tag:blogger.com,1999:blog-60789780373298060482008-07-26T17:02:23.987-07:00ImposturaMarcelo Henrique Marques de Souzahttp://www.blogger.com/profile/16885784447989513694noreply@blogger.comBlogger171125tag:blogger.com,1999:blog-6078978037329806048.post-18295313346150528772008-07-26T18:34:00.000-07:002008-07-26T17:02:24.027-07:00O que significa um sorriso?Essa é pra provocar (no bom sentido, claro) a Dona Urtigão. É da série "sentidos deslizantes". Roubei a foto da Letícia, <a href="http://www.janelaprincipal.blogspot.com/">www.janelaprincipal.blogspot.com</a> .<a style="font-weight: bold;" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SIuX9vuSPVI/AAAAAAAAAdA/7YCKJzaKwZY/s1600-h/cacciola.jpg"><br /></a><a style="font-weight: bold;" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SIuX9vuSPVI/AAAAAAAAAdA/7YCKJzaKwZY/s1600-h/cacciola.jpg"> </a><br />Segundo o dicionário: SORRISO: "1. Ato ou efeito de sorrir(-se). 2. Movimento e expressão de um rosto que sorri".<br /><br />Responda, então: que sinônimo dar para esse sorriso-Cacciola?<br /><br /><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SIuX9vuSPVI/AAAAAAAAAdA/7YCKJzaKwZY/s1600-h/cacciola.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp1.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SIuX9vuSPVI/AAAAAAAAAdA/7YCKJzaKwZY/s400/cacciola.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5227438879532006738" border="0" /></a><br /><br /><br /><div style="text-align: center;">(Aliás, estou aqui observando (20:55) e percebi que, curiosamente, esse é o post de número 171... Coincidências, quem disse que elas não acontecem?)<br /></div><a style="font-weight: bold;" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SIuX9vuSPVI/AAAAAAAAAdA/7YCKJzaKwZY/s1600-h/cacciola.jpg"><span style="font-size:100%;"></span><br /></a>Marcelo Henrique Marques de Souzahttp://www.blogger.com/profile/16885784447989513694noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-6078978037329806048.post-2781242734435395992008-07-25T18:59:00.000-07:002008-07-25T15:00:14.194-07:00A ferrari e o espetáculo<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SIpMa71SMLI/AAAAAAAAAc4/b5ITvLU7ISg/s1600-h/ferrari.jpeg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp1.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SIpMa71SMLI/AAAAAAAAAc4/b5ITvLU7ISg/s400/ferrari.jpeg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5227074343138373810" border="0" /></a><br />Fui cortar o cabelo e dei uma passada no shopping Tijuca, na livraria. Isso tem uma hora mais ou menos. E qual não foi minha surpresa ao ver, no hall de entrada do shopping, já na parte de dentro, uma ferrari parada, com uma fila de gente em volta. Mesmo sem parar - afinal, não suporto muvuca, e quem me conhece sabe disso -, deu pra perceber nitidamente que as pessoas faziam fila pra tirar fotos dentro do veículo.<br /><br />Uma boa análise sobre esse lance das marcas se transformarem em ícones e imagens deificadas, na lógica do consumo - o que as faz valer mais do que o ideário escroto que representam -, está justamente no trabalho do Guy Debord, que cito alguns textos abaixo, chamado <span style="font-style: italic;">Sociedade do Espetáculo</span>.<br /><br /><div style="text-align: center;"><span style="font-size:85%;">"A alienação do espectador em favor do objeto contemplado (o que resulta de sua própria atividade inconsciente) se expressa assim: quanto mais ele contempla, menos vive; quanto mais aceita reconhecer-se nas imagens dominantes da necessidade, menos compreende sua própria existência e seu próprio desejo. Em relação ao homem que age, a exterioridade do espetáculo aparece no fato de seus próprios gestos já não serem seus, mas de um outro que os representa por ele. É por isso que o espectador não se sente em casa em lugar nenhum, pois o espetáculo está em toda parte".<br /><br />(p. 24)<br /></span></div>Marcelo Henrique Marques de Souzahttp://www.blogger.com/profile/16885784447989513694noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-6078978037329806048.post-5752176069727483752008-07-24T17:18:00.000-07:002008-07-24T13:23:55.936-07:00O fragmento e a deriva<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SIjjfMrqx6I/AAAAAAAAAcw/yjnrRyhVCOg/s1600-h/aforismo.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 196px; height: 232px;" src="http://bp0.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SIjjfMrqx6I/AAAAAAAAAcw/yjnrRyhVCOg/s400/aforismo.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5226677492683294626" border="0" /></a><br /><br />Apesar de ainda estar na metade da leitura, posso adiantar-lhes que estou extremamente empolgado com algumas questões levantadas pelo Jean Baudrillard, nessa entrevista-livro que estou lendo, "De um Fragmento ao Outro". Portanto, vou adiantar alguns pensamentos que achei muito interessantes.<br /><br />Primeiro, vale colocar que Baudrillard propõe uma transpolítica, para além da mitologia do debate, contemporânea. E a idéia do "fragmento" entra justamente aí.<br /><br />O pensador francês representa o 'aforismo' como prática possível, que cultiva a singularidade do acontecimento. Seria uma espécie de "crise", uma "fratura" na aparência sólida das pretensas definições (invariavelmente totalitárias). Neste caso, o aforismo venceria a "máxima", sempre investida de uma moral sutil.<br /><br />Esse "abandono" da moral visa, justamente, investir o sujeito de uma responsabilidade por sua releitura de algo. Tanto no nível do que seja a reflexão efetivamente, ou seja, um olhar-deslocamento, quanto no que tange ao problema inevitável da consequência de uma releitura, que muitas vezes pode ser seduzida pelo tesão da definição.<br /><br />Ele nega veementemente o que chama de "ideologia da libertação", que vivemos hoje. Trata-se sempre, diz, de uma questão de "encadeamento". Não há liberdade no aforismo. Há um jogo infinito, onde a infinitude é a regra. E onde o inimigo está sempre a espreita, pronto para fincar as bases de algum altar do sentido. "Convém que as coisas se percam" (p. 14), ele diz.<br /><br />"De fato, é no detalhe absoluto das coisas que se deve poder encontrar a energia para quebrar o conjunto, para acabar com todos os conjuntos... E, portanto, reencontrar o mundo no estado de fragmento" (pp. 33-34). No detalhe se situa o que ele chama de "deriva intelectual", ora, exatamente a tal transpolítica, na medida em que o aforismo não busca consenso, mas encadeamento intermitente.<br /><br />"O fragmentário resulta da vontade não só de destruir um conjunto, mas também de enfrentar o vazio e o desaparecimento".<br /><br />Mais do que a manutenção da mitologia do contrato social, Baudrillard busca uma espécie de "aposta social".. O fragmento é sempre uma aposta. Mesmo que venha investido enquanto altar. Muitas vezes a aposta-altar funciona, por conta, inclusive, da adesão de quem se-aceita-massa. E é nesse sentido que reside a deriva pretendida pela forma-aforismo.<br /><br />Muito disso certamente vai impregnar minhas leituras e reflexões dos próximos instantes que me permitem vivo. E vale soltar dois fragmentos que ruminei no período desta leitura, que podem fecundar a indigestão típica do detalhe.. (ops.. três):<br /><br /><span style="font-style: italic;">A verdade é sempre permeável<br /><br />O sentido é um pretexto para a leitura covarde<br /><br /></span>Marcelo Henrique Marques de Souzahttp://www.blogger.com/profile/16885784447989513694noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-6078978037329806048.post-47356490714717921352008-07-23T15:04:00.000-07:002008-07-23T11:08:02.787-07:00Quando um não quer...<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SIdy7qhI92I/AAAAAAAAAcg/XdUOEAsaujM/s1600-h/pt+psdb.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp3.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SIdy7qhI92I/AAAAAAAAAcg/XdUOEAsaujM/s320/pt+psdb.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5226272261937887074" border="0" /></a><br />Para quem ainda acredita que existam divergências ideológicas entre o PT e o PSDB, e não se convenceu de que a única coisa que ainda os mantém afastados na disputa presidencial é a falta de um concorrente que chegue efetivamente com "chances de vencer" - nesse processo eleitoral brasileiro cada vez mais entregue à balela das pesquisas -, aí vai essa notícia que recebi:<br /><br /><br /><div style="text-align: center;">Aliança PT e PSDB está em mais de mil cidades do País<br /></div><br /><div style="text-align: center;">Ter, 22 Jul, 08h37<br /></div><br /><div style="text-align: justify;">Maiores rivais na disputa pelo poder político nacional, PT e PSDB não serão tão adversários nas próximas eleições municipais. Levantamento preliminar do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que tucanos e petistas estarão juntos formalmente em mais de mil coligações espalhadas por todo o País. Esse número de alianças deverá subir, já que o processamento de informações sobre o registro das candidaturas ainda está sendo concluído.<br />PUBLICIDADE<br /><br />Até agora, foram contabilizadas alianças em 1.130 cidades. Isso equivale a 20,3% do total dos 5.565 municípios existentes no Brasil. Algo como uma coligação entre tucanos e petistas a cada cinco cidades. A constância nessa parceria acabou se revelando como uma das maiores surpresas da próxima eleição, uma vez que PT e PSDB têm polarizado as disputas pela sucessão presidencial desde 1994.<br /><br />Naquele ano, o ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso ganhou no primeiro turno do petista Luiz Inácio Lula da Silva. Repetiu a dose em 1998. Quatro anos depois, o PT chegou ao poder, com Lula batendo o tucano José Serra e quatro anos depois se reelegendo ao superar Geraldo Alckmin, também do PSDB. Tudo indica que PT e PSDB devem continuar polarizando na próxima corrida presidencial, de 2010. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.<br /><br /><br />Procure alguém diferente para as próximas eleições, para não ficar reclamando depois...<br /><br /><br /></div>Marcelo Henrique Marques de Souzahttp://www.blogger.com/profile/16885784447989513694noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-6078978037329806048.post-34031193001675875042008-07-22T19:10:00.000-07:002008-07-22T15:10:36.273-07:00"Debate político" e não "Corrida eleitoral"<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SIZakFPw7qI/AAAAAAAAAcY/-VFP6_5lijY/s1600-h/elei%C3%A7%C3%B5es+2008.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp0.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SIZakFPw7qI/AAAAAAAAAcY/-VFP6_5lijY/s320/elei%C3%A7%C3%B5es+2008.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5225963993540128418" border="0" /></a><br />Este ano temos eleição para prefeito e para vereador. Gosto sempre de me posicionar, então vamos dar uma avaliada na lista de candidatos desse ano. Claro, tecendo comentários, o que acho importante.<br /><br />Alessandro Molon (PT)<br />Chico Alencar (PSol)<br />Eduardo Paes (PMDB)<br />Felipe Pereira (PSC)<br />Fernado Gabeira (PV)<br />Jandira Feghali (PCdoB)<br />Marcelo Crivella (PR)<br />Paulo Ramos (PDT)<br />Solange Amaral (DEM)<br />Vinícius Cordeiro (PTdoB)<br /><br />De cara, vale dizer que não conheço Vinícius Cordeiro e Felipe Pereira. Portanto, não posso opinar.<br /><br />O candidato do PT, Alessandro Molon, já vi dando entrevista longa, e não gostei de seu discurso. A bazófia neo-petista, posando de política de resultados. Além disso, não vi transpirar ética e revolta em seu discurso, mas um marquetezinho bem sutil, de quem se preocupa o tempo todo com o que tá falando.<br /><br />Eduardo Paes e Solange Amaral são parte daquela velha direita bobalhona, com pose de mauricinho-não-tô-nem-aí-se-perder.. Se a pessoa está insatisfeita com o César Maia, acho incoerência voltar em um dos dois, sob pena de continuismo.<br /><br />O candidato Marcelo Crivella tem o agravante de ser filiado ao grupo das grandes igrejas evangélicas do Rio de Janeiro, mesmo grupo que formou a máfia do Garotinho e da Rosinha, que detonaram o Estado por 8 anos. Se ganhar, é o continuismo dessa patota que só enxerga o lucro, seja com os dízimos, seja com o desvio de verbas públicas.<br /><br />E temos um grupo mais a esquerda, formado pelos 4 candidatos restantes.<br /><br />Entretanto, não considero o discurso verde do Gabeira propriamente "de esquerda". Esse papo de desenvolvimento sustentável é uma grande balela, que afasta o debate mais importante, na minha visão, que seria deslocar a lógica capitalista, com todas as suas contradições. Não acho, como muitos por aí, que Marx tenha que ser fritado definitivamente na fogueira da história. O socialismo é mais que uma experiência política de alguns países.. é um olhar sobre as contradições do capital e isso não pode ser negligenciado do debate político.<br />Além disso, o Gabeira virou capa da <span style="font-style: italic;">Veja</span>... Isso me deixa com uma pulga gigante atrás da orelha...<br /><br />Gosto da Jandira Feghali. Tem um perfil do debate e mostra vínculo com a questão da luta pela diminuição das desigualdades econômicas. Isso lhe dá nobres pontos.<br /><br />E temos ainda o Chico Alencar e o Paulo Ramos. Ambos já vi em debates políticos, mais o segundo que o primeiro. São bons nomes, pessoas com conhecimento histórico da problemática política da cidade e com potencial intelectual para debater diferenças. Por enquanto, são meus dois nomes preferidos, até que alguém prove o contrário.<br /><br />E você, já tem seu nome?Marcelo Henrique Marques de Souzahttp://www.blogger.com/profile/16885784447989513694noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-6078978037329806048.post-52128121972868730102008-07-22T18:32:00.000-07:002008-07-22T14:33:18.825-07:00Cenas, ângulos, perspectivas<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SIZOcgrMgqI/AAAAAAAAAcA/WRZVhge3H74/s1600-h/debord+22.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SIZOcgrMgqI/AAAAAAAAAcA/WRZVhge3H74/s320/debord+22.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5225950669324452514" border="0" /></a><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SIZOrH1k6oI/AAAAAAAAAcI/IcdcQZ_q4no/s1600-h/guy+debord+22.gif"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp0.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SIZOrH1k6oI/AAAAAAAAAcI/IcdcQZ_q4no/s320/guy+debord+22.gif" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5225950920355146370" border="0" /></a><br /><br />Outro dia descobri uma foto interessante, que mostra algo mais de um perfil do brilhante pensador francês Guy Debord. A foto, capa da tradução brasileira de seu igualmente brilhante trabalho <span style="font-style: italic;">Sociedade do Espetáculo </span>mostra Debord fumando um cigarro, mas não se pode ver mais nada da cena. Acabei dando de cara com a "continuação" da foto, numa dessas pesquisas pela internet. É uma coisa inusitada, por isso tô postando as duas.<br /><br />Além disso, vale, claro, indicar o livro, por seu teor crítico. Debord, fundador da Internacional Situacionista, buscava denunciar o estado de pacificação total do sujeito de sua época, rearticulando algumas idéias de Marx e Hegel. Visava mostrar que o pensamento único já se configurava nos aplausos do cidadão comum, entregue aos roteiros do capital e das novas formas de comunicação. O que a capa da edição original francesa, reproduzida abaixo, ilustra de forma bem impactante.<br /><br /><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SIZO9AiiRsI/AAAAAAAAAcQ/n2FAEINf0Kw/s1600-h/debord-sociedade-do-espetaculo-capa.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SIZO9AiiRsI/AAAAAAAAAcQ/n2FAEINf0Kw/s320/debord-sociedade-do-espetaculo-capa.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5225951227633878722" border="0" /></a>Marcelo Henrique Marques de Souzahttp://www.blogger.com/profile/16885784447989513694noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-6078978037329806048.post-86901793404808575342008-07-22T18:02:00.000-07:002008-07-22T14:11:10.968-07:00Sujeito a...<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SIZLNNQ2PHI/AAAAAAAAAb4/zJxT9QCkp84/s1600-h/xeque-mate.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SIZLNNQ2PHI/AAAAAAAAAb4/zJxT9QCkp84/s320/xeque-mate.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5225947107880746098" border="0" /></a><br />Se há uma questão fundamental para o pensamento ocidental pós-Idade Média, e que nos mostra muito do que ocorre com a crise do conhecimento intelectual que se vive hoje, essa é a questão do <span style="font-style: italic;">sujeito</span>, especialmente em filosofia e, posteriormente, na psicanálise.<br /><br />O filósofo francês René Descartes foi o primeiro a teorizar a respeito, com sua famosa fórmula do "penso, logo existo", que, como se origina da expressão latina <span style="font-style: italic;">cogito, ergo sun</span>, fica melhor traduzida para "penso, logo <span style="font-style: italic;">sou</span>". "Ser", então, passava a se ligar essencialmente ao pensamento, não mais aos desígnios divinos, como no tempo medieval.<br /><br />Entretanto, não satisfeito com a fórmula cartesiana, o alemão Imannuel Kant nos apresenta a questão da <span style="font-style: italic;">crítica da razão</span>. Para Kant, não basta apenas pensar sobre tal ou qual objeto, coisa ou acontecimento. É fundamental que se pense <span style="font-style: italic;">sobre o pensar</span>, para que se possa falar, aí sim, em um sujeito de fato.<br /><br />O projeto de Kant tinha um viés positivista, contudo. A crítica não era essencialmente <span style="font-style: italic;">negativa</span>, ou seja, não visava deixar de lado a questão da razão como centro da questão humana. Kant queria, na verdade, sustentar a infalibilidade da razão, apenas propondo um trajeto diferente. Que podemos traduzir na expressão "penso que penso, logo sou".<br /><br />Hegel foi mais adiante. Trabalhando idéias como representação e ilusão e a predicação dos objetos como articuladas com o sujeito do conhecimento, e já usando a noção de <span style="font-style: italic;">consciência</span>, o autor da <span style="font-style: italic;">Fenomenologia do Espírito</span> estabelece uma trajetória inicial de afastamento do sujeito em relação aos objetos. O sujeito, na perspectiva inicial da fenomenologia hegeliana, quanto mais "conhece" o objeto, mais se afasta dele.<br /><br />Isso não impediu, contudo, que Hegel reafirmasse a tônica da razão, como o fez Kant. Para Hegel, então, o sujeito poderia deslocar esse afastamento de forma definitiva, no estágio que chamou de <span style="font-style: italic;">Sujeito Absoluto</span>. Seria o momento em que o sujeito se articula definitivamente com suas predicações históricas, através do "conhecimento efetivo do que é, em verdade".<br /><br />Enquanto isso, o poeta francês Charles Baudelaire começava a perceber as falácias do projeto racional, de explicar, definir, conceituar tudo, como se não houvesse diversos interesses pelas entrelinhas desse pensamento enciclopédico. E essa crítica radical da razão ganha seu ponto culminante com a psicanálise de Sigmund Freud, na virada do século XIX para o XX.<br /><br />Freud, neste sentido, propõe uma estrutura tripla para o "sujeito": inconsciente, ego e superego, sendo que os dois primeiros, inconsciente e ego, se encontrariam interligados pelo que se traduziu, para o português, como "Id". Não me recordo agora da palavra em alemão, mas o autor brasileiro MDMagno chamou a atenção para o fato de que a melhor tradução para a palavra original alemã seria "o Isso" e não "Id". "Isso" por quê? Justamente porque o inconsciente é o lugar do não-pensar, do que não surge visível para a <span style="font-style: italic;">percepção</span>, para a <span style="font-style: italic;">reflexão</span>, para a <span style="font-style: italic;">crítica</span>.<br /><br />Quem "percebe", de fato, são o ego e o superego. Que são, em verdade, estruturas formadas pela <span style="font-style: italic;">consciência</span>, ou seja, pela cultura. É no inconsciente que se dá a verdadeira "individualidade" do indivíduo. O que fez Lacan propôr o seguinte deslocamento para a discussão do sujeito: "sou onde não penso, penso onde não sou". "Sou" onde? No inconsciente, onde o sujeito não pensa, onde não há verdade, mas turbilhões faltosos. E "penso" onde? Na consciência, onde não sou, pois quem "me é" é a cultura, ego e superego.<br /><br />É exatamente por isso que todo esse debate de afirmação das ditas "identidades", "identidade homossexual", "identidade negra", "identidade mulher", que os ditos pós-modernos debatem a torto e a direito, não passa de reducionismo de consumo. Ninguém "é" negro, branco, mulher, homem ou homossexual. O "ser" é muito além dessas idiossincrasias contemporâneas. Idiossincrasias essas fruto do tremendo eufemismo intelectual que vivemos hoje.<br /><br />O que não elimina o fato de que, depois de Freud, de Lacan e dos poetas, o "sujeito" passa a ter, inevitavelmente, que continuar a partida sem o rei...Marcelo Henrique Marques de Souzahttp://www.blogger.com/profile/16885784447989513694noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-6078978037329806048.post-39464596661694809112008-07-20T21:23:00.000-07:002008-07-20T17:29:15.075-07:00Quem foi o maior filósofo do século XX?<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SIPXPCgEX9I/AAAAAAAAAbw/c6ZFWOMWur0/s1600-h/foucault+123.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp1.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SIPXPCgEX9I/AAAAAAAAAbw/c6ZFWOMWur0/s320/foucault+123.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5225256646049292242" border="0" /></a><br />Voltando da rádio, hoje de tarde, parei numa banca de jornal. E fiquei sabendo que a LP&M editora está lançando os ensaios céticos do filósofo inglês Bertrand Russel. Descobri vendo o livro exposto, no que me pus a ler a contra-capa. Os editores defendem que Russel é, junto com Sartre, o maior filósofo do século XX. Ora, vale dar um pitaco nesta questão...<br /><br />A partir de Kant a filosofia não pôde voltar mais atrás; o adjetivo - ou melhor, o substantivo - da crítica passou a ser seu sobrenome. E isso em minha ótica tira o Sartre do páreo. Seu existencialismo não foi uma postura crítica e pode se perceber perfeitamente isso, avaliando a mitologia da liberdade que toma conta do imaginário dito pós-moderno.<br /><br />Russel, eu diria, menos ainda. Filósofo racionalista, exatamente aí se encontra o retrocesso de sua fala. Num tempo em que a filosofia já partia para uma articulação com as formas de pensamento que negavam o projeto racional como viável, visto suas inúmeras contradições, Russel seguia a risca sua matriz britânica, e sustentava a razão como linha de chegada de todo raciocínio que se pretendesse filosófico.<br /><br />Enfim, achei um tremendo exagero da editora, e trago aqui minhas indicações.<br /><br />Vale citar Ludwig Wittgenstein, por suas contribuições acerca da questão fundamental da linguagem, articulando-a com o histórico filosófico. Além dele, importante lembrar de Martin Heidegger e sua reflexão sobre a questão da 'vontade' e de Louis Althusser, com a contribuição de sua releitura marxista, apresentada na questão dos aparelhos ideológicos de Estado.<br /><br />E três nomes figuram em minha lista dos melhores do século XX, por seu potencial destruidor de referentes e por sua postura analítica e crítica, neste século tão contraditório em relação ao saber como foi o século XX: o alemão Theodor Adorno, por suas reflexões fundamentais sobre a transformação da cultura em mercadoria; o francês Jean Baudrillard, por sua crítica dos simulacros e das simulações, além de toda a obra teórica, de peso ímpar; e, finalmente, o mais eminente dos três, o francês Michel Foucault (na foto). Foucault talvez seja o nome mais imponente dos citados, inclusive por que produziu tratados brilhantes e extensos, como o "Palavras e as Coisas", que já citei algumas vezes aqui, e que traça um quadro extremamente coerente e detalhado acerca da questão do poder do discurso científico no ocidente.<br /><br />Não cito Guy Debord, Emil Cioran e Roland Barthes por que os três não foram "apenas" filósofos. Produziram em diversas áreas diferentes, todos dentro da maior radicalidade possível do pensamento que se pretenda crítico.<br /><br />Mas se tivesse que escolher apenas um, iria pelo Foucault. Russel?.. Tá muito longe do francês.. A falácia do projeto racionalista já se encontra demarcada desde o poeta Baudelaire. Defendê-lo é fechar os olhos para a História.<br /><br />E você, qual seria sua visão acerca desse tema?<br /><br /><img src="file:///C:/DOCUME%7E1/MARCELO/CONFIG%7E1/Temp/moz-screenshot-3.jpg" alt="" /><img src="file:///C:/DOCUME%7E1/MARCELO/CONFIG%7E1/Temp/moz-screenshot-2.jpg" alt="" /> <img src="file:///C:/DOCUME%7E1/MARCELO/CONFIG%7E1/Temp/moz-screenshot-1.jpg" alt="" />Marcelo Henrique Marques de Souzahttp://www.blogger.com/profile/16885784447989513694noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-6078978037329806048.post-62374125082391387922008-07-19T02:14:00.000-07:002008-07-18T22:15:21.430-07:00Sobre o curso<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SIF30bW61RI/AAAAAAAAAbg/uSw2ukM5yPw/s1600-h/interpreta%C3%A7%C3%A3o.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SIF30bW61RI/AAAAAAAAAbg/uSw2ukM5yPw/s320/interpreta%C3%A7%C3%A3o.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5224588785307276562" border="0" /></a><br />Vale registrar o enorme prazer que foi lecionar o curso de interpretação de texto deste mês. Uma turma bastante receptiva ao debate, ao tema e, principalmente, aos deslocamentos que costumo arriscar..<br /><br />Gosto de trabalhar a aula sempre para-além da mesmice mercadológica. A questão do saber está num âmbito completamente deslocado das pretensões de quem o pensa como mera instrumentalização para formação de mão-de-obra. Reflexão. Decomposição dos sentidos. Crítica. Metáfora. Antítese. Paradoxo. Enigma. Linguagem. É isso que me interessa. É mais político, é mais arte, mais inteligente.. A mesa-outra, de que fala Tom Jobim..<br /><br />Parabéns ao pessoal da turma e obrigado pelos momentos de reflexão. É isso que dá o gosto de dar aula.Marcelo Henrique Marques de Souzahttp://www.blogger.com/profile/16885784447989513694noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-6078978037329806048.post-34188063082258421462008-07-17T00:20:00.000-07:002008-07-16T20:23:09.125-07:00Grampeando a liberdade da mídia<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SH668-vtPcI/AAAAAAAAAbY/5oleKFxxxf0/s1600-h/grampo_estribo.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp0.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SH668-vtPcI/AAAAAAAAAbY/5oleKFxxxf0/s320/grampo_estribo.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5223818174594366914" border="0" /></a><br />Ao correr na esteira da academia, anteontem, tive a desagradável companhia das balelas espetaculosas do Jornal Nacional. Vale apenas citar uma risível contradição, ligada, mais uma vez, a esse mito ocidental da "liberdade de expressão".<br /><br />Primeiro, o Jornal mostrava o ex-secretário-geral da ONU, Koffi Annan, dando palestra pra um bando de marqueteiros, babando elogios à "liberdade de expressão", especialmente da imprensa comercial. É a grande imprensa, que não mede esforços para sustentar um pretenso valor positivo para a total liberação das mensagens midiáticas. Segundo desejam, o controle do que é exibido não é uma questão relevante. O importante é a tal "liberdade de expressão"..<br /><br />Como sabemos, há sempre um porém. E ele aparece rápido. No mesmo dia, o jornal abusou de fazer uso da reprodução de escutas telefônicas - os famosos "grampos" - de pessoas envolvidas em negociatas e vários outros crimes. Pra isso, a "liberdade de expressão" não vale.<br /><br />Uma pergunta: quem fará o "grampo" das falcatruas envolvendo a grande mídia? E outra: esses patetas são sempre aqueles que posam de entendedores de qualquer assunto, culpando o processo educacional (família, escola e governo - nunca a mídia) quando aparece algum delinquente cometendo crimes. Pra depois babar a asneira de que as mensagens midiáticas não influenciam a cabeça dos jovens - e das pessoas em geral.<br /><br />Para quem pensa um pouco, aparece nítida a questão de que o meio é parte fundamental na formação de um indivíduo. E parte fundamental dessa formação está no estabelecimento de limites de ação e de conduta. Inclusive, essa é a base do direito que constitui as sociedades ocidentais modernas.<br /><br />A mídia não pode ter liberdade irrestrita de ação, assim como ninguém pode. Só se constrói um mínimo de possibilidade de convívio, um mínimo de <span style="font-style: italic;">sociedade</span>, quando há o direito de um outro, que limita o nosso. Toda liberdade pressupõe um cada um por si, pressupõe o afrouxamento dos limites e, como consequência, aumento de violência e de desrespeito ao lugar do outro.<br /><br />Mesmo que faça pouco eco, vale a reflexão...Marcelo Henrique Marques de Souzahttp://www.blogger.com/profile/16885784447989513694noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-6078978037329806048.post-11464143313947510672008-07-13T19:24:00.000-07:002008-07-13T15:28:53.479-07:00Ética, metáfora e argumento<div style="text-align: center;"><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SHqAkYU0HmI/AAAAAAAAAbQ/SHMdAGn8npQ/s1600-h/moebius+22.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp1.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SHqAkYU0HmI/AAAAAAAAAbQ/SHMdAGn8npQ/s320/moebius+22.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5222628080382910050" border="0" /></a><span style="font-size:85%;">Ensaio, monografia e poesia: um pouco de unidade;<br />e muito deslocamento<br /><br /></span></div><br />O texto escrito sempre me interessou. Desde os primeiros espantos com as possibilidades dos quadrinhos até as teses gigantescas de Hegel, Kant e Lacan, as linhas tortas da escritura não cessaram em minha vida.<br /><br />De interrogação em interrogação, foi-se costurando o erro da linguagem em minha trajetória. E não deixei de visitar nada. Li muita divulgação científica, livros de biologia, saboreei com prazer o <span style="font-style: italic;">Evolução das Espécies</span> do Charles Darwin, livros sobre a origem da vida, origem do universo, origem do homem, paleontologia, estudos sobre fósseis, datação do carbono...<br /><br />Agatha Christie também me interessou nessa época. Já degustei mais da metade de sua extensa obra de 85 volumes, na companhia do brilhante e marrento detetive Hercule Poirot. Além, é claro, da adorável Miss Marple, e seu aguçado faro para os detalhes presentes na aparente simplicidade dos criminosos mais sutis.<br /><br />Num segundo momento, a teoria da comunicação caiu, meio que por acaso, nas minhas mãos. Estava com 24 anos, querendo saber que faculdade um maluco como eu poderia seguir, quando uma tia me disse: "Tente comunicação. Você gosta de escrever. É ali!". Nada mais providencial. Não tanto pela área profissional em si. Mais pela discussão da comunicação, que percebi como um dado fundamental para se colocar politicamente no mundo de hoje. Então, manda ver leitura sobre o assunto. Li o Adorno, Debord, Virilio, Baudrillard...<br /><br />E daí em diante passei a ler os clássicos da filosofia: Hegel, Marx, Rousseau, Foucault, Kant, Benjamin, Nietzsche, Maquiavel, Platão (este menos do que ainda quero ler..)... Sempre em busca de alguma coisa mais à esquerda, mais contrária aos dogmas, aos consensos (quase sempre medíocres), aos que reproduzem, cordeirinhos, os discursos de poder.<br /><br />Fui apresentado a um pensador que me deu muito em termos de reflexão, e que, sempre que posso, releio até hoje: o francês Roland Barthes. Que me fez ver a intrínseca relação que existe entre literatura e postura política. Não essa política partidária, mas a política verdadeira, a do confronto de idéias do cotidiano.<br /><br />Li alguma coisa de literatura brasileira. Menos do que gostaria. Sérgio Sant'anna, Guimarães Rosa, Nelson Rodrigues, Dalton Trevisan. Muita crônica, especialmente na época da graduação: Veríssimo, Aldir Blanc, Fausto Wolff, Fritz Utzeri, Sérgio Augusto, o Pasquim 21...<br /><br />E de repente, depois de escrever muitas crônicas durante um ano inteiro, na universidade, me deparei com um tipo de texto que me deixou bastante curioso: o ensaio. Já tinha lido lingüística (Saussure e Jakobson) e Semiologia (Barthes), quando percebi que existia um tipo de texto que não pretendia a definição, e que agia como um filme que não conta o final, deixando a responsabilidade dos deslocamentos posteriores a cabo do leitor. O próprio Barthes, Baudrillard, Borges, Cioran e um brasileiro, que gostei muito: Luis Augusto Fischer.<br /><br />Claro, o ensaio não é um texto inocente, longe disso. Mas as intenções são substituídas por um deslocamento constante da temática, que demanda a participação do leitor o tempo todo. É como se o leitor transitasse pela dúvida. É um passeio arenoso. E por isso fértil. Reflexivo. Não é cartilha, que Foucault já ensinou ser uma sutil malandragem do poder (malandragem essa que, neste momento, vejo ter sido percebida também por Machado de Assis).<br /><br />Junto a isso, tive que preparar a minha monografia. E fiquei muito interessado também (novidade...) pelo texto científico. Era um texto que, ao inverso do ensaio, buscava proteção o tempo todo. Por um lado, divertido essa ânsia pela concordância. Por outro, interessante, porque, de certa forma, preza o valor dos argumentos. E caí dentro, lendo e produzindo artigos acadêmicos.<br /><br />Enfim, li muita poesia e muita literatura desde então. Fernando Pessoa, Mario Quintana, Ferreira Gullar, Arnaldo Antunes, Baudelaire, Maiakovsky... Saramago, Balzac, Kafka.. (acabei de lembrar de três que ainda quero muito ler: Dostoiévski, Proust e Joyce)..<br /><br />Mas isso tudo foi pra dizer que penso o texto como um entrelaçamento constante entre a ética formal do ensaio, o poder de deslocamento poético da metáfora e uma pitada de coerência argumentativa. Mas coerência que não anda de mãos dadas com a lógica. Muito pelo contrário. Até porque, já ía me esquecendo da psicanálise.. Freud, Lacan, Roudinesco.. e um cara chamado Magno. Que escreveu um livro muito importante, chamado <span style="font-style: italic;">O Pato Lógico</span>. Exatamente o ser humano: um patinho, que caiu no conto do saber (do <span style="font-style: italic;">logus</span>). <span style="font-style: italic;">Logus</span> esse o corpo que veste toda enunciação racionalista. Objeto fundamental de toda crítica que se pretenda como tal. Que pretenda, como bem coloca o poeta Baudelaire, receber o privilégio da Antiguidade.Marcelo Henrique Marques de Souzahttp://www.blogger.com/profile/16885784447989513694noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-6078978037329806048.post-37692179604864875672008-07-12T02:01:00.000-07:002008-07-11T22:07:21.815-07:00José Castello<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SHg7G5eILFI/AAAAAAAAAbI/1ldCldfF7lQ/s1600-h/Jos%C3%A9+Castello.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp1.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SHg7G5eILFI/AAAAAAAAAbI/1ldCldfF7lQ/s320/Jos%C3%A9+Castello.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5221988757628529746" border="0" /></a><br />Estou já há algum tempo pra colocar minhas impressões sobre esse cara, aqui. O crítico literário José Castello tem me dado várias reflexões interessantes com seus textos muito inteligentes. Meio crônica, meio ensaio, seu texto faz o que o Barthes coloca como um "rivalizar da escritura com a análise". Algumas muito boas dele:<br /><br /><div style="text-align: center;">"Quando se trata da verdade, que é fluida e inconstante, melhor não se fiar em diários e biografias, melhor preferir as ficções".<br /><br />"A memória é uma armadilha. As lembranças carregam as garras da confusão e da deformação. Traduzidas em palavras, em vez de ganhar nitidez, elas a perdem. Perdem, mas ganham: é quando as expressamos em palavras, ou - dizendo mais honestamente - quando as deformamos em palavras, que as coisas, enfim, passam a existir".<br /><br />"A sinceridade e a honestidade intelectual não asseguram a verdade".<br /><br />A verdade não cabe em cápsulas. se forçarmos, ela se estilhaça".<br /><br />"Para que serve a literatura? Para que cavemos, em nosso próprio rosto, o que somos".<br /><br />"Um nome não contém uma pessoa".<br /><br />"A idéia é um biombo atrás do qual ocorrem as coisas mais importantes" (citando Witold Gombrowicz, escritor polonês).<br /><br /><br /><div style="text-align: justify;">Tudo isso tirei apenas de um de seus ensaios, que sempre abrilhantam as páginas do caderno "Prosa e Verso", do jornal O Globo, aos sábados.<br /><br />E como um nome não contém uma pessoa, não se contentem com o nome. Leiam o cara. Para além de seu nome. Vale recomendar.<br /><br /></div></div>Marcelo Henrique Marques de Souzahttp://www.blogger.com/profile/16885784447989513694noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-6078978037329806048.post-33822622780790573622008-07-10T00:57:00.000-07:002008-07-09T21:03:32.154-07:00Quanto vale um tênis?<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SHWI7CTdEnI/AAAAAAAAAaw/bCSxJ6dZiFo/s1600-h/nike.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp0.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SHWI7CTdEnI/AAAAAAAAAaw/bCSxJ6dZiFo/s320/nike.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5221229890818085490" border="0" /></a><br />Para quem não conhece, o escroto da foto se chama Philip Knight. Para quem ficou na mesma, esse elemento é o fundador e dono da Nike, maior empresa de material esportivo do mundo.<br /><br />Caiu em minhas mãos o jornal 'Lance!' de hoje, que li enquanto esperava o almoço num restaurante, aqui perto de casa. E nele há uma matéria na qual a empresa norte-americana é acusada de manter trabalho escravo de crianças de até 8 anos na Ásia e ainda no Brasil. Segundo a reportagem, a média de idade de meninas que trabalham 15 horas por dia fabricando tênis na Ásia é de 14 anos (!!). A média!..<br /><br />No Brasil também há casos semelhantes envolvendo a Nike. Uma das fábricas que trabalham pelo sistema de cooperativa com a empresa, em Quixeramobim, no Ceará, é também acusada de obrigar seus operários a ultrapassarem sistematicamente as 8 horas de trabalhos diários.<br /><br />Em entrevista ao cineasta também norte-americano Michael Moore, transcrita pela reportagem do Lance!, Knight cagou em cima de qualquer bom senso, defendendo a situação das fábricas que contratam crianças na Ásia. Diz ele que "é estúpida a idéia de aumentar a faixa etária das fábricas da Indonésia de 14 para 18 anos. (...) Sabe por quê? Porque é responsabilidade das Nações Unidas, eles determinam que naqueles países a idade mínima é de 14 anos".<br /><br />Muita coisa me vem à cabeça. Inclusive o fato de que geralmente se critica a história chinesa, por exemplo, justamente por conta desse tipo de exploração. Além disso, cabe pensar exatamente no papel da ONU, se esse pateta estiver realmente falando a verdade. Então, tá liberado trabalho infantil? É isso mesmo? Se for isso mesmo, a que interesses a ONU está realmente vinculada?<br /><br />Knight limpa sua bunda suja com os dólares que lucra em cima do trabalho de crianças no terceiro mundo. Segundo ele, tem que ser assim, porque as pessoas dos países pobres têm que trabalhar desde cedo para sobreviver. Ou seja, em outras palavras, esse asno acha correto explorar a pobreza através de subempregos, na periferia do mundo...<br /><br />As pessoas que levantam a voz para defender a tal livre iniciativa irrestrita do mercado, em detrimento do papel regulador do Estado (como símbolo de ação pró-pessoas), defendem, de tabela, esse tipo de situação, que é mais comum do que parece a quem ache que só o que aparece na mídia é "fato"..Marcelo Henrique Marques de Souzahttp://www.blogger.com/profile/16885784447989513694noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-6078978037329806048.post-17802010472736324272008-07-07T02:13:00.000-07:002008-07-06T22:14:11.617-07:00Pérolas do mês...<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SHGl5-Q0CNI/AAAAAAAAAao/c0ZYNat7S7s/s1600-h/p%C3%A9rola.htm"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SHGl5-Q0CNI/AAAAAAAAAao/c0ZYNat7S7s/s320/p%C3%A9rola.htm" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5220135858483759314" border="0" /></a><br />Algumas sandices divertidas das últimas redações... Sem citar nomes, claro. Ensino médio, hein...<br /><br />- "No mundo atual, podemos ver que o mundo está se tornando egoísta..."<br /><br />- "o mundo está se matando aos poucos..."<br /><br />- "O egoísmo, como posso dizer [??].. o egoísmo tem que ser balanceado..."<br /><br />- "Prática egoística"<br /><br />- "A sociedade, com muitas pessoas desse tipo, acham que só pensando em si, que vai conseguir melhorar o seu estado, ou até mesmo de não mudar o seu estado pessoal". (?????)<br /><br />- "Para o mundo acabar com a desigualdade que existe em toda parte do mundo".<br /><br />- "Elas nunca geralmente [??] ajudão (sic) e em resposta também não são ajudadas".<br /><br />- "Nada é igual e se vive uma vida repetitiva e chata".<br /><br /><br />Uma da prova de gramática de uma professora amiga:<br /><br />- Ela pede para que o aluno responda a classe gramatical de uma determinada palavra. No que o aluno responde: "advérbio de silêncio".<br /><br /><br />E uma última - essa a melhor de todas -, da prova de ciências de uma outra professora:<br /><br />- Desta vez é para responder "quais são os elementos do sistema reprodutor MASCULINO. Resposta: óvulo, próstata, tuba uterina e PENÊS...<br /><br />Fiquei aqui sem saber se terminava com uma piada ou com um epitáfio, do tipo "Aqui jaz a língua portuguesa"...Marcelo Henrique Marques de Souzahttp://www.blogger.com/profile/16885784447989513694noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-6078978037329806048.post-7945252226013216062008-07-05T21:09:00.000-07:002008-07-05T17:10:16.191-07:00Ser.. Ver.. Ser.. Vir.. Vindo.. Indo.. Foi.<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SHANDGJFCkI/AAAAAAAAAag/_uvDT8qSJKk/s1600-h/fern+pessoa.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp3.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SHANDGJFCkI/AAAAAAAAAag/_uvDT8qSJKk/s320/fern+pessoa.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5219686314961865282" border="0" /></a><br /><div style="text-align: center;">"Não sei quantas almas tenho.<br />Cada momento mudei.<br />Continuamente me estranho.<br />Nunca me vi nem acabei.<br />De tanto ser, só tenho alma.<br />Quem tem alma não tem calma.<br />Quem vê é só o que vê,<br />Quem sente não é quem é".<br /><br />Isso é Fernando, em Pessoa.<br />Para além da pessoa.<br />Mais que apenas poesia.<br />É tudo, portanto poesia.<br /></div>Marcelo Henrique Marques de Souzahttp://www.blogger.com/profile/16885784447989513694noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-6078978037329806048.post-7623859619892781992008-07-04T00:59:00.000-07:002008-07-03T21:00:21.182-07:00Outra paixão<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SG2eFnpXHjI/AAAAAAAAAaI/4eHXTbWGdtU/s1600-h/futevolei+shopping+tijuca+II+28+06+08.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp0.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SG2eFnpXHjI/AAAAAAAAAaI/4eHXTbWGdtU/s320/futevolei+shopping+tijuca+II+28+06+08.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5219001362571271730" border="0" /></a><br />Essa é de um torneio de futevôlei que disputei no Shopping Tijuca, no último dia 28. Eu na esquerda, Fabinho no centro e meu parceiro, "Cria", do lado direito. O barato do torneio é que o shopping fica aqui na Tijuca, onde moro. É aquela coisa.. Se Maomé não vai à montanha... O pessoal do shopping montou uma quadra de areia entre a rua e a entrada principal. É um cenário inusitado..<br /><br />Já faturei um troféu lá, em 2005 (o da foto de baixo), com um outro amigo de nome Fabinho, que hoje mora no Acre, longe pra dedéu. Dessa vez, perdemos nas quartas-de-final, para a dupla que acabou campeã, Marquinhos e Ximba. Mas na próxima vai dar, parceiro!<br /><br /><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SG2fpdinPFI/AAAAAAAAAaY/bU7GSg5iAEs/s1600-h/3.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp3.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SG2fpdinPFI/AAAAAAAAAaY/bU7GSg5iAEs/s320/3.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5219003077845531730" border="0" /></a>Marcelo Henrique Marques de Souzahttp://www.blogger.com/profile/16885784447989513694noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-6078978037329806048.post-21266516681079817302008-07-04T00:32:00.000-07:002008-07-03T20:32:29.154-07:00Pilha nos tricolores<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SG2Zotf2wRI/AAAAAAAAAaA/mpjQzwyxnvA/s1600-h/lduracell.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp3.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SG2Zotf2wRI/AAAAAAAAAaA/mpjQzwyxnvA/s320/lduracell.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5218996467879297298" border="0" /></a><br />Não resisti..<br /><br />Torci pelo Fluminense ontem, mesmo sendo flamenguista.. Mas um amigo colocou isso no orkut, e achei muito bem bolado..<br /><br />Vai ficar pra próxima, tricolada..Marcelo Henrique Marques de Souzahttp://www.blogger.com/profile/16885784447989513694noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-6078978037329806048.post-38883841124293368642008-07-04T00:17:00.000-07:002008-07-03T23:42:42.042-07:00Arte e poesia para Ferreira Gullar<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SG2V-6FBy3I/AAAAAAAAAZ4/ALg31XmmY6M/s1600-h/ferreira+gullar.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp3.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SG2V-6FBy3I/AAAAAAAAAZ4/ALg31XmmY6M/s320/ferreira+gullar.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5218992451167046514" border="0" /></a><br /><span style="font-style: italic;">Sobre arte, sobre poesia </span>é uma boa pedida. Livro do poeta maranhense Ferreira Gullar, fala, de forma gostosa, de questões bacanas e importantes, como a relação da arte com o novo e com a crítica, a arte como espetáculo, arte conceitual, vanguarda, ética, técnica, arte nacional, arte-mercadoria e sobre a relação entre a poesia e a realidade (li recentemente alguma coisa muito interessante do Borges a respeito).<br /><br />Leitura que fiz no ano passado e recomendo.Marcelo Henrique Marques de Souzahttp://www.blogger.com/profile/16885784447989513694noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-6078978037329806048.post-26149621848515042092008-07-03T23:57:00.000-07:002008-07-03T20:05:37.728-07:00Lei X Vontade<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SG2Taz3m-XI/AAAAAAAAAZw/O0k2oG_kJSQ/s1600-h/orkut+1111.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp0.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SG2Taz3m-XI/AAAAAAAAAZw/O0k2oG_kJSQ/s320/orkut+1111.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5218989632001603954" border="0" /></a><br /><b>Tolice de hoje (do orkut):</b> "A vontade das pessoas é a melhor das leis".<br /><br />Apesar de não ser um leitor aprofundado do Heidegger, penso que a questão da "vontade da vontade" que ele denuncia (aqui, "denúncia" é mais "chamar a atenção" do que "estilo linha direta") em seu texto diz mais sobre isso.<br /><br />É justamente porque existe a vontade que existem as leis. Sem lei, é barbárie. Ou seja, apenas.. vontades.<br /><br />E outra: "a vontade das pessoas é a melhor das leis" é proposto exatamente como uma lei, ou seja, como regra. E se a minha vontade for a de discordar da frase?..<br /><br />É, cara-pálida... Tem que melhorar esse repertório...Marcelo Henrique Marques de Souzahttp://www.blogger.com/profile/16885784447989513694noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-6078978037329806048.post-48521333617706539502008-07-03T23:04:00.000-07:002008-07-03T19:05:07.899-07:00Baudrillard e para-além...<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SG2E8dit3pI/AAAAAAAAAZo/4y4ttK177lY/s1600-h/Baudrillard-neu_DW__178172g.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp1.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SG2E8dit3pI/AAAAAAAAAZo/4y4ttK177lY/s320/Baudrillard-neu_DW__178172g.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5218973717449531026" border="0" /></a><br /><div style="text-align: center;">"Se o mundo é esse em que não há duplo, é porque é dual em si mesmo, na versão original - ele só se torna unitário na sua versão "duplicada" ".<br />(Jean Baudrillard, em sua melhor forma, <span style="font-style: italic;">A Troca Impossível</span>, p. 105)<br /></div><br />Coloquei um comentário à lápis, ao lado, na época em que li pela primeira vez: "Aliás, essa é a questão do Foucault no Palavras e as Coisas..."<br /><br />Algumas outridades:<br /><br />A falta é una, mas o é por conta do que se propõe como tampão<br /><br />A banda de Moebius é uma boa metáfora<br /><br />A metáfora é a falta que se delata<br /><br />Todo acordo é um riso do tempo<br /><br />O espelho é o fantasma do inverso<br /><br />O verso é o que há<br /><br />Só há acontecimento quando não há previsão<br /><br />Distinção é guerra<br /><br />Paz é luto<br /><br />E foda-se o resto...Marcelo Henrique Marques de Souzahttp://www.blogger.com/profile/16885784447989513694noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-6078978037329806048.post-79929451167998777692008-07-03T20:46:00.000-07:002008-07-03T16:46:45.367-07:00Super-tolices<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SG1kszXHACI/AAAAAAAAAZg/ts57uAwcPv8/s1600-h/super+capa_254.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp1.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SG1kszXHACI/AAAAAAAAAZg/ts57uAwcPv8/s400/super+capa_254.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5218938264056430626" border="0" /></a><br />Em 1987, então com 12 anos, comprei o primeiro número da revista <span style="font-style: italic;">Superinteressante</span>, da editora abril. Era um pré-adolescente que gostava muito de ler, especialmente influenciado por uma família de leitores e de alguns escritores.<br /><br />O barato daquele Marcelo era posar de entendedor de ciência. Para ele, a ciência definia o mundo de forma coerente, além de dar uma explicação bem interessante para as contradições que a religião já apresentava àquela mente juvenil.<br /><br />Comprei a revista por muito tempo. Até os 25 anos, se não me engano. Ali já dava uma guinada em minhas leituras, já influenciado pela literatura, pela filosofia e pela teoria crítica. A produção intelectual da universidade - a despeito da mercantilização da mesma - me introduziu na discussão da linguagem, de onde ainda transpiro reflexões advindas. Posteriormente, assimilei ao repertório a questão da psicanálise, fundamental para a leitura teórica contemporânea.<br /><br />Esse intróito se justifica por que, apesar de não mais gastar meu parco dinheirinho com a superinteressante, volta-e-meia seu vermelho reluzente ofusca meus olhos nas bancas de jornal. Natural, diante de tantos anos de relação. E volta-e-meia me deparo com algumas supertolices da revista.<br /><br />De tempos em tempos, a "super" publica reportagens exaltando a "ineficácia", até mesmo o "fim" da psicanálise e o que ela-revista chama de "equívocos" e "limitações" da teoria freudiana. E este mês, mais uma dessas reportagens ilustra, ofuscante, a capa da revista.<br /><br />Algumas constantes podem ser observadas. Primeiro, a revista teima em avaliar a psicanálise pelo olhar da neurologia. Nada mais incoerente, por conta de que Freud justamente cria a psicanálise por não concordar com a neurologia como forma de avaliar a condição humana. Para o pensador alemão, o problema humano se encontra na fala e na escuta e não nas terminações nervosas.<br /><br />Outro ponto curioso é o entendimento que a revista mostra sobre a função da terapia. Diz ela que a intenção da terapia que nasce com Freud é o "autoconhecimento". Nada mais equivocado. Mostra que a revista só lê a si mesma, sendo, portanto, presa justamente do tal "autoconhecimento".<br /><br />Quem acessa o texto freudiano com rigor percebe que a noção de ego que ele cria serve para posicionar uma parte da estrutura mental do sujeito. Chamar o ego de "eu" é sutilmente equivocado, porque desconsidera o caráter falacioso da consciência, proposto por Freud. O ego seria uma "ilusão de eu", e não um eu completo, como sugerem essas leituras precipitadas.<br /><br />Como conseqüência desse tipo de leitura, a própria função da terapia fica incoerentemente delineada. A revista fica o tempo todo alardeando uma busca da felicidade pelos pacientes, como se o objetivo da psicanálise fosse fazer o sujeito sustentar suas referências egóicas. Nada mais preso aos mitos do "autoconhecimento" contemporâneo...<br /><br />A revista pergunta, irônica: "Vale a pena gastar tempo e dinheiro contando nossa intimidade a alguém que mal conhecemos?". Essa frase, pequena, é grande em equívocos. E denota a fraquíssima leitura da revista, no que tange ao pensamento psicanalítico.<br /><br />Primeiro: o tempo é relativo na psicanálise. A leitura dos sintomas e a disposição de ambos - analista e analisando - redefine o tempo todo a situação analítica. Não se pode definir essas coisas, sob pena de falácia conceitual.<br /><br />Segundo: "contar a intimidade" não tem nada a ver com a técnica da psicanálise. Quando ouve o analisando, o psicanalista está muito mais preocupado com a leitura das entrelinhas do que com o que está claramente verbalizado na fala do sujeito. O desconhecimento do próprio problema, por parte do analisando, é uma das premissas da psicanálise. Isso porque ela leva em consideração a atitude humana em relação aos seus significados como uma defesa. Se o sujeito procura o analista, é porque há um deslize em algumas dessas defesas. O que leva à óbvia conclusão de que nem ele sabe o que o aflige. Se soubesse, não procuraria o analista. Procuraria suas próprias defesas.<br /><br />E terceiro: é justamente o fato de que o analisando não conhece o analista, que permite uma leitura mais producente dos sintomas. Ora, o amigo ou "conhecido" serve, antes de qualquer coisa, para amparar o sujeito em sua fala. Nada que impeça inclusive um deslocamento qualquer.. Mas a contra-transferência é quase sempre inevitável, o que dificulta a leitura das situações.<br /><br />E vale ainda dizer que a revista coloca que um dos problemas da psicanálise é que muitas de suas teorias não nasceram do método científico tradicional (p. 64). Ora, nada mais tolo... Por dois motivos: primeiro, o pensamento pricanalítico não tem como base a ciência, muito pelo contrário. Freud e Lacan consideram os mitos, a literatura e a linguagem como bases mais sólidas, e isso é muito fácil de perceber nos textos destes autores. Basta lê-los... E segundo, por conta de que a própria ciência se alterou de forma radical depois das contribuições da relatividade de Einstein e da mecânica quântica. O que a revista chama de "método científico tradicional" é algo que continua resistindo nas ciências humanas, como mecanismo de retesamento social (como apontam a teoria crítica e a própria psicanálise) e na própria ideologia do Ocidente, como mitologia de "objetividade", "racionalidade" e "imparcialidade". Nada mais ingênuo...<br /><br />A revista se farta de estatísticas e testes sociológicos, na tentativa de desmerecer a psicanálise. Nada mais falacioso, na medida em que, mesmo muitas vezes de forma equivocada, o fato é que a psicanálise nunca esteve tão presente no debate acadêmico e social. A própria terminologia freudiana já caiu no senso comum há muito tempo (claro, também quase sempre de forma distorcida): neurose, trauma, obsessividade, paranóia... todos termos comuns na linguagem cotidiana.<br /><br />Enfim, pra quem comeu os livros de Freud e Lacan e pra quem nutre simpatia pela psicanálise como ética para-além-ego, a reportagem da revista é divertida, apesar de também preocupante. É risível a insistência da revista em analisar a psicanálise pela via da neurologia. Vão continuar lendo a questão de forma tosca. Mas isso denota também outra faceta desse quadro: os discursos egóicos de felicidade e curto prazo continuam mais atuantes do que nunca. O que me deixa com a ambígua reflexão de que.. "pelo menos há a psicanálise"..<br /><br />Freud não é a verdade final, até porque nem ele mesmo se pretendia como tal.. E quem vive de "pelo menos" é empresa de depilação.. Mas é muito melhor que ficar lendo a cabeça do ser humano pelo referencial tosco da "busca da felicidade"... Isso é papo desses escritores fraudulentos de auto-ajuda.. Prefiro que minha leitura me vença.. É mais ético e menos pedante. E por isso, vale indicar: quer conhecer mais a fundo a psicanálise: leia Freud, leia Lacan.. e não leia a superinteressante.Marcelo Henrique Marques de Souzahttp://www.blogger.com/profile/16885784447989513694noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-6078978037329806048.post-24393149330538945282008-07-01T21:51:00.000-07:002008-07-01T21:11:22.525-07:00Curso de Férias<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SGrQtdD0eMI/AAAAAAAAAZY/rfwuB8Eets8/s1600-h/estacio+ferias+1.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp1.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SGrQtdD0eMI/AAAAAAAAAZY/rfwuB8Eets8/s320/estacio+ferias+1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5218212597575481538" border="0" /></a><br /><p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><span style="font-size:100%;">Aos amigos leitores deste blog, informo que vou ministrar ("dar" fica estranho, né não?..) um curso de férias na Estácio, neste mês de julho. As aulas começam no dia 8, na próxima terça-feira, e o curso será sobre a questão da Interpretação de Textos. Dá pra refletir bastante essa questão, que é mais ampla do que parece.</span><br /></p><p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">Para quem quiser, estou mandando os dados. A inscrição pode ser feita pela internet. Espero vocês por lá.<b><br /></b></p><p class="MsoNormal"><b><br /></b></p><p class="MsoNormal"><b>Local:</b> ESTÁCIO REBOUÇAS </p> <p class="MsoNormal"><b>Endereço:</b> R DO BISPO Nº 83<b><o:p> </o:p></b></p> <p class="MsoNormal"><b>Período de Realização: </b>08/07/2008 a 17/07/2008 (8, 10, 15 e 17)<br /></p> <p class="MsoNormal"><b>Carga horária:</b> 16 h<b><o:p> </o:p></b></p> <p class="MsoNormal"><b>Aluno /Turma:</b> Min. 22 - Max. 45 </p> <p class="MsoNormal"><b>Código da turma:</b> 18200808148 </p> <p class="MsoNormal"><b>Dia da semana: </b>Terça-Feira das 18:00 às 22:00<br />Quinta-Feira das 18:00 às 22:00 <b> <!--[endif]--><o:p></o:p></b></p> <span style="font-size:100%;"><b><span style="">Valor: </span></b></span><span style=""><span style="font-size:100%;">R$ 15,00<br /><br />OBS: Na hora de fazer a inscrição, confira sempre o código da turma, porque são vários cursos com o mesmo nome e você pode acabar fazendo a inscrição numa turma errada, sem querer.</span> Aí vai o link, pra quem se interessar:<br /><br /></span><span style=";font-family:";font-size:12;" ><span style="font-size:85%;"><a href="http://www.estacio.br/ferias/detalhes.asp?cd=31556&ano_turma=07/2008">http://www.estacio.br/ferias/detalhes.asp?cd=31556&ano_turma=07/2008</a></span><br /><br /></span>Marcelo Henrique Marques de Souzahttp://www.blogger.com/profile/16885784447989513694noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-6078978037329806048.post-27507022038959440132008-07-01T21:23:00.000-07:002008-07-01T17:23:57.197-07:00Renato Russo e os outros<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SGrKUyooZYI/AAAAAAAAAZQ/giy0jjEn-bk/s1600-h/Renato+Russo+1.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp3.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SGrKUyooZYI/AAAAAAAAAZQ/giy0jjEn-bk/s320/Renato+Russo+1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5218205576800527746" border="0" /></a><br /><div style="text-align: justify;"><span style="font-size:85%;">"O segundo disco da Legião Urbana, <span style="font-style: italic;">Dois</span> (1986), também incluiria uma música do repertório do Aborto Elétrico, a amarga <span style="font-style: italic;">Metrópole</span>, sem falar numa <span style="font-style: italic;">Música Urbana 2</span>. Alguns dos versos da primeira flagravam o desprezo que o jornalista Renato Russo sentia pelos aspectos sanguissedentos da profissão que exerceria durante algum tempo no <span style="font-style: italic;">Jornal da Feira</span>, programa de rádio do Ministério da Agricultura: "É tão emocionante um acidente de verdade/Estão todos satisfeitos/Com o sucesso do desastre:/Vai passar na televisão". Freqüentemente ele ralhava com os pais se os pegava assistindo o <span style="font-style: italic;">Jornal Nacional</span>: "Não sei como vocês aguentam ver isso... É só desgraça!" Dona Maria do Carmo às vezes tinha a impressão de que o filho "carregava o mundo nas costas". Renato podia ficar angustiado com as imagens de gente passando fome na Conchinchina. Era como se sentisse co-responsável pela dor daquelas pessoas. Por isso, preferia passar por cima do noticiário e se atracar com os cadernos culturais e literários dos jornais, sem falar nas suas amadas revistas estrangeiras. Anos depois, morando sozinho em Ipanema, Renato manteria uma conta corrente numa grande banca de jornal na rua Visconde de Pirajá, em frente à praça Nossa Senhora da Paz, a poucos quarteirões do apartamento da Nascimento Silva".<br /><br /><br /><span style="font-size:100%;">Esse é um trecho do livro que estou lendo sobre a vida do Renato Russo. Sem dúvida, melhor que qualquer aula de ética profissional...</span><br /></span></div>Marcelo Henrique Marques de Souzahttp://www.blogger.com/profile/16885784447989513694noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-6078978037329806048.post-109734191331953312008-07-01T19:44:00.000-07:002008-07-01T15:45:33.265-07:00Sonho mEU, ô...<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SGqzO2mwUlI/AAAAAAAAAZI/XO2NJzypXtM/s1600-h/Salvador+Dali+e+seu+gato.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp3.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SGqzO2mwUlI/AAAAAAAAAZI/XO2NJzypXtM/s320/Salvador+Dali+e+seu+gato.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5218180186019746386" border="0" /></a><br />Hoje pensei sobre algumas expressões curiosas que se usa por aí. "Sonho de consumo", "o sonho pode se tornar realidade" e outras similares..<br /><br />O sonho é tratado, nesse sentido, como algum tipo de ambição, algo que o sujeito deseja (importante palavra essa), além de ser colocada sempre como algo abstrato em relação a outro algo concreto e efetivo, a tal "realidade".<br /><br />Como nos mostram Freud e Salvador Dali, a mente humana é um eterno embate entre o inconsciente, que teima sempre em resignificar, e a consciência, que seria, ela sim, o desejo do sujeito.<br /><br />O sonho, esse seria, então, o momento em que o desejo não tem controle sobre as manifestações do inconsciente. E por isso há uma loucura, digamos, "não-velada" nos sonhos. O sonho é o que somos, é o inconsciente em plenitude, sem as amarras da vigília.<br /><br />Entretanto, a <span style="font-style: italic;">estrutura</span> é a mesma. O jogo é sempre via linguagem, via significante. E a dissimulação da vigília não apaga os rastros produzidos pelas profundezas da mente.<br /><br />Portanto, o sonho não é algo que a gente "deseja". Pelo contrário. A lógica do desejo é decalcar o inconsciente com defesas, para aí poder desejar "em paz" (nunca é em paz, claro... A-final, há o recalque, ou seja, o furo inevitável em todo decalque). O sonho sonha sozinho.. Não há ingerência possível. E esse talvez seja o grande calcanhar-de-aquiles deixado pela psicanálise na prepotência da modernidade: o sujeito que acaba sempre se des-cobrindo sujeito a...<br /><br />É como diz o Lacan: é o pássaro que constrói o vôo no teu sonho, ô mané...Marcelo Henrique Marques de Souzahttp://www.blogger.com/profile/16885784447989513694noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-6078978037329806048.post-10056918242404273982008-06-29T20:01:00.000-07:002008-06-29T16:04:36.738-07:00Re-flexão<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SGgUCuP9p7I/AAAAAAAAAZA/HpS2xgqOCls/s1600-h/psiqu%C3%AA.bmp.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp1.blogger.com/_VAaOYlYQwEQ/SGgUCuP9p7I/AAAAAAAAAZA/HpS2xgqOCls/s320/psiqu%C3%AA.bmp.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5217442205315999666" border="0" /></a><br />Depois de um interessante debate resultante de meu último texto no "Clube do Livro", chamado <a href="http://clubedolivro.wordpress.com/2008/06/27/reflexao-e-repeticao"><span style="font-style: italic;">Reflexão e Repetição</span></a>, me interessei em rememorar essa questão, especialmente através da contribuição dos idealistas alemães, como Hegel.<br /><br />Resumindo, o texto debatia uma certa distinção que geralmente se faz entre "reflexão" e "prazer", no ato de ler. E isso me fez refletir (!!) um pouco..<br /><br />Procurei o dicionário, e ele me indica que se entende reflexão como sendo "a volta da consciência e do espírito sobre si mesmo, para exame de seu próprio conteúdo". Ou seja, é como dizer que se reflete quando se avalia o que o pensamento produziu anteriormente. Nada mais sutilmente enganoso...<br /><br />O debate mais notável que ocorre entre os idealistas se dá entre a leitura de Kant e a de Hegel sobre a questão do <span style="font-style: italic;">cogito</span>, ou seja, do que seria "pensar" efetivamente. Descartes nos propõe: "penso, logo sou (ou existo)". No que Kant retruca: "penso que penso, logo sou". Ou seja, não basta pensar em algo. É fundamental <span style="font-style: italic;">pensar sobre o pensar</span>. Daí a "crítica da razão", deste último.<br /><br />Entretanto, apesar de estabelecer uma das mais importantes bases do pensamento ocidental, Kant tem uma falha, segundo Hegel: o pensamento não pára quando se avalia criticamente algo.. E então propõe uma outra fórmula: "penso que penso que penso... tende ao infinito..". O pensamento sobre algo não se estanca quando mudamos para outro algo.. E ainda: esse próprio "mudar para outro algo" faz parte do próprio pensar, na medida em que a mudança só ocorre porque alguma conexão gerou interferência..<br /><br />Duas boas dicas para pensar esse assunto, além do clássico "Fenomenologia do Espírito", de Hegel, são: o capítulo 1 do livro <span style="font-style: italic;">Dialética do Esclarecimento</span>, de Adorno e Horkheimer, intitulado <span style="font-style: italic;">O Conceito de Esclarecimento</span>, e o texto <span style="font-style: italic;">O Ego e o Id</span>, do Freud. Ambos se posicionando acerca da questão da estrutura do entendimento humano.<br /><br />O problema, aliás, está justamente aí. A reflexão não pode ser condicionada: "agora vou refletir, depois não". A reflexão é a própria <span style="font-style: italic;">estrutura</span> do pensamento! Tente não pensar em nada e das duas uma: ou pensará sobre o nada, ou então será acometido por alguma conexão estranha, que certamente trará aquela famosa pergunta, tão repetida na história humana: "de onde veio esse pensamento?"..Marcelo Henrique Marques de Souzahttp://www.blogger.com/profile/16885784447989513694noreply@blogger.com