<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3400338460454315107</id><updated>2009-09-21T15:53:24.796-03:00</updated><title type='text'>História de Israel para Dani</title><subtitle type='html'>a história de Israel em capítulos</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://mograbi.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3400338460454315107/posts/default'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mograbi.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Mograbi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18057053617326764793</uri><email>noreply@blogger.com</email></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>15</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3400338460454315107.post-9111518068839453231</id><published>2009-03-04T20:44:00.005-03:00</published><updated>2009-03-04T21:07:10.151-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Herzl.sionismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Israel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dreyfus'/><title type='text'> “Na Basiléia foi fundado o Estado Judeu...Talvez daqui a cinco anos, com certeza em cinqüenta, todos se darão conta disso”</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CAlberto%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Font Definitions */  @font-face 	{font-family:Verdana; 	panose-1:2 11 6 4 3 5 4 4 2 4; 	mso-font-charset:0; 	mso-generic-font-family:swiss; 	mso-font-pitch:variable; 	mso-font-signature:536871559 0 0 0 415 0;}  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1 	{size:612.0pt 792.0pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:36.0pt; 	mso-footer-margin:36.0pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-ansi-language:#0400; 	mso-fareast-language:#0400; 	mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Theodor Herzl, o&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt; inventor do sionismo nasceu em Budapeste em 1860. Em 1878 a família se mudou para Viena, e, em 1884 Herzl terminou o curso de Direito na Universidade de Viena. C&lt;span style="color: black;"&gt;onvencido de que sua verdadeira vocação era o jornalismo, abandonou o direito e passou a se dedicar às letras&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Foi correspondente, em Paris, do jornal vienense, "Neue Freie Presse", de onde mandava artigos que causavam impacto.Seu primeiro encontro com o anti-semitismo, que iria moldar a sua vida e o destino dos Judeus no século XX, foi ainda como estudante na Universidade de Viena. Mais tarde, durante a sua estadia em Paris, ele foi colocado frente a frente com o problema. Nessa época, ele passou a considerar que o anti-semitismo era, na verdade, uma questão social e acreditava que a assimilação e a conversão de judeus não era solução para o problema.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Em 1894, o Capitão Alfred Dreyfus, um oficial judeu do exército francês, foi injustamente acusado de traição. Herzl testemunhou multidões que saíam às ruas para gritar “morte aos judeus”, na França, berço da Revolução Francesa, e chegou à conclusão que só existia uma única solução para esse problema: a imigração em massa de judeus europeus para uma terra que pudessem chamar de sua. Considera-se que o Caso Dreyfus foi um dos fatores determinantes para o surgimento do Sionismo Político. Herzl concluiu que o anti-semitismo era uma mal perene e imutável, enraizado na sociedade européia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Ele desenvolveu a idéia da soberania judaica, e, a despeito de ter sido ridicularizado pelos líderes comunitários judeus, escreveu, em 1896, seu livro "O Estado Judeu". Nesta obra, Herzl argumenta que a essência do problema judaico não era particular, mas nacional e declarou que os judeus só seriam aceitos na comunidade mundial ao se tornar uma nação como as outras. Para ele, a questão judaica era uma questão política internacional e deveria ser debatida nas arenas políticas internacionais. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Herzl propôs um programa de arrecadação de fundos junto a judeus ao redor do mundo, através de uma organização comunitária que trabalharia na consecução desta meta (essa organização, quando foi finalmente fundada, recebeu o nome de Organização Sionista Mundial). Ele via esse Estado como sendo um estado socialista modelo, neutro, partidário da paz e de natureza secular. Herzl imaginou o futuro Estado Judeu como uma utopia socialista. Ele previu uma nova sociedade que iria nascer na Terra de Israel, cooperativista, e que se utilizaria da ciência e da tecnologia para seu desenvolvimento.O Estado Judeu é descrito como uma nação pluralista, uma sociedade moderna e avançada, uma “luz entre as nações.” &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;" lang="EN-US"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;As idéias de Herzl foram recebidas com entusiasmo pelas massas judaicas do leste europeu, apesar de terem sido recebidas com frieza pelas lideranças comunitárias. Herzl conclamou os judeus de posses, como os barões Hirsch e Rothschild para se juntarem ao Movimento Sionista, mas, seus esforços foram em vão. &lt;/span&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Ele então apelou ao povo, e o resultado foi a convocação do Primeiro Congresso Sionista, na Basiléia, Suíça, em agosto de 1897, primeira reunião mundial de judeus em bases nacionais e seculares, onde os delegados elaboraram o programa do Movimento Sionista e declararam que o sionismo é “um movimento que procura estabelecer na Palestina, um Lar Nacional para o povo judeu.” Neste Congresso foi fundada a Organização Sionista Mundial como o braço político do povo judeu, e Herzl foi eleito como seu primeiro Presidente.No total, Herzl convocou seis Congressos Sionistas entre 1897 e 1902, onde foram criadas duas das principais ferramentas do ativismo sionista, o Fundo Nacional Judaico e o jornal que se tornou o porta-voz do movimento, o Die Welt (O Mundo).&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Herzl percebeu que precisaria do apoio das grandes potências a fim de alcançar os anseios do povo Judeu, e, para isso, viajou para a Palestina e Istambul, em 1898, para encontrar-se com o Kaiser Guilherme II, da Alemanha e com o Sultão Abdul Hamid do Império Turco-Otomano. Quando estes esforços se mostraram infrutíferos ele concentrou seus esforços junto à Grã-Bretanha, tendo se encontrado com o Secretário das Colônias Joseph Chamberlain e saiu de lá com uma proposta concreta de se fundar uma região autônoma judaica no local onde hoje está Uganda, proposta que foi recusada pelo Movimento Sionista, no Congresso de 1905.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Herzl morreu em Viena, em 1904, já com a saúde abalada pela pneumonia e problemas no coração.&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3400338460454315107-9111518068839453231?l=mograbi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mograbi.blogspot.com/feeds/9111518068839453231/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=3400338460454315107&amp;postID=9111518068839453231&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3400338460454315107/posts/default/9111518068839453231'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3400338460454315107/posts/default/9111518068839453231'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mograbi.blogspot.com/2009/03/na-basileia-foi-fundado-o-estado.html' title=' “Na Basiléia foi fundado o Estado Judeu...Talvez daqui a cinco anos, com certeza em cinqüenta, todos se darão conta disso”'/><author><name>Mograbi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18057053617326764793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='18428156117566545472'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3400338460454315107.post-8747925182310992424</id><published>2008-04-10T12:16:00.002-03:00</published><updated>2008-04-10T12:47:37.796-03:00</updated><title type='text'>Tem um monte de caneta lá embaixo</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Lá no escritório tem um porão onde todos tem medo de entrar e por isso usamos apenas a parte da frente, que equivale a 20% da área total. Nestes 20 por cento estão algumas coisas arquivadas para serem esquecidas e numa prateleira espremida entre a parede e um armário do qual não temos chave, está colocado o nosso estoque de material de escritório.&lt;br /&gt;O contador, que trabalha num esquema de escritório remoto, chegou ofegante e suado, depois de ter viajado duas horas de ônibus da casa dele até o escritório, para resolver um problema com o INSS. Bem talvez seja o FGTS, quem sabe a Receita Federal, mas, na verdade isso não tem a menor importância.&lt;br /&gt;O fato é que ele sentou no computador e começou a clicar em diversos lugares e sites e. num determinado momento, pediu por uma caneta. Como eu só uso Montblanc, Waterman ou Aurora e não costumo emprestá-las nem por um caralho, recusei-me a ceder uma destas e disse que não tinha caneta nenhuma, mas, caso ele quisesse uma, poderia descer até o tal porão onde acharia caixas e caixas de bics ou equivalentes.&lt;br /&gt;Ele respondeu que aquele lugar era infectado por todo tipo de praga e que seria extremamente desagradável pegar alguma doença para conseguir anotar umas poucas coisas no site da receita (ah! então o problema é na receita!). Respondi que não havia outra alternativa e pedi para que desviasse o olhar das minhas canetas que aquelas, eu não emprestaria. Elas eram inemprestáveis. Com um muxoxo levantou-se para se dirigir ao porão e lá ficou por um tempo muito maior que eu imaginava.&lt;br /&gt;Quando voltou estava suado e com a camisa manchada de pó e graxa em três pontos visíveis. Trazia gotas de suor na testa e nas têmporas e coçava o antebraço da mão que segurava uma caneta bic.&lt;br /&gt;Perguntei o que tinha acontecido e ele respondeu que tinha localizado diversas caixas de canetas, uma delas aberta. Quando enfiou a mão dentro da caixa sentiu, ou imaginou sentir, seus dedos tocando alguma coisa pequena e peluda. Tirou a mão rapidamente pensando ser uma aranha ou, na melhor da hipóteses, um camundonguinho. Ao fazer esse movimento estabanado derrubou a caixa aberta de canetas e seu conteúdo foi despejado atrás da estante, com estardalhaço, num local sem acesso, entre a parede e o armário trancado e sem chave. Que merda, pensou!&lt;br /&gt;No entanto, ao recuar assustado, jura ter visto algum ser despencando da estante junto com as canetas; não sabe dizer se uma aranha ou um camundonguinho, quase filhote. Conta ainda que abaixou-se para tentar reaver as canetas, mas, o chão em baixo da estante parecia se mover e ele então resolveu abdicar daquelas canetas, abriu uma outra caixa, pegou uma caneta e subiu, já sentindo uma coceira no braço. perguntei sobre as manchas e ele respondeu que achava que, ao se abaixar, deve ter raspado em alguma superfície nojenta, coisa que não falta lá embaixo.&lt;br /&gt;A coceira acabou sendo debitada a algum dos milhares de pernilongos que moram naquele porão, mas, xi!, o pernilongo te picou agora de dia?, será que não é um aedes aegypti?&lt;br /&gt;Tendo recolhido os dados necessários para tentar resolver nossos problemas com o fisco, despediu-se dizendo que ia para casa pois se sentia enjoado e doente e que esperava não pegar dengue. A última coisa que falou foi: "tem um monte de caneta lá embaixo da estante!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3400338460454315107-8747925182310992424?l=mograbi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mograbi.blogspot.com/feeds/8747925182310992424/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=3400338460454315107&amp;postID=8747925182310992424&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3400338460454315107/posts/default/8747925182310992424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3400338460454315107/posts/default/8747925182310992424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mograbi.blogspot.com/2008/04/tem-um-monte-de-caneta-l-embaixo.html' title='Tem um monte de caneta lá embaixo'/><author><name>Mograbi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18057053617326764793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='18428156117566545472'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3400338460454315107.post-6414228938667131245</id><published>2008-04-08T14:20:00.001-03:00</published><updated>2008-04-08T14:23:04.849-03:00</updated><title type='text'>O livro do Sobel</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Confesso que senti um certo mal estar ao receber o copião do livro do Rabino. Afinal, não se trata de um livro ou de uma pessoa qualquer. Fiquei com medo de escrever a seu respeito ou a respeito deste livro, já que estamos falando de um ícone. Foi o mesmo medo que senti quando recebemos a notícia das gravatas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p style="font-family: verdana;" class="MsoNormal"&gt;E agora? Nós, que estávamos acostumados e gostávamos de ser representados por aquela figura folclórica, de repente nos vimos órfãos, sem chão. Quem vai ser agora o embaixador dos judeus brasileiros? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: verdana;" class="MsoNormal"&gt;Numa das passagens do livro, Sobel conta que sentou-se no chão do &lt;i style=""&gt;moadon&lt;/i&gt; da Casa da Juventude da CIP para conversar com 1.500 jovens. Eu, que não sou grande apreciador de rabinos, era um daqueles jovens que ficaram hipnotizados escutando as suas tentativas de falar português. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Mas aquilo não é um rabino, pensávamos. Depois, mesmo convivendo de perto, custamos a nos acostumar com a novidade. Um rabino jovem, disponível, sem barba, cabeludo, que usava bermudas, ia para a piscina, jogava vôlei com a gente na Rua Antonio Carlos e admirava uma mulher bonita passando na rua. Que rabino é esse?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: verdana;" class="MsoNormal"&gt;Essa foi a mesma pergunta que todos se fizeram ao ver, estarrecidos, as fotos e notícias sobre o episódio em &lt;i style=""&gt;Palm Beach&lt;/i&gt;. Todos já sabíamos que o Rabino era apenas um ser humano, pois foi assim que ele sempre quis que o víssemos, e, como tal, estava sujeito a cometer erros. Nem todos os rabinos se colocam assim. Na sua maioria apresentam-se como pessoas imunes a falhas e dirigem-se às pessoas de maneira superior, de cima de um pedestal, ignorando a sua condição humana, ignorando, por vezes, a sua juventude e suas fraquezas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: verdana;" class="MsoNormal"&gt;Sobel também tinha suas vaidades. A diferença é que ele as fez por merecer, através do seu trabalho e da sua inteligência. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: verdana;" class="MsoNormal"&gt;Tudo isso está contado no livro e, paradoxalmente, este é o grande defeito da obra. Ao longo das páginas, as histórias se sucedem frenéticas. Parece um relatório de atividades e justificativas. Como alguém a dizer: “sim, fiz um monte de besteiras e uma besteira mor, mas, em compensação, vejam quantas coisas boas produzi ao longo destes 40 anos”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: verdana;" class="MsoNormal"&gt;Não precisava, Rabino! Não neste contexto, não como se fosse necessária alguma justificativa. A sua vida, seu trabalho e suas posições são muito maiores que isso. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: verdana;" class="MsoNormal"&gt;Os judeus estão habituados a pedir perdão e fazem isso todo ano. Sim, eu acho que a comunidade que você representava esperava um pedido de desculpas por aquela desonra pública, mesmo que se tratasse de efeitos colaterais de remédios ou doença, pois, no mínimo, você foi relapso, incauto. Afinal sempre pode haver um idiota a dizer: “veja do que é capaz o maior representante dos judeus”. E houve muitos idiotas, Rabino! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: verdana;" class="MsoNormal"&gt;É claro que uma biografia do Sobel, em qualquer tempo, interessa ao público. Ele sempre foi uma boa ancora, um ótimo chamariz. Sua opinião passou a ser importante, e interessante, em qualquer circunstância, e, para o grande público, esta era a opinião dos judeus.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: verdana;" class="MsoNormal"&gt;E agora? Quem vai ser nosso representante?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: verdana;" class="MsoNormal"&gt;No livro que escreveu às pressas você poderá ler os detalhes sobre o caso Vladimir Herzog, que foi o vetor da sua introdução na vida pública brasileira. Além das polêmicas sobre doação de órgãos, quando da morte de Marcelo Fromer, das intrigas, as tentativas de puxarem-lhe o tapete e as sucessivas respostas a estas tentativas. Também fomos presenteados com alguns detalhes de sua vida desde a infância até a idade madura. Sobel desfila uma galeria de amigos importantes que conquistou ao longo do tempo, através de seu modo de agir, sempre conciliador, tolerante e solidário. E também uma galeria de inimigos, estes não tão importantes assim, quando então atuava de forma contrária. Quase uma metamorfose ambulante. Aliás, o livro está recheado de passagens, ainda sob aquela égide de se justificar perante o público, as quais pouca gente vai entender. Brigas, disputas e futricas intercomunitárias que serão de difícil assimilação para judeus que não são ativistas. O que dizer então para o público não judeu? Como é que um &lt;i style=""&gt;gói&lt;/i&gt; vai entender os meandros da nossa comunidade? As inúmeras linhas, doutrinas e facções que se entrecruzam, os ódios, rangeres de dentes e os diz-que-diz-que, que vicejam entre nós? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: verdana;" class="MsoNormal"&gt;E há também um complicador que é a própria personalidade do Rabino. Quem é que pode entender um rabino que se declara vaidoso e se jacta de suas conquistas? Um homem que se sente à vontade tanto ao lado do Maluf como do Covas, do Lula, do Arafat ou do Papa...dá pra entender? Isso lá é postura de um homem que fez da religião o seu ofício? É! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: verdana;" class="MsoNormal"&gt;No prefácio, FHC diz que passou uma tarde de sábado lendo o livro, cinco ou seis horas, talvez. Eu fui mais rápido. Não levei nem três para lê-lo (verdade que obliterei as prédicas e apêndices), o que denota o fato de que o livro é muito interessante, apesar do viés do contexto. Contudo, este foi o cenário que se apresentou ao Sobel, e, apesar de tudo, o livro prende a atenção, evoca lembranças, emociona e deixa uma sensação de perda. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: verdana;" class="MsoNormal"&gt;Quem sabe daqui a alguns anos, o assunto estando mais sedimentado, possa ser lançado “Um Homem Um Rabino – &lt;i style=""&gt;reloaded&lt;/i&gt;”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: verdana;" class="MsoNormal"&gt;Não posso, finalmente, me furtar a destacar três coisas que me chamaram a atenção. A primeira, o sobrenome original do Henry Isaac: Zweibil. Nem desconfiava! A segunda, &lt;i style=""&gt;en passant&lt;/i&gt;, Sobel confessa não ter sido aquele, &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Bookman Old Style&amp;quot;;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;seu primeiro incidente com a polícia americana. E a terceira, na seção de fotos, o Sobel tentando explicar ao Lula como se faz o &lt;/span&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;hamsa.&lt;/span&gt; &lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3400338460454315107-6414228938667131245?l=mograbi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mograbi.blogspot.com/feeds/6414228938667131245/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=3400338460454315107&amp;postID=6414228938667131245&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3400338460454315107/posts/default/6414228938667131245'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3400338460454315107/posts/default/6414228938667131245'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mograbi.blogspot.com/2008/04/o-livro-do-sobel.html' title='O livro do Sobel'/><author><name>Mograbi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18057053617326764793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='18428156117566545472'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3400338460454315107.post-8207485174772764430</id><published>2008-04-08T10:50:00.000-03:00</published><updated>2008-04-08T10:51:02.156-03:00</updated><title type='text'>putz!</title><content type='html'>esqueci de postar o resto da novela&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3400338460454315107-8207485174772764430?l=mograbi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mograbi.blogspot.com/feeds/8207485174772764430/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=3400338460454315107&amp;postID=8207485174772764430&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3400338460454315107/posts/default/8207485174772764430'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3400338460454315107/posts/default/8207485174772764430'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mograbi.blogspot.com/2008/04/putz.html' title='putz!'/><author><name>Mograbi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18057053617326764793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='18428156117566545472'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3400338460454315107.post-5176313457656648752</id><published>2007-02-12T09:40:00.000-03:00</published><updated>2007-02-12T09:42:00.873-03:00</updated><title type='text'>Um dia na vida - décimo primeiro fragmento - 11:27</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;Não dei atenção às perorações do contador porque já conheço seu jeito de se afligir quando se acumulam diversas tarefas com tempo determinado para acabar e ele sabe que não vai dar conta de terminar nenhuma delas: ele chama a isso de “problemão”! Costuma me pedir ajuda no intuito de que eu o dispense de alguma delas ou de todas, preferencialmente, pois sendo um destes contadores tradicionais e conservadores, tem o hábito de dizer que esta não deveria ser sua tarefa, ao que eu costumo responder que “nós somos uma empresa pequena e que hoje em dia um funcionário tem que ser mais flexível, até os motores de carros aceitam hoje diversos tipos de combustível, porque um funcionário régiamente pago não pode também ser multi-tarefas”? O fato é que estes debates costumam demorar muito tempo então eu tomo o cuidado de iniciá-los somente quando tenho tempo de sobra e estou de bom humor! Quando ele tem um problema de verdade costuma se recolher à sua mesa e entra num mutismo absoluto, como se estivesse em coma e, nessa hora, somente nessa hora, é que eu começo a me preocupar. E, mesmo assim, só um pouco! Sendo assim, entrei como uma flecha, sem olhar ninguém diretamente nos olhos, para não dar chance a questionamentos, desculpando-me pelo esquecimento da minha própria chave. Cumprimentei algumas pessoas que vi na sala de espera e me dirigi à minha própria onde, logo após entrar, fechei a porta, abri a janela para deixar entrar o ar frio do inverno e desabei na cadeira já me sentindo esgotado num dia que mal havia começado. Enquanto ligava o computador perguntei para mim mesmo se não estaria ficando velho demais e se não seria o caso de abandonar a academia que me fazia acordar de madrugada e me esgotava com toda essa levantação de ferros e corridas desvairadas para lugar nenhum a bordo de bicicletas imóveis ou encima de esteiras estacionadas. O computador me avisou que eram 11:33hs e, pela enésima vez naquele dia, resolvi parar de pensar em cretinices e me concentrar naquilo que tinha que ser feito e por isso fui até a porta e depois de abrí-la chamei pelo contador, pelo boy, pela auxiliar administrativa e pela nossa secretária, pronunciando em voz alta cada um dos seus nomes, pausada e claramente, e voltei par a minha mesa onde o micro já tinha carregado e mostrava a minha agenda do dia que estava totalmente desatualizada em função do adiantado da hora e também porque eu não a atualizara nos últimos seis meses. Depois de tentar lembrar como é que se desabilitava esta função “agenda” eu virei e me deparei com três das quatro pessoas que havia chamado, que miravam-me com olhar mortiço. Às 11:36hs desvencilhei-me do boy que, para variar, já estava com o dia tomado e perguntou aos céus, enquanto saía, “quando será que Deus vai olhar pra mim ou, pelo menos, iluminar a cabeça das pessoas para que elas percebam que eu sou um só e que não dá pra estar em quatro lugares ao mesmo tempo. Depois eles não entendem porque é que tem tanto bandido nas ruas e tanto homem-bomba no Oriente Médio...” Às 11:38hs cobrei da auxiliar como ia a preparação da folha de pagamento e ela se defendeu acusando meio mundo e dizendo que ali ninguém a respeitava, não mandavam os cartões de ponto ou se os mandavam o faziam de forma incorreta e incompleta e, por isso, juntos fizemos cinco ligações telefônicas e depois das promessas que ouvi, ela própria prometeu-me que a folha estaria na minha mesa ao final da tarde desde que a secretária, que não estava presente, deixasse de ser tão folgada e a ajudasse na colossal tarefa de digitação, conferência e impressão. Neste exato momento, a moça citada entra na sala, senta-se de cara amarrada e diz que ela ajuda na medida do possível, que faz dela as palavras do boy e que também ela se transformaria numa mulher-bomba caso as pessoas não entendessem que ela era uma só. Às 11:48hs a auxiliar administrativa lhe disse que “deste tamanho que você está, vai ficar meio difícil as pessoas acharem que você é uma só e aliás, você já parece uma mulher-bomba”! Ante a estupefação da secretária, ao invés de gargalhar, resolvi interferir e perguntar: “afinal de contas, o que é que vocês sabem de mulheres e homens-bomba que em vinte minutos, tanta gente já falou”? O contador que até o momento tinha estado calado parou de rir e disse que era eu mesmo que não parava de falar dos palestinos e que eles tinham tomado gosto pela coisa. A secretária chorosa reclamou por ter sido chamado de gorda e disse que ela trabalhava muito e que ninguém reconhecia e que ela não tinha culpa de sentir tanta fome e ter disfunções hormonais e então, para ser gentil, eu perguntei porque ela não fazia exercícios ao que ela respondeu que isso para ela não adiantava e foi quando eu decidi encerrar o assunto e solicitei formalmente a sua colaboração no sentido de agilizar o término da folha de pagamento e, para ser mais incisivo, emendei: “caso contrário a empresa será obrigada a atrasar os salários e todos os setenta funcionários vão saber quais foram os motivos do atraso”! Eram 11:56hs quando a auxiliar deu uma grande risada e disse que quando a notícia é ruim, a empresa é que será obrigada a fazer isso e aquilo. Quando a notícia é boa, nosso chefe aqui é que conseguiu os benefícios”! E passando a mão no ombro da secretária, disse: “vamos, dona Baleia, vamos trabalhar antes que o exército de Israel coloque os tanques na rua”. A secretária afastou a mão dela e, pesadamente, saiu rebolando o avantajado traseiro. Na porta ela ainda perguntou se eu queria algo da padaria já que seria necessário reforçar seu estoque de bolachas para suportar o ritmo pesado de trabalho da parte da tarde.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Continua...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3400338460454315107-5176313457656648752?l=mograbi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mograbi.blogspot.com/feeds/5176313457656648752/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=3400338460454315107&amp;postID=5176313457656648752&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3400338460454315107/posts/default/5176313457656648752'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3400338460454315107/posts/default/5176313457656648752'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mograbi.blogspot.com/2007/02/um-dia-na-vida-1127.html' title='Um dia na vida - décimo primeiro fragmento - 11:27'/><author><name>Mograbi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18057053617326764793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='18428156117566545472'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3400338460454315107.post-5627176024995777175</id><published>2007-02-04T09:44:00.000-03:00</published><updated>2007-02-04T09:46:11.689-03:00</updated><title type='text'>Um dia na vida - décimo fragmento - 11:16</title><content type='html'>Pelo adiantado da hora percebi que o dia ia ser muito pior do que imaginara quando acordei há pouco mais de cinco horas. A avenida diante de mim estava vazia como se fosse um feriado mas bastava olhar pelo retrovisor para ver a turba ensandecida de automóveis que se arrojavam pelo asfalto e que, como eu, tentava repor os minutos perdidos enquanto os bombeiros tentavam remover do asfalto os destroços do caminhão acidentado. Enquanto acelerava eu tentava me concentrar naquilo que faria primeiro ao chegar ao escritório e, aproveitando a onda de sinais verdes que se abriam adiante, priorizei as atividades de acordo com a urgência e prometi para mim mesmo que não me desviaria nem um milímetro do planejado pois este atraso deixaria o meu dia ainda mais curto, levando-se em conta que eu teria que pegar meu filho na escola no fim da tarde. Eram 11:18hs quando tive que diminuir a marcha porque adiante, já quase no Paraíso, um dos semáforos ficou amarelo. Decidi que logo ao chegar despacharia com o contador para resolver de uma vez por todas aquele problema da Certidão do INSS. Em seguida ia tratar da folha de pagamento. Depois ia ligar para o banco. Não poderia esquecer de cobrar do contador aquele assunto da aposentadoria da faxineira. Nem a contratação do motorista da Kombi e, caso nenhum dos que já tinham aparecido servisse, pensei que talvez fosse o caso de colocar um anúncio. O sinal fechou às 11:19hs e eu fiquei tamborilando impaciente no volante enquanto observava os pedestres atravessarem a faixa à minha frente. Achei que não ia dar tempo de fazer tudo antes da reunião da tarde a não ser que eu pulasse o almoço, mas não queria pular o almoço porque depois eu ficaria morrendo de fome, e acabaria mandando alguém comprar sanduíches na padaria e aí, no dia seguinte, seria obrigado a fazer tempo extra de bicicleta ou esteira, atividade que andava me deixando cada vez mais impaciente; então resolvi que iria almoçar bem e, por isso, engatei a primeira marcha assim que o farol ficou amarelo e me exasperei ao ver que neste exato momento dois velhinhos iniciaram uma vagarosa travessia da avenida, exatamente do lado oposto de onde eu me achava. Quando o casal de idosos alcançou a metade da avenida o farol ficou verde e eles tiveram um momento de vacilação, mas, por sorte, um marronzinho que apareceu não sei de onde, impôs a sua autoridade e segurou os motoristas, entre eles eu, até que os dois chegassem assustados, mas, a salvo à calçada. Quando parti, fiquei me maldizendo pelo grau de hostilidade, ferocidade e agressividade a que esta cidade leva seus moradores, que estão sempre pensando apenas no próprio umbigo, a ponto de pensar, como eu pensei, se dava tempo de passar na frente dos velhinhos, para não perder dez ou quinze segundos. Depois fiquei rindo sozinho pois eu mesmo duvidei que seria capaz de fazer aquilo, mas, não resta dúvida que cheguei a cogitar e isso bastava para me tornar um completo idiota. Às 11:20hs, já na Vila Mariana, fiquei imaginando uma maneira de me redimir e achei que, já que estava tão difícil chegar ao trabalho, que talvez eu devesse simplesmente não ir trabalhar e, ao invés disso, passar o resto do dia fazendo boas ações, postar-me num cruzamento perigoso e ficar auxiliando as pessoas a atravessar a rua, como faziam os sobrinhos do Pato Donald, ou então, ir até o Bom Retiro e prestar trabalho voluntário por um dia em alguma instituição. No fim, enquanto esperava na Domingos de Moraes a outro sinal abrir, resolvi parar de ruminar tolices e me concentrar naquilo que eu tinha que fazer e tentar fazer bem feito, porque, até aquele instante, meu dia tinha sido de um vazio abissal e, fora o fato de ter levado minha filha até o ônibus da escola, eu não conseguia elencar nenhuma outra atividade produtiva que eu tivesse feito. Talvez o pão fresco que eu comprara na padaria pudesse ser considerado como atividade produtiva? O super sanduíche e o Nescau que preparara para o meu filho no café da manhã? Minha habilidade para driblar problemas financeiros logo cedo? Não sei! Às 11:23hs estacionei o carro em frente ao escritório e repassei minha estratégia da melhor forma possível de aproveitamento do tempo. Não consegui encontrar a chave da porta então toquei a campainha e fiquei esperando enquanto escutava os passos miúdos e arrastados da faxineira que ia ser aposentada aproximar-se com dificuldade para abrir a porta. Durante alguns segundos ela lutou contra um acesso de tosse a poucos centímetros de mim do outro lado da porta. Depois travou uma pequena batalha com o molho de chaves ao tentar escolher aquela que faria girar o miolo da fechadura. Os barulhos se repetiam conforme suas tentativas e erros e, já percebendo de que se tratava da minha pessoa a demandar entrada, desculpava-se chorosamente culpando sua precária visão, depois a tosse e por fim sua falta de ar. Permaneci impassível na minha posição ereta enquanto se desenrolavam os acontecimentos e lamentava o esquecimento da minha chave que causava tamanho sofrimento à faxineira, o que levou meus pensamentos para os velhinhos claudicantes que atravessavam a avenida enquanto eu me impacientava ao volante e, nisso, as duas impaciências ficaram girando na minha cabeça e, por uns instantes, tive ímpetos de fugir dali, porém, às 11:26hs, a porta foi aberta pelo contador, que na verdade não é só contador e sim um faz tudo, a me dizer: “graças a Deus que você chegou! Tô com um problemão!”&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;continua...&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3400338460454315107-5627176024995777175?l=mograbi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mograbi.blogspot.com/feeds/5627176024995777175/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=3400338460454315107&amp;postID=5627176024995777175&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3400338460454315107/posts/default/5627176024995777175'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3400338460454315107/posts/default/5627176024995777175'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mograbi.blogspot.com/2007/02/um-dia-na-vida-dcimo-fragmento-1116.html' title='Um dia na vida - décimo fragmento - 11:16'/><author><name>Mograbi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18057053617326764793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='18428156117566545472'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3400338460454315107.post-7421115564448478744</id><published>2007-01-28T17:18:00.000-03:00</published><updated>2007-02-04T09:37:02.112-03:00</updated><title type='text'>Um dia na vida - nono fragmento - 10:21</title><content type='html'>Enquanto deslizava pelas outrora tranqüilas ruas do bairro de Vila Madalena deleitava-me a escutar atenciosamente os sábios conselhos sobre economia de um sujeito chamado Mauro Halfeld (não sei se é assim que escreve) que, com voz calma e aveludada, aconselhava a todos os “brasileiros que tinham passado o ano de 2006 afundados num lamaçal de dívidas”, que tratassem de usar o que tivesse sobrado do décimo terceiro salário para tentar quitá-las no todo ou em parte, ou, se isto fosse impossível, que tentassem trocar estas dívidas mais caras por outras mais baratas e aproveitava para explicar aos endividados em desespero quais eram as melhores opções que estes tinham à disposição no moderno e pujante mercado financeiro brasileiro. Eu estava dando graças aos céus que pelo menos deste mal eu não padecia quando posicionei o carro, às 10:23hs, no fim de uma ruazinha a partir da qual, virando à direita, eu já estaria na Heitor Penteado e dali, teoricamente, seguindo numa linha reta por meros seis quilômetros, depois de trafegar pelas Avenidas Doutor Arnaldo, Paulista, Bernardino de Campos e por um pedaço da Rua Vergueiro, eu logo chegaria ao escritório. Teoricamente, eu disse! Na prática fiquei parado uns bons minutos naquela ruazinha até conseguir entrar à direita na Heitor. Quando consegui, às 10:26hs, só o fiz para me posicionar numa extensa fila de veículos que se espraiavam até onde a vista alcançava. Uma profusão de luzes vermelhas acesas e escapamentos que soltavam aquela fumaça sufocante podiam ser vistas e sentidos impassíveis ao longo da avenida. Pensei em ficar nervoso e amaldiçoar a cidade, as pessoas e os carros, mas, ao invés disso, resolvi relaxar e aproveitar o tempo que ficaria parado no trânsito fazendo alguns telefonemas e, se ainda desse tempo, ler algum material que eu ia precisar para a reunião que teríamos na parte da tarde, isto se eu conseguisse chegar ao trabalho, já que eram 10:30hs e eu só tinha andado uma quadra desde a última vez que tinha olhado o relógio. Os carros começaram a rodar a passo de cágado na altura daquele esplendoroso prédio da Casa de Cultura de Israel, que parece sempre vazio, encima do Viaduto da Sumaré. Naquele ponto dava para ver que o trânsito estava totalmente parado, e que não havia nenhuma esperança de alívio. Logo depois de desligar o telefone, tive ímpetos de mudar de rumos, tentar sair da arapuca, mas, para onde olhava, só via carros parados e gente irritada e, assim sendo, resolvi ser fiel a meus princípios e procurei no banco de trás por uma revista que sempre levo para estas emergências e, entre diversas trocas de marchas, li duas reportagens.&lt;br /&gt;Às 10:45hs cheguei no começo da Dr. Arnaldo e me vi encapsulado na passagem que dá acesso à Paulista. Na CBN informavam que “havia uma passeata de professores na Paulista se dirigindo para a Prefeitura no Viaduto do Chá e que a situação tinha se complicado por causa de um carro de som que tombara ao fazer uma curva interditando três pistas da Avenida. O trânsito estava sendo desviado para ruas laterais enquanto os bombeiros tentavam a remoção do veículo e dos feridos, mas, a maior parte do congestionamento era causada por motoristas curiosos que vinham em sentido contrário e que diminuíam a velocidade para ver as “cenas da tragédia”. Pelas informações, eu era um destes motoristas do sentido contrário e pensei que, se tivesse chance, com certeza iria diminuir a velocidade para ver as tais cenas. Depois de tanto tempo no carro, eu certamente merecia ver o que causava o transtorno. Não entendo como é que as pessoas não entendem que o ser humano é curioso, ainda mais quando se trata de observar a desgraça alheia. Eram 11:00hs quando me acerquei do local. Este também é o horário em que costumo comer uma frutinha e logo me lembrei dos pêssegos que tinha trazido de casa. Para tentar não perder nenhum detalhe, ajeitei o fone de ouvido para o caso do telefone tocar, e coloquei o saquinho de pêssegos ao meu lado para que ficassem à mão e, distraidamente, mordisquei um deles que se apresentou macio, levemente perfumado e corretamente agridoce, exatamente como um pêssego deve ser.&lt;br /&gt;Passava apenas um carro por vez pelo estreito corredor entre o caminhão tombado e a calçada da avenida e eu já tinha comido dois pêssegos quando finalmente chegou a minha vez. No entanto, para minha surpresa, um marronzinho me fez sinal para parar e disse para eu dar uma marcha à ré e, acercando-se da janela, informou-me que eu teria que aguardar porque neste exato instante, iria ter início uma tentativa de içar o caminhão, já que todos os feridos tinham sido retirados e atendidos. Sem mais delongas, afastou-se altaneiro, como se tivesse acabado de cumprir sua missão. Parei no local indicado e, saindo do carro, passei a observar os fatos que atazanavam a vida da cidade naquele dia. Pensei em ligar para a CBN e perguntar se eles queriam que eu irradiasse os acontecimentos ao vivo, mas não demorou muito e eu me vi cercado por uma multidão de motoristas e transeuntes que se aboletavam ao meu lado, o que me deixou bastante contrariado. Sendo assim, voltei para dentro do carro, liguei ambos, motor e ar condicionado e fiquei, aí sim, prestando atenção às desastradas manobras do guincho dos bombeiros que tentou, não uma, nem duas, mas nove vezes, colocar o caminhão de pé. Eram 11:15hs quando a multidão se dispersou e eu pude, finalmente, me ver novamente em movimento.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Continua...&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3400338460454315107-7421115564448478744?l=mograbi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mograbi.blogspot.com/feeds/7421115564448478744/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=3400338460454315107&amp;postID=7421115564448478744&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3400338460454315107/posts/default/7421115564448478744'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3400338460454315107/posts/default/7421115564448478744'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mograbi.blogspot.com/2007/01/um-dia-na-vida-nono-fragmento.html' title='Um dia na vida - nono fragmento - 10:21'/><author><name>Mograbi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18057053617326764793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='18428156117566545472'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3400338460454315107.post-5778102545686929341</id><published>2007-01-21T14:12:00.000-03:00</published><updated>2007-02-04T09:36:24.725-03:00</updated><title type='text'>Um dia na vida - oitavo fragmento 9:16</title><content type='html'>Minha mulher é um pouco distraída, mas apenas para as coisas que não têm importância. Ela é capaz de não saber aonde foram parar os óculos que estão na mão dela, mas não esquece que tem que levar os filhos ao dentista daqui a quatro meses, por exemplo. Disse isso porque, às vezes, essa distração me causa espécie e, como aconteceu há um minuto atrás, eu nada respondi quando ela me perguntou sobre o paradeiro dos seus óculos escuros e não o fiz por dois motivos: primeiro porque o dia estava meio encoberto e segundo porque o tal conjunto de duas lentes usado para compensar defeitos visuais montado em armação própria com duas hastes que se prendem às orelhas estava nas suas mãos e em poucos segundos ela perceberia, como de fato percebeu, e a minha informação se mostraria totalmente desnecessária.&lt;br /&gt;A casa mergulhou num silêncio absoluto logo após a saída deles e eu pude me concentrar na desagradável tarefa de verificar os saldos bancários das minhas pessoas física e jurídica, fazer alguns pagamentos devidos, algumas transferências e outras atividades mal-cheirosas.&lt;br /&gt;Às 9:20hs eu já tinha em mãos os extratos das duas contas da pessoa jurídica e logo percebi que não haveria dinheiro suficiente para fazer tudo o que precisava ser feito. Fiquei uns minutinhos analisando quais seriam as possibilidades de se obter os recursos necessários, analisei com mais demora o calendário e contei algumas vezes os dias que faltavam para o fim do mês, quantos dias faltavam para entrar aquele dinheiro mais polpudo e tentei lembrar como é que andavam as minhas relações com o gerente do banco. Às 9:30hs, cheguei à conclusão que algumas das obrigações poderiam ser adiadas, já que o fim do mês e o tal dinheiro ainda demorariam um pouco para chegar, mas, em compensação, lembrei que tinha acabado de renovar o seguro do carro e que eu e o gerente estávamos vivendo um bom momento. Assim sendo, resolvi deixar tudo pra lá e prometi para mim mesmo que iria resolver aquilo mais tarde e dediquei-me a responder alguns emails que tinham chegado durante a noite, enquanto eu dormia. Por volta das dez da noite de ontem, quando fechei minha caixa de entrada, eu tinha lido todas as mensagens que havia. Cheguei à conclusão que ninguém dormia pois quando abri a caixa de manhã, às 9:35hs, havia mais de 20 mensagens postadas durante a madrugada anteriore e mais algumas que haviam chegado agora pela manhã. A maioria delas versava sobre a organização de um jantar que aconteceria no fim do mês com os colegas com quem me formei no ginásio no longínquo ano de 1969. É engraçado ver um monte de marmanjos com mais de cinqüenta anos de repente transformados em meninos e meninas de quinze ou dezesseis anos. Eu estava bastante entretido com as mensagens, mas, às 9:50hs, me dei conta que também estava muito atrasado para ir trabalhar e resolvi ir tomar banho, o que fiz com enorme prazer, pois eu ainda recendia aos suores da academia. Enquanto abria o chuveiro escutei tocar o celular e fiquei em dúvida se ia pelado até a sala atender ou se o deixava a tocar. Se fosse pelado, corria o risco de dar de cara com a empregada que já estava arrumando a casa, atividade que ela começa a fazer no minuto em que eu levanto do computador, seja isso às dez da manhã ou ao meio-dia, pouco importa. Diante deste risco, resolvi ignorar o telefone, que tocou um monte de vezes, e deixei as águas tépidas do chuveiro molharem o meu corpo antes de começar a escovar metodicamente os meus dentes, coisa que fiz depois de passar fio dental. Depois, ensaboei o corpo vigorosamente sentindo um enorme bem estar enquanto toda a imundície escorria pelo ralo. Uma generosa porção de shampoo tratou da depuração da barba e do cabelo, de forma que às 10:05hs, eu já me encontrava limpo e seco, pronto para me vestir e sair para o meu dia de trabalho. Fiquei alguns segundos parados em frente ao armário sem conseguir decidir que roupa vestir e senti uma certa saudade dos tempos em que eu trabalhava de terno. Era só pegar o terno do dia, uma camisa branca, a gravata correspondente ao terno e pronto. Então, lancei mão da mesma calça que tinha usado ontem e anteontem, escolhi uma camisa qualquer e comecei a me vestir com rapidez. O resultado é que me vi com uma calça verde e uma camisa amarela e achei o resultado tão ridículo que voltei para o armário e acabei pegando uma outra camisa, desta vez bege. Às 10:15hs eu pedi para a nossa ajudante lavar dois pêssegos que eu comeria durante a tarde, coisa que ela fez com presteza, entregando-os devidamente embrulhados em guardanapos e acondicionados num saco plástico. Antes de desligar o computador ainda tive tempo de responder mais duas mensagens e atender a um telefonema da minha mãe que estava preocupada porque eu não tinha atendido às três últimas ligações que ela fizera. Tinha ainda mais uma ligação não atendida do escritório, mas, como eu já estava a caminho, resolvi não responder e ver do que se tratava, ao vivo, quando lá chegasse. Às 10:20hs eu estava de novo no sub solo dando a partida no carro e, em poucos segundos, depois das manobras de praxe, eu me impacientava outra vez na frente do portão da garagem, que estrebuchava e guinchava para abrir, enquanto ao mesmo tempo, eu tentava escolher no rádio entre os apresentadores pedantes da CBN ou uma programação classic-rock da Kiss/FM.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Continua...&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3400338460454315107-5778102545686929341?l=mograbi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mograbi.blogspot.com/feeds/5778102545686929341/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=3400338460454315107&amp;postID=5778102545686929341&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3400338460454315107/posts/default/5778102545686929341'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3400338460454315107/posts/default/5778102545686929341'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mograbi.blogspot.com/2007/01/um-dia-na-vida-oitavo-fragmento.html' title='Um dia na vida - oitavo fragmento 9:16'/><author><name>Mograbi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18057053617326764793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='18428156117566545472'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3400338460454315107.post-942079517711156995</id><published>2007-01-14T19:33:00.000-03:00</published><updated>2007-02-04T09:35:54.140-03:00</updated><title type='text'>Um dia na vida - sétimo fragmento - 8:34</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;Está provado que quando fazemos algum tipo de atividade física o organismo produz grandes quantidades de uma substância química chamada endorfina que é a responsável por nos transmitir aquela sensação de relaxamento e bem estar, que nos deixa, enquanto está atuando sobre o sistema nervoso, com uma ótima disposição de ânimo e bom humor. Quando chego em casa para o café da manhã vindo da academia, estou com o nível mais alto de endorfinas que vou ter durante o dia e, por isso, aliado ao fato de estar morrendo de fome e saber que vou comer daqui a pouco, encontro-me naquele momento em excelente estado de espírito e de ótimo humor tanto que, às vezes, como por exemplo às segundas feiras, quando a empregada ainda não chegou do fim de semana e sou obrigado a esquentar a água e passar o café além de preparar a mesa para a família antes de sentar para comer mesmo estando morto de fome, desincumbo-me destas tarefas com leveza enquanto cantarolo minhas músicas preferidas, geralmente rocks clássicos ou dos Beatles. Depois, com a mesa já posta, costumo abrir com delicadeza as persianas dos quartos, acordo a minha mulher e meu filho, ligo o computador e, aos poucos, vou colocando a casa em movimento. Mas, neste dia, às 8:35hs, enquanto comíamos generosas porções de melão, apenas comentávamos com vivo interesse, um pedaço da conversa que tínhamos tido com a nossa filha no jantar a respeito das diferentes formas que as pessoas dormem e achamos curioso o fato de eu e minha filha termos hábitos parecidas sem que nunca tivéssemos comentado qualquer coisa um com o outro. Por exemplo, para equilibrar a temperatura do corpo durante a noite, se estou com calor, eu durmo com uma perna coberta e a outra não. Eis que, assim do nada, a menina solta que, na noite anterior, tendo sentido um pouco de calor e, a fim de contrabalançar sua temperatura, descobriu uma das pernas, deixando a outra coberta. Eram 8:40hs quando terminei o melão e perguntei à minha mulher se seria possível eu ter passado essa mania para ela através dos meus genes, ao que ela respondeu: “essa e muitas outras”! Fiquei sem saber se aquilo seria uma crítica ou um elogio, mas, como eu estava de boníssimo humor, deixei a dúvida pra lá e, no exato momento em que meu filho apareceu na cozinha com os olhos inchados de sono e o cabelo desgrenhado e em pé, comecei a preparar um copo de café com leite, o que dá um certo trabalho pois leva leite em pó desnatado, adoçante, além do café propriamente dito e tem que ser muito bem batido senão o leite fica empedrado e, quando isso acontece, praticamente inviabiliza o seu consumo.&lt;br /&gt;De pé na porta, meu filho pergunta: “tem pão fresco”? Eu respondo que sim, e falo para ele vir logo que o pão ainda está quentinho. Ele vem e puxa uma cadeira para sentar e a mãe diz para ele ir primeiro fazer xixi e lavar o rosto e ele diz que já fez isso em tom de protesto e a mãe exige que ele se levante de pronto e vá aliviar o xixi matinal e lavar o rosto e, neste ponto, inicia-se uma negociação onde ele aceita levantar-se para lavar o rosto e fazer xixi desde que, enquanto isso, ela lhe preparasse um sanduíche de queijo e presunto e eu um copo de chocolate frio sem pelotas. Nós concordamos e ele se levantou para cumprir sua parte do acordo. Às 8:47hs, enquanto eu comia uma torrada com queijo cottage e bebia meu café com leite, meu filho voltou do banheiro e se pôs a comer, sem muito ânimo, a metade de um pão com queijo e presunto. Enquanto eu pensava se devia comer uma terceira torrada, ele largou o sanduíche, o que gerou protestos vigorosos da sua mãe, e tomou de um gole só todo o copo de Nescau que eu lhe preparara, levantando-se rapidamente da mesa para, segundo ele, ir fazer coco. Às 8:52hs, combinei com a minha mulher alguns detalhes sobre o transcorrer do dia e me dei conta que este seria corrido por causa do rodízio do carro dela, o que me traria algumas incumbências adicionais ao final da tarde. Quando levantei da mesa, perguntei-me até que horas agüentariam as minhas endorfinas e se elas seriam suficientes para atravessar o dia que se apresentava. De qualquer forma, ás 8:55hs, fui para o computador onde encontrei meu filho ocupado com um joguinho e perguntei: “ué, você não ia fazer coco”? “Um minutinho”, foi o que ele respondeu e eu me impacientei um pouco pois já estava atrasado, tinha alguns emails para mandar, tinha que entrar em alguns bancos pela Internet e ele ficava repetindo: “só um minutinho”! “Já vou fazer coco”!&lt;br /&gt;De repente irrompe minha mulher pela sala e diz para o menino: “mas você ainda está aí”? Depois para mim: “você não sabe que nós temos que chegar mais cedo hoje na natação”? “Ele tem exame médico”! Enquanto às 8:58hs eu conseguia de volta o meu computador, comecei a escutar nos interiores da casa uma atividade frenética de abertura e fechamento de portas, escovação de dentes, torneiras aspergindo água, descargas sendo dadas, passos apressados, gritos, protestos, ameaças e muitas idas e vindas da minha mulher, do meu filho e, principalmente, da nossa ajudante doméstica que, ao que tudo indicava, não cumprira nenhuma das tarefas que lhe tinham sido atribuídas. Às 9:15hs, meu filho apareceu sorrindo, elegantemente trajado de roupão azul, touca de natação e chinelos rider e me disse: “tchau pai, bom dia!”! Depois veio minha mulher esbaforida segurando seus óculos escuros na mão. De passagem, enquanto pegava a bolsa, ela perguntou: “tchau, tô atrasadíssima. Você viu meus óculos escuros por aí”?&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Continua...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3400338460454315107-942079517711156995?l=mograbi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mograbi.blogspot.com/feeds/942079517711156995/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=3400338460454315107&amp;postID=942079517711156995&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3400338460454315107/posts/default/942079517711156995'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3400338460454315107/posts/default/942079517711156995'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mograbi.blogspot.com/2007/01/um-dia-na-vida-stimo-fragmento.html' title='Um dia na vida - sétimo fragmento - 8:34'/><author><name>Mograbi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18057053617326764793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='18428156117566545472'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3400338460454315107.post-4245598605192980275</id><published>2006-12-17T07:11:00.000-03:00</published><updated>2007-02-04T09:35:27.032-03:00</updated><title type='text'>Um dia na vida - sexto fragmento - 8:20</title><content type='html'>Devo ter feito meu pedido umas quatro vezes no balcão daquela padaria que é uma da mais refinadas da Vila Madalena até que uma das mocinhas concedeu-me o esforço de se virar. Atrás de mim já se formava uma pequena fila de cinco pessoas que faziam seus pedidos a esmo. A moça, uma loira de olhos azuis inexpressivos, parada bem à minha frente do outro lado do balcão, gritou a plenos pulmões: “próximo”! Eu repeti que queria quatro pãezinhos claros e duzentos gramas de queijo prato, ao que ela se virou para a cesta de pães e, enquanto os pescava com um pegador de ferro e os colocava num saco, gritou novamente sem se dirigir a alguém em específico: “frios”! Depois, virou-se lentamente, marcou o valor do pão numa comanda, entregou-me o saco e a comanda, gritou novamente, “frios”!, e apontou-me um local à esquerda onde, supostamente, alguém iria fatiar o queijo. Mantendo-me frio, peguei a comanda e o pacote e abri este último para averiguar o conteúdo notando que todos os pães eram muito mais escuros do que o desejável. Ato contínuo devolvi a compra dizendo que eu tinha pedido pães clarinhos e ela, olhando-me com cara de poucos amigos, recolocou os pães na cesta e foi para a cozinha, enquanto a fila aumentava. Voltou com quatro pães que estavam a meu gosto e, depois de me entregar o pacote gritou: “próximo”! Antes de sair da fila perguntei quem ia fatiar o queijo e ela respondeu quem seria, apontando-me um rapaz que já estava manuseando com grande esforço a máquina de cortar. Dei dois passos para o lado e postei-me à frente do menino que logo me ofereceu uma fatia. Perguntou-me se a espessura estava boa e eu disse que sim e fiquei esperando enquanto aquela lâmina ia e vinha e as fatias caíam no pratinho de isopor que tinha sido colocado embaixo. Enquanto ele se esforçava eu fiquei observando o ambiente da padaria. Eram 8:25hs e algumas pessoas tomavam café da manhã em pé no balcão. Era uma população heterogênea, formada por executivos de terno e gravata, outros como eu de short e agasalho, moças um pouco mais descontraídas, trabalhadores em geral, estudantes, guardas e motoristas de táxi. Havia muita gente comprando víveres e a fila que se formara antes não diminuía. Para meu desgosto, enquanto esperava o queijo, uma outra fila tomava corpo no caixa e eu me preocupava em ter de enfrentá-la quando o rapaz me entregou o pacote e pediu-me a comanda para marcar o valor da compra. Às 8:28hs entrei na fila do caixa e impacientei-me por estar muito atrasado. A esta hora minha mulher já devia ter acordado e estaria aguardando o pão fresco sem saber o motivo do meu atraso que, na verdade, se dera por causa do ônibus da minha filha, mas isso não vem ao caso, porque fui ficando cada vez mais nervoso ao perceber que quem pilotava o caixa era uma funcionária pouco esperta que se atrapalhava ao fazer o troco e ficava conferindo numa máquina de calcular a conta que o computador já lhe apresentava pronta quando ela inseria a comanda no visor ótico. Por fim, chegou a minha vez. O computador fez “bip” e apareceu o primeiro valor referente aos pães: 1,27. Fez “bip” novamente e apareceu: 3,56, relativo ao queijo. Total: 4,83. Dei vinte reais para a moça, fiz mentalmente as contas e esperei que me devolvesse o troco de quinze reais e dezessete centavos. A fila fervia enquanto ela refazia as contas na sua máquina de calcular portátil quando, pouco depois, colocou na minha frente quinze reais e quinze centavos. Por uma fração de segundos pensei em armar uma confusão pelos dois centavos faltantes, odeio essa história de “posso ficar devendo dois centavos?”. A moça estava lá totalmente apavorada exercendo uma função para a qual era incapacitada e eis que, surpreendentemente, mesmo achando um abuso, peguei o troco e fui embora sem uma palavra, entrei no carro, dei a partida, esperei o guardador de carros da padaria sinalizar se a rua estava livre, dei marcha à ré, parei no portão da minha garagem, acionei o controle remoto, esperei o portão abrir, entrei na garagem, fechei o portão, desci para segundo sub solo, estacionei na minha vaga, desliguei o motor, tranquei o carro, fui até o elevador, apertei o botão e esperei a máquina chegar.&lt;br /&gt;Às 8:31hs entrei em casa e deparei-me com a minha esposa sentada na mesa da copa lendo o jornal que eu deixara ali mais cedo, bebericando um café preto. “Pôxa, você demorou”, foi o que escutei enquanto colocava o pão quente e fresco e o queijo sobre a mesa. Depois, enquanto eu tirava o agasalho e a camiseta suada na área de serviço eu a ouvi dizer para a ajudante que trabalha em casa: “já foi acordar o meu filho? Depressa, senão nós vamos nos atrasar!”&lt;br /&gt;Às 8:32hs, sentei à mesa, ainda um pouco suado, mas já com uma camiseta limpa e verifiquei satisfeito que tudo já estava pronto para o café. De uma forma desordenada consegui localizar na mesa, além de copos, pratos e talheres, um melão, pão fresco, pão de forma, bisnaguinhas seven boys, margarina com e sem sal, manteiga, queijo cottage, queijo prato, requeijão, peito de peru, leite em pó, leite desnatado, nescau, adoçante, açúcar, uma garrafa térmica com café, cereal, danette, yakult, yogurt e, curioso, perguntei-me quem é que ia comer tudo aquilo, pergunta, aliás, que costumo me fazer todos os dias. Driblando a falta de espaço, cortei uma fatia de melão para mim e outra para minha esposa. E assim, às 8:33hs coloquei na boca um pedaço de melão que estava magistralmente no ponto e especialmente doce. Olhei para a minha mulher que fazia o mesmo e, nesse momento, eu sorri para ela. E ela para mim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Continua...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;“Um dia na vida” volta em 2007, nas primeiras semanas de janeiro.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3400338460454315107-4245598605192980275?l=mograbi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mograbi.blogspot.com/feeds/4245598605192980275/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=3400338460454315107&amp;postID=4245598605192980275&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3400338460454315107/posts/default/4245598605192980275'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3400338460454315107/posts/default/4245598605192980275'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mograbi.blogspot.com/2006/12/um-dia-na-vida-sexto-fragmento.html' title='Um dia na vida - sexto fragmento - 8:20'/><author><name>Mograbi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18057053617326764793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='18428156117566545472'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3400338460454315107.post-8382435833063996913</id><published>2006-12-10T20:56:00.000-03:00</published><updated>2007-02-04T09:35:00.642-03:00</updated><title type='text'>Um dia na vida - quinto fragmento - 7:39</title><content type='html'>Nas escadas cruzei com um sujeito que ficou olhando fixamente para a minha camiseta e só então fui me dar conta de que estava usando uma que tinha uma enorme estrela de David estampada no meio do peito, acho que da Marcha da Vida do ano passado. Perguntei-me porque o cara olhava tanto e, quando sentei na bicicleta e comecei a pedalar, a resposta veio através da reportagem da Rede Globo que passava em todas as televisões da sala de aeróbico. Dezenas de tanques e veículos blindados do exército de Israel penetravam pelo território do Líbano cuspindo fogo através de seus longos e grossos canhões enquanto o Marcos Losekan tentava escapar de uma katiusha amalucada que parecia não saber aonde ia, até que os espectadores a viram estatelar-se alguns metros à frente da câmera. Enquanto eu pedalava, as pessoas passavam por mim e miravam o olhar na estrela de David estampada no meu peito e depois olhavam para a televisão e viam o estrago que os aviões e os tanques que portavam a mesma estrela faziam no país dos cedros. Olhavam aquele monte de famílias brasileiras desesperadas tentando fugir dos ataques dos mísseis israelenses e depois voltavam o olhar para o meu peito arfante que suava para empurrar os pedais da bicicleta parada e queimar algumas míseras calorias das muitas por mim acumuladas ao longo dos anos. Eu queria explicar para eles o que, na verdade, estava acontecendo na tela. Queria contar dos meus amigos que tinham fugido dos petardos do Hesbollah para refugiar-se no sul. Queria falar que Israel fazia suas besteiras sim, mas, porque era levado a fazê-las. Que os verdadeiros responsáveis por esta situação idiota eram os anti-semitas europeus em primeira instância e, em segunda, os tribais e ignorantes líderes árabes à época da fundação do Estado de Israel. Mas quem queria me dar ouvidos? Era mais fácil entender que Israel estava destruindo aquele pequeno e belo país que acabava de ser reconstruído. Fui ficando com raiva, mas percebi, satisfeito, que com quanto mais raiva eu ficava, mais rápido o tempo passava e me dei conta de que, às 7:59hs, já havia passado vinte dos trinta minutos de exercício aeróbico que eu me obrigo a fazer todo dia após a musculação. Esta guerra e as pessoas olhando ostensivamente para a minha camiseta com um símbolo judaico me levaram a pensar em como era difícil ser judeu hoje em dia. Isso já tinha me passado pela cabeça ontem quando tentei almoçar num dos poucos restaurantes judaicos da cidade. Fui com uns amigos ao Bom Retiro porque sentimos vontade de comer guefiltefish. Depois de alguns desencontros e atrasos, acabamos chegando um pouco tarde. O lugar, conhecido como Shoshana, é uma espelunca feiosa que fica quase numa esquina perto da Rua Três Rios. Não é lá aquelas coisas em termos de apresentação, mas, como disseram que a comida era boa e vivia sempre cheio, foi com prazer que esperamos por quinze minutos até que uma pessoa muito mal educada, a própria dona segundo soube depois, nos avisou que a nossa mesa, nos fundos, ao lado do banheiro um pouco sujo, estava pronta. Entramos e confesso que senti um certo arrependimento, mas, enfim, havia outras pessoas lá comendo e bebendo e todos pareciam bem. Passou uma eternidade até que alguém se aproximasse e concordasse em trazer algo de beber. Mais algum tempo passou até que outra pessoa, desta vez o dono, viesse perguntar de forma grosseira porque não estávamos comendo. Quando respondemos que ainda não tínhamos conseguido pedir ele devolveu: “porque”? Foi difícil explicar ao ignorante que ninguém tinha nos atendido. Ele ficou nervoso e chamou sua esposa que então resolveu perguntar o que íamos querer. Eu falei: “quero guefiltefish”! Ela disse com desdém: “guefiltefish? À essa hora?”! Outra pessoa na mesa pediu varenikes que também tinha acabado. Em seguida descobrimos que dois outros pratos típicos também estavam em falta e então resolvemos perguntar, afinal, o que é que tinha para comer? A arrogante mulher afastou-se e voltou a chamar o marido que veio gritando: “o que vocês querem? Só temos peixe frito, sopa e fígado com ovo”! Respondemos que não era exatamente aquilo que tínhamos pensado comer, ao que ele, então, enfurecido, aos gritos, nos expulsou de lá: “então podem ir embora! Vão almoçar no coreano, lá é muito melhor”! Nesse momento, na academia, a mulher que estava na bicicleta ao meu lado perguntou do que é que eu estava rindo e eu disse que estava feliz porque tinha terminado meu treino. Eram 8:15hs quando parei de pedalar e já não pensava mais na guerra ou naquele ridículo e lamentável restaurante, muito menos nas risadas que demos depois na mesa do coreano. Apenas desci correndo as escadas porque já estava atrasado, coloquei o agasalho que pegara na chapelaria por cima da camiseta suada, cumprimentei de passagem as meninas da recepção e o guardador de carros, liguei o motor e arranquei em disparada. Quando desci na padaria para comprar pão fresco para o café, senti um leve repuxo no músculo posterior da coxa, o que me fez lembrar que eu esquecera de me alongar. Eram 8:19hs quando encostei a barriga no balcão e pedi bem alto para um dos cinco funcionários que estavam de costas para o público: “por favor, me vê quatro pãezinhos clarinhos e duzentos gramas de queijo prato fatiado bem fininho”?&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Continua...&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3400338460454315107-8382435833063996913?l=mograbi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mograbi.blogspot.com/feeds/8382435833063996913/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=3400338460454315107&amp;postID=8382435833063996913&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3400338460454315107/posts/default/8382435833063996913'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3400338460454315107/posts/default/8382435833063996913'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mograbi.blogspot.com/2006/12/um-dia-na-vida-quinto-fragmento.html' title='Um dia na vida - quinto fragmento - 7:39'/><author><name>Mograbi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18057053617326764793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='18428156117566545472'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3400338460454315107.post-146978722557381224</id><published>2006-12-02T20:52:00.000-03:00</published><updated>2007-02-04T09:34:29.903-03:00</updated><title type='text'>Um dia na vida - quarto fragmento - 7:04</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;A moça da chapelaria saudou-me animadamente enquanto eu lhe entregava o agasalho e lhe recomendava que o pendurasse e não o dobrasse, pois havia as chaves do carro e de casa no bolso e eu temia que as mesmas caíssem causando-me transtornos na hora de ir embora. Ela apenas sorriu compreensiva e desejou-me um bom treino e eu imaginei o que poderia haver de bom naquilo, mas de qualquer forma agradeci e ao mesmo tempo resolvi solapar os dez minutos de aquecimento dirigindo-me sem delongas à sala de musculação, onde solicitei ao professor que me auxiliasse a extrair do computador o treino daquele dia. Fui brindado pelo sorriso amarelo do sempre atencioso professor plantonista daquele horário, um jovem com algo entre 23 e 25 anos, musculoso e atarracado, que chama a parte da frente do meu braço de bíceps e a de trás de tríceps. Presenteou a minha fria manhã com um treino de pernas e ombros, de forma que eu me dirigi para o primeiro aparelho de tortura, chamado de cadeira extensora, onde devo ficar levantando com a planta dos pés, um determinado numero de lingotes de ferro, cada um deles pesando sete quilos. Olhei desconfiado quando o professor que me perseguia pela sala ajustou o numero de lingotes em dez, o que significava que eu teria que levantar setenta quilos, coisa que eu duvidava poder fazer. Para não dar vexame iniciei a primeira serie daquele jeito mesmo e logo na terceira levantada senti os músculos do quadríceps começarem a queimar e arder e devo ter feito uma careta, pois percebi a cara de satisfação do professor que me disse “que quanto mais ardesse melhor” e eu não me esqueci de mandá-lo à merda em pensamentos, mas continuei assim mesmo. Quase no fim da primeira série de quinze levantadas fui salvo pela chegada de uma moça de peitos salientes que chamou a atenção do professor, tendo este ido em sua direção imediatamente. Aproveitei a oportunidade para diminuir o peso em dois lingotes, ou seja, diminui a minha carga para 56 quilos, e rezei para que a mocinha entretivesse o professor por muito tempo e que ele não voltasse para o meu lado, coisa que não é muito rara nestas situações. O fato é que a sala de musculação estava muito vazia. Além da minha pessoa estavam apenas a tal mocinha que tinha acabado de chegar e que neste momento roubava as atenções dos dois plantonistas do horário, um rapaz super musculoso que treinava sozinho e que não precisava nem queria a atenção de ninguém, uma moça magrinha, aparentemente maratonista, que estava acompanhada do seu personal trainner ao lado de um aparelho que eu teria que usar daqui a pouco, contando uma história interminável sobre uma festa de ontem à noite, uma moça gordinha fazendo de forma errada um exercício que deixava a sua bunda levantada de uma forma ridícula e ninguém lhe falava nada e uma outra mulher, da minha idade na certidão de nascimento mas portadora de algumas particularidades interessantes. Seu rosto tinha sido muito esticado para cima e para os lados, conforme ela mesmo me confessara certa vez, mas nem precisaria, o que lhe conferia uma idade indefinida e uma leve aparência de lagarto. Quem olhasse só na direção do seu tórax juraria que ela não tinha mais do que 30 anos ao se deparar com o esplendoroso par de seios que portava. Duros e firmes, olhando para cima e para os lados, comprimidos dentro de um top dois números menores do que a prótese de silicone que ela tinha comprado e implantado entre as costelas. A sua parte de baixo ainda estava comprometida. Tinha muita pele caída e não consegui definir direito o que ocorria ali. Uma olhadela conferiria à pessoa uns 70 anos de idade, o que na média lhe daria os mesmos 50 que ela tinha de verdade. Perdido em meus devaneios quase não percebo a aproximação do professor que vinha conferir o andamento do meu treino e espantei-me quando ele incentivou-me com um “é isso aí” quando eu, às 7:24hs, terminava a primeira parte do treino e sentava num aparelho justo entre a mocinha bonita, a detentora das atenções de todos, e a outra senhora, que tentei descrever acima. Enquanto secava o suor do rosto falei: “bom dia meninas” e recebi como resposta um meio sorriso simpático da mocinha e um “obrigada pelo meninas”, da outra senhora. Logo me concentrei naquela atividade absurda de puxar e esticar coisas pesadas e nem sequer respondi senão com um pequeno aceno de cabeça quando a senhora resmungou qualquer coisa a respeito do frio que fazia e de que reclamaria da falta da atenção dos professores daquele horário. Ao levantar-se perguntou-me se eu ia subir para o aeróbico e eu disse que sim. Às 7:34hs eu me aproximei novamente da garota bonita para fazer o meu último aparelho. Pensei no que será que fazia da vida, quantos anos tinha e quais eram seus sonhos. Imaginei se gostava de toda aquela atenção que recebia, se gostava de ler, se era tímida, se comia verduras, se gostava de baladas, se dava-se bem com seus pais, se tinha irmãos, namorado, etc. E depois, quando o professor afastou-se dela, às 7:35hs, eu a encarei e perguntei quantos anos tinha, ao que ela respondeu que faria 28 dali a 15 dias. Pouco depois ela me disse estar surpresa de eu ter perguntado alguma coisa para ela, pois me via na academia há muito tempo e nunca tinha me visto falar com ninguém e que achava que eu tinha cara de muito bravo. Eu dei uma risada e disse a ela que essa era a coisa que mais escutava de estranhos. Às 7:38hs, terminei a musculação e, depois de acenar para o professor, subi para fazer bicicleta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Continua...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3400338460454315107-146978722557381224?l=mograbi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mograbi.blogspot.com/feeds/146978722557381224/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=3400338460454315107&amp;postID=146978722557381224&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3400338460454315107/posts/default/146978722557381224'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3400338460454315107/posts/default/146978722557381224'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mograbi.blogspot.com/2006/12/um-dia-na-vida-quarto-fragmento.html' title='Um dia na vida - quarto fragmento - 7:04'/><author><name>Mograbi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18057053617326764793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='18428156117566545472'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3400338460454315107.post-1178306832071425066</id><published>2006-11-29T17:27:00.000-03:00</published><updated>2007-02-04T09:34:05.857-03:00</updated><title type='text'>Um dia na vida - terceiro fragmento - 6:56</title><content type='html'>Sozinho no carro voltei a sintonizar a única rádio que costumo escutar, aquela cujo jingle a define como a estação que “toca notícias”, e que, segundo o resto da família, não passa de uma falação sem fim, o que não deixa de ser verdade, pois quem passa grande parte do dia andando de carro, que é o meu caso, corre o risco de ouvir inúmeras vezes por dia a mesma notícia, a mesma opinião e o mesmo comentário. Tudo bem! Eu não me importo. Se estou sozinho no carro fico escutando a CBN e, mesmo por vezes achando tudo muito chato, continuo escutando e pensando em como são pernósticos e tediosos aqueles locutores e comentaristas. Tomo como exemplo o Arnaldo Jabor: ele nunca está satisfeito com nada. Parece que, quando o contrataram, uma cláusula no seu contrato rezava ser proibido ele sequer aventar a possibilidade de que alguma coisa pudesse dar certo em qualquer lugar do Brasil. Ele sempre desce o pau em tudo e todos e ainda por cima é anti-semita. Por outro lado, quem escuta os comentários do Gilberto Dimenstein, que costuma falar no rádio em tom de “Poliana deslumbrada” sobre a nossa cidade, vai achar que nós vivemos na melhor cidade da América Latina, quiçá do mundo. Ele tem a capacidade de descobrir, diariamente, alguém fazendo alguma coisa, na sua opinião, maravilhosa, uma ação comunitária perdida num rincão longínquo da urbe, e trata disso como se fosse um dos maiores acontecimentos do século. E depois, no fim, pergunta: “você não achou isso maravilhoso, prezado ouvinte?” E eu, o ouvinte, entalado no trânsito, morrendo de calor ou sendo assaltado, nunca tenho a chance de responder, mesmo porque não estou ao microfone, mas, se pudesse, talvez ele não gostasse do que ouviria. Mesmo assim, eu escuto até o fim tanto as suas quanto as outras diatribes que são ditas ao longo do dia, pois, no meio delas, sempre tem alguma coisa de útil, como, por exemplo, vias que estão congestionadas, locais onde haverão passeatas ou manifestações e, claro, notícias que vão acontecendo aqui e no mundo, as quais você fica sabendo na hora. E foi pensando em diatribes que me lembrei da conversa que tive ontem no jantar com a minha filha, que começou a fazer na semana passada um cursinho intensivo para entrar na faculdade, de forma que a vida dela se transformou num tsunami. Ela sai cedinho pela manhã e só volta lá pelas oito da noite, carregada de tantos livros e apostilas que nem sei como é que seu corpo frágil não verga ao peso de tanto papel. Condoído de tanto sofrimento comecei a questioná-la a respeito de um trabalho da escola que ela dizia ter que fazer no dia seguinte e que a faria voltar para casa somente às onze da noite. Disse que desse jeito não dava, que ela não ia agüentar, que o terceiro colegial ela tinha que levar de uma forma mais sossegada, que ela precisava estar descansada para o vestibular, em resumo: eu dizia que ela tinha que estudar menos. Ainda emendei dizendo que ela não devia ir ao cursinho no final de semana, que ficasse dormindo, saísse para se divertir, só faltou dizer para que matasse aulas. Demorei a perceber que a discussão estava invertida, mas, a certa altura, ela me perguntou se quando eu tinha feito cursinho meus pais exigiam que eu estudasse menos, faltasse às aulas e não fizesse os trabalhos da escola. Falei que na minha época o terceiro colegial era de noite, todinho preparado para você fazer cursinho de manhã e esquecer que existia o colegial e que, portanto nós não nos desgastávamos tanto. Ainda assim, ela levantou da mesa e me disse que iria continuar fazendo o colegial puxado dela, o cursinho intensivo, os trabalhos trabalhosos e que não iria matar aulas nos finais de semana. Depois eu fiquei pensando até onde pode nos levar a preocupação com os filhos. De repente, numa inversão total de valores eu estava quase obrigando minha filha a não estudar tanto em benefício dela própria. Como ela quase me matou de orgulho, estou pensando em lhe ministrar algumas vitaminas energéticas.&lt;br /&gt;E foi assim que, às 7:01hs, eu cheguei à rua lateral da academia e me pus a procurar uma vaga para estacionar. Estacionei o carro a poucos metros da porta e pouco depois de desligar o motor fui tomado por um enorme ímpeto de fugir dali. Compreendi imediatamente que eu estava com preguiça e sem nenhuma vontade de entrar, falar bom dia para as meninas da recepção, apor o indicador na catraca eletrônica, deixar o agasalho na chapelaria, fingir fazer dez minutos de aquecimento, pegar o treino do dia no computador, perguntar algumas coisas para os professores, puxar ferro por 40 minutos enquanto converso fiado com alguém, fazer alongamento, fazer 30 minutos de bicicleta enquanto converso fiado com alguém, fazer alongamento, pesar-me, pegar o meu agasalho na chapelaria, falar qualquer coisa agradável para a chapeleira, despedir-me das meninas da recepção e finalmente ir para casa.&lt;br /&gt;Às 7:02hs, o que eu queria era entrar na academia com uma metralhadora em punho e abrir fogo contra qualquer coisa ou pessoa que se mexesse, espalhando sangue e miolos pelas paredes. Depois jogar uma quantidade suficiente de coquetéis molotov para incendiar o local de forma que não sobrasse sequer um vestígio de aparelhos de ginástica, esteiras, pesos ou bicicletas. No entanto, depois de hesitar por dois segundos, subi os cinco degraus de ferro que estavam um pouco escorregadios por causa da chuva, abri a pesada porta, cumprimentei as meninas tendo recebido três imediatos e animados “bom dia”, e, solenemente, às 7:03hs, apus o meu indicador na catraca que me devolveu como resposta o fatal “acesso liberado”. Sem alternativa, entrei na academia e arrastei-me pesadamente rumo à chapelaria.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;continua...&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3400338460454315107-1178306832071425066?l=mograbi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mograbi.blogspot.com/feeds/1178306832071425066/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=3400338460454315107&amp;postID=1178306832071425066&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3400338460454315107/posts/default/1178306832071425066'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3400338460454315107/posts/default/1178306832071425066'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mograbi.blogspot.com/2006/11/um-dia-na-vida-terceiro-fragmento.html' title='Um dia na vida - terceiro fragmento - 6:56'/><author><name>Mograbi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18057053617326764793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='18428156117566545472'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3400338460454315107.post-2902005559420298907</id><published>2006-11-29T10:05:00.000-03:00</published><updated>2007-02-04T09:33:32.894-03:00</updated><title type='text'>Um dia na vida - segundo fragmento - 6:37</title><content type='html'>Enquanto segurava a porta do elevador para que minha filha entrasse, fiz questão de frisar que o meu tênis não era laranja, mas, sim, que tinha alguns detalhes naquela cor, que serviam, por exemplo, para que os ocupantes de um automóvel enxergassem de longe caso eu estivesse fazendo uma caminhada noturna, ao que ela respondeu que nunca tinha me visto fazer caminhadas noturnas. Dentro da cabine que zumbia na sua rota descendente, pensei que, àquela hora da manhã não era um bom momento para se iniciar uma discussão sobre aparência de tênis, principalmente no caso dela, que andava com um exemplar andrajoso e carcomido pelo tempo havia anos. Ela vinha recusando sistematicamente minha oferta de aquisição de um novo par alegando que aquele se encaixava perfeitamente nos seus pés e que neste momento da vida ela tinha mais com que se preocupar do que um tênis novo.&lt;br /&gt;Ao abrir a porta no segundo sub solo da garagem topamos com Nani, Luna e Hana, as três cachorras da vizinha que se puseram a latir e nos fazer festa, já que somos íntimos, menos a menor delas que é um poodle micro, na minha opinião, um pouco neurótico, pois passa pela gente e fica rosnando baixinho até que considere que estamos a uma distância segura.&lt;br /&gt;Destarte, seguimos, eu e minha filha, até o box onde guardo o carro e, enquanto eu ligava o motor, a menina mudava as estações do radio até encontrar uma do seu agrado. Fiz a manobra com cuidado e levei o carro até a rampa de acesso ao primeiro sub solo, onde apertei o botão do controle remoto do portão da garagem e fiquei aguardando que o mesmo abrisse entre diversos chiados e rangidos. Atrás de mim encostou abruptamente outro carro que também ia sair.&lt;br /&gt;Às 6:40hs eu estava do lado de fora do prédio tentando enxergar, através de uma caçamba cheia de entulho estacionada quase na entrada, se vinha algum carro na direção contrária. Minha filha esticou o pescoço e disse que era noite ainda, que estava morrendo de sono e que se viesse algum carro viria de faróis acesos e que, então, eu podia ir, pois ela não via luz nenhuma. Eu disse que, na verdade, já estava amanhecendo e que alguns carros poderiam estar trafegando com os faróis apagados, como eu, por exemplo, mas, ela insistiu que não vinha carro algum e então eu entrei à esquerda, na faixa de rodagem e vi o carro que estava atrás de mim fazer o mesmo, só que para o lado oposto. Saiu cantando os pneus mostrando estar com pressa e, provavelmente, minha hesitação o tinha atrasado ainda mais. Minha filha comentou que, “meu, o cara já está estressado a essa hora da manhã”, ao que eu dei de ombros e segui vagarosamente em direção ao meu destino, pensando que eu também estava estressado. Um pouco!&lt;br /&gt;Eram 6:42hs e quando a música que tocava terminou entrou no ar o locutor informando sobre as desgraças que tinham ocorrido na cidade por conta do temporal de ontem à noite. Ele dizia que ainda havia pontos de alagamento nas marginais, enumerou todas as pontes cujos acessos estavam intransitáveis, aconselhou aos motoristas deixar o carro em casa ou, no mínimo, evitar aqueles lugares e, ainda, falou que na Radial Leste já havia dois quilômetros de congestionamento no sentido centro. Disse que, apesar da chuvarada de ontem, o dia seria de sol, a temperatura amena, mas transitar pela cidade seria um inferno. Continuou dizendo que não ligava a mínima para aquilo, pois ia ficar conosco até as 10 da manhã e, até lá, tudo estaria resolvido e, além do mais, “quem se importa com o trânsito pesado, com os assaltos, os políticos, a poluição, os alagamentos e todas as outras mazelas da cidade, se nós podemos ficar aqui juntinhos curtindo o som de Ozzy Osbourne?” Dito isto, os alto-falantes do carro despejaram os acordes de um rock metal-pesado e eu segui em frente, vendo os donos de bares abrindo seus estabelecimentos, as empregadas chegando nas casas de seus patrões para trabalhar e os patrões passeando pelas ruas com seus cachorros, esperando pacientemente enquanto estes se esforçavam para defecar e depois abaixando-se para recolher a merda deles em sacos plásticos. Vi também os pedreiros iniciando seu turno de trabalho nas construções, ônibus saindo dos pontos finais, gente entrando e saindo do metrô e uma infinidade de motoristas de táxi conversando nos pontos à espera dos primeiros clientes. Eram 6:46hs quando chegamos ao local onde deixo minha filha para que seja apanhada pelo ônibus fretado que a leva para a escola. Ela teve um pequeno chilique quando percebeu que o mesmo ainda não tinha chegado. Talvez o motorista estivesse preso em algum engarrafamento e, sendo assim, estacionei na frente do ajuntamento de alunos que já se formava à espera da condução, pois, quando o ônibus não está lá, minha filha gosta de ficar aconchegada dentro do carro e não do lado de fora onde, além de ter de ficar de pé, expõem-se aos rigores do clima. Fazia frio e enquanto esperávamos fiquei observando os colegas dela, com suas roupas rasgadas no joelho e na bunda, barrigas à mostra, tênis destroçados, barbas e cabelos desgrenhados e havaianas puídas. Um grupo estranho! Noutra situação, talvez todos fossem detidos pela polícia para averiguações, no entanto, estávamos diante dos filhos da nata da sociedade paulistana. Isso passa, refleti, deixando meus pensamentos conservadores pra lá. Vi pelo retrovisor que o ônibus estava chegando e cutuquei a garota que ressonava. Não pedi um beijo, tampouco ela se ofereceu para me dar um. Eram 6:55hs quando ela disse, “tchau pai”, e eu me dei conta que iria me atrasar na academia, por isso dei partida no motor, ativei o pisca-pisca e, enquanto esperava uma brecha para sair, vi pelo espelhinho, o corpo esguio dela dirigindo-se depressa para o ônibus. Eu já estava quase virando a esquina quando a vi subir os degraus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;Continua...&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3400338460454315107-2902005559420298907?l=mograbi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mograbi.blogspot.com/feeds/2902005559420298907/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=3400338460454315107&amp;postID=2902005559420298907&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3400338460454315107/posts/default/2902005559420298907'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3400338460454315107/posts/default/2902005559420298907'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mograbi.blogspot.com/2006/11/um-dia-na-vida-segundo-fragmento.html' title='Um dia na vida - segundo fragmento - 6:37'/><author><name>Mograbi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18057053617326764793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='18428156117566545472'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3400338460454315107.post-58392010388927201</id><published>2006-11-29T10:00:00.000-03:00</published><updated>2007-02-04T09:32:42.442-03:00</updated><title type='text'>Um dia na vida - primeiro fragmento - 5:55</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;Às 5:55hs o despertador berra ensandecido no meu ouvido. Acordo de uma vez e dou um pulo tentando ver de onde vem o ataque. No caminho para o botão que desliga o alarme eu derrubo a garrafa de água que levo todas as noites para a cama e atiro meus óculos para longe, para um local não determinado. Enquanto amaldiçôo até a quinta geração da faxineira que esteve ontem em casa e resolveu tirar o pó do botão do volume do alarme do meu despertador e com isso o deixou posicionado no máximo deixando-me estuporado em plena madrugada, tento avaliar os estragos que a água vai fazer na pilha de livros que deixo debaixo do meu criado-mudo e fico imaginando como vou fazer para encontrar os meus óculos, sem os quais não sou ninguém, na completa escuridão em que está mergulhada a alcova segundos antes tranqüila e acolhedora e onde agora escuto minha esposa resmungar sem parar sobre o barulho que faço todo dia para acordar e “será que não da pra fazer as coisas em silencio?”. Encontro finalmente o tal botão e desligo o alarme gritante enquanto dou uma olhada no relógio para ver se já não estou atrasado e me ponho a rastejar pelo chão do quarto escuro, tateando em busca dos óculos perdidos. Lembro que deixei ali no cantinho, ao lado das meias de inverno uma lanterna para ser usada em caso de necessidade e imagino que aquele é um caso de necessidade. Resolvo então primeiro ir acordar minha filha, a quem preciso levar até o ponto de ônibus da escola daqui a meia hora. Para não fazer barulho saio de quatro mesmo e vou até o seu quarto e, já de pé, me ponho a abrir as persianas e a dizer repetidamente “bom dia, vâmo lá que tá na hora”, até ouvir os seus grunhidos característicos que me deixam com a certeza de que está acordada. Pelo menos esta adolescente não me dá nenhum trabalho para sair da cama. Volto tateando, pois, sem os óculos eu corro o risco de tropeçar nas inúmeras armadilhas do quarto dela. Por milagre, consigo sair ileso. Novamente ao lado da minha cama, me abaixo para tentar achar os óculos e escuto minha mulher: “já voltou da academia? Me deixa dormir mais um pouco”! Preferi, então, não responder para não causar um problema maior logo cedo. Ainda tateando, espantado, consegui pôr a mão na tal lanterna que tinha guardado ali há mais de três anos e mais espantado ainda fiquei quando a mesma projetou seu facho diretamente para o espelho da parede em frente à cama deixando o quarto completamente iluminado o que ocasionou um novo protesto da minha esposa que cessou imediatamente quando apontei a luz para os recônditos inferiores da alcova. Nem seis minutos tinham se passado desde o momento em que eu tinha acordado de supetão com aquela gritaria do alarme do despertador, de eu ter derrubado água nos livros arquivados no criado-mudo, de ter quase discutido três vezes com a minha mulher, ter acordado minha filha que agora já se levantava para ir ao banheiro e, finalmente, ter encontrado a lanterna que ainda funcionava e que ajudava, naquele precioso segundo, a encontrar os meus óculos que pus com pressa disparando para o banheiro, pois o barulho da descarga da minha filha me fez lembrar que eu ainda não tinha feito xixi.&lt;br /&gt;Na cozinha encontrei a menina que já tomava uma cumbuca de leite lotada de Nescau e polvilhada de alguns cereais daqueles de caixinha. Enquanto eu me abaixava para pegar os jornais, sim, porque sou indeciso e por isso assino os dois, o cachorro do vizinho latiu e fez que ia avançar em mim. Então me levantei, grunhi bom dia pra moça que ia com o cão e bati a porta com força para deixar claro que eu estava mal humorado e fiquei lendo as manchetes enquanto comia uma fatia de pão de forma light, tostado, com uma lâmina de margarina também light e uma fatia de queijo. De quebra, terminei o leite que a minha filha abandonara ao sair e fui ler o que desse do jornal no banheiro. Como saberia que não teria tempo de ler tudo, dei mais atenção ao caderno internacional que logo rejeitei. Depois li que o meu time era o virtual campeão de futebol e ainda folheei a página de cinema. Tentei começar a ler a crônica, mas achei que não ia dar tempo então, levantei, lavei as mãos e o rosto, escovei os dentes, os cabelos e o cavanhaque, tirei a camiseta de dormir e passei desodorante, fui até a sala onde tirei o short de dormir e sentei no sofá onde pensei que aquele dia já estava me parecendo muito comprido. Eram 6:25hs!&lt;br /&gt;Peguei a meia branca que já estava separada, calcei cada um dos pés e fiz o mesmo com o tênis novo que tinha comprado no fim de semana. Achei que estava bastante confortável, mas desconfiei um pouco do aperto que sentia no peito do pé. Agachado, fiquei tentando soltar um pouco os cordões, mas depois que fiz isso achei que ficou meio solto e o tênis saía do meu pé, então, resolvi deixar apertado mesmo. Pus o short e a camiseta e também vesti o agasalho que coloco todo dia que considerei estar meio fedido e pensei em colocá-lo para lavar quando voltasse, se lembrasse. Às 6:30hs, depois de colocar um dinheiro no bolso, sentei na cozinha e fiquei sapeando as manchetes do segundo jornal que não dava destaque para os mesmos assuntos do primeiro. Internamente este jornal trazia uma pequena notícia sobre Israel, ao contrário do outro que não trazia nada, além do que, neste aqui, ressaltava-se que o meu time ainda poderia perder o campeonato. Mas as crônicas do segundo me pareceram mais interessantes que as do outro. Nada li, pois neste momento chegou a minha filha que me olhava com uma cara meio sorridente, meio consternada, instando-me a levantar, coisa que fiz prontamente. Enquanto perguntava se ela tinha gostado do meu tênis novo, peguei minha toalha de secar o suor, a chave do carro e a chave de casa e depois de apagar a luz da cozinha e trancar o apartamento, coloquei-me na frente do elevador que já vinha subindo e apertei o botão e chamada. Eram 6:35hs. Enquanto escutávamos os rangidos das máquinas elevatórias ela me disse: “porque você comprou um tênis laranja?”&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;continua...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3400338460454315107-58392010388927201?l=mograbi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mograbi.blogspot.com/feeds/58392010388927201/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=3400338460454315107&amp;postID=58392010388927201&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3400338460454315107/posts/default/58392010388927201'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3400338460454315107/posts/default/58392010388927201'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mograbi.blogspot.com/2006/11/um-dia-na-vida-primeiro-fragmento.html' title='Um dia na vida - primeiro fragmento - 5:55'/><author><name>Mograbi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18057053617326764793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='18428156117566545472'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry></feed>