tag:blogger.com,1999:blog-4922352369882561356.post-89599147076135149212008-04-27T07:05:00.000+02:002008-05-01T08:03:55.729+02:00Dois ocidentais indo de Shenzen para GuangzhouOntem deveríamos ter ido a Guangzhou, e de lá teríamos visitado um pequeno vilarejo onde 90% da atividade comercial são as porcelanas chinesas. Mas quem disse que eu consegui levantar da cama? Uma semana depois, meu fuso-horário corpóreo está "maromeno", ou seja, meu corpo não está nem no horário europeu, nem no horário chinês. Está meio cá e meio lá.<br /><br />Considerem também que quinta e sexta-feira, enquanto amore mio foi para as fábricas, lutar com os chineses (nota: em primeiro lugar lutar para se comunicar e ter certeza que eles entenderam tudinho em chinglês), eu fiquei no hotel trabalhando, para fechar a edição de um house organ. E acho que na quinta-feira eu devo ter trabalhado umas 10 horas!<br /><br />Por isso, ontem resolvemos dormir a manhã inteira, tomar café na rua e ir visitar Shenzen. A cidade não é lá essa maravilhas. Nasceu pelo fato de concentrar o maior número de fábricas da China, o céu é super cinzento, mas sendo o pólo industrial mais próximo de Hong Kong, circula um grande número de ocidentais por aqui e muito dinheiro também. Então visitamos a parte "chinesa" da cidade, onde os locais vão fazer compras, passear, levar os filhos à escola, etc. Já o bairro onde ficamos, mais perto da estação, ao meu ver é um pouco "menos chinês", e também é um bairro mais rico. A gente queria ver algo mais genuíno...<br /><br />Já hoje pegamos o trem e fomos visitar Ghangzou, ou Canton, que é o nome ocidental da cidade. A tarefa mais árdua foi comprar a passagem e explicar que queríamos o trem rápido. Mas isso foi uma mancada, porque deveríamos ter pedido ao pessoal do hotel para escrever isso em chinês pra gente num pedaço de papel. Mas serviu como experiência de viagem: é mister sair sempre com o endereço escrito em chinês, porque mesmo estando numa das maiores estações de trem da China, indo para uma cidade que hospeda uma das maiores feiras de exposições (Canton Fair), isso não significa que as pessoas falarão inglês, e muitas vezes nem mesmo o chinglês resolve! E outro detalhe: e quem disse que quando eles falam inglês, a gente consegue entender logo na primeira ou na segunda vez?<br /><br />O trem rápido de Shenzhen (pronúncia: chen-djen) para Guangzhou (pronúncia: guang-dju) leva 50 minutos de viagem. Modernidade, limpeza e funcionalidade nota 9. Com umas plaquinhas de directions em inglês, eu teria dado nota 10. Mas o pessoal que trabalha na estação procura ajudar, nem que seja com mímica. E vocês não sabem o quanto eu usei mímica por aqui, já que o Federico levava o dicionário de chinês para a fábrica. E eu nunca lembrava de usar o dicionário básico que tem no final do Guia Lonely Planet.<br /><br />Mas, voltando a Canton: a cidade merece uma visita, pelo menos por cinco motivos:<br />1) o parque das orquídeas (Orchid Garden). Na verdade há uma estufa, e nem tem assim tantas orquídeas, mas é um dos parques mais bonitos que eu vi em todo o mundo, sem exagero algum! É um oásis em meio a uma cidade com um céu perenemente cinza. Não entendi se é o clima ou se é a poluição, ou todos os dois. Considerem que na China, o carvão é um dos meios de geração de energia mais usados!<br /><br />2) O Yuexiu Park, que é mais popular, e a gente vê um típico domingo das famílias chinesas. Tinha um grupo folclórico de idosos que cantavam antigas canções chinesas, outros velhinhos que dançavam, muitos velhinhos que faziam tai-chi-chuan. No Yuexiu Park existe, por exemplo, um antigo pedaço de muralha do tempo da Dinastia Ming, uma antiga torre e pavilhões construídos em típico estilo chinês, o museu cívico local e a galeria de arte local, afinal são 93 hectares de parque. Infelizmente não exploramos muito esse parque, porque tive uma ligeira queda de pressão, então nos refugiamos no bar do hotel Marriott, para eu comer alguma coisa e me recuperar.<br /><br />3) Visitar a Shamian Island. É uma pequena ilha que foi concedida aos ingleses e aos franceses, durante a Dinastia Qing, no século 19. Esse pequeno espaço (menos de 0.5 kilômetros quadrados) faz recordar o antigo período colonial com as dominações inglesa e francesa. Todos os prédios são em estilo europeu e a ilhazinha é um oásis de verde, tranquilidade e paz. Inclusive com uma igreja católica.<br /><br />4) Em Shamian Island, não perca por nenhum motivo ao mundo a chance de comer no Shangai and Suzhou Restaurant. Na verdade está indicado no Guia Lonely Planet, mas eu acho que não fizeram a menção que o lugar merece. Posso dizer que foi aqui que fiz as pazes com a cozinha chinesa, porque descobri uma nuance de sabores únicos, mesmo que fosse em um normalíssimo dumpling! OK. Se nada mais lhe interessar em Canton, venha somente pelo restaurante.<br /><br />5) Complexo do Templo Budista Guangxiao: apesar de ser uma das pessoas no mundo que mais detesta incenso, que me causa quase sempre uma dor de cabeça terrível, para mim foi uma experiência visual e sonora única visitar esse templo. Chegamos debaixo de temporal, eu estava com um mau humor terrível (TPM rules, baby), mas devo dizer que a beleza e a suntuosidade do lugar me deixaram talmente boquiaberta, que encarei todo o resto da tarde, até voltar ao hotel com mais tranquilidade de harmonia.Lulu das Candongashttp://www.blogger.com/profile/05796932425222052754noreply@blogger.com