tag:blogger.com,1999:blog-4431617701641315672008-10-07T12:57:14.668-07:00Pensamentos Cativos!Filipe Garciahttp://www.blogger.com/profile/08524011609315970278noreply@blogger.comBlogger27125tag:blogger.com,1999:blog-443161770164131567.post-88020537906077140322008-09-02T10:52:00.001-07:002008-09-02T11:18:01.768-07:00A criação do mundo<a href="http://discipulum.blogspot.com/2008/09/criacao-do-mundo.html"><img src="http://b.imagehost.org/0052/cria_o.jpg" width="507" border="0" height="66" /></a><center><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/bR19fKF0YYU&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;color1=0x2b405b&amp;color2=0x6b8ab6"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/bR19fKF0YYU&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;color1=0x2b405b&amp;color2=0x6b8ab6" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></center><br /><div style="text-align: justify;"><span style="font-size:85%;"><span style="font-family: verdana;">"Pode ser que nossa pequena tragédia tenha emocionado os deuses; pode ser que eles a apreciem de seus camarotes estrelados; pode ser que no fim de cada drama humano o homem seja chamado repetidas vezes a voltar ao palco. A repetição pode continuar por milhões de anos, por mera escolha, e a qualquer instante pode parar. O homem pode permanecer sobre a terra geração após geração e, no entanto, cada nascimento pode definitivamente ser sua última aparição</span></span>..." <span style="font-weight: bold;">-</span> <span style="font-weight: bold;">(G. K. Chesterton)</span><br /></div>Filipe Garciahttp://www.blogger.com/profile/08524011609315970278noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-443161770164131567.post-37032845880525068422008-09-01T22:52:00.000-07:002008-09-03T13:13:55.435-07:00Blue like jazz<a href="http://discipulum.blogspot.com/2008/09/blue-like-jazz.html"><img src="http://b.imagehost.org/0593/jazz.jpg" border="0" /></a><center><img src="http://b.imagehost.org/0707/blue_like_jazz.jpg" /></center><div style="text-align: center; font-style: italic;"><span style="font-size:85%;"><span style="font-family:verdana;">"Eu nunca gostei de jazz porque é impossível defini-lo. Mas, certa noite, eu estava do lado de fora do Bagdad Theater, em Portland, e vi um homem tocando saxofone. Fiquei parado ali durante 15 minutos e em nenhum momento ele abriu os olhos. Depois disso, passei a gostar de jazz. Algumas vezes você precisa ver alguém amar alguma coisa antes de você mesmo conseguir amá-la. É como se a pessoa estivesse mostrando o caminho. Eu não costumava gostar de Deus porque Deus não pode ser definido — mas só até que tudo isso acontecesse"</span></span><br /></div><br /><div style="text-align: center;"><span style="font-weight: bold;font-family:verdana;font-size:85%;" ><a href="http://en.wikiquote.org/wiki/Don_Miller_%28author%29">Donald Miller</a> em <span style="font-style: italic;">Como os Pinguins me ajudaram a entender a Deus</span></span></div>Filipe Garciahttp://www.blogger.com/profile/08524011609315970278noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-443161770164131567.post-78543467245621923902008-09-01T20:15:00.000-07:002008-09-02T09:05:53.483-07:00Cada um tem o ópio que merece!<a href="http://discipulum.blogspot.com/2008/09/cada-um-tem-o-opio-que-merece.html"><img src="http://b.imagehost.org/0761/opium.jpg" border="0" height="66" /></a><img src="http://b.imagehost.org/0600/Disassemblance.jpg"/>Filipe Garciahttp://www.blogger.com/profile/08524011609315970278noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-443161770164131567.post-80980739952830187552008-08-31T06:53:00.000-07:002008-08-31T10:38:41.015-07:00Perto dos lábios, longe do coração<a href="http://discipulum.blogspot.com/2008/08/perto-dos-labios-longe-do-coracao.html"><img src="http://b.imagehost.org/0812/Perto_dos_l_bios.jpg" border="0" height="66" /></a><center><img src="http://b.imagehost.org/0616/birdofprey.jpg"/></center><div style="text-align: justify;"><span style=";font-family:verdana;font-size:85%;" >Há um poema do crítico literário C.S. Lewis que é uma espécie de confissão. Na primeira vez em que o li, me identifiquei tanto com seus sentimentos que era como se alguém estivesse chamando meu nome. Sempre retorno a esse poema quando penso sobriamente sobre minha fé, sobre os preceitos gerais da espiritualidade cristã, os belos preceitos que indicam que somos falhos, todos somos falhos, o político corrupto e o devoto professor de escola dominical. No poema C.S. Lewis se auto-analisa. Ele fala de sua própria depravação com uma espécie de bravura comovente:</span></div><br /><br /><span style=";font-family:verdana;font-size:85%;" ><center><span style="font-style: italic;">All this is flashy rhetoric about loving you.</span><br /><span style="font-style: italic;">I never has a selfless thought since I was born</span><br /><span style="font-style: italic;">I am mercenary and self-seeking through and through:</span><br /><span style="font-style: italic;">I want God, you, all friends, merely to serve my turn.</span><br /><br /><span style="font-style: italic;">Peace, re-assurance, pleasure, are the goals I seek,</span><br /><span style="font-style: italic;">I cannot crawl one inch outside my proper skin:</span><br /><span style="font-style: italic;">I talk of love --a scholar's parrot may talk Greek--</span><br /><span style="font-style: italic;">But, self-imprisoned, always end where I begin.</span><br /><br />*******<br /><br /><span style="font-style: italic;">[Tudo não passa de retórica barata sobre amar você.</span><br /><span style="font-style: italic;">Eu nunca tive um pensamento altruísta desde que nasci.</span><br /><span style="font-style: italic;">Sou um mercenário egoísta o tempo todo;</span><br /><span style="font-style: italic;">Quero Deus, você, todos os amigos apenas servindo a mim.</span><br /><span style="font-style: italic;">Paz, garantia, prazer, são minhas metas.</span><br /><span style="font-style: italic;">Eu não consigo me arrastar um centímetro fora de minha pele;</span><br /><span style="font-style: italic;">Eu falo de amor — o papagaio de um professor pode falar grego —</span><br /><span style="font-style: italic;">Mas, preso dentro de mim, sempre acabo onde comecei.]</span></center></span><br /><br /><div style="text-align: justify;"><span style=";font-family:verdana;font-size:85%;" >Geralmente, fico sentado em meu quarto ponderando se eu sou como o papagaio do poema de Lewis, balançando em minha gaiola, recitando Homero, o tempo todo sem saber o que estou dizendo. Falo sobre amor, perdão, justiça social; invisto contra o materialismo em nome do altruísmo, mas será que já controlei meu próprio coração? Praticamente todo o tempo eu passo pensando em mim mesmo, me satisfazendo, me tranqüilizando, e, quando termino, não restou nada para os necessitados. Seis bilhões de pessoas vivem neste mundo e só consigo pensar em uma – eu.</span></div>Filipe Garciahttp://www.blogger.com/profile/08524011609315970278noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-443161770164131567.post-6589718709490677542008-08-27T19:26:00.000-07:002008-08-28T07:59:35.891-07:00Revolução<a href="http://discipulum.blogspot.com/2008/08/revoluo.html"><img src="http://b.imagehost.org/0420/Revolu_o.jpg" border="0" height="66" /></a><img src="http://b.imagehost.org/0619/revolucao_ameba.jpg"/><br /><br /><font size="1"> Fonte: <a href="http://ryotiras.com/posts/a-m-o-e-b-a-539">Ryot Iras</a></font>Filipe Garciahttp://www.blogger.com/profile/08524011609315970278noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-443161770164131567.post-9954490455009076022008-08-27T18:00:00.000-07:002008-08-27T19:40:06.080-07:00The God Delusion<a href="http://discipulum.blogspot.com/2008/08/god-delusion.html"><img src="http://b.imagehost.org/0919/The_God_Delusion.jpg" width="507" border="0" height="66" /></a><img src="http://b.imagehost.org/0841/cxr.jpg"/>Filipe Garciahttp://www.blogger.com/profile/08524011609315970278noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-443161770164131567.post-78665610859564306452008-08-26T10:03:00.000-07:002008-08-26T11:58:21.207-07:00A ardente expectativa<a href="http://discipulum.blogspot.com/2008/08/ardente-expectativa.html"><img src="http://www.freeimagehosting.net/uploads/34ca639130.jpg" width="507" border="0" height="66" /></a><center><img src="http://www.freeimagehosting.net/uploads/4ebcaaad5b.jpg" border="0" /></center><br /><div style="text-align: center;"><span style="font-style: italic;font-family:verdana;font-size:85%;" >“Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória que em nós há de ser revelada. A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus”</span><span style="font-size:85%;"><span style="font-family:verdana;"> </span></span><span style="font-weight: bold;font-family:verdana;font-size:85%;" ><br />(Romanos 8:18-19)</span><br /></div><span style="font-weight: bold;font-family:verdana;font-size:85%;" ><br /></span><div style="text-align: justify;"><span style=";font-family:verdana;font-size:85%;" >O ex-padre católico, <a href="http://www.brennanmanning.com/"><span style="font-style: italic;">Brennan Manning</span></a>, conta em seu excelente livro, <a href="http://www.mundocristao.com.br/produtosdet.asp?cod_produto=40068&amp;cod_categoria=150"><span style="font-style: italic;">O Evangelho Maltrapilho</span></a>, publicado no Brasil pela <a href="http://www.mundocristao.com.br/">Editora Mundo Cristão</a> e traduzido pelo perspicaz <a href="http://www.baciadasalmas.com/">Paulo Brabo</a>, que ao passar em frente a um centro de convenções, viu uma fila de pessoas que aguardava entrar em suas dependências para participar da festa que ali seria promovida. A atenção de Brennan foi arrebatada pela expectativa </span><span style=";font-family:verdana;font-size:85%;" >e pelo semblante de alegria e contentamento das pessoas que compunham aquela fila.</span><br /><br /><span style=";font-family:verdana;font-size:85%;" >Conta o autor que sua mente foi invadida por pensamentos variados e que algo o intrigou. Embora aquela possivelmente fosse uma cena comum, Brennan ficou perplexo. Pois, ao constatar a expectativa daquelas pessoas, lembrou-se que os cristãos também estão numa fila esperando os portões celestiais se abrirem para participar da festa das <span style="font-style: italic;">“bodas do Cordeiro”;</span> contudo, para nossa surpresa, muitos desses cristãos não estão felizes. Na verdade muitos estão na fila, porém duvidosos se realmente há um banquete à nossa espera. Muitos acham que o anfitrião não ficará contente em vê-los. E muitos se perguntam se serão bem-vindos. A idéia de um Deus <span style="font-style: italic;">ansioso</span> por nos receber e uma festa maravilhosa para nos recepcionar parece boa demais para ser verdade. Nossa forma de viver, alias, revela que acreditamos que não há nenhuma festa preparada nos céus para nós.</span><br /><br /><span style=";font-family:verdana;font-size:85%;" >Além de Manning, o apóstolo Paulo também nos intriga ao declarar que a criação possui uma <span style="font-style: italic;">“ardente expectativa”</span> e que ela geme esperando a revelação dos filhos de Deus. Ou seja, a própria natureza, que se tornou cativa e prejudicada em função da queda de Adão, <span style="font-style: italic;">“espera”</span> uma arrebatadora libertação na consumação dos séculos. Ora, se isso é verdade para a parte irracional da criação, porque nós, cristãos, os principais alvos do amor eterno de Deus, não possuímos tão intensa expectativa? Porque vivemos como se nossa existência se resumisse à paisagem que está adiante de nós e que nos distrai tanto que esquecemos que o melhor ainda está por vir?</span><br /><br /><span style=";font-family:verdana;font-size:85%;" ><span style="font-style: italic;">“Não dá para comparar”</span> - é o que diz o apóstolo Paulo. O que sinto e vejo neste mundo é infinitamente inferior ao que experimentarei ao lado do Criador, do Salvador e do Consolador. Por que nos esquecemos disso tão facilmente? Por que nossa alegria é de tão curta duração? Por que nossa esperança é tão instável? Por que ficamos tão irritados com a grama do jardim que está alta, com a conexão da internet que caiu, com as chaves que perdemos, (ou com coisas desse tipo) se há uma realidade indescritivelmente superior à qual estamos destinados e que, portanto, encontraremos? Até mesmo preocupações relevantes como as epidemias, o desemprego, a violência, a desigualdade e a fome não podem ofuscar <span style="font-style: italic;">“a glória que em nós há de ser revelada”</span>. </span><br /><br /><span style=";font-family:verdana;font-size:85%;" ><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Fi%C3%B3dor_Dostoi%C3%A9vski">Fiódor Dostoiévski</a>, um dos maiores escritores de todos os tempos, compreendeu as palavras de Paulo ao constatar que deve (ou deveria) haver um lugar de compensações, pois nesta existência o homem não consegue viver à altura de seus mais nobres ideais - não praticamos todo bem que almejamos, não amamos intensamente, não somos tão bons quanto gostaríamos, vivemos aquém dos nossos ideais. A vida não faria sentido se tais aspirações não fossem saciadas em algum lugar. Este lugar, segundo </span><span style=";font-family:verdana;font-size:85%;" >Dostoiévski</span><span style=";font-family:verdana;font-size:85%;" >, é a eternidade. À sua maneira, o romancista compreendeu a teologia de Paulo.<br /><br />Sim, há um lugar na eternidade onde o sofrimento não nos alcançará. Onde nenhuma lágrima será derramada. Onde as dúvidas não mais nos perturbarão. Onde toda incerteza será dissipada. E </span><span style=";font-family:verdana;font-size:85%;" >Dostoiévski chegou a essa conclusão após passar por um conflito pessoal. No dia do sepultamento de sua esposa, Masha, ele começou a pensar que, apesar dos momentos sofríveis do matrimônio, da incompatibilidade de comportamentos, do ódio que às vezes Masha sentia ao presenciar os ataques de epilepsia que ele sofria, das constantes brigas e do abandono do lar, houve momentos de felicidade verdadeira, porém ambos não conseguiram viver à altura do amor ideal. Dostoiévski considera, portanto, que um dia talvez ele veja sua esposa de novo em um lugar pleno de satisfação; e, por pensar assim e acreditar nisso, aconselha todos a seguirem o conselho de Paulo e atentarem, não para as coisas visíveis que são temporais, mas para as invisíveis que são eternas.<br /><br />Por semelhantes razões, digo a vocês que devemos todos, qual promoters de raves, entregar os flyers para as Bodas do Cordeiro com contagiante alegria e ardente expectativa. A boa notícia, portanto, é que - ao contrario do que pensam os religiosos - Jesus nos chama não para jejuarmos e prantearmos; mas para comermos, bebermos e celebrarmos. </span></div>Filipe Garciahttp://www.blogger.com/profile/08524011609315970278noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-443161770164131567.post-10588934820261369772008-08-25T08:29:00.000-07:002008-08-25T11:37:38.957-07:00Quem é vivo sempre desaparece!<a href="http://discipulum.blogspot.com/2008/08/quem-vivo-sempre-desaparece.html"><img src="http://b.imagehost.org/0349/desaparece.jpg" width="507" border="0" height="66" /></a><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_QZiqNTXned4/SLLrW6Eq8jI/AAAAAAAAAIE/KGsfK1_fULM/s1600-h/composer.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 490px; height: 114px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_QZiqNTXned4/SLLrW6Eq8jI/AAAAAAAAAIE/KGsfK1_fULM/s320/composer.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5238508095363805746" border="0" /></a><div align="justify"><span style=";font-family:verdana;font-size:85%;" >O ano era 1993. Depois de ter passado quatro anos sem gravar um álbum de canções inéditas, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Chico_Buarque">Chico Buarque</a> achou que havia perdido a mão para compor. O fato de ter dedicado boa parte desse hiato musical escrevendo seu primeiro romance, <span style="font-style: italic;">Estorvo</span> (publicado em 1991), fez com que ele tivesse perdido o hábito de pegar o violão e compor novas letras e melodias com a naturalidade de outros tempos. E, se antes os acordes vinham quase que de <span style="font-style: italic;">bate-pronto</span>, dessa vez a busca pela inspiração musical foi acirrada; versos e sons surgiam meio que arredios, como um gato de estimação que não lhe vê há tempos e arranha suas mãos na primeira tentativa de carinho.<br /><br />Porém, ninguém se torna um Chico Buarque à toa. Após algumas semanas de labuta, eis que o destro escritor compôs uma nova fornada de canções registradas no álbum <span style="font-style: italic;">Paratodos</span>, metaforizando todo o tempo que passou distante da música em <span style="font-style: italic;">“De Volta ao Samba”</span>, na qual diz: <span style="font-style: italic;">"Pensou que eu não vinha mais, pensou/ Cansou de esperar por mim/ Acenda o refletor/ Apure o tamborim/ Aqui é o meu lugar/ Eu vim"</span>.<br /><br />É mais do que evidente que estou muito longe de ser um Chico, pobre de mim. Mas busco identificação em seus versos para dizer aos leitores deste blog que, sim, eu voltei. E tomo mais uma vez emprestadas as palavras do filho de Sérgio Buarque de Holanda para marcar a retomada das atividades deste recanto virtual, cantarolando: <span style="font-style: italic;">"Eu sei que fui um impostor/ Hipócrita querendo renegar seu amor/ Porém me deixe ao menos ser/ Pela última vez o seu compositor"</span>.<br /><br /><center>*******</center><br />Quatro meses se passaram desde a última atualização deste blog, e muita areia escorreu nas ampulhetas do tempo. Por exemplo, em Abril, pouco antes de ter postado pela última vez, o meu texto <a href="http://discipulum.blogspot.com/2008/04/nietzsche-e-o-deus-que-danca.html">Nietzsche e o Deus que dança</a> foi publicado em alguns lugares, inclusive no excelente portal <a href="http://www.cristianismocriativo.com.br/index.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=115&amp;Itemid=70">Cristianismo Criativo</a>. Mais recentemente, já em agosto, recebi duas indicações para o Prêmio Dardos que, se eu entendi, é a mistura de um meme com uma premiação simbólica; recebi uma indicação do <a href="http://baptizedinfire.wordpress.com/">Baptized in Fire</a> e outra do <a href="http://www.robertosoares.com/">Blog do Roberto Soares</a>. Fica aqui o meu agradecimento.<br /><br />Outro fato que merece menção é a viagem do Leo, que está fazendo um <span style="font-style: italic;">mochilão-pesquisa-de-campo</span>, vindo dos Estados Unidos até o Brasil com uma mochila nas costas, alguns blocos de nota e muita disposição. Alguns detalhes da viagem podem ser conferidos <a href="http://leo-wanderlust.blogspot.com/">aqui</a>.<br /><br />A propósito, durante este tempo todo também andei lendo e relendo alguns livros que há muito tempo esperavam ser devorados por mim. Segue uma lista de alguns dos quais eu me lembro de ter lido e relido nesses quatro meses: <a href="http://www.mundocristao.com.br/produtosdet.asp?cod_produto=40068&amp;cod_categoria=150">O Evangelho Maltrapilho</a>; <a href="http://www.thomasnelson.com.br/catalogo/livro_detalhe.asp?idlivro=16">Como os pingüins me ajudaram a entender a Deus</a>; <a href="http://www.mundocristao.com.br/produtosdet.asp?cod_produto=10575&amp;cod_categoria=8">Ortodoxia</a>; <a href="http://www.editoravida.com.br/loja/product_info.php?products_id=495">Maravilhosa Graça</a>; <a href="http://www.mundocristao.com.br/produtosdet.asp?cod_produto=10551&amp;cod_categoria=4">Outra Espiritualidade</a>; <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Vermelho_e_o_Negro">O Vermelho e o Negro</a>; <a href="http://www.cosacnaify.com.br/loja/detalhes.asp?codigo_produto=367&amp;language=pt&amp;showPromo=True">Este lado do paraíso</a>; <a href="http://www.esextante.com.br/publique/cgi/public/cgilua.exe/web/templates/htm/principal/view_0002.htm?editionsectionid=2&amp;infoid=3312&amp;user=reader">Buda</a>; <a href="http://www.loyola.com.br/livraria/detalhes.aspx?COD=10099">Paulo de Tarso: História de um Apóstolo</a>; <a href="http://www.ediouro.com.br/templates/ediourolivros/catalogo/catalogo.asp?codigo=9954&amp;AreaSite=2">Quando Nietzsche chorou</a>; <a href="http://www.lpm-editores.com.br/v3/livros/layout_produto.asp?ID=845380">Sobre a brevidade da vida</a>; <a href="http://www.lpm-editores.com.br/v3/livros/layout_produto.asp?ID=618163">Aprendendo a Viver</a>.<br /><br />Isto posto, posso confessar: eu também detesto posts que começam e terminam com explicações nada convincentes de blogueiros que somem sem dar qualquer satisfação</span></div>Filipe Garciahttp://www.blogger.com/profile/08524011609315970278noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-443161770164131567.post-47258498193453551892008-04-25T23:26:00.000-07:002008-04-25T23:46:44.301-07:00Ventrílocuo de crentes<a href="http://discipulum.blogspot.com/2008/04/ventrilocuo-de-crentes.html"><img height="66" src="http://a.imagehost.org/0193/ventriloquo.jpg" width="507" border="0" /></a> <center><img height="120" src="http://a.imagehost.org/0193/wealth_5.jpg" width="500" border="0" /></center><span style="font-family:verdana;"><span style="font-size:85%;"><strong>Bíblia:</strong> Vem! Vamos aprender, fala comigo: </span></span><span style="font-family:verdana;"><span style="font-size:85%;"><strong>a-m-o-r<br />Crente:</strong> M-i-l-a...<br /><strong>Bíblia:</strong> Não! Milagre não! A-m-o-r<br /><strong>Crente:</strong> M-i-l-a-g...<br /><strong>Bíblia:</strong> A-m-o-r! A-m-o-r! A-m-o-r!<br /><strong>Crente:</strong> M-i-l-a-g-r...<br /><strong>Bíblia:</strong> Ai, ai, ai! Milagre não! A-m-o-r!<br /><strong>Crente:</strong> A-m-... A-m... A-m...<br /><strong>Bíblia:</strong> Isso mesmo! Continua: A-m-o-r!<br /><strong>Crente:</strong> A-m... A-m... Amostra de poder, benção, bufunfa, carro do ano, coleta, conquista, cura, dinheiro, dízimo, fama, fogo, fortuna, glória, grana, jóias, libertação, maravilha, milagre, mover, paixão, poder, popularidade, ouro, riqueza, sucesso, unção... <strong>P-R-O-S-P-E-R-I-D-A-D-E</strong></span></span>Filipe Garciahttp://www.blogger.com/profile/08524011609315970278noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-443161770164131567.post-40622933091117227872008-04-22T09:39:00.000-07:002008-04-25T10:06:26.510-07:00Jesus não criou uma religião<a href="http://discipulum.blogspot.com/2008/04/jesus-nao-criou-uma-religiao.html"><img src="http://b.imagehost.org/0584/criounot.jpg" alt="Pensamentos Cativos!" border="0" height="66" width="507" /></a><center><img src="http://b.imagehost.org/0584/old_new.jpg" border="0" height="190" width="510" /></center><div align="justify"><span style=";font-family:verdana;font-size:85%;" >Há pessoas que crêem que o Cristianismo foi instituído por Jesus. Outros, como Nietzsche, afirmam que foi o apóstolo Paulo quem criou a maior e mais polêmica das religiões monoteístas. Eu, é claro, discordo de todos eles. Sim! Pois, não creio que Jesus, Paulo, ou qualquer outro apóstolo tenha idealizado o que a humanidade experimentou e conheceu como Cristianismo. Creio, na verdade, que Jesus não deixou-nos uma nova religião, conseqüente ou alternativa ao Judaísmo, mas sim que Ele acabou definitivamente com todas elas.<br /><br />Sim! Em Jesus não há mais Religião. Nem o Cristianismo, nem qualquer outra. Há apenas o Evangelho, como mensagem e vida, como experiência existencial, de consciência, percepção e ação; sem religião, sem dogma, sem ritual, sem culto, sem clero, sem templo, sem sacralidade qualquer de objetos, lugares, pessoas, dias ou festas.<br /><br />O que há é o Evangelho, que como mensagem é uma boa notícia; a notícia de que Deus, através de Jesus Cristos, está reconciliando consigo mesmo todo o Universo, que fora afetado pelo caos da rebelião humana; e que todo aquele que assim crê é transformado interiormente através da ação de seu Espírito, tornando-se semelhante a Deus em ações redentoras e graciosas na terra, aguardando o tempo em que tudo será plenamente redimido para a eternidade.<br /><br />O que há é o Evangelho, que como vida é experimentado na comunhão fraterna, solidária e inclusiva, onde o que se deseja pra si é feito pelo outro, onde todos são iguais e não há distinção alguma de valor entre raça, cor, sexo ou posição social. Onde se celebra a esperança do céu e se suporta e se combate as aflições com coragem.<br /><br />Sendo assim, fiquem sabendo que o homem de Deus age por uma lei interna, e não por mandamentos externos; que a adoração não é composta por rezas ou mantras, mas sim por confiança e gratidão; e que os instrumentos de adoração são as resposta do coração à vida, conforme a fé, e não as harpas e saltérios. Fiquem sabendo, sobretudo, que seguir a Jesus não é fazer parte de uma igreja ou de uma comunidade religiosa, e sim viver o Evangelho como aquilo que perpassa a vida de modo integral, como espírito que qualifica todas as percepções, interpretações, atitudes, e decisões de uma pessoa.<br /><br />Não há um versículo bíblico onde isso está claramente dito, mas alguém pode negar que esse seja o espírito do Evangelho?</span></div>Filipe Garciahttp://www.blogger.com/profile/08524011609315970278noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-443161770164131567.post-17292300005994989212008-04-17T14:45:00.000-07:002008-04-17T17:00:18.721-07:00O Candidato<a href="http://discipulum.blogspot.com/2008/04/o-candidato.html"><img src="http://b.imagehost.org/0524/candidato.jpg" alt="Pensamentos Cativos" border="0" height="66" width="507" /></a><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://b.imagehost.org/0524/rejected2_6.jpg"><img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 245px;" src="http://b.imagehost.org/0524/rejected2_6.jpg" alt="" border="0" /></a><br /><span style="font-size:85%;"><span style="font-family:verdana;">- Dona Heloísa, manda entrar o próximo.</span><br /><span style="font-family:verdana;">- Pois não, Dr. Camilo!</span><br /><span style="font-family:verdana;">- O próximo por favor!</span><br /><span style="font-family:verdana;">- Sou eu.</span><br /><span style="font-family:verdana;">- Pode entrar. É por esta porta.</span><br /><span style="font-family:verdana;">- Obrigado</span><br /><span style="font-family:verdana;">(...)</span><br /><span style="font-family:verdana;">- Pode se sentar, por favor.</span><br /><span style="font-family:verdana;">- Obrigado.</span><br /><span style="font-family:verdana;">- Pois bem, o senhor está procurando emprego, é isto?</span><br /><span style="font-family:verdana;">- Sim, é isto mesmo.</span><br /><span style="font-family:verdana;">- E o que o senhor sabe fazer.</span><br /><span style="font-family:verdana;">- Nada.</span><br /><span style="font-family:verdana;">- Nada!?</span><br /><span style="font-family:verdana;">- Bem, quase nada. Tem uma coisa que eu sei fazer.</span><br /><span style="font-family:verdana;">- Ótimo, e o que é?</span><br /><span style="font-family:verdana;">- Eu sei amar.</span><br /><span style="font-family:verdana;">- Amar! Como assim?</span><br /><span style="font-family:verdana;">- Eu amo as coisas, os bichos, as plantas, as pessoas. Bem, resumindo pro senhor, eu amo a vida.</span><br /><span style="font-family:verdana;">- Meu amigo, você não pode estar falando sério. Isto só pode ser pegadinha, né? He he he... esta foi engraçada. Cadê a câmera?</span><br /><span style="font-family:verdana;">- Com todo o respeito Doutor...</span><br /><span style="font-family:verdana;">- Doutor Camilo.</span><br /><span style="font-family:verdana;">- Com todo o respeito Dr. Camilo, eu estou falando sério. Eu não sei fazer nada, só sei amar mesmo.</span><br /><span style="font-family:verdana;">- Meu amigo, como espera que eu lhe arranje um emprego assim.</span><br /><span style="font-family:verdana;">- Ué, sempre ouço dizer que a terra está precisando de amor.</span><br /><span style="font-family:verdana;">- Sim, mas o seu amor não conserta a geladeira do próximo, conserta?</span><br /><span style="font-family:verdana;">- Não.</span><br /><span style="font-family:verdana;">- Não faz pão na padaria, faz?</span><br /><span style="font-family:verdana;">- Não.</span><br /><span style="font-family:verdana;">- Não enche o tanque do carro de gasolina, enche?</span><br /><span style="font-family:verdana;">- Também não. Mas, então, o que é que eu faço? Eu só sei amar, não sei fazer mais nada.</span><br /><span style="font-family:verdana;">- Bem, você já tentou vaga em outros planetas?</span></span>Filipe Garciahttp://www.blogger.com/profile/08524011609315970278noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-443161770164131567.post-59512267946344829252008-04-15T13:18:00.000-07:002008-04-15T15:38:06.530-07:00Tranquilizados pela Graça<a href="http://discipulum.blogspot.com/2008/04/tranquilizados-pela-graca.html"><img height="66" alt="Pensamentos Cativos" src="http://b.imagehost.org/0501/tranquilo.jpg" width="507" border="0" /></a><br /><center><img height="130" alt="Pensamentos Cativos" src="http://b.imagehost.org/0502/walking31_3.jpg" width="490" border="0" /></center><div align="justify"><span style="font-family:verdana;font-size:85%;">Paulo diz que não há mais nenhuma condenação para aquele que está em Cristo Jesus, visto que o Espírito da Vida, em Cristo, nos livrou da lei do pecado e da morte. Creio que num mundo como o nosso não poderia haver Boa Nova melhor e mais libertadora do que esta. Mas, se isto é verdade e se diz exatamente o que diz, por que será, então, que não parece ser verdade como realidade existencial para os cristãos?<br /><br />Afinal, se isso é verdade, então, nós tínhamos que ser o povo mais pacificado e tranqüilo da terra. Sim! Nós teríamos que ser o povo menos complicado e grilado do Planeta. Também teríamos que ser gente de identidade firme e livre da inveja, e sem amarras a neuroses e paranóias. Então, por que será que não é assim?<br /><br />Sinceramente? Bem, é que não demos crédito a pregação e não cremos ainda.<br /><br />Quando a declaração de Paulo deixar de ser mero texto inspirado e passar a ser verdade apropriável pela fé, então surgirá um fator existencial essencial no ser: paz e certeza de total reconciliação com Deus — independentemente de qualquer cogitação de barganha a fazer com Deus. Ou seja: até no seu pior dia você não temerá acerca do que existe entre você e Deus e, por isso, terá tranquilidade. Esse é o caminho da Paz e que nos conduz de paz em paz até a Paz Eterna.<br /><br />Como é bom andar nele! Você fica livre de toda a culpa apenas para descobrir que era o medo do castigo aquilo que suicidamente mais o tentava a transgredir. E, assim, aprendemos que sem culpa não há transgressão — e morre a pulsão do pecado em sua maior sedução: a morte como risco.<br /><br />Muita gente, entretanto, julga que o sentir-se culpado é uma virtude, sem saberem que é um grande mal; isso quando nenhuma culpa está presente, é claro.<br /><br />O perdão alivia o coração de todo peso de culpa, mas não se impõe sem as gravidades da consciência. Assim, perdão é leve e doce, ao mesmo tempo em que é grave e denso.<br /><br />Digo isto apenas para concluir afirmando que o homem que anda sob o signo do perdão perscruta sempre a sua consciência em cada coisa, sentimento ou ato; porém, mesmo quando busca a conciliação com alguém a quem não ofendeu, o faz pela paz e não pela culpa.<br /><br />Assim, que as nossas motivações possam mudar e que todos substituam a culpa pela paz.</span></div>Filipe Garciahttp://www.blogger.com/profile/08524011609315970278noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-443161770164131567.post-81960546857106620212008-04-15T09:00:00.000-07:002008-04-15T17:24:55.198-07:00Nota de ausência<a href="http://discipulum.blogspot.com/2008/04/nota-de-ausencia.html"><img height="66" alt="Pensamentos Cativos" src="http://b.imagehost.org/0498/ausencia.jpg" width="507" border="0" /></a><div align="justify"><span style="font-family:verdana;font-size:85%;">Blog é liberdade. Ninguém a não ser você tem o direito de interferir nas suas pautas, no tamanho dos seus textos, na freqüência de atualizações e principalmente nas suas opiniões. Seu blog é a sua TV Globo, a sua Folha de São Paulo, a sua Reuters pessoal.<br /><br />E abusando da liberdade editorial da qual posso desfrutar em toda a sua plenitude aqui no <a href="http://discipulum.blogspot.com/">Pensamentos Cativos</a>, escolhi ausentar-me por alguns dias; por isso fiquei um tempo sem atualizar o blog e nem dar notícias. Ter passado alguns dias offline, alias, foi fundamental para que eu pudesse resgatar o pleno restabelecimento de minhas faculdades mentais, estabelecer metas e redefinir minhas prioridades. Isto posto, retomemos à programação normal deste blog.<br /><br />* * * * *<br /><br /><strong>PS:</strong> <em>Este blog assume, como podem perceber, cada dia mais seu caráter pessoal. E sem qualquer constrangimento. Tornar-se-á aos poucos praticamente um diário. Digo praticamente porque a verdade é que pouparei os leitores do que julgo demasiado desinteressante no meu dia-a-dia — ou seja, quase tudo.</em></span> </div>Filipe Garciahttp://www.blogger.com/profile/08524011609315970278noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-443161770164131567.post-53999335728194269332008-04-08T07:59:00.000-07:002008-04-30T15:39:11.702-07:00Nietzsche e o Deus que dança<a href="http://discipulum.blogspot.com/2008/04/nietzsche-e-o-deus-que-danca.html"><img src="http://b.imagehost.org/0418/nietdance.jpg" alt="Pensamentos Cativos" border="0" height="66" width="507" /></a><center><img src="http://b.imagehost.org/0418/dance.jpg" alt="Pensamentos Cativos" border="0" height="200" width="500" /></center><div style="text-align: justify;"><span style="font-size:85%;"><span style="font-family:verdana;">Nietzsche disse que só creria num Deus que soubesse dançar. No entanto, por insensibilidade ou por distração não percebeu que em Jesus Deus estava dançando e, por isso, perdeu o show e não pôde apreciar a dança.</span></span><br /><br /><span style="font-size:85%;"><span style="font-family:verdana;">Sim, em Jesus Deus dançou e dança de forma graciosa conosco. Ninguém que com alguma percepção e sensibilidade leia o Evangelho deixará de ver Jesus em constante dança. Vejamos:</span></span><br /><br /><span style="font-size:85%;"><span style="font-family:verdana;">Ele começa seu ministério interrompendo a falência de uma festa e transformando água em vinho; ele é recriminado e criticado porque atende a convites para festas em casas de pessoas pouco recomendáveis e porque dança com pessoas discriminadas e consideradas indignas; sua misericórdia para com o drama humano é música aos ouvidos dos oprimidos e marginalizados; seus gestos inclusivos e subversivos são parte da mais estonteante das coreografias; e quando ele deseja expressar a alegria de Deus e de anjos pela chegada da consciência a algum coração, ele prepara o cenário de uma festa. O pai do pródigo dançava e gostava de música; os reis das parábolas de Jesus promoviam grandes festas; e o Nazareno em pessoa convidava todos para a Grande Festa.</span></span><br /><br /><span style="font-size:85%;"><span style="font-family:verdana;">Por isso, eu digo que Nietzsche não viu nada. Aliás, viu tanto “cristianismo” que não viu Deus dançando em Cristo. Ele mesmo não percebeu o quão pré-condicionado estava; não conseguiu enxergar que tudo era um convite para a festa na casa do Pai. As parábolas de Jesus estão cheias de convites para que se venha dançar e quando ninguém atende ao convite, ainda assim ele não cancela a festa: enche a casa de mendigos, veste-os com trajes próprios e ordena a liberdade.</span></span><br /><br /><span style="font-size:85%;"><span style="font-family:verdana;">Até João Batista, que não dançava do lado de fora, sabia que o que estava acontecendo era uma festa. Jesus era o noivo. A festa era dele. João se alegrava.</span></span><br /><br /><span style="font-size:85%;"><span style="font-family:verdana;">De fato, se eu tivesse que dizer alguma coisa ao filósofo, lhe diria: Eu é que não acredito em filósofos que não sabem dançar e nem ver quando a festa está proposta. O que custava ao filósofo era crer que Deus não tinha nada a ver com o mal humor do Cristianismo; que chatos são os cristãos e não o Cristo; faltava-lhe perceber o contraste que existia e existe entre Jesus e os religiosos. Acabou que o pensador foi incapaz de ouvir as músicas e entrar na festa.</span></span><br /><br /><span style="font-size:85%;"><span style="font-family:verdana;">Portanto, quem tem ouvidos para ouvir as músicas da Graça, que entre na festa. Deus está chamando você pra dançar e é por isso é que o convite tem o nome de Boas Novas.</span></span></div>Filipe Garciahttp://www.blogger.com/profile/08524011609315970278noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-443161770164131567.post-70400672578162811002008-04-07T07:01:00.000-07:002008-04-15T09:50:16.631-07:00Deus está morto<a href="http://discipulum.blogspot.com/2008/04/deus-esta-morto.html"><img src="http://b.imagehost.org/0410/gott.jpg" border="0" height="66" width="507" /></a><div style="text-align: justify;"><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.engelmohr.de/nietzsch.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 353px; height: 273px;" src="http://www.engelmohr.de/nietzsch.jpg" alt="" border="0" /></a><span style="font-weight: bold;font-family:verdana;font-size:85%;" >Deus não existe.</span><span style="font-size:85%;"><span style="font-family:verdana;"> Ele é </span></span><span style="font-style: italic;font-family:verdana;font-size:85%;" >Ele mesmo</span><span style="font-size:85%;"><span style="font-family:verdana;"> pra além de toda essência e existência. Portanto, argüir acerca da existência de Deus é o mesmo que negá-lo. Deus não existe. Ele é. Eu existo, você existe, mas não Deus. Pois existir não é algo que seja pertinente ao que É. Existir é o que se deriva do que sendo, É de si e por si mesmo. Deus não existe. O que existe tem começo. Deus nunca começou. Deus nunca surgiu. Nunca houve algo dentro do que Deus tenha aparecido.<br /><br /></span></span></div><span style="font-size:85%;"></span><div style="text-align: justify;font-family:verdana;"><span style="font-size:85%;">Deus não existe. Se Deus existisse, Ele não seria Deus, mas apenas um ser na existência. Se Deus existisse, Ele teria que ter aparecido dentro de algo, de alguma coisa, e, portanto, essa coisa dentro da qual Deus teria surgido, seria a Coisa-Deus de deus. Existem apenas as coisas que antes não existiam. Existir surge da não existência. Deus, porém, nunca existiu, pois Ele é.<br /><br /></span></div><span style="font-size:85%;"></span><div style="text-align: justify;font-family:verdana;"><span style="font-size:85%;">Sim, dizer que Deus existe no sentido de que Ele é alguém a ser afirmado como existente, é a própria negação de Deus. Pois, se alguém diz que Deus existe, por tal afirmação, afirma Deus, e, por tal razão, o nega; posto que Deus não tem que ser afirmado, mas apenas crido. Deus é, e, portanto, não existe. Existe o Cosmos. Existem as galáxias. Existem todos os entes energéticos. Existem anjos. Existem animais e toda sorte de vida e animal vivente. Existem vegetais, peixes e organismos de toda sorte. Existem as partículas atômicas e as subatômicas. Existe o homem. Etc. Mas Deus não existe. Posto que se Deus existisse dentro da Existência, Ele seria parte dela, e não o Seu Criador.<br /><br /></span></div><span style="font-size:85%;"></span><div style="text-align: justify;font-family:verdana;"><span style="font-size:85%;">Um Criador que existisse em Algo, seria apenas um engenheiro Universal e um mestre de obras cósmico. Nada, além disso. Com muito poder. Porém, nada além de um </span><span style="font-style: italic;font-size:85%;" >Zeus Maior</span><span style="font-size:85%;">. Assim, quando se diz que Deus está morto, não se diz blasfêmia quando se o diz com a consciência acima expressa por mim; pois, nesse caso, quem morreu não foi Deus, mas o </span><span style="font-style: italic;font-size:85%;" >“Deus existente”</span><span style="font-size:85%;"> criado pelos homens. Tal Deus morreu como conceito. Entretanto, tal Deus nunca morreu De Fato, pois, como fato, nunca existiu — exceto na mente de seus criadores.<br /><br /></span></div><span style="font-size:85%;"></span><div style="text-align: justify;font-family:verdana;"><span style="font-size:85%;">Assim, o exercício teológico, seja ele qual for, quando tenta estudar Deus e explicar Deus, tratando-o como existente, o nega; posto que diz que Deus existe, fazendo Dele um algo, um ente, uma criatura de nada e nem ninguém, mas que também veio a existir dentro de Algo que pré-existia a Ele, e, portanto, trata-se de Algo - Deus sobre o tal Deus que existe. A Escritura não oferece argumentos acerca da existência de Deus. Jesus tampouco tentou qualquer coisa do gênero. Tanto Jesus quanto a Escritura apenas afirmam a fé em Deus, e tal afirmação é do homem e para o homem — não para Deus —; pois se fosse para Deus, o homem seria o Deus de Deus, posto a existência de Deus dependeria da afirmação e do reconhecimento humano. Tal Deus nem é e nem existe; exceto na mente de seus criadores.<br /><br /></span></div><span style="font-size:85%;"></span><div style="text-align: justify;font-family:verdana;"><span style="font-size:85%;">Deus não existe. O que existe pertence ao mundo das coisas que existem </span><span style="font-style: italic;font-size:85%;" >ou</span><span style="font-size:85%;"> não existem. Deus, porém, não pertence a nada, e, em relação a Ele, nada é relação. Defender a existência de Deus, como eu mesmo já fiz, é ridículo. Sim, tal defesa apenas põe Deus entre os objetos de estudo. Por isto, dizer: </span><span style="font-style: italic;font-size:85%;" >“Deus existe e eu provo”</span><span style="font-size:85%;"> — é não só estupidez e arrogância; mas é, sem que se o queira, parte da profissão de fé que nega Deus; pois se tal Deus existe, e alguém prova isto, aquele que apresenta a prova, faz a si mesmo alguém de quem Deus depende pra existir... e ou ser.<br /><br /></span></div><span style="font-size:85%;"></span><div style="text-align: justify;font-family:verdana;"><span style="font-size:85%;">O que “existe”, pertence à categoria das coisas que são porque estão. Deus, porém, não está; posto que Ele É. Ser e estar não são a mesma coisa, como o são na língua inglesa. O que existe pertence ao que é apenas porque está. Deus, entretanto, não está porque Ele É.<br /><br /></span></div><span style="font-style: italic;font-family:verdana;font-size:85%;" >“E quem direi que me enviou?”</span><span style="font-size:85%;"><span style="font-family:verdana;"> — perguntou </span></span><span style="font-weight: bold;font-family:verdana;font-size:85%;" >Moisés</span><span style="font-size:85%;"><span style="font-family:verdana;">. “</span><u style="font-family:verdana;"><span style="font-style: italic;">Dize-lhes: Eu sou me enviou a vós outros!”</span></u><span style="font-family:verdana;"> — disse </span></span><span style="font-weight: bold;font-family:verdana;font-size:85%;" >Deus</span><span style="font-size:85%;"><span style="font-family:verdana;">.<br /><br /></span></span><div style="text-align: justify;font-family:verdana;"><span style="font-size:85%;">Desse modo, Deus não diz “Eu Estou”, mas sim “Eu Sou”. Ora, um Deus que está, não é, mas passou a ser. Porém o Deus que É, mas não está; não pertence ao mundo das coisas verificáveis; posto que Aquele que É, não está; pois se estivesse, seria —, mas não Seria Aquele de Quem procedem todas as existências, sendo Ele apenas um ele, e não Ele; e, por tal razão, fazendo parte das coisas que existem — mas sem poder dizer </span><span style="font-style: italic; font-weight: bold;font-size:85%;" >Eu Sou</span><span style="font-size:85%;">!<br /><br /></span></div><span style="font-size:85%;"></span><div style="text-align: justify;font-family:verdana;"><span style="font-size:85%;">Jesus também falou da sutileza do ser em relação ao estar. Quando indagado acerca da ressurreição pelos saduceus (que não criam em nada que não fosse tangível), Ele respondeu: </span><span style="font-style: italic;font-size:85%;" >“Não lestes o que está escrito? Eu sou o Deus de Abraão, eu sou o Deus de Isaque, eu sou o Deus de Jacó. Portanto, Ele é Deus de vivos, e não de mortos; pois para Ele todos vivem”</span><span style="font-size:85%;">. Assim, os que vivem para sempre são os que são em Deus, e não os que estão existindo. A vida eterna não é existir pra sempre, mas ser em Deus.<br /><br /></span></div><span style="font-size:85%;"></span><div style="text-align: justify;font-family:verdana;"><span style="font-size:85%;">Assim, para viver eternamente eu tenho que entrar na dissolvência da existência, a fim de poder mergulhar naquilo que está pra além do que existe; posto que É. A morte pertence à existência. A vida, porém, se vincula ao que não existe, pois, de fato É. O que existe carrega vida, mas não é vida. A vida, paradoxalmente, não pertence ao que é existente, mas sim ao que É.<br /><br /></span></div><span style="font-size:85%;"></span><div style="text-align: justify;font-family:verdana;"><span style="font-size:85%;">Quando falo de vida, refiro-me não às cadeias de natureza biológica que constituem a vida dentro da existência. Mas, ao contrario, ao falar em vida, refiro-me ao que é para além da existência constatável. Portanto, </span><span style="font-weight: bold;font-size:85%;" >Paul Tillich</span><span style="font-size:85%;"> tem razão quando diz: </span><span style="font-style: italic;font-size:85%;" >“God does not exist. He is being itself beyond essence and existence. Therefore to argue that God exists is to deny him”</span><span style="font-size:85%;">.<br /><br /></span></div><span style="font-size:85%;"></span><div style="text-align: justify;font-family:verdana;"><span style="font-size:85%;">Ora, usando uma gíria de hoje, eu diria: os ateus tem razão quando dizem: </span><span style="font-weight: bold;font-size:85%;" >“Deus não existe!”</span><span style="font-size:85%;"> — pois é isto que hoje se diz quando algo está pra além da existência: </span><span style="font-style: italic;font-size:85%;" >“Meu Deus! Esse cara não existe!”</span><span style="font-size:85%;">. Assim é com Deus: Não existe! Pois é demais!</span></div>Filipe Garciahttp://www.blogger.com/profile/08524011609315970278noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-443161770164131567.post-40172112651868323522008-04-05T07:57:00.000-07:002008-09-09T00:16:19.252-07:00Mais violência em nome do evangelho<a href="http://discipulum.blogspot.com/2008/04/mais-violencia-em-nome-do-evangelho.html"><img height="66" src="http://b.imagehost.org/0397/violence.jpg" width="507" border="0" /></a> <div style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:verdana;" ><span style="font-size:85%;">Video da Internews sobre o mesmo tema dos posts anteriores, ainda mais chocante.<br /><br /></span><center><span style="font-size:85%;"><object height="355" width="425"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/SRLVOZaSLbc&amp;color1=0x3a3a3a&amp;color2=0x999999&amp;hl=en"><param name="wmode" value="transparent"><embed src="http://www.youtube.com/v/SRLVOZaSLbc&amp;color1=0x3a3a3a&amp;color2=0x999999&amp;hl=en" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" height="355" width="425"></embed></object></span></center><br /><span style="font-size:85%;">A bruxaria é uma das superstições mais potentes e mais temidas na África. A maior parte dos africanos acredita que bruxas são seres reais e ativos que podem influenciar, intervir e alterar o curso da vida humana para a melhor ou para a pior. Os africanos aceitam a bruxaria como uma das explicações para a realidade, para os fenômenos naturais e para os seus problemas quotidianos. Eles acreditam que as bruxas podem causar pobreza, doenças, fome, acidentes, terremotos, infertilidade e dificuldades no parto. Muitas pessoas na África atribuem qualquer fenômeno extraordinário, misterioso ou inexplicável à bruxaria e à magia. Em algumas comunidades africanas fala-se sobre bruxaria do bem e do mal; a crença é que a bruxaria do bem é usada para o beneficio dos seres humanos – curar doenças, resolver problemas, etc. –, enquanto a bruxaria do mal é associada a toda sorte de dor, sofrimento e destruição. Salvo essas exceções, a crença que predomina é de que a bruxaria não pode ser boa e que, por isso, deve ser temida por todos. Essa mentalidade permanece mesmo onde a ciência moderna e a tecnologia já chegaram.<br /><br />Devido a isso, no Congo à semelhança do que acontece na Nigéria quando alguma coisa vai mal em casa, por menor que seja o problema, os parentes acusam as crianças de magia e os expulsa de casa.<br /><br />Isso precisa parar! O Cristianismo é a religião do "vinde a mim os pequeninos".</span></div>Filipe Garciahttp://www.blogger.com/profile/08524011609315970278noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-443161770164131567.post-76751614207016740542008-04-05T07:25:00.000-07:002008-04-15T09:52:17.536-07:00Pastores evangélicos acusam crianças de bruxaria<a href="http://discipulum.blogspot.com/2008/04/pastores-evangelicos-acusam-crianas-de.html"><img height="66" src="http://b.imagehost.org/0397/bruxas2.jpg" width="507" border="0" /></a> <div style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="font-size:85%;"><span style="font-family:verdana;">Parece não haver limites para as barbaridades patrocinadas ao redor do mundo por grupos religiosos radicais. Supostamente em nome de sua fé, pastores de igrejas evangélicas nigerianas estão acusando crianças de bruxaria, e assim fomentando e promovendo todo tipo de tortura e crueldade contra as mesmas.<br /><br />Basta acontecer um divórcio, doença, acidente ou a perda de emprego por parte de algum membro de famílias evangélicas na Nigéria, para que crianças sejam acusadas de bruxaria e, por conseqüência, sentenciadas por pastores a todo tipo de tortura física em seus rituais de exorcismo como forma de expurgá-las da ação de Satanás (sic).<br /><br />Nestes rituais sádicos e violentos aplica-se <i>jindungo</i> (uma espécie de pimenta), perfume e até mesmo petróleo nos olhos das crianças acusadas. Óleo de palma é utilizado nos ouvidos e, como se isto já não fosse cruel o bastante, as supostas bruxas ainda são expostas a outros tipos de tortura física: são envenenadas, queimadas, espancadas, mutiladas e até mesmo enterradas vivas.<br /><br />E o exorcismo não sai barato! Para submeter as crianças a tais rituais, a família precisa desembolsar o equivalente a quatro meses de salário. Em alguns casos, as crianças são postas em regime de trabalho forçado em propriedades dos pastores por períodos de até seis meses. Não é incomum que diversas crianças não resistindo aos maus-tratos acabem morrendo; outras, as que conseguem escapar da fúria estúpida dos religiosos, são abandonas pelas famílias, e acabam tendo como fim as ruas.<br /><br />Estima-se que desde 1988 cerca de 5.000 crianças foram abandonadas por suas famílias devido a questões religiosas na Nigéria e ainda, que a cada 5 crianças abandonadas pelo menos uma acaba morrendo. As crianças que sobrevivem, ficam em estado de choque e completa miséria, agravando o quadro social de pobreza e abandono que já é bem grande em todo o continente.<br /><br /><b>Abaixo um vídeo produzido pelo jornal inglês The Guardian sobre o problema das crianças acusadas de bruxaria na Nigéria:<br /><br /><center><object height="355" width="425"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/rQ9GfbZHf8Y&amp;color1=0x2b405b&amp;color2=0x6b8ab6&amp;hl=en"><param name="wmode" value="transparent"><embed src="http://www.youtube.com/v/rQ9GfbZHf8Y&amp;color1=0x2b405b&amp;color2=0x6b8ab6&amp;hl=en" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" height="355" width="425"></embed></object><br /><br /></b>Para saber mais clique <a href="http://www.guardian.co.uk/world/2007/dec/09/tracymcveigh.theobserver">aqui</a> (texto em inglês)</center></span></span></div><br /><div style="FONT-WEIGHT: bold; TEXT-ALIGN: justify"><span style="font-size:85%;"><span style="font-family:verdana;">Até quando vamos fechar os nossos olhos?<br />Até quando vamos coar mosquitos e engolir camelos?</span></span></div>Filipe Garciahttp://www.blogger.com/profile/08524011609315970278noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-443161770164131567.post-37022244854124636332008-04-03T08:17:00.000-07:002008-04-05T07:24:44.823-07:00As bruxas africanas<a href="http://discipulum.blogspot.com/2008/04/as-bruxas-africanas.html"><img src="http://b.imagehost.org/0384/bruxas.jpg" border="0" height="66" width="507" /></a><center><img src="http://b.imagehost.org/0384/nigeria.jpg" border="0" height="220" width="550" /></center><div style="text-align: justify;"><span style="font-size:85%;"><span style="font-family:verdana;">Muitos dizem que ignorar todas as engrenagens que movem as sujeiras deste mundo é condição imprescindível para ser feliz, e que o ideal é ser alienado feito um participante de reality show ou uma dançarina de axé, ignorando notícias sobre cartões corporativos, chacinas na África ou os embates entre judeus e palestinos, como se vivêssemos no mundo adocicado de uma propaganda de margarina. Querem saber? Não estou interessado nessa felicidade ilusória e etérea, tão fantasiosa quanto as risadas forçadas das claques de programas de TV. Mas enfim, o foco aqui é outro.<br /><br />Como alguns sabem, vivi no continente africano por alguns anos e, devido a isso, busco me manter informado sobre o que acontece por lá. As notícias, é claro, nem sempre são boas; aliás, a maioria me partem o coração. Mas essa sobre qual escrevo me chamou a atenção de modo especial.<br /><br />O caso é que me deparei com uma notícia inusitadamente triste e, diante de um quadro como esse, para além das palavras que tentam consolar o inconsolável, que tentam dar esperança no desespero, e que tentam explicar o inexplicável, eu não sei o que dizer.<br /><br />Portanto, digam vocês, o que pensam sobre isso? </span></span></div><br /><center><object width="425" height="355"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/rQ9GfbZHf8Y&color1=0x2b405b&color2=0x6b8ab6&hl=en"></param><param name="wmode" value="transparent"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/rQ9GfbZHf8Y&color1=0x2b405b&color2=0x6b8ab6&hl=en" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"></embed></object></center><br /><div style="text-align: justify; font-weight: bold;"><span style="font-size:85%;"><span style="font-family:verdana;">Até quando vamos fechar os nossos olhos?<br />Até quando vamos coar mosquitos e engolir camelos?</span></span></div>Filipe Garciahttp://www.blogger.com/profile/08524011609315970278noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-443161770164131567.post-44559748162592289752008-04-02T10:08:00.000-07:002008-04-25T10:08:47.308-07:00O Decálogo<a href="http://discipulum.blogspot.com/2008/04/o-decalogo.html"><img src="http://b.imagehost.org/0378/mandamentos.jpg" border="0" height="66" width="507" /></a><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_QZiqNTXned4/R_PFgyILQtI/AAAAAAAAAGs/ou5VOOCQ5PU/s1600-h/comend.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp3.blogger.com/_QZiqNTXned4/R_PFgyILQtI/AAAAAAAAAGs/ou5VOOCQ5PU/s320/comend.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5184704763036123858" border="0" /></a><br /><div style="text-align: justify;"><span style="font-size:85%;"><span style="font-family:verdana;"><span>“Se Deus fosse liberal”</span>, alguém escreveu, <span>“não teríamos os dez mandamentos – teríamos as dez sugestões”</span>. Curiosamente, a citação é utilizada tanto pelos críticos quanto pelos defensores do Cristianismo como base para argumentos diversos. Ao utilizar a frase para suas respectivas finalidades, ambos os grupos acabam se enganando.</span></span><br /><br /><span style="font-size:85%;"><span style="font-family:verdana;">O argumento dos críticos é que o Cristianismo (e presumivelmente o Judaísmo) é uma religião restritiva, incompatível com a idéia moderna de liberdade como escolha ilimitada e irrestrita. <span>“A verdade é, claramente,”</span> <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Chesterton">Chesterton</a> escreveu com muito mais inspiração e classe, <span>“que a rigidez dos Dez Mandamentos é uma evidência, não da obscuridade e estreiteza da religião, mas, ao contrário, da sua liberalidade e humanidade. É mais econômico afirmar as coisas proibidas do que as permitidas: precisamente porque muitas coisas são permitidas e apenas poucas proibidas.”</span></span></span><br /><br /><span style="font-size:85%;"><span style="font-family:verdana;">Que os Dez Mandamentos são sobre liberdade é evidenciado não apenas pela lógica, mas também por seu contexto na narrativa bíblica. Os mandamentos foram dados como um presente para a jovem nação de Israel pela libertação da escravidão, e são precedidos na narrativa pela primeira canção de redenção documentada.</span></span><br /><br /><span style="font-size:85%;"><span style="font-family:verdana;">Aqui, como em outros lugares da Escritura, os mandamentos éticos são baseados nos gestos redentores de Deus. Como os teólogos gostam de dizer, o indicativo precede o imperativo. Ou, de forma mais simples ainda: nós amamos Deus, porque Ele nos amou primeiro.</span></span><br /><br /><span style="font-size:85%;"><span style="font-family:verdana;">Colocar os Dez Mandamentos no seu contexto histórico, no entanto, não só derruba o argumento dos críticos. Também nos protege do erro ainda mais grotesco de empregar os mandamentos a serviço da mera moralidade.<br /><br />Defensores do Decálogo muitas vezes não compreendem que os mandamentos de Deus são apenas parte da auto-revelação progressiva do Pai, apontando para o padrão mais elevado do novo pacto: <span style="font-style: italic;">"Sede Perfeitos!"</span><span style="text-decoration: underline;"><span style="font-style: italic;"></span></span>. Assim como os impossíveis e santos preceitos de Jesus, a Lei Mosaica não nos mostra apenas como sermos bons, mas também que não podemos ser bons. Portanto, trata-se muito mais de indicar a necessidade de um salvador do que de nos fornecer um modelo de moral e santidade.</span></span><br /><br /><span style="font-size:85%;"><span style="font-family:verdana;">A ampliação da Lei no novo pacto é bem ilustrada pelo assassino arrependido do livro <a href="http://www.ippinheiros.org.br/outros/download7.php">O Grande Abismo</a> de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Clive_Staples_Lewis">C.S. Lewis</a>. O assassino - em um encontro com um fariseu que está satisfeito consigo mesmo, mas não com sua recompensa eterna - tem a tarefa de explicar a sutileza do pecado. <span>“Assassinar o velho Joaquim não foi a pior coisa que eu fiz”</span>, ele admite. <span>“Isso foi obra de um momento e eu estava meio louco naquela hora. Mas eu matei em meu coração, deliberadamente, durante anos”</span>. O fariseu, apoiado em suas próprias virtudes, alega merecer os seus direitos. <span>“Não é tão mau assim”</span>, o assassino responde. <span>“Não tenho direitos. Caso contrário não estaria aqui. Você também não irá obter os seus. Vai ganhar algo muito melhor.”</span><span style="font-style: italic;"><br /><br /></span><span>Ou seja; na verdade, é do conhecimento da nossa condição miserável e da nossa necessidade que nossa apreciação da graça se aprofunda. Por isso, podemos afirmar que nossa salvação está na admissão sincera de total perdição ante os olhos de Deus e, por tal admissão, nós recebemos a Graça todos os dias.</span><span style="font-style: italic;"><br /></span></span></span></div>Filipe Garciahttp://www.blogger.com/profile/08524011609315970278noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-443161770164131567.post-7400168661157259792008-03-31T10:32:00.000-07:002008-04-01T09:58:04.867-07:00O privilegio de servir<a href="http://discipulum.blogspot.com/2008/03/o-privilegio-de-servir.html"><img height="66" src="http://a.imagehost.org/0188/servir.jpg" width="507" border="0" /></a> <center><img height="210" src="http://a.imagehost.org/0188/boatlol2.jpg" width="450" border="0" /></center><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="font-size:85%;">Hoje de manhã, ainda imerso no típico estado de molesma que costuma nos atingir no primeiro dia útil da semana, folheei a Bíblia e me deparei com um texto muito conhecido de todos. Me despertou atenção um dos versículos: <span style="FONT-STYLE: italic">“Quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva”</span>.</span><br /><br /><span style="font-size:85%;">De modo abissal o Evangelho inverte a lógica humana dos relacionamentos interpessoais. Em qualquer ambiente, nossas relações são mediadas pela necessidade de cada um em buscar sua própria felicidade. Vem daí a necessidade de respeitar os limites a fim de que nossa própria busca não seja impedimento da felicidade do outro. Dizem que <span style="FONT-STYLE: italic">“seu limite acaba onde começa o meu”</span> e assim vamos nos tornando polidos seres humanos em competição velada.</span><br /><br /><span style="font-size:85%;">Mas, então vem Jesus e apresenta a proposta de seu <a href="http://discipulum.blogspot.com/2008/03/o-reino-de-deus.html"><span style="FONT-STYLE: italic">reino alternativo</span></a>; a de que devemos buscar a felicidade do outro a fim de que sejamos felizes. E ele diz mais ainda; diz que devemos servir o nosso próximo.<br /><br />Para servir é necessário sair da zona de conforto isto é, fazer o indesejado, dedicar tempo para tarefas pouco atraentes, assumir responsabilidades desprezadas pela maioria, fazer “o trabalho sujo”, enfim fazer o que ninguém gosta de fazer. Para servir é necessário vencer o orgulho, isto é, se dispor a ser tratado como escravo, ter os direitos negligenciados, ser desprestigiado, sofrer injustiças, conviver com quase nenhum reconhecimento, enfim, não se deixar diminuir pela maneira como as pessoas tratam os que consideram em posição inferior. Para servir é necessário abrir mão dos próprios interesses, isto é, pensar no outro em primeiro lugar, ocupar-se mais em dar do que em receber, calar primeiro, perdoar sempre, sempre pedir perdão, enfim, fazer o possível para que os outros sejam beneficiados ainda que ás custas de prejuízos e danos pessoais.<br /><br />Não é por menos que em qualquer sociedade humana existem mais clientes do que servos. Servir não é privilégio de muitos. Servir é para gente grande. Servir é para gente que conhece a si mesma, e está segura de sua identidade, a tal ponto que nada nem ninguém o diminui. Servir é para gente que conhece o coração humano, de tal maneira que nada nem ninguém causa decepção suficiente para que o serviço seja abandonado. Servir é para quem conhece o amor, de tal maneira que desconhece preço elevado demais para que possa continuar servindo. Servir é para quem conhece o fim a que se pode chegar servindo e amando, de tal maneira que não é motivado pelo reconhecimento, a gratidão ou a recompensa, mas pelo próprio privilégio de servir. Servir é para gente parecida com Jesus. Servir é para muito pouca gente.</span><br /><br /><span style="font-size:85%;">Difícil? Também acho. Mas nós não estávamos procurando um motivo nobre para acordar todos os dias e cumprir nossos dias na história? Ei-lo aí!</span> </div>Filipe Garciahttp://www.blogger.com/profile/08524011609315970278noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-443161770164131567.post-80665046799825693392008-03-30T05:53:00.000-07:002008-03-30T13:34:05.716-07:00Um Novo Credo - texto do Frei Betto<a href="http://discipulum.blogspot.com/2008/03/um-novo-credo-texto-do-frei-betto.html"><img src="http://a.imagehost.org/0181/novo_credo_6.jpg" border="0" height="67" width="467" /></a><center><img src="http://a.imagehost.org/0181/border1_8.jpg" /><div style="text-align: justify;"><span style="font-size:85%;"><span style="font-family:verdana;">Vez por outra sou surpreendido pela alegria da genialidade alheia. </span><a style="font-family: verdana;" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Frei_Betto"><span style="font-style: italic;">Frei Betto</span></a><span style="font-family:verdana;">, por exemplo, é um escritor que me encanta. </span></span><span style=";font-family:verdana;font-size:85%;" >Seu texto é incrivelmente poético, sua espiritualidade faz cafuné em minha alma e sua humanidade me empurra para a vida. </span><span style=";font-family:verdana;font-size:85%;" >Numa revista </span><span style=";font-family:verdana;font-size:85%;" ><a href="http://carosamigos.terra.com.br/"><span style="font-style: italic;">Caros Amigos</span></a> que tenho em casa, Frei Betto escreveu uma proposta de Novo Credo e eu, um <span style="font-style: italic;">escritor</span> de fraldas, molhei o babador.</span><br /><span style="font-size:85%;"></span><div style="text-align: justify;"><span style="font-size:85%;"><blockquote><span style="font-family:verdana;"> Creio no Deus desaprisionado do Vaticano e de todas as religiões existentes e por existir. Deus que precede todos os batismos, preexiste aos sacramentos e desborda de todas as doutrinas religiosas.</span><br /></blockquote></span><span style="font-size:85%;"><blockquote><span style="font-family:verdana;"> Livre de teólogos, derrama-se graciosamente no coração de todos, crentes e ateus, bons e maus, dos que se julgam salvos e dos que se crêem filhos da perdição, e dos que são indiferentes aos abismos misteriosos do pós-morte.</span><br /></blockquote></span><span style="font-size:85%;"><blockquote><span style="font-family:verdana;"> Creio no Deus que não tem religião, criador do universo, doador da vida e da fé, presente em plenitude na natureza e nos seres humanos. Deus ourives em cada ínfimo elo das partículas elementares, da requintada arquitetura do cérebro humano ao sofisticado entrelaçamento do trio de quarks.</span><br /></blockquote></span><span style="font-size:85%;"><blockquote><span style="font-family:verdana;"> Creio no Deus que se faz sacramento em tudo que aproxima, atrai, enlaça, abraça e une – o amor. Todo amor é Deus e Deus é o real. Em se tratando de Deus, bem diz o pensador islâmico Rumî, não é o sedento que busca a água, é a água que busca o sedento. Basta manifestar sede e a água jorra.</span><br /></blockquote></span><span style="font-size:85%;"><blockquote><span style="font-family:verdana;"> Creio no Deus que se faz refração na história humana e resgata todas as vítimas de todo poder capaz de fazer o outro sofrer. Creio em teofanias permanentes e no espelho da alma que me faz ver um Outro que não sou eu.</span><br /></blockquote></span><span style="font-size:85%;"><blockquote><span style="font-family:verdana;"> Creio no Deus que, como o calor do sol, sinto na pele, sem no entanto conseguir fitar ou agarrar o astro que me aquece.</span><br /></blockquote></span><span style="font-size:85%;"><blockquote><span style="font-family:verdana;"> Creio no Deus da fé de Jesus, Deus que se aninha no ventre vazio da mendiga e se deita na rede para descansar dos desmandos do mundo. Deus da Arca de Noé, dos cavalos de fogo de Elias, da baleia de Jonas. Deus que extrapola a nossa fé, discorda dos nossos juízos e ri de nossas pretensões; enfada-se com nossos sermões moralistas e diverte-se quando o nosso destempero profere blasfêmias.</span><br /></blockquote></span><span style="font-size:85%;"><blockquote><span style="font-family:verdana;"> Creio no Deus que, na minha infância, plantou uma jabuticabeira em cada estrela e, na juventude, enciumou-se quando me viu beijar a primeira namorada. Deus festeiro e seresteiro, ele que criou a Lua para enfeitar a noites de deleite e as auroras para emoldurar a sinfonia passarinha dos amanheceres.</span><br /></blockquote></span><span style="font-size:85%;"><blockquote><span style="font-family:verdana;"> Creio no Deus dos maníacos depressivos, das obsessões psicóticas, da esquizofrenia alucinada. Deus da arte que desnuda o real e faz a beleza resplandecer prenhe de densidade espiritual. Deus bailarino que, na ponta dos pés, entra em silêncio do palco do coração e, soada a música, arrebata-nos à saciedade.</span><br /></blockquote></span><span style="font-size:85%;"><blockquote><span style="font-family:verdana;"> Creio no Deus do estupor de Maria, da trilha laboral das formigas e do bocejo sideral dos buracos negros. Deus despojado, montado num jumento, sem pedra onde recostar a cabeça, aterrorizado pela própria fraqueza.</span><br /></blockquote></span><span style="font-size:85%;"><blockquote><span style="font-family:verdana;"> Creio no Deus que se esconde no avesso da razão atéia, observa o empenho dos cientistas em decifrar-lhe os jogos, encanta-se com a liturgia amorosa de corpos excretando sumos a embriagar espíritos.</span><br /></blockquote></span><span style="font-size:85%;"><blockquote><span style="font-family:verdana;"> Creio no Deus intangível ao ódio mais cruel, às diatribes explosivas, ao hediondo coração daqueles que se nutrem com a morte alheia. Misericordioso, Deus se agacha à nossa pequenez, suplica por um cafuné e pede colo, exausto frente à profusão de estultices humanas.</span><br /></blockquote></span><span style="font-size:85%;"><blockquote><span style="font-family:verdana;"> Creio sobretudo que Deus crê em mim, em cada um de nós, em todos os seres gerados pelo mistério abissal de três pessoas enlaçadas pelo amor e cuja suficiência desbordou nossa Criação sustentada, em todo o seu esplendor, pelo frágil fio de nosso ato de fé.</span></blockquote><span style="font-family:verdana;"> </span></span></div></div></center>Filipe Garciahttp://www.blogger.com/profile/08524011609315970278noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-443161770164131567.post-57355820399732404072008-03-28T23:17:00.000-07:002008-03-30T13:34:42.296-07:00Chave para a paz<a href="http://discipulum.blogspot.com/2008/03/chave-para-paz.html"><img src="http://a.imagehost.org/0181/chavepaz.jpg" border="0" height="69" width="467" /></a><center><img src="http://a.imagehost.org/0181/border2.jpg" border="0" height="202" width="424" /></center><div style="text-align: justify;font-family:verdana;"><span style="font-size:85%;">Dou-vos uma chave para a paz: <span style="font-weight: bold;">simplicidade</span>. Não haverá paz na Terra enquanto os homens não abdicarem dos artificialismos, das convenções sociais infundadas, das complicadas manobras para obterem posição e poder, dos labirintos da sofisticada ilusão que têm criado, das suscetibilidades exacerbadas pelo excessivo cuidado com as suas próprias personalidades, dos exibicionismos das posses, dos estilos, da força e da pretensa superioridade.<br /><br />Não haverá paz na Terra enquanto os homens não puderem amar espontaneamente; sem medirem estatutos e grandeza, sem defenderem posições próprias ou cobiçarem as alheias, sem reservas e fingimentos, sem repugnâncias e ares afetados, sem ostentações e invejas.<br /><br />Não haverá paz na Terra, enquanto os homens não compreenderem que é a mesma vida que em todos pulsa e, por isso, quão estéreis, quão frágeis e infundados são os pensamentos que catalogam diferenças formais, que separam odiosamente raças e castas, níveis sociais e etiquetas de boas ou rudes maneiras; quão absurdamente complicado, pervertido e rebuscado é pretender alguém ser mais do que alguém, é pretender alguém ter mais do que alguém, é pretender alguém subir mais alto do que alguém nos pobres critérios da visão material das coisas. Por isso foi dito — e repito: "bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus!".<br /><br />Não haverá paz no mundo enquanto houver falta de escrúpulos — nas pequenas como nas grandes coisas, nos assuntos pessoais do dia-a-dia, como nos assuntos dos estados e das relações entre países.<br /><br />Não haverá paz no mundo enquanto houver mentiras, subterfúgios e malévolas intenções para subir nos empregos e na escala social, para forjar uma imagem de seriedade que realmente se não tem, para, fazendo-se o mal, arvorar-se o angélico papel de vítima.<br /><br />Não haverá paz no mundo enquanto a humanidade – e principalmente os cristãos – se calarem perante o mal, por simples comodismo, por covardia ou por leviandade!<br /><br />Não haverá paz na Terra enquanto, por ação ou por omissão, houver sujeitos e cúmplices — e todos somos cúmplices! — da agressão, da usurpação, da negação da igualdade e identidade fundamental de todos os seres.<br /><br />Não haverá paz na Terra enquanto alguém se considerar dono (ou com direito a abusar) de outros homens, ou violentar animais gratuitamente, ou pretender escravizar, forçar e prostituir a vida. Não haverá paz na Terra enquanto se pisotearem os direitos humanos e da vida — melhor dizendo, a dignidade do homem e da vida — e se negar (ou renegar, por mau uso), a sagrada liberdade.<br /><br />Não haverá paz na Terra enquanto não houver justiça. Não haverá paz na Terra enquanto não houver perdão. </span><span style="font-size:85%;">Não haverá paz na Terra enquanto não houver amor. </span><span style="font-size:85%;">Não haverá paz na Terra enquanto não houver paz nos corações </span><span style="font-size:85%;">— </span><span style="font-size:85%;">em todos os corações. Não haverá paz ou qualquer outra coisa significantemente boa na Terra enquanto os homens não aceitarem ser apenas homens e se sujeitarem ao Reino de Deus.<br /><br />Senhor, venha o teu reino!<br /></span></div>Filipe Garciahttp://www.blogger.com/profile/08524011609315970278noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-443161770164131567.post-4706462676894789302008-03-25T10:53:00.000-07:002008-03-30T13:12:58.039-07:00O Reino de Deus<a href="http://discipulum.blogspot.com/2008/03/o-reino-de-deus.html"><img src="http://a.imagehost.org/0181/reinodedeus.jpg" border="0" height="69" width="467" /></a><center><img src="http://a.imagehost.org/0181/border3.jpg" border="0" height="168" width="427" /></center><div style="text-align: justify;"><span style="font-size:85%;"><span style="font-family:verdana;">O Reino de Deus, na proclamação de Jesus, exige arrependimento e mudança. O ser humano como indivíduo e como sociedade tem de mudar, adaptando-se aos preceitos do novo reinado. É uma nova realidade que de forma lenta e gradual invade a história.</span></span><br /></div><div style="text-align: justify;"><br /><span style="font-size:85%;"><span style="font-family:verdana;">O Reino de Deus, no sonho de Nabucodonosor, é a pedra que é lançada contra a estátua formada de ouro, prata, bronze, ferro e com pés de barro e ferro misturados. A pedra derruba a estátua, transforma-a em pó que o vento espalha, cresce, virando uma montanha, e alarga-se ocupando toda a terra.</span></span><br /><br /><span style="font-size:85%;"><span style="font-family:verdana;">A estátua compreende toda a história humana até a chegada do Reino de Deus. Nela está contida toda a tentativa da humanidade de resolver seus próprios dilemas sem levar em conta a vontade de Deus.</span></span><br /><br /><span style="font-size:85%;"><span style="font-family:verdana;">A raça humana faz, basicamente, três perguntas, e sobre elas edifica todo o sistema em que ora vivemos:</span></span><br /><br /><span style="font-size:85%;"><span style="font-family:verdana;"><span style="font-weight: bold;">1-</span> Quem somos? (de onde viemos, para onde vamos e por que somos estão contidos nessa questão). Para respondê-la inventamos inúmeras religiões e filosofias; no entanto, continuamos convivendo com a depressão e o suicídio. O Reino responde-a dizendo: somos de Deus e para Ele devemos viver, o que só é possível por meio de Cristo, pela ação do Espírito Santo.</span></span><br /><br /><span style="font-size:85%;"><span style="font-family:verdana;"><span style="font-weight: bold;">2-</span> O que fazemos com a riqueza gerada no planeta? Para respondê-la temos tentado desde o escambo até a economia moderna. Contudo, continuamos com a fome e a miséria. O Reino responde-a com uma palavra: solidariedade - quem tiver duas túnicas divida com quem não tem, quem tiver comida faça o mesmo.</span></span><br /><br /><span style="font-size:85%;"><span style="font-family:verdana;"><span style="font-weight: bold;">3-</span> O que devemos fazer para vivermos juntos? Para respondê-la temos praticado desde o clã, a mais primitiva das sociedades, até as democracias mais aprimoradas; entretanto, continuamos a conviver com a violência e a guerra. O Reino responde-a com outra palavra: fraternidade - trate ao próximo como você gostaria de ser tratado.</span></span><br /><br /><span style="font-size:85%;"><span style="font-family:verdana;">O Reino de Deus é o novo sistema que vem para destruir o outro, tipificado pela estátua. Por isso o Reino exige adaptação. O Reino é o jeito divino de resolver o problema do homem; resolução que nos é dada por meio do amor e da graça do Pai.</span></span></div>Filipe Garciahttp://www.blogger.com/profile/08524011609315970278noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-443161770164131567.post-73750224519036534252008-03-22T10:05:00.000-07:002008-03-30T13:35:15.814-07:00Mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa!<a href="http://discipulum.blogspot.com/2008/03/mea-culpa-mea-culpa-mea-maxima-culpa.html"><img src="http://a.imagehost.org/0181/meculpa.jpg" border="0" height="69" width="467" /></a><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://a.imagehost.org/0181/border4.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px;" src="http://a.imagehost.org/0181/border4.jpg" alt="" border="0" /></a><div style="text-align: justify;font-family:verdana;"><span style="font-size:85%;">Hoje é <i>Sábado de Aleluia</i> e na minha infância, nessa mesma data, vi pessoas fazendo bonecos de Judas e espancando-os. Aos olhos dessas pessoas que se diziam cristãs, Judas deveria ser espancado e ferido; mas aos olhos de Jesus, Judas deveria ser acolhido e amparado.<br /><br />O significado da morte de Jesus perturba a humanidade, é envolto num manto de mistérios. Segundo o próprio Jesus, ele estava cumprindo diante de Deus todos os códigos jurídicos e éticos em favor de todos os homens. Os homens poderiam ter dívidas com a sociedade, poderiam estar sujeitos a processos e penas, mas se aceitassem seu sacrifício, não teriam mais dívidas com Deus. Ele morreu por todos os que falham, erram, negam, traem.<br /><br />Durante a minha caminhada, observando as pessoas e tentando compreender os segredos da mente humana, descobri que todos nós temos um pouco de Judas em nosso currículo. Sim, afinal, quem não é traidor? Você pode não ter traído alguém, mas dificilmente não traiu a si mesmo. Quantas vezes você disse que seria uma pessoa paciente, mas uma pequena ofensa ou contrariedade bloqueou sua inteligência e levou-o à ira? Você traiu a sua intenção. Quantas vezes, depois de um ataque de raiva, você prometeu que se controlaria, mas por fim acabou ferindo as pessoas que mais ama? Você traiu sua promessa. Quantas vezes você disse que não levaria seus problemas para sua cama, mas por fim sua cama se tornou uma praça de guerra? Você traiu seu sono. Quantas vezes você prometeu que sorriria mais, seria mais bem humorado, leve e livre, mas suas promessas não duraram até o calor dos problemas da segunda-feira? Você traiu sua qualidade de vida.<br /><br />Eu, por exemplo, já me traí muitas vezes. É fácil sermos carrascos de nós mesmos. Tivemos tantos sonhos, mas quantos foram abandonados! Traímos nossos sonhos de infância e juventude. Prometemos lutar por nossos ideais, dar um sentido nobre à nossa vida, dar valor às coisas que realmente têm valor, mas por fim gastamos uma energia descomunal com coisas banais. Raramente fazemos coisas fora da nossa agenda para nos dar prazer, relaxar e encantar. Sofremos por problemas que não aconteceram, nos preocupamos demais com as críticas dos outros, fazemos um cavalo de batalha por coisas tolas. Somos todos traidores. O mestre da vida estava morrendo por todos nós e disso ninguém duvide.<br /><br />Quantas vezes julgamos nossos pais, amigos, colegas de trabalho, sem perceber que o que eles estão nos dando é o máximo que conseguem naquele momento? Quantas vezes não conseguimos decifrar que as pessoas estão pedindo ajuda e compreensão nos seus comportamentos grotescos, e atiramos pedras? Quantas vezes cobramos das pessoas o que elas não podem dar! Somos punitivos e autopunitivos. Não temos compaixão dos outros nem de nós mesmos.<br /><br />Quantas vezes traímos Deus? Mesmo que alguém, à semelhança de Pedro, chutasse um número bem alto não tenho dúvida de que a resposta seria, no mínimo, setenta vezes esse número alto. Nós não o vemos, não o tocamos fisicamente. É muito fácil traí-lo. Uns trocam Deus por uma grande soma de dinheiro, outros por uma quantia menor que a de Judas. Uns viram as costas para Ele quando atingem o sucesso, outros o consideram uma miragem quando fracassam ou o culpam pelo que Ele nunca fez.<br /><br />Quantas vezes vendemos as sementes de Jesus, suas caríssimas palavras, por um preço menor do que uma mercadoria da feira? O amor, a tolerância, o perdão, o acolhimento, o afeto, a compreensão, a capacidade de se doar sem esperar a contrapartida do retorno, a capacidade de pensar antes de reagir são sementes universais, representam o ápice das aspirações humanas. Elas estão no topo das aspirações dos pajés das tribos indígenas, dos líderes das tribos africanas, dos ensinamentos de Confúcio, dos pensamentos de Buda e das melhores idéias dos filósofos.<br /><br />Jesus sintetizou os desejos de todos os povos de todas as eras, mas muitas vezes desprezamos seus ensinos como Judas os desprezou. Não analisamos suas palavras com a profundidade que elas merecem.<br /><br />Todos sabem que um dia morrerão, que a vida é efêmera. Num instante somos meninos; noutro, idosos. Mas vivemos como se fôssemos imortais. Adiamos a busca da sabedoria. Não perguntamos: "Deus, quem é você? Você é real?". Nós nos preocupamos em tomar o melhor antibiótico quando estamos doentes, em procurar um bom mecânico para consertar o motor do carro e em verificar detalhadamente o saldo da conta bancária, mas não nos preocupamos em desenvolver nossa inteligência espiritual, em buscar Deus de maneira inteligente.<br /><br />A maioria de nós estava, de alguma forma, sendo representada por Judas. Jesus estava morrendo por todos os que mancharam a sua história por algum tipo de traição. Judas o estava traindo e Jesus o estava perdoando. Mas um grande problema surgiu: Judas seria capaz de se perdoar?<br /><br />Se Judas pudesse remover os espinhos e encontrar o perdão e o amor de Jesus, certamente seria uma das colunas entre os mais ilustres cristãos do primeiro século desta era. Ele, no entanto, foi vencido pela culpa e não foi capaz de enxergar o amor e a misericórdia daquele a quem ele havia traído.<br /><br />Quantos, neste exato momento em que estou escrevendo, estão se triturando pelo sentimento de culpa? Acham-se indignos de viver, de existir e incapazes de encontrarem perdão. Uma dose leve de sentimento de culpa pode gerar reflexão e mudança de rota. Mas uma dose alta pode gerar autodestruição.<br /><br />Judas não suportou. Pensou em morrer. Para ele, não haveria lugar nesta terra para um traidor, ainda mais o traidor do mestre dos mestres. Ninguém o compreenderia. Ele não suportaria conviver com seu erro. Ledo engano! Se ele usasse a mesma coragem que teve para trair para reconhecer seu erro e se arrepender, corrigiria a sua trajetória e brilharia. Não daria para mudar o destino de Jesus, até porque ele morreria de qualquer maneira, mas ele mudaria o seu destino.<br /><br />Ninguém que pensa em suicídio ou que pratica atos suicidas quer exterminar a existência, mas quer exterminar a dor que solapa a sua alma e com Judas não foi diferente. Ele não queria dar fim à sua vida, o que ele desejava era dar fim ao sentimento de culpa, solidão, ansiedade, crise depressiva.<br /><br />Quem se suicida provoca cicatrizes na alma dos que o amam. É possível superar a mais longa noite e transformá-la no mais belo amanhecer. Não há lágrima que não possa ser estancada, ferida que não possa ser fechada, perda que não possa ser enfrentada e culpa que não possa ser superada. Os que transcendem seus traumas e seus erros ficam belos e sábios.<br /><br />Aprenda a se perdoar. Não tenha medo da dor. Jamais se esqueça das sementes do mestre da vida.</span></div>Filipe Garciahttp://www.blogger.com/profile/08524011609315970278noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-443161770164131567.post-50079504807286423012008-03-20T20:46:00.000-07:002008-09-02T00:00:19.117-07:00O Cântico de Jesus<a href="http://discipulum.blogspot.com/2008/03/o-cntico-de-jesus.html"><img src="http://a.imagehost.org/0181/canticodejesus.jpg" border="0" height="66" width="467" /></a><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://a.imagehost.org/0181/border5.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px;" src="http://a.imagehost.org/0181/border5.jpg" alt="" border="0" /></a><div style="text-align: justify;font-family:verdana;"><span style="font-size:85%;">O que você faria hoje, se soubesse que amanhã se encontraria preso a mais pavorosa e indescritível crise existencial? Se amanhã você se desse conta de que seu melhor e mais íntimo amigo lhe houvesse faltado aos deveres humanos e fraternais de solidariedade e empatia? O que você faria se, de repente, aquela pessoa de quem você nem de longe desconfiara, na qual você tanto investiu e que tanto usufruiu de sua cultura, seus afetos, inclinações e bens maiores o traísse?<br /><br />O que você faria se a religião na qual você foi criado, em meio a qual foi inspirado, dentro da qual foi instruído, subitamente, estabelecesse uma penalidade contra você? <o:p></o:p>Como você reagiria se, de hábito, se visse escarnecido, vilipendiado, com a honra enxovalhada, a dignidade exposta a uma situação de zombaria, motejo, galhofa e ironia? <o:p></o:p>O que faria se fosse alvo de grave violência física, de um estupro, por exemplo, ou de uma surra absurda? <o:p></o:p>Qual seria a sua atitude se você tivesse certeza absoluta do que lhe aconteceria nos próximos dias?<br /><br />O que você faria se nos próximos dias você perdesse o emprego, ou lhe roubassem a posição em favor do maior corrupto, de pessoas mais convenientes àquela posição? O que faria você, se amanhã fosse o dia do escárnio, do desdém, da injúria, do descrédito, do enodoamento do seu nome, de sua imagem e do seu caráter?<br /><br />O que você faria, se amanhã, ao entrar no táxi, fosse vítima de um ato sádico, um assalto pavoroso, um seqüestro? Ou fosse dia no qual seu marido chegasse bêbado a casa, e tomado pelo machismo arrebentasse seu rosto, esmurrasse-a, atirasse-a ao chão, enchendo-a de hematomas, ferindo-lhe os ouvidos com palavrões e impropérios?<br /><br />Houve um dia, na vida de Jesus, quando, olhando adiante, ele só conseguia ver coisas absurdas e semelhantes a essas a que acabo de me referir. Seu dia seguinte seria o dia do Getsêmani; dia da depressão, da agonia; dia do encaramujar da alma; dia da vertiginosa descida à região mais abissal; dia do choro, gemido, solidão profunda.<br /><br />E qual a atitude de Jesus na véspera do dia mal? Na véspera do trágico? Na véspera do tudo-nada? Marcos conta, no cap. 14, v. 22 e 23 que, partindo o pão, ele disse: "Isto é o meu corpo"; e tomando o cálice, acrescenta: "Isto é o meu sangue" - prova de que estava plenamente consciente do que o aguardava. O v.26 diz mais:<br /><br /></span><div style="text-align: center;"><span style="font-size:85%;"><span style="font-style: italic; font-weight: bold;">"Tendo cantado um hino, saíram para o Monte das Oliveiras".</span></span><br /></div><span style="font-size:85%;"><br />O que esperava por Jesus era o ser ele partido, rasgado, moído, ultrajado, usado. No entanto, ele canta um hino! E que hino era esse? Era justamente o hino que o judeu cantava na Páscoa, o Salmo 115, que afirma o amparo de Deus; salmo que admoesta:<br /><br /><span style="font-style: italic;">"Não confieis em ídolos. Têm boca e não falam; têm olhos e não vêem; têm ouvidos e não ouvem; têm nariz e não cheiram. Suas mãos não apalpam; seus pés não andam; som nenhum lhes sai da garganta".</span><br /><br />Ele exorta a que se confie no Senhor, em quem há amparo, refúgio, conforto, segurança. Parece ironia cantar um hino desses à véspera do que Cristo sabia ser a moenda da sua alma, o trilhar do seu corpo, o lacerar e escalpelar da sua carne. Sim, Jesus foi neste planeta o único homem que soube crer no que Paulo articularia teologicamente mais tarde:<br /><br /><span style="font-style: italic;">"Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito" </span><span style="font-weight: bold; font-style: italic;">(Rm 8:28)</span>.<br /><br />O que estará a vida fazendo em nós? Que estará ela fazendo de nós? O que o chicotear, o deprimir, o esmagar, o humilhar, o tripudecer, o caluniar, o escarnecer, o decepcionar, o desacreditar, o roubar, o espatifar de ilusões estarão criando em nós?<br /><br />Será que os gestos, jeitos, modos, palavras e tudo mais que a vida nos negou, não estariam gerando em nosso ser uma alma desértica, um coração duro, frio, incapaz do amor, da dádiva, da troca, do sossego e da paz? Será que não teria arrancado de nós a capacidade de sonhar, de crer, de renunciar e de ser grato? Ou ainda não teriam criado em nós uma mente inepta, paralisada ao fervor e à adoração?<br /><br />Será que os fatos e as ocorrências do dia seguinte estão gerando em nós a idéia de que Deus tem o braço encolhido? Que ele é um Deus impotente, inoperante e alienado; um Deus-ídolo?<br /><br />Ou será que, por sua graça, seremos capazes de enfrentar o que vier, chorando e gemendo com louvor, com gratidão, na certeza de que aquilo que dói em nós, magoa e fere fundo; aquilo que nos embaraça e tonteia pelo impacto; que nos surpreende, decepciona e assusta, de maneira nenhuma revela e retrata a inoperância e pouco-caso de Deus, que não traduz sua fuga ou omissão. Ao contrário, espelha a certeza de que, por trás do que se pode chamar bueiro da dor, espasmo da decepção, negrume da solidão, haverá finalmente a estrada em direção ao único Pai - o único Amigo - e à única vitória e certeza.<br /><br />Certeza que nos capacita a viver apesar do desamor e abandono, da aflição da perda irrecuperável; apesar do nojo e horror do amigo traiçoeiro e traidor, do tédio da eterna criatividade vestida de pavão e corpo de gralha; enfim, apesar da tristeza de tanto que iria ser e nunca foi, ou parece ser e não é - nem nunca será.<br /><br />Cristo canta a ressurreição. Ele canta a intervenção, celebra a vitória antes dela.<br /><br />Meu grande desejo é que, de alguma forma, o Espírito do Senhor nos ajude a cantar um hino e sair... Sair para lutar! Sair para batalhar pela felicidade, alegria e independência a que temos direito. Sair, enfim, para viver a própria vida! Faça a vida a careta que fizer, use contra nós as armas que usar, empunhe em nossa direção as foices traiçoeiras e devastadoras que quiser. Pois, apoiados ao muro da esperança, em Deus, iremos de peito aberto contra todo choque e toda cilada, celebrando de antemão a vitória, a interferência e o amparo do Todo-Poderoso, em meio à agonia.<br /><br />Saia para glorificar o nome de Jesus, cantando antes, durante e depois!</span></div>Filipe Garciahttp://www.blogger.com/profile/08524011609315970278noreply@blogger.com