tag:blogger.com,1999:blog-55253612008-07-26T22:51:58.378+01:00respirar o mesmo arJPNhttp://www.blogger.com/profile/05232859031389735841noreply@blogger.comBlogger3657125tag:blogger.com,1999:blog-5525361.post-91679445200649822282008-07-26T22:38:00.004+01:002008-07-26T22:51:58.401+01:00A Voz do Personagem<a href="http://bp2.blogger.com/_cYZCuQYVdmo/SIYLGOTiE2I/AAAAAAAAAsw/33uui7JttpQ/S220/teatro_arroba.jpg"><img style="WIDTH: 278px; CURSOR: hand" height="378" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_cYZCuQYVdmo/SIYLGOTiE2I/AAAAAAAAAsw/33uui7JttpQ/S220/teatro_arroba.jpg" border="0" /></a> <blockquote></blockquote>
<div>É o nome de uma oficina integrada no Festival de Teatro Lusófono que irá ocorrer em Teresina- Piáui, e que tem uma primeira fase à distância, até 20 de Agosto, através de um <a href="http://oficinaescritateatral.blogspot.com/">blogue</a>. É uma iniciativa algo inédita, mas como sou o pai deixo a crítica do vosso lado.</div>JPNhttp://www.blogger.com/profile/05232859031389735841noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5525361.post-75696148501417491862008-07-26T22:14:00.003+01:002008-07-26T22:35:10.408+01:00Nunca ganhei nada na vida,<div align="justify">é o titulo do livro (com o subtítulo <em>histórias de ciganos da Europa de Leste</em>, de Gundula Fienbork, Brigitte Mihók e Stephan Muller, com recolha de depoimentos dos roma (rom, no singular, romni no feminino) e nos quais encontramos professores universitários, caldeireiros, um escritor, um titereteiro, operários e músicos, intelectuais activistas, entre outros, que recomendo. </div><blockquote></blockquote><div align="justify">O livro é tanto mais importante quando percebemos que a ideia que temos sobre os <em>roma</em> vive da mingua de informações directas. Uma das razões será o fraco domínio da lingua por parte desta comunidade, e isso percebemos pelos nível de escolarização extremamente baixo. Ou seja, a produção de sentido e de identidade não passa pelos nossos canais habituais e portanto também não nos ocorre reconhecê-la. Aliás, estes depoimentos são recolhidos por pessoas que não são roma. <blockquote></blockquote>Um desafio para os leitores mais pacientes (eu vou sair daqui a fazê-lo): haverá nos blogues escritos em português algum de um rom ou romni? E noutras línguas? Será que a blogosfera também nesse domínio promove outro tipo de identidades?</div><div align="justify"> </div><div align="justify"> </div><div align="justify"> </div>JPNhttp://www.blogger.com/profile/05232859031389735841noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5525361.post-76146554500071632132008-07-26T21:54:00.005+01:002008-07-26T22:09:40.389+01:00O Estado, os pobres, os ciganos e os negros<div align="justify">"<em>O Estado diz-nos que os pobres - em especial se forem negros ou
ciganos - têm apenas direitos" </div><blockquote><p align="justify"></p></blockquote><div align="justify"></em>Não foi Le Pen que disse isto. Tenho pena de que este tipo de discursos possam andar na rua, mesmo que num saco de plástico, num
jornal como o Expresso, na boca de um jornalista como Fernando Madrinha.
Bastaria que ele tivesse feito um pequeno exercício de escrita criativa para
perceber o que a sua afirmação esconde: "<em>O Estado diz-nos que os pobres, que
têm apenas direitos, são especialmente negros e africanos</em>." </div><blockquote><p align="justify"></p></blockquote><div align="justify">É claro que muito mais se podia dizer se a conversa
fosse mais séria. Como por exemplo os cinco licenciados que existem entre os cinquenta mil ciganos. Mas não é. O mais sensato é mesmo voltar a meter o jornal no
saco, entender este como uma espécie de preservativo e esperar que uma passagem
pelo próximo ecoponto resolva o problema. </div>JPNhttp://www.blogger.com/profile/05232859031389735841noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5525361.post-45591443186861086192008-07-26T21:20:00.005+01:002008-07-26T21:53:34.706+01:00As explicações da Quinta da Fonte<div align="justify">Escreve Fernando Madrinha no Expresso, o real, o do saco, sim, hoje passei-me, comprei-o: " <em>Na avalanche de notícias sobre a Quinta da Fonte houve uma que apareceu pequenina nos jornais e tem sido pouco valorizada, mas é muito reveladora e instrutiva</em>.../...a renda média das habitações do bairro é de 4,26 euros".</div><blockquote><p align="justify"> </p></blockquote><div align="justify">Eu não sei se Fernando Madrinha lê o Expresso em que escreve. Espero que sim porque o tenho como um bom jornalista de quem gosto de ler as entrevistas que promove. E espero que, nalgum momento da sua releitura, ele se releia como eu o li. Há mais, a história do plasma, do dvd, mas o dia é curto para tanto, fiquemos apenas com as (incongruências) gordas. </div><blockquote><p align="justify"> </p></blockquote><div align="justify">Em primeiro lugar a precisão: na avalanche de notícias sobre <strong>os incidentes ocorridos n</strong>a Quinta da Fonte. As notícias não foram sobre a Quinta da Fonte e esta só foi notícia quando houve incidentes. Não sendo as notícias sobre a Quinta da Fonte mas sobre os incidentes, talvez seja mais natural do que parece que os jornalistas não tivessem valorizado a informação. Embora a tivessem dado. Se calhar o jornalista que estabelecesse uma relação entre os incidentes e o valor da renda, valorizando-as, estaria a ser um pouco tendencioso. É que não se percebe muito bem qual a relação entre o valor do pagamento das rendas e as cenas de tiros. É claro, está tudo ligado e isso é o delírio para quem aposta na compreensão fácil. Como aquelas pessoas que como Madrinha e Mário Crespo - que também são jornalistas - podem ter espaço de opinião nos jornais e valorizar muito esse facto como chave explicativa daquilo que se passou lá. <blockquote></blockquote></div><div align="justify"> </div><div align="justify"> </div><div align="justify">Eu compreendo o efeito retórico do "ninguém deu muita importância a esse facto" para depois permitir a entrada em grande da minha ideia, validando-a. E todos nós temos direito à nossa retórica. E a defendermo-nos das alheias. Mas é importante que Fernando Madrinha - consultando os comentadores, as notícias, as correntes de correio electrónico com o texto de Mário Crespo - não se iluda: esse facto, o valor das rendas, e o seu não pagamento - que é grave, que merece ser analisado à luz da acção social do Estado - foi muito hipervalorizado, diria, foi excessivamente valorizado em relação ao contributo que parece poder dar para a explicação do que aconteceu. </div>
<blockquote></blockquote><blockquote></blockquote><blockquote></blockquote>JPNhttp://www.blogger.com/profile/05232859031389735841noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5525361.post-56623384843921468522008-07-26T13:05:00.003+01:002008-07-26T21:19:12.097+01:00Não comprender<div align="justify">Descia o Chiado. Eles, os três da ponte das três entradas, subiam.</div>
<div align="justify">Chamaram-me. Eu ía no meu mundo, ou no fora dele que tem sido o meu mundo ultimamente. Aceitei lentamente aquele chamamento da realidade do outro lado do passeio. Um prazer imenso por os encontrar fez-me desafiá-los para uma bebida no largo do carmo. Um delicioso pedaço de noite. No fim, creio que foi o Jota, que lançou a pergunta:
<blockquote></blockquote></div>
<div align="justify">- <em>Então e o Obama</em>?
<blockquote></blockquote></div>
<div align="justify">Dei por mim a responder de um modo tão estranho que andei ainda um pedaço da noite, já depois de nos termos separado, a pensar no assunto. Disse-lhe:
<blockquote></blockquote></div>
<div align="justify">- <em>Pode parecer absurdo mas eu agora dou-me a investir numa coisa muito esquisita: a não compreensão</em>. - Tanto eles como eu próprio ficámos sem saber o que eu queria dizer. Lá me socorri de uma metáfora teatral. - <em>No teatro o momento mais interessante é quando estamos a experimentar e de repente o actor não sabe como há-de fazer. Há ali uma descontinuidade, um vazio, que é necessário preencher. Tal como na vida real. Na vida real acontece-nos muito isso. Não somos muito mais do que portadores de discursos. Transportamos discursos de um lado para o outro, apagando a marca original. Às vezes parece que rompemos com isso, dizemos: como costuma dizer fulano, ou beltrano, ou sicrano. Mas é retórica doce. Nós sabemos que sicrano, beltrano ou fulano papagueiam, sem saber, o que o mundo lhes contou. E portanto transportamos discursos. Entre o encaixe dos discursos, por vezes há espaços em branco. As brancas dos pequenos mortais que somos são terríveis. Ficamos ali sem saber o que dizer, o que fazer, o que sentir. Na maior parte das vezes preenchemos esses pequenos espaços vazios com mais clichés, com mais coisas sem sentido, a que alguns, com traços de actor genial, emprestam uma grande emotividade, conseguindo dar-nos os maiores lugares comuns como se eles estivessem vindo das entranhas.</em> <blockquote></blockquote>No teatro também isso acontece. No teatro, no mau teatro, isso também acontece. O actor está num espaço negro, não sabe o que vai fazer e de repente solta as suas respostas pré-programadas. Só que o teatro, tal como a vida, e por isso a magia do teatro, tal como a da vida, pode ser outra coisa. No espaço laboratorial que o teatro consegue ser, o actor pode fincar os pés no chão e esperar antes de responder. Pode engolir o silêncio. <em>Ok, não sei o que dizer, o que fazer e por isso não vou dizer, nem fazer, nem nada</em>. E ficamos ali a enfrentar esse buraco negro que é não sabermos o que é que havemos de dizer, de pensar, de sentir. É claro que então milhares de acções, de palavras, irrompem, com força original, nos olhos, nas mãos, na presença do actor. Amo tanto esse teatro que comecei a ambicionar uma vida feita à sua semelhança.
<blockquote></blockquote>É um jogo arriscado. Numa altura onde o que se vende no grande mercado ideológico do mundo é a ideia de que necessitamos de ser mais rápidos a compreender para podermos mais rapidamente compreender o que é que vamos pensar sobre Obama, sobre a Maddie, sobre a crise do petróleo, sobre a Quinta da Fonte, e o tudo mais em que se constitui a agenda diária do cidadão português de hoje, é arriscado inverter o jogo e investir na não compreensão. Mas é a nossa única saída, parece-me. A compreensão da realidade está hoje não só subordinada a uma agenda comum como a uma retórica assente na dialéctica, quando não no antagonismo serôdio ou maniqueísta. Está velha, cansada e quase nada tem para nos dizer sobre o mundo onde vivemos. Precisamos de descompreender. De aceitar o vazio. Da linguagem.
</div>JPNhttp://www.blogger.com/profile/05232859031389735841noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5525361.post-31352217580734863122008-07-24T23:26:00.010+01:002008-07-25T03:38:59.136+01:00A aventura da ma/paternidade<a href="http://bp0.blogger.com/_cseOaB8haL0/SIjTJgJgbQI/AAAAAAAABWI/ECA2TU6WZH8/s400/mi+papa+me+mima.jpg"><img style="WIDTH: 400px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_cseOaB8haL0/SIjTJgJgbQI/AAAAAAAABWI/ECA2TU6WZH8/s400/mi+papa+me+mima.jpg" border="0" /></a>
<blockquote></blockquote>
<div align="justify">
</div>
<div align="justify">O debate começou: a Sete e Picos levou a discussão para o Oito e Coisa, Clara do <a href="http://conto-de-fuga.blogspot.com/">Conto de Fuga</a> continuou. E Ana, do <a href="http://fiossoltos.blogspot.com/2008/07/de-mos-dadas.html">Fios Soltos </a>retomou. Volto ao tema. Começo por resistir a contar a minha história pessoal. Talvez vá ter de o fazer. Mas não já. Tento escapar a essa contingência, estamos sempre a discutir as nossas vidas e tão pouco o que se foge a elas, começando pelo post da Sete e Coisa (que tem uma foto incrível que roubei para aqui) que compreendo mas com cujo argumento central ("a ideia de que um fim de semana com o pai de 15 em 15 dias é maneira de criar pais, ou imagens de pais, demasiado idealizados") acho muito fechado.</div>
<blockquote></blockquote>
<div align="justify">Passa-se aqui a mesma coisa que se passa com o femininismo. Eu julgava, porque assim me ensinaram, que o femininismo era a defesa dos direitos das mulheres. Apercebi-me que não quando me separei da segunda vez e elegi como instrumentos base da minha navegação de homem só, não o cartão de cliente frequente do Bleza ou de outro dos bares da minha predilecção de noctívago de repente sem contas para prestar a ninguém, mas um fogão, com forno, um frigorífico e uma máquina de lavar roupa. Na altura aluguei casa com um amigo que acabara de se divorciar e que achou muita piada às minhas prioridades. No prédio defronte do meu, na Damasceno Monteiro, havia uma mulher que passava as tardes da eternidade a estender e recolher roupa. À noite o marido chegava, tirava uma cerveja do frigorifico, peidava-se e apalpava-lhe as mamas enquanto, se eu estava a estender a minha roupa, ela dava uns saltinhos de galinha envergonhada. No primeiro dia em que me viu a estender roupa foi chamar a mãe, ou a sogra, e puseram-se as duas a a tagarelar sobre este vizinho que se calhar até seria maricas tal o gosto que eu demonstrava a estender a roupa. Gostava de sentir a roupa molhada, fresca. O cheiro a lavanda. Passei a dar uma grande importância à escolha dos amaciadores, aos seus cheiros quando ía ao supermercado. Gostava de esticar a roupa, de <em>passar a roupa na corda</em> como eu dizia à minha mãe quando recusava a sua oferta de trazer a minha roupa para a Beatriz passar. Gostava de colocar as meias todas juntas para ser mais fácil recolhê-las, de ver como já era um gajo moderno e tinha boxers tão giros, ainda sou do tempo em que, por serem mais baratas, as crianças das familias remediadas usavam cuecas de gola alta. Ou de ficar simplesmente a apanhar a brisa na cara enquanto olhava para o rio, para o castelo e pensava quantos milhares de anos tinha tido de viver para saber o prazer que existe em um gajo estender a sua própria roupa. E eu sou daqueles que, em 1968, tiveram o privilégio de ter laivos de modernidade e emancipação: a minha mãe era professora e tinha quatro homens lá em casa, e deve ter pensado que não se safaria se não nos pusesse com dono logo à nascença, é à nascença que se faz um cabresto, um cabrão, um filho da puta que anda a lixar o mundo com os seus ares de malsonso. A minha mãe sabia, intuitivamente mas sabia, que o mundo era uma intensa fábrica de produção ideológica, trabalhando em laboração contínua, vinte e quatro sobre vinte e quatro horas, sem descanso, sem despedimentos, acordos sindicais, semanas disto ou daquilo, desde que o mundo é mundo para nós humanos, há milhares de anos, que o mundo é uma fábrica frenética, despejando cá para fora um caudal incessante de porras, de deveres ser, de regras, de comportamentos, de poder, de ideologia e poder, de submissão, de exploração do humano pelo humano. Vivíamos na terra de Baltazar e Blimunda, ouvia-se as vésperas pelos carrilhões, eu lembro-me ainda do cheiro a estrume no ar, do arrepio do vento sobre os campos de trigo, ela pegou na Teresa, foi a nossa última criada interna, e colocou-a a fazer um workshop de trabalhos domésticos, a mim, ao João e ao Pedro, o meu pai livrou-se destas modernices. Depois passou-a a mulher a dias, três tardes para semana, para supervisionar os cachopos, que passaram a ser dos únicos que, a par dos TPCs, tinham o rol dos trabalhos domésticos. Não sei o que aconteceu entretanto, mas vivi com mais duas mulheres, e só no fim da última relação é que aprendi a fazer uma máquina de lavar roupa ou a acender o fogão do forno. E descobri que gostava e descobri que estas tarefas me abriam a porta e a janela para um mundo que eu não sabia que existia. Agora é a minha mãe que me telefona a perguntar se eu quero que ela me traga comida e eu que lhe respondo, desarmando-a, <em>olha, queres que te leve um pedaço da sopa que fiz ontem</em>? Ela não sabe, mas eu sei, o femininismo é a luta por uma nova sociedade onde os homens e as mulheres se redefinem uns diante dos outros, nos seus clichés, nos seus estereótipos, nos seus arquétipos. <blockquote></blockquote></div>
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<div align="justify">É por isso que eu não concordo com a focalização que a Sete e Coisa faz do papel ídilico que os pais de quinze em quinze dias constroiem. Em primeiro lugar a família, é um intenso complexo ideológico onde tudo é idealização. O papel da mãe, o papel do pai, o papel dos avós, o papel dos irmãos. Dos tios, dos padrinhos, das amas. Tudo, mas tudo sofre esse profundo trabalho de centrifugação ideológica. É tão verdade que os pais tentam criar magia com os seus quatro dias como o de que as mães tentam criar uma imagem de força, de coragem, de hipervalentia que caracteriza uma certa posição sobre a relação entre masculinidade/feminialidade. São umas super-heroínas, e são-no de facto, mas é a inscrição nesse arquétipo de heroicidade que lhes dá força, tal como a mim o que me dá a inscrição num arquétipo de gajo sensível, de um dos pais mais queridos que a Sete e Coisa conhece . <blockquote></blockquote></div>
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<div align="justify">Os nossos avós homens também eram super-heróis à sua maneira. Levantavam-se com as galinhas e saiam para um mundo de dureza, selvático, para sustentar a família, os filhos que íam para a escola e as mulheres que trabalhavam na lida da casa. E que teríam assim, aparentemente, uma vida mais protegida das arbitrariedades da luta diária pela sobrevivência. Sabemos hoje, e sabêmo-lo porque o queremos saber assim, porque o fomos aprendendo em conjunto, homens e mulheres, arrancando e queimando soutiens aos pares, que essa imagem de resistência e heroicidade dos nossos avós era uma inscrição na arquitectura mítica da sociedade onde viveram e que a hipervalorização de um papel em relação ao outro é um discurso e uma tomada de posição ideológica e de poder. <blockquote></blockquote>Não há neutralidade a norte do equador. <blockquote></blockquote></div><div align="justify"></div><div align="justify"></div><div align="justify">E agora sim, já posso contar parte da minha história, da minha verdadeira história de pai de quinze em quinze dias. Não creio que isso tenha muita importância, só o terá para se compreender que não partilho de nenhuma visão radical sobre os malefícios ou benefícios de um regime ou outro. Depois de me separar, e tinhamos definido para ambos que adoptaríamos a guarda conjunta - em abono da verdade sem sabermos bem o que era - continuei a fazer exactamente as mesmas rotinas que fazia com ele. Ía buscá-lo à escola, tomava conta dele, dava-lhe banho, o jantar, a mãe chegava, eu ía. Durante seis meses, até à mudança de colégio, que aproveitámos para ser o momento da mudança, tivémos um sistema único independentemente daquilo que é a tipificação da regulação do poder paternal. E fizémo-lo ao abrigo do que hoje se costuma dizer, <em>os superiores interesses da criança</em>. Para nós era importante que ele se habituasse à ideia de que a separação dos pais, a saída do pai da casa familiar, não significava uma separação dele e fizémos coincidir a mudança com a entrada num novo colégio, mais longe, com novos horários, com novas rotinas. Ele aceitou tão naturalmente que o pai já não o iria buscar era uma nova condição que marcava a sua nova situação, como o ter de usar farda, o ter uma nova turma e novos amigos. Por razões que têm a ver com aquilo que a mãe pensava, e pensa, ser o melhor interesse do filho, e sobre a minha capacidade do garantir, quando esse período acabou e lhe disse que gostaria de ter o meu filho semana sim, semana não, ela disse-me que não, e que só mudaria de ideias em tribunal. Coisa que só faria se estivesse em causa de forma inequívoca o bem estar do meu filho. Ora por muito que alguns dos meus amigos - entre as quais a Sete e Coisa - pensem que a guarda conjunta é o mais importante, para mim o fundamental é o pai e a mãe manterem uma reserva de entendimento e de conciliação que lhe permita irem cuidando em comum da educação do seu filho. É claro que não desisti de poder ter o meu filho semana sim, semana não. E luto contra isso, de forma silenciosa. Quer percebendo que posso tentar aproveitar ao máximo as possibilidades que a mãe sempre me deu de ir ter com ele em qualquer altura. Aceito que tive um filho com uma mulher que ainda não acredita que eu serei capaz de garantir a felicidade quotidiana do meu filho com a mesma bonomia, e a mesma inevitabilidade, com que reconheço que o nariz, e o sorriso, que ele herdou dela é mil vezes mais bonito que o meu. E percebi que mais importante do que uma concepção de guarda conjunta que passasse pelo mesmo número de dias para mim e para ela, o mais importante era mantermos a possibilidade de continuarmos a discutir conjuntamente a educação dele, era o de tentar avançar pelos muitos espaços de convivência com ele que ela sempre me permitiu, rompendo com o meu próprio acomodamento. Aliás, ainda me lembro de que o argumento que utilizei para defender a ideia de ele devia ficar mais tempo comigo era de que para ele seria melhor que a mãe tivesse mais tempo para ser mulher, para viver a sua vida autonomamente, para poder namorar, passear, viver. É bom para a criança que os pais possam ter tempo para si mesmos para além do tempo que têm para serem educadores, reguladores e, tantas vezes, desatrados polícias em rápida crise de autoridade e tenho a certeza de que mais tarde ou mais cedo o meu filho irá passar mais tempo comigo. Sem necessidade de recurso a tribunais, a guerras psicológicas ou outros instrumentos de guerrilha que fazem muitas vezes parte do dia a dia da vida dos casais e dos quais temos grande dificuldade em fazer o desmame. Disse aliás no princípio desta pequena instrusão à minha estória de que só a contava para que se percebesse que não partilho de nenhuma visão radical sobre as vantagens ou desvantagens de um determinado sistema de regulação paternal. <blockquote></blockquote></div><div align="justify"></div><div align="justify">E se defendo a possibilidade da guarda e a partilha conjunta dos tempos de convívio com os filhos ser uma primeira opção, é porque penso que é um claro sinal de natureza ideológica sobre a sociedade onde queremos viver: uma sociedade onde as mães possam ser mulheres, possam viver a sua vida enquanto mulheres, onde os homens possam ter como parte fundamental da sua construção identitária o cuidar e o crescer com os filhos. Quando falamos que os pais de quinze em quinze dias tem a cereja e nunca ficam com o caroço, estamos a partilhar uma determinada ideologia sobre o que é crescer com os nossos filhos em que a cereja é a brincadeira, a irresponsabilidade, o desregramento, e o caroço são os deveres diários, os encargos e as responsabilidades quotidianas e muitas vezes não nos apercebemos de quanto essa visão está carregada de ideologia negativa sobre a vida de todos os dias. E que estamos apenas a promover a continuação ideológica desse discurso negativista e das consequências que ele tem sobre a vida dos pais e dos filhos do cada vez maior número de famílias desagregadas. Porque nunca deixamos de ser uma família. <blockquote></blockquote>Não aceito que possa ter mais tempo para viver a minha vida para ter o meu filho quando é exactamente o contrário que se passa: tenho menos tempo para viver a minha vida de pai que é uma parte fundamental da minha identidade. Tenho menos tempo para ser eu, portanto. Tenho mais tempo para ser um outro que não quero ser. Sim, posso ir mais ao cinema. Ou ao teatro. Ou sair. É verdade. Mas não posso deitar-me todos os dias na cama do meu filho enquanto ele adormece. Ou ler-lhe uma história. Ou não me sentir tenso porque tenho amanhã, e amanhã, e amanhã, para travar com ele aquela guerra de personalidade sobre o facto de ele não comer a sopa ou não querer experimentar vegetais ou pensar que o pai é uma máquina de comprar coisas, um saco do lixo para guardar as coisas que ele já não quer. <blockquote></blockquote></div><div align="justify"></div><div align="justify"></div><div align="justify">Ora um discurso negativo sobre os pais de quinze em quinze dias, tem também de ser um discurso negativo sobre estas super-mulheres que tudo podem, e que sobrecarregam os dias de todos com o peso da sua responsabilidade, da sua severidade, da dureza dos seus dias. <blockquote></blockquote>E tem, mais do que isso, de ser um integrar desses dois discursos numa discursividade carregada de uma ideologia que não consegue fazer da paternidade e da maternidade uma aventura em comum entre dois seres, independentemente dos vinculos afectivos que (ainda) os unem. </div><div align="justify"></div><div align="justify"></div><div align="justify"></div><div align="justify"></div><div align="justify"></div><div align="justify"></div><blockquote><p></p><p></p><p></p></blockquote><div align="justify"></div><div align="justify"></div>JPNhttp://www.blogger.com/profile/05232859031389735841noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5525361.post-88899876793792409832008-07-24T13:32:00.003+01:002008-07-24T13:56:02.060+01:00O direito da Esmeralda ser Ana Filipa<div align="justify">O que eu penso sobre o caso da Esmeralda já o escrevi aqui muitas vezes e não vale a pena repeti-lo senão na sua sintese: compreendo o pai biológico de Esmeralda na sua demanda da filha (e espero que no futuro, esta sua teimosia seja fundamental para influenciar positivamente o modo como a filha o irá ver), tenho uma dificuldade de empatizar com os pais afectivos (a que não será alheio o meu preconceito castrense), parece-me que a pequena Esmeralda/Ana Filipa poderá ganhar se souber que é amada e querida pelos pais, sejam afectivos ou biológicos e distancio-me de toda essa tralha moralista com que julgamos o que é que cada um dos protagonistas deveria/poderia ter feito se. <blockquote></blockquote><blockquote></blockquote>Não voltaria ao tema se não houvesse um dado novo: o último despacho da juíza foi directamente influenciado pela sua ida directa ao terreno, para falar com a pequena Esmeralda, ouvindo-a no seu desejo de ser Ana Filipa. Assim dito parece coisa tão pueril, medida do mais elementar bom senso, mas depois de se lerem centenas de páginas processuais percebe-se que é um sinal de um simbolismo terrível - na sua ambiguidade, o tempo que se perdeu, o tempo que acaba de se ganhar - para todos os pequenos mortais que dependem, socialmente, de duas coisas básicas: o acesso à justiça e à saúde. </div>JPNhttp://www.blogger.com/profile/05232859031389735841noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5525361.post-86429568406995726362008-07-24T13:12:00.002+01:002008-07-24T13:30:31.495+01:00Conversa (ainda) de olhos fechados<div align="justify">Ainda não é dia. Já não é noite. Sabemos que vem aí um novo levantar. Um novo fincar os pés no chão. Um novo não perceber, ir percebendo, até que, exaustos, ao cair da noite, os corpos rebentam do excesso de compreensão, de amor, de sexo. Serão sempre assim as nossas vidas. Por isso aquela ronha matinal. O falar dos sonhos. <blockquote></blockquote></div><div align="justify">- <em>Tive dois sonhos estranhíssimos</em>. <blockquote></blockquote></div><div align="justify">É sempre assim. Para uma coisa a sério, uma brincadeira. Não consigo evitar. <blockquote></blockquote></div><div align="justify">- <em>Estranhíssimos</em>. <blockquote></blockquote></div><div align="justify">Ela levanta a protecção dos olhos. Sinto-o. Olha para mim e vê que estou de olhos fechados. Fecha também os dela. Sinto-o. Conto-lhe o primeiro sonho. Adiante. É uma intimidade de casal. É uma peta para que o dia acorde a sorrir. <blockquote></blockquote></div><div align="justify"><em>- E o outro sonho? <blockquote></blockquote></em></div><div align="justify"><em>- Sonhei que ía num carro com o Luís a conduzir, eu ía ao lado, atrás ía a Cláudia, a Anabela e o Telmo. A certa altura a Cláudia, que estava no banco atrás de mim, dá-me a mão, faz-me uma festa na cabeça, eu agarro a mão dela, começo a chorar, depois o Luís desata a chorar também, um choro forte, nunca tinha visto um homem a chorar assim, a Anabela também, a certa altura a Elena passa num carocha ao nosso lado, está com um penteado parisiense, meio basco mas enfim, parisiense, olha-nos, percebe porque é que estamos a chorar, sorri, acelera, e de repente o nosso choro transforma-se em riso, um riso franco, o riso do Luís continua a ser o mais forte, o mais bonito, e depois olho para ele, olho para trás, e já só estava o Telmo e a Anabela, a Cláudia tinha desaparecido. <blockquote></blockquote></em></div><div align="justify"><em>- É curioso.... <blockquote></blockquote></em></div><div align="justify"><em>- O quê? <blockquote></blockquote></em></div><div align="justify"><em>- Eu também sonhei contigo e que a certa altura tu estavas a chorar abraçado a uma pessoa. E que depois saía de ti uma grande calma, uma espécie de luz. <blockquote></blockquote></em></div><div align="justify">Abro os olhos. A luz que entra no quarto dá-lhe uma paz imensa. Não sei que horas são, estou-me ralando. <blockquote></blockquote></div><div align="justify">-<em> Quando dormimos com uma pessoa às vezes entramos dentro dos seus sonhos</em>.- disse-me.</div><div align="justify"> </div>JPNhttp://www.blogger.com/profile/05232859031389735841noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5525361.post-86234740741036344272008-07-24T02:32:00.007+01:002008-07-24T13:11:06.555+01:00Tenho saudades de lhe chamar o meu menino<a href="http://bp3.blogger.com/_cYZCuQYVdmo/SIfd3aWJLYI/AAAAAAAAAtE/yZWqOpIQdVY/s1600-h/DSC02775.JPG"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5226389836621491586" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_cYZCuQYVdmo/SIfd3aWJLYI/AAAAAAAAAtE/yZWqOpIQdVY/s400/DSC02775.JPG" border="0" /></a> <blockquote></blockquote>Ninguém me manda a mim ser um sentimental. No outro dia ao passar por este <a href="http://agatachristie.blogspot.com/2008/07/mae-da-sonia.html">post </a>contive com dificuldade uma tristeza líquida. Não deixei de me projectar no sofrimento de outros pais como eu. Eu sou um pai de quinze em quinze dias. Sei o que significa ser um pai todos os dias e sei também o que é que significa ser um pai de quinze em quinze dias. Quando fui pai todos os dias mandei à fava o mestrado em comunicação e tirei o doutoramento em queques na Biarritz, <em>em vamos ó parque, pai</em>? aproveitei as jornadas contínuas para chegar uma hora mais cedo ao colégio, e mandei parar o mundo da ambição, dos trabalhos muito giros, das aulas disto e daquilo, dos projectos muito interessantes. Fui do meu menino todos os dias. Era eu que o ía buscar à creche, que lhe dava banho, que lhe fazia o jantar, que o deixava em estado de prontidão para o beijo da mãe que chegava muitas vezes quando ele se ia deitar. Um dia tudo isso acabou para mim. Começou, a medo, uma outra vida, uma nova vida. Tive de me contentar com um tempo mitigado, ajustado a tê-lo de quinze em quinze dias. Passamos de um tempo em que estamos sozinhos para uma altura em que tudo se passa num tempo muito concentrado. Quem nunca passou por isso não sabe a angústia que é ter uma criança vinte e quatro horas sobre vinte e quatro horas. Na altura da entrega ficava sempre vazio, com jetlag afectivo e precisava de andar umas horas a pé, pela cidade, a serenar, a encher-me de mim, daquilo que seria a minha vida dos próximos quinze dias. Tive ao longo destes quatro anos de pai quinzenal algumas relações afectivas. E ele conheceu-as quase todas. Mas o tempo de ser pai foi, até há pouco tempo, só meu. Fora a avó ou a tia, e as festas de aniversário, foi há poucos meses que deixei pela primeira vez que ele ficasse com uma pessoa enquanto eu fui a uma reunião. Todas as tarefas domésticas e ainda por cima sorrir sempre, ser amável, porque só temos dois dias para mostrar o que valemos. Ou a angústia de não lhe podermos incutir algo porque na segunda-feira ele, que já é sábio a tentar brincar ao gato e ao rato com o pai e a mãe, já está noutro reino. E eu sou daqueles sortudos que tem a colaboração e a amizade da mãe. Às vezes ía para a cama com medo de não acordar se o meu menino precisasse de mim. Depois percebi que não, que eu, que tinha um sono de pedra, tinha desenvolvido um sexto sentido e sempre que ele subia a escada da mezzanine eu abria docemente os olhos. Ás vezes esqueço-me que tenho um filho porque dói demais não o ter nos meus braços. Já disse que sou um sentimental mas de facto estou a chorar. Escrevo isto porque quero que ele um dia passe por aqui e perceba que a divisão daquela máquina de nos enternecer e suspender no sonho e na magia em que ele se constituiu não foi fácil para ninguém. Nem para mim, nem para ele, nem para a mãe. Para que ele saiba, mesmo nos momentos de dúvida em que olhe para as outras crianças, que cá dentro não existem pais de quinze em quinze dias, que a paternidade é uma aventura sempre, para sempre.
<div><a href="http://jpn.no.sapo.pt/fotos/Talbot2.jpeg"></a></div>JPNhttp://www.blogger.com/profile/05232859031389735841noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5525361.post-34314582832573567902008-07-23T02:54:00.005+01:002008-07-23T03:15:24.732+01:00O Atlântico de dez em dez anos<a href="http://bp1.blogger.com/_gFmTdAKhbts/SHdzS615U9I/AAAAAAAAABw/H3LTLwCdaa0/S1600-R/kb%C3%A7a+luso.gif"><img style="WIDTH: 400px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_gFmTdAKhbts/SHdzS615U9I/AAAAAAAAABw/H3LTLwCdaa0/S1600-R/kb%C3%A7a+luso.gif" border="0" /></a> <blockquote></blockquote>
<div align="justify">Há dez anos um convite inusitado fez-me atravessar o Atlântico em direcção à cidade da grande maçã para dizer poesia num encontro dedicado a Jorge de Sena. Ainda estavam de pé as torres gémeas. Eu estava para me casar na altura. Dois irmãos meus, um na poesia e a outra, irmã dele, portanto, irmã minha, fizeram tudo para que eu provasse a maldição da grande cidade: <em>mais vinte e quatro horas e nunca mais sais daqui,</em> disseram-me. Atrasaram-me o relógio, telefonaram para a TWA para trocarem o voo mas à última da hora ouvi o chamamento do Gepeto. Nem cheguei a trincar a maçã, era um adão assustado, acossado. Dez anos depois um <a href="http://festivaldeteatrolusofono.blogspot.com/2008/07/teatro-distncia.html">novo convite</a>, não menos inusitado e nada esperado leva-me a atravessar outra vez o Atlântico. A vida tem de mudar para melhor: desta vez a noiva vai comigo.</div>JPNhttp://www.blogger.com/profile/05232859031389735841noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5525361.post-55900107632350576992008-07-22T23:50:00.002+01:002008-07-22T23:56:31.082+01:00El otro ladoNum repente fui <a href="http://enningunaparte.blogspot.com/2008/07/el-otro-lado.html">lá</a>, ao lugar onde. Saudades de Madrid, do teu olhar atónito, <em>ou seria o meu</em>?, daquela exposição temporária no Museu Rainha Sofia.JPNhttp://www.blogger.com/profile/05232859031389735841noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5525361.post-27349157222929048472008-07-22T02:27:00.003+01:002008-07-22T02:35:19.235+01:00O amor ditoDou-me conta que é tão fácil dizer a alguém que a amamos. Não me censuro nesse estapafúrdio. O amor dito é uma contingência dos seres que somos na linguagem. Gostaria de ter podido dizer ainda mais vezes a uma mulher que a amei. Não sei explicar isto de outra forma. O amor dito não me incomoda. Estou cansado da linguagem, não confio nela nem a ela nada do que me é mais verdadeiro, o silêncio, se inventares o silêncio na linguagem falarei de novo e serei até louquaz, mas faço de toda esta miséria linguarejada uma excepção: as vezes em que sussurei o amor nos ouvidos de uma mulher.JPNhttp://www.blogger.com/profile/05232859031389735841noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5525361.post-73190197737129753002008-07-22T01:47:00.004+01:002008-07-22T02:26:16.101+01:00A lição de Ryngaert<div align="justify">Há dezoito anos, no Conservatório de Teatro de Lisboa, nuns encontros de expressão dramática organizados pelo Nóvoa e pelo Fragateiro, entrevistei Jean Pierre Ryngaert para o DN Jovem. Ryngaert, com Gisele Barret, Richard Monod, Pierre Voltz e Daniel Lemahieu era uma das figuras de referência do movimento de expressão dramática portuguesa e tinha alguns livros publicados entre nós. Conversámos sobre jogo dramático. Já contei isto aqui numa outra ocasião, sei lá a propósito de quê: a certa altura, estava a fechar a entrevista, falámos das bombas que rebentavam em Paris nessa altura, a conversa entrincou na vida, na vida verdadeira. <blockquote></blockquote></div><div align="justify">- <em>A verdade é que estou completamente desesperado</em>. <blockquote></blockquote></div><div align="justify">Eu tinha vinte e quatro anos. Pensei em tudo o que pensa um tipo com vinte e quatro anos, que aquilo era fabuloso, que a entrevista ía ficar fantástica. Perguntei-lhe a medo: <blockquote></blockquote></div><div align="justify">- <em>Desesperado, porquê? <blockquote></blockquote></em></div><div align="justify"><em>- Não sei. O meu problema é que devo encontrar um motivo para continuar a viver. <blockquote></blockquote></em></div><div align="justify">Disse-me isso com um ar descontraído. É claro que eu não comprendia nada de nada. Perguntei-lhe: <blockquote></blockquote></div><div align="justify">- <em>Mas estes ateliers? <blockquote></blockquote></em></div><div align="justify"><em>- São uma contradição. Ainda bem. O trabalhar com os outros</em>. <blockquote></blockquote>É claro que não lhe fiz mais nenhuma pergunta. Já estava tão emocionado que fui a correr para o Convento dos Cardais onde tinha ensaio das Marionetas de Lisboa e, tão tardalhoco que estava, desgravei esse exacto pedaço da entrevista ao tentar ouvi-la. Não se perdeu muito, ela estava impressa na minha memória. Lembrei-me disso agora porque dezoito anos depois eu tenho a mesma idade de Ryngaert e sei bem o que é esse desespero tranquilo. Perdi o gosto e o gozo de viver. Não sei o que é este mundo, o que faço nele, o que ainda podemos fazer por ele, se podemos fazê-lo, e ainda por cima tenho os meus vivos, aqueles que me trazem à vida (muitas vezes sem perceberem a minha angústia). Estou a preparar um atelier para o <a href="http://festivaldeteatrolusofono.blogspot.com/">Festival de Teatro Lusófono</a>, em Teresina, no Piáui. E sei que ele, como estas palavras, é uma espécie de pescadinha de rabo na boca. Começo a pensar em cruzar as minhas experiências de construção do personagem na Escola de Enfermagem com a criação dramatúrgica da personagem. E de repente fios que tenho dentro de mim vão, como pequenas trepadeiras, entretecerem-se de sentidos que desconhecia ter guardados dentro de mim. É para mim terrível dizer que perdi o gozo, o gosto de viver, é uma ruptura brutal com a minha história - o João Afonso da Outra Vida está ali às voltas no leitor de cds e começa também a contagiar-me - mas é a maneira que encontro da minha vida, da minha vida ser verdade outra vez. Nesta miséria que é a linguagem e do construirmo-nos e o destruirmo-nos - como dizia o José Caldas numa outra entrevista que lhe fiz (que saudades dele naqueles tempos em que o teatro fervia! ) nós estamos sempre neste vaivém, ora nos estruturamos ora nos desestruturamos - isso basta-me.</div>JPNhttp://www.blogger.com/profile/05232859031389735841noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5525361.post-89312423221784996682008-07-21T13:48:00.004+01:002008-07-21T14:11:29.923+01:00Uns e os outrosO meu desconforto perante a discussão sobre a Quinta da Ponte é grande. Ele alimenta o meu radicalismo e o meu radicalismo não tem linguagem que o expresse. Não vou passar a mandar toda a gente para o c. só porque não tenho com que falar daquilo que penso e sinto. Sou um tipo mais ou menos educado. Praguejo quando entalo o dedo numa porta, quando deixo cair alguma coisa ao chão ou quando eu próprio me sinto atirado ao tapete. Não é nenhum dos casos. Estou cada vez mais tranquilo. Vem aí Agosto. Vou correr, fazer partidas, beijar, abraçar e claro, tomar banho com o meu filho e ver se a pila dele já é de homem. Se ela já se enervar tenho até planeado um adicional da semanada, uma espécie de quinta semana. Estou-me ralando para os pretos, para os brancos, para os ciganos, para os hindús, para os chineses, para aqueles que vendem jornais, programas políticos, libretos ideológicos, armas, droga, casas, bairros sociais, por causa das manchetes sobre os ciganos, sobre os pretos, a senhora puta da realidade e a senhora puta da linguagem a atacarem na mesma casa de passe, uma na dobradinha da outra. Quer dizer, para ser verdadeiro, e um gajo que tem um blogue tem a obrigação de ser verdadeiro para o seu publicozinho, estou-me ralando coisa nenhuma. Só que como não quero participar nesta guerra ideológica com que hoje vamos mais uma vez f. os amanhãs e as <a href="http://barbearialnt.blogspot.com/2008/07/0_5254.html#links">utopias</a> nossas, e porque a alguns dias de férias não preciso de desatrelar o fígado com umas arrochoadas em dó maior, esta forma de me estar ralando é a melhor maneira que me encontrei para me manter comprometido com o problema.JPNhttp://www.blogger.com/profile/05232859031389735841noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5525361.post-20624569523379886632008-07-21T13:02:00.003+01:002008-07-21T13:30:26.037+01:00Lisboa outra vezNo final do post anterior tinha colocado um post scriptum a tentar satirizar uma a ideia de fazer bairros só para negros e bairros só para ciganos. Depois li o Rui Tavares no Público a falar sobre isso, mas de forma séria. Resolvo por isso tentar deixar de imitar o RAP e secundar o texto do Rui Tavares sobre a necessidade de construirmos ou reformularmos os bairros a partir de princípios da integração de diferentes classes (nomeadamente através de políticas activas das autarquias para que se consigam rendas de preços controlados). Quando vim para Lisboa no princípio dos anos setenta vim para um bairro assim, os <a href="http://olivamos.blogspot.com/">Olivais</a> e valorizo muito positivamente (e com alguma nostalgia, confesso!) este modelo de bairro.JPNhttp://www.blogger.com/profile/05232859031389735841noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5525361.post-69484554708576732502008-07-21T03:06:00.009+01:002008-07-21T13:02:39.955+01:00O espectador comprometido, Loures e a puta da linguagemÉ claro que como há negros e ciganos metidos no conflito que explodiu em Loures entre negros e ciganos os comentários vão dividir-se entre aqueles que acham que é um conflito étnico e aqueles que acham que é o resultado das más condições de vida em que se vive naquele bairro. E todos têm razão porque de facto o que se passou em Loures pode ser visto como um conflito étnico, estavam pessoas de duas comunidades de etnias diferentes envolvidas, e como o resultado da má integração que estas etnias têm no nosso país e das deficientes condições de vida em que vivem a grande maioria das comunidades africana e cigana no nosso país. Sem dúvida que há zonas onde as comunidades cigana e a africana se dão no melhor dos mundos e onde a pobreza não leva a esses desvairios mas é claro que o efeito multiplicador das razões se poderia dar: havendo bairros onde a comunidade africana coabita também com a comunidade cigana noutras zonas dos arredores de Lisboa, a sul e a norte do Tejo, poderá haver quem julgue que os conflitos eclodiram porque estas comunidades viviam na zona de Loures e não numa outra qualquer. Provavelmente as comunidades envolvidas têm visões diferentes do assunto. Ou seja, é bom que pensemos que por um lado a inevitabilidade de adoptarmos um determinado ponto de vista de análise não compromete a realidade, o que de facto aconteceu, mas sim, a nossa própria elaboração do que aconteceu. Na Quinta da Fonte andaram aos tiros, destruiram-se casas e quem fez isto agrupou-se em torno da ideia de uma determinada vivência em grupo, em comunidade. Não restam dúvidas de que os negros que invadiram as casas dos ciganos as invadiram porque eles eram ciganos e queriam assim intimidar, expulsar ou maltratar ciganos. É sensato também pensar que os negros que assim o fizeram, tomaram em si a histoiricidade dos conflitos entre a pessoas da comunidade africana e pessoas da comunidade cigana e esperavam que os seus actos fossem interpretados como actos de negros contra ciganos. Que fossem interpretados assim pela comunidade africana, pela cigana e por todas as outras. É por isso que a puta da linguagem que é no entanto senhora séria, não nos deixa margem para dúvidas: Loures, a Quinta da Fonte, um conflito entre pessoas é também tudo aquilo que nós quisermos que seja. É claro que quanto menos tivermos capacidade para o assumir, mais vamos ficar a pensar que a realidade é aquilo que nós pensamos que aconteceu. E vamos construir, sufragar discursos políticos que sejam intelígiveis a esta nossa maneira de ver. Ou por outras palavras, <em><strong>em Loures aconteceu mundo</strong></em>. <blockquote></blockquote>JPNhttp://www.blogger.com/profile/05232859031389735841noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5525361.post-50479922707393252002008-07-18T13:08:00.004+01:002008-07-18T15:49:00.732+01:00Carta Aberta a José Sócrates"<em>Quero que o Governo de Angola saiba que temos confiança no povo angolano, que temos confiança em Angola, temos confiança no Governo angolano e no trabalho que tem desenvolvido", que tem "permitido que Angola tenha hoje um prestígio internacional, que tenha subido na consciência internacional e que seja hoje um dos países mais falados e mais reputados</em>."
José Sócrates em Luanda <blockquote></blockquote>
<div align="justify">Senhor Primeiro Ministro: <blockquote></blockquote>tomei conhecimento do exercício de <em>real politik</em> que acaba de fazer em Angola. Entendi-o como um grande sacríficio feito para protejer os nossos melhores negócios. <blockquote></blockquote>Tenho de lhe pedir desculpas por isso. Sei que só o fez para que eu e os meus conterrâneos possamos, mesmo em cenário de crise, continuar a dormir em paz, no aconchego das nossas mais pequenas comodidades. <blockquote></blockquote>Quero-lhe dizer que o meu bem estar e conforto pessoais não merecem a vergonha a que o sujeitei. Para a próxima considere-se livre dessa responsabilidade e diga o que lhe vai na alma. </div><div align="justify"></div><div align="justify">seu</div><div align="justify"></div><div align="justify">JPN</div>JPNhttp://www.blogger.com/profile/05232859031389735841noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5525361.post-40733040575346275822008-07-18T12:51:00.002+01:002008-07-18T12:55:46.270+01:00Artistas Unidos: ponto final num boato"Não meus caros, não abrimos falência nem desaparecemos. Os tempos vão dificeis mas estamos apenas a refazer os nossos planos de programação para a temporada 2008/9, em que continuamos sem local de apresentação para os nossos trabalhos.até breve.Daremos notícias." <blockquote></blockquote>
<blockquote></blockquote>João Meireles
Artistas Unidos <blockquote></blockquote>[Retirado da caixa de comentários de um post anterior. Obrigado João por estares atento]JPNhttp://www.blogger.com/profile/05232859031389735841noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5525361.post-24602560934146217992008-07-17T22:35:00.001+01:002008-07-17T22:39:30.682+01:00Artistas Unidos: ObrigadoPor tudo o que fizeram ao teatro. Obrigado <a href="http://artistasunidos.pt/">Artistas Unidos</a>.JPNhttp://www.blogger.com/profile/05232859031389735841noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5525361.post-24154139198149557282008-07-17T19:50:00.009+01:002008-07-18T01:00:36.803+01:00Artistas Unidos: o que é que se passa Jorge?<a href="http://www.artistasunidos.pt/outros/jorge_silva_melo.jpg"><img style="WIDTH: 248px; CURSOR: hand; HEIGHT: 220px" height="342" alt="" src="http://www.artistasunidos.pt/outros/jorge_silva_melo.jpg" border="0" /></a> <blockquote></blockquote>
<div>Aqui há uns anos houve um sururu danado sobre os Artistas Unidos: o Espaço Capital ía para obras, estava impróprio para consumo e os Artistas Unidos ficavam na rua. Assinei, reassinei, escrevi posts, fiz o que qualquer pessoa minimamente interessada na actividade teatral devia ter feito, acompanhando o movimento de solidariedade em torno dos Artistas Unidos. Anteontem estava na esplanada e em jeito de conversa dizem-me - nem vos conto a novela em que esta conversa veio alapada - que os Artistas Unidos tinham sido extintos, acabado. Não quis acreditar. No dia seguinte voltam-me a confirmar isso, através de uma pessoa que costuma colaborar com os Artistas Unidos. E à noite a confirmação de que um responsável dos Artistas Unidos teria telefonado para um espaço que os iria acolher a cancelar a projectada apresentação de um determinado espectáculo porque os Artistas Unidos íam encerrar a sua actividade. Segundo o que me contaram isto já se teria passado há cerca de uma semana e pouco. Estou perfeitamente chocado. Não sei se aquele chá de hortelã que tomei há dias tem qualidades alucinogénicas, mas há aqui qualquer coisa que me soa muito, muito mal: como é que é possível um grupo como os Artistas Unidos acabarem e não haver uma ressonância pública? Uma notícía no Público? Ou no Expresso? Na Visão? No Diário de Notícias? Na televisão? Na rádio? Onde andam os jornalistas de cultura? Os Artistas Unidos desenvolvem uma missão de (elevado) interesse público e nessa missão absorveram milhares e milhares de contos, pelo que é do mais elementar interesse público saber o que se passa com um dos mais importantes projectos teatrais da nossa actualidade teatral. <blockquote></blockquote>Espero urgentemente que Jorge Silva Melo e os Artistas Unidos venham esclarecer que é apenas um boato. <blockquote></blockquote></div><div></div><div></div><div>---- <blockquote></blockquote>Deixei de esperar. É trágico para o teatro português de hoje mas infelizmente a notícia confirma-se: os Artistas Unidos abriram falência. Sinto uma raiva tão grande que é melhor calar-me. É preciso que muita gente que está em sítios chave falhe para que isto possa acontecer: falta proactividade à burocracia pública no campo das artes do espectáculo. As pessoas ganham com a idade um déficit de pachorra e isso deve ser respeitado. Não são os coitados dos Jorges que substituem o Estado onde ele não está que têm de andar a fazer choradinhos para poderem ir para a frente com os seus projectos. Enquanto o rei da Noruega lhe dá uma medalha de mérito cultural nós damos-lhe um projecto teatral no prego. Os Artistas Unidos deram mostras ao longo destes anos de um dos mais brilhantes inconformismos. Dos novos grupos nascidos na década de 90 são o nosso património mais significativo no campo do trabalho sobre a dramaturgia contemporânea, portuguesa e europeia. Trouxeram-nos autores, editaram-nos, fizeram publicações, desfizeram-se em iniciativas paralelas e de animação cultural e, essencialmente, fizeram teatro, excelente teatro, uma das mais importantes produções teatrais do nosso país. Há pessoas que neste momento deviam pôr os seus lugares à disposição por esta incapacidade de resolverem este problema. José António Pinto Ribeiro se fosse consequente com o que disse na entrevista a Ana Lourenço na SIC Notícias da contratualização de missões de interesse público devia vir pedir desculpas públicas. Sou emotivo, estou triste, apetece-me chorar, talvez não esteja a ser justo, estas coisas têm meandros que por vezes desconhecemos, mas hoje vou para a cama mais pobre, mais entregue aos negócios e com menos espaço para antever na vida que vivo uma outra vida. </div><div></div><div></div>JPNhttp://www.blogger.com/profile/05232859031389735841noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5525361.post-15255922312111173662008-07-17T19:23:00.003+01:002008-07-17T19:26:22.577+01:00Lugares do euA minha vida todos os dias se queixa do meu blogue. O meu blogue, por interpostas pessoas, queixa-se da minha vida. Ela, que também é a minha vida e o meu melhor blogue, queixa-se também ora da minha vida, ora do meu blogue.JPNhttp://www.blogger.com/profile/05232859031389735841noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5525361.post-5658669946061546352008-07-16T17:58:00.006+01:002008-07-16T18:06:11.503+01:00- 1%não falem de cultura, de arte, <blockquote></blockquote>
e não se refugiem atrás do menos um por cento <blockquote></blockquote>
à mesa do orçamento régio,
<blockquote></blockquote>
por favor,
<blockquote></blockquote>
falem de negócios,
<blockquote></blockquote>
no pouco respeito pela república,
<blockquote></blockquote><blockquote></blockquote>
falem de política dos negócios.
<blockquote></blockquote>
Assim entenderemo-nos melhor.
<a href="http://jpn.no.sapo.pt/fotos/Talbot2.jpeg"></a>JPNhttp://www.blogger.com/profile/05232859031389735841noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5525361.post-12608110172674675502008-07-15T18:42:00.006+01:002008-07-15T22:25:32.802+01:00Aos vindouros<blockquote></blockquote><blockquote></blockquote><p></p><p></p><p>Não digas que és livre. </p><blockquote></blockquote>
Passeia livremente pela avenida, <blockquote></blockquote>
cumprimenta livremente os teus amigos, <blockquote></blockquote>
saboreia até a liberdade de um encontro, de um cruzar de olhos, de uma palavra mais meiga no <blockquote></blockquote>fim da tarde. <blockquote></blockquote>
Ou anda pela rua como se fosses um <span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0">príncipe</span>. <blockquote></blockquote>
E entra no hipermercado e compra um <span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1">frasquinho</span> de liberdade em ampolas dietéticas. Em <blockquote></blockquote>granulado integral, daqueles que vêem em pacotes de plástico. Ou em peças separadas para <blockquote></blockquote>montar. <blockquote></blockquote>
<span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2">Faz</span>, com a liberdade, tudo o que quiseres. <blockquote></blockquote>
Só, na altura de dizeres, sou livre, olha o recibo de ordenado, o contrato da tua escravidão-promissoriada, atenta nas letras pequeninas com que te enfiam a república pelo <em>cu acima</em> e <blockquote></blockquote>recolhe-te num silêncio inexpressivo. <blockquote></blockquote>
Se todos os dias assim fizeres, <blockquote></blockquote>pelo menos,
não comprometerás, mais uma vez, as gerações vindouras.JPNhttp://www.blogger.com/profile/05232859031389735841noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5525361.post-14953386307785847622008-07-14T17:28:00.003+01:002008-07-14T17:32:01.589+01:00Ops!<a href="http://www.opiniaosocialista.org/images/01index.jpg"><img style="WIDTH: 400px; CURSOR: hand" alt="" src="http://www.opiniaosocialista.org/images/01index.jpg" border="0" /></a>
<div>A maior atenção para este novo projecto online, <a href="http://www.opiniaosocialista.org/">a revista de opinião socialista</a>. O número inaugural dedicado ao trabalho e ao sindicalismo.</div>JPNhttp://www.blogger.com/profile/05232859031389735841noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5525361.post-38957008927735609702008-07-12T16:33:00.005+01:002008-07-12T16:41:46.875+01:00Sim, Srº Ministro!<a href="http://aeiou.expresso.pt/users/0/14/380da50d.jpg"><img style="WIDTH: 318px; CURSOR: hand; HEIGHT: 479px" height="535" alt="" src="http://aeiou.expresso.pt/users/0/14/380da50d.jpg" border="0" /></a> <blockquote></blockquote>
<span style="font-family:trebuchet ms;">"<span style="font-size:85%;">Um ministro da Cultura hoje deve ser alguém que pensa estrategicamente como é que pode fomentar e facilitar a criação cultural por parte dos criadores, o acesso aos produtos culturais e a tudo o que é instrumental à formação cultural de uma população</span></span>" <blockquote></blockquote>
Um pequeno excerto de uma excelente entrevista. Ora há muito tempo que eu não ouvia <a href="http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/364619">um discurso </a>tão claro e tão interessante lá para o Palácio da Ajuda. E tão inovador.
<blockquote></blockquote>JPNhttp://www.blogger.com/profile/05232859031389735841noreply@blogger.com