tag:blogger.com,1999:blog-67837222007-04-16T11:33:57.053+01:00No Words, No PainCésarhttp://www.blogger.com/profile/17234827646504585196noreply@blogger.comBlogger43125tag:blogger.com,1999:blog-6783722.post-1102891588819356432004-12-12T22:38:00.000Z2004-12-12T22:47:52.170Z<div align="justify">Talvez isto possa parecer repentino, mas acho que é a altura certa de o fazer. O No Words, No Pain dá aqui o seu último susurro. Foi interessante para mim entrar neste mundo da blogoesfera, mas para já e aqui é suficiente. Ficaram aqui alguns desabafos e alguns devaneiros literários. Talvez, seja altura de esquecer os sons e escolher o silêncio, para que cessem as palavras e acabe a dor. A todos os que cá passaram, aos que sorriram e eventualmente se emocionaram um grande grande obrigado. </div><div align="justify"></div><div align="justify">Não querendo terminar, matematicamente falando, com uma fórmula simples e porque acredito que aquilo que quero dizer já foi dito de melhor forma por alguém, deixo aqui algo que Martin Luther King já fez o mundo ouvir:</div> <br /><div align="center"><em><strong>"we are not enemies but friends.</strong></em></div><div align="center"><em><strong>we must not be enemies.</strong></em></div><div align="center"><em><strong>though passion may have strained</strong></em></div><div align="center"><em><strong>it must not break our bonds of affection.</strong></em></div><div align="center"><em><strong>the mystic cords of memory will swell when</strong></em></div><div align="center"><em><strong>again touched, as surely they will by</strong></em></div><div align="center"><em><strong>the better angels of our nature"</strong></em></div> <br /><div align="center"><span style="font-size:180%;">FIM</span></div>Césarhttp://www.blogger.com/profile/17234827646504585196noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-6783722.post-1102501436257752332004-12-08T10:12:00.000Z2004-12-08T10:23:56.256Z<div align="justify">Vem Maria e não segura, com as mãos calejadas, de ventre grande e carregado. Vem Maria de olhos tristes e pesados de cansaço, melancólico e estenuado. Carrega dobrada, como o tempo, o fardo da vida. Vem Maria e não descança, calçada acima e molhada pela chuva rasgada. Sobe e sobe a estrada inclinada para o tempo evitar, e de mãos caídas e estropeadas, encosta-se à parede vedada. Vem Maria e não perdoa, o espaço que percorreu sem olhar. Tremem as pernas cansadas e o míudo de termo escolhido e a querer à luz do dia berrar. Sobe Maria, a estrada, dobrada e cansada pela exaustão que há-de vir. As lágrimas correm e a dor corta, vem Maria apressada, pelo passeio mal cuidado, pela chuva desfreada. Os passos tornam-se largos, e vem Maria desorientada, de mãos carregadas, pelo ventre inchado. Os tornozelos entumecidos que tremem pelo calor fatigante, e vem Maria calçada abaixo. <br />Desde e desce e não desmazela, e o míudo que o ar teima em provar, a cabeça quer mostrar. Vem Maria e não suspira, o tempo está a findar. Vem Maria e não respira para o fôlego guardar, e de alívio suspirar. O cansaço começa a vergar, e a praceta a galgar, vem Maria a transpirar, de ventre desmesurado e deformado, pelo míudo que teima a voz fazer soar. <br />Acaba o tempo e cai Maria, no chão a chorar, a espera de uma mão agarrar, para a parteira enfrentar e gritar a pleno pulmão, "Sou Maria, e não seguro, nas entranhas de mim, eu guardo o grito mais profundo e verdadeiro! Sou Maria e não respiro, para à vida eu poder dar o momento único de a fazer brotar". </div><div align="justify"></div><span style="font-size:78%;"><div align="justify"> <br />(À minha mãe...) <br /> <br /></div><p align="center"><img src="http://www.aspencountry.com/aspen/assets/product_images/product_lib/29000-29999/29080.jpg" /></p><p align="center"><em>(autor desconhecido)</em></p></span>Césarhttp://www.blogger.com/profile/17234827646504585196noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-6783722.post-1101685869814025632004-11-28T23:46:00.000Z2004-11-28T23:51:09.813Z<div align="justify">Existiu um tempo em que tudo era silêncio. Onde tudo era escuridão. Um tempo inundado nas trevas da frieza e da tristeza. Um sítio, onde as estalactites vertiam as lágrimas da solidão e onde os caminhos estavam cobertos pelo denso matagal da ignorância. Uma casa, sem janelas e sem a luz do calor humano. Onde as portas estavam trancadas com uma chave desfigurada pela banalidade do sofrimento. </div><div align="justify"> <br />Foi então que chegaste tu, vestida de uma ternura estranha e quase estridente, como o som ensurdecedor da explosão de uma estrela, que embate no sol. O teu toque majestoso que abriu as janelas imundas de intolerância, numa paisagem coberta de cinzas, que o vento teima (agora) em afastar. A chave quebrada pela (tua) ilusão, funde-se no chão e me pó desfeita grita a cor para todas as paredes sujas e defonhadas pelo tempo vazio de sinceridade. <br />Aproximas-te quase levitante, e apagaste a escuridão que vertia desta lâmpada apagada. Um sorriso breve e quase infantil. Condensou uma luz ténue sobre mim, e o cinzento pálido da insatisfação desvaneceu-se. E criaste à minha volta uma cúpula de cristal que se refinava como o pôr do sol, num instante efémero lapidada no mármore. </div><div align="justify"> <br />Foi este o instante que me deste. E que importa se durou apenas um segundo? Esse fotografia jamais será apagada nem esbatida pelo tempo. Essa guardo-a eu. E tu, quando a revelas. Esse instante. O nosso instante... <br /> <br />Cláudia, este é para ti, l.v. i.w.l.y.u.m.d.d <br /></div> <br /> <br /><img src="http://orbita.starmedia.com/~poemapage/imagem/Cadeira.jpg" /a>Césarhttp://www.blogger.com/profile/17234827646504585196noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-6783722.post-1100731309953128032004-11-17T22:21:00.000Z2004-11-17T22:43:05.150Z<div align="justify"><em><span style="color:#ccccff;">"</span></em><span style="font-size:130%;color:#ccccff;"><em>Imortalidade" <br /></em></span> <br />Passeei-me por onde há muitos séculos ninguém passa. Sentei-me onde há muito ninguém descansa, e sorri onde a imortalidade há muito não me deixa chorar. <br />Fui rei, escravo, pastor, escritor, homem. Perdi a alma, onde há muito tempo outros também a perderam. O caminho continuou mas eu parei. Parei e encontrei-a sentada, onde também há muito tempo ninguém descansava. Perdera a alma. Sim, perdera-a onde há muito, outros também a perderam. Porém. Ela não sorriu onde há muito tempo ninguém chorava. <br />Fora mulher, actriz, feiticeira, rainha, escrava. Escrava de uma imortalidade que a deixava ver aquilo que há muito tempo ninguém via. Viu. Ouviu. Sentiu. SOFREU. Sonhou, acordou, morreu e viu-se imortal. Procurou onde há muito ninguém procurava. Mulher, mãe, rainha de um sítio onde há muito ninguém reinava. Viu-se coroada, com pompa. Viu-se brilhar num palco e viu-se aplaudida. Chorou. Sorriu. Mas agora. Agora senta-se onde há muito ninguém pára. Enfeitiçou um milhar de homens, sorriu-lhes a todos. Embruxou-os, desafiou-se a conhecer os recantos do inconcebível. Voou mais alto que a própria altura, desafiou os limites do verídico. <br />Foi escrava. De um amor. Não respeitado. Foi escrava de um amor, que se tornaria imortal. Foi escrava de si, e do seu ser igual a alguém que não existe há muito tempo. Um amor por mim.... ele... eu. Uma marca escarlate, marcada por alguém que há muito já cá não está. Uma marca de carne, um amor de tédio milenar. <br />Não me reconheceu. Não a reconheci. O nosso passeio continuou na eternidade. Fui rei, governei. Fui pastor, cuidei. Fui escritor, sonhei. Sou homem, sou escravo da minha existência, da minha imortalidade. Cruzámo-nos. Sentimo-nos. Morremos, imortais. <br /> <br /></div><div align="justify"><em>Para a minha mana...</em> <br /> <br /></div><span style="font-size:85%;"><strong>In <em>"Metropolitano"</em> - 2002</strong></span> <br /> <br /><p align="center"><img src="http://chacaulouco.blig.ig.com.br/imagens/moon_01022004.jpg" /></p> <br />Césarhttp://www.blogger.com/profile/17234827646504585196noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-6783722.post-1097333143568361722004-10-09T15:41:00.000+01:002004-10-09T17:56:40.996+01:00<div align="justify">Fade In... <br /> <br />Silêncio, as nuvens cerraram... o portão abriu, e o nevoeiro cansativo entrou... nada é simples, nada é silêncio, e tudo é vazio. O calor não chega e o frio teima em permanecer. as janelas fecham e deixam apenas o escuro ficar, não há luz, não há solidão. Existe tudo e apenas nada. As armas rebentam num grito surdo, e também a solidão parte para restar o vácuo da recordação. (Isto) torna-se tão simples de viver. É tão fácil abrir este portão para nada restar. </div><div align="justify"> <br /> <br /></div><p align="justify">Silêncio, a chuva começa a cair... o portão fechou, e a imensidão do nada soou. Esta força imensa que no vácuo consegue ser ouvida, enche esta sala pequena de dimensões infinitas num estalido vibrante. E a surdez (também ela) partiu. Que ficou? A força demorada de um minuto infinito calado. O amor desvanece-se tolhido na combustão fria da ignorância. Porque te foste... e nada restou. <br /> <br />Silêncio, só eu fiquei... eu e o nada. E do nada subtraímos o tudo e o zero infinito voou com as asas escuras do destino, que também desejou partir. Fiquei eu e o nada, o tudo da insatisfação. Sobrou o peso de uma tempestade vizinha, que também ela cansada, se deixou adormecer num recanto desta sala, e lá ficou, em pó transformada, a fazer-me companhia, esquecida de si, perdida de mim. <br /> <br />...Fade Out <br /></p> <br /> <br /><img src="http://www.jealousbutcher.com/catalog/LG.opt/JB035.jpg" /a>Césarhttp://www.blogger.com/profile/17234827646504585196noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-6783722.post-1096943441989462322004-10-05T03:25:00.000+01:002004-10-05T20:13:24.080+01:00<div align="justify">Quando te sentires sozinha numa noite de inverno, guarda uma fotografia minha junto ao peito para eu poder alentar com um sopro quente o teu coração e assim não me perder na impavidez do esquecimento...</div> <br /> <br /><p align="center"><img src="http://joaomariano.planetaclix.pt/img/tratado_07.jpg" /></p><p align="center"><span style="font-size:78%;"><em>autor não identificado</em></span> </p>Césarhttp://www.blogger.com/profile/17234827646504585196noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-6783722.post-1095986892332423242004-09-24T01:38:00.000+01:002004-09-24T01:52:55.646+01:00<div align="center">A lua vai minguando <br />Enquanto sou embalado pelo teu canto <br />Cantas estrelas, sonhos, sorrisos <br />Na profundeza dos teus olhos, o brilho... <br />... de uma luminosidade rara <br />Uma eternidade por ti esperara <br />Pela efemeridade de um beijo quente <br />Dás-me força, dás-me alento... <br /> <br />Enquanto soltas um suspiro... <br />... lento... <br />O caminho pelo qual esperas... <br />... chega... <br />E com ele, (eu), e o momento <br />Pelo qual esperámos os dois no tempo <br />No sussurro, o vento... <br />...que nos aproxima <br />E nele o segundo eterno em que nos olhamos <br />E o abraço rebenta <br />Como uma onda sedenta de um amor <br />Liberto… <br /> <br />Escrito em parceria com o meu grande Amigo <strong>Pedro</strong> do <a href="http://passividades.blogspot.com">Passividades</a>. Obrigado amigão... <br /><em><span style="font-size:78%;"><strong>(publicado em ambos os blogs)</strong></span> <br /><span style="color:#00cccc;"></span></em></div><div align="center"><em><span style="color:#00cccc;">Dedicado à(s) Cláudia(s) :)</span></em> <br /> <br /></div> <br /><p align="center"><img src="http://home.coqui.net/estelarg/farol.jpg" /></p><p align="center"><em><span style="font-size:85%;">Elisabeth A. Miller</span></em> </p>Césarhttp://www.blogger.com/profile/17234827646504585196noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-6783722.post-1094784673772600212004-09-10T03:17:00.000+01:002004-09-10T03:57:25.766+01:00<div align="justify">Sabes a diferença entre uma palavra e uma imagem? Com a palavra não preciso de ver o teu rosto, para te poder imaginar e contornar como eu bem entender. Não quero o teu retrato. Prefiro ser eu a desenhar-te, mas com as (minhas) palavras. Não preciso de ver o quão bonita tu podes ser, quando posso ser eu a escrever o teu rosto, e a tua cor. Posso ser eu a escrever e desenhar-te com palavras pequenas e cheias de sinónimos, entrelaçados uns nos outros até à exaustão do esboço do teu corpo. Posso escrever o teu corpo e (re) escrever as tuas roupas, se é que precisas dela, para encobrires a beleza da imaginação. Vou descrever-te como um escultor te esculpiria. Mas não te farei de mármore. Desenhar-te-ei com os adjectivos mais elouquentes, para na perfeição do texto, surgir o teu sorriso, para que os teus lábios se movam e escrevam eles mesmos o meu nome, suspirado, lapidado no tempo. Quero ouvir as palavras que eu não saberei escrever para te fazer viver. Porque essas surgirão nos substantivos que denominarão os contornos das tuas mãos, para que com elas me possas agarrar e folhear as páginas do livro que eu criei com as páginas em branco. Escreve(-me) tu também e dá-me a cor que eu não saberei misturar. Faz-me perder o medo de usar os verbos do que (tu) me farás sentir, ouvir, cheirar, tocar, ver... viver... viver... viver... (-te)... a ti que és mais verdadeira que a lombada do livro que fechei. Traz (contigo) a palavra que me consuma e te dê o derradeiro alento. Sopra-ma ao ouvido. Suavamente. E deixa o teu corpo de letras rabiscadas ser chamado por essa mesma palavra. Dá-te um nome. Dá-me uma razão. Dá-me o texto e o significado, para quando a tinta da minha caneta se acabar, e os meus dedos estiverem cansados de escrever, eu poder fechar os olhos, e ver o esboço (de ti) completo, tatoado nas minhas pálpebras, colorido com as matizes do teu nome e marcado a fogo no meu peito, com as palavras do que me farás querer viver escritas num pergaminho, para eu o ler, e em letras me desfazer, para poder ter o profundo descanso, de me dares o significado daquilo que entenderás ser o teu amor...</div> <br /> <br /><img src="http://www.artcanal.com.br/mcarvalho/nu%20de%20mulher%20II.jpg" /> <br /><span style="font-size:85%;"><strong>De</strong> <em>Mari Silva Carvalho</em></span> Césarhttp://www.blogger.com/profile/17234827646504585196noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-6783722.post-1093949945270544822004-08-31T11:30:00.000+01:002004-08-31T11:59:05.270+01:00<div align="justify">Já era tarde quando caminhei hoje, sozinho, por Vila Real de Santo António. É uma cidade bonita, no entanto fria… e sozinha, agora adormecida, neste seu recanto escondido. Restam-lhe os raios de luz do farol, teimoso e quase distante, que lhe pisca o olho em sinal de companheirismo. <br /> <br />Não foi aqui que eu nasci, mas foi nestas ruas que dei os primeiros passos para os caminhos que percorro agora. Talvez ela fosse uma criança como eu o fui também. E o tempo passou. E passa. Eu continuo a crescer. Ela também. <br /> <br />As ruas cruzadas, e solitárias (agora à noite), deixam-se permanecer a mercê desta passividade nocturna, que é inteligível durante o dia, quando o sol aquece. Agora, está fria. Talvez porque está sozinha. Ouvem-se sussurros dos que ainda andam pela rua (como eu), tentando não a despertar do seu sono profundo. [Interrupção]. Encontrei os putos que (um dia) conheci. Já (quase) não os reconheço. Sofrem do mesmo que eu às ordens do tempo. Cresceram. O seu barulho, contudo, não a despertou. <br /> <br />Puxei um cigarro. Sozinho. Eu. O cigarro. Ambos. E ele, também, se consumiu. Impaciente. Não acelerei os meus passos. Não quero. Gosto desta nossa cumplicidade. <br /> <br />No nosso encontro. Já quase não a (re)conheço. Só a lembro. Quando um dia passei (talvez não sozinho) por estas ruas. Tão iguais. Tão diferentes. Transportando o mundo dentro de mim. As luzes estão apagadas, e o farol insiste em (tentar) dar-lhes vida. Inútil. A cidade gosta do seu repouso. Eu também… <br /> <br />As lembranças correram enquanto caminhei. O tempo também. Todos os encontros que tive nestas ruas, como elas próprias se cruzam à minha frente. <br /> <br />Foi bom. Reencontrá-la [a cidade]. Revê-la e rever-me. Não sei quando voltarei a fazê-lo… caminhar, sozinho… talvez um dia, e à noite, outra vez, no turpor de todo este silêncio. De toda esta solidão. E eu senti-me tão acompanhado. <br /> <br />Caminharei por estas ruas outra vez… sozinho… um dia… talvez. <br /> <br /> <br />Vila Real de Sto António, 31-08-2004. 04.02h</div> <br /> <br /><img src="http://www.algarve-live.de/images/vilareal2d.jpg" />Césarhttp://www.blogger.com/profile/17234827646504585196noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-6783722.post-1093748279747699892004-08-29T03:26:00.000+01:002004-08-29T03:59:43.043+01:00<div align="justify">Estende-me a tua mão. Quero percorrer com meus dedos os caminhos que elas traçam. Quero tocar-te. Quero segurar-te e guardar-te, quero-te então e apenas. Estende-me o teu braço. Quero acariciá-lo, quero agarrar-te contra mim, e fundir-te na minha pele. Quero o teu cheiro, e quero-o intensamente. Quero devora-lo em largos sorvos de paixão. Quero provar com sofreguidão a tua pele doce, e embriegar-me com a essência do teu existir. Quero controlar a tua respiração para poder sincronizá-la com a minha, para quando a tua parar, cessar a minha também, porque sem a tua, a minha seria apenas pó.</div><div align="justify"></div><div align="justify">Abre os teus olhos, e derrama a sua luz no meu corpo apagado. Quero vida [a que tu me podes dar]. Quero-a tanto. Pousa a tua boca sobre o meu pescoço, e faz-me estremecer com o toque dos teus lábios. Figura quente e mítica do teu prazer. Quero sentir o calor voltar ao meu corpo. Preciso do teu. Preciso de ti.</div><div align="justify"></div><div align="justify"></div><div><div align="justify"></div><div align="justify"> <br /> <br />Fui eu que (te) sonhei. Aqui. Agora. Para mudar a minha cor cinzenta, e inundar-me de luz. Foste tu que (me) desenhaste. Para ti. Aqui. Agora. Faz-me viver. Dá-me o alento. Quebro a (minha) pele fria de pedra e toco-te. Rompes as amarras que me prendem ao frio. Perguntas-me se (te) quero. Olho-te. E sim... eu quero.</div><div align="justify"></div><div align="justify"></div></div> <br />Césarhttp://www.blogger.com/profile/17234827646504585196noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-6783722.post-1093490505354142642004-08-26T02:51:00.000+01:002004-08-26T04:49:44.356+01:00<div align="justify">Existem momentos em que o beijo parece demorar... e demora-se como uma tempestade que se aproxima, abulindo o tempo e a vida que já não existem... os momentos tornam-se pesados nesse instante e a saudade torna-se cansativa... consigo esperar...consigo suportar a hedionda dor da ausência e imagino o teu rosto desenhado a lápis de carvão, sombreado monumentalmente, e escuto-te caminhar pelos corredores vazios que impedem a tua chegada e dificultam a minha espera... consigo suportar todo este cansaço para te alcançar e não descanso sem te poder tocar... quero tanto o teu regaço, quero tanto o teu calor, o teu corpo preenchido de cor e toda a exaustao que essa embate possa provocar... acelero os ponteiros do relógio, e continuo a ouvir os teus passos surdos na imensidão ensurdecedora do silêncio... sinto-me extenuado, mas ansioso pela tua chegada... adoro-te nas palavras mais simples e procuro-te nos textos mais complexos... o teu cheiro aproxima-se com a distância que rebenta nas ondas do mar, enquanto suporto a dor das minhas veias dilatadas e inflamadas pela distância de não te ter (agora) e do teu calor que começa a chegar com o brilho das estrelas que se deixam cair...</div><div align="justify"></div><div align="justify">As histórias de amor, lidas vezes de mais, cansadas de si próprias, apagam-se no frio da ausência... da nossa ausência... mas eu sei que esperas por mim, eu sei, porque te vejo debruçada na janela, onde lanças palavras caladas ao vento frio, para que algum mensageiro imaginado mas possa entregar... e o caminho dessas palavras cansa, magoa até... mas serão entregues, porque eu as oiço, e as guardo, apenas onde te guardo a ti, onde ninguém lhes pode tocar... apenas ao alcance do ar.</div><p> <br /><em>(tenho saudades tuas...)</em> <br /> <br /><img src="http://www.engravingarts.com/ArtPrints/Gal_Dali.jpg" size="2" /><em> /></em></span></p><p><span style="font-size:85%;"><em>Salvador Dalí</em></span> <br /></p><p></p>Césarhttp://www.blogger.com/profile/17234827646504585196noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-6783722.post-1090065738923275432004-07-17T12:46:00.000+01:002004-07-17T14:06:57.310+01:00<div align="center"><span style="font-family:courier new;font-size:180%;color:#6666cc;"><strong>fechado para férias</strong></span>&nbsp; <br /><span style="font-family:Courier New;"></span>&nbsp;&nbsp; <br /> <br /><div align="justify"> <br /><span style="font-family:times new roman;">Parece cedo, mas é altura de fazer um descanso... vou voltar a casa, e no próximo mês e meio, vou deixar aqui o meu silêncio, enquanto vou estar de "vadiagem" pelas terras do algarve, eh eh...</span> <br /> <br /><div align="justify"><span style="font-family:Times New Roman;">Por agora, deixo-vos aqui, a letra de uma música de Pearl Jam que eu adoro, e que fica dedicada a um grande amigo meu, que não é preciso dizer quem é, que ele sabe :) (abração amigo)</span> <br /><div align="justify"><span style="font-family:Times New Roman;"></span>&nbsp;</div><div align="justify"><span style="font-family:Times New Roman;">Cláudia, "como dirias adeus a alguém que nunca saberá o que é deixar de existir, a alguém que viverá na eternidade de duas palavras, para sempre?", adoro-te, i'll miss you (L.V.)...</span></div><div align="justify">&nbsp;</div><div align="justify"><span style="font-family:Times New Roman;">Pessoal, muito obrigado por cá virem, e até ao meu regresso, boas férias e divirtam-se :)</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Times New Roman;"></span> <br /></div><div align="center"><span style="font-family:courier new;color:#ffffff;"><strong>«Off He Goes»</strong></span></div><div align="center"><span style="font-family:Times New Roman;"></span>&nbsp;</div><div align="center"><span style="font-family:Times New Roman;"><em>"1, 2, 1, 2...</em></span></div><div align="center"><span style="font-family:Times New Roman;"><em>know a man, his face seems pulled and tense</em></span></div><div align="center"><span style="font-family:Times New Roman;"><em>like he's riding on a motorbike in the strongest winds</em></span></div><div align="center"><span style="font-family:Times New Roman;"><em>so i approach with tact</em></span></div><div align="center"><span style="font-family:Times New Roman;"><em>suggest that he should relax</em></span></div><div align="center"><span style="font-family:Times New Roman;"><em>but he's always moving much too fast</em></span></div><div align="center"><span style="font-family:Times New Roman;"><em>said he'll see me on the flipside</em></span></div><div align="center"><span style="font-family:Times New Roman;"><em>on this trip he's taken for a ride</em></span></div><div align="center"><span style="font-family:Times New Roman;"><em>he's been taking too much on</em></span></div><div align="center"><span style="font-family:Times New Roman;"><em>there he goes with his perfectly unkept clothes</em></span></div><div align="center"><span style="font-family:Times New Roman;"><em>there he goes...</em></span></div><div align="center"><span style="font-family:Times New Roman;"><em>he's yet to come back</em></span></div><div align="center"><span style="font-family:Times New Roman;"><em>but i've seen his picture</em></span></div><div align="center"><span style="font-family:Times New Roman;"><em>it doesn't look the same up on the rack</em></span></div><div align="center"><span style="font-family:Times New Roman;"><em>we go way back</em></span></div><div align="center"><span style="font-family:Times New Roman;"><em>i wonder about his insides</em></span></div><div align="center"><span style="font-family:Times New Roman;"><em>its like his thoughts are too big for his size</em></span></div><div align="center"><span style="font-family:Times New Roman;"><em>he's been taken... where, i don't know?</em></span></div><div align="center"><span style="font-family:Times New Roman;"><em>off he goes with his perfectly unkept hope</em></span></div><div align="center"><span style="font-family:Times New Roman;"><em>and there he goes...</em></span></div><div align="center"><span style="font-family:Times New Roman;"><em>and now i rub my eyes, for he has returned</em></span></div><div align="center"><span style="font-family:Times New Roman;"><em>seems my preconceptions are what should have been burned</em></span></div><div align="center"><span style="font-family:Times New Roman;"><em>for he still smiles... </em></span></div><div align="center"><span style="font-family:Times New Roman;"><em>and he's still strong</em></span></div><div align="center"><span style="font-family:Times New Roman;"><em>nothing's changed, but the surrounding bullshit that has grown</em></span></div><div align="center"><span style="font-family:Times New Roman;"><em>and now he's home</em></span></div><div align="center"><span style="font-family:Times New Roman;"><em>and we're laughing like we always did</em></span></div><div align="center"><span style="font-family:Times New Roman;"><em>my same old, same old friend</em></span></div><div align="center"><span style="font-family:Times New Roman;"><em>until a quarter-to-ten</em></span></div><div align="center"><span style="font-family:Times New Roman;"><em>i saw the strain creep in</em></span></div><div align="center"><span style="font-family:Times New Roman;"><em>he seems distracted and i know just what is gonna happen next</em></span></div><div align="center"><span style="font-family:Times New Roman;"><em>before his first step</em></span></div><div align="center"><span style="font-family:Times New Roman;"><em>he's off again"</em></span></div></div></div></div>Césarhttp://www.blogger.com/profile/17234827646504585196noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-6783722.post-1089591953018177482004-07-12T01:18:00.000+01:002004-07-17T13:06:07.123+01:00<div align="justify">Quando o mundo acabar será que ficará alguém para ver o que deixámos? Não sei, quem saberá? Qual de nós restará... se é que restará alguém... A pena pela futura (in)existência de nós não existe... Desdém também não, afinal (parece que) não fizemos nada do que nos envergonharmos (ou será que fizémos?)... Uma coisa eu sei que fica... e ficará... e perdurará... O <strong>MEDO</strong>, da não existência. O medo da perda de tudo o que foi feito para NADA... é isso que um dia restará do mundo... se é que restará algo... <br /> <br /><img src="http://www.museopatioherreriano.com/i/expos/mundo.jpg" /> <br />"el mundo" - Ángeles Santos</div>Césarhttp://www.blogger.com/profile/17234827646504585196noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-6783722.post-1089461757634826592004-07-10T13:06:00.000+01:002004-07-17T13:07:06.463+01:00<div align="justify">Olho pela janela do meu quarto, e vejo apenas o meu mundo... vejo apenas aquilo que os meus olhos querem e deixam ver. Também não quero ver de outra forma, talvez esta seja a única forma de (ainda) viver feliz, porque do outro lado posso ver vida. Não falo da paz, porque se torna (apenas) hipotética do outro lado da janela. Abro-a, deixo o ar da manhã entrar, e respiro-o avidamente, na esperança de lhe sentir o aroma fresco, mas ela não existe; (terá existido, de verdade, alguma vez?). Sinto que a beleza do meu mundo se esbate como um quadro ao sol... que se borra como um quadro a chuva, aquele quadro que eu coloquei è minha janela, na minha condição humana, para me poder enganar, pelo menos, mais uma manhã... <br /> <br /><img src="http://www.courses.rochester.edu/seiberling/AAH128/IMAGES/IMG012.JPG" /> <br /><strong>Magritte</strong>, <em>The Human Condition</em> (1933)</div>Césarhttp://www.blogger.com/profile/17234827646504585196noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-6783722.post-1089335309110288082004-07-09T02:02:00.000+01:002004-07-17T13:07:46.423+01:00<div align="justify">Imagine-se que a vida é uma flor de cativeiro, e que por cada desejo corrompido por alguma força maior que ele próprio, lhe cai uma pétala... e que ao longo do inverno as pétalas continuam a cair à medida que as vontades fogem também... caem as pétalas formando um manto que havemos de percorrer um dia, quando a viagem for feita no sentido inverso, no outro lado, onde as pétalas elas próprias voltarão a nascer frescas e matizadas de cor... um caminho feito na procura não da experiência, não da aventura, não da descoberta, mas da inocência... segurar com a mão as gotas de orvalho que brotam suavemente das pétalas que um dia pisámos... que um dia foram as frutrações mais vincadas, que as fizeram cair... segurar com as mãos, a força que existe algures, fechada num cofre, dentro de nós, para termos o poder, a força, a vontade, de fazer viver aquilo que já vimos desaparecer... <br /> <br />OST - "Return To Innocence" - Enigma <br /> <br /></div>Césarhttp://www.blogger.com/profile/17234827646504585196noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-6783722.post-1089062071361466652004-07-05T22:02:00.000+01:002004-07-17T13:08:07.163+01:00<div align="justify"><strong>SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN (1919-2004)</strong> <br /> <br />Dia 2 de Julho, a cultura portuguesa perdeu aquele que foi e será um dos maiores ícones da sua literatura. Sophia de Mello Breyner faleceu aos 85 anos, deixando uma vasta obra de uma rara beleza assim como de uma criatividade e originalidade soberbas. Desde a poesia mais interventiva até aos contos infantis, encantou gerações (e de certo continuará a encantar) e gravou o seu nome com o pó de estrelas que jamais alguém conseguirá apagar. Deixou aqui a minha homenagem, para aquela que para mim, é e será uma das melhores escritores portuguesas, autora do primeiro livro que li em criança ("A Floresta") e também autora de um dos poemas que mais gosto escritos em português. Sophia de Mello Breyner foi, é e será, uma das minhas referências enquanto escritor (embora amador) e como apreciador de literatura. À sua escrita devo o meu interesse, o meu prazer e a minha paixão por escrever. Com ela partiu, a par de Vergilio Ferreira e Eça de Queiróz, uma das minhas referências; comigo ficam, as palavras que ela deixou, porque foram elas que construiram a sua vida, de uma beleza inultrapassável assim como de uma generosiadade imensurável. <br /> <br />"Quando eu morrer <br />voltarei para buscar <br />Os instantes que não <br />vivi junto do mar" <br /> <br />("<strong>Inscrição</strong>",<em> in </em>Livro Sexto) <br /> <br /><img src="http://alegna.no.sapo.pt/Recanto_da_Alegna_Ficheiros/sofia_01.jpg" /></div>Césarhttp://www.blogger.com/profile/17234827646504585196noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-6783722.post-1088291379370141362004-06-27T00:09:00.000+01:002004-07-17T13:09:31.580+01:00<div align="justify">Tenho saudades tuas... tantas e apenas com uma certeza... apenas perecerão no dia em que eu perecer também... há tanto tempo que não vejo os teus olhos, o teu sorriso inocente; há tanto tempo que não vejo o teu rosto, as tuas mãos; há tanto tempo que não te sei existir... não sei que força maior te levou, não sei que vontade altiva te tirou o respirar, não sei... não consigo saber... que foi das tuas palavras, dos teus sorrisos, do teu falar? Para que sítio distante partiste, sem ao menos me deixares ver-te essa última vez... perco-me tanto nos recantos mais retalhados da memória, e apenas te posso encontrar lá e tão longe... sinto a tua falta. Os dias passam e a tua presença desvanece-se como o tempo, e a força (que não possuo) começa a minguar e o teu rosto torna-se difuso, esbatido, borrado... o tempo não te deixa permanecer... leva-te como te levou um dia, para longe talvez (eu não sei) e a escolha não foi minha, não foi nossa... os teus olhos verteram as últimas lágrimas, sem eu as poder limpar... e o tempo levou-te, mais uma vez, como te leva agora... para um sítio onde ele já parou, um sítio onde o sol já se pôs, e as recordações cessaram... mas apenas aí... porque aqui, elas são um martírio... sem ti... <br /> <br /><strong><em>À memória de alguem que o tempo levou, e que já não poderá ler as palavras que lhe dedico...</em></strong> <br /> <br /><img src="http://orbita.starmedia.com/~poemapage/imagem/Noite.jpg" /> <br /></div>Césarhttp://www.blogger.com/profile/17234827646504585196noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-6783722.post-1088216811181170102004-06-26T03:04:00.000+01:002004-07-17T13:10:08.890+01:00<div align="justify">O nevoeiro era demasiado denso, e eu deixei de te ver... perdi-te, para não mais te encontrar... os teus olhos tornaram-se baços à medida que olhavas para trás, e te afastavas lentamente e ao mesmo tempo tão rápido... perdi-te por entre as fracções rápidas dos segundos e por momentos desejei não te voltar a ver... o nevoeiro adensou-se, e o teu rosto impávido empalidecia, como tu o desejavas, porque te afastavas, porque uma força maior do que a minha vontade te puxava para longe... bem longe... para um sítio onde eu não posso entrar, e não desejo entrar... para um sítio onde aquilo que paira no ar, são os sonhos destruídos que perdeste um dia... porque te esqueceste... esqueceste quem eras, apagaste-te como uma brasa se apaga e arrefece quando uma fogueira se apaga. Viraste-me as costas, e abandonaste o caminho que ambos percorríamos, e eu não te impedi, porque o nevoeiro era demasiado denso, porque a minha força falhava... porque me esqueceste, apenas... <br /> <br /><img src="http://www2.webshoppe.net/users/torran/alone.jpg" /> <br />"Alone" - Sandy Shelton</div>Césarhttp://www.blogger.com/profile/17234827646504585196noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-6783722.post-1087865260922734442004-06-22T01:18:00.001+01:002004-06-22T01:49:12.176+01:00Escondes-te por entre as fracções súbditas do tempo, em cada segundo, em cada batida. Agarras os sons dos ponteiros dos relógios gigantescos do sítio onde não há tempo, para que eu te possa ver para sempre. Seguras-te bela e repousas em paz nos suspiros das horas que se vão, nos minutos que partem. Não os sentes passar na infinidade dos momentos a sós, dos momentos marcados e gravados em ti por cada um dos segundos em que respirei a teu lado. Despes os teus preconceitos em canções altivas e o desespero sumarento do teu amor faz-me acordar. Num sítio onde o tempo não passa, tu deixas-te ser minha para sempre. Corres nas estradas feitas pelas horas cansadas de correr pelos dias da vida, pelos caminhos do mundo. São as marcas do tempo que já não existe, que nunca, de veras, devia ter existido. Rasgas o tempo, o mundo larga-se em ti, e num momento eterno deixas-te cair no sono dos passeios infinitos. Dormes descansada onde ninguém além de mim te pode ver. O orgulho do deus tempo faz-se sentir nos soluços inconstantes do vento. Um vento que sopra sem pressa, sem força, sem tempo para morrer. Como poderias dizer adeus a alguém que jamais saberá o que é desaparecer no tempo, a alguém que viverá na eternidade de duas palavras, para sempre? <br /> <br /><img src="http://www.galleries-online.co.uk/images/timeless.jpg"> <br /> <br />Agarras-te com força à minha pele nua, e rasgas em mim os segundos que perdemos na infinidade do espaço. Agarras-te na força do desconcerto mais profundo e arrancas-me o pulsar do sangue nas veias, para te poderes embriegar na ternura da paixão. Deixas a luz entrar na escuridão da imortalidade, e perdoas o tempo que já te marcou. Levas nas mãos, carregas nos ombros cada um dos suspiros dos minutos em que choraste por mim. Para sempre eu marquei o teu corpo, e para sempre tu levaste a minha alma. Para o sítio onde o tempo jamais existirá. Sempre existe na imensidão temporal da existência racional, mas não nas largas ondas do tempo sofrido a chorar... por amar. Soltas os beijos mais profundos de ti, e gritas ao vento o choro mais profundo da incompreensão. Então eu grito do outro lado do mar para me poderes ouvir. Gritos desgarrados por ti, que sofres além das barreiras de mim. <br />A chuva cai intensa, nos sítios onde o tempo já não passa. Mantém-se suspensa em si, e deixa-nos passar por entre as suas cortinas frias. Então eu arrasto-me para perto de ti, e derramo em ti o meu olhar escuro. Encostas a tua cabeça perto do meu coração e sente-lo descontrolar-se no descompasso do tempo. O tempo já não existe. O tempo já partiu. Tocas-me a mão, e eu estremeço em ti, tu aqueces-me a cara fria, e eu caio para ti. Quebras as prateleiras que seguram os vasos vazios do tempo, e tiras de ti o limiar da tua existência. Dobras-te sobre mim, e eu sucumbo ao poder do teu olhar. Tocas-me mais uma vez, e na incongruência do tempo que passou, eu saberei que para sempre, em ti, eu existirei. <br /> <br />In <em>"Metropolitano"</em> (2002) <br /> <br />Césarhttp://www.blogger.com/profile/17234827646504585196noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-6783722.post-1087694398895507952004-06-20T01:54:00.001+01:002004-06-20T14:10:17.143+01:00Jogos de crianças, desenhados a giz no alcatrão escuro, onde a inocência perdurará para sempre... porque aí, só o vento e a chuva poderão corrompê-la, reflexos de tempo passado, e não o homem com as suas artimanhas desmesuradas e desfigurantes... a inocência talhada em figuras de madeira, cravadas na alma de quem as esculpiu e as deixa renascer das brasas onde arderam, para poder com elas brincar de novo. Uma inocência lavrada, e adubada, como se de uma lavoura se tratasse, pra poder colher os seus frutos, e despertar a inocência adormecida em quem sonha já a ter perdido... ela não desaparecerá... porque cada um a desenhou... a esculpiu... a lavrou... ela perdurará, nos bolsos das camisas definhadas e carcomidas, para aspirar a renascer em cada um, que se deixa envelhecer... para nos renascer... para nos mostrar, que o tempo poder ter ficado entretido com as brincadeiras desenhadas em si, e que o vento e a chuva não apagaram... e que ao olharmos uns para os outros, poderemos encontrar tatuados nos rostos, os sorrisos, que um dia, fizeram sorrir também, aqueles que mais nos amaram... <br /> <br /><img src="http://www.elusterart.com/jasmine/images/innocence.jpg"> <br />"Innocence" - JasmineCésarhttp://www.blogger.com/profile/17234827646504585196noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-6783722.post-1087667078685683192004-06-19T18:44:00.000+01:002004-06-19T22:38:30.610+01:00Existe o silêncio... <br /> existo eu.... <br /> <br /> <strong><font size="10pt">Não há palavras</font></strong>... <br /> <br /> ... <strong><font size="10pt">não há dor</font></strong>. <br /> <br />Porque aquelas que tu me deste um dia, foram quebradas como o vidro se quebra no chão... a porta fechou-se, e a corrente de ar fria teimou em desaparecer... o castiçal funde-se na sua imensidão e sufoca a luz ténue. O calor esbate-se, como uma tinta que deseja clarear, e o coração, que toca como um tambor cansado, deixa-se repousar.... <br /> <br />...para que existindo palavras... <br /> <br /> ...<strong><font size="06pt">não exista dor</font></strong>... <br /> <br /> ... para que existindo eu... <br /> <br /> possas existir... <strong><font size="06pt">tu</font></strong>. <br /> <br /><img src="http://www.capmagellan.org/images/silce4cp1.JPG">Césarhttp://www.blogger.com/profile/17234827646504585196noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-6783722.post-1087345559212519262004-06-16T01:17:00.000+01:002004-06-16T01:25:59.213+01:00Um barco percorreu o rio calmamente, de vela içada ao vento, suave e limpo, que o empurrava delicadamente... desmaselado na sua perfeição ordinária, galgava as fracas ondas como um sorriso se desenha num rosto magoado... é tudo demasiado perfeito, para ser contado, como numa história, num conto de embalar... mas ele, pequeno e ao mesmo tempo gigante e infinito na sua vulgaridade, desenhava-se como num quadro de aguarelas... ele transporta as notícias que só por mar podem chegar... as notícias que só o mar pode reclamar... as notícias que um povo não pode conhecer pelos grandes veleiros, nem pelos enormes paquetes, mas apenas pelos modestos barcos de rio, que partem ao mar, para se procurar, e poder trazer as notícias que nenhum gigante saberá contar... as notícias que provêm de uma terra chamada bondade, de um distrito chamado saudade, e de uma casa chamada amizade... <br /> <br /><img src="http://www.vagau.hpg.ig.com.br/Diario/Veleiro.jpg">Césarhttp://www.blogger.com/profile/17234827646504585196noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-6783722.post-1087245092331149892004-06-14T21:14:00.000+01:002004-06-14T21:37:14.763+01:00A tinta acabou, e a carta ficou a meio... as palavras foram bloqueadas bruscamente, e a pena antiga, deixou de escrever... as lágrimas caíram, e não havia forma de continuar... A tinta deixou de correr, e as letras perderam a vida. Tudo ficou por dizer, nada ficou acabado... a carta foi rasgada, e a tinta, escorrida para o sítio de onde jamais voltará... foi assim que fugiste... porque alguém mais forte do que eu, teve tempo para acabar a carta que eu não consegui escrever... <br /> <br /><img src="http://www.ctv.es/USERS/discipulo/fotos/libros%20y%20pluma.JPG">Césarhttp://www.blogger.com/profile/17234827646504585196noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-6783722.post-1086656023219469612004-06-08T01:20:00.000+01:002004-06-20T02:28:32.736+01:00Contaram-me uma história, de que algures, existia alguém que durante a noite, preteria o sono, para poder contemplar as estrelas, para as poder admirar desde o seu primeiro raiar até que se se escondiam quando o sol nascia... alguém que via nas estrelas o único momento de repouso, porque elas escreviam-se umas com as outras, dando-lhe a ler as cartas que na realidade ele nunca leria... criavam as palavras que ele nunca ouviria, davam-lhe o silêncio que ele nunca conheceria... as cartas que esperava receber, com o seu nome gravado a fogo, e a data da eternidade. Não fechava os olhos, não se deixava adormecer, porque tinha muito para ler... a esperança não desaparecia. Um dia as palavras apagaram-se assim como os remetentes, e ele adormeceu. Esperara a eternidade pela palavra, que apesar de tudo não lera, pelo silêncio que apesar de tudo, não chegara... adormecera na eternidade. Deixara, porém, uma carta escrita. Com letras gravadas a tinta, e não a fogo, e a data de um dia qualquer, e não da eternidade. Uma carta, dobrada na mão, com o calor de uma paixão que demorou todo o sempre a não existir... <br /> <br /><img src="http://www.helix.blogger.com.br/Estrelas%201.jpg">Césarhttp://www.blogger.com/profile/17234827646504585196noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-6783722.post-1086313521297616432004-06-04T02:45:00.000+01:002004-06-04T02:45:38.160+01:00Adormeci sobre um leito de carume, de ervas secas e desfinhadas pelo tempo, onde um dia ja descansei... um leito com os restos do que já existiu, do que já foi vida... essência. Adormeci e sonhei com coisa que julgava adormecidas em si próprias... sonhei-as e consumi-as, como outrora o fizera. Deixei-as repousar, elas também, a meu lado, e de olhos fechados vi-as como nunca as vira antes... desejei-as... mesmo quando outrora as repugnara...abracei-as, e soltei-as para, desta vez enfim, poderem elas também adormecer... adormecer-se. Sonhei... talvez sem perceber, talvez sem querer abrir os olhos quando eles já estavam abertos, eu tenha sonhado apenas, e unicamente, com as memórias que guardei do passado... <br /> <br /><img src="http://www.arabiyat.com/april2000/images/dali.jpg"> <br />Salvador DalíCésarhttp://www.blogger.com/profile/17234827646504585196noreply@blogger.com