tag:blogger.com,1999:blog-59810174855403862852008-08-20T21:02:07.693-03:00BoteclandoMiguel Icassattihttp://www.blogger.com/profile/02607813085084424566noreply@blogger.comBlogger120125tag:blogger.com,1999:blog-5981017485540386285.post-75543865883015550952008-08-20T20:56:00.002-03:002008-08-20T21:01:54.271-03:00St. Pauli é paulistano, até na AlemanhaNo fim de semana começou a temporada 2008-2009 da <span style="font-style: italic; font-weight: bold;">Bundesliga</span>, o campeonato alemão de futebol, que se divide entre a primeira e a segunda divisões.<br /><br />E, meninos, eu estava lá, na arquibancada recém-inaugurada do estádio do <span style="font-weight: bold; font-style: italic;">St. Pauli</span>, para o jogo de estréia do time da casa, contra o <span style="font-weight: bold; font-style: italic;">Osnabrück</span>, pela segundona. Em 2010, o clube vai completar 100 anos e, nesse século de vida, passou pouquíssimo tempo entre os grandes do país.<br /><br />Em uma nota anterior, eu disse que o clube é um misto de Juventus e Portuguesa. Preciso reformular essa definição, já que vejo um pouco de cada um dos times paulistanos na alma do St. Pauli.<br /><br />As porções Lusa e palestrina, por exemplo, se devem ao fato de que seu acanhado estádio está incrustado num bairro próximo ao centro, acessível por metrô. Com a nova arquibancada (ingressos com lugares marcados a 38 euros), a capacidade passou para 24 000 pessoas – no jogo, que aconteceu às 18h de sexta-feira, havia 22 210 torcedores.<br /><br />Essa gente toda reunida, num horário em que as pessoas deveriam estar indo ao bar para a happy hour e não a uma partida de futebol, lembra, devo admitir, a devoção que a Fiel torcida tem pelo Corinthians. Nem nos piores momentos – como o atual, hehe – os fãs desses dois times os abandonam. Aliás, o St. Pauli só não fatura mais com venda de camisetas e merchandising do que o todo-poderoso <span style="font-weight: bold; font-style: italic;">Bayern</span> de Munique.<br /><br />Além do nome, há outra coincidência entre o St. Pauli e o meu tricolor paulista: suas cores também são três, no caso, marrom, branco e vermelho.<br /><br />Para entender a porção juventina, aqui vai uma inconfidência: assim como vi na Rua Javari, há cerveja à venda, com a diferença que na Alemanha o comércio é permitido. Meus amigos Dinho Luiz e Jones Rossi hão de lembrar do clássico Juventus e Nacional que assistimos uns dois anos atrás, numa manhã de domingo, e dos torcedores formando fila para comprar sua Antarctica (ou seria outra?).<br /><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://vejasaopaulo.abril.com.br/red/blogs/boteclando/uploaded_images/boteclando021-759139.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://vejasaopaulo.abril.com.br/red/blogs/boteclando/uploaded_images/boteclando021-759135.jpg" alt="" border="0" /></a><br />O do St. Pauli, convém dizer, é o único estádio alemão que tem o aval para a presença de bebida alcoólica. Além de estar à venda nos bares das sociais, homens como este aí da foto circulam pela área de acesso à platéia carregando os barris de cerveja nas costas (3 euros o copo da Astra, patrocinadora do time).<br /><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://vejasaopaulo.abril.com.br/red/blogs/boteclando/uploaded_images/boteclando019-705528.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://vejasaopaulo.abril.com.br/red/blogs/boteclando/uploaded_images/boteclando019-705526.jpg" alt="" border="0" /></a>Assistir a um jogo como esse é uma experiência e tanto. O St. Pauli entra em campo, perfilado, ao som dos sinos e dos acordes iniciais de Hell’s Bells, do AC/DC! A cada gol, o DJ do estádio coloca nas caixas de som o riff de Song 2, do Blur.<br /><br />Até fecharem-se as cortinas, como dizia Fiori Giglioti, há emoção: aos 15 minutos de jogo o St. Pauli ganhava por dois a zero, mas o Osnabrück empatou. Aos 45 do segundo tempo, os visitantes quase marcaram o gol da virada, mas o homem do placar, acostumado com os revezes do time, não hesitou: tacou lá o 2 a 3.<br /><br />Mas voltou atrás a tempo de corrigir e de comemorar, num dos bares da vizinhança, o glorioso 2 a 2.<br /><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://vejasaopaulo.abril.com.br/red/blogs/boteclando/uploaded_images/boteclando023-786834.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://vejasaopaulo.abril.com.br/red/blogs/boteclando/uploaded_images/boteclando023-786832.jpg" alt="" border="0" /></a>Miguel Icassattihttp://www.blogger.com/profile/02607813085084424566noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5981017485540386285.post-15271417267337833952008-08-12T18:32:00.004-03:002008-08-12T19:07:09.894-03:00Antes do amanhecer, tome um vinhoAinda sobre Viena, fico com a impressao de que todas as reportagens que li sobre a cidade, a fim de obter dicas do que fazer por la, nao conseguem dar conta de descrever todo seu esplendor. Em geral recomenda-se ficar nao mais do que quatro dias na cidade e seguir para Innsbruck e Salzburgo ou partir para Budapeste e Praga, que sao capitais do leste europeu mais proxima. Foi o que fiz, mas vou falar de descobertas botequinescas desses dois ultimos destinos logo mais.<br /><br />A quem vai a Viena, minha dica e para que o viajante passe numa locadora de DVD e leve para casa uma copia de "Antes do amanhecer". Nao vou fazer aqui uma resenha sobre esse belo filme, mas recomendo que seja visto na melhor companhia possivel, de preferencia tomando um bom vinho. Rodado em Viena, mostra lugares de visitacao obrigatoria e cantos a serem descobertos por acaso.<br /><br />Tive apenas duas noites em Viena - poderia ter ficado uma semana la, facil, facil - mas aproveitei cada minuto caminhando, comendo, bebendo e visitando museus espetaculares. E como a sorte estava comigo, descobri um excelente wine bar, chamado Wein &amp; Co.<br /><br />O <strong>Wein &amp; Co</strong>. divide-se em dois ambientes, sem contar a area externa, que estende-se pela calcada de uma rua que termina em frente a praca onde fica a Catedral de Santo Estevao (a Catedral da Se vienense). A esquerda fica a loja de vinhos, na qual e possivel comprar garrafas dos principais paises produtores (nao vi nenhum brasileiro, infelizmente). Um balcao divide essa area com a do bar. Ao fundo ha mesas mas a gracas e ficar ali no balcao ou numa das banquetas dispostas diantes da parede espelhada. Veem-se casais, gente que acabou de sair do trabalho e um ou outro turista (no caso, eu e minha namorada, pelo que percebi).<br /><br />Todos com um copo de cristal na mao, bebericando uma das 35 - eu disse 35 - opcoes de vinhos disponiveis em taca do lugar: quinze brancos, quinze tintos e cinco espumantes e roses. O preco varia de 2 a 7 euros, o que acho perfeitamente aceitavel, dada a qualidade do que se bebe, a atencao dos garcons, que estao aptos a indicar e passar algumas informacoes sobre as bebidas, e ao servico, que inclui copos adequados (Spiegelau, se bem me lembro).<br /><br />Enquanto bebi duas ou tres tacas, tentei imaginar uma casa como aquela em Sao Paulo, no centro da cidade. Que ficasse aberta ate depois da meia-noite, que fosse acessivel por metro ou onibus apos uma breve caminhada segura pelo entorno, para que se pudesse olhar com calma as belas construcoes vizinhas, que servisse vinhos bons vinhos em taca e a preco justo.<br /><br />Sera possivel?<br /><br /><strong>Wein &amp; Co</strong>. Jasomirgottstrasse 3-5, Centro, Viena, tel. 00XX43 1 535 09 16, <a href="http://www.weinco.at/">www.weinco.at</a>Miguel Icassattihttp://www.blogger.com/profile/02607813085084424566noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5981017485540386285.post-67585464103723026182008-08-10T06:20:00.004-03:002008-08-10T06:52:34.380-03:00Wiener schnitzel made in... Viena!Com tantos cafes, bares e restaurantes de culinaria internacional, cheguei a monumental Viena com a recomendacao de provar a mundialmente famosa torta zsacher, no cafe instalado no terreo do chiquerrimo hotel Sacher, que fica atras da Opera. Foi o que fiz e, sobre essa torta, nao achei nada de mais. Ok que nao sou assim tao fa de chocolate, mas fiquei com a impressao de ter degustado apenas um bolo bem feitinho, ligeiramente umido, preparado com massa pronta de caixinha. O chantilly que acompanha a fatia e o cafe espresso estavam bem mais saborosos.<br /><br />Nos dois dias que teria ali, decidi, entao, dedicar-me a outro desafio: onde eu conseguiria comer um autentico "wiener schnitzel"?<br /><br />Perdoem-me os puristas, mas esse delicioso prato e uma especie de versao tirolesa para o nosso bife a milanesa (ou sera o contrario?), feita com um finissimo bife de vitela.<br /><br />A tarefa, que parecia dificil, tornou-se tranquila quando me dei conta de que a cem metros do meu hotel havia um lugar perfeito: o <strong>Zum Hagenthaler</strong>.<br /><br />Nesse bar-restaurante que fica proximo a Westbahnhof (estacao de trem), as mesas do bier garten ja estao ocupadas antes das 11 da manha, acreditem, por fregueses tomando as primeiras cervejas do dia. Com o calor que faz em Viena no verao, nao e de estranhar...<br /><br />A decoracao da casa lembra exatamente um chale alpino, tiroles, com mesas, cadeiras e balcao de madeira pesada. No centro do salao, a chopeira ocupa lugar de honra. O biergarten (no caso, uma calcada repleta de mesas) ocupa toda a area em frente ao bar e foi ali que me acomodei.<br /><br />Enquanto nao vinha o wierner schintzel, diverti-me com um copo de bier von fass (cerveja da torneira ou, va la, chope). A Zwettler e a marca da casa, leve, mas para a segunda dose decidi experimentar a cerveja do mes.<br /><br />Essa ideia, de cerveja do mes, e otima, ainda mais para quem, como eu, gosta de arriscar o gogo testando novidades. Tive sorte: tomei um copao de Schlagl, que, segundo li numa inscricao impressa no copo, existe desde 1580.<br /><br />Alias, uma coisa bacana aqui na Europa, quem ja veio sabe, e que cada cerveja e servida em um copo personalizado, de desenho diferente um do outro. Achei a Schlagl mais encorpada, amarga e saborosa que a Zwettler (2,90 euros o copo de 500 ml de qualquer uma delas). Entre as melhores que ja tomei. Sera que meu amigo Edu Passarelli, superexpert em cervejas (recomendo uma visita ao seu blog), a conhece?<br /><br />Quando o garcom - surpreendentemente, para os padroes europeus, os garcons desse bar sao simpaticissimos - chegou a mesa com o prato, agradeci por ter pedido apenas uma porcao de wiener schntizel (10,90 euros). A quantidade era suficiente para mim e minha namorada.<br /><br />Para acompanhar a carne, arrisquei ainda uma taca de vinho da casa branco (2,50 euros) que, com sua boa acidez, equilibroiu a gordura da carne empanada.<br /><br />E voltei lentamente para o hotel ja que a viagem seguiria no dia seguinte.<br /><br /><strong>Restaurant Zum Hagenthaler</strong>. Wallgasse 32 A - 1060, Viena, tel. 00xx43 (0) 1 5964188, <a href="http://www.hagenthaler.at/">www.hagenthaler.at</a>Miguel Icassattihttp://www.blogger.com/profile/02607813085084424566noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5981017485540386285.post-34338405831383735162008-08-02T19:24:00.002-03:002008-08-02T19:58:58.180-03:00Berlim, pela terceira vezDiz o viajante profissional Ricardo Freire, colaborador da revista Viagem e Turismo e tambem blogueiro, que se voce voltar a uma cidade pela terceira vez, torna-se intimo dela a ponto de chama-la por voce.<br /><br />Pois estive em Berlim pela terceira vez, durante quatro dias (perdao, leitores, mas as postagens nao estao acompanhando devidamente o ritmo da viagem. Estou de ferias, compreendem?), na semana passada. Dos lugares que ja visitei, foi o que mais me tocou. Conheci a cidade em 2003, na mesma viagem em que descobri Paris e Londres. E claro que me encantei por esses dois destinos, mas Berlim me pegou de um jeito, justamente porque eu nao esperava me deslumbrar.<br /><br />Voltei em 2006, durante a Copa do Mundo, quando percorri a Alemanha de sul a norte a bordo de um motorhome, com meus amigos de faculdade Alexandre Scaglia e Beto Gomes. Viagem inesquecivel, em que assistimos a estreia do Brasil, comemorada num boteco ao lado do estadio olimpico no meio de um exercito de croatas bebados. Num exemplo de fair play, trocamos camisetas, contamos como se pronuncia alguns palavroes e tomamos muita, mas muita cerveja.<br /><br />Desta vez fiquei hospedado no bairro de Kreuzberg, que e repleto de bares. Nas margens do rio Spree e seus canais (alias, como e que pouco se fala de que Berlim e uma belissima cidade cortada por canais?) ha alguns deles, assim como em vias importantes como a Oranienstrasse. Um bar ao lado do outro, um restaurante italiano colado num asiatico e assimpor diante. E uma especie de Vila Madalena.<br /><br />E diferente de Prenzlauerberg, bairro que fica na area correspondente a da antioga Berlim oriental, e que vem sendo restaurado a uma velocidade incrivel. Velhos predios tornam-se apartamentos de luxo e pontos comerciais deteriorados dao lugar a cafes e bares charmosissimos que, aos domingos, ficam lotados de gente ja pela manha, para o brunch. Num acomparacao bem assim, assim, diria que o bairro tem um que de Jardins ou Higienopolis.<br /><br />Nos quatro dias em que passei por Berlim, perdi a conta dos bares em que parei para uma cerveja ou mesmo um vinho. Em meio a eles, aproveitei para turistar tambem e dei um pulo na KaDeWe, uma megaloja de departamentos que fica na regiao da Ku`Damm, uma das vias mais movimentadas da cidade.<br /><br />Antes que o leitor pense que vai ler dicas de descontos e liquidacoes de grifes, convem avisar que a missao do blogueiro ali era a de subir diretamente ao sexto andar, o piso gourmet.<br /><br />Chamar aquilo ali de Piso gourmet e questao de modestia. Melhor propor o seguinte: imagine o Mercado Central de Sao Paulo, com seus boxes de frutas, frios, peixes. Pense agora que as dasluzetes passaram por la e fizeram uma megafaxina, deram um banho de esguicho e de loja nos boxes, nos donos e nos funcionarios desses boxes.<br /><br />E mais ou menos essa a impressao que se tem do sexto andar da <strong>KaDeWe</strong>. Ha corners de vinhos (tem do brasileiro Miolo Lote 43 ao Chateau Petrus), tres ou quatro boxes de frios e salsichas de todos os tipos, prateleiras e mais prateleira de cervejas, acougue, peixaria, produtos como caviar, especiarias e bares, claro.<br /><br />Um deles e um champanhe bar da Moet Chandon. Ha tambem um sushi bar, tentei parar no vizinho, um oyster bar (especializado em ostras) mas nao via uma banqueta vazia; passei rapidamente por um bar especializado, acreditem, em lagosta; e parei para tirar uma foto diante do bar do famoso chef, que virou marca, Paul Bocuse (sobre as fotos, vou posta-las posteriormente, quando voltar ao Brasil, ja que escrevo sempre de internet cafes e nao tem sido facil baixar as imagens por aqui).<br /><br />Como um bom mercadao, uma multidao circulava pelos corredores e por esses bares. Faltava pouco menos de meia hora para a loja fechar e, em vez de ter de beber algo correndo, parei na secao de bebidas para viagem, comprei uma garrafinha de espumante, abri ali mesmo e desci as escadas rolantes tomando uns goles enquanto a meu lado descim alemas carregando sacolas Dolce &amp; Gabbana, Gucci, Prada...<br /><br /><strong>KaDeWe</strong>. Tauetzienstrasse, 21. Tel. (00XX49) 302189851, <a href="http://www.kadewe-berlin.de/">www.kadewe-berlin.de</a>Miguel Icassattihttp://www.blogger.com/profile/02607813085084424566noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5981017485540386285.post-6109553197588235552008-07-26T21:31:00.004-03:002008-07-26T21:48:28.784-03:00As garconetes do Cafe ParisElas nao deslizam de patins pelo salao do bar nem usam maios e saiotes como as garconetes do Hooters. Duvido que tenham posado nuas para a Playboy, caso das hostesses do Na Mata Cafe. Improvavel que, para servir pratos, bebidas e carregar bandejas, tiveram de apresentar seus books ao gerente. As garconetes do centenario Cafe Paris, que existe desde 1882 numa rua proxima a prefeitura de Hamburgo, nao tem os tracos da Ana Paula Arosio nem o corpo da Juliana Paes. E esqueca, leitor: estao longe de ser exemplares daquela linha de montagem de onde sairam über models como Heidi Klum ou Claudia Schiffer.<br /><br />Ainda assim – ou por nao corresponder a nenhuma dessas expectativas – sao lindas. Cada uma a sua maneira, tornam-se mais belas ainda quando se deixam notar por seus (perdao, leitoras) defeitos.<br /><br />Uma delas, a que me emprestou a caneta para que eu tomasse as notas para escrever este post, ve-se logo, deve ter problemas com a balanca. Coisa pouca, com a qual nao deveria se preocupar. Ao deixar o primeiro copo de Duckstein (cerveja altbier, ou seja, de alta fermentacao, cor vermelha), sua colega sorriu e por um segundo vi uma pedra brilhante colada num dos dentes caninos.<br /><br />Magra, fragil, com um pescoco quase tao longo como o da Olivia Palito e dona de olhos grandes, arredondados e que se destacavam no rosto branquelo, a terceira garconete, que me trouxe a segunda cerveja, o cafe e a conta, pareceu-me a mais graciosa de todas.<br /><br />Por seu nariz, digamos, bem proeminente, se fosse retratada em uma pintura, pode ser que o artista chegasse a pensar que errou a pincelada logo ali, no meio do rosto dela. Se fosse um genio, saberia que estava diante de sua moca com brinco de perola.<br /><br />Cafe Paris. Rathaustrasse, 4, tel. 00XX49 0403252-7777.Miguel Icassattihttp://www.blogger.com/profile/02607813085084424566noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5981017485540386285.post-92175960656565481962008-07-23T06:48:00.003-03:002008-08-20T18:47:18.067-03:00Hamburgo - primeiras impressões<a href="http://vejasaopaulo.abril.com.br/red/blogs/boteclando/uploaded_images/CIMG0064-779095.JPG"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center;" alt="" src="http://vejasaopaulo.abril.com.br/red/blogs/boteclando/uploaded_images/CIMG0064-779082.JPG" border="0" /></a><br /><div></div><br /><div></div><br /><div></div><br /><div>Levei pelo menos 24 horas para, enfim, tomar o primeiro copo de cerveja em Hamburgo. Na segunda-feira, dia em que cheguei à cidade, não quis saber de sair durante o dia. Fiquei babando sobre meu sobrinho Torben, que nasceu há dois meses e pouco.</div><br /><div></div><br /><div><br />À noite, caminhei pela vizinhança da casa de minha irmã, que não poderia morar num lugar mais representativo do que é esta cidade: ela vive num apartamento no bairro de St. Pauli, a dois quarteirões do rio Elba. O belo prédio de tijolos à vista em que fica o apê, aliás, foi sede da cervejaria Astra. Sinto-me como se estivesse entre a Vila Madalena (St. Pauli) e Puerto Madero (o cais cheio de cafés, mas nada charmosos, na margem do rio). A Reeperbahn está a 3 minutos deste computador, com suas dezenas de bares, cafés e sex shops. Essa rua, conta-me meu cunhado, é a mais famosa da Alemanha, por sua história ligada à boemia e por seu público punk e suspeito.</div><br /><div></div><br /><div><br />St. Pauli tem um time do coração, St. Pauli, que já chegou a disputar a série A da Bundesliga, mas há anos não sai da segunda divisão. Seu estádio é acanhado, e um meio-termo entre a Rua Javari e o Canindé. Por isso, é inevitável a comparação desse clube com a Lusa ou o Juventus. É o primeiro time de alguns locais e o segundo no coração de todos por aqui. Semana passada, para comemorar a inauguração de uma nova ala do estádio, jogou um amistoso contra a forte seleção de Cuba. Ganhou de 7 a 0…</div><br /><div></div><br /><div><br />A primeira cerveja, eu dizia, só tomei ontem, mas não em St. Pauli. Durante um passeio pela região do porto, esticamos até o bairro Português e sentamos numa mesinha na calçada em frente ao bar Rei dos Presuntos. O garçom iraniano que falava português serviu-me uma tulipa de Holsten, uma marca local. É uma cerveja amarga, mas não tanto quanto a Astra (da qual tomei duas garrafinhas ontem à noite, em casa) nem como a Jever, originária da cidade de… Jever. Aqui é fato comum que cada cidadezinha ou bairro tenham uma bebida com seu próprio nome. </div><br /><div></div><br /><div><br />Provei a Jever no bar Jimmy Elsass, que fica numa esquina do bairro de Sternschanze, com suas confortáveis casas de dois ou três andares. A Jever tem sabor de malte tostado, lembrou-me amendoim – tem algumas garrafinhas na geladeira, mais tarde vou tirar a prova para ter certeza se é isso mesmo.</div><br /><div></div><br /><div><br />Esse aconchegante bar, que parece uma taverna, é especializado em flammkucher, uma espécie de aperitivo alsaciano que lembra uma pizza de massa ultrafina. Pode ter, portanto, diferentes coberturas. Escolhi queijo de cabra com presunto da floresta negra e, para acompanhar, um vinho genérico da uva riesling, seco e que fez bom papel.</div><br /><div></div><br /><div><br />Na volta para casa, caminhamos uns 40 minutos. Em seu carrinho, o pequeno Torben vinha dormindo enquanto o pai cantava uma versão daquelas canções que turmas de amigos boêmios adoram entoar, que dizia mais ou menos assim: “Não existe cerveja em São Paulo… Não existe cerveja em São Paulo…“ </div><br /><div></div><br /><div><br />Tudo bem que estamos na Alemanha, mas daqui a uns dezoito anos o pequeno Torben poderá ver que seu pai está um tanto equivocado. </div>Miguel Icassattihttp://www.blogger.com/profile/02607813085084424566noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5981017485540386285.post-68447183224110552572008-07-21T19:49:00.002-03:002008-07-21T20:39:23.219-03:00De hannover para Hamburgo<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://vejasaopaulo.abril.com.br/red/blogs/boteclando/uploaded_images/post_ferias-747373.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://vejasaopaulo.abril.com.br/red/blogs/boteclando/uploaded_images/post_ferias-747367.jpg" alt="" border="0" /></a><br /><br />A partir deste momento, o blogueiro entra em férias e retorna ao trabalho no dia 18 de agosto próximo.<br /><br />Nesse meio tempo, tentará postar alguns textos dos bares que encontrar pelo percurso entre Hamburgo, Berlim, Praga, Piemonte e outras paragens. Quando possível, acrescentará fotos.<br /><br />Antes, porém, vale dizer que a saideira aconteceu, apropriadamente, no <span style="font-weight: bold;">Zur Alten Mühle</span>, taverna na qual é possível tomar um dos três ou quatro melhores e mais bem tirados chopes de São Paulo.<br /><br />Acomodei-me numa mesinha de canto porque o balcão estava cheio, mas gostei de observar o lugar por essa perspectiva diferente. Fazia mais de ano, certamente, que não me sentia acolhido por aquele ambiente de sotaque e ar montanheses, com ripas de madeira maciça no teto e nas colunas.<br /><br />Pratos alemães, sopas e delícias como a porção de bolinhos de carne com gorgonzola estão no cardápio que, entre as bebidas, traz outras opções além do chope. Mas chope é o que você deve pedir. Com pressão e temperatura equilibrado, o líquido vira brilhando até você dentro de um copo do tipo hannover, aquele mais bojudo e que tem pezinho.<br /><br />Bis später!<br /><br /><span style="font-weight: bold;">Zur Alten Mühle</span><br />Rua Princesa Isabel, 102<br />Brooklin, tel. (11) 5044-4669.Miguel Icassattihttp://www.blogger.com/profile/02607813085084424566noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5981017485540386285.post-1265742582022160132008-07-17T20:41:00.003-03:002008-07-17T20:49:50.156-03:00Três gotas são três gotas são três gotas<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://vejasaopaulo.abril.com.br/red/blogs/boteclando/uploaded_images/file-744144.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; cursor: pointer; text-align: center;" alt="" src="http://vejasaopaulo.abril.com.br/red/blogs/boteclando/uploaded_images/file-744120.jpg" border="0" /></a><br /><br /><p class="MsoNormal">“Por que seus dry martini são sempre idênticos?”, perguntaram certa vez ao lendário barman Harry Craddock, do The Savoy Hotel, <st1:personname st="on" productid="em Londres. Ele">em Londres. Ele</st1:personname> respondeu: “Porque há vinte anos minha garrafa de vermute é a mesma.”</p><p class="MsoNormal"><br /></p><p class="MsoNormal"><o:p></o:p></p><p class="MsoNormal">Se este diálogo octagenário aconteceu mesmo ou não, eu não sei. Mas dá para ter uma idéia da longevidade de uma garrafa de vermute na prateleira de um bar. Se um dry martini leva 100 mililitros de gim, três gotas de vermute é o máximo que uma taça deve ter desse ingrediente.</p><p class="MsoNormal"><br /></p><p class="MsoNormal"><span style="font-size:0;"></span></p><p class="MsoNormal">Pois no <span style="font-weight: bold;">Dry</span>, a primeira garrafa de Noilly Prat se foi após 4 meses. Pelas minhas contas, o grande Kascão, barman desse bar instalado na esquina da Padre João Manuel com a Tietê, preparou no período 5 000 dry martini. Kascão, como todos os grandes barmen, costumam pingar 3 gotas de vermute para completar o drinque mais famoso do mundo.</p><p class="MsoNormal"><br /></p><p class="MsoNormal"><o:p></o:p></p><p class="MsoNormal">Para calcular o volume de uma gota de vermute, fiz uma experiência muito simples: desci ao ambulatório do edifício da Editora Abril e pedi à enfermeira que introduzisse três gotas de um remédio qualquer em uma seringa de aplicação de insulina, de 1 mililitro. Verifiquei que as três gotas alcançaram 0,13 mililitro. Considerando uma margem de erro, arredondei para 0,15 mililitro, o que dá 0,05 mililitro por gota. Como o conteúdo líquido de uma garrafa do vermute Noilly Prat é de 750 mililitros e uma gota de vermute tem 0,05 mililitro, logo, em uma garrafa há 15 000 gotas de Noilly Prat.</p><p class="MsoNormal"><br /></p><p class="MsoNormal"><o:p></o:p></p><p class="MsoNormal">Ou seja, 5 000 dry martinis em 4 meses é muita coisa. Mestre Derivan, barman do Esch Café e a maior autoridade em coquetelaria no Brasil, garante que sua garrafa de vermute, que está meio cheia e meio vazia, é a mesma há mais de um ano. Ele também pinga três gotas no seu drinque, assim como Souza, que só abriu a segunda garrafa no Veloso depois de três anos.</p><p class="MsoNormal"><br /></p><p class="MsoNormal"><o:p></o:p></p><p class="MsoNormal">Existe um provérbio, conta-me aliás o Souza, segundo o qual um apreciador de dry martini deve ter em sua casa uma garrafa de um bom gim e outra de um bom vermute – o conteúdo dessa última, porém, jamais deve chegar ao fim.</p><p class="MsoNormal"><br /></p><p class="MsoNormal"><o:p></o:p></p><p class="MsoNormal">Kascão e seus dry martini não são as únicas atrações do Dry. Na verdade, sua genialidade se revela na criação do baby dry, versão miniaturizada do drinque mais famoso do mundo. Com o perdão da palavra, e em tempos de lei seca, esse negócio é um veneno. Dias atrás, uma segunda-feira, eu e meu amigo Fabrício perdemos a conta de quantas doses tomamos – o meu prejuízo, por exemplo, bateu nos três dígitos. Se cada baby dry sai a R$ 17,00... sim, tomei seis baby (céus!).</p><p class="MsoNormal"><br /></p><p class="MsoNormal"><o:p></o:p></p><p class="MsoNormal">Roberto Suplicy, um dos sócios do bar, não se limita a ser um anfitrião. Sentado num canto do balcão, o velho boêmio diverte-se manipulando o mixer de I-Pod que trouxe de Miami – sim, se você levar o seu no bolso, pode atacar de DJ. <span lang="EN-US">(Valeu, Fabra, pelo bis de Over The Hills and Farway...) </span>Rocha, o fiel escudeiro de Roberto e ex-barman do Supremo, hábil preparador de manhattan, é quem divide o balcão com Kascão, sempre impecável sob seu summer jacket e camisa de piquê.</p><p class="MsoNormal"><br /></p><p class="MsoNormal"><o:p></o:p></p><p class="MsoNormal">A menos que você não abra mão de se acomodar numa mesa, ou que esteja acompanhado ou queira encontrar belas companhias, deve entrar, pegar sua comanda e parar no balcão. É verdade que a zoeira acontece mesmo lá mais para o fundo do bar, capitaneada por habitués como modeletes, boyzinhos e Pereios. Mas para quem andava órfão, como eu, de um bom balcão para pensar na vida, o do Dry vale pelo conforto de um colo.</p><p class="MsoNormal"><br /></p><p class="MsoNormal"><o:p></o:p></p><p class="MsoNormal"><span style="font-weight: bold;">Dry</span>. Rua Padre João Manuel, 700, Jardim Paulista, tel. (11) 3729-6653.</p>Miguel Icassattihttp://www.blogger.com/profile/02607813085084424566noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5981017485540386285.post-37390267850356990542008-07-14T18:46:00.002-03:002008-07-14T18:50:11.879-03:00A garçonete Supersincera<p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal">“Esse risoto? Hummm... Não é gostoso, não! Melhor pedir outra coisa.”</p><p class="MsoNormal"><br /></p><p class="MsoNormal">Até a tarde de ontem, não me lembro de ter ouvido, de um garçom, um comentário tão franco quanto esse. Pois foi isso mesmo que me disse a garçonete do <span style="font-weight: bold;">Girassol do Alentejo</span>, enquanto eu examinava o cardápio da casa, um restaurante de ambiente despojado, com 7 ou 8 mesinhas num salão que parece ocupar o que um dia foi a garagem de uma residência da Vila Madalena.</p><p class="MsoNormal"><br /></p><p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal">Quando visito um estabelecimento pela primeira vez, tento observar o que as pessoas nas mesas mais próximas estão consumindo, a fim de saber, por exemplo, quais são os pratos ou bebidas mais legais da casa. Em seguida, com uma expressão de dúvida, peço ao garçom ou ao maître para me sugerir alguma coisa que seja a marca registrada do lugar, ou o petisco mais gostoso. E, não raro, esse cidadão aponta o dedo bem na direção do item mais caro do cardápio. Pronto: quando isso acontece vai-se embora metade da minha boa-vontade, começo a desconfiar que o cara quer me empurrar logo o que há de mais caro, a fim de faturar um troquinho extra no serviço.</p><p class="MsoNormal"><br /></p><p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal">Fato raríssimo, infelizmente, é ouvir do garçom uma verdade tão verdadeira quanto a da Supersincera – não vou dizer seu nome sob pena de, sei lá, levar uma bronca de sua patroa por conta de sua supersinceridade.</p><p class="MsoNormal"><br /></p><p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal">Essa mesma figura, aliás, disse-me que o chef português Paulo Mateus já não estava mais à frente do negócio. Ele havia fundado a casa na Rua Girassol uns quatro anos atrás, época em que servia pratos com bacalhau a preços muito justos. “Ele era competente, mas não tenho saudade nenhuma. Era um patrão difícil...”, prosseguiu a Supersincera.</p><p class="MsoNormal"><br /></p><p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal">Na cozinha agora está o chef Reginaldo, que foi treinado por Mateus. Decepcionei-me com o arroz de pato, muito seco (R$ 28,00), mas quase não consegui parar de comer os bolinhos de bacalhau (R$ <st1:metricconverter productid="15,00 a" st="on">15,00 a</st1:metricconverter> porção com 8 unidades mais 2 copos de chope Brahma, ruinzinho).</p><p class="MsoNormal"><br /></p><p class="MsoNormal">Os bolinhos, aliás, tinham sabor e textura mais parecidos com os das pataniscas, quitutes fritos que levam bacalhau, batatas e farinha de trigo. A Supersincera garantiu que o chef preparava a massa ali naquela hora, pois o estoque do dia havia acabado. Como estavam deliciosos, eu acreditei.</p><p class="MsoNormal"><br /></p><span style="font-size:100%;"><span style=";font-family:Times-Roman;font-size:10;color:black;" ><span style="font-weight: bold;">Girassol do Alentejo. </span>Rua Wisard, 261-A, Vila Madalena, tel. (11) 3814-7710.</span></span>Miguel Icassattihttp://www.blogger.com/profile/02607813085084424566noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5981017485540386285.post-23741191148995759692008-07-11T17:08:00.004-03:002008-07-11T19:03:15.158-03:00Botecos universais<p class="MsoNormal"><br /></p><p class="MsoNormal"><br /></p><p class="MsoNormal">Passei cinco dias da semana retrasada em Campinas, onde pude conhecer os melhores bares, restaurantes e casas de comidinhas locais. Ontem retornei à cidade para o evento de lançamento da quinta edição anual de Veja Campinas, que, aliás, chega às bancas neste sábado. </p><p class="MsoNormal"><?xml:namespace prefix = o /><o:p><br /></o:p></p><p class="MsoNormal">Não mais que uma hora de estrada separam São Paulo e a cidade que, pela primeira vez, pude explorar com alguma calma. Hospedei-me próximo ao Bosque dos Jequitibás, um míni Parque da Água Branca ao qual fugi em três fins de tarde. Corri em meio a cotias livres pelas alamedas e pude ouvir, de onde quer que estivesse, o rugido da leoa enquanto o maridão dormia o sono dos felinos. Caminhei muito pelo bairro do Cambuí – os Jardins de lá – e pelo centro. </p><p class="MsoNormal"><o:p><br /></o:p></p><p class="MsoNormal">Nesse perímetro está um dos dois botecos universais de Campinas. O outro fica no Taquaral, região norte. Esse conceito um tanto megalomaníaco e abstrato é inspirado numa lista que o globetrotter David Drew Zingg fez, em sua coluna da revista Playboy em abril de 2000, com os melhores bares do mundo. No rol de tio Dave estavam lado a lado, por exemplo, o Bofinger, que para os pragmáticos é uma brasserie, na Bastille, em Paris, e o Bar Léo. </p><p class="MsoNormal"><o:p><br /></o:p></p><p class="MsoNormal">“Quando o velho bebedor de cerveja Tio Dave bater as botas, ele espera que seu espírito seja enviado para o Bar Léo. Ali, ele tem certeza, será feliz para todo o sempre”, disse. </p><p class="MsoNormal"><o:p><br /></o:p></p><p class="MsoNormal">Em minha opinião, tio Dave quis dizer o seguinte: “para um bar pertencer a esta lista ou ser chamado como tal, seu balcão, seu barman, sua cerveja, seus petiscos ou seus drinques devem ter uma verdade, uma alma, um selo de qualidade incomensurável, um elo que os una e que os torne como que integrantes de uma confraria intangível.”</p><p class="MsoNormal"><o:p><br /></o:p></p><p class="MsoNormal">O que há de comum, por exemplo, entre o Léo e o Bofinger? É algo inexplicável, que somente horas e horas gastas em um balcão de bar trarão a explicação. </p><p class="MsoNormal"><o:p><br /></o:p></p><p class="MsoNormal">Pois em Campinas, eu dizia, há pelo menos dois botecos universais. São eles o <span style="FONT-WEIGHT: bold">Nosso Bar </span>(que nome maravilhoso!) e o <span style="FONT-WEIGHT: bold">Bar do Cação</span>. </p><p class="MsoNormal"><o:p><br /></o:p></p><p class="MsoNormal">O primeiro foi eleito o melhor bar de happy hour da cidade. Fica num corredor lateral do Mercado Campineiro, tem um cardápio com cerca de 160 cervejas, além de uns 50 vinhos na carta, e não mais que um balcão em formato de L para que o público se acomode. Faça o que for possível para sentar-se numa das banquetas, reserve um minuto de silêncio, peça uma caneca de Krombacher (peça duas e ganhe a terceira) e você vai entender o que David Zingg quis dizer.</p><p class="MsoNormal"><o:p><br /></o:p></p><p class="MsoNormal">O Bar do Cação, ou Cação Chopperia, tem aquele ar pueril das manhãs de sábado, quando muitas vezes uma Coca-Cola cai melhor do que a primeira dose do dia. Giulio, o filho do fundador e atual administrador do local, é uma espécie de devoto. Entre o balcão e as mesas, recebendo muito bem quem chega à sua casa, ele está lá todos os dias, servindo chope e camarão empanado aos fregueses, religiosamente.<span style="font-size:+0;"> </span></p><p class="MsoNormal"><o:p></o:p></p><p class="MsoNormal"><span style="FONT-WEIGHT: bold">Cação Chopperia</span>. Avenida Armando Sales de Oliveira, 55, Taquaral, tel. (19) 3255-7346.</p><p class="MsoNormal"><o:p></o:p></p><p class="MsoNormal"><span style="FONT-WEIGHT: bold">Nosso Bar</span>. Rua Barão de Jaguará, 988, boxe 2 (Mercado Campineiro), centro, tel. (19) 3233-9498.</p>Miguel Icassattihttp://www.blogger.com/profile/02607813085084424566noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5981017485540386285.post-4661734189047208072008-07-10T18:01:00.003-03:002008-07-11T12:44:26.469-03:00Meu dia de barman<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://vejasaopaulo.abril.com.br/red/blogs/boteclando/uploaded_images/jamelao_no_janelao-726352.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://vejasaopaulo.abril.com.br/red/blogs/boteclando/uploaded_images/jamelao_no_janelao-726348.jpg" alt="" border="0" /></a><br /><br /><p class="MsoNormal"><span style="font-size:100%;"><br /></span></p><p class="MsoNormal"><span style="font-size:100%;">Na imagem acima, da esquerda para a direita, estão minha mãe, sua amiga Beth e José Bispo Clementino dos Santos, o Jamelão. Esta foto foi clicada cerca de dois anos atrás, na minha casa.</span></p><p class="MsoNormal"><br /><span style="font-size:100%;"> <o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal"><span style="font-size:100%;"><o:p> </o:p></span></p> <p class="MsoNormal"><span style="font-size:100%;">Era um domingo e eu acordei com vontade de fazer uma moqueca. Convidei meia dúzia de amigos e, após a confirmação da presença deles, segui para o Mercado Municipal para comprar uns camarões.</span><br /><br /><span style="font-size:100%;"> <o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal"><span style="font-size:100%;"><o:p> </o:p></span></p> <p class="MsoNormal"><span style="font-size:100%;">No caminho de volta para casa, meu celular tocou. Era Airton, meu amigo, respondendo tardiamente à convocação: “estarei lá, sim, mas posso levar um amigo?”<br /><br /></span></p> <p class="MsoNormal"><span style="font-size:100%;"><o:p> </o:p></span></p> <p class="MsoNormal"><span style="font-size:100%;">Confesso que fiquei contrariado porque tinha calculado mais ou menos a quantidade de camarão conforme o número de presentes.<br /><br /></span></p> <p class="MsoNormal"><span style="font-size:100%;"><o:p> </o:p></span></p> <p class="MsoNormal"><span style="font-size:100%;"><o:p> </o:p></span></p> <p class="MsoNormal"><span style="font-size:100%;">Enquanto eu preparava a moqueca, as pessoas começaram a chegar. Até que o porteiro informou da chegada do Airton.<br /><br /></span></p><p class="MsoNormal"><span style="font-size:100%;">Quando abri a porta para recebê-lo, à sua frente estava Jamelão. “Este aqui é que é meu amigo, tudo certo?” Desconcertado, recebi a dupla rapidamente, pois tinha de voltar ao fogão. A saber: o Airton era uma espécie de cicerone do sambista <st1:personname productid="em São Paulo" st="on">em São Paulo</st1:personname>, que na época se apresentava toda quarta-feira no Bar Brahma.</span><br /><br /><span style="font-size:100%;"> <o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal"><span style="font-size:100%;"><o:p> </o:p></span></p> <p class="MsoNormal"><span style="font-size:100%;">Assim que Jamelão acomodou-se num canto da mesa, foi-lhe oferecida uma bebida. Entre cerveja, cachaça e uísque, quis tomar... caipirinha.</span><br /><br /><span style="font-size:100%;"><o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal"><span style="font-size:100%;"><o:p> </o:p></span></p> <p class="MsoNormal"><span style="font-size:100%;">Repare, leitor, no copo vazio à frente dele. Sim, banquei o barman e arrisquei. Na hora, só conseguia lembrar das dicas de barmen como Derivan (do Esch Cafe) e Souza (do Veloso): 1. corte o limão em dois, num lance longitudinal; 2. retire a membrana que atravessa a fruta e que a torna mais amarga; 3. fatie; 4. jogue uma colher (sopa) de açúcar e macere mais com jeito do que com força; 5. encha de gelo e complete com cachaça.</span><br /><br /><span style="font-size:100%;"><o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal"><span style="font-size:100%;"><o:p> </o:p></span></p> <p class="MsoNormal"><span style="font-size:100%;">Jamelão, aos 92 anos, tomou 4 dessas naquela tarde. Acho que acertei a mão.</span><br /><br /><span style="font-size:100%;"><o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal"><span style="font-size:100%;"><o:p> </o:p></span></p> <p class="MsoNormal"><span style="font-size:100%;"><span style="font-weight: bold;">Bar Brahma</span>. Avenida São João, 677, Centro, tel. (11) 3333-0855.<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal"><span style="font-size:100%;"><o:p> </o:p></span></p> <p class="MsoNormal"><span style="font-size:100%;"><span style="font-weight: bold;">Esch Cafe</span>. Alameda Lorena, 1899, Jardim Paulista, tel. (11) 3062-2285.<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal"><span style="font-size:100%;"><o:p> </o:p></span></p> <p class="MsoNormal"><span style="font-size:12;"><span style="font-size:100%;"><span style="font-weight: bold;">Veloso</span>. Rua Coneceição Veloso, 56, Vila Mariana, tel. (11) 5572-0254.</span><o:p></o:p></span></p>Miguel Icassattihttp://www.blogger.com/profile/02607813085084424566noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5981017485540386285.post-40370065113725538662008-07-07T21:05:00.002-03:002008-07-08T13:08:37.653-03:00O kebab, de novo<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://vejasaopaulo.abril.com.br/red/blogs/boteclando/uploaded_images/kebab-779152.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://vejasaopaulo.abril.com.br/red/blogs/boteclando/uploaded_images/kebab-779144.jpg" alt="" border="0" /></a><br /><br /><p class="MsoNormal"><br /></p><p class="MsoNormal">Conforme prometi num post anterior, dias atrás voltei ao <span style="font-weight: bold;">Kebab Salonu</span>. </p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal">Havia passado por lá em abril, a caminho do Espaço Unibanco de Cinema, que é vizinho, e esperava apenas comer um kebab no balcão mesmo, como é comum em muitas cidades da Europa, enquanto aguardaria a hora de seguir para a sala. Só que o maître me disse que ali não, que só atendiam os clientes à mesa.<br /></p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal">Como tudo que chega de fora recebe uma certa ‘abrasileirada’, imaginei que, bom, criamos a kebaberia-chique. Gentilmente, porém, dias depois o leitor Ricardo Amaral, que é irmão do chef e dono do Kebab Salonu, deixou um comentário neste blog explicando que a proposta da casa difere daquela que eu esperava, que o Kebab Salonu era mais uma brasserie que uma kebaberia de rua. </p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal">De fato, a casa instalada no mesmo endereço em que existiu o saudoso bar Longchamp, tem ambiente confortável, com paredes coloridas e iluminação indireta. Paredes vazadas e divisórias criam a sensação de que há algumas saletas reservadas, ideais para um programa de casalzinho.</p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal">Acomodei-me no fundo, pedi um kebab de kafta (R$ 18,00) e uma cerveja Xingu (R$ 5,00). Depois de 25 minutos de espera – a carne é grelhada na hora, daí, a demora numa noite em que a maior parte das mesas estava livre – meu pedido chegou. </p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal">Enrolado no pão pita como qualquer outro kebab, o do Salonu é enorme, um exagero de grande. Enquanto o molho e a folha de alface – gelada – caíam sobre minhas mãos, tive a sensação de estar comendo aqueles hambúrgueres indomáveis que, de tão grandes, acabam lambrecando o comensal até os cotovelos. Sinceramente, acho que poderia ser menor – como diz o melhor açougueiro do mundo, no excelente livro 'Calor', de Bill Buford, quando o assunto é carne, "menos é mais". Achei que a carne estava um pouco ressecada, na verdade, mas os temperos estavam legais. </p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal">Na hora de pedir a conta, uma chateação: eu teria de pagá-la diretamente no caixa. Sobre o valor total, a casa cobrou os 10% de serviço. OK, fui atendido na mesa, mas tive de me levantar para pagar. Não seria justo deixar só 5%?<br /></p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal"><span style="font-weight: bold;">Kebab Salonu</span>. Rua Augusta, 1416, Consolação, tel. (11) 3283-0890.</p>Miguel Icassattihttp://www.blogger.com/profile/02607813085084424566noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5981017485540386285.post-87155340060417190452008-06-27T13:47:00.005-03:002008-06-27T19:59:12.764-03:00Dois hambúrgueres na madrugada fria<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://vejasaopaulo.abril.com.br/red/blogs/boteclando/uploaded_images/teta-737084.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://vejasaopaulo.abril.com.br/red/blogs/boteclando/uploaded_images/teta-737078.jpg" alt="" border="0" /></a><br />Pegando carona na <a href="http://vejasaopaulo.abril.com.br/red/blogs/betoranieri/2008/06/voc-sai-do-show.shtml">nota que Beto Ranieri</a> postou em seu blog aqui no Portal Veja São Paulo, em que ele falava do <a href="http://vejasaopaulo.abril.com.br/bares/est0100624.html?enderecoID=083777d676e21110VgnVCM1000000b0417ac____&amp;servicoID=c83777d676e21110VgnVCM1000000b0417ac____">Bar Balcão</a> como um dos refúgios paulistanos para um lanche no fim de noite, dias atrás sai da redação por volta das 2 da manhã com uma vontade danada de comer alguma coisa no caminho de casa.<br /><br />Não queria desviar para a Vila Madalena, por isso segui para o <a href="http://vejasaopaulo.abril.com.br/bares/est0100528.html?enderecoID=4054a09f8cae0110VgnVCM1000000b0417ac____&amp;servicoID=f054a09f8cae0110VgnVCM1000000b0417ac____">Teta Jazz Bar</a>. O Guilhes, meu chapa aqui da redação e sósia do Jack Black, havia saído umas duas horas antes de mim, dizendo que passaria por lá para tomar a saideira.<br /><br />Arrisquei e de fato deu tempo de tomar dois copos de chope com o Guilhes e ainda pedir um cheeseburguer bem sarado, com bife alto e queijo bem derretido.<br /><br />Por falar no Teta, este é um do bares mais acolhedores da região de Pinheiros ao qual eu voltava depois de uns dois anos. Fica de frente para o Cemitério São Paulo, tem uma atmosfera de pub (o balcão e ótima opção para se acomodar, caso você esteja sozinho) e no ambiente do fundo rolam shows e sensacionais jam sessions de jazz.<br /><br />De volta ao Balcão, duas semanas atrás consegui me acomodar num dos vértices daquele fabuloso móvel em formato zigue-zague, que obviamente empresta o nome ao bar. Fabuloso não só por conta de seu design, mas também por ser um dos pontos mais democráticos da cidade, já que mesmo que você esteja sozinho, sempre vai ter alguém ao seu lado ou a sua frente disposto a bater um papo enquanto toma um chopinho (bem que a casa poderia trocar o copo, quem sabe um rabo de peixe?) ou uma das caipirinhas feitas pelo barman Jonas.<br /><br />E como bem lembrou o Beto Ranieri, da cozinha saem mesmo coisas muito boas. Desta vez não pedi o sanduba de pastrami – arrisco dizer que é um clássico da casa – mas novamente encarei um hambúrguer com um delicioso molho de gorgonzola caindo sobre a carne, que estava tostada por fora e bem rósea, úmida, por dentro.<br /><br />Dois hambúrgueres numa noite fria. Quem topa?<br /><br /><span style="font-weight: bold;">Balcão.</span> Rua Melo Alves, 150, Jardim Paulista, tel. (11) 3063-6091.<br /><span style="font-weight: bold;">Teta.</span> Rua Cardeal Arcoverde, 1265, Pinheiros, tel. (11) 3031-1641.Miguel Icassattihttp://www.blogger.com/profile/02607813085084424566noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5981017485540386285.post-22252807109662729802008-06-24T19:28:00.004-03:002008-06-24T19:32:13.141-03:00De volta ao Recife I<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://vejasaopaulo.abril.com.br/red/blogs/boteclando/uploaded_images/fiteiro-711744.jpg"><img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://vejasaopaulo.abril.com.br/red/blogs/boteclando/uploaded_images/fiteiro-711740.jpg" border="0" alt="" /></a><br /><br />Até a noite de sexta-feira passada, eu não havia decidido o que fazer no fim de semana, conforme escrevi duas notas abaixo – aliás, agradeço ao leitor (ou leitora?) Mesa Para 1 por sua dica para que eu conhecesse o Capibar; pena que só tenha lido o comentário ontem. <br /><br />De carona com meu amigo Carlinhos, naquele dia segui para o Fiteiro (foto), eleito o melhor boteco pelo júri de <a href="http://vejabrasil.abril.com.br/recife/editorial/e65/veja-recife-2008">Veja Recife</a>. <br /><br />No meio do caminho entre Boa Viagem e a Tamarineira, bairro em que está localizado o <span style="font-weight:bold;">Fiteiro</span>, passei pela área de Brasília Teimosa, no Pina. Sem exagero, digo que é dessa favela – sim, favela – que se tem o entardecer mais sensacional de Recife. <br /><br />É atravessando seus becos – e uma avenida que foi aberta nos últimos anos no lugar em que existiam palafitas – que se chega à <span style="font-weight:bold;">Casa de Banhos</span>, este sim, pensando bem, o melhor lugar para ver o Sol se pôr. Fica num dique entre o rio e o mar. Não foi bem só esse pôr-do-sol, mas também a cerveja gelada, as companhias de então, o caldinho de sururu, que me fizeram perder um vôo de volta, nove anos atrás... Tive de pegar um seguinte, descer no Rio e de lá seguir num ônibus para São Paulo, pois já era tarde da noite. Nem me lembro que justificativa dei ao chefe pelo vacilo mas, assim como agora, estava viajando a trabalho.<br /><br />Desta vez perdi o entardecer, mas vi a Lua nascer e tornar-se cheia, amarela, matadora, ali no Pina, como dizia, a caminho do Fiteiro, onde mais tarde iria encontrar Emerson, Lena e Carol. Esse botecaço funciona num casarão dos anos 40 ou 50, de frente para uma praça que, imagino, foi bucólica algum dia, talvez no tempo em que no casarão simplesmente morava uma família. <br /><br />Abri os trabalhos com o bom caldinho de feijão temperado por charque e ovo de codorna, que vem acompanhado de torresmo. Depois encarei um minissanduíche de pernil, seguido de uns pedaços de queijo-de-coalho.<br /><br />De lá, eu e meus amigos voltamos para Boa Viagem e paramos no <span style="font-weight:bold;">Boteco Maxime</span>, que tem a melhor happy hour da cidade, na opinião dos jurados de Veja Recife. Não tenho como concordar nem como discordar disso, até por que chegamos ali por volta das onze da noite. <br /><br />Mas o Boteco Maxime tem como irmão mais velho o Boteco, como tal faz a linha boteco-chique, pé limpo como dizem os cariocas, e serve um chope redondinho. Difícil resistir – e eu não resisti – às constantes ofertas dos garçons, que circulam pelo salão e pela área externa levando bandejas lotadas de coxinhas de caranguejo, empadinhas, bolinhos de bacalhau e de macaxeira com camarão. <br /><br />Mas o melhor de tudo, obviamente, é que fica de frente para o mar e para a brisa de Boa Viagem.<br /><br />Boteco Maxime. Avenida Boa Viagem, 21, Boa Viagem, Recife, tel. (81) 3465-1491.<br /><br />Casa de Banhos. Arrecifes do Porto do Recife, quilômetro 1, Brasília Teimosa, Pina, Recife, tel. (81) 3075-8776.<br /><br />Fiteiro. Rua Afonso Celso, 264, Tamarineira, Recife, tel. (81) 3442-4799.<br /><br />PS: um bar que tem um poético endereço como “Arrecifes do Porto do Recife” só pode ser mesmo sensacionalMiguel Icassattihttp://www.blogger.com/profile/02607813085084424566noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5981017485540386285.post-63066546689708504512008-06-23T19:21:00.005-03:002008-06-23T19:54:01.821-03:00Cachaça com sobrenome<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://vejasaopaulo.abril.com.br/red/blogs/boteclando/uploaded_images/marvadinha-759815.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://vejasaopaulo.abril.com.br/red/blogs/boteclando/uploaded_images/marvadinha-759811.jpg" alt="" border="0" /></a>Uma semana atrás, no restaurante A Figueira Rubaiyat, reuniram-se o barman Pereira, do Astor, o restaurateur Belarmino Iglesias e Carlos Cabral, expert em vinho do Porto. A missão do trio – na verdade um quarteto, pois a composição final teve a participação do cachacier Mauricio Maia – era preparar o blend especial da Cachaça da Tulha Edição Única 2008.<br /><br />Sob a orientação do químico Erwin Weimann, eles testaram diversas combinações de cachaça envelhecidas em diferentes tipos de madeira, como carvalho e bálsamo.<br /><br />Daqui a pouco, no Pirajá, será lançada oficialmente a versão final da Cachaça da Tulha elaborada por Pereira, Cabral, Maia e Iglesias. O blend compõe-se de 70% de cachaça-base envelhecida em carvalho europeu por três anos e 6 meses em tonel de amburana; 15% de aguardente envelhecida no bálsamo, 10% em jequitibá e 5% em carvalho americano.<br /><br />Esse período em que a cachaça fica armazenada em madeira garante a presença de aromas, cores e sabores na bebida. No caso da Cachaça da Tulha Edição Única 2008, obviamente o alto percentual de carvalho europeu – o mesmo tipo de madeira utilizado para envelhecer o uísque – deve conferir, numa degustação, certa lembrança desse outro destilado.<br /><br />A amburana, por sua vez, pode ser usada para equilibrar a acidez e suavizar o teor alcoólico. A passagem pelo bálsamo confere características contrárias, deixando o líquido com gosto mais forte. Já o jequitibá disfarça o gosto de bagaço de cana – muito comum nas pingas mais simples. O pequeno percentual de carvalho americano, imagino, deve deixar a cachaça com uma cor próxima à do rum.<br /><br />A quem quiser experimentar a cachaça – que teve a primeira edição única em 2007 – vai a dica: somente 2 500 garrafas serão produzidas e vendidas a R$ 90,00.<br /><br />Lançamento da cachaça da Tulha – Edição Única 2008. Pirajá. Avenida Brigadeiro Faria Lima, 64, Pinheiros, tel. (11) 3815-6881.Miguel Icassattihttp://www.blogger.com/profile/02607813085084424566noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5981017485540386285.post-52725924033839317372008-06-20T16:43:00.000-03:002008-06-20T16:44:45.423-03:00Macaxeira com charque<p class="MsoNormal">Voltar a Recife é sempre uma experiência renovadora. Cheguei à cidade ontem, para participar do evento de lançamento da 11ª edição de Veja Recife – O Melhor da Cidade. Foi uma festa muito bacana, realizada mais uma vez no espaço Arcádia do Paço Alfândega, em pleno Recife Antigo. Fico aqui até domingo e uma dúvida me persegue.</p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal">Ainda com muitas bandeiras do Sport hasteadas em sacadas e janelas de apartamentos, Recife não escuta outra coisa, a não ser os preparativos para a festa de São João no interior. Nós do sudeste, sul e centro-oeste não temos vaga idéia de como a região Nordeste vibra durante os festejos. Mobiliza as pessoas quase que como na época de carnaval. Hoje começa o feriado prolongado que se estende até terça-feira. Muita gente se manda para Caruaru, Arcoverde, Gravatá e outros lugares a modo de dançar forró dia e noite. Há quem prefira seguir para as praias, como Porto de Galinhas, apenas para descansar. </p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal">Ontem, logo que cheguei, tive uma breve noção de como o São João é forte por aqui. Parei para lanchar um prato de charque com macaxeira cozida na <span style="font-weight: bold;">Padaria Boa Viagem</span>, um dos endereços mais antigos da cidade, que serve essa combinação, entre outras opções para o café regional (sim, por aqui há quem coma charque, carne-de-sol, bode guisado em pleno café da manhã). Como a padaria, esse tipo de comida é encontrado em qualquer botequim de esquina por aqui.</p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal">Pois bem, enquanto eu aguardava meu pedido, a atendente conversava com uma cliente, que estava toda assanhada com a perspectiva de aproveitar os dias seguintes. A atendente lamentava pois dizia que teria de trabalhar todos os dias do feriado, e que na verdade preferia as festas que misturavam pagode ao forró pé-de-serra. No que a cliente respondeu:</p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal">– Pois vá para o arraial de Sítio Trindade, vai ter quadrilha e todo mundo vai estar lá: Dominguinhos, Gonzaguinha... </p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal">Pensei comigo: Gonzaguinha deve estar mesmo tirando São João pra dançar um xote. Lá no céu. </p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal">PS1: quanto à minha dúvida, não sei se torço para o sol brilhar mais forte – o que vai me fazer ter vontade de descer até Maracaípe e Ponta dos Carneiros, no litoral sul – ou se espero que a temperatura fique mais amena para me mandar a Caruaru. </p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal">PS2: enquanto isso, vou rever e conhecer alguns bares da cidade. Logo mais virão alguns posts sobre eles.</p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal"><span style="font-weight: bold;">Padaria Boa Viagem</span>. Avenida Boa Viagem, 2846, Boa Viagem, Recife, tel. (81) 3326-0006.</p>Miguel Icassattihttp://www.blogger.com/profile/02607813085084424566noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5981017485540386285.post-51482352501825201092008-06-16T18:03:00.003-03:002008-06-16T18:12:05.974-03:00Antes de beber, olhe a seu redor<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://vejasaopaulo.abril.com.br/red/blogs/boteclando/uploaded_images/expoobar-731209.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://vejasaopaulo.abril.com.br/red/blogs/boteclando/uploaded_images/expoobar-731207.jpg" alt="" border="0" /></a><br /><p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm;">As paredes da <span style="font-weight: bold;">Pizzaria Piola</span>, nos Jardins, vão receber a partir de daqui a pouco 22 serigrafias que representam o universo boêmio.</p><p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm;"><br /></p> <p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm;"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm;">Trata-se da exposição “O Bar”, que fica em cartaz até o dia 20 de julho com obras de cartunistas como Chico Caruso, Millôr, Ique, Jaguar e J. Carlos (foto).</p><p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm;"><br /></p> <p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm;"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm;">Essas imagens foram apresentadas exatos vinte anos atrás, em homenagem justamente a João Carlos de Brito e Cunha, o J. Carlos (1884-1950), cartunista que trabalhou para publicações históricas como Careta e O Tico Tico, num projeto do Ateliê Carioca de Humor.</p><p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm;"><br /></p> <p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm;"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm;"><span style="font-weight: bold;">Pizzaria Piola</span>. Alameda Lorena, 1 756, Jardim Paulista, tel. (11) 3064-6570. Abertura: hoje (16), 20h às 23h.</p>Miguel Icassattihttp://www.blogger.com/profile/02607813085084424566noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5981017485540386285.post-43201966490460516142008-06-13T22:36:00.002-03:002008-06-13T22:40:46.918-03:00Saudades de Manaus<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://vejasaopaulo.abril.com.br/red/blogs/boteclando/uploaded_images/BISTRO-ANANA-1-718760.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://vejasaopaulo.abril.com.br/red/blogs/boteclando/uploaded_images/BISTRO-ANANA-1-718745.jpg" alt="" border="0" /></a><br /><br /><p class="MsoNormal"><br /></p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal">Neste fim de semana chega às bancas da capital amazonense a terceira edição de Veja Manaus – O Melhor da Cidade.</p><p class="MsoNormal"><br /></p><p class="MsoNormal">O evento de lançamento da revista e de premiação aos destaques locais da gastronomia aconteceu anteontem. Este ano não participei da festa porque tive de finalizar a edição de Veja Recife, cujo lançamento ocorre na próxima quinta-feira – sim, desta vez estarei lá!</p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal"><br /></p><p class="MsoNormal">Enquanto editava alguns textos de Recife não pude deixar de lembrar, porém, de um lugar que conheci em Manaus, no ano passado, e que conquistou um prêmio na edição atual (para ver os campeões, clique <a href="http://vejabrasil.abril.com.br/manaus">aqui</a>).</p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal"><br /></p><p class="MsoNormal">Trata-se do <span style="font-weight: bold;">Bistrô Ananã</span> (foto) que, embora se apresente como restaurante, foi eleito o melhor bar para ir a dois. Estive lá sozinho, numa noite de sexta-feira, mas lembro-me de ter comido um saboroso quibe de caranguejo, uma invencionice da talentosa chef Sofia Bendelak. De ter tomado uma boa caipirinha de tangerina dom mangarataia. E de ter pedido ao garçom para me mostrar o CD que estava rolando ao fundo.<span style=""> </span></p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal"><br /></p><p class="MsoNormal">Achei curiosa, mas concordo com ela, a escolha da casa como o melhor lugar para ir a dois <st1:personname productid="em Manaus. O" st="on">em Manaus. O</st1:personname> ambiente é dos mais charmosos que já conheci, com aquelas janelinhas redondas que mais parecem escotilhas, e com o bem-cuidado jardim que antecede o salão.</p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal"><br /></p><p class="MsoNormal">Diria que, sem dúvida, o Bistrô Ananã seria uma das opções para o jantar do dia dos namorados, estivesse eu ontem lá perto da linha do Equador. Afinal, a casa é um lugar muito mais perfeito para ir acompanhado do que só.</p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal"><br /></p><p class="MsoNormal">Em tempo: estava rolando um CD do Husky Rescue, bandinha finalandesa que faz um pop bem bacana, conforme registrei <a href="http://vejasaopaulo.abril.com.br/red/blogs/boteclando/2007/06/estamos-quatro-horas-do-vero.shtml">neste post</a>.</p><br /><p class="MsoNormal"><span style="font-weight: bold;">Bistrô Ananã</span>. Travessa Padre Ghisland, 132, centro, tel. (92) 3234-0056.</p>Miguel Icassattihttp://www.blogger.com/profile/02607813085084424566noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5981017485540386285.post-33004043638987084772008-06-06T21:54:00.002-03:002008-06-06T22:06:26.138-03:00O dia em que, finalmente, comi kebab<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://vejasaopaulo.abril.com.br/red/blogs/boteclando/uploaded_images/berlimkebab-752011.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://vejasaopaulo.abril.com.br/red/blogs/boteclando/uploaded_images/berlimkebab-752001.jpg" alt="" border="0" /></a><br /><p class="MsoNormal">Dia desses acabei conhecendo o <span style="font-weight: bold;">Kebabel</span>, uma espécie de bar especializado <st1:personname productid="em kebab. Coincidentemente" st="on">em kebab. Coincidentemente</st1:personname>, esse local me havia sido recomendado por uma leitora deste blog após eu ter escrito um post sobre o kebab que não comi no Kebab Salonu – post, aliás, que despertou a ira de outros leitores e, imagino, freqüentadores daquela casa. A eles, digo que vou descer a Augusta qualquer hora só para provar o kebab de lá.</p><p class="MsoNormal"><br /></p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal">Como fazia uma tarde agradável, sentei-me numa das mesinhas da calçada e logo pedi um kebab de carneiro. Antes de terminar meu copo de Backer pilsen (cerveja artesanal levinha, cuja receita vem da Serra do Curral, <st1:personname productid="em Belo Horizonte" st="on">em Belo Horizonte</st1:personname>), o garçom trouxe o meu pedido.<br /><br /></p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal">Até a primeira mordida, nenhuma surpresa: o sanduba enrolado no pão pita parecia como tantos outros que comi em bibocas de Berlim ou Hannover – nessa cidade, aliás, minha irmã morou no Linden, o bairro dos imigrantes turcos. Sem dúvida foi essa vizinhança que me fez tornar um fã de kebab, tanto quanto sou aficionado por pastel de feira ou por pizza de balcão de padaria.<br /><br /></p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal">Mas como tudo que chega por aqui é de alguma forma tropicalizado, achei que o tempero da carne estava muito leve. Não estava ruim, apenas leve, faltando um pouco mais de cebola, um gostinho a mais de louro naquele carneiro.<br /><br /></p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal">Ainda assim, valeu a pena a pausa na Kebabel. Como saideira, tomei ainda uma Backer Pale Ale, cerveja de cor âmbar escura, um pouco mais amarga e encorpada, embora de teor alcoólico na casa dos 4,8%.<br /><br /></p><p class="MsoNormal">E voltei caminhando, lembrando de Berlim.<br /><br /></p> <p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <p class="MsoNormal"><span style="font-weight: bold;">Kebabel</span>. Rua Fernando de Albuquerque, 22, Consolação, tel. (11) 3259-1805.</p>Miguel Icassattihttp://www.blogger.com/profile/02607813085084424566noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5981017485540386285.post-35006452397660392152008-06-03T22:00:00.004-03:002008-06-03T22:10:33.572-03:0026 horas em Belém<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://vejasaopaulo.abril.com.br/red/blogs/boteclando/uploaded_images/belem_blog-722128.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://vejasaopaulo.abril.com.br/red/blogs/boteclando/uploaded_images/belem_blog-722125.jpg" alt="" border="0" /></a><br />Sete horas depois que entrei no táxi e pedi ao condutor para tocar até o aeroporto de Congonhas, às 6h45 da manhã de quinta-feira passada, cheguei à quente, úmida, cheirosa e surpreendente capital do estado do Pará para participar do evento de lançamento de Veja Belém - O Melhor da Cidade.<br /><br />Mal deixei as malas no hotel e segui para o Mangal das Garças, um parque à beira do rio Guamá, que abriga um borboletário, um viveiro de pássaros e o restaurante Manjar das Garças, cuja cozinha recebeu consultoria do chef Rodrigo Martins (do Pomodori e Pomodori Wine Bar, de São Paulo).<br /><br />Vatapá, filhote (um peixe amazônico) no tucupi e salada de camarãozinho foram alguns dos itens que pedi – e repeti – do bufê. O fato de a casa pertencer aos mesmos donos da Cervejaria Amazon Beer fez com que eu pedisse logo um copo do fresquíssima e leve chope Pilsen da marca. Boa parte do sucesso dessa boa cerveja deve-se à expertise do mestre-cervejeiro Reynaldo Fogagnolli, que trabalhou na extinta Cervejaria Continental, de São Paulo, e na Universitária, de Campinas.<br /><br />O chopinho do almoço, a menos de uma hora de meu desembarque em Belém, foi um sinal de que as 26 horas seguintes prometiam...<br /><br />Logo após o evento de Veja Belém, seguimos em caravana (eu e meus colegas da área de marketing) para a fabulosa Estação das Docas, um antigo armazém do porto à beira da baía do Guajará, que foi restaurada e hoje abriga, lado a lado, alguns dos melhores bares e restaurantes da cidade.<br /><br />Ali, fiz um rápido pit-stop na Cervejaria Amazon Beer (olha ela aí de novo). O bacana do lugar é que os tanques de cobre e de aço inoxidável, nos quais a cerveja é produzida, ficam à vista do público.<br /><br />De lá segui para a Taberna São Jorge, onde o garçom gente-boa conseguiu achar, no fundo da geladeira, as duas últimas garrafas de Cerpinha para me servir. É incrível como há diferença entre beber essa cerveja aqui em São Paulo e lá na terra em que é feita. Como as garrafas passam dias viajando de caminhão, balançando e tomando chuva e sol, chegam aqui deterioradas, com espuma defeituosa e não-raro com gosto de choca, passada. Em Belém, não: estava perfeita, refrescante. Tão boa quanto os bolinhos de feijão (feitos de farinha de mandioca e feijão-preto amassado), que fizeram, entre outros petiscos, com que a casa fosse eleita o melhor boteco e o melhor bar para petiscar na cidade.<br /><br />Não sei quanto tempo fiquei ali no bar, que está localizado em plena Cidade Velha – o entorno me lembrou muito a região de Havana Vieja, em Cuba – , só sei que a hora voou a ponto de o bar ter encerrado o expediente comigo ali dentro.<br /><br />A saideira seria no Bar do Parque, que é um ponto histórico da boemia belenense. Reza a lenda e contam meus amigos de lá que este bar 24 horas só fecha no segundo domingo de outubro, quando a multidão que segue a imagem de Nossa Senhora de Nazaré passa por ali em procissão, durante o Círio. Suas mesas e cadeiras de ferro preenchem uma espécie de deque elevado sobre a praça da República. Por um momento, sob aquelas árvores todas e após algumas cervejas, cheguei a achar que aquele lugar lembrava a praça em que está a Biblioteca de Nova York, entre a Quinta Avenida e a Rua 42 – juro que naquela mesa havia quem concordasse comigo.<br /><br />Na manhã seguinte, antes de embarcar de volta a São Paulo, tive duas horas livres nas quais caminhei novamente pela Estação das Docas até o Mercado Ver-o-Peso. Nessa secular feira de produtos amazônicos comprei castanha-do-pará e tratei de me precaver da inveja alheia, abastecendo-me na barraca da Miraci com garrafadas coloridas com elixires do “Anjo da Guarda”, “Contra olho gordo” e “Desatrapalha”. Depois de uma chuva absolutamente inesperada, estava demorando..., despedi-me da cidade no Boteco das Onze (foto), bar-restaurante que fica na Casa das Onze Janelas, um prédio do século XVIII que abriga um museu e dá vista para a baía do Guajará. Assim como na chegada, provei uma posta de filhote, desta vez com um delicioso purê de macaxeira.<br /><br />A caminho do aeroporto ainda tive tempo de prometer ao taxista – um sósia do Wando e fã do The Fevers, conforme revelou a capa do CD esquecida no painel –, que da próxima vez que eu for a Belém irei contar com os serviços dele. Se Deus quiser haverá ao menos uma próxima.<br /><br /><br />Amazon Beer. Estação das Docas, galpão 1, Campina, tel. (91) 3212-5401.<br /><br />Bar do Parque. Rua da Paz, s/n, Praça da República, tel. (91) 9147-0594.<br /><br />Boteco das Onze. Praça Frei Caetano Brandão, s/n, Complexo Feliz Lusitânia, Cidade Velha, tel. (91) 3224-8599.<br /><br />Manjar das Garças. Parque Ecológico Mangal das Garças, Cidade Velha, tel. (91) 3242-1056.<br /><br />Taberna São Jorge. Travessa Joaquim Távora, 438, Cidade Velha, tel. (91) 8146-4546.Miguel Icassattihttp://www.blogger.com/profile/02607813085084424566noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5981017485540386285.post-6585979980337141582008-05-29T18:51:00.003-03:002008-05-29T19:31:59.773-03:00Caju amigo: com vodca ou com gim?<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://vejasaopaulo.abril.com.br/red/blogs/boteclando/uploaded_images/file-707572.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://vejasaopaulo.abril.com.br/red/blogs/boteclando/uploaded_images/file-707427.jpg" alt="" border="0" /></a><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://vejasaopaulo.abril.com.br/red/blogs/boteclando/uploaded_images/PANDORO-FOTO-MARIO-RODRIGUES-778335.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://vejasaopaulo.abril.com.br/red/blogs/boteclando/uploaded_images/PANDORO-FOTO-MARIO-RODRIGUES-778180.jpg" alt="" border="0" /></a><br />No sábado passado finalmente fui conhecer o novo <span style="font-weight: bold; font-style: italic;">Pandoro</span>. Confesso que demorei um pouco para fazer essa visita por absoluto receio de me decepcionar com o que iria ver. Meus cabelos ainda castanho-claros haverão de denunciar que não sou experiente, digamos assim, para ter conhecido o Pandoro no seu auge, nos anos 50 e 60. Como nasci nos 70, de fato só descobri a casa em meados dos 90, cerca de dez anos atrás. O Pandoro, é verdade, já vivia sua fase de decadence, mas até o dia em que fechou as portas de vez, em 2006 ou 2007, não me lembro bem, jamais perdera sua elegance.<br /><br />À porta do novo Pandoro, logo vi que as coisas mudaram: o acesso ao bar não é mais feito por aquela maravilhosa porta de vidro à qual quem a ultrapassasse, seria imediatamente visto (e eventualmente convidado para um uísque) por quem quer que estivesse lá dentro. Agora, a entrada é feita pela lateral direita, que se abre para um salão à moda art decor, de pé-direito alto. Assim que entrei, uma hostess (sinal dos tempos! outra novidade é o acesso à internet sem fio) me recebeu e me encaminhou para o salão principal.<br /><br />Ali, o velho balcão espelhado, com suas prateleiras repletas de garrafas de uísque (a coleção era uma das maiores entre os bares paulistanos) e que anteriormente ficava nos fundos, de frente para a rua, foi montado agora no canto esquerdo do salão -- com menos opções de scotch, diga-se. Guilherme, o célebre barman, estava lá, desta vez escoltado por um barman assistente, com quem dividia a produção de caju-amigo..<br /><br />Antes de me acomodar, dei um pulo até o novo salão dos fundos, que ocupa a área da antiga padaria -- para que não sabe ou não se lembra, dos fornos do Pandoro saíam panetones e pandoros (uma espécie de versão da iguaria natalina, só que sem frutas cristalizadas), entre outras delícias da panificação, diariamente. Conheci esses bastidores no fim de 2003, quando fiz uma reportagem sobre alguns dos bares mais antigos de São Paulo. Lembro de ter ficado impressionado com uma espécie de batedeira de bolo gigante, revirando a massa sem parar -- como prefiro o pão ao chocolate, era como se eu estivesse na fantástica fábrica do Willy Wonka.<br /><br />Já acomodado numa confortável poltrona de couro preto, pedi um caju amigo e um sanduíche de cupim, bom, exceto pelo pão muchibento. Como sempre, a mistura de vodca, suco de caju, caju em calda, gelo e açúcar -- o drinque original, criado pelo barman Fumaça nos anos 50, levava gim no lugar de vodca -- estava ótima.<br /><br />Quando já estava no finalzinho do drinque, pensei: ué, por que não peço um caju amigo original, o do Fumaça, com gim no lugar da vodca? Foi o que fiz. E, devo dizer, o Fumaça sabia das coisas: com gim, o caju-amigo torna-se mais potente. O perfume algo floral do gim marca presença e, na boca, ele se destaca em relação à fruta. Espetacular.<br /><br />Na volta para casa -- e até agora, para ser bem sincero --, tentei definir qual foi o saldo dessa minha primeira impressão sobre o novo Pandoro.<br /><br />Senti-me como se estivesse em um outro bar, em meio a algumas caras e cantos conhecidos, mas ainda assim num outro lugar. Aquele salão quase sempre vazio mas aberto a qualquer hora do dia, as mesas cobertas por toalhas velhas, as cadeiras com armação de ferro, o relativo silêncio cortado pela repentina algazarra de um ou outro publicitário da vizinha DPZ à cata de inspiração, tudo isso fazia do Pandoro um bar de meditação.<br /><br />Pelo que vi, e não gostei, o Pandoro tornou-se (mais) uma balada. Pelos que bebi, continua fantástico. De qualquer forma, é bom tê-lo de volta.<br /><br />-----------------------------------------------<br /><span style="font-size:130%;">Pandoro</span><br />Avenida Cidade Jardim, 60, Jardim Europa<br />tel. (11) 3063-1661<br />-----------------------------------------------Miguel Icassattihttp://www.blogger.com/profile/02607813085084424566noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5981017485540386285.post-20875096928550435132008-05-23T15:12:00.003-03:002008-05-23T15:28:50.863-03:00O chope mais amargo da minha vida<div style="text-align: center;"><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://vejasaopaulo.abril.com.br/red/blogs/boteclando/uploaded_images/odorico_blog-730731.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://vejasaopaulo.abril.com.br/red/blogs/boteclando/uploaded_images/odorico_blog-730728.jpg" alt="" border="0" /></a><span style="font-size:78%;">Foto: Andre Nazareth</span><br /></div><br /> <p class="MsoNormal" style="margin-right: 42.5pt;"><span style="font-size:100%;">Para o bem da verdade, o Odorico não teve culpa. No meio do caminho entre a redação da Veja Rio e a estação de metrô de Botafogo, na rua Voluntários da Pátria, esse boteco pé-limpo cedeu-me seu colo por alguns minutos na noite de anteontem.</span></p><p class="MsoNormal" style="margin-right: 42.5pt;"><span style="font-size:100%;"><br /></span></p><p class="MsoNormal" style="margin-right: 42.5pt;"><span style="font-size:100%;">Eu estava numa fossa danada e precisava beber alguma coisa. Como a maioria dos chopes que já tomei no Rio, o do <span style="font-weight: bold;">Odorico Bar</span> era regular, coisa que eu já esperava. Chope bom mesmo, na cidade maravailhosa, lembro-me de dois: o do Bar Brasil e o do centenário Bar Luiz.</span></p><p class="MsoNormal" style="margin-right: 42.5pt;"><span style="font-size:100%;"><br /></span><span style="font-size:100%;"><o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin-right: 42.5pt;"><span style="font-size:100%;"><o:p> </o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin-right: 42.5pt;"><span style="font-size:100%;">Só não esperava que aquela tulipa seria a mais amarga da minha vida.</span></p><p class="MsoNormal" style="margin-right: 42.5pt;"><span style="font-size:100%;"><br /></span><span style="font-size:100%;"> <o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin-right: 42.5pt;"><span style="font-size:100%;"><o:p> </o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin-right: 42.5pt;"><span style="font-size:100%;">Eu acabara de deixar a estação de metrô, vindo do Maracanã. Com a camisa do São Paulo ainda enrolada na cintura, tentava lembrar qual teria sido a última vez que havia me sentido tão triste. Copa de 2006? Não. Algum pé-na-bunda? Que nada. Ouso dizer que revivi ali o mesmo vazio de vinte anos atrás, no dia em que morreu meu avô, parceiro de partidas de futebol de botão sobre a mesa da sala – juro que eu fazia de tudo para ele conseguir ganhar de mim, mas o holandês nunca sequer marcou um golzinho...</span></p><p class="MsoNormal" style="margin-right: 42.5pt;"><span style="font-size:100%;"><br /></span><span style="font-size:100%;"><o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin-right: 42.5pt;"><span style="font-size:100%;"><o:p> </o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin-right: 42.5pt;"><span style="font-size:100%;">Mas eu dizia que o Odorico não teve culpa de estar no meio do meu caminho, numa noite como a de terça. Se o chope foi o da amargura, seus pasteizinhos de palmito e de carne, ao cntrário, foram de conforto. E foi sentado ali em uma das mesinhas no terraço, observando o grupo de garotas conversando próximas à parede de pedras portuguesas, que me dei conta de que tinha acabado de viver o meu Maracanazo.</span></p><p class="MsoNormal" style="margin-right: 42.5pt;"><span style="font-size:100%;"><br /></span><span style="font-size:100%;"> <o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin-right: 42.5pt;"><span style="font-size:100%;"><o:p> </o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin-right: 42.5pt;"><span style="font-size:100%;">Tá doendo ainda, vou ter de agüentar o sarro dos colegas corintianos (eles se esquecem que estão na segunda divisão, coitados) e dos palmeirenses por uns dias, mas foi ali, no Odorico, que passei a ter uma certeza: a partir de agora sou muito mais são-paulino do que fui em todos os outros dias.</span></p><p class="MsoNormal" style="margin-right: 42.5pt;"><span style="font-size:100%;"><br /></span><span style="font-size:100%;"><o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin-right: 42.5pt;"><span style="font-size:100%;"><span style="font-size:14;"><span style="font-weight: bold;font-size:100%;" >Odorico Bar</span><span style="font-size:100%;">. Rua Voluntários da Pátria, 31, lojas C e D, Botafogo, tel. (21) 2266-3773.</span><o:p></o:p></span></span></p>Miguel Icassattihttp://www.blogger.com/profile/02607813085084424566noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5981017485540386285.post-48370269207195696522008-05-22T13:24:00.001-03:002008-05-22T13:25:28.086-03:00"Foi como se a gente tivesse levado um nocaute"<br /><div style="text-align: right;"><span style="font-style: italic;">Muricy Ramalho, filósofo</span><br /></div>Miguel Icassattihttp://www.blogger.com/profile/02607813085084424566noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5981017485540386285.post-66229954897620495972008-05-21T21:04:00.005-03:002008-05-22T13:23:19.583-03:00Frutos do mar? No Espírito Santo, amém!Numa bela festa no Hotel Ilha do Boi, com vista para a orla de Vitória, na noite de ontem foram revelados os vencedores da segunda edição de <a href="http://veja.abril.com.br/melhor_da_cidade/espirito_santo/index.shtml" target="blank"><span style="font-weight: bold; font-style: italic;">VEJA Espírito Santo – O Melhor da Cidade</span></a>.<br /><br />Fazia oito ou nove anos que eu não visitava essa pequena mas interessante cidade. Pude ver, nas poucas horas que passei por lá, que a capital dos capixabas cresceu bastante.<br /><br />Assim que desembarquei, tomei um táxi e segui para o <span style="font-weight: bold;">Oriundi</span>, uma das casas comandadas por Juarez Campos, o chef do ano. Segui, na verdade, a dica do Marcos Emilio Gomes, parceiro do blog <a href="http://vejasaopaulo.abril.com.br/red/blogs/omelhordobrasil/" target="blank"><span style="font-weight: bold;">O Melhor do Brasil</span></a>.<br /><br />Abre parênteses: como não tive de tempo de visitar nenhum boteco por lá, peço licença para este post acerca de um restaurante. Vou voltar para casa logo mais -- estou no meio de uma breve, mas muitíssimo proveitosa, escala no Rio -- com água na boca e vontade de conhecer lugares como o <span style="font-weight: bold;">Ceará Bar</span> (melhor happy hour) e <span style="font-weight: bold;">Bar do Pezão</span> (melhor boteco e para petiscar). Fecha parênteses.<br /><br />Minha intenção era a de encarar uma moqueca capixaba, mas, como meu estômago não anda lá muito acostumado com temperos da terra, saí pela tangente. Como lá fora do ar-condicionado o termômetro marcava 30 graus, dei-me o direito de encarar o delicioso risoto de frutos do mar.<br /><br />Uma pena, Juarez Campos não estava nessa simpática cantina, mas a turma da cozinha caprichou no meu prato. No meio daquele saboroso molho vermelho, entre lulas e tentáculos de polvo, ainda encontrei quatro camarões grandes, que devorei rapidamente.<br /><br />Não matei minha vontade de comer moqueca, mas vou voltar para casa com esta boa idéia: como faz tempo que não tiro minha panela de barro do armário, quem sabe não me animo a preparar uma durante o feriado?<br /><br />-----------------------------------------------------------<br /><span style="font-size:130%;">Oriundi</span><br />Rua Elias Tomasi Sobrinho, 130, Santa Lúcia<br />Tel. (27) 3227-6989<br />-----------------------------------------------------------Miguel Icassattihttp://www.blogger.com/profile/02607813085084424566noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5981017485540386285.post-87977436627506427902008-05-15T12:18:00.002-03:002008-05-15T12:22:01.485-03:00Telegrama para o Moreira<div style="text-align: center;"><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://vejasaopaulo.abril.com.br/red/blogs/boteclando/uploaded_images/portodomoreiramarciolima-726531.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://vejasaopaulo.abril.com.br/red/blogs/boteclando/uploaded_images/portodomoreiramarciolima-726375.jpg" alt="" border="0" /></a><span style="font-size:78%;">(Foto: Marcio Lima)</span><br /></div><p class="MsoNormal" style="margin-right: 3cm;"><span style="font-size:100%;">No fim de semana passado estive em Salvador para o casamento de uma grande amiga – aliás, pelas minhas contas, nos últimos onze meses assisti a doze, eu disse doze!, casamentos...</span></p><p class="MsoNormal" style="margin-right: 3cm;"><br /><span style="font-size:100%;"><o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin-right: 3cm;"><span style="font-size:100%;"><o:p> </o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin-right: 3cm;"><span style="font-size:100%;">Sábado de manhã decidi almoçar no <span style="font-weight: bold;">Porto do Moreira</span>, que conheci no fim de 2006, dias antes do inesquecível réveillon que passei na capital da Bahia. A casa fica num largo na região central, que no Carnaval integra o circuito de trios elétricos do Campo Grande.</span></p><p class="MsoNormal" style="margin-right: 3cm;"><br /><span style="font-size:100%;"><o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin-right: 3cm;"><span style="font-size:100%;"><o:p> </o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin-right: 3cm;"><span style="font-size:100%;">Em 2008 completa 70 anos, os mais recentes sob a administração dos filhos do português José Moreira, que foi até citado no romance “Dona Flor e Seus Dois Maridos.”</span></p><p class="MsoNormal" style="margin-right: 3cm;"><br /><span style="font-size:100%;"><o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin-right: 3cm;"><span style="font-size:100%;"><o:p> </o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin-right: 3cm;"><span style="font-size:100%;">Desta vez encontrei-me com meu amigo Caio, irmão da noiva e chapa dos caras da Nação Zumbi, com quem dividia duas mesas instaladas lado a lado, perto do balcão. Arrastamos uma terceira mesa e juntei-me a eles.</span></p><p class="MsoNormal" style="margin-right: 3cm;"><br /><span style="font-size:100%;"><o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin-right: 3cm;"><span style="font-size:100%;"><o:p> </o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin-right: 3cm;"><span style="font-size:100%;">Ao chegar ao Porto do Moreira, os talheres cruzados mostravam que os ‘cabras’ tinham passado bem: Jorge Du Peixe elogiava a fantástica galinha ao molho pardo enquanto Lúcio Maia olhava vidrado para a panela de pedra que trazia, àquela altura, só o caldo da moqueca de camarão.</span></p><p class="MsoNormal" style="margin-right: 3cm;"><br /><span style="font-size:100%;"><o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin-right: 3cm;"><span style="font-size:100%;"><o:p> </o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin-right: 3cm;"><span style="font-size:100%;">Como cheguei tardenão consegui provar a galinha – tive de puxar da memória a experiência de um ano e meio atrás.</span></p><p class="MsoNormal" style="margin-right: 3cm;"><br /><span style="font-size:100%;"><o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin-right: 3cm;"><span style="font-size:100%;"><o:p> </o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin-right: 3cm;"><span style="font-size:100%;">Experimentei, então, o bacalhau a martelo (R$ 42,00), desfiado e temperado com cebola, coentro e azeitona. E acompanhei a moçada em várias cervejas.</span></p><p class="MsoNormal" style="margin-right: 3cm;"><br /><span style="font-size:100%;"> <o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin-right: 3cm;"><span style="font-size:100%;"><o:p> </o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin-right: 3cm;"><span style="font-size:100%;">Enquanto estava naquela maresia, fazendo a digestão, fiquei observando o ambiente. Um corredor com paredes de azulejo branco, alguns com o nome da casa gravado, acomoda dez ou doze mesas. Tem uma simplicidade autêntica, que se traduz nos pratos de pescado, moqueca e de carnes do sertão nordestino, como bode e carneiro.</span></p><p class="MsoNormal" style="margin-right: 3cm;"><br /><span style="font-size:100%;"><o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin-right: 3cm;"><span style="font-size:100%;"><o:p> </o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin-right: 3cm;"><span style="font-size:100%;">Um dos quadrinhos na parede emoldurava um telegrama recebido em meados de 1996. Dizia mais ou menos assim: “Emocionado ao ver matéria no Fantástico. Saudades do Moreira.”</span></p><p class="MsoNormal" style="margin-right: 3cm;"><br /><span style="font-size:100%;"><o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin-right: 3cm;"><span style="font-size:100%;"><o:p> </o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin-right: 3cm;"><span style="font-size:100%;">Remetente: Jorge Amado.</span></p><p class="MsoNormal" style="margin-right: 3cm;"><br /><span style="font-size:100%;"><o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="margin-right: 3cm;"><span style="font-size:100%;"><o:p> </o:p></span></p> <span style=";font-family:Times-Roman;font-size:100%;color:black;" ><span style="font-weight: bold;">Porto do Moreira</span>. Largo do Mocambinho, 488, Carlos Gomes, Salvador, tel. (71) 3322-4112.</span>Miguel Icassattihttp://www.blogger.com/profile/02607813085084424566noreply@blogger.com