tag:blogger.com,1999:blog-61954832009-07-05T01:08:10.211+01:00ImperialiumPor isso sacam-me imperiais, é um remédio.<br>
Estou mais leve no momento.<br>
Moro no rés-do-chão da cafetaria<br>
E ver passar a Rita faz-me sede...Vargtidhttp://www.blogger.com/profile/00025515339887540052noreply@blogger.comBlogger285125tag:blogger.com,1999:blog-6195483.post-7117781335622460352009-06-21T23:41:00.001+01:002009-06-21T23:42:48.709+01:00Pescada Sombria grelhada com nozesBem vindos à primeira edição de Cozinhados do Outro mundo. Eu sou a vossa anfitriã e possível futura tirana: Lapsus.<br /><div style="text-align: justify;">Nesta primeira edição irei ensinar-vos a preparar umas belas e saborosas pescadas sombrias grelhadas com nozes. Que é um belo prato para servir no meio do verão, pois o atributo de sombra das pescadas é refrescante.<br />A primeira coisa que temos de arranjar é: as pescadas sombrias. Não são difíceis de encontrar e até podemos pedir a um feiticeiro negro para transformar pescadas normais em pescadas sombrias. Eu prefiro pescadas sombrias frescas, apesar de também poder usar postas de pescada sombria, mas não é a mesma coisa.<br />Portanto vamos trabalhar com pescadas sombrias frescas. O que temos de fazer é cortar a cabeça pois não vamos usar e não é muito bonita. Depois temos de retirar a tripa, há quem não tire a tripa mas eu prefiro pois é muito mais prático para comer. Ora bem para isto podemos usar uma faca de prata que não haverá problema, mas se quiser realmente não ter muito trabalho a cortar deverá arranjar uma faca sagrada que dê dano extra a sombra, assim cortará a pescada como manteiga.<br />Falando em manteiga, agora pegamos na pescada sombria e barramos com uma camada fina de manteiga. Em seguida iremos cozer umas batatas, depois de estarem cozidas podemos passar à próxima parte.<br /><br />*Uma cozedura depois.*<br /><br />Chegou a altura da nozes. As melhores nozes para este prato são nozes da ravina vermelha. Também podemos usar nozes normais, mas estas têm um sabor mais intenso, apesar de serem claramente mais complicada de arranjar pois apenas nascem na ravina vermelha, que é território orc. Pois bem, nem todos nós temos boas relações com as criaturas de verde e o outro único sitio onde se podem arranjar é em Lazindur apesar de ai terem o preço elevado. Ora bem primeiro trituraremos algumas das nozes e vamos encher a barriga das pescadas com elas. Depois, cortamos as batatas ao meio e metemos uma noz inteira no centro, juntamos as duas e temos as nossas batatas prontas. Se tiverem um clérigo especialista em herbalismo à mão sempre podem usa-lo para fundir a batata com a noz lá dentro. Neste caso como não invadi nenhuma cidade recentemente com essa qualidade de clérigos, não vou poder proceder dessa maneira, mas se tiverem um em casa experimentem e verão que o sabor será muito mais natural.<br /><br />Agora é a altura de grelhar as nossas meninas. Agora que já foram cortadas e recheadas, vamos barrar com uma camada fina de manteiga. Polvilhar com um pouco de sal e estão prontas.<br />Para grelhar estas senhoras temos duas opções um simples grelhador ou uma grelha no carvão. Eu prefiro carvão, fica com um sabor bem mais interessante e portanto vou meter estas duas pescadas numa grelha em carvão já aquecido. Não se esqueçam de as virar também.<br /><br />Enquanto as pescadas sombrias estão grelhar vou atender a um pedido pessoal e preparar um jarro fresco de vingança com limão.<br />Refrigerantes de essências são sempre complicados de arranjar, se tentarmos retirar a essência do sangue, normalmente fica impura pois antes da remoção da essência, medo e desespero tocam ligeiramente na mente da pessoa e contamina a extracção. Claro que também serve, mas não é o mesmo sabor como o de uma essência pura.<br />Portanto vamos mudar de abordagem. A Lua de Arana é um artefacto que absorve a essência da pessoa que tiver em contacto e de todas as essências que absorveu, a mais intensa e abundante será a que a jóia escolherá para a habitar. Através de uma trágica coincidência do destino consegui adquirir uma perfeita Lua de Arana cheia de vingança. O que precisamos de ter cuidado é a discernir se estamos realmente na presença de uma Lua de Arana cheia de vingança. Normalmente as pessoas não reparam nisto quando fazem estes refrigerantes e confundem um cristal de ódio que é puro vermelho e brilhante com o cristal de vingança que é vermelho sim, mas tem esta bela dança de amarelo dentro de si. Então lembrem-se, se o cristal for vermelho e com vagos traços de amarelo a percorrerem-no horizontalmente, então encontraram o jackpot.<br />Portanto, isto é simples. Pegamos num jarro e colocamos o cristal no fundo, lembro que para manusear uma Lua de Arana saturada é recomendado o uso de luvas para não contamina-la . Rodeamos-lo com gelo e em seguida enchemos com água. Quando a água absorver a essência da pedra irá assumir a sua cor e será ai que poderemos meter o toque final, que é nada mais, nada menos que, limão. Há quem prefira meter só sumo de limão mas eu não me contento com isso e prefiro colocar umas poucas rodelas, três ou quatro são suficientes. E pronto, vingança com limão servida fria, a melhor maneira de servir vingança.<br /><br />Assim que as pescadas terminarem de grelhar teremos uma bela refeição de pescadas sombrias.<br /><br />Esperamos que tenha desfrutado desta sessão de culinária. Depois do intervalo voltaremos para apreciar o prato e para fazer uma entrevista a um convidado especial.<br />De mim e da equipa o resto de um bom dia e bons cozinhados.</div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6195483-711778133562246035?l=imperialium.blogspot.com'/></div>Vargtidhttp://www.blogger.com/profile/00025515339887540052noreply@blogger.com3tag:blogger.com,1999:blog-6195483.post-84226400270434758762009-06-20T04:03:00.016+01:002009-06-23T00:02:51.310+01:00A trilogia das aventuras dos Todomés<!-- This post brought to you by: (Word® Document ® Recovery®)® --><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;"><br />Havia uma vez, num reino chamado Bolachinhas, longínquo em distância e tempo, três heróis que viviam numa estalagem de madeira a cair aos bocados. Para grande infelicidade desses três guerreiros, o chefe dessa estalagem todos os dias servia tomate assado com tomate para o jantar.<br />- O que temos para o jantar? - perguntou o guerreiro número Um.<br />- O mesmo que temos todas as noites... - respondeu o guerreiro Alfa.<br />- Tomate. - sorriu o guerreiro A.<br />- Raios. - Respondeu Um.<br /><br />A vida era pacata naquele reino.<br /><br />- Oh Um! - disse A assim do nada - Já fazias era umas panquecazitas para nós. Estou farto de comer a treta do tomate todos os dias.<br />- Eu é que me devia queixar! Sabes bem que se tivesses acabado a treta do post a tempo, agora andávamos a comer que nem uns lordes. - respondeu Um.<br />- Não se peguem. Ninguém tem culpa, - interveio Alfa enquanto A e Um entreolhavam-se grunhindo. Fez um compasso de espera enquanto observava a expressão de cada um deles e depois prosseguiu - excepto o A. O Um tem razão.<br />- Não te metas, senão faço aparecer aqui um Urso para lhe arrancar a cabeça. - ameaçou A levantando-se da mesa.<br />- Pessoal, ainda vamos ser expulsos daqui novamente e vocês têm de reescrever isto tudo.<br />- Está calado Alfa. - disse Um levantando-se também da mesa. - Para escreveres Ursos a fazer-me mal já estás pronto não é? Preguiçoso!<br />- Queres levar isto lá para fora? Queres?<br />- Oh não, que mal fiz eu às Cáries? - murmurou Alfa - Bem, se precisarem de mim estou a saquear o castelo, a matar o Rei e a violar a Princesa...... Novamente. Vejam se desta vez me dão tempo para tudo! Aliás, desta vez grito eu Todomé.<br /><br />Todos concordaram e Alfa saiu da estalagem. Um e A seguiram-no após uns momentos, empurrando-se um ao outro repetidamente até à saída. Vários habitantes de Bolachinhas apinharam-se em redor da estalagem na esperança de ver um bom espectáculo de machado contra mosquete, mas, para sua grande surpresa, quando lá chegaram viram A estender uma folha a Um.<br /><br />- Toma lá, não gastes isso tudo. - entregou A.<br />- Hey, eu tenho menos! - queixou-se Um.<br />- Que lata, sou eu sempre a dar o papel! Além do mais da última vez eu fiquei com uma folha quadriculada!<br />- Ok, ok vamos lá despachar isto. Vais sofrer seu cretino!............. Tens uma caneta que me emprestes?<br />- Grr... Outra vez? - disse A estendendo a mão. - Toma.<br />- Agradecido. Estás pronto?<br />- Força.<br /><br /><br />Um e A começaram a escrever maniacamente nos seus pedaços de folha. O céu tornou-se negro e relâmpagos começaram-se a ver ao longe nas montanhas. Perante o assombro dos Bolachinenses espectadores, Um transformou-se numa sardinha e do lado contrário ao da estalagem apareceu um exército de pinguins esfomeados que marchavam na direcção dele.<br />De entre as nuvens negras apareceram centenas de succubus que, em voo picado, começaram a açoitar os pinguins com chicotes de cabedal, obrigando-os a parar para recuperar. Em seguida, um herói a cavalo com um turbante negro na cabeça dirigia-se de adaga em punho pronto a desferir golpes para eliminar os restantes pinguins, no entanto, assim que chegou perto daquele aparato todo, desceu do cavalo e começou a tirar maçãs de um saco que trazia às costas. Além do mais, o seu punhal era larilas e tinha uma imagem da hello kitty.<br /><br />- Hey, tinha nada! - protestou Um.<br />- Hahah, cala-te e escreve mas é.<br /><br />Enquanto o cavaleiro do turbante usava o punhal para descascar as maçãs, os aldeões do reino de Bolachinhas começaram a tornar-se todos cinzentos e verdes e mal cheirosos e lentamente começaram a dirigir-se para A gemendo «Braaaaaaains.........». A começou a ficar lentamente rodeado e a entrar em pânico, mas vindos do chão e fazendo barulhos como «pop» e «flop» e «plim» começaram a aparecer couves e maçarocas de milho que choviam fogo e manteiga quente para cima dos zombies que se dirigiam para A, que recuperou a calma. O restante dos habitantes de Bolachinhas, que consistia agora em alguns membros podres dilacerados pelo chão, foi devorado por trepadeiras que emergiram do chão de entre as couves e voltavam a mergulhar novamente como golfinhos a um ritmo alucinante. Cada cadáver que cada trepadeira comia dava mais energia a cada um dos lobos, que, a ritmo acelerado, apareceram do meio da floresta e desenhavam no chão um rasto de saliva que apontava para o sítio onde A estava.<br /><br />- Sempre os malditos lobos... - disse A subconscientemente enquanto escrevia.<br />- Safa-te lá dessa, quero ver... - respondeu Um.<br /><br />Uma nave espacial em forma de disco desceu do céu a uma velocidade espantosa e aterrou sobre os lobos deixando-os atordoados. De lá de dentro saiu um extraterrestre vermelho com um DVD na mão e, usando-o como arma, começou a esquartejar as gargantas dos lobos sem dó nem piedade. Os lobos estavam todos a cair por terra quando, de repente, aparece um agente da PJ que intercepta o extraterrestre e lhe pede a licença de porte daquela arma de destruição maciça. O extraterrestre vendo-se encalacrado, tira uma sardinha voadora das suas costas e voa para longe. O agente da PJ em seguida ajusta o seu farto bigode com os seus dedos gordos e dirige-se a A para o algemar.<br /><br />- Bolas, tu és bom... - disse A.<br />- Ainda não viste tu nada!<br />- Imagino que esteja na hora do golpe de despero...<br />- Sim, já cá faltavam os meteoros - disse Um metendo um balde na cabeça - manda-os vir.<br /><br />O chão começou a tremer e o céu ficou vermelho da cor do fogo. Milhares de enormes cometas e meteoros irromperam do céu e começaram a correr furiosamente em direcção ao solo. Quando os primeiros encontraram o chão, apareceu por trás de A, sem que este visse, uma imponente figura negra com um capuz que lhe cobria algo que nunca ninguém vira. Um pequeno toque da sua gélida foice foi mais que suficiente para fazer A cair morto no meio do chão, hirto como a pedra da sua lápide que surgiu imediatamente.<br /><br />- YEAH! - gritou Um feliz - Ganhei de novo! Obrigado por me vires ajudar, Morte.<br />- Sempre às ordens. Quero dizer, não... Foi a última vez enquanto não me pagares. Ainda estou em greve.<br />- Ah, sim... Sobre isso....<br /><br />Um rabiscou qualquer coisa no seu papel, fazendo o Morte desaparecer.<br /><br />- Chato. - olhou em volta observando a impressionante chuva de fogo e consultou o relógio - Pois é, pois é, cá estamos....... Porra, o Alfa está demorado desta vez... Bem, vou-me divertir enquanto...<br /><br />Montando o cavalo de Midsat, que ainda estava a brincar com a sua adaga da hello kitty, Um lançou-se para o meio da floresta em chamas, tentando desviar-se ao máximo das rochas ardentes que caíam dos céus. Eventualmente foi apanhado por uma da qual não se conseguiu desviar e, sem tentar sequer fugir, morreu ali incinerado.<br /><br /><br /><br />Algumas horas depois, no topo da mais alta torre do castelo, Alfa levantou-se da cama e olhou os campos e florestas do castelo, negros da cor do carvão. Do céu choviam os últimos rochedos e havia fumo e cinzas por todo o lado. «Que putos estes gajos...» - pensou - «Será que grito?»<br /><br /><br />- TODOMÉ!!!!!!!! - gritou ele do varandim com toda a força que os seus pulmões lhe permitiram.<br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br />- Então, que querem jantar desta vez? - perguntou Um.<br />- Quem ganhou afinal? - perguntou Alfa.<br />- Foi ele, para variar. - respondeu Um apontando para A - Que se come?<br />- Eu voto nas panquecas. - disse A - Comida de vencedores!<br /><br /><br /><br /><br /><br /><br />Havia uma vez, num reino chamado Bolachinhas, longínquo em distância e tempo, três heróis que viviam numa estalagem de madeira a cair aos bocados. Para grande infelicidade desses três guerreiros, o chefe dessa estalagem todos os dias servia panquecas para o jantar.<br />- O que temos para o jantar? - perguntou o guerreiro número Um.<br />- O mesmo que temos todas as noites... - respondeu o guerreiro Alfa.<br />- Panquecas... - sorriu o guerreiro A - com tomate.<br />- Raios. - Respondeu Um.<br /><br />A vida era pacata naquele reino.</p><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6195483-8422640027043475876?l=imperialium.blogspot.com'/></div>Neokhttp://www.blogger.com/profile/15747781264073984689noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-6195483.post-32359710834912109982009-05-27T05:27:00.001+01:002009-06-23T00:02:30.806+01:00Pandemónio<span style="font-size:80%;">Os capítulos <strike>menos maus</strike> desta treta estão <a href="http://imperialium.blogspot.com/2006/03/visita-ao-pandemnio-captulos-1-e-2.html">aqui</a> e <a href="http://imperialium.blogspot.com/2006/04/visita-ao-pandemnio-captulos-3-e-4.html">aqui</a>.</span><br /><br /><br /><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;"></p><div style="text-align: center;">Capítulo 5<br /><span style="font-size:130%;">Uma Supernova Incandescente Renasce</span><br /></div><br /><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;"><br />Era Inverno ou Outono. Uma paisagem pintada a preto e branco escondia-se atrás de um sinal a um refrigerante qualquer sem interesse. Eu estava em cima da ponte que o suportava. Não me lembro se olhei para baixo, porque sei que não se encontrava lá nada. Foi de lá que caí e fui sugado pelo túnel para debaixo da ponte.<br /><br />- Jovem, é a sua vez. – disse-me o homem da bata branca, pedalando.<br />- O quê? Onde estou?<br />- Em frente à farmácia. Estão à espera para o atender. – acrescentou antes de desaparecer.<br /><br />Entrei recordando-me do sítio onde as portas estavam, pois não conseguia ver a entrada. A figura no espelho ainda lá estava, agora uns anos mais velha, desconfiada como sempre.<br /><br />- Noventa e oito... – chamou o homem do balcão.<br /><br />Procurando nos meus bolsos, encontrei uma senha precisamente com o número 98.<br /><br />- Boa noite, – disse eu – não me lembro de ter estado aqui, podia ajudar-me?<br />- Precisa de algo para a memória, portanto.<br />- Aparentemente.<br />- Ok, é tomar isto de 12 em 12 horas e isso dentro de um mês está resolvido. – disse ele, estendendo-me um frasco que fazia um barulho invulgar.<br />- Está bem. Não, espere, não está bem. Se estou com problemas de memória, como espera que me consiga lembrar de tomar isso?<br />- Nessa altura eles já estarão a fazer efeito.<br />- Ah, faz sentido... – disse eu sem achar sentido.<br />- São 60 escudos. – respondeu ele.<br />- Escudos? 60? Está bem. Espere, não está bem. Não tenho carteira. O que aconteceu à minha carteira?<br /><br /><br />Nisto, pelas portas da farmácia entra uma rapariga jovem, pálida como a neve, e senta-se em cima do balcão, entre mim e o homem que me atendia, olhando-nos fixamente. O seu reflexo havia desaparecido do espelho que nos mirava de longe todo este tempo. A sua presença era fantasmagórica e existia algo nela que me perturbava e me fazia ter vontade de matar o homem ao balcão. Pelo espelho podia também ver o vidro da farmácia, que estava atrás de mim. Lá, um animal estranho com corpo humano encontrava-se agarrado, suspenso com a cabeça para baixo. Uma enorme língua saía negra da sua boca que espumava gotículas de saliva viscosa, evaporando-se no momento que tocavam no chão.<br /><br /><br />- A sua carteira foi roubada, lamento. - respondeu-me ele, ignorando que algo de estranho se passava ali.<br />- Ok, quero-a de volta.<br />- Não a tenho. Não fui eu que a roubei.<br />- Quem foi?<br />- Anne.<br />- Sério? Isso faz algum sentido, ainda que nenhum.<br />- Bem, vou indo. Até logo.<br /><br />A jovem em cima do balcão acenou-me e eu saí. Quando olhei para o vidro, do lado de fora, não estava lá ninguém.<br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br />Continuei a andar à deriva.<br /><br /><br />A música de discoteca que ressoava pelas paredes daquele centro comercial tinha cessado para dar lugar ao som de água a cair em cascata. Perdido, chegava agora ao que parecia o centro de todo aquele edifício: uma ampla sala oval aonde iam dar diversos corredores vindos cada um de cada canto. A rapariga que eu vira na farmácia vinha a seguir-me por uns minutos e quando eu parei ela finalmente me interceptou.<br /><br />- Como são? - perguntou-me ela.<br />- São verdes, porque as--<br />- Não é isso. Como são as tuas memórias?<br /><br />Era uma pergunta parva. Fiquei a olhar para ela sem saber o que responder. Dei comigo a pensar no que se passara na farmácia e apercebi-me que não me lembrara como de lá saí, somente me conseguia recordar da incoerência e, de certa forma, impossibilidade do diálogo com o farmacêutico. Lembrei-me ainda da mulher ruiva que me atravessara transparente e, também isso, me parecia agora impossível. Lembrei-me de<br /><br />- Então, como são? – interrompeu-me.<br />- São... implausíveis. No mínimo.<br />- Então a tua vida é implausível. – disse ela após uns momentos – No mínimo.<br />- Que queres dizer? Poderei não existir?<br />- Nada disso. Simplesmente, a única coisa que tens da tua vida até ao último segundo em que viveres são as memórias de tudo por que passaste. No segundo seguinte não terás memórias, logo não terás nada. Tudo o que construíste se perderá. Sem memórias não há passado e o passado é tudo o que existe. Sem memórias não se vive.<br />- Então e pessoas com amnésia? – perguntei eu – Se alguém viver a segunda metade da sua vida com amnésia, significa que não viveu a primeira metade de todo?<br />- Precisamente.<br />- Então e todos os momentos que viveu? Todas as vezes que sentiu e se emocionou?<br />- Se não fazem parte da sua memória, não fazem parte do seu passado. Como o passado é tudo o que existe, nada daquilo existiu.<br />- Como podes dizer que o passado é tudo o que existe? O amanhã ainda não aconteceu. O amanhã ainda não é.<br />- Aconteceu sim, – disse ela confiante – somente não te lembras dele.<br /><br />Fitei a cascata em silêncio. Escondido por baixo da água que jorrava estava um relógio sem ponteiros que marcava 2:30. Ela parecia entretida por me ter posto a pensar.<br /><br />- Quem és? – perguntei.<br />- Quem “sou”?<br />- Sim, quem és?<br />- Eu?<br />- Sim...<br />- Eu sou..... tu. – disse, visivelmente divertida – Ou não te lembras?<br /><br />E nesse momento desapareceu. O relógio marcava agora 5:20.<br /><br /></p><br /><br /><br /><div style="text-align: center;">Capítulo 6<br /><span style="font-size:130%;">A Sonâmbula Anã Negra Cambaleia pelo Espaço Sideral<br /></span></div><br /><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;"><br />Continuei a andar e fui dar a um sítio onde ainda não tinha estado. Lá encontrei uma porta enorme guardada por um segurança. Ele tinha óculos escuros e um sombrero mexicano. Comunicava com alguém através de um headset que o fazia parecer uma mistura de agente secreto com Speedy Gonzales. Possuía um bigode fino e retorcido e uma barbicha em forma de V, como o célebre bigode francês.<br /><br />- O Hitler? Nunca imaginaria... Escuto. – dizia ele para alguém do outro lado.<br />- Desculpe...<br />- Sim, o bigode dele era claramente pintado com lápis de cera. Escuto.<br />- Podia dar-me só uma<br />- Não, as minas são essenciais, o plano não funcionaria sem elas. Escuto.<br />- É só porque me roubaram a carteira e<br />- Tenho aqui o intruso. Já combinamos o resto. Escuto e fim.<br />- Eu não sou nenhum intruso, só precisava de ajuda para localizar a pessoa que me roubou a carteira. E epá, “escuto e fim” é um bocado idiota.<br />- Como esperas que diga “over and out”? Over é escuto e out é fim! Achas que davas melhor segurança agente secreto tradutor de inglês maquiavélico conspirador contra o planeta e sósia em part-time do Chuck Norris que eu, é? Escuto.<br />- Depende, que estás a guardar?<br />- Oh meu amigo, por trás desta porta está a decorrer uma operação de elevado secretismo que possui objectivos modestos, é um facto, mas importantíssimos para o nosso país!! Escuto.<br />- Alguém que saiba fazer as bolachas húngaras em condições?<br />- Conquistar o mundo!!............. Escuto.<br />- Ah.<br />- Deveras. Escuto.<br />- Como está a pensar conseguir isso?<br />- É top secret. Escuto.<br />- Tem a ver com minas?<br />- Já disse, é top secret…… Mas sim, tem. Escuto.<br />- Daquelas explosivas ou das que se metem nas lapiseiras?<br />- Que pergunta idiota… das que se metem nas lapiseiras, óbvio. Esta sala está cheia delas. Escuto.<br />- Não acredito.<br />- Não? Então anda daí ver. Escuto e fim temporário.<br /><br />Entrámos na sala que ele guardava, depois de ele ter rodado a chave, introduzido um código e baixado ligeiramente os óculos para reconhecimento ocular. Em seguida arrotou alto, fez o 4, atirou o sombrero para o chão e fez a dança mexicana à volta dele enquanto trauteava a música da Raspa. Ajeitou o nó da gravata que lhe estrangulava o pescoço e só depois se ouviu uma feminina voz computadorizada vinda do tecto a dizer, de forma sexy,<br /><br />- Rreconhecimento aceite, willkommen Herr Strüdlefickenbructer.<br />- Danke schön. Escuto.<br />- Não havia dinheiro para o Microsoft Sam?<br />- Cá está a sede de operações da Minen, uma organização ultra secreta que opera neste estabelecimento comercial, que visa conquistar o mundo. Escuto.<br /><br />A sala estava, de facto, cheia até cima de caixinhas de minas. Pilhas e pilhas delas elevavam-se fragilmente até à altura de talvez três andares. Conquistar o mundo apenas usando minas seria algo engraçado e até bonito de se ver. Escravatura global seria bem mais fácil de suportar se fosse mantida por minas, porque ao menos ríamo-nos de vez em quando.<br /><br />- Querem, portanto, conquistar o mundo.<br />- Correcto. Escuto.<br />- Com minas.<br />- Com minen. Escuto.<br />- Espero que tenham uma metralhadora de minas bem potente então.<br />- Não, meu amigo. O plano é rapinar todas as minas das fábricas da Rotring e da Staedtler. Quando o mundo ficar à rasca por não conseguir escrever, sem ficar com as mãos sujas de tinta de caneta, a Mutter Deutschland venderá as minas para todo o mundo em troca de petróleo. Quando as pessoas ficarem cansadas, cheias de sede e com bolhas nos pés por andarem só a pé, nós faremos papel de bonzinhos e iremos à Noruega comprar bacalhau para distribuir pelo mundo, porque espalharemos o boato que o bacalhau faz bem às verrugas. O que as pessoas não sabem é que o bacalhau só servirá para lhes dar ainda mais sede e fazer com que fiquem com espinhas presas na garganta.<br />- Hmm.. Há um<br />- Quando as pessoas precisarem de alicates para retirar as espinhas, nós vender-lhes-emos o petróleo que lhes comprámos pelas minas para elas irem ao supermercado comprar água e alicates, porque nessa altura já estarão com os pés tão desfeitos que não conseguirão andar. Com o dinheiro do petróleo compraremos toda a água doce potável do mundo e seremos imperadores porque não deixaremos ninguém que não trabalhe para nós bebê-la. Nunca suspeitaste que sempre que compras minas, diz na caixa “Made in Mutter Deutschland que ein Tag vai conquistar das Wörlde”? Escuto. Todas as marcas de minas do mundo são alemãs! Escuto.<br />- Está bem, mas eu agora vou avisar os governos internacionais para não comerem bacalhau por causa da nova Gripe Bacalhuína e o vosso plano cai por água abaixo. Toma.<br />- Schnell, prende-o já seu Dummkopf. – ordenou a voz computadorizada.<br />- Sim, mein Führer. Ich vai prendê-lo. Escuto.<br />- Führer? Quer dizer que... Não pode. Não! – disse eu incrédulo.<br />- Ja! Das ist gut! Ich Bin das Hitler und ich will konquer der Worlde eine plus timen!!<br />- És o Hitler e tens uma voz feminina?<br />- Jawoll. A idiota da Anne prrogrramou mal o banco de voz quando instalou o DVD da minha perrsonalidade e agorra fiquei com voz de gaja.<br />- A Anne? Impossível. Por falar na Anne, onde anda ela? Ela tem a minha carteira...<br />- Foi à loja de informática comprar um fax, preciso de enviar um cartão de aniversário aos meus avós. Escuto.<br />- Ok, vou indo então. Boa sorte.<br />- Dummkopf!!!! Não o deixes escapaarrrrrrrrr!!!!!1!!!einz!1!<br />- Sim, Führer. Escuto.<br />- E párra-me com a trreta do escuto, já não há quem te aguente.<br />- Com certeza, Führer. Escu... teiros.<br /><br />Comecei a correr para dali fugir. Ao correr desajeitadamente em meu enlace, o sombrero do segurança embarrou ligeiramente numa pilha de minas menos bem colocada. O último som que saiu da sua boca foi o grito ensurdecedor de quando um milhão de agulhas de carvão o trespassou de uma ponta a outra numa apoteose de sangue:<br /><br />- Escuto.... E fiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiim...<br />- Arrgh. Lá se foi o meu futurro prrimeirro-ministrro das Carraíbas e Novo México... Scheisse.</p><br /><br /><br /><span style="font-weight: bold;">NZL</span><br /><br /><span style="font-size:38%;">PS: Prometo que o de warcrap vai estar melhor.</span><span style="font-size:8%;"><br />PPS: Folgo em imaginar que, onde quer que ele esteja, o Flahur ainda leia o Imperialium e eu não ande para aqui a escrever só para o Varg.</span><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6195483-3235971083491210998?l=imperialium.blogspot.com'/></div>Neokhttp://www.blogger.com/profile/15747781264073984689noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-6195483.post-24271097757614865302008-11-24T20:43:00.000Z2008-11-24T20:44:16.521ZOlhos dos Espíritos- A Unga conseguiu! – Gritou Yarhan extasiado fazendo várias das suas cabeças de gado olharem para ele assustadas. – É a feira!<br />- Feira? Qual feira?<br />- A feira de Greadot! Nunca ouviste falar dela? – Inquiriu Yarhan perplexo<br />- O nome não me é estranho, mas não estou mesmo a ver o que possa ser. – Respondeu Skor esfregando o queixo, não tirando os olhos da coluna de fumo.<br />- É a feira de mercado dos pele-verde! Não acredito que não conheças. Corre todo o seu território sendo possivelmente o maior posto de comércio na terra! – Agarrou-se ao cajado e parou um pouco para não perder a respiração. – Eles raramente saem do território, mas a Unga conseguiu traze-los!<br /><br />Não tardou a formar-se um sorriso na face de Skor, mas não pelo aparecimento da feira, mas pelo trabalho que Unga estava a desenvolver pelo seu povo. Ela via a felicidade na cara de Yarhan e mesmo sem entender as razões, tudo parecia estar a desenrolar-se para o melhor.<br /><br />Yarhan levou o seu gado de volta para a aldeia, tão excitado com o que se aproximava quase se esqueceu que Skor existia, mas esta segui-o de perto sempre com um sorriso na cara, contagiada pelo entusiasmo do jovem. Na aldeia acabaram por se despedir e seguiram por caminhos distintos. A aldeia estava em alvoroço pois também tinham recebido observado a feira a deslocar-se, havia homens e mulheres a carregar várias mercadorias, outros ocupavam-se por desimpedir a praça de qualquer tipo de entulho, havia vários a montar bancas e no centro de tudo Unga gritava ordens enquanto ia ajudando um pouco em todo o lado. Skor sentiu-se perdida por instantes, nunca tinha visto tanto reboliço naquela aldeia nem os trolls tão agitados. Ficou de olhos esbugalhados a ver a correria de gente e a confusão que já estava instalada, ainda a caravana não estava bem visível. <br />Alguém a agarrou pelo braço e arrastou-a do meio da rua esbarrando contra algumas pessoas. Só quando pararam é que ela notou que era Jorin quem a puxara, o que mais uma vez a deixou perplexa, não era a primeira vez que acontecia, mas de cada vez que aquela troll dava exactamente com o local dela e era capaz de a conduzir para um exacto local um arrepio percorria Skor. <br />- Onde estiveste? – Perguntou Jorin um pouco irada.<br />- Com o Yarhan. – Explicou não conseguindo dizer mais nada, pois Jorin acabou por interrompe-la outra vez.<br />- E deixaste-me sozinha? Eu queria ter ido contigo!<br />- Mas tu não gostas quando eu vou com ele. – Disse Skor pausadamente, estranhando a sua reacção. – Tu sempre me disseste que as cabras te faziam confusão.<br /><br />Não conseguindo discutir aquele argumentou Jorin corou e cruzou os braços amuada, o que fez com que Skor sorrisse para ela e a abraça-se. A inquietação de Jorin cessou e rendeu-se ao abraço.<br /><br />- Tens estado tão estúpida nestes últimos dias. Senti saudades da minha irmã!<br /><br />Skor não se dignou a dizer uma única palavra pois nunca se sentia com vontade de estragar estes momentos quando surgiam.<br /><br />Desde que Skor tinha voltado à aldeia, o pai de Jorin, Taril, tinha-a hospedado em sua casa. A inicio apenas porque ele tinha os conhecimentos necessários para tratar das feridas que Skor tinha sofrido, mas ficou obvio que Skor não tinha mais sitio nenhum onde ir e que aquela aldeia era a única casa que alguma vez tinha conhecido, portanto cedeu-lhe o humilde quartinho que tinha para hospedes. Não aceitando como estadia permanente a principio, Skor insistiu em pagar com trabalho prometendo ajudar em qualquer coisa que fosse preciso, o que fez Taril, sem pensar duas vezes, pô-la como ajudante da sua filha. Jorin é uma troll em tenra idade, muito perspicaz e muito carinhosa, a sua característica mais distinta são os olhos brancos e vazios, pois nascera cega. Ela possuía uma grande afecção por Skor, no que ao início parecia apenas culpa, foi se mostrando algo mais puro e sincero, como um amor entre família, incapaz de se compreender mas forte e incontestável. As duas partilharam de uma grande cumplicidade, enquanto Skor ajudava Jorin a mover-se, Jorin por seu lado ensinava-lhe todas as pequenas artes dos mais humildes trabalhos.<br />Durante o curto reinado de Urnia, Jorin assim como outras poucas selectas trolls tinham sido escolhidas para serem acólitas, ou como Urnia as chamava: “as correntes de uma nova magia”. Cega, inocente e ignorante ao que se passava em sua volta, Jorin sentiu-se privilegiada ao ser escolhida e acatava as ordens de Urnia como se fossem chamamentos divinos. No entanto nos últimos dias de Urnia, uma inquietação tinha apossado o seu espírito e os seus olhos começavam a ver algo que não entendia pois nunca tinha visto: cores. Primeiro difusas e nubladas, ainda escondidas por traz da escuridão que ela via, lentamente com o passar dos dias, começaram a ganhar força e ela reparou que todas essas cores envolviam as criaturas, com diferentes cores dependendo da pessoa. No dia em que Urnia morreu, Jorin teve a visão mais esplendorosa e a mais aterradora que alguma vez viu. Quando lhe chegou aos ouvidos que algo se passava de errado e os sons de batalha invadiram a aldeia, ela pode observar uma luz a envolver uma figura esguia mas imponente, a luz brilhava num azul claro e puro como uma chama acabando em labaredas vermelhas, essa luz consumia tudo em sua volta e todas as outras auras que se aproximavam acabavam consumidas. Nesse instante, Urnia chamou-lhe a atenção e ordenou-lhe que afiasse um punhal, o que ela acatou rapidamente, mas sempre com o desejo de vislumbrar outra vez a chama azul que se aproximava. <br />Entregou a faca a Urnia e esperou de olhos fechados. Temia o que iria acontecer mas não queria duvidar de Urnia. Foi sobressaltada ao sentir um calor imenso a apossar-se do seu corpo antes que pudesse reagir viu-se dentro da mesma chama azul que à pouco vislumbrava, as labaredas dessa luz envolviam-na e fluíam pelo seu corpo como suaves e ternas carícias. Ao virar a cara para observar outra vez a fonte da luz, estacou-se em assombro, pois não via uma figura sem forma a libertar essa aura, mas todo o detalhe que os seus olhos nunca viram. O que foi uma fracção de segundos, para ela tornou-se uma eternidade. Uma criatura, de pele alva com traços suaves e infantis, longos cabelos loiros, ondulados e manchados por terra e sangue, não só dela. A sua cara estava marcada por vários e recentes cortes vermelhos, ainda tingidos por sangue fresco enquanto que os seus olhos brilhavam ardentemente na mesma cor da chama que as envolvia. Empunhava uma espada que trespassava um corpo. Os fios de sangue escorriam pela lâmina acabando por escorrer para o chão e esse sangue era de Urnia, isso era algo que ela já não conseguia ver, mas tinha a certeza. Assim que a vida de Urnia findou, uma pequena luz rosa trémula e fraca como se tivesse resistido a anos de opressão, surgiu em frente da guerreira que ainda se encontrava no mesmo sítio. Antes de essa luz voltar à sua força natural, algo negro ergueu-se, não uma luz ou uma aura como Jorin tinha visto até agora, era outra coisa. Algo com forma mas ao mesmo tempo disforme, algo com cor mas sem luz. E olhava para a guerreira, a sua negridão que sugava toda luz debatia-se com a chama da guerreira tentando, com extrema violência, consumi-la, mas falhava. Enfraquecido e furioso o ser lançou um enorme grito que para alem de ferir os ouvidos trespassou a alma de Jorin, enquanto fugiu pelo ar. Com esse grito, Jorin perdeu forças caindo no chão, não conseguindo manter as suas pernas a sustê-la, lentamente as cores foram outra vez fugindo do seu mundo, tendo como único consolo uma chama azul se recusava em murchar.<br />Foi nesse fatídico dia que os laços entre essas duas criaturas tinham-se formado e que com o passar do tempo apenas se tornavam mais fortes.<br /><br />Normalmente Skor ajudaria a pequena troll logo de manhã na busca de ervas para o seu pai. Não que fosse algo que Jorin conseguiria fazer devido à sua cegueira mas agradava-lhe os passeios longos e o maior contacto com a natureza. Mais tarde elas tratariam da lida da casa e ajudariam Taril na criação de mais alguns unguentos e remédios. Desta vez o dia não se mostrava muito normal, desde ser a altura em que Skor se voltou a abrir ao mundo até à caravana que se avizinhava. <br />As duas voltaram para casa onde comeram um caldo que Skor preparou rapidamente, visto que Taril não se encontrava presente, ás ordens de Unga, Jorin obrigou Skor a vestir a sua armadura e equipar a sua espada, foi motivo de uma pequena discussão mas Jorin foi resoluta e Skor acabou por ceder.<br />Ela não tocava nela à uma eternidade. Mas ainda ela encontrava-se no mesmo sítio guardada numa bainha e com uma película de pó em cima. Ficou a olhar em silêncio para o cabo, os lobos cravados nele pareciam uivar por o seu toque, para que ela a empunhasse outra vez. Receosa mas calma, Skor levou a mão ao cabo e puxou-a lentamente para fora da bainha, sentindo um calafrio a percorrer-lhe o corpo. Ainda estava tão afiada e limpa desde o dia em que pegou nela pela primeira vez e reluzia com a luz fraca que entrava pela janela. As memórias que lhe passavam pela cabeça não a deixavam, por mais que a desculpassem e por mais que ela dissesse a si mesma que tinha encontrado paz com a situação, ainda algo lhe afligia o seu mais intimo ser.<br />Skor bateu com a bainha contra a parede para sacudir o pó e colocou-a no seu ombro, em seguida embainhou a espada tentando cortar os pensamentos da sua mente e sem dizer mais nada abandonou o quarto, deu o braço a Jorin e ambas saíram para a rua.<br /><br />Com a aproximação da caravana os trolls aglomeravam-se à entrada da aldeia, com algumas poucas excepções. Unga estava rodeada de alguns anciões á entrada de sua casa, que lhe vestiam uma túnica roxa e azulada, elaborada e ornamentada com madeiras como se fossem vários totens. Após a complicada túnica estar vestida o ancião mais reverenciado da aldeia, um velhote de nome Rasi, acompanhou-a até perto de Skor.<br /><br />- Obrigado. – Disse Unga dirigindo a palavra a Jorin. - Ainda bem que já estás pronta, temos de ir!<br />- Mas para que foi isto tudo? – Questionou Skor ainda não muito à vontade com a situação.<br />- É uma simples cortesia Skor. – Explicou-me Rasin. – Uma, digamos, introdução formal, em que a líder irá apresentar-se aos convidados, tu vais estar lá, e assim trajada porque os Pele-Verde têm um enorme respeito por a tua pessoa e deixara-os satisfeitos poderem ver-te ou até falar contigo.<br />- Para alem disso, não sei se me sentia com a mesma coragem sem ti ao meu lado. – Terminou Unga com um sorriso, fazendo Skor baixar a cabeça envergonhada.<br />- Então e eu? – Indignou-se Jorin.<br />- Sem ti não conseguíamos tirar esta de casa. – Brincou Unga e todos riram-se sem excepção, apesar do riso de Skor ter sido baixo pois ainda estava um pouco envergonhada.<br /><br />Os trolls abriram caminho para a líder, seguida de perto por Rasi e por Skor que conduzia Jorin por um braço. Todos mostravam grande reverência e apreço à jovem líder. Pelo meio da multidão conseguia-se ouvir uns quantos gritos de apoio a Skor, de facto alguns dos pupilos que Skor treinava estavam entre a multidão e gritavam palavras de apreço à sua capitã. <br />Todos concordariam que Unga estava deslumbrante, apesar da roupa vestida confinar-lhe demasiado os movimentos ela encontrava-se com uma graciosidade tremenda, os cabelos tinham sido eximiamente bem tratados e o seu brilho alaranjado quase se fundia com as cores da roupa. Os seus olhos castanhos cintilavam como o sol do meio-dia enquanto mantinham-se focados no caminho á nossa frente. Lutando para se manter equilibrada com essa roupa aparatosa que não estava habituada a vestir, apoiava-se num bordão ornamentado com o símbolo da aldeia.<br />No fim da multidão estava o início da rua de entrada para aldeia. A caravana ainda estava a uma distância considerável mas já pouco teriam de esperar. Skor conseguia vislumbrar ao longe criaturas estranhas e outras familiares, umas maiores outras menores. Desde lobos gigantes que eram usados como montada, até outros seres de ainda maior porte, cinzentos, de focinhos com fileiras de cornos assustadores que carregavam incontáveis sacos e arcas. Quando mais próximos, Skor finalmente reconheceu aquelas criaturas que tanto tinha ouvido falar denominadas de peles-verdes e só quando estavam prestes a chegar á entrada da aldeia é que ela conseguiu ver todas as diferenças entre eles. Havia dois tipos, uns mais pequenos, não mais altos que uma criança. Esses movimentavam-se rapidamente, em cima daquelas criaturas colossais e cinzentas, com uma agilidade tremenda, como macacos usavam os pés como mãos para se agarrarem em cordas e outros objectos, mas estes tinham garras afiadas em vez de dedos. Tinham narizes e orelhas pontiagudas e vozes estridentes. Os outros eram de uma estatura mais próxima da dos trolls, mas mesmo assim alguns não passavam do tamanho de Skor, os homens eram largos e musculados, enquanto que as mulheres eram mais altas, esguias mas igualmente bem constituídas. Tinham quase todos cabelos compridos, adornados de tranças, pedaços de metal entre outros. Estes caminhavam em volta das criaturas cinza ou montavam os lobos.<br /><br />Com vários gritos a caravana foi parando. Um dos pele-verde que seguia á frente desmontou do seu lobo, esperando por uma das criaturas de menor estatura se juntasse a ele. O menor era uma mulher, ou aparentava ser, tinha traços femininos tanto na cara como no corpo, ostentava uma cabeleira com um tom loiro que parecia tender para o rosa, presa por um gancho no topo da sua cabeça e cheia de caracóis bem definidos como se tivesse preparado cada um pormenorizadamente. O seu vestido descia até aos pés e apresentava-se sem ombros e com um decote bastante avantajado para uma criatura daquela estatura, a sua cara e especialmente orelhas estavam pejadas de pequenos objectos de metal. O maior, apesar de aparentar já ter uma idade avançada, possuía um aspecto ameaçador e imponente. Tinha as costas totalmente direitas com uma pose imponente, tinha o crânio completamente sem cabelo excluindo uma enorme trança grisalha atrás e quase parecia reluzir com os raios do sol. Por baixo de um manto de peles tinha vestida uma armadura leve do que parecia ser cota de malha.<br />Unga, Rasi e Skor mantiveram os olhos nos dois enquanto se aproximavam, ambos os lados apresentavam expressões sérias e insensíveis até se encontrarem frente a frente. A primeira a ceder foi Unga mostrando um sorriso tímido, de seguida a pele-verde menor respondeu com um largo sorriso.<br /><br />- Eu, Eve’leth, representante dos Goblins da feira de Greadot, O Dragão Verde, saúdo-vos. – Disse a criatura com uma voz bastante aguda e mantendo o seu sorriso.<br />- Saúdo-vos Eve’leth, por parte de Kandia e seus habitantes. O meu nome é Unga e sou a líder desta aldeia. – Respondeu Unga fazendo a maior vénia que o seu vestido a deixou fazer. – Este é Rasi, mais sábio ancião de Kandia. E esta é Skor, salvadora e guerreira de Kandia.<br />- Ah... este é-<br />- Eu sou Gork’ran filho de Guern’ran e representante dos Orcs. – Cortou o pele-verde com uma voz soante abafando a sua companheira. - É uma honra estar na vossa aldeia, assim como é uma honra estar na presença da Loba-Guerreira.<br /><br />O orc levou a mão ao peito e fez uma vénia a Skor. Envergonhada, a loba anuiu e retribuiu a vénia.<br /><br />- Mas chega de formalidades! – Guinchou a Goblin dando um pequeno pulo. – Minha cara Unga, recebemos a sua carta e pedido com grande entusiasmo pois nunca tivemos um pedido formal para que o Dragão Verde visitasse outra cultura. E é com muito gosto que aqui estamos para partilhar um pouco do melhor entre Trolls e Peles-verde.<br />- Agradecemos a vossa gentileza, quem sabe as maravilhas que poderemos ensinar uns aos outros. – Discursou Rasi com o seu tom sábio como sempre. – Tínhamos conhecimento da vossa feira ser um dos melhores pontos de comércio em todo o norte, mas que mais puderam trazer?<br />- Temos muito para oferecer caro Rasi. Pela primeira vez, não só oferecemos os nossos materiais assim como oferecemos a nossa cultura e o nosso conhecimento. – Respondeu-lhe rapidamente Eve’leth sempre sorridente. – E esperamos que os Trolls de Kandia retribuam com o mesmo! Agora só precisamos de um local onde assentar acampamento.<br />- Só têm por onde escolher. Para alem das nossas casas e quintas não roubamos mais espaço nenhum à terra. – Prosseguiu Unga.<br />Olhando em volta a goblin ponderou por alguns instantes antes de questionar ao companheiro que ainda não tinha desviado o olhar sério e frio de Skor.<br />- Tu tens melhor visão que eu! Onde achas que devíamos ficar?<br />- Perto do riu. – Respondeu Gork’ran fechando os olhos. Lentamente desviou a cabeça para encontrar o olhar da goblin e prosseguiu. – Voltamos um pouco abaixo no caminho em frente á floresta, onde a relva já não está tão verde mas onde ainda podemos desfrutar do que esta terra nos oferece.<br />Skor já se encontrava perturbada pelo olhar de Gork’ran, mas agora o discurso fizera-a arrepiar-se. Não esperava que o Pele-verde possuísse tanta clareza e serenidade. A sua raça intrigava-a e num esforço tímido para esconder a curiosidade acabou por perguntar:<br />- E precisaram de alguma ajuda?<br />O olhar glaciar do orc derreteu-se pela primeira vez esboçou um sorriso.<br />- A ajuda é sempre bem-vinda, a feira precisa sempre de umas mãos extra e os trabalhadores agradecem se alguém lhes trouxer comida.<br />- Gork! – Ralhou a pequena Pele-Verde. – Não vamos exigir nada a estas boas criaturas!<br />- Não, não. – Atalhou Unga. – Aqueles que quiserem ajudar estão na sua livre vontade. E claro que não vos iremos deixar passar fome!<br />Eve’leth riu-se e acabou por puxar os outros a acompanharem o riso. <br /><br />Assim despediram-se, Gork’ran gritou uma ordem e a caravana começou a rodar para se deslocarem ao local pretendido. Unga anunciou para quem quisesse ajudar estaria livre de o fazer e assim os Trolls também acabaram por se dispersar.<br />Skor sentia-se intimidada por Gork’ran e pela sua raça. Todo o tempo que tinham estado frente a frente ele parecia estuda-la. Havia um grande respeito por parte do Orc, mas também parecia haver uma grande dúvida, no entanto o seu espírito benevolente fez Skor ganhar algum interesse. Jorin sentia a apreensão de Skor, mas preferiu não se pronunciar. Ambas voltaram a casa onde Jorin ajudou-a a despir a armadura e Skor vestiu algo mais leve. Depois, a guerreira deixou Jorin ao cuidado do pai e decidiu ir ao local onde a feira iria ser montada.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6195483-2427109775761486530?l=imperialium.blogspot.com'/></div>Vargtidhttp://www.blogger.com/profile/00025515339887540052noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-6195483.post-43055283813937795562008-11-17T20:45:00.002Z2008-11-21T23:02:44.815ZOlhos dos EspíritosDois anos passaram-se desde que o Jotun foi banido da aldeia dos Trolls. Em honra daqueles que morreram, vítimas das mentiras e das ilusões de Urnia, a aldeia recebeu o nome de Kandia, em honra da xamã e irmã do chefe da tribo que foi morta pela vontade de Urnia. Skor tornou-se uma heroína aclamada pela tribo, apesar do seu aspecto invulgar em relação aos trolls, eles acolheram-na como uma deles. A historia da guerreira de pele branca e cabelos dourados percorreu as terras do norte, acabando nas bocas de todas e as mais estranhas criaturas que o habitavam. Desde os pele-verde no sul que admiravam a sua bravura em combate, aos centauros nas vastas planícies a Este, para alem da montanha da lua que respeitavam a coragem e altruísmo que ela demonstrou a cumprir a sua missão.<br />O tempo foi passando mas a historia nunca desapareceu. Tanto o louvor por Skor como o medo do Jotun. O espectro que se ergueu de Urnia não fora avistado por todos, mas eles sentiram, tanto ódio e mal nunca passariam despercebidos. A aldeia evitava falar daquele sentimento de desespero e o frio que passou pelos seus corpos quando o Jotun esvoaçou pela a aldeia num grito de fúria e desespero. Algo que com o tempo acabou por ficar escondido na memoria de todos, mas iria manter-se sempre lá.<br />Após esses eventos a aldeia retomou a sua rotina. Enterraram-se filhos que outrora tiveram pais, agora eram conhecidos como os filhos de Urnia. Foi um evento triste, mas muitos deram graças aos deuses por ainda estarem vivos e de terem a oportunidade de se redimirem. Esses trabalharam arduamente para o bem-estar e reconstrução de Kandia e para a limpeza dos próprios nomes. <br />O cheiro a terra molhada e lavrada invadia o povoado, nas estações frias. O povo tinha adoptado a agricultura e alguns animais já tinham sido domados, a caça começava a tornava-se secundaria para a alimentação do povo, uma parede começou a ser erguida em torno das habitações e graças ao elevado comercio e assim a aldeia tornava-se cada vez mais um local fixo. <br />Com o passar do tempo a aldeia prosperou mais que qualquer outro aglomerado de trolls na região, varias famílias de outras aldeias foram atraídas pelo esplendor que Kandia começava a tomar e assim a aldeia cresceu, mas o tempo também trouxe os seus malefícios<br />Yorgsh cedeu ao peso da idade e pareceu durante o sono. Apesar de uma morte tranquila e em tempos de paz a lamuria que percorreu o povo foi incessante, era um adorado líder e por muitas bocas afirmado que era ele mantinha a tribo unida. Após este trágico acidente, Unga, sua única descendente viva assumiu o posto de líder e guia da tribo e fez o melhor para que conseguisse seguir as pisadas do seu pai. Rapidamente todos puderam comprovar que era o sangue de Yorgsh que lhe corria nas veias, tendo decisões ponderadas e benevolentes tentando tirar a maior satisfação para toda a gente pelas escolhas que tomava. Também demonstrou que não só saíra a seu pai, como à sua descendência e linhagem, a forte linhagem de magia presente na família Yorgsh e que se julgava extinta com a morte de Kandia, reavivou com todo o seu fulgor em Unga, que cada vez se tornava mais adulta, bela e sábia.<br />Skor por outro lado, não reagiu bem à morte do adorado líder, embrenhou-se na ajuda de Gan na com uma obsessão doentia na esperança de apaziguar a dor da perda. Nesse tempo forjou lâminas de beleza extrema e de qualidade que rivalizava o experiente Gan, mas todas elas possuíam uma aura de uma tristeza imensa. Nenhum troll poderia empunhar uma delas sem ser consumido pela pesada recordação dos acontecimentos que as tinham criado, devido a esse facto Skor apressava-se a guardar cada arma que fazia rapidamente debaixo de mantas para nunca mais olhar para elas. Tinha perdido um amigo, um conselheiro, um aliado, mas mais importante, alguém que se assemelhava a um pai. Na sua vida privada de memórias, o pouco que tinha eram aqueles à sua volta e quando um findava, o seu mundo ruía mais um pouco.<br /><br />Um suave bater à porta quebrou o silêncio que a noite tinha trazido. Era tarde e Jorin temia que estivesse a acordar Skor, mas a sua preocupação e já um certo afecto que nutria pela guerreira faziam-na guardar coragem para enfrenta-la. Depois da morte de Yorgsh, Jorin raramente tinha ouvido a voz de Skor e Unga embrenhada nos seus afazeres não conseguia arranjar tempo para atender à sua amiga. A situação estava tensa e a jovem cega temia por Skor, pois podia não ver o que se passava, mas sentia tudo com uma afinidade imensa e desde que aquele fatídico acontecimento tinha assolado Kandia que ela sentia um negrume em volta de Skor mais negra do que a sua cegueira lhe causava.<br />A troll não teve resposta, portanto voltou a bater à porta. Novamente obtendo nenhuma resposta decidiu entrar sem permissão não seria a teimosia da guerreira que a faria parar. Skor estava sentada na cama olhando para o espelho apenas de calças e com um trapo a apertar-lhe o peito. Os seus cabelos pendiam em frente da sua cara, que tinha coberta por uma fuligem negra, apenas descortinada pelo incessante riu de lágrimas que escorria dos seus olhos. Ignorante da sua condição física, Jorin só conseguia ver uma aura negra e púrpura a formar-se em volta da forma de Skor e isso chegava para a afligir. Caminhou até ao lado de Skor e sentou-se ao seu lado envolvendo-a ternamente com um braço. Skor não negou o contacto mas também não pareceu confortar-se com ele, continuava apenas a fixar o seu reflexo no espelho. Jorin tentou ganhar alento para começar a proferir palavras de conforto mas foi Skor quem começou num tom desprovido de emoções.<br /><br />- O que se passa comigo? – Jorin forçou Skor a encara-la, apesar dos seus olhos estarem cegos precisava de ter a certeza que Skor a ouvia.<br />- Algo que esperava que tu me dizias, mas não pode estar assim. A morte acontece, e é algo que devia ser chorado, sim, mas não devia fazer alguém quedar em desespero.<br />- E o devo eu fazer? Eu já me bravei contra a morte e trouxe morte a muitos, mas não me consigo conformar, aos poucos e poucos sinto tudo a desabar e ninguém irá levantar-me dos escombros.<br />- Não sejas tola! – Asseverou Jorin num tom muito pouco próprio dela. – Toda a aldeia gosta de ti, muitos consideram-te uma heroína e querem seguir os teus passos... muitos outros te amam como família, não digas coisas tão ridículas.<br /> – Mas não são a minha famil-<br /><br />Uma chapada forte cortou as palavras a Skor. Por uma fracção de segundos que pareceu longas horas Jorin continuou com a mão estendida após a estalada enquanto Skor permanecia imóvel, observando o nada e remoendo a dor e o remorso com uma expressão de choque. E outra vez antes que Jorin pudesse proferir alguma palavra Skor apressou-se a pedir-lhe perdão.<br /><br />- Desculpa! Desculpa, eu não queria... vocês são tudo para mim... eu não sei o qu-<br /><br />Jorin quase se desfazia em lágrimas quando desta vez cortou as palavras de Skor com um abraço pesado que lançou ambas contra a cama.<br /> – Porque é que não vieste falar comigo antes? – Questionou Skor perplexa e finalmente confortada nos braços de Jorin.<br />- Porque tu és forte. Tu és a guerreira. Não sou eu, tu devias ter vencido isto! – Choramingou Jorin estreitando-se com força ao pescoço de Skor.<br />- Eu posso ser isso tudo... Mas tu acabaste de me vencer. – Finalizou fechando os olhos e entregando-se ao conforto do momento.<br /><br />O sol raiou com um esplendor novo, pelo menos aos olhos de Skor. A pequena Jorin ainda dormia quando a guerreira afastou-se sorrateiramente do seu, agora débil, abraço. Colocou-lhe uma manta por cima com medo que ela passasse frio e beijou-lhe a face com um carinho fraternal antes se cobrir com um simples vestido e sair do quarto. A aldeia ainda despertava, com poucos trolls fora de suas casas. Pouco a pouco Skor foi percorrendo a aldeia dando os bons dias a todos os aqueles que lhe apareciam pela frente, muitos deles demonstrando uma felicidade tremenda em ver a jovem humana restabelecida. Skor conseguiu esquecer as tristezas e incertezas que lhe atormentaram a mente, até se riu um pouco ao lembrar-se do que tinha passado e o quanto se sentia ridícula. A sua família estava aqui era esta aldeia e não havia como negar, só faltava uma última coisa, para se sentir completa e era voltar a ver Unga. Ao chegar à porta da casa da agora líder de Kandia, mesmo antes de poder bater aporta foi assaltada violentamente por Esperança, que outrora não passava de uma cachorra, agora era uma loba enorme e forte. Quase derrubando Skor com o salto, a loba ao ser amparada pelos braços de Skor começou a lamber-lhe freneticamente a cara extasiada por ter a sua amiga de brincadeiras de volta aquela casa. Esperança tinha sido encontrada por caçadores, abandonada e a mercê dos elementos no meio da floresta ainda com poucas semanas de vida e foi carregada para a aldeia onde Unga decidiu a adoptar imediatamente. Skor ficou fascinada pela pequena loba e assistiu de perto à recuperação e crescimento da criatura, alimentando-a várias vezes quando mais ninguém se conseguia aproximar dela. Talvez fosse por já ter sido uma criatura como ela, mas havia uma ligação entre os dois seres que ninguém podia negar. Apesar de mesmo com essa ligação, a loba não se dignava a largar o lado de Unga o que ainda deixava Skor mais feliz.<br />Não satisfeita com as festas e outros mimos que Skor lhe dava, Esperança saiu do seu abraço e no chão de cauda a abanar começou a ladrar alegremente, como se puxasse a companheira para a brincadeira. Skor limitou-se a dar-lhe uma pequena palmada amigável no focinho e respondeu-lhe como se ela entendesse a linguagem humana.<br /><br />- Agora não amiga, mais tarde vamos correr as duas por esta aldeia fora.<br /><br />A cadela-lobo latiu mais uma vez e resignou-se de volta de onde tinha visto. Já nessa altura a porta da casa estava aberta e Unga olhava para Skor com um sorriso imenso por ver a sua amiga ali presente passado as atribulações que tinham surgido, o olhar cristalino de Skor mirou a troll com um sorriso tímido. Unga tinha crescido, já não tinha o ar infantil de outrora, estava mais madura e isso observava-se nos traços da sua cara. Tinha um olhar mais seguro a face parecia que tinha esticado, os seus cabelos ruivos continuavam com o mesmo esplendor, lisos e fortes deslizavam sobre os ombros envolta dos espinhos que deles saiam e caíam até à cintura. Tinha crescido e estava bem maior que Skor, que via a sua descendência de uma raça bem inferior em estatura em relação aos trolls. Mas o no seu olhar ainda era encontrada a doçura de outrora, aquela simpatia e amabilidade únicas que fez Skor enveredar pelo caminho que a levou a este momento.<br />Unga fechou os olhos e com a voz pejada de um carinho que sempre existiu entre estas duas criaturas comentou:<br /><br />- Se eu não conhecesse a tua história, até estranhava a relação entre ti e essa loba.<br />- Não acredito que a Esperança sinta o cheiro do que eu uma vez fui. – Gracejou Skor.<br />- É bom ver-te outra vez.<br />- Agradece à Jorin. E é bom ver-te também... – respondeu Skor rapidamente, ficando de seguida em silencio como se envergonhada pelo que se tinha passado. – Desculpa, eu fui uma idiota.<br />- Não digas isso. – Respondeu Unga demonstrando uma voz saudosa. – Foi duro para todos nós.<br /><br />Houve outra vez um pequeno silêncio entre as duas, não interrompendo o sorriso que trocavam até que Unga continuou.<br /><br />- Eu tenho andado cheia de trabalho, seguir as passadas do meu pai não é coisa fácil. – Disse rindo-se para tentar desanuviar o tema. – Eu não tinha a noção do que era o seu trabalho.<br />- Ele surpreendeu-nos a todos. – O sorriso continuava estampado nas duas caras, mas o tema começava a pesar um pouco portanto Skor tentou evitar. – Desculpa não ter sido prestável nestes últimos dias, agora queria redimir-me.<br />- Não procures isso Skor, tu sabes que foste entendida, o povo adora-te e não esquece o que aconteceu. Ninguém te julga. Para alem do mais os rapazes estão ansiosos que tu voltes a dar-lhes lições. – Unga ergueu os braços numa ovação exagerada para tentar alegrar o espírito ainda não completamente sarado da sua amiga. – Serem treinados pela grande guerreira loba, a heroína do povo.<br /><br />Skor gargalhou sonoramente e corou. Era verdade que os jovens, especialmente aqueles que ansiavam por uma oportunidade de servir como guardas quase a reverenciavam apesar de tudo o que se tinha passado. Apesar das vidas que ela tinha tirado, ainda era olhada como uma heroína. Era algo que ela não conseguia acreditar.<br /><br />- É bom ouvir-te a rir. Vem, entra e vamos falar mais um bocado. Antes que comecem a acordar as minhas dores de cabeça.<br />- Não Unga. Agradeço, mas terá de ficar para outra altura Negou Skor respeitosamente. – Ainda tenho de dar umas voltas e ajudar alguma coisa em casa.<br />- Eu entendo amiga. – Unga levou o dedo aos lábios olhando para o céu num ara pensativo. – Diz-me só uma coisa, o que pretendes fazer aquelas armas que criaste?<br /> – Não sei... nem lhes dei muita atenção depois de as criar.<br /> – Então se não te importares gostaria de oferece-las como um presente aos pele-verde. – O olhar de Skor estreitou-se tentando entender a razão para tal coisa, mas rapidamente a troll explicou-se. – Eles são um povo bélico e prezam uma arma poderosa e bela acima de tudo, acho que aquelas armas trariam uma grande melhoria nas nossas relações se lhes fossem presenteadas. Sem esquecer que se mencionar por quem foram forjadas ainda mais valor terão.<br /><br />Skor corou outra vez. Julgava que todos lhe davam crédito em demasia pelo que tinha feito. Apesar de a verdade ser que estas criaturas do sul tinham grande apresso pelo espírito guerreiro da “loba de guerra”, como a chamavam.<br /><br />- Skor! É um prazer ver-te a sorrir outra vez. – Gritou Yarhan ao passar por perto, era um jovem pastor que tinha partilhado alguns momentos de calma com a guerreira.<br />- Desculpa-me Unga, mas tenho de ir. – Afirmou Skor enquanto saudava o troll.<br />- Eu sei e eu já ocupei demasiado do teu tempo.<br /><br />As duas amigas despediram-se e separaram-se, voltando Unga para casa e Skor acompanhando o pastor pelo resto do caminho. Estes dois embrenharam-se em conversa enquanto orientavam o rebanho de cabras de Yarhan para os prados de relva a sul de Kandia.<br />Com a aldeia quase fora de vista a visão era magnifica, o céu limpo estendia-se eternamente com o sol dourado a brilhar num esplendor equiparável, os prados verdes sarapintados por flores amarelas e vermelhas onde as varias criaturas encontravam o seu banquete era apenas cortado pelo o rio de agua cristalina que cortava a planície em duas. Poucas árvores eram encontradas nestes prados, mas o suficiente para as duas criaturas encontrarem uma sombra onde descansarem e darem liberdade à conversa. Muitas vezes falavam sobre o que lhes rodeava, sobre as terras que Skor ainda não conhecia ou sobre a aventura que fascinava tanto Yarhan, sobre a Montanha da Lua e as quatro enigmáticas irmãs, tentando ajudar-se um ao outro a compreender um pouco mais do mundo. Em muitas coisas podiam discordar mas numa coisa o consenso era o mesmo, eram momentos bem passados em calma.<br />A manha já estava perto do fim quando foi avistada uma comoção ao fundo do horizonte, não passava de uma coluna de fumo na estrada até que se começou a ouvir o soar de tambores e enquanto Skor observava interrogada tentando discernir o que se aproximava, Yarhan já se encontrava com um brilho nos olhos em antecipação do que avizinhava.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6195483-4305528381393779556?l=imperialium.blogspot.com'/></div>Vargtidhttp://www.blogger.com/profile/00025515339887540052noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-6195483.post-6424276872720111872008-09-15T23:37:00.006+01:002008-09-16T00:15:07.889+01:00Saga da Lua<span style="font-weight:bold;">Uma Troll chamada Unga e uma guerreira chamada Skor.</span><br /><br />/*<br />Ora bem, antes de começarmos quero esclarecer aqui dois pontos:<br />1º Nem imaginam a quantidade de comida de plastico brutalmente assassinada para acabar este post<br />2º Este post foi feito para ser lido com a banda sonora de: Symphony X, Ayreon, Lori Linstruth, ou Kiuas<br /><br />Sem mais demoras... o post:<br />Enojy<br />*/<br /><br />Vi a aldeia a movimentar-se à minha frente. Guardas amontoavam-se na entrada enquanto os ocupantes da aldeia escondiam-se nas suas casas. Com passos convictos eu avancei, a minha cabeça pendeu para a frente e com as duas mãos ergui a minha espada. Os trolls foram afastando-se um pouco conforme eu fazia o meu caminho. Olhei para eles com um sorriso na cara. Eram na maioria mancebos, não me parecia haver trolls acima dos 25 anos no grupo e todos eles estavam aterrorizados, não entendia porquê, o meu porte não era o de um guerreiro poderoso como alguns deles, no entanto continuavam a afastar-se. Foi-se abrindo um corredor entre os guardas por onde eu caminhava, sabia que mais tarde ou mais cedo eles iriam cair em cima de mim por isso não baixei a defesa. Estavam todos hesitantes, temiam-me e mesmo sem reconhecer as razões esse facto punha a minha adrenalina ao rubro. Eu sabia que estava em desvantagem, para alem disso encontrava-me cansada pois não tinha descansado desde que parti da montanha com a Kaly, as minhas mãos doíam-me devido a quando descarreguei a minha fúria numa árvore, no entanto sentia-me superior às dezenas que me rodeavam. Era uma sensação estranha, talvez fosse da adrenalina, mas eu via o seu futuro nas minhas mãos e um fio de sadismo fez-me soltar uma gargalhada. Os jovens guerreiros entreolharam-se assustados. Não os podia julgar pois eu devia estar a dar um ar de louca.<br />Após mais umas passadas o corredor parou de se abrir e começou a fechar-se. Estava completamente cercada de trolls, à distância estava um altar completamente preparado para uma cerimónia e Urnia esperava ao seu lado olhando para mim com ódio cravado na cara. Acho que ela sabia quem eu era, ao contrário de muitos dos outros. Olhei em volta e notei novamente que os que me rodeavam não eram os mais corajosos guerreiros Troll mas somente os mais novos que me faziam frentee não conseguia entender essa atitude. No meio do emaranhado de azul e metal reluzente consegui diferenciar uma cara. Thorg, aquele que se achava o par perfeito para Unga e agora que a vida dela estava ameaçada, nem um dedo movia para a salvar. Fechei os olhos por segundos sendo assolada por uma grande raiva. Cerrei os dentes e deixei escapar um grunhido antes de gritar.<br /><br />- Thorg! – Apontei a espada para ele deixando-o algo surpreso.<br />- Co... Como sabes o meu nome? – Questionou ele assustado, obviamente não me reconhecia como o lobo que à dias ele próprio tinha expulso desta aldeia. Era algo normal.<br />- Cala-te e vem lutar comigo se tens coragem!<br />- O capitão da sacerdotisa Urnia luta com ninguém. – Retorquio um jovem troll, este já agarrava a sua arma mais convictamente.<br />- Para lutares com ele terás de passar por nós primeiro criatura maligna. – Gritou outro que se lançou rapidamente contra mim.<br /><br />E assim começou, o guerreiro atacou-me com uma espada, mas o meu golpe superou o seu e a sua arma voou-lhe das mãos. Enraivecida e cega pelo desejo que me tinha trazido a este lugar apliquei um segundo golpe no troll, fazendo o sangue jorrar. Talvez devesse ter sido mais ponderada e controlada pois ao ver os olhos do jovem troll pejados de medo a olhar para alguma forma indefinida conforme a vida escapava do seu rosto, fui bombardeada por gritos de fúria vindos de todos os lados. Antes de sequer o primeiro troll que me atacou cair já outros dois saltavam para cima de mim, antes de conseguir trespassar o segundo, mais dois se juntavam à luta. A minha mente fechou-se num estado de transe onde apenas o choque do aço e os movimentos do corpo se sentiam. Lutava com um, desviava-me de outros dois enquanto tentava bloquear um quarto, tentando contudo na minha fuga não me lançar contra um aglomerado de armas que me esperavam. Era um emaranhado de golpes, faíscas e gritos, confuso para os olhos, nauseabundo para no nariz e irritante para os ouvidos. A minha mente cansou-se rapidamente e senti o meu corpo a entregar-se à luta fechando todos os sentidos dispensáveis. Senti o frenesim do sangue e aço a tomar conta de mim e dancei a terrível dança da morte, perfeitamente coreografada. Já não precisava de me desviar ou recuar, aqueles que me atacavam caíam com um golpe bem antes de outro me tentar golpear. Caíam mais rápido do que conseguiam chegar perto. <br />Trespassei um troll que percorreu toda a lâmina, fazendo-me sentir o cheiro do seu sangue, vi a sua face sem vida e lutei contra o seu peso a pender sem força própria. Afastei-o com o pé. O corpo caiu no chão com um ruído seco. A batalha tinha cessado, pelo menos por instantes, pois os trolls que estavam vivos encontravam-se apavorados demais para se aproximar. Eu estava coberta de feridas e cortes fazendo a dor latejar no meu corpo, respirava ofegantemente e as minhas pernas tremiam em diversos instantes. O sangue pingava abundantemente da minha lâmina. A sua cor tinha-se banhado de carmim que combinava com a cor dos rubis que adornavam os olhos dos lobos, ainda esfomeados por carne e sangue. Eu mantinha um sorriso leve no rosto quando comecei a avançar lentamente e de espada erguida por entre os corpos. Fechei os meus punhos firmemente em volta da espada, pois na distância consegui ver algo que me fortaleceu a determinação. Era Unga, sendo arrastada por dois trolls em vestimentas estranhas em direcção de Urnia, essa estava ajoelhada em frente a um altar, rezando numa língua desconhecida para mim, preparando-se para a continuação do ritual. Ao seu lado estava uma troll que afiava de forma cerimoniosa uma pequena navalha. Não demorou a ser pintado o quadro na minha cabeça e estremeci ao entende-o.<br />Vendo a minha distracção Thorg procurou um ataque rápido e eficaz que por sorte consegui bloquear. O seu machado embateu na minha arma com uma força tremenda e só por pouco não perdi o equilíbrio. Ele fez outra investida rápida que consegui bloquear outra vez, mas mais debilmente pois juntamente com as feridas no meu corpo, o impacto do seu primeiro ataque deixara os meus braços fragilizados. <br />Em nossa volta ouvia gritos de apoio ao capitão, mas os meus olhos distraíram-se outra vez nas acções de Urnia que já tinha acabado a sua reza e agora estava erguida perante Unga que tinha sido colocada no altar. <br />Thorg investiu outra vez fazendo-me levantar a espada em defesa, mas desta vez prevendo a força do seu golpe deixei a lâmina do seu machado receber pouca resistência e deslizar pela minha espada fazendo-o perder o equilíbrio. Vi a faca a ser entregue a Urnia e erguida no ar. Com uma reacção rápida larguei o cabo da espada com uma das mãos e de punho fechado bati violentamente na face de Thorg, projectando-o para o chão. Comecei a correr em direcção ao altar mas tendo de parar pois inspirados pelo seu capitão os guardas voltaram a fazer-me frente. Na minha raiva e adrenalina derrubei-os rapidamente sofrendo ferimentos que apesar de mais fundos que simples arranhões não me fizeram parar. Ao retomar a corrida, o meu sangue gelou no momento que a navalha começara a descer sobre o peito de Unga. Antes de a minha garganta soltar um grito de terror, vi algo que pareceu uma intervenção dos Deuses. A mão enrugada de Yorgsh parara a sedenta de sangue de Urnia. Agradeci a todos os Deuses que pudessem existir pela presença do ancião naquele momento em que Urnia quedou-se olhando para Yorgsh com cara pejada de ódio, enquanto que ele retribui-a a esse olhar com uma cara serena. Aquela cena pareceu-me um confronto entre titans de forças opostas que eclipsava tudo o resto.<br /><br />- Seu velho insolente, o que pensas que estar a fazer?<br />- Algo que já deveria ter feito à muito tempo Urnia!<br />- Tu estás débil, já não tens forças para te levantar quanto mais liderar!.<br />- E tu Urnia? Nunca esperei que a minha amada mulher fosse fraca o suficiente para cair sob o encanto do Jotun. Distorceste as palavras dos oráculos e criaste a tua própria verdade. Verdade essa que alimentaste às pobres almas jovens que jorraram sangue e a sua vida por ti! Por essa verdade que fabricaste!<br /><br />Ouvi um rugido vindo de trás de mim. Num reflexo rápido, brandi a minha espada velozmente atingindo Thorg que se lançava novamente a mim no peito. Atingido pela surpresa do golpe, Thorg agarrou-se à sua ferida, tossindo sangue antes de cair no chão. Voltei a olhar para Urnia que nesse exacto momento derrubou Yorgsh. O meu tempo era escaco, portanto lancei-me novamente numa corrida desenfreada. Urnia ergueu novamente o punhal com as duas mãos e gritou,<br /><br />- Este será o fim do tormento! O sangue purificará, o sangue alimentará! Eu serei uma Deu…<br /><br />Antes de terminar a frase eu trespassei as suas costas empalando-a na minha espada. Cravei-a bem fundo nas suas costas vendo a extremidade a irromper pelo ventre. Senti uma vontade imensa de gritar de raiva, mas não consegui, a minha expressão manteve-se estática e firme. O sangue escorria abundantemente pelas minhas mãos e o momento parecia prolongar-se infinitamente, assim como o ultimo momento de Urnia.<br />Perdi as forças para segurar a lâmina e deixei-a pender para baixo. O corpo de Urnia deslizou pela lâmina em sentido oposto caindo inanimado no chão envolto em sangue. Segundos depois um grande vulto negro ergueu-se do corpo de Unga, sem expressões ou forma definida e soltou um enorme grito antes de esvoaçar pela aldeia e desaparecer para alem da orla da floresta. Larguei a espada e desloquei-me até ao altar. Perdendo sangue e com a visão turva com um cansaço extremo pequei na Unga e abracei-a fortemente contra mim. Consegui sentir o meu coração a acalmar, toda aquela raiva e fúria a desvanecer, encostei a minha face à de Unga e suspirei.<br /><br />- Já acabou… já acabou.<br /><br />Tudo ficou negro e desmaiei.<br /><br />-------<br /><br />Acordei com as feridas quase todas saradas e as mais graves a serem tratadas por um troll e pela sua filha. Reconheci a filha como a rapariga que tinha afiado o punhal a Urnia. Antes que pudesse ter dito algo num apelo de fúria, a rapariga agarrou na minha mão e pediu mil desculpas. O seu olhar baço estava cravado na minha cara repleto de lágrimas, era cega. Mais tarde o seu pai explicou-me que tinha acontecido o mesmo com a maioria dos jovens da aldeia. Foram contra os pais e rebelaram-se contra as tradições, seguindo cegamente Urnia. Contra todos os avisos formaram a guarda de Urnia que os mais velhos julgavam que mais tarde seria tornado num exército de invasão. O descontentamento em relação a Urnia tinha crescido imensamente na população adulta, mas os jovens olhavam para ela como uma Deusa e um exemplo.<br />Foi-me também explicado que tinha sido profetizado à muito que um grande mal iria assolar a tribo e que só alguém que não seria parte deles conseguiria livrar esse mal. Esse alguém era eu.<br />Mais tarde quando comecei a recuperar das feridas mais severas, troquei a minha roupa com as minha antiga pele por um vestido simples, Jorin, a filha do curandeiro que tinha tratado de mim ajudou-me a percorrer a aldeia, visto que era cega eu estava a ser os seus olhos enquanto ela me ajudava a caminhar. Muitos adultos vieram ter comigo pedir-me desculpas, incluindo aqueles cujos filhos eu tinha morto, senti-me terrível e pedi imensas desculpas a todos apesar de não terem sido aceites. Diziam que o favor que eu tinha prestado nunca poderia ser pago e que os seus filhos tinham feito a escolha deles.<br />Conforme os dias foram passando, consegui aventurar-me fora da cama sem a ajuda de Jorin, mas não dispensei a sua companhia, era uma rapariga tímida e divertida que ansiava descobrir coisas novas, mas a sua condição não a permitia. Portanto ajudava-a a entender as coisas fora da segurança da sua casa que já conhecia como a palma da mão e fazia-a aventurar-se cada vez mais longe.<br />Um dia mais tarde, Taril, pai de Jorin, recebeu a presença de Yorgsh em sua casa. Após vários dias sabendo pouco sobre quem me tinha acolhido quando era apenas uma criatura selvagem, senti-me feliz por Yorgsh me ter procurado. Passamos umas quantas horas a comentar e a debater o sucedido com algumas intervenções surpreendentemente inteligentes de Jorin até que Yorgsh finalmente tocou no assunto. Unga tinha acordado e já estava saudável o suficiente para receber visitas. <br />Yorgsh viu a felicidade na minha face e ambos fomos para sua casa o mais rápido que o ancião podia. No meio da minha alegria não vi o pior problema que poderia surgir e que cravou mim pior do que qualquer lâmina. Unga estava ainda acamada, mas já se sentava, as feridas na cara quase tinham desaparecido e já parecia bem revitalizada, mas ao ver-me Unga mostrou um olhar interrogativo e confuso.<br /><br />- Quem é? – Perguntou ela num tom inocente.<br />- Ela é quem nos salvou Unga, ela foi quem te salvou, o nome dela é Skor.<br />- Skor? – Questionou-se incrédula. – Não! Não pode! Skor é o meu lobinho!<br /><br />Não consegui responder, a minha cara certamente estava marcada de dor, senti as lágrimas a correr pela minha cara e pedindo desculpas abandonei a casa de Yorgsh. Num andar rápido. Voltei para a casa de Taril e desculpando-me como indisposta tranquei-me no quarto. Lá tinha um espelho feito de bronze polido. Levantei-me e olhei-me nele. Tinha lágrimas a percorrer-me os olhos azuis como o céu e a cara de tom pálido ainda marcada de algumas cicatrizes.<br />Cai na cama. Ela não me reconhecia, mas também tinha razões. A mudança que Xana me proporcionara fora boa para atingir os meus objectivos, mas agora, tudo caía.<br />Jorin entrou pelo meu quarto dentro ao ouvir-me chorar, aproximou-se com cuidado para não tropeçar em nada e sentou-se ao meu lado. Falamos pois eu pensei que ajudaria, mas a tristeza nunca me largou. Ela confortou-me, disse-me que as coisas iriam ficar melhores, mas eu simplesmente não acreditei, pedi-lhe que me deixasse sozinha e dormi.<br />Os próximos dias passaram-se lentamente. Yorgsh tinha-me convidado a voltar para a sua casa mas recusei, por razões óbvias. A minha tristeza era evidente, mas não parei de ajudar. Quer fosse a fazer recados para Taril, ou ajudar Gan na forja, pois era algo para que tinha jeito e me acabava por acalmar. Jorin tinha-se mantido comigo a maioria do tempo, mas agora começava a deambular um pouco mais sozinha. O seu sentido de orientação começava a fascinar-me. Ganhei como habito ir para um monte perto da aldeia e deitar-me sob a relva e olhar para a lua, acompanhando o seu ciclo pelo céu.<br />Um dia quando o dia acabara o trabalho, deixei Jorin em casa e desloquei-me para o tal monte. Fechei os olhos e deixei o ar fresco da noite de lua nova embalar-me.<br /><br />- É um bom sítio. – Disse uma voz que eu não esperava ouvir e pensando ser alucinação da minha mente mantive-me em silencio. – Não sei se queres que te faça companhia, especialmente depois da minha atitude.<br /><br />Mantive-me em silêncio e de olhos fechados, se fosse uma alucinação, preferia não quebrar o encanto.<br /><br />- Desculpa-me, eu devia ter sido mais razoável, devia ter entendido! Passaste por tanto.<br />- Tu também Unga. – Respondi eu. Até agora notei o quanto a minha voz tinha mudado. Sentei-me e olhei para ela. Ela respondeu com um sorriso. – Passamos ambos por tanto, no entanto, não posso julgar as tuas atitudes. Já olhaste bem para mim? Estou… estou tão diferente.<br />- Eu sei. – Ao dizer isso ela sentou-se ao meu lado, os seus olhos não largavam os meus, era uma sensação estranha. – No entanto, a mudança pode não ser para o mal, não importa do que aconteça.<br /><br />Com essas palavras ela abraçou-me. Eu não resisti e abracei-a em resposta. Senti-me outra vez o lobo nos seus braços e o meu coração disparou. Havia tanto para falar, mas nada dissemos. Mantivemos-nos em silêncio. Com a lua nova a sorrir como uma criança por cima de nós.<br /><br />Fim.<br /><br />/*<br />quando eu digo fim, é fim mesmo, a Saga terminou. Finito.<br />Há questões que não foram resolvidas?<br />Isso talvez virá noutra historia... esperemos para ver, visto que o poster é louco e anda a a meter comments de java script nisto<br />*\<br /><br />P.s.: não, a Skora não scorou com a Unga!!<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6195483-642427687272011187?l=imperialium.blogspot.com'/></div>Vargtidhttp://www.blogger.com/profile/00025515339887540052noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-6195483.post-63798460931443640052008-09-14T00:35:00.004+01:002008-09-14T00:41:10.590+01:00Saga da Lua<span style="font-weight:bold;">Guerreira Lobo</span><br /><br /><br />Subi até ao ramo de onde Kandia pendia e gentilmente fi-la descer até ao chão onde a Kaly a agarrou suavemente nos seus braços. Enquanto voltei a descer a Kaly removeu a corda em volta do pescoço e abraçou-se a ela com força. Não me pronunciei, eu tinha uma ligação com Kandia, mas não seria tão forte como a que Kaly possuía.<br />Ela não chorava, só se mantinha de olhos fechados agarrada à amiga, como se tivesse medo que ela a abandonasse. Mas Kandia já tinha partido, e não podia ser feito nada. Fechei os olhos tentando manter-me senhora dos meus sentimentos, não queria voltar a deixar a tristeza ou a raiva tomar conta de mim pois ainda tinha trabalho a ser acabado, a minha mão precisava de se manter firme e para me distrair decidi começar a cavar. Cavei em silêncio com as minhas próprias mãos na terra húmida da floresta. Ainda não tinha reparado, que as minhas mãos não estavam feitas para trabalho, eram pequenas, com dedos delicados e suaves. Parei por um pouco e esfreguei-as tentando entender como tais mãos conseguiam agarrar uma espada colossal como aquela, com tanta firmeza. Abanei a cabeça, afastando os pensamentos que me percorriam a mente e concentrei-me a cavar.<br /><br />----<br /><br />Pouco passava da alvorada na aldeia de Yorgsh e a confusão já estava instalada. Um dos guardas de Urnia tinha voltado de uma missão incutida pela sua líder, o único sobrevivente de uma equipa de três.<br />Desde a estranha partida do lobo, as coisas tinham mudado nessa aldeia. Urnia tinha tomado controlo do povoado e criado uma guarda privada, sob o pretexto que Yorgsh estava demasiado afectado pelos últimos acontecimentos, precisando de repouso e que a aldeia já não estava segura, precisando de treinar melhor os seus jovens Trolls nas artes de guerra. Apesar de um pouco descontentes com a mudança repentina, os habitantes da aldeia não questionavam a sua líder e os acontecimentos desta madrugada apenas reforçavam a ideia de Urnia.<br />A líder estava perto da entrada com uma pequena multidão. O seu guarda encontrava-se com os joelhos no chão e aos seus pés as cabeças decepadas dos seus dois companheiros. Ele termia compulsivamente e um burburinho crescia na população assustada e horrorizada. Urnia olhava para as duas cabeças sem vida com uma mão sobre a boca, com os olhos abertos em choque.<br /><br />- O que se passou? – Questionou ela. – Quem fez isso?<br /><br />- O seu nome é Skor. – Disse o Guarda tremendo.<br /><br />- Skor? Como é que aquele lobo podia ter feito isso?<br /><br />O guarda saltou com essas palavras e com os olhos repletos de terror continuou.<br /><br />- Não era um lobo! Era um demónio! Matou Lancio e Tarvo com um golpe cada um. Eles nem tiveram tempo de responder. – O guarda abraçou-se a si próprio e olhou para o chão tremendo. – Era um demónio branco, erguia-se nas pernas como nós, tinha a pele branca como a neve, os seus olhos eram grandes, azuis, gelados como o pior dos invernos e a sua forma é uma mentira, ilude-nos de fraqueza mas na realidade possui uma força monstruosa! Não podemos fazer nada! Estamos condenados.<br /><br />Urnia fechou os olhos, ao ouvir a população preocupada e amedrontada. As coisas não estavam a correr bem, este novo perigo era inesperado. Ao livrar-se do lobo ela pensou que poderia descansar sem perigos mas com este novo aparecimento ela encontrava-se numa situação que não saberia lidar. Calmamente ela juntou alento e dirigiu-se ao sou povo com palavras de coragem. Pediu coragem e esperança, lembrou que o seu povo tinha passado por vários desafios e tinha-os conquistado todos e a história repetir-se-ia. Convocou mais guerreiros, mais Trolls para a guarda da aldeia e prometeu que o mal que assombrava a aldeia seria banido de uma vez por todas. Essa última promessa significava o fim de Unga.<br />-----<br /><br />As chamas amansaram e a campa estava feita. Ergui-me e esfreguei a testa, limpado o suor. Estava cansada e devia estar cheia de terra, começava a achar os meus cabelos grandes demais pois muitas vezes se meteram á minha frente e as suas pontas estavam todas sujas da terra. Sai do buraco que tinha escavado e olhei de volta para a Kaly. Ela olhava para mim com um sorriso triste e com os braços ainda envolvendo Kandia. Levantou-se e carregou a Kandia até a campa improvisada criada por mim, onde a deitou. Ajoelhou-se e começou a emitir um estranho gemido parecido com um riso.<br /><br />- Sabes o que é a coisa mais frustrante disto tudo? – Questionou ela. – Eu estou triste, uma grande amiga morreu. No entanto não consigo chorar, simplesmente não consigo.<br /><br />Coloquei-lhe a mão no ombro. Como conforto, mas não tinha palavras para dizer, eu estava tão desolada, mas ao menos já tinha deixado a minha raiva e tristeza sair, ao contrário de Kaly que não conseguia soltar os seus sentimentos. Enterramos juntas a Kandia enquanto que o rapaz do “bring” permanecia estático sem fazer qualquer som. Lentamente Kandia foi coberta de terra. Kaly fez um pequeno e crude arranjo de flores que colocou em cima da sua campa sorriu como despedida e depois levantou-se.<br /><br />- Eu vou partir. – Avisou-me ela.<br /><br />- Vais?<br /><br />- Sim. Eu prometi-lhe ajudar-te e assim o fiz. Agora tenho de seguir o meu caminho.<br /><br />- Eu entendo. – Respondi-lhe sentido o pesar e tristeza na sua voz.<br /><br />- Mas foi bom conhecer-te. Para alem do mais, se não te tivesse conhecido nunca me teria despedido dela.<br /><br />Mantive-me em silêncio com um sorriso complacente. Continuava a não conseguir dizer nada, não tinha força para tal e nada do que pudesse dizer traria Kandia de volta.<br /><br />- Promete-me só uma coisa. – Continuou ela com um ar mais sério.<br /><br />- O que é?<br /><br />- Vinga-la.<br /><br />- A minha missão levar-me-á por esse caminho Kaly, não precisas de te preocupar com isso.<br /><br />Sem trocarmos mais alguma palavra a Kaly abandonou o local. Sem ela eu perdi o controlo e cai de joelhos. Levei as mãos ao chão com medo de perder o meu equilíbrio. Tinha um sorriso estampado na cara mas o meu interior estava praticamente o inverso. A Kandia estava morta e eu não conseguia parar de pensar que a culpa teria sido minha. Grizaldo e Brot também estavam perdidos e era tudo minha culpa, tanto sofrimento e eu não entendia porquê. Não entendia nada, não me lembrava de nada, a minha única personalidade era aquela que Unga me tinha dado no momento em que nos encontramos, eu não era ninguém! Respirei fundo e gemi por entre dentes cerrados. Não estava certo, nada disto, toda a gente tinha uma opinião, toda a gente tinha um objectivo e eu era simplesmente puxada de um lado para o outro ao desejo de qualquer outra pessoa. Respirei fundo outra vez. A tristeza transformou-se rapidamente em desespero e o desespero em raiva.<br />Levantei-me abruptamente. Desloquei-me até à árvore mais próxima e com um grito enfurecido comecei a esmurrei-a violentamente até sentir a minha pele a romper. Ofegante e com as mãos a pingar sangue não resisti em dar uma cabeçada violenta contra a arvore berrando terrivelmente.<br /><br />- Unga… – suspirei<br /><br />Lembrei-me outra vez do seu rosto. Era por ela que eu fazia isto, não podia desesperar, não enquanto ela estivesse a sofrer. Ela era a minha razão, fazia isto por ela e não me importava quem me manipulava pelo caminho, desde que conseguisse fazer com que ela ficasse bem.<br />Encostei-me à árvore e respirei fundo. Olhei em frente para a clareira que já me acolhera três vezes. Não o podia negar, muito mudou desde que entrei neste mundo, apesar de parecer ter passado um curto espaço de tempo e nada tinha sido bom. Olhei para a minha espada cravada no chão, ainda não tocar nela desde que enterramos a Kandia, por um lado tinha medo de lhe voltar a tocar, a raiva e fúria que sentia quando a tinha na minha mão era um monstro terrível dentro de mim, no entanto, precisava dela para cumprir a minha missão e não podia esconder que a achava irresistível, como se cantasse um chamamento sinistro sobre mim.<br />Lembrei-me que não estava sozinha, olhei para o rapaz que Kandia tinha criado para me acompanhar. Ele continuava estático a olhar para o nada, com um olhar vidrado, sem qualquer emoção, sinal de pensamento ou vida.<br /><br />- Hey!<br /><br />Tentei chama-lo à atenção. Passava-se claramente algo de errado com ele, nem o seu som característico fazia. Aproximei-me dele lentamente tentando comunicar com ele, mas sem sucesso, até que quando lhe toquei ele desfez-se em pó. Dei um salto para trás e deixei escapar um pequeno grito de susto, não foi algo que estava à espera.<br /><br />- Chegaste… – Falou uma voz que provinha por deras de mim.<br /><br />O conjunto de eventos tinha me deixado assustadiça, portanto ao ouvir a vós dei outro salto e outro pequeno grito virando-me rapidamente para trás. Ao olhar para quem falava comigo cai no chão com os olhos esbugalhados. Perante mim estava o que parecia ser uma forma espectral de Kandia. Ela olhava com uma expressão severa, mas não tive medo, para alem do choque que recebera, a sua presença dava-me alento.<br /><br />- Tu sabes o que tens de fazer. – Disse-me com um sorrizo.<br /><br />- Kandia, tu… - Gaguejei, não conseguindo acabar a frase.<br /><br />- Sim, estou morta. O meu pequeno golem carregava um resto da minha força vital e é por isso que estamos a ter esta conversa. – Ela fechou os olhos e fez um movimento como se inspirasse antes de declamar. – Apesar do meu corpo já não se suster, a minha curiosidade necessita de ser saciada. Descobriste o que querias?<br /><br />- Não, acabei por ficar com mais questões. – Pronunciei-me por entre gaguejos. – E como sabes quem eu sou?<br /><br />- Sempre soube Skor, mesmo quando não passavas de um lobo eu vi o teu destino. O que é traçado nas estrelas nunca conseguirei desvendar, mas o que foi escrito eu consigo ler. Tu és o ser que veio limpar o antigo mal das nossas terras. – Ela fez um breve silencio antes de prosseguir. Eu continuava mortificada no chão. – Confidenciei com Urnia o que descobri nas minhas conjurações. Foi um grande erro. O tempo passou e ela foi ficando mais hostil, tentou manipular o futuro para seu próprio proveito. Especialmente quanto eu mencionei que para o bem de todos iriam ser feitos sacrifícios. Os filhos foram os dela e for ai que se mostrou realmente que fazia parte dela o nosso grande mal. E agora ela planeia acabar com a vida da sua única descendente, coitada, não por sua vontade mas pela escuridão que tomou conta dela agarrando-se à sua angústia. Tu sabes o que tens de fazer. Vai.<br /><br />- Obrigado Kandia. – Disse, não sabendo porque razão agradecia, mas sentindo mais apaziguada. – Obrigado por tudo.<br /><br />Levantei-me e peguei na minha espada. Sorri para Kandia, ela respondeu-me também com um sorriso e a sua essência desvaneceu no ar. Sozinha na clareira, observei a lâmina com um sorriso na cara, a minha mente estava calma e aliviada. Só restava fazer uma coisa.<br /><br />Confiante e convicta, corri pela floresta com uma velocidade estonteante. Só pensava em chegar à aldeia e acabar isto, não parei por nada nem ninguém. Lentamente, as árvores começaram a ficar menos densas até que finalmente sai da floresta perante mim estava a aldeia dos trolls, movimentada para algum ritual que estava a decorrer. A guarda estava reforçada desde a última vez que estive aqui. Mas nada disso tirou-me o ânimo. Levantei a minha espada bem alto acima da minha cabeça e gritei como nunca antes gritei. Um grito de vitória bem antes da batalha começar. A aldeia estremeceu. Não estavam prontos para a fúria que estava prestes a vir.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6195483-6379846093144364005?l=imperialium.blogspot.com'/></div>Vargtidhttp://www.blogger.com/profile/00025515339887540052noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-6195483.post-61215200442797914672008-09-08T00:39:00.001+01:002008-09-08T00:40:11.525+01:00Saga da Lua<span style="font-weight: bold;">Guerreira Lobo</span><br /><br />As expressões no espelho continuavam a ser-me estranhas, mas cada vez mais me familiarizava com elas. Eu ia passando o cabelo de um lado para o outro, tocando no meu rosto e sentido as minhas próprias mãos. Tudo aquilo era demasiado estranho para mim, ainda á poucas horas era um lobo e agora era humana, a sensação de mudança era incrível e algo confusa, as minhas pernas tremiam e os movimentos eram desajeitados, ainda não me habituara. Enquanto eu tentava entender esta nova forma de ser, a Xana, já aborrecida com a minha lentidão a interiorizar o meu novo estado, soprava incessantemente a franja que acabava sempre por voltar ao mesmo local. <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal">- E agora? – Perguntei eu enquanto fazia sombras de animais com as mãos.</p> <p class="MsoNormal"><span style=""> </span>- Agora fazes o coelho. Precisas de esticar o do meio e o indicador para fazer as orelhas…</p> <p class="MsoNormal">- Não, não é isso. – Interrompi. – Quero saber o que faço agora, em relação aos Trolls. Para alem do mais, o coelho já fiz.</p> <p class="MsoNormal">- Ah, esses! Pois, tinha-me esquecido que tu fizeste tudo isso por causa deles… ou melhor… dela. – Ela deu uma gargalhada trocista fazendo-me cerrar os punhos com raiva.</p> <p class="MsoNormal">- Cala-te.</p> <p class="MsoNormal">- Oh não, não me leves a mal claro, é que, dantes pelo menos eram de sexos opostos, agora nem isso, já não chega o problemazinho da raça! – Continuou ela por entre um rizo de escárnio.</p> <p class="MsoNormal">- Cala-te! – Gritei já com os olhos baixos e com a raiva a queimar as minhas veias.</p> <p class="MsoNormal">- Tu não sabes a sorte que tens… - afirmou Xana acabando por controlar os risos. – Se fosse por mim, já tinhas um cristal de gelo no teu coração. E jazias morta por tamanha insolência. Mas as minhas irmãs iriam acabar comigo caso isso acontecesse.</p> <p class="MsoNormal">- Eu não seria morta por alguém como tu! – Rosnei, virando-me depois para ela e continuando. – Eu tenho uma missão! Eu vou salvar a Unga!</p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal">Este ultimo grito trespassou a minha mente e a realidade, a fúria que eu senti congelou-me mais do que o frio do coração da mulher que estava perante mim. Aquele sentimento, aquela sede, eu estava com medo de mim mesma, era uma raiva que eu não tinha controlo, que se movia dentro de mim insaciável e voraz, ansiando por ser liberta, após vários anos de hibernação. A Xana viu a minha expressão de espanto e sorriu, esse sorriso tornou-se num pequeno riso, e esse riso transformou-se <st1:personname productid="em gargalhadas. Enquanto" st="on">em gargalhadas. Enquanto</st1:personname> ela se ria começou a elevar-se, a flutuar dentro da caverna até se estacar a meia altura. Olhou para mim com o seu sorriso cristalino e repleto de loucura, os seus olhos azuis tinham-se transformado em vigorosas chamas dessa mesma cor, e o seu cabelo ondulava descontroladamente como se fosse fogo.</p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal">- Agora entendeste. Acorda conquistadora! O teu caminho ainda está para ser feito com o sangue dos teus inimigos. – Ela ergueu a cabeça e os braços perante o meu olhar esgazeado. – É a hora! O caminho a percorrer está aos teus pés! Deixa esse sentimento ser o teu guia e goza de todo o momento de prazer por ele oferecido.</p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal">Com o discurso finalizado ela irrompeu em risos e a sua forma foi ficando mais espectral até que com um rizo prolongado a sua forma lança-se contra o tecto perfurando-o e desaparecendo. Segundos depois o tecto tremeu e um grande bloco de gelo caiu no chão rachando-se <st1:personname productid="em dois. Os" st="on">em dois. Os</st1:personname> meus olhos abriram em espanto quando me deparei com o que se encontrava perante mim. Dentro do cristal de gelo que se quebrou estava uma espada, cabo negro e trabalhado com rigoroso detalhe, com duas cabeças de lobo, cada uma virada para o seu lado, rosnando ferozmente, os olhos dos lobos eram rubis e entre os dois tinha outro maior e em forma de sol. A lamina, em que metade estava enterrada no gelo era prateada e cintilava com um brilho fenomenal, parecia acabada de ser forjada por alguém perito na profissão, não tinha um único erro na lamina perfeitamente afiada. Senti o meu coração pulsar mais fortemente ao vê-la ali quieta como se fosse oferecida a mim. Avancei com passos incertos e com um sorriso crescente na cara sem conseguir afastar o pensamento da cabeça. “foi feita para mim”. Quando reparei já tinha a minha mão a agarrar no cabo, sentia-me em transe, como se algo tivesse a tomar conta de mim. Sem muita dificuldade retirei a espada do gelo e erguendo-a sorri ao observar a sua majestosa imponência.</p> <p class="MsoNormal">Chamei pela Xana, mas ela não me respondeu, pareceu-me já não estar na sala, no entanto o vento trouxe a sua voz, sedutora e melosa. “Deixa que o destino conduza a tua mão.”</p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal">Caminhei para fora da caverna, não sabia quanto tempo se passara desde que a Xana me tinha mantido ali, nem sabia qual era o destino de Kaly e o rapaz dos brings. Saí da caverna com o sol a queimar-me os olhos, temi que a minha estadia ali tivesse sido longa demais, ainda por cima não havia sinal dos dois que me acompanhavam. Suspirei e sentei-me na entrada da caverna com a espada encostada a mim, enquanto tentava habituar-me à luz do sol. Olhei para o céu sarapintado de nuvens escuras e pensei em tudo o que me tinha acontecido. Desde que cheguei de memoria apagada, até ao encontrar a Unga e a minha estadia com os trolls e os eventos que tinham levado a esta demanda forçada. Recordei-me da Unga, da última vez que a vi e da tristeza nos seus olhos e a dor que sentia. Não consegui resistir às sensações e chorei, era injusto causar tanta dor sem razão, porque Urnia não teve nenhuma razão para o fazer, para alem de um louco desejo que eu desconhecia completamente, Yorgsh avisou-me que não era a sua mulher, que era algo que a controlava mas nada disso interessava, eu só a queria ver morta. Senti raiva de mim ao ter esses pensamentos, mas não conseguia controlar-me, só queria ver a Unga de novo a sorrir, sem medo e queria fazer quem lhe fez tanto mal pagar. </p> <p class="MsoNormal">Envolta em choro gritei do fundo dos meus pulmões como um uivo que enquanto fui animal nunca o consegui dar. Após esse grito, a tristeza e o medo evaporaram-se. Peguei na espada com convicção e caminhe dali para fora. Mas após começara<span style=""> </span>descer a montanha deparei-me com um pequeno acampamento em que estava Kaly a olhar para mim com ar de espanto e o rapaz, amordaçado, com os braços e as pernas amarrados, pendia de cabeça para baixo num tronco de uma arvore. Eu aproximei-me cuidadosamente, pois reparei que Kaly debatia para entender a minha presença ali. Mordi o lábio inferior com um sorriso tímido e olhos ainda vermelhos do choro, já me tinha visto ao espelho mas não sabia como outras pessoas me veriam e nem esperei que Kaly entendesse mas ela acabou por questionar gaguejando.</p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal">- Lobo?</p> <p class="MsoNormal">- Sim… quer dizer… não propriamente agora um lobo mas…</p> <p class="MsoNormal">- O que é que aconteceu? – Continuou ela, que assava qualquer coisa na fogueira.</p> <p class="MsoNormal">- Não sei, simplesmente… adormeci e quando acordei estava assim. – Olhei para o rapaz que olhava para mim com um ar feliz, mesmo pendendo da árvore e com aquelas restrições todas.</p> <p class="MsoNormal">- Ah, não ligues a ele. Depois de ter sido mandada para fora da caverna, quando tentei entrar vi que havia uma parede de gelo no caminho. Não consegui escavar por ela, portanto voltei para trás e montei o acampamento. Entretanto essa criatura acordou e não parou com aquele barulho infernal, portanto decidi enfia-lo ali. – Ela tirou o que assava do fogo, que não passava de uma maçã e mordiscou um pouco. – Não te preocupes, cheguei à conclusão que ele não precisa de comer, respirar ou outras necessidades físicas que nós possuímos. Já agora… não tens fome?</p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal">Kaly mostrou alguma comida que tinha guardado desde que desapareci e então uma fome aterradora apoderou-se de mim. Comi até me fartar, contando a Kaly todos os detalhes do que aconteceu que ela devorou interessadíssima, enquanto de vez enquanto ia batendo com o pau onde assara a maçã no rapaz. Fiquei a saber que Kaly tinha aquele aspecto estranho pois não era uma criatura normal. Ela tinha morrido e Kandia que era sua amiga, pois ambas eram feiticeiras e tinham-se conhecido à anos nas reuniões de Feitiços & Tuperwares, fez-lhe um ultimo favor. Dar-lhe uma hipótese de vingar. Portanto aquele corpo não era dela, pelo menos só dela, era uma mistura entro o seu corpo e algo que existia para alem deste mundo. Conversa metafísica que a mim não tinha muito interesse, mas gostei de saber um pouco mais sobre a minha companhia.</p> <p class="MsoNormal">Mais tarde decidimos voltar para a cabana de Kandia. Após soltarmos o rapaz, mas a pedido de Kaly mantendo-o amordaçado, caminhamos calmamente pela floresta em direcção ao lago, com uma conversa amena. Estava a conseguir afastar todos aqueles sentimentos venenosos da cabeça e a sentir-me satisfeita por isso apesar de não ter durado muito tempo.</p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal">O cheiro a queimado já me tinha entrado nas narinas bem antes de chegarmos à clareira. Pensei ser um fogo florestal qualquer, mas nunca esperei ver tal coisa. Quedei-me em silêncio quando observei o espectáculo macabro perante os meus olhos. A casa de Kandia ardia e cá fora três trolls estavam de guarda, observando as chamas mas o pior pormenor, trouxe tudo de volta, engoli a seco quando vislumbrei por cima das suas cabeças, numa das arvores centenárias que preenchiam aquele recanto da floresta, Kandia pendia de olhos fechados e expressão serena com uma corda à volta do pescoço. Eu não gritei, eu não afastei a cara em horror, eu não senti, eu não chorei. No entanto dentro de mim, aquela raiva voraz acordou outra vez. Mordi o lábio inferior e termi até sentir o sabor a sangue. Um dos trolls viu-me e fez sinal aos seus companheiros que se meteram em posições de defesa. Foi a gota de água. Ignorei qualquer tipo de dor e lancei-me para cima de um dos trolls que tentou defender-se com a sua lança. A espada trespassou lança, pele, músculos e osso. O sangue quente salpicou a minha cara e eu não consegui conter uma gargalhada, termia com antecipação do próximo que me atacasse. Assim que o vi a avançar a espada dançou nas minhas mãos e ele acabou cortado <st1:personname productid="em dois. Olhei" st="on">em dois. Olhei</st1:personname> para o que sobrava com um sorriso vitorioso, a espada termia nas minhas mãos, ela queria mais sangue, eu queria mais sangue. A minha fúria gritava por ele, pedia-o e queria ser saciada. O ultimo troll apavorado largou a sua arma e começou a fugir. Eu cravei a espada no chão e corri em direcção a ele. Sentia-me um animal, pior do que alguma vez me senti enquanto lobo. Rapidamente alcancei o troll e saltei para cima dele, os meus punhos fechados embateram vezes sem conta na sua cara até me sentir satisfeita sem o pôr inconsciente. Levantei-o e abanei-o.</p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal">- Quem te enviou? – Ele não<span style=""> </span>respondeu por isso soquei-o outra vez gritando de seguida. – Quem te enviou?</p> <p class="MsoNormal">- F.. Foi… a Urnia.</p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal">Sorri-lhe com uma raiva a trespassar-me o corpo, mas a vida dele tornou-se insignificante para esta fome, portanto decidi ser criativa. Arrastei-o para perto dos seus companheiros mortos. Decapitei ambos e envolvi a as cabeças num trapo que encontrei por ali. Entreguei-as ao troll e disse-lhe ao ouvido com um sussurro louco.</p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal">- Leva-os para a Urnia… diz-lhe que a Skor manda-lhe comprimentos.</p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal">Após isso empurrei o troll que se pôs a correr desenfreadamente. Suspirei e assim que ele desapareceu, sem queixume deixei as lágrimas escorrerem. Kaly olhava para mim surpresa e assustada, mas foi algo que decidi ignorar. Kandia precisava de ser honrada. </p><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6195483-6121520044279791467?l=imperialium.blogspot.com'/></div>Vargtidhttp://www.blogger.com/profile/00025515339887540052noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-6195483.post-54969094275135205282008-08-24T21:44:00.004+01:002008-09-08T00:40:37.168+01:00L<p class="MsoNormal">Os passos ofegantes ouviam-se pelo meio da chuva que caia durante a noite, uma figura sinistra coberta de negro corria pela floresta. As roupas começavam a pesar-lhe e ele temia que o objecto que ele tentava salvaguardar não ficasse tão… salvaguardado. </p> <p class="MsoNormal">Pelo breu da noite ele conseguiu observar a luz roxa da tocha que sinalizava o ponto de encontro.</p> <p class="MsoNormal">Ao chegar perto da tocha verificou que se encontrava perto de uma caverna que estava com luz. “Já está lá gente” pensou ele apressando o passo até irromper da penumbra para a luz ofuscante da caverna. Na parede oposta á entrada estava um enorme LCD passando episódios das “donas de jardins algo alegres”, no centro da caverna encontrava-se uma mesa com vários indivíduos a discutirem e a jogarem ao peixinho. Ele avançou despindo o casaco negro pesado pela água, pegou no saco, que protegeu com tanto zelo da chuva e de outras criaturas menos agradáveis que se atravessaram no seu caminho, e com a respiração ofegante do cansaço e de achar a ruiva do LCD algo agradável colocou-o em cima da mesa causando um arrepiante silencio na caverna. As pessoas que estavam á volta da mesa entreolharam-se. Um deles pegou no saco, abriu-o e deixou cair o seu conteúdo dentro de uma taça e disse.</p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal"><span style="font-weight: bold;">Neo:</span> estava complicado de chegares aqui.<br /><span style="font-weight: bold;">Varg:</span> tivemos problemas, esquilos, e guaxinins.</p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal">O Varg pega numa caveira que guardava num dos bolsos do seu casaco e coloca-a em cima da mesa. A caveira começa a emitir uma luz amarelada e uma voz feminina emana dela.</p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal"><span style="font-weight: bold;">Cass:</span> mais um dia fechada aqui e obrigada a andar nos teus bolsos e eu mato-te!!<br /><span style="font-weight: bold;">Varg:</span> mantêm o volume baixo, pelo menos não apanhaste chuva enquanto foste buscar um único pacote de fritos.<br /><span style="font-weight: bold;">Neo:</span> eu disse que devíamos ter tido uma reunião num sítio mais civilizado, onde a mercearia fosse exactamente ao lado.<br /><span style="font-weight: bold;">Varg:</span> estás a queixar-te de quê? Foi a mim que calhou a palhinha mais pequena!<br /><span style="font-weight: bold;">Neo:</span> não posso estar solidário é?<br /><span style="font-weight: bold;">Cass:</span> viste… ele ao menos é simpático.</p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal">Varg calou-se e sentou-se desconfiado da excessiva solidariedade do seu colega de armas. No entanto tempo para desconfianças e partidas infantis tinha de parar, por mais que fosse divertido meter queijo como munição da minigun de Neo ou fazer grafitis na parede do castelo do Lunático, haviam coisas que tinham de ser travadas… como por exemplo, quem vestia incessantemente a Cassandra de freira, que era uma dor de cabeça para qualquer pessoa ou criatura num raio de <st1:metricconverter productid="3 km" st="on">3 km</st1:metricconverter>.</p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal"><span style="font-weight: bold;">Lunático:</span> Então és tu que andas a estragar-me o castelo!<br /><span style="font-weight: bold;">Varg:</span> não leias o que estou a escrever porra! Isto é meu!<br /><span style="font-weight: bold;">Lunático: </span>tu tens a noção de quanto tempo eu e o Stuart gastamos para limpar aquilo? E ele não tinha produtos de limpeza… por alguma razão que ainda estou a tentar descobrir… quer dizer ele é o meu mordomo e não tem produtos de limpeza… o que é algo estranho…<br /><span style="font-weight: bold;">Neo:</span> Espera lá! Estás a escrever essas coisas? Deixa-me ler…<br /><span style="font-weight: bold;">Varg:</span> não! Isto é meu, não deixo!<br /><span style="font-weight: bold;">Rumba:</span> Zzzzz Caloriraaaaas!!! Zzz…. Mamas!.... Zzzz Caloiras!!!<br /><span style="font-weight: bold;">Neo:</span> aposto que fostes tu que me mandaste tomates podres ao bunker!<br /><span style="font-weight: bold;">Lunático:</span> não espera isso fui… Sim! Foi ele! A culpa é dele!</p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal">A tensão que nesta noite se tentaria desfazer começava a nublar as mentes dos presentes, excepto do Rumba que dormia quase pacificamente. A verdade é que todos tínhamos metido a pata na poça mas ninguém estava pronto a admitir tal coisa, quer fosse a evitar demónios e ursos de entrar nas nossas terras, a governar com pouca certeza, passar os dias a comer produtos com chocolate e dormir por todas as partes da casa, ir às compras, fazer grandes produções cinematográficas, todos ocupavam-se com algo que evitava o dialogo, a diplomacia e ao fim de muitas conversas falhadas e maus planeamentos é que conseguiram organizar este encontro.</p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal"><span style="font-weight: bold;">Neo:</span> então… andamos com isto ou não?<br /><span style="font-weight: bold;">Lunático (comendo fritos):</span> é tudo o mesmo, não vamos sair daqui com nada resolvido.<br /><span style="font-weight: bold;">Neo:</span> mas então se vamos continuar com esta reunião…<br /><span style="font-weight: bold;">Varg:</span> sim… vamos esclarecer o nada que temos andado a discutir… o nada igual a este sitio todo.<br /><span style="font-weight: bold;">Neo:</span> o quê? Antes o nada do que coisas sem piada e nexo só porque o rapaz se sente inspirado para parvoíce.<br /><span style="font-weight: bold;">Varg:</span> como te atreves! Pelo menos alguma coisa tem sido feita.<br /><span style="font-weight: bold;">Lunático:</span> vá, vá! Apelo à razão e à calma!<br /><span style="font-weight: bold;">Varg:</span> calma nada! Chego aqui, com toda a minha sinceridade para fazer um acordo de paz e…<br /><span style="font-weight: bold;">Cass:</span><span style="font-weight: bold;"> </span>acordo de paz nada! Vamos é bater no abutre.</p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal">Faz-se silêncio, mas desta vez as faces dos Imperialistas já demonstrava alguma calma e ponderação enquanto o Rumba continuava a ressonar.<br /></p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal"><span style="font-weight: bold;">Neo:</span> onde está o abutre?…<br /><span style="font-weight: bold;">Lunático:</span> boa questão… também quero saber o que ele andou a fazer-nos neste tempo.<br /></p><p class="MsoNormal">Mastigando ruidosamente fritos, o Lunático levanta-se e deambula um pouco pela caverna pensativo</p><p class="MsoNormal"><span style="font-weight: bold;">Lunático: </span>É um assunto serio de facto! Quem sabe se ele virou para o lado dos ursos!<br /><span style="font-weight: bold;">Varg:</span> Ele nunca faria isso! Mais rápido se meteria em combate com um zorro de branco do que virar-se contra nós!<br /><span style="font-weight: bold;">Neo:</span> tenho de concordar…<br /><span style="font-weight: bold;">Lunático:</span> não levem isso assim! Ele pode muito bem trair-nos a qualquer momento e não sabemos de nada.<br /><span style="font-weight: bold;">Cass:</span> pfft! Acho que ele preferia andar a assassinar pessoas com telemóveis do que aliar-se aos ursos.</p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal">A campainha tocou metendo todos <st1:personname productid="em alerta. Havia" st="on">em alerta. Havia</st1:personname> qualquer coisa estranha naquilo, especialmente pelo facto de não haver porta, quanto mais campainha, para alem do buraco da caverna havia pouco naquilo que lembraria uma casa. Os imperialistas, excluindo o Rumba que continuava a dormir e a Cassandra que continuava presa dentro da caveira, deslocaram-se até à entrada. Lá encontraram um esquilo, com uma campainha portátil e um grande saco.</p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal"><span style="font-weight: bold;">Varg:</span> o que vem a ser isto?<br /><span style="font-weight: bold;">Esquilo:</span> isto? Isto não é nada! Mas pode ser. Se os senhores assim o quiserem.</p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal">Os imperialistas entreolharam-se interrogados.</p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal"><span style="font-weight: bold;">Esquilo:</span> pois é! O que eu tenho aqui é uma oportunidade única! E oferecida só a vossas excelências.<br /><span style="font-weight: bold;">Lunático:</span> oferecida só a nós? Apesar de estarmos numa caverna escondida e que ninguém sabe dela.<br /><span style="font-weight: bold;">Esquilo:</span> paginas amarelas…<br /><span style="font-weight: bold;">Neo:</span> vês? eu disse para não montarmos telefone aqui!<br /><span style="font-weight: bold;">Lunático:</span> mas era preciso, imagina que o presidente telefonava.<br /><span style="font-weight: bold;">Neo:</span> qual presidente?<br /><span style="font-weight: bold;">Lunático:</span> ahmm…. O… o… aquele que nos telefonou da outra vez…<br /><span style="font-weight: bold;">Esquilo:</span> meus senhores, meus senhores! Não nos vamos afastar do assunto em questão!<br /><span style="font-weight: bold;">Lunático:</span> mais importante do que descobrir quem mais sabe da nossa localização? Eu não admito isso! Os ursos já poderão saber, os marroquinos! Podemos já estar a ser atacados por forças de outra dimensão!…</p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal">Enquanto Lunático continuou a divagar sobre os vários perigos do local de encontro secreto dos imperialistas ter sido descoberto os restantes continuaram a conversa.</p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal"><span style="font-weight: bold;">Neo:</span> mas então qual era o assunto?<br /><span style="font-weight: bold;">Esquilo:</span> pois bem… já alguma vez se questionaram de onde vem a galinha?<br /><span style="font-weight: bold;">Varg:</span> que pergunta estúpida, vem do ovo!<br /><span style="font-weight: bold;">Esquilo:</span> ahah! Isso é o que pensam! A verdade é muito mais extensa e doentia! e muitas mais verdades que os media escondem de nós podem-vos ser reveladas com a maravilhosa ensiclopedia: “Toda a verdade e não só!”<br /><span style="font-weight: bold;">Lunático:</span> … depois os marsupiais tentaculares magenta de Éris! Dizem que é o décimo planeta! Bah! Eu sei que é a sua nave mãe!...<br /><span style="font-weight: bold;">Varg:</span> isto tudo para nos vender uma enciclopédia?<br /><span style="font-weight: bold;">Esquilo:</span> não só! Para alem de receberem a maravilhosa enciclopédia também serão roubados de artefactos poderosos que os meus aliados ursos cobiçam…</p><p class="MsoNormal">Houve um silêncio parvo entre os quatro indivíduos, pois até o Lunático que continuava a divagar se calou ao ouvir as palavras que o roedor proferiu. Pouco tempo até o esquilo pôr-se em fuga e os Imperialistas o perseguirem até ele se esconder no topo de um árvore.</p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal"><span style="font-weight: bold;">Varg:</span> sai daí! Só estás a atrasar o inevitável!<br /><span style="font-weight: bold;">Esquilo:</span> vocês não sabem o que falam! Eles virão! E vocês não poderão fazer nada em relação a isso!<br /><span style="font-weight: bold;">Lunático:</span> de vendedor de enciclopédias passas a pregador do apocalipse? Que falta de imaginação!<br /><span style="font-weight: bold;">Esquilo:</span> quem são vocês para criticar falta de imaginação! Tanto post que podia ter sido feito e vocês não fazem nada!!<br /><span style="font-weight: bold;">Lunático:</span> tens andado a dormir ultimamente! Até têm saído uns quantos e com piada!<br /><span style="font-weight: bold;">Esquilo:</span> tarde demais! Vocês estão condenados! Ahahahah!<br /><span style="font-weight: bold;">Varg:</span> vá lá! Deve haver algo que podemos fazer.<br /><span style="font-weight: bold;">Lunático:</span> que tal se te arranjar-mos nozes... seria bom para ti não?<br /><span style="font-weight: bold;">Esquilo:</span> quais nozes?<br /><span style="font-weight: bold;">Lunático:</span> bem… aquelas… de… AGORA!</p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal">Ao comando do Lunático, o Neo montado num dragão chinês gordo apareceu por detrás de uma pedra e comandou a majestosa besta a incinerar a árvore e o esquilo.</p> <p class="MsoNormal">Enquanto ardia, o esquilo berrava pragas e maldições para os imperialistas, enquanto lhes lançava sem muito pouca pontaria as enciclopédias em chamas.</p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal"><span style="font-weight: bold;">Dragão:</span> portanto… deves-me uma…<br /><span style="font-weight: bold;">Neo:</span> sim… sim…<br /><span style="font-weight: bold;">Dragão:</span> a serio, porque se eu tiver à espera da Anuket para me apresentar dragoas no Hi5 tenho filhos sozinho antes que isso aconteça<br /><span style="font-weight: bold;">Varg/Lunático:</span> o quê?!<br /><span style="font-weight: bold;">Neo:</span> sim… vai-te lá embora, quero ver se despacho isto…<br /><span style="font-weight: bold;">Dragão:</span> espero que sim! Bem... vou voltar para a mala dela antes que dê por minha falta.</p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal">O dragão esvoaçou com dificuldade dali para fora com dificuldade devido ao peso e quando os ânimos começavam a acalmar ouve-se um grito vindo da caverna.</p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal"><span style="font-weight: bold;">Cass:</span> Rumba sua besta ignóbil! Acorda e ajuda-me!... Hey! Tira-me debaixo do teu sovaco! Isto é muito pouco sanitário!</p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal">Os imperialistas correram de volta para a caverna apenas para ver uma criatura peluda a puxar um saco pela janela.</p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal"><span style="font-weight: bold;">Lunático:</span> O Pai Natal!... quer dizer… Ursos!!<br /><span style="font-weight: bold;">Varg:</span> ou isso ou um Pai Natal urso<br /><span style="font-weight: bold;">Neo:</span> eu disse-te que não devias ter feito uma chaminé nesta caverna!<br /><span style="font-weight: bold;">Lunático:</span> estava com fome. E estar a cozinhar sem janela faz muito fumo.<br /><span style="font-weight: bold;">Neo:</span> mas tu estás a pensar em mudar-te para aqui?<br /><span style="font-weight: bold;">Lunático:</span> … talvez…<br /><span style="font-weight: bold;">Varg:</span> podemos deixar isto para outra altura? Eles levaram a Cassandra!<br /><span style="font-weight: bold;">Neo:</span> E OS FRITOS!!!</p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal">Todos olharam horrorizados para o local de onde a tigela de fritos tinha desaparecido. Um artefacto de tamanha importância e poder tinha sido roubado debaixo das suas barbas o que os lançou numa perseguição desenfreada aos ursos.</p> <p class="MsoNormal">Os ursos já tinham vantagem no caminho, mas era noite e precisavam de ir dormir cedo e era nesse pormenor que os imperialistas contavam. Foram seguindo o rasto deixado por eles de embalagens bolicacau-com-nozes, pegadas e pastilhas apenas metade mastigadas, até que chegaram ao que parecia ser o acampamento montado por os ursos, mas um arrepio correu pela espinha dos Imperialistas havia algo de errado. Ao chegarem ao suposto acampamento encontraram uma grande pilha de corpos a arder e uma figura feminina carregando um machado com um lacinho rosa na ponta, carregava um corpo de um urso que posteriormente lançou para a pira de corpos já existente.</p> <p class="MsoNormal">Ao ver os imperialistas a chegar ela cravou o machado no chão e aproximou-se deles. Afastou os seus longos cabelos encaracolados da cara mostrando os seus olhos, um deles com um sinistro brilho vermelho, e sorriu para os imperialistas.</p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal"><span style="font-weight: bold;">Mulher:</span> Boa noite senhores, achei que estava um pouco escura portanto decidi iluminar um pouco as coisas. O que acham desde espectáculo?</p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal">Os imperialistas ficaram a olhar em choque e admiração para a criatura que estava perante deles. À muito tempo que não viam tamanha atitude pró-activa e tamanho bem estar em relação a isso. Os ursos mortos eram muitos dando-lhe estatuto de B.A.U., mas ninguém a conhecia e a sua presença enigmática.</p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal"><span style="font-weight: bold;">Mulher:</span> já agora, chamem-me L.</p><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6195483-5496909427513520528?l=imperialium.blogspot.com'/></div>Vargtidhttp://www.blogger.com/profile/00025515339887540052noreply@blogger.com5tag:blogger.com,1999:blog-6195483.post-78947500968086191552008-08-20T23:29:00.015+01:002008-08-29T14:28:26.997+01:00JAVA 8.0: O louco do mar<span style="color: rgb(255, 153, 0);">Final do Capítulo 6.0: O petisco de Gre~Ay</span><br /><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;"><br />A batalha terminara e Gre~Ay mastigava violentamente os seus tremoços com os dentes da frente, com os lábios bem abertos, tentando fazer-me inveja e salpicar-me. “Não-te-dô-u! Não-te-dô-u! Lava a cara com chulô...u!” cantarolava ele com a boca cheia e ar triunfante.<br /><br />“SILÊNCIO!”, gritou-me ele apesar de eu não ter dito nada. “Espera até eu passar aos torresmos”, disse do lado de lá do bufete, junto à zona dos petiscos.<br /><br />“Quero lá saber, nem gosto de torresmos...”, berrei da minha gaiola.<br /><br />A criatura engravatada parou o que estava a fazer e voou na minha direcção com o pé em riste, desferindo-me uma patada violenta na cara. O meu sangue espalhou-se pelo refeitório do zigurate, transformando arrozes à valenciana em arrozes de cabidela.<br /><br />“Isto....” disse ele, puxando lustre à bota e levantando-se repentinamente, “é um atacador!”<!--— Esperem, era suposto ele ter dito que “isto... é por não gostares de torresmos!”?--><br /><br />Quando ergueu o atacador eu abri a boca de pasmo. Era de facto um atacador grandioso em belíssimo estado. Aquela bota é sem dúvida abençoada, porque atacadores como aqueles não se encontram em qualquer lado. Maravilhei-me com aquele atacador durante alguns segundos, segundos esses em que até o mais ínfimo pensamento se limpou da minha mente, e eu fiquei uns centímetros mais próximo da pureza de espírito. Viva o atacador!!</p><br /><br /><center style="color: rgb(255, 0, 0);">%</center><br /><br /><span style="color: rgb(255, 153, 0);">JAVA 8.0: O louco do mar</span><br /><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;"><br />Com Gre~Ay a correr no nosso enlace, fechámos os olhos e atirámo-nos do topo da cascata. Caímos durante longos segundos até ao nível do mar e demos à praia inconscientes. Quando acordei, Éspe jazia a meu lado com o pescoço partido, as suas cordas seguravam-lhe o seu último fio de via como… cordas e ele murmurou para mim baixinho: “Não poderás prosseguir continuando a carregar-me como um peso morto. Terás de continuar sem mim.”<br /><br />“Não, ” disse eu contendo as lágrimas. “sem ti não será o mesmo!”<br /><br />“Vai, talvez nos encontremos um dia que voltes ao teu mundo. Não te esqueças, usa a colher.” disse enigmaticamente, e com um último powerchord em Dó, despediu-se.<br /><br />Chorando, esfreguei a colher de pau que roubara do zigurate de Gre~Ay. Esta colher de pau, qual boné do Mighty Max, teletransportou-me para um sítio onde eu nunca antes estivera. Estava agora dentro de uma cave bolorenta que se abanava e rangia ao som das ondas. No ar misturava-se o cheiro a sal com o cheiro a bolor e pólvora seca.<br /><br /><br /><br />Subi as escadas e cheguei ao convés de um barco pirata. Três piratas que aparentemente estavam a grelhar salsichas do tipo frankfurt pararam o que estavam a fazer e olharam para mim estupefactos. Um deles dirigiu-se a mim.<br /><br />“Olá, o meu nome é Fernão de Magalhães! Bem vindo ao meu cruzeiro intercontinental! Espero que a viagem esteja do seu agrado e se precisar de alguma coisa, disponha sempre!”<br /><br />“E que tal um batido de caju?”<br /><br />Magalhães estala os dedos e um dos piratas que estava a grelhar as salsichas desapareceu rapidamente da nossa vista, para trás do balcão de um bar.<br /><br />“Então e de onde vem, caro visitante?”<br /><br />Contei-lhe rapidamente a minha história. Ele ficou maravilhado ao saber que eu provavelmente viajara no tempo para chegar ali, mas nenhum de nós sabia muito bem como teria sido isso possível. Foi somente após algum tempo que ele me perguntou se sabia qual seria o resultado da sua viagem. Lembrei-me então das aulas de programação do Grande Mestre J~Ap e contei-as a Magalhães.<br /><br />“Bem, se bem me lembro, a sua viagem será a primeira a circum-navegar o globo terrestre.”<br /><br />“A sério? Mas eu não tenho vontade nenhuma de fazer isso...”<br /><br />Nisto, aparece o outro pirata com o meu batido.<br /><br />“Pois,” continuei eu entre golos de batido “ acontece que você vai morrer numa batalha, e quem vai acabar a viagem é aquele personagem efeminado que está ali a maquilhar-se... Ele provavelmente achou que seria popular lá na terra dele se fizesse isso no lugar de um português...”<br /><br />“Então é mesmo verdade. HANS! Trata daquele homem!”<br /><br />Um calmeirão chamado Hans passa por mim e agarra em Elcano, atirando-o à água repleta de tubarões.<br /><br />“Mas... mas...”<br /><br />Vendo aquilo acontecer, todos os piratas começaram a cantar uma música piratesca, com a melodia da Raspa Mexicana.<br /><br />“Se não confiares nas algas<br />Em que poderás confiar?<br /><br />Se não confiares nas algas<br />Em ninguém poderás confiar...”<br /><br />Fui a correr para o muro de madeira que separa o barco do horizonte e felizmente não vi tubarões. Infelizmente, após alguns instantes, vi Elcano a transformar-se numa cenoura gigante e a aparecer um gigante tubarão-coelho do fundo do mar, que o deglutiu de uma só vez.<br /><br />Magalhães explicou-me que já andavam boatos no ar que diziam que Elcano era o fantasma de um canibal extraterrestre que estava amaldiçoado por ter destruído o coração de uma princesa zombie e a única maneira de quebrar a maldição era matando Magalhães para dar a volta ao globo com o barco dele e ficar com a fama toda.<br /><br />“Eu compreendo, mas matá-lo vai alterar a História toda e não sabemos que consequências isso poderá ter! Podemos todos transformar-nos em bichos verdes viscosos escamosos feiosos com pés mal cheirosos!”, disse eu lembrando-me do som do trovão.<br /><br />Magalhães deixara de prestar atenção à minha frase a meio desta. Via no horizonte um barco da marinha inglesa e mandava agora içar a bandeira pirata. Vinha a caminho mais uma fortuna para os cofres portugueses.<br /><br />“Magalhães... O grande mestre J~Ap preveniu-me para isto. Ele disse-me que o bom programador nunca deve atacar barcos ingleses em busca de despojos porque eles podem virar-se contra nós e morder-nos os tornozelos! Em vez disso, deve estudar todos os dias a API do J.A.V.A. e ser alguém na vida.”<br /><br />Magalhães olhou para mim com ar desconfiado. Seria eu mais um enviado do inimigo para sabotar a missão dele de pilhar todos os navios ingleses? Seria eu um associado do Elcano? Seria eu o anticristo enviado pela besta para provocar o Apocalipse? Ou, pior ainda, seria eu um amigo do Engenheiro José Sócrates?<br /><br />“HANS! Trata daquele homem!”<br /><br />Hans dirigiu-se a mim com uma garrafa de vidro, material ainda não inventado na altura, esperou uns minutos para que eu acabasse de beber o meu suminho de caju, e ferrou-me um golpe na cabeça que me deixou a ver navios.<br /><br />“Ouça,” disse eu com a cabeça a andar à roda “se me quer deixar inconsciente, aconselho-o a bater-me antes na nuca.”<br /><br />“Onde?”<br /><br />“Aqui assim.” apontei “E dê uma inclinação à garrafa de cerca de 135º.... Mais para a esquerda......... Isso, assim. Tente lá ago--”<br /><br />...<br /><br />Quando recuperei os sentidos estava em frente a um modesto palácio rodeado por estranhas árvores que pareciam algas gigantes. Estava submerso.</p><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6195483-7894750096808619155?l=imperialium.blogspot.com'/></div>!noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-6195483.post-3979994217327992572008-06-09T14:53:00.005+01:002008-06-09T16:24:56.413+01:00Dream Black<p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt;"><span style="font-weight: bold;font-size:130%;" >Prologo - Parte 2</span></p><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt;"><span style="font-weight: bold;"></span><br /></p><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;">Ela deslocou-se para perto da rapariga que instintivamente tentou fugir rastejando pela erva, mas foi incapacitada pela Mariana que lhe agarrou pela perna e puxou-a para si. Imobilizou-a e forçou-a a olhar-lhe nos olhos, pegando nas pernas com duas mãos, nos braços com outras duas, enquanto que uma das restantes agarrava na face. A rapariga chorava incessantemente, mantinha os olhos severamente fechados pelo terror e o medo enquanto balbuciava com terror:</p><div style="text-align: justify;"> </div><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;">- Por favor, não... não...</p><div style="text-align: justify;"> </div><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;">- O que é que achas que te vou fazer? – Perguntou a Mariana enquanto lhe inspeccionava o corpo coberto de feridas.</p><div style="text-align: justify;"> </div><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;">- Não... eu não quero morrer – Repetia a rapariga.</p><div style="text-align: justify;"> </div><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;">- Abre os olhos. – Ordenou. </p><div style="text-align: justify;"> </div><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;">Tremendo nos seus braços, a rapariga acabou por abrir os olhos, dado a Mariana a oportunidade de ver o aspecto espelhado deles.</p><div style="text-align: justify;"> </div><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;">- Só me faltava esta.</p><div style="text-align: justify;"> </div><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;">Com um suspiro a Marina largou a rapariga que caiu imediatamente no chão como se desprovida de qualquer força, apenas mantinha as mãos na cara continuando a sua lamúria. </p><div style="text-align: justify;"> </div><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;">O cheiro do sangue era demasiado intenso, talvez Mariana tivesse exagerado no isco, com um odor destes não seria só um lobisomem que iria ser levado até ali e muito provavelmente seria a presença desta criatura que afastaria outros perigos. Agora o sangue intoxicado pela prata escorria pelo corpo da monstruosa criatura e não havia nada mais forte para atrair perigo do que o fresco cheiro da morte. Ciente disso, a Mariana sabia que não havia outra opção, precisava de sair dali antes que algo as encontrasse.</p><div style="text-align: justify;"> </div><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;">- Levanta-te, temos de sair daqui rapidamente. – Disse Mariana pegando no seu casaco, telemóvel e mochila.</p><div style="text-align: justify;"> </div><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;">- Embora?! – Gritou – O meu namorado está na floresta, tenho de o encontrar!</p><div style="text-align: justify;"> </div><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;">- O teu namorado já não interessa. Nestas situações salva-se quem se puder e neste momento eu posso salvar-te a ti.</p><div style="text-align: justify;"> </div><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;">- Mas… Mas… não o posso deixar. – Lamuriou-se</p><div style="text-align: justify;"> </div><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;">- Poder é uma coisa, agora, se não quiseres, posso deixar-te aqui. – Argumentou Mariana retirando uma das suas pistolas. – Agora considera o seguinte: vens comigo e eu ajudo-te, ou fica, mas ficas com uma bala entre os olhos.</p><div style="text-align: justify;"> </div><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;">- Porquê?... porque é que isto me está a acontecer... – Lamentou-se.</p><div style="text-align: justify;"> </div><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;">- Suponho que isso seja um sim. E se te conforta, foi só estares no local errado à hora errada. – Respondeu-lhe Mariana enquanto digitava um número no seu telemóvel. – Daqui é a agente Virna, a missão está completa, o lobo foi caçado.</p><div style="text-align: justify;"> </div><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;">- Muito bom trabalho Virna, estás dispensada, retorna à cidade. – Respondeu-lhe a voz do outro lado.</p><div style="text-align: justify;"> </div><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;">- Temos um problema, quer dizer, dois. Fiz contacto com um dos dois alvos na floresta, ela está infectada com o Lycaen.</p><div style="text-align: justify;"> </div><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;">- Pode ser salva? – Questionou friamente o homem com quem ela falava.</p><div style="text-align: justify;"> </div><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;">- Pode, ainda está consciente, um pouco assustada mas está bem, o vírus vai demorar a tomar conta do corpo, mas até ao nascer da lua de amanhã já a tenho segura. – Explicou Mariana, não tirando os olhos da cara, assustada e confusa da sua agora protegida.</p><div style="text-align: justify;"> </div><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;">- E o outro alvo?</p><div style="text-align: justify;"> </div><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;">- Não tive contacto, presumo morto.</p><div style="text-align: justify;"> </div><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;">- Presumes nada! Não te esqueças do que estamos a lidar!</p><div style="text-align: justify;"> </div><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;">- Então enviem uma equipa de reconhecimento. O meu trabalho acabou por hoje! – Retorquiu a Mariana.</p><div style="text-align: justify;"> </div><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;">- Certo... de qualquer maneira, o Xavier será avisado. Dirige-te para a loja imediatamente.</p><div style="text-align: justify;"> </div><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;">- Certo. – Disse a Mariana com algum desdém, desligando o telemóvel sem qualquer outra palavra. – Tu, recompõe-te e prepara-te que temos um bom caminho pela frente.</p><div style="text-align: justify;"> </div><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;">Ela não disse mais nada e de cabeça baixa levantou-se sem oferecer qualquer resistência. A Mariana estranhou essa submissão assim tão repentina, mas não contestou, a situação já era complicada para ela, portanto para uma pessoa que não pertencia ao Outro Lado de repente ver-se envolvida em tamanha confusão deveria ser algo cansativo para a mente. </p><div style="text-align: justify;"> </div><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;">Desta vez não havia razões para estar alerta, o perigo maior já tinha sido extreminado e qualquer outra pequena ameça seria atraida para clareira primeiro, caso conseguisse sentir a presença de duas criaturas vivas para alem do intenso cheiro a morte lá encontrado, seria tarde demais para as presseguir. Portanto, apenas com a atenção virada para se a rapariga não se desviava do caminho ou tentava fugir, a Mariana tomou rapidamente o trilho de volta para o seu carro. Foi uma marcha rapida e em poucos minutos já avistavam a estrada. A Mariana aproximou-se do carro, abrindo de seguida a porta do passageiro e esperou pela rapariga que se manteve imovel por uns instantes antes de questionar:</p><div style="text-align: justify;"> </div><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;">- Para onde me levas?</p><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;">- Para um sítio seguro. – Respondeu Mariana.</p><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;">Ela manteve os olhos cravados na rapariga, era necessário que ela entrasse no carro mas não era o lugar de Mariana obrigá-la, a decisão precisava de ser tomada pela rapariga e por mais ninguém. Sentiu-se a tensão e o medo a deslizarem pelo ar e por uns instantes a rapariga pareceu vacilar, mas finalmente, com uma expressão pesada e devastada pela atribulação desta noite, ela decidiu confiar nesta estranha e meteu-se no carro.</p><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;">A viagem foi feita em silêncio, nada para alem do passar de carros perturbava o ambiente que estava a crescer entre as duas mulheres. Uma delas estava assustada, sentia-se uma estranha num mundo que julgava conhecer, aquilo que mais gostava tinha sido arrancado de si e agora entregava a sua sorte a uma estranha, simplesmente esperando que este pesadelo acabasse o mais rápido possível. Do outro lado estava a Mariana, ciente do que ela sentia, mas não conseguia entender. Ela tinha nascido no Outro Lado e não conhecia nenhuma outra realidade para alem dessa, portanto não entendia o choque de ter a Ilusão rompida, não entendia a queda no desconhecido que os humanos sofriam quando lançados, pelo destino, pelo acaso, ou por muito má sorte, para o Outro Lado e achava reacções como estas algo descabido, talvez fosse fria demais, mas era assim que ela via o mundo e por não existiam palavras de conforto vindas dela neste momento.<o:p><br /></o:p></p><div style="text-align: justify;"> </div><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;">As luzes dispersas da estrada envolveram o carro ao tornarem-se luzes da cidade, os ruídos da noite invadiram o silêncio do carro fazendo a rapariga espevitar um pouco. As duas criaturas dentro do veículo olhavam para a cidade em sua volta com olhos diferentes, cada uma com a sua visão do mundo, uns olhos viam criaturas disformes a passearem pela noite, enquanto que os outros apenas viam simples humanos, eram duas visões da vida e do mundo mas apenas uma delas estava prestes a mudar.</p> <span style="font-weight: bold;">Continua...<br /><br />Coisa:<br /></span>Coisa 1: Não estou muito satisfeito com este por isso é que deixo aqui o aviso: haverá (de haver) modificações no post<br />Coisa 2: dado a eu estar pouco satisfeito com isto, agradeceria criticas e sugestões e afins. <span style="font-weight: bold;"></span><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6195483-397999421732799257?l=imperialium.blogspot.com'/></div>Vargtidhttp://www.blogger.com/profile/00025515339887540052noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-6195483.post-25556401844186677502008-06-06T14:19:00.010+01:002008-06-09T16:24:38.052+01:00Dream Black<span style="font-weight: bold;font-size:130%;" >Prologo - Parte 1</span><br /><br /><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;">Um leve rachar de ramos e folhas ouvia-se debaixo dos seus pés à medida que ela caminhava pela floresta, os seus olhos e os ouvidos atentos a qualquer distúrbio. Qualquer som, desde o vento a bater nas folhas, até aos pequenos animais que passeavam pela floresta lhe faziam levantar a arma. Apesar de ser um pouco frustrante cada vez que ela acabava com a arma apontada a um mocho ou outro tipo de criatura, ela sabia que todo o cuidado era pouco, não estava a lutar num local conhecido, tinha poucas balas e estava à caça de uma criatura violenta e descontrolada, como se isso não bastasse, ainda não lhe tinham confirmado que a área estava segura, o risco de encontrar inocentes, ou pior, ignorantes à Ilusão, era quase inexistente, no entanto, pequeno ou grande, era um risco a ter em conta.</p><div style="text-align: justify;"> </div><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;">Seguidamente à sua pequena mas demorada caminhada pela orla da floresta, ela chegou a uma pequena clareira onde que a lua, cheia e prateada, inundava-a com a sua luz, no seu centro havia um trilho de relva queimada, ao observar com mais atenção conseguia ver-se que o trilho queimado fazia um padrão especifico. “Deve ser esta a marca” pensou Mariana deixando cair o seu casaco e a mochila, esticando os braços de seguida. A mochila estava ensopada em sangue e já pingava, talvez ela tivesse sorte mas era muito pouco provável que ele não tivesse sentido o cheiro até agora, portanto ela teria de trabalhar rapidamente para sua segurança. Era altura de tirar a limpo as ordens, portanto pegou no seu telemóvel e decidiu confirmar, um toque bastou até uma voz no outro lado falar com ela:</p><div style="text-align: justify;"> </div><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;">- Boa noite Mariana. Então, o nosso lobisomem está morto?</p><div style="text-align: justify;"> </div><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;">- Não tive contacto com ele e ainda nem tive a clarificação da área estar limpa. – Respondeu ela rapidamente enquanto abria a mochila, era nestas alturas que os seus quatro braços extra davam jeito.</p><div style="text-align: justify;"> </div><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;">- A área não está limpa e não vai estar, a equipa encontrou dois alvos mas não os conseguimos remover. – Do outro lado da linha havia uma conversa de fundo enquanto que a Mariana tirava pedaços de carne da mochila e espalhava-os pela clareira. – - Estás autorizada pelo Conselho a romper a Ilusão, elimina esse lobisomem e quero qualquer humano com que entres em contacto capturado, estamos entendidos?</p><div style="text-align: justify;"> </div><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;"><span style=""> </span>- Não esperava nada mais, adeus Júlio, um beijo.</p><div style="text-align: justify;"> </div><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;">Após desligar o telemóvel lançou-o gentilmente contra o chão, afastou a mochila retirando uma garrafa cheia de sangue, despejou esse sangue no chão em forma de círculo e colocou-se no centro. Ambas as suas mãos inferiores agarravam uma pistola, as suas médias mantinham-se esticadas horizontalmente como se a sentir o ar e outra vez as superiores agarravam uma outra arma. Ela inspirou fundo, o cheiro fresco da floresta tinha sido substituído por um intenso odor a sangue e a carne, ao sentir esse cheiro sorriu sabendo que não haveria outra hipótese se não o lobo ser atraído para a caçadora.</p><div style="text-align: justify;"> </div><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;">Ela esperou vários minutos até algo se mexer na densa floresta para alem dos ruídos dos animais, ruídos esses que Mariana já se tinha abstraído. Abrindo os olhos, agora coberto por uma película preta, via a noite noutras cores, o azul da floresta era apenas perturbado por pequenas manchas avermelhadas dos animais, até que irrompeu uma mancha de tamanho humano, atrás dela algo monstruoso perseguía-a. Ela esperou e respirou fundo. A figura humana passou pelas ultimas arvores antes da clareira e veio ajoelhar-se aos pés de Mariana, gritando, implorando com voz de mulher assustada.</p><div style="text-align: justify;"> </div><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;"><o:p> </o:p></p><div style="text-align: justify;"> </div><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;">- Vem algo atrás de mim! Atacou o meu namorado, por favor! Ajude-me! Por favor. – Enquanto isso puxava-lhe por um dos braços.</p><div style="text-align: justify;"> </div><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;">- Cala-te! Larga-me! – Gritou a Mariana para a fugitiva encostando-lhe uma das armas à cabeça, fazendo a rapariga quedar-se em silêncio, aterrada com a criatura que estava à sua frente, enquanto com a outra arma seguia a indicação térmica do lobisomem que as circundava.</p><div style="text-align: justify;"> </div><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;">Ela ainda não podia disparar, ele não tinha entrado na clareira fazendo com que qualquer tiro tivesse uma forte possibilidade de falhar ao embater numa árvore e as balas de prata que ela possuía eram só aquelas que tinha nos cartuchos. Ao seu lado, a rapariga quase morta de terror desfazia-se em lágrimas até ao momento em que a arma que lhe foi retirada da cabeça para seguir o verdadeiro alvo.</p><div style="text-align: justify;"> </div><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;">O lobisomem evitava avançar, talvez intrigado com a visão de outra criatura no decorrer da sua caça, ou talvez estranhando o intenso cheiro a carne e sangue, mas independentemente da razão, ele bufava e rosnava enquanto se deslocava de um lado para o outro nos limites da clareira. A Mariana não tirava o olhar dele. Já não era o primeiro lobisomem com quem ela se debatia e para ela não passavam de animais enraivecidos, mais cedo ou mais tarde ela sabia que ele iria investir. O que não tardou muito. Apoiando-se em árvores para impulso a enorme criatura, espumando de fúria e com um uivo louco, saltou da escuridão em direcção à Mariana, com as suas enormes garras e dentes afiados prontos a rasgar e triturar ossos. Tudo aconteceu num piscar de olhos. Em pleno salto o corpo da criatura absorveu quatro balas fazendo-a cair e rebolar pelo chão. Antes de sequer se levantar, a sua caçadora correu para cima dele e sem mais nenhum som para alem do rasgar do disparo das suas duas pistolas a vida do lobisomem acabou.</p><div style="text-align: justify;"> </div><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt; text-align: justify;">Um suspiro vindo da boca de Mariana corta o silêncio arrepiante que tinha seguídos seus últimos disparos, em seguida a unida coisa que se ouve é o incessante lamurio da rapariga que tinha fugido desta criatura o que faz lembrar Mariana da sua segunda missão.</p> <p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt;"><span style="font-weight: bold;">Continua...</span></p><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt;"><br /><span style="font-weight: bold;"></span></p><p class="MsoNormal" style="margin-right: 92.2pt; text-indent: 9pt;"><span style="font-weight: bold;">Coisa:</span><br />Coisa 1: Isto terá continuação directa, portanto será um pouco confuso ler a segunda parte sem ter alguma recordação desta.<br />Coisa 2: O prologo não terá sentido nenhum com o inicio da historia em si, mas fará mais sentido conforme a historia for avançando (ainda não decidi se a irei postar mesmo)<br />Coisa 3: A Saga da lua, não está esquecida e o próximo post virá em breve!<br />Coisa 4: Isto não tem muito pouco humor, até me arrisco a dizer que não tem nenhum. Peço imensa desculpa.<br /></p><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6195483-2555640184418667750?l=imperialium.blogspot.com'/></div>Vargtidhttp://www.blogger.com/profile/00025515339887540052noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-6195483.post-36123310080374086162008-04-22T23:06:00.006+01:002008-04-22T23:54:41.503+01:00Lunático Enfrenta Monstros da Nª Dimensão<strong>Sonho de 15 para 16 de Abril</strong><br /><br />As coisas não estavam a correr nada bem neste primeiro dia de aulas, no que parecia ser um regresso à secundária.<br /><br />Primeiro, a professora tinha ficado com má impressão minha. Uma colega contou-me que ela tinha-me feito umas perguntas sem que eu respondesse. Não a estava a ignorar! Estava simplesmente distraído a montar uma caneta que se tinha desmanchado, ao cair ao chão.<br /><br />Depois, toca o alarme de incêndio. Não era, porém, de fogo que se tratava. Assim que saímos do pavilhão, seguindo o plano de evacuação ordeiramente, fomos atacados por cobras gigantes! Aqueles verdadeiros leviatãs saltavam de um lago, que estava no centro do átrio, e abocanhavam alunos, professores e funcionários arrastando-os para dentro de água.<br /><br />Tal como aos outros, a minha primeira reacção foi entrar em pânico. Mas comecei-me a sentir um cobarde por nada fazer para ajudar. Fui, então, tentar puxar da água os pobres coitados que tinham sido apanhados pelos enormes répteis. Muitos já tinham sido levados para as profundezas, mas os que resistiam aos puxões, à superfície, podiam ainda ser salvos!<br /><br />Consegui arrastar para terra uns três ou quatro, entre eles a colega que referi anteriormente. As cobras ainda os tentaram recuperar, saltando cá para fora e atirando-se à gente, mas conseguimos-lhes escapar!<br />Fechámo-nos no pavilhão de onde tínhamos saído inicialmente e onde toda a escola, ou os sobreviventes digamos, agora se encontravam.<br /><br />Não foi com espanto que reparei que o seu interior estava totalmente mudado (este tipo de coisas acontece habitualmente nos meus sonhos). Portanto, em vez de uma divisão cuja única mobília era uma mesa e uma cadeirinha para a contínua, estava um celeiro com montes de palha e tudo. Mais adiante, no que antes seria o bar, devia estar um estábulo pois ouvia-se, de vez em quando, o relinchar de cavalos vindo de lá.<br /><br />Entre toda aquela gente, um careca vestido de branco, como um cientista, chamou-me à atenção. Ele andava de um lado para o outro e parecia estar a chorar. A dado momento, solta um grito:<br />- Aaaaaaaai! A culpa foi minha!<br /><br />Ficámos todos a olhar para ele, à espera que se descosesse.<br /><br />- Se não tives-- Agora não interessa! Temos de fazer algo! Tu! – diz, apontando para mim.<br />- Eu?<br />- Sim, tu! Vem comigo! Com a tua ajuda conseguirei avisar a velha das cabras!<br /><br />Avisar a velha das cabras? Não entendi o que ele queria dizer com aquilo, mas tive a certeza que envolvia destruir aquelas cobras demoníacas. Portanto, alinhei.<br />Fomos ao estábulo e, depois de cada um de nós ter montado num cavalo, saímos dali a galope. Os monstros marinhos nem nos tentaram atacar. Àquela velocidade também não teriam grandes hipóteses de o conseguir. Fora da escola, em vez de estrada, carros etc., estava uma densa floresta.<br /><br />Vi lá alguns colegas do secundário, entre eles membros da BAU, a combaterem ferozmente basiliscos e outros monstros. Nos céus voavam enormes pterodáctilos. De vez em quando, um descia a pique apanhando uma vaca de uma manada que ali pastava.<br /><br />Chegámos a uma casa cujos muros não estavam rebocados, vendo-se os tijolos.<br />- Oh velha!! – chama o mal-educado do careca.<br />Mas, em vez da velha, aparece o <span style="color:#cc6600;">*TAN-TUN-TAN-NUN-NAAAAAAN*</span> Barata montado num caracol gigante (eu sei, para quem já jogou Golden Axe isto não é nada de novo)!<br /><br />Travou-se um imenso combate! O Barata ataca-nos com o seu caracol, que disparava raios eléctricos das antenas. O cavalo do careca leva logo com um e cai inanimado no chão. Mas o “dono” levanta-se de imediato e, agora com uma espada nas mãos, ataca o gigante molusco!<br />Tudo isto enquanto que o nosso velho conhecido Barata cantava a plenos pulmões:<br />- Caracol é um bicho! Que desliza no orvalho!...<br /><br />Por entre a cantilena do nosso adversário, o careca grita-me:<br />- Vai chamar a velha das cabras! Despacha-te antes que seja tarde demais!<br /><br />Obedeci, mas não se encontrava ninguém dentro de casa. E devo dizer que, por dentro, até que era bastante luxuosa. Um verdadeiro palacete, quem diria! Havia um estranho pormenor, porém. De dentro de uma porta fechada à chave emanava uma luz branca. Estava decidido a abrir aquela porta e descobrir o que era aquilo! Talvez a mulher lá estivesse.<br /><br />Fui à janela para avisar o cientista, mas já lá não se encontrava. Nem ele, nem o B. e nem as montadas! Que estranho… O céu escurecia rapidamente. Uma sinistra nuvem negra aproximava-se cada vez mais… Esperem! Não era uma nuvem… Mas sim…<br />Milhões de cobras aladas com cara de poucos amigos!! E pareciam ser aquelas que nos tinham atormentado na escola!<br /><br />Compreendi que a minha única hipótese era abrir aquela porta! Mas como? Da janela reparei que a espada, com que o carecovsky lutava, tinha ali ficado. Fui lá buscá-la e regressei rapidamente! Após umas quantas cacetadas, consegui quebrar a maçaneta. Com a porta aberta, sai da tal divisão um exército de cabras bípedes armadas com variados tipos de machados!<br /><br />Uma grande batalha se sucede entre os lagartos voadores e os caprinos! Os últimos saem vencedores e regressam a casa visivelmente contentes, cantarolando o Hino da Alegria em vários tons de “beeé” e “baaaá”.<br />Nem um único monstro tinha sobrevivido naquele combate final! Missão cumprida! Tinha salvo o Mundo de Slumberland! O final perfeito para este sonho seria eu regressar à escola e pregar um beijo na miúda mais gira que me aparecesse à frente!<br /><br />Pena não se ter passado assim… Fui corrido pela dona da tal casa à vassourada, que entretanto tinha chegado das compras.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6195483-3612331008037408616?l=imperialium.blogspot.com'/></div>Lunáticonoreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-6195483.post-34231195971326344232008-04-21T21:36:00.004+01:002008-04-21T22:42:34.940+01:00Horóscopo Semanal – Parte 2 (20 a 26 de Abril)<strong>Balança</strong><br /><br /><strong>Amor:</strong> Será um período benéfico porque conseguirá expressar o seu afecto com maior facilidade. Não terá o mesmo problema da semana passada, em que não se conseguia expressar correctamente e em que o fluxo de ideias acabava sempre na melhor qualidade da comida indiana em relação à chinesa.<br /><br /><strong>Trabalho:</strong> Aborrecer-se-á imenso, como de costume, e construirá uma bomba para interromper um dos entediantes sermões do seu patrão. Infelizmente, para si e para os seus colegas, ele prosseguirá o raspanete como se nada tivesse acontecido.<br /><br /><strong>Saúde e Bem-estar:</strong> Sofrerá alguns arranhões causados por silvas, que se atirarão ferozmente a si quando for às amoras. Portanto, aconselho-a(o) ir equipada(o) com um facalhão e cota de malha, se possível.<br /><br /><strong>Sorte e Dinheiro:</strong> Aqui é que é preciso ter atenção, caro nativo de Balança! Se as suas relações com a fiscalidade e com a lei não são as melhores, cuidado, pois está a atravessar um período de dificuldades nessas áreas. Evite todos os conflitos legais, caso contrário poderá vir a ser atacada(o) por abominantes criaturas monstruosas criadas nos laboratórios da GNR e do Fisco!<br /><br /><br /><strong>Escorpião</strong><br /><br /><strong>Amor:</strong> O seu egocentrismo e narcisismo vão estar no auge. Irá passar mais tempo a olhar para o espelho e tecerá mais elogios a si mesmo(a) do que à sua companheira(o).<br />Porém, ela(e) lá terá alguma paciência e não se chateará.<br /><br /><strong>Trabalho:</strong> Encontra-se numa fase de grande criatividade intelectual, benéfica para uma ideia ou um projecto inovador. Lembre-se, contudo, que mais vale tentar persuadir os outros, através de um argumento, do que impor-lhes forçosamente o seu ponto de vista. Sim, é exactamente isso! Nada de torturas no cavalete aos seus colegas ou subordinados! A chantagem dará bastante melhores resultados desta vez.<br /><br /><strong>Saúde e Bem-estar:</strong> Manter-se-á estável. As dores que tinha, por ter dado um mau jeito no braço esquerdo, na semana passada, ao puxar a corda do pêndulo, passar-lhe-ão um pouco mais.<br /><br /><strong>Sorte e Dinheiro:</strong> Boas novas! Se bem que não é ainda para esta semana…<br /><br /><br /><strong>Sagitário</strong><br /><br /><strong>Amor:</strong> Apaixonar-se-á, à primeira vista, por uma pessoa desconhecida! Porém, um segundo depois irá cair um peso de uma tonelada sobre ela.<br />Nada tema! Ela (ou ele) sobreviverá! Juntamente com o peso caído do céu, perfurará a Terra, atravessando-a pelo seu interior, e irá sair à superfície do outro lado do Mundo (na Austrália, acho eu)!<br />Vai ter é de esperar uns anos para revê-la(o)…<br />E é se não ficar por lá, com um parceiro australiano.<br /><br /><strong>Trabalho:</strong> O seu antigo plano de criação de camelos no Alentejo entrará em conflito com o novo projecto do Ministério da Agricultura: vender a região alentejana a Espanha, porque já estão fartos de os ver declarar “estado de calamidade” por tudo e por nada.<br />E toda a gente sabe que os espanhóis odeiam camelos...<br /><br /><strong>Saúde e Bem-estar:</strong> Deixe de fumar de vez, caramba! E, já agora, leve uns tampões para os ouvidos sexta, para a altura do raspanete. Assim não será interrompido pelos incompetentes dos seus empregados e as suas ideias explosivas. E nem ficará com os tímpanos a zumbir.<br /><br /><strong>Sorte e Dinheiro:</strong> Prevejo que terá uma forte probabilidade de ganhar na Lotaria Nacional. Só não tenho é a certeza se esse jogo ainda existe…<br /><br /><br /><strong>Capricórnio</strong><br /><br /><strong>Amor:</strong> Neste período poderá sentir um maior impulso sexual, ou viver mais intensamente uma paixão. Portanto, alegre-se! Os dias de gastar horas a escrever poemas à(o) amada(o) regressaram!<br /><br /><strong>Trabalho:</strong> O seu talento de dançar e cantar será finalmente descoberto. Todos os capricornianos no País serão contratados para formarem uma gigante banda, que será o novo sucesso musical dos Morangos Com Açúcar Mascavado.<br /><br /><strong>Saúde e Bem-estar:</strong> Seria melhor deixar de beber café. Tenho a certeza que passará uma noite em branco por causa da cafeína… A menos que seja com medo daquele aranhiço pendurado no tecto. <span style="color:#cc6600;">[comentário do autor: Qual aranhiço qual carapuça! Aquilo era quatro vezes maior que uma tarântula! Quatro!!]</span><br /><br /><strong>Sorte e Dinheiro:</strong> Choverão notas, assim que lançar o disco da sua Capricorn Band. Pode escrever o que digo.<br /><br /><br /><strong>Aquário</strong><br /><br /><strong>Amor:</strong> A sua relação vai de vento em popa. Não há peripécias a assinalar sobre este tópico.<br /><br /><strong>Trabalho:</strong> Fátima irá aparecer-lhe pessoalmente, lá para o meio da semana. Ela contar-lhe-á três segredos, diferentes dos dos pastorinhos. Entre eles estarão o complexo mistério do céu ser azul de dia e o motivo dos gatos cuspirem bolas de pêlo.<br />…<br />Ok, na realidade não sei quais são os segredos.<br />Mas sei que começará a escrever um livro baseado neste acontecimento, iniciando uma brilhante carreira como escritor(a)<br /><br /><strong>Saúde e Bem-estar:</strong> Uma tremenda batalha contra um demoníaco professor universitário vai lhe deixar algumas cicatrizes e uma ligeira dor nos rins.<br /><br /><strong>Sorte e Dinheiro: </strong>Para esta semana, as coisas irão-se manter como estão. Mas assim que publicar o livro baseado nas visões de Nossa Senhora, em poucos anos ultrapassará a popularidade da J.K. Rollin’. Irá vender mais cópias da obra em questão do que a bibliografia toda desta.<br /><br /><br /><strong>Peixes:</strong><br /><br /><strong>Amor:</strong> Você sabe que é um vencedor neste tópico. Os indivíduos do sexo oposto derretem-se por si. Basta escolher o que lhe mais agrada.<br /><br /><strong>Trabalho:</strong> Não precisa de trabalhar! Nunca precisou, nem nunca precisará! Toda a humanidade lhe paga tributo, só por nos ter abençoado com a sua existência. E mesmo que não pagasse, você leva tudo o que quer de borla.<br /><br /><strong>Saúde e Bem-estar:</strong> O seu sistema imunitário é impenetrável! Os glóbulos brancos são miniaturas microscópicas de si mesmo(a) e os seus anticorpos rotativos pelos queixos acima!<br /><br /><strong>Sorte e Dinheiro:</strong> Você quer, pode e manda! Não precisa de sorte, nem de dinheiro.<br /><br /><br /><strong><em>Madame Saraiva<br /></em></strong><br /><br /><strong>Comentário do autor: É mais que óbvio que o Chuck Norris é nativo de Peixes, não?</strong><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6195483-3423119597132634423?l=imperialium.blogspot.com'/></div>Lunáticonoreply@blogger.com2tag:blogger.com,1999:blog-6195483.post-42471761187394521162008-04-20T20:16:00.002+01:002008-04-20T20:19:32.323+01:00Horóscopo Semanal – Parte 1 (20 a 26 de Abril)<strong>Carneiro<br /></strong><br /><strong>Amor:</strong> Muito charme e magnetismo, o que não só arrancará olhares atrevidos de indivíduos do sexo oposto, como objectos de metal que se amontoarão à sua volta, criando uma enorme esfera como no Katamari.<br /><br /><strong>Trabalho:</strong> Vai chamar muito a atenção para si, neste período. Principalmente por se apresentar como uma bola de ferro ambulante. Os seus colegas de profissão, invejosos, tentarão imitá-lo. Muitos equipar-se-ão com potentes ímanes, mas não terão resultados tão satisfatórios.<br /><br /><strong>Saúde e Bem-estar:</strong> Abstraia-se de preocupações, pois elas não favorecem o seu bem-estar. Irá sentir muitas energias, mas não exija mais do seu corpo do ele pode dar. Portanto, se estava a pensar em concorrer no apuramento de levantamento de pesos para as próximas Olimpíadas, este não é o melhor momento.<br /><br /><strong>Sorte e Dinheiro:</strong> Não será má, não senhor(a). Quanto ao dinheiro, ele virá finalmente! Será desta vez que ganhará o Euro-Milhões! Terá é de apostar nos primeiros 7 números primos.<br /><br /><br /><strong>Touro</strong><br /><br /><strong>Amor:</strong> Pense menos e ame mais pois, nem para tudo, o intelecto é o seu melhor amigo (sem ofensa).<br />É possível que o medo de ser magoada(o) interfira na sua relação amorosa. Afinal, como conseguirá obter bons momentos privados levando sempre cinco guarda-costas atrás? Também não lhe aconselho a ir a jantares românticos com esse colete à prova de balas ridículo!<br /><br /><strong>Trabalho:</strong> Está na altura de pensar mais em si do que nos outros. Toca a puxar a brasa à sua sardinha, caramba! Engraxe o patrão, fale-lhe mal dos seus colegas, crie instabilidade entre eles, faça com que se zanguem. Já é tempo de ser promovida(o)!<br /><br /><strong>Saúde e Bem-estar:</strong> Descanse o suficiente, alimente-se bem e coma com calma. Faça algum exercício físico: uns quantos abdominais, algumas flexões e cace mais de 20 Ursos por dia. Não existe exercício físico melhor do que caçar Ursos! Verá que ficará em forma num instante se seguir este plano rigorosamente.<br /><br /><strong>Sorte e Dinheiro:</strong> Terá alguma sorte, sim. Conseguirá se desviar de alguns pesos de uma tonelada, que cairão do céu. E, quinta-feira, constipar-se-á o que fará com que falte ao trabalho na sexta, safando-se de boa de um atentado bombista e do raspanete semanal do seu chefe.<br />Quanto a dinheiro, encontrará a moeda de 50 cêntimos, perdida na semana passada, debaixo da cama. Perdê-la-á, porém, de terça para quarta.<br /><br /><br /><strong>Gémeos</strong><br /><br /><strong>Amor:</strong> Não lhe correrão bem as coisas nesta semana. É possível que acabe, mais uma vez, uma relação neste mês. Mesmo assim as coisas estão a melhorar! Se nada de anormal acontecer, terá menos 20 relações acabadas do que em Março.<br /><br /><strong>Trabalho:</strong> Perderá o novo emprego nesta semana. Isto devido a uma conspiração de uma colega sua, que instigará contra si perante o vosso patrão e outros colegas.<br /><br /><strong>Saúde e Bem-estar:</strong> Más notícias. Será acusada(o) do atentado terrorista que se sucederá sexta-feira no seu antigo posto de trabalho. Todos pensarão que o fez por vingança e terá, em breve, que prestar contas ao tribunal. Toda esta situação irá lhe provocar, obviamente, imenso stress.<br /><br /><strong>Sorte e Dinheiro:</strong> Dentro do panorama, até que nem terá muito azar. Menos pesos de uma tonelada cairão em cima de si, isto porque parece que são atraídos magneticamente por o(a) exibicionista do(a) seu(sua) vizinho(a).<br />E ainda não é desta que ganhará o Euro-Milhões.<br /><br /><br /><strong>Caranguejo</strong><br /><br /><strong>Amor:</strong> Este é um período de isolamento e retraimento em si mesmo. Os envolvimentos amorosos não vão ocupar a sua mente esta semana. Mas, nem pense em lançar a toalha ao chão! Tudo indica que para a próxima é a sua vez de arrasar!<br /><br /><strong>Trabalho:</strong> Muito provavelmente vai sentir uma maior exigência dos seus superiores. Eles estarão irritadiços porque a nova série do Terminator parece suckar.<br />Procure, também, não acreditar em tudo o que ouve. Estou-me a referir àquele seu amigo que inventa as histórias mirabolantes. Ele vai tentar fazê-lo acreditar que tomar café, enquanto faz o pino, dá ainda mais energias pela manhã. Toda a gente sabe que a melhor maneira de começar o dia é ler o Imperialium! Quatro em cada cinco pessoas aumentaram o seu desempenho profissional ao fazê-lo diariamente. Nisto pode crer!<br /><br /><strong>Saúde e Bem-estar:</strong> Poderá sentir-se menos atraído(a) por comidas indigestas e refeições muito abundantes. Lembre-se de que os legumes e frutas nunca fizeram mal a ninguém. E sim, aquela história de que as bananas vindas da Madeira contêm explosivos, devido a um plano de conquista do continente pelo Alberto João, não passa de mais uma ideia maluca do seu amigo.<br />Tal como a dos tomates sugadores de sangue.<br />…<br />E a dos espinafres estranguladores.<br /><br /><strong>Sorte e Dinheiro:</strong> Estará bem de finanças. Se calhar até terá sorte suficiente para ganhar um segundo prémio no principal jogo da Santa Casa. Não sei é se se conseguirá desviar de todas as merendas no passeio, durante a semana. Sim, tudo culpa do cão do vizinho do 5º esquerda.<br /><br /><br /><strong>Leão</strong><br /><br /><strong>Amor:</strong> Embora não seja da sua natureza ficar em casa, esta semana vai sentir uma maior necessidade de ficar junto dos seus. Eles, por seu lado, pensam que é mais um plano seu para os chatear e, portanto, vão tentar evitá-lo(a). Não é que a sua família não goste de si! É um pouco por causa da sua natureza temperamental. Mas para o fim da semana, eles lá aperceber-se-ão que está, apenas, numa fase mais carente e deixarão de fugir.<br />Porém, esta fase de acalmia terminará quando culpará a sua leoa por deixar, as vizinhas hienas, roubarem o antílope acabado de caçar… Peço desculpa, não resisti.<br /><br /><strong>Trabalho:</strong> Vai estar extremamente embirrento(a) por as séries do Terminator suckarem. Deverá descarregar sobre os seus subordinados e não deixar que essa decepção se reflicta no trabalho. Terá de aproveitar nesta semana, porque está numa fase mais criativa ainda que o habitual.<br /><br /><strong>Saúde e Bem-estar:</strong> Prevejo que há o perigo de apanhar uma carraspana nesta semana, portanto não saia de casa, a não ser para o trabalho!<br /><br /><strong>Sorte e Dinheiro:</strong> Para além da possível constipação e do antílope roubado, não haverá mais peripécias a assinalar. A sua situação económica manter-se-á.<br /><br /><br /><strong>Virgem</strong><br /><br /><strong>Amor:</strong> A sua relação vai bem e recomenda-se. Terá apenas uma pequena discussão, sem grande importância, com o(a) parceiro(a). Isto porque ele(a) descobrirá que você se entretém a atirar pesos de uma tonelada, através de um guindaste, de cima do prédio onde habita.<br /><br /><strong>Trabalho:</strong> O seu plano de clonar o John West, com o fim de extinguir os Ursos no Mundo, irá finalmente para a frente! Arranjará investidores interessados e começará a clonagem já para o meio desta semana.<br />No seu emprego, as coisas manter-se-ão como de costume.<br /><br /><strong>Saúde e Bem-estar:</strong> Alguma probabilidade de sofrer transtornos físicos, tendencialmente ligeiros, durante este período. Só um aviso: tente evitar estar no trabalho sexta-feira entre as 10 e as 11 horas da manhã. <br /><br /><strong>Sorte e Dinheiro:</strong> Encontrará uma pasta cheia de diamantes no chão, certo dia quando sair de casa. Mas, um tipo com má pinta irá o tentar roubar, arrancando-a da sua mão e fugindo a correr. Não tenho a certeza quanto ao desfecho desta perseguição. <br /><br /><br /><strong><em>Madame Saraiva</em></strong><br /><br /><br /><strong>Comentário do autor: A previsão semanal para os restantes signos será publicada amanhã.</strong><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6195483-4247176118739452116?l=imperialium.blogspot.com'/></div>Lunáticonoreply@blogger.com1tag:blogger.com,1999:blog-6195483.post-17324290684725959392008-04-18T20:39:00.004+01:002008-04-18T21:08:22.959+01:00Marte Ataca (com queijo)!<strong>Uma mensagem estranha na rádio<br /></strong><br />7:30 da manhã, o despertador toca arrancando-me de um sonho onde salvava o Mundo de uma calamidade apocalíptica (sonho que será aqui brevemente publicado). Enquanto tacteava a mesinha de cabeceira à procura do comando para apagar a aparelhagem, reparei que a música que estava a passar na rádio era muito estranha. Um simples riff de Blues numa guitarra clássica, acompanhado por uma voz monocórdica que dizia ciclicamente “Ana Dalai, Grama Lama, Dalai Lama”.<br />Levantei-me e fiquei especado a olhar para aparelhagem, como se fosse um televisor. A voz continuava a mesma cantilena, mas a guitarra parecia agora estar a servir de arma contra alguém. “Mas que raio…?!”, não pude deixar de pensar.<br /><br />Experimentei mudar de estação mas, surpresa das surpresas, estava a transmitir a mesma coisa! O cantor desafinado, depois de um bocado, passou a ser espancado. Ouviam-se “DalBÂ! Hunf! … LamUgh!” seguidos de sons de pancadaria e de vários “Toma!” ditos pelos supostos adversários.<br />Verdadeiramente indignado com a péssima qualidade da música contemporânea, ia desligar a aparelhagem quando o “artista” grita desesperadamente:<br />- É um anagrama, Parvo!<br /><br />Ahah! Um anagrama! Compreendi então que era uma mensagem do meu informador, o Gonçalves. Esperei um pouco a ver se ele dizia mais alguma coisa. Após uns 2 minutos de silêncio, ouve-se uma mulher a anunciar o boletim meteorológico, com uma tal naturalidade que parecia que nada de anormal tinha acontecido.<br /><br />Mudei, de novo, para o posto anterior e *TCHARAN!* estava a passar uma música qualquer foleira! Não restavam dúvidas! O Gonçalves quis me mandar uma mensagem e, sabendo que eu devia acordar por esta hora, usou a rádio. Mais alguém notou que ele interceptava todas as emissoras e foi apanhado quase de imediato.<br />Porque razão, então, ele não tinha feito como de costume? Ou seja, vestir-se de motociclista da Telepizza e entregar-me a mensagem pessoalmente, ao mesmo tempo que uma deliciosa carbonara? Talvez as carbonaras tivessem acabado… ou então…<br /><br />Fui à janela ver o que se passava lá em baixo, à porta do meu castelo. Tal como suspeitava! Dois marmanjões, cada um armado com um barrote de madeira, guardavam o portão. Decidi espreitar a entrada a sul, pela ponte levadiça. Estranho… Estava aparentemente deserta. Mas!, ao desviar o olhar para o lado, vi um vulto suspeito no telhado do palácio que está a ser construído a este.<br /><br />Já com os binóculos, pude constatar que, também ele, estava ali para evitar que recebesse mensagens do exterior, pois o tipo estava armado com uma riffle! E ao ver-me através do óculo da mesma, começa a disfarçar ora dando marteladas com a arma numa chaminé, ora pedindo pregos a um tal de Tavares que devia ser invisível, porque não se via mais ninguém ali.<br /><br />O Gonçalves sabia que agentes inimigos vigiavam as entradas do castelo e que jamais conseguiria entregar-me a mensagem pessoalmente. Mas, afinal, o que queria ele dizer com aquilo? Dalai Lama? Anagrama?<br />- Só há uma maneira de descobrir! – disse, para os meus botões.<br />- Pois, através do Anagram Genius. – responde-me o botão azul, enquanto que o amarelo e o encarnado acenavam vivamente que “sim”.<br /><br />No <a href="http://www.anagramgenius.com/server.html">Anagram Genius</a>, ao digitar “Dalai Lama” saiu-me o resultado “A lad. A mail”. Não vi como aquilo pudesse fazer sentido, mas… Fui ver o correio, pelo sim, pelo não. Nada. O e-mail depois, nada também. Comecei a duvidar das conclusões que tinha tirado. Será que não era tudo coincidência? Fui então ver o que o sniper pseudo-construtor estava a fazer.<br /><br />Surpreendido, observei-o a martelar, atrapalhadamente, com a riffle. De vez em quando metia, sem querer, o dedo no gatilho e *BAM!*, disparava para baixo. Acabou por acertar em cheio no pé, a certa altura. Depois de uma curta dança ao pé-coxinho, lá retomou o trabalho, vermelho de dor e de fúria.<br />- Oh Tavares, traz me os pregos que não posso ir aí abaixo!<br /><br />“Woah!”, exclamei impressionado. Um molho de pregos flutuava pelo escadote acima, como que sendo mesmo levado por alguém invisível!<br />- Não te deixes enganar! Aumenta o “zoom”, pah! – diz-me o botão amarelo.<br />Obedeci e, dos meus binóculos “zoomados” ao máximo, vi que os pregos eram içados e levados por fios finíssimos. Lá em cima, suspenso no cabo dos postes eléctricos, um dos tipos que guardava o portão estava agora encarregue de fazer aquele truque, movendo os tais fios como se fosse um manipulador de marionetas.<br /><br />- Nah! Sempre tinha razão! Aqui há gato!<br /><br /><br /><strong>Um rapaz</strong><br /><br />Saí de casa eram 9 horas. Ia à caça de gambozinos selvagens no imenso pinhal que está a poucos metros do meu castelo. A meio do caminho, um miúdo de bicicleta, que tinha por hábito passar por aquelas zonas, aborda-me:<br />- Dá-me o teu e-mail, rápido!<br />- Uh?<br />- O teu e-mail? Diz-mo! – pede, desta vez fazendo \\//_ com a mão.<br /><br />Percebi que ele era um vulcano e, como estes são tipos porreiros, confiei nele. Depois de ele ter anotado o e-mail na mão, arrancou, fugindo o mais depressa que podia na sua bicicleta. Um helicóptero aparece e persegue o pequeno ciclista, voando a baixa altitude.<br /><br />Em frente um tanque, que estava escondido atrás de um muro, mostra-se e começa disparar bazucadas contra o rapaz. Mas os vulcanos são exímios condutores de veículos de duas rodas! Ele facilmente se desviou das bombas, e uma foi acertar no helicóptero. Desorientada e já parcialmente destruída, a aeronave choca contra o blindado, e explodem ambos de maneira espectacular!<br /><br />*KA-BOOM!*<br /><br />O miúdo passa pelos destroços ardentes dos veículos, fazendo “cavalinho” com a bicicleta. Mas, inesperadamente, bate com a roda traseira no lancil do passeio e cai desamparado. Chora baba e ranho, chamando pela mãe, mas vendo que não aparecia ninguém para o socorrer, lá se levanta e retoma o caminho.<br /><br /><br /><strong>Um e-mail</strong><br /><br />Quando cheguei a casa, tinha uma nova mensagem no correio electrónico. Nela estava uma história difícil de acreditar, mas que faz TODO o sentido! Ora vejam:<br /><br /><span style="color:#ffcc00;">Chamo-me Tenzin Gyatso, mas sou mais conhecido por Dalai Lama. Criei este nome com a ajuda dos Vulcanos.<br />Combinámos que eles ficariam encarregados de enviar jovens, para todos os cantos do Mundo, que pudessem recolher e-mails, moradas e até faxes de pessoas que percebessem a mensagem subliminar “A lad. A mail”. Através deles tornaria públicas as atrocidades de que tomei conhecimento!<br /><br />Não o podia fazer de outra forma, porque as autoridades policiais e militares chinesas não me deixam contactar ninguém, seja porque meio for! Tudo o que digo em público, são textos escritos por eles, de modo a encobrir o que se passa no nosso Planeta, principalmente no Tibete e em Portugal! Sim, em Portugal, caro amigo!<br /><br />Decidi contactar os Vulcanos, pois percebi que eram os únicos seres no Universo que nos poderiam ajudar. Num episódio extra do Caminho das Estrelas, que só eu vi e por mero acaso porque estava a dar fora do horário habitual, mostrou que os habitantes do planeta de Spock desenvolveram um receptor de pensamentos, que abrange todo o seu sistema solar.<br /><br />Toda a minha vida estudei ciência e consegui, em 20 anos de trabalho, construir um emissor/receptor que fizesse chegar as minhas ondas cerebrais a Vulcano. Com a ajuda de um cirurgião amigo, instalei-o no meu próprio cérebro. Simulei um acidente de mota e tudo, para ele me poder operar sem que as autoridades da China desconfiassem!<br /><br />Agora estes nossos amigos extraterrestres fazem de pombo-correio entre mim e si, Lunático, escrevendo-lhe as minhas ondas cerebrais, e enviando-me, directamente para a mente, as suas respostas.<br />Tal como o fizeram entre mim e o seu conhecido, o Gonçalves!<br /><br />Ele não deve ter sido o primeiro a descobrir a mensagem por detrás do meu falso nome, ou título como consta, mas foi o primeiro a ter sucesso em dar o seu e-mail a um vulcano. Ou então o vulcano é que foi o único que conseguiu transmitir para o seu planeta. Algo assim…<br />O Gonçalves falou-me de si. Contou-me que poderia publicar tudo o que sei, num blog de nome Imperialium. Ele prometeu-me pô-lo ao corrente do assunto. Agradeça-lhe por mim, se ele ainda viver.<br /><br />Bem! Vou então contar-lhe tudo o que sei (a si e a todo o País, pois espero que publique isto). Aviso que serão más notícias.<br /></span><br /><br /><strong>Um e-mail (continuação)<br /></strong><br /><span style="color:#ffcc00;">Ainda antes do Homem existir, já os habitantes inteligentes em Marte, os Moto-Ratos, tentavam invadir a Terra. Guerrearam com os dinossauros, a espécie terrestre inteligente e dominante naquela era, e conseguiram extingui-los não se sabe bem como. Mais tarde criaram um satélite artificial, que na realidade era uma fábrica de queijo gigante, tendo também queijo como cobertura. Puseram-na em órbita da Terra.<br /><br />O Homem começou então a chamá-la de Lua, ignorando tudo a seu respeito. Passaram a vê-la como um candeeiro natural, uma fonte de luz nocturna e uma fiel companheira nas noites de caça. Nunca desconfiariam que a Lua era, nada menos, que uma letal arma criada contra a Humanidade!<br /><br />E não digo isto em vão! Nas amostras de solo lunar recolhidas nas missões Apollo, pode-se constatar que existe lá uma substância desconhecida na sua composição química. Depois de vários testes, soube-se que essa substância estimula o desenvolvimento da inteligência dos roedores.<br /><br />É neste plano audaz que entram os OVNI’s! Qual o seu papel? Ora bem… Maior parte dos objectos voadores estranhos, avistados nos nossos céus, são na realidade naves espaciais marcianas! Elas saem do seu planeta, fazem escala na Lua onde recolhem o queijo recentemente fabricado, e chegam, enfim, à Terra onde abastecem todas as empresas de lacticínios.<br /><br />Exacto! O queijo não é feito através do leite de vaca, cabra ou ovelha, como nos fizeram acreditar! Vem, sim, da Lua! E, porque razão, fazem, os Moto-Ratos marcianos, isto? Para os ratos terrestres evoluírem rapidamente e nos destruírem, ou subjugarem!<br /><br />Brasil e China, as duas verdadeiras potências mundiais, têm conhecimento dos planos dos nossos vizinhos espaciais. Mas, não julguem que ficaram de braços cruzados! Através de agentes infiltrados nas empresas marcianas de lacticínios, os queijos infectados são substituídos por outros, para consumo público.<br /><br />Os infectados são, então, estudados em laboratório e armazenados em duas zonas do Globo que, China e Brasil, controlam especialmente bem: Tibete e Portugal!<br />Assim, caso os roedores nestes países fiquem perigosamente inteligentes, há sempre uma solução: riscá-los do Mapa Mundi!<br /><br />Como descobri tudo isto? Bem, sempre desconfiei do facto de viaturas militares chinesas virem carregadas de queijo e guardarem-no todo nos nossos mosteiros. Depois, tive a sorte de interceptar uma corrente de mensagens ultra-secretas. Elas faziam-se com papelinhos no interior de vários sabonetes da Dove. Assim soube de tudo!<br /><br />Com a ajuda de vários cientistas meus compatriotas, fizemos alguns testes em laboratório. Demos, diariamente, uma forte dose da tal substância a diversos ratos. Fique a saber que, em duas semanas, um dos roedores já falava. E, passado apenas um mês, todos citavam Shakespeare!</span><br /><span style="color:#ffcc00;"><br />A polícia secreta Chinesa apercebeu-se do desaparecimento dos sabonetes, que supostamente deviam ser enviados aos aliados brasileiros. Eu não me preocupei com a possibilidade de eles descobrirem, porque pensava que ia conseguir revelar ao Mundo toda a verdade, a tempo. E teria conseguido, de facto, se um dos cientistas que me ajudou não fosse um agente duplo!<br /><br />Fui apanhado, juntamente com todas as pessoas que me ajudaram e que sabiam de tudo. Têm, então, nos mantido calados. Só não me eliminaram logo para evitarem conflitos com o povo do meu país. Mas eles não são tolos! Aperceberam-se que algo se passava de estranho e, aliando isso ao desejo de liberdade, têm se manifestado e até revoltado ultimamente, como se sabe.</span><br /><br /><br /><strong>Um e-mail (continuação da continuação)</strong><br /><br /><span style="color:#ffcc00;">Quanto a Portugal, nada tinha sido descoberto pelos seus habitantes, até ter contactado ontem com o Gonçalves. E, isso, graças a planos meticulosamente engendrados pelos brasileiros desde há décadas, aliás, séculos até!<br />Vejamos:<br /><br />1º Guerra Civil Portuguesa (1834): Liberais vencem, como o apoio do Brasil, e extinguem a Ordem dos Franciscanos, ficando logo com conventos livres para o armazenamento do queijo.<br /><br />2º Criação do Futebol (1860’s): Pensavam que tinham sido os ingleses, não era? Na realidade foram os brasileiros, com a ajuda da China e do Japão, que o criaram. E, devido a este desporto, consegue-se distrair maior parte da população masculina, tanto em Portugal, para que não reparem nos queijos em demasia, como no resto do Mundo.<br /><br />3º Telenovelas (1950’s): Com a maior participação da Mulher na vida social, foi preciso os brasucas inventarem outro tipo de entretenimento para adormecerem, desta vez, a capacidade intelectual das senhoras portuguesas. Ou não fossem elas ver – ao contrário dos maridos que, só tinham a bola na cabeça – que algo se passava de errado. Pois, nos conventos havia um cheiro a queijo que não se podia e os ratos já viviam em sociedade e andavam a caçar gatos, com arco e flecha.<br /><br />4º Retirar das favas e brindes dos bolos-rei (1990’s): Os estrategistas do “País Irmão” do vosso vêm que há algum desinteresse pelo futebol e telenovelas, nas novas gerações. Decidem, então, fazer desaparecer as tradicionais favas e brindes dos bolos em questão, deixando os portugueses a meditar sobre o assunto.<br /><br />5º Invenção de casos e notícias polémicas/ Exploração dos Media (finais de 1990's até agora, principalmente): Vacas loucas; quedas de pontes; meningite; gripe asiática (com a ajuda da China); pneumonia atípica; crise económica; nitrofurano nas galinhas; pedofilia; gripe das aves; desaparecimento da Maddie Mccan; mosquito dengue, etc.<br />Tudo minhocas que metem nas vossas cabeças, para vos ocultar a realidade!</span><br /><br /><br /><strong>Um e-mail (conclusão)</strong><br /><br /><span style="color:#ffcc00;">Como vêm, temos sido enganados durante todo este tempo. Não nos devemos revoltar, empreendendo ataques bélicos contra as duas grandes potências. Nem tínhamos hipóteses se o fizéssemos… E afinal, Brasil e China estão a fazer o que acreditam ser o melhor para a Humanidade.<br />Proponho, sim, a exterminação de todos os roedores nos nossos países, a destruição dos queijos e a criação e montagem de foguetões no nosso subsolo. Estes arrancarão Portugal e o Tibete deste Mundo injusto! Voltaremos as costas a todos e iremos pelo espaço fora em busca de um novo Planeta, onde possamos aterrar e viver felizes, em paz.<br /></span><br /><br />Fiquei ainda a olhar para o monitor, chocado com o que tinha acabado de ler. Ouço uma voz, vinda da minha camisa, a dizer o seguinte:<br /><br />Botão Encarnado: “Txé! Este Dalai Lama é maluquinho de todo! Marte dava era cabo da gente se levantássemos voo da Terra!”<br /><br /><br /><strong>Domingo: “Horóscopo Semanal, pela Madame Saraiva”<br />Terça: “Lunático Enfrenta Basiliscos e Caracóis Gigantes da Nª Dimensão”<br />Quarta: Caracóis não gigantes e deliciosos, a metade do preço, na tasca do Zé</strong><br /></span><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6195483-1732429068472595939?l=imperialium.blogspot.com'/></div>Lunáticonoreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-6195483.post-64861369344988461232008-04-16T21:38:00.004+01:002008-04-16T21:51:53.539+01:00Like A Virgin video<div style="text-align: justify;">Digamos que aqui vai a minha justificação para não postar a muito tempo aqui no Imperialium. Isto é devido a loucura e psicoses agudas que se passam como podem confirmar aqui abaixo.<br />Ando em psicofarmacos.<br /><br /><br /><embed src="http://www.metacafe.com/fplayer/1249849/dancing_like_a_virgin.swf" wmode="transparent" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" type="application/x-shockwave-flash" height="345" width="400"></embed><br /><span style="font-size:78%;"><a href="http://www.metacafe.com/watch/1249849/dancing_like_a_virgin/">Dancing Like a Virgin</a> - <a href="http://www.metacafe.com/">The best bloopers are here</a></span></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6195483-6486136934498846123?l=imperialium.blogspot.com'/></div>No One Knowsnoreply@blogger.com1tag:blogger.com,1999:blog-6195483.post-20034292513609594382008-04-14T02:13:00.016+01:002009-01-30T17:16:37.362ZJAVA: Parte V<span style="font-size:130%;">JAVA: Capítulo 5.0</span><br /><span style="font-size:130%;">“Perdidos na secretária” <span style="font-size:100%;">ou </span>“Por que razão o meu teclado tem a tecla 7 mais suja que as outras todas?”</span><br /><br /><a href="http://imperialium.blogspot.com/2008/01/java-parte-iv.html">(...)</a><br /><br />Depois de uma longa jornada ao lado de Éspe, eis que aparece no horizonte uma estátua gigantesca que reflectia a luz de um sol de meio-dia. Ao aproximarmo-nos, deduzimos que aquela estrutura fosse o mítico parafuso de que o Grande Mestre J~Ap nos falara e percebemos automaticamente que estávamos próximos do nosso objectivo.<br /><br />Demorámos umas horas a circundar o parafuso. Por trás dele, o nosso objectivo jazia magnífico, como uma espinha no meio de um arroz de gambas. Escalámos a custo pelo plástico até se erguerem perante nós duas largas teclas ao lado de uma mais pequena. A noite chegara quando atingimos o cume, por isso decidimos acampar. A norte prostrava-se humildemente uma vasta cordilheira que dormia ao relento, com os seus vales sombrios e mal frequentados.<br /><br />Era a primeira vez que repousávamos depois da luta com o malvado Gre~Ay e sabíamos que os pesadelos ainda nos iam atormentar de noite, como um sinal de que não estava tudo bem. Assim que chegou a meia-noite, ouvimos os gritos das almas penadas que assombram as sinistras montanhas do norte, em celebrações canibais e pijamas-party. Nessa noite não conseguimos dormir.<br /><!-- Ainda o Sol não nascera, já íamos a caminho do nosso destino. A travessia dos vales seria perigosa e árdua, não tivesse Éspe descoberto uma forma de atravessarmos os vales sem termos de descer as montanhas, bastando para isso segurar numa pena preta. Graças a ele, chegámos à tecla 7 ainda nesse dia. --><br /><br />Enfim chegámos à tecla 7 e não estávamos preparados para o que lá existia. Uma selva de microrganismos estendia-se por tão longe quanto conseguíamos enxergar. Nas árvores amontoavam-se pequenos animais que nunca antes vira, como pequenos elefantes com asas em vez de orelhas e corvos humanóides fumadores de charutos vestidos às riscas. No chão rastejavam ratazanas e toupeiras minúsculas e baratas e lepismas gigantes.<br /><br />Foi então que à nossa frente apareceu uma criatura imensa, adornada com toneladas de ouro. Esta criatura possuía cabeça de cabra, corpo de dragão e cauda de leão e olhava para nós com um ar feroz. Um rugido assustador vindo de trás de nós fez-nos saltar e ver uma outra criatura, esta com cabeça de leão, corpo de cabra e cauda de dragão, vestida com farrapos.<br /><br />-Olá – disse uma quimera.<br />-Olá – respondeu educadamente a outra.<br />- Eu é que sou a verdadeira quimera!!!! – disse a quimera rica da cabeça de cabra.<br />- Não, vai à wikipedia! Eu é que sou a verdadeira quimera! – disse a quimera pobre da cabeça de leão.<br />- Tu nem um interface tens! Devias ser banida para Hades!<br />- Olha o menino rico dos interfaces! Vem para aqui exibir-se! Deve ser filho de um Papa, só pode!<br />- Basta! – disse a quimera rica instantes antes de investir na nossa direcção.<br /><br />Desviámo-nos. A quimera da cabeça de leão abocanhou o pescoço de cabra da sua inimiga e nessa altura apareceu à nossa direita uma criatura com cabeça de dragão, corpo de leão e cauda de cabra que, com um simples esparrinhar de fogo, matou as outras duas quimeras num abrir e fechar de olhos. Em seguida pegou no ouro e correu atrás de nós, que começámos a fugir. Lembrei-me então das palavras do Grande Mestre J~Ap que disse:<br /><br />“Em ambientes hostis como selvas, savanas ou teclados bolorentos, um programador deve sempre fazer uso da herança e da polimorfia de classes!”<br /><br />E fez-se luz! Este ser que corria atrás de mim e de Éspe era um objecto da classe Animal porque StrangeAnimal herda de Animal. Assim, invoquei o método Quimera3.getPontoFraco(); que me devolveu uma String com o conteúdo “Rabo” e dei um pontapé no rabo da Quimera, fazendo-a desmaiar.<br /><br />{<br />Quimera3.kick(ass);<br />String estado = Quimera3.getState();<br />assert(estado==”desmaiada”);<br />mystate.celebrate(aLot); //weee...<br />}<br /><br />Seguidamente passou um camião do lixo chamado “Garbage Collector”, o qual, à falta de apontadores para aquele objecto, limpou-o da memória e livrou-nos do nosso problema.<br /><br />Assim que o camião desapareceu, surgiu do nada um enorme templo zigurate. Entrámos e lá dentro deparámo-nos com Gre~Ay que, como suspeitávamos, estava tudo menos morto.<br /><br /><br />(...)<br /><br />Próx: Java 6.0: “O petisco de Gre~Ay”.<br /><br /><span style=";font-family:arial;font-size:200;" >!</span><br /><br /><!-- Por que razão a tecla 7 do meu teclado está mais suja que todas as outras teclas? a) não tenho nenhuma password com o número 7 b) o meu número de telemóvel tem 7s, mas nunca o dou a ninguém c) … Por algum motivo, sempre que tenho necessidade de carregar naquele número, tenho pelo menos um dedo mais sujo que os normal e é logo esse que uso para carregar lá. Porquê? Será o demónio a tentar denegrir a imagem de Deus, já que 7 é o número da perfeição? Não esquecer: - “programador em ambientes hostis” by J.A.P. --><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6195483-2003429251360959438?l=imperialium.blogspot.com'/></div>!noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-6195483.post-75073817881028311262008-04-12T18:07:00.004+01:002008-04-12T23:31:50.055+01:00Onde estará Wang?<strong>Sonho de 9 para 10 de Abril<br /></strong><br />Estou a conduzir numa estrada deserta enquanto que, ao longe, o Sol se levanta para um novo dia na Slumberland. Farto do som monótono do motor, ligo o rádio e uma música em sintetizador, digna de um filme de suspense, ecoa dando ritmo a esta cena e às que se seguem.<br /><br />A dado momento a estrada deixa de estar deserta pois, à minha direita, umas 20 pessoas acompanham o andamento do meu carro, umas correndo, outras rebolando.<br />Na faixa à esquerda aparece o Sonic a tentar me ultrapassar, mas não o deixei!<br /><br />Competimos, ainda durante um bocado, a uma vertiginosa velocidade. E o malandro do ouriço-cacheiro azul, a certa altura, teria me ultrapassado porque apanhou aquele power up dos sapatos. Mas o azar bate-lhe à porta! Um camião aparece, a poucos metros, em sentido contrário. O seu condutor? Robotnik, é claro! A mascote da Sega teria perecido por baixo dos pneus daquela juguernauta mecânica (ou perdido os seus anéis), mas!<br /><br />Mas! Vindo dos céus, o Barata, com uma hélice de helicóptero montada nas costas, agarra o Sonic e eleva-se no ar mesmo a tempo, salvando-o!<br />Robotnik ejecta-se do camião, numa cápsula voadora, e persegue os outros dois.<br /><br />Trava-se uma batalha espectacular no céu! Batalha a que não pude assistir com atenção, porque, como sou bom condutor, nunca tiro os olhos da estrada!<br />Raramente. Houve aquela vez em que deixei uma velha esticada na passadeira…<br />Mas tirando isso!... Hum. Também já dei cabo de outras duas, entretanto… quatro aliás! Eram duas grávidas. Cinco mortes, em várias horas de viagem, até que nem é assim muito mau!<br />Se bem que também, numa vez, quando as crianças daquele infantário de Vale de Nespereira… A culpa não foi minha! Foi das encarregadas, caramba!<br /><br />Bem, já chega de humor negro neste post. Continuando:<br />Durante alguns instantes, viajei calmamente. Reparei que o Sol parecia estar a ser descascado por uma faca invisível, como uma laranja. Depois da casca cair, o Sol torna-se na Lua e, de repente, anoitece.<br /><br />A música em sintetizador acaba e dá lugar a uma orquestra maluca e desafinada. O carro acelera desenfreadamente, sem que eu tivesse algo a ver com isso! Aqui apercebo-me que estou num sonho e sei que irei acordar antes de me despistar ou bater. Mas não acordei! O carro despista-se mesmo, mas vai dar a outra estrada, entretanto. A música acaba e dá, novamente, lugar ao sintetizador do John Carpenter. Tudo tinha acalmado.<br /><br />À minha frente, não muito longe, estava um cruzamento de estradas. No meio encontrava-se um homem, que parecia estar em trajes tradicionais chineses.<br />- É ele! – exclama um chinês, que estava sentado no banco de trás.<br />- Hei! D’onde é que tu vieste?! – perguntei, assustado.<br />- Olha mas é para a frente, para não te despistares outra vez.<br />Segui o seu conselho. Mas, o tipo que estava lá fora desapareceu e deu lugar a um polvo gigante! Ou isso ou transformou-se ele próprio no cefalópode!<br />Ponho-me então a subir, com o carro, por um dos tentáculos do invertebrado em questão e ele, chateado com isso suponho, atira-nos ao ar.<br /><br />Não nos chegou a pôr em órbita, isto porque ultrapassámos a zona de maior influência gravitacional da Terra e seguimos em frente, pelo espaço fora.<br />Man! O espaço sucka! É uma seca, porque não se pode acelerar e temos de andar sempre naquele ritmo pachorrento. Para além do mais, só passa pimbalhada na rádio. Sigam este meu conselho: não saiam da Terra! Nem estações de serviço parece ter!<br /><br />Irritado desliguei o rádio. O chinesola, lá atrás, abre a janela e começa a chamar pelo seu amigo ilusionista: “Wang! Wang! Onde estás?”.<br />Em resposta, começa-se a ouvir algo… Seria o tal de Wang? Hum. Não. Não parece uma voz humana. Parece mais… um baixo eléctrico? Sim. E interrompido de vez em quando por uma guitarra e pratos de choque. Afinal há Rock no espaço? Ou virá isto da Terra?<br /><br />É da Terra que vem, sem dúvida. Mais especificamente do meu quarto. A aparelhagem toca, transportando-me para mais uma manhã no Mundo Real.<br /><br /><br /><strong>Não tenho sonhado desde então, portanto vou fazer uma pausa nesta série.<br />Vou ver se consigo arranjar qualquer coisinha para postar segunda, vamos ver.<br /><br /><br />P.S.: Kin-Fo, se é que lês o Imperialium, acho que vi o Wang para aqueles lados de Oríon.<br /><br />P.P.S.: Já me esquecia: o Robotnik é derrotado com a ajuda de Francisco Louçã, que aparece numa Estrela da Morte e atira-lhe com as peças do Tetris em tamanho gigante.</strong><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6195483-7507381788102831126?l=imperialium.blogspot.com'/></div>Lunáticonoreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-6195483.post-84924001524284644062008-04-10T16:09:00.010+01:002008-04-10T17:05:22.905+01:00Homem-Aranha VS Sócrates<strong>Sonho de 5 para 6 de Abril<br /></strong><br />Quem já não viu cenas de um debate na Assembleia da República? Pois bem, sonhei exactamente com isso neste fim-de-semana. E até foi bastante fiel ao que costuma acontecer nesses debates, tirando um pormenor ou outro. Como o cabelo do nosso Primeiro-Ministro: uma afro de fazer inveja ao próprio Jimi Hendrix.<br /><br />Vou, então, relatar o que se sucedeu, nomeadamente os diálogos entre os líderes da oposição e do governo:<br /><br /><strong>Peter Parker (Presidente da Assembleia, assistindo a tudo de cima, pendurado numa teia):</strong> Senhor deputado Santana Lopes.<br /><br /><strong>Santana Lopes (Líder do PSD):</strong> Senhor primeiro-ministro, senhores deputados, senhores funcionários, senhores seguranças, senhores jovens estudantes que estão cá a assistir, senhores professores que trouxeram os jovens senhores, senhoras deputadas, senhoras contínuas, senhoras, senhora ministra Maria de Lurdes, senhor Barata, …<br /><br /><strong>Peter Parker:</strong> Seja breve, senhor deputado!<br /><br /><strong>Santana Lopes: </strong>Com certeza, senhor Presidente Homem-Aranha. Senhor Presidente Homem-Aranha, senhores alienígenas que estão a raptar o deputado Francisco Louçã, senho-*TWIP!*<br /><br />(Twip: teia lançada para a boca de um deputado)<br /><br /><strong>Peter Parker:</strong> Senhor deputado Paulo Portas.<br /><br /><strong>Paulo Portas (Líder do PP):</strong> Senhor primeiro-ministro, permita-me dizer que, para além de ser uma verdadeira besta; uma sanguessuga arrogante e abixanada; um defensor de barbas e sacos azuis; e um diabólico servo do mal…!, o senhor é uma pessoa extremamente elegante, com um fantástico gosto e sempre na moda.<br /><br /><strong>José Sócrates (Primeiro-Ministro):</strong> Senhor deputado, vejo que reparou no meu novo penteado. Estou-lhe agradecido pelo seu comentário apreciativo. Pena que, nos dois anos que esteve no governo, não tenha conseguido tal feito.<br /><br />Ouvem-se risos na bancada do PS e alguns “Ah, pois!”.<br /><br /><strong>José Sócrates:</strong> Mas digo-lhe mais, senhor deputado! Daqui a 15 dias, todos os elementos do nosso governo usarão afro! E, daqui a um ano, <strong>(começando a fazer gestos à Hitler)</strong> todos os portugueses terão este penteado!!<br /><br />Eis que explode um enorme aplauso nas bancadas do Governo e do PS, perante o ar assombrado da oposição.<br />PP, líder do PP, sem saber mais que fazer, acena com uma bandeira branca e senta-se, entristecido.<br /><br /><strong>PP (Peter Parker):</strong> Senhor deputado Francisco Louçã.<br /><br /><strong>Deputado qualquer do BE:</strong> Ele não está cá agora… Foi raptado por dois alienígenas.<br /><br /><strong>Peter Parker:</strong> Hum… Senhor deputado Jerónimo de Sousa.<br /><br /><strong>Jerónimo de Sousa (Líder do PCP):</strong> Senhor primeiro-ministro, dói-me a alma ao ver um partido de esquerda governar Portugal ditatorialmente!<br />Fazer da GNR uma Gestapo? Usar propaganda para demover as massas? Desrespeitar o direito à manifestação? Reprimir a oposição, enviando os ministros Luís Amado e Mário Lino, vestidos de homenzinhos verdes, para simular que os marcianos nos raptam? Onde é que já se viu isto numa República Democrática?!<br />E isto sem referir a ASAE, que fecha tudo por onde vai, só por causa de um ratinho ou dois! O seu autoritarismo…<br /><br />Subitamente, uma mão eleva-se de debaixo da bancada do PCP e agarra, ferozmente, Jerónimo pelo pescoço.<br /><br /><strong>JdS:</strong> *Cough!* Mas o que é isto?!<br /><br /><strong>Dono da mão:</strong> Ah! Ah! Ah! Etc.<br /><br /><strong>JdS:</strong> *Gulp!* Tal como dizia, o seu autoritarismo, senhor primeiro-ministro, provocará a sua queda. O povo insurgir-se-á, tal como o fez antes! *Cough!* <strong>(sendo puxado para baixo da mesa pela tal mão)</strong> Para além do mais, esse penteado fá-lo <span style="font-size:85%;">parecer</span> <span style="font-size:78%;">um totó…</span> *TUM!*<br /><br />(Tum!: deputado a ser posto KO, com uma cacetada, sem que ninguém repare)<br /><br /><strong>Santana Lopes (arrancando a teia que tinha colada na boca):</strong> Destruir!<br /><br />E dito isto, começa a estrangular o colega do lado, ao mesmo tempo que faíscas saltam do seu nariz e boca.<br />Enquanto que muitos tentam socorrer o deputado atacado, o Presidente da Assembleia confessa estar entediado.<br /><br /><strong>Peter Parker: </strong>Bah! Ainda falta uma hora e tal… <strong>(no entanto, ocorre-lhe uma ideia)</strong> Oh, pê éme, que tal jogarmos aos matu-tazos?<br /><br /><strong>José Sócrates:</strong> Ná. Já ‘tou farto disso, senhor Presidente.<br /><br /><strong>Peter Parker:</strong> Pois, pois. Tens é medo que use o meu mega tazo e que tos vire todos!<br /><br /><strong>José Sócrates</strong>: Eu? Medo?! ‘Bora lá, então!<br /><br />Homem-Aranha contra Sócrates! Quem ganhou neste duelo de discos de plástico que saíam nas batatas fritas, há mais de 10 anos atrás?<br />O trepador de paredes, super-forte, super-ágil e super-coiso?<br />Ou o político mega-arrogante, ultra-vaidoso e com hiper-mau feitio?<br /><br />Na realidade nenhum dos dois pois, antes de começarem, o Louçã aparece com um light saber e grita: “Debandada!”. Após isto, uma manada de Louçãs e alguns animais selvagens irrompe pelo Parlamento a dentro, atropelando tudo e todos.<br /><br /><br /><strong>“Onde estará Wang?”: Sábado, 12 de Abril</strong><br /><br /><strong></strong><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6195483-8492400152428464406?l=imperialium.blogspot.com'/></div>Lunáticonoreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-6195483.post-53215883324299007992008-04-08T11:13:00.004+01:002008-04-08T11:48:48.709+01:00O site oficial da Fula demora muito tempo a carregar<strong>Sonho de 1 para 2 de Abril</strong><br /><br />Estava a jogar MKII contra o Barata (na realidade, não me lembro de quem era, portanto vamos supor que se tratava dele), quando, inesperadamente, sou sugado para dentro do jogo. Fugi da zona de combate o mais rápido que pude, para não acabar por levar com uma bola de fogo do Shang Tsung (era a personagem do B.). Mas, depois de atravessar aquela ponte azul, o sonho torna-se num verdadeiro pesadelo!<br /><br />Todas as personagens do jogo estavam a ser massacradas por onigiris, que voavam contra elas, provocando uma confusa explosão de pixeis e arroz. Nem o Kintaro parecia estar a resistir a este grotesco ataque!<br /><br />Tentei passar despercebido para o seguinte cenário, talvez por lá as coisas estivessem mais calmas. Qual quê! Sou visto, de imediato, por um dos bolos kamikazes que devia estar a guardar a zona. Tive, ainda, força nas pernas para conseguir fugir e chegar ao cenário do portal inter-dimensional, guardado por dois monges.<br /><br />E eles bem que estavam entretidos… a destruírem onigiris! Um deles disparava óleo Fula, directamente das mãos, e o outro incendiava-os. Por entre gritos agudos, à la aranha rainha do filme <em>Aracnophobia</em>, as bolas de arroz japonocas iam perecendo fritas, sob os poderosos ataques dos monges.<br /><br />Com que bom aspecto ficavam! Estava a pensar em dar uma trinca numa, quando um deles exclama:<br />- Atravessa o portal! Rápido!<br /><br />Aqui hesitei. Estive mesmo vai-não-vai para voltar atrás e apalpar a Mileena (sempre o quis fazer!), antes de seguir o conselho dos monges. Mas eles eram telepatas! E, na minha mente, mostraram-me como ela é sem máscara.<br /><br />Do outro lado do portal, o exército americano guerreava com uma tribo de índios, no que parecia ser o pico da Serra da Estrela. Sim, o exército contemporâneo dos EUA contra índios do século XIX. Mas, as armas usadas eram os braços e as munições bolas de neve (ou de arroz, disfarçadas).<br />Os amerikansky estavam chateados. Deviam estar a perder. Queixavam-se muito que os seus adversários metiam pedras nas suas bolas de neve e, por isso, causavam mais baixas.<br /><br />- Querem jogo sujo, é? – gritou, então, o chefe dos americoviques para os índios (estranhamente, em português).<br />Mal acabou a frase, assobiou e, logo de seguida, uma quadriga com cavalos alados atravessa os céus. A determinada altura, deixou cair um bidão onde estava escrito “Little Boy”.<br /><br />Compreendi o que ia acontecer e teria, imediatamente, atravessado o portal de novo, para me pisgar. Mas ele já lá não estava! Vi, então, com terror o bidão a cair. Assim que tocou no chão, um clarão enorme me fez cerrar as pálpebras e… acordei.<br />Mas, estava paralisado! Apenas conseguia mover os olhos! Quando olho para baixo, vejo uma xamã índia, sentada a meus pés, a comer um onigiri. Ao reparar que olhava para ela, a velha cessa o mastigar e solta uma gargalhada tão estridente como malévola:<br />- AH! AH! AH! Etc.<br /><br />A seguir a isto, acordei de facto. Ainda não eram 6 da manhã, portanto voltei a adormecer. Não sonhei mais nessa noite.<br /><br /><br /><strong>Quinta-feira, dia 10 de Abril: Homem-Aranha VS Sócrates</strong><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6195483-5321588332429900799?l=imperialium.blogspot.com'/></div>Lunáticonoreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-6195483.post-21900969610715373842008-04-04T15:57:00.002+01:002008-04-04T16:01:33.131+01:00Oito Ases e Boom, Head Sh--<strong>Sonho de 30 para 31 de Março<br /></strong><br />- Oh Barata! Despacha-te que a gente vai começar!<br /><br />Um alçapão abre-se e, de dentro, sobe um homem como que vindo num elevador.<br /><br />- Já vai, já vai. – responde ele, com um ar carrancudo.<br /><br />Em seguida, senta-se a uma mesa onde estavam mais três pessoas, incluindo eu.<br />Íamos jogar à bisca, mas com umas regras algo diferentes. Um cesto encontrava-se no centro da mesa e, dentro deste, estavam as 40 cartas espalhadas e voltadas para baixo.<br />De lá tirávamos o nosso jogo, um de cada vez. Depois de se começar, era do mesmo cesto donde se biscava, obviamente.<br /><br />Os meus companheiros de cartas, tirando o Barata, eram diferentes a cada momento que olhava para eles. A mulher que o tinha chamado ora era uma morena e jovem adulta, ora uma “setentona” de cabelos brancos.<br />O outro indivíduo, à primeira vista, era um membro dos KKK, com fato de fantasma e tudo; a segunda vez um pirata; e, quando tirei os óculos para os limpar, ele tinha o aspecto de uma centopeia gigante.<br /><br />Agora vou-vos narrar o jogo, ou pelo menos o que aconteceu de mais interessante, nele.<br />…<br />Ah não! Falta descrever o Barata!<br />Afinal ele é o herói do sonho, merece ser descrito! Senão louvado, recordado, homenageado com odes, hinos, cantando os seus feitos heróicos e fantásticos! Como fazer batota e sair ileso! Pois bem, foi exactamente isso que aconteceu.<br /><br />A dada altura caem dois ases de ouros na mesma jogada: um da mão do B. e outro da M/I. Ambos começam a discutir e o outro indivíduo, que agora estava transformado num brócolo de 1,7 m, mete-se entre eles para evitar pancadaria.<br />Naquele reboliço todo, o nosso amigo Barata deixa cair da manga os 3 ases dos restantes naipes. É claro que, depois disto, só se poderia resolver esta situação de uma maneira: Paintball!<br /><br />A casa onde estávamos, uma antiga e luxuosa mansão, depressa se tornou num campo de batalha.<br />Aqui é que as peripécias se apresentam um pouco vagas na minha memória. Sei que o “Transformer” desapareceu. Isso ou então transformou-se numa parede, para não ser apanhado no fogo cruzado.<br />Quanto à Morena/Idosa levou um tiro à queima-roupa do B.<br />Eu lá me safei de uma granada de tinta e até tive a hipótese de ganhar, depois de uma longa perseguição. Suspenso num candelabro e sem ser visto, cheguei a ter a cabeça do batoteiro mesmo no centro da mira da minha Riffle.<br /><br />Estava a um dedilhar de ouvir aquela voz grave, vinda do firmamento, a exclamar “Head Shot!”, quando sou acordado pelo despertador da aparelhagem para mais um dia de aulas.<br /><br />Lunático has left the dream.<br />Barata was victorious!<br /><br /><br /><strong>O próximo “Sonho de Um Lunático” será publicado terça-feira, dia 8 de Abril. É provável que comece uma série de posts diferente, neste fim-de-semana. Vou tentar, mas não prometo nada. </strong><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6195483-2190096961071537384?l=imperialium.blogspot.com'/></div>Lunáticonoreply@blogger.com2tag:blogger.com,1999:blog-6195483.post-31638848051012086372008-04-02T00:09:00.001+01:002008-04-02T00:12:26.262+01:00Pelo Tibete!<strong>Sonho de 26 para 27 de Março</strong><br /><br />Tenho-vos reservado um par de sonhos ainda mais estranhos, desta vez.<br />Alguns dos meus vizinhos estavam a subir um escadote e, de lá de cima, atiravam-se de maneira a aterrarem sentados numa poltrona que lá estava.<br />Eu tenho a impressão que também o fiz uma vez, mas depois fui me sentar noutro sítio, a construir um engenho explosivo para fazer um atentado terrorista (a favor do Tibete, claaaaaro!).<br /><br />E, de facto, explodi com qualquer coisa, agora o quê… Acho que era uma casota de um cão. Mas, antes que os direitos dos animais me venham chatear, a casota devia estar vazia, porque não me lembro de ver algum cão ou restos mortais do que quer que fosse.<br />Também é possível que eu tenha telefonado ao bicho a avisá-lo do atentado, como fazem os membros da ETA. <br /><br /><br /><strong>Sonho de 27 para 28 de Março<br /></strong><br />Estava a dar um jogo de futebol na televisão e, numa determinada jogada, dois adversários pegam-se e começam a lutar boxe. Literalmente!<br />Eles não estavam só à tareia, estavam mesmo a lutar como dois pugilistas num ringue.<br /><br />Um deles, então, faz uma combinação de socos, que o adversário não consegue defender, acabando por recebê-los todos na cara. E acaba com um cruzado, deitando o jogador da equipa adversária por terra.<br /><br />Quanto ao árbitro e aos outros jogadores, deviam estar estupefactos com a situação, pois ninguém interveio. Só após o K.O. é que foi mostrado um cartão vermelho ao vencedor.<br />O jogador em questão ainda refilou, como se tivesse alguma razão, mas depois lá abandonou o campo.<br /><br />Curioso que, antes de sair, ainda foi cumprimentado por um dos seus adversários.<br /><br />Mudou-se então de canal e, não é que aí também estava a ser transmitida uma cena de pancadaria em directo?<br />Era um dos meus vizinhos que estava a levar porrada da grossa dos seus irmãos mais novos. Mas mesmo da grossa! Neste combate tudo valia, menos arrancar olhos. Viam-se pontapés, murros, joelhadas, arrastar a cara do “adversário” no alcatrão (sim, eles bulhavam na rua) e mais um grande número de técnicas vindas de diversas artes marciais.<br /><br />O mais caricato de tudo, é que todos se riam como se fosse uma simples e alegre brincadeira. Principalmente quem estava a levá-las!<br /><br />Bem, após tanta violência, espero que o próximo sonho seja mais pacífico.<br /><br /><br /><strong>"Oito Ases e Boom, Head Sh--" será postado sexta-feira, dia 4 de Abril.</strong><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6195483-3163884805101208637?l=imperialium.blogspot.com'/></div>Lunáticonoreply@blogger.com1tag:blogger.com,1999:blog-6195483.post-88457574398456134472008-03-31T19:56:00.007+01:002008-03-31T20:20:49.379+01:00Barcos, Pés e Nespereiras<strong><em>“I get the sense of it, I just don’t understand it</em>”, Nigel Tufnel</strong><br /><br />Eu sou preguiçoso. Muito preguiçoso. Vou me aproveitar do facto de ter sonhos absurdos para fazer uma série de posts.<br />E eles não vão ser cómicos, antes pelo contrário, serão dramáticos! Pois, é dramático ver o quão cheché eu sou para a minha mente criar coisas destas, mesmo que seja durante o sono.<br /><br />Fica aqui já o aviso, se quiserem algo com lógica, nem que seja muito pouca, não encontrarão neste post. Senão, sejam bem-vindos aos <a href="http://imperialium.blogspot.com/search/label/Sonhos%20de%20Um%20Lun%C3%A1tico">Sonhos de Um Lunático</a>!<br /><br /><br /><strong>Sonho de 25 para 26 de Março<br /></strong><br />Não me lembro de como este começou exactamente, mas sei que a dada altura fui dar comigo num cais, pois lembro me de estarem lá barcos atracados.<br />Depois, por um motivo qualquer, comecei a afastar-me dali com a companhia de duas personagens estranhas.<br /><br />Uma, que caminhava uns dois passos mais à frente, era uma mulher de meia-idade. Não a consigo descrever muito bem, pois também não lhe prestei grande atenção, com a excepção dos seus pés e já vou explicar porquê.<br /><br />A outra personagem, que caminhava a meu lado, era nem mais nem menos que o Clint Eastwood! Este tinha uma caçadeira em sua posse e, quando já nos tínhamos afastado do cais e entrado numa espécie de deserto, começou a disparar em direcção dos pés da tal mulher.<br />Não me pareceu que ele quisesse que ela andasse mais depressa, (se assim fosse, também não o teria conseguido) mas sim testar a sua pontaria ao tentar rasar o mais possível os pés da mulher, sem a ferir.<br /><br />Quanto à reacção dela, parecia estar a ignorar o que se passava, ou então a não dar importância alguma, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Houve, porém, o curioso pormenor de ela hesitar dar um passo, a dado momento.<br /><br />Após isto, não sei o que aconteceu. Imaginem que se sucederam batalhas épicas contra Ursos Sioux em Álcacer-Quibir, pronto.<br /><br />Para o fim, recordo-me de estar envolvido num tipo de ritual estranho, que envolvia uma refeição… Ou isso ou uma pausa a meio para o lanche.<br />Seja como for, era um tipo de ritual diário, e tenho a impressão que metia soldados de brincar (daqueles pequeninos) com tanques e tudo.<br /><br />Quem também fazia parte desse ritual era uma mulher de meia-idade, outra que não a dos pés quase-alvejados. É ela a protagonista do final deste sonho (e daí...).<br />Tudo começou numa conversa, a qual não me ficou gravada na memória. Mas lembro-me que, de repente, ela compara o assunto de que falávamos a um episódio da vida do seu pai, em que ele tinha sido alvo de inveja dos vizinhos.<br /><br />E porquê? Porque todos os outros não conseguiram arranjar um meio de evitar com que as suas nespereiras caíssem (devido a um problema gravitacional na zona, ou assim...), excepto o pai da dita mulher, que a tinha mantido erecta com o auxílio de uns arames fixados aos muros de casa.<br /><br />- Ele conseguiu-o com a ajuda de 4 ou 5 homens e, mesmo assim, demorou um dia inteiro! – diz o meu pai, entrando no sonho, de repente, e atropelando todas as suas personagens, pondo-se em fuga logo de seguida.<br /><br />E assim acabou o meu primeiro sonho.<br /><br /><br /><strong>O próximo post “Pelo Tibete!” será publicado quarta-feira, dia 2 de Abril, a menos que o Universo imploda.</strong><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6195483-8845757439845613447?l=imperialium.blogspot.com'/></div>Lunáticonoreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-6195483.post-17940537770480818052008-03-28T23:20:00.004Z2008-03-31T10:46:57.800+01:00Saga da Lua<p align="center"><strong>Gritos de Loucura</strong></p><p>- Olá lobinho.<br /><br />Se eu não estivesse gelado de frio e de medo, os meus membros e músculos paralisados com terror do que poderia acontecer, eu teria me derretido completamente com o calor e a sensualidade da sua voz.<br /><br />- Ora, ora, não tenhas medo, estou aqui para te ajudar…<br /><br />Ao acabar de dizer isso ela levantou-se. O som dos seus sapatos a tocar no chão rebentava com os meus tímpanos, enquanto que o seu rosto não largava o meu e com correntes invisíveis me aprisionava o olhar no dela. Ou isso ou chocolate, porque eu gosto muito de chocolate e poderia ser facilmente atraído por chocolate, se calhar ela poderia ser feita totalmente de chocolate, o que seria bom se nos próximos instantes ela me pedisse para eu come-la... coisa que não aconteceu.<br /><br />- Eu sei que vinhas aqui procurando esclarecimento, um caminho, ou talvez… o que outrora eras…<br />- Xana, eu suponho… - Consegui falar tentando não ser prostrado por as forças que me invadiam. Ao que ela respondeu com uma sonora gargalhada.<br />- Vejo que já te falaram de mim. – Ela aproximou-se de mim e agarrou-me o focinho e aproximo-o da sua cara, eu tremi ao sentir a sua respiração tocar no seu pêlo. – Tu és tão fofo. Não consegues sequer imaginar o quanto eu desejo aprisionar-te aqui e seres meu para sempre…<br />- Skor! – O grito de Kaly ecoou pela caverna e eu senti o poder que a mulher exercia sobre mim a soltar-se e apenas por uns segundos consegui sobrepor a minha vontade á sua. Olhei para a entrar, conseguindo ver a Kaly apontando a sua besta e lançar uma flecha contra a minha opressora. Indo contra todas as minhas esperanças o seu ataque falhou, pois antes de chegar perto de Xana, a flecha congelou e caiu no chão como um bloco pesado de gelo. O olhar glacial virou-se para Kaly, projectando-a para trás como se tivesse sido atingida por uma tempestade e em seguida voltou a focar-se em mim continuando com a voz melosa e sedutora.<br />- No entanto, como eu ia a dizer antes daquela intrometida se intrometer com as suas… intrometidices, as minhas irmãs, não querem que eu me divirta e querem que simplesmente te ajude. – Ela suspirou soprando para afastar a franja ruiva dos seus lábios. – E eu não quero que as minhas maninhas andem a atazanar-me o juízo porque eu não acredito têr sanidade suficiente para aguentar com as retóricas delas e as leis e… enfim.<br /><br />No momento em que ela disse enfim eu senti-me desorientado, como se estivesse á muito tempo sem me pôr sobre as minhas patas e agora que me punham no chão ele estava coberto de cascas de banana e pastilhas elásticas, o que seria desagradável se eu caísse mas que parecia ser a única hipótese. Até que, como se nada o fizesse esperar, senti-me bem não havia vertigens não havia submissão, não havia a estranha sensação que cheirava uma loba com o cio… sim eu estava a sentir isso… sou um animal! Dê-me crédito!... Continuando…<br /><br />- Olha para mim lobo. – Ordenou a mulher mas com uma voz muito mais inocente do que com a que me tinha falado antes. A minha cabeça ergueu-se para lhe olhar nos olhos e então reparei que ao contrário de todo o resto do seu corpo, os olhos eram azuis como o gelo que nos rodeava e possuíam uma simpatia única.<br />- O que é que tu estás a tentar tramar. – Inquiri eu. É claro que não me ia deixar enganar pela simpatia que eu sentia vinda dela, só podia ser uma manipulação qualquer imposta por ela. No entanto ela limitou-se a sorrir. – Eu não entendo o que se passa aqui!<br />- Somos quatro irmãs. Cada uma governa o seu espaço no céu e cada uma tem o seu tempo em cuidar do mundo abaixo de nós.<br />- Vocês… Deusas? – Perguntei com algum temor da resposta. Ela gargalhou um pouco antes de me responder<br />- Não lobinho, se fossemos Deusas não nos teríamos de preocupar com o mundo. Mas isso são outros assuntos que não são importantes para aqui. O que importa é que… - antes de continuar ela ajoelhou-se á minha frente e passou-me a mão pela cabeça acariciando-me o pêlo. Soube extremamente bem para alem que até á minutos pensava que me ia matar… e até á mais uns minutos pensei que era feita de chocolate. – … Precisamos de pegar em ti e pôr-te como eras…<br />- Como eu era? Tu sabes como eu era? Tu sabes sobre o meu passado?<br />- Oh sim. Soube-se muito de ti quando saiste na Caras e na Maria… e noutras revistas de interesse quando os tiranos do mundo estavam na moda. Por acaso foste bem classificado, normalmente em segundo ou terceiro. – Ela mostrou-me um sorriso brilhante e caloroso enquanto me coçava atrás da orelha – Nem queiras saber o quanto fiquei orgulhosa.<br /><br />Tentei falar-lhe, questionar-lhe sobre o que ela dizia. O que ela queria dizer sobre tirano, as palavras dela faziam crescer o meu medo em lembrar-me do que eu era… e se eu fosse um ser maligno… e… se o que eu era não fosse compatível com o que sou agora, nunca conseguiria viver comigo mesmo com as atrocidades que teria feito.<br />O caos destruía a minha cabeça com as questões que surgiam mas eu não conseguia reagir, conforme a mão dela acariciava-me o pêlo, eu sentia as minhas energias a desvanecer. Era ela quem fazia isto? Não tive tempo para saber a resposta, os meus olhos fecharam e a ultima coisa que senti foi o seu abraço.<br /><br />Depois… escuridão.<br /><br />Não havia nada. Não havia sons, não havia calor ou frio, não havia medo, não havia conforto. Gradualmente comecei a sentir calor, como se duas mãos passassem em cima de mim e me fossem acariciando com uma energia sobrenatural, após esse calor desvanecer apenas havia dor. Uma dor imensa que fazia a minha mente gritar em agonia, numa sôfrega tentativa de me manter ligado a este estado negro de consciência. Minutos passaram mais parecendo horas, o calor desvanecia completamente do meu corpo mas por outro lado a dor também desvanecia e de repente outra vez o nada. Passou mais tempo, não sei dizer o quanto. Só existia escuridão, não havia medo, sensação, nada! Talvez tenha visto uma fila de esquilos a correr á minha frente, ou talvez isso fosse simplesmente culpa da Kaly, mas nada parecia mudar. Até que o calor voltou, temi mais dor mas fui completamente envolvido por ele. Sentia o total do meu corpo e sentia-me estranho como se já não fosse eu.<br />A luz voltou aos meus olhos como se o sol brilhasse directamente em cima deles. Senti-me confuso e desorientado tentei mexer o meu corpo mas não consegui. Conforme a sensação voltou ao meu corpo, consegui sentir que algo me agarrava, um braço e uma perna cobriam-me enquanto que outro braço passava por baixo do meu pescoço, mas a sensação era tão estranha que não conseguia retirar o pânico da minha mente. O meu olhar começou a focar o mundo que me rodeava e a primeira imagem que a minha mente viu, ainda que desfocada, foi a cara de Xana. O seu sorriso que eu me arriscava a caracterizar de carinhoso, o seu olhar gelado mas que neste momento me transmitia ternura, o seu cabelo vermelho caía por cima de um pêlo negro que nos cobria o chão, o que era algo estranho, pois aquele pêlo era algo parecido ao meu. Gritei de horror e saltei desastrosamente para trás, notei de imediato que a minha voz se encontrava mais aguda, a segunda coisa que reparei foi que algo amarelo apossou-se da minha vista. Após uma tentativa frustrada de retirar essa coisa de perto de mim constatei dolorosamente que estava agarrado a mim, foi então que me apercebi do que era: Cabelo.<br />O choque inicial quebrou o que restava da minha calma e gritei com todo o ar que tinha nos pulmões durante um bom bocado. Quando a minha voz deu lugar ao silencio observei tremulamente as minhas mãos, delicadas e suaves tremiam perante os meus olhos, tinha braços e pernas em vez de patas e o pêlo que cobria os nossos corpos nesta sala de gelo era nada mais do que o pêlo que outrora fora meu, em cima dele Xana continuava deitada observando-me deliciada com a minha reacção e passando com a sua mão pelo seu corpo.<br /><br />- O que é que me fizeste? – Gritei, tremendo como um galho verde.<br />- Precisavas de ajuda, esta é a ajuda e eu disse que te iria dar. – Respondeu-me ainda com o mesmo sorriso na cara.<br />- Mas… Mas o que tu me fizeste…<br />- Vê por ti mesma. – Cortou ela erguendo a mão.<br /><br />Engoli a seco só de ouvir o último comentário por ela feito. Á minha frente ergueu-se uma parede de gelo que tomou uma textura reflectiva e por fim podia ver como me tinha tornado. Tinha uma estatura alta e esguia, com longos e finos braços, tinha olhos azuis e gelados como os de Xana, lábios finos e um nariz bem feito. O meu peito era bastante simples e modesto, enquanto que as minhas ancas podiam parir um exército.<br /><br />- Eu… - Gaguejei.<br />- Estás linda. – Continuou Xana espreitando por detrás do espelho.<br />- Eu era um lobo! – Corrigi-lhe com alguma fúria. – Não uma loba!<br />- As revelações do físico e as suas linhas nem sempre são claras minha linda. - Respondeu-me ela gargalhando. – Mas se quiseres posso retirar-te esse corpo.<br />- Não! – Entrevi eu rapidamente antes que ela tomasse uma decisão. Para dizer a verdade estava algo fascinado (se calhar devesse dizer fascinada afinal) – Eu… agradeço.<br /><br />A Xana veio para perto de mim carregando o meu pêlo nos braços. Sacudiu-o e depois colocou-o em volta dos meus ombros, surpreendi-me ao sentir o pêlo a moldar-se ao meu corpo e transformando-se ao fim de segundos em roupa para me cobrir o corpo todo. O negro agora da minha roupa contrastava com a luminosidade das minhas feições e envolta naquele casaco de pêlo negro o meu porte era algo intimidador e quase irreal. Tremi ao observar-me e por um instante, senti que me conhecia.</p><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6195483-1794053777048081805?l=imperialium.blogspot.com'/></div>Vargtidhttp://www.blogger.com/profile/00025515339887540052noreply@blogger.com1