<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6780907448588102704</id><updated>2009-12-22T22:45:30.319-03:00</updated><title type='text'>Clube de Carteado</title><subtitle type='html'>a palavra em jogo...</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://clubedecarteado.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6780907448588102704/posts/default'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clubedecarteado.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6780907448588102704/posts/default?start-index=26&amp;max-results=25'/><author><name>Germano Xavier</name><email>germanoxavier@hotmail.com</email></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>821</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6780907448588102704.post-776592794438264778</id><published>2009-07-23T00:01:00.004-03:00</published><updated>2009-07-23T02:23:14.748-03:00</updated><title type='text'>Comunicado</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;É tempo de mudanças. O Clube de Carteado foi, durante muito tempo, minha forma de malinar com a literatura e suas adjacências. No entanto, chega uma hora em que é preciso elaborar mudanças. Um momento de se ampliar os horizontes e escrever através de outros ares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aviso a todos que meu novo blog está aberto. Espero a visita de todos vocês, leitores que sempre me acompanharam e que, juntos, conseguiram edificar e dar vida ao Clube de Carteado. Convido todos ao desbravamento do Equador das Coisas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visite:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a style="COLOR: rgb(0,0,102)" href="http://oequadordascoisas.blogspot.com/"&gt;O EQUADOR DAS COISAS&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuemos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6780907448588102704-776592794438264778?l=clubedecarteado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clubedecarteado.blogspot.com/feeds/776592794438264778/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6780907448588102704&amp;postID=776592794438264778&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6780907448588102704/posts/default/776592794438264778'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6780907448588102704/posts/default/776592794438264778'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clubedecarteado.blogspot.com/2009/07/comunicado.html' title='Comunicado'/><author><name>Germano Xavier</name><email>germanoxavier@hotmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06440160411594090814'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6780907448588102704.post-4334485016892961928</id><published>2009-07-22T12:43:00.000-03:00</published><updated>2009-07-22T12:45:33.575-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='* Prosa...'/><title type='text'>As oliveiras perseguem imperfeitos ventares</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;A mãe jamais vai entender a alma de dureza do filho. Não entenderá que dentro daquele coração austero, ríspido e incomum, há um coração que profundamente ama. A mãe não perceberá, nunca, que tudo o filho engole na alma, que não sabe ele usar o pesado escudo de fingir ou amaneirar os fatos. A roupa que não é a devida para o que ele é, por tudo o que é e o que já fez, o orgulho familiar tão destrutivo, a intenção diária da ostentação da imagem. Meu filho, por que você faz isso comigo? O filho escuta e se cala, parado sobre o espelho o quarto o habita. Ele tenta se desnudar de tudo, até dos absurdos. O silêncio na face do filho beijando-lhe feito um rinoceronte em fuga, atacando. A quietude que perfura a falta de entendimento imortal da mãe, que não se cansará de sofrer enquanto o filho existir dentro do seu corpo, dentro de sua mentalidade, do seu pensamento, crosta e tatuagem. Levanta os olhos em direção de si, esverdeados como a relva do quintal em margaridas e mangueiras, vê a grossa sobrancelha fazendo a curva da proteção, os cílios pequenos em jardim bem-vivo, abetos e hortências têm a bola verde dentro do branco globo ocular. Aproxima mais e decididamente investe a dúvida contra a parte que não se toca, a parte de dentro, o fosso e a fonte. Deslocada, reclamando da vida triste e sem diversão, no domingo a mãe está a preparar embates rotineiros. Que recordações você irá me deixar! Um filho que não abre a boca, sem amor, sem respeito, que tristeza! Era a voz, interminável voz, a conceder cantigas. A melodia diurna, vespertina, noturna. O filho taciturno declarado louco. O que você tem? O que fizemos? Pai, eu te peço misericórdia! Ele declina a retina e observa o mais. Nariz redondo, grosso, entradas de bocal ruidoso ao se respirar, cano curto. Apalpa o nariz, enfia o dedo mindinho em um dos buracos e dele uma massa cinza-purulenta destoa protuberante, grudada na unha roída. O filho se conhece, quer. Mas bem sente que o tempo passa e com ele oxida até a imundície. Sujo, o filho retira de si não a vontade do asseio, mas a percepção vagarosa de que é preenchido por algo. Embevecido, continua sua maquinação de olhar. O olhar dói e ele gosta. Não cansa, não cede, não desiste. Mesmo que de longe a mãe agora lhe cerque de rumores, não desanima em ser. Deus, tende piedade de nós! Olhai esta criança, vigiai, Senhor! Toma-o em tuas mãos e reforma! Um filho do diabo com a mãe à mesa, repleta do pão que o diabo amassa. Os dois comendo juntos, unidos em sim e em um não. A ojeriza da mãe diante daqueles modos aprendidos com um professor misterioso. Você deve ter saído escondido, conhecido aqueles meninos de rua, suspeitado da esfera podre da vida. Eu não te fiz assim! Eu não te quis assim! Ele com o espelho em namoro, solitário filho mais novo. Ainda inocente, com a ingenuidade de quem sempre aprende com as horas. Brutalizado pela mediocridade dos outros, o filho se atendia. Acariciava o rosto construído em barba espessa, negra, persona de se teatralizar, atuar. Manipulando suas desinências estruturais, crescia abruptamente de seu organismo uma natureza de espantalho. Pendurado em si, frio, a navalha dos íris afetavam a mãe possuída pelo desespero. Havia por detrás do espelho um conjunto de livros. Ele abriu a porta retangular amarelada, gangorreou a vista diante dos títulos e se estirou ao livro de capa preta. Varrendo a sala a mãe se encontrava, perdida. O filho, com o livro preso ao abdômen, destilou passos para fora do quarto. A mãe pensou falar algo, não o fez. Deixou. Mãe decepcionada, a vida tombada nas costas largas e mãos desertificadas em ranhuras e fendas. Sem rumo o filho procurando o destino. Não tinha ele como dizer o amor que sentia por ela, era fraco demais. Taciturno demais para a palavra expressada com a voz da garganta. Deus, tu és meu pai e a luz desta casa! Abençoa o meu filho! Um velho almanaque. Como fazer pipas e descobrir os céus. Lição fácil e em pouco passos. Já fora da sala, longe do quarto, daquele eu ficado à deriva no reflexo cristal da imagem, o filho procurou pela linha e pelo cerol. A noite era distante demais.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5295300960165467394" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 190px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/SXywKuVylQI/AAAAAAAACFg/ekyazAAw1Gc/s400/2d68681aac4e52631ff0a4a41def1a68.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6780907448588102704-4334485016892961928?l=clubedecarteado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clubedecarteado.blogspot.com/feeds/4334485016892961928/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6780907448588102704&amp;postID=4334485016892961928&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6780907448588102704/posts/default/4334485016892961928'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6780907448588102704/posts/default/4334485016892961928'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clubedecarteado.blogspot.com/2009/01/as-oliveiras-perseguem-imperfeitos.html' title='As oliveiras perseguem imperfeitos ventares'/><author><name>Germano Xavier</name><email>germanoxavier@hotmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06440160411594090814'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/SXywKuVylQI/AAAAAAAACFg/ekyazAAw1Gc/s72-c/2d68681aac4e52631ff0a4a41def1a68.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6780907448588102704.post-3404910989001650150</id><published>2009-07-20T22:41:00.000-03:00</published><updated>2009-07-20T22:44:56.542-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='* Poesia...'/><title type='text'>O quarto caudaloso e um cômodo perdido</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;I&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;conheço-me bem,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;mas, mesmo de mim sabendo,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;sigo me estudando...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;II&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;meus livros tombados&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;dormem. não sabem, nos sonhos&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;seus, que estou a ver.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;III&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;embaixo da cama&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;mora um dragão. de noite&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;ele cospe estrelas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;IV&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;quando a luz quero eu&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;apagar, acendo a lua&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;da minha janela.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;V&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;enquanto eu durmo,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;os anjos varrem com asas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;a poeira estelar...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span 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type='application/atom+xml' href='http://clubedecarteado.blogspot.com/feeds/3404910989001650150/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6780907448588102704&amp;postID=3404910989001650150&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6780907448588102704/posts/default/3404910989001650150'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6780907448588102704/posts/default/3404910989001650150'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clubedecarteado.blogspot.com/2009/07/o-quarto-caudaloso-e-um-haikai-sobre.html' title='O quarto caudaloso e um cômodo perdido'/><author><name>Germano Xavier</name><email>germanoxavier@hotmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06440160411594090814'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/SmURUb0DTrI/AAAAAAAACik/xNrPBCG_vYA/s72-c/La_parede_peintre_by_Takouviski.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6780907448588102704.post-1324130596564717142</id><published>2009-07-20T10:08:00.000-03:00</published><updated>2009-07-20T10:11:58.389-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='* Prosa...'/><title type='text'>Mireille estranha</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;Lado a lado estamos e é tão bonito, o tudo, o todo. Um jardim imaturado e com flores roucas nos acompanha. Cercados, nós, os nós das coisas nos observam nas próximas lonjuras, quase sempre intangíveis, quase nunca impossíveis. Hoje sinto que preciso me esforçar feito uma flor que vai se abrindo. Arrecadar de mim o bruto músculo e o movimento. Uma atividade será necessária, mas também o bastante. Uma. É um dia difícil por ser um dia diferente dos demais. No ar está acontecendo uma revolta e eu, mesmo com este meu olhar para baixo, consigo enxergar a novidade que veio do distante... O novo é uma espécie de chuva, cai sobre os nossos ombros, arrasta-nos na correnteza, inunda-nos com uma água penetrante, água-ácida. O que meu coração agora pergunta é tudo que a minha dimensão suspeita. Suas interrogações são as pontiagudas lanças que eu queria atirar, mesmo desconhecendo a melhor direção. Há um vento invadindo este momento e ele é tão justo, e silencioso. Apoio meu corpo meio deslocado para frente nos par de punhos que se dobram. Um órgão dentro de mim inicia uma sinfonia e começo a olhar o teu rosto. Não acreditava tanto na beleza dos teus olhos e nem que eles pudessem também olhar. São verdes como a imagem que tenho de um pasto celestial, morada dum deus qualquer. O pobre banco de cimento frio nos comporta escravamente. O instante é doloroso e de espera... Vou percorrendo tua face, meticulosamente, morena pele clara de um anjo. Vou adormecendo em mim e você é filha de Medusa. Atravesso o triângulo do teu semblante como se meus olhos fossem minhas mãos, apalpando suas tímidas fugas percebidas. Raios solares propendem a desbastar escuridões. Estamos lado a lado num purgatoriozinho ensaiado de emoções. Quantos homens não sentiram o que estou sentindo! Quantas não foram as sensações idênticas! E me questiono acerca de tua origem, mulher, de tua casa, de teu fabrico. Eu estava seguro andando na tipóia velha do terreiro. Posso ser ingênuo, mas sou mais que um sesquicentenário, sei de experiências de que até Deus duvidaria. Tenho palmas hirsutas de tanto rastejar por terra, toupeirando na caçada infeliz. E tu ousas arrojar-se por minha fronde, diacho haurido a granjear a peste, estrepitando cores e ramalhando hastes, envergando-as, ditosamente... mas não nos esqueçamos do som seco do que não diz, esta estranha beleza. Que por entre os centímetros que nos separam, existe um sentimento de máquina que não pensa, um caminho próprio para o olvido. Estamos prestes a ser o fim de algo que não começou. Não vai adiantar eu me levantar e ir colher aquela rosa vermelha, triste porque que irá deixar de respirar, enfadonha porque irá receber as ordens de um reles modelo de maltrato. Que lindo ritual é o do ocaso. Nasce e morre na mesma tarde, com o brilho polido pronto para a miraculosa sobrevivência eterna da memória. Acho que atingimos o auge de nossas fortunas, e me engano pouco se estiver a sentir a loucura da felicidade. Teimoso, levanto-me. As pernas estão enferrujadas e pesam os quilos das imagens que passam por mim agora. O estalo da quebra e a rosa morta em minhas mãos. Posso fazer até um pedido que nada vai adiantar. Estamos nos matando porque não podemos fazer nada. Estamos pouco vivos porque sabemos que a nossa morte já aconteceu desde que nos sentamos aqui. Girassóis se escondem, margaridas temem o pior. Dou-te a rosa em despedida, porque vou já. A triste hora é já caída e, eu sei, mais não podemos. Se vai cobrir-me a lembrança de lampejos que me ajudem, não sei, não chegaremos lá. Abraça o que for agora, mesmo o vento solto, que vou eu mesmo abraçar. Como se procurasse o sorriso torto peculiar àqueles que não puderam amar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360327529008176322" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 193px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/SmO1fMZHnMI/AAAAAAAACic/faW0WTP6_uI/s320/Jardim_by_dagua.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6780907448588102704-1324130596564717142?l=clubedecarteado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clubedecarteado.blogspot.com/feeds/1324130596564717142/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6780907448588102704&amp;postID=1324130596564717142&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6780907448588102704/posts/default/1324130596564717142'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6780907448588102704/posts/default/1324130596564717142'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clubedecarteado.blogspot.com/2009/07/mireille-estranha.html' title='Mireille estranha'/><author><name>Germano Xavier</name><email>germanoxavier@hotmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06440160411594090814'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/SmO1fMZHnMI/AAAAAAAACic/faW0WTP6_uI/s72-c/Jardim_by_dagua.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6780907448588102704.post-6956104830449097532</id><published>2009-07-19T13:57:00.000-03:00</published><updated>2009-07-19T14:01:34.471-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='* Poesia...'/><title type='text'>Estrada para além de Charleville</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;Pede ao Pai Maior (se...) um pouco de deserto,&lt;br /&gt;pede a choça, e o arrojo, pede o abisso...&lt;br /&gt;que o inferno, amigo, é uma estátua de viço&lt;br /&gt;febril, acabrunhante, órgão de mar aberto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é preciso ir!, necessário apenas afugentar&lt;br /&gt;do espírito o medo. É, no sempre, sendeiro desistir&lt;br /&gt;das fáceis atrações casuísticas, com acuidade rir&lt;br /&gt;e finar orgulhos renitentes... o humano aferrar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ao cortejo do tempo nas capitais da juvência,&lt;br /&gt;e debulhar &lt;em&gt;in totum&lt;/em&gt; nossas obras inofensivas.&lt;br /&gt;As mãos de quem realmente vive são ogivas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;premendo em queima a letra grossa. Na cadência&lt;br /&gt;da hora escura, jubiloso, vai-te, e implora: - Vidas!,&lt;br /&gt;vidas!, cercai-me, benditas, de teus despojos...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360216360001916514" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 188px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/SmNQYTkmzmI/AAAAAAAACiU/A7l3FX0_ZBs/s320/Fingered_by_daYavuz.jpg" border="0" /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6780907448588102704-6956104830449097532?l=clubedecarteado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clubedecarteado.blogspot.com/feeds/6956104830449097532/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6780907448588102704&amp;postID=6956104830449097532&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6780907448588102704/posts/default/6956104830449097532'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6780907448588102704/posts/default/6956104830449097532'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clubedecarteado.blogspot.com/2009/07/estrada-para-alem-de-charleville.html' title='Estrada para além de Charleville'/><author><name>Germano Xavier</name><email>germanoxavier@hotmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06440160411594090814'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/SmNQYTkmzmI/AAAAAAAACiU/A7l3FX0_ZBs/s72-c/Fingered_by_daYavuz.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6780907448588102704.post-1621663927392988419</id><published>2009-07-18T21:22:00.002-03:00</published><updated>2009-07-19T19:07:53.977-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='* Registros...'/><title type='text'>Uma imagem para guardar</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;Germano, &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;"O tempo é a insônia da eternidade", diria Quintana. E tu, que vives a plenitude da insônia, já és eterno, como o pôr-do-sol-do-nego-d'água. Ou de qualquer paisagem poética. Ou de qualquer poesia que seja paisagem: passagem para uma outra poesia...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;Loas à vida!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;sigamos...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;continuemos...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;e, no mais, só o silêncio...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;dos ramos...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;dos remos...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#000000;"&gt;Luís Osete, 13 de julho de 2009.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="right"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="right"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5359959078502096338" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 218px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/SmJmYjS_XdI/AAAAAAAACiE/YkC8i7arRhA/s320/nego.jpg" border="0" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6780907448588102704-1621663927392988419?l=clubedecarteado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clubedecarteado.blogspot.com/feeds/1621663927392988419/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6780907448588102704&amp;postID=1621663927392988419&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6780907448588102704/posts/default/1621663927392988419'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6780907448588102704/posts/default/1621663927392988419'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clubedecarteado.blogspot.com/2009/07/uma-imagem-para-guardar.html' title='Uma imagem para guardar'/><author><name>Germano Xavier</name><email>germanoxavier@hotmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06440160411594090814'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/SmJmYjS_XdI/AAAAAAAACiE/YkC8i7arRhA/s72-c/nego.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6780907448588102704.post-4113568472450884962</id><published>2009-07-18T00:19:00.000-03:00</published><updated>2009-07-18T23:55:14.894-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='* Prosa...'/><title type='text'>Passagem para além de mim</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;Para Letícia e Zélia;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;em&gt;e especialmente para Markoni Trigueiro,&lt;br /&gt;companheiro de uma madrugada&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Cheguei sozinho num táxi. Percorri ruas de uma cidade que ainda não conheço. João Pessoa, capital do estado da bandeira “Nego”. Passei por ruas e avenidas de uma luz ainda embaçada demais para meus olhos. A sensação era a de não-pertencimento. Não é uma coisa boa de sentir, mas o carro não parava. Casas antigas, casarões, casinhas. E as luzes amarelas. Desci. A rodoviária daquela cidade é um bloco de médio-porte com ares arquitetônicos obsoletos. Nada chama a atenção. Tudo muito simples, tudo muito usual. Olho para o relógio preso no teto e ainda não deu nem 10 horas da noite. O jogo vai começar. É uma quarta-feira. Preciso me prevenir, penso. Vou à lanchonete, a única que ainda se mantém aberta a essa hora da noite. Peço um suco de laranja e um sanduíche só de queijo, a mulher por trás do balcão me avisa que os serviços da lanchonete já terminaram. Vejo que ela tira o seu gorro, parte de seu fardamento de trabalho. Ela não está mentindo. Eu penso na minha salvação. Estou sem víveres em minha mochila e posso morrer ou sofrer de fome até o amanhã acontecer. De repente, ouço um grito entrar por um dos saguões do estabelecimento, onde alguns potenciais passageiros, malemolentes e já com o sono tombando aos olhos, cultivam a lentidão do tempo. Pareceu-me o dono da lanchonete, um baixinho de óculos, parcamente gordo, avisando: “Vou fechar, quem quiser alguma coisa, que venha agora! Depois, só amanhã de manhã! Estou fechando!” Eu olhei para as prateleiras. Pense rápido, garoto – disse a mim mesmo. Vejamos... suco artificial de laranja, dois biscoitos recheados sabor chocolate. Pronto. Paguei. Ouço o barulho das grandes portas roliças sendo abaixadas, um ranger metálico e estridente. Eu ando no vazio, na direção da outra extremidade. Paro no meio do caminho. Penso na pedra do poeta, tiro a blusa de frio. Não está frio, não está calor. Precisaria de um banho, mas... impossível agora. Uma leve agonia corporal me invade. Odeio me sentir sujo. Mas dava para continuar. Eu segui. Algumas pessoas vêem TV, fim da novela. Eis o jogo. Futebol é sempre a mesma coisa, pensei. Olhei para o rosto de cada um e imaginei suas vidas. A vida, sim, nunca é a mesma coisa. A mulher com seu filhote no colo, o velho barbudo ao lado de sua caixa de papelão, o jovem de boina vermelha, meio brega, meio marginal, o outro com a esposa, os namoradinhos, o que está de pé acende um cigarro com classe, o outro tenta encontrar um jeito de dormir. No meio do primeiro tempo, decido andar por aí. O telefone toca. Ouço uma voz bonita, pensei logo nela. Não, não é. Mas é uma voz bonita. Digo que está tudo bem. Tentei. Estou sem crédito e o telefone ficou mudo de vez. O que fazer. Não quero que se preocupem. Olá, você pode passar uma mensagem para mim de seu celular? O moço diz que sim. O celular é lindo, escreve-se com uma canetinha. Pedi a ele que digitasse. Obrigado, companheiro. Boa noite. Eu estou bem, apesar de não estar tão bem assim. Mas quero passar essa impressão a mim mesmo, pelo menos isso. Eu consigo. É ela agora, o telefone treme. “Amor, meu grande amor...” Comprar um cartão telefônico. Nunca pensei que fosse tão complicado. Fui para fora do lugar, perguntando. O guardinha disse que só entrava pagando. Poxa, que desgraça é essa! Ninguém aí nessa espelunca pode me fazer o favor de ir ali naquela barraca e me trazer um cartão?! Paguei. 1 real e 80 centavos. Vai ficar caro, mas tudo bem. Pessoas sentadas esperam seus destinos. A noite é quase negra. Até um cego sentiria aquela lua linda. Consegui. Volto e ligo. Agradeço por tudo e aviso que vou voltar. E que vim para buscar ela de vez. Agora vai ser assim. Ou morremos ou não vivemos nada. Quase uma hora e as muriçocas me estragando a pele dos braços. Suportei. Um homem quase dando uma cambalhota, de tão envergado sobre o pescoço, dorme na cadeira verde. Eu vou ver a lua. Na entrada há uma fila enorme de táxis. Vou passando e olhando para o interior de cada automóvel. Os donos, deitados sobre o volante ou no banco traseiro, cochilam suas angústias. Sento no meio-fio, por detrás de um carro branco. Tiro de dentro da mochila uma blusa e estendo-a no chão. Deitei e agora estou olhando a lua linda no céu. Penso sobre o dia e me passa um filme bonito. É a memória funcionando. Estou mais vivo do que pensei. Há cigarros. Tiro os sapatos e percebo o sangue correr mais livre na ponta dos dedos. Alívio imediato. Cada vez mais vivo. Olho novamente para o relógio, quase 12. Ouço gritos de gol. Depois olhos tristes de derrota. O time brasileiro fora derrotado. Vivas aos argentinos! Há de se convir que raça e mandinga também ganham jogo. O corredor vai se esvaziando aos poucos. O lugar é quase um deserto e eu continuo deitado olhando a lua. Daqui a pouco me aparece um senhor franzino de corpo, aparentando dois tragos de cachaça no fígado, mas ainda sóbrio, com cabelos brancos, esbanjando sinceridade nos olhos. “Tudo pai de família”, ele me diz, fazendo referência ao bando de cinco ou seis taxistas que conversam e fumam bem próximo da gente. Sinto um teor crítico bastante sarcástico na fala do bebum. “Vai pra onde, doutor?” Bahia, respondo. Juazeiro da Bahia. E não me chame de doutor, sou como você. “É mesmo, doutor. Todo mundo vai pro mesmo lugar depois daqui, confere?” E me estende a mão, me olha nos olhos e tira do bolso esquerdo da camisa a sua carteira de identidade. “Meu nome é Markoni Trigueiro, confere?” Confere, me chamo Germano. De onde és? “Sou daqui mesmo”. Vocês não sabem o real tamanho de Markoni, homem que passou toda a madrugada comigo, me falando o nome das capitais do mundo todo, fazendo contas mirabolantes de matemática, respondendo as perguntas que eu fazia sobre geografia e história, me falando do seu livro favorito de Jorge Amado, “Tereza Batista cansada de guerra”. Estamos cansados, meu bom amigo? Talvez não. Markoni me contou toda a sua história, disse que estava fora de casa já há dois dias, que tinha vergonha dele mesmo, que se sentia incapaz, que tinha uma filha formada em pedagogia e que ensinava numa “escolinha”, que amava sua mulher e que foi vendedor de livros por muito tempo, mas que agora estava desempregado. Entre uma brincadeira e uma confissão, entre uma pergunta e uma sábia resposta, entre um ensinamento em francês e uma lembrança, Markoni, camisa azul de botões aberta na altura do peito, bermuda branca e chinelos simples, olhou para mim quando o relógio marcava cinco e cinqüenta do outro dia, e disse: “Preciso ir.” Falei, de chofre, que era cedo ainda, que ia viajar só quando desse dez da manhã, que ele podia ficar, caso quisesse. Ele repetiu que precisava ir. Agradeci pela companhia, com um sentimento bonito escorrendo nas veias. Percebi os seus olhos verterem lágrimas e ficarem vermelhos. Que é isso, Markoni? – interroguei. Ele me deu um abraço verdadeiro e quis saber se eu iria esquecê-lo. “Promete que vai se lembrar de mim, doutor?” Falei que jamais o esqueceria, e que quando chegasse em casa escreveria um texto para ele, para servir de memória. Ele me olhou uma última vez, apertou forte a minha mão, ainda chorando, e partiu. Nesse instante, falei comigo mesmo: “Um dia a gente se encontra novamente, Markoni. O mundo é pequeno demais diante de nossas vontades...”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5359634873762273874" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 226px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/SmE_hWhlWlI/AAAAAAAACh8/wlV92k6Dex4/s320/sida.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6780907448588102704-4113568472450884962?l=clubedecarteado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clubedecarteado.blogspot.com/feeds/4113568472450884962/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6780907448588102704&amp;postID=4113568472450884962&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6780907448588102704/posts/default/4113568472450884962'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6780907448588102704/posts/default/4113568472450884962'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clubedecarteado.blogspot.com/2009/07/passagem-para-alem-de-mim.html' title='Passagem para além de mim'/><author><name>Germano Xavier</name><email>germanoxavier@hotmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06440160411594090814'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/SmE_hWhlWlI/AAAAAAAACh8/wlV92k6Dex4/s72-c/sida.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6780907448588102704.post-263767598398400657</id><published>2009-07-16T01:28:00.006-03:00</published><updated>2009-07-17T04:29:39.209-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='* Poesia...'/><title type='text'>O dia que não quero</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: center"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;no dia em que me faltar revoltas,&lt;br /&gt;mesmo as silenciosas;&lt;br /&gt;em que me faltar esperanças,&lt;br /&gt;mesmo as impossíveis;&lt;br /&gt;em que me olvidar das lembranças,&lt;br /&gt;mesmo as depressivas;&lt;br /&gt;em que me faltar alegrias,&lt;br /&gt;mesmo as efêmeras...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;certamente estarei pisando gramas&lt;br /&gt;nos sórdidos vergéis da raça humana:&lt;br /&gt;elefante alado voando rasteiro,&lt;br /&gt;na altura da cegueira.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/Sl6tk5X8FxI/AAAAAAAAChs/Zg6L19jmrJ8/s1600-h/Der_Traeumer_by_FelixKlee.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358911456005592850" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: pointer; HEIGHT: 258px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/Sl6tk5X8FxI/AAAAAAAAChs/Zg6L19jmrJ8/s320/Der_Traeumer_by_FelixKlee.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poema retirado do meu primeiro livro (Clube de Carteado, 2006)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6780907448588102704-263767598398400657?l=clubedecarteado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clubedecarteado.blogspot.com/feeds/263767598398400657/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6780907448588102704&amp;postID=263767598398400657&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6780907448588102704/posts/default/263767598398400657'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6780907448588102704/posts/default/263767598398400657'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clubedecarteado.blogspot.com/2009/07/o-dia-que-nao-quero.html' title='O dia que não quero'/><author><name>Germano Xavier</name><email>germanoxavier@hotmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06440160411594090814'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/Sl6tk5X8FxI/AAAAAAAAChs/Zg6L19jmrJ8/s72-c/Der_Traeumer_by_FelixKlee.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6780907448588102704.post-177838268358848041</id><published>2009-07-13T13:17:00.001-03:00</published><updated>2009-07-13T13:22:24.532-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='* Registros...'/><title type='text'>Nova idade</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;25 anos de Germano. Parabéns, companheiro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357979574310835842" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 313px; CURSOR: hand; HEIGHT: 202px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/SlteCPiYloI/AAAAAAAAChk/0_ciEAv0Uec/s400/sem+t%C3%ADtulo.bmp" border="0" /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6780907448588102704-177838268358848041?l=clubedecarteado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clubedecarteado.blogspot.com/feeds/177838268358848041/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6780907448588102704&amp;postID=177838268358848041&amp;isPopup=true' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6780907448588102704/posts/default/177838268358848041'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6780907448588102704/posts/default/177838268358848041'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clubedecarteado.blogspot.com/2009/07/nova-idade.html' title='Nova idade'/><author><name>Germano Xavier</name><email>germanoxavier@hotmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06440160411594090814'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/SlteCPiYloI/AAAAAAAAChk/0_ciEAv0Uec/s72-c/sem+t%C3%ADtulo.bmp' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6780907448588102704.post-244451686764418762</id><published>2009-07-12T22:58:00.001-03:00</published><updated>2009-07-12T23:25:53.869-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='* Prosa...'/><title type='text'>Pedido</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;Estou aqui. Sinto algo. Que horas são? Esqueceu? Eu não esqueço. O ponteiro marca. Àquela hora. Por favor, meu mais delicado por favor. Eu estou aqui. Sente algo? Que horas são? Você esquece? Quem é capaz? A hora marcada. Meu deus. Eu estou aqui! Sente? A caridade é esta chave, meu bom Rimbaud. Hienas sorriem a esta hora. Quero saber que horas são. Vou fazer um pedido. Não estou bem. Meu rosto. Manchas. A claridade também. O excesso. Tudo me cega. Aquilo. Eu vejo. Ainda vejo. Consigo. Minha cegueira é parcial. De momento. Você vai rir. Eu sei. Pode. Quando pára? Estou aqui. Não sente nada? Tic-tac. Faz o relógio. O que ele aponta? Tenho medo de a hora terminar. O abismo da hora. Estou amargo. É o meu gosto. Isto é um pedido. Minha vida de desculpas. Sempre assim. Não sou assim. Lamento. Muito. Me perdoe. Você vai rir. O minuto. Lembro. Abri meu coração. Não foi hoje. Antigamente. Todo o coração. Tenho um. Pode rir. Vou pôr a mão. Sente? Estou aqui. Sinto. Marca o tempo. Quero começar. Penso. Tanto tempo. Mas tanto mesmo. Minha vida. Me perdi. Como. Não. Sim. Meu espírito dói. Vou levantar. Está escuro. Sempre. Por quê? Eu anseio. Comprei papel. Vou. Escreverei. Pulei nu no mar. Não me lembro se sei nadar. Quem sabe nadar? Do que nos livramos? Pode alguém? Boa noite. Há quanto não nos... que saudade de você. Amor, prezado amor. Estou pedindo demissão de mim mesmo, quero outro emprego de ser. Você me arranja? Me arranha? Aranha. Tua teia. Me enrosco. Fico. Boa tarde, vida. Oi. Estou aqui. Eu sinto. É algo. Há. Os segundos. A marca no relógio. Ponteiros, são em trio. Correm. Quero dizer. Será que vai chover? Ficou bonito o tempo. Estou pensando. Estou lembrando. É o que posso fazer. Recordo. Gravo. Apago o mal que fiz. Você vai rir. Eu me importo. O outono. Me entendo. Bom dia, amor. Escrevo pra dizer. Tudo. Falta. Estou aqui. Não sei como. Mas. Ainda vivo. Eu te peço. Madrugada. Pode haver um corvo na janela. Olhe. Quanto tempo ainda tenho? Pode acabar amanhã. Até já. Eu preciso. Não deixo ouros. Deixo ir. Sem deixar. Jamais. Quero. Vou fazer um pedido. Confie em mim. Sou o que não te sabe. O arrependimento. O egoísmo. O corpo ferido. A alma mais. O corpo vazio. Eu estou morrendo. Falta pouco. Falta apenas. Eu já conheço. O sol quadrado. Já fui escravo. E bandoleiro. Não sou inteiro. Não posso ser. Meu canto é ocioso. Mas deixa que te mostro o fosso por onde andei. Na armadilha. Na arapuca. Pássaro preso. Sou o quintal. Feliz Natal! Feliz ano novo! Feliz ano velho! Aqui estou. Algo sinto. São que horas? Esqueceu? Eu não esqueço. O ponteiro marca. Àquela hora. Por favor, meu mais rouco por favor. Eu estou aqui. Sente algo? Que horas são? Você esquece? Quem é capaz? A hora marcada. Meu deus. Eu estou aqui! Sente? Me levanto. Está claro. Está ameno. O clima. Pode chover. Pode fazer sol. Sempre. Por quê? Eu desejo. Comprei papel. Anotei umas coisas. Tenho um coração. Vou. Escreverei. Pulei nu no mar. Não me lembro se sei nadar. Quem sabe nadar? Do que nos livramos? Pode alguém? Confie em mim. Aperta a minha mão. Segura firme. Por favor. Não desiste. Estamos perto. Estamos tão perto. A onda vai passar. A onda já passou. Vem. Falta pouco. Falta você. Me falto. Sou nada sem. Um braço. Uma jarda. É o destino. Estou nadando. Não sei nadar. Vou te salvar. Meu bem, meu bem. Aperta a minha mão. Que horas são? Vai passar. O frio. Olha a praia. Estamos perto. Segura em mim. Boa noite. Há muito no peito, este ar... saudade. Amor, excelentíssimo. Estou pedindo demissão de mim mesmo, quero outro emprego pra ser. Você me arranja? Me arranha? Aranha. Tua teia. Me enrosco. Fico. Boa tarde, paixão. Olá. Estou aqui. Eu sinto. É algo. Há. Milésimos. A vida no relógio. Ponteiros, são três. Rumam. Quero dizer. Digo. Será que vai chover? Ficou bonito o tempo. Estou pensando. Estou lembrando. É o que posso fazer. Recordo. Gravo. Apago o mal que fiz. Você vai rir. Eu me importo. As estações. O outono. Me entendo. Ria. Acho perfeito o seu sorrir. Bom dia, amor. Tem café pronto. Escrevo pra dizer. Eu também sou clichê. Tudo. Falta. Estou aqui. Sou pobre. Mas amo. Não sei como. Mas. Vivo. Eu te peço. Madrugada. Pode haver um corvo na janela. Olhe. Quanto tempo ainda tenho? Pode acabar amanhã. Até já. Até já. Até já. Eu preciso. Não deixo ouros. Não deixo ir. Sem deixar. Jamais. Eu quero. Como quero. Um pedido. Confie em mim.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357758031060549218" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 294px; CURSOR: hand; HEIGHT: 208px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/SlqUiuncPmI/AAAAAAAAChc/qg6VvMzxaEw/s400/ab.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6780907448588102704-244451686764418762?l=clubedecarteado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clubedecarteado.blogspot.com/feeds/244451686764418762/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6780907448588102704&amp;postID=244451686764418762&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6780907448588102704/posts/default/244451686764418762'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6780907448588102704/posts/default/244451686764418762'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clubedecarteado.blogspot.com/2009/07/pedido.html' title='Pedido'/><author><name>Germano Xavier</name><email>germanoxavier@hotmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06440160411594090814'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/SlqUiuncPmI/AAAAAAAAChc/qg6VvMzxaEw/s72-c/ab.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6780907448588102704.post-4821862502258991773</id><published>2009-07-11T22:30:00.000-03:00</published><updated>2009-07-11T22:35:30.052-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='* Prosa...'/><title type='text'>Ana Olívia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;Primeiro que eu não existo. Existir sempre me foi um troço difícil. Não quero me complicar. Ainda mais nestes tempos tão civilizatórios, civilizantes. Dividem tudo, julgam tudo, mataram Deus, nem podemos mais transcender, nós mulheres não somos nada. O dia hoje está tão bonito, sei lá, deixa. Acordei cedo e me deu uma vontade de andar pelo bosque. Pus um livro na bolsa. Vou ler quando chegar ao velho carvalho. Meu marido viajou para longe. Foi tratar de negócios importantes. Moramos longe dos centros e a última vez que isso aconteceu eu já nem me lembro. Dizem que é lá no bosque que fica o inferno. O inferno nos olha todo o dia, fica na espreita. Ele é terno - e tisne não? – e nos acompanha. Hoje eu optei por conhecer o inferno, não outra coisa. Quero-o porque ele me quer. Venha de onde vier, com a máscara que preferir, mas tem de ser ele. Quero ser derrubada. É a minha doença e talvez o meu último dia aqui neste lugar. O mundo é o meu lugar. Ou não é. Sou uma terminal. Tenho a doença do meu pai e a doença do meu irmão e a doença do meu tio e a doença do chofer e a doença da ama e a da prisioneira... Eu tenciono algo e me acho responsável. Segura esta arma com o punho forte e me atira uma morte rápida. Que me paralise e me invalide, que me perturbe as vistas, ou que me torne nervosa e histérica, depressiva e suicida. Meu caso está registrado no amanhã e no hoje que é agora. Vou me auto-submeter ao tratamento dos desregrados. Por vida sempre sofri e não estou aguentando mais. Você que pode até sorrir um dia irá relatar meus traumas e vai ver como sua infância foi tão nobre e silenciosa. A cura está no bosque e o bosque é sombrio. Lá coisas desaparecem, homens se perdem, gritos são ouvidos, lamentos e lamúrias. E quando eu cair por terra quem vai me amparar? Sou romântica e vou morrer. Sinto que posso levar algo, penso. Poderei levar a verdade? O que realmente importa daqui? Há alguma coisa que realmente serve, que sentirei falta quando estiver morta? O teu sorriso? E o amor? Ninguém precisa do amor? Talvez já seja noite e eu estou te falando, falando, estou apenas falando, estamos sós, com quem estou falando? Quem é este que me cerca agora? Quem é este ser que me atormenta na quase-morte? Chega de saudade, chega de pouca ciência, chega de pouca miséria. Eu espero pela desgraça plena. Apaga o café, seu fogo. Fecha a torneira. Encosta sua cabeça aqui. Sai daí e vem. Vem, meu bem, e me diz obrigado. Que o inferno é tão lindo, vou ler um poema. Você vai ficar e vou te bater na cabeça. Vou beber teu sangue, vou matar teu filho que ainda não nasceu, serei teu e você poderá voltar. Repousa aqui, estira estas pernas, vem amor, vem que é hora, não se iluda mais, o céu é um novo assassino. Faremos alguma pornografia, celebraremos o nojo. Um banho nessa vida de festim. Corre pra lá, te encontro, e me traz, por favor, o teu medo do demônio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357377787094289986" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 199px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/Slk6tndSzkI/AAAAAAAACgc/txrVK0fRvTI/s400/le_by_nylonjuvenile.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6780907448588102704-4821862502258991773?l=clubedecarteado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clubedecarteado.blogspot.com/feeds/4821862502258991773/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6780907448588102704&amp;postID=4821862502258991773&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6780907448588102704/posts/default/4821862502258991773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6780907448588102704/posts/default/4821862502258991773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clubedecarteado.blogspot.com/2009/07/ana-olivia.html' title='Ana Olívia'/><author><name>Germano Xavier</name><email>germanoxavier@hotmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06440160411594090814'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/Slk6tndSzkI/AAAAAAAACgc/txrVK0fRvTI/s72-c/le_by_nylonjuvenile.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6780907448588102704.post-1405137651137162919</id><published>2009-07-10T19:30:00.002-03:00</published><updated>2009-07-17T22:28:04.173-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='* Registros...'/><title type='text'>Roupa nova</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;O Clube de Carteado está mudando de roupa. Os últimos ajustes ainda estão sendo feitos. Em breve, voltaremos em pleno vapor. Agradeço a atenção e a paciência de todos. Continuemos, bucaneiros...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356963098998250098" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 201px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/SlfBjl6qmnI/AAAAAAAACgU/-wLas-Wa8ZA/s400/ramita_01_by_Cabyrus.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6780907448588102704-1405137651137162919?l=clubedecarteado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clubedecarteado.blogspot.com/feeds/1405137651137162919/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6780907448588102704&amp;postID=1405137651137162919&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6780907448588102704/posts/default/1405137651137162919'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6780907448588102704/posts/default/1405137651137162919'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clubedecarteado.blogspot.com/2009/07/roupa-nova.html' title='Roupa nova'/><author><name>Germano Xavier</name><email>germanoxavier@hotmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06440160411594090814'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/SlfBjl6qmnI/AAAAAAAACgU/-wLas-Wa8ZA/s72-c/ramita_01_by_Cabyrus.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6780907448588102704.post-5764654653645623852</id><published>2009-07-09T15:18:00.010-03:00</published><updated>2009-07-10T19:46:32.753-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='* Prosa...'/><title type='text'>o anjo excedente</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;em&gt;continuação para o conto "Réquiem por um fugitivo", &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;em&gt;de Caio Fernando Abreu. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Agora, sempre que entro no quarto &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;que &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;foi de minha mãe até o dia em que ela partiu para a outra terra, para a outra parte desse mundo, tão existível e desconhecida tanto por mim quanto por você, sou levado a caminhar por toda a área do pequeno e misterioso cômodo. Todo dia, antes de abrir a porta, um pensamento atravessa minha mente e é como se, no fundo de mim, eu ainda acreditasse que descerrando aquela porta rústica a encontraria deitada em sua cama, vestida com aqueles olhos de preguiça típicos de quem está desadormecendo, e que aos poucos a veria espreguiçar-se belissimamente, como que pressentindo ali a minha presença. Por isso, antes mesmo de pôr as mãos na fechadura, algo estranhamente sublime me acontecia e de súbito uma força leve cobria meus dedos e punhos, fazendo-me lançar sobre o gélido ferro da porta mãos que não eram as minhas, de tão exageradamente suaves e delicadas. O quarto ditosamente é o mesmo. Foi de minha vontade deixá-lo do mesmo modo como minha mãe o deixou antes de partir em definitivo. A cama permanece no centro, majestosa, com um ar de trono peculiar, penso, a uma rainha que é imortal. O criado-mudo encostado na parede, ao lado direito da cama, com sua parte marmórea brilhando de tão encerada. O abajur com a lâmpada azulada que ela usava porque tinha receio da escuridão total do quarto. O chapeleiro onde pendurava suas bolsas e cintos, a pequena estante negra, sua caixinha de música, suas poucas jóias e alguns penduricalhos. Tudo guardado no encanto do amor, como se o ato de guardar os seus objetos far-me-ia estar também a guardar para sempre a sua imagem em mim. Deus sabe como dói o peito quando me invisto naquele setor da casa, como me acerco de uma falta de ar que me comprime o corpo. Só não há mais o velho guarda-roupa, mas isso não tive como evitar. Existe uma forma de lembrança que é aterradora. Hoje, depois de revê-lo partir junto a minha mãe, no filme de nossas existências, ruflando suas asas e atirando-se sem medo ao mundo imenso dos mundos através da janela desse quarto, eu me pergunto por que razão não tive forças na voz para lhe dizer alguma coisa nas vezes que o vi, alguma palavra que fosse ao menos amiga e carinhosa, e que lhe confortasse um pouco ou lhe dissesse que eu me sentia bem sabendo que estava ali, dentro do móvel preferido de minha mãe, protegendo-a contra qualquer mal possível, protegendo-me também, mesmo você não suspeitando disso, apenas com a sua forte presença. Quando penso que perdi todo esse tempo, que não fui capaz de abraçá-lo sequer uma vez, que não arranquei para fora o meu orgulho hipócrita para dizer do meu amor por você, vejo o quão devo ter sido um filho ruim, um filho indigno, sem amor no coração. Eu que passei todos aqueles anos desconfiando de você, sem saber quem realmente era, o que pretendia, o porquê de viver naquele canto tão escondido da vida, completamente retorcido, amordaçado por um ar preso, morando dentro do guarda-roupa da minha mãe, despedaçando-se aos poucos. Demorei muito para acreditar na idéia de que minha mãe era o fator dissonante de toda essa história. Ela havia mentido para mim e eu fui caindo em sua teia sem maldade, aprisionado como um inseto perdido na selva das coisas. Mas ela fez tudo ser desse jeito porque antes de tudo ela me amava como a um filho legítimo, que tinha dentro de si o mesmo sangue que nela corria. Por isso não guardo mais mágoa, o tempo nos previne de muitas judiações e por vezes apaga o que é para se ter piedade. E aquele meu ar de mediocridade diante de mim mesmo, do poder revelador de minha face, assim como a ausência de um algo que me avisasse acerca da real direção dos ventos, para onde iríamos todos, aonde chegaríamos, o que encontraríamos no final do corredor da vida ou em uma de suas inúmeras curvas, aquilo tudo me fazia pensar duas vezes antes de fitar a verdade que existia dentro daquele seu olhar. Você soube nos auxiliar sem mexer suas asas. A vida parecia mais limpa quando eu saboreava um pouco de sua realidade. Era como se uma criança, carregada pelo pai numa estação repleta de pessoas, tomasse o rumo certo-incerto de sua liberdade e, a partir de uma fuga, começasse a descobrir-se, desabrochar-se como faz uma luz ao se acender em câmera lenta. Eu retrago esses fatos à tona porque hoje é, talvez, o dia mais importante da minha vida. Sozinho nessa casa, ao longo de dias na companhia da tristeza e do sofrimento, coisas fantásticas me aconteceram. Paulatinamente, meu corpo sofreria alterações profundas. Sem dor sentir, duas pequenas asas nuas de pena brotariam em minhas costas. Não fora derramado sangue nem feito quaisquer intervenções cirúrgicas para tal. Simplesmente um par de asas nascera em mim e, ao transcorrer das horas, elas ficariam preenchidas com alvas penas, essencialmente macias e confortáveis. Intrigantemente, diferente do que poderia ter ocorrido com outra pessoa, aceitei a mutação como um adolescente aceita o engrossar de sua voz no início da puberdade. Confesso que, por diversas vezes, esbarrei o meu novo órgão na estreita porta da cozinha, ainda desacostumado com o volume, e também no box do banheiro, quando distraidamente deixava o sabonete escorregar de minhas mãos e dava os volteios necessários para apanhá-lo novamente, mas nada que me fizesse sentir ojeriza por estar a carregar em meu dorso um par de asas angelicais. Desde aquele primeiro dia de mutação, percebi que você era o meu pai. Sim, eu sou o teu filho, posso exclamar, um legítimo anjo como você também o é. E hoje, pai, hoje é o dia que voarei pela primeira vez. Eu decidi tudo, é o meu mais íntimo desejo. Vou sair pela mesma janela que você saiu. Vou alcançar os galhos mais altos da nossa árvore, e com toda a força que tenho te encontrar. Sou a criança liberta de qualquer amarra, que jamais se esquece de pagar pelas imateriais fortunas adquiridas. Sou o filho que viu o pai sofrer e nada fez por não saber, simplesmente. Hoje habitarei o mundo por sua causa. E vai ser agora...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356919935418907506" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 301px; CURSOR: hand; HEIGHT: 201px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/SleaTJDaO3I/AAAAAAAACgM/6QMD7lzA9BI/s400/ad.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6780907448588102704-5764654653645623852?l=clubedecarteado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clubedecarteado.blogspot.com/feeds/5764654653645623852/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6780907448588102704&amp;postID=5764654653645623852&amp;isPopup=true' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6780907448588102704/posts/default/5764654653645623852'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6780907448588102704/posts/default/5764654653645623852'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clubedecarteado.blogspot.com/2009/07/o-anjo-excedente.html' title='o anjo excedente'/><author><name>Germano Xavier</name><email>germanoxavier@hotmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06440160411594090814'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/SleaTJDaO3I/AAAAAAAACgM/6QMD7lzA9BI/s72-c/ad.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6780907448588102704.post-6940027207037421461</id><published>2009-07-08T13:30:00.002-03:00</published><updated>2009-07-11T17:58:48.954-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='* Poesia...'/><title type='text'>parecer sobre o maldito</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;curvaturas em desalinho&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;da mulher-pecado,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;as sinuosas da seda&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;colada ao corpo quente&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;atenuam as feras criadas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;nas jaulas do coração.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;(ela chora, e sua lágrima&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;faz derreter as esferas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;esquálidas e sequiosas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;das mentes mais vãs)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;curvar-se é brasão de fraqueza.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;o amor jorra feito o fogo&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;das claridades mais absurdas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;o controle é perdido, e perdido&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;é o afã de se querer controle.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;a queda de um abismo é livre,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;fatal consequência e o seu golpe.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;não há escape nem saída.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;tuas melenas são correntes, &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;frias e alucinantes, &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;de um rio de querenças diárias&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;sobre você.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;a noite não tardará, o que vejo é apenas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;o começo de uma batalha onde o vencedor&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;roga sempre por perdão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356128686476536610" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 303px; CURSOR: hand; HEIGHT: 209px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/SlTKqZC2qyI/AAAAAAAACeQ/reiAPvvL4JY/s400/medo_de_ser_mulher_by_detailed_world.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6780907448588102704-6940027207037421461?l=clubedecarteado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clubedecarteado.blogspot.com/feeds/6940027207037421461/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6780907448588102704&amp;postID=6940027207037421461&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6780907448588102704/posts/default/6940027207037421461'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6780907448588102704/posts/default/6940027207037421461'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clubedecarteado.blogspot.com/2009/07/parecer-sobre-o-maldito.html' title='parecer sobre o maldito'/><author><name>Germano Xavier</name><email>germanoxavier@hotmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06440160411594090814'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/SlTKqZC2qyI/AAAAAAAACeQ/reiAPvvL4JY/s72-c/medo_de_ser_mulher_by_detailed_world.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6780907448588102704.post-7859403504715626668</id><published>2009-07-07T23:11:00.001-03:00</published><updated>2009-07-11T18:00:10.193-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='* Registros...'/><title type='text'>entrevista para tv</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;Dentro dos próximos dias, será exibida no telejornal &lt;em&gt;GR TV 1ª &lt;span style="color:#000000;"&gt;Edição (meio dia)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;, da emissora&lt;/span&gt; TV Grande Rio, afiliada da Rede Globo com sede em Petrolina-PE, uma matéria cuja pauta é: "Escritores Anônimos do Vale do São Francisco". Fui entrevistado pela jornalista Leciane ontem, dia 06 de julho. Falei um pouco acerca de meu convívio com a escrita, minhas inspirações e aspirações, projetos e, no final, li o poema &lt;em&gt;"Dados Divinos"&lt;/em&gt;, de minha autoria. Para quem mora onde o sinal da TV Grande Rio chega com clareza, vale a pena ficar de olho. Abraço a todos. Sigamos...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5355897101279523026" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 156px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/SlP4CW9PcNI/AAAAAAAACeI/bDRTRxGYbZc/s400/RADIO+E+TV+GRANDE+RIO+2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6780907448588102704-7859403504715626668?l=clubedecarteado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clubedecarteado.blogspot.com/feeds/7859403504715626668/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6780907448588102704&amp;postID=7859403504715626668&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6780907448588102704/posts/default/7859403504715626668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6780907448588102704/posts/default/7859403504715626668'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clubedecarteado.blogspot.com/2009/07/entrevista-para-tv.html' title='entrevista para tv'/><author><name>Germano Xavier</name><email>germanoxavier@hotmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06440160411594090814'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/SlP4CW9PcNI/AAAAAAAACeI/bDRTRxGYbZc/s72-c/RADIO+E+TV+GRANDE+RIO+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6780907448588102704.post-6519491093887739517</id><published>2009-07-07T12:04:00.001-03:00</published><updated>2009-07-11T18:01:26.571-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='* Prosa...'/><title type='text'>moscas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#000000;"&gt;acordou tentada por uma brusca vertigem. nada sentiu. caminhou até o espelho. o espelho guardava a imorredoura memória do presente. a perspectiva daquele rosto antigo e amargo era quase um desagrado. banhou-se. ali também havia um espelho. depois a mão de creme sobre o cabelo molhado. novamente o espelho. quis vomitar ao ver a imagem. ao pé da cama, enfiou cuidadosamente os cadarços do tênis nos orifícios. apertou o cinto de couro marrom, passou ferro na camisa branca de linho que foi de sua madrasta. lembrou de sua infãncia no interior e olhou pelo vidro. quase veio a vomitar. comeu azeitonas no café da manhã. não gostava de azeitonas. sentiu uma forte dor no estômago. preparou um sal de frutas e bebeu. mentiu a dor o dia inteiro. quando voltou, olhou a prataria suja sobre a mesa repleta de moscas. virou-se. fechou a lua de sua janela. olhou a lâmpada queimada no teto, percebeu uma mosca pousada em sua boca. procurou o espelho. era escura a noite. o dia inteiro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5355730061230478162" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 309px; CURSOR: hand; HEIGHT: 220px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/SlNgHWSGE1I/AAAAAAAACeA/m5VIUF8Nj0Y/s400/moscas_by_monstrosities.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6780907448588102704-6519491093887739517?l=clubedecarteado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clubedecarteado.blogspot.com/feeds/6519491093887739517/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6780907448588102704&amp;postID=6519491093887739517&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6780907448588102704/posts/default/6519491093887739517'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6780907448588102704/posts/default/6519491093887739517'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clubedecarteado.blogspot.com/2009/07/moscas.html' title='moscas'/><author><name>Germano Xavier</name><email>germanoxavier@hotmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06440160411594090814'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/SlNgHWSGE1I/AAAAAAAACeA/m5VIUF8Nj0Y/s72-c/moscas_by_monstrosities.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6780907448588102704.post-4051953951172383624</id><published>2009-07-02T16:25:00.000-03:00</published><updated>2009-07-02T16:26:31.463-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='* Poesia...'/><title type='text'>meu livro</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/Sk0IAh_283I/AAAAAAAACds/JcnqA3pbpgI/s1600-h/Book_Story1_by_Azram.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5353944337232622450" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 299px; CURSOR: hand; HEIGHT: 203px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/Sk0IAh_283I/AAAAAAAACds/JcnqA3pbpgI/s400/Book_Story1_by_Azram.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;meu livro é livre,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;móvel, vivo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;abro-o, altera-me.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;ouço-o, escreve-me.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;meu livro cá dentro mora,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;paisagem sem fim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;conta ele a história&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;da liberdade, de seu inventor.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;apesar de assim ser&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;meu livro livre, móvel e vivo,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;é dependente de mim.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6780907448588102704-4051953951172383624?l=clubedecarteado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clubedecarteado.blogspot.com/feeds/4051953951172383624/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6780907448588102704&amp;postID=4051953951172383624&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6780907448588102704/posts/default/4051953951172383624'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6780907448588102704/posts/default/4051953951172383624'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clubedecarteado.blogspot.com/2009/07/meu-livro.html' title='meu livro'/><author><name>Germano Xavier</name><email>germanoxavier@hotmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06440160411594090814'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/Sk0IAh_283I/AAAAAAAACds/JcnqA3pbpgI/s72-c/Book_Story1_by_Azram.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6780907448588102704.post-3595189700338334845</id><published>2009-07-01T20:45:00.000-03:00</published><updated>2009-07-01T20:46:59.599-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='* Prosa...'/><title type='text'>o chão do amor</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/SkuYtBLe6TI/AAAAAAAACdk/lTLiAVjhAKg/s1600-h/stille_by_GabriDreams.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5353540481238100274" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 296px; CURSOR: hand; HEIGHT: 211px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/SkuYtBLe6TI/AAAAAAAACdk/lTLiAVjhAKg/s400/stille_by_GabriDreams.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;- Velha infame – disse a mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem abaixou o portão da garagem, trancou com chaves as duas portinholas que funcionavam tal qual um olho-mágico, olhou a caixa de correspondências, viu que nada havia lá dentro, fechou. Percebeu que o gramado da área frontal estava precisando de mais adubo, pensou em amanhã e se queixou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Também não foi meu dia hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem, garboso em seu terno xadrez, sapato bico fino, legítimo couro, chegou à porta que dava para o interior da sala de estar. A mulher o esperava com respiração arfante, só ele poderia abrir. Aparentando nervosismo, ela fazia um movimento de ir-e-vir com uma das pernas inclinando calcanhar e pé sobre os dedos, de modo que muito lembrava uma bailarina quando esta se eriça rodopiando na ponta dos artelhos dos membros inferiores. O homem era jovem, branco-aloirado, traços escandinavos. Um lenço de cor sóbria lhe adereçava a lapela, tinha o colete em perfeita combinação de tons com o restante da vestimenta, gravata cinza. Tudo muito bem ajustadinho, apertado, como se uma costureira tivesse tirado suas medidas e feito a amarradura das linhas no calor das próprias mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher foi à pequena mesa-bar e encheu um copo com conhaque, o homem observou sua face irritadiça, e do mesmo modo a mecha cacheada de cabelos negros que lhe encobriam o olho esquerdo como um tapete de plumas acariciando-lhe a pela macia. O homem falou algo sobre o seu colega de escritório e percebeu-se vencido pela tentação despertada pelo rastro de perfume deixado pela mulher na extensão do cômodo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A esta altura, qualquer um que adentrasse no local teria percebido o cenho modificado do homem, a cor rosácea sanguínea preenchendo seus contornos, provavelmente liberada por estímulos ulteriores. Atingido de tal forma, pôs a aproximar-se da mulher que bebia, soluçando de raiva. Tocou o ombro, imprimindo-lhe uma pressão para que ela se voltasse à direção em que estava agora. O homem lhe sorriu com uma suavidade rigorosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais de um quarto de hora já se passava quando o homem, afrouxando os botões do terno, resolveu sentar, num momento de só pensamento, copo de conhaque seguro pelas duas mãos apoiadas no joelho. Chateado, desconfortavelmente perdido em suas idéias, fitou languidamente um fio de cabelo da mulher preso ao carpete, sob a mesinha de centro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sente-se aqui – falou, fazendo sinal com a cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aquela velha desgraçada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Calma, você tá tão linda hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher encostou o rosto no ombro do homem, tinha tensão no canto dos olhos e no queixo, não podia disfarçar. Morena-clara, trejeitos indiáticos, corpulenta, propícia para os lampejos maternais. Ficou ali respirando um ar confuso, imaginando mil coisas, parada, dando pequenos goles no líquido alcoólico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quase perdemos tudo - rompeu a voz da mulher o curto silêncio que ali se instalara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não diga isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É porque você não viu como a expressão do rosto daquela velha mudou hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem a abraçou, mesmo estando meio torto no sofá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nem olhou na minha cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem gente que é mesmo muito desconfiado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não consigo tirar isso da cabeça. Amanhã ela vai ter comigo quando aparecer no escritório. Não vou deixar isso barato – disse, engolindo de uma só vez o conteúdo do copo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem pensou no dia atribulado, mas não deferiu nenhuma palavra. Antes que a mulher lhe dirigisse mais descontentamentos, o homem aplicou um beijo longo na boca carnuda da mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas ela não perde por esperar – disse ela, no justo instante em que descolaram os lábios -, jogo até praga se preciso for. Aí ela nunca mais inventa de vender um terreno assim, tão sem querer, tão sem vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher olhou em torno, novamente pousou as vistas na mesa-bar. Foi buscar mais conhaque. Já estava amolecida com o efeito provocado pelo primeiro copo. Copo cheio dessa vez, transbordando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O estagiário errou um cálculo de área e por pouco não perco o emprego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me dá um beijo – sussurrou a mulher, malemolente -, me faça esquecer aquela velha louca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dou sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me ame.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vem, meu bem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem pôs o copo sobre a mesinha de centro e abraçou a mulher antes mesmo de ela chegar ao sofá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ponha o copo junto ao meu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desgraçada! Bandida! – exclamou a mulher, enlaçando-se nos braços do homem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#000000;"&gt;Estavam embebidos num ar confortável de delírio e ira, ambos compenetrados nos acontecimentos do dia, nos desenredos do trabalho, nos descompassos dos trâmites morais e de negócios. Não conseguiam amenizar a cólera, tampouco desfazê-la totalmente. O homem a olhou nos olhos, puxou-a pelas mãos e foram em direção ao quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu te amo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que não tira a minha roupa? – bramiu a mulher, jogando-se de bruços no colchão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Confessa que estamos bem, amor, me sinto tão bem com você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se não fosse as desavenças lá na empresa, eu diria sem medo que hoje foi um dia perfeito. Teu cheiro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alguém deve ter enchido a cabeça dela de caraminholas pra ter pensado em desistir da venda – disse a mulher, passando a mão libidinosamente sobre a calça do homem, na altura do pênis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tenho quase certeza disso. Deu conta de que pediu muito pouco por terreno tão bom. É uma espécie de arrependimento sufocante, que fere ambas as consciências, tanto a de quem compra quanto a de quem comercializa. Lembro de muitos casos assim. Não seremos os últimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher descerrou o zíper da calça do homem, tirou da casa o botão e arriou-a. Passeou a face por toda a coxa direita dele, com a bochecha roçando os pêlos macios próximos à virilha. Sentiu o membro ganhar forma e atacar a barreira da cueca. Naufragava em calores úmidos, descidos desde o couro cabeludo até sua panturrilha. Silenciosa, ébria, apalpou o membro do homem com uma das mãos, quase deitada sobre a cama, num esforço tripudiado pelas lembranças castrantes do afetado dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porra de mulher!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Amanhã você vai ao fórum e pega a assinatura com o velho Gomes. Aí tudo se resolve. E vê se não olha pra cara deslavada dela novamente – vociferou o homem, já tomado pelas pulsões do sexo febril.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hoje fiquei sabendo que ele está caduco, não sei se vai conseguir assinar o documento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ele está vivo, é o que importa. Não aceite nem as digitais. Faça com que ele assine nem que for com a ajuda de alguém. A letra é a melhor prova. Dispensa até as testemunhas – completou, olhando para baixo e vendo a mulher lamber seu pênis, colocando-o inteiro na boca, enquanto atravessava seu corpo grande por cima do seu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Parecia até que estava com raiva de mim, como se fosse eu que tivesse feito a besteira de vender o terreno a preço de banana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Penso que ela não fez nenhuma consulta antes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#000000;"&gt;- Ah, Ah... – gemeu a mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estavam os dois deitados. Tórax sobre tórax. A mulher em cima, fazendo movimentos lentos. Começavam a suar. O ar no quarto tornara-se abafado, um pequeno espelho na cabeceira da cama iniciou uma espécie de embaçamento. Amavam-se, indubitavelmente. Loucamente, desmedidamente, ferozmente. Mas os olhos abertos dos dois provocavam um ruído na engrenagem natural das horas. Era como se não suspeitassem de que estavam ali, um dentro do outro, em escavações corpóreas e fabricando rituais de dança. Os olhos, vivos como nunca, emprestavam àquela transa um sentimento de completa estranheza. Estariam cegos? Presos às amarras do cotidiano? Encaçapados no duro jogo da vida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vou preparada amanhã – disse a mulher, saltando ininterruptamente sobre o homem, devidamente atenta para que o pênis dele não tomasse outro caminho senão o do interior de sua vagina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A melhor defesa é o ataque, já diz o ditado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Humm, humm... – gemia a mulher, baixinho, agora recostada no abdômen do homem -, a gente bem que poderia ter um filho. Mas sem aquele terreno, sem a nossa própria casa, fica inviável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem explodiu em gozo, regou com o branco leite seminal todo o órgão feminino. A mulher tombou para o lado, ainda nele enroscada. Inspiravam e expiravam sofregamente. Tinham os aspectos faciais bons, aparentavam felicidade. Há muito tempo não sentiam tanto desejo como naquele momento. O casamento partia para o sétimo ano e parecia que a casa em que viviam de aluguel estava impregnada de uma monotonia aterradora. O amor começava a ser tratado como um fator opcional, coisa de domingo, quando não se tem nada por fazer e o tédio massacra. Um edredom aveludado fazia-se de roupa de cama. A cor creme das paredes trazia um pouco de paz aos olhos dos dois, esgotados pelo dia estafante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Te amo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem voltou-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nos amamos muito, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher meteu-se a levantar, indo de pronto à sala. Encheu mais um copo com bebida, agora vodka, e consigo mesma disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nem que eu mate a sua mãe, amor, mas aquela terra amanhã será nossa.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6780907448588102704-3595189700338334845?l=clubedecarteado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clubedecarteado.blogspot.com/feeds/3595189700338334845/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6780907448588102704&amp;postID=3595189700338334845&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6780907448588102704/posts/default/3595189700338334845'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6780907448588102704/posts/default/3595189700338334845'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clubedecarteado.blogspot.com/2009/07/sobre-o-chao-do-amor.html' title='o chão do amor'/><author><name>Germano Xavier</name><email>germanoxavier@hotmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06440160411594090814'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/SkuYtBLe6TI/AAAAAAAACdk/lTLiAVjhAKg/s72-c/stille_by_GabriDreams.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6780907448588102704.post-3766030022297487248</id><published>2009-06-30T12:23:00.001-03:00</published><updated>2009-07-18T23:50:41.583-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='* Prosa...'/><title type='text'>relato de um náufrago</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/SkkNVhBPrRI/AAAAAAAACdU/S7FKA5WLoF4/s1600-h/A_la_deriva_by_Miriam240.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5352824295398550802" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 301px; CURSOR: hand; HEIGHT: 207px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/SkkNVhBPrRI/AAAAAAAACdU/S7FKA5WLoF4/s400/A_la_deriva_by_Miriam240.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;Comece a imaginar-se como sendo você um membro da armada marinha colombiana, prestes a embarcar de volta ao seu país, depois de passar os últimos oito meses na região de Mobile, Estados Unidos, esperando que o conserto do destróier de guerra em que você e todos os seus companheiros estavam fosse realizado. Ansioso pelo retorno, você não vê a hora de estar novamente junto a sua família, vivendo sua vida, dentro da mais pura normalidade. Todavia, no retorno você se depara com uma situação inesperada de perigo, o mar está muito revolto, este investe constantemente contra o navio que, sem suportar as más condições do oceano, acidenta-se emborcando um de seus lados para dentro das águas, fato que faz com que oito dos tripulantes sejam atirados ao mar, munidos de nenhum artifício de salva-guarda. Dos oito, apenas um consegue alcançar uma pequena balsa reserva. Este, em melhores condições, ainda tenta resgatar alguns de seus companheiros de viagem, mas sem êxito devido ao mar tormentoso. Aos poucos, você vai perdendo contato com o destróier que, recuperado do meio-tombo, consegue se restabelecer e seguir sua rota natural, o porto de Cartagena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os minutos vão passando e você agora olha para todas as direções possíveis e não enxerga mais nada além de um mundéu aquático, repleto de seres misteriosos e imprevisíveis. Você está sozinho e tem apenas um par de remos, a roupa do corpo, um relógio de pulso e mais alguns poucos objetos quase sem nenhuma serventia. Insistentemente você olha para os ponteiros do relógio, confiante de que a qualquer momento algum avião de ajuda ou mesmo um barco de apoio chegará para te apanhar. Você pensa que tudo está sob controle e agradece por toda a sorte. Mas as horas vão sendo vencidas pelo tempo, você sente fome, sede e frio, e nada, absolutamente nada do resgate aparecer. A noite cai e você é um marinheiro à deriva, sozinho sobre as ondas, boiando em seu incerto destino. Experiente e com a teoria do mar fresca na memória, você tenta não se desesperar. Porém, você começa a atravessar dias e noites na mais plena solidão, luta contra as necessidades do corpo, contra tubarões que lhe envolvem a balsa em horas pontuais, contra a fadiga da alma, começa a ter alucinações, sofre desmedidamente com a proximidade da morte, resguarda-se já quase inconsciente de tudo que o rodeia, enquanto as águas verdazuis do mar insistem em te levar para algum lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No décimo dia, com a pele espocada pelo sol, debilitadíssimo, você abre os olhos e vê ao longe o formato da costa. É terra, você exclama! De súbito, você retira forças extras de não sei onde e salta ao mar para o nado triunfal. Incansável, desejando a vida, você vence o oceano e chega à praia, onde desmorona quase morto. Você está em Mulatos, pequena aldeia colombiana. Alguns moradores acodem em seu resgate. Aos poucos você vai melhorando e é descoberto pelas forças nacionais. Você é o único sobrevivente do acidente acontecido com o destróier &lt;em&gt;A.R.C. Caldas&lt;/em&gt;. Você é Luís Alexandre Velasco e a partir de agora é o mais novo herói da Colômbia. Você conta a história ao mundo do jeito que o governo mandou que você contasse, o mundo a reconta de variadas formas, você ganha rios de dinheiro, você é “proclamado herói da pátria, beijado pelas rainhas de beleza, enriquecido pela publicidade...” Você é Luís Alexandre Velasco, o mesmo que depois de todo o alvoroço resolve ir à redação do jornal &lt;em&gt;El Espectador&lt;/em&gt; para contar a verdadeira face dos acontecimentos sucedidos em 28 de fevereiro de 1955. Um jovem repórter iniciante, de plantão, de nome Gabriel José Garcia Márquez, a partir dali iria te ouvir em vinte sessões de seis horas ininterruptas. A revelação da verdade causaria um frisson em todo o país. O segmento político fora atingido, Velasco passaria de herói a vilão em poucas horas, seria “logo abandonado pelo governo e esquecido para sempre”, enquanto que Gabo, apelido do repórter, entraria num exílio sem previsão de fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história é verídica e foi contada nas folhas do periódico &lt;em&gt;El Espectador&lt;/em&gt; em 14 capítulos, ao estilo folhetim. Na ficha catalográfica, &lt;em&gt;Relato de um náufrago&lt;/em&gt; é classificado como sendo uma biografia. A bem da verdade é que Gabo constrói uma bela grande-reportagem – não seria melhor tachá-lo de um romance-reportagem? -, aos moldes dos grandes expoentes do movimento &lt;em&gt;New Journalism&lt;/em&gt; norte-americano. Com tradução &lt;span style="color:#000000;"&gt;de Remy Gorga, Filho e com ilustrações de Carybé, o livro é um bom início para quem quer investir sua leitura na obra mágica do Nobel colombiano, autor do mais que clássico &lt;em&gt;Cem Anos de Solidão&lt;/em&gt;. E então, quer saber o que realmente aconteceu em alto-mar? Comece a ler agora mesmo...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;color:#ff6600;"&gt;MÁRQUEZ, Gabriel Garcia. &lt;strong&gt;Relato de um náufrago&lt;/strong&gt;. 34ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2008.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6780907448588102704-3766030022297487248?l=clubedecarteado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clubedecarteado.blogspot.com/feeds/3766030022297487248/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6780907448588102704&amp;postID=3766030022297487248&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6780907448588102704/posts/default/3766030022297487248'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6780907448588102704/posts/default/3766030022297487248'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clubedecarteado.blogspot.com/2009/06/relato-de-um-naufrago.html' title='relato de um náufrago'/><author><name>Germano Xavier</name><email>germanoxavier@hotmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06440160411594090814'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/SkkNVhBPrRI/AAAAAAAACdU/S7FKA5WLoF4/s72-c/A_la_deriva_by_Miriam240.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6780907448588102704.post-5337213420507340337</id><published>2009-06-29T21:47:00.000-03:00</published><updated>2009-06-29T21:48:39.884-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='* Sobre o peso...'/><title type='text'>sentinela</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/Sklgeq8kymI/AAAAAAAACdc/4KYZ4yHf3e4/s1600-h/rain_bathing_by_Maagdalenka.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5352915712147245666" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 286px; CURSOR: hand; HEIGHT: 213px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/Sklgeq8kymI/AAAAAAAACdc/4KYZ4yHf3e4/s400/rain_bathing_by_Maagdalenka.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;senti nela que sou o que nele senti:&lt;br /&gt;chama presa na vela&lt;br /&gt;fumaça de bagana&lt;br /&gt;bagaço de bagatela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;elo de novelo&lt;br /&gt;desenredo de novela&lt;br /&gt;imensidão que levo à tela&lt;br /&gt;solidão que velo sem ti: nela...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;Por Luís Osete, sobre o peso da existência...&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6780907448588102704-5337213420507340337?l=clubedecarteado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clubedecarteado.blogspot.com/feeds/5337213420507340337/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6780907448588102704&amp;postID=5337213420507340337&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6780907448588102704/posts/default/5337213420507340337'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6780907448588102704/posts/default/5337213420507340337'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clubedecarteado.blogspot.com/2009/06/sentinela.html' title='sentinela'/><author><name>Germano Xavier</name><email>germanoxavier@hotmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06440160411594090814'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/Sklgeq8kymI/AAAAAAAACdc/4KYZ4yHf3e4/s72-c/rain_bathing_by_Maagdalenka.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6780907448588102704.post-7764780786301259127</id><published>2009-06-27T13:47:00.002-03:00</published><updated>2009-06-29T11:47:40.019-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='* Poesia...'/><title type='text'>uma história do Caribe</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/SkZIsYut3YI/AAAAAAAACdM/DudRcokbZgs/s1600-h/Memory_by_Lestrovoy.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5352045134566251906" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 297px; CURSOR: hand; HEIGHT: 204px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/SkZIsYut3YI/AAAAAAAACdM/DudRcokbZgs/s400/Memory_by_Lestrovoy.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;em&gt;Conformações de Luís Alexandre Velasco&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;o destino, meu amigo, é um pirata.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;um marinheiro contrabandista&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;manobrando os pesos que se excedem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;leva amarrado a amargura,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;implica-nos grandes gafes. parece até&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;que toda verdade tem de antes ser mentira.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;nós somos a mercadoria do tráfico, &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;a mais improvável, a mais insegura,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;carga solta na coberta do destróier,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;os imaginados náufragos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;assim me batizaram, Velasco. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;mas de que me adianta um nome&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;se meu destino é estar à mercê,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;precipitado, em alto-mar, à deriva?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6780907448588102704-7764780786301259127?l=clubedecarteado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clubedecarteado.blogspot.com/feeds/7764780786301259127/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6780907448588102704&amp;postID=7764780786301259127&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6780907448588102704/posts/default/7764780786301259127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6780907448588102704/posts/default/7764780786301259127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clubedecarteado.blogspot.com/2009/06/uma-historia-do-caribe.html' title='uma história do Caribe'/><author><name>Germano Xavier</name><email>germanoxavier@hotmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06440160411594090814'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/SkZIsYut3YI/AAAAAAAACdM/DudRcokbZgs/s72-c/Memory_by_Lestrovoy.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6780907448588102704.post-8550597096720262396</id><published>2009-06-25T14:14:00.000-03:00</published><updated>2009-06-25T14:15:15.558-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='* Poesia...'/><title type='text'>casa retomada</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/SkNldWAO5BI/AAAAAAAACdE/qQe78Vx9oHY/s1600-h/Uma_casa_assim__by_Pathy.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5351232337043448850" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 274px; CURSOR: hand; HEIGHT: 196px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/SkNldWAO5BI/AAAAAAAACdE/qQe78Vx9oHY/s400/Uma_casa_assim__by_Pathy.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;os pirilampos adormecidos&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;acendem suas luas,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;insetinhos cochicham entre si &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;- o que dizem as Esperanças, tão verdes, &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;pousadas &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;no armário da cozinha?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;os talheres se orquestram, prontificados.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;grilos na moita serram os punhos,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;a água se cristalina, cristaliza-se, água fina,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;puramente &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;diamantina.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;- por que é que eu, semitonto,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;ainda bebo deste ar?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;lar, doce lar, prado e campo,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;onde dormem todos? eu cheguei, &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;eu cheguei, avisem a todos!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;e que me zombem os fantasmas &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;nas horas insones,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;que me abracem as sombras&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;quando eu atravessar o corredor,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;que me venham todos, seres e não-seres&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;da minha eterna casa,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;e que me recebam &lt;span style="color:#000000;"&gt;com a tradicional festa&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;dos reconquistadores imperiais&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6780907448588102704-8550597096720262396?l=clubedecarteado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clubedecarteado.blogspot.com/feeds/8550597096720262396/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6780907448588102704&amp;postID=8550597096720262396&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6780907448588102704/posts/default/8550597096720262396'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6780907448588102704/posts/default/8550597096720262396'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clubedecarteado.blogspot.com/2009/06/casa-retomada.html' title='casa retomada'/><author><name>Germano Xavier</name><email>germanoxavier@hotmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06440160411594090814'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/SkNldWAO5BI/AAAAAAAACdE/qQe78Vx9oHY/s72-c/Uma_casa_assim__by_Pathy.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6780907448588102704.post-4086389471929258615</id><published>2009-06-22T16:36:00.000-03:00</published><updated>2009-06-22T16:40:55.289-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='* Prosa...'/><title type='text'>os girassóis suicidas de Van Gogh</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/Sj_eAkCT1AI/AAAAAAAACc0/lb3hwYGeHMg/s1600-h/Here_omes_the_Sun_by_If_I_Knew.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5350238983594169346" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 220px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/Sj_eAkCT1AI/AAAAAAAACc0/lb3hwYGeHMg/s400/Here_omes_the_Sun_by_If_I_Knew.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;em&gt;à Eveline Alvarez&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;não nasceu ontem nem gostava de açúcar, tampouco de estandartes que não germinam nada. mas só veio descobrir-se insatisfeita após o desastre lhe tomar a serenidade trotante. usava roupa branca em noite de família enterrando ovelha-negra escondida do tempo dos outros homens. ovelhas-negras manchavam reputações e tradições de famílias ordinárias e ela sempre soube disso. era uma mulher grande de cabelos grandes de palavras grandes de noites grandes demais para seu coração que só cabia o necessário. uma mulher que conseguia fazer da espera a única fonte de vida antes do almoço já para lá das tantas horas da hora noturna. esquecia-se que tinha contas e aulas e que era apenas uma. dizia melhor preparar minhas aulas de fumaça e de trono, que hoje eu quero. colocou o cigarro na boca e refletiu que quase sempre usar da necessidade é ter medo, é usar da última centelha que restou depois do desabafo causador das desavenças, que tudo isso sempre iria parecer um golpe de minerva, um derradeiro soco. a noite anterior não tinha sido das melhores, nem o mês inteiro tinha sido, talvez o ano, quem sabe a vida, inteira feita de soluços e resignações, produzida em alto e bom som de não atrever-se a nada, nada mais que o necessário. uma mulher tão grande tão grande que não sabia do seu tamanho, perdida no viaduto que a vida nos inunda, imunda, este imundo mundo de mudos. ontem perdeu o táxi e a hora do relógio e o relógio também na esquina já na principal rua do bairro. voltou com os pés e com as pernas que possuía, mas voltou de uma maneira que nunca antes. e viu, instantes depois, que sem o necessário ela poderia ser mais feliz, quem sabe alcançaria aquela liberdade tão falada nos programas vespertinos e diários de televisão que quase não via. quiçá a liberdade que a vontade que vem de dentro tanto quer e sonha e sente e senta e chora e clama e ama. num acesso movido ao álcool amargo que armazenamos no coração, fadada a si própria, não titubeou em rasgar a blusa de algodão com um só puxão em movimento diagonal de cima para baixo. ensimesmada, imaginou na coisa de se atracar em nós mesmos e viu que só nós mesmos para arrebentar os grilhões em ferros fundidos, fodidos. os botões rosáceos saindo de suas casas, saltando fora das amarras, tilintando um espectroso som ao tocarem o piso asfaltado. o som da necessidade desfeita, desmerecida. o som e a cor que havia de uma mulher agora com um sutiã também branco exposto ao vento frio da já chegada madrugada e uma luz lunar revelando, quase em negativo, o corpo esguio e forte, dado ao ar como que de graça, recompensando-o pelo novo despertar pensamental. não era a mesma mulher que voltava para casa. era uma mulher outra. desejou não pensar em mais nada e não temer mais nada, mas ela estava pensando e estava pensando em tudo temendo tudo e todos que, por um acaso ou por uma coisa mesma de destinação, por ali passassem naquele instante só seu ou quase ou ainda-não de loucura ou de realidade extrema e a interrompesse com olhos incriminadores de achar melhor qualquer atitude próxima a uma internação para estouvados, ou que lhe atribuísse nomes degradantes para mulheres típicas das horas marginais. e olhou-se novamente, atonitamente, segura de que não iria parar por ali, que haveria de não se suportar. não vontadeou rédeas e continuou a assassinar suas mais íntimas expressões básicas de moral. jogou-se ao chão e aos gritos e movimentos alucinados e alígeros, arremessou meias rosa e sapatos de salto alto na direção das ventanas da casa do vizinho nunca solicitado. descalçada, sem calçadas o uso, no rastro do latejo dos pulsos, desabotoou com força e raiva e ira e cólera e sem subornar a idéia que lhe veio de chofre e tirou a branca calça que lhe sufocava a pele que lhe tapavam os poros tão abocanhados pela escravidão. e agora a mulher exibia um conjunto de roupas íntimas profundamente simples, sem adornos maiores, somente enrustido com as tramas necessárias. uma necessidade tão medíocre, sem móbiles ou parangolés, capenga em carestia, incrementada pelo vazio tão submerso num nada símbolo e reflexo de uma clandestinidade bruta. um algodão tão ralo, que os bicos dos seios pareciam mergulhados numa nata fina apenas estruturante. os pêlos pubianos negros sob a transparência do necessário tecido. o fajuto esconderijo aberto ao bombardeio das esquinas. não, eu não posso parar. preciso acabar com o meu necessário sofrimento, com minha necessidade de ser o que sempre fui. sua ação se transfigurou. descabelada, mulher desgraçadamente acabada, num gesto só arrancou de si o que ainda lhe havia de roupa. desesperada em si, tombada no escuro da noite volátil, correu contra o tempo, contra as falcatruas da idade, contra os sibilinos percalços antes pensados imortais, contra a sua própria dor requerida de se esconder para, contra os arqueamentos dos ombros imaturados, contra a lança dos sorrisos desditosos, contra a violência das algemas da vida que nunca viveu, correu contra a sua própria respiração, a mulher nova, ofegando, arfando, bufando, morrendo ali, nua, simplesmente nua de suas necessidades, pura, num gesto inicial de quem destila o fel com o solvente amarelo dos girassóis pintados com as próprias mãos...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6780907448588102704-4086389471929258615?l=clubedecarteado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clubedecarteado.blogspot.com/feeds/4086389471929258615/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6780907448588102704&amp;postID=4086389471929258615&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6780907448588102704/posts/default/4086389471929258615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6780907448588102704/posts/default/4086389471929258615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clubedecarteado.blogspot.com/2009/02/os-girassois-suicidas-de-van-gogh.html' title='os girassóis suicidas de Van Gogh'/><author><name>Germano Xavier</name><email>germanoxavier@hotmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06440160411594090814'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/Sj_eAkCT1AI/AAAAAAAACc0/lb3hwYGeHMg/s72-c/Here_omes_the_Sun_by_If_I_Knew.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6780907448588102704.post-1899274556290104930</id><published>2009-06-21T13:36:00.000-03:00</published><updated>2009-06-21T13:38:01.006-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='* Prosa...'/><title type='text'>aquela coisa antiga de se gostar da dor</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/Sj5hmek4E3I/AAAAAAAACcs/E4Kr_xuNvVE/s1600-h/359d71b1bdcad8f4c86408b75f061c2b.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 310px; DISPLAY: block; HEIGHT: 217px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5349820721033384818" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/Sj5hmek4E3I/AAAAAAAACcs/E4Kr_xuNvVE/s400/359d71b1bdcad8f4c86408b75f061c2b.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;em&gt;para Zélia Palmeira&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;em&gt;"... o que a gente imagina que poderia ser talvez uma continuação às vezes não passa de um novo capítulo..."&lt;br /&gt;(Caio Fernando Abreu, in Morangos Mofados)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;Sabe-se lá o quê realmente me faz sair de casa, lua dormindo, dia nascido em pedaço pequeno, e ir à casa dos livros, casa cósmica, ler realmente o que quero finalmente dizer. O que faz não sei, homem sei, sou, assim, quase diria, dirá quase homem já, indo e crescendo e indo e indo e aquela coisa de caminho, sabe?, aquela coisa que se precisa, dizer que se está, indo e indo vamos e vamos, indo?, homem eu que quero finalmente dizer que se o meu nascimento fosse hoje, segunda-feira gorda, espatirfar-me-ia no sofá porque ninguém merece nascer numa segunda-feira gorda. Gorda de olhos preguiçosos, de olhos invejosos maldormidos carcomidos humanos cheios de dores. Gordura ruim, autonegação. Aquele mistério de tanto absurdar-se com o que a gente imagina que poderia ser apenas, e sempre não é, sabe, aquilo de meter a cara na parede, de dar contra tudo, de dar tudo, puta e meretriz e alcouceira. Dia de patrão mandar a gente para o lugar mais puto, puta merda!, vontade de largar a mão pedra soco inglês golpe gingar capoeira alô alô meu berimbau. Dia de nascimento e de realmente e de finalmente dizer que segunda-feira gorda é quando todos os personagens são máscaras, e bailam bailes salão bonito e a gala toda e a gala toda. Dia de desfilar imóveis móveis em rodas sobrepostos e aqueles sapatos chiques e eu que não. Eu que não, sou, sei lá não sou, e dá?, vai ver que dá, vai ver que sou e não sei, ou não. Sumarissimamente, setor de operações ritualísticas é o domingo: dia de imaginar os ornatos do servilismo semanal, seminal. E o domingo não? Depois que resolveram embelezar a escrava para a companhia litúrgica dominical, costume é nome de gente. Campos do sagrado que absorvem fracos. E quem não receia um quadrângulo de quiromancia? Meu sapato está com quatro furos, dois de cada lado, e ele deixa parecer que meu pé é pé pequeno, de criança o pé, mas eu já calço 42 ou 43. Meu pé é largo, caminho largo. Uma vez me veio uma moça azul e amarela me dizer que eu carrego o mundo nas costas e por isso aquele este esse meu andar farposo. Eu digo deve ser o meu medo do quadrângulo do quiromante. Sabe aquela coisa de caminho, de se ir, de si em si e para, sabe?, aquela coisa de que se precisa, dizer que se está, indo e indo vamos e vamos, vamos?, indo?, coisa de se ler, leitura de olho pregado na palma da mão, das mãos quando não serve só uma e o corpo está fechado, satanás existe mesmo e ele é deve parece pode ser a parede, o carro que nos atropela. E quando a gente não sai do entroncamento, coisa de segunda-feira gorda, dia de já odiar a rotina e o cotidiano de toda ela, a semana. Eu que não, sabe, modelo meu modo de falar, eu mesmo, os outros são eu sei, eu me guio, furto-me a interpretações vazias acerca do que não me é e do que não vivo. Dizem por aí que o nome disso é poesia, eu não sei. Só sei de uma coisa: que todo mundo, mas é todo mundo mesmo!, sem exceção, caminha. Aquela coisa de caminho, sabe?, destino sina missão vida inteira dedicação e preço pago. E quem é ateísta como eu não tem regalia, sofre do mesmo. Não tem diferença não, meu irmão, todo mundo vai. A Judie foi também. Até ela. Aí, conta aí, faz a conta, põe a Judie mais a Dora mais a Felice mais a Aloise mais o Castor mais o Felipe mais o Roger mais a Cris mais a Ângela, põe, meu amigo!, que não termina aqui!, aquela coisa de se ir, para onde e aonde der, desatino. E vai todo mundo, vai. Aquele vai desdizendo verdades, o outro comprando rosquinhas com aroma artificial de baunilha, aquele sem pai vai, ela sem mãe sem mão sem pão vai também, vão felizes, vão tristes, aleatoriamente vão esporadicamente, instantaneamente, fracassadamente não deixam de ir, eles e elas sem saber vão e vão ao vão de si, cobertos e com frio vão, chupando mamando trepando comendo vomitando cagando vão sem dó com dor sem cor nus mentindo fingindo fugindo lendo lentos irão sempre ouvindo sentindo sendo e não sendo ganhando e perdendo vamos vivendo sem vida con-sen-ti-da ida vida? vamos e os anos passando terminando, e começou?, quando termina?, quando começa essa coisa de se ir?, e continuam indo, continuamos contínuos, o meritíssimo todo “todo” vai, o fedentino vai, todos juntos na roda gigante, no carrossel, nesta gangorra que é essa coisa de caminho, sabe?, essa coisa de se ir sem fim, sem sim e não, coisa que meu pai não ensinou muito menos a escola nem o livro que li semana passada porque o escritor vai também e leva junto o doutor o gari o psicanalista a manicure o professor o varejista o informal o traficante e o policial tudo e todos presos nesta prisão sem grades tão gradeada tão gradativa tão degradante sem antes nem depois e sem permitir o mínimo de ser de sermos quem?, se?, vamos indo e só, só vamos, sós. Mas eu quero finalmente dizer que quero mesmo é deixar tudo isso de lado e seguir aquela coisa de caminho, sabe?, aquela coisa de se ir, levando andando sem rumo ou com, nadando velejando singrando os mares que me foram dados, ir à deriva ou não, mas ir, deixar tudo de lado, esquecer não lembrar que tudo pode dar errado ou não ou nem mesmo chegar a acontecer porque tem aquela coisa da pedra no meio do caminho que atravanca tudo, atravanca aquela velha coisa do caminho, sabe?, aquela coisa agônica de se ir indo rindo dos outros às vezes, mas ir, no deboche, na algazarra, soltando fogos de artifício por pensar que é mais e melhor, sabe?, coisa diária e fácil, traques peidos-de-véia por pensar que não vai acabar no mesmo buraco do mendigo, igualzinho, sem ouro sem rubi sem ouro, bombão e espadas e pensar que tudo pode ser diferente se a gente apostar que pode ser e não nos deixar cair naquela coisa de tentação, sabe?, coisa antiga essa, de se estatelar e bater de novo a cara contra o muro cara já batida amassada surrada e fazer daquela coisa ainda mais antiga de caminhos o mote da dor da melancolia da fraqueza da apatia. Mas o certo é que o que quero finalmente dizer é que tudo o que eu queria mesmo dizer hoje ontem amanhã um dia já foi dito por quem vive viveu viverá?, porque polifonia e dialogismo é coisa velha, mãe palavra, língua que não é só de lamber. Mas de novo, deixa-me dizer, deixa!, que eu só queria finalmente dizer que essa segunda-feira gorda, que passa de já três dias, e que é gorda porque é feita com o tempero da derrota diária, vitória não?, é a cama que uso para deitar minha prosa barata e sem futuro sem norte nem sul, sem caminho... aquela coisa antiga, sabe?, aquela coisa de insistir a vida inteira, sem desistir daquela coisa antiga de destino sina lida autoflagelação...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6780907448588102704-1899274556290104930?l=clubedecarteado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clubedecarteado.blogspot.com/feeds/1899274556290104930/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6780907448588102704&amp;postID=1899274556290104930&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6780907448588102704/posts/default/1899274556290104930'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6780907448588102704/posts/default/1899274556290104930'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clubedecarteado.blogspot.com/2009/01/aquela-coisa-antiga-de-se-gostar-da-dor.html' title='aquela coisa antiga de se gostar da dor'/><author><name>Germano Xavier</name><email>germanoxavier@hotmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06440160411594090814'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/Sj5hmek4E3I/AAAAAAAACcs/E4Kr_xuNvVE/s72-c/359d71b1bdcad8f4c86408b75f061c2b.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6780907448588102704.post-3644662706612170475</id><published>2009-06-20T11:51:00.000-03:00</published><updated>2009-06-20T11:54:07.399-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='* Sobre o peso...'/><title type='text'>vertigem de flores</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ocSnX9ipqA0/Sjz3yhFzFtI/AAAAAAAACck/0kCYP4bU_Vc/s1600-h/Menos_um_dia_by_Enailuj.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5349422904657516242" style="DISPLAY: block; 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