tag:blogger.com,1999:blog-54231576899101231552008-07-16T18:31:34.945-07:00Radical Rebelde Revolucionário - Crônicas Cubanas - Cuba - HavanaAlex Castronoreply@blogger.comBlogger69125tag:blogger.com,1999:blog-5423157689910123155.post-73814336503829720302008-03-15T15:04:00.000-07:002008-03-15T15:05:30.709-07:00Cuba Libera a Venda de Computadores e EletrônicosAté semana passada, em Cuba, para se ter um computador era preciso ter uma permissão especial do governo para importá-lo - não havia computadores à venda na ilha - e, mesmo assim, você precisava dar o preço do computador em taxas pro governo. Dado que o salário médio de um médido é de vinte dólares por mês, só quem tem dinheiro pra comprar computador são as pessoas que ou trabalham com turistas ou têm parentes no exterior. Em casos especiais (professores, pesquisadores, autores consagrados, etc), o governo dá uma ajudinha.<br /><br />Pois bem, a partir desse semana, como parte do pacote liberal do Raul, <a href="http://br.reuters.com/article/topNews/idBRN1353322020080313?pageNumber=2&amp;virtualBrandChannel=0&amp;sp=true">está liberada a venda de computadores</a>. Vejamos o que mais liberam.<br /><br />Para saber mais sobre Cuba:<br /><br /><a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html" target="new"><img src="http://www.osviralata.com.br/01prosa/capa_rrr.jpg" alt="Radical Rebelde Revolucionário" border="0" /></a>Alex Castronoreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5423157689910123155.post-19636266848484523182008-01-25T18:29:00.000-08:002008-01-25T18:31:43.445-08:00Liberal Libertário LibertinoMeu outro blog está de casa nova, agora no Interney Blogs. Por favor, atualizem links, bookmarks e feeds RSS, e não esqueçam de ajudar a divulgar.<br /><br />Liberal Libertário Libertino - <a href="http://www.interney.net/blogs/lll">http://www.interney.net/blogs/lll</a><br /><br />Feed RSS - <a href="http://feeds.feedburner.com/LiberalLibertarioLibertino">http://feeds.feedburner.com/LiberalLibertarioLibertino<br /></a>Alex Castronoreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5423157689910123155.post-16167168186223509292008-01-12T03:51:00.000-08:002008-01-12T04:07:57.380-08:00O Problema da Moradia em Cuba<span style="font-size:85%;">Matéria de hoje no Granma admite o sério <a href="http://www.granma.cubaweb.cu/2008/01/12/nacional/artic06.html">problema da habitação</a> e promete 50 mil novas casas ainda esse ano. Um dos capítulos do meu livro sobre Cuba, <a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html">Radical Rebelde Revolucionário</a>, é justamente sobre isso: "Quem Casa Quer Casa". Abaixo, um trechinho:<br /><br />* * *<br /></span><br />Paseo Marti, área nobre de Havana Velha, dez da manhã de sábado. Há uma pequena multidão na rua, carregando cartazes, conversando. Dêem uma olhada nas fotos abaixo. Eu penso: ué, manifestações políticas públicas não são proibidas? Curioso que sou, puxei um cubano e perguntei o que estava acontecendo. Tratava-se de uma feira informal de permuta de imóveis. (...)<br /><br /><a href="http://www.flickr.com/photos/cruzalmeida/651845375/" title="Photo Sharing"><img src="http://farm2.static.flickr.com/1344/651845375_47df994413.jpg" alt="Real Estate Fair" height="204" width="500" /></a><span style="font-style: italic;"></span><br /><br />O governo costumava construir conjuntos habitacionais – pra lá de onde Trotsky perdeu as botas, horríveis, enormes, estéreis, parecendo ter sido projetados por um alemão oriental autista que estagiou com Oscar Niemeyer – mas agora, sem dinheiro dos russos, nem isso.<br /><br />Se você quer sair da casa dos seus pais e morar sozinho, desista. Se você se casou e quer ir morar no seu cantinho com seu esposo, esqueça. Em Cuba, a família é como a Máfia: ninguém sai. Só morto.<br /><br />De todos os problemas que o país enfrenta, talvez a falta de moradia seja o mais desesperador.<br /><br /><a href="http://www.flickr.com/photos/cruzalmeida/651845337/" title="Photo Sharing"><img src="http://farm2.static.flickr.com/1265/651845337_84c4209afd.jpg" alt="Real Estate Fair at the Paseo" height="500" width="397" /></a><br /><br />Ao contrário de Nemesia, que torce para a sogra escorregar no chuveiro, Francisco não parece ter pressa para a morte da mãe. Provavelmente por amor. Talvez por dignidade humana básica. Talvez porque tanto Francisco quanto Tobias têm seus próprios quartos em suas casas. Talvez porque, de qualquer modo, não seria politicamente prudente que morassem juntos. Francisco está preocupado com outra morte: a de Fidel e o caos generalizado que, segundo ele, se seguirá. (...)<br /><br />Chegamos num ponto da história em que mesmo os maiores inimigos de Fidel receiam sua morte: pelas esquinas de Havana, trocam-se cenários apocalípticos pós-Fidel como, em outros lugares, trocam-se fofocas sobre Angelina Jolie e Brad Pitt. Fica-se com a impressão de que a morte do Fidel trará nada mais nada menos que o fim da civilização. Dado o que aconteceu na Rússia, não é um temor infundado. (...)<br /><br />Na Roma Antiga, o poder dos patriarcas era absoluto e incontestável. Enquanto seu pai fosse vivo, mesmo que você tivesse cinqüenta anos e fosse senador, ele podia te matar – legalmente. Ninguém ficaria espantado de saber que, nessa sociedade, parricídio era mais comum que restaurante vegetariano na Califórnia. Para muitos homens ambiciosos, matar o pai era o primeiro e mais necessário passo da vida pública.<br /><br />E eu fico pensando cá com meus botões qual deve ser a taxa de familicídio na Cuba de hoje. Quantos jovens apaixonados não matariam sem hesitar uma avó gosmenta para viver juntos em seu ninho de amor? Chega a ser romântico, um ato extremo que selaria a união dos pombinhos: matamos primeiro minha mãe ou a sua, meu amor?<br /><br /><span style="font-size:78%;">* * *<br /><br /></span><a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html"><img src="http://farm2.static.flickr.com/1281/763829027_843330744e_m.jpg" alt="Radical Rebelde Revolucionário" /></a><br /><span style="font-size:78%;"><br />Para ler o texto completo, e outros mais, compre o ebook <a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html">Radical Rebelde Revolucionário - Crônicas Cubanas</a>, à venda pela internet por apenas R$20.</span>Alex Castronoreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5423157689910123155.post-75900294912630738752007-12-19T21:18:00.000-08:002007-12-17T21:20:47.881-08:00<a href="http://www.osviralata.com.br/" target="_blank"><img alt="Nesse natal, dê um vira-lata de presente" src="http://www.verbeat.org/blogs/biajoni/bannernatal.jpg" border="0" /></a>Alex Castronoreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5423157689910123155.post-24489381703155468042007-12-13T11:39:00.000-08:002007-12-13T11:42:49.312-08:00A Esquerda e a Direita Odeiam Meu Livro sobre Cuba<span><span style="color: rgb(102, 0, 0);font-size:85%;"><a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html"><img src="http://farm2.static.flickr.com/1281/763829027_843330744e_m.jpg" alt="Radical Rebelde Revolucionário" align="right" border="0" hspace="15" vspace="15" /></a></span></span>Na comunidade <a href="http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=753635&amp;tid=2571561913431602518&amp;start=1">Comunistas, Cuba os Espera</a>, o meu livro é visto como pura propaganda comunista, sou esquerdóide, sociopata, comunista de butique, odeio os americanos mas não sei viver sem eles:<br /><blockquote style="color: rgb(102, 0, 0);">Cara, eu não costumo xingar pessoas de uma forma geral, mas para você eu vou abrir uma exceção: <span style="font-weight: bold;">você é um idiota</span>. Mas o que esperar de um <span style="font-weight: bold;">esquerdóide</span>? Um <span style="font-weight: bold;">sociopata</span>? Nada além disso [...] Cuida da tua vida, cara. [...] Você <span style="font-weight: bold;">(como todo esquerdóide de bosta)</span> <span style="font-weight: bold;">apóia a violência</span> contra pessoas que tiveram mais capacidade de ascender na vida e por isso tem mais posses. E <span style="font-weight: bold;">como todo sociopata</span> que se preze, você não dá a mínima para a vida humana. <span style="font-weight: bold;">Cara, quer nos fazer um favor? Se mata!</span><br /><br />sua<span style="font-weight: bold;"> puta louca</span> , porra nao trabalhe ta , e nao guarde dinheiro , porque se algum camarada revolucionario ficar sabendo , ele vai te quebrar u peito de viado ese que vc tem com um facao pra dar de comer a seus filhos . quanta gordura(do macdonals capitalista ) poderiamos tirar <span style="font-weight: bold;">do teus peitos afeminados ou da tua barriga abalheinada</span> " porra daria pra freir muita carne e muitos ovos , suficentes pra alimentar tuda africa . puta louca vicha , vc entao so pega fusil pela libertade de exprecao , <span style="font-weight: bold;">porra vai pa cuba a lutar pela libertade de exprecao de um povo que a 50 anos sufre pelas loucuras de uma velha vicha louca que vc revolucionariamente aceitaria dar u cu</span>. vai lutar porra y nao fale merda . se nao luta pelos oprimidos , <span style="font-weight: bold;">pelo menos fas algo se bota uma bomba nu peito y mata muitos americanos imperialistas ( que vc tanto odeia) . sabe porque vc nao faz , pois porque vc e un covarde que so fala merda comunista de boutique </span>.escreve merda mas nao pode viver sem u capitalismo. vai se fuder sua puta louca nao fale tanta merda e fas algo (so pra que alguem te mate sua merda e o mundo se libere de uma barata como vc)</blockquote>Enquanto isso, na comunidade <a href="http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=94235&amp;tid=2571561419510363478&amp;start=1">Cuba</a>, eu sou anti-comunista, estou claramente promovendo uma campanha anti-Cuba, meus textos parecem que saíram do MidiaSemMáscara e devo estar querendo me promover pra alguma Olaveti:<blockquote style="color: rgb(102, 0, 0);">Aliás creio que nesta comunidade não é o lugar para um "jormalista" vir fazer <span style="font-weight: bold;">propaganda contra Cuba</span>!! [...] Nitidamente, ele [o meu livro] destina-se a divulgar<span style="font-weight: bold;"> informações que não são verdadeiras</span>, sob um v<span style="font-weight: bold;">iés extremamente mal intencionado</span> sobre Cuba e talvez bem intencionado para alguém que deseja lucrar $$$ com isso.<br /><br />Seu blog é interinamente parcial, <span style="font-weight: bold;">parecendo o "midiasemmascara"</span>, mas como já foi dito, mais engraçado. ... de baixa qualidade, tanto no conteúdo quanto na parte gráfica, provavelmente está <span style="font-weight: bold;">querendo promover seu livro recém lançado pra alguma Olaveti</span>.<span><span style="color: rgb(102, 0, 0);font-size:85%;"><a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html"><img src="http://farm2.static.flickr.com/1281/763829027_843330744e_m.jpg" alt="Radical Rebelde Revolucionário" align="right" border="0" hspace="15" vspace="15" /></a></span></span><br /><br />Já li coisas parecidas em sites como o <span style="font-weight: bold;">“Mídia sem Máscara”</span> e outras merdas que existem por aí. Como o Ricardo falou os seus textos estão parecendo obras de ficção, <span style="font-weight: bold;">não condizem com a realidade</span>. Infelizmente, você acabou caindo naquele tipo de <span style="font-weight: bold;">visão cara aos direitistas</span>, onde os <span style="font-weight: bold;">preconceitos ideológicos falam bem mais altos do que a verdade dos fatos</span>. [...] Alex, não sinta vergonha de expressar suas opiniões. É bem mais fácil você admitir que á <span style="font-weight: bold;">anti-comunista</span> do que ficar falando que o seu livro é apenas um "relato de experiências pessoais".<br /><br />Olha, a idéia do blog é propagar idéias através dos textos. Para mim, <span style="font-weight: bold;">é óbvio que o negócio é campanha contra Cuba</span>. Li vários dos textos e <span style="font-weight: bold;">não consigo ver uma visão positiva, é crítica em cima de crítica</span>. Usa-se um suposto exemplo para falar de uma "polícia repressora e racista". Um suposto apartheid que não existe. E por aí vai. Felizmente, para cada um que denigre Cuba, há mil que a defendem.</blockquote>Se quiserem, cliquem nos links e vão lá pra jogar lenha na fogueira.<br /><br />* * *<br /><br />Bem, amigo leitor, acho que está na hora de <a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html">comprar o livro</a> e decidir por si mesmo, não? Ou quer deixar esse povo discutindo sozinho?Alex Castronoreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5423157689910123155.post-55020247473745571152007-12-12T14:51:00.000-08:002007-12-12T15:07:08.173-08:00O Que a Imprensa Cubana Tem a Nos Ensinar<span><span style="color: rgb(102, 0, 0);font-size:85%;" ><a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html"><img src="http://farm2.static.flickr.com/1281/763829027_843330744e_m.jpg" alt="Radical Rebelde Revolucionário" align="right" border="0" hspace="15" vspace="15" /></a></span></span>Eu leio 5 jornais por dia: <a href="http://oglobo.globo.com/">O Globo</a>, pra saber o que está acontecendo no Rio, minha terra; o <a href="http://www.nola.com/">Times-Picayune</a>, pra saber o que está acontecendo em Nova Orleans, onde moro; a <a href="http://www.cnn.com/">CNN</a>, pra saber o que está acontecendo no mundo; o <a href="http://www.csmonitor.com/">Christian Science Monitor</a>, pra saber o que está acontecendo no mundo em mais detalhes, uma assinatura que foi presente de um amigo leitor; e, por fim, o <a href="http://www.granma.cubaweb.cu/">Granma</a>, pra saber o que o Fidel quer que os cubanos saibam.<br /><br />Sou libertário. Minha liberdade de expressão é das poucas coisas que eu pegaria num fuzil pra defender. O <a href="http://www.granma.cubaweb.cu/">Granma</a>, convenhamos, é patético enquanto jornal. Mas- Entretanto- Vou confessar- Hoje, depois de ler na <a href="http://www.cnn.com/">CNN</a> sobre o mais recente massacre diário nos Estados Unidos, eu me peguei pensando que a imprensa ocidental tem algumas coisas a aprender com o <a href="http://www.granma.cubaweb.cu/">Granma</a>.<br /><br />* * *<br /><br /><a href="http://www.flickr.com/photos/cruzalmeida/2106696612/" title="What the Western Press Has to Learn from Cuban Press by Alex Castro, on Flickr"><img src="http://farm3.static.flickr.com/2326/2106696612_2dee6aaebd.jpg" alt="What the Western Press Has to Learn from Cuban Press" height="500" width="391" /></a><br /><br />Todos os jornais cubanos são editados pelo governo: o maior, o <a href="http://www.granma.cubaweb.cu/">Granma</a>, é o informativo oficial do comitê central do Partido Comunista, oito pagininhas diárias em formato tablóide que todo mundo lê. A linha editorial do <a href="http://www.granma.cubaweb.cu/">Granma</a>, e da imprensa cubana de modo geral, está candidamente descrita neste trecho do verbete <span style="font-weight: bold;">“Periodismo” </span>do <span style="font-style: italic;">Dicionário de La Literatura Cubana</span>:<br /><blockquote style="color: rgb(102, 0, 0);">El triunfo de La Revolución no sólo determinó la desaparición paulatina de los órganos de expresión de la burguesía, sino significó la irrupción de nuevas formas de encarar las tareas periodísticas y, por ende, eliminó de la prensa revolucionaria – expresión de los intereses de la clase proletaria en el poder – los falsos, insidiosos y desinformadores comentarios de las agencias de prensa del mundo capitalista, así como las crónicas rojas y sociales, los artículos y comentarios insulsos, las abundantes páginas destinadas a anuncios clasificados y comerciales, típicos de la sociedad de consumo y, lo que es más importante, el anticomunismo y las falacias de la llamada “libertad de expresión”, proclamada como una de las bases de la democracia representativa. A la vez, la Revolución facilitó el surgimiento de una nueva tónica en la información, que ahora se basa en las cuestiones de más interés para nuestro pueblo, en las cuestiones que reflejen los avances y logros en los diversos campos del quehacer revolucionario: la defensa, la producción, la educación, los deportes, la cultura, las artes y todo tipo de nuevas tareas que la construcción del socialismo reclama de las masas trabajadoras. La difusión de las actividades del Partido – como guía del camino a seguir -, de la lucha ideológica, de las ideas marxistas-leninistas, así como la contribución al rescate de nuestros valores nacionales en las diversas esferas y la divulgación de los éxitos alcanzados por nuestra Revolución, tanto interna cuanto externamente, han sido también logros fundamentales de la prensa en el período revolucionario (II, 774)<br /></blockquote>Outro dia, no Brasil, ouvi alguém dizendo como seria bom se os jornais só dessem boas notícias. Bem, deveriam ler o <a href="http://www.granma.cubaweb.cu/">Granma</a>. Só tem boa notícia, os tais <span style="color: rgb(102, 0, 0);">“avances y logros en los diversos campos del quehacer revolucionario”</span>. Má notícia, só se for do inimigo. Quando houve o massacre da Virgínia, os jornalistas cubanos quase gozaram, escrevendo longos artigos sobre a violência descontrolada nos Estados Unidos e coisas assim, mas aí o objetivo é político, claro. Não é o crime pelo crime, pelo prazer sanguinolento da fofoca: é o crime pelo prazer sanguinolento de ver o estilo de vida do inimigo indo por água abaixo.<br /><br />O verbete citado descreve precisamente as linhas editorais do jornalismo cubano: noticiar crimes, por exemplo, não está entre as tarefas de uma imprensa revolucionária. Poderia haver um serial-killer solto em Havana, com havaneiros tropeçando em corpos para chegar à banca de jornais, e não haveria nem uma linha sobre isso no <a href="http://www.granma.cubaweb.cu/">Granma</a>.<br /><br />E, se alguém reclamasse, o editor provavelmente retrucaria, sem uma ponta de cinismo: e qual seria a função social disso? De que modo noticiar crimes ajudaria no triunfo da Revolução?<br /><br />* * *<br /><br />E pensem aqui junto comigo: afinal, sejamos sinceros, qual é mesmo a função social do noticiário policial? Ou qualquer função que seja? Quem lucra com a cobertura sanguinolenta de cada crime e cada massacre? Quem é que perde com a glamurização do <span style="font-style: italic;">loner with a gun</span>?<br /><br />Não, não estou defendendo uma solução cubana. Quero os nove dedos do governo longe da imprensa livre brasileira. Mas, se os veículos de mídia tem um pacto entre si de não noticiar suicídios, por que não estender o pacto para massacres de modo geral? Por que não noticiar esses crimes, quando muito, nos fundos do jornal? Por que não combinar uma anti-glorificação proposital dos criminosos?<br /><blockquote style="color: rgb(102, 0, 0);">"Zé das Couves, conhecido em sua vizinhança como "melecão", era um completo zero à esquerda. Seu vizinho, Fulano de Tal, confirma que ele era um desempregado que não comia ninguém: "Morou no meu lado seis anos e a única mulher que entrava aí era a mãe dele, e mesmo assim não visitava muito. Acho que até ela sabia que esse puto nunca daria em nada." Sua atuação no recente incidente [nada de termos pseudogloriosos como "massacre"] só comprova a previsão, etc"</blockquote>Naturalmente, em uma democracia, sempre haveria tablóides criminais pra se espremer e sair sangue, mas se somente a grande imprensa parasse de babar ovo de assassino já seria uma grande avanço.<br /><br />Que Ayn Rand me perdoe e que Tutatis não deixe o céu cair sobre minha cabeça, mas a imprensa ocidental bem que poderia aprender um pouco com as prioridades do <a href="http://www.granma.cubaweb.cu/">Granma</a>.<br /><br />* * *<br /><br />Se você se interessapelo assunto, tem um capítulo só sobre os meios de comunicação cubanos, e muito mais, no <a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html">meu livro</a> "Radical Rebelde Revolucionário - Crônicas Cubanas".<br /><br /><span><span style="color: rgb(102, 0, 0);font-size:85%;" ><a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html"><img src="http://farm2.static.flickr.com/1281/763829027_843330744e_m.jpg" alt="Radical Rebelde Revolucionário" border="0" hspace="15" vspace="15" /></a></span></span>Alex Castronoreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5423157689910123155.post-14550367635716788622007-12-04T18:48:00.000-08:002007-12-04T18:53:30.046-08:00Piadinha Cubana<a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html" title="photo sharing"><img src="http://farm2.static.flickr.com/1225/576238786_e3cad1a60a_m.jpg" alt="" style="border: solid 2px #000000;" /></a><br /><br />Cartaz visto em Havana: "Se ha perdido un loro. Se recompensará a quien lo devuelva. Su propietario aclara que no comparte, en absoluto, sus opiniones políticas".Alex Castronoreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5423157689910123155.post-41158803850906711352007-11-05T19:10:00.000-08:002007-11-05T19:12:13.551-08:00Decadente Democracia BurguesaEmbaixador cubano na ONU defende <a href="http://www.granma.cubaweb.cu/2007/11/05/cubamundo/artic12.html">as virtudes da democracia social cubana</a> contra o pensamento único da decadente democracia burguesa que o Ocidente quer impor ao mundo.<br /><br />Afinal, o que é democracia?<span style="font-size:78%;"><br /><br />* * *<br /><br />Se você se interessa por Cuba, <a href="http://radicalrebelderevolucionario.blogspot.com/">leia meu blog cubano</a> ou <a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html">compre meu livro</a> "Radical Rebelde Revolucionário - Crônicas Cubanas".<br /><br /><span><span style="color: rgb(102, 0, 0);font-size:85%;"><a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html"><img src="http://farm2.static.flickr.com/1281/763829027_843330744e_m.jpg" alt="Radical Rebelde Revolucionário" border="0" hspace="15" vspace="15" /></a></span></span></span>Alex Castronoreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5423157689910123155.post-58381005686352367842007-11-01T15:47:00.000-07:002007-11-05T19:10:27.513-08:00Ebook "Radical Rebelde Revolucionário - Crônicas Cubanas" à Venda<p><a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html"><img src="http://farm2.static.flickr.com/1281/763829027_843330744e_m.jpg" alt="Radical Rebelde Revolucionário" /></a><br /><br />Meu novo livro, "<a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html">Radical Rebelde Revolucionário - Crônicas Cubanas</a>" já está à venda, por R$20, através do site <a href="http://www.osviralata.com.br/">Os Vira-Lata</a>, com descontos progressivos se você comprar <a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_lll.html">outros</a> livros <a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_ondeperdemostudo.html">meus</a>.<br /><br />Tentei ver Cuba sob um novo ângulo, com um olhar ao mesmo tempo generoso e crítico. Em cada foto, há uma história. Em cada crônica, um pequeno drama, uma pequena alegria.<br /><br />A maior interatividade do formato ebook deu origem à uma experiência interessante: cada post deste blog corresponde à uma crônica do livro, permitindo aos leitores comentar seus textos favoritos, fazer perguntas e pedir maiores esclarecimentos. Naturalmente, quem ainda não comprou também pode acessar o blog, ler os trechos on-line e participar da conversa nos comentários.<br /><br />Para navegar pelas crônicas, basta clicar nos links da coluna da direita. Alguns textos estão disponíveis integralmente, a maioria não. Tomara que vocês gostem e queiram ler mais.</p>Agora, você pode ou <a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html">comprar o livro</a> ou ler o que outras pessoas já <a href="http://radicalrebelderevolucionario.blogspot.com/2007/07/veja-o-que-j-falaram-sobre-esse-livro.html">acharam dele</a>.Alex Castronoreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5423157689910123155.post-79127873680928249982007-10-29T07:13:00.000-07:002007-10-29T07:14:15.716-07:00Livros com Frete Grátis Só HojeSó hoje, Dia do Livro, o Submarino está dando frete grátis nas compras acima de R$49,90. Depois não digam que não dou dica boa.<br /><br /><script language="JavaScript1.1" src="http://afiliados.submarino.com.br/afiliados/get_banner.asp?tipo=full&amp;franq=136855"></script>Alex Castronoreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5423157689910123155.post-2154905243837351352007-10-26T12:57:00.000-07:002007-10-26T12:59:22.748-07:00Eleições em Cuba<a href="http://www.flickr.com/photos/cruzalmeida/1700506266/" title="Photo Sharing"><img src="http://farm3.static.flickr.com/2412/1700506266_921d4230b5.jpg" alt="Elections in Cuba" height="368" width="500" /></a><br /><br />Domingo agora foi dia de eleições gerais em Cuba. 8 milhões de eleitores elegeram cerca de 15 mil representantes municipais, dando início a um processo complicadíssimo que terminará determinando o futuro político do país: se o poder continuará nas mãos doentes de Fidel, se será transmitido permanentemente a Raul ou a algum terceiro.<br /><br /><a href="http://www.flickr.com/photos/cruzalmeida/1700506258/" title="Photo Sharing"><img src="http://farm3.static.flickr.com/2321/1700506258_57c0282a99.jpg" alt="Elections in Cuba" height="500" width="500" /></a><br /><span style="font-size:85%;"><span style="font-style: italic;">(as charges do Granma me lembram umas tiras das Cobras, no auge do sucesso do Plano Cruzado - isso foi em 1986, crianças, antes do celular e da água encanada - e que sempre terminavam com o mesmo bordão: "humor a favor é fogo!")</span></span><br /><br />Para quem quiser se divertir, a cobertura do <a href="http://www.granma.cubaweb.cu/">Granma</a> é sempre engraçada. Para os curiosos, vale a pena ler as três reportagens abaixo, do <a href="http://www.elpais.com/">El País</a>, jornal que tem a melhor seção internacional do mundo. O processo eleitoral cubano é completamente diferente dessas "falsas democracias burguesas" que existem por aí. Não deixem de ler a primeira:<br /><ul><li><a href="http://www.elpais.com/articulo/internacional/cubanos/echan/quiniela/elpepuint/20071022elpepuint_15/Tes">Los cubanos echan la quiniela</a> <span style="font-style: italic; font-weight: bold;font-size:78%;" >(comecem por essa)</span></li><li><a href="http://www.elpais.com/articulo/internacional/Cuba/inicia/proceso/reeleccion/sucesion/Castro/elpepuint/20071022elpepuint_10/Tes">Cuba inicia el proceso para la reelección o sucesión de Castro</a></li><li><a href="http://www.elpais.com/articulo/internacional/Castro/alaba/elecciones/Cuba/frente/EE/UU/elpepuint/20071021elpepuint_1/Tes">Castro alaba las elecciones en Cuba frente a las de EE UU</a></li></ul>* * *<br /><br />Se você se interessa por Cuba, <a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html">compre meu livro</a> "Radical Rebelde Revolucionário - Crônicas Cubanas".<br /><br /><span><span style="color: rgb(102, 0, 0);font-size:85%;" ><a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html"><img src="http://farm2.static.flickr.com/1281/763829027_843330744e_m.jpg" alt="Radical Rebelde Revolucionário" border="0" hspace="15" vspace="15" /></a></span></span>Alex Castronoreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5423157689910123155.post-81376617708439802152007-10-25T12:59:00.000-07:002007-10-26T13:00:08.756-07:00Cuba Nega Visto de Entrada a Deputados Brasileiros<span><span style="color: rgb(102, 0, 0);font-size:85%;" ><a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html"><img src="http://farm2.static.flickr.com/1281/763829027_843330744e_m.jpg" alt="Radical Rebelde Revolucionário" align="right" border="0" hspace="15" vspace="15" /></a></span></span>Nossos ilustres deputados, incluindo aí o gramático comunista Aldo Rebelo, iriam entrevistar os pugilistas cubanos deportados do Brasil em agosto, para averiguar exatamente <a href="http://liberallibertariolibertino.blogspot.com/2007/08/deportao-dos-atletas-cubanos.html">o que aconteceu</a>. Fidel, entretanto, aquele ilustre democrata, <a href="http://oglobo.globo.com/pais/mat/2007/10/20/303633314.asp">não deixou</a>. A história continua cada vez mais mal contada.<br /><br />Todo biscoito e frango que vi vendendo em Cuba era brasileiro. Será que devemos promover um embargo e deixar Cuba sem coxinhas Rica e biscoitos São Luiz? Ou quem sabe fazer uma diplomacia de canhoneiras e mandar o porta-aviões São Paulo pra visitar a Baía de Havana?<br /><br />Leia também <a href="http://liberallibertariolibertino.blogspot.com/2007/08/deportao-dos-atletas-cubanos.html">A Deportação dos Atletas Cubanos</a><br /><br />* * *<br /><br />Se você se interessa por Cuba, <a href="http://radicalrebelderevolucionario.blogspot.com/"></a><a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html">compre meu livro</a> "Radical Rebelde Revolucionário - Crônicas Cubanas"<span style="text-decoration: underline;">.</span>Alex Castronoreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5423157689910123155.post-84632024953116505652007-10-24T13:00:00.000-07:002007-10-26T13:02:03.145-07:00Levando o Cinema ao Povo<a href="http://www.submarino.com.br/dvds_productdetails.asp?Query=ProductPage&amp;ProdTypeId=6&amp;ProdId=1662015&amp;ST=SE&amp;franq=136855"><img alt=" Morango e Chocolate " src="http://i.s8.com.br/images/dvds/cover/img5/1662015.jpg" align="left" hspace="15" vspace="15" /></a>Não é nem que sou contra o governo dar dinheiro ao cinema. O que mata é o cidadão custear um filme e, depois, ainda ter que pagar R$18 pelo ingresso - e isso se viver nos grandes centros, claro. A população carente do interior, que não tem acesso ao cinema, continua sem ter - apesar de pagar por ele!<br /><br />Em Cuba, o ICAIC ( Instituto Cubano de las Artes y la Industria Cinematográfica) desenvolveu um projeto de Cine Móvil: um ônibus, dois funcionários. De manhã e de tarde, exibiam os filmes nas escolas. À noite, nas praças das cidades do interior. A história é contada no documentário curta-metragem <a href="http://www.cult.cu/global/loader.php?cat=actualidad&amp;cont=showitem.php&amp;id=41300&amp;tabla=articulo&amp;seccion=Otras%20noticias&amp;tipo=Noticia&amp;anno=2007">Por Primera Vez</a> (1967), de <a href="http://es.wikipedia.org/wiki/Octavio_Cort%C3%A1zar">Octavio Cortazar</a>, que mostra as reações dos camponeses ao assistir seu primeiro filme: <a href="http://www.submarino.com.br/dvds_productdetails.asp?Query=ProductPage&amp;ProdTypeId=6&amp;ProdId=258991&amp;ST=SE&amp;franq=136855">Tempos Modernos</a>, de Charles Chaplin. (Abaixo, o documentário completo.)<br /><br /><object height="350" width="425"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/KpuIu1x84e4"><param name="wmode" value="transparent"><embed src="http://www.youtube.com/v/KpuIu1x84e4" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" height="350" width="425"></embed></object><br /><br />Reparem só: eu não sei nada sobre esse projeto. Não pesquisei o assunto. O documentário foi pago pelo governo cubano pra glorificar um projeto do governo cubano, então já é suspeito por definição. Pouco importa.<a href="http://www.submarino.com.br/dvds_productdetails.asp?Query=ProductPage&amp;ProdTypeId=6&amp;ProdId=1791565&amp;ST=SE&amp;franq=136855"><img alt=" Guantanamera" src="http://i.s8.com.br/images/dvds/cover/img5/1791565.jpg" align="right" hspace="15" vspace="15" /></a><br /><br />O projeto é viável, não é necessário uma ditadura comunista para implementá-lo e o governo do Fidel teve o grande mérito de, no mínimo, pensar no assunto.<br /><br /><a href="http://www.submarino.com.br/dvds_productdetails.asp?Query=ProductPage&amp;ProdTypeId=6&amp;ProdId=1584246&amp;ST=SE&amp;franq=136855"><img alt=" Buena Vista Social Club " src="http://i.s8.com.br/images/dvds/cover/img6/1584246.jpg" align="left" hspace="15" vspace="15" /></a>Com o dinheiro que o governo enterra em UM ÚNICO filme de filhinho de banqueiro sobre o <a href="http://pphp.uol.com.br/tropico/html/textos/2907,1.shl">mordomo do papai</a>, quantos ônibus não poderíamos colocar levando cinema a quem nunca viu?<br /><br />* * *<br /><br />Moral da história resumida para os que lêem um texto e não entendem sua mensagem: se o governo vai usar o dinheiro do povo, tem que levar o produto ao povo. Se não, o financiamento estatal acaba servindo apenas para aumentar a margem de lucro dos produtores e fazer hedge contra possíveis fracassos de bilheteria.<br /><br />* * *<br /><br />E respondendo ao email que chegou hoje, não, eu não sou comunista.<br /><br />* * *<br /><br />Se você se interessa por Cuba, <a href="http://radicalrebelderevolucionario.blogspot.com/"></a><a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html">compre meu livro</a> "Radical Rebelde Revolucionário - Crônicas Cubanas".<br /><br /><span><span style="color: rgb(102, 0, 0);font-size:85%;" ><a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html"><img src="http://farm2.static.flickr.com/1281/763829027_843330744e_m.jpg" alt="Radical Rebelde Revolucionário" border="0" hspace="15" vspace="15" /></a></span></span>Alex Castronoreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5423157689910123155.post-91619566747697246262007-07-19T06:41:00.000-07:002007-09-03T20:44:12.701-07:00Veja o Que Já Falaram Sobre Esse Livro<a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html">Radical Rebelde Revolucionário - Crônicas Cubanas</a> tem sido entusiasticamente resenhado pela internet. Veja o que outras pessoas já escreveram sobre o livro:<br /><ul><li><a href="http://radicalrebelderevolucionario.blogspot.com/2007/05/por-um-pas-imperfeito.html">Por um País Imperfeito</a> - Luana Chnaiderman de Almeida<br /></li><li><a href="http://radicalrebelderevolucionario.blogspot.com/2007/05/havaneiro-honorrio.html">Havaneiro Honorário</a> - Ana Lúcia Araújo</li><li><a href="http://radicalrebelderevolucionario.blogspot.com/2007/05/e-o-alex-castro-gosta-de-picadura.html">E Alex Castro Gosta de Picadura</a> - Carlos Cardoso</li><li><a href="http://radicalrebelderevolucionario.blogspot.com/2007/05/falta-dos-violinos.html">A Falta dos Violinos</a> - Alessandra Souza Morandi</li><li><a href="http://radicalrebelderevolucionario.blogspot.com/2007/05/chato-crtico-e-cnico.html">Chato, Crítico e Cínico</a> - Marcos Donizetti de Almeida</li><li><a href="http://radicalrebelderevolucionario.blogspot.com/2007/05/por-que-che-no-escreveu-isso-antes.html">Por Que Che Não Escreveu Isso Antes?</a> - Adaílton Persegonha</li><li><a href="http://radicalrebelderevolucionario.blogspot.com/2007/07/lana-cuba-lana-quero-ver-cuba-lanar.html">Lança, Cuba, Lança! Quero ver Cuba lançar!</a> - André Rosa, o Marmota</li><li><a href="http://radicalrebelderevolucionario.blogspot.com/2007/05/observaes-de-acadmico-com-sacadas-de.html">Observações de Acadêmico com Sacadas de Adolescente Velho</a> - Sergio Leo</li><li><a href="http://radicalrebelderevolucionario.blogspot.com/2007/05/viajando-junto-com-o-alex.html">Viajando Junto com o Alex</a> - Paula Lee<br /></li></ul>Alex Castronoreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5423157689910123155.post-62404611793330372242007-06-28T11:53:00.000-07:002007-07-09T17:00:03.668-07:00Avisos, Agradecimentos & Afins<p><a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html"><img src="http://farm2.static.flickr.com/1281/763829027_843330744e_m.jpg" alt="Radical Rebelde Revolucionário" /></a><br /><br /><span style="font-size:78%;">Abaixo, alguns trechos. Para ler os outros textos desse livro, compre o ebook <a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html">Radical Rebelde Revolucionário - Crônicas Cubanas</a>, à venda pela internet por apenas R$20.<br /><br />* * *<br /></span><br />Esse não é um livro acadêmico sobre Cuba. (Vocês vão reparar a falta de notas de rodapé.)<br /><br />Esse não é um guia de turismo. (Vocês vão reparar a falta de endereços de atrações e restaurantes.)<br /><br />Esse é um livro de impressões de viagem, uma tradição que começa com a História, de Heródoto, passa pelo Livro das Maravilhas de Marco Polo e desemboca, tristemente, em mim. (...)<br /><br />Mais importante do que a verdade dessas informações é uma verdade ainda mais interessante: o fato de que, em algum momento, meus informantes cubanos ou acreditaram nessas informações ou queriam que eu acreditasse nelas. Seguindo ainda o exemplo do crédulo Herótodo, que foi muito melhor contador de histórias, folclorista e viajante do que propriamente historiador, eu acreditei em tudo o que me disseram e passei adiante.<br /><br />Os erros e enganos vocês que desenredem depois. ¿Não é pra isso que servem os leitores? (...)<br /><br />Na verdade, pensando bem, não confiem em nada, especialmente na minha narração em primeira pessoa. Esse é um livro de ficção. Nenhuma das pessoas citadas existe. Nem eu. Todos os nomes de cubanos foram tirados do romance "Cecília Valdés" (1882), de Cirilo Villaverde. Não existe nenhum país chamado Cuba, nenhum presidente chamado Fidel Castro. Sério, ¿vocês acreditaram mesmo que existia Cuba? Tolinhos.<br /><br />Se tivessem o mínimo de bom senso, saberiam que a história de Cuba é impossível demais para ser verdade. (...)<br /><br />Havana, junho de 2007<span style="font-size:78%;"><br /><br />* * *<br /><br />Para ler os outros textos desse livro, compre o ebook <a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html">Radical Rebelde Revolucionário - Crônicas Cubanas</a>, à venda pela internet por apenas R$20.</span></p>Alex Castronoreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5423157689910123155.post-49185601151273748792007-06-28T11:50:00.000-07:002007-07-09T17:44:18.471-07:00Introdução a Cuba: O Período Especial e seu Apartheid<p><a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html"><img src="http://farm2.static.flickr.com/1281/763829027_843330744e_m.jpg" alt="Radical Rebelde Revolucionário" /></a><br /><br /><span style="font-size:78%;">Abaixo, o texto completo. Para ler os outros textos desse livro, compre o ebook <a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html">Radical Rebelde Revolucionário - Crônicas Cubanas</a>, à venda pela internet por apenas R$20.<br /><br />* * *</span><br /><br />Eu queria partir direto pras crônicas, contar minhas aventuras e falar dos cubanos que conheci, mas, para que vocês possam entender as histórias, preciso antes explicar duas coisas que dominam o dia-a-dia na ilha: o Período Especial e a situação monetária. Talvez seja um pouco chato, e vai ter muito número, mas venham comigo que depois vai valer a pena.<br /><br /><span style="font-weight: bold;">O Período Especial e seu Apartheid</span><br /><br />A Revolução Cubana ia muito bem, obrigado, até a queda da União Soviética, em 1991. A bolha artificial de prosperidade subsidiada pelos russos, para manter um foco de comunismo nas barbas do Tio Sam, sumiu do dia pra noite e os cubanos tiveram que se tornar verdadeiramente auto-suficientes. Fidel colocou a economia em estado de guerra por tempo indeterminado, o Período Especial que se estende até hoje, e mandou o povo apertar o cinto. 1992 e 1993 são lembrados como os piores anos da história recente, mas agora as coisas vão melhorando. De qualquer modo, o Período Especial ainda não acabou. Tudo em Cuba se divide em antes e durante o Período Especial.<br /><br />Para sobreviver, a Revolução precisou se adaptar. Em primeiro lugar, o governo começou timidamente a promover o turismo como meio de trazer divisas, o que causou uma dolarização da economia. A propriedade privada de pequenos negócios, proibida desde 1968, foi timidamente re-autorizada, especialmente em áreas de apoio ao turista. Durante mais de vinte anos, os cubanos não podiam ser donos nem da barraquinha de cachorro-quente da esquina. Surgiram então os Paladares (cujo nome vem do restaurante da Raquel na novela "Vale Tudo", de 1988), pequenos restaurantes improvisados, funcionando na casa dos seus donos, geralmente em um quarto de frente pra rua ou na sala. Para servir à crescente demanda do turista, autorizaram-se também casas particulares a alugar quartos para estrangeiros. Estou hospedado em uma dessas. Ao mesmo tempo, o governo buscou restaurar edifícios e monumentos de interesse turístico. O centro histórico de Havana, então completamente abandonado e quase em ruínas (algo como o bairro da Saúde, no Rio), começou a ser recuperado. Heresia das heresias, permitiu-se até a existência de empresas mistas, de capital cubano e estrangeiro, para a construção, restauração e manutenção de hotéis.<br /><br />Mas como conciliar uma Revolução austera e estóica, baseada em auto-sacrifício em nome do bem comum, ¿com hordas de turistas brancos e gordos gastando dólares a torto e a direito? ¿Como conciliar a falta de liberdade de imprensa e restrições severas ao uso da internet e de antenas parabólicas com hordas de turistas brancos e gordos descrevendo as delícias proibidas do capitalismo? Simples: limita-se ao máximo o contato dos cubanos com eles.<br /><br />("Mucho daño hizo a la conciencia social el acceso a las divisas convertibles, en mayor o menor volumen, por las desigualdades y debilidades ideológicas que creó." Fidel, em Editorial do "Granma", 18 de junho de 2007)<br /><br />Nem Atlanta em 1955 era tão segregada quanto Havana em 2007. Tudo é separado. Algumas lojas que aceitam moeda forte não podem vender para cubanos e outras das que aceitam peso nacional não podem vender pra turistas. Os táxis para cubanos não podem transportar estrangeiros, e a polícia os pára rotineiramente para pedir o carnê de identidade dos passageiros. A maioria dos novos hotéis são all-inclusive, tipo Club Med, para que os turistas não tenham que sair para nada e nem, Lenin me livre, interagir com os nativos. Há praias só para turistas (as melhores) e as só para cubanos (a xepa). Um povo que durante 30 anos andou de cabeça erguida, orgulhoso de sua Revolução, da sua baixa mortalidade infantil e da sua alta expectativa de vida, dos recordes olímpicos e dos médicos voluntários, da luta anti-colonialista na África e anti-imperialista na América Latina, esse mesmo povo, hoje, não pode freqüentar as melhores praias do seu próprio país.<br /><br />¿Não foi pra combater uma situação mais ou menos assim que um bando de barbudos se enfurnou na Sierra Maestra?<span style="font-size:78%;"><br /><br />* * *<br /><br />Para ler os outros textos desse livro, compre o ebook <a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html">Radical Rebelde Revolucionário - Crônicas Cubanas</a>, à venda pela internet por apenas R$20.</span></p>Alex Castronoreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5423157689910123155.post-5000733795113752612007-06-28T10:56:00.000-07:002007-07-09T17:44:30.231-07:00Introdução a Cuba: A Salada Monetária Cubana (Texto Completo)<p><a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html"><img src="http://farm2.static.flickr.com/1281/763829027_843330744e_m.jpg" alt="Radical Rebelde Revolucionário" /></a><br /><br /><span style="font-size:78%;">Abaixo, o texto completo. Para ler os outros textos desse livro, compre o ebook <a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html">Radical Rebelde Revolucionário - Crônicas Cubanas</a>, à venda pela internet por apenas R$20.<br /><br />* * *</span><br /><br /><span style="font-weight: bold;">A Salada Monetária Cubana</span><br /><br />Em mais um esforço para aumentar a entrada de divisas e diminuir o acesso dos cubanos a elas, o governo recentemente proibiu a circulação de dólares na ilha e criou uma nova moeda: o peso conversível, ou CUC, que hoje vale US$ 1,25 ou R$2,4. Moedas estrangeiras só podem ser trocadas por pesos conversíveis que, teoricamente, seriam utilizados por turistas em locais onde apenas turistas pudessem entrar.<br /><br />Enquanto isso, os cubanos, cuja larga maioria ainda trabalha para a gigantesca burocracia estatal, ganham salários mínimos pagos em pesos nacionais, ou MN (moneda nacional), que não valem quase nada. Um peso conversível vale 24 pesos nacionais; um real vale 10 pesos nacionais. O salário mínimo em Cuba é de cerca de dez dólares (192 MN, ou R$19) e o máximo, para o mais alto escalão do governo, US$34 (652 MN, ou R$65).<br /><br />Teoricamente, os cubanos não são proibidos de usar pesos conversíveis, mas vejam só: um Paladar vagabundo, esses restaurantes caseiros que falei, vendem um prato-feito de arroz, feijão, porco e vegetais, com um refrigerante, por 10 CUC (R$24). As bibliotecárias da Biblioteca Nacional José Martí, que tanto me ajudam, ganham por mês o equivalente a 16 CUC (R$38). Esse PF está completamente fora do seu alcance. E os restaurantes para turistas são infinitamente mais caros.<br /><br />Mas nem essa prática funciona na prática. Por um lado, muitos estrangeiros espertos ou duros, como este que vos escreve, convertem seus dólares em pesos nacionais e freqüentam os estabelecimentos comerciais só para cubanos, para comprar produtos a preços irrisórios. E, por outro, cubanos que ou têm parentes no exterior que lhes mandam dólares (quase todos) ou que arrancam dólares dos turistas por trabalhar em turismo (muitos, pois hoje é a maior indústria do país) acabam freqüentando os estabelecimentos comerciais que aceitam divisas e comprando, apesar dos preços altos, produtos que não estariam disponíveis em moeda nacional. Ou seja, a salada monetária criada pelo governo cubano não atinge seus mínimos objetivos e serve apenas para criar um caos monstruoso.<br /><br />Deixa eu dar uma idéia de preços pra você. Primeiro, uma tabelinha de moedas:<br /><br />1 USD = 0,80 CUC<br />1 CUC = 1,25 USD<br />1 CUC = 2,4 R$<br />1 CUC = 24 MN<br />1 R$ = 10 MN<br /><br />No cinema, um ingresso pra turista custa 2 pesos conversíveis (2 CUC = R$ 4,8) e, pra cubano, 2 pesos nacionais (2 MN = R$ 0,20). Eu, se ficar de boca fechada, dou meus dois pesos nacionais pra bilheteira e compro como cubano. Uma passagem de guagua (pronúncia: uáua), o tipo de ônibus mais barato que pego para ir à biblioteca, custa 20 centavos de peso nacional (0,20 MN = R$ 0,02). Os táxis pra turistas cobram preços internacionais: uma corrida do centro de Havana para o aeroporto sai por 25 pesos conversíveis (25 CUC = R$ 60). Já nos táxis só pra cubanos, carros velhíssimos, quase caindo aos pedaços, sem letreiros de táxi (você tem que saber reconhecê-los), qualquer corrida custa 10 pesos nacionais (10 MN = R$ 1), mas eles fazem lotação, os passageiros andam apertados como sardinhas e, se você não estiver indo pra mesma direção aproximada dos outros, não te levam. Pior ainda, são proibidos de levar estrangeiros. A polícia os pára regularmente e pede o carnê de identidade de todo mundo. Eu, que tenho cara de cubano, nunca tive problema, mas vários motoristas se recusaram a transportar a Annie, loira de olhos azuis.<br /><br />No agromercado dos cubanos, eu compro um abacaxi simplesmente maravilhoso por 10 pesos nacionais (10 MN = R$ 1) e já é o meu almoço. Como sou pobre, tenho comido em barraquinhas de rua, o equivalente cubano ao joelho com refresco de caju. Um sanduíche de rua, geralmente cachorro quente (pan con perro), hambúrguer (pan con hamburguesa), sanduíche de croquete (pan con croqueta; não recomendo, confie em mim), de lombo (pan con pierna ou pan con lechon) ou de presunto (pan con jamon), mais um refresco de abacaxi ou goiaba, fica entre 2 e 10 pesos nacionais (2-10 MN = R$ 0,20-1), dependendo do nível da podreira. Muitas vezes, literalmente o mesmo sanduíche vendido pela loja atrás da barraquinha custa para o turista até cinco pesos conversíveis (5 CUC = R$ 12).<br /><br /><a href="http://www.flickr.com/photos/cruzalmeida/589444297/" title="Photo Sharing"><img src="http://farm2.static.flickr.com/1246/589444297_8407fe23dc.jpg" width="483" height="500" alt="Pan con Lechon" /></a><br /><br />Em nenhum lugar do mundo, a informação tem tanto valor ou a diferença entre os preços de quem sabe e quem não sabe é tão grande. Um refrigerante em lata Ciego Montero, por exemplo, uma marca cubana surpreendentemente boa, custa 10 pesos nacionais para os cubanos (10 MN = R$1) e dois pesos conversíveis para os turistas (2 CUC = R$ 4,8). A mesmíssima latinha.<br /><br />Mesmo as lojas que aceitam divisas não são tão caras assim, embora pareçam caras comparadas com as lojas para cubanos. Eu pago um peso conversível por um saco de dez pães (1 CUC = R$ 2,4) e dois pesos conversíveis por um garrafão de cinco litros de água mineral (2 CUC = R$ 4,8). Menos do que no Carrefour onde faço minhas compras no Rio.<br /><br />Na verdade, essa loucura monetária teve duas interessantes conseqüências. A primeira, intencional, é tornar Cuba o lugar do mundo onde o dólar vale menos. Além de o governo manter o peso conversível artificialmente alto em comparação com o dólar, qualquer conversão de dólar em peso conversível é sobretaxada em 20%. ¿Por quê? Porque sim, ué. Eu trouxe mil dólares em dinheiro e vou levá-los inteirinhos de volta ao Brasil. Estou sacando reais diretamente do meu cartão de crédito brasileiro e convertendo-os em pesos, o que sai muito mais barato. Já Annie, minha companheira de viagem norte-americana, que não tem como fazer isso, leva uma facada, com direito a torcida e tudo, a cada vez que troca seus suados dólares.<br /><br />A outra conseqüência foi com certeza não-intencional, mas seríssima: erodir ainda mais a pobre Revolução. Antes do Período Especial, ter parentes na diáspora era uma vergonha pública: primos em Miami bastavam para rotular alguém de traidor em potencial e barrar sua carreira nas áreas mais sensíveis do governo e das forças armadas. Já hoje, os revolucionários 100% leais, que nunca sofreram o vexame de ter um parente abandonando Cuba e indo viver entre os gringos (ou seja, que não tem ninguém no exterior que lhes envie dólares), que trabalham fielmente para o governo defendendo os ideais socialistas da Revolução (ou seja, sem acesso às gorjetas em dólares que enriquecem os garçons e camareiras do ramo turístico), são os mais pobres e miseráveis dos cubanos, os únicos ainda restritos exclusivamente às pobres e miseráveis lojas que aceitam pesos nacionais, onde não se encontra nem papel higiênico.<br /><br />Em outros tempos, os cubanos que saíam do país eram pejorativamente chamados de gusanos (verme, larvas) e, muitas vezes, as famílias nem queriam mais saber deles. Depois do Período Especial, entretanto, quando voltam carregados de dólares, não são mais larvas, são borboletas, paparicados por todos os familiares que antes os esnobaram.<br /><br />Antes, gritavam aos exilados: "¡traidores!". Hoje, o grito é outro: "¡trae dólares!"<span style="font-size:78%;"><br /><br />* * *<br /><br />Para ler os outros textos desse livro, compre o ebook <a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html">Radical Rebelde Revolucionário - Crônicas Cubanas</a>, à venda pela internet por apenas R$20.</span></p>Alex Castronoreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5423157689910123155.post-23951861394421448892007-06-28T10:55:00.000-07:002007-07-09T17:20:45.154-07:00Annie, Uma Brasileira<p><a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html"><img src="http://farm2.static.flickr.com/1281/763829027_843330744e_m.jpg" alt="Radical Rebelde Revolucionário" /></a><br /><br /><span style="font-size:78%;">Abaixo, alguns trechos. Para ler os outros textos desse livro, compre o ebook <a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html">Radical Rebelde Revolucionário - Crônicas Cubanas</a>, à venda pela internet por apenas R$20.<br /><br />* * *<br /><br /><a href="http://www.flickr.com/photos/cruzalmeida/529868841/" title="Photo Sharing"><img src="http://farm2.static.flickr.com/1033/529868841_6f6e4a3755.jpg" alt="Cuban Capoeira Player, His Apprentice and Annie at the Capitolio Nacional" height="500" width="325" /></a><br /></span><br />Annie é completamente destemida: se mete nas maiores roubadas sem o menor receio, com aquela tranqüilidade de quem sabe que, aconteça o que acontecer, vai saber se virar. Talvez mais interessante, Annie não tem aquela habilidade nata feminina de dizer não, de mandar o cara passear, de lhe dar um pé na bunda. Estou acostumado a andar com mulheres que, quando são assediadas, despacham o cara no ato. Annie, ao contrário, se deixa infinitamente alugar. Algumas vezes, quando estava visivelmente desinteressada ou desesperada, eu ficava esperando sua saída, um toco, uma desculpa (Alexandre, a gente não tinha aquele troço pra ir daqui a quinze minutos?), essas coisas que mulher faz, e nada. Deve ser por isso que os brasileiros de Nova Orleans exploram a menina. Brasileiro é um povo sem vergonha mesmo.<br /><br /><a href="http://www.flickr.com/photos/cruzalmeida/537140748/" title="Photo Sharing"><img src="http://farm2.static.flickr.com/1031/537140748_87c2237064.jpg" alt="Annie, El Malecon and the Ship" height="500" width="375" /></a><br /><br />Em cada lugar, Annie era imediatamente cercada por um enxame de machos no cio, tanto por ser mulher bonita dançando sozinha, quanto estrangeira e fonte potencial de dólares. E Annie animadamente dava papo pra todos e não rejeitava ninguém, até que percebiam que não arrancariam dela nem dinheiro nem beijos e iam buscar outras mulheres mais fáceis. Alguns, entretanto, não desistiram nunca e seguiram Annie pelas ruas de Havana até o último dia.<br /><br /><a href="http://www.flickr.com/photos/cruzalmeida/527024798/" title="Photo Sharing"><img src="http://farm2.static.flickr.com/1239/527024798_c3150fb33f.jpg" alt="Annie, the Malecon, the Kids in the Water and the Fortaleza" height="500" width="414" /></a><br /><span style="font-size:78%;"><br />* * *<br />Para ler o texto completo, e outros mais, compre o ebook <a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html">Radical Rebelde Revolucionário - Crônicas Cubanas</a>, à venda pela internet por apenas R$20.</span></p>Alex Castronoreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5423157689910123155.post-79269348511450473942007-06-28T10:54:00.000-07:002007-07-09T17:44:44.947-07:00Fumar em Cuba (Texto Completo)<p><a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html"><img src="http://farm2.static.flickr.com/1281/763829027_843330744e_m.jpg" alt="Radical Rebelde Revolucionário" /></a><br /><br /><span style="font-size:78%;">Abaixo, o texto completo. Para ler os outros textos desse livro, compre o ebook <a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html">Radical Rebelde Revolucionário - Crônicas Cubanas</a>, à venda pela internet por apenas R$20.<br /><br />* * *<br /></span><br />Voei para Cuba lendo o "Contrapunteo Cubano del Tabaco y del Azúcar" (1940), de Fernando Ortiz, uma obra-prima ao mesmo tempo acadêmica e literária, linda, belíssima, original, explicativa, poética. Algo assim como o "Casa-Grande & Senzala" cubano. O livro em si é pequeno, tem menos de cem páginas, mais outras 500 de apêndices e complementos. Ortiz traça um paralelo entre o açúcar e o tabaco em Cuba, mostrando como o cultivo de cada produto engendrou uma cultura totalmente diferente, desde a economia até a organização do espaço. O autor não esconde sua predileção: para ele, o açúcar é conservador, reacionário, capitalista, monopolista, enquanto o tabaco é rebelde, individualista, libertário, revolucionário. O livro é uma ode de amor ao tabaco do começo ao fim. Quando pousei no Aeroporto Internacional José Martí, eu estava simplesmente seco por um bom charuto.<br /><br /><a href="http://www.flickr.com/photos/cruzalmeida/518189403/" title="Photo Sharing"></a><a href="http://www.flickr.com/photos/cruzalmeida/518189403/" title="Photo Sharing"><img src="http://farm1.static.flickr.com/219/518189403_8bcc452eda.jpg" alt="La Envidia Es La Peor de Todas las Brujerias" height="500" width="375" /></a><br /><br />Pois bem, desembarco em Havana e o primeiro cheiro que sinto é o de charuto. Sim, Cuba é um país onde se fuma charuto dentro do saguão do aeroporto. Eu tive vontade de beijar o chão. Estou em casa.<br /><br />Se você odeia gente soprando fumaça na sua cara, se não quer cheiro de cigarro na sua roupa, se acabou de parar de fumar pela qüinquagésima vez e não quer tentações, Havana realmente não é pra você. Vá visitar São Francisco, na Califórnia, uma cidade maravilhosa que me recebeu de braços abertos quando fugi do Furacão Katrina. Em São Francisco, não se pode fumar livremente nem ao ar-livre, muitas vezes nem em sua própria casa. Parece que a Câmara Municipal está prestes a aprovar uma lei autorizando o linchamento sumário de qualquer um que ouse acender um cigarro em público. Periga de ser aclamada por unanimidade.<br /><br /><a href="http://www.flickr.com/photos/cruzalmeida/529868857/" title="Photo Sharing"><img src="http://farm1.static.flickr.com/231/529868857_71bd85b46f.jpg" alt="Old Habaneros and Their Impossibly Long Cigars" height="500" width="238" /></a><br /><br />Naturalmente, em Cuba, as pessoas não só fumam. Elas fumam umas toras de trinta centímetros de comprimento que parecem desafiar a própria lei da gravidade. Deus parece ter modificado a física somente para que os cubanos possam fumar seus puros. E fumam o tempo todo. Na Biblioteca Nacional José Marti (sim, o mesmo nome do aeroporto), até mesmo na sala de periódicos antigos se fuma. Lá estava eu, consultando jornais do século XIX e um cubano ao meu lado calmamente degustando seu charuto.<br /><br />Até agora, o único lugar onde não vi gente fumando foi no cinema. Fui assistir "La Noche de Los Inocentes", no Cine Payret, em frente ao Capitólio Nacional. É o novo filme de Jorge Perrugoria, de "Fresa y Chocolate" e "Guantanamera", um ator que já se tornou um dos meus favoritos de todos os tempos. Diga-se a bem da verdade, ninguém fumou no cinema. Talvez porque não havia ar-condicionado e estava tão quente que bastariam uns cinco charutos acesos para matar todas as centenas de pessoas sufocadas. Ou vai ver é proibido. Mas, confesso, proibir alguém de fumar já me parece uma das atitudes mais anti-cubanas que alguém poderia ter.<br /><br />Ainda assim, entretanto, não ficamos longe do fumo. O filme inteiro se passa em um quarto de hospital: ao mesmo tempo em que um jovem travesti luta pela vida depois de uma surra violenta, um policial interroga seus familiares em busca da verdade sobre o crime. E imaginem se algum deles, o detetive ou os familiares, em uma situação tão tensa como essa, verdadeiro jogo de gato-e-rato policial, deixaria de acender seus cigarros e charutos! Valha-me deus!<br /><br />Eu, dependendo da minha roupa e do meu jeito, já aprendi que posso passar por turista ou por cubano. Até abrir a boca, claro - o meu sotaque me entrega. No começo, me paravam na rua a cada cinco minutos me oferecendo Cohibas e Romeus &amp; Julieta legítimos. Agora, entretanto, já aprendi a passar por nativo. Na bodega da minha esquina, vendem uns charutos El Crédito ou Cacique por um peso cubano, ou seja, dez centavos de real, do tipo que fumam os cubanos não-membros do Partido. Tudo bem que não devem ser lá os melhores do mundo, mas se são bons o suficiente para o povo que inventou o charuto, então são bons o suficiente pra mim.<br /><br />O que não se encontra em Cuba é fumo pra cachimbo. Já aprendi que não posso nem dizer que fumo cachimbo. Fumar charutos de um peso me faz ganhar uns pontos como estrangeiro esperto. Fumar cachimbo me faz perder esses pontos todos e mais alguns. Para a cultura fumante cubana, fumo para cachimbo, ou picadura, como chamam, é a xepa da xepa, o pior do pior fumo, aquele fumo ralo, esfarelado que não serviu pra ser usado nem no pior charuto. Coisa que gente ignorante que não sabe fumar, dizem.<br /><br />E eu acrescento rápido: sim, era encomenda para uma amiga, veja só, que besteira, ¡achar que os cubanos fumariam uma coisa horrível dessas!<br /><br />Ou, como diria o sapo, ¡coitado do jacaré!<span style="font-size:78%;"><br /><br />* * *<br /><br />Para ler os outros textos desse livro, compre o ebook <a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html">Radical Rebelde Revolucionário - Crônicas Cubanas</a>, à venda pela internet por apenas R$20.</span></p>Alex Castronoreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5423157689910123155.post-74777959945325630942007-06-28T10:52:00.000-07:002007-07-09T17:20:10.899-07:00Sede de Informação<p><a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html"><img src="http://farm2.static.flickr.com/1281/763829027_843330744e_m.jpg" alt="Radical Rebelde Revolucionário" /></a><br /><br /><span style="font-size:78%;">Abaixo, alguns trechos. Para ler os outros textos desse livro, compre o ebook <a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html">Radical Rebelde Revolucionário - Crônicas Cubanas</a>, à venda pela internet por apenas R$20.<br /><br />* * *<br /></span><br />Todos os jornais são editados pelo governo: o maior, o "Granma", é o informativo oficial do comitê central do Partido Comunista, oito pagininhas diárias em formato tablóide que todo mundo lê. Deixa eu contar uma coisa que vocês vão achar que é mentira, mas vá lá. Em Cuba, falta tudo; quando tem, é racionado; pra comprar além da sua quota, é caríssimo - inclusive papel higiênico. Já o "Granma", subsidiado pelo governo, é diário e baratíssimo (0,20 MN = R$ 0,02). Então - vocês já entenderam, ¿né? - os cubanos, literalmente, sério mesmo, não estou zoando, compram o "Granma" pra limpar o cu. Na foto ao lado, o banheiro da casa do meu amigo Cándido: o jornal pregado na parede não é o "Granma", mas seu irmão caçula, o "Juventud Rebelde".<br /><br /><a href="http://www.flickr.com/photos/cruzalmeida/640378679/" title="Photo Sharing"><img src="http://farm2.static.flickr.com/1198/640378679_b1aa10c69e.jpg" alt="Government Newspaper to Wipe Ass" height="500" width="363" /></a><br /><br />A linha editorial do Granma, e da imprensa cubana de modo geral, está candidamente descrita nesse trecho do verbete "Periodismo" do Dicionário de La Literatura Cubana:<br /><blockquote>"El triunfo de La Revolución no sólo determinó la desaparición paulatina de los órganos de expresión de la burguesía, sino significó la irrupción de nuevas formas de encarar las tareas periodísticas y, por ende, eliminó de la prensa revolucionaria - expresión de los intereses de la clase proletaria en el poder - los falsos, insidiosos y desinformadores comentarios de las agencias de prensa del mundo capitalista, así como las crónicas rojas y sociales, los artículos y comentarios insulsos, las abundantes páginas destinadas a anuncios clasificados y comerciales, típicos de la sociedad de consumo y, lo que es más importante, el anticomunismo y las falacias de la llamada "libertad de expresión", proclamada como una de las bases de la democracia representativa. A la vez, la Revolución facilitó el surgimiento de una nueva tónica en la información, que ahora se basa en las cuestiones de más interés para nuestro pueblo, en las cuestiones que reflejen los avances y logros en los diversos campos del quehacer revolucionario: la defensa, la producción, la educación, los deportes, la cultura, las artes y todo tipo de nuevas tareas que la construcción del socialismo reclama de las masas trabajadoras. La difusión de las actividades del Partido - como guía del camino a seguir -, de la lucha ideológica, de las ideas marxistas-leninistas, así como la contribución al rescate de nuestros valores nacionales en las diversas esferas y la divulgación de los éxitos alcanzados por nuestra Revolución, tanto interna cuanto externamente, han sido también logros fundamentales de la prensa en el período revolucionario" (II, 774)</blockquote><a href="http://www.flickr.com/photos/cruzalmeida/651845617/" title="Photo Sharing"><img src="http://farm2.static.flickr.com/1213/651845617_4542fab904.jpg" alt="FIlmes de EEUU" height="259" width="500" /></a><br /><br />(...) Talvez vocês não tenham percebido a enorme ironia da situação. Se Cuba tivesse um povo largamente ignorante e semi-alfabetizado (como o brasileiro, por exemplo), pode até ser que engolissem tudo o que o governo diz. Entretanto, esse mesmo governo educou brilhantemente sua população no método científico, no materialismo dialético e no pensamento crítico. Ou seja, a prova de que a educação estatal funciona é justamente o fato de a população não acreditar na imprensa estatal.<span style="font-size:78%;"><br /><br />* * *<br /><br />Para ler o texto completo, e outros mais, compre o ebook <a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html">Radical Rebelde Revolucionário - Crônicas Cubanas</a>, à venda pela internet por apenas R$20.</span></p>Alex Castronoreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5423157689910123155.post-91821720651481461212007-06-28T10:51:00.000-07:002007-07-09T17:45:39.192-07:00Os Jineteiros (Texto Completo)<p><a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html"><img src="http://farm2.static.flickr.com/1281/763829027_843330744e_m.jpg" alt="Radical Rebelde Revolucionário" /></a><br /><br /><span style="font-size:78%;">Abaixo, o texto completo. Para ler os outros textos desse livro, compre o ebook <a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html">Radical Rebelde Revolucionário - Crônicas Cubanas</a>, à venda pela internet por apenas R$20.<br /><br />* * *</span><br /><br /><span style="font-weight: bold;">O Valor do Dinheiro</span><br /><br />Dos cubanos que abordam turistas nas ruas, alguns são apenas latinos extrovertidos querendo bater-papo com estrangeiros e, no processo, faturar um almoço. Muitos, entretanto, são jineteiros profissionais.<br /><br />Não se pode andar cinco metros em Cuba sem ser abordado. Perguntam de onde você é, puxam conversa, são super simpáticos. Daqui a pouco, começam os pedidos: me paga um almoço, ¿uma cervejinha¿, tem uma aspirina, ¿me dá seus sapatos?, e daí pra baixo.<br /><br />Muitas vezes, depois de horas me amolecendo, investindo seu tempo, trabalhando duro, o cubano inspeciona os bolsos e diz: poxa, não tenho nada, ¿você me daria vinte pesos pra uma cervejinha? Ou então, vinte pesos pro táxi de volta pra casa...<br /><br />E, vejam só, eu sei que o cara não é meu amigo. Todo o tempo que passou comigo foi só pensando no meu dinheiro. E, mesmo assim, sinto uma pena imensa. Sabe por quê? Porque vinte pesos são dois reais. Dois reais, colega. Dois reaizinhos. Dá vontade de dizer: caramba, esse tempo todo que você investiu e ¿só quer dois reais? ¡Toma quatro e não se fala mais nisso!<br /><br />Não há melhor ilustração da pobreza generalizada em Cuba. O malandro pensa que está me enganando e, pelo contrário, mesmo se arrancar de mim o dobro do que queria, eu é que me sinto um explorador. E, infelizmente, nem mesmo esses quatro reais eu posso dar, senão ele me recomenda aos seus colegas como um "pato fácil" e, em cinco minutos, estou rodeado por um enxame de pidões.<br /><br />Esse povo, tão instruído e tão saudável, outrora tão orgulhoso do seu papel na política mundial, hoje se vende por um prato de comida.<br /><br />De todas as pequenas e grandes tragédias de Cuba, essa é a que mais me entristece.<br /><span style="font-weight: bold;"><br />Tipos de Jineteiros e Seus Truques</span><br /><br />É impressionante a quantidade de perguntas pessoais que um cubano consegue fazer a um completo estranho na rua. Querem saber de onde sou, quanto tempo fico, o que estou fazendo aqui, onde estou hospedado, quanto calço, tudo. Essa última não é um exemplo aleatório: eles já estão pensando em pedir seus sapatos. A primeira coisa que me pediram foram minhas havaianas. Literalmente, teve fila.<br /><br />Dos vinte cubanos que me abordam por dia, uns cinco querem apenas conversar. Não pedem nada. Depois de alguns minutos, se despedem e vão viver suas vidas. São apenas latinos extrovertidos, carentes e curiosos. Os outros quinze são jineteiros.<br /><br />Grosso modo, existem os jineteiros comerciais e os sexuais: os querem vender produtos e os que vendem um corpo alheio. Quando são incompetentes ou desesperados já vão logo se oferecendo: ¿Cohiba legítimo? ¿trocar dólares? ¿uma cubana caliente?<br /><br />(Não sei quem cai no papo desses caras. Teria que ser muito burro. O governo, por exemplo, só permite que saiam do país até 23 charutos sem certificado de comprovação. Para mais que isso, você precisa ter um documento oficial de uma loja autorizada. Senão, o pessoal da alfândega vai fumar todos os seus habanos.)<br /><br />Os jineteiros diretos são os menos problemáticos. Vendedor de rua querendo engrupir turista existe no mundo inteiro. Nem tomam muito do seu tempo. Você diz não umas cinco vezes (sim, são insistentes) e eles já vão embora: afinal, tem muitos outros patos na rua.<br /><br />Os bons jineteiros não pedem nada na hora. Não querem lhe colocar na defensiva. Batem papo, contam da sua vida, trocam telefone, marcam de se encontrar outro dia. Talvez se ofereçam pra lhe levar a um bom restaurante que só cubanos conhecem, a algum lugar turístico interessante fora dos guias, a um show de música cubana, a um lugar onde você pode comprar charutos a preço de fábrica, a uma casa particular mais barata do que a sua. Naturalmente, se você quiser lhes pagar um almoço no tal restaurante, ou o ingresso para o show, ou lhes dar um charuto, claro que não vão recusar a generosidade de um turista tão simpático.<br /><br />O primeiro truque é o da comissão. Sempre que um cubano lhe leva a algum lugar, ele ganha algum. É a regra. Até aí, tudo bem. Acontece no mundo todo. O problema em Cuba é que a comissão não sai do bolso do estabelecimento, mas do turista. Quando você entra no restaurante com o simpático cubano que o recomendou, sua conta fica automaticamente 50% mais cara.<br /><br />Em breve, entretanto, começam as histórias tristes. Não é fácil encontrar remédios em Cuba, por isso recomenda-se aos turistas que tragam tudo o que possam precisar. Eu gastei uns duzentos reais na farmácia antes de vir pra cá. Sabendo disso, os jineteiros inventam histórias sob medida: ah, você nem sabe, estou preocupado, minha avó está muito gripada, coitadinha, mas a farmácia do governo não tinha remédio pra gripe, não sei mais o que eu faço, meu deus... E o pobre turista, comovido pelas dificuldades do heróico povo cubano, lhe chama para ir ao seu hotel e lhe dá todo seu estoque de Naldecon, prontamente revendido por uma fortuna no mercado negro.<br /><br />Tem também o que eu chamo de pedido póstumo: o sujeito olha pra baixo, quase corando de vergonha, com uma expressão torturada que parece dizer ¡coitado de mim por ter que pedir isso! e balbucia: ¿me deixa esses sapatos quando for embora?; adoraria essas suas havaianas como lembrança dos nossos dias juntos; essa sua bolsa salvaria minha vida na escola, ¿poderia deixar ela comigo?; puxa, aqui em Cuba não se encontra um cortador de charuto como o seu, etc. Não querem nada agora, ¡imagina!, mas se não for fazer falta... Afinal, na sua terra, lugar de riqueza e fartura, com certeza você pode comprar outro baratinho, até melhor, e eu ficaria com essa recordação tão linda da nossa amizade... Enquanto isso, uma solitária lágrima escorre por suas faces, brilhando sob o sol.<br /><br />Se eu não fosse um cínico empedernido, cortaria meu coração. Nessas horas, eu sempre me lembro do que dizia minha santa avozinha: confie em todos, mas corte o baralho.<br /><br /><span style="font-weight: bold;">Um Dilema Cubano</span><br /><br />Naturalmente, a situação nunca é assim preto-e-branca.<br /><br />Afinal, os cubanos realmente têm pouco acesso a bens de consumo como bolsas, sapatos, havaianas, etc. Se você fez um amigo aqui e pode deixar suas havaianas com ele, ¿por que simplesmente não comprar outras por sete reais no Brasil? Os cubanos realmente ficam doentes e sofrem de uma maciça falta de remédios. ¿O que custa dar um anti-histamínico pro seu amigo cubano?<br /><br />Minha amiga Isabel passou três meses em Cuba, durante a filmagem de "Estorvo". Me recomendou que não trouxesse nada que não pudesse deixar pra trás. Annie, no seu último dia de Cuba, passou na casa de uma amiga e deixou todo seu guarda-roupa. Voltou pra Nova Orleans literalmente com a roupa do corpo.<br /><br />Para um estrangeiro em Cuba, talvez o maior dilema seja justamente esse: ¿como distinguir o jineteiro que lhe vê como uma fonte em potencial de aspirina para vender no mercado negro do cubano que ficou seu amigo e está precisando de algo pra aliviar a dor da sua avozinha?<span style="font-size:78%;"><br /><br />* * *<br /><br />Para ler os outros textos desse livro, compre o ebook <a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html">Radical Rebelde Revolucionário - Crônicas Cubanas</a>, à venda pela internet por apenas R$20.</span></p>Alex Castronoreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5423157689910123155.post-43987768382661635322007-06-28T10:50:00.000-07:002007-07-09T17:45:07.093-07:00Dionisio, Um Chileno Malandro (Texto Completo)<p><a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html"><img src="http://farm2.static.flickr.com/1281/763829027_843330744e_m.jpg" alt="Radical Rebelde Revolucionário" /></a><br /><br /><span style="font-size:78%;">Abaixo, o texto completo. Para ler os outros textos desse livro, compre o ebook <a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html">Radical Rebelde Revolucionário - Crônicas Cubanas</a>, à venda pela internet por apenas R$20.<br /><br />* * *<br /></span><br />Dionisio, um chileno estudando música aqui em Cuba, fica profundamente irritado com as abordagens na rua, com as perguntas pessoais incessantes, com as ofertas não-solicitadas. Se sente atacado, invadido, explorado. Não dá papo. Sai andando. Às vezes, se vira e pergunta, já de punho em riste: ¿Te conheço? ¿Com que direito me pergunta essas coisas?<br /><br />Ele tinha reserva em uma casa particular, mas, quando chegou, estava alugada. O solícito dono da casa pediu mil desculpas e lhe recomendou outra. Na segunda casa, Dionisio pagava 15 pesos conversíveis por dia (15 CUC = R$ 36): dez para a anfitriã e cinco de comissão para o dono da primeira casa. Ao longo dos dois meses em que Dionisio ficou em Havana, o cubano ganhou uma pequena fortuna (300 CUC = R$ 720, 36 vezes o salário mínimo) em recompensa pela falta de consideração de ter reserva com uma pessoa e alugar pra outra. Naturalmente, Dionisio só foi saber disso ao final da sua estadia, mas qualquer guia vagabundo sobre Cuba avisa sobre esse esquema já na primeira página.<br /><br />Dionisio é uma figura típica. O homem se acha muito malandro e esperto ("street-wise" e "street-smart", diz ele), reclama sem parar que todos em Cuba são exploradores e jineteiros (pô, colega, se não gostou de nada e não se sente bem, faça o que os cubanos não podem fazer e ¡vá embora!), não se abre a novas amizades e não dá papo a nenhum cubano (claro, ¡pois todos querem fazê-lo de otário!), reage agressivamente aos jineteiros que lhe oferecem charutos na rua (quando bastava dizer "não" e ¡pronto!) mas, no fim das contas, perdeu 300 CUC em um esquema que já era velho quando Lot hospedou Abraão em Sodoma.<br /><br />Eu até entendo a agressividade de Dionisio. É exasperante saber que uma parte da população nos vê somente como máquinas de extrair dólares. No começo, eu também não dava papo para os malucos que me abordavam na rua. Agora, tento explicar ao Dionisio que ele está perdendo uma parte importante da sua experiência cubana.<br /><br />Annie me ensinou a ser mais aberto: se confio na minha capacidade de dizer "não", posso dar papo pra qualquer um. Respondo a todas as perguntas, bato papo, pergunto sobre suas vidas, sento com eles nos parques ou no Malecón - a muralha à beira-mar que protege Havana das ondas dos furacões. E, quando pedem algo que eu não posso ou não quero dar, basta dizer "não". Pronto. Ninguém precisa fechar a cara e ser grosso para não ser roubado. Annie foi muito mais assediada que ele, por ser mulher, loira, branca e gringa; nunca disse uma palavra rude a nenhum dos cubanos que tentaram exaustivamente explorá-la, e não caiu em um único golpe.<br /><br />Em Cuba, pelo menos, a violência contra o turista praticamente inexiste. Existem pedidos e pedidos: se sou abordado em uma ruela escura do French Quarter ou de Copacabana por um sujeito mal-encarado que me pede vinte pratas, eu dou. Não tem nem conversa.<br /><br />Os cubanos pedem, mas não há nenhuma ameaça implícita. Dionisio não entende essa enorme diferença.<span style="font-size:78%;"><br /><br />* * *<br /><br />Para ler os outros textos desse livro, compre o ebook <a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html">Radical Rebelde Revolucionário - Crônicas Cubanas</a>, à venda pela internet por apenas R$20.</span></p>Alex Castronoreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5423157689910123155.post-3270162409559994592007-06-28T10:49:00.000-07:002007-07-09T17:45:19.265-07:00As Jineteiras (Texto Completo)<p><a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html"><img src="http://farm2.static.flickr.com/1281/763829027_843330744e_m.jpg" alt="Radical Rebelde Revolucionário" /></a><br /><br /><span style="font-size:78%;">Abaixo, o texto completo. Para ler os outros textos desse livro, compre o ebook <a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html">Radical Rebelde Revolucionário - Crônicas Cubanas</a>, à venda pela internet por apenas R$20.<br /><br />* * *<br /></span><br /><span style="font-weight: bold;">Jacques e sua Jineteira<br /></span><br />Alguns jineteiros até oferecem putas, do mesmo modo como oferecem charutos, mas são duas coisas diferentes: jineteira não é puta, puta não é jineteira. Puta é quem transa por dinheiro. Uma jineteira, se cobrar por sexo, não é mais jineteira: é puta.<br /><br />Rosa, a dona da casa onde estou, não cansa de me advertir contra as implacáveis jineteiras. Morre de medo de eu trazer uma jineteira pra casa e ela fugir com meu dinheiro, meu passaporte e meu computador - e talvez minha honra. Conta uma história de horror atrás da outra, casos exemplares de estrangeiros bobos que sofreram nas mãos de cubanas perversas. Por exemplo, o pobre e inocente francês Jacques e sua malvada jineteira Adela.<br /><br />Jacques era francês, setenta anos, empresário. Vinha a Cuba três ou quatro vezes por ano, sempre por um mês. Em uma de suas viagens, se apaixonou por Adela, uma sinuosa mulata cubana de vinte e poucos:<br /><br />Você não imagina, Alexandre, ¡como o homem era devotado! ¡Fazia tudo por ela! Cada vez que vinha da França, trazia uma mala de roupas, perfumes, comidas exóticas, presentes. Mandava cem euros por mês. Comprou um computador pra ela. Levava Adela para os melhores restaurantes de Havana - e ela ainda dava um jeito de conseguir comissão em cima do coitadinho. Nesse meio tempo, enquanto ele estava na França, ela aproveitava pra dar pra todos os homens de Havana. ¡Um absurdo! Até que arranjou um outro turista e não quis mais saber dele. Jacques ficou aqui semanas, de coração partido, ¡chorando no meu ombro! ¡Pobrezinho!<br /><br />Mas ¿quem estava jineteando quem? Rosa ficava horrorizada de ver Adela se gabando para as amigas cubanas do velho francês broxa que lhe mandava cem euros por mês, mas eu fico imaginando outra conversa:<br /><br />Vocês não sabem como é fácil! Pra começar, eu mando uma merreca por mês pra ela ficar feliz, menos do que custaria um jantar com bom vinho mais teatro em Paris. Então, antes de embarcar pra Cuba, peço pra minha secretária passar no saldão da Galeries Lafayette e comprar as roupas da última estação, os perfumes mais baratos, meia dúzia de latinhas de foie gras, uns espelhinhos, e pronto. Vocês precisam ver a cara dela quando abre a mala. Parece que é um tesouro. Depois, a gente transa a noite toda. E ela não é que nem essas putas frias fedidas do Bois de Bologne, não. Ela faz com amor, com calor, com ardor. Sério, mulher latina é o máximo, vocês deviam arranjar uma também. Quem diria que, depois dos setenta, ¡eu ainda iria ter uma mulher dessas!<br /><br />Se Adela só se aproximou de Jacques atrás dos seus euros, Jacques também só se aproximou de Adela atrás de sua sensualidade latina, de sua juventude quente, de sua bunda de mulata. Qualquer relação humana, desde parceria comercial até amizade, só funciona quando ambas as partes estão obtendo algo que desejam. É sempre ida e volta. Senão, caímos naquela falácia tão brasileira de achar que existe corrupto sem corruptor, homossexual passivo sem ativo.<br /><br />Mas Alexandre, responde Rosa, e as semanas que ele ficou aqui desolado, ¿chorando no meu ouvido?<br /><br />Olha, das duas uma: ou ele enganou a si mesmo, esqueceu as regras do jogo e se deixou acreditar em amor verdadeiro a essa altura do campeonato, ou, mais provável, foi apenas a dor normal do pé na bunda. ¿Quem nunca perdeu ninguém? O outro turista deveria ser mais novo, mais bonito, mais rico, menos broxa. Eu bateria no ombro de Jacques e diria: calma, velho, na próxima esquina tem outra cubana quente, gostosa e precisando dos seus euros. Bola pra frente e Viagra na veia.<br /><br />Tenho uma amiga brasileira que diz sinceramente não entender porque cargas d'água ela sairia com um homem que não lhe pagasse tudo. Pra ela, isso não faz o menor sentido. Ora, se for pra eu mesma pagar, saio sozinha ou com minhas amigas.<br /><br />Em Cuba, seria tachada de jineteira. No Brasil, é somente uma mulher à moda antiga.<br /><br /><span style="font-weight: bold;">Somos Todos Jineteiros</span><br /><br />Agora, finalmente, sei como se sente uma mulher bonita.<br /><br />Sei como é a sensação de não poder andar daqui até ali sem ser abordado por alguém que eu não conheço, de intenções duvidosas. Sei como é a sensação de não poder sentar quieto num banco de praça ou num bar sem alguém sentar do meu lado de papinho-furado, me perguntando quem eu sou, o que faço ali, qual é meu signo. Sei como é a sensação de ter que decidir em meio segundo se é apenas um cubano extrovertido com quem eu quero bater-papo ou se é um jineteiro pentelho que eu quero despachar. Sei como é a sensação canalha mas tentadora de calcular se consigo tirar dele o que eu quero (no meu caso, umas dicas interessantes, no dela, um drinque, um almoço) sem ter que necessariamente lhe dar o que quer (meus dólares, um beijinho, sexo).<br /><br />Ser uma mulher bonita é ser jineteada todo dia.<br /><br />Quando eu abordo uma cubana na biblioteca pra saber o que está estudando, poxa, que interessante, ¿quer tomar um café comigo ali na esquina?, ¿quem sabe me deixar beijar seus pés?, qual a diferença disso pro cubano que me aborda na rua, me pergunta de que país eu sou, ¿Brasil?, que legal, adoro o Brasil, ¿você quer charutos?, ¿por que não vamos pro restaurante do meu amigo aqui perto conversar?<br /><br />¿A mulher que se aproxima de um turista porque vê nele uma fonte possível de dinheiro fácil é diferente do turista que se aproxima da nativa porque vê nela uma fonte possível de sexo fácil? ¿Quem é o jineteiro? ¿Quem está jineteando quem? ¿Quem está enganando quem? ¿Tem alguém enganando alguém?<br /><br />Somos todos jineteiros.<span style="font-size:78%;"><br /><br />* * *<br /><br />Para ler os outros textos desse livro, compre o ebook <a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html">Radical Rebelde Revolucionário - Crônicas Cubanas</a>, à venda pela internet por apenas R$20.</span></p>Alex Castronoreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5423157689910123155.post-38125974341324642992007-06-28T10:48:00.001-07:002007-07-09T17:14:04.405-07:00Abacaxis<p><a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html"><img src="http://farm2.static.flickr.com/1281/763829027_843330744e_m.jpg" alt="Radical Rebelde Revolucionário" /></a><br /><br /><span style="font-size:78%;">Abaixo, alguns trechos. 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Em caso de problemas, atiro um abacaxi na cara do oponente e avanço com o outro para espetá-lo no bucho.<br /><br />Afinal, foi assim que os romanos conquistaram o mundo.<span style="font-size:78%;"><br /><br />* * *<br /><br />Para ler o texto completo, e outros mais, compre o ebook <a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html">Radical Rebelde Revolucionário - Crônicas Cubanas</a>, à venda pela internet por apenas R$20.</span></p>Alex Castronoreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5423157689910123155.post-41829709931977319642007-06-28T10:46:00.000-07:002007-07-09T17:11:55.857-07:00Os Turistas, suas Roupas e Apetrechos<p><a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html"><img src="http://farm2.static.flickr.com/1281/763829027_843330744e_m.jpg" alt="Radical Rebelde Revolucionário" /></a><br /><br /><span style="font-size:78%;">Abaixo, alguns trechos. 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(...)<br /><br /><a href="http://www.flickr.com/photos/cruzalmeida/540516670/" title="Photo Sharing"><img src="http://farm2.static.flickr.com/1084/540516670_624a13a847.jpg" alt="It Disgusts Me to See Tourists Dressed as If in a Safari" height="500" width="375" /></a><br /><br />Enquanto isso, pessoas boas e honestas, que em suas terras têm uma consciência social e doam à caridade, circulam desavergonhadamente com iPods na cintura entre gente que teria que trabalhar vinte anos para comprar um. E, se eu tentasse explicar a eles a violência da situação, não entenderiam: ué, Alexandre, ¡mas comprei esse iPod com o meu dinheiro que ganhei honestamente!<br /><br />Se não por empatia, poderiam deixar seus palmtops em casa por uma questão de segurança. Muitos pais de família (que enfrentam dificuldades que o pessoal de Shithole, Wyoming, nunca nem ouviu falar) poderiam ficar seriamente tentados a dar uma facada no bucho de um desconhecido insensível para garantir três anos de alimentação para os seus filhos. ¿E quer saber? Se conseguir fazê-lo sem ser capturado, dou o maior apoio. Olho pro outro lado e finjo que não vi.<span style="font-size:78%;"><br /><br />* * *<br /><br />Para ler o texto completo, e outros mais, compre o ebook <a href="http://www.osviralata.com.br/01prosa/01_rrr.html">Radical Rebelde Revolucionário - Crônicas Cubanas</a>, à venda pela internet por apenas R$20.</span></p>Alex Castronoreply@blogger.com