tag:blogger.com,1999:blog-57567762009-02-21T13:02:33.673-04:00latinoamericaSobrante/Belamehttp://www.blogger.com/profile/12536562415105197949noreply@blogger.comBlogger40125tag:blogger.com,1999:blog-5756776.post-52782854955153019962007-08-28T22:51:00.000-04:002007-08-29T00:16:24.678-04:00<a href="http://3.bp.blogspot.com/_HWqOnCrDmMk/RtTuZBXwctI/AAAAAAAAABE/etW0QB1DnMw/s1600-h/Bruno_LaBoca_PShop.gif"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5103966391349834450" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_HWqOnCrDmMk/RtTuZBXwctI/AAAAAAAAABE/etW0QB1DnMw/s320/Bruno_LaBoca_PShop.gif" border="0" /></a><br /><div><span style="font-family:verdana;"><strong></strong></span></div><div><span style="font-family:verdana;"><strong></strong></span></div><div><span style="font-family:verdana;"><strong></strong></span></div><div><span style="font-family:verdana;"><strong><br /><br />Argentinidad</strong> (ou <a href="http://musica.busca.uol.com.br/radio/index.php?busca=Lunatico&param1=homebusca&amp;check=disco">Celos</a>)</span></div><div align="justify"><span style="font-family:georgia;font-size:85%;"><br />chego a ti de peito aberto, insanidade latente<br />nas primeiras esquinas tua noite me brinda<br />como uma dançarina sem rosto, nua e louca<br />e me afaga como um filho há muito ausente</span></div><div align="justify"><span style="font-family:georgia;font-size:85%;"><br />o vento por tuas ruas é um grito de lamento<br />cadenciado pela melodia do teu salto sobre o chão<br />pelo pulsar dos olhos mirando cada movimento<br />ao decifrar teu corpo na intimidade da escuridão</span></div><div align="justify"><span style="font-family:georgia;font-size:85%;"><br />no lábio vil de outro par, o corte frio do teu desprezo<br />na minha boca ainda o drama e o fernet do seu beijo</span></div><div align="justify"><span style="font-family:georgia;font-size:85%;"><br />por aqui a madrugada aperta o passo da milonga<br />que desafina na voz triste do bandoneón forasteiro<br />procuro ébrio por tua silhueta na neblina do espelho<br />espalho a fumaça do cigarro para espantar o devaneio</span></div><div align="justify"><span style="font-family:georgia;font-size:85%;"><br />da varanda, vejo teu vestido na esquina desaparecer<br />da cama, imagino quantos por ti ainda vão morrer<br />da varanda, vejo quantas esquinas para se morrer<br />da cama, imagino teu vestido do corpo desaparecer</span></div><div align="justify"><span style="font-family:georgia;font-size:85%;"><br />no copo vil de outro bar, o lábio frio do teu desprezo<br />na minha boca ainda o drama e o fernet do seu beijo</span></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756776-5278285495515301996?l=escoriabeat.blogspot.com'/></div>Sobrante/Belamehttp://www.blogger.com/profile/12536562415105197949noreply@blogger.com5tag:blogger.com,1999:blog-5756776.post-85622742846278377332007-08-17T11:56:00.001-04:002007-08-17T12:00:49.797-04:00<strong><span style="font-family:georgia;font-size:130%;"><span style="font-family:trebuchet ms;">o homem que desistiu</span><br /></span></strong><br /><embed src="http://www.youtube.com/v/LkyNcYrdi4w" width="425" height="350" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent"></embed><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756776-8562274284627837733?l=escoriabeat.blogspot.com'/></div>Sobrante/Belamehttp://www.blogger.com/profile/12536562415105197949noreply@blogger.com1tag:blogger.com,1999:blog-5756776.post-34680613721261070472007-08-16T00:51:00.000-04:002007-08-16T10:56:18.090-04:00<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=LkyNcYrdi4w"></a><span style="font-family:trebuchet ms;"><strong>CORVO MORTO</strong></span> </p><p align="justify"><span style="font-family:georgia;font-size:85%;">acharam o padreco morto faz um rato. polícia correu afoita depois da velhinha passar um fio lá no chefe. ninguém sabe ainda como aconteceu. velhinha jurava de pé junto pro moço do jornal. a batina do finado tava arriada no zumbigo, cueca pelas canelas sem meias, babinha ressecada no canto da boca aberta. </span></p><p align="justify"><span style="font-family:georgia;font-size:85%;">"morreu de perdoar lobo em pele de cordeiro", disse o pipoqueiro.</span></p><p align="justify"><span style="font-family:georgia;font-size:85%;">na poeira do boato, o bispo vem encomendar espírito do beato. despacha petição para que tenha o melhor funeral das cercanias, tudo de papel passado, preto no branco. tudo muito diferente da época do seminário teatino, quando um era veterano do outro. encontros noturnos com vinho e nudez. coroinha Adamastor viu tudo pelo ferrolho e fez voto de silêncio participando da cerimônia. </span></p><p align="justify"><span style="font-family:georgia;font-size:85%;">"morreu defendendo dogmas da santíssima igreja", o escrivão assinalou.<br /><br />o amor jamais havia batido em sua porta. pegou mulher mesmo lá na casa de tolerância, deus me livre. depois veio a sífilis e castidade. nunca mais sentiu o cheiro, doutor. bebia na miúda e gritava de madrugada. uma vez tava bulinando e chamaram o pároco. três padres-nosso e ferrou no sono, mas acharam garrafa de gim enrustida na semana do ordenado. </span></p><p align="justify"><span style="font-family:georgia;font-size:85%;">"morreu para compor o reino dos céus", souberam os pais.<br /><br />perícia observou babinha ressecada na boca do falo torto. sacristão falou da moça que veio ter com o finado depois da missa. mulher da vida, mas teve atenção lá no confessionário. ela bebia e jogava sinuca com os piás do sindicato. depois entrava no celeiro e deixava que bulinassem. um trago na surdina e o padre abriu coração para ouvir que a sirigaita gostava da coisa toda na frente e atrás. ouviu tanto, doutor, que o peito ficou surdo, e o diabo disse amém. </span></p><p align="justify"><span style="font-family:georgia;font-size:85%;">"morreu do mal de chagas", manchetaram os jornais.</span></p><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756776-3468061372126107047?l=escoriabeat.blogspot.com'/></div>Sobrante/Belamehttp://www.blogger.com/profile/12536562415105197949noreply@blogger.com2tag:blogger.com,1999:blog-5756776.post-51878568890789009612007-08-10T01:44:00.000-04:002007-08-10T02:03:05.410-04:00<span style="font-family:verdana;font-size:130%;color:#ff0000;"><strong>ALMA</strong></span><br /><br />quem não sente<br />as dimensões dormentes<br />amnésias recorrentes<br />funil oco alastrando<br />as paredes do esôfago<br />um sufôco, ainda inerente<br />ao trambolho que o corpo<br />transparente carrega<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756776-5187856889078900961?l=escoriabeat.blogspot.com'/></div>Sobrante/Belamehttp://www.blogger.com/profile/12536562415105197949noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-5756776.post-68793207328156339522007-04-03T16:39:00.000-04:002007-11-25T21:47:18.831-04:00estação Consolação<a href="http://3.bp.blogspot.com/_HWqOnCrDmMk/RhLBzj3sY-I/AAAAAAAAAAc/or1tKrv5SnI/s1600-h/Est_Consolacao.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5049311223782073314" style="" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_HWqOnCrDmMk/RhLBzj3sY-I/AAAAAAAAAAc/or1tKrv5SnI/s320/Est_Consolacao.jpg" border="0" /></a><br /><div align="justify">(ou <a href="http://www.youtube.com/watch?v=NsqzmWDWq0Y">buenos aires hora cero</a>)<br /><br />quantas foram as vezes em que perambulei pela Augusta sem perguntar por quê. até hoje não sei. alguns dizem que nascemos para procurar o fim da linha, o ponto final, e é lá que nos encontramos. vida faz sentido quando noite cai e as putas começam a aumentar a fila para bater o cartão de ponto. ou quando aviãozinho termina penteado em frente ao espelho e arrisca alguns jabs no ar para esquentar motores. vôos rasantes pela Haddock e piruetas pela Caneca semearão alegria e empatia pelos banheiros dos botecos. ninguém se importará com tempo de espera à porta. cumprimentos amistosos na troca de turno. vai e vem. o que cair no chão fica para os cachorros, e a vida continua. </div><div align="justify"><br />- - -<br /><br />fechou o tempo porque o do terninho inglês bebeu além do que sobrou e o dono da garrafa deu cabo da propriedade na cabeça do fulano. baratas embrulharam a carne em papéis de seda e chisparam sem esperar troco, pra variar. foi quando profissionais chegaram e beberam a valer. brindavam como o diabo e tiravam sarro do garçom nº 12. saíram sem pagar. escoaram pelas canaletas até a Roosevelt para chutarem rabos letrados.</div><div align="justify"></div><div align="justify"></div><br /><p>- - - </p><p>- me dá um de 15.<br />- só tem de 20.<br />- porra, faz 15.<br />- piloto não deixa.<br />- 15 mais alguns poemas. Ginsberg.<br />- suave, gringo.<br /><br />- caralho, só isso?<br />- calma, é só até a matilha voltar.<br />- cachorro nenhum vai me cagüetar de novo! véia quase morreu.<br />- suave, gringo. </p><p>- - -</p><p align="justify">a festa no predinho, amigo meu fez inferninho. tapa na bundinha de pentelhos ruivos, quebrou vidro de cola, apagou cigarro na língua, o escambau. acordou na escada de emergência com zumbidos de vespeiro na cabeça. cola seca nas narinas, braguilha aberta --menina óculos fundo de garrafa roubou carteira e bilhete único.</p><p>- diabos, levaram o Epocler!<br /><br />- - -<br /><br />não vai rolar, babe. por que não? gandola furada. foi você, me quer como pai. só roga praga. vem cá, neném. fica na bronha. corta essa, mina. quero cafuné. nem na minha mãe. lê pr'eu dormir. cadê os cigarros? tem um Chinaski na bolsa. vou fechar a porta, ninguém vê. Chinaski é tão legal. sem calcinha, meu pau duro. você acabou com o pó. tá apertado. tem mais no fundo da bolsa. se peidar, bato na cara. limpa no lençol. dá o isqueiro, chegou a cerveja. quer pizza?</p><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756776-6879320732815633952?l=escoriabeat.blogspot.com'/></div>Sobrante/Belamehttp://www.blogger.com/profile/12536562415105197949noreply@blogger.com4tag:blogger.com,1999:blog-5756776.post-59662987874701235062007-02-23T00:02:00.000-04:002007-07-19T00:09:19.339-04:00o marinheiro bêbadoressaca<br />delírio<br />naufrágio<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756776-5966298787470123506?l=escoriabeat.blogspot.com'/></div>Sobrante/Belamehttp://www.blogger.com/profile/12536562415105197949noreply@blogger.com5tag:blogger.com,1999:blog-5756776.post-1167924051408128392007-01-04T11:05:00.000-04:002007-01-04T13:05:39.850-04:00<span style="font-family:trebuchet ms;"><span style="font-family:georgia;">não quero ser um acadêmico<br />vestir farda canarinha<br />aquela passada<br />engo-costu-lavada<br />pelos sacrossantos medalhões<br />da gema do ovo podre carioca</span> </span><span style="font-family:trebuchet ms;"><br /></span><span style="font-family:trebuchet ms;"><br /></span></span><div align="left"><a href="http://imageshack.us"><img style="WIDTH: 240px; HEIGHT: 278px" height="304" alt="Image Hosted by ImageShack.us" src="http://img366.imageshack.us/img366/127/conejolr5.jpg" width="257" border="0" /></a></div><div align="left"><br /><span style="font-family:georgia;">também não quero<br />que minha semana seja moderna<br />prefiro o pó da arca velha<br />o timbre do Adoniran<br />o espectro do Trevisan<br />e aquele trago do Hank<br />pra curar a insônia<br />não ficar entre a cruz e o souza<br />ser decapitado pelo machado</span></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756776-116792405140812839?l=escoriabeat.blogspot.com'/></div>Sobrante/Belamehttp://www.blogger.com/profile/12536562415105197949noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-5756776.post-1166490779204052092006-12-18T21:10:00.000-04:002006-12-28T13:38:27.126-04:00<strong><span style="font-family:verdana;">IDÍLIO 3X4 (ou <span style="color:#ff0000;">João e Maria</span>)</span></strong><br /><br />Nem pensei. Juro. Saltei, afogueado. Boca de espuma.<br /><br />- Pru inferno! Raio que o parta!<br /><br />Fiz trovão, carnaval. A garrafa arma branca na quina da mesa.<br /><br />- Não luta, João! Não luta!<br />- Bicho escabroso vai apanhar nos cornos!<br />- Ajuda! Ajuda!<br /><br /><div align="justify">Um golpe, outro, e mais outro. Desabou no centro do salão. Estribuchou, quieto, mão no pescoço. Medrando virou o zoínho, querendo piedade. Eu não sou piedoso. Você é? Larguei de bucho pra cima ainda roubei a mulher.</div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756776-116649077920405209?l=escoriabeat.blogspot.com'/></div>Sobrante/Belamehttp://www.blogger.com/profile/12536562415105197949noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-5756776.post-1166127170464696942006-12-14T15:29:00.000-04:002006-12-14T16:28:24.786-04:00Buñuel ao pé do ouvido<p align="center"><span style="font-family:georgia;font-size:85%;"><a id="thelink" onclick="return fitsInWindow();"><a href="http://imageshack.us"><img style="WIDTH: 628px; HEIGHT: 82px" height="82" alt="Image Hosted by ImageShack.us" src="http://img455.imageshack.us/img455/3393/blogtratadaqh5.jpg" width="400" border="0" /></a></a></span></p><div align="justify"><span style="font-family:georgia;font-size:85%;"></span></div><div align="justify"><span style="font-family:georgia;font-size:85%;">Aquele peido foi vital para que Agenor sentisse seu corpo funcionando em perfeito estado, mesmo depois das experiências surreais com a colonoscopia. Mesmo depois de anos sentado naquela cadeira da contabilidade, resultando numa escoliose que faz sua coluna arquejar e pressionar suas tripas até elas jogarem a toalha ou produzirem algum tipo de gás ainda não catalogado. O deslocamento de ar provocado pelo que acabara de sair de suas entranhas aqueceu o acento do sofá e sua bunda gorda adotou as formas abstratas que nele foram aparecendo. Olfato viciado demais para perceber o estrago. Deu de ombros e estralou aquela que seria a sua sexta cerveja na noite. A Margarete mantinha o cabelo firme com um creme que comprou da vizinha do andar debaixo e os peitos elevados com aquele sutiã de bojo americano, mas há cinco anos havia jogado a sua toalha. 175 quilos de carne morta rebolando pra lá e pra cá o dia todo. Falava com o rádio e com os gatos. Quando fazia sopa de cebola, o vapor da panela de pressão aumentava a temperatura da cozinha e a fazia suar. Dava de ombros e tirava o sebo que se formava entre as banhas com o dedo indicador. Passava nas paredes. Dia desses o Agenor topou com ela na cama. Livrou-se das peças íntimas e ficou sobre os calcanhares. A patroa tava toda ouriçada sob a camisola. Contraiu o par de pernas enormes fazendo com que a vestimenta do desejo subisse até a altura do umbigo. Agenor coçou a cabeça ao perceber que a buceta de sua mulher diminuía de tamanho na mesma proporção em que ela ganhava peso. Os peitos cresciam em direção às nádegas. Tentou em vão ter uma ereção; fez tanta força que libertou um grito de agonia uníssono por entre suas bolas. Um gato desafortunado passava por ali na ocasião e escapuliu pela tangente. O odor deixou a mulher ainda mais excitada, logo começou a fazer movimentos cadenciados pressionando o ventre com as mãos. Tomou gosto por aquilo e os movimentos foram ficando cada vez mais rápidos. Viraram socos, dos bons, alternados na região entre o estômago e os intestinos. Mordia os beiços, uivava uma espécie de lamento há muito encarcerado em alguma parte do duodeno. O suor escorria pelas têmporas, axilas, atrás das orelhas; acumulavam os litros entre as dobras daquele monte de gordura mórbida. O calor foi aumentando e os óculos do Agenor começaram a escorrer pelo nariz. O clima foi ficando quente como o diabo e uma espécie de nuvem tomou grandes proporções e pairou sobre a cama e por todo o quarto. Margarete gritou até descolar a dentadura do céu da boca. Gritou até o céu de suor e sebo romper-se em uma garoa fina e silenciosa. E então Agenor pôde ver um cagalhão comprido e delgado sair por entre as pernas de sua esposa. Pensou em pegar o adubo com as mãos, mas resolveu ajoelhar-se sob a tempestade e pedir perdão ao senhor feudal por não ter o que plantar.</span></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756776-116612717046469694?l=escoriabeat.blogspot.com'/></div>Sobrante/Belamehttp://www.blogger.com/profile/12536562415105197949noreply@blogger.com1tag:blogger.com,1999:blog-5756776.post-1164946197637523392006-12-01T00:06:00.000-04:002006-12-01T00:18:14.480-04:00mais do mesmo<div align="justify"><br /><span style="font-family:arial;font-size:85%;"><em>Tenho bebido demais outra vez. Ando buscando aquela nobre fissura que movimenta os astros. Ando esquecendo telefones, endereços, nomes. Tudo pela procura da arquitetura do rumo. Trago uma conversa reprimida, uma derrocada verbal. Minhas consoantes são cristãs convictas e as vogais são velhas anarquistas. Fígado. Cansado do conflito entre o abstrato e a pedra, o sufixo e a causa. Ando meio de lado, pessimista, pagando por doses de sorte. Até me vi na fila do pão, 1 pão - e 100 gramas de mortadela. Comprando velas. Ouvindo Itamar Assumpção. Me surpreendi vacilando para abrir o portão. Choroso. Descobri que tenho medo da noite, do silêncio das casas. Acho até que prefiro a minha alma quieta, a minha mãe sossegada, o meu pai solidário. Um domingo de sol. Posso ficar pior. Lua minguante. Nuvens vermelhas de São Paulo. Avião uivando, um cachorro latindo.</em></span></div><div align="justify"><em><span style="font-family:Arial;font-size:85%;"></span></em></div><div align="justify"><span style="font-family:Arial;font-size:78%;"><strong></strong></span> </div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756776-116494619763752339?l=escoriabeat.blogspot.com'/></div>Sobrante/Belamehttp://www.blogger.com/profile/12536562415105197949noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-5756776.post-1164523112881420062006-11-26T02:02:00.000-04:002006-12-01T00:40:00.500-04:00<strong>OU CÁLICE</strong><br /><br /><span style="font-size:78%;"><em>Para<strong> </strong>Rafael</em><br /></span><em><strong><span style="font-size:85%;"></span></strong><br /></em><span style="font-size:85%;">coisa, homem, coisa divide intentos e cais<br />temos caos e calma<br />intenções de pai, como vai? vacilado ? </span><br /><span style="font-size:85%;">cronometrando espuma de bába na onda do caos<br />relâmpagos grisalhos e calmos</span><br /><span style="font-size:85%;">mansa coisa, homem<br />pensei te ver do outro lado do pano<br />dançando às cinzas do corpo<br /></em>naquela música de velório</span><br /><span style="font-size:78%;">à luz de Mozart, Concerto para Clarinete<br /></span><span style="font-size:85%;"></span><br /><span style="font-size:78%;">ramon belame</span><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756776-116452311288142006?l=escoriabeat.blogspot.com'/></div>Sobrante/Belamehttp://www.blogger.com/profile/12536562415105197949noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-5756776.post-1156996649136171902006-08-30T23:53:00.000-04:002006-10-10T15:23:37.836-04:00<div align="justify"><span style="font-family:georgia;"><span style="font-size:180%;color:#ff0000;"><strong><blockquote><span style="font-family:georgia;"><span style="font-size:180%;color:#ff0000;"><strong></strong></span></span></blockquote></strong></span></span></div><div align="justify"><span style="font-family:georgia;"><span style="font-size:180%;color:#ff0000;"><strong></strong></span></span></div><div align="justify"><span style="font-family:georgia;"><span style="font-size:180%;color:#ff0000;"><strong>afundei num desses acessos</strong></span> <span style="color:#ff0000;">ao metrô pra fumar um cigarro porque lá na avenida estava muito frio e o vento apagava o fósforo. logo nos primeiros degraus eu sentia o calor que vinha debaixo, o calor <strong><span style="font-size:130%;">do fogo do inferno</span></strong> que enfrento todos os dias. as pessoas praguejam e tenho que ouvir. pessoas brigam e tenho que assistir. pessoas peidam e sou convidado a cheirar. parei num dos patamares da escadaria e fiquei por ali. não havia ninguém. nenhum som. perfeito.<strong> <span style="font-family:georgia;font-size:130%;">fumava meu cigarro</span></strong> entre o céu e o inferno. sozinho até o próximo metrô chegar e despejar mais gente. passos. <strong><span style="font-size:130%;"><span style="font-size:180%;">vieram </span>me buscar</span></strong>. ultrapassei os limites da condicional. me deram liberdade por ser considerado perigoso quando sozinho. meu crime? a terapeuta disse que sou sociopata, algo parecido com <strong><span style="font-size:130%;">Manson</span></strong>, <strong><span style="font-size:130%;">Luz Vermelha</span>, <span style="font-size:180%;">Lee Oswald. </span></strong>diagnóstico errado, doutora, não sou idealista como eles. matar? não quero facilitar a vida pra ninguém. as coisas são mais interessantes do jeito que estão, com todo mundo balançando seus traseiros por aí, eu disse. alguém vai chegando cada vez mais perto. ansiedade. uma mocinha aparece na ponta da escada e, juro por Deus, percebi suas <strong><span style="font-size:180%;">nádegas</span></strong> contraindo de tanto pavor. por alguns segundos não sabia se avançava em seu trajeto ou descia, se gritava ou se padecia do mesmo silêncio que vinha de seu peito. não tive certeza se aquilo que umedecia suas <span style="font-size:180%;"><strong>coxas</strong></span> e um pouco do vestido era urina ou resultado de um prazer reprimido de ser possuída aparentemente contra sua vontade. meu pau esboçou alguma reação. fiz com a mão para que pudesse passar e ela foi embora. não agradeceu. por ali passaram negros, brancos, <strong><span style="font-size:180%;">putas</span></strong>, terminais, velhos, manquitolas, punguistas, chinas, judeus, budistas, alcoólatras, esquizofrênicos, modernetes, muita gente em pouco tempo. coisas assim <strong><span style="font-size:130%;"><span style="font-size:180%;">me</span> deixam maluco</span></strong>. e todos eles, ao toparem com a minha figura, demonstraram o mesmo medo e o mesmo <strong><span style="font-size:180%;">asco </span></strong>que sinto por eles. esse <strong><span style="font-size:180%;">pânico</span></strong> coletivo possui várias <strong><span style="font-size:180%;">faces</span></strong>. ele pode estar te olhando neste exato momento mas você não sabe de onde. mas todos sempre o imaginam <strong><span style="font-size:180%;">espreitando</span></strong> na próxima esquina, no próximo táxi, na próxima estação, produzindo aquele ar pesado o suficiente para apagar o meu cigarro. jogo a guimba num canto e me junto a massa. meus pulmões <strong><span style="font-size:130%;">agradecem.</span></strong></span></span></div><div align="justify"> </div><div align="justify"><span style="font-family:georgia;color:#ff0000;"></span></div><div align="justify"><span style="font-family:georgia;color:#ff0000;">JS</span></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756776-115699664913617190?l=escoriabeat.blogspot.com'/></div>Sobrante/Belamehttp://www.blogger.com/profile/12536562415105197949noreply@blogger.com1tag:blogger.com,1999:blog-5756776.post-1149736823856507122006-06-07T23:16:00.000-04:002006-06-25T16:04:03.676-04:00infortúnio<div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">tornei-me ex-desempregado novamente. não fiz muito esforço para conseguir, confesso. mas também acredito que não foi por acaso. chega uma hora em que o Ventríloquo que rege nossas vidas fica entediado com mentes, copos e, sobretudo, bolsos vazios. ficamos sem-graça. nossa existência perde o propósito de ser. o criador entra em choque movido pelo seu sadismo misturado com um perfeccionismo doentio e, como qualquer artista insatisfeito, arremessa a criatura na lata do lixo. ou lhe arruma um emprego. Se você é um daqueles que não possui um, ou não acredita no Ventríloquo, não se preocupe. no mercado há um especialmente feito para você, consulte um catálogo e veja os inúmeros tipos; todos equipados de acordo com sua conveniência e para sua melhor comodidade.</span></div><div align="justify"><br /><span style="font-family:trebuchet ms;">eu abdiquei de levar uma vida normal e andei investindo nas letras um tempo atrás. o editor de uma revista mandou uma carta relatando sua análise acerca da ausência de erotismo em meus troços. mandei então um texto onde descrevia os pormenores da noite em que uma garota decidira tomar um porre para chamar a atenção do pai que, segundo ela, era maluco. caindo de bêbada, acabou aceitando a carona oferecida pelo cara que bebericava cerveja no balcão e havia achado seu par de seios razoável. no carro, o celular.</span></div><p align="justify"><br /><span style="font-family:trebuchet ms;">“alô”<br />“Sua filha andou bebendo um bocado. Vou levá-la para casa”<br />“tome cuidado, rapaz, ela é meio rasa. muitos reclamam da profundidade”<br />“obrigado, senhor”<br /></p></span><div align="justify"><br /><span style="font-family:trebuchet ms;">dias depois veio a segunda correspondência e alguém frisava em letras trêmulas que tinha um conhecido trabalhando como investigador, e que ia mandar vasculhar a porra da minha vida, sujar o meu nome junto aos literatos da academia e algo como “tenho uma filha para criar e proteger das mãos de vermes como você”. nunca mais escrevi contos eróticos. não paga-se muito por textos com esse conteúdo mesmo; além do que, afinal, parecem manipular de modo desconhecido, até mesmo por Freud e seus seguidores, o subconsciente dos cidadãos de bem. e eu não quero levar essa culpa para o meu túmulo.</span></div><div align="justify"><br /><span style="font-family:trebuchet ms;">telefone berra e alguém diz que descolou um emprego para mim. oito horas, segunda à sexta, dois ou três contos por semana. o fato é que alguém agora estava no meu encalço. a Copa do Mundo chegando e eu não irei assisti-la porque o Ventríloquo mexeu seus pauzinhos e me privou do maior espetáculo do planeta - o de respirar a vida. assim, fácil, eu apenas queria ser como meu cão, sentado há dias no sofá, lambendo o próprio saco, desdenhando do mundo. e a morte faria sentido ali.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;"></span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"></span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;"></span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;"><span style="font-family:trebuchet ms;">Sobrante</span> </span></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756776-114973682385650712?l=escoriabeat.blogspot.com'/></div>Sobrante/Belamehttp://www.blogger.com/profile/12536562415105197949noreply@blogger.com3tag:blogger.com,1999:blog-5756776.post-1143782142083575162006-03-31T01:12:00.000-04:002006-03-31T01:15:42.093-04:00nuvens(para a população da cidade de são paulo, gente*.. na américa do sul)<br /><br />quem são os tardios?<br />aqueles que lá na frente<br />brinca não<br /> meio que escorrega<br /> ndo cantando bossa?<br />escorrego na fossa<br /><br />e também canto:<br /><br />bosta do gosto de encanto<br />trabalhar tanto!<br /><br />ó roça<br /><br />Nuvens!<br /><br />* também os híbridos: monte-de-conte.<br /><br />rá. mon belame<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756776-114378214208357516?l=escoriabeat.blogspot.com'/></div>Sobrante/Belamehttp://www.blogger.com/profile/12536562415105197949noreply@blogger.com3tag:blogger.com,1999:blog-5756776.post-1140411320084738642006-02-20T00:48:00.000-04:002006-02-20T01:11:17.443-04:00via crucis<div align="justify"><a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3786/228/1600/Via%20crucis.5.jpg"><img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3786/228/200/Via%20crucis.0.jpg" border="0" /></a><span style="font-family:arial;font-size:85%;">ultimamente tem sido difícil trabalhar a palavra, não é mesmo? então ele larga tudo de lado e, num ato profético, começa a desenhar no ar a cena com o dedo. no canto faz um sofá confortável o suficiente para oitenta e cinco quilos de matéria humana, onde certamente ficará questionando sua capacidade mental até cansar-se da fisionomia do teto. é lá que o prodígio tomará uma dose e adormecerá por alguns minutos, despertando pouco depois sem reclamar a Deus e ao Diabo a dor em seu pescoço porque o seu desespero parece não só ter enrijecido os braços daquele que o acolheu durante o cochilo, mas aquela coisa dentro do peito também. </span></div><div align="justify"><br /><span style="font-family:arial;font-size:85%;">aconteceu com todos. alguns chamaram de “mal do escritor”, no entanto a maioria morreu ou apinharam sanatórios e casas de custódia sem saber que o mal, na verdade, é ser o escritor. a coisa toda te pega por trás, faz você acreditar que tem estilo, uma prosa agradável, poesia envolvente, controle sobre o vício que te mantém acordado durante a noite; a máquina metralha sem dó o papel e sempre aparece um troço seu publicado aqui e acolá. mas aí vem aquele vento frio que passa entre as janelas e arrepia a espinha do sujeito. as palavrinhas voam e a tinta seca. o papel endurece. aquela coisa lá dentro também, eu disse, aconteceu com todos.</span></div><div align="justify"><br /><span style="font-family:arial;font-size:85%;">são os ares da má sorte. o prodígio desenha no ar um martelo. havia aquela brincadeira de moleque onde a turba agitada, num misto de satisfação e dor, imobilizava o catatau e estouravam-lhe as pedrinhas do peito. mas essa pedra aí dentro cresceu muito, cara, talvez precise de um martelo ainda maior. a ausência de sentimento sufoca e você não consegue saber onde foram parar aquelas boas idéias que teve quando me deixou sozinho aqui e foi respirar o mundo que há além da porta. eu fico puto porque você levou os cigarros e o rádio não sintoniza uma boa programação. tudo bem. você volta. sempre volta. cada vez pior e mais vazio, por isso te escolhi. é mais fácil chutar alguém quando este ganha o chão.</span></div><div align="justify"><br /><span style="font-family:arial;font-size:85%;">chuvisco. novamente. beleza, o locutor atenta às notícias nacionais: <em>“massa de ar frio avança sobre a região sudeste. aumenta o número de mortes causadas por armas de fogo nos grandes centros. anciã dá a luz ao</em> <em>décimo segundo filho.”</em> é um alívio saber que o mundo anda nos trilhos. a porta se abre e o prodígio desaba no sofá. vejo que tem um pedaço de qualquer coisa nas mãos, deve estar com fome. surge uma barata e ele, numa última tentativa de sentir aquela coisa funcionando novamente, oferece a refeição ao bicho, que recusa sem pensar.</span></div><div align="justify"><br /><span style="font-family:arial;font-size:85%;">isso foi demais para mim. então eu escondo o rosto com o capuz e cruzo o ar com a foice. incisão perfeita, sem dor. antes que o melado se espalhe eu ganho a rua pela janela com aquela coisa premiada na mão esquerda. ele também será alçado ao panteão de heróis. </span></div><div align="justify"> </div><div align="justify"></div><div align="justify"><span style="font-family:arial;"></span></div><div align="justify"><span style="font-family:arial;font-size:85%;"></span></div><div align="justify"><span style="font-family:arial;font-size:85%;"></span></div><div align="justify"><span style="font-family:arial;font-size:85%;"></span></div><div align="justify"><span style="font-family:arial;font-size:85%;">j. sobrante</span></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756776-114041132008473864?l=escoriabeat.blogspot.com'/></div>Sobrante/Belamehttp://www.blogger.com/profile/12536562415105197949noreply@blogger.com5tag:blogger.com,1999:blog-5756776.post-1139978499358352472006-02-15T00:30:00.000-04:002006-02-15T00:53:58.136-04:00olha aí, gente<div align="center"><a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3786/228/1600/sampa.jpg"><img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3786/228/200/sampa.jpg" border="0" /></a><br /></div><em>são paulo num dia quente desses. parece um mantra ao contrário. Zoroastro saberia disso:</em><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br />a maconha deveria chegar pela comida, em suas certas doses. a humanidade iria-se amansar aos poucos.<br />doses biológicas dosadas pelas cabeças mais loucas.<br /><br />daqui da quebrada eu enxergo uns três:<br />charles bukowski*<br />marçal aquino*<br />nietzsche*<br /><br />e daí, vê quantos?<br /><br />marcel orizá<br />*<em><span style="font-size:78%;">muitos artistas nunca se comunicaram somente em favor das drogas, nem jamais favoreceram o consumo da maconha.. Todo o conteúdo deste blog é estritamente opinativo – interpretativo em sentido á arte trágica.<br /></span></em><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756776-113997849935835247?l=escoriabeat.blogspot.com'/></div>Sobrante/Belamehttp://www.blogger.com/profile/12536562415105197949noreply@blogger.com1tag:blogger.com,1999:blog-5756776.post-1136858148440432872006-01-09T21:52:00.000-04:002006-01-09T21:55:48.450-04:00RELÓGIO DE PULSO<em>MINISTÓRIAS</em><br /><em></em><br /><div align="justify">Encostei-me ao poste na calçada desejando o regresso da menina de tranças. Daquela esquina da cidade míope não se via estrelas, somente a lua. Nas mordidas no chiclete ansiedade cuspida ao meio-fio. Quarenta reais - quatro papelotes de cocaína: noite em branco.<br />Gingando as tranças, passo forte de quem garantiu a tarefa, ela no alto da rua.<br />Vai nessa?<br />Tô sossegada.<br />Sorriso de moça-vampira.<br />Já meio doido entrei no primeiro boteco. Os rapazes no balcão interrogaram-me com festa. Voltava do banheiro quando uma sombra faminta derrubou minha garrafa de cerveja. </div><div align="justify"><br />* * *</div><div align="justify"><br />A xícara vazia; as cinzas batidas no pires; olhos fixos nas nádegas da garçonete; jornal aberto na página de esportes. Ronco no peito. Última noite sonhou com esparadrapos nos pulsos. </div><div align="justify"><br />* * * </div><div align="justify"><br />Pôs a mão no rosto branco do rapaz.<br />Está quente ainda.<br />O olhar piedoso da mãe Maria envolvia o filho Gabriel igual manto quente e sagrado.<br />Arde-me a pele.<br />Depositou o copo d’água na cômoda e arrastou os chinelinhos até o corredor.<br />Mãe, não feche a porta.<br />Cabeça entre as mãos um homem gordo praguejava.<br />Ele não vai trabalhar?<br />Baratas bigodudas escalam as paredes do quarto e fantasmas cochicham no escuro. Cabeça doída e garganta seca. </div><div align="justify"><br />* * *</div><div align="justify"><br />Nua sob o vestido, abriu as pernas provocante. Ele enterrou os dezesseis nos dezesseis dela. Ninguém ali ainda era virgem.<br />Ele gosta de playstation. Ela de banana-split. </div><div align="justify"> </div><div align="justify">ramon belame - é uma ilusão</div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756776-113685814844043287?l=escoriabeat.blogspot.com'/></div>Sobrante/Belamehttp://www.blogger.com/profile/12536562415105197949noreply@blogger.com5tag:blogger.com,1999:blog-5756776.post-1133230539732991982005-11-28T22:11:00.000-04:002005-11-28T22:15:39.743-04:00Homem - estado violência<div align="justify">Entrou em casa às três da manhã sem acordar a mulher. Sentou no sofá um instante para descansar. A sala escura, os contornos indecisos – passos de fantasmas?, mas que bobagem. Foi até a geladeira, sentia-se fraco – extremamente fraco, talvez estivesse trabalhando demais, comendo de menos. Abriu uma cerveja. A casa escura parecia para ele casa dos outros. Se eu me achasse, pensou, mataria a mim mesmo. E começou a procurar-se. Na cozinha não se encontrou, masquemerda, foi até a sala.</div><div align="justify"><br />"Ladrãozinho, cadê você? Ladrãozinho, vou te pegar!" </div><div align="justify"><br />Parou na escuridão. Nada ouvia. Sentia forte pressão no peito, vezenquando mal-estar e tontura. Bandidos perigosos sabem se esconder. Talvez...</div><div align="justify"><br />"Atrás da cortina!"</div><div align="justify"><br />Nada.<br />Sentou no chão, próximo à porta. Bebeu toda a cerveja. As pernas adormeciam, os braços cada vez mais pesados... E se estivessem lá em cima, espancando estuprando assassinando a mulher? Tentou levantar, mas já estava sem força. Ao se mexer escorregava em líquido viscoso. Arrepiou-se em desespero.</div><div align="justify"><br />"Sangue!"</div><div align="justify"><br />Reuniu toda a energia num supremo esforço para levantar-se. Conseguiu, mas logo escorregou no líquido viscoso e caiu sobre a mesa de centro, perdeu os sentidos, despencou para o lado, estático.<br />A mulher acordou assustada com o barulho. Desceu velozmente as escadas. Ao acender a luz encontrou o marido caído no chão da sala, morto, com dois tiros, um na barriga, outro no peito. </div><div align="justify"> </div><div align="justify">ramon belame</div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756776-113323053973299198?l=escoriabeat.blogspot.com'/></div>Sobrante/Belamehttp://www.blogger.com/profile/12536562415105197949noreply@blogger.com8tag:blogger.com,1999:blog-5756776.post-1132534624192402292005-11-20T20:41:00.000-04:002005-11-20T22:00:01.066-04:00MEN'S TRUE ACTION<div align="justify"><a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3786/228/1600/Chuva%20e%20janela.0.jpg"><img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3786/228/320/Chuva%20e%20janela.jpg" border="0" /></a> ela jogou a guimba no cinzeiro, tomou o resto do café. vestiu um suéter, caminhou, apoiou-se na janela. estava frio lá no décimo primeiro. pulou. passava algumas tardes à cama recordando os conselhos dados por aquela tia-avó de Bragança, quando debutante: “Sereno era amigo da Constipação“, “aperta-me o calo, cai do céu a chuva“. risos. no entanto vieram os anos seguintes, a formatura, o êxodo, as letras, as perdas, a insônia, as noites, o vício, e a sensação de que nada mais de novo viria dali em diante, tornara-se macaca velha. da seção de anúncios do jornal veio a grande idéia, regressão, em letras garrafais; a idéia de voltar no tempo atuava em seu cérebro como um analgésico, a dor em pouco tempo cessaria, o corpo amolecendo, apenas um telefonema, algumas reuniões, súbito, e a paz viria por meio das coisas simples, das coisas de menina, quando queria ser livre e límpida como uma gota de chuva. não haveria mais calos, não naquela noite.</div><div align="justify"></div><div align="justify"></div><div align="justify"></div><div align="justify">quanto a ele, decidira seguir fielmente às prescrições médicas. longe de bebidas, barbitúricos, simbolistas, do jogo, e sobretudo, como o médico havia lhe dito fitando-o por cima das lentes, manter distância das grandes idéias de reformulação e socialização dos meios de produção, bem como de toda e qualquer forma de expressão intelectual, seja ela por livros, nudismo, ou perturbação em vias públicas. ele estava determinado na coisa. vestia meias, um jeans, e passava dias e noites inteiras sentado numa cadeira de madeira com o encosto voltado para si. só percebeu a fúnebre ausência e o coração vazio quando o perfume, súbito, havia desaparecido no ar.</div><div align="justify"></div><div align="justify"></div><div align="justify"></div><div align="justify"><span style="font-size:85%;"></span></div><div align="justify"><span style="font-size:85%;"></span></div><div align="justify"><span style="font-size:85%;"></span></div><div align="justify"><span style="font-size:85%;">John Sobrante</span></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756776-113253462419240229?l=escoriabeat.blogspot.com'/></div>Sobrante/Belamehttp://www.blogger.com/profile/12536562415105197949noreply@blogger.com2tag:blogger.com,1999:blog-5756776.post-1128795738918238372005-10-08T14:19:00.000-04:002005-10-08T14:22:18.920-04:00ARdorLógika Ilógika é Lógiko<br /><br />A dor é o contraponto do prazer e o prazer<br />vice-versa<br /><br />Loucos, demasiadamente loucos, gozam com a dor<br />Jesus, dizem poucos, teve orgasmos pregado na cruz.<br /><br />r.b.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756776-112879573891823837?l=escoriabeat.blogspot.com'/></div>Sobrante/Belamehttp://www.blogger.com/profile/12536562415105197949noreply@blogger.com2tag:blogger.com,1999:blog-5756776.post-1126340655318131172005-09-10T04:19:00.000-04:002005-09-13T00:35:17.660-04:00<div align="justify"><img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3786/228/400/judas.jpg" border="0" /><span style="font-size:78%;"><br /></span><span style="font-family:times new roman;"><em>“você é um homem de paixões exaltadas, um homem esfomeado que não sabe direito seu apetite, um homem profundamente frustrado tentando projetar seu individualismo contra um fundo de rígido conformismo. você existe num semimundo suspenso entre duas superestruturas, uma de auto-expressão e outra de autodestruição. você é forte, mas tem uma falha e, a não ser que aprenda a controlá-la, a falha acabará mais forte que sua força e o derrotará. a falha? reação emocional explosiva, desproporcional ao motivo. por quê? por que esta ira desarrazoada diante dos que estão felizes e satisfeitos - este desprezo cada vez maior pelas pessoas e o desejo de magoá-las? está certo, você pensa que são tolas, que as despreza por sua moral; a felicidade delas é a origem da sua frustração e de seu ressentimento. mas são horríveis inimigos que leva consigo: com o tempo, tão destruidores como balas. mas as balas, felizmente, matam suas vítimas. esta outra bactéria, deixada envelhecer, não mata um homem, mas deixa em seu rastro o casco de uma criatura arrasada e torcida. ainda há fogo em seu ser, mas o mantém vivo alimentando-o com os vermes do desprezo e do ódio, os bichos da terra. pode acumular com sucesso, mas não acumula sucessos, pois é seu próprio inimigo e não lhe é permitido desfrutar de suas conquistas”. </em></span></div><p><em><span style="font-family:Times New Roman;"></span></em></p><p>(Truman Capote em “A Sangue Frio”) </p><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756776-112634065531813117?l=escoriabeat.blogspot.com'/></div>Sobrante/Belamehttp://www.blogger.com/profile/12536562415105197949noreply@blogger.com6tag:blogger.com,1999:blog-5756776.post-1122493710530298692005-07-27T15:43:00.000-04:002005-07-28T07:43:30.386-04:00você não vai a lugar nenhum<div align="justify">às vezes lembranças de minhas estrondosas bebedeiras ganham todo o meu campo mental. eu permito que isso aconteça, eu permito que eu sofra um pouco. eu fui realmente estúpido durante alguns anos de minha vida. tempo demais parado, tempo demais esperando algo acontecer, esperando alguém chegar e acabar de vez com as minhas preocupações. de fato, não foi o que aconteceu. de alguma maneira eu sobrevivi, consegui escapar como um náufrago encharcado. </div><div align="justify"><br />o meu anjo da guarda não vai acreditar no que direi, mas direi: não foi um tempo de aflição. o real momento no charco de lama foi quando desejei respirar e percebi que não era possível. foi o momento da compreensão, a mudança de figura. então aqueles perigosos demônios eram os meus grandes amigos e nos divertíamos muito quando estávamos juntos. pensávamos as mesmas coisas, compartilhávamos de nossas cabeças. eu não queria deixá-los pra trás, seria como abandonar o carro do ano, um espelho partido, uma ponta de baseado. mas precisei abandonar o exército como um desertor cheio de dúvidas, os planos mudaram, corri até novas paisagens. </div><div align="justify"><br />e então tudo é maravilhoso e divino – sintam a ironia disso, seus desgraçados, por favor.</div><div align="justify"><br />olhando o bairro através da janela eu sinto que os federais estão no meu rastro. eu sou uma terrível anomalia genética que precisa ser eliminada com urgência. estou aqui sentado, aguardando um helicóptero aparecer entre os telhados. esperando o alto-falante gritar o meu nome. homens pendurados em cordas segurando metralhadoras. familiares chorando diante do irremediável. eles que esconderam a verdade de mim durante toda a minha vida. ninguém tentou superar a covardia e jogar limpo, num lance de ousadia e irreverência. </div><div align="justify"><br />- Querido, eu sinto muito, mas você é diferente.<br />- Meu filho, as coisas deram errado com você. Você saiu com o cérebro menor do que o de uma taturana.<br />- Taturanas possuem cérebro?</div><div align="justify"><br />e então todos dão gargalhadas como naquelas festas da infância em dias tão bonitos.<br />eu sinto muito. eu sinto muito. eu sinto muito e muito e muito.<br />bobagem. besteira. tagarelice de um escritor num colapso nervoso. é só um sintoma moderno. um SINTOMA MODERNO, entendeu?</div><div align="justify"><br />a vendedora de salgados bateu três vezes na porta do quarto. eu pulei assustado, agarrei uma estátua de um homem e uma mulher que se abraçam, uma estátua que carrego comigo. se fossem os federais eu poderia tentar escapar. racharia o crânio de um deles e fugiria para o mato. viveria de agricultura de subsistência, uma casa, no pé da montanha. trinta anos meditando até a morte chegar. </div><div align="justify"><br />você pode dar risada, almofada, mas esses pensamentos passaram pela minha cabeça como um trem descarrilado. </div><div align="justify"><br />as pessoas contam estórias. as pessoas gostam de estórias. me contaram que um velho, após trinta anos seguidos de bebedeiras, ao achar o fato de estar vivo algo extraordinário, decidiu encerrar a carreira. mas precisava de uma válvula de escape. funcionamos como uma máquina. e então o velho começou a se comer. de maneira muito sugestiva, devorou primeiro as mãos. e isso levou meses, era bastante meticuloso. depois enveredou pelos braços numa triunfal demonstração do poder inconsciente. ele começou a dar espetáculos em casas noturnas. se comia por algumas horas, as pessoas pagavam para vê-lo. ganhou dinheiro. a carne estava acabando, ele não desistiu, nem poderia, mas continuou. uma morte lenta põe um fim nesta epopéia.</div><div align="justify"><br />não estou tão louco, não agora. tento me manter na linha, tento encaixar as peças que surgem e piscam como novidades publicitárias. eu saí da toca, ingênuo, puro e inseguro. o sistema só encontra um jeito de funcionar. para filhotes como eu a estratégia é única. tentam me atrair com propostas de um mundo seguro, estável e sem grandes surpresas. eu estou balançando. há buracos que precisam ser preenchidos. há um imenso campo que precisa ser semeado. o mundo tem uma proposta para mim e eu nunca tive uma proposta para ele. a questão é se faremos ou não uma guerra. a minha visão está mais limpa. o meu campo de vista é mais vasto e permite uma percepção mais apurada dos processos. </div><div align="justify"><br />a paranóia é um artificio natural que me faz ganhar tempo. eu vou sentar a minha bunda numa pedra e elaborar um novo contrato. faremos um acordo. pode acreditar, irmão, eu vou exigir todos os meus direitos. </div><div align="justify"></div><div align="justify">ramon belame </div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756776-112249371053029869?l=escoriabeat.blogspot.com'/></div>Sobrante/Belamehttp://www.blogger.com/profile/12536562415105197949noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-5756776.post-1121810190279367792005-07-19T17:44:00.000-04:002005-07-19T17:56:30.296-04:00Apoiado no portão, a fumar um cigarro, a refletir sobre as casas perfiladas.<div align="justify"><br />A palavra agora é enfastiado. Enfastiar – verbo transitivo -, tirar o apetite; enfadar; aborrecer. Estudo o dicionário; grande, velho, as páginas amareladas e rasgadas, algumas estão faltando. Atiro sobre a cama o espesso livro de capas pretas, ele cai pesado, afunda o colchão, ondas se formam ao redor no lençol imitando um terrível maremoto, gigantes ondas estáticas. </div><div align="justify"><br />Desgaste. Bum. Bum. Bum. Bum. Quero explodir o mundo e acabar com Deus e este dever cansativo. Homens bons não deveriam existir, porque homens bons sentem uma incômoda responsabilidade.</div><div align="justify"><br />Apoio os braços no portão gelado, fumando, fico a observar a rua, as pessoas, a espantar uma mosca. Elas são rápidas. Possuem sensores espalhados no corpo, detectam o perigo e escapam.</div><div align="justify"><br />É uma longa tarde nublada. Admiro as casas perfiladas nos flancos da rua, insalubres. O cenário é feio, humano, moderno. É desolador perceber onde conseguimos chegar após séculos de evolução material e psíquica. A modernidade é demasiado fragmentada para possibilitar uma definição precisa. Existem apenas tentativas, existem apenas opiniões conflitantes. Eu arriscaria dizer que a coisa toda não passa de uma grande CONVENÇÃO. A modernidade fez a sociedade voltar-se para ela mesma, numa incrível masturbação social. Os poderosos realmente são uns gênios, mentes desgarradas, camaradas fortes que se cagam de rir ao ouvir uma jaculatória. </div><div align="justify"><br />Imagino os especialistas em exterminar a fé popular, dentro de suas academias, seguros sobre si mesmos, completamente urbanos. <em>O que ele está querendo? É apenas um jovem idiota apoiado em seu portão, fumando um cigarro. Tragam o nosso chá, aqui todos nós falamos inglês fluentemente.</em></div><div align="justify"><br />Aí eu bato as cinzas, claro, estou condoído, mas não estou sozinho. A história registrou o nome de grandes guerreiros, os caras em quem nos inspiramos, e vocês sabem disso.</div><div align="justify"><br />Samael Aun Weor começou assim em "A Grande Rebelião": "ainda que pareça incrível, é muito certo e de toda verdade que esta tão cacarejada civilização moderna é espantosamente feia; não reúne as características transcendentais do sentido estético; está desprovida de beleza interior".</div><div align="justify"><br />Há certa energia nestas palavras. A afirmação de uma idéia. É alguém e suas tripas, o espírito gritando.</div><div align="justify"><br />Tem alguns dias que eu e minha garota visitamos uma pequena cidade nas montanhas, encravada na serra, distante o suficiente da capital. Um céu extraordinário, a via-láctea estendida no alto como um tapete mágico, fogueira, as pessoas mais lentas, as peças devidamente encaixadas. Eu quero me mudar para cá, eu dizia; eu quero me mudar e que se foda a grande cidade; quero ter o nome estampado na história como o Grande Fugitivo; isso: O FUGITIVO. Cheguei mesmo a averiguar o preço de uma casinha de pedras, mas ninguém tomou conhecimento. </div><div align="justify"><br />Me movo. Coço a perna esquerda com a perna direita. Espremo as bolas do saco até sentir um pouco de dor. Estou vivo e aterrizando novamente na grande CONVENÇÃO. Não é porque foi o último modelo alcançado que significa ser o modelo correto. É essa a grande alienação, a grande e mais perigosa escravidão da história. A arma é a sutileza, a isca eletrônica, a pesca virtual. Estão sendo fabricados conceitos de vida, uma derrota pungente para aqueles que se preocupam. </div><div align="justify"><br />Eu poderia arrancar os meus olhos. Apoiado no portão, vejo num telhado distante um homem trabalhando numa antena. Muitos telhados nos separam, mas faço uma leitura. Alto, moreno, brasileiro. Consigo imaginá-lo gritando para o bairro, gritando para mim, num microfone gigante. VOCÊ É O CARA MAIS FORTE DO PAÍS! Eu me aborreço.</div><div align="justify"><br />A tarde vai ficando escura. O homem lá no alto, mexendo na antena. Lembro-me de uma oração. Estranha energia circula minha espinha. É melhor quando a noite desce, as casas quase desaparecem, brotam mais fáceis as coisas de dentro, como flores num cemitério de túmulos recentes. </div><div align="justify"> </div><div align="justify">ramon belame</div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756776-112181019027936779?l=escoriabeat.blogspot.com'/></div>Sobrante/Belamehttp://www.blogger.com/profile/12536562415105197949noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-5756776.post-1121191560469843312005-07-12T14:02:00.000-04:002005-07-17T17:11:42.800-04:00Momento<div align="justify"><strong><br /></strong>É simples, a simplicidade da elevação. Então o escritor joga as palavras, como búzios, tentando alcançar a verdade, e o futuro. Acontece a qualquer momento, é dessas coisas não premeditadas. Tudo em paz e comum, ao natural do mundo.</div><div align="justify"><br />Atravesso a grande avenida, da grande cidade, então com suas grandes idéias. Sol odioso no asfalto e uma tristeza sem fim. Não há origem nas coisas, somente obras humanas no exercício de uma busca sem lógica. Então eles perpetuam o que é perecível, e blasfemam e atravessamos sobre a faixa. </div><div align="justify"><br />Mas num instante o mundo pareceu acabar; o mundo como aqui eu conheço. Começou pelos grandes prédios, que se foram derretendo, escorrendo pela calçada, dando lugar a lindas montanhas verdes. Belo. O barulho das buzinas deu lugar a sonoridade das cachoeiras e do canto rouco do vento.</div><div align="justify"><br />Verdadeira transmutação. A imensa avenida engoliu o asfalto, deixando terra à vista, longa estrada arborizada. Tudo mato, grande serra, imensa serra com fazendas e gados. Nuvens no céu dançando, na curva de um rio toda a minha alma debruçada, no ninho. </div><div align="justify"><br />Mas tudo tão rápido, como um choque. Pássaros levitando e um profundo silêncio, lá dentro, onde sabemos não ter fim. Um pulo, um susto. Despertei com a buzina de um carro. Farol aberto, um xingamento. Prédios medonhos como desafios erguidos. No próprio quintal, tão longe de casa. </div><div align="justify"><br />Choque de renovação, perfeito, entro num bar, peço uma água. Na tv assassinatos e velhas idéias formadas; tão triste, assim, a morte inventada e aceita como um doce presente de amor. </div><div align="justify"></div><div align="justify"><em>Orlando Nilha é escritor</em></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756776-112119156046984331?l=escoriabeat.blogspot.com'/></div>Sobrante/Belamehttp://www.blogger.com/profile/12536562415105197949noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-5756776.post-1119316995891571772005-06-20T21:07:00.000-04:002005-11-23T12:30:23.686-04:00Metáfora*<div align="justify"><br /><span style="font-family:arial;">Sonhos repetidos. Indefinido sentimento foi o que eu senti por muito tempo. A perseguição implacável, a sensação inominável de ter um encontro marcado comigo mesma, com a parte de mim que não queria calar. Gritava, escancarava todos os meus medos e mostrava que eu era fraca. Ria o tempo todo da minha cara, mas com austeridade constante.</span></div><span style="font-family:arial;"><div align="justify"><br />A cena era a mesma: sozinha. O tempo, o lugar mudavam a cada dia, mas sabia como iria terminar. Mas nunca terminava: solidão, alerta, perseguição e então a realidade. </div><div align="justify"><br />A nossa relação sempre foi de amor e ódio. Uma situação que de alguma forma sempre volta à tona. Periódica, inconstante, mas sempre me deparo em círculos com ela. O silêncio, precedido, a tempestade que se prossegue, silenciosa.</div><div align="justify"><br />Eu. E ele. Dois seres em um só. Não poderia ficar sem vê-lo. Aquela paisagem eu precisava, necessitava para respirar. E o encontrava, como era bom admirá-lo por horas. Mas foi nesta relação que descobri a traição, pura e mordaz. Quando você está no ápice do prazer, ela te tira tudo, te deixa sem ar. E nunca termina por completo.</div><div align="justify"><br />Eu tinha cerca de 10 anos. A areia fofa e clara, as duas montanhas sublimes tão próximas e eu no auge da minha ingenuidade. Não tinha amarras, era o mundo dentro de mim. Nada me detinha.</div><div align="justify"><br />A não ser o mar. O horizonte à minha frente que não poderia ultrapassar. O dia nublado, declarando o mau presságio, o choque, uma mão amiga, o desespero conjunto, a figura do meu pai.</div><div align="justify"><br />O choro que queria transpô-lo, a realidade nua e crua à minha frente que quase poderia tomar de mim mesma. Medo, puro e simples. Raiva.</div><div align="justify"><br />A segunda tentativa, a segunda derrota. Minha insistência pueril, a esperança de transformar que nunca acaba. Logo, a falta de ar, outra mão amiga, não conhecida desta vez. </div><div align="justify"><br />Metáfora de minha vida, a lembrança desta experiência me acompanhou durante longo tempo nas noites melancólicas. Gigantescas ondas me perseguiam onde quer que eu estivesse até uma hora em que me vi dentro do mar quando elas chegavam.</div><div align="justify"><br />Um desejo incontido de experimentar essa memória relacionava-se com filmes catástrofes de Hollywood. Agora, do alto dos meus vinte anos, eu ainda temo a falsidade do mar e da vida. Mas as ondas ficam menores quando um maremoto oriental surge em nossas vidas. Profética? Talvez.<br /><br /><br /><em>*cortesia de Mary y sus ojos muy abiertos</em></span></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756776-111931699589157177?l=escoriabeat.blogspot.com'/></div>Sobrante/Belamehttp://www.blogger.com/profile/12536562415105197949noreply@blogger.com0