tag:blogger.com,1999:blog-7134578.post-49147019241593770812008-07-25T22:00:00.002+01:002008-07-26T01:29:26.277+01:00em busca de bartleby.«recebida na altura como uma charada ou extravagância, a tal<br />novela de melville (<em>'bartleby, o escrivão'</em>), com o tempo foi<br />ganhando o carácter daquelas tão enigmáticas inscrições em<br />línguas remotas, para cuja decifração se mobilizam exércitos<br />de arqueólogos. alguns destes decifradores - kafka, musil,<br />beckett - não se declararam como tal, mas as suas obras são<br />assombradas pela precedência do escrivão e, de algum modo,<br />anunciadas por ele. o mesmo é pois dizer que a modernidade<br />literária foi, em boa medida, uma resposta à pergunta: 'que<br />coisa aconteceu ao escrivão?' e, decididamente, o comentário<br />continuado da sua <em>fórmula</em>. nos estudos literários, a grande<br />criatura de melville já quase que originou um tal domínio<br /><br /><img src="http://farm4.static.flickr.com/3077/2702746048_1eac1164c9_m.jpg"><br />[<strong>franz kafka</strong>].<br /><br /><img src="http://farm4.static.flickr.com/3186/2701928277_ffe6c56fce_m.jpg"><br />[<strong>robert musil</strong>].<br /><br /><img src="http://farm4.static.flickr.com/3113/2702746156_29a78db664_m.jpg"><br />[<strong>samuel beckett</strong>].<br /><br />específico: chamemos-lhe <em>bartlebyologia</em>. nela, o escrivão<br />já foi tudo: uma denúncia do capitalismo norte-americano,<br />um messias da não palavra, uma parábola da lei, um rebelde<br />num mundo absurdo... mas a interpretação mais comum sublinha<br />a sua recusa em copiar. vê nisso até a situação do próprio<br />melville, um homem dilacerado pelo problema da originalidade<br />que, em 1853, aparecia aos olhos do público e dos seus pares<br />como um escritor falhado, reduzido à tão triste situação de<br />escrever para revistas literárias. esta tal versão, porém,<br />carrega talvez demasiadas angústias ditas comtemporâneas,<br />e melville é de um tempo em que os escritores tinham<br />mais do que fazer do que falarem de si mesmos.»<br /><br />[<strong>francisco luís parreira</strong>, <em>in</em> "<a href="http://www.publico.pt">ípsilon</a>"].gustavosampaiohttp://www.blogger.com/profile/05090561521859362715noreply@blogger.com