tag:blogger.com,1999:blog-72085002009-07-10T10:49:06.430+02:00Carta da ItáliaA Itália vista por um brasileiro. As diferenças culturais, descobertas e sabores, com uma pitada de bom humor (às vezes).Allan Robert P. J.http://www.blogger.com/profile/16380508970232894650noreply@blogger.comBlogger379125tag:blogger.com,1999:blog-7208500.post-70176778836480162992009-07-08T08:16:00.001+02:002009-07-08T10:41:31.770+02:00Água mineral II<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_8jXNOkfCYBw/SlHbHDXXRVI/AAAAAAAAAYE/q9Z06QSTrWU/s1600-h/aguaII+002.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_8jXNOkfCYBw/SlHbHDXXRVI/AAAAAAAAAYE/q9Z06QSTrWU/s200/aguaII+002.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5355302346129098066" border="0" /></a><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br />Há algum tempo escrevi <a href="http://cartadaitalia.blogspot.com/2007/09/gua-mineral.html" target="_blank">aqui</a> um post esclarecendo o porquê do consumo de água mineral na Europa. Uma leitora havia deixado um comentário sugerindo que eu experimentasse um filtro da marca <a href="https://www.brita.net/" target="_blank">Brita,</a> que não encontrei na cidade. Em Dezembro passado, num jantar na casa de um vizinho, descobri que já era possível encontrar o tal filtro. Trata-se de uma simples jarra com um elemento filtrante que deve ser substituído quando um pequeno dispositivo da jarra informa ser exaurido.<br /><br />Comprei no dia seguinte e descobri que a loja aceitava o cartucho usado para ser devolvido ao fabricante para reciclagem. Meio ressabiado, usei o <a href="https://www.brita.net/" target="_blank">filtro</a> desde então, enquanto me informava sobre a potabilidade da água oferecida pelo fornecedor público (a água que sai da torneira das casas). Durante a pesquisa descobri que a água tratada na Itália é, de um modo geral, de boa qualidade, apesar do gosto forte do cálcio que forma o calcário, presente em quase toda a península. O jornalista <a href="http://www.giuseppealtamore.it/" target="_blank">Giuseppe Altamore</a>, investigador da situação da água potável italiana, chega a afirmar que se pode beber sem medo a água da torneira, com exceção de Amiata, na Toscana, <a href="http://italy.indymedia.org/news/2004/06/579085.php" target="_blank">onde o teor de arsênico</a> é cinco vezes superior ao nível permitido pela legislação. E antes que você me pergunte como é possível, esclareço que a lei italiana é assim, cheia de emendas e rasuras, para permitir esse tipo de absurdo. O mesmo <a href="http://www.giuseppealtamore.it/" target="_blank">jornalista</a> nos alerta sobre uma <a href="http://www.sciencedaily.com/releases/2009/03/090326100714.htm" target="_blank">pesquisa alemã</a> elaborada pelos cientistas Martin Wagner e Jorg Oehlmann da Goethe University de Frankfurt, publicado na revista Environmental Science and Pollution Research. Os estudiosos analisaram algumas marcas de água mineral e concluíram que alguns compostos hormonais das garrafas plásticas podem ser transferidos para a água. Martin Wagner e Jorg Oehlmann sugerem que o estudo é apenas a ponta de um iceberg, presumindo que outras embalagens plásticas de produtos alimentares também poderiam contaminar os alimentos.<br /><br />Voltando ao filtro <a href="https://www.brita.net/" target="_blank">Brita,</a> é extremamente simples de usar, bastando enchê-lo com água e aguardar alguns segundos para que a água da torneira perca o gosto característico, ligeiramente salobro. Água para beber, fazer chá, café ou cozinhar, sem o inconveniente das embalagens plásticas. Para evitar um contato prolongado com o plástico do filtro, transfiro imediatamente a água filtrada para três jarras de vidro com tampa. Uma fica sobre a mesa da cozinha, para fazer café, etc. As outras duas vão para a geladeira. Mas nada de fazer grandes estoques de água filtrada, pois é sempre um produto alimentar a ser considerado com curto prazo de validade.<br /><br />Economicamente também é vantajoso. Em casa consumíamos 3 garrafas de água de dois litros, diariamente. O preço médio de uma garrafa de água mineral – na região onde moramos – é de 0,50 euros, totalizando, em média, 45 euros por mês. Uma caixa com três filtros custa 19,99 euros. Como usamos um filtro por mês, o que equivale a 6,66 euros, economizamos algo como 38,34 euros por mês.<br /><br />Acredito que um corpo em boa saúde produza todos os hormônios de que necessita, sem precisar dos eventuais hormônios transmitidos pelas embalagens plásticas. Economizar também é um fato positivo, mas o que me levou mesmo à procura de uma alternativa às garrafas plásticas da água foi a ânsia que me causava aqueles sacos de lixo cheios de garrafas vazias, que eu não tinha certeza de que seriam realmente recicladas.<br /><br />Ufa! Deu sede.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7208500-7017677883648016299?l=cartadaitalia.blogspot.com'/></div>Allan Robert P. J.http://www.blogger.com/profile/16380508970232894650noreply@blogger.com5tag:blogger.com,1999:blog-7208500.post-90705712881853350292009-07-03T09:05:00.002+02:002009-07-03T09:13:35.325+02:00O Caruso canta grátis<span style="font-family:georgia;">Gosto muito de animais e muita gente estranha essa afirmação quando descobre que não possuo nenhum animal em casa. Nessas horas é difícil convencer que “gostar”, nesse caso, significa, também, respeitar. Moramos em apartamento e estamos fora o dia inteiro. Jamais deixaria um animal de estimação (vem de estimar = ter afeição) trancado dentro de casa o dia inteiro justamente por gostar dele. Não o deixaria mesmo se não gostasse, o que deveria estar implícito no meu texto, mas como a eloquência é uma qualidade que ainda não conquistei, prefiro deixar registrado.</span><br /><br /><span style="font-family:georgia;">Essa relação de suposta superioridade entre seres humanos e os outros animais sempre me chamou a atenção. Um dos pontos dessa relação se evidencia nesse período de início das férias na Europa. Começa agora a campanha contra o abandono de animais domésticos, uma praxe do verão italiano, quando milhares – milhares! – de animais são largados à própria sorte ou ao socorro de voluntários e samaritanos. Nada parece surtir efeito aos que adquirem um animal como quem compra um brinquedo, que será jogado fora não por estar quebrado, mas porque a meta das férias não aceita animais, ou o transporte é complicado, ou simplesmente porque o filho já não dá atenção ao velho brinquedo.</span><br /><br /><span style="font-family:georgia;">Nos últimos dez anos minhas filhas viveram sem um cão, um gato ou outro animal em casa. Sim, tem sempre o pai delas que morde, late e se coça como um cão, e que transmite a elas os ensinamentos adquiridos com os cães, mas não é a mesma coisa. Ah, tem as formigas, é claro, mas essas também não contam. Viver sem a companhia de um cão é, para mim, um sacrifício; mas creio que seria um sacrifício maior saber que há um cão trancado em casa. Não entendo como alguém possa ter a coragem de abandonar um animal na rua para viajar nas férias. E não são somente cães e gatos, não. Nessa época os lagos e chafarizes das cidades sofrem com a superpopulação de peixes de aquário, tartarugas, iguanas e outros répteis. Os mesmos lagos e chafarizes que estarão congelados no Inverno.</span><br /><br /><span style="font-family:georgia;">Não. Prefiro viver sem a alegria de um cão que deixá-lo trancado ou ter que me desfazer dele, como um eletrodoméstico quebrado. Vou aproveitando os momentos que os animais soltos me proporcionam, como o Caruso, um melro que mora no telhado do convento nos fundos de casa, a partir do início de cada Primavera e só parte quando o frio incomoda. Não lhe dou alpiste ou migalhas de pão; não deixo água no balcão da cozinha para matar a sede dele; não limpo o seu poleiro e sequer passo o dedo na cabecinha dele. No entanto, ele agradece e canta todas as manhãs, pouco antes do sol nascer (4, 4 e meia da manhã). Sem gaiolas, aquários, correntes ou portas fechadas. Somos felizes assim.</span><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7208500-9070571288185335029?l=cartadaitalia.blogspot.com'/></div>Allan Robert P. J.http://www.blogger.com/profile/16380508970232894650noreply@blogger.com10tag:blogger.com,1999:blog-7208500.post-1098698000822948862009-06-29T08:19:00.003+02:002009-06-29T08:31:04.069+02:00Não façam isso em casa<span style="font-family: georgia;">Atendendo a uma solicitação de um dos poucos leitores deste blog, vasculhei quase todo o histórico procurando um comentário. Descobri que a grande maioria dos comentários são de leitoras. Diverti-me imaginando os motivos dessa estatística.<br /><br />Sempre tive muita preguiça em revisar qualquer texto, mas a quantidade de erros ortográficos, de concordância e gramaticais encontrados me assustaram. Principalmente porque sempre preferi escrever de maneira simples, de modo a poder ser lido por qualquer um. Adquiri vícios e perdi vocabulário. Não revisei nada - é óbvio! - e prometi a mim mesmo nunca mais repetir uma busca dessas.<br /></span><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7208500-109869800082294886?l=cartadaitalia.blogspot.com'/></div>Allan Robert P. J.http://www.blogger.com/profile/16380508970232894650noreply@blogger.com9tag:blogger.com,1999:blog-7208500.post-48639653296547336762009-06-21T18:31:00.002+02:002009-06-21T23:00:28.735+02:00Pronúncia italiana – I, L, M, NLiçãosinha fácil, essa de hoje. A letra <span style="font-style: italic; font-weight: bold;">i</span> não muda nunca. É como em português. Já com a letra <span style="font-style: italic; font-weight: bold;">l</span> é necessário um pouco de atenção: ela também não muda nunca, ao contrário do português falado na maior parte do Brasil, que lhe dá um som de <span style="font-style: italic; font-weight: bold;">u</span> antes de consoante e no final de palavra, como em “futebol” ou “solto”, por exemplo. Portanto, em italiano, a pronúncia da letra <span style="font-style: italic; font-weight: bold;">l</span> será sempre com a língua torcida, como em “bolo”. Sempre.<br /><br />Já as letras <span style="font-weight: bold; font-style: italic;">m</span> e <span style="font-weight: bold; font-style: italic;">n</span>, em italiano, serão sempre pronunciadas de forma inequívoca no final de palavras ou antes de consoante. É necessário fechar a boca quando acontece de uma das duas letras for a última da palavra ou preceder uma consoante, respeitando o som da prória letra. Na prática, é como se houvesse uma vogal depois. Complicado? Então adicione uma pequena letra quando a palavra terminar em <span style="font-style: italic; font-weight: bold;">m</span> ou <span style="font-style: italic; font-weight: bold;">n</span> ou quando uma das duas aparecer antes de uma consoante. A letra <span style="font-weight: bold; font-style: italic;">ee</span> não chegará a ser pronunciada, mas apenas sugerida.<br /><br /><br />Vá treinando (entre colchetes, a pronúncia com a vogal tônica em negrito):<br />Chiesa – [<span style="font-style: italic;">ki<span style="font-weight: bold;">ê</span>sa</span>] igreja<br />Quasi – [<span style="font-style: italic;">ku</span><span style="font-weight: bold; font-style: italic;">á</span><span style="font-style: italic;">si</span>] quase<br />Isola – [<span style="font-weight: bold; font-style: italic;">í</span><span style="font-style: italic;">sola</span>] ilha<br />Atollo – [<span style="font-style: italic;">at</span><span style="font-weight: bold; font-style: italic;">ó</span><span style="font-style: italic;">lo</span>] atol<br />Con – [<span style="font-style: italic;">c</span><span style="font-weight: bold; font-style: italic;">ô</span><span style="font-style: italic;">n</span><span style="font-style: italic;font-size:78%;" >e</span>] com<br />Senza – [<span style="font-style: italic;">s</span><span style="font-weight: bold; font-style: italic;">ê</span><span style="font-style: italic;">n</span><span style="font-style: italic;font-size:78%;" >e</span><span style="font-style: italic;">dza</span>] sem<br />Compito – [<span style="font-style: italic;">c</span><span style="font-weight: bold; font-style: italic;">ô</span><span style="font-style: italic;">m</span><span style="font-style: italic;font-size:78%;" >e</span><span style="font-style: italic;">pito</span>] lição de casa, dever<br />Vita – [<span style="font-style: italic;">v</span><span style="font-weight: bold; font-style: italic;">í</span><span style="font-style: italic;">ta</span>] vida<br />Sempre – [<span style="font-style: italic;">s</span><span style="font-weight: bold; font-style: italic;">ê</span><span style="font-style: italic;">m</span><span style="font-style: italic;font-size:78%;" >e</span><span style="font-style: italic;">pre</span>] sempre<br />Scuola – [<span style="font-style: italic;">sku</span><span style="font-weight: bold; font-style: italic;">ó</span><span style="font-style: italic;">la</span>] escola<br />Volo – [<span style="font-style: italic;">v</span><span style="font-weight: bold; font-style: italic;">ô</span><span style="font-style: italic;">lo</span>] vôo<br />Impaurito – [<span style="font-style: italic;">impaur</span><span style="font-weight: bold; font-style: italic;">í</span><span style="font-style: italic;">to</span>] assutado, apavaorado<br />Immaginare – [<span style="font-style: italic;">imadjin</span><span style="font-weight: bold; font-style: italic;">á</span><span style="font-style: italic;">re</span>] imaginar<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7208500-4863965329654733676?l=cartadaitalia.blogspot.com'/></div>Allan Robert P. J.http://www.blogger.com/profile/16380508970232894650noreply@blogger.com14tag:blogger.com,1999:blog-7208500.post-55359956110617024772009-06-11T12:29:00.000+02:002009-06-11T12:30:14.125+02:00Aquela bestaEle sai do banheiro com as mãos ainda úmidas, pega o controle remoto da tv, tira o som e se coloca entre a tv e os dois sofás. Com ar calmo – coisa incomum – olha a família que o aguarda para o almoço na mesa atrás do sofá e começa:<br /><br />- Cena um: alguém vai ao banheiro e descobre que a tampa do vaso sanitário se soltou. “Eca!, que nojo! Agora vou ter que arrumar. Como será que se conserta isso? Ah…! Parece que é só desatarraxar esses parafusos de plástico, encaixar a tampa no vaso – Eca!, que nojo! – e atarraxar tudo no lugar. Nem é tão complicado assim. Eca!, que nojo! Vou aproveitar que está tudo desmontado e limpar o vaso e a tampa. Pronto! Ficou tudo limpo e no lugar. O próximo que entrar não terá que passar pela mesma experiência. Agora é só lavar as mãos e ir almoçar.”<br /><br />Ele gesticula, faz mímica imitando a pessoa arrumando a tampa do vaso sanitário, faz cara de nojo – Eca! – e a família ri do teatro dele. O cunhado, fingindo estar concentrado no que lê no jornal, permanece imóvel no sofá [por que é que cunhado sempre combina com sofá?]. Ele segue em frente, ignorando o fato de eu estar em pé no meio da sala à espera de alguém que me tire dessa cena constrangedora. Divertida, mas constrangedora.<br /><br />– Cena dois: alguém vai ao banheiro e descobre que a tampa do vaso sanitário se soltou. “Eca!, que nojo! Droga!, tinha que acontecer justo comigo?! Vou deixar tudo como estava e torcer pra que ninguém entre no banheiro agora. Daqui a pouco aquela besta vai chegar e cair na mesma armadilha que eu. Ele que conserte.”<br /><br />A família dá gargalhadas, apesar dele não parecer estar se divertindo. O cunhado, uma estátua. Ele vai adiante no monólogo dele:<br /><br />– …Aí, ‘aquela besta’ – e aponta para o peito – chega suado e correndo para almoçar. Vai ao banheiro fazer xixi e descobre que a tampa do vaso sanitário está solta, arrumadinha sobre o vaso como se estivesse tudo bem. ‘Aquela besta’ – e aponta novamente para o próprio peito – conformada, desatarraxa os parafusos de plástico, lava a tampa e o vaso, encaixa tudo no lugar, atarraxa os parafusos e deixa a tampa do vaso consertada. Lava as mãos e vai, puto da vida, almoçar com a família que já está na mesa. Que versão vocês acham que corresponde à realidade?<br /><br />A família se contorce de rir. Todos me ignoram, como se eu não estivesse ali. O problema é que eu estou ali, no centro da sala e da cena, parado como um poste ou um dois de paus. Ele dá um tapa no jornal dele que o cunhado está lendo. O cunhado, sem mover a cabeça, levanta os olhos sem nenhuma reação; o jornal vai parar do outro lado do sofá. Sem alterar a voz, ele olha para mim e diz:<br /><br />– Vam’bora almoçar na trattoria. Eu pago. Se quiser, pode fazer xixi e lavar as mãos aqui, que eu já consertei a tampa do vaso sanitário.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7208500-5535995611061702477?l=cartadaitalia.blogspot.com'/></div>Allan Robert P. J.http://www.blogger.com/profile/16380508970232894650noreply@blogger.com12tag:blogger.com,1999:blog-7208500.post-79907686792625676662009-06-08T03:58:00.001+02:002009-06-08T06:10:34.669+02:00O oceano dentroEsse período do ano na Itália tem um cheiro característico de pólen. Com a primavera, as plantas iniciam a corrida desesperada pela reprodução. Todas ao mesmo tempo. Mal de primavera e problemas respiratórios fazem parte do cotidiano da estação, apesar de eu não saber exatamente o que significavam, até este ano. De repente passei a sofrer do tal mal-estar, que passou, mas que deixou como lembrança uma rinite alérgica, também pela primeira vez na vida. Vou lembrar para sempre desse período.<br /><br />O ar do Rio também ter um quê característico, mas que não sei explicar. Algo além do perfume de mar, do ruído abafado dos elevadores que se ouvia nos apartamentos, ou do cheiro do gás usado nos chuveiros da zona sul (ainda se usa?). Não, há algo que não se esclarece com palavras, nem através de sons e odores. É algo que se sente e não se esquece, que faz parte da minha endocultura e do meu DNA. Em nenhum outro lugar reconheci aquela sensação misteriosa que me faz identificar o Rio.<br /><br />A lembrança mais antiga é da praia de Copacabana, acho que do tempo em que morávamos na 5 de Julho, pertinho da Constante Ramos onde nasci. Depois, as lembranças de outros mares se misturam. Longos passeios noturnos; rodas de amigos e as risadas abafadas pelas ondas quebrando nos pés; pescarias; até churrasco na praia já fiz, de noite. A barraca montada sobre a areia e a tampa da lata de leite Ninho voando para avisar que o siri, cozido com água do mar dentro da lata, estava pronto. Lembro que pesquei tucunaré (juro!) na foz de um riacho em Arembepe e que nadávamos de noite com medo das arraias. Porque é que o Cacau esperava sempre a sexta-feira para pisar nos ouriços-do-mar em Ilhabela? Que trabalheira que me dava.<br /><br />É estranho considerar a praia como a meta preferida das férias, mas sei que voltarei à beira do mar, onde me sinto parte da silhueta topográfica, com os – poucos – cabelos ao vento e os pés na água. Imagino as filhas crescidas, tendo descoberto novas amizades em outras paisagens. Eu, vou voltar para o mar, de onde saí com má vontade e prévio arrependimento, com a certeza de que, cedo ou tarde, receberei um telefonema delas pedindo uma receita qualquer, das muitas que invento. Vou inventar uma na hora como resposta e rir. Vou comer peixe com as mãos.<br /><br />Quer saber? Já estou com saudades do futuro.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7208500-7990768679262567666?l=cartadaitalia.blogspot.com'/></div>Allan Robert P. J.http://www.blogger.com/profile/16380508970232894650noreply@blogger.com11tag:blogger.com,1999:blog-7208500.post-88663776317848399562009-06-04T19:35:00.002+02:002009-06-04T19:38:33.616+02:00Um mar de históriasA querida amiga Lucia Malla convida:<br /><br />"Dia 08 de junho, próxima segunda-feira, é o <strong>dia mundial dos oceanos</strong>. A proximidade da data com o dia do meio ambiente não deve ser coincidência, mas fato é que, cansados de tanta discussão sobre ambiente, a gente termina deixando de lado o dia 08 - e com isso, perde-se uma chance de ter mais pessoas conversando sobre o mar.<br /><br />Sabemos que os oceanos são o suporte da vida no planeta - "sem o azul, não há verde", <a href="http://www.ladybugbrazil.com/2009/02/25/sem-o-coracao-azul-nao-havera-verde/">lembram</a>? E sabemos que os mares vêm sofrendo um "desgaste" incomparável nas últimas décadas, com poluição, sobrepesca, aquecimento global... e mais uma lista enorme de outros problemas. Quase todo dia eu leio/comento/ouço um novo problema envolvendo os oceanos. A ladainha é sempre a mesma. É triste, confesso.<br /><br />Para mudar um pouco o ritmo desse maremoto de más notícias - e mostrar o quão precioso para as nossas próprias experiências de vida o mar é - convido a todos para celebrarem o dia 08/junho de uma forma bem diferente. Podem chamar de blogagem coletiva; prefiro chamar de <strong>"um mar de histórias"</strong>.<br /><br />A "viagem" é: cada um conta em seu blog uma história/caso/causo/momento/evento/reflexão que teve em sua vida em que o mar esteve como cenário ou personagem, de uma forma positiva/bem-humorada/animadora. Uma história pessoal; o oceano "incorporado" ao indivíduo. Vale tudo: desde um passeio de barco que você curtiu até a primeira vez que viu o mar. De uma ação para proteger uma espécie em que você tomou parte a um domingo na praia que foi inesquecível para você. Porque acho que tão importante quanto denunciar/reclamar/choramingar pelos problemas que vemos hoje nos oceanos (algo que eu já faço quase todo dia aqui no blog e na vida real), é mostrar o quanto ele está perto das nossas experiências pessoais, lembrarmos do quanto ele também faz parte da nossa história de vida. Afinal, a gente cuida melhor daquilo com o qual nos "conectamos" de alguma forma, não é mesmo? É um exercício quase terapêutico.<br /><br />Vamos agregar as histórias que os amigos e participantes enviarem entre dia 05 e 08 de junho e listar num post na segunda-feira. Convidamos então quem quiser participar a entrar nessa onda, compartilhar a sua história, compartilhar a sua história. (E se quiserem repercutir, fiquem à vontade, agradecemos antecipadamente de coração.)<br /><br />************************<br /><br /><em>- Recentemente, o NYTimes fez uma <a href="http://www.nytimes.com/2009/04/19/magazine/19Science-t.html?_r=1&scp=1&sq=green%20brain&st=cse">reportagem enorme</a> sobre os erros das campanhas ambientais, sobre essa falta de conexão com a realidade das experiências de cada um. O texto, enviado pelo <a href="http://carlosmagalhaes.com.br/">Guto</a>, é extremamente interessante e foi o que inspirou a lembrar da data desta forma. Recomendo a leitura."</em><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7208500-8866377631784839956?l=cartadaitalia.blogspot.com'/></div>Allan Robert P. J.http://www.blogger.com/profile/16380508970232894650noreply@blogger.com3tag:blogger.com,1999:blog-7208500.post-58751561127272940392009-05-31T05:59:00.001+02:002009-05-31T06:03:30.458+02:00San LazzaroA Planície Padana é uma região muito particular. Situada no centro-norte da Itália e circundada pelas montanhas dos Alpes e dos Apeninos, possui um clima que muitos preferem evitar: pouco vento e muita umidade. Pois são essas características que contribuem para a produção de queijos, embutidos e vinhos de qualidade. A cidade de Piacenza, por exemplo, fica apenas a 68 metros acima do nível do mar. Nas colinas piacentinas espalhadas pela província produz-se um vinho de razoável qualidade. Além disso, Piacenza é a única província em toda a Europa a ter conquistado o selo DOP (<span style="font-style: italic;">Denominazione d’Origine Protetta</span>) para três produtos regionais, o que significa que tais produtos são certificados pela CE e controlados rigorosamente. Isso lhes confere uma qualidade particular e distinta.<br /><br />Mas esse pedaço de terra é, também, repleto de tradições. Nem pense em confundir os <span style="font-style: italic;">tortelli</span> de Cremona com a vizinha Crema. <span style="font-style: italic;">Tortelli</span> é toda e qualquer massa recheada, como <span style="font-style: italic;">cappelletti</span> ou <span style="font-style: italic;">ravioli</span>, por exemplo, e ambas as cidades produzem <span style="font-style: italic;">tortelli</span> de ótima qualidade. Sendo cidades vizinhas, estão sempre em competição, apesar de Cremona ser a cidade de Antonio Stradivarius e de um torrone de virar os olhos.<br /><br />Com o tempo, muito do que era parte do orgulho local acaba sendo esquecido. As pessoas se acostumam e o inusitado passa a fazer parte do cotidiano. Não é raro que um turista ou forasteiro tenha informações que os habitantes do lugar não possuem mais.<br /><br />Observando o mapa da Itália, nota-se que a <span style="font-style: italic;">Pianura Padana</span> tem apenas uma parte livre de montanhas, a leste, onde se encontra o delta do rio Po. Pois bem, acreditava-se que as doenças eram transmitidas pelo vento, que, no caso da nossa planície, vinha sempre do leste [<span style="font-size:85%;">não é bem assim, os ventos altos que atingem a região podem vir de qualquer direção, mas estamos nos referindo a um tempo em que as crendices populares tinham um peso maior que os fatos</span>] e, por esse motivo, toda construção deveria considerar tal informação. É por isso que os <span style="font-style: italic;">lazzaretti</span> das cidades da região se situavam fora do perímetro urbano e sempre na parte oeste. <span style="font-style: italic;">Lazzaretto</span> era o local construído para confinamento e isolamento dos portadores de doenças contagiosas, como a lepra e a peste. Construído na parte oeste da cidade e com o vento que soprava do leste, a cidade estaria livre da contaminação, pois o vento impediria a doença de entrar.<br /><br />Lazzaro era o mendigo doente de uma parábola da Bíblia que muitos artistas usaram pela referência que faz da vida após a morte. Apesar de se tratar de um personagem de uma parábola, a tradição da Igreja Católica o venera como o santo protetor dos doentes de lepra, até porque, sendo o único personagem indicado por um nome, muitos acreditam tratar-se de uma pessoa que realmente existiu.<br /><br />Como o tempo passa sempre, os <span style="font-style: italic;">lazzaretti </span>já não existem na região, o mal de Hansen pode ser tratado sem assustar e os ventos já não vem mais só do leste. As cidades cresceram e o que se encontrava fora do perímetro urbano hoje é bairro. É por isso que toda cidade da região tem um bairro chamado San Lazzaro, situado na parte oeste, em relação ao centro histórico da cidade.<br /><br />Faltou dizer que os três produtos DOP de Piacenza são o salame piacentino, a pancetta piacentina e a coppa piacentina, frutos de uma tradição cultivada por muitas gerações e muito apreciados por este forasteiro. Mas isso já é assunto para uma outra carta.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7208500-5875156112727294039?l=cartadaitalia.blogspot.com'/></div>Allan Robert P. J.http://www.blogger.com/profile/16380508970232894650noreply@blogger.com4tag:blogger.com,1999:blog-7208500.post-41770700050019003452009-05-24T10:59:00.003+02:002009-05-25T19:26:12.156+02:00Gnocchi com gorgonzola– Alô!<br /><br />– Oi, Lu.<br /><br />– …Que receita?<br /><br />– Calma! Não posso ligara para minha irmãzinha não, é?<br /><br />– …Que receita?<br /><br />– Eu também estou bem, obrigada. O fim-de-semana foi ótimo…<br /><br />– Bi, nós passamos o fim-de-semana juntas. Diga logo que receita você quer, dessa vez.<br /><br />– A de gnocchi com gorgonzola do pai.<br /><br />– Bianca, nós moramos na Itália! Desça, vá até o mercadinho da esquina e compre um pacote de gnocchi recheado com gorgonzola.<br /><br />– …É que eu convidei ‘ele’ pra jantar aqui em casa e pensei em fazer algo especial.<br /><br />– Anota aí: Pro gnocco você vai precisar…<br /><br />– Pula essa parte. Comprei gnocchi pronto.<br /><br />– Não era pra ser algo especial?<br /><br />– O molho, Luiza! Eu preciso da receita do molho!<br /><br />– Gorgonzola, pimenta do reino, noz-moscada, manteiga, pancetta, vinho branco e farinha de trigo.<br /><br />– Vinho branco e farinha? Não leva leite?<br /><br />– Guarda o leite pro capuccino. Vinho branco e farinha.<br /><br />– Anotei tudo. E aí...?<br /><br />– Corte a pancetta em cubinhos…<br /><br />– Xí, esqueci de comprar pancetta.<br /><br />– Usa bacon ou speck. Até presunto cru serve.<br /><br />– Tenho um pedaço de speck na geladeira. E aí…?<br /><br />– Frite a pancetta… quer dizer, o speck, na mesma panela que você vai usar pra fazer o molho. Apague o fogo e separe o speck. Coloque a manteiga na panela ainda quente…<br /><br />– Quanto de manteiga eu uso?<br /><br />– Bi, você já viu alguma receita do pai com medida? É tudo q b.<br /><br />– Q b. Quanto basta. E aí…?<br /><br />– Quando a manteiga derreter, junte a farinha, q b, ligue o fogo baixo e vá mexendo com um batedor.<br /><br />– Diáchoé “batedor”?<br /><br />– Frustino.<br /><br />– E por que você não diz “frustino”?<br /><br />– Porque nós estamos falando em português e em português frustino é batedor. ...Eu acho.<br /><br />– Tá. E aí…?<br /><br />– Vá adicionando o vinho aos poucos sem parar de mexer.<br /><br />– …Vinho? Tá bom, tá bom. Q b.<br /><br />– Uma pitada de pimenta do reino e uma de noz-moscada. Junte o gorgonzola em cubos e vá mexendo sempre. Quando o gorgonzola derreter, apague o fogo, junte o speck, despeje sobre o gnocchi e sirva.<br /><br />– Como é que se corta gorgonzola em cubos?<br /><br />– Aos pedaços, em rodelas ou como você quiser. Vai derreter, mesmo!<br /><br />– Rodelas…?<br /><br />– Bi, por que você não usa os livros de receitas que eu te dei?<br /><br />– Porque não tem as receitas do pai. E porque é mais fácil quando minha irmãzinha explica.<br /><br />– Mas não dava pra ser menos dependente na cozinha? Ou esperar mais umas horinhas e ligar pro pai no Brasil?<br /><br />– A essa hora o pai já acordou e está dando a caminhada dele na praia. E desligou o telefone para não acordar a mãe. Depois, cada uma com as suas dificuldades. Ou você se lembra do teorema de Pitágoras?<br /><br />– Da próxima vez, experimenta servir pra “ele” um teorema de Pitágoras. Tchau!<br /><br />– Tchau, Lu. Brigadinha e beijoca.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7208500-4177070005001900345?l=cartadaitalia.blogspot.com'/></div>Allan Robert P. J.http://www.blogger.com/profile/16380508970232894650noreply@blogger.com14tag:blogger.com,1999:blog-7208500.post-79587720607699395602009-05-13T20:49:00.003+02:002009-05-15T06:23:24.797+02:00A IlhaAos poucos a terra foi desaparecendo até que só restou aquela tripa no meio do oceano. O povo que ali vivia se dividia entre ‘de esquerda’ e ‘de direita’; entre sul e norte, ainda que fosse impossível identificar onde fosse seja o norte que o sul. As poucas bússolas giravam sem referência; o sol e as estrelas a cada dia nasciam em uma direção. Havia-se a impressão de que o último pedaço de terra deste mundo flutuava sobre um lento vórtice.<br /><br />Eles a chamavam “Nossa Terra”, pois tinha sido proibido referir-se ao lugar como uma ilha – era uma ilha – e todos eram orgulhosos da própria cultura. “A única sociedade que sobreviveu”, diziam. De resto, discordavam de tudo. Nada era decidido, todos objetavam e denunciavam complôs. Até mesmo quando decidiram construir a nave discordaram e se acusaram mutuamente de plágio, espionagem e processaram-se em uma disputa pela autoria da ideia, que não chegou a conclusão alguma. Foi só porque todos se sentiam donos do projeto que o navio foi construído. [E porque – dizia-se à boca miúda – a ilha também iria desaparecer.]<br /><br />Construíram um imenso estaleiro flutuante, capaz de suportar o navio que abrigaria toda a população. Áreas de lazer, atividades produtivas e, é claro, muito conforto. Para evitar novas acusações e espionagem, a estrutura foi dividida à metade, direita e esquerda, e um tapume escondia o que cada parte fazia. A esquerda caprichou na biblioteca, no salão de debates e nos diversos bares para onde convergiriam as muitas facções partidárias. A direita, no suntuoso e único restaurante, no salão de festas e no palanque eleitoral. O tempo foi passando e a barulheira era infernal, vinte e quatro horas por dia. Na data marcada a grande nave estava pronta. Coberta, mas pronta. A direita desejava fazer uma grande festa, mas a esquerda achou um desperdício e começou a derrubar o tapume. O povo foi subindo aos poucos, deixando aquela tira de terra que começava a alagar. Como previsto, o peso fez a estrutura ceder e o navio começou a flutuar.<br /><br />Os líderes das duas partes se encontraram no meio do navio e tiraram as últimas peças que dividiam a nave. Finalmente todos no mesmo barco. A direita logo apresentou seus planos de navegação, mas a esquerda discordou:<br />-- Iremos na direção em que aponta a proa. Fácil!<br /><br />A direita deu de ombros:<br />-- A proa aponta para a direita. Iremos pra lá.<br /><br />-- Fomos nós que construímos a proa. – Retrucou a esquerda – Pilotamos nós o navio. Para a esquerda!<br /><br />Só então se deram conta de terem construído duas proas. O navio não tinha popa nem motores ou leme.<br /><br />-- Vocês tem os operários e a matéria-prima. Por que não fizeram a popa e os motores? – Questionou a direita.<br /><br />-- Mas se as indústrias e os engenheiros estão nas mãos de vocês… – Acusou a esquerda.<br /><br />-- Mas se as fábricas estão no sul, a parte pobre e esquerda da ilha…<br /><br />-- Mas se são vocês que tem o projeto nas mãos… Blá, blá, blá<br /><br />-- Acontece… Blá, blá…<br /><br />-- Blá…<br /><br />A terra começava a desaparecer, a nave flutuava à deriva e a discussão ameaçava não ter fim. As vozes iam desaparecendo na imensidão daquele oceano único, azul-escuro como a noite que começava a cair. No horizonte grossas nuvens se formavam. E eles rumavam para a tempestade.<br /><br />-- Blá, blablá, blá!<br /><br />-- Blá, blá…<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7208500-7958772060769939560?l=cartadaitalia.blogspot.com'/></div>Allan Robert P. J.http://www.blogger.com/profile/16380508970232894650noreply@blogger.com16tag:blogger.com,1999:blog-7208500.post-28909758775350345262009-05-09T16:47:00.001+02:002009-05-09T16:51:49.256+02:00Pronúncia italiana – F, G, HO difícil em aprender uma outra língiua com a mesma raiz da nossa própria língua são os vícios de linguagem. Como o som do <span style="font-style: italic; font-weight: bold;">e</span> no fim das palavras, em português, como citado na lição anterior. É normal, para nós, pronunciá-lo como <span style="font-style: italic; font-weight: bold;">i</span>, mas isso causa enorme confusão se o nosso interlocutor não seja um outro brasileiro.<br /><br />No caso da lição de hoje, o <span style="font-weight: bold; font-style: italic;">f</span> não apresenta nenhum problema, já que seu uso em italiano é idêntico ao português, respeitando-se apenas o alongamento da pronúncia quando aparece dupla. Mas com o <span style="font-style: italic; font-weight: bold;">g</span> a coisa muda. <span style="font-weight: bold; font-style: italic;">G</span> + <span style="font-style: italic; font-weight: bold;">a</span> e <span style="font-style: italic; font-weight: bold;">g</span> + <span style="font-style: italic; font-weight: bold;">o </span>são iguais à nossa pronúncia; <span style="font-style: italic; font-weight: bold;">g</span> + <span style="font-style: italic; font-weight: bold;">u</span> difere apenas em parte, pois o u será sempre pronunciado; em <span style="font-style: italic; font-weight: bold;">g</span> + <span style="font-weight: bold; font-style: italic;">e</span> e <span style="font-style: italic; font-weight: bold;">g</span> + <span style="font-style: italic; font-weight: bold;">i</span> o <span style="font-style: italic; font-weight: bold;">g</span> ganha um som de <span style="font-style: italic; font-weight: bold;">dj</span>. Assim, <span style="font-style: italic;">Angelo</span> – um nome comum por aqui e tradução de “anjo” – não pode ser pronunciado como em português. A pronúcia correta é <span style="font-style: italic; font-weight: bold;">ândjelo</span>.<br /><br />A letra <span style="font-weight: bold; font-style: italic;">h</span> é uma outra que merece atenção, mas não chega a criar problemas. No início de palavras funciona como em português, ou seja, não será nunca pronunciada mesmo que a palavra seja em outra língua, como <span style="font-style: italic;">Honda</span>, <span style="font-style: italic;">hall</span>, etc. Se precedida de <span style="font-style: italic; font-weight: bold;">g</span>, forma um dígrafo cujo som é como o nosso <span style="font-weight: bold; font-style: italic;">gu</span> quando a letra <span style="font-weight: bold; font-style: italic;">u</span> não é pronunciada – sem trema. Assim, a palavra ‘guerra’ tem uma pronúncia diferente em italiano, pois, neste caso, a letra <span style="font-style: italic; font-weight: bold;">u</span> é pronunciada. Se a pronunciarmos como em português, um italiano crederá que se escreve ‘gherra’ ( se bem que eles não conseguem pronunciar o nosso <span style="font-style: italic; font-weight: bold;">rr</span>). Se precedida da <span style="font-style: italic; font-weight: bold;">c</span>, o dígrafo formado soará como <span style="font-style: italic; font-weight: bold;">k</span>.<br /><br /><br />Vá treinando:<br />Fede (fé, aliança de casamento)<br />Gentile (gentil, alface crespa)<br />Gente<br />Giraffa<br />Giorno (dia)<br />Guerra<br />Che (que)<br />Chi (quem)<br />Ghetto (gueto)<br />Ghiaia (brita)<br />Fiocchi (flocos)<br />Chiara (Clara)<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7208500-2890975877535034526?l=cartadaitalia.blogspot.com'/></div>Allan Robert P. J.http://www.blogger.com/profile/16380508970232894650noreply@blogger.com8tag:blogger.com,1999:blog-7208500.post-63358391479836335492009-04-30T19:23:00.003+02:002009-04-30T19:47:50.425+02:00San PoloNesta terra de lugarejos é curioso como às vezes nem nos damos conta de que a vida é feita de detalhes. Detalhes do cotidiano impressos nas casas, nos hábitos, nas almas. Passamos de carro sem olhar, sem notar os pequenos símbolos que guiam a comunidade, que a mantém unida e faz de cada morador um defensor dessa união, uma parte da vida do lugar e não apenas um detalhe.<br /><br /><br /><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_8jXNOkfCYBw/SfiOrp5g4nI/AAAAAAAAAXg/xM_uaRLSlJg/s1600-h/flessibilit%C3%A0+009.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_8jXNOkfCYBw/SfiOrp5g4nI/AAAAAAAAAXg/xM_uaRLSlJg/s200/flessibilit%C3%A0+009.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5330167039625585266" border="0" /></a><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_8jXNOkfCYBw/SfiOcavYVBI/AAAAAAAAAXY/SFRXuXPvRmE/s1600-h/flessibilit%C3%A0+011.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_8jXNOkfCYBw/SfiOcavYVBI/AAAAAAAAAXY/SFRXuXPvRmE/s200/flessibilit%C3%A0+011.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5330166777858511890" border="0" /></a><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_8jXNOkfCYBw/SfiOIi-1qYI/AAAAAAAAAXQ/jYn3Tyy35mI/s1600-h/flessibilit%C3%A0+013.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 150px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_8jXNOkfCYBw/SfiOIi-1qYI/AAAAAAAAAXQ/jYn3Tyy35mI/s200/flessibilit%C3%A0+013.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5330166436473448834" border="0" /></a><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_8jXNOkfCYBw/SfiNvmfqb5I/AAAAAAAAAXI/4V-JoFZdUf4/s1600-h/flessibilit%C3%A0+014.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_8jXNOkfCYBw/SfiNvmfqb5I/AAAAAAAAAXI/4V-JoFZdUf4/s200/flessibilit%C3%A0+014.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5330166007919701906" border="0" /></a><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_8jXNOkfCYBw/SfiNhmJRpHI/AAAAAAAAAXA/-boH4PwUpSM/s1600-h/flessibilit%C3%A0+010.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 150px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_8jXNOkfCYBw/SfiNhmJRpHI/AAAAAAAAAXA/-boH4PwUpSM/s200/flessibilit%C3%A0+010.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5330165767307633778" border="0" /></a><span style="font-style: italic;">“Paulo, milagrosamente convertido ao cristianismo nas vias de Damasco, sofreu o martírio com são Pedro, em Roma, durante o império de Nero, no ano 64 d.C.</span><br /><span style="font-style: italic;">Esta igreja foi documentada pela primeira vez no séc. VXI, foi completamente reestruturada entre os anos de 1823 e 1875. Ao seu interno estão conservadas algumas pinturas interessantes: Nossa Senhora e santos do séc. VXI, a conversão de são Paulo, do séc. XVII e a Sagrada Família de Paulo Bozzini (1852). Notáveis as decorações de Alberto Aspetti e Nazzareno Sidoli (séc. XX).”</span><br /><br /><br /><br /><br /><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_8jXNOkfCYBw/SfiNTLOr4cI/AAAAAAAAAW4/-Cm3F3tQ2Ms/s1600-h/flessibilit%C3%A0+015.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_8jXNOkfCYBw/SfiNTLOr4cI/AAAAAAAAAW4/-Cm3F3tQ2Ms/s200/flessibilit%C3%A0+015.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5330165519564399042" border="0" /></a><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7208500-6335839147983633549?l=cartadaitalia.blogspot.com'/></div>Allan Robert P. J.http://www.blogger.com/profile/16380508970232894650noreply@blogger.com10tag:blogger.com,1999:blog-7208500.post-14225822218736064172009-04-26T16:16:00.000+02:002009-04-26T16:17:53.523+02:00O Eu MeteorológicoChove e faz frio; na montanha voltou a nevar. É o adeus anual do Inverno azedando o humor italiano neste início de primavera. Curiosamente é o clima que mais me faz lembrar do Embu, em São Paulo. Sim, curioso porque no Embu também faz sol, calor e quase todas as outras manifestações atmosféricas. Noites frias e chuvosas embuenses, bebericando conhaque num bate-papo com amigos.<br /><br />As tardes frescas da primavera italiana me lembram Assis, sempre em São Paulo. Horas e horas esperando o peixe que nem sempre mordia a isca, o que não chegava a incomodar a descontração ou as risadas provocadas pelos ‘causos’ narrados pelo seu Zé, sogro e amigo. Nem só de <a href="http://cartadaitalia.blogspot.com/2004/09/memria-gastronmica.html" target="_blank">memória gastronômica</a> vivo eu, mas essa associação com o clima tem a capacidade de me fazer reviver momentos e lugares como nenhuma outra circunstância.<br /><br />Algumas experiências são únicas, como a primavera em Sampa: saía de casa com pulôver e casaco na manhã gelada; por volta das dez o calor e a umidade provocavam uma sensação de coceira, como se milhares de agulhas me espetassem todo o corpo, numa agonia que me obrigava a ficar em mangas de camisa o mais rápido possível e sem saber o que fazer com os agasalhos incômodos. Lá pelas três da tarde, com o calor que fazia, ninguém suportava sequer olhar para os casacos e roupas de lã, amontoados em um canto qualquer. Voltava para casa cansado, com frio, os olhos vermelhos e ardendo, consciente de que a cena se repetiria no dia seguinte. O verão no Rio é inigualável, não só pelo calor mas pelo ar que se respira. Uma sensação de casa como em nenhum outro lugar, diferente do verão de Salvador, ventilado e festivo, mas onde me sentia sempre como alguém de passagem, apesar dos quase 12 anos vividos lá. Reencontrei o clima de Ilhabela aqui na Itália, na ilha d’Elba, talvez por ambas serem ilhas, mas em Elba não tem borrachudos.<br /><br />Óbvio que a neve é uma ocasião especial e incomparável com os diversos climas no Brasil. Nem chego a ter certeza de que sentirei saudades dela. Ir trabalhar debaixo de neve está longe do meu conceito de divertimento. Depois, carioca que sou, prefiro o mar à montanha. E agradeço aos céus que nem todos pensam como eu.<br /><br />Enquanto houver memória haverá história. Troquei o conhaque pelo vinho, o ar não é aquele do Rio nem a brisa é a mesma de Salvador. Na última vez em que seu Zé esteve aqui pescamos mais peixes que em muitas tardes à beira do Paranapanema somadas. As estações costumam ser mais marcadas e aprendemos as ocasiões em que se deve levar um casaco, ainda que por precaução. Mais uns dias e a primavera torna senhora da vida. E eu nem sinto saudade dos borrachudos.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7208500-1422582221873606417?l=cartadaitalia.blogspot.com'/></div>Allan Robert P. J.http://www.blogger.com/profile/16380508970232894650noreply@blogger.com7tag:blogger.com,1999:blog-7208500.post-75549675177098669122009-04-21T10:06:00.006+02:002009-04-21T10:15:08.155+02:00Chico Mendes - MilãoRecentemente a <a href="http://www.interney.net/blogs/malla/" target="_blank">Lucia Malla</a> e o <a href="http://www.artesub.com/" target="_blank">André Seale</a> esteviram na <a href="http://www.interney.net/blogs/malla/2009/04/04/blogcamp_italia/" target="_blank">Itália</a> para retirar o prêmio do concurso fotográfico internacional sobre a natureza (Asferico 2009), <a href="http://www.interney.net/blogs/malla/2009/04/05/em_marano_lagunare_asferico_2009/" target="_blank">vencido</a> pelo André.<br /><br />A ocasião serviu para conhecer pessoalmente a querida Lucia (ou Lúcia?), companheira do blog <a href="http://www.verbeat.org/blogs/facaasuaparte/" target="_blank">Faça a Sua Parte</a> e o excelente fotógrafo André Seale (tem uma foto multicolorida de corais sobre o meu pc que o André e a Lucia me enviaram a uns três anos). O <a href="http://www.verbeat.org/blogs/lixotipoespecial/" target="_blank">Flávio</a>, outro companheiro do ‘Faça’ e grande amigo de infância dos últimos 5 anos, a <a href="http://noncapisconiente.blogspot.com/" target="_blank">Alline</a>, que morava na Amazônia com a irmã de um outro grande amigo de infância – esse há mais de 30 anos – e a nova amiga <a href="http://arquivodeviagens.wordpress.com/" target="_blank">Luisa</a>, também curtiram a presença do casal na tarde agradável em Milão. Pena que o tempo voa nos momentos felizes e uma avalanche de trabalho me impediu de reencontrá-los.<br /><br />Aproveitei para pagar uma promessa a uma leitora e tirei uma foto da árvore em homenagem a Chico Mendes, no centro de Milão, nos fundos da catedral Duomo, como se vê na foto. Ficou faltando o café prometido há algum tempo pela Alline, mas a quem está com a cabeça e o coração nas nuvens tudo é perdoado. Não faltará oportunidade.<br /><br /><br /><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_8jXNOkfCYBw/Se1_GQKMKsI/AAAAAAAAAWo/HFX0vHXRMik/s1600-h/Mil%C3%A3o+001.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_8jXNOkfCYBw/Se1_GQKMKsI/AAAAAAAAAWo/HFX0vHXRMik/s320/Mil%C3%A3o+001.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5327053679642815170" border="0" /></a><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br />“Este ‘Tiglio’(*) vive para recordar Chico Mendes e os povos da Amazônia, que defenderam e defendem a grande floresta e essa nossa pequena Terra.” Prefeitura de Milão – 18-03-1989<br /><br />(*) da família das Tiliaceae – quem souber o nome em português, por favor, deixe um comentário.<br /><br /><br /><br /><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_8jXNOkfCYBw/Se1-0IbrSwI/AAAAAAAAAWg/cjDkVTC-MmI/s1600-h/Mil%C3%A3o+002.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 240px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_8jXNOkfCYBw/Se1-0IbrSwI/AAAAAAAAAWg/cjDkVTC-MmI/s320/Mil%C3%A3o+002.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5327053368331029250" border="0" /></a><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7208500-7554967517709866912?l=cartadaitalia.blogspot.com'/></div>Allan Robert P. J.http://www.blogger.com/profile/16380508970232894650noreply@blogger.com13tag:blogger.com,1999:blog-7208500.post-21168366292678654142009-04-05T15:16:00.005+02:002009-04-08T23:30:35.364+02:00Sobre nós e laçosLembro de quando tudo o que eu queria da vida era ser um grande jogador de bolinhas de gude. Não o melhor jogador de bolinhas de gude do mundo, queria apenas ser melhor que o Clóvis. Ele, sim, era o melhor jogador de bolinhas de gude do mundo. Mas isso não importava, pois eu só queria ser melhor que o Clóvis. Foi ele quem rapelou todas as bolinhas de gude do meu embornal, um saco de pano que servia para guardar bolinhas de gude e os sapotis que enterrávamos para amadurecer. Ficava olhando de longe, comendo sapoti enquanto o Clóvis rapelava alguém que precisava demonstrar ser homem. Quem parava antes de perder tudo era considerado café-com-leite e ninguém jogava com os cafés-com-leite. Às vezes a campainha da escola salvava a vítima, mas normalmente o estrago era irremediável. Eu ficava olhando, de longe, preservando minhas bolinhas de gude e minha reputação.<br /><br />Quando nos mudamos do Rio perdi o contato com todos os amigos e menos amigos. Novas amizades, novos Clóvis e uma lição a menos para aprender. Muitos dos grandes amigos simplesmente desapareceram. Aliás, foram substituídos, o que é normal para um garoto de 11 anos, mas lembro deles sempre e, às vezes, penso em como estarão hoje.<br /><br />Na adolescência os laços ganham maior importância, mas também acabei perdendo o contato com grandes novos amigos. Morei em muitos lugares e a cada nova mudança os laços se desfaziam, restando apenas aqueles mais fortes. Com os parentes também foi assim. Por onde andam meus primos? Alguns nem conheci, ainda. Mas lembro sempre. Notícias esparsas e a minha capacidade de ser absurdamente distraído. “Mas já passaram vinte anos?”<br /><br />Longe. Mais longe do que gostaria de estar neste momento, mas essa é uma daquelas amizades que resiste a tudo. Impotente diante da fatalidade que o risco de viver comporta, solidário na medida do possível, porque a solidariedade de quem está longe se manifesta sem contato físico, e um forte abraço pode confortar.<br /><br /><a style="color: rgb(255, 255, 153);" href="http://aloysiobiondi.com.br/spip.php?article1200/" target="_blank">Lembro dela</a><span style="color: rgb(255, 255, 153);"> </span>como uma moça decidida. Não aquele tipo de pessoa que vai conquistar o mundo, mas o tipo que deixa claro desde o início que irá viver a própria vida buscando as próprias respostas; que não tem medo dessa aventura que é entregar-se às emoções e exigir sempre mais; que olha nos olhos e fala de modo direto; que não tem medo de mudar de rumo. Lembro dela com um sorriso que brilhava no rosto e que contagiava.<br /><br />É isso. Perdemos alguns laços – que podem ser tantos – e os que ficam tornam-se muito importantes. Gozamos e sofremos juntos. Nos resignamos com a vida que continua, apesar das perdas. Às vezes, nem mesmo um abraço conforta.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7208500-2116836629267865414?l=cartadaitalia.blogspot.com'/></div>Allan Robert P. J.http://www.blogger.com/profile/16380508970232894650noreply@blogger.com19tag:blogger.com,1999:blog-7208500.post-31411549305907453452009-03-28T11:57:00.002+01:002009-03-28T11:57:00.495+01:00Entardecer no ApeninosSim, entardecer. As fotos abaixo foram tiradas entre às 18:00 h. e 19:00 h. A região é a mesma do post que mostrava o amanhecer, entre Massa Carrara, na Toscana e Borgotaro, na Emília Romagna, em uma viagem anterior num dia frio de fim de Inverno. Em poucos dias a luz muda e começa a perder a neblina fina, característica dessa região.<br /><br /><br /><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_8jXNOkfCYBw/Sc3fDsyJ44I/AAAAAAAAAWY/jOrQ__cY4hM/s1600-h/Apeninos8.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_8jXNOkfCYBw/Sc3fDsyJ44I/AAAAAAAAAWY/jOrQ__cY4hM/s320/Apeninos8.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5318151989648548738" border="0" /></a><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br />Ao longe se vêem as primeiras montanhas.<br /><br /><br /><br /><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_8jXNOkfCYBw/Sc3Zk-YdrJI/AAAAAAAAAWI/yqcLQ742g88/s1600-h/Apeninos10.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_8jXNOkfCYBw/Sc3Zk-YdrJI/AAAAAAAAAWI/yqcLQ742g88/s320/Apeninos10.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5318145964238548114" border="0" /></a><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br />Chegando mais perto.<br /><br /><br /><br /><br /><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_8jXNOkfCYBw/Sc3ZWVsjOMI/AAAAAAAAAWA/8PqO56Ekrl0/s1600-h/Apeninos11.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_8jXNOkfCYBw/Sc3ZWVsjOMI/AAAAAAAAAWA/8PqO56Ekrl0/s320/Apeninos11.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5318145712798775490" border="0" /></a><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br />De repente o horizonte é quase uma reta. De neve.<br /><br /><br /><br /><br /><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_8jXNOkfCYBw/Sc3ZFn5aZZI/AAAAAAAAAV4/qZjBx2u6vQM/s1600-h/Apeninos13.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_8jXNOkfCYBw/Sc3ZFn5aZZI/AAAAAAAAAV4/qZjBx2u6vQM/s320/Apeninos13.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5318145425626785170" border="0" /></a><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br />Resíduos de neblina opacificam as montanhas.<br /><br /><br /><br /><br /><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_8jXNOkfCYBw/Sc3Y5TrvtfI/AAAAAAAAAVw/W3qvHTMZ2J8/s1600-h/Apeninos15.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 240px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_8jXNOkfCYBw/Sc3Y5TrvtfI/AAAAAAAAAVw/W3qvHTMZ2J8/s320/Apeninos15.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5318145214042322418" border="0" /></a><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br />Talvez consiga uma imagem melhor…<br /><br /><br /><br /><br /><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_8jXNOkfCYBw/Sc3YsQv1ElI/AAAAAAAAAVo/oECZo7ffehg/s1600-h/Apeninos16.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_8jXNOkfCYBw/Sc3YsQv1ElI/AAAAAAAAAVo/oECZo7ffehg/s320/Apeninos16.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5318144989915845202" border="0" /></a><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br />Que pena!, não deu tempo.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7208500-3141154930590745345?l=cartadaitalia.blogspot.com'/></div>Allan Robert P. J.http://www.blogger.com/profile/16380508970232894650noreply@blogger.com13tag:blogger.com,1999:blog-7208500.post-36840787832394446152009-03-27T05:55:00.001+01:002009-03-27T18:47:35.722+01:00Movimento Natureza<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_8jXNOkfCYBw/Scn8bY9LxbI/AAAAAAAAAVg/DNbphbwlo6o/s1600-h/movnatureza-selo2.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 175px; height: 125px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_8jXNOkfCYBw/Scn8bY9LxbI/AAAAAAAAAVg/DNbphbwlo6o/s320/movnatureza-selo2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5317058382573323698" border="0" /></a><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br />A Georgia, do blog <a href="http://saia-justa-georgia.blogspot.com/" target="_blank">Saia Justa</a> e a Beth, do blog <a href="http://www.supremamaegaia.blogspot.com/" target="_blank">Mãe Gaia</a> se reuniram num projeto-desafio. Juntas criaram o blog <a href="http://movimento-natureza.blogspot.com/" target="_blank">Movimento Natureza</a> e convidam todos a participar. A ideia é que cada leitor plante uma árvore até o dia 22 de Abril – Dia do Descobrimento – e divulgue a iniciativa nos próprios blogs, na escola, no trabalho, administrações públicas, enfim, deve ser uma ação multiplicadora.<br /><br />Já contei que <a href="http://cartadaitalia.blogspot.com/2008/06/manias.html" target="_blank">tenho o hábito de plantar árvores</a> e acho a proposta muito positiva, sem tanta enrolação e extremamente prática. Basta plantar uma árvore e lançar o desafio onde for possível. Só isso.<br /><br />Mas o dia 22 de abril será só o início desse desafio. Cada participante é livre para propor uma nova ação às autoras e o resultado será cada vez maior, envolvendo mais e mais as pessoas em ações práticas.<br /><br />E você? Vai ficar aí refletindo ou vai <a href="http://movimento-natureza.blogspot.com/" target="_blank">participar?</a> Essa é uma excelente oportunidade para fazer a sua parte.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7208500-3684078783239444615?l=cartadaitalia.blogspot.com'/></div>Allan Robert P. J.http://www.blogger.com/profile/16380508970232894650noreply@blogger.com4tag:blogger.com,1999:blog-7208500.post-77568740632340209302009-03-22T11:08:00.000+01:002009-03-22T11:10:00.201+01:00A ironia de chamar-se TerraHouve um tempo em que ocorriam mini batalhas navais no Coliseu. A construção foi planejada de modo que parte dele pudesse ser inundada em umas sete horas. Tudo para divertir o povo. Hoje, rotineiras análises controlam a quantidade de cocaína, entre outras substâncias, lançada nos rios italianos. Parece que esse povo não se cansa de se divertir às custas da água.<br /><br />Quando surgiram os primeiros ozonizadores d’água no Brasil, um dos argumentos usados pelos vendedores era que os franceses beberiam água do Sena ozonizada, completamente livre de microorganismos e filtrada. “Da melhor qualidade”, diziam, mas creio tratar-se de mais uma lenda urbana. Me assustava saber que os rios pudessem ser tão poluídos que nenhum peixe se atreveria a nadar neles. Me assustava – e me assusta ainda – saber que os rios não terminam em um depurador e que tudo o que é despejado neles é absorvido pelo ciclo natural das águas, contaminando mares, plantações e terrenos, que fornecem peixes, hortaliças e pastos para os animais que ingerimos. Cocainômano passivo sou.<br /><br />A água irá se tornar o produto de largo consumo mais caro e raro, e nem por isso poderemos abrir mão dela. O único modo de estocá-la é congelando, mas uma família de 4 pessoas iria precisar de um congelador maior que a casa para ter um estoque de poucos dias. E já imaginaram a conta da luz? Portanto, o único meio viável para minimizar o problema é economizar. Uma simples descarga no banheiro joga pelo esgoto mais água de que dispõem muitas famílias africanas por um dia inteiro.<br /><br />Muita água rolou desde o Império Romano, mas ela foi contaminada por agrotóxicos, resíduos industriais e toda espécie de poluição que pagamos pelo progresso. Inclusive aquela gerada pela produção e transporte de alimentos. Se o alimento for industrializado, então… Adotar atitudes de consumo eco-compatíveis não deve ser encarado como uma moda, mas como necessidade, ou esse mundo irá por água abaixo.<br /><br />Observando a irresponsabilidade com que tratamos esse bem precioso e necessário, o nome escolhido para o nosso planeta soa como ameaça. Perseverante como é, o ser humano parece estar cumprindo a previsão de que o mar iria virar sertão, mas o sertão não vai virar mar. Pecado, poderia ser um mar de água doce. Vamos todos acabar mesmo no pó. Alguns rios já o demonstram.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7208500-7756874063234020930?l=cartadaitalia.blogspot.com'/></div>Allan Robert P. J.http://www.blogger.com/profile/16380508970232894650noreply@blogger.com7tag:blogger.com,1999:blog-7208500.post-76014604933019661182009-03-18T08:00:00.001+01:002009-03-18T08:00:53.019+01:00Primavera sem respeitoNão, ela não sabe do calendário. Tão pouco sabe da crise ou de crises. Os dias simplesmente mudam e o ar fica mais quente, agradável. As pessoas, mais solares, caminham pelas ruas como se fosse a primeira vez. Turistas na própria cidade. A paisagem é outra, ainda que seja a mesma.<br /><br />Todos os anos ouvia falar de ‘mal de Primavera’. Havia quem se lamentava de dores no corpo, indisposição e um mal humor incompatível com o clima alegre da estação e eu não entendia. Nos dois últimos anos descobri intimamente esse desconforto. A sensação é de estar gripado, mas os médicos não encontram nenhuma patologia. Nada que explique esse mal-estar que dura – no meu caso – uns três ou quatro dias. Depois, some. E posso observar passiva e calmamente as mudanças.<br /><br />O caminho para a escola, de manhã, ecoa a algazarra contida durante o Inverno e descubro que os sons também hibernam; prédios que começam a esconder-se por trás das árvores que lentamente, lentamente, vão se preenchendo de verde do novo das folhas; os pombos já não são os únicos a ocuparem o céu. Mais alguns dias e imitaremos a estação: nuvens de poeira serão sacudidas das roupas pesadas, batidas ao sol antes de ocuparem um canto escondido e escuro até o início da próxima estação fria. A chamada ‘limpeza de Primavera’ movimenta este país numa rotina anual de resignação e alívio. É verdade, ainda teremos a tradicional semana de frio, quando todos xingam já terem guardado os casacos pesados e vasculham cobertores para a despedida do Inverno, mas serão poucos dias. Esse mal humor me diverte e faz parte do cotidiano, mas a Primavera chegou antes.<br /><br />Não, a Primavera não faz nenhuma distinção entre governo e oposição, se o novo cidadão do mundo irá influenciar a vida das pessoas ou se será apenas o bode expiatório da ocasião. Ela apenas acontece, segue um ritmo que não depende de decisões nem sofre interferências (ao menos por enquanto). A Primavera chega quando deve chegar, transformando, renascendo, reanimando e animando. Primavera é.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7208500-7601460493301966118?l=cartadaitalia.blogspot.com'/></div>Allan Robert P. J.http://www.blogger.com/profile/16380508970232894650noreply@blogger.com12tag:blogger.com,1999:blog-7208500.post-39131852267948787542009-03-15T20:47:00.007+01:002009-03-15T23:25:07.961+01:00O Que Elas Estão LendoAs meninas do <a href="http://www.elasestaolendo.blogspot.com/" target="_blank">O Que Elas Estão Lendo</a> me perguntaram e eu respondi. Todo dia 15 elas convidam um homem para uma dica de leitura. Fui o escolhido do mês de março.<br /><br />Falei sobre um livro interessante e sobre a série <a href="http://www.interney.net/blogs/lll/?cat=2280/" target="_blank">‘Raça’</a> do <a href="http://www.interney.net/blogs/lll/" target="_blank">Alex.</a> <a href="http://elasestaolendo.blogspot.com/2009/03/dia-15-dia-do-homem-do-mes.html/" target="_blank">Vai lá ler, vai.</a><br /><br />Vale à pena também acompanhar os blogs da <a href="http://saia-justa-georgia.blogspot.com/" target="_blank">Georgia</a> e o da <a href="http://depoisdos25masantesdos40.blogspot.com/" target="_blank">Flávia</a>, as autoras do <a href="http://www.elasestaolendo.blogspot.com/" target="_blank">O Que Elas Estão Lendo</a>.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7208500-3913185226794878754?l=cartadaitalia.blogspot.com'/></div>Allan Robert P. J.http://www.blogger.com/profile/16380508970232894650noreply@blogger.com4tag:blogger.com,1999:blog-7208500.post-2774369900945270282009-03-11T06:56:00.000+01:002009-03-11T06:56:00.330+01:00Amanhecer nos Apeninos<span style="font-family: georgia;">No ponto mais alto o sol ilumina o casebre </span>à beira da estrada. Pelo resto da viagem é tudo sombra, num espreguiçar do sol por trás das montanhas.<br /><br /><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_8jXNOkfCYBw/SbZWoIqNwBI/AAAAAAAAAVY/deor6usZ9Ew/s1600-h/Apeninos1.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_8jXNOkfCYBw/SbZWoIqNwBI/AAAAAAAAAVY/deor6usZ9Ew/s320/Apeninos1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5311528058049380370" border="0" /></a><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_8jXNOkfCYBw/SbZWcT_jzUI/AAAAAAAAAVQ/uOAC9ilZqLE/s1600-h/Apeninos2.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_8jXNOkfCYBw/SbZWcT_jzUI/AAAAAAAAAVQ/uOAC9ilZqLE/s320/Apeninos2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5311527854933265730" border="0" /></a><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_8jXNOkfCYBw/SbZWR7q8VnI/AAAAAAAAAVI/tNHVHGFfooM/s1600-h/Apeninos3.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_8jXNOkfCYBw/SbZWR7q8VnI/AAAAAAAAAVI/tNHVHGFfooM/s320/Apeninos3.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5311527676605650546" border="0" /></a><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_8jXNOkfCYBw/SbZWDLR0e6I/AAAAAAAAAVA/CdwnNjTnKvY/s1600-h/Apeninos4.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_8jXNOkfCYBw/SbZWDLR0e6I/AAAAAAAAAVA/CdwnNjTnKvY/s320/Apeninos4.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5311527423097207714" border="0" /></a><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_8jXNOkfCYBw/SbZV5FWkyqI/AAAAAAAAAU4/v2vOhUVC7m4/s1600-h/Apeninos5.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_8jXNOkfCYBw/SbZV5FWkyqI/AAAAAAAAAU4/v2vOhUVC7m4/s320/Apeninos5.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5311527249707846306" border="0" /></a><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_8jXNOkfCYBw/SbZVvOaycGI/AAAAAAAAAUw/-5zrA8Pj0ig/s1600-h/Apeninos6.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_8jXNOkfCYBw/SbZVvOaycGI/AAAAAAAAAUw/-5zrA8Pj0ig/s320/Apeninos6.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5311527080342745186" border="0" /></a><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7208500-277436990094527028?l=cartadaitalia.blogspot.com'/></div>Allan Robert P. J.http://www.blogger.com/profile/16380508970232894650noreply@blogger.com13tag:blogger.com,1999:blog-7208500.post-14742815788380346362009-03-06T19:35:00.001+01:002009-03-06T19:35:00.321+01:00Top OneHouve um tempo em que os escritores italianos usavam o latim quando desejavam ser lidos nos diversos borgos, repúblicas, ducados e afins dessa heterogênea península. Os dialetos também eram usados, mas o número de leitores se restringia. Até que um certo poeta florentino, um tal Dante, insistiu em fazer suas obras circularem no dialeto toscano de Florença. Outros autores da região aderiram à moda quando descobriram o sucesso de Dante. E foi assim que o dialeto florentino acabou virando a língua oficial da República Italiana.<br /><br />Com a entrada em circulação do €uro em 2002, a lira italiana foi aposentada, depois de mais de mil anos de existência. Apesar de nenhum italiano que eu conheça ter convivido tanto tempo assim com a lira, muitos fazem, ainda hoje, as contas com a velha e extinta moeda, num exemplo de quanto as pessoas podem ser resistentes às novidades. Mussolini, ao proibir termos e nomes estrangeiros, não poderia imaginar que se tornaria responsável por toda e qualquer manifestação conservadora que viria depois.<br /><br />O fato é que, por uma razão ou por outra, o italiano desenvolveu um relacionamento conflituoso com as demais línguas europeias e, em particular modo, com a língua inglesa. Fazem parte do cotidiano local palavras como buyer, computer, mouse, manager, comfort, brand, trend, weekend, e muitos outros. A coisa se complica com as letras que não pertencem ao alfabeto italiano ou que possuem um som diferente, na língua de Dante: épiauer (happy hour); olivúdi (Hollywood); noáu (know how); vúdi alen (Woody Allen); iâma-a ou iamáka (Yamaha). Isso sem contar que o velho Marx virou Carlo e a rainha da Inglaterra, Elisabetta, entre tantos outros exemplos. Incomodar-se com esse conflito é batalha vã, como demonstram os esforços do escritor Beppe Servegnini, que há anos combate o excesso de estrangeirismos e o mau uso de expressões em inglês. Essa mistura entre línguas não deveria ser um problema, afinal, a língua de um povo é tão viva quanto quem a usa. O conflito começa quando comete-se o equívoco de tentar mudar uma língua alheia, ou quando essa língua é adaptada à cultura local.<br /><br />A letra “R” italiana diverge foneticamente do “R” em português, no início de palavras e em dígrafos, como em ‘rua’ ou ‘carro’, respectivamente. Nestes casos o som será sempre como o ‘R’ de ‘caroço’, prolongando o som da letra; já o ‘H’, se não precedido de ‘C’ ou ‘G’, será completamente ignorado. Uma cadeia de fast-food é conhecida por aqui como RRRodáusss (Road house) e um antigo bar local fechou, depois que os clientes passaram a associá-lo – injustamente – à falta de higiene: chamava-se Top One, acabou virando Topone (ratão).<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7208500-1474281578838034636?l=cartadaitalia.blogspot.com'/></div>Allan Robert P. J.http://www.blogger.com/profile/16380508970232894650noreply@blogger.com12tag:blogger.com,1999:blog-7208500.post-20215739699643255882009-03-03T23:59:00.001+01:002009-03-03T23:59:00.242+01:00Oficina de Comidas<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_8jXNOkfCYBw/SarNZczXkhI/AAAAAAAAAUo/y6sWXdR-2yk/s1600-h/oficina+de+comidas.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 265px; height: 149px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_8jXNOkfCYBw/SarNZczXkhI/AAAAAAAAAUo/y6sWXdR-2yk/s320/oficina+de+comidas.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5308280947921621522" border="0" /></a><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br />A querida <a href="http://sandrapontes.com/" target="_blank">Sandra Pontes</a> está mudando radicalmente o rumo da sua vida. Nada mais empolgante que decidir o próprio destino fazendo o que gosta. Se você mora na região de Osasco, em São Paulo, aproveite para conhecer a <a href="http://oficinadecomidas.com.br/" target="_blank">Oficina de Comidas</a>. Se você mora em Sampa e não quer ficar de fora, esperneie. Ou dê um jeitinho de ir buscar as maravilhas que ela prepara. Vale à pena!<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7208500-2021573969964325588?l=cartadaitalia.blogspot.com'/></div>Allan Robert P. J.http://www.blogger.com/profile/16380508970232894650noreply@blogger.com4tag:blogger.com,1999:blog-7208500.post-34943566097515451972009-03-01T18:47:00.001+01:002009-03-01T18:49:28.317+01:00Artic SunriseO amigo Jorge, do blog <a href="http://escriba.org/novo/" target="_blank">O escriba</a> e colega colaborador do nosso <a href="http://www.verbeat.org/blogs/facaasuaparte/" target="_blank">Faça a Sua Parte</a>, além de jornalista e editor do site do <a href="http://www.greenpeace.org/brasil/" target="_blank">Greenpeace</a>, está acompanhando a viagem do navio do <a href="http://www.greenpeace.org/international/about/ships/the-arctic-sunrise" target="_blank">Artic Sunrise</a> pela costa brasileira. Transcrevo o mais recente post sobre a viagem e convido a todos a acompanharem o dia a dia dessa expedição. Se você mora em uma das localidaddes a serem visitadas pelo navio, anote a data em que ele estará em sua cidade e faça-lhe uma visita. Diga que foi o Jorge que lhe convidou. O chá é garantido. :)<br /><br /><span style="font-style: italic;">“O navio do </span><a style="font-style: italic;" href="http://www.greenpeace.org/international/about/ships/the-arctic-sunrise" target="_blank">Artic Sunrise</a><span style="font-style: italic;"> continua sua viagem pela costa brasileira com a expedição Salvar o Planeta. É Agora ou Agora para as pessoas conhecerem um pouco dos problemas ambientais que afetam o país e o mundo. O barco Já passou por Manaus, Santarém, Belém, Fortaleza, Recife e agora está chegando a Abrolhos, na Bahia. Depois vai para Salvador, Rio de Janeiro e, finalmente, Santos, no final de março.</span><br /><span style="font-style: italic;">A tripulação do barco dá um duro danado todos os dias, das sete da matina às seis da tarde, pra deixar tudo nos trinques. Lá vale aqueles recados de vovó, lembra? Sujou, lavou. Tirou do lugar, põe de volta. E por aí vai. O vídeo abaixo mostra um dia na vida da galera que está a bordo do Arctic Sunrise:”</span><br /><br /><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/3RsQbElmlBE&color1=0xb1b1b1&color2=0xcfcfcf&hl=pt-br&feature=player_embedded&fs=1"><param name="allowFullScreen" value="true"><embed src="http://www.youtube.com/v/3RsQbElmlBE&color1=0xb1b1b1&color2=0xcfcfcf&hl=pt-br&feature=player_embedded&fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7208500-3494356609751545197?l=cartadaitalia.blogspot.com'/></div>Allan Robert P. J.http://www.blogger.com/profile/16380508970232894650noreply@blogger.com3tag:blogger.com,1999:blog-7208500.post-41259596525051618362009-02-21T16:35:00.001+01:002009-02-21T16:35:59.192+01:00Os cães ladram...A cerca de uns dois anos atrás, o que deveria ser um escândalo virou conversa de comadres. À época, foi descoberto que os principais jornais e tvs italianos decidiam juntos o que seria notícia e o que não seria divulgado. Poucos se escandalizaram e o assunto foi substituído por algo realmente importante, como a nova namorada do jogador famoso ou por alguma asneira política, que também foi esquecida.<br /><br />Pelo que tenho lido sobre o Brasil, Lula e Berlusconi adotaram a mesma estratégia em relação à crise. Ambos esperam que o novo presidente dos Estados Unidos encontre uma saída que sirva para o mundo inteiro e afirmam que o próprio país (Brasil e Itália) já teria enfrentado a pior fase da atual crise mundial. “O nosso país está reagindo muito bem. Sairemos fortalecidos e não sofreremos como os demais países. A nossa situação é muito superior…”<br /><br />Neste últimos meses tem-se falado de tudo, menos de propostas para afrontar a situação. Falou-se dos candidatos Obama e Hillary Clinton; da Palin e McCain; da eleição e posse de Obama; do vestido da Sra. Obama durante a posse; da guerra do gás entre Rússia e Ucrânia; da falência da Alitalia, da vontade de manter a companhia em mãos de italianos e do escandaloso plano de subsídios aos ex-dependentes; do caso Battisti em todas as interpretações possíveis, desde que todas concordassem com a extradição de Battisti à Itália; do caso Eluana, a mulher em coma por 17 anos, cujo pai encontrou enormes dificuldades para suprimir o tubo de alimentação que a mantinha em vida, apesar da decisão da suprema corte italiana que lhe dava este direito; da corrida no congresso para aprovar uma emenda constitucional que impedisse a morte de Eluana; do uso de escutas telefônicas regulares e irregulares nos processos judiciários; do amistoso de futebol Brasil x Itália. O assunto do momento era previsível e esperado: o polêmico Festival de San Remo e as suas marmeladas.<br /><br />Em recente visita à Inglaterra, Silvio Berlusconi chegou a comentar em entrevista coletiva que o Banco Central Europeu está avaliando a possibilidade de nacionalizar os bancos, para, em seguida, esclarecer que – é óbvio – não se referia aos bancos italianos, que seriam mais sólidos que os demais bancos europeus. Otimismo e consumo: essa é a receita para sair da crise. Faltou informar quem fornecerá o capital necessário ao consumo àqueles que já perderam o emprego ou que faliram.<br /><br />Tenho a impressão que iremos passar por essa crise sem perceber. Ao menos os que sobreviverem.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7208500-4125959652505161836?l=cartadaitalia.blogspot.com'/></div>Allan Robert P. J.http://www.blogger.com/profile/16380508970232894650noreply@blogger.com10