tag:blogger.com,1999:blog-55827642008-07-18T12:46:55.408+01:00MiniscenteCNnoreply@blogger.comBlogger3952125tag:blogger.com,1999:blog-5582764.post-11841473078003666062008-07-18T12:34:00.003+01:002008-07-18T12:46:55.423+01:00Volta ao Mundo - 23<a href="http://bp0.blogger.com/_TjQa_NosPx8/SICAoYEh-1I/AAAAAAAAAWI/aG7DymOxJEo/s1600-h/Bali_miguel_sacramento_photos%2520049.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5224316998894353234" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_TjQa_NosPx8/SICAoYEh-1I/AAAAAAAAAWI/aG7DymOxJEo/s400/Bali_miguel_sacramento_photos%2520049.jpg" border="0" /></a><span style="color:#ffffff;"> e</span><br /><div align="justify"><span style="color:#000000;">Há dez meses, a </span><a href="http://historiasdomundo.blogspot.com/"><span style="color:#000000;">Clara Piçarra</span></a><span style="color:#000000;"> e o </span><a href="http://historiasdomundo.blogspot.com/"><span style="color:#000000;">Miguel Sacramento </span></a><span style="color:#000000;">partiram para uma volta ao mundo que o Miniscente tem acompanhado... passo a passo. Embora já se encontrem em África, hoje a crónica chega-nos ainda da Indonésia e fala-nos, entre outras coisas, das consequências de um recente e terrível maremoto:</span></div><span style="color:#ffffff;">e</span><br /><div align="center"><span style="color:#000000;">"Indonésia – Bali e Sumatra (Pulau Nias)"</span></div><span style="color:#ffffff;">e</span><br /><div align="justify"><span style="color:#000000;">"Há alturas em que ficamos quase sem nada. Não porque perdemos, ou desistimos, ou deixámos de agarrar. Ficamos quase sem nada. Porque vimos. Olho para longe e sinto a onda como se fosse minha. Nos pés. No peito. Na incerteza. Sou água ou sol? Sou vento, azul, quase transparente. Se pudesse chorava. Ou gritava. Ou sorria. Se pudesse. Mas deixei de ser formado por pedaços. Transformei-me em tudo. Desço a onda, sinto, faço parte. Não há nada fora de mim. As vozes são minhas, as cores, o sal, o momento curvo de força pura. Sei que não sou eu. Eu agarro apenas um sonho. Com as duas mãos, debaixo do braço… como se deve agarrar um sonho: com a certeza de que um dia vai ser inteiro.</span></div><div align="justify"><span style="color:#ffffff;">e</span></div><div align="justify"><span style="color:#000000;">Há alturas em que ficamos quase sem nada. Não porque perdemos, ou desistimos, ou deixámos de agarrar. Ficamos quase sem nada. Porque vimos. O caminho é duro. Não percebo porquê. O verde prolonga-se numa floresta cerrada que só desiste no mar. A estrada vence com calma cada curva. Recebem-nos com fruta e vontade. Por que sinto ser tão difícil? É quando estamos sentados num chão que serve conversa fácil que olho pela primeira vez. Não para o verde, não para o mar… para o vazio. Todas as casas estão vazias. Não há mesas, ou cadeiras, ou quadros. Há apenas vazio fechado entre paredes e tectos. Nias foi destruída por uma onda gigante que vimos na televisão. Nos anos seguintes dois tremores de terra resumiram a destruição. Lentamente, as casas vão crescendo como as pessoas que ali vivem. Num vazio envolvido por pele fina. Mas que guarda uma esperança que não sabia possível. </span></div><div align="justify"><span style="color:#ffffff;">d</span></div><div align="justify"><span style="color:#000000;">Os desequilíbrios não são a perda da vertical. São os espaços vazios que se criam quando não há justiça. Temos culpa. Porque sabemos que existem."</span></div><div align="justify"><span style="color:#ffffff;">e</span></div><div align="center"><span style="font-size:78%;color:#000000;"><strong>Texto: </strong></span><a href="http://historiasdomundo.blogspot.com/"><span style="font-size:78%;color:#000000;"><strong>Clara Faria Piçarra</strong></span></a></div><div align="center"><span style="color:#000000;"><span style="font-size:78%;color:#000000;"><strong>Fotografia: </strong></span><a href="http://historiasdomundo.blogspot.com/"><span style="font-size:78%;color:#000000;"><strong>Miguel Sacramento</strong></span></a></span></div>CNnoreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5582764.post-59310960191078927432008-07-15T00:01:00.001+01:002008-07-15T00:18:28.104+01:00Hoje é o dia do quinto aniversário do Miniscente<div align="center"><strong><img src="http://www.nathanielphilbrick.com/img/heart/ocean_art.jpg" width="400" /></strong></div><div align="center"><a href="http://www.nathanielphilbrick.com/.../interview.html"><span style="font-size:78%;color:#000000;">NTP</span></a></div><div align="justify"><strong><span style="color:#ffffff;">e</span></strong></div><div align="justify"><strong>Parece que foi hoje, mas a verdade é que as primeiras palavras do Miniscente foram escritas num ambiente muito diferente do que hoje nos respira e envolve. </strong></div><div align="justify"><strong><span style="color:#ffffff;">e</span></strong></div><div align="justify"><strong>O 09/11 estava ainda fresco, o Iraque fervilhava em pleno, Durão era PM, o caso 'Casa Pia' ainda não existia e uma nova (e pouco compreendida) febre comunicacional estava a arrancar em Portugal. </strong></div><div align="justify"><strong><span style="color:#ffffff;">e</span></strong></div><div align="justify"><strong>Este desafio ao espaço público, com a tonalidade com que foi singrando há pouco mais de meia década, durou pelo menos três anos. Foi um início de milénio caudaloso! De facto, foi particularmente interessante ter assistido e colaborado na emergência de uma nova área dos media (ainda não absorvida pelas tradicionais) que apostava em ser um pouco de tudo do que já se conhecia - diário, memórias, crónica, botequim, crítica, monólogo, etc. -, embora marcando sempre identidades para fora desses perímetros referenciados e excedendo, sem quaisquer preconceitos, o esquematismo ficção-realidade e/ou verdade/sentido. </strong></div><div align="justify"><strong><span style="color:#ffffff;">e</span></strong></div><div align="justify"><strong>Foi também um auspicioso e generoso movimento de afirmação personalista, num tempo em que tudo aparentemente parecia condenado ao apagamento autorial. Foi ainda a <em>reocupação</em> de uma área militante, mas sem ideologia a comandar os barcos, os portos, os submarinos e as secretas. </strong></div><div align="justify"><strong><span style="color:#ffffff;">e</span></strong></div><div align="justify"><strong>A nomes conhecidos da opinião, juntar-se-iam imensos nautas que pretenderam cunhar a sua expressão através de um novo labirinto, de que a figura dourada do "<em>link</em>" foi muitas vezes - por ausência ou presença - protagonista de ouro. </strong></div><div align="justify"><strong><span style="color:#ffffff;">e</span></strong></div><div align="justify"><strong>Enfim, a primeira década do século XXI teve a sua própria onda expressiva, de algum modo comparável - colocando de lado as auto-descobertas da <em>tecnhé</em> - à do cinema que floresceu cem anos antes. </strong></div><div align="justify"><strong><span style="color:#ffffff;">e</span></strong></div><div align="justify"><strong>Aliás, o desafio expressivo criado pelo novo meio (e que sempre me encantou enquanto fenómeno) levou-me mesmo a escrever um livro, publicado já este ano, que tentou levar a cabo o balanço compassado e pensado de toda esta euforia. </strong></div><div align="justify"><strong><span style="color:#ffffff;">~e</span></strong></div><div align="justify"><strong>Não creio que a explosão bloguista - ou blogueadora - tenha já acabado; o que creio é que ela já não existe do modo fulgurante com que <em>se fez significar</em> no tempo da 'grande bolha' (digamos: 2003-2006).</strong></div><div align="justify"><strong><span style="color:#ffffff;">e</span></strong></div><div align="justify"><strong>O Miniscente, nos últimos cinco anos, atravessou todo este terreno. Um terreno imensamente fértil, mesmo sob o ponto de vista humano. Não sei o que teria feito, se não me tivesse ocupado tantas horas na redacção de perto de 4.000 posts. Mas não me arrependo. Olho para trás e compreendo que foi uma fase virtuosa e arrebatada. Adoraria, em todas as fases da minha vida (passadas ou futuras), poder sempre mergulhar em <span style="color:#000000;">comunidades tão estimulantes quanto foi a dos blogues no seu período de excelência.</span></strong></div><div align="justify"><strong><span style="color:#ffffff;">e</span></strong></div><div align="justify"><strong>Agradeço a todos os que me têm lido e acompanhado nesta saga. Não posso prometer o que já prometi noutros aniversários do meu blogue. Também não acabarei com o Miniscente neste dia de festa! A eutanásia não é quase nunca boa conselheira. Se este meu blogue tiver que acabar, acaba naturalmente. Por ora, prometo uma coisa: o Miniscente vai envelhecer com a mesma serenidade com que o meu cão Ulisses também está a envelhecer. Hoje em dia, no mundo célere em que vivemos, cinco anos são cinco séculos. Quase meio milénio, ou seja: qualquer coisa já muito perto da <em>salvação</em>. </strong></div>CNnoreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5582764.post-81162996084912004362008-07-14T00:02:00.001+01:002008-07-14T00:05:57.093+01:00Quinto Aniversário do Miniscente (cont.)<span style="color:#000000;"><div align="center"><img src="http://www.abstractartgallery.com/art/abstract.art.001.large.jpg" width="400" /><br /><a href="http://www.abstractartgallery.com/art/abstract.art.001.large.jpg"><span style="font-size:78%;color:#000000;">ABG</span></a></div><div align="justify"><span style="color:#ffffff;">e<br /></span>Na véspera do quinto aniversário do Miniscente, deixo aqui mais quatro de treze poemas preparados para celebrar o microacontecimento:</div></span><span style="color:#ffffff;"><strong>ea</strong></span><br /></span><span style="color:#000000;"><strong>A árvore</strong><br /><span style="color:#ffffff;">w<br /></span>Existe um salmo<br />a invadir o antigo rumor de Boticelli<br /><span style="color:#ffffff;">w</span><br />basta olhar para as árvores sem género<br />que gravitam entre o vazio e a folhagem densa </span><br /></span><span style="color:#000000;">da Primavera<br />para entender o modo como as formas<br />semeiam na consciência<br />uma poeira fina de argila vermelha<br />que nos traz<br />rosto a rosto<br />dia a dia<br />o horizonte quase inabitado.<br /></span><span style="color:#ffffff;">w</span><br /><span style="color:#000000;"><strong>A procura</strong><br /><span style="color:#ffffff;">e</span><br />Disse que o caminho era longo<br />uma descida íngreme entre o vestígio dos caules e a </span><br /><span style="color:#000000;">lentidão da voz<br /><span style="color:#ffffff;">e</span><br />trouxe o musgo em que imaginámos<br />os acampamentos e o fulgor das<br />vias e viadutos à procura do mundo<br /><span style="color:#ffffff;">e</span><br />seguiu pela grande estrada e era já </span><br /><span style="color:#000000;">demorada a saudade dos moinhos de vento<br />escarnecidos pela luz </span><br /><span style="color:#000000;">da cidade.<br /><span style="color:#ffffff;">e</span><br /><strong>O pólen</strong><br /><span style="color:#ffffff;">e</span><br />Subia pela rua que ia dar ao pólen<br /><span style="color:#ffffff;">e</span><br />foi nesse dia que reviu<br />figueiras esvaídas e a luz que as abelhas<br />consumiram </span><br /><span style="color:#000000;">para ver passar<br /><span style="color:#ffffff;">e</span><br />a beleza </span><br /><span style="color:#000000;"></span><br /><span style="color:#000000;">que era o nome desse incêndio<br /></span><span style="color:#ffffff;">ee</span><br /><span style="color:#000000;"><strong>A noite</strong><br /><span style="color:#ffffff;">e</span><br />Estava reclinada sobre a noite<br />a entrever as giestas e um desses volumes<br />de alvenaria que irão dar à alma<br /><span style="color:#ffffff;">e</span><br />dizia<br /><span style="color:#ffffff;">e</span><br />que Vermeer era<br />o pintor<br />que teria gostado de a ver<br /><span style="color:#ffffff;">e</span><br />voaria através da luz inclinada<br />e dessa penumbra inventaria a noite<br />que o rio já absorveu.</span>CNnoreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5582764.post-67641791363423644502008-07-13T14:09:00.003+01:002008-07-13T14:30:36.272+01:00Quinto Aniversário do Miniscente<div align="center"><span style="color:#000000;"><img src="http://www.abstractartgallery.com/art/abstract.art.001.large.jpg" width="400" /></span></div><div align="center"><a href="http://www.abstractartgallery.com/art/abstract.art.001.large.jpg"><span style="font-size:78%;color:#000000;">ABG</span></a></div><div align="justify"><span style="color:#ffffff;">e</span></div><div align="justify"><span style="color:#000000;">A dois dias do quinto aniversário do Miniscente, deixo os primeiros quatro de treze poemas escritos para celebrar o microacontecimento:</span></div><div align="justify"><span style="color:#ffffff;">dd</span></div><div align="justify"><span style="color:#000000;"><strong>A corrida</strong><br /><span style="color:#ffffff;">w</span><br />As luzes ao longe ciciavam<br />na memória dos muros<br />entre amores-perfeitos e o ressoar<br />dos passos com que regressava<br />no fim do Verão e havia chuva<br /><span style="color:#ffffff;">ee</span><br />lembro-me de passar folha a folha<br />o tempo a correr como se a sombra trouxesse<br />ao suor aqueles dias já mais curtos em que<br />falava de bois deslumbrantes a cruzar a nora do quintal<br /><span style="color:#ffffff;">e</span><br />havia silêncio ao fundo do corredor<br />e ciciavam luzes sob a maresia<br />enquanto olhava para a chuva<br />que tolhia a voz </span></div><div align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="color:#ffffff;">e e<br /></span>quem dera ao luar este amor<br />este rugido na falésia da memória<br /><span style="color:#ffffff;">e</span><br />lembro enquanto caminho<br />sem idade<br />na direcção dos plátanos despidos.<br /><span style="color:#ffffff;">e</span><br /></span><span style="color:#000000;"><strong>O boi<br /></strong><span style="color:#ffffff;">d</span><br />O tempo serenou junto ao campo de aviação e os olhos do boi<br />levantaram-se lentamente e<br />viram o trono de deus<br /><span style="color:#ffffff;">d</span><br />naquele tempo<br />a boa nova não apareceu no traçado dos rolos<br />mas sim nos relâmpagos<br />e nos cascos com que o animal avançava<br />em direcção ao rio,<br />cheio de farpas galanteios e sangue<br /><span style="color:#ffffff;">d</span><br />nas águas viu-se como um deus no fim daquela tarde<br />e em cor de ouro escalou à arena do paraíso<br />abraçado ao toureiro aviador que era apóstolo da chuva.<br /><span style="color:#ffffff;">d</span><br /><strong>O desafogo</strong><br /><span style="color:#ffffff;">d</span><br /></span><span style="color:#000000;">Havia sangue nas rosas e o regador parecia<br />um céu<br />a clarear na memória do pasto<br /><span style="color:#ffffff;">d</span><br />e as ovelhas continuavam escondidas sob oliveiras<br />ali mesmo<br />ao lado do corpo abandonado<br /><span style="color:#ffffff;">e e d</span><br /><strong>O Corredor</strong><br /><span style="color:#ffffff;">ed</span><br />Era silencioso<br />longo<br />e a cortina ao vento<br />paralisava os sentidos<br /><span style="color:#ffffff;">d<br /></span>ao fundo<br />havia um corrupio de pombos a revolver<br />a escrita com que se respirava<br />o ar profundo e fresco do poço<br /><span style="color:#ffffff;">d</span><br />passava em frente da cortina<br />bordada pelas viagens e aí permanecia<br />como se fosse uma deusa<br />a olhar para a crista das ondas<br /><span style="color:#ffffff;">d</span><br />até que um dia a sétima vaga subiu pelo farol<br />e drenou a imagem com que se apagaou<br />na lembrança dessa paixão que era</span></div><div align="justify"><span style="color:#000000;">secretamente </span></div><div align="justify"><span style="color:#000000;">a minha.</span></div>CNnoreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5582764.post-81937232354133106872008-07-04T11:28:00.004+01:002008-07-04T11:55:58.333+01:00O quinto aniversário: rumores íntimos<div align="center"><span style="color:#000000;"><a href="http://pwp.netcabo.pt/socioblogue/miniscente5_azul.gif"><img src="http://pwp.netcabo.pt/socioblogue/miniscente5_azul.gif" width="400" /></a></span></div><div align="justify"><span style="color:#ffffff;">ew</span></div><div align="justify"><span style="color:#000000;">No próximo dia 15 de Julho, desta terça a oito, o Miniscente fará cinco anos. Um tempo simbólico, mais nada. Relembro sumariamente (com aquele tipo de síntese que não recobre a <em>massa das coisas</em>) o que tem sido esta saga. </span></div><div align="justify"><span style="color:#ffffff;">e</span></div><div align="center"><img src="http://img78.photobucket.com/albums/v296/guerreiro/miniscente_sw.jpg" width="400" /></div><div align="justify"><span style="color:#ffffff;">e</span></div><div align="justify"><span style="color:#000000;">O primeiro ano foi de vício e compulsão sem fim. O segundo ano foi de intensíssima apropriação do meio. O terceiro ano foi o ano que culminou com a evidência do metabloguismo. O quarto ano foi de mini-entrevistas e de aceso debate sobre a dupla ficção-realidade. O quinto ano foi tempo de travagem, de mais inércia e, sobretudo, de contemplação menos deslumbrada. </span></div><div align="justify"><span style="color:#ffffff;">e</span></div><div align="center"><img src="http://miniscente.luiscarmelo.net/images/Miniscente_05_Sinai_S.jpg" width="300" /></div><div align="justify"><span style="color:#ffffff;">e</span></div><div align="justify"><span style="color:#000000;">Nada sei sobre o sexto ano <em>a vir</em>, porventura o da desmobilização natural (até porque há novos desafios na rede a que vou ser chamado a partir do próximo Outono). Veremos.</span></div>CNnoreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5582764.post-16388966099044223152008-07-03T12:14:00.004+01:002008-07-03T12:28:45.759+01:00Episódios e Meteoros - 91<div align="center"><span style="font-size:100%;color:#000000;"><strong>Heresias, Islão e tentações involuntárias</strong></span></div><div align="center"><strong><span style="font-size:78%;color:#ffffff;">ee</span></strong></div><div align="center"><span style="font-size:78%;color:#ffffff;">e</span></div><div align="center"><strong><span style="font-size:85%;color:#000000;"><img src="http://br.geocities.com/alesha_bellydance/belly47.jpg" width="400" /></span></strong></div><div align="center"><span style="font-size:78%;color:#000000;"><a href="http://br.geocities.com/alesha_bellydance/belly47.jpg">ALE</a></span></div><div align="center"><strong><span style="font-size:78%;color:#ffffff;">eew</span></strong></div><div align="center"><span style="font-size:78%;color:#000000;"><strong>(publicado desde ontem no </strong></span><a href="http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&amp;op=view&amp;fokey=ex.stories/356842"><span style="font-size:78%;color:#000000;"><strong>Expresso Online</strong></span></a><span style="font-size:78%;color:#000000;"><strong>)</strong></span></div><div align="center"><strong><span style="font-size:78%;color:#000000;">(Ver também no meu </span><a href="http://cronicasluiscarmelo.blogspot.com/"><span style="font-size:78%;color:#000000;">blogue de crónicas</span></a><span style="font-size:78%;color:#000000;">)</span></strong></div><div align="justify"><span style="color:#ffffff;">e</span></div><div align="justify"><span style="color:#000000;">Transgredir sem dar por isso é um dos mais extraordinários dons do ser humano. Nos seus mundos, animais e plantas sabem bem que a violação de regras é sinónimo de vida ou morte. Entre os humanos, por mais feéricas e rígidas que sejam as leis, existe sempre a deliciosa margem da tentação, mas sobretudo a capacidade de pisar o risco de modo totalmente involuntário. Nem sempre a inocência e a ignorância são causas desse dom transgressor. Muitas vezes é apenas o acaso, a simples errância ou o devaneio. Foi o que aconteceu comigo, já por duas vezes na vida, face a face com o Islão.</span></div><div align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="color:#ffffff;">ed</span><br />Primeira história: recuemos uns aninhos e entremos, lado a lado, com a minha memória na esplanada das mesquitas. Melhor: entremos no que resta do antigo Templo de Salomão. Em frente, a Mesquita da <em>Rocha</em> e, à direita, a famosa Mesquita de <em>Al-Aqsa</em>. A primeira, a matriz do que viria a ser a história de toda a arquitectura islâmica; a segunda, o berço da tradição do <em>Miraj</em>, ou seja, da ascensão de Maomé aos céus (facto criado pelas tradições orais e não pelo verso cunhado e "recitado" do Alcorão). Deslizo lentamente por este terreno que é, decerto, um dos mais mitológicos do mundo. E, distraído, acabo por entrar nas centenárias portas de <em>Al-Aqsa</em>.</span></div><div align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="color:#ffffff;">ee</span><br />Até aqui nada de novo. Só que me esqueci de tirar os sapatos. Por trás de mim, ouço subitamente gritos: vozes que quebram o silêncio, vozes que me fazem imaginar espadas em forma de crescente e o rumor daquelas batalhas que, nas profecias da Idade Média, eram reportadas com o sangue a chegar à barriga dos cavalos. Não sei como, mas consigo sair dali do mesmo modo que o sorriso de Adão se terá curvado, um dia, diante dos insondáveis caprichos de Eva. Em minutos, não mais, estou na <em>Via Dolorosa</em> a comer o precioso grão do <em>khumus</em> e a lembrar-me da açorda que se come no Alentejo.</span></div><div align="justify"><span style="color:#ffffff;">ee</span></div><div align="justify"><span style="color:#000000;">Segunda história: passo por Vilar Formoso, compro um presunto e entro, dia e meio depois, no meu bairro em Amesterdão. No dia seguinte, vou à rua comercial mais próxima, o Dique de Haarlem (<em>Haarlemerdijk</em>), e, num repente, coloco o presunto de porco sobre o balcão da loja dos meus amigos marroquinos. Após tantos anos de confidências e empatias (para além da óptima azeitona e da alquimia dos coentros), faz-se um silêncio de morte. E eu sem perceber porquê. Até que de um nada (inexplicável) abruptamente se fez luz. Lembro-me que passei o resto dos anos que vivi na Holanda a pedir desculpa.</span></div><div align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="color:#ffffff;"></span><span style="color:#ffffff;">e</span><br />A propósito destas incursões meio acrobáticas, devo confessar que nunca mais esqueci um poema de Ibn Sâra de Santarém. Um poema que descreve o olhar de quem vem de fés ou respirações diferentes e entra, sem mais, em aquário alheio: "Olho sempre a tua face com apreensão:/ eras a água clara onde abundam/ os crocodilos". De facto, nem sempre abundam crocodilos no lago. Como nem sempre há leões na arena. Embora a épica que mais atrai os humanos seja a que é percorrida pela tragédia diária: histórias de leões e crocodilos em sangue, histórias de transgressão involuntária que acabam em contenda, enfim - histórias letais.</span> </div>CNnoreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5582764.post-83005845489654502992008-06-27T11:21:00.003+01:002008-06-27T11:38:04.228+01:00Episódios e Meteoros - 90<div align="center"><span style="color:#000000;"><img src="http://www.diplomaciaenegocios.com.br/noticias/vf777.jpg" width="400" /></span></div><div align="center"><a href="http://www.diplomaciaenegocios.com.br/noticias/vf777.jpg"><span style="font-size:78%;color:#000000;">DIP</span></a></div><div align="center"><span style="color:#ffffff;">e</span></div><div align="center"><span style="font-size:85%;color:#000000;"><strong>(publicado desde ontem no </strong></span><a href="http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&amp;op=view&amp;fokey=ex.stories/351926"><span style="font-size:85%;color:#000000;"><strong>Expresso Online</strong></span></a><span style="font-size:85%;color:#000000;"><strong>)</strong></span></div><div align="justify"><span style="font-size:78%;color:#ffffff;">e</span></div><div align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="color:#000000;">Editado por Fernanda Irene Fonseca, saiu a público, há cerca de um mês, o <em>Diário Inédito</em> de Vergílio Ferreira. Para além de romancista e ensaísta, o autor ficou também conhecido como diarista de fundo, por via sobretudo dos volumes do <em>Conta-Corrente</em> (entre 1980 e 1994). O que não era público até agora era a aventura do diário, ao longo dos anos que sucederam o final da Segunda Grande Guerra Mundial, de 1945 a 1949 (com ligeiro intervalo em 1947).<br /></span><span style="color:#ffffff;">e</span><br /><span style="color:#000000;">A chegada de Vergílio Ferreira a Évora, onde iria viver quase década e meia, domina o diário. Os ecos da vida literária e política do país, neste período conturbado, também ecoam nas pouco mais de cem páginas do volume agora editado pela Bertrand. Mas este diário também acolhe factos pessoais de relevância: o casamento do escritor, o dia dos seus trinta anos e os momentos em que a doença assalta a alarmada consciência do autor de <em>Aparição</em>.<br /></span><span style="color:#ffffff;">e</span><br /><span style="color:#000000;">Há precisamente sessenta anos, no final de Junho de 1948, escrevia Vergílio Ferreira: “É a terceira ou quarta vez que tento o diário. Suponho que desistirei ainda. Tudo e a repugnância de ver o papel que me lê”. Este desafio de <em>blogueador</em> – próprio de quem começa e acaba com a facilidade de uma nuvem que se faz e refaz – é tão livre quanto a revelação que é depois levada a cabo para justificar a própria escrita: “A ironia, essa confissão irresponsável, é o único meio que tenho à mão de condescender em me observar”.</span><br /><span style="color:#ffffff;">e</span><br /><span style="color:#000000;">Ou seja: o “papel” – sim, falamos de um tempo em que se escrevia à mão – parece querer observar o escritor do mesmo modo que o escritor se observa através de uma ironia deliberada. Num trecho de 30 de Junho de 1948, Vergílio Ferreira estabelecerá uma semelhança (panteísta) entre a luz que entra pela janela e a “irresponsabilidade” da confissão que antes designara através da palavra “ironia”:<br /></span><span style="color:#ffffff;">r</span><br /><span style="color:#000000;">“Do alto da galeria da janela pende uma cortina de cassa em pregas fluidas. Com a aragem breve que vem lá de fora, as pregas ondulam abandonadas. A lâmpada apagada roda com o abajur em torno do fio suspenso do tecto. Caio no fundo do sofá e deixo, irresponsável, que a luz quebrada do céu de tarde desça sobre mim, me cubra de sossego.”<br /></span><span style="color:#ffffff;">e</span><br /><span style="color:#000000;">Estes sortilégios dir-se-á ‘rendilhados’ fazem – ou fizeram – o que era, à época, a sacralizada vida de um escritor: um destino ímpar. Veja-se: “Creio que não se fazem obras só com palavras mas também com a própria pessoa do escritor, a sua presença, a sua voz, até a sua gravata. Que são escritores <em>descobertos </em>depois de mortos senão isso mesmo?”. Um destino ímpar em que o escritor surgia em cena como o sacerdote da convulsão moderna. Era este o impasse que caberia a um Vergílio Ferreira de trinta anos quebrar. Um confronto que o existencialismo e a fúria da leitura completavam.<br /></span><span style="color:#ffffff;">e</span><br /></span><span style="color:#000000;">Estamos tão longe deste “caldo de cultura” (como dizem os pregões televisivos franceses) como do dia em que Henrique VIII disse – “Mate-se!”. A literatura, hoje em dia, é uma natureza exótica e pouco praticada. Confunde-se com a miríade de livros que escala pelos escaparates como mulúsculos nos mercados de Xangai. A<em> coisa</em> que foi a literatura – uma revelação da sociedade e do humano como referência central de vida – encheu o século dezanove e boa parte de novecentos. E hoje olha para nós como uma “ironia” que quase radicalmente nos escapa.</span></div>CNnoreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5582764.post-40222762643888207892008-06-24T15:27:00.001+01:002008-06-24T15:29:29.444+01:00F & F<div align="justify">Na última aula de semiótica do ano, uma aluna chamou "função fálica" a uma função que o não era. Passou a ser.</div>CNnoreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5582764.post-32288896752836068812008-06-21T14:24:00.003+01:002008-06-21T14:30:50.791+01:00Ainda o Europeu<div align="justify"><span style="color:#000000;">Há línguas em que "cansado" se diz ao longo de três poderosas sílabas. Há línguas mais pragmáticas que apenas emprestam duas sílabas a tal estado. Mas o Holandês apenas concede uma única: "Moe" (lê-se "Mu"). Não mais. Van Basten e Hiddink sabem do que trata esta miraculosa síntese.</span></div>CNnoreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5582764.post-36838177666429611282008-06-19T19:08:00.009+01:002008-06-19T21:40:23.638+01:00Reportagem do Portugal - Alemanha (act.)<div align="center"><span style="color:#000000;"><img src="http://www1.istockphoto.com/file_thumbview_approve/3600936/2/istockphoto_3600936_football.jpg" width="400" /></span></div><div align="center"><a href="http://www1.istockphoto.com/file_thumbview_approve/3600936/2/istockphoto_3600936_football.jpg"><span style="font-size:78%;color:#000000;">IST</span></a></div><div align="center"><span style="color:#ffffff;">e</span></div><div align="center"><strong><span style="color:#000000;">Dez minutos antes do jogo</span></strong></div><div align="justify"><span style="color:#ffffff;">ee</span></div><div align="justify"><span style="color:#000000;">O futebol consegue colocar-se acima das irritações, das euforias e dos alheamentos de quem o detesta. E isso acontece porque o futebol vive justamente de irritações, de euforias e de tudo o mais com excepção para a indiferença. Um excêntrico do nosso tempo passeia-se num carrinho de choque com som de motorizada, veste-se de papagaio com um chapéu em forma de bacalhau e ostenta uma bandeira com haste de dez metros. Toda a 24 de Julho apita. Tudo e todos o contracenam. Há um arrepio que assola o asfalto. As pessoas acenam, conjecturam e rogam ditos e vaticínios nos cafés e nas pastelarias. Confessam coisas sobre os jogadores: que não têm pernas, que são gigantes, que não têm guelras, mas que são - de certeza - pequenos faustos ao sabor da maré alta. Há um uníssono a percorrer o país. Estranho e bárbaro uníssono. Estranho e belíssimo uníssono. Misterioso, no mínimo. Faltam dez minutos para o Portugal-Alemanha (eu penso mais em derrota...).</span></div><div align="justify"><span style="color:#ffffff;">e</span></div><div align="center"><strong><span style="color:#000000;">Ao intervalo</span></strong></div><div align="justify"><span style="color:#ffffff;">e</span></div><div align="justify"><span style="color:#000000;">Ao intervalo, para já, confirmam-se os prognósticos. A Alemanha foi mais física, mais decidida, mais empenhada. Portugal entrou com passividade, mostrou algum engenho no lado direito (Simão e Bozíngua) e </span><span style="color:#000000;">nada de golpe de génio. E depois acontece sempre a mesma coisa: por que é que o Nuno Gomes só faz <em>disto</em> na selecção e não no meu - e seu - clube?). Para a segunda parte, não acredito em grandes mudanças. Vê-se que Ronaldo está fora do seu aquário e que não é, na selecção, nem um Figo, nem muito menos um Eusébio. E sinto que, cada vez que a Alemanha ataca, tudo pode acontecer: muita corrida, boa troca de bola e rapidez concertada. No lado português, parece haver menos crença e o labirinto de passos e toques sugere que não há ousadia que chegue para dar a volta. Oxalá me engane.</span></div><div align="justify"><span style="color:#ffffff;">e</span></div><div align="center"><strong><span style="color:#000000;">No final do jogo</span></strong></div><div align="justify"><span style="color:#ffffff;">e</span></div><div align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="color:#000000;">E, pronto, tal como previra, ganhou a melhor equipa em campo. Diga-se a verdade. O assombro final de Portugal não bastou para encobrir as fragilidades gerais</span>. Mesmo tendo em conta o truque do terceiro golo alemão.</span></div>CNnoreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5582764.post-44207283160606925772008-06-18T13:04:00.006+01:002008-06-18T13:15:37.593+01:00Volta ao Mundo - 22<a href="http://bp0.blogger.com/_TjQa_NosPx8/SFj67zyrFOI/AAAAAAAAAWA/etHNLthe1lw/s1600-h/Tail%C3%A2ndia.bmp"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5213192474103321826" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_TjQa_NosPx8/SFj67zyrFOI/AAAAAAAAAWA/etHNLthe1lw/s400/Tail%C3%A2ndia.bmp" border="0" /></a><span style="color:#ffffff;"> e</span><br /><div align="justify"><span style="color:#000000;">Foi há dez meses que a </span><a href="http://historiasdomundo.blogspot.com/"><span style="color:#000000;">Clara Piçarra</span></a><span style="color:#000000;"> e o </span><a href="http://historiasdomundo.blogspot.com/"><span style="color:#000000;">Miguel Sacramento </span></a><span style="color:#000000;">partiram para uma volta ao mundo que o Miniscente tem acompanhado... passo a passo. Hoje, a crónica chega-nos da Tailândia. Mas fala - e de que forma - da tragédia da Birmânia:</span></div><span style="color:#ffffff;">e e</span><br /><div align="center"><span style="color:#000000;">"A Norte. Tailândia"</span></div><div align="center"><span style="color:#ffffff;">e</span></div><div align="justify"><span style="color:#000000;">"Desfaço as minhas guerras com as mãos. Com a fragilidade de um pensamento, separo cada fio como se fosse a minha vida. Tenho cinco anos e estou sozinha. Tenho apenas nada e o mundo pela frente. Sem rumo e numa terra vazia, estou entre a tempestade. De pessoas que matam sem duvidar. Separo esse fio e cresço. Fujo de mim, do meu país. Deixo as memórias sem fronteira e o espaço sem ilusão. Tenho quinze anos e estou sozinha. Não tenho vozes que me dêem a mão. Separo o calor. O medo. E as minhas coisas simples. Deixo-os passar nos meus dedos com a suavidade de cada importância. E cresço. Para um lugar que me torne em futuro, em vontade. Separo o último fio. Estou aqui. Sozinha. E sem idade.</span></div><div align="justify"><span style="color:#ffffff;">e</span></div><div align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="color:#000000;">As "Long Neck" são refugiadas Birmanesas numa Tailândia que as aceita de braços fechados. A cada gesto cresce-nos o dilema de uma vida. Se não as visitarmos, se não olharmos para os seus anéis de tradição fechada, são obrigadas a voltar ao mundo dos medos mais básicos. Regressam ao que fugiram, às suas guerras, ao país que as matou. Mas, quando as conhecemos, há outro lado. Sem desculpa, sem palavra: não é o retrato que aparece em cada fotografia que lhes tiramos. É a alma a diluir-se sem esperança.</span> </span></div><div align="justify"><span style="color:#ffffff;">e</span></div><div align="justify"><span style="color:#000000;">Com a fragilidade de um pensamento, pego nuns fios. E desfaço as minhas guerras."</span></div><span style="color:#ffffff;">e e</span> <div align="center"><span style="font-size:85%;color:#000000;">Texto e Fotografia </span><a href="http://historiasdomundo.blogspot.com/"><span style="font-size:85%;color:#000000;">Clara Faria Piçarra</span></a></div>CNnoreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5582764.post-62083649302403119142008-06-16T16:17:00.005+01:002008-06-16T20:50:52.108+01:00Bloomsday aziago<div align="center"><span style="color:#000000;"><img src="http://joycebooks.files.wordpress.com/2007/10/james_joyce.jpg" width="200" /></span></div><div align="center"><a href="http://joycebooks.files.wordpress.com/2007/10/james_joyce.jpg"><span style="font-size:78%;color:#000000;">JFW</span></a></div><div align="justify"><span style="color:#ffffff;">e</span></div><div align="justify"><span style="color:#000000;">Hoje, dia 16 de Junho, é o <em>Bloomsday</em>. E imagine-se que </span><a href="http://www.nytimes.com/2008/06/16/arts/16bloo.html?_r=1&amp;partner=rssnyt&amp;emc=rss&amp;oref=slogin"><span style="color:#000000;">a cisão</span></a><span style="color:#000000;"> tomou conta de um dos mais habituais eventos do dia.</span></div>CNnoreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5582764.post-26418501695366024532008-06-15T20:42:00.003+01:002008-06-15T22:27:57.410+01:00Bluff & Bluff<div align="center"><span style="color:#000000;"><img src="http://i115.photobucket.com/albums/n320/idolatrica/comboios/comboio_azulwtmk.jpg" width="400" /><br /><a href="http://i115.photobucket.com/albums/n320/idolatrica/comboios/comboio_azulwtmk.jpg"><span style="font-size:78%;color:#000000;">IDO</span></a></span></div><div align="justify"><span style="font-size:78%;color:#ffffff;">e</span></div><div align="justify"><span style="color:#000000;">Na língua árabe, há uma série de palavras para designar falcão. É normal que uma língua reflicta o meio ambiente em que nasceu e se desenvolveu. Por exemplo, em Português, <em>bluff </em>diz-se de inúmeras formas, embora quase todas rimem com ‘Pomposo’. Veja-se o metro de Mirandela que toda a gente sabe que é o rebaptizar (caro) de linhas-férreas pré-existentes. Veja-se o aeroporto de Beja que toda a gente sabe que é o rebaptizar (caro) de uma base aérea da NATO. Veja-se o ‘património mundial’ que toda a gente sabe que é um rebaptizar cerimonial (e caro) das ‘cidades-museu’. Isto para já não falar do contentamento que dá às populações ver um edifício na terra onde apareça escrita a palavra “Universidade”, mesmo que lá dentro apenas se jogue bridge ou se façam reuniões para discutir o peso de um frango. Isto para já não falar dos clubes de futebol que, à custa dos contribuintes, inflamam a praça pública para mera satisfação tribal ou regional.</span></div><div align="justify"><span style="color:#ffffff;">e</span></div><div align="center"><strong><span style="font-size:85%;"><span style="color:#000099;">Versão completa no </span><a href="http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?sid=ex.sections/23521"><span style="color:#000099;">Expresso Online</span></a><span style="color:#000099;"> (próxima quinta-feira)</span></span></strong></div>CNnoreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5582764.post-19669672002100840352008-06-12T15:21:00.003+01:002008-06-12T16:33:16.466+01:00Eu também!<div align="center"><span style="color:#000000;"><span style="color:#000000;"><img src="http://ultimahora.publico.clix.pt/imagens.aspx/235254?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;w=320" width="400" /><br /></span></span><a href="http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1332100&amp;idCanal=61"><span style="font-size:78%;color:#000000;">PUB</span></a></div><div align="center"><span style="font-size:85%;color:#000000;">A vitimização é uma peça indispensável nestes arraiais</span></div><div align="justify"><span style="color:#ffffff;">e</span></div><div align="justify"><span style="color:#000000;">Eu também quero portagens mais baratas à noite. Eu também quero a majoração em 20 por cento dos custos com o gasóleo. Eu também tenho uma empresa. Eu também vivo no planeta onde houve <em>subprime </em>e onde o petróleo sobe como um balão incontrolado. Eu também gostava de ser um piquete com botas cardadas em todo o asfalto do país, de Norte a Sul. Eu também. E você? (não, eu nunca gostei de dizer "você"; salvo com amigos brasileiros).</span></div>CNnoreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5582764.post-39039029061446937732008-06-11T15:27:00.007+01:002008-06-11T16:08:43.032+01:00Morte<div align="center"><span style="color:#000000;"><img src="http://images.worldgallery.co.uk/i/prints/rw/lg/1/0/Edward-Hopper-Rooms-By-The-Sea-10769.jpg" width="400" /></span></div><div align="center"><a href="http://www.worldgallery.co.uk/gallery/Edward%20Hopper-1.html"><span style="font-size:78%;color:#000000;">Edward Hopper</span></a></div><div align="justify"><span style="font-size:78%;color:#ffffff;">5</span></div><div align="justify"><span style="color:#000000;">A morte quando chega é sempre inesperada. Um mail, um nome, um. E depois segue a rememoração do que tinha acontecido 'antes'. A última vez que a vi. A última vez que com ela falei. A última vez que sorri para ela ou a última vez que me arreliei com ela. De repente, como numa cascata, tudo. Por dizer. Tão inadvertido como a mais elementar das nuvens que se eleva no céu, que ganha corpo e que, num abismado relance, já não é. Volta a não ser. E não há palavra que chegue a ter tempo para dizer que não entende. Nem tempo, nem sentido. Quando chega, já foi. Um sentimento não esboça o que poderia sentir: dilui-se logo na nuvem que o faz. E agora, daqui a uma hora, é a República Checa ou é a BP que é mais barata do que a Galp?</span></div>CNnoreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5582764.post-11763705841125039822008-06-09T16:00:00.003+01:002008-06-09T16:38:09.165+01:00As pontes de Portugal<div align="center"><span style="color:#000000;"><span style="color:#000000;"><img src="http://blogs.diariovasco.com/media/3029129-Zubizuri_Bridge_at_night-Bilbao.jpg" width="400" /></span></span></div><div align="center"><a href="http://blogs.diariovasco.com/media/3029129-Zubizuri_Bridge_at_night-Bilbao.jpg"><span style="font-size:78%;color:#000000;">BDV</span></a></div><div align="justify"><span style="color:#ffffff;">e</span></div><div align="justify"><span style="color:#000000;">Um dia de novo invadido pelo pranto que se esconde nos reversos do espanto solar. Ambiente generalizado de férias: é essa a aura da função <em>muito</em> pública que faz Portugal ser um país matreiro. Fintar no relvado e fintar na vida. Circular, conjecturar e conjurar com pequenos truques, breves devaneios. Também é assim na poesia: enredada e nem sempre clara, embora, quando parece sê-lo, se torne tão transparente quanto a trave da baliza nos antípodas luminosos dos pés de Cristiano.</span></div>CNnoreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5582764.post-10762837769881036742008-06-08T22:31:00.004+01:002008-06-08T22:58:10.749+01:00Curiosidades do Europeu - 1<div align="center"><a href="http://blogs.keloland.com/blog/index.cfm?commentID=713"><span style="font-size:78%;color:#000000;"><img src="http://blogs.keloland.com/Images/Upload/Image/Lund/golf_ball_art.jpg" width="400" /></span></a></div><div align="center"><span style="font-size:78%;color:#000000;">BKC</span></div><div align="justify"><span style="font-size:78%;color:#ffffff;">e</span></div><div align="justify"><span style="color:#000000;">Até agora, as selecções mais toscas foram, curiosamente, as dos países mais organizados. Onde tudo já está feito: do canteiro à música no coração. Áustria e Suíça espelham esse desprazer de conviver com uma bola e de a ver brilhar. Já o caso alemão é bem diferente. Note-se que a Alemanha nunca espanta. O que fica é a imagem dum exército quase monótomo, duma abertura operática ou dum aforismo de Nietzsche onde o que bate certo é o alinhamento poderoso e a eficácia do ritmo. É o quanto basta. Talvez por isso, a Polónia - que nunca venceu o marciano vizinho e ocidental - tenha hoje preferido hibernar a jogar. Neste concerto dos deuses chamados nações, a Croácia apareceu em cena como a silhueta de um litoral cansado, exausto e saciado de tanto peso recente: a história de um país não é, de facto, a história de uma intermitência. E isso acaba por notar-se, mais cedo ou mais tarde. Cristalinamente. Por fim, a questão nacional. Seja como for, só se pode falar de Pessoa, Crsistiano, António Nobre, Nuno Gomes ou Garrett, se nos referirmos ao colapso Otomano. Já lá vai o tempo em que o lago mediterrânico, de Argel a Istambul, era o lago do grande Levante imperial. Em Genebra, os turcos não atacaram, nem fizeram eco da sua épica. Pareciam segredar que os deixassem em paz. O excelente labirinto do passe lusitano ajudou, e de que forma, a uma <em>Lepanto</em> serena, suave e sem sangue. Como se fosse pura predestinação. A diáspora portuguesa ajudou (Pepe, Deco, etc.) e soube encontrar no canto coral da crise a receita certa para um Verão tranquilo. Um samba de santos populares com campinos bamboleando entre silvas, canaviais e casas suíças com leões e aguiazinhas de latão. Um brinde tauromático e tão repentinamente descontraído que fez lembrar Vilarett à solta no encanto da sua <em>Procissão</em>.</span></div><div align="justify"></div>CNnoreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5582764.post-64252315742383723392008-06-05T12:54:00.003+01:002008-06-05T13:02:55.011+01:00Pobre humor<div align="center"><span style="color:#000000;"><img src="http://cine.hitechlive.com.br/wp-content/uploads/2008/02/animebat1.jpg" width="400" /></span></div><div align="center"><a href="http://cine.hitechlive.com.br/wp-content/uploads/2008/02/animebat1.jpg"><span style="font-size:78%;color:#000000;">CHC</span></a></div><div align="justify"><span style="color:#ffffff;">e</span></div><div align="justify"><span style="color:#000000;">Grassa hoje em Portugal um humor que diz a si próprio que tem que ser humor. 'Ter que': eis o <em>leitmotiv</em> de uma arbitrariedade cega que leva a palavra a forçar, a impingir e a bater na parede como um autocarro sem travões. O que sobra da fuga para a frente é sobretudo piedade pelo esforço destes novos nómadas da expressão. Um vazio feito de imperativo é bem pior do que um vazio feito de inocência.</span></div>CNnoreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5582764.post-59202216439583218852008-06-02T18:08:00.003+01:002008-06-02T18:22:11.149+01:00Uma partilha de quatro décadas<div align="center"><a href="http://bp3.blogger.com/_TjQa_NosPx8/SEQpb7h2LhI/AAAAAAAAAVs/XIW34BOXccc/s1600-h/JMR.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5207332628959997458" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_TjQa_NosPx8/SEQpb7h2LhI/AAAAAAAAAVs/XIW34BOXccc/s400/JMR.jpg" border="0" /></a><strong><span style="font-size:78%;color:#000000;"></span></strong></div><div align="center"><strong><span style="font-size:78%;color:#ffffff;">e</span></strong></div><div align="center"><strong><span style="font-size:78%;color:#000000;"> (clicar em cima da imagem para aumentar)</span></strong></div>CNnoreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5582764.post-33342280102781859172008-06-02T00:02:00.000+01:002008-06-02T00:09:46.397+01:00Florbela Espanca e Amy Winehouse<div align="center"><span style="color:#000000;"><em><img src="http://www.multishowfm.globolog.com.br/amy%20winehouse%2001.jpg" width="400" /></em></span></div><div align="center"><a href="http://www.multishowfm.globolog.com.br/amy%20winehouse%2001.jpg"><span style="font-size:78%;color:#000000;">MUL</span></a></div><div align="justify"><em><span style="font-size:78%;color:#ffffff;">e</span></em></div><div align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="color:#000000;"><em>Upload</em>, <em>download</em>, carregar imagem ou texto: eis uma linguagem tão ou mais corrente do que a água do dia-a-dia. Há uns tempos - tempos que cabem na minha memória -, a equivalência a estes termos encontrar-se-ia em palavras como albarda, carruagem ou telefonia.</span> </span></div><div align="justify"><span style="font-size:78%;color:#ffffff;">e</span></div><div align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="color:#000000;">A diferença estabelece-se em dois aspectos: o primeiro evidencia o rústico (modo menos tosco de dizer "local") e faz-se contrastar com a repetição global; o segundo evidencia a ideia de processo (algo em curso num trajecto que se apresenta quase como instantâneo) e faz-se contrastar com a ideia de dispositivo fixo e adaptado a uma função determinada.</span> </span></div><div align="justify"><span style="font-size:78%;color:#ffffff;">e</span></div><div align="justify"><span style="color:#000000;">Em termos expressivos, estas lógicas afastam-se de tal modo que as podíamos comparar à diferença entre o queixume adjectivado da Florbela Espanca e o fluxo suicidário de Amy Winehouse. Entre o beco sem saída do soneto e o encanto abismado e errante em 3D da <em>televolúpia</em>. Entre um torreão de Vila-Viçosa e uma mão cheia de bits que ilustram aquela carinha fantasmática (ali mais em cima).</span></div>CNnoreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5582764.post-33477066720326693022008-05-31T14:23:00.004+01:002008-05-31T14:30:04.899+01:00Pergunta de fim de Maio<div align="center"><a href="http://krink.com/gallery/wp-content/poetic-terrorism.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5206533414401626546" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_TjQa_NosPx8/SEFSjhScUbI/AAAAAAAAAVk/pf8ewaSVU8A/s400/poe.jpg" border="0" /><span style="font-size:78%;color:#000000;"> KRI</span></a></div><span style="color:#ffffff;">e<br /></span><br /><div align="justify"><span style="color:#000000;">Tarde despovoada. A luz baça e imprópria para as vésperas de Junho. A rosa contra a alvenaria ruída: como se fosse um poema visual a rebentar entre a rudeza da pedra, a memória da cal e o submerso mastro da cor. Olho e escrevo. Sumariamente. E que diferença se entreabrirá nesta espessura que liga a tona da água à margem que a contém?</span></div>CNnoreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5582764.post-58072068602968838362008-05-29T15:40:00.000+01:002008-05-29T15:43:42.522+01:00O grande alívio (act.)<div align="center"><span style="color:#000000;"><img src="http://www.tempe.gov/LIBRARY/events/images/books.jpg" width="400" /></span></div><div align="center"><a href="http://www.tempe.gov/LIBRARY/events/images/books.jpg"><span style="font-size:78%;color:#000000;">TEM</span></a></div><div align="justify"><span style="color:#ffffff;">e</span></div><div align="justify"><span style="color:#000000;">Às vezes, quando relembro uma sessão pública onde estive e falei, sou levado a utilizar (para mim ou para quem me ouve) a expressão: "Vi-me a dizer...". Ou seja, é como se, espontaneamente, desenterrasse, não a verdade, mas um fio indescortinável que me conduziria a revelar qualquer coisa. Assim mesmo, à moda da espeleologia. </span></div><div align="justify"><span style="color:#ffffff;">e</span></div><div align="justify"><span style="color:#000000;">Ontem, num debate sobre escrita e literatura (foi esse o tema que acabou por desenvolver-se a partir de uma abordagem inicial sobre escrita criativa), "vi-me a dizer" que o mundo moderno ocidental foi atravessado por três vagas espessas de escrita literária: a romântica (uma interrogação livre, generalizada e por vezes mística sobre o homem), a realista (uma focagem da vida protagonizada pelo homem à luz das suas novas codificações com destaque para a, às vezes ilusória, noção do "progresso") e a monumental (a reacção em cascata à linearidade do moderno, concebida no pós-Primeira Grande Guerra Mundial, ainda, portanto, no universo e no tempo do livro: Joyce, Proust, Woolf, James, Kafka, Mann, etc.). </span></div><div align="justify"><span style="color:#ffffff;">e</span></div><div align="justify"><span style="color:#000000;">Após estas três vagas, ter-se-iam seguido as desmontagens e as especificidades no próprio terreno da literatura (o feérico <em>on the road</em> ou o estigma do <em>nouveau roman,</em> por exemplo). Depois, a imagem - a mitologia televisiva, sobretudo - viria a ocupar, a pouco e pouco, a referencialidade do que antes havia sido a centralidade da expressão literária. Mais tarde, as imagens (já no plural e à moda de <em>pixels</em>), fundidas com a hipertecnologia e com o desmembramento das regras e ideários fixos - e dicotómicos -, acabaram por estruturar a nossa vida... relegando a literatura para um local de nicho (foi uma travessia rápida, esta última, entre o fim dos anos oitenta e o início do nosso século). </span></div><div align="justify"><span style="color:#ffffff;">e</span></div><div align="justify"><span style="color:#000000;">Passaram, pois, milénios em décadas apenas. Ou seja: se para o homem medieval não havia sequer a distinção entre o 'literário' e o 'não literário' (tudo era afinal "Escritura"), para o homem actual deixou de haver um <em>problema</em> em torno da literatura. Que grande alívio, dir-se-á. </span><span style="color:#000000;">Por outras palavras ainda: sempre que hoje leio uma ficção em livro, nunca sei se a literatura <em>está a passar por ali</em>, ou se <em>aquilo </em>é já um exemplo - mais um - de um território de onde se apearam, para sempre, fronteiras, géneros e expressões definidas (estou a lembrar-me da curiosíssima apresentação da obra de Gonçalo M. Tavares, tal como surge nos seus próprios livros). </span></div><div align="justify"><span style="color:#ffffff;">e</span></div><div align="justify"><span style="color:#000000;">Eu gosto de um mundo assim, rasgado na tentação da permanente descoberta; e não baseado no assentimento prévio e dado. Atrai-me mais a </span><span style="color:#000000;">multiplicidade e a interrogação e menos as sacralizações e todas as sublimações (ideológicas, literárias ou outras) que as sucederam. O mundo, tal como o entendemos hoje, já não é o mundo em que Aquilino, Torga ou Vergílio Ferreira </span><span style="color:#000000;">eram ouvidos como dignos senadores do nosso imaginário. Um alívio para eles. E também para nós.</span></div><div align="justify"><span style="color:#ffffff;">e</span></div><div align="justify"><span style="color:#000000;">p.s. - Em tempo de crise, há reflexões que servem para nos confirmar que (mesmo em campos exteriores à procura global do crude ou aos impactos do <em>subprime)</em> passámos realmente a viver num universo sem quaisquer receitas paternalistas. O alívio que tal pressupõe é, também, por outro lado, uma imensa importunidade. Nesta novíssima corrente de ar, joga-se essencialmente a liberdade. A capacidade de inventar. Um desafio que os românticos já haviam colocado na ordem do dia, por vezes com sadia ingenuidade.</span></div>CNnoreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5582764.post-7719764577946326282008-05-28T11:59:00.003+01:002008-05-28T12:37:12.277+01:00A angústia silenciosa<div align="center"><span style="color:#000000;"><img src="http://guizzi.files.wordpress.com/2007/07/black_rain_by_hres.jpg" width="400" /></span></div><div align="center"><a href="http://guizzi.files.wordpress.com/2007/07/black_rain_by_hres.jpg"><span style="font-size:78%;color:#000000;">GUI</span></a></div><div align="justify"><span style="color:#ffffff;">e</span></div><div align="justify"><span style="color:#000000;">Um Maio que devia ter vergonha de ter existido: cinzento, frio e chuvoso, limitou-se a relembrar outros Maios e a fazer subir, sem fim, o preço dos combustíveis. Quando a Primavera chegar, talvez escreva um post sobre a imprevisibilidade da angústia: é disso que trata o que tratamos por tu, quando dizemos a palavra "crise". É que a palavra, agora, entrou realmente em cena e deixou no <em>estado do tempo</em> o bode expiatório.</span></div>CNnoreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5582764.post-63662618117331380872008-05-27T22:32:00.003+01:002008-05-27T22:39:55.341+01:00Volta ao Mundo - 21<a href="http://bp0.blogger.com/_TjQa_NosPx8/SDx-6hScUaI/AAAAAAAAAVc/SjcZziF9GQs/s1600-h/Laos.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5205174813166686626" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_TjQa_NosPx8/SDx-6hScUaI/AAAAAAAAAVc/SjcZziF9GQs/s400/Laos.jpg" border="0" /></a><span style="font-size:78%;color:#ffffff;"> w</span><br /><div align="justify"><span style="color:#000000;">Há cerca de nove meses, a </span><a href="http://historiasdomundo.blogspot.com/"><span style="color:#000000;">Clara Piçarra</span></a><span style="color:#000000;"> e o </span><a href="http://historiasdomundo.blogspot.com/"><span style="color:#000000;">Miguel Sacramento </span></a><span style="color:#000000;">partiram para uma volta ao mundo que o Miniscente tem acompanhado... passo a passo. Hoje, a crónica chegou do Laos:</span></div><div align="center"><span style="color:#ffffff;">se</span><br /><span style="color:#000000;"><strong>"Laos"</strong></span></div><div align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="color:#ffffff;"><strong>sse</strong><br /></span><span style="color:#000000;">Há.<br />Tanto.<br />Para.<br />Contar.<br />Escolho pequenos pedaços. Histórias que já existem e só esperam transcrição. Em cima da mesa estão elefantes e um rio; a selva e uma aldeia castanha; monges descalços e uma terra sem luz. Mas está também outro pedacinho. Muito pequeno. Quase um segredo. É esse que escolho.<br />Agarra o filho pela mão e corre. Ignora o som que cai do céu. Concentra-se no caminho. A floresta, as árvores, as folhas abrem-se. Desviam-se num sacrifício quase humano. Para o deixar passar. A correr. Com o filho pela mão. Sabe que está perto. Cheira a segurança. Acelera o passo para avançar o tempo… e chega. A escuridão cega-o. São as mãos que o orientam. Um frio rochoso atravessa-lhe os dedos, os braços, congela o medo durante segundos. Pressente que não estão sós. Senta-se. Espera. É no instante que alguém acende um fogo que desaba. A gruta é gigantesca, gelada, feita de sombras, de silêncios… e de olhos. Centenas. Assustados, velhos, cansados. Reconhece cada um. São os olhos da sua aldeia.<br />Pousa o cigarro na mesa e olha para o final da rua de terra. Vê o seu filho a agarrar a mão do filho. Caminham devagar, sem pressa, sem fuga. Não consegue evitar a recordação. Do dia. Daquele dia. Porque foi o primeiro. Nas vezes seguintes, quando fugiam do céu que caía, já sabia para onde ir, já conhecia o sabor dos insectos, das aranhas, da fome. Já sabia que seriam menos os olhos que veria. Sabia. Hoje o perigo vem do chão. Gostava de saber voar.<br /></span><span style="color:#ffffff;">s s</span><br /></span><span style="color:#000000;">(o Laos foi o País mais bombardeado do mundo. Prevêem-se cem anos para que se torne seguro. Foi o lugar mais puro onde já estive)"</span></div><div align="justify"><span style="color:#ffffff;">sd</span></div><div align="center"><span style="font-size:85%;color:#000000;"><strong>Texto: </strong></span><a href="http://historiasdomundo.blogspot.com/"><span style="font-size:85%;color:#000000;"><strong>Clara Faria Piçarra<br /></strong></span></a><span style="font-size:85%;color:#000000;"><strong>Fotografia: </strong></span><a href="http://historiasdomundo.blogspot.com/"><span style="font-size:85%;color:#000000;"><strong>Miguel Sacramento</strong></span></a></div>CNnoreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5582764.post-83143709976848574952008-05-26T16:52:00.003+01:002008-05-26T17:13:02.110+01:00Episódios e Meteoros - 85<div align="center"><span style="color:#000000;"><img src="http://emmanuel.denis.free.fr/images/visconti28.JPG" width="400" /></span></div><div align="center"><a href="http://emmanuel.denis.free.fr/images/visconti28.JPG"><span style="font-size:78%;color:#000000;">EDF</span></a></div><div align="center"><span style="font-size:78%;color:#ffffff;">e</span></div><div align="center"><strong><span style="color:#000000;">Mann, Viconti e o caso Casa Pia</span></strong></div><div align="center"><strong><span style="font-size:78%;color:#ffffff;">e</span></strong></div><div align="center"><strong><span style="font-size:85%;"><span style="color:#000000;">(crónica publicada desde quinta-feira no </span><a href="http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&amp;op=view&amp;fokey=ex.stories/326169"><span style="color:#000000;">Expresso Online</span></a></span></strong></div><div align="center"><strong><span style="font-size:85%;"><span style="color:#000000;">ver também no meu </span><a href="http://cronicasluiscarmelo.blogspot.com/"><span style="color:#000000;">Blogue de crónicas</span></a><span style="color:#000000;">)</span></span></strong></div><div align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="color:#ffffff;">we</span><br />Há uma dúzia de anos, Eduardo Prado Coelho foi convidado a escrever um dos textos mais marcantes do projecto de Leonel Moura, “Portugal Século XX - 50 rostos para uma identidade” (patrocinado pelo <em>Público</em>). A personalidade acolhida pelo ensaísta foi Herman José a quem então foi atribuída a rara capacidade de “teatralizar o quotidiano”, o “estupendo sentido de metamorfose” e a “desenvoltura irreverente” sempre “capaz do golpe de génio e da invenção mais improvável”. Prado Coelho concluía referindo que Herman José se tinha tornado “numa personalidade central da vida portuguesa, talvez a mais famosa” (entre as que tinham uma dimensão nacional).<br /><span style="color:#ffffff;">e<br /></span>O mais curioso é que entre os dois grandes actos falhados do milénio português, ou seja, a saída de Guterres (por causa de um pântano sem fim) e a saída de Durão Barroso (por causa de uma luz sem fim que ardia na <em>Grand Place</em>) tudo mudou. Não foi apenas Herman ou Carlos Cruz que, de modos diversos, viriam a <em>cair em desgraça</em>, mas toda uma engrenagem até hoje pouco desvelada. E quando escrevo a palavra “engrenagem” não me refiro apenas a <em>fait divers</em> sujeitos à exaustão mais pérfida.<br /><span style="color:#ffffff;">e</span><br />Não me estou, por exemplo, a referir à fusão a frio entre Ferro Rodrigues, a “teoria da cabala” e a suma recompensa no altar da Unesco. Não me estou, por exemplo, a referir à saída de Paulo Pedroso da prisão e ao êxtase vivido no Parlamento, naquilo que terá sido o momento mais abjecto da Casa da Democracia, após o cerco de finais de 1975. Nem me estou seguramente a referir aos momentos mais negros da blogosfera (o blogue “Muito Mentiroso”), ou às tricas (por vezes paródicas) entre Santana e Sampaio que acabariam em clímax cinco dias após o início do julgamento do caso Casa Pia, no Tribunal da Boa-Hora (25/11/04).<br /><span style="color:#ffffff;">w</span><br />Quando soletro muito devagar a palavra “engrenagem”, estou sobretudo a tomar consciência de que muito mais mudou. E de modo particularmente vincado. Tive a plena consciência desse facto, quando, no sábado passado, revi o clássico <em>Morte em Veneza</em> de Visconti (1971), baseado na obra homónima de Thomas Mann (1912). Devo dizer que este filme se cruzou intensamente com a minha vida, nas décadas de setenta e oitenta, e que um dos meus primeiros romances (o terceiro: <em>No Príncípio era Veneza</em> – 1990), escrito em boa parte no local da cena, imaginava, entre outras coisas, uma segunda rodagem do filme. E declaro, desde já, para os devidos efeitos, que a intensidade da obra de Visconti tinha, à época, a sua origens em vínculos estéticos puros e em nada mais.<br /><span style="color:#ffffff;">e</span><br />Com efeito, o sublime e o arrojo estético de Visconti bastavam para absorver e emocionar quem, há uns anos, mergulhasse nesse filme. E jamais as atracções platónicas entre um homem mais velho e um menino pré-adolescente se traduziram no modo permissivo (ou ‘não permissivo’) de encarar o que passou a <em>topoi </em>no pós-caso Casa Pia: a pedofilia. Quer isto dizer que a engrenagem cultural mais profunda trouxe para o <em>mainstream</em> o que antes se ofuscava radicalmente, dando novo significado ao que até aí era arte pura. É por isso que o <em>Morte em Veneza</em> de sábado passado deixou de ser o que era. Confesso que não fui capaz – pela primeira vez – de ver o filme como antes o via. Ninguém, de facto, resiste aos julgamentos do seu tempo. Nem Herman, nem Prado Coelho, nem eu, nem ninguém.</span></div>CNnoreply@blogger.com