tag:blogger.com,1999:blog-46198039801654873242008-08-20T18:55:59.254-04:00-Deixa eu brincar de ser Feliz?Jayahttp://www.blogger.com/profile/05864430637430183419noreply@blogger.comBlogger107125tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-77639246013912041762008-08-17T14:49:00.005-04:002008-08-17T15:25:11.718-04:00Eu, você e a praça<div align="right"><em><span style="font-size:85%;">Preciso rever<br />Seu sorriso um tanto sem graça<br />Preciso voltar<br />Mais uma vez com você, lá na praça.</span></em> </div><div align="justify"><br />Da última vez, você colocou o destino em minhas mãos. Não foi nem tão pesado, mas eu me desequilibrei e fui soltando tudo por aí. Nada ao acaso, mas tudo em lugares que fizessem florescer aquelas promessas. Não ousei fazer escolhas, e bloqueei todos os acessos à tua voz. Você tinha ido embora, e eu quis te apagar em mim. Se consegui? Claro que não. Mas te guardei no canto mais fundo. Não lembrava você.<br /><br />Só que tinha a praça. A nossa praça. Das nossas histórias malucas, de você tímido querendo dizer mil coisas. Eu, presa em teus olhos e dizendo que você não precisava dizer nada, enquanto era necessário ouvir tudo. As confusões confessas. Confissões confusas. Os “não vai”, “fica mais”, “me dá um abraço”. As ligações que serviam para extravasar a mudez. O “presta atenção, eu só me sinto bem assim com você”. E depois, desencontros. Escassez. E o tempo dando conta de tudo. Cuidando de mim. Fazendo bem a você. Lembranças leves. A praça sempre me mostrava o <em>nós</em>. Amenizava saudades. Tem um pouco de <em>você e eu</em>, ali.<br /><br />De repente, você cai na minha porta. Eu me desenho sem ação, assustada, feliz, entre pulos contidos e sorrisos escancarados. Você me desarma com um abraço. Aí eu lembro do teu poder. Teu sorriso. E do quanto me reconfortava ser acarinhada por aqueles olhos de mel - um doce não tão açucarado. E entre olhares e sorrisos um tanto sem graça, são trocadas palavras superficiais. Sabe aquele jeito? Aquela idéia do <em>eu nem acredito que estamos aqui outra vez</em>. Do <em>é inacreditável como nada mudou desde o último encontro</em>. E piadas para disfarçar o nervosismo. E meu rosto a desenhar todos os sustos.<br /></div><div align="right"><br /><em><span style="font-size:85%;">Sem querer eu olhei em seus olhos<br />Sem saber segurei suas mãos<br />E começou assim<br />Um longo silêncio entre nós<br />A sua presença calou minha voz<br />Tanta coisa eu tinha guardado pra lhe dizer<br />Mas não disse nada.<br /></span></em><br /></div><div align="justify">E nem precisava. Nossas palavras eram aquelas, entre gramas verdes e estrelas. O passado virou nosso agora. Engraçado como você fez meu dia virar assobios, músicas, cores. Como você tira o nublado desses tempos de chuva e faz o céu mais lindo do mundo voltar a ser admirado por mim. Engraçado você. E eu. E o reencontro prometido. A praça. Nosso quadro.<br /><br />Te mostrei então onde nossas promessas se tornaram flores. Versão assimilada de mim, você entendeu que o destino pode fazer parte de todos os cantos. E do nosso, é melhor se esquivar de planos. Do nosso, basta o pensamento cruzado, como esses aviões no ar. Como o avião que te trouxe. Como você, na minha rua. E enquanto isso, os corações conversam de perto, pra depois acenarem da janela do mesmo avião que te leva embora, sem saber quando vai voltar.<br /><br /></div><div align="right"><em><span style="font-size:85%;">Nosso tempo era curto<br />E tão pouco.</span></em> </div><div align="justify"><br />É que você veio. E foi tudo tão bom, que quase dói pensar em te perder outra vez. Te perder para a distância. Mas, sabe, coração agüenta. Amizade sustenta. E a praça.<br /><br /></div><span style="font-size:85%;"></span><div align="right"><span style="font-size:85%;">- Título, inspiração e trechos por conta da harmonia de <strong>Zeca Baleiro.</strong></span> </div>Jayahttp://www.blogger.com/profile/05864430637430183419noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-4568372770077147672008-06-29T20:45:00.011-04:002008-07-04T17:56:44.892-04:00Aviso<div align="justify">O <em>-Deixa eu Brincar de ser Feliz?</em> entra hoje de férias. Férias forçadas, é verdade. A dona e proprietária desse canto estará com seu nariz pintado, brincando de fazer monografia nos próximos meses. Junto com decisões, cursos, fantasma da OAB, fases finais, <em>tralálá e talz</em>. Em meados de outubro isso aqui deve voltar a funcionar. Pelo menos, assim espero!<br /><br />Como não gosto de despedidas, entre saudades e desapegos, serei rápida. Deixo meu beijo para cada um que enfeita esse blog com suas palavras bonitas e carinhosas. Sempre que folgar, espiarei vocês, prometo.<br /><br />Abração, gente! E até. :)</div>Jayahttp://www.blogger.com/profile/05864430637430183419noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-55141514889362289092008-06-22T16:04:00.006-04:002008-07-03T01:16:43.646-04:00Amor - chama, e, depois...<div align="justify">Quando ele acendeu a fogueira ontem, aquelas chamas a levaram ao seu tempo de menina. Naquelas épocas de quadrilhas na escola. Será que ele lembrava? Deixou-se levar por esse clima gostoso, e entregou-se ao passado.<br /><br />Era uma garota tímida, veja bem. Não bastasse esse fato, a mãe insistia para que participasse das quadrilhas de São João. Ah, como isso a assustava. Dançar, dançar na frente dos outros, ainda por cima! No alto dos seus cinco, seis anos de idade, isso a atormentava bastante. Mas aí seguia seus coleguinhas. Ele sempre era seu par. As tias diziam que combinavam. Ele não se incomodava em ensaiar com ela, e até arrancava algumas risadas suas, em meio ao medo. Ensaiavam tudo bonitinho, passo a passo. Será que ele lembrava? No dia exato da apresentação, estavam todos enfeitados. Cabelo, maquiagem, pintas no rosto, chapéus, roupa de caipira. Era engraçado. Guardam uma foto assim, os dois. Às vezes ela admira a fotografia e começa a sorrir sozinha, lembrando do quanto ele lhe fazia bem, mesmo com seus abandonos. É, todo ano era a mesma coisa. Ele seu par, ensaios, fantasias, e na hora de começar a quadrilha, ela chorava desesperadamente, teimava em não entrar no salão. Ele ao seu lado. Nunca dançaram quadrilha nessa época. De vez em quando ele ficava chateado com ela, e às vezes arrumavam-lhe um par, e ela era quem ficava chateada. Por que não poderiam continuar os ensaios? Era tão mais natural!<br /><br />Aí agora ela o observa ali, armando a fogueira, se fazendo menino outra vez, brincando com suas melhores emoções, e fica tentando relembrar aqueles passos antigos. Será que ele aceitaria dançar agora? Assim, no ritmo que pegaram para si após todos esses anos. Assim mesmo, ao redor da fogueira, na rua ladrilhada com seus sonhos.<br /><br />- Dança comigo?<br /><br />Ele a tomou nos braços, e mesmo sem som algum, suas afinações tocaram a mais bela música de todas. Eram um só verso. Quadrilha ou não, isso era insignificante. Encontrara um par para a vida inteira, que dançaria com ela qualquer ritmo, e esperaria sua adaptação a novos tons.<br /><br />Foi como a<em> Valsinha</em> de <em>Chico</em> e <em>Vinicius</em>, em seus efeitos:<br /><br /><em></em></div><div align="right"><em>E ali dançaram tanta dança<br />Que a vizinhança toda despertou<br />E foi tanta felicidade<br />Que toda a cidade enfim se iluminou...</em></div><em></em><div align="justify"><br /><br />Ela, enquanto voando em suas músicas, pensava que bonito foi Deus fazer assim, trazer ele para seu caminho sem tanta demora. Deixar-lhe dividir com o amor o primeiro lápis de cor, quando ambos resolveram brincar de ser artistas, desenhando seus corações um no outro. E dividiam a merenda da escola. Depois ele carregava seus livros, e a acompanhava até em casa. As matinês no cinema. Mais pra frente ela pôde ouvir a serenata numa noite de São João, quando ele subiu na árvore e rasgou as calças para cantar mais perto dela. E os olhos sorrindo. O primeiro beijo. O primeiro. Único. Um sonho dos dois. Os dois para sempre. Ninguém cantaria uma música de um mundo tão manso quanto o deles.<br /><br />A quadrilha que criaram para si terminara, naquela noite. O tal do amor continuara florindo em canção. Continua. Era exato o modo como seu jeito de amar se ajeitava nele. Não tinha perigo de desvencilhar. Não tinha perigo, não. Tinha era qualquer coisa de lua cheia. Enfeite de São João.<br /><br />Nenhuma chuva apaga esse conto de fogueira. É sempre chama.<br /><br /></div><span style="font-size:85%;"></span><div align="right"><span style="font-size:85%;">-Título retirado dos versos de <em>Bandeira</em>, em <strong>Chama e Fumo.</strong></span></div>Jayahttp://www.blogger.com/profile/05864430637430183419noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-79283904225077349242008-06-16T21:53:00.009-04:002008-07-03T01:17:15.034-04:00Durma, medo meu.<div align="justify">Já havia temperado meus sonhos com teus melhores sorrisos. Era um gosto bom. Mas a vontade derreteu-se na chuva. A vontade poderia ter sido amor. A chuva? Qualquer coisa que dançava em ritmo de saudades. Me fazia pensar nesse vento de toda hora, que chega sussurrando histórias e espalhando afeições. Aí depois, quando bem entende, leva tudo embora. Só não leva embora o medo. Esse medo que faz da coragem um eclipse.<br /><br />Tudo ficou escuro do lado de cá. Me perco nesse deserto de nós dois. Escutam-se rumores de um final que ainda não quer se convencer. As imagens ficam desbotadas e eu deixo as palavras repetidas se perderem, soando tão ocas. Repito você. Não tem mais ninguém para preencher esse vão que minhas mãos faziam, como se através desse gesto desatasse todos os meus nós.<br /><br />Me contaram que um mundo teu existe. E existe dentro, em mim. O medo chega a quase adormecer com essa noção. Meus sentidos se desmontam. Minha alma amanhece essa noite morena, teus olhares pousam em meus movimentos, e nem se sabe mais onde mora o vazio dos abraços. Me embalo ao teu som, entre esse cafuné delicado em meio aos meus cachos tão inconstantes quanto minhas palavras. Seus dedos parecem beijar meus cabelos, enquanto eu só sei pensar em enfeitar você. E o medo ali, observando através dos olhos meus.<br /><br />Minha confusão descabida chega a achar que o medo não vence. Não estamos sós. Parece que assim, juntinhos, você cabendo em meu espaço e eu me encaixando no teu, dublaríamos paixões do nosso próprio filme. Fico pensando em te convidar a voar perdido comigo.<br /><br />Enquanto isso, mantenho esse campo de idéias inefáveis, onde estrelas e vaga-lumes se confundem, ali, num cantinho escondido, que visito desacordada. Sabe? É como naquelas fábulas que ainda não escreveram. Não escreveram porque ainda não vivemos, e o livro é nosso.<br /><br />Queria dizer chega para tanta suposição de céu. Deixar o medo eternizar seu sono. Já não tem graça enxergar o amor como uma miragem.<br /><br />Vou viver de brisa, entre folhas e cânticos.</div>Jayahttp://www.blogger.com/profile/05864430637430183419noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-59966369885544355312008-06-07T18:18:00.004-04:002008-07-03T01:17:42.186-04:00Um Teatro de Sonho Mágico<div align="justify">Hoje sentei na janela do quarto e o beija-flor apareceu outra vez pra me contar de você. E nem eram segredos de liquidificador. Eu folheava algumas poesias soltas, de <em>Drummond.</em> O tempo? O tempo não estava tão bonito assim, mas tinha uma flor de pétalas brancas, e o beija-flor foi acariciá-la.<br /><br />Lembrei-me então daquele dia, em meio a uma série de fragrâncias inebriantes, onde você me tomou pela mão pela primeira vez. Mesmo tímida e desconfiada, te entreguei minha aquarela. Era um canto que parecia cenário, entre colinas esverdeadas e borboletas que dançavam distraídas. No meio desse pedaço bonito de tempo, o céu assistia ao começo do nosso conto. Resolvemos pintar aquela tarde amarelada. Uma brisa suave me beijou o rosto, fez cócegas em minha pele e o sorriso apareceu. Você disse ter ficado enciumado. Ri da tua cara de bobo e passei um pouco de tinta na ponta do teu nariz. O palhaço mais encantado do mundo, você se tornou. Comecei a colorir minha tela, e por um vacilo qualquer, não notei quando você, num golpe de pincel, deixou cair aquela gota de cor esquisita e ofuscante no meu lado esquerdo, onde o coração valsa. Eu nem liguei, porque você era ruim de mira.<br /><br />Você tentou me acertar outra vez, desviei. Sorri. Você correu atrás de mim, em meio àquelas flores bem distribuídas, com o boné virado para trás e o sorriso mais sapeca de todos pendurado no rosto. Eu me rendi. Nem tanto pelo cansaço, era mais pelo abraço que você trazia consigo. Com um braço envolto em minha cintura, você me viu com meus olhos, eu te enxerguei com os teus. Nossas almas conversaram, e você não me largou antes de pintar uma bola vermelha em cada canto do meu rosto. Fiz cara de zangada, e você me chamou de fada, desmontando tudo com esse jeito assim, tão teu. Juntos, criamos nosso teatro mágico. Escrevemos uma história de fantasias enquanto o sol começava a querer se esconder.<br /><br />Deitei na grama. Deitei sem me importar com as folhas espalhadas. Você deitou em posição oposta, de modo que nossos rostos se encontrassem inversos. Lembro de nessa hora ter escutado uma música celeste, e nossos acordes se harmonizaram num enlace quase infinito. Foi quando você me convidou a sentar ao teu lado, enquanto se encostava aos pés daquela árvore portentosa. Deitei a cabeça no teu colo, e nossas mãos brincaram contentes durante todo o tempo em que ficamos assim, nessa conversa de silêncio, até as primeiras estrelas aparecerem no céu. Te entreguei uma constelação de presente, e você decidiu dividi-la comigo. Tão logo uma desventura rompeu em mim. É o efeito dessas despedidas injustas.<br /><br />Levantamos os dois, borrados de tinta. Eu sorrindo da cena e analisando teus melhores gestos a serem tatuados em mim. Antes de partir, provei um pouco daquela poção mágica que você carregava consigo. Me viciei. Dividimos mais algumas luzes, e você foi pra tua nuvem. Resolvi ficar um tempo a mais debaixo daquela árvore, tentando marcar o ponto exato do teu próximo pouso. Aqueles serafins de mãos de lira me ajudaram a colori-lo.<br /><br />Depois abri os olhos. Na minha janela, vi o beija-flor deixar de namorar a flor, agora despetalada, e ir embora. Caia uma chuva de paz. Fechei a janela. Dentro do quarto, minha tela esbanjava um arco-íris. O tempo nublado chamou a atenção para o meu cintilar. Era pó de estrela salpicado em meus cantos, definitivamente. Na boca, o sabor daquela mágica que provei: poesia. Aquela gota de cor esquisita, ainda reluzente, recheou de esperança o coração incrédulo. Sorri da tua mira exata, arqueiro.<br /><br />Sonhei você?</div>Jayahttp://www.blogger.com/profile/05864430637430183419noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-90587938624597776082008-06-01T15:51:00.005-04:002008-07-03T01:18:53.094-04:00Bossa de Amores<div align="justify">Ela decidiu um dia comprar um amor. Foi até a bolsa de amores, e investiu em ações. Ações de um moreno daqueles com papo bom. Daqueles que tocam violão enquanto decifram olhares. Daqueles morenos que ela construiu em meio aos seus livros e músicas. Um moreno que não ligasse ao ser notado com as mãos no queixo e os olhares distantes, enquanto sentado no café, numa tarde de quarta-feira. E seria assim porque estava amando, e o mundo precisava saber disso. Comprou as ações. Sentiu-se estúpida. Resolveu caminhar.<br /><br />Anoiteceu. Era um daqueles bares do Rio. Auge da <em>bossa nova</em>. Antes, raridade era quem tivesse ouvido <em>João Gilberto</em> em <em>Chega de Saudade</em> e não tivesse voado com aquele jeito de cantar os acordes e falar a música. E o que era aquilo que ele tocava bonito assim? Ela ouvira pela primeira vez agora, naquela rodinha de violão. Era um moreno cantando.<br /><br />Ele, pernambucano. Por essa época deixou a faculdade de Medicina de lado. Correu pro Rio. Pra música. E acabou decidindo fazer faculdade de Arquitetura. Ela olhando de longe, nem imaginava que ele arquitetava música também. E quem se importava? Onde ela estava com a cabeça ao comprar ações na bolsa de amores?<br /><br />Depois de muito se encontrarem em olhares de longe nessas noites boêmias, e de um estranho frio em meio ao calor do Rio, ele a viu chegar. Acompanhou-a de longe. Ela sentia o peso do olhar dele em si, e se fazia bonita. Nessa noite, só tocava<em> Tom Jobim</em>. As primeiras frases que ela o escutou musicar, foram exatamente os últimos versos de<em> Tom</em> em <em>Das Rosas</em>: <em>Meus olhos cansados de tudo não cansam de te procurar. Meus olhos procuram teus olhos no espelho das águas do mar.<br /></em><br />Bonitos os versos, ela pensou. Não era romântica, mas andava derramando um tal de um amor por todos os cantos. Sentou sozinha do lado de fora do bar, naquelas mesas que ficam na calçada. Não a incomodava esse desenho de solidão. Do outro lado da rua, o mar. Ah! <em>Cidade Maravilhosa</em>... Ela queria que seu único amor fosse assim, como você. Ao redor, por todas as mesas, muitos casais. Ela não ligava de ser a única sozinha. Acendeu um cigarro, bebia qualquer coisa que esquentasse suas batidas. Deixou de entregar seus olhos. Por um descuido, ele lhe sorriu, e a cumprimentou com um levantar de copo. Ela retribuiu o gesto. Alguns minutos depois, chuva. As águas de março.<br /><br />Sem querer entrar e se embolar com aqueles outros corpos no ambiente abafado, Bruna foi caminhar pela orla. Ah, sim. Bruna era o nome dela. Ele, Luiz. Assim que percebeu a ausência da moça de cabelos castanhos e sorriso desconcertante, a música parou. Luiz deixou o violão, foi procurá-la. Se olharam a três passos de distância. Ele a tomou pela mão. E muito embora nenhum dos dois ainda soubesse, alguma semente se plantou ali. E já estava sendo regada. Caminharam lado a lado, em silêncio. De repente, um sussurar de palavras bonitas. Era <em>Tom</em>, dessa vez em versos de <em>Fotografia</em>: <em>Eu, você, nós dois. Sozinhos neste bar à meia-luz. E uma grande lua saiu do mar...<br /></em><br />A chuva foi cessando seus contos. Luiz e Bruna sentaram num banco. Ambos estavam radiantes. Bruna, contida. Ela não recebera nenhuma ligação da bolsa. Será que isso era efeito do investimento em ações? Resolveu tirar esse pensamento tolo na cabeça. Tiveram o primeiro diálogo. Ela era estudante de Teatro. Conversaram sobre política, <em>Glauber Rocha</em>, censura. Ele contou dos seus projetos. Ela encenava suas palavras.<br /><br />- Sabe essa chuva que te fez caminhar pra cá? – dizia Luiz.<br />- O que tem?<br />- Foi tudo arquitetado por mim.<br />- Teus olhares me contaram desse poder. Distraída, cai na fantasia.<br />- Ah, eles têm mania de me entregar.<br />- Luiz, você investiria na bolsa?<br />- Morena, vou te presentear com essa lua. E sugiro falarmos sobre bossa.<br /><br />Ela sorria.<br /><br />-<em> Tom</em> ou <em>Vinicius</em>? – ele perguntou.<br />- <em>Vinicius.</em><br />- <em>Tom.<br /></em>- Tá provado. Você é meu par. As melhores músicas foram feitas quandos os dois viraram um.<br />- <em>Chega de Saudade.</em> Eu acho que quase concordo com você.<br /><br />Sorriram. Voltaram pro bar. Sentaram juntos. Alguém resolveu cantar <em>Fotografia,</em> e os trechos finais encerraram com a melhor chave, enquanto se ouvia o seguinte: <em>Parece que este bar já vai fechar. E há sempre uma canção para contar aquela velha história de um desejo que todas as canções têm pra contar. E veio aquele beijo. Aquele beijo.Aquele beijo.</em> Essa noite era <em>Tom.<br /><br /></em>Ela voltou pra casa. Ele a acompanhou até a esquina. Falavam de <em>Nara Leão.</em> Mas ele já tinha uma nova musa para a sua bossa. Ela? Não sabia se isso era efeito da bolsa. E cá entre nós, quem se importava?<br /><br />Ah, essa bolsa de amores! Tão lindos valores. Nunca queda de ações. Mercado sempre em alta. É, ninguém se arrisca a entender esse mercado de corações.</div><div align="right"><br /><span style="font-size:85%;"><em>-Inspirado na <a href="http://letras.terra.com.br/chico-buarque/85938//">Bolsa de Amores</a>, de Chico Buarque.<br />Escrito em meados de fevereiro.</em></span></div>Jayahttp://www.blogger.com/profile/05864430637430183419noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-81013529854087875042008-05-24T13:42:00.003-04:002008-07-03T01:19:25.410-04:00Ciranda da Bailarina<div align="justify">Entendi os olhos teus, bailarina. Entendi que não era tanto a poesia que te fazia voar naquele palco. Eu sei que a sapatilha machuca os pés enquanto o sorriso se pinta em teu rosto. Sei da tua atuação em outros campos. Ainda assim, eu acredito nos teus vôos. Notei qualquer coisa de porcelana em meio ao teu jeito de boneca. Por vezes me dava a impressão de enxergar uma estátua de vidro. Talvez pela falta de impressões, ou pela fragilidade escancarada. Entendi os olhos teus a mendigar outros infinitos. Eu bem via que caminhar nas pontas dos pés já não tinha aquela áurea de pluma de outrora. Não, não te julgo em representações, bailarina. Conheço teus bastidores. Prefiro teu coração. Você tem, não tem? Eu entendi os olhos teus.<br /><br />Ontem passei em frente ao teatro, não teve espetáculo. Fiquei a observar o cartaz com tua fotografia. Você, uma rosa branca, tal qual teu desenho. Você sem jardim. Não sobraram nem os espinhos que lhe serviam de defesa. E as pétalas que eu enxerguei em você, bailarina? Tão alvas! Dava pena imaginá-las a cair. O galho você ainda tem.<br /><br />O dia do teu último espetáculo antes de partir, foi hoje. Sentei-me na primeira fila, pra continuar a entender os olhos teus. Longe dos holofotes, percebi você a brincar de acreditar na vida através dos olhos do público. Talvez você encontre melhor enfeite assim. Nunca falhas. Acreditando na perfeição utópica da tua ciranda. Rodopia no teu céu, bailarina. Satisfaça teus sonhos. Sonhos você tem, não tem?<br /><br />Enquanto você escutava o som para marcar teus passos, tornei a decifrar teus olhos d’água. Eles choravam as notas. Essas notas não chegavam aqui, o vento as carregava para o mar. O mar que céu e chão dividem. O mar ao qual você deve pertencer, com esse canto de sereia. Você canta bonito, passarinha. Mesmo quando as palavras saem num sussurro. Música você tem.<br /><br />Ah, bailarina... Só por hoje, baila por inteiro! Baila de olhos fechados. Flutua em gotas de maciez. E depois, quando desmontar toda essa maquiagem que torna o teu mundo mais suportável, me entrega tua mão. Caminha ao lado meu. Recebe essa lua cheia que preparei pra te desvendar. E se quiser chover pra mim, lembra: eu entendo os olhos teus. Meus braços pra você.<br /><br />Um pouquinho de amor te falta? Sinto não poder medir. Amor todo mundo tem, não tem? Tem. Só a bailarina que não tem. </div><div align="right"><br /><br /><span style="font-size:85%;"><em>-Levemente inspirado na </em></span><a href="http://letras.terra.com.br/chico-buarque/85948/"><span style="font-size:85%;"><em>Ciranda da Bailarina</em></span></a><span style="font-size:85%;"><em> , de Chico Buarque.</em></span> </div>Jayahttp://www.blogger.com/profile/05864430637430183419noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-79961905595118050822008-05-17T10:43:00.002-04:002008-07-03T01:22:05.674-04:00Desmetaforizar-se-á.<div align="right"><span style="font-size:85%;"><em>Que importa a paisagem,<br />a Glória, a baía,<br />a linha do horizonte?<br /><br />-O que eu vejo é o beco.<br /><br />(Poema do Beco – Manuel Bandeira)</em></span><br /></div><div align="justify"><br />É um exibir-se para a solidão, essa história. Talvez ela entenda do que se trata. Esse gosto de água e sal, por que aparece? Agonia engasgada, e o acre sabor que insiste em visitar o canto que já foi doce.<br /><br />Enxerga? É dispensável esse entregar de sorrisos vazios e abraços frouxos sem encaixe. Azul e verde, todos esparsos. Cores? Lirismo? Nesse beco não moram. Não se permite festa. Não tem espaço. Mora aqui o desassossego de alma. A vida escorre aos poucos, ninguém percebe. Se perdem os reflexos, inexistem sombras. É uma clausúra a sufocar angústias. Tá ouvindo a queda d’água? É aqui dentro.<br /><br />Não tem lugar para espanto. Tudo é finito. Volátil. Agora, inefável. Gestos desesperados transformam-se em cenas, em meio a uma mutação de cortinas se fechando por todos os lados. Escuta esse toque de agora: silêncio. Sim, silêncio é ouvido no beco. Enquanto o teto espalha enfeites nos longes da noite, aqui eles despencam sem leveza. A última andorinha a voar avisou do frio que caminhava. Voou. Permaneci. E a desfolhação ao redor?<br /><br />Miudez de sonhos. Fugir. Fugir-se. Renascer. Ser de novo. O novo. Possível encher-se de nada? É o que convém chamar de vazio. E pesa.<br /><br />Acorda, mundo! Durmo. Minto. O beco, em preto e branco. Arranha-céu. Olhos cansados de tudo.<br /><br />Implodir-se. Preservar o alicerce? Deixa aqui outro viés de ilusão.</div>Jayahttp://www.blogger.com/profile/05864430637430183419noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-70807987301180354222008-05-12T19:26:00.005-04:002008-07-03T01:23:42.587-04:00Viagens tão óbvias?<div align="justify">Não foi ontem que se escutou o decolar do avião no aeroporto ao lado. Não foi uma daquelas lições de despedida. Não foi. O avião partiu com um pedaço de coração, mas não desgrudou nada ali dentro. Não teve olhar o céu, não soube fazer o adeus. Ou talvez só quisesse enganar o coração deixando-o continuar a fantasiar presença.<br /><br />Já era escuro. Nem estrelas apareceram naquela noite, em meio àquele verde que já dividiram. A ausência rompeu no instante, trouxe consigo aquela áurea de incompletude. Ele não estava ali. Não está. Partiu. E minha parte?<br /><br />Amar a madrugada não ajudou a fazer dela uma festa. Chuviscou. Nem a natureza funciona direito em meio à clareza da distância. Nem o coração.<br /><br />Nem é só pelo ombro que entendia os suspiros. Pela sensação de almas abraçadas, pela paz que vinha e ia embora de repente, pelo sorriso que se levava e se devolvia, pelas seriedades e palhaçadas. É mais pela noção do bem tratar. Do macio que era entregue ao chão, do conforto da voz. Perfis desenhados quando a tela do cinema iluminava os traços. Era a noção de presença. Suporte. Amizade.<br /><br />- Cadê você que não está? – foi a pergunta lançada. E não veio resposta.<br /><br />Tomar de lembranças pelas mãos. Se acontecer um aventurar na roda-gigante como daquela vez, e um balbuciar de nomes lá de cima, não vai haver sorriso bonito do chão, e espera. Então resta o recordar de quando o tempo escapava por entre os dedos enquanto as afinações fundiam-se em músicas únicas.<br /><br />Lembrar. Um. A dois. Os dois. Só. Um conto deles. Uma ilustração do laço firme que não sabe mais desamarrar. Um sonho possível.<br /><br />Uma vontade dividida com Tom e Vinicius: <em>acabar com esse negócio de você viver sem mim. Vamos deixar desse negócio de você viver assim. Não quero mais esse negócio de você longe de mim. Vamos deixar desse negócio de você viver sem mim.<br /><br /></em>Permanece a certeza de dividir um pouquinho de mundo entre eles.<br /><br />O ombro. Abrir-se. Seus abraços.<br /><br />Desembarque.</div>Jayahttp://www.blogger.com/profile/05864430637430183419noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-6475408561262609032008-05-04T11:54:00.005-04:002008-07-03T01:25:33.337-04:00Pra ver se cola<div align="justify">É que eles se encaixavam tão bem. Se você os conhecesse, diria que as almas foram moldadas juntas, e nesse dia fez um tempo bom.<br /><br />- Onde você tanto guardava esse olhar de <em>eu contemplo todos os teus gestos</em>? Como você conseguia disfarçar enquanto eu sentia teus olhos em mim? Você não piscava e eu te surpreendia me observar com esse canto de olho inocentemente distraído. Por onde a gente andava antes de ouvir aquela flauta tocar? Por que teu espanto ao me notar chorosa durante o espetáculo? Você me amou nessa hora, naquelas horas. Por que as meias luzes faziam teu cheiro me procurar? E como você conseguia fazer com que teu abraço voltasse pra casa comigo? Como você me desenha em teu sorriso? Não entendo agora porque teus sinais não chegavam até mim, e olha, você foi o primeiro a dançar naquela chuva. Quem te pediu pra tomar minha solidão assim?<br /><br />- Ah, veja bem, meu bem: não te prometi amor. E se teu gostar pousou em mim, foi por mera distração, bem sei. Teu olhar em mim era feito de todos os olhares que você amou um dia. Não te ofereci céu, eu só tinha um teto escuro. Não, não disfarço que minhas noites eram minhas apenas por tê-la comigo. E como era bom! Sim, era bom. Receber a noite através da tua singeleza era como se você me devolvesse minha parte, como se você me devolvesse a mim.<br /><br />- Reconhece então porquê não desviei naquela curva? E você ensaiava o violão tão irritantemente concentrado. Me ouvia te ouvir. Você errava tão lindo, sem querer. E como era engraçado te notar irritado. Tão meu você era. Ah, como você me tinha. Me tinha sem saber. E quer saber? Não te explicaria o quanto era bom te ter em segredo.<br /><br />- Não me assusta assim! Fico sem conseguir mirá-la. Lembra os nossos primeiros encontros, um tanto tímidos. Só falávamos de música. Acho que nossa vitrola tocava bonito, assim. Hoje sinto falta das tuas críticas ao meu lado, saiam imprensadas com as minhas. De vez em quando o som tava muito alto, aquelas flautas. Lembra? Aí os lábios se moviam, talvez pedindo um beijo que não tinha voz. Não teve vez. Talvez se você tivesse olhado pra mim ao invés de disfarçar teu olhar no meio daquele chuvisco que começou a cair antes de irmos para casa. Não lembro de tanto ter desejado permanecer dentro do carro.<br /><br />- Você teve ciúmes.<br /><br />- Você teve ciúmes.<br /><br />Risadas.<br /><br />Silêncio.<br /><br />- E disso tudo o que ficou? Outro conto? Mais um desencontro?<br /><br />- É a história das coisas que ficam daquelas que não ficaram.<br /><br />- Agora não sobra nada. Confesso, sim, ainda tê-lo em mim quando a flauta toca no meu som, quando aquelas vozes cantam. Lembro da atenção especial fazendo do mundo uma insignificância, lembro também dos meus desenganos. Quase não dói, e continua a ser doce.<br /><br />- Teu desenho também já não sei se ainda cola no meu. Sabe quando puxa de vez? Arde na hora, e depois não gruda mais.<br /><br />- E a foto?<br /><br />- Vou guardá-la, pra dançar com os nossos sonhos em par. </div><div align="right"><br /><br /><span style="font-size:85%;"><em>"Cola o teu desenho no meu<br />Pra ver se cola<br />Cola o meu retrato no teu<br />E me namora<br />Comigo nessa dança<br />Um sonho de criança<br />E o meu coração colado ao teu<br />Pra ver se cola."<br /></em><br />- Pra ver se cola<br /><br />(Cantada por Los Hermanos)<br /><br /></span></div><div align="right"></div><div align="justify"><span style="font-size:85%;">P.S.: Texto originalmente publicado no <a href="http://chadascincomeninas.blogspot.com/">Chá das Cinco.</a></span></div>Jayahttp://www.blogger.com/profile/05864430637430183419noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-28099539069106346412008-04-26T12:47:00.008-04:002008-07-03T01:27:26.012-04:00E hoje em dia<div align="justify"><em>Como é que se diz eu te amo?<br /><br /></em></div><div align="justify"><em></em></div><div align="justify"><em>(Vamos fazer um Filme - Renato Russo)<br /></em><br /></div><div align="justify"></div><div align="justify">Dizer. Falar. Balbuciar. Trancar. Gaguejar. Perder a voz. Não saber por onde. Acontece assim, quando existe.<br /><br />Amar já foi serenata. Já foi enfrentar vigília dos pais. Já foi historinha de portão. Amar já foi enfrentar a família. Já foi esperar pela lua de mel para haver o primeiro toque. Amar já foi planejar fugas. Amar já foi lutar por ideal. Já foi morrer junto ao invés de viver separado. Amar já foi drama. Já foi ficção. Já foi livro, filme e música.<br /><br />Amar não era dizer<em> eu te amo</em> e pronto. Não era <em>eu te amo</em> solto. Não era <em>eu te amo</em> que o vento levava. Não era de mentira. Não era fácil falar. Não era. Porque antes era sentido. Depois, as palavras voavam como brisa e acalentavam o coração.<br /><br />Amar era sincero. Amor não era inventado. Não se explicava. Não se entendia. E nem se fazia questão.<br /><br />Amar era. É.<br /><br />É caminhar de mãos dadas em silêncio. É olhar estrelas. É deitar na grama. É sorrir, e sentir sorriso. É chorar, e sentir suporte. É ser feliz, e ser feliz. É amizade. É simetria. Sintonia. Sorvete numa só taça. Filme deitado no chão. Rir da piada sem graça, apenas por amar. É estar sozinho e imaginar como seria a reação do outro na mesma situação. Amar é usar de mimetismos de amor, que ninguém mais entende, e a ninguém mais importa.<br /><br /><em>É o amor vivendo de si mesmo.</em><br /><br />Hoje em dia? <em>Eu te amo</em> significa <em>quero ter você agora</em>. <em>Eu te amo</em> hoje. Amanhã não te amo mais. Na próxima semana, posso te amar novamente. Hoje em dia se inventa. Se compra a idéia de ter um amor. A idéia. Aí o amor não chega. Desinventa. Criam-se outras idéias. Inventam-se novos “amores”.<br /><br />Hoje em dia<em> eu te amo</em> é descartável. Sentimento é enlatado.<br /><br />Hoje em dia? <em>Eu te amo</em> é quase bom dia.<br /><br />O amor não.<br /><br />E ainda sem explicação. Se não sabe do que se sente, como dizer?<br /><br />Mas a certeza é fantasia ao coração sensível. Se foi dado. Se foi recebido. <em>O amor é</em>.<br /><br /><em>O amor é.</em><br /><br /><strong>Dispensem as palavras. Elas têm mania de complicação.</strong></div><br /><span style="font-size:85%;">P.S.: Texto originalmente postado no <a href="http://chadascincomeninas.blogspot.com/">Chá das Cinco.</a><br />P.P.S.: É, a inspiração foi brincar de ser feliz e me deixou aqui, com o nariz pintado.</span>Jayahttp://www.blogger.com/profile/05864430637430183419noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-7804420030869809582008-04-20T21:41:00.002-04:002008-07-03T01:27:59.843-04:00Meu infinito nos olhos Teus<div align="justify">O mundo ao teu lado tem qualquer coisa de algodão doce. Sempre teve. Não lembro ao certo quando teu infinito azul fez parte de mim, mas lembro que o entardecer passou a ser celeste. O carinho e a atenção com os quais você sempre me vestiu, impregna tudo com uma áurea de amor. Aquele amor tão desmedido, que por vezes chega a ser palpável.<br /><br />E nada encanta mais meus dias do que olhar teus cabelos de sol e ouro, como se os anjos fossem os responsáveis por enfeitá-los assim, tão lindos. E você me dedica esse olhar de maré, de maré mansa, e eu só sei pensar que ninguém mais tem tanta paz para me dar. É segurança tocar tuas mãos, é minha casa teu abraço.<br /><br />Quando eu deito no teu colo e falo sobre as minhas coisas não tão importantes, você quase não pisca. Me ouve como música, e depois canta pra mim também. Teu canto de estrela. Porque isso me faz lembrar do tempo onde eu não entendia o mundo, e ninguém mais me explicava tão bem quanto você. E você me envolvia em teu céu, bordando flores em todos os redores, e me mostrando as mais puras belezas que você guardou pra mim.<br /><br />Na época em que meus cachos eram dourados, em que eu levava anéis em cada dedo, onde cada foto era uma pose, você sorria linda dos meus gestos. Dos meus shows. E hoje, uma vez por ano, eu viro essa menina outra vez, mergulhando na peça que você encena pra mim, e sinto vontade de dormir outra vez nos teus braços, longe dos bichos papões e dessas coisas complicadas que os adultos teimam em criar. Ao lado teu, meu melhor lado escorrega em ternura. Mas é tudo tão natural, que eu não duvido nada que você carregue consigo um canto bom do meu coração, o qual só tenho acesso quando ele sente você completa em mim.<br /><br />Você é tão minha. Minha vovó Alice. Meu pedaço de nuvem. Minha mãe, duas vezes. E eu divido esse posto de neta com outros corações lindos, mas adorando brincar de ser a primeira. A primeira que conheceu teu infinito. A primeira a te tomar como boneca. Tão engraçada você era me deixando bagunçar teus cabelos com meus brinquedos de menina. Tão menina você se fazia também! E vinha com meu suco cor de rosa, com a melhor salada de frutas do mundo, e um jeito de voar que eu não encontro em mais ninguém.<br /><br />É que esses dias a saudade virou você. Alice, era o nome dela. E tão injusto não encontrar teu abraço. Tão injusto sair de casa e não ter teu castelo pra visitar, pra te olhar assistir novela desligada do mundo. E aí eu te liguei, tua gargalhada do outro lado, e minha vontade de dizer eu te amo. Soprei as palavras, salpiquei com beijos e amor em fábulas. Você sabe que sou boba, filha do meu pai, e as palavras saem mudas. Mas sei que você entende. Você sou eu. O nosso amor é o mesmo.<br /><br />Já não me importa levar o coração em pedaços a cada vez que deixo você aí, cuidando das tuas coisas. Já não me importo em te entregar minhas lágrimas a cada fevereiro de despedida. Eu costuro tudo outra vez apenas com tua lembrança em mim, e fico torcendo daqui pra você costurar também, com essa tua máquina tão responsável por sustentar a nós.<br /><br />Eu posso reclamar de você querer me engordar com tuas delícias, mal sabendo que daqui eu ia te querer na minha cozinha. Aí você aproveitava e esquentava esse meu frio, me contaria dos teus casos que viram meus contos, faria bolhas de sabão no meu quintal, e cuidava de mim. E eu nem ia reclamar de nada. Agora só reclamo tua falta.<br /><br />Sendo você a flor que suaviza as cores em todas as telas que vejo, eu não deixo de regá-la nenhum dia. Cuido de você fazendo plumas das minhas mãos, e você se preserva tão bonita. Guarda todo o sentimento do mundo no meio da tua mágica, e eu só sei me perguntar se dá pra medir esse teu coração gigante.<br /><br />Esse dourado que você reluz e esse azul do meu infinito que você leva em teus olhos, eu desenhei com brilho em todas as minhas partes. Na certeza de ser menina outra vez, conto os dias para encontrar tua essência e continuar a filmar nossa história de paraíso.<br /><br />Amo do berço, em certeza de infinitude.</div><div align="justify"></div><div align="right"><span style="font-size:78%;"><strong>-A vovó Alice.</strong></span></div>Jayahttp://www.blogger.com/profile/05864430637430183419noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-78790387321385211002008-04-19T14:44:00.011-04:002008-04-19T15:22:09.147-04:00Respostas.<div align="justify"><a href="http://canetavazia.blogger.com.br/">Teresa Roberta</a>, coisa fofa de Pernambuco, me indicou a participar de mais um meme legal. Ela sempre me indica memes legais! Rs. Então, eu tenho que fazer o seguinte: postar a capa de 5 discos ou CDs que marcaram a minha vida. E lá fui eu resgatar meu passado musical. Pulei a infância, tá? Porque senão seriam apenas cd’s de Sandy e Jr. (Psssiu, isso é SEGREDO!). Rs.<br /><br />Aleatoriamente, eles, que me viraram do avesso com seus acordes:<br /><br /></div><div align="justify"><a href="http://bp1.blogger.com/_ZAa0og008K4/SApAeN1587I/AAAAAAAAAYw/9oHSRqqijTg/s1600-h/legiao.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5191032408353928114" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_ZAa0og008K4/SApAeN1587I/AAAAAAAAAYw/9oHSRqqijTg/s320/legiao.jpg" border="0" /></a><em>Legião Urbana:</em> <strong>Como é que se diz Eu Te Amo</strong>. Esse cd porque ele engloba um universo em meio a tantas coisas lindas que os meninos já fizeram, e é duplo e ao vivo! Minha adolescência legionária foi linda, sim senhor! E ainda é.</div><div align="justify"><br /></div><a href="http://bp2.blogger.com/_ZAa0og008K4/SApAed1588I/AAAAAAAAAY4/xlnxVfNaUYE/s1600-h/losh.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5191032412648895426" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_ZAa0og008K4/SApAed1588I/AAAAAAAAAY4/xlnxVfNaUYE/s320/losh.jpg" border="0" /> <p align="justify"></a><em>Los Hermanos:</em> <strong>Ventura</strong>. Eles que eu acompanho desde Anna Júlia. Que eu escuto tudo, até Odair José, só porque é Amarante cantando. Rs. Falando sério, Los Hermanos modificou todas as minhas estruturas musicais, e de todos os cds que eles fizeram, Ventura continua sendo o melhor. O melhor cd de banda brasileira dos últimos tempos. E tenho dito!</p><div align="justify"><br /></div><a href="http://bp2.blogger.com/_ZAa0og008K4/SApAed1589I/AAAAAAAAAZA/WYF4EYpav8Y/s1600-h/momo.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5191032412648895442" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_ZAa0og008K4/SApAed1589I/AAAAAAAAAZA/WYF4EYpav8Y/s320/momo.jpg" border="0" /></a> <em>Mamonas Assassinas:</em> <strong>Mamonas Assassinas.</strong> Éeee, caras! Isso aí foi um tiquinho de infância, onde eu cantava as músicas totalmente inocente. Rs. Mas é que ouvir música dando risadas é bom demais. E o humor deles ameniza tudo. Eu adorava. E sinto saudades. <div align="justify"><br /></div><a href="http://bp3.blogger.com/_ZAa0og008K4/SApAet158-I/AAAAAAAAAZI/h987k0MfVIM/s1600-h/zeca.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5191032416943862754" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_ZAa0og008K4/SApAet158-I/AAAAAAAAAZI/h987k0MfVIM/s320/zeca.jpg" border="0" /> <p align="justify"></a><em>Zeca Baleiro:</em> <strong>Por onde Andará Stephen Fry?</strong> Foi o primeiro cd de Zeca que ouvi. E devorei. E depois desse, nunca mais larguei as delícias que ele deságua. </p><a href="http://bp3.blogger.com/_ZAa0og008K4/SApAet158_I/AAAAAAAAAZQ/CPu_xJVftAE/s1600-h/nando.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5191032416943862770" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_ZAa0og008K4/SApAet158_I/AAAAAAAAAZQ/CPu_xJVftAE/s320/nando.jpg" border="0" /> <p align="justify"></a>Nando Reis: <strong>MTV ao vivo – Nando Reis e os Infernais.</strong> Porque eu sempre fui fã desse ruivo. E eu tava bem com raiva por ele ter saído dos Titãs. Aí eu comprei esse cd, o primeiro que ele lançou na fase pós-titãs, e ele cantou pra mim tantas coisas lindas, que a gente acabou fazendo as pazes. Rs. Acho que cada música canta um pedaço do meu ano de 2006.<br /><br />E é isso. Falta muita gente aí, falta minha bossa, tropicália, mpb, o povo de fora. Mas tudo bem. Tuuudo bem! </p><div align="center">_____________<br /></div><br /><div align="justify"><br />Continuando a cumprir minhas obrigações bloguísticas, a minha linda <a href="http://ehsohsaudade.blogspot.com/">Manda Bia</a> me indicou a fazer o seguinte: escolher um livro, que eu goste ou não, abri-lo na página 161, procurar a 5º frase completa da página e postar aqui no blog.<br /><br />Bom, o livro que escolhi é dos preferidos, e estava mais acessível, pois sempre fico relendo algumas passagens. <em>Quando Nietzsche Chorou</em>, de Irvin D. Yalom. Na página 161, tem escrito assim em sua quinta frase:<br /><br /><strong>Quando Breuer mencionou a pobreza do paciente e seu plano de recorrer aos leitos doados pela família para tratá-lo gratuitamente, Max ficou ainda mais preocupado.</strong><br /><br />Deixa eu só explicar? Essa parte aí é quando <em>Dr. Breuer</em> conversa com seu cunhado, <em>Max</em>. Ele havia se encontrado com <em>Nietzsche</em> naquela tarde, e isso o fascinara e perturbara bastante. Nietzsche havia desistido de continuar a “terapia”, e <em>Breuer</em> tentava encontrar uma forma de reverter tal decisão.<br /><br />O resto, vocês devem ler. Porque esse livro é MUITO BOM! Prato cheio pra quem se esbalda em filosofia, psicanálise e literatura.<br /></div><br /><div align="center">____________<br /></div><br /><div align="justify"><br />E pra finalizar, tem esse <em>quiz</em> foi indicado a mim pela <a href="http://dominus-dominique.blogspot.com/">srta. Cris</a>, do Dominus. Minha historiadora mineira favorita! E pela Cris, eu conto o que eu seria se eu não fosse eu. Rs.<br /><br /><strong>Se eu fosse um mês seria</strong>: março.<br /><strong>Se eu fosse um dia da semana seria</strong>: quarta-feira.<br /><strong>Se eu fosse um número seria</strong>: 19.<br /><strong>Se eu fosse um planeta seria</strong>: Terra.<br /><strong>Se eu fosse uma direção seria</strong>: nordeste.<br /><strong>Se eu fosse um automóvel seria:</strong> definitivamente, um fusca.<br /><strong>Se eu fosse um líquido seria</strong>: suco de maracujá bem gelado.<br /><strong>Se eu fosse um pecado seria</strong>: preguiça.<br /><strong>Se eu fosse uma pedra seria</strong>: esmeralda.<br /><strong>Se eu fosse um metal seria</strong>: prata.<br /><strong>Se eu fosse uma árvore seria</strong>: aquela do antigo sítio de vovô Arthur.<br /><strong>Se eu fosse uma fruta seria</strong>: uva.<br /><strong>Se eu fosse uma flor seria</strong>: lírio.<br /><strong>Se eu fosse um clima seria</strong>: tropical.<br /><strong>Se eu fosse um instrumento musical seria</strong>: violão.<br /><strong>Se eu fosse um elemento seria:</strong> água.<br /><strong>Se eu fosse uma cor seria</strong>: azul.<br /><strong>Se eu fosse um animal seria um:</strong> pássaro.<br /><strong>Se eu fosse um som seria:</strong> bossa nova.<br /><strong>Se eu fosse uma canção seria:</strong> <em>Andrea Doria.</em><br /><strong>Se eu fosse um perfume seria:</strong> os que trazem lembranças doces.<br /><strong>Se eu fosse um sentimento seria:</strong> amizade.<br /><strong>Se eu fosse um livro seria:</strong> <em>García Márquez.</em><br /><strong>Se eu fosse uma comida seria:</strong> a macarronada de tia Lourdes.<br /><strong>Se eu fosse um lugar seria:</strong> Serra Grande – BA.<br /><strong>Se eu fosse um gosto seria:</strong> dos primeiros beijos.<br /><strong>Se eu fosse um cheiro seria:</strong> dos lençóis recém trocados na cama.<br /><strong>Se eu fosse uma palavra seria:</strong> essência.<br /><strong>Se eu fosse um verbo seria:</strong> sentir.<br /><strong>Se eu fosse um objeto seria:</strong> livro.<br /><strong>Se eu fosse uma peça de roupa seria:</strong> calça <em>jeans</em>.<br /><strong>Se eu fosse uma parte do corpo seria:</strong> olhos.<br /><strong>Se eu fosse uma expressão seria:</strong> um sorriso.<br /><strong>Se eu fosse um desenho animado seria:</strong> burrinho de <em>Shrek</em>.<br /><strong>Se eu fosse um filme seria:</strong> <em>Amélie Poulain.</em><br /><strong>Se eu fosse uma forma seria:</strong> linha reta, sem fim nem começo.<br /><strong>Se eu fosse uma estação seria:</strong> verão.<br /><strong>Se eu fosse uma frase seria:</strong> <em>Eu não vou mudar, não. Eu vou ficar são mesmo se for só. Não vou ceder. Deus vai dar aval sim, o mal vai ter fim. E no final, assim, calado, eu sei que vou ser coroado rei de mim.</em><br /><br />Gente, difícil responder isso. Difícil e gostoso. Mas cá entre nós, ainda bem que eu sou eu. Ufa!<br /><br />E bom, como todo mundo já fez essas coisas todas, e só faltava euzinha, não repassarei a ninguém.<br /><br />P.S.: Tem texto meu rodando no <a href="http://chadascincomeninas.blogspot.com/">Chá das Cinco</a>. Apareçam!</div>Jayahttp://www.blogger.com/profile/05864430637430183419noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-52199266493047669312008-04-12T23:29:00.003-04:002008-07-03T01:28:11.445-04:00O céu no meu chão.<div align="justify">Assim, da janela, olhando a vida passar. Observando os gestos, as pessoas, as pedras na rua, tentando encontrar pedaços de sonhos, deixando cair brilho em conta gotas. Perto de si, o céu.<br /><br />O sorriso que ninguém consegue ler. A tempestade presa em olhos castanhos. Mas tinha estrela também. Aquela estrela ali, quase ofuscando. A impressão que tenho é de que ela piscou pra mim. Você também viu? Por que só ela no meu céu?<br /><br />Isso me devolve serenidade, esse saber que em todo céu mora uma estrela. De vez em quando ela resolve descer, é quando brota paixão. Te contei de quando conversei com uma? Caiu uma estrela na minha janela, e naquela noite, chovia. Meu coração havia deixado de iluminar também, alternava leves piscadelas. Então a estrela me contou que veio reacendê-lo. Não entendi muita coisa, sabe? Só que ela me tomou pela mão e me levou até sua nuvem. Tão bom voar. Tão bom luz. A nuvem era macia, e eu podia morar ali para sempre. De lá de cima, aqui embaixo parece nada. Mas uma coisa me chamou a atenção: estrelas. Não me chame de louca, mas havia estrelas aqui, aqui nesse chão, no meu, no teu.<br /><br />Não foi preciso muito para que minha guia pelo céu explicasse tudo: vocês de lá, enxergam nosso brilho. Nós dormimos durante todo o dia esperando nosso tempo de fazer o céu mais enfeitado. Daqui de cima, nos surpreendemos a cada movimento que vocês dão. Me refiro aos movimentos em fantasia. Aqueles onde vocês parecem pisar em nuvens, como chama? Paixão? Isso, paixão. Todos esses pontos luminosos que você enxerga daqui, ao olhar pra baixo, são corações em par. Alguns brilham distantes, percebe? As cores identificam os pares. Nós, estrelas, temos também a mania de, ao notarmos as afinações entre essas melodias esparsas, lançar um brilho, um pó de encanto impregnado de pureza e angelitude. E assim sendo, vocês se tornam nossas estrelas. Os papéis se invertem, mas chão e céu se misturam.<br /><br />Desci outra vez. Pousar em casa tinha um perfume doce. Ser o céu das estrelas é fazer da noite um sonho. Desejei que pulsasse em mim um luzir sereno e infinito. Ela me explicou o coração, mas eu já nem lembro de quase nada. Percebo quando ele pede asas. Quando sonha uma voz. Piso em nuvens, mas o vôo é incerto. É o mundo aborrecido, sem deixar molhar.<br /><br /><em>- Lembra quando teu amor choveu em mim?</em></div>Jayahttp://www.blogger.com/profile/05864430637430183419noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-53210031578984379482008-03-26T14:46:00.005-04:002008-07-03T01:28:40.186-04:00Flor dos Acordes<div align="justify"><span style="color:#666666;"><span style="color:#999999;">O que você esconde atrás do seu olhar? Duas bolas cintilantes que me ofuscam mesmo quando você está longe e vem andando devagarinho. E eu não falo metaforicamente, embora goste muito dessas coisas de falar por debaixo dos panos. Basta olhar pra você e ver que seus cabelos de caracóis trazem nuvens brancas e serenas. E quando bate o vento neles, você se transforma em fada com varinha de condão e asas. Porque as suas asas não ficam nas costas, eu bem sei. Mas essa sua forma de falar cantando e essa doçura intrínseca no seu olhar me deixam inebriado. Digo que estou apaixonado? Há tantas formas de se apaixonar. E suas palavras fazem isso comigo, como se eu não pudesse domar meu juízo. E quando você me abre esse sorriso de roda gigante e me mostra que seu mundo é tão encantador quanto sua alma, vejo-me contando os cachos seus e brincando de tirar flores dos seus cantos. Diga-me, de uma vez por todas, o que você esconde atrás do seu olhar?</span><br /></span><br />Eu poderia te contar do meu olhar, e de como agora você se esconde no meio das estrelas que eles guardam em si. Mas eu me vejo deveras distraída ao perceber teu mundo manso junto ao meu. Checo teus olhos em flagrante enquanto me aproximo, e eles me sorriem tão lindos, assim. Será que esse também é teu jeito de sempre chegar? Você me conta coisas tão bonitas no meio dessas tuas palavras de lírios, tão coloridos e bem cuidados, que eu não sei evitar lembrar da música de <em>Chico </em>que diz: <em>eu vim com a flor dos acordes que você brotando cantou pra mim.</em> Foi assim que eu vim. Esse perfume pueril que você sabe dosar, me remete a um pensamento que talvez até pareça demasiadamente infante. É que eu enxergo tua alma tão claramente e de uma maneira tão afável que não seria absurdo nenhum pensar que elas já caminhavam de mãos dadas quando ainda não sabíamos que ia acontecer nós dois, um dia. Num tempo onde nossas afinações ainda não existiam, onde nossos sonhos se extraviavam. E agora eu te olho daqui, pousado no mesmo campo que eu pintei pra mim, com esses lábios risonhos, como quem diz que acabou de voltar ao mundo e conhece os tesouros de todas as doces liras dos poetas de outrora. Agora que já ancoramos no mesmo porto, me leva um pouco com você, façamos um passeio gentil por entre esses ares coloridos. Me fala baixinho sobre a tua música.<br /><br /><span style="color:#999999;">Você quer um passeio? Dê-me aqui sua mão, vou mostrar a você onde eu guardo minhas canções. E não se assuste se eu começar a despejar meu coração em prantos. É porque eu sou chorão e não gosto de dormir no escuro. Mas quando sinto sua brisa, eu também percebo o pôr-do-sol que você faz nascer em mim. Você , então, puxa uma cadeira e fica do meu lado, vendo o sol descer. O que fica guardado em mim nem é tanto o momento. É você pintada de ouro, reluzindo como uma estátua de Madri. Aproveito e faço-lhe uma coroa de flores. Você não fica mais bonita. Não, sua beleza não brilha como o diamante. Sua beleza cálida é aquela que percebo quando pego sua mão e tudo ao meu redor se eterniza. Porque você me cativa. Porque, finalmente, entendo o que você esconde no seu olhar. E não é só ternura. É um rio infinito de águas que você tira pra eu beber. E essa água é poesia. É poesia. </span><br /><br />Meu livro é decifrado tão facilmente por você, às vezes confundo teus olhos nos olhos meus. Quando nossas mãos se tocaram, não sei se você notou, me fiz cintilante. É tua presença em mim que faz despertar esse brilho maior. Enquanto teus dedos brincavam com as flores em coroa, eu fitava você sentado ao meu lado, observava detalhes desse teu desenho bem traçado. Quem te talhou com tanta delicadeza e salpicou tamanha doçura nessa tua pose de encantado? Ao mesmo tempo em que teu pranto encontra o meu, nossos corações iniciam uma conversa infinda, e só uma coisa me assusta: a possibilidade de nunca terem se conhecido. De onde vem tanta candura que faz tua poesia se misturar com a minha? Você caiu no meio das minhas quimeras mais preciosas, e se encaixou tão bem. Ah, que estrela você é! Repara o céu, a lua está pedindo licença pra chegar com seu afago celeste. Já é noite, e a gente se ilumina tanto! Vamos combinar uma coisa? Quando o escuro aparecer, e você estiver bicudo com suas lágrimas, olha o céu. Ele é o mesmo para nós dois. Lá sempre vai haver uma estrela vestindo um pedaço do meu coração, ela é meu presente para você. Prometo que sempre iluminará outra vez teu fulgor meigo e enternecido.<br /><br />Vamos caminhar de volta? Tão injusto o tempo chegando como quem impõe suas vontades! Ele quer te roubar daqui. Diz ser hora de fechar os olhos. É que o sol se prepara para despertar sorrindo amanhã, sem nem desconfiar que minha lente já te fotografou comigo.<br /><br /></div><div align="right"><em><span style="color:#cc0000;">-Em co-autoria com </span></em><a href="http://omundodesofisma.blogspot.com/"><em><span style="color:#999999;">Filipe Garcia</span></em></a><em><span style="color:#999999;">.</span></em></div>Jayahttp://www.blogger.com/profile/05864430637430183419noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-46156259145295163762008-03-22T16:58:00.005-04:002008-03-22T17:24:20.770-04:00Entre as coisas lindas que eu li:<div align="justify"><em>(...) Guilherme, o que é o mundo para o nosso coração sem amor? O mesmo que uma lanterna mágica sem luz! Mal colocas dentro dela a lamparina e já se projetam imagens das mais coloridas na parede branca! E mesmo que todas não sejam mais do que efêmeros fantasmas, elas nos fazem feliz enquanto permanecemos ali, acordados, e como criança nos extasiamos com suas aparições maravilhosas. Hoje não pude ir ver Carlota, uma visita inesperada me segurou em casa. Que havia a fazer? Mandei o meu criado ao encontro dela, só para ter junto de mim alguém que tivesse estado em sua presença. Com que impaciência o esperei, com que alegria tornei a vê-lo! Não tivesse vergonha e teria me atirado ao seu pescoço e coberto seu rosto de beijos.<br /><br />Falam que a pedra de Bolonha, quando exposta ao sol, absorve seus raios e reluz por algum tempo durante a noite. Dava-se o mesmo comigo e aquele rapaz. A lembrança de que os olhos de Carlota haviam pousado em seu rosto, em suas faces, nos botões de sua casaca e na gola de seu sobretudo, tornava-o tão querido, tão sagrado para mim! Naquele momento não daria aquele rapaz nem por mil táleres! Me sentia tão bem em sua presença. Deus te livre de rir disso, Guilherme! Serão sempre fantasmas os responsáveis por nos sentirmos bem?</em><br /><br /><br /><strong>(Os Sofrimentos do Jovem Werther – Goethe)</strong></div><div align="justify"></div><div align="justify"><br /><br />- E ler isso me assusta tanto. Será que um dia alguém já soube amar assim? Ou será melhor não querer saber? Me explica, coração.</div>Jayahttp://www.blogger.com/profile/05864430637430183419noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-24895732990770626032008-03-20T18:05:00.005-04:002008-03-20T18:24:39.217-04:00Sobre nada.<div align="justify">Olá! Hoje só vim pra retribuir as visitas e lindos comentários que vocês me deixaram, e cumprir minhas indicações de corrente e selo, conforme prometido. Vamos lá?<br /><br />Pra começar, <a href="http://contapramarcela.blogspot.com/">Marcelinha</a> e <a href="http://ehsohsaudade.blogspot.com/">Manda Bia</a>, resolveram que queriam ver minha letra. E me indicaram a participar dessa corrente, onde apresento minha letra a vocês escrevendo qualquer coisa. E pode dizer que é muito pequena, e que eu não escrevo na linha... Pelo menos eu escrevo, e eu me entendo. Rs. Tá aí:<br /><br /><br /></div><a href="http://bp0.blogger.com/_ZAa0og008K4/R-LggEZknII/AAAAAAAAAXI/NX4kysSxml4/s1600-h/Imagem+029.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5179949362970926210" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_ZAa0og008K4/R-LggEZknII/AAAAAAAAAXI/NX4kysSxml4/s320/Imagem+029.jpg" border="0" /><br /><p align="justify"></a></p><p align="justify">Os meus cinco indicados a mostrar a letra, se quiserem, são:<br /><br /><a href="http://julianaocaribe.blogspot.com/">Juliana</a>.<br /><a href="http://dominus-dominique.blogspot.com/">Cris</a>.<br /><a href="http://pesardealma.blogspot.com/">Ziggy</a>.<br /><a href="http://omundodesofisma.blogspot.com/">Filipe</a>.<br /><a href="http://meninalunar.blogspot.com/">Menina Lunar</a>.<br /><br />E outra vez, aquele amor de hermana, chamada <a href="http://contapramarcela.blogspot.com/">Marcela</a>, me presenteou com um selo lindo. Ela diz que sou uma blogueira que sabe comentar. Obrigada, Marcelinha! Um abração apertado pra você.<br /><br /><br /><a href="http://bp2.blogger.com/_ZAa0og008K4/R-Lh6kZknJI/AAAAAAAAAXQ/mgQaDR7FDvw/s1600-h/muh.png"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5179950917749087378" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_ZAa0og008K4/R-Lh6kZknJI/AAAAAAAAAXQ/mgQaDR7FDvw/s320/muh.png" border="0" /></a> Eu adoro TODOS os comentários que vocês deixam aqui, gente. Vocês não têm noção do quanto me faz bem notar que me lêem. E daí surgem idéias e motivação a tentar melhorar o tempo todo. Porém, todavia e entretanto, vem a história de ter que indicar. Então, os blogs indicados, em ordem alfabética:<br /><br /><a href="http://atilasiqueira.blogspot.com/">Ásgard: Terra de Poesia</a>.<br /><a href="http://dominus-dominique.blogspot.com/">Dominus</a>.<br /><a href="http://ehsohsaudade.blogspot.com/">É só saudade...</a><br /><a href="http://nadivisa.blogspot.com/">Na Divisa</a>.<br /><a href="http://omundodesofisma.blogspot.com/">O Mundo de Sofisma</a>.<br /><a href="http://entranhasdealex.blogspot.com/">O Inacreditável Mundo de Alex E!</a><br /><a href="http://vrro.blogspot.com/">O Irrevogável</a>.<br /><a href="http://criticalwatcher.blogspot.com/">Palavras quase Ocultas de um Ser Real</a>.<br /><a href="http://pesardealma.blogspot.com/">Pesar de Alma</a>.<br /><a href="http://pensamentosilegais.blogspot.com/">Preso no Êxtase Temporal</a>.<br /><br />Comentários são tudo de bão!<br /><br />Beijocas, pessoas escritoras premiadas!<br /><br /><em>P.S.: Eu queria deixar uns beijos a mais para vocês que andam comentando aqui mesmo sem minha retribuição imediata. Vocês não podem ver o tamanho do meu sorriso! E tenham certeza, assim que as coisas voltarem 100%, retribuirei o carinho. Obrigadas!<br /><br />P.P.S.: Tem texto meu rodando no </em><a href="http://chadascincomeninas.blogspot.com/"><em>Chá das Cinco</em></a><em>. Apareçam! </em></p>Jayahttp://www.blogger.com/profile/05864430637430183419noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-17960683162687514782008-03-17T16:50:00.001-04:002008-03-17T16:59:21.415-04:00A menina que passa.<div align="justify"><em>- Vê como ela anda em tropeços desastrados entre os astros?</em><br /><br />Ela, a menina que passa. Já não sabe qual brilho quer para si. A impressão que me dá é de que antes enxergava brilho em todos. Ela tem esse olhar tímido inicial do qual não aprendeu a se desvencilhar, e depois o olhar segundo, que te dá certeza de leitura da alma. Hoje ela só olha estrelas, vai ver por isso tropeça, no meio desse andar apressado entre as pilhas de livros no meio das quais tenta se esconder. Em vão, eu diria. Ela passa e a gente vê clareza. A gente também vê nada.<br /><br />Sabe, à noite, quando o tempo é só dela, e seu quarto desmonta suas impressões, ela parece já não se importar com muita coisa. É essa história de mundo. Ela que já não tem mais os seus em si, e quando os tem, não os sente seus. Depois ao contrário. Essa menina passa, e deixa coração exalar, tentando perder um pouco do seu, e preservar apenas o pedaço que lhe convém agora.<br /><br />Eu tenho pra mim que isso é apenas uma máscara que ela tenta encaixar em si mesma. Eu sei que ela anda por aí cantando coisas bonitas, ouvindo <em>Chico e Vinicius,</em> lendo <em>Bandeira</em> com seus versos que <em>caem gota a gota do coração</em>, e tentando desentortar curvas dos caminhos por onde passa.<br /><br />Ela se assusta com esse jeito arrebatador do tempo diante da pequenez dos seus gestos. Aí ela tenta adiar a vida. Ela já não tem medo de mudanças, andaram me contando enquanto ela caminhava. Já faz planos e constrói um castelo atrás do outro, pouco se importando com os ventos.<br /><br /><em>- Talvez você se espante ao ler minhas impressões. Mas é que todo dia ela passava, e deixava um sorriso pra mim.<br /></em><br />Conheço dela poucas palavras. Mas sei que esse lado assim - quase apagado e contornado por esse sorriso permanente que ela deixa em todo mundo – a acompanha em silêncio. Ela deve achar injusto expor seu egocentrismo momentâneo enquanto existem coisas outras, maiores e mais importantes para as quais o mundo deve parar.<br /><br /><em>- Eu leio os escritos dela.</em><br /><br />Ela me escreve coisas amenas, e o restante passa quase entre sussurros. Ela me fala de realidades prosaicas, das fantasias que a fazem deslizar entre outros céus – tudo isso enquanto ela passa. Se dispôs a voar, essa menina. Ainda não descobriu, entretanto, que voar só o tempo inteiro é um desencontro.<br /><em><br />- Será que ela imaginou alguma vez quanto céu existe?</em><br /><br />Repara no olhar desviando a atenção. Aqui não é o lugar dela. Por aqui ela apenas caminha, passa. Eu tampouco sei dizer de onde ela é, mas imagino que lá faça frio. As emoções dela denunciam a velocidade desse bater incessante de asas. Eu sei que dentro dela já sobraram tanto sonhos doces, tantos pousos rasos em campos desenhados com os pincéis de outrora... Hoje ela usa o pincel para desviar a tristeza a suaves golpes.<br /><em><br />- Não sei se você já se sentiu assim.</em><br /><br />Ela passa com um ar de delicadeza, ouve histórias, e faz música enquanto brotam palavras alheias. Ela troca afinações com sua alma, e me deixa enxergá-la entre sua moldura transparente. Essa sensibilidade dela já não lhe vale uma lágrima. Me contou num olhar singelo, que é dada a abraços, mas não sabe mais se encaixar como ontem. Vai entre afagos momentâneos nas breves conversas com outros corações.<br /><br />A menina que passa não é dada a desesperos, parece me pedir que assim não a entenda, mas eu bem sei que lhe falta um par de olhos no qual seja convidada a nadar no infinito. Os olhos dela dançam sozinhos assim. Ela se prende no vazio, e inacreditavelmente se faz leve. Não deixa marcas em sua pisadas, e nos últimos dias ela só queria dormir para poder caminhar outra vez naqueles sonhos que se perderam.<br /><br />Ela não é complicada, essa menina. Ela sempre passa com um sorriso, e é de paz, mesmo em guerra interna. Ela flutua em poesias alheias, e sente falta da sua própria poesia não vivida. Ela está diferente, viu? E no fim da página, no meio desse faz-de-conta, acredito que um amor vai bem.<br /><br />A menina que passa peca por não amar ninguém.</div>Jayahttp://www.blogger.com/profile/05864430637430183419noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-50759777581212471052008-03-09T00:20:00.007-04:002008-03-09T01:23:38.465-04:00Senta aqui<div align="justify"><em>Que hoje eu quero te falar<br />Não tem mistério, não<br />É só teu coração<br /><br />(Tá bom – Marcelo Camelo)</em><br /><br />Teu sofá parece guardar histórias. Não fica em pé, olhando, vim pra te ouvir. Senta aqui ao lado. Na verdade eu prefiro sentar no chão, combina mais com meu jeito de encontrar palavras. Ah, não, obrigada pelo café. Não bebo. Aceito uma água, muito gelo. É de paz, essa noite. As mesmas estrelas fazem parte do nosso universo, ainda que paralelos. Podemos sê-las. E se você deixar, te ajudo a reparar direito. Abre esses olhos apertados, e perceba que cada uma ilumina diferente. Notou? Deixa esse brilho grudar além. A foto do jardim é uma pintura de todos nós. Ironicamente o susto aparece com meros indícios de tempestade. É a vida acontecendo. No meio do caminho, um redemoinho espalha nossas flores. Como fazer para plantá-lo outra vez? A alma sempre está apta a desabrochar. Dizem que lágrimas ajudam a regá-la. A minha ultimamente tem precisado ser molhada. Sim, eu entendo tua forma de falar de sonhos. Te empresto meu guarda-chuva para protegê-los. E gosto de viver errado, de “ser” errado. Não, não vou adentrar em sofismas. Mais gelo, e dois dedos d’água, eu aceito. Obrigada. Acontece que por vezes me perco nesse mundo de exclusividades, onde penetram regras e avessos. Findo me desencontrando. E não me lança esse olhar, eu me perco o tempo todo. Encontrar você no caminho me leva a convidá-lo a ver comigo, veja daqui de baixo. Sabe os que estão lá em cima, donos das suas salas? Estão desorientados. Mal sabem que quando for nossa vez de subir, eles nos enxergarão como <em>Nietzsche</em> falou. É que <em>quanto mais nos elevamos, menores parecemos aos olhos daqueles que não sabem voar.</em> Deixe que sejam gigantes, de nada adianta se não tiverem asas e não souberem se encaixar em nossos céus. Te incomoda minha intromissão? Sou parceira nessa tua dança de solidão instantânea. Soa aprazível teu lugar. Tenho o meu também. É o meu mundo só meu, e ninguém ainda soube encontrá-lo. Palavras às vezes parecem insanas, não acha? Creio que pelo excesso de realidade. Agora que você me ouviu, nesse exagero literal que não consegui evitar, vou indo. Se compreendi não sei, mas prefiro que seja assim. Teu sofá gravou minha história também. Estrelas e borboletas fazem parte do agora que sou. Vai pro teu travesseiro, e guarda um sonho bom pra mim. Posso deixar a porta aberta? Depois você encosta, ou fecha, só espera um pouco. Não pense que andei ao redor da lua, mas o vento me confidenciou nas entrelinhas que as borboletas estão trazendo de volta pétalas para enfeitar teu quintal. Colore teu jardim, e coloca o sorriso na estante.<br /><br /><span style="font-size:78%;"><span style="font-size:85%;">- Resposta ao </span><a href="http://omundodesofisma.blogspot.com/"><span style="font-size:85%;">Sofá Velho</span></a><span style="font-size:85%;">, de Filipe.</span><br /></span><br /><span style="font-size:85%;"><em>P.S.: Faz-se necessário uma pausa na brincadeira. Retorno incerto. Mas retorno em breve. E por aqui, peço desculpas pela falta de visitas e respostas. Prometo cumprir todos os memes e indicações de selos. Beijos, e até a volta.</em></span></div>Jayahttp://www.blogger.com/profile/05864430637430183419noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-9891970404210300612008-03-05T18:36:00.006-04:002008-07-03T01:28:42.163-04:00Sobrou desse nosso desencontro<div align="justify"><em>Um conto de amor.<br /><br />(Desencontro – Chico Buarque)<br /></em><br />Iam tontos assim, ao léu. Iam entre passos suaves que se embolavam para o caminho certo, combinados entre o pulsar desafinado. A vida plantava aquela dose de lirismo instantâneo, que pousava sorrateiro em seus efeitos. Descobriam-se entre gestos largos e demorados.<br /><br />Abraços macios, bancos, conversas sem fim, olhares mudos que escancaravam a alma, meios sorrisos, mãos sobre mãos, cabeça no ombro, olhar estrelas, relembrar o passado, a gargalhada dela, a maneira como só ele sabia olhar e que a deixava nervosa, o cheiro que ele tinha e que já era dela também, o jeito de flor que descobriu nela, e o céu que fotografava os instantes montando um álbum de fotografias eternas de um sentimento que o universo compartilhava.<br /><br />De vez em quando, enquanto ela se distraia com a lua, ele a observava, imerso em seus devaneios. E só então entendia, com certa perfeição de quem sente, o que o <em>Pequeno Príncipe</em> uma vez dissera:<br /><br /><em>Se alguém ama uma flor da qual só existe um exemplar em milhões e milhões de estrelas, isso basta para que seja feliz quando a contempla.</em><br /><br />Era contentamento. A precisão como seus sonhos se cruzavam durante todos os segundos, e o bem tratar dele para com ela como sendo a mais preciosa de seu jardim, evidenciava a inocência e leveza que carregava consigo.<br /><br />- Sabe quando a gente é criança e começa a descobrir o mundo?<br /><br />Ela lembrava.<br /><br />- A gente se espanta... Fica observando extasiado e se encanta a cada instante.<br /><br />E nessa hora, a alma dela se tornava pueril e suave. A meninice brincava outra vez naqueles olhos castanhos, e chegava ao encontro dele.<br /><br />- É assim que me sinto ao te olhar. Você é engraçada. É minha descoberta de todos os dias. Meu mundo de essências.<br /><br />Bastavam um ao outro. Apaixonavam-se por palavras. Ela mais.<br /><br />- Você vem?<br />- Contigo, sempre.<br /><br />E ainda que vago, a estrada não importava. A certeza da companhia lhes proporcionava coragens infindas.<br /><br />- Escolhe o destino, e me espera.<br /><br />Se uniam por sentimentos gêmeos e intangíveis. A cada pedaço que ela o possibilitava conhecer, a cada mistério que ele se permitia desvendar.<br /><br /><em>Saudades frágeis. Meros papéis.</em></div><div align="justify"><em></em></div>Jayahttp://www.blogger.com/profile/05864430637430183419noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-34933613915373357402008-03-01T11:13:00.009-04:002008-03-01T11:47:34.852-04:00Post Premiado.<div align="justify"><a href="http://canetavazia.blogger.com.br/">Teresa Roberta</a>, do <a href="http://canetavazia.blogger.com.br/">Caneta Vazia</a>, aquela garota pernambucana que preenche páginas de um jeito como ninguém mais consegue, me indicou a um meme. E sendo a opinião dela extremamente importante para mim, não sei nem como agradecer tamanho carinho. Obrigada é muito pouco, dona Roberta!<br /><br />Segundo a própria, esse é um meme ÚTIL. Útil porque, totalmente de acordo com Teresa, esse é o único meme, até agora, que pode servir para alguma coisa:<a href="http://www.trankera.org/meme-premiada-100-pratas-para-o-melhor-conteudo/">100 pratas para o blog com melhor conteúdo</a>. </div><div align="justify"><br /><strong>Como funciona o meme? </strong></div><div align="justify"><strong><br /></strong><em>O objetivo do meme é promover o blog com melhor conteúdo no Brasil, que será eleito pelos blogs que postarem este meme indicando três blogs que merecem ganhar o prêmio. Todos os dias será atualizada a lista de blogs votados <a href="http://www.trankera.org/votos-meme-premiada-100-pratas-para-o-melhor-conteudo/">neste link</a></em><em>. E no dia 11 de Março (terça-feira) às 23:00, será divulgado o blog vencedor. </em></div><br /><div align="justify"><em><strong>Para participar basta:</strong><br /></div></em><br /><div align="justify"><em>Fazer um post divulgando o meme; Indicar em seu post, 3 blogs que considere ter o melhor conteúdo no Brasil; Colocar um link de participação do meme apontando para <a href="http://www.blogger.com/”http://www.trankera.org/meme-premiada-100-pratas-para-o-melhor-conteudo/”">este post</a>.</em><em></div></em><br /><div align="justify"><em><strong>Lembrando que...</strong></em></div><br /><div align="justify"><em>...nenhum blog poderá votar em si mesmo. </em></div><br /><div align="justify"><em>...caso seu trackback não tenha sido listado automaticamente nos comentários, peço que deixe um comentário com o link do post em seu blog.<br /></em><br />E depois de tanto quebrar a cabeça diante da difícil responsabilidade, indico:<br /><br /><a href="http://omundodesofisma.blogspot.com/">O Mundo de Sofisma</a>.<br /><a href="http://pesardealma.blogspot.com/">Pesar de Alma</a>.<br /><a href="http://ehsohsaudade.blogspot.com/">É só saudade</a>...<br /><br />Tentei organizar de forma a beneficiar os demais. A certeza de que isso chegará a vocês deixa a consciência menos pesada. Essa lista está demasiadamente curta pro meu gosto!<br /></div><div align="center"><br />____________</div><br /><div align="justify">Agora, a hora do Oscar!<br /><br />Respira, respira... 1, 2, 3... Bom, acontece que andei sendo muito bem presenteada. Tanto que fico até sem graça. Tô ficando mais tímida que o normal com essa história. Não sei se mereço tanto mimo assim, de pessoas tão talentosas e doces. Fico boba demais com esse carinho. Então, eu quero deixar claro o quanto sou agradecida, o quanto estou lisonjeada. E outra vez: boba.<br /><br /><a href="http://bp1.blogger.com/_ZAa0og008K4/R8l0gUmNbuI/AAAAAAAAAWw/4W8FoLoegms/s1600-h/Total%25252BForce%25252Bselo%25252Bdo%25252Bblog.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5172793745645334242" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_ZAa0og008K4/R8l0gUmNbuI/AAAAAAAAAWw/4W8FoLoegms/s320/Total%25252BForce%25252Bselo%25252Bdo%25252Bblog.jpg" border="0" /></a>Vamos por ordem. Primeiro, <a href="http://contapramarcela.blogspot.com/">Marcelinha</a>, aquela flor de pessoa, que só sabe me encantar com suas palavras, disse que esse blog aqui <em>tem força total</em>. Isso foi uma surpresa, sabe, Hermana? Como você descobriu que sou ninja? Rs. Obrigada, Marcela. :*<br /><br />Os companheiros blogueiros que definitivamente possuem força total, são:<br /><br /><a href="http://omundodesofisma.blogspot.com/">Filipe</a>.<br /><a href="http://pesardealma.blogspot.com/">Ziggy</a>.<br /><a href="http://criticalwatcher.blogspot.com/">Vicente</a>.<br /><a href="http://entranhasdealex.blogspot.com/">Alex</a>.<br /><a href="http://vrro.blogspot.com/">Vinícius</a>. </div><div align="justify"><br /><a href="http://bp2.blogger.com/_ZAa0og008K4/R8l0DkmNbtI/AAAAAAAAAWo/WUSV1K6rIv0/s1600-h/tartaruga_selo_aprovado%255B1%255D.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5172793251724095186" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_ZAa0og008K4/R8l0DkmNbtI/AAAAAAAAAWo/WUSV1K6rIv0/s320/tartaruga_selo_aprovado%255B1%255D.jpg" border="0" /></a>Depois, quando o coração estava quase se recuperando, veio <a href="http://omundodesofisma.blogspot.com/">Lipe</a>, com seu mundo de sofisma, repleto de palavras que me fazem sonhar, e presenteou o <em>Deixa eu brincar de ser Feliz</em>? com o <em>selo Astrobaldo de qualidade.</em> Obrigada, Lipe!<br /><br />Aprovados pelo <em>Astrobaldo </em>e por mim:<br /><br /><a href="http://blogsegredosdeliquidificador.blogspot.com/">Segredos de Liquidificador</a>.<br /><a href="http://aluga-se-vende.blogspot.com/">Pois já é Hora de pôr Recordações para Fora</a>.<br /><a href="http://ehsohsaudade.blogspot.com/">É só saudade...</a><br /><a href="http://desencontrando.blogspot.com/">Desencontrando</a>. </div><br /><br /><p align="justify"><br /><a href="http://bp1.blogger.com/_ZAa0og008K4/R8lzrUmNbrI/AAAAAAAAAWY/3MWuHRMxZLY/s1600-h/este%25252Bblog%25252Bnaum%25252Bsai%25252Bda%25252Bcabe%252525C3%252525A7a%25255B1%25255D.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5172792835112267442" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_ZAa0og008K4/R8lzrUmNbrI/AAAAAAAAAWY/3MWuHRMxZLY/s320/este%25252Bblog%25252Bnaum%25252Bsai%25252Bda%25252Bcabe%252525C3%252525A7a%25255B1%25255D.jpg" border="0" /></a>Quando o coração estava quase se recuperando, <a href="http://criticalwatcher.blogspot.com/">Vicente</a> resolveu, com tamanha fofura, entregar pro blog três presentes de uma só vez. Uau! Obrigada, obrigada e obrigada, Vicente. Obrigadíssima!<br /><br /><a href="http://bp0.blogger.com/_ZAa0og008K4/R8l3VEmNbvI/AAAAAAAAAW4/NWO3lDaddpk/s1600-h/selinho%25252Bblog%25255B1%25255D.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5172796850906689266" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_ZAa0og008K4/R8l3VEmNbvI/AAAAAAAAAW4/NWO3lDaddpk/s320/selinho%25252Bblog%25255B1%25255D.jpg" border="0" /></a><br /></p><p align="justify"></p><p align="justify">Aos dois selos aqui ao lado, indico:<br /><br /><a href="http://ehsohsaudade.blogspot.com/">Amanda Beatriz</a>.<br /><a href="http://nadivisa.blogspot.com/">Mariana</a>.<br /><a href="http://canetavazia.blogger.com.br/">Teresa Roberta</a>.<br /><a href="http://socontroversias.blogspot.com/">Carol</a>.<br /><a href="http://dominus-dominique.blogspot.com/">Cris</a>.<br /><br /></p><p align="justify"><br /><br /><a href="http://bp0.blogger.com/_ZAa0og008K4/R8lzYEmNbqI/AAAAAAAAAWQ/JXGW3EB2iN0/s1600-h/sensa%252525C3%252525A7%252525C3%252525B5es%25252Bblognogenicas%25255B1%25255D.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5172792504399785634" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_ZAa0og008K4/R8lzYEmNbqI/AAAAAAAAAWQ/JXGW3EB2iN0/s320/sensa%252525C3%252525A7%252525C3%252525B5es%25252Bblognogenicas%25255B1%25255D.jpg" border="0" /></a> E com esse selo <em>superverycool</em>, presenteio:<br /><br /><a href="http://krippendorf.blogspot.com/"><a href="http://krippendorf.blogspot.com/">Krippendorf & Satriani</a></a>.<br /><a href="http://ehsohsaudade.blogspot.com/">É só saudade...</a>.<br /><a href="http://la--traviata.blogspot.com/">La Traviata</a>.<br /><a href="http://dominus-dominique.blogspot.com/">Dominus</a>.<br /><a href="http://atilasiqueira.blogspot.com/">Ásgard: Terra de Poesia</a>.<br /><br /><br /><br /><a href="http://bp0.blogger.com/_ZAa0og008K4/R8lzFEmNbpI/AAAAAAAAAWI/4a3cIaU-BkU/s1600-h/selo11.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5172792177982271122" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_ZAa0og008K4/R8lzFEmNbpI/AAAAAAAAAWI/4a3cIaU-BkU/s320/selo11.jpg" border="0" /></a> E por último, pra abalar as estruturas, <a href="http://pesardealma.blogspot.com/">Ziggy</a>, com toda sua simpatia e jeito único de usar das palavras, afirmou que <em>esse blog merece ser premiado, SIM</em>! O que acabou por me deixar mais tranqüila. Rs. Obrigada mesmo, Ziggy!<br /><br />Esses blogs aqui, também merecem ser premiados, sim:<br /><br /><a href="http://ehsohsaudade.blogspot.com/">Amanda Beatriz</a>.<br /><a href="http://nadivisa.blogspot.com/">Mariana</a>.<br /><a href="http://contapramarcela.blogspot.com/">Marcelinha</a>.<br /><a href="http://julianaocaribe.blogspot.com/">Juliana</a>.<br /><a href="http://la--traviata.blogspot.com/">La Traviata</a>.<br /><a href="http://margaritasameianoite.blogspot.com/">Margaritas à Meia-Noite</a>.<br /><br />Obrigadas, outra vez! Infinitas vezes. E um beijo, pessoas lindas.<br /><br /><em><span style="font-size:85%;">P.S.: Gente, peço desculpas pela falta de atualização e pela lenta reciprocidade nos comentários. Meu querido computador está na UTI, justo no momento onde mais preciso dele (projeto de monografia deve ser entregue em breve). Sendo assim, as coisas andam meio piradas e atrasadas por aqui. Logo logo tudo deve voltar ao normal. Saudades de lê-los. Tinha um texto preparado pra hoje, mas apareceram selos e memes, e sabe como é... Rs.</span></em><br /></p>Jayahttp://www.blogger.com/profile/05864430637430183419noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-68242763453310959142008-02-24T00:28:00.008-04:002008-07-03T01:29:20.415-04:00Hoje, lembrando-me dela<div align="justify"><em>Me vendo nos olhos dela<br />Sei que o que tinha de ser se deu<br />Porque era ela<br />Porque era eu.<br /><br />(Porque era ela, Porque era eu – Chico Buarque)<br /></em><br />Éramos amizade, e a vida tinha acabado de começar. Éramos eu e você e o quintal. Nossos tesouros que descobrimos juntas, e aprendemos a dividir por toda a vida. Nossas excursões sem fim, nosso mundo completo. Você e eu, e bonecas. E choros. E brincadeiras, os cabelos nas nuvens, brigas, doces, aniversários, gostos em comum. Nossas roupas iguais, nossos trejeitos parecidos. E já era amor.<br /><br />Você era Mônica sem Eduardo. Era Mônica de <em>Maurício de Souza</em>, mas com delicadeza e ternura. Você é forte por natureza. É linda apenas por ser, e tem um sorriso que ilumina todos os meus dias. Você é a primeira irmã que tive. Aquela de outra barriga, mas que sempre dividiu o coração comigo. É a prima que traçaram para mim.<br /><br />Minha infância foi gravada ao teu lado. Nossas histórias e fotografias que rendem risadas e boas passagens a serem contadas na mesa, enquanto jogamos baralho, pra todo mundo ouvir. Que rendem lembranças pra rechear as visitas anuais que te faço. Aí o tempo insiste em apressar as horas, e quando começo a te aproveitar, a saudade já aparece outra vez.<br /><br />E os milhares de quilômetros de distância se pintam. Mas já tenho você comigo, porque sempre foi assim. Meu coração tem um lugar só teu, um pedaço onde você se deita, repousa e pode até rodopiar, mas nunca abandona. A gente se encontra em palavras, entre cartas, emails, telefones e webcam, entre você sorrindo pra mim em dimensões várias. E elas tomam vida. Quando eu choro daqui, minha UTI é você. Meu ponto de estabilização. Meu controle.<br /><br />É você que preenche minha necessidade de amizade encharcada com amor incondicional. Você com seu carinho, seu abraço, seu afago e sua preocupação. Você que é daqueles pedaços do meu coração batendo fora do meu peito. E a reciprocidade é sincera.<br /><br />Nas nossas conversas sobre o futuro, estamos incluídas nos planos horizontais e verticais. Nos apoiamos entre nuvens, ou debaixo d’água. A vida que traçamos em estradas diferentes, mas sempre com encontros emocionados. Entre desacordos e afinidades. O teu jeito de dizer: <em>te amo, nega</em>. E as confidências. E os nomes dos nossos filhos discutidos. Eu com <em>Chico Buarque</em> e sua <em>Cecília</em>, você com <em>Tom Jobim</em> e sua <em>Luiza.</em><br /><br />Teu amor. Você e Ivo. O amadurecimento que acompanhei. A capacidade de vocês, juntos, reacenderem a luzinha que diz que amor de verdade existe, sim! Os planos que dividimos. As incertezas que viraram confirmações. Os momentos importantes que acompanhei de longe. <em>Nando Reis</em> nos unindo em uma afinidade telepática.<br /><br />E um dia você me convidou a ser madrinha do teu casamento, e o nervosismo tomou conta de mim. A idéia de te imaginar voando pra longe. A passarinha que até outro dia, compartilhava uma boneca e medos infantis comigo. A vontade de te colocar no bolso e te trazer pra perto de mim pra poder de abraçar. A felicidade. A tentativa vã de entrar no telefone ou no computador e poder sentar na tua cama, de pernas cruzadas, enquanto você olhava pra mim e me contava todos os planos, mostrando o anel. Mas vieram fotografias, e palavras reais. E essa tua sensibilidade em me manter presente, mesmo em outro ponto, é o que me cativa todos os dias. É o que faz Bahia e Roraima ficarem colados. É que ainda vai ser assim. E essa cena vai ser nossa, por anos. Mas pessoalmente, para ser mais inesquecível.<br /><br />E o pensar que agora pode ser que <em>Luiza</em> esteja chegando a qualquer dia de sol nos meses que correm. E o meu contentamento sem fim pelo convite em ser sua madrinha. E caso eu não possa ser, por questões religiosas que me faltam, nada vai alterar sentimentos e ações. Porque é contigo, nega. Diz respeito a você, é você, então faz parte de mim também. Junto com as promessas de amor, de deseducar, de deixar esse teu pedaço viver o mundo do jeito que quiser, quando perto de mim. Que é pra ela (ou ele) querer fugir pra minha casa nos fins de semana, quando você estiver muito chata e resolver brigar com todo mundo.<br /><br />Nessa tua nova fase, que outra vez acompanho de maneira pioneira, ainda que afastada, eu te desejo as melhores pinturas que o mundo possa desenhar. E eu sei que você sabe que estou aqui em todas as horas e em todos os céus. Azul ou nublado. Você sabe que eu paro o mundo para te olhar. Sabe que entre lágrimas, de tristeza ou de sorrisos, nosso tempo é o mesmo. Teu momento é meu também.<br /><br />Eu sei que no futuro que tenho reservado, talvez com minha <em>Cecília </em>nos braços, você fará o mesmo. E a madrinha mais querida não poderia ser outra. Porque você é parte das minhas primeiras lembranças do passado, e presencia todos os meus projetos futuros. É aplauso, é incentivo, é pulo de alegria com minhas vitórias e colchão macio para estender no meu chão, quando as coisas não andarem tão boas assim.<br /><br />A cada vez que você parafraseia <em>Nando</em> e me escreve o trecho mais lindo de <em>N,</em> meu coração se desmonta e vai sendo costurado outra vez. Esse sobrar da falta que você faz, é daquelas coisas com as quais jamais me acostumarei.<br /><br />Você agora vai voar por novos cantos. Vai viver teu mais querido sonho. Vai ser a mãezona amada de <em>Luiza</em> ou de um doce pirracento. Vai ser a psicóloga mais babona e realizada das redondezas. E ainda vai ter que tratar de me querer ao lado o tempo que a vida resolver ditar.<br /><br />Eu te desejo novos encantos. E que todas as proximidades da perfeição rodeiem o teu paraíso pessoal. As minhas saudades ainda são como um filme sem cor, que <em>Zeca Baleiro</em> cantou. Mas o coração colorirá. Em breve.<br /><br />É que eu te amo. Amo como a gente já sabe: <em>desde sempre, e pra sempre</em>.</div><div align="justify"></div><p><a href="http://bp3.blogger.com/_ZAa0og008K4/R8D4e4pirWI/AAAAAAAAAWA/-eI4n0DZAXo/s1600-h/corte.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5170405581707717986" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_ZAa0og008K4/R8D4e4pirWI/AAAAAAAAAWA/-eI4n0DZAXo/s320/corte.jpg" border="0" /></a></p><p align="center"><em>Ela (de amarelo) e eu. Quando o mundo era perfeito.</em><br /></p>Jayahttp://www.blogger.com/profile/05864430637430183419noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-80157212827649675682008-02-20T21:13:00.004-04:002008-02-20T23:06:13.568-04:00A vida é sempre aquela dança<div align="justify"><em>Aonde não se escolhe par<br />Por isso às vezes ela cansa<br />E senta um pouco pra chorar.<br /><br />(Umas e outras – Chico Buarque)<br /></em><br />Ela senta. Só que a música não pára de tocar. Nunca pára. A vida corre. A dança sempre recomeça outra vez. Os pares aparecem e somem. Às vezes ficam por um tempo maior, e a sensação é qualquer coisa de fantasia. Só que inverte-se a música, trocam-se os pares. O agradável: existem muitos sons infindáveis.<br /><br />A gente dança, vira bailarino. O ritmo muda. De repente é música lenta, e a dança é a dois. O disco muda. Você aprende sua própria dança. Às vezes apresenta ao mundo, e exige treino. O treino cansa. A exigência irrita. Nem sempre é preciso de platéia. O protagonista da nossa dança, sempre seremos nós. O mundo a olhar. Os aplausos vem dos nossos.<br /><br />A dança acelera. Tem sentar, tem chorar. Mas também tem levantar e sorrir. Tem vez. Tem cheiro. Tem melodia própria. E tem hora. Tem prazo para ser feliz e para ser triste também.<br /><br />Não tá bom assim? Muda o ritmo. Porque para cada fase, há um que se ajusta. Se algum coração se oferecer a dançar junto, as notas poderão se unir numa só música. Se o ritmo mudar outra vez, outros salões aparecerão. Não se escolhe par. Mas também é agradável dançar sozinho. Em certos tons, é essencial.<br /><br />A vida dela é <em>MPB</em>, com fortes doses de <em>rock n’roll</em>. Mas o mundo dela é alternativo, e o ritmo muda o tempo todo. A dança vai de par em par. Às vezes ela cansa. E senta um pouco. Pra observar.<br /><br />Sendo o universo um disco, cada um é uma música. Cada música tem sua dança. E em toda dança, descobre-se um salão aprazível para se apresentar. A certeza da realidade instantânea é a adrenalina maior.<br /><br /><em>Ensaio não é permitido. Viver dançando, sim.</em></div><div align="justify"><em></em></div><div align="justify"><br />P.S.: Tem texto meu rodando no <a href="http://chadascincomeninas.blogspot.com/">Chá das Cinco</a>. Apareçam!</div>Jayahttp://www.blogger.com/profile/05864430637430183419noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-51032350625083039542008-02-17T00:11:00.001-04:002008-02-17T18:31:45.941-04:00Às vezes eu amo...<div align="justify"><em>E construo castelos<br />Às vezes eu amo tanto<br />Que tiro férias.<br /><br />(Medieval II – Cazuza/ Meanda)<br /></em><br />É assim que a vida vai. Leve, flutuando, longe de qualquer peso, quase que desafiando a gravidade. Porque chega uma hora em que amar também cansa. Um amor indefinido cansa. Certezas demais também cansam. E quando a gente ama ao ponto de quase se perder: férias.<br /><br />Já foi o disparo e as borboletas no estômago. O suspiro integral e o riso frouxo. Abobalhação. O não desligar do telefone. A espera. O ouvir uma música e achar que haveria identificação. O tentar fugir a dois. O tentar não apressar, e ao mesmo tempo planejar. O imaginar como seria. As cores. É apelido carinhoso. Já foi declaração. É tudo aquilo que <em>Camões </em>falou.<br /><br />Mas o sentido escapa. As vontades se refugiam. As palavras perdem o significado mais intenso, que nem o dicionário ousava descrever tão bem. A música pára de tocar. O comodismo aparece. A alegria é outra. O sonho se transforma.<br /><br />É estafa. É o gesto que se torna um lugar comum. Doação existe, mas brincadeira não supre toda e qualquer seriedade. É explosão de afinidade. E ainda existe o contente. Existem as mãos esfriando com casualidades. Existe a procura. O olhar perdido. O carinho. Mas o silêncio não é mais o mesmo de antes. A vida também não. Esse retirar e dizer de palavras já não agrada.<br /><br />Voar faz bem. E se o mesmo céu ilumina a todos, um dia as asas poderão descansar na mesma nuvem. Mas não agora. Agora é hora de voar.<br /><br /><em>Eu acredito em paixão e moinhos lindos.</em></div>Jayahttp://www.blogger.com/profile/05864430637430183419noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-61688649581356511382008-02-16T14:52:00.004-04:002008-02-16T15:03:35.544-04:00Uma Mente Iluminada<div align="justify"><a href="http://dominus-dominique.blogspot.com/">Cris</a>, dona e proprietária do blog <a href="http://dominus-dominique.blogspot.com/">Dominus</a>, criou o selo <em>Uma Mente Iluminada</em>. Criado por razões e características nunca antes abordadas em nenhum dos selos que o <em>Deixa eu brincar de ser Feliz?</em> já recebeu, e por esse motivo, está sendo aberto um post exclusivo para explicá-lo.<br /><br />A idéia do selo foi definida da seguinte maneira, de acordo com <a href="http://dominus-dominique.blogspot.com/">ela</a>:<br /><br /><em>(...)<br /><br />As mentes iluminadas falam de amor, de alegria, de felicidade, porém, jamais se esquecendo de que o ser humano não vive apenas disso. Sendo algo como uma cordilheira de montanhas, as pessoas vivem cheias de subidas e descidas, de altos e baixos. Pois a constância destruiria o ser tornando sua vida sem sentido, sem motivos, já que o norte da vida é a cada dia arriscar-se em viver.<br /><br />Uma mente iluminada não deve estar restrita apenas à idéia de que seria uma mente religiosa, ou uma mente puramente intelectual. As idéias que produzem luz nos seres humanos são idéias corajosas, que rompem com a realidade presente buscando mostrar à humanidade caminhos diferentes que levem a um entendimento e convivência pacífica entre os povos, à tolerância e respeito à diversidade de cada ser sobre a terra. Uma mente iluminada, então, por assim dizer, é alguém capaz de iluminar a escuridão de outros. Capaz de gerar em outro a mesma luz, que será passada para frente numa infinita corrente do bem.<br /><br />(...)<br /><br />Seu objetivo é a busca por esta luz e, mais precisamente, pelas pessoas que emanam esta luz. E é tão fácil encontrá-las, pois se encontram em todos os lugares, com sua sabedoria popular, erudita, infantil, madura e assim por diante. Porque para iluminar a outros é necessário apenas querer fazê-lo.<br /></em><br />Por todos esses motivos tão bem descritos e especificados. Pelo sentimento que criei em mim ao redor do mesmo, esse selo me fez contente. Ainda mais por tê-lo recebido de pessoas tão bem iluminadas e portadoras integrais da corrente do bem: <a href="http://dominus-dominique.blogspot.com/">Cris</a> e <a href="http://atilasiqueira.blogspot.com/">Átila</a>. Meus muito obrigadas de coração, aos dois!<br /><br /></div><div align="justify"></div><a href="http://bp0.blogger.com/_ZAa0og008K4/R7cxHYpirUI/AAAAAAAAAVw/G8cOm9Wdwgg/s1600-h/Pr%25C3%25AAmio%2BUma%2BMente%2BIluminada%2B3.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5167653100376468802" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_ZAa0og008K4/R7cxHYpirUI/AAAAAAAAAVw/G8cOm9Wdwgg/s320/Pr%25C3%25AAmio%2BUma%2BMente%2BIluminada%2B3.jpg" border="0" /> <p align="justify"></a>Seguindo minuciosamente os critérios propostos, e na certeza de possuírem não apenas mentes, mas corações tão iluminados quanto, indico a espalhar essa corrente do bem, e a receberem esse selo precioso, as seguintes pessoas:<br /><br /><br /><a href="http://nadivisa.blogspot.com/">Mariana</a>, que ilumina com suas palavras e seus poemas que voam. Enche de cor o céu mineiro, e o reflexo chega até aqui, pra mim, e o dia sorri.<br /><br /><a href="http://dominus-dominique.blogspot.com/">Cris</a>, que ilumina com sua simpatia. Seu olhar detalhado e seus faróis internos fazem o mundo mais claro através do Dominus.<br /><br /><a href="http://socontroversias.blogspot.com/">Carol</a>, que ilumina lá do sul. Que suaviza todo e qualquer desmazelo com a doçura impregnada em suas palavras.<br /><br /><a href="http://meninalunar.blogspot.com/">Menina Lunar</a>, que ilumina através da lua, com sua alma prateada. Que tem o dom de colocar o coração em cada letra.<br /><br /><a href="http://vrro.blogspot.com/">Vinícius</a>, que ilumina irrevogavelmente. Que nos transporta para o agora de seus textos, no passado ou no futu