tag:blogger.com,1999:blog-53898812009-05-20T11:14:48.943+01:00OS TEMPOS QUE CORREM. Miguel Vale de Almeidamvanoreply@blogger.comBlogger1973125tag:blogger.com,1999:blog-5389881.post-28817197090623540142007-10-05T21:45:00.000+01:002007-10-05T23:52:55.687+01:00<strong>Mudança de casa</strong><br /><br />Este blog muda hoje de casa, para <a href="http://blog.miguelvaledealmeida.net/">blog.miguelvaledealmeida.net</a>. Junto com a mudança, estreia também um website, ainda em retoques finais e com muito trabalho pela frente quanto aos conteúdos. A casa que hoje acaba continuará no ar, albergando os quase 2000 posts publicados desde 13 de Maio de 2003. Não esqueçam: tomem nota da nova morada.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5389881-2881719709062354014?l=valedealmeida.blogspot.com'/></div>mvanoreply@blogger.com1tag:blogger.com,1999:blog-5389881.post-76471194419254301742007-10-03T10:47:00.000+01:002007-10-03T10:59:14.338+01:00<strong>"É voltar à hora d'almoço"...</strong><br /><br />diz a moça da farmácia, perante a falta de um produto. Não só a pessoa é obviamente suposta cirandar ou marinar pelas proximidades todo o santo dia, como a "hora d'almoço" é uma espécie de longo período de pousio, um tempo sem tempo onde tudo é possível. Também certa imprensa inglesa com mentalidade colonial acha esta coisa do almoço muito estranha. Alguns jornais até juntaram a imagem de PJs em "longos almoços" - para mais "regados a vinho" - à da alegada violência policial sobre a acusada no "caso Joana". As duas imagens como que se equivalem, ambas dando conta de costumes bárbaros, a meio caminho da mutilação genital. Eu até nem gosto de longos almoços regados a vinho em dias de semana e odeio particularmente o "almoço de trabalho" ou o "vamos almoçar um dia destes" como desculpa para tratar de coisas sérias (gosto, e muito, de encontrar amigos para almoçar, desde que prometam que é só para a patela). Acontece, porém, que a imprensa inglesa - e eu - deveria fazer um pequenito esforço de compreensão cultural. Se o fizesse(mos) perceberiam(os) que por estas bandas é mesmo assim para muita gente - não só nos longos almoços se resolvem coisas que outros resolvem em reuniões e via mail, como as decisões ficam legitimadas pelo laço relacional que se cria, como, ainda, o vinho não é visto (nem sequer sentido) como apenas uma via mais para a bebedeira. Prometo que vou fazer um esforço para perceber o que a moça da farmácia quer dizer com "é voltar à hora d'almoço". Deve querer dizer que ela não quer afirmar "brutalmente" que não pode resolver o problema que lhe é colocado; deve querer dizer que devemos ter esperança na resolução dos problemas com a passagem do tempo; ou simplesmente não quer dizer nada.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5389881-7647119441925430174?l=valedealmeida.blogspot.com'/></div>mvanoreply@blogger.com1tag:blogger.com,1999:blog-5389881.post-7587937583451524932007-10-03T10:40:00.000+01:002007-10-03T10:47:27.531+01:00<strong>Já tínhamos saudades...</strong><br /><br />...dos anos 30. Pode até ser tudo muito certinho cientificamente (<em>I'm in a good mood today</em>) mas gostava de saber uma coisa: <a href="http://jn.sapo.pt/2007/10/03/sociedade_e_vida/miscigenacao_pode_estar_ligada_a_obe.html">como escolhem as pessoas</a>?<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5389881-758793758345152493?l=valedealmeida.blogspot.com'/></div>mvanoreply@blogger.com1tag:blogger.com,1999:blog-5389881.post-23587754813297806882007-10-02T09:35:00.000+01:002007-10-02T09:37:12.440+01:00<strong>Uma causa flatulante</strong><br /><br />Vão à janela neste preciso momento (9h30): cheira bem, cheira a Lisboa. E isto não é uma raridade, antes acontece regularmente. Estará o país com problemas de flatulência?<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5389881-2358775481329780688?l=valedealmeida.blogspot.com'/></div>mvanoreply@blogger.com5tag:blogger.com,1999:blog-5389881.post-12055290178583984252007-09-29T11:58:00.000+01:002007-09-29T12:01:34.004+01:00<strong>Quando julgávamos que não podíamos descer mais baixo...</strong><br /><br />...acontece isto: «Os dois jovens, de 16 e 24 anos, suspeitos de terem profanado várias campas do Cemitério Judaico de Lisboa com cruzes suásticas saíram quarta-feira do tribunal em liberdade, com a obrigatoriedade de apresentação periódica às autoridades, informou a PSP.» (<em>Público.pt</em>)<br /><br />E logo a seguir isto: «Luís Filipe Menezes chegou hoje à liderança do PSD» (<em>Público.pt)</em><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5389881-1205529017858398425?l=valedealmeida.blogspot.com'/></div>mvanoreply@blogger.com3tag:blogger.com,1999:blog-5389881.post-57567591353605337922007-09-27T17:11:00.002+01:002007-09-27T17:18:20.535+01:00O/El <em>Público</em>...<br /><br />...que vou passar a ler todos os dias <a href="http://www.publico.es/">é este.</a><br /><br />Ainda por cima disponibiliza de graça <a href="http://www.publico.es/resources/archivos/2007/9/27/1190845144912PUBLICO20070927.pdf">o pdf da edição em papel</a>.<br /><br />E ao contrário dos jornais portugueses, este <a href="http://www.publico.es/hoynace/progreso/">assume ao que vem</a>. Bravo!<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5389881-5756759135360533792?l=valedealmeida.blogspot.com'/></div>mvanoreply@blogger.com1tag:blogger.com,1999:blog-5389881.post-30037616202651775232007-09-27T13:48:00.000+01:002007-09-27T14:49:12.599+01:00<strong>Miopia </strong><br /><br />Através do <a href="http://womenageatrois.blogspot.com/2007/09/ainda-educao-sexual.html">Womenage a trois </a>cheguei ao <a href="http://sitio.dgidc.min-edu.pt/saude/documents/gtes_relatorio_final.pdf">Relatório Final do Grupo de Trabalho sobre Educação Sexual</a>. Correndo o risco de ser injusto - pois não se trata aqui de <em>analisar</em> o dito relatório - a sensação com que se fica é de que o discurso implícito é algo como isto: o mundo tal como existe, normal e regular, é um mundo de rapazes e raparigas heterossexuais, pintalgado por alguns que não o são e em relação aos quais deve ser promovida uma coisa chamada ora "diversidade" ora "tolerância".<br /><br />Apesar de bem intencionado, este discurso não serve. Não é substancialmente diferente - a não ser na intenção caritativa da "tolerância" e na fuga eufemística da "diversidade" - do discurso que tem prevalecido nas últimas décadas e que poucos resultados teve na promoção do bem-estar e autonomia das pessoas. Porque não dizer claramente: "O mundo tal como existe é feito de muitas variações da identidade, da orientação e do comportamento sexuais. Todas são legítimas. Ilegítima é a discriminação, activa ou pelo silenciamento. E a regra de ouro das relações sexuais e afectivas é o mútuo consentimento informado entre pessoas em idade legal"?<br /><br />Por causa do "consenso"? Por causa da pressão do lobby católico, versão fundamentalista? Mas então o Estado não opta? E os governos não optam? Há eleições para quê? Ou a razão será outra - uma interiorizada e inconsciente miopia típica de quem, mesmo sendo "técnico", mesmo sendo "laico", mesmo sendo de "esquerda", se situa, afinal de contas, na heteronormatividade?<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5389881-3003761620265177523?l=valedealmeida.blogspot.com'/></div>mvanoreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-5389881.post-90683566707602935972007-09-27T08:58:00.000+01:002007-09-27T08:59:51.122+01:00<strong>Nunca pensei vir a concordar com Santana Lopes:</strong><br /><br />«O social-democrata Pedro Santana Lopes abandonou ontem uma entrevista que estava a dar à SIC Notícias sobre as eleições do PSD depois da sua intervenção ter sido interrompida por um directo sobre a chegada de José Mourinho a Lisboa. "Eu vim aqui com sacrifício pessoal, e sou interrompido por um treinador de futebol… Acho que o país está doido", afirmou Santana Lopes, antes de sair dos estúdios.» (<em>Público online</em>)<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5389881-9068356670760293597?l=valedealmeida.blogspot.com'/></div>mvanoreply@blogger.com2tag:blogger.com,1999:blog-5389881.post-85933483515583505792007-09-26T11:18:00.000+01:002007-09-26T11:28:14.085+01:00<strong>Praxe</strong><br /><br />As faculdades que permitem as praxes, mesmo que apenas nos pátios ou espaços circundantes (como, infelizmente, acontece com a minha) estão a subscrever e a promover os piores valores. É assim como se nos seus cursos de comunicação social ensinassem o jornalismo com base no <em>24 Horas</em>, ou nos de antropologia promovessem o racismo "científico", ou nos de física dissessem que Galileu era um herege. Pela minha parte lá vou dando aulas, gritando sobre o barulho que entra pelas janelas. Depois, nos corredores, e sobretudo nos pátios, é uma viagem pelo comboio-fantasma, uma aula viva de etologia animal, um parque temático medieval: orelhas de burro, bonecas insufláveis, machismo, homofobia, humilhações, hierarquias, celebração do privilégio. Ao menos que assumissem o lado animal da coisa: os machos (e as fêmeas adeptas do machismo) que montassem os júniores, seguindo-se um chichizinho para marcar o território. Iam ver que aliviava.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5389881-8593348351558350579?l=valedealmeida.blogspot.com'/></div>mvanoreply@blogger.com7tag:blogger.com,1999:blog-5389881.post-63224464623241833722007-09-26T11:11:00.000+01:002007-09-26T11:18:19.646+01:00<strong>A besta...</strong><br /><br />... que preside ao Irão disse, na Universidade de Columbia, que no Irão "não há homossexuais". Só pode ser porque afinal <a href="http://hrw.org/english/docs/2005/11/21/iran12072.htm">tem andado a matar </a>mais pessoas do que pensávamos.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5389881-6322446462324183372?l=valedealmeida.blogspot.com'/></div>mvanoreply@blogger.com2tag:blogger.com,1999:blog-5389881.post-28704188949622393702007-09-24T21:42:00.000+01:002007-09-24T23:00:57.621+01:00<a href="http://4.bp.blogspot.com/_Trtl_N0kUqE/RvglQyDi3JI/AAAAAAAAALA/kweW3sO2avI/s1600-h/2007-018.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5113878347123973266" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Trtl_N0kUqE/RvglQyDi3JI/AAAAAAAAALA/kweW3sO2avI/s400/2007-018.jpg" border="0" /></a><br /><strong>Notícias do "Estado de direito democrático"</strong><br /><br />1 - A Lusoponte tem o exclusivo das travessias do Tejo a sul de Vila Franca.<br />2 - A legislação que definiu isso foi aprovada quando Ferreira do Amaral era ministro.<br />3 - Graças a uma intervenção do lobby empresarial, a hipótese de construir o aeroporto em Alcochete tornou-se real.<br />4 - Já estava a ser planeada uma terceira ponte, ferroviária; a hipótese do aeroporto fará com que seja também rodoviária, algo que levanta a questão do exclusivo.<br />5 - Ferreira do Amaral já não é ministro: preside à Lusoponte.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5389881-2870418894962239370?l=valedealmeida.blogspot.com'/></div>mvanoreply@blogger.com2tag:blogger.com,1999:blog-5389881.post-64992656556295555502007-09-24T10:07:00.001+01:002007-09-24T10:16:10.671+01:00<strong>Notas de trânsito</strong><br /><br />1. Como diz Mma Precious Ramotswe, a detective do Botswana*, "you can tell a country by its traffic". Por estes dias tive que pegar no carro pela primeira vez em meses. Big mistake. Não ajuda muito na relação afectiva com a Nação.<br /><br />2. O que diz então o trânsito português sobre Portugal? Bem, a mesma pessoa que demora horas a arrancar no sinal verde, acelera loucamente para passar no sinal quase vermelho logo a seguir.<br /><br />3. Anúncio na estrada de Sines para Lisboa: "Vende-se triciclo de 3 rodas"<br /><br />4. Ainda nessa estrada: há cinco anos que definha um "outdoor" do PSD local que, no início, se congratulava com a conclusão ou reparação do IP8. Dizia "Cumprimos!" e mais não sei quê. O cruel tempo tratou dele - que mais ninguém o fez... - e agora só diz: "rimos!"<br /><br />5. Pichagem de beira de estrada: "Portugal a concelho!"<br /><br />*<span style="font-size:85%;">da série No 1 Ladies' Detective Agency. Conheci Mma Ramotswe pela primeira vez ao ler <em>The Kalahari Typing School for Men</em>. O autor, Alexander McCall Smith também tem um livro a gozar com a academia. Intitula-se curiosamente <em>Portuguese Irregular Verbs</em>.</span><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5389881-6499265655629555550?l=valedealmeida.blogspot.com'/></div>mvanoreply@blogger.com4tag:blogger.com,1999:blog-5389881.post-27029011874040883892007-09-19T09:55:00.000+01:002007-09-19T10:06:16.480+01:00<strong>Mendes &amp; Menezes</strong><br /><br />«Não, não concordo. A união de pessoas do mesmo género é isso mesmo – uma união, não um casamento. No regime de uniões de facto entre homossexuais ou heterossexuais acho que deve haver direito à herança, desde que protegidos eventuais direitos de terceiros. Não concordo com o direito à adopção por homossexuais. Os direitos que devem sempre prevalecer na adopção são os da criança, e não o interesse dos adoptantes.» (Marques Mendes)<br /><br />«Sou contra a adopção por casais homossexuais. Sou a favor da normalização legislativa que equipare, em termos de direitos, as uniões entre homossexuais com as uniões de facto. Tal não necessita de pressupor qualquer tipo de vínculo contratual público. O direito à herança deve ficar sujeito a uma opção voluntária, subscrita notarialmente, por parte dos intervenientes.» (Luís Filipe Menezes)<br /><br />Ambos no <em>Público</em> de ontem. Talvez alguém possa explicar a estas duas sumidades alguns factos: a) que em Portugal as pessoas homossexuais podem adoptar, os casais do mesmo sexo é que não; b) que existe uma Lei das Uniões de Facto... de facto; c) que os direitos das crianças já estão protegidos nas nossas leis; d) que existe uma coisinha chamada o artº 13º da Constituição, o qual conviria ser lido por quem, no seu <em>job description</em>, é suposto defendê-la.<br /><br />PS para o PS: aproveitem, caramba! Têm aqui uma bela oportunidade para se distinguirem do PSD, pelo menos na chamada "agenda civilizacional".<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5389881-2702901187404088389?l=valedealmeida.blogspot.com'/></div>mvanoreply@blogger.com4tag:blogger.com,1999:blog-5389881.post-4946410734829472742007-09-17T15:47:00.000+01:002007-09-17T15:50:38.466+01:00<strong>What's in a post?</strong><br /><br />Já lá vão uns anos desde que há blogs. Será que já percebemos qual o estatuto de um <em>post</em>? A mim parece-me sempre uma coisa entre a conversa oral (<em>verba volant</em>...) e o texto publicado. Esta ambiguidade é danada: postado, é mais do que conversa para esquecer; não publicado (num medium de outrém, ou com avaliação), é menos do que compromisso com o que se escreve.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5389881-494641073482947274?l=valedealmeida.blogspot.com'/></div>mvanoreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-5389881.post-12660592446289034742007-09-17T15:16:00.000+01:002007-09-17T15:37:51.064+01:00<strong>Uni-versal</strong><br /><br />1. O meu dilema com a reforma universitária tem sido mais ou menos este: desejar que acabasse a universidade oligárquica, patriarcal, paternalista, e bafienta herdada do Antes; temer que se transformasse numa empresa, com produtos, resultados e "clientes compradores de saídas profissionais" do Hoje. Faltou e falta a do Amanhã (o tal que canta).<br /><br />2. Perdemos a oportunidade de construir a terceira via: ter finalmente <em>universidade</em>, criadora de conhecimento técnico, científico <em>e humanista</em>, acessível a todos e como serviço público. A altura certa teria sido ali pelo 25 de Abril. Em vez disso fizemos dela um caos, rapidamente ultrapassado pela única força que havia com algum capital para (re)fazer alternativa - o bafio. Outra vez. Por isso agora consegue convencer-se a sociedade de que a neo-liberalização é a única via.<br /><br />3. Apesar de ter horror a soar a velho do Restelo (e logo do Restelo...), a universidade que vejo esvair-se agora não me dá saudades da universidade de "antigamente". Dá-me saudades de outra universidade. Saudades de futuro. Em breve não contará para nada o desejo ou a vocação, sentidos há 20 e tal anos atrás, de ser cientista, de investigar e publicar, de o fazer com preocupação de utilidade social, de educar e formar pessoas com desejo de conhecimento, racionalidade, crítica, criatividade... Em breve seremos funcionários de administração, pequeno-gestores de uma máquina de resultados orçamentais. Conteúdos? Baah... Obedeceremos às "personalidades da vida activa e empresarial" que constituirão cada vez mais os conselhos consultivos, os <em>boards</em> das fundações, os comités de avaliação...<br /><br />4. Ilustração marginal e curiosa, ou sinal dos tempos: ficam vagas por ocupar em antropologia e a média do último acesso anda pelos 10 valores. Em economia e gestão de outra universidade concorreram duas vezes mais alunos do que o número de vagas e o último a entrar teve 15,95 (em gestão; dados disponíveis ontem no <em>Público</em>).<br /><br />5. É preciso não sacudir a água do capote, claro. Fizemos asneiras, não planeámos o futuro, não criámos "produtos" interessantes, não fizemos bem o "marketing", errámos nos "targets"? Talvez. Mas convém não esquecer que não foi para isso que muitos e muitas de nós escolhemos profissões académicas e científicas. Não "tirámos" gestão de universidades. E quando sugerimos alternativas válidas, testadas com êxito noutros países, não nos ouviram, ou interesses corporativos sobrepuseram-se. Um exemplo claro e simples: em Portugal faria muito mais sentido haver apenas licenciatura em Ciências Sociais, seguida de pós-graduações nas áreas disciplinares (ou temáticas) específicas. Bolonha teria sido a oportunidade para o fazer. Não foi.<br /><br />6. A universidade caminha para deixar de ser universal. Passará a ser uni-versal: um só verso, um só lado.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5389881-1266059244628903474?l=valedealmeida.blogspot.com'/></div>mvanoreply@blogger.com10tag:blogger.com,1999:blog-5389881.post-61831093649782520072007-09-16T10:39:00.000+01:002007-09-16T10:40:58.355+01:00<strong>No futuro...</strong><br /><br />... pode ser que as coisas sejam <a href="http://www.iglesiamaradoniana.com.ar/index.php?">assim</a>.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5389881-6183109364978252007?l=valedealmeida.blogspot.com'/></div>mvanoreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-5389881.post-22844565339665455242007-09-15T21:18:00.000+01:002007-09-15T21:53:53.658+01:00<a href="http://2.bp.blogspot.com/_Trtl_N0kUqE/RuxEz2noHSI/AAAAAAAAAK4/gI62tSkORlQ/s1600-h/0334.bmp"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5110535334784408866" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Trtl_N0kUqE/RuxEz2noHSI/AAAAAAAAAK4/gI62tSkORlQ/s400/0334.bmp" border="0" /></a><br /><br /><strong>Eu até queeria...</strong><br /><br /><em>Queer</em> - no sentido mais "popular" e não no académico - é sem dúvida simpático. Quebrar fronteiras identitárias, ir mudando e "performando" sinais identitários, até mesmo transpor e transgredir a própria ideia de identidade, é sem dúvida atraente. Mas.<br /><br />Por um lado, o nosso tempo de vida e a nossa individualidade; por outro, os contextos históricos em que vivemos. Quanto ao primeiro: a nossa identidade constroi-se em grande medida justamente pela definição do que não somos. Define-se, goste-se ou não, pelo estabelecimento de fronteiras simbólicas e práticas. Podemos (devemos?) experimentar, forçar a barra, fazer por abrir horizontes. Mas "no fim do dia", e no plano da sexualidade, o que queremos mesmo fazer? O que sentimos mesmo? E no nosso limitado tempo de vida? A identidade é uma prisão? É. Mas...<br /><br />Quanto ao segundo: em cada período e contexto há uma tipologia de identidades; essa tipologia estabelece também uma hierarquia; há identidades normativas e privilegiadas e outras perseguidas e estigmatizadas. Ao contrário do que alguns pensam, a transcendência das identidades não cria grandes engulhos ao "sistema". É até bem possível que se coadune com ele e com o seu guião de indivíduos consumidores, instáveis e sem biografia.<br /><br />Em suma: eu gostaria muito de ser (estar) <em>queer</em>, mas estou "condenado" a ser gay. A minha identidade sexual está limitada pelos meus desejos e erotismo e por identificações externas (é contra estas, reconheço, que o gesto <em>queer</em> pode ser mais eficaz); e a minha afirmação de cidadania é estimulada pela vontade e necessidade de combater a opressão.<br /><br />As coisas complicam-se um bocadinho se introduzirmos a variável "Portugal" neste cenário. Receio que aqui "queer" possa rapidamente ser canibalizado e entendido como algo de semelhante a "metrosexual" - e um óptimo alibi para a continuação de muitos armários. Nada melhor para que tal aconteça do que a oclusão das categorias "gay" e "lésbica".<br /><br /><br /><a></a><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5389881-2284456533966545524?l=valedealmeida.blogspot.com'/></div>mvanoreply@blogger.com3tag:blogger.com,1999:blog-5389881.post-88866067132121317242007-09-14T08:49:00.000+01:002007-09-14T09:00:47.432+01:00<strong>Cadê o ursinho?</strong><br /><br />Parece que um homem deu uma estalada noutro no fim de um jogo de futebol. As redacções dividem-se: de um lado os partidários da continuação da linha "mãe possivelmente desnaturada", do outro os da inovadora linha "homem sereno perde a cabeça". Entretanto, resmas de especialistas fazem já fila à porta dos estúdios. Espera-se estalada com os especialistas do caso "mãe desnaturada". Um ponto a desfavor do homem sereno que perdeu a cabeça: não foi visto andando com urso.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5389881-8886606713212131724?l=valedealmeida.blogspot.com'/></div>mvanoreply@blogger.com1tag:blogger.com,1999:blog-5389881.post-48863912538684829902007-09-13T17:43:00.000+01:002007-09-13T17:49:17.921+01:00<strong>Resposta,</strong><br /><br />sem acrimónia, a <a href="http://esquerda-republicana.blogspot.com/2007/09/negao-das-diferenas-biolgicas.html">este post</a>: explica-se pela construção social do género, justamente. Do mesmo modo que violência sexual e homicídios (e sua distribuição por sexo) são factos sociais e não <em>God-</em>, perdão, <em>Nature-given</em>. Quanto à ideologia, é assim mesmo: estamos numa "guerra" por significados, valores, direitos. Por que carga de água haveríamos de desejar um conhecimento absolutamente neutro sobre a diferença sexual, a não ser no que diz respeito ao "mecanismo", de modo a melhor tratar doenças?<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5389881-4886391253868482990?l=valedealmeida.blogspot.com'/></div>mvanoreply@blogger.com2tag:blogger.com,1999:blog-5389881.post-31707695171033130802007-09-13T17:18:00.000+01:002007-09-13T17:20:17.057+01:00<strong>Festival cuíere</strong><br /><br /><a href="http://www.queerlisboa.blogspot.com/">Começa já amanhã</a>.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5389881-3170769517103313080?l=valedealmeida.blogspot.com'/></div>mvanoreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-5389881.post-63587506036835823222007-09-13T11:59:00.000+01:002007-09-13T12:20:16.121+01:00<strong>Pensar, dizer e fazer</strong><br /><br />Não me é difícil imaginar que Nogueira Pinto possa estar escandalizada com as acusações de atitude discriminatória por ter sugerido o fim das "lojas de chineses" na Baixa e a criação de uma Chinatown. É perfeitamente comum termos a certeza de não termos discriminado e no entanto sermos acusados disso por algo que dissemos. O problema é que nestas coisas da discriminação pouco importa a "intenção" ou "o que sentimos verdadeiramente". Importa o que dizemos e fazemos (e dizer é, de certo modo, fazer). É por isso mesmo que a correcção política é, ao contrário do que se diz por aí, importante. É por isso também que ela está de certo modo mais ligada a um modo de agir em público "protestante" do que "católico" - este mais habituado a lidar confortavelmente com a diferença entre o que se sente "dentro" e o que se faz "fora".<br /><br />Mas as coisas são mesmo assim: o que se diz e faz é que conta, em matéria de discriminação. Também é por isso que - passando para uma área análoga à do racismo e xenofobia - muitos de nós não queremos converter ninguém à empatia ou simpatia com a homossexualidade. No imediato, pouco importa que haja mentes homofóbicas. Importa, sim, que haja vergonha social em proferir afirmações homofóbicas ou em discriminar directamente. E que haja a aceitação de medidas antidiscriminatórias, desde logo nas leis, com base nos princípios gerais da igualdade e dos direitos humanos. Fechando o círculo: uma das medidas antidiscriminatórias seria a promoção de educação sexual não heterossexista e a visibilização das vidas e experiências LGBT - uma dignificação simbólica que teria como consequência futura a famosa mudança de mentalidades. Esta é um processo lento e por isso nunca deve ser pré-condição para as mudanças legislativas e políticas.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5389881-6358750603683582322?l=valedealmeida.blogspot.com'/></div>mvanoreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-5389881.post-80614696739887621242007-09-13T11:55:00.000+01:002007-09-13T11:59:12.244+01:00<strong>To cry or not to cry</strong><br /><br />Uma das mil tontices sobre o caso McCann tem a ver com chorarem ou não, manifestarem ou não "emoções". Os vigilantes da cultura portuguesa acham que só as pessoas que gritam desesperadas em frente às câmaras sentem verdadeira dor. Até ir ao Papa não serve: é bem mais apropriado esfolar joelhos a caminho de Fátima.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5389881-8061469673988762124?l=valedealmeida.blogspot.com'/></div>mvanoreply@blogger.com1tag:blogger.com,1999:blog-5389881.post-52585243060653432102007-09-12T14:29:00.000+01:002007-09-12T14:30:37.729+01:00<strong>Definição de "Negócios Estrangeiros":</strong><br /><br />1) Receber Mugabe;<br />2) Não receber o Dalai Lama.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5389881-5258524306065343210?l=valedealmeida.blogspot.com'/></div>mvanoreply@blogger.com2tag:blogger.com,1999:blog-5389881.post-77284348692383952882007-09-11T13:52:00.000+01:002007-09-11T13:55:22.612+01:00<strong>Cadê os comentários?</strong><br /><br />Bem, continua a ser possível comentar depois de ter largado o Haloscan, mas é necessário clicar na hora em rodapé. Pequenos <em>glitches</em> temporários... Este blog espera, de qualquer modo, mudanças significativas lá para Outubro, pelo que não vou mexer muito neste assunto.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5389881-7728434869238395288?l=valedealmeida.blogspot.com'/></div>mvanoreply@blogger.com2tag:blogger.com,1999:blog-5389881.post-4416142136065312372007-09-10T16:27:00.000+01:002007-09-10T16:50:31.207+01:00<strong>Femipost</strong><br /><br />1. Vale a pena ver <a href="http://iron-jawed-angels.com/"><em>Iron Jawed Angels</em></a>, sobre a luta das sufragistas nos EUA por alturas da Primeira Grande Guerra. Não só, mas também por isto: é que as reacções de políticos conservadores, de políticos supostamente progressistas, de muita media e, naquele caso, de muitas mulheres "que sabiam o seu lugar", eram as mesmas que hoje se encontram em relação ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Desde as barbaridades sobre a diferença essencial de natureza entre homens e mulheres, até aos "argumentos" do tipo "para que querem votar se o voto não serve de nada" (perguntam os que podem votar, é claro), até aos pedidos de "paciência" ou ao relembrar das "prioridades" (favoritos entre os "progressistas"), e terminando no desprezo fútil pelo tema do casamento por parte de tantos gays e lésbicas que "sabem o seu lugar".<br /><br />2. É rara a semana em que uma revista ou jornal não tenha um artigo ou reportagem sobre os mais variados assuntos mas cuja tese e objectivo são sempre os mesmos: demonstrar que há uma diferença radical e essencial entre homens e mulheres (sobre as diferenças entre pessoas de olhos azuis e verdes nada aparece, nem sobre as diferenças entre mulheres ricas e pobres, por exemplo). Faz parte da agenda do <em>backlash</em>, sem dúvida. Mas faz também parte do ar dos tempos, infelizmente. Perante estas coisas é sempre bom fazer a pergunta pedagógica: se essa diferença essencial e radical (e, claro, as ilações sociais e políticas que dela se pretende tirar) é assim tão... essencial e radical, para quê uma campanha tão empenhada?<br /><br />3. O ministro dos estrangeiros francês esteve em Viana numa cimeira e resolveu ser mais estereótipo que o estereótipo - no caso Pepe Le Phew. Em passeio de comitiva pela cidade, deu umas beijocas nas moças vestidas à minhota e disse que elas eram muito giras e que até sem aquelas belas roupas seriam giras. Todos os outros ministros - e ministras - acharam uma gracinha e deram as suas risaditas. As minhotas, impávidas - que tinham sido contratadas para estátuas decorativas. As TVs, porque o ministro apreciou um produto nacional (não é como os pérfidos ingleses que odeiam a nossa querida PJ) adoraram e alinharam na risadita. Eu se fosse minhota tinha dado com um tamanco no ministro.<br /><br />PS: Imagine-se se tivesse sido uma passagem de revista à tropa e um ministro dissesse que os soldados estavam muito giros...<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5389881-441614213606531237?l=valedealmeida.blogspot.com'/></div>mvanoreply@blogger.com1