<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3573902</id><updated>2009-08-29T17:29:14.923-07:00</updated><title type='text'>Balde de Gelo</title><subtitle type='html'>O &lt;i&gt;Balde de Gelo&lt;/i&gt; apresenta os dois lados da vida de um casal &lt;b&gt;que só existe na imaginação dos autores&lt;/b&gt;. Quem são os autores? Veja ali embaixo.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://baldedegelo.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baldedegelo.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default?start-index=26&amp;max-results=25'/><author><name>Ela</name><email>noreply@blogger.com</email></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>47</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3573902.post-110424132792118685</id><published>2004-12-28T05:40:00.000-08:00</published><updated>2004-12-28T05:49:38.910-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>O prazo de validade da minha raiva venceu no momento em que vi aquela cena na TV. Uma linda história de amor que me fez chorar muito e pensar no sentido da vida. O protagonista era uma inocente criança que, ao tentar superar um importante desafio, passa por um grave acidente e recebe todo o apoio que só sua mãe poderia dar. A pessoa que mais o ama e que vai protegê-lo para o resto de sua vida. Como é possível emocionar tanto em apenas trinta segundos? Os publicitários são pessoas iluminadas e um comercial de anti-séptico, mostrando um menino que cai da bicicleta e recebe os primeiros-socorros de sua zelosa mãe, mudou a minha vida.&lt;br /&gt;Bem, pensando agora, com a cabeça mais fria, eu acho que a gravidez tem mexido um pouco comigo. O garoto nem ficou tão machucado, não precisou de pontos nem nada, só duas borrifadas do tal produto num minúsculo arranhão no joelho... Mas o importante é que tudo acabou bem, assim como deveria terminar o castigo do meu namorado. O pai do meu filho. O homem da minha vida, que tanto me ama, com quem eu vou passar o resto dos meus dias e... Santo Deus! Eu preciso parar de chorar a cada duas horas ou vou acabar desidratada.&lt;br /&gt;"Concordo. Já tá na hora de acabar com essa briguinha. Mas não custa nada dar um &lt;em&gt;gran finale&lt;/em&gt; pra punição que, convenhamos, ele mereceu". A minha irmã sempre foi tão apaziguadora... A primeira providência foi ligar para a mãe dele e dar a notícia da gravidez. Ela não pareceu tão entusiasmada quanto minha mãe, mas ficou encarregada de espalhar a novidade para a família do meu namorado antes que ele o faça antes de mim. De novo.&lt;br /&gt;Sentei no sofá em frente àquelas bolachas reprodutoras de chiados e comecei a planejar a vingança. "Tenho que tocar no ponto fraco dele". E fez-se a luz. Foi cansativo trocar todos os discos de suas respectivas capas, mas eu posso dizer que foi também uma agradável e produtiva tarde de trabalho. Em determinado momento, pensei que pudesse estar cometendo um ato extremo de maldade, mas foram apenas dois segundos e meio de reflexão. Meu namorado passou algumas horas desfazendo a confusão, o que me deu tempo de ler vários contos eróticos para apagar de vez a mágoa causada naquela noite no jantar.&lt;br /&gt;O resto da semana foi maravilhoso. Fomos ao cinema feito dois namoradinhos adolescentes, jantamos na casa da Solange ontem e lá surgiu a idéia de passarmos o fim de semana em Ilhabela. O Jair e a Solange já nos chamaram várias vezes para conhecer uma pousada, acho que de um primo do ex-chefe do Jair - ou ex-chefe do primo, não lembro direito - e nós finalmente resolvemos aceitar o convite. Eu tenho algumas recordações de Ilhabela, onde passei uma semana durante a minha infância. Ou melhor, duas recordações: uma boa e outra ruim. Uma coruja entrou pela janela da sala enquanto assistíamos à novela, deixando em pânico as mulheres da família. E trezentas dúzias de borrachudos nos atacavam todo final de tarde, o que faz da primeira a boa recordação da viagem.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3573902-110424132792118685?l=baldedegelo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default/110424132792118685'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default/110424132792118685'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baldedegelo.blogspot.com/2004_12_01_archive.html#110424132792118685' title=''/><author><name>Ela</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='16547142969138479761'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3573902.post-108568490704680510</id><published>2004-05-27T12:08:00.000-07:00</published><updated>2004-05-30T21:20:34.916-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Às vezes parece que o Diabo fica entediado lá no inferno e vem até a Terra para se divertir às nossas custas. Foi o que aconteceu há três dias, quando resolvemos reunir a família da minha namorada para contar sobre a gravidez. O resultado da confusão toda: um cunhado de tapa-olho e uma mulher grávida me tratando da forma mais fria possível durante dois dias. Não tive culpa do que aconteceu com o olho do Edu, foi só mais uma conseqüência da falta de jeito do meu sogro. Quanto a essa mulher que anda pelo apartamento sem falar comigo, bem, acho que eu mereço. Não que a coisa tenha acontecido da forma como ela pensa que aconteceu. O negócio é que ela se levantou para ir ao banheiro e eu fiquei distribuindo as taças. Minha sogra perguntou a que se devia toda aquela cerimônia. Eu falei que não era nada, que assim que ela voltasse do banheiro contaria para todos. E foi aí que o Diabo entrou na história:&lt;br /&gt;&amp;#150; E depois deve voltar pro banheiro de novo. Sabe como é mulher grávida.&lt;br /&gt;Falei sem perceber. Sabe quando você acha que só pensou uma coisa, olha em volta e descobre que na verdade fez um comentário em voz alta? Pois então, foi o que aconteceu. Fez-se o silêncio na sala. Quebrado pelo meu sogro:&lt;br /&gt;&amp;#150; ELA TÁ GRÁVIDA???&lt;br /&gt;Lá do banheiro minha namorada pensou que fosse a minha voz anunciando a gravidez. Como se eu fosse mesmo capaz de fazer algo assim, gritar para todo mundo a notícia que deveria ser divulgada por ela. Enfim, estava formada a confusão. Ela veio do banheiro feito um míssil, o olhar de ódio cravado em mim. Eu &amp;#150; que tentava me desvencilhar de minha sogra, então dependurada no meu pescoço &amp;#150; corri para abraçar minha namorada. Eu sabia que ia apanhar, no mínimo. Foi aí que Satanás, talvez arrependido do que acabara de fazer comigo, resolveu interferir novamente: meu sogro foi estourar o champanhe, a rolha voou e foi bater no olho do Edu. As atenções se desviaram para ele. Até eu fingi alguma preocupação com o babaca do meu cunhado. Tudo para escapar da ira de uma mulher grávida. No entanto, quando os pais dela saíam para levar o filho ao hospital, ela deu um jeito de rosnar para mim:&lt;br /&gt;&amp;#150; Você me paga por essa...&lt;br /&gt;E aí começou o inferno. É horrível quando ela resolve não falar comigo, porque ela não fala &lt;i&gt;mesmo&lt;/i&gt;. Nada de gestos, acenos, bilhetes, nada! É como se eu não existisse. Nas primeiras horas eu tentei pedir desculpas, contar minha versão da história, mas não adiantou. Então entrei no jogo. Agüentei durante dois dias, até ontem. Hoje de manhã eu saí para trabalhar já disposto a me reconciliar com ela de qualquer forma quando voltasse. Fui almoçar com o Jair, para ver se ele me dava alguma idéia de como fazê-lo.&lt;br /&gt;&amp;#150; É, rapaz... &amp;#150; Ele disse &amp;#150; Situaçãozinha complicada, essa sua. Mas também, o que é que você tem na cabeça?&lt;br /&gt;&amp;#150; O Diabo...&lt;br /&gt;&amp;#150; Hein?&lt;br /&gt;&amp;#150; Esquece, esquece! Eu sei lá por que fiz aquilo! O negócio é que quero desfazer e não sei como. Você vai me ajudar ou vai ficar aí me criticando?&lt;br /&gt;&amp;#150; Quero te ajudar, você sabe. Mas é difícil, pô! Ela deve estar uma fera, não?&lt;br /&gt;&amp;#150; Você não tem idéia.&lt;br /&gt;&amp;#150; Hum. Que tal umas flores?&lt;br /&gt;&amp;#150; Aí é que ela me expulsa de casa. Você acha que alguma mulher ainda cai nessa?&lt;br /&gt;&amp;#150; É, é verdade... Esse negócio de fazer burrada e depois tentar agradar nunca dá certo.&lt;br /&gt;&amp;#150; Pois é. E então?&lt;br /&gt;&amp;#150; Eu sei lá!&lt;br /&gt;&amp;#150; Você não sabe?&lt;br /&gt;&amp;#150; Não.&lt;br /&gt;&amp;#150; Grande amigo você é...&lt;br /&gt;&amp;#150; OLHA A CAGADA QUE VOCÊ FEZ!&lt;br /&gt;&amp;#150; Humpf.&lt;br /&gt;Voltei do almoço ainda sem idéia do que fazer. No fim da tarde, saí do escritório desanimado com a perspectiva de encontrar uma mulher hostil. Cheguei em casa e tentei puxar assunto:&lt;br /&gt;&amp;#150; Oi.&lt;br /&gt;&amp;#150; ...&lt;br /&gt;&amp;#150; Como você está?&lt;br /&gt;&amp;#150; ...&lt;br /&gt;&amp;#150; Sentiu enjôos hoje?&lt;br /&gt;&amp;#150; ...&lt;br /&gt;&amp;#150; Não vai falar comigo?&lt;br /&gt;&amp;#150; ...&lt;br /&gt;&amp;#150; Então tá. Vou ali ouvir uns discos, espero que você não se importe.&lt;br /&gt;&amp;#150; ...&lt;br /&gt;&amp;#150; Beleza.&lt;br /&gt;Fui até a prateleira e peguei o LP que havia deixado separado para ouvir. &lt;i&gt;The Piper At The Gates Of Dawn&lt;/i&gt;, primeiro disco do Pink Floyd. Puxei o bolachão de dentro da capa, botei no prato, posicionei a agulha e me recostei na poltrona. Só que, quando o disco começou a tocar, em vez de &lt;i&gt;Astronomy Domine&lt;/i&gt; eu ouvi &lt;i&gt;Sá Marina&lt;/i&gt;, do Wilson Simonal. Levantei-me sem entender nada. Olhei o selo do LP. &lt;i&gt;Alegria, Alegria vol. 2&lt;/i&gt;. "Ué...", pensei. Procurei o disco do Simonal no meio da minha coleção. São mais de 500 LPs mais ou menos organizados por estilo e por nome do artista. Acontece que estavam todos fora de ordem. Demorou um pouco, mas acabei percebendo o que acontecia. Olhei para minha namorada e ela estava com um meio-sorriso no rosto.&lt;br /&gt;&amp;#150; Você trocou a capa de uns LPs, aqui? É isso?&lt;br /&gt;Ela fez que não com a cabeça. Bom, já era uma forma de comunicação.&lt;br /&gt;&amp;#150; Você trocou a capa de TODOS?&lt;br /&gt;Acenou que sim.&lt;br /&gt;&amp;#150; E é essa sua vingança? Pffff, que coisa besta. Arrumo isso rapidinho.&lt;br /&gt;&amp;#150; Boa sorte &amp;#150; ela disse. &amp;#150; eu vou dormir.&lt;br /&gt;Ainda eram oito da noite, mas nem quis discutir. Ela tinha falado comigo, já era alguma coisa. Entreguei-me ao trabalho de colocar meus LPs de volta nas capas correspondentes e reorganizar tudo. Dentro da capa do &lt;i&gt;Alegria, Alegria vol. 2&lt;/i&gt; estava &lt;i&gt;Samba Esquema Novo&lt;/i&gt;, do Jorge Ben. No lugar do disco do Jorge Ben, estava &lt;i&gt;Let It Bleed&lt;/i&gt;, dos Rolling Stones. Uma zona. O obsessivo-compulsivo que há em mim queria gritar e sair correndo. Contive-o aos tapas, porém, e prossegui com o trabalho. Fui terminar já passava da uma da manhã. A última capa era de &lt;i&gt;Krig-Ha Bandolo&lt;/i&gt;, do Raul Seixas. Coloquei o disco correto dentro dela e enfim encontrei o &lt;i&gt;The Piper At The Gates Of Dawn&lt;/i&gt;. Junto com ele, um bilhete dela:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;"Se ainda estiver inteiro depois desse trabalho todo, encontre-me no quarto. Precisamos fazer as pazes."&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Fui até o quarto e a encontrei acordada e muito bem disposta. Foi uma noite e tanto. Minha namorada é bem amalucada, às vezes, mas sabe ser original quando quer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3573902-108568490704680510?l=baldedegelo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default/108568490704680510'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default/108568490704680510'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baldedegelo.blogspot.com/2004_05_01_archive.html#108568490704680510' title=''/><author><name>Marco Aurélio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06478648231743512001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06618507210306713792'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3573902.post-108173716578593059</id><published>2004-04-11T19:32:00.000-07:00</published><updated>2004-04-11T19:36:32.716-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Eu ensaiei aquele momento na frente do espelho durante três dias. Preparei discurso, mudei discurso, desisti de discurso. Fiz um belíssimo arranjo de flores para enfeitar a mesa do almoço. Gastei uma fortuna com comida pronta, vinhos e champanhe. Enfim, tudo preparado para contar a grande novidade. Seria o meu momento! O MEU momento!!&lt;br /&gt;Na noite anterior ao almoço eu sonhei que era uma famosa estrela de cinema. Na verdade eu era a Rita Cadillac gravando Aluga-se Moças, mas no sonho eu tinha até camarim exclusivo e... enfim, eu era uma estrela. “Um presságio”, pensei. &lt;br /&gt;Depois da sobremesa, as taças de campanhe seriam distribuídas e, diante da expressão de expectativa dos convidados, eu daria a notícia. Quando eu finalmente batesse no copo com a colherzinha (três vezes, como nos filmes) e fizesse o grande anúncio, todos iriam me abraçar e chorar e dizer que eu seria a melhor mãe do mundo.&lt;br /&gt;Na hora certa, chamei meu namorado na cozinha. “Você distribui as taças enquanto eu vou fazer xixi”. “Pode deixar!”&lt;br /&gt;Sentei no vaso sanitário e relaxei. Eu estava a poucos segundos da glória. Da sala, veio a frase que soou como um alarme de incêndio.&lt;br /&gt;“Pra quê tudo isso?”, era a ansiedade da minha mãe detonando a bomba.&lt;br /&gt;“É porque... porque... ELA TÁ GRÁVIDA!!!”&lt;br /&gt;............&lt;br /&gt;Meu mundo caiu.&lt;br /&gt;Quando abri a porta do banheiro, a cena: meu pai chacoalhando a garrafa de champanhe e minha mãe agarrada ao pescoço do meu namorado, chorando. Quando me viu entrando na sala, ela veio em minha direção para me abraçar. &lt;br /&gt;Nesse momento meu pai conseguiu estourar a champanhe. E como numa comédia dos Trapalhões, a rolha soltou-se da garrafa para ir direto para o olho do meu irmão. &lt;br /&gt;“Tô cego!”. Minha mãe pegou a bolsa e declarou: “Vamos te levar pro hospital, meu filho, calma...”&lt;br /&gt;Diante daquela confusão eu não sabia se socorria meu irmão, se chorava ou se dava uma surra no meu namorado. Deixei a primeira tarefa para os meus pais, que já se preparavam para sair. Chorar iria gastar as energias que eu decidi poupar para executar a minha vingança. O meu namorado me paga! Ah, ele me PAGA!&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3573902-108173716578593059?l=baldedegelo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default/108173716578593059'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default/108173716578593059'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baldedegelo.blogspot.com/2004_04_01_archive.html#108173716578593059' title=''/><author><name>Ela</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='16547142969138479761'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3573902.post-105888220403232052</id><published>2003-07-22T06:56:00.001-07:00</published><updated>2003-07-22T06:56:43.843-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Panettone com maionese. PANETTONE COM MAIONESE! Eu mereço. E ainda se fosse só isso... O problema maior é que todas as mulheres parecem tirar do DNA um pacotão de conselhos assim que uma delas engravida. Como explicar, por exemplo, que a Marininha – que nunca sequer sonhou em ter filhos; nem irmãos tem – tenha se tornado de uma hora para outra a maior conselheira de gestação para minha namorada? E é cada conselho... As duas devoram as páginas de um livro, &lt;i&gt;O Bebê na Era de Aquário&lt;/i&gt;. A Marininha tem verdadeira devoção pela autora, uma americana oxigenada de olhar aguado e sorriso enjoativo. E minha namorada embarcou nessa. Ciência? Ginecologia? Obstetrícia? Pré-Natal, Ultrassom? Para que tudo isso, se temos os astros para nos guiarem, não é mesmo? A depender da Marininha, saberemos o sexo do bebê de acordo com a fase da lua e o parto será feito por uma índia velha e sombria balançando um chocalho de cascavel. Já fico me imaginando desesperado na hora do nascimento, berrando "Toalhas! Água quente! MAIS ÁGUA QUENTE!" pela casa. Daqui a pouco vão dizer que o bebê é obra da cegonha, e não minha.&lt;br /&gt;Agora tinha outra preocupação, no entanto: panettone com maionese. E onde é que eu ia encontrar panettone dois meses depois do Natal, meu Deus???  Sei que rodei a cidade e acabei encontrando uma bombonière que tinha um estoque imenso de panettones encalhados. E é claro que a loja ficava a um quarteirão do escritório onde trabalho. Que graça teria a vida sem essas ironias, não é mesmo? Lá fui eu para minha casa, triunfante, seis panettones (leve três, pague dois – eu não podia perder essa) e um frasco de maionese na mão. Sentia-me como Ulisses voltando para casa e para os braços de sua amada. Só que minha Penélope não parecia muito disposta a colaborar:&lt;br /&gt;– Hum – disse ela, depois de passar uma enorme quantidade de maionese numa fatia de panettone. – Não é tão bom quanto eu imaginei.&lt;br /&gt;– Como assim, não é tão bom? O que você imaginou?&lt;br /&gt;– Ah, sei lá. Achei que tivesse um gosto mais assim de... De... Ah, sei lá. Achei que fosse mais gostoso. Feito quindim com requeijão.&lt;br /&gt;– Quindim com requeijão??? Isso é bom?&lt;br /&gt;– Não sei. Deve ser, né?&lt;br /&gt;– Ai meu Deus...&lt;br /&gt;– Hum... Quindim com requeijão... Eu preciso comer quindim com requeijão.&lt;br /&gt;– Não precisa nada.&lt;br /&gt;– PRECISO! Senão nosso bebê vai nascer com cara de quindim com requeijão.&lt;br /&gt;– Aí a gente manda ele pro circo.&lt;br /&gt;– Rá, rá... Bobo. Vem cá.&lt;br /&gt;– Pra quê...?&lt;br /&gt;– Vem cá, oras.&lt;br /&gt;– Hum...&lt;br /&gt;– Fala com ele.&lt;br /&gt;– Hein?&lt;br /&gt;– Fala com o bebê.&lt;br /&gt;– Como é? Falar com o bebê?&lt;br /&gt;– É. A Marininha disse que é importante a gente falar com ele. Faz bem para o desenvolvimento da criança.&lt;br /&gt;– Pode ser, menina. Mas não agora. Você está no segundo mês de gestação. Ele ainda não pode ouvir, é só um girino.&lt;br /&gt;– Girino????&lt;br /&gt;– É... – alerta vermelho.&lt;br /&gt;– Você está dizendo que o MEU bebê é um GIRINO?&lt;br /&gt;– Bom, não é bem um girino. Assim, não propriamente dito. Ele só se PARECE com um girino, mas não é um girino. Não se preocupe, ele não vai virar um sapo. Hehe.&lt;br /&gt;– SEU INSENSÍVEL! Você não se importa, você nem quer saber, fica falando que o meu bebê é um... um... um GIRIIIIIIIII...&lt;br /&gt;E desatou a chorar. Tentei consolá-la como pude, o que não foi fácil. Ela dizia que eu não a amava nem ao bebê. Que ia abandoná-los. Meu Deus! E eu que pensava que já conhecia todas as variações de humor possíveis. Bobagem! Grávida ela está ficando mais instável ainda.&lt;br /&gt;E amanhã a família dela vem aqui para o almoço em que comunicaremos a gravidez. Sei não, sei não. Maus pressentimentos. &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3573902-105888220403232052?l=baldedegelo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default/105888220403232052'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default/105888220403232052'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baldedegelo.blogspot.com/2003_07_01_archive.html#105888220403232052' title=''/><author><name>Marco Aurélio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06478648231743512001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06618507210306713792'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3573902.post-105888217233489361</id><published>2003-07-22T06:56:00.000-07:00</published><updated>2003-07-22T06:56:12.136-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Como diria Woody Allen, “I panic!”. Eu sei que devia consultar um ginecologista antes de ter certeza, mas a Marininha, a Jô, a Denise, a Jennifer e até a filha de doze anos do zelador acham que os dezesseis testes de farmácia terem dado positivo significam que SIM, EU ESTOU GRÁVIDA!!! Quando o último teste deu positivo, eu tive um ataque de choro sem precedentes. As meninas pegaram o telefone e discaram o número do celular do meu namorado, porque eu não conseguia lembrar nem em que cômodo da casa ficava o telefone...  Apesar de ter ensaiado um infarto, ele até que recebeu bem a notícia. Aliás, o projeto de Robério de Ogum já desconfiava da minha gravidez. Aparentemente, homens também têm intuição – o que destrói a minha teoria de que eles só usam a sensibilidade para descobrir se a viscosidade do óleo do carro indica o momento da troca. &lt;br /&gt;Quando meu namorado chegou em casa – com duas caixas do meu bombom favorito – tive outra crise de choro. As meninas já tinham ido embora e só o Poodle e o Gato me faziam companhia. O Gato reagiu com bastante indiferença à notícia. Já o Poodle resolveu comer um dos meus tênis para comemorar. Meu namorado e eu fomos jantar fora. E eu descobri que jantar italiano sem vinho consegue ser mais sem graça do que panettone sem maionese. Hummm... panettone com maionese..... Eu PRECISO de panettone com maionese!!!&lt;br /&gt;Nesse final de semana eu vou organizar um almoço em casa para contar para a minha família sobre a gravidez. Isso se eu conseguir trancar a Marininha no guarda-roupa para impedir a divulgação imediata da notícia. Ontem ela saiu de casa com o mesmo brilho no olhar que aparece quando ela diz “menina, eu tenho uma bomba pra te contar!!”...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3573902-105888217233489361?l=baldedegelo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default/105888217233489361'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default/105888217233489361'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baldedegelo.blogspot.com/2003_07_01_archive.html#105888217233489361' title=''/><author><name>Ela</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='16547142969138479761'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3573902.post-88228720</id><published>2003-01-29T13:50:00.000-08:00</published><updated>2003-01-30T08:00:05.000-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Oh, meu Deus. Acho que eu devia ter deixado o poodle em casa e mandado minha namorada para um spa ou algo assim. Seria mais seguro. Foi um choque chegar e dar de cara com ela parecendo o Coyote depois de mais uma perseguição frustrada ao Papa-Léguas. Tive que me esforçar para conter o riso ao ver aquela mulher toda estropiada vindo me receber na porta. Coitadinha, parecia tão frágil com aquela tipóia e o gesso no pé! E ainda ficou triste por não termos podido passar o Natal com a minha família. Toda quebrada, e preocupada com essas coisas... Ela pode ser um anjo de quando em vez. &lt;br /&gt;E estava com uma mania nova também. Dá pra saber as estações do ano pelas manias dela. E a do verão é o Elton John. Quando fui para Porto Alegre, ela só conhecia &lt;i&gt;Tiny Dancer&lt;/i&gt;, por causa daquela cena do ônibus de &lt;i&gt;Quase Famosos&lt;/i&gt;. Não sei o que aconteceu durante minhas quatro semanas de batalha árdua por um contrato, mas quando voltei ela estava alucinada por Elton John. &lt;i&gt;Skyline Pigeon&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Goodbye Yellow Bricks Road&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Rocketman&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Your Song&lt;/i&gt;, tudo... Bom, não tudo. Pelo menos ela não fica ouvindo coisinhas chatas como &lt;i&gt;Nikita&lt;/i&gt; ou &lt;i&gt;Sacrifice&lt;/i&gt;, o que já é um alívio. Mesmo assim, é um exagero. Comprou CDs do cara. Dois DVDs. Fica procurando coisas a respeito dele na Internet. Até parou de me importunar com a velha história do aparelho ortodôntico: Agora diz que meus incisivos separados me deixam parecido com o EJ (que ela pronuncia &lt;i&gt;i-djêi&lt;/i&gt;, é claro).&lt;br /&gt;E eu nem posso reclamar da do Elton John. Se eu digo que hospedando o Monty já tivemos o suficiente de bicha inglesa pro resto da vida, ela rebate falando do meu repentino gosto por churrasco. Repentino... Eu sempre gostei de carne. SEMPRE. A viagem a Porto Alegre só acentuou um pouco isso. Digo que ela precisa ingerir proteínas, para acelerar a recuperação dos ossos. Claro que eu sei que ela precisa mesmo é de cálcio, mas é um mero detalhe. E, de qualquer maneira, nem essa demonstração de preocupação a comoveu: Depois de uma ou duas idas à churrascaria, começou a dizer que estava enjoada, que não podia nem olhar pra carne que embrulhava o estômago. "É cada desculpinha...", pensei.&lt;br /&gt;E continuei pensando que fosse uma desculpinha, até uma madrugada em que ela pulou da cama e correu para o banheiro para vomitar.&lt;br /&gt;- Tá tudo bem aí?&lt;br /&gt;- Tá... Tudo bem... &lt;i&gt;[ruídos]&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;- Tem certeza?&lt;br /&gt;- Tenho.&lt;br /&gt;Voltou para o quarto abatida.&lt;br /&gt;- Você tá grávida.&lt;br /&gt;- E você tá louco. Não começa com brincadeira.&lt;br /&gt;- Não, sério. Você tá grávida. Esses enjôos...&lt;br /&gt;- Nada a ver. Devo estar ruim do estômago, só isso. Se eu estivesse grávida,ia ter desejo de comer coisas esquisitas.&lt;br /&gt;- Talvez isso comece mais tarde.&lt;br /&gt;- Pára. Eu NÃO ESTOU grávida.&lt;br /&gt;- Vai saber! E se seus desejos não forem de comer coisas esquisitas? Essa mania aí de Elton John, por exemplo. Ele é uma coisa esquisita...&lt;br /&gt;- Ai meu Deus... Você quer tanto assim ser pai?&lt;br /&gt;- Não é essa a questão. Estou só fazendo uma observação com base no que tem acontecido. Por que você não compra um daqueles testes na farmácia amanhã, só pra esclarecer isso de vez?&lt;br /&gt;- Esclarecer o quê? Já disse que não estou grávida. Se estivesse, eu saberia.&lt;br /&gt;- Saberia como?&lt;br /&gt;- Intuição. Mulheres têm intuição.&lt;br /&gt;- E homens têm raciocínio lógico. E agora meu raciocínio lógico está me dizendo que há possibilidade de você estar grávida. Compra o teste, vai.&lt;br /&gt;- Se eu comprar o tal teste, você para de me importunar com isso?&lt;br /&gt;- O que você acha?&lt;br /&gt;- Acho que vai ser o único jeito. Mas vamos ter que fazer uma aposta. Se der positivo, você ganha. Negativo, eu ganho.&lt;br /&gt;- Por mim tudo bem. Vamos apostar o quê?&lt;br /&gt;- Oras, o quê! O de sempre...&lt;br /&gt;- Sexo? OBA!&lt;br /&gt;- Sabia que você ia gostar.&lt;br /&gt;- Só tem uma coisa...&lt;br /&gt;- O quê?&lt;br /&gt;- Será que não vai fazer mal pra criança?&lt;br /&gt;- Não enche, me deixa dormir.&lt;br /&gt;Por mim eu passaria o resto da madrugada azucrinando com essa história. Mas o bom senso me fez parar. Não é bom abusar da paciência de gestantes. Pouco depois do almoço daquele dia, a conversa da madrugada já meio esquecida, o telefone toca. Ela. Chorando.&lt;br /&gt;- &lt;i&gt;Blbrfblnbntiiiiiiiiiiiiiivo!&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;- Calma, menina. Não tô entendendo nada. Respira fundo. Conta até dez. Caaaaaalma... Agora me fala.&lt;br /&gt;- O teste deu positivo! &lt;i&gt;[soluço]&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;- Teste? Que tes... O TESTE DEU POSITIVO???&lt;br /&gt;- Eu tô grávida! &lt;i&gt;[fungada]&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;- VOCÊ TÁ GRÁVIDA???&lt;br /&gt;- Vai ficar repetindo tudo que eu falo?&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;- Você ainda está aí?&lt;br /&gt;- Er... Tô. É que... Puxa!&lt;br /&gt;- EU SEI! Vem pra cá!&lt;br /&gt;- Estou indo.&lt;br /&gt;Peguei minhas coisas e saí correndo do escritório. Correndo mesmo, esbaforido, e acho que estava com um sorriso besta na cara. Todo mundo me olhando, e eu nem aí. Como é que eu ia ligar pra coisas tão pequenas? Eu vou ser pai!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3573902-88228720?l=baldedegelo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default/88228720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default/88228720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baldedegelo.blogspot.com/2003_01_01_archive.html#88228720' title=''/><author><name>Marco Aurélio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06478648231743512001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06618507210306713792'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3573902.post-87716280</id><published>2003-01-19T23:01:00.000-08:00</published><updated>2003-01-21T19:14:05.000-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Dá para explicar com poucas palavras como é a minha vida: um carro desgovernado. Eu sou a maluca ao volante, tentando evitar um capotamento. Bom, olhando para a minha imagem refletida no espelho, parece que o acidente realmente aconteceu. Tentar enfeitar aquela gigantesca árvore de Natal (que só Deus sabe como consegui enfiar dentro de casa) foi mesmo uma péssima idéia. Não. Usar aquela escada centenária para isso é que foi a escolha errada. Ou melhor, inventar a brincadeira toda depois de três copos de uísque foi merecedor do Nobel da Estupidez. E eu que achava que não era praticante de esportes radicais... As conseqüências da aventura foram um ombro deslocado e o rompimento dos ligamentos do tornozelo esquerdo. Sem mencionar o Monte Everest que nasceu na minha cabeça. Nem a Marininha nem eu conseguimos explicar ao médico como esse desastre pôde acontecer na sala de um apartamento. As duas estavam bêbadas demais para lembrar de alguns detalhes, como por exemplo o que eu fazia com aquele sino no hospital. “Que sino?”. “Esse aí na sua mão”. Por algum motivo eu estava levando o sino que iria pendurar na árvore para a sala de raio X.&lt;br /&gt;Pior que o gesso e a tipóia foi ter que passar quatro semanas sem meu namorado. Foi a primeira vez que ficamos tanto tempo sem nos ver. E o primeiro Natal separados desde que nos conhecemos. Mas eu não sou tão amarga a ponto de ignorar o lado bom das coisas. Finalmente não precisei almoçar com aquela família maluca! Tio tarado, tias fofoqueiras, primas esnobes e o pior tradicional-bolo-natalino-de-nozes do mundo. Feito por quem? Pela minha sogra, claro! “Aceita um pedaço de bolo, querida?”. “Não, obrigada. Eu estou de dieta e...”. “Ah, você não vai fazer essa desfeita pra sogrinha, vai? Hoje é Natal!”  “É que eu...”. “Pega! Tá delicioso”. E lá vou eu empurrar aquela gororoba com dois copos de Coca-Cola. O clássico diálogo só seria diferente dessa vez por um detalhe. Ela seguramente ofereceria 50 reais para eu comer o bolo. Com certeza ela ainda não esqueceu o &lt;a href="http://baldedegelo.blogspot.com/2002_07_01_baldedegelo_archive.html#78550735"&gt;bilhete&lt;/a&gt; que encontrou em casa quando... ARRRGH! Eu não gosto nem de lembrar. &lt;br /&gt;Meu namorado voltou de Porto Alegre no dia 30. Animadíssimo. Nem se importou de passar o réveillon assistindo à trilogia O Poderoso Chefão na cama comigo. Fechou um ótimo contrato com O SENHOR Darcy e aparentemente passou o resto do tempo comendo - engordou cinco quilos, todos na região abdominal. Ele voltou da viagem viciado em churrasco. Com o pretexto de comemorar a assinatura do contrato (ou qualquer outra coisa, como o bom comportamento do Poodle em um final de semana), já nos tornamos assíduos freqüentadores das churrascarias paulistanas. Ontem mesmo ele quis almoçar em um rodízio perto de casa mas eu joguei a toalha. Pra mim, chega. Já comi tanto que há quatro dias não consigo sentir o cheiro de comida sem enjoar. &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3573902-87716280?l=baldedegelo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default/87716280'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default/87716280'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baldedegelo.blogspot.com/2003_01_01_archive.html#87716280' title=''/><author><name>Ela</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='16547142969138479761'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3573902.post-86476132</id><published>2002-12-24T03:48:00.000-08:00</published><updated>2002-12-27T02:32:10.000-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Quatro dias em Porto Alegre, dormindo num hotel horrível e lidando com o Darcy durante o dia todo. Agüentar o Darcy não é fácil. Anel de ouro no mindinho, camisas e gravatas em tons pastéis, cabelo empapado em gel. E fala com a gente e vai chegando perto. Você dá um passo para trás, ele avança, parece que está dançando. Com a proximidade excessiva, o cheiro do perfume barato que usa, misturado com o dos cravos que mastiga sem parar, faz-se mais evidente. Não é fácil, o Darcy. Mas pelo menos fico um pouco longe da balbúrdia em que se tornou nosso apartamento agora que minha namorada enfiou na cabeça que vai ser decoradora. Ainda descubro quem foi que deu essa idéia a ela. Meu Deus, a mania de limpeza era bem melhor! Tudo bem, tudo bem. Ao menos por esses dias estou livre das loucuras dela. O único problema é essa cidade toda decorada para o Natal. Odeio Natal. Tenho ganas de estapear todo Papai Noel que cruza meu caminho,  de sair arrancando e pisoteando aqueles enfeites que as pessoas penduram na fachada das casas. Fico me imaginando andando pelas ruas com uma tocha na mão, queimando guirlandas, renas, papais-noéis. Seria lindo... Mas não posso fazer nada disso, então vou me contendo. &lt;br /&gt;E nem tenho muito tempo para pensar nessas coisas. Negociar o contrato com o Darcy tem sido uma pedreira. Uma hora ele quer descontos absurdos, outra hora quer parcelamentos impraticáveis, depois quer prazos de entrega inadmissíveis. Aos poucos, no entanto, vamos avançando. Eu achava que ia resolver tudo em um dia, no máximo dois, e ter dois dias para conhecer a cidade, mas acho que não vai dar: Os dois primeiros dias foram de expediente até tarde, negociações intermináveis, telefonemas de um e de outro lado, um inferno. Terminado o expediente (lá pelas nove ou dez da noite), só tenho mesmo vontade de voltar para o hotel e tentar dormir. Sim, tentar, porque o lugar parece mal-assombrado. Lembra um pouco o Overlook Hotel, d'&lt;i&gt;O Iluminado&lt;/i&gt;. Não, mentira. Eu que não gosto de hotéis. Um medo besta, porém real. Entro no quarto fazendo barulho e acendendo todas as luzes. Sei o quanto isso é ridículo, e jamais faria o mesmo se estivesse com alguém. Sozinho, porém, é melhor garantir que todos os fantasmas tenham tempo de se esconder quando eu chego. Tenho raiva de mim mesmo por agir assim, mas não consigo evitar. Num hotel, qualquer coisinha me assusta. Hoje mesmo: Estava entrando no quarto depois de um dia cansativo, quando o celular vibrou no meu bolso. Meu coração, que eu vinha conseguindo manter num ritmo razoável de bossa-nova, começou um batuque de escola de samba. Ainda bem que o hemisfério esquerdo do cérebro acordou a tempo e mandou o direito calar a boca, se não eu ia gritar ou fazer qualquer outra bobagem. Calma. É só o telefone.&lt;br /&gt;– Alô?&lt;br /&gt;– Oi, sou eu. Que foi, tava correndo?&lt;br /&gt;– Correndo, eu? Não.&lt;br /&gt;– E por que está respirando assim?&lt;br /&gt;– Assim como?&lt;br /&gt;– Desse jeito, oras. Ofegante.&lt;br /&gt;– Ah. Me assustei com o telefone, acho.&lt;br /&gt;– Com o telefone? Eu, hein...&lt;br /&gt;– Como estão as coisas aí?&lt;br /&gt;– Ah, uma maravilha! Minha mãe esteve aqui. Falamos sobre decoração. Ah, estou tão empolgada com isso! A Marininha me disse... &lt;i&gt;(horas de fala ininterrupta)&lt;/i&gt; ... E agora tem o Natal e...&lt;br /&gt;– Como?&lt;br /&gt;– Hein?&lt;br /&gt;– Que que tem o Natal?&lt;br /&gt;– Ah. As lojas estão cheias. Fica difícil de achar as coisas e tal.&lt;br /&gt;– Ah, sim. Por um momento achei que você estivesse pensando em decoração de Natal ou alguma coisa assim.&lt;br /&gt;– Eu? Claro que não!&lt;br /&gt;– Ah, que bom.&lt;br /&gt;– Trabalhando muito?&lt;br /&gt;– Demais. Acabei de chegar ao hotel, aliás. Estava trabalhando até agora.&lt;br /&gt;– Puxa, até essa hora... Essa tal de Darcy não deve ser mole, hein?&lt;br /&gt;– &lt;i&gt;Esse tal&lt;/i&gt; de Darcy, menina.&lt;br /&gt;– O Darcy é homem? Ah.&lt;br /&gt;– Por que o alívio?&lt;br /&gt;– Alívio? Alívio nenhum. Só achei que fosse mulher e...&lt;br /&gt;– ... E ficou com ciúme. Certo?&lt;br /&gt;– Hum. Um pouquinho.&lt;br /&gt;– Como você é boba. Mesmo que fosse mulher, não teríamos tempo para nada. Estamos trabalhando demais para isso.&lt;br /&gt;– Tá bom então. Vou deixar você descansar.&lt;br /&gt;– Estou com saudade...&lt;br /&gt;– Eu também. Por falar nisso, comprei um conjuntinho igual aquele que a&lt;br /&gt;Dona Maria Eugênia usou no dia do desfile...&lt;br /&gt;– Ah, é? Que bom, podemos usar ao mesmo tempo! Será que eu fico bem de calcinha?&lt;br /&gt;– Bobão. &lt;i&gt;Modelo&lt;/i&gt; igual, não o tamanho. Vai dormir, vai.&lt;br /&gt;– Vou sim. Com o Darcy.&lt;br /&gt;– ARGH! Tchau!&lt;br /&gt;– Beijo, querida.&lt;br /&gt;– Outro.&lt;br /&gt;Ciúme do Darcy. Era o que me faltava. Mas o telefonema me fez relaxar e até consegui esquecer um pouco que estava em território hostil (um hotel! Meu DEUS!). Ela me faz muito bem, às vezes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3573902-86476132?l=baldedegelo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default/86476132'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default/86476132'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baldedegelo.blogspot.com/2002_12_01_archive.html#86476132' title=''/><author><name>Marco Aurélio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06478648231743512001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06618507210306713792'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3573902.post-86123129</id><published>2002-12-16T11:12:00.000-08:00</published><updated>2002-12-16T11:12:15.726-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Eu sou a decoradora mais talentosa de São Paulo. Não, do país. Os arranjos que eu montei para o desfile ficaram... como posso dizer sem parecer pretensiosa... DESLUMBRANTES!! Minha mãe garante que nunca tinha visto criações tão modernas. Meu namorado disse com todas as letras que eu levo jeito. A Marininha ficou espantada com a maneira "harmoniosa com que os laços interagem com as flores" (ela está numa fase esotérica este mês). Até a Dona Lili, tão perua que carrega na bolsa um par extra de cílios postiços, elogiou. "Nuooossa, que luuuxo!". O único que parece não ter gostado muito é o Gato, que olha de longe com certo receio. Justo ele que é tão curioso... Mas não importa, o que gatos entendem de decoração? Quem ainda não viu minhas obras-primas foi o Poodle. Levei a bolota inconveniente para passar o final de semana na casa da minha mãe - era ele ou o desfile - e o bastardo destruiu dois dos pares de sapatos preferidos dela. Conclusão: de lá ele foi direto para o hotel de animais para refletir sobre o ato de vandalismo que cometeu.&lt;br /&gt;A decoração do desfile foi um arraso (eu não me canso de repetir isso...), mas o toque de Midas ficou para o momento em que deixei meu namorado cuidar da trilha sonora. Sim, a produção musical ficou digna de um DJ profissional, mas nada supera a cena que eu presenciei naqueles mágicos instantes em que Dona Eugênia abriu o desfile. Toda a graça e o charme de uma senhora pesando cento e vinte quilos dentro de um espartilho e meu namorado atrás de um biombo, pescoço esticado para matar a curiosidade sobre o que se passava, boca entreaberta e olhos completamente esbugalhados. A perfeita expressão do espanto. Eu daria um ano da minha vida para ver aquela cena de novo. Pensando bem, isso não seria necessário. Eu tenho a cena registrada na&lt;br /&gt;memória com a precisão de uma TV digital. Claro que eu passei a noite do sábado e todo o domingo tendo ataques repentinos de riso. Era impossível resistir. Não que eu fizesse muito esforço para evitá-los...&lt;br /&gt;Com a ausência do meu namorado e do Poodle nesses quatro dias eu vou aproveitar para montar nossa árvore de Natal. Ele diz que não gosta de "bobagens natalinas" mas vai mudar de idéia quando voltar dessa viagem. Hoje mesmo eu vi um pinheirinho que vai cair como uma luva no canto da sala. Minha irmã disse que conhece uma loja ótima de enfeites de Natal e vai comigo comprar os adereços. Vou providenciar também uma guirlanda personalizada para a nossa porta. Meu namorado vai ficar admirado com a minha... espera aí. Viagem de negócios, assim, tão de repente?? Besteira minha, isso já aconteceu antes. Ele até disse o nome do cliente que foi visitar. Como é mesmo? Ah, Darcy. O Darcy ou A Darcy?!? Droga! Aquela vidente maluca me paga.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3573902-86123129?l=baldedegelo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default/86123129'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default/86123129'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baldedegelo.blogspot.com/2002_12_01_archive.html#86123129' title=''/><author><name>Ela</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='16547142969138479761'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3573902.post-85739521</id><published>2002-12-09T11:12:00.000-08:00</published><updated>2002-12-09T17:37:34.000-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Minha vida é engraçada. Haha. Deve ser muito legal de se assistir. Mas queria ver quem é que tinha coragem de entrar na minha pele por um dia. O último fim-de-semana, por exemplo. As novidades começaram já no fim da tarde de sexta-feira, quando me preparava para entrar mais uma vez no antro de assepsia em que se tornara o apartamento, e em vez disso me deparei com uma balbúrdia de flores, fitas, folhagens, papel crepom, e minha namorada no meio de tudo isso, feliz da vida.&lt;br /&gt;– Oi. Que aconteceu aqui? Cadê aquela limpeza toda?&lt;br /&gt;– Ah, não. Já vai começar a reclamar?&lt;br /&gt;– Não, não tô reclamando! Só comentando. O que aconteceu aqui?&lt;br /&gt;– Vai ter um desfile. Coisa da minha mãe. Só que com aquele negócio todo da reforma não vai poder ser na casa dela. Então resolvemos fazer aqui. Tudo bem?&lt;br /&gt;Um desfile. Um bando de mulheres falando alto, rindo, fofocando, ocupando a sala por horas. Tenho trauma das reuniões de &lt;i&gt;Tupperware&lt;/i&gt; que minha mãe fazia em casa, acho que nunca vou me recuperar. E agora minha namorada vinha me dizer que teríamos um &lt;i&gt;revival&lt;/i&gt; do inferno em minha própria casa. Que beleza! Mas como aparentemente isso tinha feito bem a ela, dei a única resposta possível:&lt;br /&gt;– Tudo bem, claro.&lt;br /&gt;– Você é um amor. Olha isso aqui.&lt;br /&gt;Entregou-me uma maçaroca de fitas e fitilhos. Comecei a procurar as pontas.&lt;br /&gt;– O que você está fazendo?&lt;br /&gt;– Tentando desembaraçar, oras. Você não quer ajuda?&lt;br /&gt;– Desembaraçar o quê??? Isso aí é um LAÇO!&lt;br /&gt;– Ah, claro. Um laço arrojado.&lt;br /&gt;– Não tem nada de arrojado. É um laço.&lt;br /&gt;– É. É um laço. Puxa, você leva jeito.&lt;br /&gt;– Então você gostou?&lt;br /&gt;– Claro! Muito bonito! – Há ocasiões em que a verdade deve ser suprimida em favor da harmonia doméstica.&lt;br /&gt;– Que bom. Vou fazer todos seguindo esse modelo então.&lt;br /&gt;– Legal. Mas... Hum. E esse desfile, hein?&lt;br /&gt;– Já falei, é coisa da minha mãe. Um negócio de lingeries que ela está começando agora.&lt;br /&gt;– Lingeries, é?&lt;br /&gt;– É. Lingeries. Que cara é essa?&lt;br /&gt;– Cara? Que cara?&lt;br /&gt;– Você pensa que me engana, é? Tá achando que vai assistir o desfile? Pois pode ir tirando o cavalinho da chuva. Marca alguma coisa com o Jair, por mim vocês podem ir até para um bordel. Só não vai ficar aqui.&lt;br /&gt;– Ok, tudo bem. &lt;br /&gt;– É bom mesmo.&lt;br /&gt;– Sua mãe já definiu a trilha sonora?&lt;br /&gt;– Trilha sonora...?&lt;br /&gt;– Sim, menina. Trilha sonora. Já viu desfile sem música?&lt;br /&gt;– Ah, isso aí a gente vê na hora. Ela traz uns discos, eu pego uns daqui...&lt;br /&gt;– Discos da sua mãe? Desfile ao som de Ray Connif e country dos anos 50?&lt;br /&gt;– ARGH!&lt;br /&gt;– Eu posso ficar responsável por isso aí.&lt;br /&gt;– ...&lt;br /&gt;– O que você acha?&lt;br /&gt;– Ok. Tudo bem. Mas se ficar empolgadinho com as meninas, vai ver o que é bom pra tosse.&lt;br /&gt;– Prometo me comportar.&lt;br /&gt;– Prometo tentar acreditar.&lt;br /&gt;Um desfile de lingeries na MINHA CASA! Era bom demais, meu Deus! E, puxa, será que a Marininha ia desfilar? Eu precisava ver a bunda da Marininha. Nada de canalhice, é que aquela cinturinha fina combinada com aquela bunda empinada, puxa, é um triunfo do design! Estimulado por tais pensamentos felizes, comecei imediatamente a escolher as músicas para a trilha sonora. Muito Marvin Gaye, Barry White e Solomon Burke, é claro. Lenny Kravitz, "Again" não podia faltar numa dessa. Trios instrumentais de bossa nova. Uma ou outra coisa de Be-bop. Modéstia à parte, uma bela trilha para o que prometia ser um belo desfile.&lt;br /&gt;No dia seguinte, recebi minha sogra com honras de chefe de Estado. Ela estranhou minha presença, mas foi tranqüilizada pela filha, que explicou meu papel importantíssimo no desfile. Até que colou, mas por via das dúvidas ela achou melhor que eu ficasse atrás de um biombo improvisado com uns panos que ela tinha trazido. Sem problemas, tudo pela causa.&lt;br /&gt;E começaram a chegar as convidadas. Primeiro as amigas da minha sogra: Dona Zefa, pernambucana de uns 50 anos que ainda dá um caldo, Dona Maria Eugênia, que quase não passa na porta, Dona Aracy, simpaticíssima, e várias outras donas de cujos nomes não me lembro. Vieram também as vizinhas de sempre e as amigas da minha namorada, entre elas a tão esperada Marininha. Foram todas para o quarto para as fofocas e os preparativos, enquanto eu aproveitava que estava de joelhos arrumando os fios para agradecer a Deus por tamanha oportunidade. Agradeci cedo demais...&lt;br /&gt;Depois de um tempo que pareceu uma eternidade, minha sogra veio lá de dentro. Botei a gravação de "Wave" do Tamba Trio para tocar e ela começou a apresentação. Enquanto ela falava, eu aproveitava para ajeitar aqueles fios todos, então não prestei muita atenção no discurso inicial. Quando ela disse "Vamos começar, então", botei pra tocar "Legal Man", do Belle &amp; Sebastian e ela anunciou:&lt;br /&gt;– Na passarela, Maria Eugênia!&lt;br /&gt;E eu pensava:&lt;br /&gt;– Maria Eugênia. Hum. Uma xará. Só pode ser. Meu Deus, que seja uma homônima. NÃO!&lt;br /&gt;Não era. Dona Maria Eugênia toda sorridente com os peitos enormes apertados num espartilho branco. Quando ela fez a volta no fim da passarela e veio na direção do meu biombo, me senti como o iceberg vendo o Titanic se aproximar. Como diria Drummond, nunca me esquecerei desse acontecimento na vida de minhas retinas tão fatigadas.&lt;br /&gt;E assim foi minha tarde de sábado, trocando CDs e vendo aquelas senhoras desfilando apenas com suas roupas de baixo na maior naturalidade. Quando Dona Zefa entrou na passarela num conjunto vermelho, fiquei até feliz. Primeiro porque já era o fim do desfile, e depois porque Dona Zefa dá MESMO um caldo. Pelo menos se comparada às outras &lt;i&gt;top models&lt;/i&gt; do Baile da Saudade. E quando todas se preparavam para ir embora (já vestidas, graças a Deus), ela ainda veio elogiar a trilha sonora do desfile e fiquei de copiar uns CDs do Belle &amp; Sebastian para ela. Ah, com esse charme todo eu só queria ter nascido uns trinta anos antes.&lt;br /&gt;É claro que depois que todas foram embora tive que suportar os ataques de riso e a chacota de minha querida namorada. E nem vi a bunda da Marininha...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3573902-85739521?l=baldedegelo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default/85739521'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default/85739521'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baldedegelo.blogspot.com/2002_12_01_archive.html#85739521' title=''/><author><name>Marco Aurélio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06478648231743512001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06618507210306713792'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3573902.post-85462166</id><published>2002-12-03T19:39:00.000-08:00</published><updated>2002-12-03T19:39:03.700-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>GENIAL!!! Como eu não tinha pensado nisso antes?? Onde eu estava com a cabeça quando entrei no ramo da informática, meu Deus? Eu só vou sentar à frente de um computador a partir de hoje para jogar Paciência. A dica veio da minha mãe durante um almoço no shopping. Passamos um dia maravilhoso juntas. Entre uma folha de alface e outra (ela faz regime rigoroso nos dias pares e come de tudo nos dias ímpares), sugeriu que eu vendesse “coisas”. “Que tipo de coisas, mãe?”. “Sei lá. Lingeries, por exemplo”. ARGH. Quando pedi o cafezinho ao garçom, fez-se a luz. Cestas de café da manhã! E por que não? Impossível não aprender a montar cestas de café da manhã. E para acompanhar as guloseimas, lindos arranjos de flores. Tudo feito por mim, a mais caprichosa das criaturas. Depois que voltamos de viagem, tenho feito faxinas diárias para passar o tempo. Meu namorado está adorando. Todo dia ele faz um comentário sobre a limpeza do apartamento. Com meu novo trabalho ele vai sentir falta delas. Mas acho que ainda não vou contar sobre meu novo projeto. É isso. Ele só vai saber quando estiver tudo certo.&lt;br /&gt;Conhecer os amigos que ele tira do fundo do baú para tentar me ajudar tem sido uma experiência fascinante. Outro dia fui a um estúdio de gravação de um antigo colega de escola dele. “Rápido! Você tá meia hora atrasada!” Só tive chance de dizer meu nome quando já estava na saleta de gravação, com os fones no ouvido e o cavaquinho nas mãos. A vaga tinha sido preenchida por uma loira peituda e ele achou que eu fosse integrante de um grupo chamado Assanhadas do Samba (bem que meu namorado avisou que aquela saia estava curta demais...).&lt;br /&gt;Do restaurante mesmo liguei para a Marininha para contar a novidade. Ela adorou a idéia e até se ofereceu para ajudar a montar as primeiras cestas. Disse que tem experiência no assunto porque já recebeu mais de vinte só esse ano. “Eles gostam de agradecer pelas noites inesquecíveis com essas cestas. São todos iguais.” Quem diria que a competência sexual da Marininha seria útil na minha vida profissional?... Á tarde minha mãe e eu fomos conhecer dona Zuza, uma vidente-manicure que minha tia costuma visitar antes de tomar qualquer atitude. E a cada quinze dias para fazer pé e mão. Parece que a mulher é boa mesmo. Segundo ela – e os búzios, claro – muitas mudanças estão prestes a transformar radicalmente minha rotina. “Dá pra ver aí se é pra melhor ou pra pior, dona Ziza?”. “Zuza. Bom, não dá pra saber com certeza... mas aqui tá dizendo pra tu ficar de olho no teu homem. Fica atenta, minha filha...”. A princípio aquilo me deixou preocupada mas minha mãe fez um comentário sensato que me acalmou: trata-se de um aviso-padrão. E quanto à mudança, só pode ser para melhor. Ela deve estar certa. Confio demais no meu namorado e não vai ser um conselho genérico que vai mudar isso. E a idéia das cestas não pode dar errado. &lt;br /&gt;No final do dia minha mãe pediu um “pequeno favorzinho”. A reunião previamente marcada para desfile de lingeries na casa dela será no próximo sábado mas com a sala em reforma... Só aí fui perceber que a sugestão da hora do almoço não era uma piada. Depois do dia delicioso, não pude negar. E eu ainda vou poder treinar meu novo ofício criando arranjos de flores para decorar o apartamento. Afinal, será um desfile de moda! Minha mãe tem cada uma... &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3573902-85462166?l=baldedegelo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default/85462166'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default/85462166'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baldedegelo.blogspot.com/2002_12_01_archive.html#85462166' title=''/><author><name>Ela</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='16547142969138479761'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3573902.post-85161566</id><published>2002-11-27T06:19:00.000-08:00</published><updated>2002-11-27T06:19:31.280-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Fotos! Muitas fotos! Gastei seis filmes e ainda achei pouco. Tenho que pedir ao Jair para digitalizar tudo, e ver se é possível fazer uma animação com uma seqüência de fotos da minha namorada descendo uma duna correndo e acabando de cara no chão. Vai ficar muito engraçado!&lt;br /&gt;Nem eu sabia o quanto estava precisando dessas férias. Uma pena ter acabado, mas foi bom demais. Estou até mais animado para voltar à rotina de me equilibrar entre clientes e fornecedores de oito a dez horas por dia. Sou um novo homem, por mais gay que isto pareça.&lt;br /&gt;Foi tudo perfeito. Minha namorada estava meio quieta, retraída, mas compreendo isso. Mesmo passando por lugares que fazem a gente quase esquecer da vida, deve ter sido difícil para ela deixar de pensar na situação em que se encontra, sem emprego. Fora a raiva que ambos sentimos do ex-chefe dela, aquele crápula. Mas isso é passado, e sei que estará totalmente superado em pouco tempo. E sei também que a viagem fez muito bem a ela: Estava muito feliz quando chegamos a São Paulo, muito animada. Bendita hora em que eu tive a idéia dessa viagem! É tudo lindo demais: Itacaré, Ilhéus, Arraial D'Ajuda, Trancoso, Itaúnas, Guarapari, Piúma, Búzios, Cabo Frio, Rio de Janeiro, Angra dos Reis, Paraty, Trindade, meu Deus! Cada lugar que eu via era uma surpresa maior. Em Trancoso, por exemplo, quando chegamos ao mirante que fica atrás da igreja, fiquei boquiaberto com a paisagem.&lt;br /&gt;– Isso aqui é muito bonito! Olha esse mar! Esse céu! Olha que areia branquinha! Não dá vontade de morar num lugar assim?&lt;br /&gt;– Ahã.&lt;br /&gt;– Podíamos nos mudar mesmo. Largar aquela loucura toda e vir pra cá.&lt;br /&gt;– É.&lt;br /&gt;– Que cê tem? &lt;br /&gt;– Nada.&lt;br /&gt;– Tá tão quieta, desanimada. Preocupada com emprego, essas coisas?&lt;br /&gt;– Não. Não é nada.&lt;br /&gt;– Ah, que bom! Hum... Você tá passando protetor solar? Seu ombro está vermelho.&lt;br /&gt;– Estou sim.&lt;br /&gt;– Ah, então tá bom.&lt;br /&gt;Estranho, porque dois dias depois ela mal conseguia dormir, de tão queimada. Mas comprei um protetor fator 50, um creme para aliviar as queimaduras e ficou tudo bem. Ela ainda teve uma dor de barriga dias depois, por causa de uma moqueca capixaba. Fora isso, tudo transcorreu na maior normalidade. Normalidade? O que eu estou dizendo? Foi excepcional, maravilhoso, único!&lt;br /&gt;Enfim, foi bom mas acabou. Agora é esperar um ano para talvez repetir a dose. Nem penso nisso, no entanto: Minha preocupação é com minha namorada. Ela vive lendo os classificados dos jornais, procura na Internet, envia dezenas de currículos. Algumas empresas chamam para uma entrevista, prometem ligar e não ligam. Às vezes chego em casa e ela está no sofá, o olhar fixo no telefone. Eu tento ajudar, acho que todas as pessoas que conheço já têm o currículo dela em mãos. Mas está difícil. E isso começa a afetar nossa vida. Ela agora resolveu desenvolver uma mania de limpeza. Dia desses cheguei e quase fiquei cego com o brilho do balde de gelo sobre a mesa. O poodle vive pelos cantos, ressabiado por causa dos banhos constantes. Ontem mesmo o gato estava correndo pela sala, num daqueles inexplicáveis surtos de atividade que os gatos têm. Tentou parar antes de chegar à parede, mas saiu patinando e foi bater com a cabeça na porta. Pobre gato. E eu também vivo escorregando nesse piso ultraencerado. &lt;br /&gt;Sugeri que procurasse trabalho em outra área, porque esse negócio de informática é muito estressante, mas ela não mostrou grande interesse. Falei com um amigo meu, dono de um estúdio de gravação, e ele disse que talvez tivesse uma vaga por lá. Ela não se animou muito, mas vai ver do que se trata. Espero que dê em alguma coisa, não suporto mais esse apartamento brilhando desse jeito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3573902-85161566?l=baldedegelo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default/85161566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default/85161566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baldedegelo.blogspot.com/2002_11_01_archive.html#85161566' title=''/><author><name>Marco Aurélio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06478648231743512001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06618507210306713792'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3573902.post-84399733</id><published>2002-11-11T20:14:00.000-08:00</published><updated>2002-11-12T06:23:47.000-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Areia branca, escura, fofa, grossa, fina.&lt;br /&gt;Mar tranqüilo, agitado, verde, azul, marrom.&lt;br /&gt;Pedras escorregadias, cachoeiras geladas e pássaros barulhentos. Às seis da manhã!! &lt;br /&gt;E os siris, mencionei? Monstros das praias baianas!! Bastava uma distraída e eles surgiam do nada, com aqueles assustadores olhos negros e garras afiadas. &lt;br /&gt;Ah, os insetos... De cores e tamanhos variados. Por toda parte.&lt;br /&gt;No primero dia de praia decidi eliminar o problema número um: pele branco-noruega. Protetor solar fator 15 contrariando a recomendação da Dra. Teresa, que indicou o 30 para evitar o câncer de pele. O branco-noruega venceu o sol. No segundo dia troquei o Sundown 15 pelo 8. O branco agora era italiano. Eu já não parecia um boneco de gesso mas ainda me sentia um peixe fora d’água. Terceiro dia e que se dane o câncer de pele! Bronzeador fator 4, cinco horas ininterruptas de sol e uma noite em claro, sem possibilidade alguma de encostar as costas ou a barriga no colchão. No dia seguinte fiz meu namorado ir à farmácia logo cedo para comprar um super-hiper-megaprotetor solar fator 50. Quatro dias depois o ciclo recomeçou e se repetiu algumas vezes. O lado bom é que quando toda essa pele terminar de descolar do meu corpo eu terei perdido uns dois quilos. Dois dos seis quilos que eu adquiri durante a viagem. Nada mau para quem, em apenas um mês, bebeu aproximadamente cinqüenta litros de cerveja e tomou o eqüivalente à produção sementral da Kibon no Brasil. Que sol é aquele?! Os termômetros diziam que a temperatura oscilava entre 30 e 35 graus mas só eu sei que, na verdade, estávamos à beira do ponto de ebulição da água. Mas eu fui guerreira e resisti bravamente, fritando ao sol e virando de meia em meia hora para queimar por igual.&lt;br /&gt;Na segunda semana da viagem acordei sentindo a garganta arranhando. Ficar doente definitivamente não estava nos meus planos. Comprei um antiinflamatório qualquer e decidi que quatro comprimidos por dia evitariam chateações futuras. Impedi a inflamação e ainda descobri que tenho alergia a um dos componentes do remédio. Passei um dia inteiro com os olhos inchados provocados pela reação alérgica.&lt;br /&gt;Sobrevivi ao litoral sul da Bahia e na terceira semana estávamos no Espírito Santo. Durante um almoço na praia troquei a cerveja por um suco de melão. Só pode ter sido ele!! Gastei dois rolos de papel higiênico naquela noite. &lt;br /&gt;Na quarta semana eu já achava que estávamos andando em círculos e voltando sempre à mesma praia. Toda aquela areia e mar e coqueiros tiraram minha capacidade de distingüir Praia Brava de Praia Preta de Praia do Norte e assim por diante. Sem falar em Cururupe, Curuípe, Taípe e outras do gênero. &lt;br /&gt;Meu cabelo odiou a viagem desde o primeiro dia e não fez questão alguma de esconder a revolta. Meu visual provocava gargalhadas no meu namorado que, depois de recuperar o fôlego, dizia “não está tão ruim assim...”.  &lt;br /&gt;Ou seja, quatro semanas de muita diversão, prazer e descontração. Tudo devidamente documentado nas 242 fotos que meu namorado tirou, incluindo a seqüência em que uma louca desce correndo uma duna de 30 metros e acaba com a cara enterrada na areia. Eu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3573902-84399733?l=baldedegelo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default/84399733'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default/84399733'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baldedegelo.blogspot.com/2002_11_01_archive.html#84399733' title=''/><author><name>Ela</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='16547142969138479761'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3573902.post-82579436</id><published>2002-10-05T20:27:00.000-07:00</published><updated>2002-10-05T21:16:49.000-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>-- Eu sou uma IDIOTA!&lt;br /&gt;Foi o que ela disse quando eu perguntei por que estava chorando. E me contou o que acontecera. Depois que ela terminou, minha vontade era ir até aquele escritório e sair quebrando todos aqueles equipamentos que ela sempre disse que eram caríssimos, roteadores e não sei mais o quê. E então entraria na sala daquele boçal e o faria comer uns bons pedaços de carpete enquanto chutava sua bunda gorda. Todos os funcionários me ajudariam na malhação do judas, e depois o enforcaríamos na... Mas minha namorada precisava da minha atenção, não podia me perder nessas divagações. Fui pegar um copo d'água para ela, que estava arrasada. Apesar do salário não ser grande coisa, ela gostava daquele emprego. Meses atrás, no entanto, houvera uma mudança na diretoria. Na época ela disse que não tinha ido com a cara do novo presidente. E agora sabíamos porquê.&lt;br /&gt;Meu salário seria suficiente para manter o apartamento por algum tempo, se cortássemos alguns luxos, como TV a cabo e internet rápida. Mas não adiantaria falar nada disso para ela: Estava deprimida, preocupada, com medo. Ficar racionalizando a situação só pioraria tudo. Então, em vez de racionalizar, peguei o quadro de camurça onde botamos nossas fotos, um mapa grande do Brasil e meu jogo de dardos. Dependurei o quadro com o mapa na parede e entreguei os dardos na mão dela, que me olhava como se eu tivesse ficado maluco.&lt;br /&gt;-- Era melhor você colocar aí uma foto daquele... daquele...&lt;br /&gt;E lá ia ela chorar de novo. Meu Deus.&lt;br /&gt;-- Nada disso. Você vai jogar os dardos para escohermos o destino da nossa viagem.&lt;br /&gt;-- Que viagem?&lt;br /&gt;-- Ué, estou de férias, você está desempregada. Somos dois vagabundos. Vamos viajar.&lt;br /&gt;-- Mas... Mas...&lt;br /&gt;-- Vai, menina, joga esse negócio. Vi isso num filme uma vez, sempre quis fazer. A gente vai para onde ele cair, não importa onde seja.  Que tal?&lt;br /&gt;Isso a fez ficar mais animada: Ajeitou-se no sofá, fez pontaria e jogou. Fui olhar onde o dardo havia caído.&lt;br /&gt;-- Pois muito bem, vá se preparando, porque nós vamos partir para... Deixa eu ver... Hum. Osasco.&lt;br /&gt;Ela pôs o rosto entre as mãos e começou a rir. Bom sinal.&lt;br /&gt;-- Acho que é melhor eu tentar de novo, né?&lt;br /&gt;-- Por favor!&lt;br /&gt;Ela jogou o segundo, mas ainda estava no meio da crise de riso, então o dardo bateu na moldura do quadro e caiu no chão, o que a fez rir ainda mais. Depois de uns minutos rindo, conseguiu controlar-se e jogou o terceiro dardo, que caiu perto de Assunção, no Paraguai.&lt;br /&gt;-- Esse não valeu. Não temos dinheiro para uma viagem internacional.&lt;br /&gt;Piadinha besta, ela não riu. Jogou outro dardo, que fincou-se no acento circunflexo do Oceano Atlântico. Vi o desânimo voltar ao rosto dela.&lt;br /&gt;-- Eu sou uma burra, tá vendo? Nem pra isso eu sirvo. Nem pra acertar um lugar decente num mapa. DROGA!&lt;br /&gt;Jogou o último dardo com raiva. Quase derrubou o quadro da parede quando atingiu o mapa. Desconsolado com o fracasso de uma idéia que parecera tão boa, fui recolher minha tralha e não acreditei no que estava vendo.&lt;br /&gt;-- Até que você não é tão burra assim, sabia?&lt;br /&gt;-- Hein?&lt;br /&gt;-- Arruma as malas. Vamos para a Bahia. Ilhéus.&lt;br /&gt;-- MENTIRA!&lt;br /&gt;-- Pode olhar.&lt;br /&gt;Não digo que ela tenha ficado radiante na hora. Ainda estava sob o impacto de tudo o que acontecera. Mas quando sugeri que fôssemos de carro, sem pressa, parando onde nos aprouvesse, ela quase me sufocou com tantos beijos e abraços. Aquela foi uma noite memorável. Amo essa mulher.&lt;br /&gt;Dois dias depois, já com o Poodle e o Gato hospedados num hotel para animais (com uma diária quase tão cara quanto a da pousada em Ilhéus), as malas prontas e o carro revisado, pegamos a estrada. Quando entramos na Dutra, o rádio começou a tocar Tim Maia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Ora bolas, não me amole&lt;br /&gt;com esse papo de emprego&lt;br /&gt;Não está vendo? Não estou nessa&lt;br /&gt;O que eu quero? Sossego.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um bom sinal..&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3573902-82579436?l=baldedegelo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default/82579436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default/82579436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baldedegelo.blogspot.com/2002_10_01_archive.html#82579436' title=''/><author><name>Marco Aurélio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06478648231743512001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06618507210306713792'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3573902.post-82448746</id><published>2002-10-02T20:11:00.000-07:00</published><updated>2002-10-05T18:56:54.000-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Eu não sou uma pessoa agressiva. Sou contra qualquer forma de violência, com exceção de palavrões e gestos obscenos no trânsito, que são perfeitamente aceitáveis. Tirando aquele tapa que dei na cara do meu ex-namorado, mesmo porque o cretino revidou e a minha agressão foi automaticamente anulada, eu nunca bati em ninguém. Agüentei calada todas as brincadeiras a respeito da minha “corajosa” performance na festa do Jair. Ignorei as cantadas inofensivas dos mais atrevidos. E para minha surpresa, até ri quando voltei do almoço e encontrei cotonetes sobre o teclado do meu computador. Tudo em nome do bem-estar social naquele escritório. E do meu salário no final do mês, claro. Mas nada, NADA, vale mais que o meu orgulho. Ok, meu pai deu uma força na minha contratação por ser amigo do vice-presidente da empresa, mas eu sou competente e mereci cada centavo que recebi nos últimos anos. Quando a secretária do presidente mandou me chamar, fiquei tranqüila. Tinha certeza que ele reclamaria do atraso, mas eu já tinha umas duas ou três desculpas convincentes escondidas na manga. Entrei na sala preparada para ouvir discursos sobre a pontualidade de funcionários exemplares e quase caí dura quando ele mencionou a promoção. Eu estava de olho naquela vaga havia meses. Ela era perfeita para mim e eu para ela. Amor à primeira vista. Só não esperava que fosse acontecer daquele jeito.&lt;br /&gt;“A senhora estava ótima naquele vídeo” – socorro!! - “Pena que não dá pra ver direito”. Eu podia sentir centenas de mariposas voando dentro do meu estômago. “Seria uma cena bastante interessante de se ver pessoalmente...” e começou a demonstrar sua dúvida sobre a pessoa certa para a vaga. A pele do meu rosto queimava. Devo ter ficado roxa de raiva. Ou beterraba, já que essa cor tem me perseguido ultimamente. “Prestenção (meu namorado fala sempre isso)! Eu nunca me humilharia por cargo algum. Ainda mais com um homem nojento como você. Escuta aqui, seu bastardo, um cotonete é mais atraente do que você!”. Nada disso saiu da minha boca, claro. Eu sou do tipo que fica nervosa e não completa uma frase sequer. Ao invés disso, derrubei o café quente que estava na mesa sobre o colo dele. “Oops”. Tão desastrada...&lt;br /&gt;Saí da sala dele direto para o Recursos Humanos. Pedi minha demissão e fui arrumar minhas coisas. Quando cheguei em casa a ficha caiu. Onde diabos eu estava com a cabeça?? Devia ter fingido que não entendi nada e mantido meu emprego. E agora, o que é que eu vou fazer da minha vida? Droga, meu liqüidificador interno está funcionando na velocidade máxima. Eu sou uma... uma... ARRRRGH!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3573902-82448746?l=baldedegelo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default/82448746'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default/82448746'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baldedegelo.blogspot.com/2002_10_01_archive.html#82448746' title=''/><author><name>Ela</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='16547142969138479761'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3573902.post-82325705</id><published>2002-09-30T12:17:00.000-07:00</published><updated>2002-10-02T04:25:36.000-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Depois da cena ridícula no apartamento e do strip-tease na festa, achei que nunca mais aquela roupa de bombeiro fosse me fazer passar vergonha. Bah! Maldito seja o Jair com seus brinquedinhos tecnológicos. Ele filmou a presepada toda com aquela camerazinha, depois fez um negócio lá pra passar o vídeo para o computador (minha namorada me explicou depois  como se faz isso, não guardei uma palavra) e mandou por e-mail para "algumas" pessoas. Essas cinqüenta ou sessenta pessoas repassaram o e-mail com o vídeo, e agora o mundo inteiro está vendo as peripécias do Bravo Bombeiro e sua Carismática Cotonete.&lt;br /&gt;Segundas-feiras já não são particularmente agradáveis. A segunda-feira depois da festa foi pior ainda, com o vídeo rodando todo o escritório e eu tendo que agüentar comentários engraçadinhos. É bonito de se ver o quanto acontecimentos assim são fatores de união entre as classes: Desde o diretor até o boy, ninguém foi privado do direito de rir da minha cara. Maravilha. A situação estava insuportável. Eu ia acabar voltando do almoço com uma metralhadora na mão e um sorriso iluminando o rosto. O resto estaria no plantão do Jornal Nacional, com aquela musiquinha de tragédia. Para evitar a catástrofe, inventei que tinha que visitar um cliente depois do almoço e fui embora.&lt;br /&gt;Chegando em casa, assisti mais uma vez ao &lt;i&gt;Entrando Numa Fria&lt;/i&gt;, aquele filme com Ben Stiller e Robert De Niro, para pelo menos ter o consolo de ver alguém passando por mais situações embaraçosas do que eu. Confesso que não consegui rir muito. O filme já estava no final quando ela chegou.&lt;br /&gt;-- Ué, veio mais cedo pra casa?&lt;br /&gt;-- É. Fugi do trabalho para não morrer.&lt;br /&gt;-- Ai meu Deus... Gripe de novo?&lt;br /&gt;-- Não. O vídeo. Você viu o vídeo?&lt;br /&gt;-- Não. Que vídeo?&lt;br /&gt;-- O desgraçado do Jair filmou nossa &lt;i&gt;performance&lt;/i&gt; na festa, passou para o computador e...&lt;br /&gt;-- Ah, eu vi isso. Ele filmou com a câmera digital e depois conectou o balangandã no estrogonofe, fazendo um vibrafone de moluscos em ré menor. -- Não foi nada disso que ela falou, mas algo igualmente sem sentido para mim -- Aí depois foi só mandar por e-mail.&lt;br /&gt;-- E você está aí, com essa cara tranqüila?&lt;br /&gt;-- Ué, pelo menos ninguém notou a cor do meu cabelo debaixo daquela peruca branca.&lt;br /&gt;-- ARGH! -- berrei, que também tenho esse direito.&lt;br /&gt;As mulheres têm uma forma estranha de encarar os fatos. Parece que tudo, no fim das contas, está relacionado à estética. Acho que se um dia seres extraterrestres resolverem fazer contato, a maior preocupação delas será com a escolha de roupas para a ocasião.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;-- Veja bem, querida: Esse deve ser o clímax da História, o ponto culminante de toda a Civilização. Finalmente podemos afirmar com absoluta certeza que não estamos sozinhos. É hora de questionarmos nosso papel no grande Drama Cósmico.&lt;br /&gt;-- Sei, sei... E o que você acha, vestido verde ou... Um pretinho básico?&lt;br /&gt;-- Pelo amor de Deus, será que você não percebe que o que está acontecendo é uma revolução em todos os sentidos?&lt;br /&gt;-- Revolução, é? Hum, então acho melhor usar algo mais ousado...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;É espantoso. Enquanto eu me descabelava pensando em tantas pessoas me vendo rebolando de cueca, ela se dava por satisfeita por não mostrar seus cabelos de beterraba. É como eu sempre digo, vá o diabo entender as mulheres.&lt;br /&gt;Na terça-feira, fui trabalhar com medo. Muito medo. Imaginava equipes de rádio e TV, repórteres de todos os jornais e revistas, fotógrafos, todos à caça da mais nova celebridade da internet, o Bombeiro Stripper. Representantes da TFP estariam protestando em frente ao prédio. Os bombeiros de verdade estariam lá também, com os brios da corporação feridos por aquela palhaçada, e dispostos a lavar sua honra. Ia ser um inferno. Preciso aprender um jeito de domar essa minha imaginação doente, porque quando ela dispara dá nisso. É claro que quando eu cheguei estava tudo como sempre. Aliás, nem tudo.&lt;br /&gt;-- Bom dia, bombeiro...&lt;br /&gt;Fabi, a recepcionista. Cabelos louros até o meio das costas, olhos azuis, uma delícia. Sonho de todos os homens do escritório. Olhando para mim com aquela carinha de safada. Ó, Deus, como é difícil ser fiel nesse mundo cheio de tentações! Mas consegui manter a compostura: Respondi com um "Bom dia" seco, e tenho quase certeza de ter ouvido um suspiro quando atravessava o corredor.&lt;br /&gt;E essa foi minha rotina por todo o dia. Esgotadas as molecagens dos homens, era vez de ouvir os comentários femininos a respeito do bombeiro. Comentários muito favoráveis, eu diria. A menina da contabilidade, Andreza, chegou a me perguntar se eu já pensara em seguir a carreira de dançarino. Respondi que sim, claro, já estava até fazendo um estágio no Clube das Mulheres, além de trabalhar como voluntário no Corpo de Bombeiros nos fins-de-semana. Ao contrário do dia anterior, não estava me importando nenhum pouco em ser o pateta do escitório. Mal via a hora de chegar em casa e despertar o furor ciumento de minha namorada falando sobre o sucesso do valente soldado do fogo entre as colegas de trabalho.&lt;br /&gt;Findo o expediente ("Até amanhã, Fabi", "Tchau, lindinho"), fui para casa pensando nisso e nas minhas férias, que começariam na semana seguinte. Não poderia viajar, já que nossas férias nunca coincidem, mas pelo menos poderia passar vinte dias brincando com o Poodle e o Gato, infernizando minha namorada investido de meu novo papel de terror das mulheres, e talvez até ensaiando uns passos para aprimorar meu desempenho no palco. Mas meus planos começaram a mudar quando abri a porta e me deparei com ela sentada no sofá, chorando entre montanhas de lenços de papel.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3573902-82325705?l=baldedegelo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default/82325705'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default/82325705'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baldedegelo.blogspot.com/2002_09_01_archive.html#82325705' title=''/><author><name>Marco Aurélio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06478648231743512001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06618507210306713792'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3573902.post-82080321</id><published>2002-09-24T21:55:00.000-07:00</published><updated>2002-09-26T14:39:59.000-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Sucesso absoluto! O Temível Cotonete Gigante, ou melhor, a Temível Cotonete Gigante foi um sucesso. Aliás, meu namorado e eu fomos o casal-atração da festa. Ele como o homem pronto para apagar o fogo das mulheres e eu como o cotonete mais desejado da História. As odaliscas, índias, pedritas, garotas superpoderosas e outras piranhas olhavam para ele com uma certa malícia que ele parecia não perceber - para meu alívio. Os homens queriam saber o que aquele bombeiro desengonçado havia feito para deixar as garotas tão fascinadas. Resultado: só se falou nisso na casa do Jair. As mulheres perguntavam onde eu tinha conseguido um namorado “tão dedicado assim...” (vacas!) e os homens se aproximavam com cantadas do tipo “oi, sou todo ouvidos...” ou “humm... que haste flexível” (fofos!). Meu bombeiro particular sempre dava um jeito de cortar a conversa de alguma maneira sutil, como disparar o extintor de incêndio, e eu mandava meu olhar eu-vou-matar-você. Ele nem sonha que no fundo adoro quando ele vem me proteger...&lt;br /&gt;A certa altura, voltando do banheiro, vi que ele ia em direção ao palco. Não acreditei quando percebi que meu namorado estava prestes a fazer um strip-tease na frente de todos os convidados. Corri para a frente do palco para ver de perto aquele espetáculo. Foi melhor que todos os garotos do Clube das Mulheres, com exceção daquele marinheiro loiro que... enfim, parecia um profissional! Saímos do palco direto para o apartamento. Precisávamos terminar o show com mais privacidade. E terminamos. Três vezes.&lt;br /&gt;Passamos o domingo na cama, vendo filmes. Os quatro. Com o frio ela é o lugar da casa preferido do poodle e do gato também. Desligamos os celulares, tiramos o telefone do gancho e nos escondemos sob o edredon quando tocaram a campainha. Muita pizza, guaraná, brigadeiro na panela, pipoca, chá e pizza com guaraná de novo o dia todo. Dia perfeito. Eu estava espiritualmente pronta para encarar mais algumas horas no salão, na tentativa de desfazer a piada de mau gosto em que se transformara meu cabelo. E foi o que eu fiz. Cheguei pouco antes do horário de almoço no escritório e encontrei um post-it do seu Fulvio colado no meu monitor, pedindo a minha presença em sua sala IMEDIATAMENTE!!! Em letra maiúscula e com três pontos de exclamação mesmo. “Seu Fulvio...”. “Entra e senta”, sem tirar os olhos do monitor. Pensei “se ele começar a gritar eu levanto e vou embora”. Ele olhou para mim, olhou de novo para o monitor, extremamente sério, de novo para mim e mandou “se a senhora negar será despedida!”. Virou o monitor na minha direção e antes que eu conseguisse enxergar direito o filminho na tela, reconheci a música que saía das caixas de som: &lt;i&gt;Light My Fire&lt;/i&gt;, do Doors. Nunca vi meu chefe rir tanto. Passei o resto do dia ouvindo gozações dos funcionários da empresa sobre o cotonete gigante que abriu o zíper da calça do bombeiro com a boca. Pelo menos um consolo eu tive: ninguém notou aquela meia dúzia de fios beterraba que escaparam da peruca.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3573902-82080321?l=baldedegelo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default/82080321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default/82080321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baldedegelo.blogspot.com/2002_09_01_archive.html#82080321' title=''/><author><name>Ela</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='16547142969138479761'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3573902.post-81775561</id><published>2002-09-18T08:27:00.000-07:00</published><updated>2002-09-18T12:32:11.000-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Essa mulher me diverte. Aquele cabelo cor de beterraba, meu Deus! Eu não queria rir, as mulheres são muito suscetíveis a esse tipo de coisa. Mas, puxa vida, o cabelo dela estava engraçado demais! Achei que fosse uma piada, não um infeliz acidente. Ainda mais no dia da festa do Jair, pensei tratar-se de algum tipo de tintura temporária para completar a fantasia. Só depois lembrei que Branca de Neve tinha cabelos de uma coloração normal, nada parecido com aquele tom de Tang de uva.&lt;br /&gt;Enfim, quando percebi que o negócio era mesmo sério, resolvi que era melhor tentar ajudar. Sugeri várias fantasias que completariam bem aquele cabelo, mas ela começou a se enfurecer com isso. Esgotadas as possibilidades, e já muito perto da hora da festa para sair à procura de lojas de fantasia, apelamos para o Temível Cotonete Gigante.&lt;br /&gt;Faz-se necessário explicar que na época da primeira festa do Jair eu ainda não era dotado do senso de ridículo apurado que tenho hoje. Então comprei pantufas brancas, um macacão azul e uma peruca &lt;i&gt;black power&lt;/i&gt; nada discreta. Tingi a peruca de branco e &lt;i&gt;voilá&lt;/i&gt;: Estava pronto o Temível Cotonete Gigante. Fui o destaque da festa, e a fantasia de cotonete foi a desculpa perfeita para algumas cantadas picantes, todas fracassadas. Acabei arrumando companhia para aquela noite apelando para o absoluto &lt;i&gt;nonsense&lt;/i&gt;: Disse à garota que eu era muito flexível, que o meu algodão não largava fiapos nem soltava da haste, além de receber tratamento antigerme; tudo isso no tom de voz que os ricos devem usar para falar de suas mansões, carros importados, iates, contas na Suíça. Ela riu muito e eu pensei, "Tá no papo". Continuou rindo durante todo o caminho para o meu apartamento. Ao chegarmos, se jogou no sofá, ainda rindo. Fui pegar um uísque para ela, e quando eu entrei na sala com os copos na mão, aí que ela teve um ataque de riso sério mesmo, quase morrendo engasgada. Deve ser mesmo muito engraçado ver um cotonete servindo drinques. Sei que ela riu tanto que a noite foi um fracasso absoluto, e a fantasia de cotonete foi relegada ao limbo do fundo do armário. E ali permaneceria para sempre, mais uma de minha coleção de lembranças constrangedoras. No entanto, frente ao impasse causado pelos cabelos fúcsia de minha namorada, o Cotonete Gigante surgiu como salvador da pátria. A Senhorita Não-Pago-Mico relutou em aceitar a fantasia, mas não demorou para se dar conta de que não tinha alternativas. Quanto a mim, foi fácil: A roupa de bombeiro finalmente serviria para alguma coisa além de me fazer passar vergonha na frente dos amigos. E lá fomos para nossa festa, o valente soldado do fogo e sua namorada de hastes flexíveis. Ridículo.&lt;br /&gt;A cada festa do Jair eu me espanto mais com minha capacidade de desconhecer pessoas. Na primeira festa eu conhecia todos os convidados. De uns anos para cá, porém, sinto-me cada vez mais deslocado. Na festa do ano passado acho que eu só conhecia mesmo a minha namorada, o próprio Jair, a Marininha e mais uns dois ou três. Mas a festa de ontem foi como um retorno aos velhos tempos: Desconhecidos me cumprimentavam efusivamente, me abraçavam, me apresentavam a outros desconhecidos. Fiquei sem entender nada até que um japonês gordinho perguntou para o Jair se eu era o cara da história.&lt;br /&gt;-- Que história, Jair?&lt;br /&gt;-- Da roupa de bombeiro, oras. Contei para os primeiros que chegaram, e parece que gostaram muito, porque a história se espalhou. Sorria, você está sendo famoso!&lt;br /&gt;O Jair acha que é engraçado trocar palavras de frases batidas. E acha mais divertido ainda difamar seus amigos perante desconhecidos. No fim da festa, eu já havia contado minha versão umas cem vezes, com todos os detalhes da ida da minha namorada ao Clube das Mulheres e do passeio de carro para arejar a cabeça que acabou levando à idéia do uniforme de bombeiro. Da mesma forma que na primeira festa, fui o centro das atenções. Mas dessa vez de uma forma bastante incômoda, primeiro porque não estava fazendo sucesso pela fantasia em si, e segundo porque agora tenho senso de ridículo, demais até.&lt;br /&gt;Enquanto eu sofria a tortura de me expor à chacota pública, minha cara-metade circulava com desenvoltura enfiada em sua fantasia de cotonete. Muitos engraçadinhos se aproximaram dela. Eu olhava feio, mas quem é que levaria a sério o cara da história do bombeiro? Aquilo foi me irritando, então quando a vi conversando com três babacas, e ainda rindo feito boba das piadas estúpidas deles, não agüentei mais: Cheguei perto e "sem querer" disparei meu extintor de incêndio. Ela me fulminou com o olhar, mas não importa, os três foram embora. Para os meus padrões de bêbado (sim, porque já havia enxugado alguns copos), disparar o extintor fora uma atitude bastante madura e máscula. E mais maduro e másculo ainda me mostrei quando o Jair anunciou no microfone:&lt;br /&gt;-- Atenção! Em homenagem ao nosso amigo bombeiro, vamos ouvir agora The Doors, &lt;i&gt;Light My Fire&lt;/i&gt;!&lt;br /&gt;Sorri amarelo quando a música começou&lt;br /&gt;(&lt;i&gt;You know that it would be untrue&lt;/i&gt;)&lt;br /&gt;Sentia como se estivessem todos olhando para mim.&lt;br /&gt;(&lt;i&gt;You know that I would be a liar &lt;/i&gt;)&lt;br /&gt;E talvez estivessem mesmo.&lt;br /&gt;(&lt;i&gt;If I was to say to you &lt;/i&gt;)&lt;br /&gt;-- Sobe no palco! -- gritou alguém.&lt;br /&gt;(&lt;i&gt;Girl, we couldn't get much higher&lt;/i&gt;)&lt;br /&gt;E até que não me pareceu má idéia&lt;br /&gt;(&lt;i&gt;Come on baby, light my fire&lt;/i&gt;)&lt;br /&gt;Comecei a me dirigir ao palco, sob aplausos&lt;br /&gt;(&lt;i&gt;Come on baby, light my fire&lt;/i&gt;)&lt;br /&gt;-- DANÇA! -- berrou outro gaiato.&lt;br /&gt;(&lt;i&gt;Try to set the night on FIRE!&lt;/i&gt;)&lt;br /&gt;Comecei a dançar. Desajeitado no começo, fui me soltando. O povo me ovacionando, todo aquele álcool na cabeça, aquele som sensual dos Doors... Acho que acabei fazendo um &lt;i&gt;strip-tease&lt;/i&gt;. É, fiz mesmo. As pessoas aplaudiam e gritavam enquanto eu ia desabotoando a roupa. Quando estava só de calça e quepe, me lembrei de procurar minha namorada com os olhos. Esperava encontrá-la longe do palco, com cara de sexo-nunca-mais. Para minha surpresa, ela estava logo ali na minha frente, batendo palmas e gritando "Gostoso!", "Tesão!". Deus, eu amo mais ainda essa mulher quando ela está bêbada. Chamei-a ao palco para me ajudar com o resto das roupas.No final era uma cena linda de se ver: Uma mulher vestida de cotonete sendo levada de cavalinho por um bombeiro de cuecas e quepe. Alguns convidados chegaram mesmo a pedir bis, mas não foi possível: Saímos pela porta dos fundos e voltamos para casa, para um bis particular e bem mais completo que o show original.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3573902-81775561?l=baldedegelo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default/81775561'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default/81775561'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baldedegelo.blogspot.com/2002_09_01_archive.html#81775561' title=''/><author><name>Marco Aurélio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06478648231743512001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06618507210306713792'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3573902.post-81658180</id><published>2002-09-15T21:52:00.000-07:00</published><updated>2002-09-16T07:47:16.000-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Um antropólogo diria que os moradores desse apartamento se dividem em dois grupos distintos: o dos que sabem perfeitamente onde fazer xixi e o dos que têm uma certa dificuldade nesse quesito. O gato e eu pertencemos ao primeiro grupo. No segundo estão meu namorado e o poodle, cujo nome agora é Poodle. Depois do ataque do bastardo aos meus sapatos, meu namorado assumiu a “paternidade” do bicho e ganhou um aliado. O cachorro passou a me ignorar e vive seguindo-o pelo apartamento. Para irritá-lo comecei a chamar aquela bolota-de-pêlo-saltitante de Poodle, já que ele odeia essa raça. A provocação não funcionou. O nome pegou e agora eu não só limpo os respingos de xixi no vaso sanitário (meu namorado e sua péssima pontaria) como também lavo o chão do banheiro diariamente. Não é que o poodle aprendeu a fazer xixi no banheiro para imitar seu mestre?! Até que a cena do cãozinho fazendo o vaso de poste seria fofa se não resultasse naquela poça de xixi no chão do banheiro (pelo menos os passeios de final de tarde resolvem o problema do cocô). &lt;br /&gt;Tudo isso seria de grande relevância se não fosse minha última experiência desastrosa no cabelereiro. Aceitei a dica de um salão “tu-do-de-bom” da Marininha para mudar o visual. Nunca tive medo de cabelereiro, contrariando a regra feminina. Homens têm medo de dentistas e de injeções (sem mencionar o problema da calvície, o que seria sacanagem da minha parte...) Mulheres têm medo de cabelereiros e depiladoras. Marquei hora no final da tarde de sábado, pouco antes da festa anual do Jair. Todos os anos ele reúne os amigos “íntimos”, como ele diz, para uma festa à fantasia. Algo em torno de quinhentos a seiscentos convidados. Dessa vez aluguei um traje completo de    Branca de Neve, com direito a saia longa e capa. Tudo para evitar o vexame do ano passado, quando ignorei os conselhos do meu namorado de que Coelhinha da Playboy não era uma boa escolha e passei a noite ouvindo comentários a respeito do meu belo rabinho. Isso sem falar no frio. &lt;br /&gt;Quando entrei no salão percebi o que a Marininha quis dizer com “tu-do-de-bom”. O cabelereiro era um moreno de olhos verdes que de tão charmoso fazia George Clooney parecer sem-graça. “O que você está pensando em fazer?”. “O que você achar melhor...”. Não dava para raciocinar e olhar para ele ao mesmo tempo. “Vamos escurecer alguns tons e manter o corte?” “Ok...”. Várias edições de Caras depois o resultado não poderia ter sido pior. Beterraba. Eu fiquei com a cabeça parecendo uma beterraba cabeluda. Sem tempo para mudar, fui para casa emburrada e disposta a raspar careca se não conseguisse um salão aberto na segunda-feira bem cedo para consertar aquele atentato terrorista. &lt;br /&gt;Abri a porta e meu namorado já estava pronto, me esperando. “Que aconteceu com seu cabelo??”. Arrrgh! Vesti a fantasia e ele entrou no quarto, segurando a risada. “Vai de Roxa de Neve?”. Definitivamente não. “Já sei! Bota um vestido vinho e vai de Suco de Beterraba!”. Já estava disposta a passar as próximas 36 horas trancada no quarto quando ele disse que daria um jeito. Apareceu com um macacão azul claro, pantufas brancas e uma peruca de pelúcia branca que ele tinha guardado da primeira festa. E lá fomos nós para a festa do Jair. Um bombeiro e um cotonete gigante.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3573902-81658180?l=baldedegelo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default/81658180'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default/81658180'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baldedegelo.blogspot.com/2002_09_01_archive.html#81658180' title=''/><author><name>Ela</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='16547142969138479761'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3573902.post-81481857</id><published>2002-09-11T17:27:00.000-07:00</published><updated>2002-09-11T17:33:22.000-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Existem várias maneiras de se ter um despertar desagradável. O de todo dia, por exemplo, com aquele &lt;i&gt;TUÉN-TUÉN-TUÉN&lt;/i&gt; do rádio-relógio é particularmente ruim. Balde de água na cabeça também não deve ser muito legal. O telefone toca de madrugada e é engano: Terrível. Mas nada, nada mesmo, deve ser pior do que ser acordado com sua boca sendo lambida por um poodle. E eu, inocente, achando que minha namorada, num súbito ataque de romantismo, resolvera me acordar aos beijos. Abri os olhos, vi aquela coisinha felpuda em cima do meu peito.&lt;br /&gt;-- FILHO DA PUTA!&lt;br /&gt;-- Que foi??? -- perguntou ela, e não o poodle, ainda bem.&lt;br /&gt;-- Esse cachorro desgraçado estava me lambendo!&lt;br /&gt;-- E daí?&lt;br /&gt;-- Como assim, "e daí"? Ele estava lambendo &lt;i&gt;minha boca&lt;/i&gt;!&lt;br /&gt;-- Ah, como você é chato! É só um cachorrinho...&lt;br /&gt;-- Cachorrinho, cachorrinho... É um poodle!&lt;br /&gt;-- E os poodles são...?&lt;br /&gt;Nem respondi, saí bufando do quarto para escovar os dentes e despejar meio frasco de Listerine na boca. É cada pergunta... Poodles são coisinhas estressadas com voz aguda e pompons. E agora tenho uma dessas coisinhas na minha casa. O que meus amigos vão pensar, meu Deus?&lt;br /&gt;Minha última esperança era o gato. Gatos são animais de personalidade, não gostam de ter seu território invadido. Pior ainda se o invasor for um cachorro, já que cães e gatos são inimigos naturais, certo? Errado! O encontro entre os dois foi decepcionante: Enquanto o poodle demonstrava sua curiosidade diante do gato, este o ignorava solenemente. Agora, enquanto o bicho mastiga o tapete ou sai arrastando meus sapatos pela casa, minha namorada o observa com ternura, enquanto o gato mantém aquele ar superior e condescendente que os gatos têm.&lt;br /&gt;-- E aí, o que a gente vai fazer com esse cachorro?&lt;br /&gt;-- Hein?&lt;br /&gt;-- O que a gente vai fazer com o poodle?&lt;br /&gt;-- Oras, o que as pessoas fazem com os cachorros?&lt;br /&gt;-- Depende, ouvi dizer que os chineses mandam pra panela.&lt;br /&gt;-- Sem graça... A gente vai criar o bichinho, ué.&lt;br /&gt;-- Criar? Aqui???&lt;br /&gt;-- Não, na Catedral da Sé. Claro que é aqui.&lt;br /&gt;-- Mas... Mas vai dar trabalho!&lt;br /&gt;-- Você também dá trabalho e está aqui até hoje.&lt;br /&gt;-- Eu não faço xixi no tapete!&lt;br /&gt;-- Porque eu não deixo. Além do mais, quando foi que ele fez xixi no tapete?&lt;br /&gt;-- Mera questão de tempo.&lt;br /&gt;-- Não seja rabugento. Gosto do Monty.&lt;br /&gt;-- Que que o namorado do seu primo tem com isso???&lt;br /&gt;-- Não estou falando dele. Resolvi botar esse nome no cachorro.&lt;br /&gt;-- Você botou um &lt;i&gt;nome&lt;/i&gt; nesse bicho? Por quê? O gato é bem mais legal e não tem nome!&lt;br /&gt;-- O nome do gato é Gato.&lt;br /&gt;-- Ai meu Deus... Então por que o nome do cachorro não pode ser Cachorro?&lt;br /&gt;-- Por que eu não falo "Amigo Meio Bêbado do Meu Namorado" em vez de Jair? Ou "Minha Amiga Com Problemas de Relacionamento" em vez de Marininha? Ou então  "Meu Namorado Chato Que Odeia Os Bichinhos" em vez de...&lt;br /&gt;-- ... Tá, tá, já entendi. Eu desisto, pode ficar com seu cachorro.&lt;br /&gt;-- Eu sabia que você ia concordar. -- Beijo -- Te amo.&lt;br /&gt;-- É. Também te amo. E chega de discussão, que já vai começar a final do campeonato de vôlei.&lt;br /&gt;-- Hum... Campeonato de vôlei, é? Que tal uma aposta igual aquela do futebol?&lt;br /&gt;-- Aposta? Mas vôlei não termina zero a zero e... Ah, entendi! Às vezes eu gosto das suas idéias, sabia?&lt;br /&gt;E terminaria assim: Tudo em paz, apesar do cachorro. Além disso, o menor resultado possível num jogo de vôlei é de três sets a zero. Diversão garantida, portanto. E o jogo terminou em três sets a dois, uma beleza. Fomos para o quarto. Ela na frente, deixando algumas peças de roupa pelo caminho. Adoro isso. Estava me preparando para uma longa noite quando ela  abriu a porta do quarto e...&lt;br /&gt;-- AAAAAARGH!&lt;br /&gt;O &lt;i&gt;argh&lt;/i&gt;. Fazia tempo.&lt;br /&gt;-- Que foi?&lt;br /&gt;-- Olha o que esse desgraçado fez!&lt;br /&gt;Entrei e vi o poodle no meio de um mar de sapatos. Sapatos dela, porque eu só tenho mesmo dois pares. Tinha mastigado e babado todos, terminando por fazer xixi em cima deles. Parecia orgulhoso de sua obra de arte, abanando o rabo à espera de aplauso. Mas minha namorada não parecia ter apreciado muito, porque falou fazendo esforço para se controlar:&lt;br /&gt;-- Dá um fim nesse cachorro.&lt;br /&gt;-- Tadinho dele, estava só brincando!&lt;br /&gt;-- Por favor.&lt;br /&gt;-- Ah, mas o Monty é tão bonitinho...&lt;br /&gt;-- Não comece.&lt;br /&gt;-- Olha como ele está feliz!&lt;br /&gt;-- Sabe o jogo de vôlei?&lt;br /&gt;-- Que que tem?&lt;br /&gt;-- Faz de conta que foi zero a zero.&lt;br /&gt;Golpe sujo. Deslealdade. Isso não se faz. E agora tenho que dar um jeito de me livrar do cachorro, mas algo me impede, sei lá. Ele estava tão bonitinho no meio daqueles sapatos...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3573902-81481857?l=baldedegelo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default/81481857'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default/81481857'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baldedegelo.blogspot.com/2002_09_01_archive.html#81481857' title=''/><author><name>Marco Aurélio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06478648231743512001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06618507210306713792'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3573902.post-81076001</id><published>2002-09-02T22:00:00.000-07:00</published><updated>2003-07-23T05:02:54.790-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Domingo é um dia chato, certo? Errado! Domingo é o meu dia preferido. Pelo menos a partir de agora. Ver meu namorado vestido de bombeiro, com o extintor nas mãos e o pânico estampado na cara, foi a cena mais engraçada que eu já em toda a minha vida. Não, isso não é a descrição de um sonho. Eu tenho testemunhas. Testemunhas essas que quase não sobreviveram ao ataque de riso que tomou conta da sala. O único que se manteve sério foi o gato, mas nem ele conseguia parar de olhar. A Cris correu para o banheiro antes que molhasse as calças e o Jair teve câimbras abdominais. O Roberto só conseguia repetir “Show! Show!”. &lt;br /&gt;A Marininha ligou pela manhã nos chamando para almoçar na casa dela. Eu disse que meu namorado não estava e ela resolveu que o almoço seria aqui, desde que eu só entrasse na cozinha para pegar as bebidas (quando é que eu vou começar aquele curso de culinária?!). Já estávamos na terceira caipirinha quando ele entrou. Groucho Marx teria aplaudido de pé. Por algum motivo que eu nunca vou entender, ele ainda acionou o extintor e mandou um jato de gás carbônico na direção do teto para depois dizer “funciona, ó”. Eu não tive tempo de correr ao banheiro. Ele deixou o extintor de lado e tentou explicar “porra, era pra ser uma surpresa!”. O Jair, recuperando-se, respondeu “e foi!”. Eu não sabia se tomava banho ou ficava para ouvir o resto da explicação. Entreguei o copo de caipirinha para o meu namorado e perguntei que tipo de surpresa ele tinha preparado. Foi aí que ele contou do folheto do Clube das Mulheres encontrado no chão e comprou a fantasia. Passamos o domingo todo rindo bastante da história toda. Inclusive ele, que permaneceu vestido de bombeiro a tarde toda. Foi um domingo perfeito. À noite fomos ao cinema mas não vimos o final do filme. Lá pelo meio da história uma cena de sexo na piscina nos fez abandonar o cinema e correr para aquele motel bacana perto de casa. Quebrei a aposta pela primeira vez – apesar da insistência dele em dizer que isso já tinha sido feito na noite anterior. Imagine! Eu teria me lembrado. Eu acho...&lt;br /&gt;De madrugada abrimos a porta do apartamento e ouvimos um latido no meio da sala. “Seu gato está fazendo curso de idiomas?”. Meu namorado consegue ter senso de humor nos momentos mais inusitados. Chequei o número na porta e acendi as luzes. Um cachorro pequeno, branco e peludo abanava o rabo. O Alexandre saiu do quarto, de cueca e pantufas, para explicar. Eles levariam o filhote logo pela manhã. O embarque para Londres estava marcado para as dez e eles sairiam de casa no máximo às sete e meia. “Ele já fez xixi e cocô no jardim do prédio. Não se preocupem”. Na dúvida, espalhei jornal pelo chão da sala antes de dormir. &lt;br /&gt;Hoje acordei com os chacoalhões do meu namorado. “Querida, são dez e meia!” e pulou da cama. Perdemos a hora e ele só acordou porque o gato arranhava a porta do quarto desesperadamente, tentando sair. Eu já tinha desistido de ir trabalhar pela manhã e ia dormir de novo quando ele voltou com o bilhete na mão:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://www.jesusmechicoteia.com.br/imagens/bilhete_cachorro2.jpg" border="0"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3573902-81076001?l=baldedegelo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default/81076001'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default/81076001'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baldedegelo.blogspot.com/2002_09_01_archive.html#81076001' title=''/><author><name>Ela</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='16547142969138479761'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3573902.post-80819414</id><published>2002-08-28T04:49:00.000-07:00</published><updated>2002-08-28T05:57:02.000-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Ué, a aposta não era séria? A regra não era clara? Não tinha errado, o juiz? Então como é que essa mulher me chega de madrugada, bem mais bêbada que eu, arranca a roupa e me faz quebrar a aposta DUAS VEZES? Não que eu esteja reclamando, longe disso. Mas, pombas, eu só queria entender. A vida com essa mulher é feito a Loteria de Babilônia: Todo dia é uma surpresa. Cada mergulho é um flash. Ou qualquer coisa assim.&lt;br /&gt;Tudo ficou mais claro, no entanto, quando me levantei para ir tomar água (certas atividades exigem hidratação) e vi um papel jogado no chão. Com a mania de limpeza que ela tem, um papel jogado no &lt;i&gt;hall&lt;/i&gt; é um acontecimento raro, então foi com estranheza que me abaixei para pegá-lo. E mais estranheza ainda experimentei ao ver de que se tratava: Um folheto do &lt;i&gt;Clube das Mulheres&lt;/i&gt;, com fotos de homens vestidos feito o Village People. Dois mistérios resolvidos de uma só vez: Onde ela estivera, e de onde vinha toda aquela disposição para quebrar apostas sagradas.&lt;br /&gt;Pois bem, então ela tinha passado a noite se esfregando em homens lindos, sarados e pelados enquanto eu era humilhado pelos amigos no bar. Fantástico. Olhei o relógio: nove da manhã. Voltei para o quarto, vesti qualquer roupa e saí.&lt;br /&gt;-- Vai à padaria, primo?&lt;br /&gt;-- Não, Alexandre. Vou dar uma volta por aí. Preciso pensar numas coisas.&lt;br /&gt;-- Ah, tudo bem. Olha, se alguém ligar nos procurando, eu e o Monty vamos ao Ibirapuera daqui a pouco.&lt;br /&gt;-- Ok, eu aviso para quem ligar. Hum. Não vão aprontar nada no parque, hein?&lt;br /&gt;-- Pode deixar, já aprendemos. Não é mesmo, Monty?&lt;br /&gt;-- É.&lt;br /&gt;Pobre Monty, ainda encucado com a história toda de Ubatuba. Mas não queria me preocupar com o Monty, queria me torturar imaginando os detalhes da noite que ela passara. Saí guiando sem destino. Sei que é uma coisa normal hoje em dia as mulheres freqüentarem "lugares assim". Ora, vez por outra eu, o Jair e os outros vamos a "lugares assim" só por diversão. "Lugares assim" com MULHERES peladas, que fique claro. E nunca achei nada de mais. Apenas uns caras se divertindo, exercendo o direito de serem Neanderthais de vez em quando. Mas imaginar minha namorada num "lugar assim" cheio de homens era muito esquisito. Mesmo porque eles eram lindos, sarados etc. Pelados, Deus do céu! Pelados! E ela tinha ido até lá, toda empolgada com aqueles músculos, aqueles caras bem maiores que eu (em todos os sentidos, imagino), e depois voltara pra casa, para o namorado de sempre, magrinho, branquelo e... E...&lt;br /&gt;E tinha sido uma noite e tanto, ora essa! Do que eu estava reclamando mesmo? Para quem tinha pela frente a expectativa de uma semana de secura, até que eu tinha me dado bem. Muito bem, aliás. Em vez de lamentar, eu devia era recompensar minha mulher pela noite de sexo despudorado (ah, as mulheres bêbadas...). Então fui até a Rua João Teodoro, encontrei uma loja aberta e comprei um uniforme de bombeiro. Um &lt;i&gt;Clube das Mulheres Delivery&lt;/i&gt;, o que mais ela ia querer da vida?&lt;br /&gt;Com o uniforme embrulhado no banco do passageiro, voltei ansioso para a casa. Ela ia adorar a surpresa! Passava um pouco do meio-dia, ela já devia estar acordada, assistindo alguma bobagem na TV. Cheguei ao prédio, estacionei na vaga antiga -- é difícil lembrar que minha vaga agora é aquele nicho minúsculo -- e subi. Já fui trocando de roupa no elevador, louco para ver a reação dela ao me ver chegando assim. Deixei a sacola com as minhas roupas no corredor e abri a porta de sopetão. Caprichei na voz grave:&lt;br /&gt;-- É aqui o fogo?&lt;br /&gt;Não, não era ali o fogo. Ali eram minha namorada, a Marininha, o Jair, o Roberto, a Ana Cristina, a Jennifer. Meu Deus, é sério, me leve embora desse planeta!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3573902-80819414?l=baldedegelo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default/80819414'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default/80819414'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baldedegelo.blogspot.com/2002_08_01_archive.html#80819414' title=''/><author><name>Ele</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13500228833997389790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='13814440270898487999'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3573902.post-80485261</id><published>2002-08-20T11:30:00.000-07:00</published><updated>2002-08-20T11:30:00.086-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Nos jogos da aposta eu torço fervorosamente para o meu time. Só até os trinta minutos do segundo tempo. A partir daí, se o placar ainda marcar zero a zero, começo a torcer para os vinte jogadores de linha indiscriminadamente. Pela primeira vez nos últimos anos esse resultado manteve-se até o apito final. Os atacantes do meu time até que tentaram nos dar um final de tarde recheado de sexo, mas o goleiro adversário entrou em campo possuído pelo deus-dos-goleiros e fez a melhor partida de sua vida. Os atacantes do time do meu namorado pareciam jogadores da segunda divisão do campeonato nacional do Azerbaijão. Deprimente. Somando a incompetência de uns com a brilhante atuação daquele infeliz, dá sete dias dormindo de costas um para o outro. Ele ainda quis me convencer que aquele gol anulado deveria valer alguma brincadeirinha. No way. O gol que ele chamou de legítimo - e eu concordei para evitar discussão - foi de mão. Todo mundo viu. E trato é trato. O que vale é o placar final. Ele saiu dizendo que providenciaria um amistoso fora de casa. Positivo e operante. Ele nem imagina o que eu fiz enquanto ele bebia com o Jair (ele não me engana. Saiu com o Jair).&lt;br /&gt;Passei na Marininha e fomos conferir a liqüidação no shopping. Só não estourei o limite do cartão de crédito porque a irmã dela ligou entusiasmadíssima para contar aonde iria mais tarde. Ela desligou e saiu me puxando pelos corredores do shopping. “Já sei aonde nós vamos hoje!” Eu não fazia idéia do que ela estava falando mas depois agradeci. Tomada pela euforia consumista, eu estava prestes a entrar na loja de decoração e comprar um pufe gigantesco, que ocuparia ¾ da sala do apartamento. &lt;br /&gt;“Marina, pra onde você vai me levar?”. “Relaxa, você vai gostar”. Deixei a maluca em casa e fui me arrumar. “Alô, Marininha, que estilo de roupa se usa nesse lugar misterioso?”. Eu detesto surpresas. “Perua total!”. Oba!! &lt;br /&gt;Uma hora mais tarde ela passou em casa com o carro cheio de mulheres. Eu ainda tentei descobrir qual seria o nosso destino, mas não obtive nem uma pista. Pouco antes de chegar, a Marininha ainda comentou “eu acho que dessa vez vocês quebram a aposta...”. Quando o primeiro stripper entrou pelo palco percebi que ela podia ter razão. Alto, moreno, musculoso e vestido de bombeiro. No final do show o uniforme estava reduzido ao capacete e uma sunguinha minúscula. Bebi metade do estoque de cerveja do lugar e lembro vagamente de ter entrado no prédio cantando “I’m too sexy for my shirt... too sexy for my car...”. Não lembro de mais nada. Quando acordei descobri que tirei os sapatos e o vestido antes de deitar, mas parece que não encontrei a camisola. Com um certo sacrifício, levantei para pegar um Gatorade (ressaca maldita!) e voltei para a cama. Depois de alguns minutos percebi que cruzei com o Monty na sala. Ué, mas eles não deviam estar em Ubatuba? Acho que ele falou alguma coisa sobre meu namorado ter saído cedo mas eu estava ocupada tentando me eqüilibrar e não prestei atenção. Bom, meu namorado explica quando vier me resgatar. Só saio da cama com a ajuda dele. Alías, com todo o estímulo visual de ontem, quando ele aparecer aqui vai ser mais difícil sair da cama. &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3573902-80485261?l=baldedegelo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default/80485261'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default/80485261'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baldedegelo.blogspot.com/2002_08_01_archive.html#80485261' title=''/><author><name>Ela</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='16547142969138479761'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3573902.post-80399056</id><published>2002-08-18T13:15:00.000-07:00</published><updated>2002-08-18T13:22:36.000-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'> O goleiro do meu time tem sido motivo de piada o campeonato inteiro. Levou cada frango que nem a avó do Taffarel engoliria. Se não fosse pela zaga competente, levaríamos uns vinte gols por partida. Mas ontem ele decidiu que era o Dia Internacional da Muralha Intransponível: Não deixou passar nada, nada. Segurança, reflexos rápidos, saídas perfeitas, parecia ter calçado as luvas de Gordon Banks. Uma pena os atacantes não terem acordado com a mesma disposição: Parecia que um time de turberculosos tinha entrado em campo. Finda a partida, o dia iluminado do nosso goleiro e o fracasso do ataque tiveram uma conseqüência que eles jamais imaginariam: Terei uma semana de celibatário. Tentei discutir:&lt;br /&gt;-- Mas o juiz anulou um gol totalmente legítimo do meu time!&lt;br /&gt;-- Errou o juiz, não tenho nada com isso.&lt;br /&gt;-- Droga! Podemos pelo menos fazer um treino recreativo, que tal?&lt;br /&gt;-- Não. Zero a zero, uma semana sem sexo. A regra é clara.&lt;br /&gt;-- ARGH! -- Eu disse, mesmo sabendo que era a fala dela -- Pára de falar assim!&lt;br /&gt;-- ...&lt;br /&gt;-- Eu vou fazer um amistoso fora de casa! Tchau!&lt;br /&gt;-- Tchau, ué.&lt;br /&gt;E saí. Seis da tarde de um sábado, para onde iria se não o bar? Liguei para o Jair dizendo que precisava muito beber e em quinze minutos estávamos lá eu, ele e mais meia dúzia de machos da espécie. Foi meio constrangedor, porque todos eles estão cansados de saber da aposta, e ficaram fazendo piadas com isso o tempo todo. Mas tudo bem, bebi um pouco, descontraí, e quando chegasse em casa só ia querer mesmo dormir.&lt;br /&gt;Cheguei por volta de uma da manhã e encontrei o Alexandre e o Monty no sofá assistindo à reprise de &lt;i&gt;Will &amp; Grace&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;-- Ué, já voltaram? Chovendo muito em Ubatuba?&lt;br /&gt;-- Não. O tempo estava ótimo.&lt;br /&gt;-- Hum. Então o que aconteceu?&lt;br /&gt;-- Bom, começou quando chegamos lá e papai quase caiu pra trás ao me ver abraçado com o Monty. Acho que a prima esqueceu de contar pra família sobre minha mudança.&lt;br /&gt;-- É, deve ter sido um choque para ele.&lt;br /&gt;-- Para ele e pro povo todo de Ubatuba. O clima ficou pesado em casa, então eu e Monty resolvemos sair. Fomos até a Praia Vermelha do Norte. Aquela praia linda, o som do mar, já anoitecendo, sabe?&lt;br /&gt;-- Não, não sei.&lt;br /&gt;-- Ai, primo! A gente começou a se beijar, se pegar, sabe como é. E acabamos na delegacia.&lt;br /&gt;-- Ué, só porque estavam se beijando? Que absurdo!&lt;br /&gt;-- Er... A gente não estava só se beijando não. Entende?&lt;br /&gt;-- Meu Deus.&lt;br /&gt;-- É. O delegado deu uma bronca enorme, falou até não poder mais e depois liberou. Então fomos pra casa, arrumamos nossas coisas e viemos embora. Ninguém se despediu da gente, e o Monty tá até agora com essa cara aí, dizendo que é culpa dele que minha família não gosta mais de mim e patati-patatá.&lt;br /&gt;-- Ô, Monty! Não fica assim não, cara. É que eles levaram um susto, foi tudo muito repentino. Depois eles se acostumam, você vai ver.&lt;br /&gt;-- ...&lt;br /&gt;-- Não quer falar?&lt;br /&gt;-- ...&lt;br /&gt;-- Tudo bem então. Hum. Alexandre, faz tempo que ela foi dormir?&lt;br /&gt;-- A prima? Não sei, chegamos aqui há umas duas horas e ela não estava. Não chegou até agora.&lt;br /&gt;-- Ah, ela não está? Sei, sei... Bom, vou dormir então. Monty, vê se melhora essa cara. Boa noite.&lt;br /&gt;Muito bem, muito bem. Onde foi que essa mulher se enfiou, Deus do céu???&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3573902-80399056?l=baldedegelo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default/80399056'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default/80399056'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baldedegelo.blogspot.com/2002_08_01_archive.html#80399056' title=''/><author><name>Ele</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13500228833997389790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='13814440270898487999'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3573902.post-80174511</id><published>2002-08-12T23:31:00.000-07:00</published><updated>2002-08-14T12:32:18.000-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Na maior parte do tempo eu sou uma mulher prática. Não acredito em anjos, nunca li diários de magos, detesto duendes e numa escala de zero a dez em romantismo, posso facilmente ser classificada entre o 3 e o 4. Ontem atingi o 5,5 após a cena que presenciei na sala (ou algumas partes dela, já que a visão pela fresta da porta do quarto não é das mais privilegiadas). Lindo. Melhor que final de filme com a Meg Ryan. Quando o Alexandre ouviu a voz do Monty, seus olhos brilharam. Foi o pedido de desculpas mais comovente que eu já vi. Eles se beijaram, chorando, e tiveram uma longa noite de amor. Longa e barulhenta. O que, modéstia à parte, não representou nenhuma novidade para os vizinhos. Na manhã seguinte encontrei Monty na cozinha, preparando café da manhã pro meu primo. “Bom dia, prima” (ele também me chama de prima. Não é fofo?). “Bom dia”. As olheiras dele ocupavam metade do rosto. A noite devia ter sido mais animada do que pareceu. Sorte do Alexandre. “Vamos para Upatupa hoje.”. “Ubatuba, Monty. Você vai adorar as praias de lá. Divirtam-se”. Quase desejei boa sorte. O prefeito vai ter que decretar luto oficial na cidade depois que a mulherada souber a novidade. Deixei os dois na rodoviária a caminho do trabalho. O Alexandre estava radiante. Ia apresentar o namorado à família. Agora a gente descobre se o marcapasso do meu tio é de boa qualidade. &lt;br /&gt;À noite, o interfone não parou de tocar um minuto sequer. O Serginho brigou com a mãe e saiu de casa. A Jô, do 101, ficou sabendo pelo porteiro que nossos hóspedes tinham alguma coisa a ver com isso. A Lili, do 52, falou pro porteiro que a dona Carmen deu algum flagrante no filho mas a Jenifer, do 53, não sabia exatamente qual era a história por isso não deu detalhes pra Lili. Parece que o Robson, faxineiro, tinha ouvido uma conversa na casa da Denise, do 24, e perguntou pro seu Antunes, o zelador, que contou que o Serginho tinha brigado com uma das minhas visitas. Quem garantia era a Ana, que viu algumas cenas pelo olho mágico depois que um balde de gelo atingiu a porta do seu apartamento. Ninguém sabia dizer pra onde foi o Serginho “porque a gente não gosta de se meter na vida de ninguém, entende?”. Entendo. Tirei o interfone do gancho e fui pro sofá ouvir a chiadeira da década de 70 com o meu namorado. Passamos três horas maravilhosas, conversando e rindo bastante, e quando eu estava começando a gostar das músicas ao fundo da chiadeira ele lembrou do jogo. “Que jogo?”. “Como, que jogo? Amanhã tem o jogo da aposta!”. Com a confusão toda nos últimos dias eu não percebi que nesse final de semana vai ter o nosso clássico. Como nós dois gostamos de futebol mas torcemos para times diferentes, fazemos uma aposta quando nossos times se enfrentam. Isso evita possíveis brigas e deixa todo mundo satisfeito. E como agradar a ambos? Ora, sexo! O placar final do jogo define quantas vezes vamos “comemorar” a vitória (ou o empate. Não importa). Geralmente começamos a comemoração no sofá mesmo, logo após o apito do juiz. Quando o jogo termina em zero a zero, uma semana de castidade. Se um dos dois não agüentar pagar a aposta, o jogo recomeça no dia seguinte. Em zero a zero, claro...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3573902-80174511?l=baldedegelo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default/80174511'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3573902/posts/default/80174511'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baldedegelo.blogspot.com/2002_08_01_archive.html#80174511' title=''/><author><name>Ela</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='16547142969138479761'/></author></entry></feed>