pt; font-family: "Century Gothic";">Era triste aquela imagem da areia moribunda na calçada. Felizmente a nortada aparecera, fria e protectora e sopro após sopro, empurrava afectuosamente cada grão novo para a praia, para junto dos outros grãos, num gesto quase maternal.<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.85pt 12pt 0cm;"><span style="font-size: 10pt; font-family: "Century Gothic";">Olhando profundamente o mar, inspirou longamente até não lhe caber mais ar nos pulmões. Reteve-o durante longos segundos, numa tentativa frágil de guardar dentro de si as memórias que nele se avivavam.<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.85pt 12pt 0cm;"><span style="font-size: 10pt; font-family: "Century Gothic";">Mas sabia que era hora de partir. Contrariado foi libertando o ar lentamente, observando como se diluía nas memórias de tantas outras pessoas. Ajustou a camisola de algodão sobre os ombros, virou as costas ao mar e dirigiu-se para o pequeno descapotável estacionado junto à calçada.<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.85pt 12pt 0cm;"><span style="font-size: 10pt; font-family: "Century Gothic";">O carro rodava já paralelo à marginal, descontraído, como alguém que vagueia apenas pelo simples prazer de passear. Mas era precisamente o contrário. Aquela calma aparente era resultado da agitação de sentimentos que o conduziam. A marginal acabara, à frente a estrada tornava-se mais estreita e sinuosa, não seria fácil transportar tão grande carga sentimental por tão exígua estrada. Inconscientemente aliviou a pressão sobre o acelerador. Ao longe vislumbrava já a silhueta do Farol da Boa Viagem. Uma dúvida pairava sobre a sua cabeça, uma incerteza que, nunca como agora, desejou manter inalterada. A incógnita de saber se ela estaria lá. Afinal tinham já passado alguns meses desde que se tinham visto pela última vez. Não muitos em quantidade mas colossais em dimensão, <st1:personname productid="em afastamento. A" st="on">em afastamento. A</st1:PersonName> aproximação fazia crescer nele o medo, o receio de uma viagem <st1:personname productid="em v ̄o. Na" st="on">em vão. Na</st1:PersonName> verdade nunca seria em vão, pois levaria dali uma resposta, talvez não fosse a esperada, mas não deixava de ser uma resposta.<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.85pt 12pt 0cm;"><span style="font-size: 10pt; font-family: "Century Gothic";">A distância ia-se dissipando e a silhueta do farol crescia exponencialmente no cimo da falésia. <o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.85pt 12pt 0cm;"><span style="font-size: 10pt; font-family: "Century Gothic";">Chegara finalmente, e tal como temera, não estava lá ninguém. Olhou o relógio, o qual, apesar da sofisticação não possuía a responder à pergunta que fustigava a mente como uma tempestade marítima: Estaria ela atrasada, ou simplesmente não viria?<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.85pt 12pt 0cm;"><span style="font-size: 10pt; font-family: "Century Gothic";">Saiu do carro e dirigiu-se ao pequeno miradouro por onde os olhos do farol miravam o oceano. Não era fácil estar ali sozinho. O farol tinha para ele um significado muito especial. A comunhão dele com o mar, a luta desigual que travava todas as noites com a cegueira, procurando levar luz aos olhos cansados dos marinheiros, a harmonia e a beleza daquele lugar fazia despontar nele um bem-estar, uma sensação de protecção e liberdade ao mesmo tempo, que nunca conseguira nem tentara explicar.<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.85pt 12pt 0cm;"><span style="font-size: 10pt; font-family: "Century Gothic";">Mais um dia de verão que chegava ao fim. Ao longe, bem ao longe, o sol, naquela tarde de um tamanho descomunal partia numa viagem com regresso anunciando.<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.85pt 12pt 0cm;"><span style="font-size: 10pt; font-family: "Century Gothic";">Desviou o olhar em direcção à estrada que serpenteava junto ao mar, e pareceu-lhe ver um carro que se aproximava. Sentiu o coração bater mais depressa, uma excitação infantil apoderou-se dele. Mais duas curvas e conseguiria identificar o carro. Casou o olhar com a estrada e segundos depois teve a certeza. As mãos começaram a suar, os dedos tremelicavam, do pensamento brotavam palavras com as atabalhoadamente tentava construir um discurso coerente para quando ela chegasse. <o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.85pt 12pt 0cm;"><span style="font-size: 10pt; font-family: "Century Gothic";">Voltou apressadamente para junto do seu carro. Ela estacionou ao em frente a si. <o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.85pt 12pt 0cm;"><span style="font-size: 10pt; font-family: "Century Gothic";">Elegante, com os cabelos a esvoaçar ao sabor do vento, dirigiu-se a ele. As várias frases que tão meticulosamente tinha preparado afundaram-se bruscamente naquele mar agitado de sentimentos rendidas à frase muda que ela tinha para ele. Dois braços, estendidos e abertos ofereciam um acolhimento impossível de recusar. <o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.85pt 12pt 0cm;"><span style="font-size: 10pt; font-family: "Century Gothic";"><o:p></o:p>Eram o porto de abrigo um do outro! Unidos por um abraço só comparável em intensidade ao abraço da lapa à rocha, ele começou a murmurar palavras ao seu ouvido.<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.85pt 12pt 0cm;"><span style="font-size: 10pt; font-family: "Century Gothic";">-Ohh! Pensei que não vinhas – Disse ele após alguns momentos.<span style=""> </span><o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.85pt 12pt 0cm;"><span style="font-size: 10pt; font-family: "Century Gothic";">- E eu pensei que tu não estivesses. – Disse-lhe ela.<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.85pt 12pt 0cm;"><span style="font-size: 10pt; font-family: "Century Gothic";">- Como poderia não vir, não pensei noutra coisa desde que falámos.<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.85pt 12pt 0cm;"><span style="font-size: 10pt; font-family: "Century Gothic";">- Eu também.<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.85pt 12pt 0cm;"><span style="font-size: 10pt; font-family: "Century Gothic";">- Harmonia! – Disseram os dois em uníssono, libertando uma leve risada.<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.85pt 12pt 0cm;"><span style="font-size: 10pt; font-family: "Century Gothic";">- Vamos entrar? – Perguntou ele.<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.85pt 12pt 0cm;"><span style="font-size: 10pt; font-family: "Century Gothic";">- Não é possível… tu… conseguiste!? - Disse ela num misto de admiração e espanto.<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.85pt 12pt 0cm;"><span style="font-size: 10pt; font-family: "Century Gothic";">- Sim consegui a chave do farol! – Exclamou ele, enquanto metia a mão no bolso, de onde saiu recheada com uma chave. – Vamos poder finalmente partilhar a sós o farol.<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.85pt 12pt 0cm;"><span style="font-size: 10pt; font-family: "Century Gothic";">- Ela sorriu e sem dizer mais, libertou-se do abraço e puxando-o, guiou até à porta do farol.<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.85pt 12pt 0cm;"><span style="font-size: 10pt; font-family: "Century Gothic";">Entraram em silêncio de mão dada, ela à frente. Seguiram directamente em direcção às escadas, alheios a tudo o resto. Subiram os inúmeros degraus que davam acesso ao varandim da lâmpada. Aí mais uma vez, olhando o horizonte profundo, entregaram-se um ao outro num abraço sereno. <o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.85pt 12pt 0cm;"><span style="font-size: 10pt; font-family: "Century Gothic";">Ele, afastando-lhe os longos cabelos, beijava-lhe suavemente o pescoço. Levantou ligeiramente a camisola dela, deixando os seus dedos deambularem à procura do calor que se desprendiam da pele suave. Tacteando foi percorrendo ternamente a pele que se arrepiava ao toque. Ao ouvido ia-lhe murmurando em silêncio sentimentos, tristezas que não ousava libertar. <o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.85pt 12pt 0cm;"><span style="font-size: 10pt; font-family: "Century Gothic";">Aquele era o seu momento, um daqueles raros momentos de eterna comunhão, um raro momento, um instante que iria ficar gravado neles para o resto da vida. Eram momentos como aqueles que davam vontade de agradecer a dádiva da vida, ainda sabendo que aquela alegria se iria desvanecer como uma névoa na alvorada de um novo dia, ou um novo instante.<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.85pt 12pt 0cm;"><span style="font-size: 10pt; font-family: "Century Gothic";">Afastou-a ligeiramente de si, e mergulhando sem medo no seu olhar, sentiu o calor de um mar tropical. Aproximando-se ligeiramente pousou nos seus lábios um beijo, que ela recolheu carinhosamente. <o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.85pt 12pt 0cm;"><span style="font-size: 10pt; font-family: "Century Gothic";">Ambos sabia que aquele momento teria um fim, mas não queria pensar nisso, e entregavam-se de corpo e alma, bebendo cada instante como se fosse o último. E poderia bem ser. As suas vidas eram duas linhas paralelas, que por uma anomalia inexplicável do tempo e do espaço, que nem Einstein seria capaz de explicar, intersectaram-se num ponto da sua viagem pelo universo finito do tempo. <o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.85pt 12pt 0cm;"><span style="font-size: 10pt; font-family: "Century Gothic";">Agora restava-lhes espera pela inevitabilidade de outra anomalia voltar a separar as linhas das suas vidas. Havia contudo algo que já não teria solução. Ambos transportavam agora em si aqueles momentos tatuados no corpo na alma, e por mais que se afastassem as linhas das suas vidas, jamais, jamais se perderiam de vista, pelo menos até que a luz que iluminava cada um dos seus caminhos se extinguisse. <o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.85pt 12pt 0cm;"><span style="font-size: 10pt; font-family: "Century Gothic";">Ela beijou-lhe os olhos com o olhar e puxando-o para si, murmurou-lhe ao ouvido:<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.85pt 12pt 0cm;"><span style="font-size: 10pt; font-family: "Century Gothic";">- My dear, Je T’Adore!<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.85pt 12pt 0cm;"><span style="font-size: 10pt; font-family: "Century Gothic";">Ele permaneceu em silêncio, abraçado a ela e foi deslizando suavemente as mãos pelas costas dela. Pareciam movimentos erráticos, sem sentido, mas não eram.<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.85pt 12pt 0cm;"><span style="font-size: 10pt; font-family: "Century Gothic";">Ela parecia não dar conta que, ele estava a tatuar uma mensagem na pele dela. Lentamente ia desenhando cada letra, uma a uma. Quando terminou de desenhar as letras deixou repousar as mãos na base das costas dela e beijou-lhe suavemente a face.<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.85pt 12pt 0cm;"><span style="font-size: 10pt; font-family: "Century Gothic";">Enquanto aguardavam pelos desígnios supremos do tempo ou do espaço que os iriam separar, ela, elevando-se em bicos de pés, abraçou-o ainda mais fortemente, colou os lábios ao ouvido dele e sussurrou…<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.85pt 12pt 0cm;"><span style="font-size: 10pt; font-family: "Century Gothic";"><span style="font-weight: bold; font-style: italic;">- Querido, eu também te Amo!</span><o:p></o:p></span></p> <div style="text-align: center;"><img src="http://img.photobucket.com/albums/v434/luzinhas/Beijo_farol.jpg" /></div>Faroleirohttp://www.blogger.com/profile/01169920831638413623noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7227540.post-49175764817181861642007-07-09T13:37:00.000+01:002007-07-09T12:39:10.838+01:00Palavras de Amor e de Dor<p class="MsoNormal">As palavras eram…suaves, meigas, até doces, notava-se claramente que a sua escolha tinha sido cuidada e muito criteriosa, contudo ela senti-as cravarem-se-lhe na carne como se de espinhos se tratassem, pequenas agulhas cuja dor ultrapassa em muito a banal dor física. A dor começava a cada letra de cada palavra e crescia letra a letra até atingir o auge no golpe fatal da última letra, aquela que dava sentido à palavra. Depois um instante de descanso, no vazio do espaço até à palavra seguinte para a tortura recomeçar novamente. </p> <p class="MsoNormal">Duas páginas, duas enormes páginas, eram o tamanho desta tortura, duas gigantescas páginas que lera e relera vezes sem conta, e que agora recordava na dor infinita da alma.</p> <p class="MsoNormal">Agora que a tarde chegava ao fim, daquele banco na marginal da praia, olhava o sol, também ele vermelho de dor, a dor da partida. Começara a hora de ponta no areal. Toalhas ao vento libertavam a areia presa nas malhas do turco; Oh se fosse assim tão fácil libertar-se dos grãos de areia que cravados no seu coração a faziam sofrer. </p> <p class="MsoNormal">Jovens trocavam os últimos beijos de amor em despedidas sentidas, mães vestiam as T’shirt’s às crianças, enquanto os pais arrumavam os objectos da brincadeira, para depois, todos em fila, vê-los partir pelos carris da linha por onde não circulavam comboios.</p> <p class="MsoNormal">Aos poucos a praia ficava deserta. Ao longe apenas alguns enamorados resistiam, abraçados, aconchegados pelo calor das as toalhas olhavam o horizonte, onde lentamente o sol iam fazendo a corte à lua, para depois adormecer cansado do esforço. Um esforço em vão, pois nunca conseguira obter dela mais do que uma mão estendida e que ele nunca conseguira agarrar. Mas nem por isso desistira, não. Todos os dias repetia o ritual de estender a mão à lua, sabendo-se que esse gesto iria morrer como o do dia anterior… sozinho.</p> <p class="MsoNormal">Às vezes deseja ser como o sol, forte, decidida e com a energia para dia após voltar a lutar, ainda que essa luta pudesse resultar em…nada.</p> <p class="MsoNormal">Apetecia-lhe enfiar os pés na areia, sentir os ténues sopros de calor que emanavam da areia. Levantou-se lentamente e com passos lentos foi caminhando em direcção ao mar. Descalçou os mocassins e enterrou os pés na areia ainda quente se sentiu o calor percorre-la num tremor frio que lhe arrepiou a pele toda.</p> <p class="MsoNormal">Duas lágrimas começaram a ganhar forma nos olhos castanhos, ternos e tristes. Aquelas lágrimas tinham acendido um brilho especial no seu olhar distante e melancólico. </p> <p class="MsoNormal">Recompôs-se, passou ou dedos pelos olhos e com os mocassins na mão direita foi caminhando em direcção ao mar até sentir a areia húmida. Aproveitou a fronteira para se sentar, pousando cuidadosamente os sapatos à sua direita. Olhou o sol no horizonte e o magnifico reflexo do gigantesco espelho de água que se estendia à sua frente. </p> <p class="MsoNormal">Um mar que parecia não ter limite, tal como a sua dor. </p> <p class="MsoNormal">Encolheu as pernas aproximando-as do peito e com os abraços abraçou-as. O olhar continuava fixo no horizonte, alheio aos movimentos na praia, mas o pensamento, esse remava em direcção ao cais do seu porto de abrigo. Aumentou a força do abraço às suas pernas, procurando resgatar do naufrágio eminente o calor, a paz e segurança e o conforto dos braços que noutras viagens a tinham afagado de forma vigorosa, mas imensamente terna.</p> <p class="MsoNormal">Na sua cabeça, duas palavras ocupavam o espaço que outrora pertencerá a milhares, milhões biliões de outras palavras, tanto espaço ocupado agora por apenas duas palavras: E agora? </p> <p class="MsoNormal">Que seria da sua vida agora? Teria força para continuar, como o sol, a voltar a brilhar todos os dias para alegrar o mundo à sua volta?</p> <p class="MsoNormal">Levou a mão direita ao cabelo castanho, longo. Alisou-o e sem dar conta, num acto reflexo, prendeu parte na orelha indo o restante, por trás da cabeça, repousar sobre o seu ombro esquerdo, deixando desprotegido a pele sensível do pescoço. A brisa do norte, fria, beijou-lhe o pescoço desnudo, provocando nela um ataque de choro. Recordou o gesto, aquele gesto era o preferido dele, prender-lhe o cabelo na orelha e beijar-lhe o pescoço.</p> <p class="MsoNormal">Chorava agora compulsivamente, não fazendo qualquer esforço por conter o choro. Tinha a esperança que as lágrimas que agora rumavam em rios fartos de uma chuva intensa de sentimentos em direcção mar fossem capazes de varrer os grãos de dor que inundavam o seu coração.</p> <p class="MsoNormal">As mãos cobriam agora o rosto, onde a dor tinha ganho o papel de protagonista. Levou a mão ao bolso, de onde retirou as folhas, as duas gigantescas folhas, repletas de palavras, palavras suaves, meigas, até doces. Jamais pensou que palavras tão ternas pudessem causar tamanha dor. </p> <p class="MsoNormal">Enquanto mirava as folhas presas nos dedos, pensou nos momentos de felicidade, de paz e alegria delirante, quando sentia os seus dedos percorrerem-lhe delicadamente a pele macia, despertando-lhe os sentidos para uma excitação frenéticas de um turbilhão de sensações únicas e inesquecíveis. </p> <p class="MsoNormal">Recordava como o olhar dele procurava incessante o seu, parecia querer prender-lho. Lembrava como ele gostava de mergulhar no seu olhar, e como ela fugia. O seu olhar era a porta de um mundo que era só seu, um jardim repleto de flores lindas e delicadas, demasiado delicadas para serem expostas ao um mundo cruel, frio e sem noção do valor dos sentimentos.</p> <p class="MsoNormal">Abriu as folhas com a intenção de as voltar a ler, letra a letra, espinho a espinho, pétala a pétala, flor a flor, mas desistiu.</p> <p class="MsoNormal">Ai se somente pudesse… se pudesse voltar atrás, teria aproveitado todos os minutos de prazer, todos os instantes que não se repetiriam, teria aproveitado cada segundo de prazer daquele amor que agora sabia ser fugaz, devorado pelo sanguinário tempo.</p> <p class="MsoNormal">Abriu uma cova na areia, depositou nela as folhas, regou-as com o fruto da dor do seu amor que, partindo do cantos dos seus carinhosos atravessava a face que outrora ele acariciara. Aconchegou as folhas com areia, tampando por completo a pequena cova. Alisou a parte superior, e escreveu: “SAUDADE”. </p> <p class="MsoNormal">Em seguida levantou-se, inspirou fundo deixando a humidade da brisa marítima preencher-lhe os pulmões e virando as costas ao mar e ao sol que entretanto quase desaparecera, partiu deixando na areia um rasto de lágrimas de amor que se recusavam a perder-se na areia e brilhariam eternamente à luz das estrelas, <span style="font-weight: bold; font-style: italic;"><br /></span></p><p class="MsoNormal"><span style="font-weight: bold; font-style: italic;">...indicando o caminho do seu coração</span>.</p> <div style="text-align: center;"><img src="http://img.photobucket.com/albums/v434/luzinhas/AGPix_evergreen_0070_Lg.jpg" /></div>Faroleirohttp://www.blogger.com/profile/01169920831638413623noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7227540.post-40172697247232237882007-07-07T00:17:00.000+01:002007-07-07T03:01:53.577+01:00Fazes-me Falta<div style="text-align: center;">Não...<br />Não sabia que existias,<br />Não te conhecia,<br />Não te via,<br />Não te ouvia,<br />Não te sentia,<br /></div><div style="text-align: center;">Não te bebia nos lábios<br />as palavras que agora me inebriam.<br /></div><div style="text-align: center;">Simplesmente não sabia...<br />Não sabia que me fazias falta.<br /><br />Mas agora...<br />Que te conheço,<br />Que te vejo,<br />Que te ouço,<br />Que te sinto,<br />Que te toco a pele quente e doce,<br />Que te beijo,<br />Que te mordo esfomeado de dor,<br />Agora que o teu cheiro amanhece os meus sentidos,<br />Agora que me perco no teu corpo quente,<br />Agora que te conheço,<br />Agora...<br />Agora, posso confessar-te sem medo…<br /><br /><span style="font-weight: bold;">...FAZES-ME FALTA.</span><br /><br /></div><div style="text-align: center;"><span style="font-weight: bold;"><img src="http://img.photobucket.com/albums/v434/luzinhas/missyou.jpg" border="0" /></span><br /></div>Faroleirohttp://www.blogger.com/profile/01169920831638413623noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7227540.post-65141283455176906742007-04-22T13:00:00.000+01:002007-04-22T12:07:46.162+01:00A CaminhadaO Passado e o Futuro intersectam-se, invariavelmente, no pior momento…<br /><span style="font-weight: bold; font-style: italic;"><br />...o presente.<br /></span><span style="font-style: italic;"></span><br /><div style="text-align: center;"><img src="http://img.photobucket.com/albums/v434/luzinhas/sol.jpg" /><span style="font-weight: bold; font-style: italic;"></span><br /><span style="font-weight: bold; font-style: italic;"></span></div>Faroleirohttp://www.blogger.com/profile/01169920831638413623noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7227540.post-63584279524092336232007-04-04T01:30:00.000+01:002007-04-04T01:53:35.734+01:00O Caminho da Luz<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt;">A vida tem os seus caprichos e, mais uma vez mostrava o quanto podia ser cruel. </p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt;">Pedro seguía pelo mesmo caminho que percorria todos os dias, que percorrera durante anos e anos a fio, Mas hoje esta caminhada tinha um sabor diferente. Pensava nas vezes que calcorreara aquelas ruas cego à beleza que lhe estendia os braços que invariavelmente pereciam de cansaço. Mas hoje, hoje era diferente. Queria abrir os braços e afagar calorosamente tudo à sua volta. Esquerda, direita, Norte, Sul, céu ou terra, que interessava, o importante era poder apreciar. Uma lágrima insonsa descia lentamente, queimando a pouca esperança que ainda resistia na pele murcha, desprovida do brilho característico da vida.<br /></p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt;">Tropeçou e por pouco não caiu. A muito custo conseguiu equilibrar-se. Se ao menos conseguísse equilibrar a sua vida como se equilibrara ao corpo. Mas equilibrar a vida parecia-lhe uma tarefa hercúlea. Tantos anos a viver desenfreadamente, sem nunca sentir o fel dos seus actos e agora, ter de beber a amargura toda de uma vez…que anedota.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt;">Parou, sentia a forças escorrem-lhe pelo interior das veias. A vida derramava-se pelo chão e ele, impotente, nada podia fazer. Fora vítima da mão criminosa do fado, não da música, mas do destino, o mesmo que sempre julgou controlar.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt;">A custo procurou abrigo no banco que sabia a seu lado. Com passos vacilantes, avizinhou-se do banco próximo e deixando ruir sobre ele as últimas esperanças de uma vida feliz. Espraiou o olhar sobre o horizonte e conseguiu pressentir no vento um perfume. Era um aroma conhecido, demasiado, até. </p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt;">Tantas vezes o tinha sentido, tantas vezes o tinha desejado, tantas vezes o saboreara na frescura da manhã, tantas e tantas vezes, mas nunca como hoje, hoje aquele perfume queimava-lhe os pulmões, tão fundo que a sua alma parecia arder no fogo do abismo. O abismo que sentia abrir-se debaixo dos seus pés, naquele momento.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt;">Inspirou profundamente mais uma vez, talvez aquele trago forte de fogo atiçasse o fogo que consumiria os últimos tições que ainda alimentavam a vida de um corpo moribundo. Uma lufada de ar gélido, inodoro penetrou nos seus pulmões, aniquilando a suas expectativas de um fim rápido e indolor.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt;">Que dia aquele. Era o desespero total, tudo o que antecipara, todo o sonho estava desfeito, como a receita da doce sobremesa que alguém estraga propositadamente. Apetecia-lhe praguejar, gritar ofensas, injúrias, bofetear a vida, esquartejar a esperança e torturar a morte.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt;">Um simples e singelo “Olá” pôs fim ao seu delírio.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt;">- Como está? – dizia a voz suave e doce</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt;">- Como lhe parece? - disse ele.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt;">- Parece-me que está de mal consigo, comigo, com a vida, com a morte, com tudo.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt;">- Se lhe parece isso tudo, porque vem falar comigo. Por favor vá, vá e não volte.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt;">- Desculpe, mas não vou! – disse ela segura.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt;">- Presumo que esta seja a sua boa acção diária. Agradeço, mas dispenso. Mas não se preocupe, que se alguém me perguntar eu vou confirmar que fez a sua boa acção.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt;">- Mas porque tem de ser tão casmurro. Se não tivesse sido tão cego durante meses, teria compreendido que não procuro uma boa acção.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt;">- Então que procura? Consolar um pobre cego? Sim porque é isso que eu sou, cego. Não consigo ver. Hoje acordei cego, parece-lhe bem???</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt;">- Não, não me parece bem. E parece-me pior que tenha estado cego tantos anos, talvez agora que o destino o privou da vista, talvez agora consiga ver com os olhos do coração, o mesmo que coração que durante tanto tempo manteve cativo numa cegueira estúpida…</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt;">- Desculpe, mas quem é a senhora? Porque me fala assim? Não tem compaixão por um inválido. – Disse ele violentamente, enquanto virava o rosto em direcção a ela.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt;">- Senhora não, menina, se faz favor. Não me reconhece? Sou aquela que, todos os dias se cruzava consigo nesta mesma rua. Aquela que lhe sorria todos os dias, mas que a sua cegueira impedia de ver. Sou aquela que lhe diagnosticou a cegueira, sou aquela que sempre esteve apaixonada por si desde o primeiro momento que estivemos juntos.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt;">- Juntos? Mas nós nunca estivemos junto! – Reagiu ele.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt;">- Estivemos sim, e por várias vezes, mas a sua cegueira apenas lhe permitia ver os sentimentos fúteis e efémeros, aqueles que o arremessavam em direcção a relações fáceis e rápidas no começo e no fim.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt;">- Fala como se…</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt;">- Falo com a autoridade do conhecimento me dá. Nem no dia em que o consultei e lhe prognostiquei esta cegueira me reconheceu.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt;">- E que quer agora? Que procura, a vingança fácil? É isso?</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt;">- Não, claro que não! Não seria capaz de fazer ao homem que Amo, que sempre Amei e sempre Amarei. Vinha dizer-lhe que talvez tenha uma solução para o seu caso, ainda que isso implique continuar mais cego do que está neste momento.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt;">Nesse momento, ela levantou-se depositando na sua mão um papel com um nome e um número de telefone.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt;">Pressentido a sua partida, Pedro gritou:</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt;">- Espere!!! </p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt;">Mas não obteve resposta. Ela partira. Nesse momento chorou, magoado pela dor da cegueira de tantos anos, a escuridão que o privara de ver o Amor. Se ao menos pudesse… Tarde de mais.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt;">Nesse momento sentiu-se acordar do pesadelo. </p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt;">Uma combinação de sinapses, forneceu-lhe a resposta que antes não tinha encontrado. O perfume que antes lhe queimava as entranhas era o perfume dela. Ela que se cruzava, diariamente, com ele no seu trajecto diário para o trabalho. Agora compreendia porque o queimava. Abrasava-o o sentimento, ainda que não totalmente compreendido, de a perder para sempre.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt;">Na verdade o seu pesadelo, era bem real e continuava cego, mas agora tinha uma justificação para lutar, para ver, ainda que fosse com os olhos do coração. E essa luz que agora brilhava no interior dos seus olhos chamava-se Amor.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; font-style: italic; font-weight: bold;">Cego, cego… cego é aquele que apenas se deixa tocar pela sombra da luz que lhe entra pelos olhos.</p><p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: center;"><img src="http://img.photobucket.com/albums/v434/luzinhas/Clipboard01-1.jpg" eight="300" border="0" width="300" /><br /></p>Faroleirohttp://www.blogger.com/profile/01169920831638413623noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7227540.post-20320477912156005322007-03-30T23:55:00.000+01:002007-03-31T01:03:05.105+01:00Bem-Vindo a Casa<p class="MsoNormal">De volta a casa.<br /><br />Era uma sensação estranha, aquela que sentiu ao abrir a porta do farol, estranhamente agradável, ou agradavelmente estranha. Talvez fosse só mesmo o reflexo da confusão, da imensa barafunda que rodeava a sua vida. Uma gargalhada de sentimentos, ventos cruzados num mar de olhares sem fundo, rufou à sua volta. Preparava-se para fugir de uma prisão, cárcere cruel de dias e dias todos iguais.<br /><br />Aquele era o seu refúgio, o seu céu, o seu porto de abrigo contra as tempestades que, dia após dia fustigavam a costa desprotegida, nua do calor dos sentimentos que flúem sem rumo, ou num rumo desordenado, confinados num universo tão ... tão direitinho.<br /><br />Acabou de escrever a password e abriu-se definitivamente a porta do farol, deixando encerrada a sete chaves a porta da prisão, a qual, encerrava agora a realidade.<br /><br />A realidade agora era outra, uma realidade sonhada, pensada, vivida sem vida, uma realidade que não passava de uma ilusão, contudo tão ou mais real que a realidade em si, tudo simplesmente porque era a realidade desejada.</p><span style="font-weight: bold; font-style: italic;">- Bem-vindo Faroleiro.<br />- Obrigado, Faroleiro!<br /><br /></span><div style="text-align: center;"><img src="http://img.photobucket.com/albums/v434/luzinhas/164294.jpg" widht="300" border="0" height="300" /></div>Faroleirohttp://www.blogger.com/profile/01169920831638413623noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7227540.post-88402649890421802752006-12-31T00:25:00.000Z2007-01-15T00:08:11.196ZTraição ao Amor<p style="font-style: italic; text-align: justify;" class="MsoNormal"><span style="font-size:85%;">Apesar de aparentemente andar um pouco afastado deste Farol, meu Porto de abrigo, não podia deixar terminar o ano sem acender o farol e deixar os electrões fluir pelo espaço cibernético. Não o fazer seria deixar o ano morrer às escuras, e como ele deixar morrer este Farol, algo que jamais pode acontecer.</span></p> ----<br /><p class="MsoNormal"><span style="font-size:180%;">A</span>cordou sorrateiramente, furtivamente escapulindo-se aos longos e fogosos braços do sono. O dia adormecia a noite que obstinada teimava em não querer deixar morrer a última centelha de luz da escuridão.</p> <p class="MsoNormal">Com os olhos ainda semicerrados, sentiu o aroma do café da manhã, certamente do vizinho do primeiro andar, envolvido num potente odor a pão queimado. Despertou o seu sentido da audição, espreguiçou a orelha e ficou a aguardar. Após uns instantes o já familiar grito mer… !!</p> <p class="MsoNormal">Aquela situação recorrente transmitiu-lhe uma sensação de conforto, afinal o mundo continuava igual ao dia anterior, e ao outro antes e a tantos outros que tinham passado. Era tão mais fácil acordar assim, sentido ao longe, muito ao longe a ameaça do desconhecido.</p> <p class="MsoNormal">Inspirou profundamente, bocejou em seguida expulsando os últimos sopros de vida do sono. Foi nesta última golfada de vida que sentiu algo diferente, um aroma estranho sovado entre o do café e as torradas queimadas. Inspirou mais profundamente, tentando captar os sinais vitais dessa vida que o despertara os seus sentidos, tentando perceber nas suas papilas gustativas que aroma era aquele, que flutuava por entre mares de avassaladores vagas de odores intensos. Era sem sombra de dúvida um perfume de mulher, doce e suave, mas simultaneamente forte e intimidador, o suficiente para combater a tirania do poder dos outros odores.</p> <p class="MsoNormal">Levantou-se com um sorriso meigo no rosto. De nariz em riste foi caminhando pela casa procurando a fonte de tão doce perfume. Foi percorrendo todas as divisões, uma após uma. Vazia…, vazia…, vazia…, vazia Impossível! Estarei a ficar doido? Pensou.</p> <p class="MsoNormal">O perfume cavava cada vez mais fundo no seu olfacto e no seu espírito. Por momentos pensou que seria apenas uma extensão de um sonho, um belo sonho de domingo. Entrava então no escritório quando foi atingido por uma leve lufada de ar fresco com impregnado de intenso aroma a perfume que cavalgava ondas de ar revolto, como a mesma determinação do navio que anseia o abrigo de um porto seguro.</p> <p class="MsoNormal">Como é o possível num escritório vazio? – pensou. </p> <p class="MsoNormal">Lentamente foi percorrendo o escritório. A solução do enigma teria de estar ali. Inspirando lentamente ia explorando os aromas que se desprendiam dos objectos meticulosamente desorganizados e espalhados por todo o lado. De repente pasmou, era ali, em frente ao calendário onde o aroma era mais intenso. Olhou-o fixamente e percebeu finalmente o enigma.</p> <p class="MsoNormal">Era aquele dia! Claro, como poderia esquecer. Mesmo que quisesse, não seria possível. O seu aroma estava demasiado entranhado na sua mente, no seu coração. Aquela capicua de dois algarismos. Era perfeita, como a sua proprietária, doce, infinita no seu encanto de nunca se saber onde começa ou acaba. O encanto do inesperado, o fervor da dúvida, a adrenalina da paixão.</p> <p class="MsoNormal">Era hoje o dia do seu aniversário.</p> <p class="MsoNormal">Repentinamente deixou-se cair na cadeira que repousava junto à secretária, cabisbaixo e pensativo. A sensação de alegria, do prazer da aventura, da descoberta que, até à momentos tinham comandado o seu corpo e o tinham levado a percorrer a casa atrás de um aroma de mulher tinha-se esvoaçado por entre um denso nevoeiro de desolação.</p> <p class="MsoNormal">Olhou de soslaio o telemóvel, em cima da secretária. Vacilante a sua mão percorreu vagarosamente o curto espaço que a separava dele. Mesmo assim, a sensação de ter percorrido aquela distância a velocidades inconcebíveis para qualquer ser humano, percorreu-lhe a coluna sob a forma de arrepio frio e doloroso.</p> <p class="MsoNormal">Os dedos titubeavam instintivamente sobre as teclas, percorrendo os dígitos que sabia de cor. Era chegado o momento de tomar uma decisão. Sabia que deveria telefonar e dar-lhe os parabéns, devia-lhe isso, isso e muito mais, e não era uma simples questão de dever mas também uma de querer, querer muito, desejar, mas… Mas, há sempre mais um “mas”, e quando não é um “mas” é um “se” ou um “contudo”, ou algum amontoado de letras a que chamamos palavra, e cujo significado é sempre o mesmo, o mesmo que agora lhe apertava dolorosamente o espírito segurando com força a mão e paralisando os dedos.</p> <p class="MsoNormal">Podia sempre não ligar, sim podia fazer isso, tentou convencer-se. É claro que podia, até lhe parecia uma decisão acertada. </p> <p class="MsoNormal">Qual acertada, qual quê! Seria uma decisão estúpida, tão aparvalhada como tantas outras que noutros momentos lhe pareceram as mais convenientes.</p> <p class="MsoNormal">Era disso mesmo que se tratava de conveniência, de facilidade. Fugir é sempre mais fácil, ainda que mais cedo ou mais, o caminho que deixamos por percorrer na nossa fuga, se atravesse invariavelmente e imperiosamente no nosso caminho.</p> <p class="MsoNormal">A confusão reinava na sua mente. O aroma dela inebriava-lhe o pensamento, esmagado pela racionalidade pútrida, alimentada, também ela, por outras emoções. A questão martelava-lhe a cabeça como um ferreiro moldando ferro <st1:personname productid="em brasa. Em" st="on">em brasa. Em</st1:personname> brasa, era exactamente assim que se sentia, um imenso calor perturbava-lhe o raciocínio. Pensou em atribuir a causa à época do ano, mas na verdade seria mais uma fuga, um calor que rapidamente se transformaria em frio mortal, em dolorosos calafrios com o pavor das consequências.</p> <p class="MsoNormal">Olhou mais uma vez para os dedos que, imóveis, desenhavam no teclado do telemóvel a silhueta dela com nobres algarismos. Por fim pousou o telemóvel sobre a mesa, cerrou brutalmente a mão desfazendo em pó imaginário os votos de Feliz Aniversário, que silenciosamente foram virtualmente escorrendo entre os dedos em direcção a um chão real, como se de areia se tratasse.</p> <p class="MsoNormal">Tinha consciência que com aquele acto desencadearia uma reacção em cadeia impossível de parar com consequências terríveis e inimagináveis, mas (mais um “mas” que se atravessava no seu caminho de fuga) a decisão estava tomada. </p> <p class="MsoNormal">Ficava a esperança que algum dia, ao passear na praia e ao olhar a luz do farol, ela pudesse compreender, e até, quem sabe, quiçá perdoar, tendo consciência que jamais seria possível apagar do diário de bordo aquele acto de traição ao Amor, um verdadeiro golpe de estado no qual o cabecilha era... ele!<br /></p> <p style="font-weight: bold; font-style: italic;" class="MsoNormal">Quem sabe?<br /></p><p style="font-weight: bold; font-style: italic; text-align: center;" class="MsoNormal"><img src="http://img.photobucket.com/albums/v434/luzinhas/quem.jpg" /><br /></p>Faroleirohttp://www.blogger.com/profile/01169920831638413623noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7227540.post-1166923896270044842006-12-24T01:30:00.000Z2006-12-24T01:31:36.286ZUm Natal Com Muita Luz<div style="text-align: center;"><img src="http://img.photobucket.com/albums/v434/luzinhas/1781443.jpg" /></div>Faroleirohttp://www.blogger.com/profile/01169920831638413623noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7227540.post-1158188063923763862006-09-13T23:41:00.000+01:002006-09-13T23:54:23.943+01:00Viagem aos Mares da SolidãoO velho marinheiro navegava à bolina. Curiosa aquela dinâmica do vento. O mesmo vento que o empurrava para trás, era o vento que o impelia a avançar. E assim foi mareando por mares desconhecidos, até que, subitamente descobriu uma referência a um porto de abrigo que bem conhecia. <p class="MsoNormal">Atracou o barco no delicado cais, com aspecto de ser mais velho que o marinheiro que agora o pisava, mas mantinha a sua essência transitória bem vincada. Parecia estar só. Sozinho num oceano repleto de outros desembarcadouros, também eles dedicados à solidão.</p> <p class="MsoNormal">Ai a solidão… era tão fácil falar dela, mas tão poucos a compreendem. Uma rápida olhadela ao casario de palavras pretas estendidas ao sol num pano branco, que emergiam no final do embarcadouro, adocicava o paladar ainda mais o sabor inicial.</p> <p class="MsoNormal">É fácil falar de solidão, mas mais difícil é compreende-la. Muitos marinheiros de água doce, autênticos pescadores de linha curta, julgam que solidão é estar simplesmente sozinho (seja lá o que isso significa!). Mas a estes marinheiros, falta-lhes a sabedoria que só a companhia exclusiva de um mar infinito lhes pode dar. Quantos marinheiros sentiram a dor da solidão em terra, abundantemente acompanhados. </p> <p class="MsoNormal">Falar de solidão, ai quanto haveria para dizer… </p> <p class="MsoNormal">Do alto deste farol, com a sabedoria que apenas a vastidão e o silêncio ruidoso do mar podem dar e com a vista cansada e diminuída pelos longos anos dedicados à árdua tarefa de perscrutar longos oceanos repletos de solidão, julgo ter visto, talvez, a mais cruel de todas as formas vivas de solidão, aquela em que, apesar de acompanhados sentimos que estamos completamente sós, e a que alguns dão, simpaticamente, o nome de incompreensão. </p> <p class="MsoNormal">É a crueldade da dor do sentir que todos aqueles que deveriam iluminar a nossa existência com o brilho resplandecente da sua luz, são verdadeiros buracos negros que, aprisionando no seu seio todo e qualquer vestígio de luz apregoam intensamente que são a fonte da luz verdadeiros mananciais de vida.</p> <p class="MsoNormal"><span style="font-weight: bold; font-style: italic;">Compreenderam?</span><br /><br /></p> <div style="text-align: center;"><span style="text-decoration: underline;"><img src="http://img.photobucket.com/albums/v434/luzinhas/146895vBda_w.jpg" /></span><br /><span style="text-decoration: underline;"></span></div> <p class="MsoNormal"><span style="text-decoration: underline;"></span><br /></p>Faroleirohttp://www.blogger.com/profile/01169920831638413623noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7227540.post-1155202099092555412006-08-10T10:26:00.000+01:002006-08-10T10:28:19.106+01:00Luz de PresençaVoltar a escrever exactamente no mês em que ninguém, ou quase ninguém lê blogs, só podia ser mesmo obra de um faroleiro. <p class="MsoNormal">Sim, porque é essa a função de um farol. Estar simplesmente lá, mesmo que não seja necessário, mesmo quando não existe nenhuma embarcação em perigo de naufragar, não se vislumbre borrasca ou marinheiro <st1:personname productid="em apuros. O" st="on">em apuros. O</st1:personname> farol cumpre a sua missão de estar sempre presente, mesmo quando pela mansidão do mar dele nos esqueçamos. </p> <p class="MsoNormal">Este farol é assim, está sempre presente, mesmo quando pensamos que está apagado, há sempre um lampejo no fundo cristalino da lente para iluminar caminhos que ainda sem sonhámos um dia vir a percorrer, mares que nunca imaginamos navegar ou oceanos que nunca pensámos cruzar. </p> <p style="font-weight: bold; font-style: italic;" class="MsoNormal">Mas ele está lá, aqui, presente e vigilante.<br /></p> <div style="text-align: center;"><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/643/276/1600/farol1.jpg"><img style="cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/643/276/320/farol1.jpg" alt="" border="0" /></a><br /></div> <p class="MsoNormal"><br /></p>Faroleirohttp://www.blogger.com/profile/01169920831638413623noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7227540.post-1147736286438970342006-05-16T00:35:00.000+01:002006-05-16T00:38:06.453+01:00Guardião da Esperança<span style="font-weight: bold; font-style: italic;">Still waiting for better days...</span><br /><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.artafterdark.com/hidden2/Gaurdianofhope-lg2.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px;" src="http://www.artafterdark.com/hidden2/Gaurdianofhope-lg2.jpg" alt="" border="0" /></a>Faroleirohttp://www.blogger.com/profile/01169920831638413623noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7227540.post-1142423163354577472006-03-15T13:37:00.000Z2006-03-15T13:56:24.020ZCoincidências... - Epílogo (VII)<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; line-height: 150%;"><i style="">Resolvi agora terminar uma história que comecei há bastante tempo, mais precisamente em Janeiro de 2005. Eu sei que passou bastante tempo e para a maioria estaria até já terminada, mas para mim, intimamente, senti sempre que aquela história merecia um final diferente. <o:p></o:p></i></p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; line-height: 150%;"><i style="">Demorei bastante tempo, mais de um ano, mas não gosto de deixar assuntos a meio, e agora chegou o momento de a terminar. Refiro-me especificamente a duas vidas unidas por uma série de coincidências que, afinal, nunca o foram.<o:p></o:p></i></p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; line-height: 150%;"><i style="">Podem consultar <a href="http://o-farol.blogspot.com/2005/01/coincidncias-i.html">aqui</a>, <a href="http://o-farol.blogspot.com/2005/01/mais-coincidncias-ii.html">aqui</a>, <a href="http://o-farol.blogspot.com/2005/01/essncia-das-coincidncias-iii.html">aqui</a>, <a href="http://o-farol.blogspot.com/2005/01/o-destino-e-as-coincidncias-iv.html">aqui</a>, <a href="http://o-farol.blogspot.com/2005/01/apenas-coincidncias-v.html">aqui</a> e <a href="http://o-farol.blogspot.com/2005/01/ou-talvez-no-vi.html">aqui</a> os seis capítulos anteriores.<o:p></o:p></i></p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; line-height: 150%;"><o:p></o:p><br /><span style="font-weight: bold;font-size:180%;" >A</span>tirou mais um pedaço de lenha para a lareira e espicaçou o lume. Estava impaciente, era notório na forma como avivava o lume que crepitava na lareira e aquecia o ambiente daquele final de tarde. A sua impaciência levou-o até a enorme porta que separava a sala da ampla varanda virada para o mar. Inspeccionou a estrada e os estacionamentos vizinhos à procura do carro dela. Azuis, vermelhos, pretos, brancos e até alguns cinzentos mas, infelizmente, todos de marca e modelo errado. Podia ser mais uma coincidência, mais uma de muitas que sempre os levara invariavelmente no mesmo sentido, em direcção à sua união. Riu ao lembrar as coincidências que nunca o tinham sido, pelo que, racionalmente, não compreendia o frio que sentiu no fundo do estômago quando confirmou a sua ausência. Olhou para o relógio. Estava atrasado na preparação do jantar. Atravessou a sala ambientada com uma luz delicada e suave e uma acolhedora música. </p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; line-height: 150%;">Dirigiu-se à sala anexa à minúscula cozinha onde inspeccionou a mesa, impecavelmente preparada para dois. Agarrou a garrafa de vinho que repousava centralmente sobre a mesa. Tinha agora uma delicada tarefa entre mãos para executar, uma operação quase cirúrgica. Levantou a garrafa que previamente tinha seleccionado cuidadosamente. Rodou a garrafa, colocou-a contra a luz verificando que era quase totalmente opaca. Dedicou-se em seguida ao trabalho de retirar a rolha que protegia o néctar da uva. Em honra da qualidade pensou que deveria decantar o conteúdo, contudo tal operação inviabilizaria o plano que tinha cuidadosamente preparado.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; line-height: 150%;">Já com a garrafa aberta procedeu então a desenvolver o plano. Retirou para um copo um pedaço de vinho, apreciou o bouquet e o sabor rodando o vinho na boca. Em seguida concentrou toda a sua atenção na operação que por momentos temeu desembocar em fracasso, receio que, felizmente, resultou infundado.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; line-height: 150%;">Terminada a operação colocou novamente a rolha na garrafa, restava-lhe apenas aguardar que ela chegasse. A sua impaciência levou-o novamente até à porta da varanda. As luzes da iluminação que rodeava a enseada pirilampavam na face da baia, contrastando com a luz branca das estrelas. As ruas vestidas com o amarelo que se espreguiçava dos candeeiros públicos permaneciam desertas para ele. Inspeccionou novamente os estacionamentos circundantes sem sucesso. Sentiu um leve aperto no peito, que rapidamente descomprimiu e voltou a comprimir quando a campainha da porta anunciou a presença de uma visita. Surpreso dirigiu-se à porta, e com espanto, verificou que afinal ela finalmente tinha chegado. Um momento de alívio e simultaneamente de nervosismo, quanto ao desfecho daquela noite, afinal não sabia como resultaria o seu plano.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; line-height: 150%;">- Olá! – Disse ela. Esboçando um sorriso leve e suficientemente sereno para dissipar todo o nervosismo que sentira ao abrir a porta. </p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; line-height: 150%;">– Estás aqui? Que coincidência, acabei de procurar o teu carro na rua e não o vi.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; line-height: 150%;">A simples referência à palavra coincidência motivou um sorriso em ambos.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; line-height: 150%;">- Não foi coincidência, simplesmente estacionei do outro lado.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; line-height: 150%;">Ele estendeu-lhe a mão convidando-a a entrar. Ela aceitou a oferta e sentiu-se puxada em direcção a ele, que, abraçando-a depositou um leve beijo nos seus lábios. Estava linda, a camisola branca e o minúsculo ganchinho que lhe prendia lateralmente o cabelo davam-lhe um ar simultaneamente simples, mas extremamente encantador e sedutor, tinha de confessar. Transpondo a porta, ela não pode deixar de notar e comentar o ambiente.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; line-height: 150%;">- Será uma coincidência ou a finalidade deste ambiente tão delicadamente doce é seduzir-me?</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; line-height: 150%;">- Não, claro que não é! Até me ofendes com essa insinuação! – Disse ele, esboçando um sorriso atrevido.– Aliás, foste tu que me seduziste com aquela sucessão de acasos.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; line-height: 150%;">- Tu foste seduzido porque quiseste, meu lindo. Eu nunca te forcei a nada…</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; line-height: 150%;">- Eu sei… e foi a mais feliz sucessão de coincidências que alguma vez me aconteceu.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; line-height: 150%;">Ela dirigiu-se à porta da varanda para apreciar o espectáculo do reflexo das luzes na superfície da baía e que espalhava pelo interior da sala.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; line-height: 150%;">- A viste de aqui é soberba. – Deixou escapar num tom de voz que denotava a emoção da felicidade que internamente a preenchia plenamente. Aproximando-se dela, ele permaneceu alguns instantes ali, parado, em silêncio, abraçando-a e inspirando toda a tranquilidade que aquela visão exalava.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; line-height: 150%;">- Vamos jantar? – Perguntou, por fim ele, quase em forma de afirmação.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; line-height: 150%;">- Sim, vamos… – Disse ela, com vontade de que pudessem jantar na varanda, apesar do frio que se fazia sentir no exterior.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; line-height: 150%;">- Não te importas de servir o vinho enquanto verifico a comida? – Questionou ele.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; line-height: 150%;">Rapidamente sumiu-se em direcção à cozinha, deixando-a a apreciar por mais uns instantes a maravilhosa vista. Momentos depois ela dirigiu-se por fim à mesa. Pegou na garrafa, deu alguma atenção ao rótulo e retirando a rolha começou a verter o seu conteúdo num copo. Quando acabou de servir os dois copos, um tilintar no interior da garrafa chamou a sua atenção. Colocou a garrafa contraluz e tentou determinar o que seria.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; line-height: 150%;">- Há algo dentro desta garrafa – Disse em voz alta em direcção à cozinha.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; line-height: 150%;">- Claro que há! – Respondeu ele. </p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; line-height: 150%;">– O vendedor garantiu-me que continha um vinho maravilhoso – Concluiu ele, soltando uma gargalhada.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; line-height: 150%;">- Não me refiro a isso, tonto. Há algo mais.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; line-height: 150%;">- Será mais alguma coincidência, daquelas que tu tanto gostas? – Replicou ele acompanhando a resposta de uma nova gargalhada. </p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; line-height: 150%;">– Queres um decantador? – Perguntou ele por fim.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; line-height: 150%;">- Sim é melhor. Gosto de ter confiança no que levo aos lábios.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; line-height: 150%;">- Assim com nos meus beijos… – disse ele aparecendo à porta com o decantador na mão.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; line-height: 150%;">Ela sorriu, pegou no decantador e voltou à mesa para transferir o vinho restante para decantador. Pode então observar que no interior da garrafa estava um rolo de papel, provavelmente com uma mensagem. Com um esforço extra conseguiu retirar o papel cuidadosamente enrolado e preso com um pequeno anel dourado.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; line-height: 150%;">- Está aqui uma mensagem – Disse ela.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; line-height: 150%;">- Que coincidência! – Disse ele. – Abre-a, pode ser o mapa de algum tesouro…</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; line-height: 150%;">- Ela sorriu ao perceber que, mais uma vez, não havia qualquer coincidência.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; line-height: 150%;">Extraiu a mensagem do anel e com os dedos a tremer ligeiramente foi desenrolando a mensagem. Leu emocionada o conteúdo. Os olhos ficaram ligeiramente embaciados. No fim apenas disse:</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; line-height: 150%;">- É claro que aceito. Não te parece que é uma coincidência que ambos desejemos o mesmo.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; line-height: 150%;">Simultaneamente tentou colocar no dedo o anel dourado que envolvia a mensagem, mas deu conta que era demasiado pequeno.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; line-height: 150%;">- Será também uma coincidência o facto deste anel não me servir um nenhum dedo? – Perguntou ela.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; line-height: 150%;">Aproximando-se por trás ele respondeu:</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; line-height: 150%;">- Não, não é nenhuma coincidência. Como esperavas que conseguisse meter um anel maior dentro da garrafa? Mas este serve perfeitamente!</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; line-height: 150%;">Ao dizer isto, estendeu-lhe a palma da mão com um delicado estojo em veludo negro. Lá dentro a última das coincidências. O anel encaixava na perfeição no dedo dela, assim como eles dois encaixavam um no outro.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; line-height: 150%; font-weight: bold; font-style: italic;">Coincidência?<br /><br /></p><p></p> <div style="text-align: center;"><span style="font-weight: normal;"><img src="http://img.photobucket.com/albums/v434/luzinhas/beijo_lareira.jpg" /></span></div>Faroleirohttp://www.blogger.com/profile/01169920831638413623noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7227540.post-1141815450678355092006-03-08T10:52:00.000Z2006-03-08T10:58:29.046ZPalavras<p class="MsoNormal">Palavras…</p> <p class="MsoNormal">Doces que o tempo engole vorazmente sem necessidade, sem fome nem apetite.</p> <p class="MsoNormal">A gula de um futuro que se quer rapidamente presente.</p> <p class="MsoNormal">O esquecimento de um presente que já foi futuro, relegado agora ao esquecimento, (des)promovido a embaciado e longínquo passado.</p> <p class="MsoNormal">Numa palavra…</p> <p class="MsoNormal">Saudade!!</p> <p style="font-weight: bold; font-style: italic;" class="MsoNormal">Palavras para quê?</p> <img src="http://img.photobucket.com/albums/v434/luzinhas/tristeza2.jpg" /> <img src="http://img.photobucket.com/albums/v434/luzinhas/Saudade.jpg" />Faroleirohttp://www.blogger.com/profile/01169920831638413623noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7227540.post-1140511408542159582006-02-21T06:42:00.000Z2006-02-21T08:43:28.556ZDespertar de Sonho<p class="MsoNormal">Despertava lenta e tranquilamente de um bonito sonho. Ainda com os olhos fechados esticou vagarosamente o baço e foi percorrendo lentamente a cama procurando sinais do calor do sonho dessa noite. Ao mesmo tempo que tacteava detalhadamente o leito, o seu pensamento ia desenhando, de memória, na sua imaginação a figura de um corpo de homem que agora sentia conhecer integralmente.</p> <p class="MsoNormal">Vagarosamente perscrutava os lençóis e sentia-se invadir pelo frio que transpirava do vazio que lhe entorpecia a esperança da felicidade plena e subtilmente ia apagando os, cada vez mais débeis, sinais de um arrebatador sonho a dois. </p> <p class="MsoNormal">Por fim o frio acabou por desentorpecer o seu despertar. Abrindo definitivamente os olhos observou como a seu lado repousava sossegado o vazio, um vazio repleto de frio.</p> <p class="MsoNormal">Enquanto retomava controle das suas capacidades físicas, meditou sobre a sua vida sentimental. Analisou como esta se transformara num caos, um caos controlado, mas, ainda assim, um caos. Na realidade a sua existência sentimental nunca fora muito fácil. Um coração caprichoso desde há muito teimava em lhe pregar partidas, levando-a por caminhos tortuosos e acidentados, como se ela fosse um todo-o-terreno.</p> <p class="MsoNormal">Ponderou como seria bem mais fácil a vida se cada um pudesse escolher por quem se apaixonar, quem amar ou mais simplesmente gostar ou não gostar. Mas a vida, também ela extravagante, não era assim. Pensado detalhadamente mais lhe parecia que no seu caso o destino tinha uma aparência bastante mais traquina e teimosa. </p> <p class="MsoNormal">Um destino por vezes era até cruel. Para que ela soubesse exactamente qual o caminho da felicidade, colocou-lho bem à sua frente, mas injusta e propositadamente colocou-lhe um sinal de sentido proibido, sugerindo-lhe que, “agora que sabes o destino, vai e procura um caminho…”. </p> <p class="MsoNormal">Mas procurar porquê? </p> <p class="MsoNormal">Afinal aquilo que procurava estava mesmo ali, à sua frente. Ele parecia que a conhecia demasiado bem, sentia que tinha o seu manual de instruções. Instintivamente sabia que botão tocar em cada situação. Praguejou violentamente <st1:personname productid="em pensamento. Se" st="on">em pensamento. Se</st1:personname> aquilo que desejava estava, mesmo ali, à sua frente, porque teria ir procurar noutro lado. Estava, mas não estava, e esse era o problema. Eram só contradições.</p> <p class="MsoNormal">Afinal o sonho não passava disso mesmo, um sonho.</p> <p class="MsoNormal">Nesse momento, sentiu como duas gotas de mar salgadas se preparavam para tomar de assalto o seu rosto, separando-se do oceano doce e calmo do seu olhar. Pareciam querer abrir caminho a um maremoto capaz de deixa à vista, na costa, sentimentos que há muito tinha sepultado no fundo do oceano da sua vida.</p> <p class="MsoNormal">Procurou respirar fundo, conter aquela água que sinalizava a fúria de sentimentos oprimidos. Já mais calma daquele momento de fragilidade emocional, rodou suavemente e sentou-se na orla na cama. Pousou os pés no chão frio, que, contudo, lhe pareceu incomparavelmente e incompreensivelmente mais quente, que o frio que se desprendia do vazio da sua cama, momentos antes. </p> <p class="MsoNormal">Puxou o roupão branco que repousava, estendido, sobre a cama e como ele abrigou a nudez natural que sensualmente vestia nessa manhã. Ergue-se e caminhou em direcção à luz indiscreta que persistia em atravessar o cortinado erguido em frente à porta da varanda.</p> <p class="MsoNormal">Afastou ligeiramente o cortinado e observou como, lá fora, o dia recomeçava, indiferente aos seus sonhos e problemas, tristeza e sofrimento. Ainda bem que era assim, pensou. Bastava que esses pensamentos condicionassem a sua vida.</p> <p class="MsoNormal">Por momentos deixou o seu olhar escapar com o pensamento através do vidro até os perder de vista no horizonte, num romântico passeio a dois, tão longe que as suas angústias não os conseguiam alcançar.</p> <p class="MsoNormal">Estava bastante longe quando sentiu dois braços que lhe rodeavam a cintura, apertando-a ligeiramente e acariciando-lhe o ventre, ao mesmo tempo que um corpo se moldava à forma das suas costas. Semicerrou os olhos, ao sentir o suave beijo no pescoço. Um sussurro quase imperceptível ao ouvido arrancou-lhe um terno sorriso.</p> <p class="MsoNormal">Nesse instante um caloroso raio de sol, atravessou o cortinado indo atingir certeiramente o seu coração que transbordou de calor. Então, rodando sobre si, colocou os braços à volta do pescoço dele. E sem emitir qualquer som disse-lhe apenas com movimento de lábios bem marcados, aquilo que sentia.</p> <p class="MsoNormal">Ao ver o brilho dos olhos dele teve a certeza de que, o seu sonho, afinal nunca o tinha sido…</p> <p style="font-weight: bold; font-style: italic;" class="MsoNormal">… pois era realidade.<br /></p> <div style="text-align: center;"><span style="font-style: italic; font-weight: normal;"><img src="http://img.photobucket.com/albums/v434/luzinhas/Acordar_sonho.jpg" /></span><br /></div>Faroleirohttp://www.blogger.com/profile/01169920831638413623noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7227540.post-1140140164737734732006-02-17T01:36:00.000Z2006-02-17T01:41:45.710ZEncontros de PaixãoEncontros e desencontros<br />Em que nos encontramos<br />Perdidos e achados<br />Mas nunca desencontrados.<br /><br />Sozinhos ou acompanhados<br />Constantemente ligados<br />Eternamente atados.<br /><br />No espírito e no sentimento<br />Unidos por um único pressentimento<br />Um desejo<br />Uma aspiração<br />Uma necessidade<br />Uma vontade<br />De Preencherem com determinação<br />O seu coração<br /><span style="font-weight: bold; font-style: italic;">Com a ternura ardente da paixão.<br /><br /></span><br /><div style="text-align: center;"><img src="http://img.photobucket.com/albums/v434/luzinhas/passion.jpg" /></div>Faroleirohttp://www.blogger.com/profile/01169920831638413623noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7227540.post-1139966808298788332006-02-15T01:42:00.000Z2006-02-15T01:28:51.360ZPassadeira da Vida<p class="MsoNormal">Naquele dia apeteceu-lhe fazer algo. </p> <p class="MsoNormal">Um gesto muito simples, mas ao mes