tag:blogger.com,1999:blog-33068945126603791662009-07-12T22:34:30.932-03:00cultuarCultuando um pouco de tudo: versos, pinturas, sonhos...
Pois (quase) tudo vale a pena se a arte não é pequena.Ribeiro Eirashttp://www.blogger.com/profile/11788850857155058592noreply@blogger.comBlogger185125tag:blogger.com,1999:blog-3306894512660379166.post-86520600003678512102009-07-12T22:01:00.006-03:002009-07-12T22:34:30.941-03:00Rodrigo Souza Leão<a href="http://1.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/SlqLDaLnJNI/AAAAAAAAApY/w1AMU-XNOM8/s1600-h/OgAAAP5FSaoz_VtuE1ANj0EH3YIrn_MGzZXqdcADsm0e9h97BcvC-27H6_bfr761K12PKdm4gcv85VNgGGzX33WO3MQAm1T1UDfIpyHMiyu-WJ6FQ9sypX58vbMk.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/SlqLDaLnJNI/AAAAAAAAApY/w1AMU-XNOM8/s320/OgAAAP5FSaoz_VtuE1ANj0EH3YIrn_MGzZXqdcADsm0e9h97BcvC-27H6_bfr761K12PKdm4gcv85VNgGGzX33WO3MQAm1T1UDfIpyHMiyu-WJ6FQ9sypX58vbMk.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357747597394519250" /></a><br /><br />Quero deixar aqui minha mais profunda e sincera homenagemn a Rodrigo Souza Leão, grande poeta, falecido semana passada aos 43 anos no Rio de Janeiro. Nunca a morte de alguém que tive tão pouco contato (contato no sentido temporal e corpóreo) me tocou tanto. Talvez pela generosidade que ele sempre demonstrou comigo, talvez por ele ter partido tão jovem, acho que os dois... Meu contato com ele foi assim, quando fui publicado na Zunai, não o conhecia, só ao Cláudio Daniel, e ele me escreveu do nada me dando os parabéns, já achei bem generoso. Nos falamos pouco desde então, mas a três semanas, quando lancei meu livro, mandei para ele a divulgação pedindo que ele me ajudasse, e ele enviou a todos seus amigos. São poucos os que fazem isso, garanto. Desejo toda paz, luz e força aos amigos e parentes, e garanto que ele está em algum lugar de harmonia e paz.<br /><br />Um lindo poema dele:<br /><br /><br /><br />Uma chuva rala toca o tempo do chão que te lava, te leva pra dentro do mundo que vive do sonho inteiro que cabe na linha sinuosa da caneta que lambuza o papel certeiro no centro do romance mais sincero do ser com o sempre e passeia no vento que sopra azul no meu dedo e beija tua aura com os lábios do dia que não acaba mais<br /><br />04:30h<br /><br />09/07/09<br /><br /><br />...<br /><br />Sugiro que leiam mais poemas dele, leiam todos, e seu romance "Todos os Cachorros São Azuis" publicado pela 7Letras. Faço isso com um aperto no coração e uma culpa, pensando: "deveria ter feito isso muito antes". Mas tudo tem um ensinamento, daqui para frente, vou começar a publicar aqui os que admiro. O que aliais foi a proposta inicial desse blog. <br /><br />O blog que Rodrigo mantinha: http://lowcura.blogspot.com/<br /><br /><br />Felipe Stefani<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3306894512660379166-8652060000367851210?l=cultuar.blogspot.com'/></div>Ribeiro Eirashttp://www.blogger.com/profile/11788850857155058592noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-3306894512660379166.post-90653876885628696262009-07-09T19:09:00.000-03:002009-07-09T19:10:06.371-03:00Para encomendar meu livro "O Corpo Possível", livro que contém um longo poema e desenhos meus, lançado pela Ed. Dulcinéia Catadora, é só mandar o pedido para esse e-mail: dulcineia.catadora@gmail.com<br /><br />Um exemplar custa seis reais.<br /><br /><br />Felipe Stefani<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3306894512660379166-9065387688562869626?l=cultuar.blogspot.com'/></div>Ribeiro Eirashttp://www.blogger.com/profile/11788850857155058592noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-3306894512660379166.post-11433809488021279342009-07-07T03:53:00.008-03:002009-07-07T13:40:39.533-03:00Fragmentos<a href="http://2.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/SlLxAPWZ2GI/AAAAAAAAApQ/IS20z5Wutnk/s1600-h/digitalizar0001.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5355607893319735394" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 222px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/SlLxAPWZ2GI/AAAAAAAAApQ/IS20z5Wutnk/s320/digitalizar0001.jpg" border="0" /></a><br /><div></div><br /><p>como uma estrada irreversível navegamos nosso próprio nascimento pois só é grande aquele que renasce<br />(tento forjar um enigma)<br /><br />No fundo azul de um céu (ou mar) deves buscar tua poesia e digo que devemos ser imensos pois o sol nos lembra que o infindo é incomum ao tempo<br />(isto é a metáfora do símbolo)<br /><br />a possível explicação de nossa sede de glória;<br />a voz de Cristo nos solstícios<br /><br />o álamo seco floresce<br />e é preciso atravessar a água<br />do álamo seco surge um broto de raiz<br />a viga-mestra cede a ponto de cair<br /><br />o firme e central suave e alegre<br />vaga e uma jovem se casa<br />com o velho andarilho e segue como um hino<br />sua dança sem nunca cessar<br />o imóvel caminho<br /><br />(esta era a resposta da água)<br /><br />de fato<br /><br />o tempo é só a mutação<br /><br />então o mestre forjou estas palavras<br /><br />dizem que durante sua vida sua voz atingiu cinco mil e quarenta e oito mundos e a doutrina do vazio e a doutrina do pleno e há o ensinamento para a plenitude imediata e para o esvaziamento gradual<br /><br />mas de acordo com a canção iluminada não há seres e corpos não há voz os sábios numerosos como as areias da praia são somente como bolhas de água no mar os sábios e os mestres são como relâmpagos<br /><br />voltai-vos para o leste e olhareis a terra do ocidente fitai o sul e a estrela do norte lá estará e sempre</p><p>T’ai-t’o nada diz e nele confiam nada realiza e o amam plenamente estão íntegros os poderes embora a virtude não tome forma<br /><br />e a paz da voz que excede todo entendimento guardará os vossos corações e os vossos sentimentos<br /><br />naquele que ao beber da mulher de Samaria deu-lhe a água viva da impossível memória<br /><br />disso um sobressalto rasgou-me as vísceras e como um riu desorbitado escrevia essas palavras como teias e as marcas que entreabria o grande arado que tingia o céu da escrita me fez contemporâneo das estrelas<br /><br /></p><p></p><p></p><p></p><p><br /><br /><br /><br /><br />Texto e desenho de Felipe Stefani</p><p>Mais desenhos do autor, aqui: <a href="http://www.pbase.com/sodesenho/felipe_stefani">www.pbase.com/sodesenho/felipe_stefani</a> </p><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3306894512660379166-1143380948802127934?l=cultuar.blogspot.com'/></div>Ribeiro Eirashttp://www.blogger.com/profile/11788850857155058592noreply@blogger.com2tag:blogger.com,1999:blog-3306894512660379166.post-77580350084047237452009-07-05T18:51:00.004-03:002009-07-05T19:45:21.147-03:00Poema em fuga no twitter.<a href="http://3.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/SlEpDgKdRqI/AAAAAAAAApI/9-5_QPXvzkY/s1600-h/DC17.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5355106572070373026" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 233px; CURSOR: hand; HEIGHT: 306px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/SlEpDgKdRqI/AAAAAAAAApI/9-5_QPXvzkY/s320/DC17.jpg" border="0" /></a><br /><a href="http://2.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/SlEouPGC8fI/AAAAAAAAApA/vctlU2OkoM8/s1600-h/DC29.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5355106206711214578" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 233px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/SlEouPGC8fI/AAAAAAAAApA/vctlU2OkoM8/s320/DC29.jpg" border="0" /></a><br />Fiz um poema no twitter, ou melhor fiz e refiz com partes de poemas meus antigos, depois juntei e vi no que deu, isso:<br /><br /><br /><br />Posso aventurar-me a perguntar às flautas do céu às flautas da terra o que nada significa disso a ave se encerra no céu e seu nome é vento<br /><br />Ainda não emergido da minha fonte onde as oliveiras choram morrerei amanha nos espinhos nas quedas da paisagem do silêncio continuo<br /><br />é preciso ter os pés atonitos para se lançar contra o declinio<br /><br />é isso o amor uma visão esplêndida no dentro e no fora da elegante demência que naufraga<br /><br />sei que toca as partes vivas e a morte do enlace onde nasce a música e as estaçòes nos moldam a chama e a simetria<br /><br />até a luz além da luz da vida<br /><br />é preciso ter os pés atonitos para se lançar contra o declinio<br /><br />O tempo é ilusão<br /><br />sinto calma quando os braços tingem surpreendidos a súbita infinitude e paira sobre os ossos o intacto rascunho da chuva anterior e sempre<br /><br />e assim damos o nome<br /><br />ou então o caminho?<br /><br />não a caminho no meio do nome (o mestre disse)<br /><br />posso aventurar-me a perguntar as flautas da terra as flautas do céu o que nada siguinifica disso<br /><br />o grande labrego explode no ar e seu nome é vento<br /><br />antes<br /><br />fogo<br /><br />delírio das paisagens de um grito extremo<br /><br />para dizer<br /><br />mundo<br /><br />de entender do abismo o acorde mais profundo<br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br />Poema e desenhos de Felipe Stefani.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3306894512660379166-7758035008404723745?l=cultuar.blogspot.com'/></div>Ribeiro Eirashttp://www.blogger.com/profile/11788850857155058592noreply@blogger.com1tag:blogger.com,1999:blog-3306894512660379166.post-2050146281407039822009-07-01T13:56:00.012-03:002009-07-02T02:36:16.297-03:00Colheita<a href="http://1.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/SkuVVWyOGuI/AAAAAAAAAo4/dOPQDqppExY/s1600-h/millet01.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5353536776185977570" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 245px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/SkuVVWyOGuI/AAAAAAAAAo4/dOPQDqppExY/s320/millet01.jpg" border="0" /></a><br /><br /><div></div><div>Há sempre outro chegando</div><div>na irremediável mutação<br /></div><div>e as ceifeiras pouco sabem do vinho<br /><br /></div><div></div><div></div><div>o verão pairando no istmo</div><div>da beleza contida na leveza da vida</div><div>nunca encerra os concílios<br /><br /></div><div></div><div></div><div>pela ceifa são medidas as cifras</div><div>a cada impulso do abismo</div><div>Ele observa</div><div>nossa sede de caminho<br /><br /></div><div></div><div></div><div>até tocarmos na água profunda</div><div>onde vento sopra ao avesso</div><div>cítaras inauditas</div><div></div><div></div><div><br />então</div><div>mergulhados enfim</div><div>no nome infinito da dança</div><div>na hora indecifrável da colheita</div><div>somos a oferenda<br /><br /></div><div></div><div>irrestrito cultivo da primordial floração.<br /><br /><br /><br /><br /></div><div></div><div></div><div></div><div>Felipe Stefani</div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3306894512660379166-205014628140703982?l=cultuar.blogspot.com'/></div>Ribeiro Eirashttp://www.blogger.com/profile/11788850857155058592noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-3306894512660379166.post-74556620543554134702009-06-29T00:09:00.005-03:002009-06-29T01:10:44.982-03:00Jesus em Samaria<a href="http://2.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/SkgwrjqtulI/AAAAAAAAAow/bgqm_cbj96g/s1600-h/digitalizar0003.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5352581681996741202" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 218px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/SkgwrjqtulI/AAAAAAAAAow/bgqm_cbj96g/s320/digitalizar0003.jpg" border="0" /></a><br /><div>Ainda não emergido da minha fonte onde as oliveiras choram morrerei amanha nos espinhos nas quedas da paisagem do silêncio continuo </div><div></div><div></div><div></div><div></div><div></div><div></div><div><span style="font-size:78%;">.</span></div><div><span style="font-size:78%;">.</span></div><div><span style="font-size:78%;">.</span></div><div><span style="font-size:78%;">.</span></div><div><span style="font-size:78%;">.</span></div><div><span style="font-size:78%;">.</span></div><div><span style="font-size:78%;">.</span></div><div><span style="font-size:78%;">.</span></div><div><span style="font-size:78%;">.</span></div><div>Texto e Desenho de Felipe Stefani</div><div>Mais desenhos do autor, aqui: <a href="http://www.pbase.com/sodesenho/felipe_stefani">http://www.pbase.com/sodesenho/felipe_stefani</a> </div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3306894512660379166-7455662054355413470?l=cultuar.blogspot.com'/></div>Ribeiro Eirashttp://www.blogger.com/profile/11788850857155058592noreply@blogger.com1tag:blogger.com,1999:blog-3306894512660379166.post-69548028257482408072009-06-26T23:38:00.005-03:002009-06-27T00:40:07.629-03:00O poeta Marcelo Novaes escreve sobre o lançamento do livro de Felipe Stefani na Casas das Rosas<img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5351835152915554978" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 212px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/SkWJt2H64qI/AAAAAAAAAoY/MDEATm_kDRI/s320/800px-CasaDasRosas.jpg" border="0" />Casa da Rosas<br /><br /><br /><br /><br />Estive ontem na Casa das Rosas para o lançamento do livro “O Corpo Possível” de Felipe Stefani. Ambiente camarada. Felipe me deu a oportunidade de conhecer e apertar as mãos do ceramista e escultor Megumi Yuasa. Se o leitor nem imagina de quem se trata, vai uma palhinha, extraída do site cultural do Itaú:Yuasa, Megumi (1938)<br /><br /><br /><br />"Megumi Yuasa (São Paulo, 1938) é o mais refinado ceramista do Brasil. Mais do que isso, Megumi é um dos melhores escultores do país dos últimos vinte anos. A sua obra é uma oportunidade para a reflexão e é uma possibilidade de nos impregnarmos do delicado prazer que só a forma artística de alta concepção pode proporcionar. O trabalho de Megumi Yuasa destaca-se pela capacidade na elaboração de formas sutis, de relações harmoniosas e, paradoxalmente, inesperadas. A origem da concepção dessas formas é orgânica, o que explica o arredondado, a semelhança com partes reconhecíveis de vegetais e de corpos, as curvas sinuosas. A harmonia vem dessa origem e da possibilidade infinita de ajustamento de partes redondas".Jacob KlintowitzKLINTOWITZ, Jacob. O ofício da arte: a escultura. São Paulo: Sesc, 1988. p. 141.<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_G2TngXtrBAs/SkTxTtMwhxI/AAAAAAAALP8/27NGr3xQkiw/s1600-h/Imagem+014.jpg"></a>Megumi Yuasa<br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5351835676350335602" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 272px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/SkWKMUEfynI/AAAAAAAAAog/Cwam-9XbAwI/s320/Imagem_014.jpg" border="0" />Escultura de Megumi Yuasa, Foto: Felipe Stefani<br /><br /><br /><br /><br />Megumi é um cara sólido. Gentilmente sólido. Um artista com todos os melhores traços de sua ancestralidade nipônica: gentil, atento, solícito. Eu observava o Felipe assinando autógrafos, com uma parcimônia (ou lerdeza) que lembraria a de um monge Zen, não fosse o rubor na face, a denunciar-lhe a timidez. Felipe é pacífico e pacifista n”O Possível que o Corpo lhe permite ser”. Não aparenta carregar as “tensões típicas” de um poeta. Não traz o semblante conflitado, nem modos afetados, longe disso. Felipe tem o “look” de um surfista, o que também é. Pinta e desenha com espantosa fluidez e velocidade. Congrega amigos, faz questão das interações, e não o faz como mestre-de-cerimônias [aliás, sem cerimônia alguma]: apresenta e deixa que nós, apresentados, nos entendamos. Não centraliza o meio de campo. Não fica distribuindo a bola [e centralizando o jogo]. Apresenta. E calmamente assiste ao jogo, dentro do próprio campo, dando seus toques quando acha que deve dar. Foi assim na pizzaria para onde fomos [alguns de nós] após o lançamento.<br /><br />Ali, ganhei o “Teatro das Horas” do bom poeta André Setti. É uma geração da casa dos trinta anos. Eu era o “tiozão” da mesa, já perto dos cinquenta. A posição não era nada desconfortável, muito menos patética. Isso por se tratar de gente interessada, estudiosa, comprometida. Mas também descontraída. E Felipe faz a ponte com gente de todas as artes e gerações, como no caso de me apresentar Megumi. Marcelo Ariel também estava lá. É da casa dos quarenta, o poeta e multi-performer. Conhece gente de todas as tribos e áreas. Seria uma espécie de “interlocutor oficial inter-disciplinas estéticas” da minha geração [a literatura cabendo aí, sem nenhuma auto-suficiência, e dialogando com o Teatro e o Cinema o tempo todo, além da Filosofia], independente de ocupar as mídias oficiais pelas bordas, pelo acostamento da via principal. É por aí: o lugar fora do alcance do confisco. Ou do sequestro. Ariel [anjo negro que é] não se permite ser sequestrado em seu labor frenético. Faz curtas, peças, textos, edita livros. E me contou que está para abrir mais um blog. Na quinta da semana que vem, estará lançando trabalho seu na Casa das Rosas. Ou fazendo leituras. Ou performances. Ou algo assim. E sempre há alguma coisa boa naquela Casa, recentemente ocupada, falando de memória, por Alice Ruiz, Valéria Tarelho e outras poetisas que têm o que dizer.<br /><br />Detalhe importante: Baco tem lugar muito restrito na rotina desses camaradas que eu citei. São todos caras comedidos. Nada daquela coisa de se propor que alegria/ ou criação dependem de festas e brindes. Gostam de festa, mas sabem [e fazem] seus trabalhos como zelosos cumpridores de um dever/prazer que a Vocação os compele a levar adiante. Naturalmente. De cara limpa. E não enchem a cara depois também.<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_G2TngXtrBAs/SkTyQQbHP8I/AAAAAAAALQU/6BKBsckozQA/s1600-h/felipestefani.JPG"></a><br /><br />Agradecimentos a esses camaradas e a Carol, namorada do Felipe, pelas boas conversas e pelo clima do encontro. Carol era a caçula de nós todos. 23 anos. Jovialidade e algum sarcasmo em simpático equilíbrio. A menina não toma nenhuma bebida alcoólica, nem ingere droga.<br /><br /><br /><br /><p><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5351836431295799746" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/SkWK4QdhYcI/AAAAAAAAAoo/VPy9gSDN7Ak/s320/DSCF9778.JPG" border="0" />Marcelo Ariel, Flávio Viegas Amoreira, Felipe Stefani e Marcelo Novaes. </p><p>.</p><p>Na minha postagem antidroga [que é o mote proposto para esse dia 26, encabeçado pelo blog CD- Lado B, de Bea M. Moura] uno o útil ao agradável, citando as possibilidades do encontro [e da criação] “de cara limpa”.</p><br />Marcelo Novaes<br /><br />Texto originalmente postado no blog: <a href="http://notaderodape-marcelo-novaes.blogspot.com/">http://notaderodape-marcelo-novaes.blogspot.com/</a><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3306894512660379166-6954802825748240807?l=cultuar.blogspot.com'/></div>Ribeiro Eirashttp://www.blogger.com/profile/11788850857155058592noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-3306894512660379166.post-51133570716610877362009-06-18T18:42:00.009-03:002009-06-19T19:22:41.326-03:00Lançamento: O Corpo Possível de Felipe Stefani<img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5348867181571812578" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 205px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/Sjr-XLRVLOI/AAAAAAAAAoQ/-VlDTQrSG7s/s320/CONVITE_0518_casa_das_rosas.jpg" border="0" /><br /><div>Dia 25 de Junho, as 20h30, na Casa das Rosas em SP, lançarei meu livro "O Corpo Possível" pela editora Dulcinéia Catadora. O livro conta com desenhos e um longo poema meu. Espero a todos, depois tomamos um café. </div><div> </div><div>As 19 horas, antes do lançamento do meu livro, mesa de discussão com o tema "Arte e práticas de ação cultural", com Cristina Freire, professora e curadora do MAC-USP; Monica Nador, artista plástica fundadora do Jamac e Lúcia Rosa, representando o coletivo Dulcinéia Catadora. Também estarei lá, apareçam.<br /><br />Felipe Stefani.</div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3306894512660379166-5113357071661087736?l=cultuar.blogspot.com'/></div>Ribeiro Eirashttp://www.blogger.com/profile/11788850857155058592noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-3306894512660379166.post-51438952429974871912009-06-15T19:19:00.005-03:002009-06-17T19:11:03.507-03:00Malabarismos Juvenis.<a href="http://1.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/SjbMZWQfEfI/AAAAAAAAAn4/jBjmi-ex188/s1600-h/DESENHO.FI.10.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5347686343392563698" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 233px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/SjbMZWQfEfI/AAAAAAAAAn4/jBjmi-ex188/s320/DESENHO.FI.10.jpg" border="0" /></a><br /><div>Eu vi o escasso tempo de malabarismos juvenis<br />A estalar a seiva acidentada da tarde,<br />A aurora pura entrelaçada ao meu próprio sono<br />Nos instantes precários de um segredo vago.<br /><br />Na oblíqua solidez dos corpos<br />Abre-se a rosa inicial sem nome, turva e casta,<br />Impura como a brisa imaculada dos sonhos, da voz,<br />Em uma espécie de chamado.<br /><br />Eu vi o estrondo de uma gloriosa infância,<br />A alegria que em mim eram crianças cintilantes,<br />Na tarde volúvel, onde o mar, em silêncio maior,<br />Faz dos corpos uma presença errante.<br /><br />Devo amar calado o triunfo crepuscular da juventude,<br />Seus beijos ao mar e sua oferenda de mistérios,<br />Na rosa oblíqua de um chamado puro,<br />Na vastidão precária dos instantes.<br /><br />Eu vi tudo isso e amei, sendo eu mesmo uma oferenda eclusa<br />Aos mistérios juvenis, que desafiam os segredos do mar.<br /><br /></div><br /><div><br /><br /><br />A noite levou-me qual ébrio furacão dentro do sono a casa o perfume nada sabia do silêncio unânime levava o vinho a janela do quarto negro negro minha treva me chamava madame colocava gelo no copo ah caminho vegetal de tentações mesquinhas na manha abri as asas na revolta de um insone o vôo sobre a cidade a cidade a cidade a chaga imediata dos vícios deixei-a entorpecida pálpebra negra enquanto o sol faiscava uma loucura unânime migrei para as visões distantes a aurora e o beijo afundou-a até a doçura do sonho besta soberba no outro dia era um poeta<br /><br /><br /></div><br /><div><br /><br /><br />Como operário no alfabeto das horas,<br />cumpri o enorme grito do meu nome,<br />dentro das florestas extraordinárias<br />da inocência.<br />Após a cerimônia da manhã interior,<br />que nos queima as entranhas,<br />ao meio-dia lancei-me faiscante para fora<br />dessa treva cheia de planetas espelhados.<br />Sobre a tarde de repente, atravessando oceanos vivos,<br />estendiam-se platôs exteriores,<br />centros gravitacionais mais quentes que o abismo<br />do meu vôo.<br /><br />E teu sexo trilhava o coração e a raiz<br />desta noite sufocada de luz.<br /><br />É isso o amor?<br />Uma prisão esplêndida.<br />No dentro e no fora da elegante<br />demência que naufraga,<br />sei que toca as partes vivas e a morte<br />do enlace onde nasce a música.<br /><br />E as estações nos moldam a chama<br />e a simetria,<br />até a luz além da luz da vida.<br /><br /><br /><br />Poemas e Desenho de Felipe Stefani.</div><div> </div><div>Mais Desenhos de Felipe Stefani: <a href="http://www.pbase.com/sodesenho/felipe_stefani">www.pbase.com/sodesenho/felipe_stefani</a></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3306894512660379166-5143895242997487191?l=cultuar.blogspot.com'/></div>Ribeiro Eirashttp://www.blogger.com/profile/11788850857155058592noreply@blogger.com1tag:blogger.com,1999:blog-3306894512660379166.post-45135704278019996912009-06-13T19:04:00.007-03:002009-06-17T19:11:37.899-03:00Canção<a href="http://4.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/SjQj2X7AvWI/AAAAAAAAAnw/Rkd3nI4y0DU/s1600-h/103305202_BcmdVt5e_ipanema.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5346938074637057378" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 263px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/SjQj2X7AvWI/AAAAAAAAAnw/Rkd3nI4y0DU/s320/103305202_BcmdVt5e_ipanema.jpg" border="0" /></a><br /><div>depois cantam o sopro feroz do alumbramento<br />vestidas de uma fonte perigosa<br />um livro perigoso<br />flui por baixo dos mortos<br />em volta<br />a absorção inesgotável do silêncio<br /><br />há vozes que buscam se bastar nas alturas<br /><br />meninas<br />com a morte esquecida nos ombros<br />sobem as alamedas<br />o canto atrás delas veste a noturna solidão<br /><br />há uma canção que encerra-se<br />ao tocar com dedos inspirados<br />as fontes que dormem<br />cobertas de outono<br />delirante outono na idade feminina dos acordes<br /><br />entre o istmo e a profundeza<br />a navalha e a dispersão<br /><br />meninas vão deixando lentamente a música<br /><br />distantes<br />intactas<br /><br />nos contornos expostos da inocência<br /><br /></div><br /><div><br /><br />Poema e Desenho Felipe Stefani.</div><div> </div><div>Mais Desenhos de Felipe Stefani: <a href="http://www.pbase.com/sodesenho/felipe_stefani">www.pbase.com/sodesenho/felipe_stefani</a></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3306894512660379166-4513570427801999691?l=cultuar.blogspot.com'/></div>Ribeiro Eirashttp://www.blogger.com/profile/11788850857155058592noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-3306894512660379166.post-81609177901434611922009-06-11T19:07:00.008-03:002009-07-10T12:51:55.656-03:00O caminho(Tao) e além<a href="http://3.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/SjGDv2CU45I/AAAAAAAAAno/OW43fCCvBJg/s1600-h/digitalizar0001.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5346199090647851922" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 251px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/SjGDv2CU45I/AAAAAAAAAno/OW43fCCvBJg/s320/digitalizar0001.jpg" border="0" /></a><br /><div>"Não te maravilhes de ter dito: Necessario vos é nascer de novo.</div><div>O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito. </div><div>Nicodemos respondeu e disse-lhe: Como pode ser isso?</div><div>Jesus respondeu: Se vos falei de coisas terrestres e não compreendes-te, como compreenderás se te falar das celestiais?" </div><div><span style="font-size:78%;">.</span></div><div></div><div>Conversação de Nicodemos com Jesus, do Evangelio Segundo João.</div><div><span style="font-size:78%;">.</span></div><div><span style="font-size:78%;"></span></div><div><span style="font-size:78%;"></span></div><div><span style="font-size:78%;">.</span></div><div>Desenho: "Jesus em Samaria" de Felipe Stefani, de um caderno de apontamentos.</div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3306894512660379166-8160917790143461192?l=cultuar.blogspot.com'/></div>Ribeiro Eirashttp://www.blogger.com/profile/11788850857155058592noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-3306894512660379166.post-51251110209046909172009-06-08T17:42:00.010-03:002009-06-17T18:33:29.372-03:00Tua Árvore<a href="http://3.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/Si2CNtzJ59I/AAAAAAAAAng/xUrckrEZxfo/s1600-h/OgAAAEKcBikzCp2WLGQQ1QhOg-tp-3v_agB88-fPGhbFHyrksD6G26EUQGRMpk3RcFwBpnOM7h5PIQ5Y1_PykxDeqzEAm1T1UMCqMXD73kmFnF20gUylp53P03el.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5345071504902711250" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 204px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/Si2CNtzJ59I/AAAAAAAAAng/xUrckrEZxfo/s320/OgAAAEKcBikzCp2WLGQQ1QhOg-tp-3v_agB88-fPGhbFHyrksD6G26EUQGRMpk3RcFwBpnOM7h5PIQ5Y1_PykxDeqzEAm1T1UMCqMXD73kmFnF20gUylp53P03el.jpg" border="0" /></a><br /><div>A Marcelo Ariel<br /><br /><br />os signos do silêncio<br />remexem na fundura interior da primavera<br /><br />escuta<br />apenas<br /><br />pela luz<br />no sonho anterior dos mortos<br />a escuridão<br />por traz<br />outra escuridão<br /><br />dentro da voz tudo está sonhando<br /><br />nem podes imaginar os sons primaveris<br />sem se destroçar inteiro<br /><br />basta os ciclos<br />as fontes<br /><br />nas noites sôfregas o céu se espelha em laminas mudas<br />então pergunta-te<br />existo?<br />e se existo sou uma flor monstruosa<br /><br />há nuvens que começam na ceifa<br /></div><div>a árvore<br />o tempo<br /><br />basta o toque da água nos subterrâneos<br /><br />e recebe os mortos<br /><br />a primavera<br /><br /><br /><br /><br /><br />Felipe Stefani, Itamambuca, Ubatuba, Junho de 2009.</div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3306894512660379166-5125111020904690917?l=cultuar.blogspot.com'/></div>Ribeiro Eirashttp://www.blogger.com/profile/11788850857155058592noreply@blogger.com1tag:blogger.com,1999:blog-3306894512660379166.post-80513169431145803832009-05-26T06:20:00.022-03:002009-05-29T02:22:59.414-03:00Noturno<img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5340061548833413410" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 31px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/Shu1r5DwGSI/AAAAAAAAAnY/nsf4-b5l9ts/s320/Milo015.jpg" border="0" /><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5340061433448913010" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 67px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/Shu1lLN8WHI/AAAAAAAAAnQ/vQpjGaW1OHk/s320/Milo01.jpg" border="0" /><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5340061198044326546" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 81px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/Shu1XeRHapI/AAAAAAAAAnI/pUnKUyD3dWY/s320/Milo012.jpg" border="0" /><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5340060931559412178" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 47px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/Shu1H9iKUdI/AAAAAAAAAnA/HkeEOavd430/s320/Milo014.jpg" border="0" /><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5340060633650882066" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 112px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/Shu02nvO5hI/AAAAAAAAAm4/aELYn5ZNpa8/s320/Milo013.jpg" border="0" /><br /><div></div><div></div><div></div><div><br />noite<br />constelações escassas<br />nas raízes de carnívoras povoações taciturnas<br />buracos ligados por dedos fulgurantes<br />contra as grutas do poder do sono lírico<br />os panos todos selvagens planos contorcidos<br />e não sentes o ar culminando à janela luminosa da loucura<br />a pulsar tua península crivando mortes e visões<br /><br />o medo enfim<br />talvez a dança<br /><br /><br /><br /><br /><br />Felipe Stefani</div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3306894512660379166-8051316943114580383?l=cultuar.blogspot.com'/></div>Ribeiro Eirashttp://www.blogger.com/profile/11788850857155058592noreply@blogger.com1tag:blogger.com,1999:blog-3306894512660379166.post-86109815994164533002009-05-24T19:39:00.002-03:002009-05-24T19:44:04.497-03:00Cores no Dique.Flávio Viegas Amoreira escreve novo texto sobre a experiência do filósofo e artista plástico Maurício Adinolfi dentro do projeto Residências Artísticas em Pontos de Cultura, no caso o Instituto Arte no Dique, em Santos.<br /><br /><br /><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5339524478359812834" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 244px; CURSOR: hand; HEIGHT: 166px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/ShnNORojuuI/AAAAAAAAAmw/jrnhasfYhnI/s320/catalogo_0001_thumb%5B1%5D.jpg" border="0" /><br /><br /><div>Arte no coletivo, o Devir cromatizado na precariedade aparente e na imanência do risco: só o impermanente refletido é humano. Interação movediça, curso errático dum braço de mar de nome bugre moldando rio-corrente gestando Oceano ao largo. Folhas de madeirite "volpiando" o dique que contêm bravamente o Atlântico: o rumor das tintas em sinestésica tessitura amalgamada a maresia / umidade primal / mítica / palafitas que suportam / sustêm no instante a original errância...<br /><br />Fenomenologia sem travas: elocubração molecular.<br /><br />Poética concreção: casas-signos carregadas de significados / rizomas fractados em húmus fertilíssimo de encanto horizontalizado por perspectivas inusitadas a reboque do leito sem margens precisas. Urbanismo orgânico / humanização da paisagem / naturalização da comunidade pela estetização dessa disposição sensual das vagas ao sabor da maré reentrante. Visualidade distendida: gente habitando azul e vermelho / sem vértices ou ângulos arbitrários: as cores são estatuto do encantamento assentindo a dissolvência. Móbiles: veredas imagéticas / a dialética sem síntese na geometria de planos inconsentidos: magia cética dos cubos que se projetam expressando ao infinito o traçado que não se permite imantado. Nada se fixa / nenhuma acomodação óptica: sobrevivência do impossível onde nada é prosaico / nesse cadinho onírico tudo é ascenso epifânico, o sublime moldado pelo compósito terreno. Cores primevas / descida plástica ao paraíso inquietante do experimento / a ferveção desordeira do espaço / pulsão dilatada / múltipla / o sol reaberto em clareira.<br />A existência tatuada na imersão colorizada / o Mar que desliza riacho escondendo lacustre hidrográfico oceânica grandeza: barracos / casario / barroco: senhores dignos mestres sobrados da incerteza sem aparas. Nessa borda sem porto a fugacidade faz a realidade algo palpável desvelando o desejo presentificado: cada matiz é um sorriso orgíaco / orgasmo anímico / distensão das esperas. Epopéia lírica / janelas sem amuradas / braços forjando identidades / cidadãos sujeitos de sua história em aquarela : parapeitando o mais extremo do infindo: o indiviso marinho. Subversão sem escora / fecho / gancho: sabor dionisíaco do delírio enxaguando-se na felicidade do absurdo respingado. Cores conviventes, correspondências cósmicas: aqui nem a noite é breu entre o sustenido de barcos / madeirame rangente / onde o céu cobre-se de escamas no ventre salobro das esferas. Quanto mais miro menos turvo onde minhas pupilas não se desgastam: o "habitat" não refrata / aqui nada repele / todo-tudo alonga-se em eco transmutado em espelho. Nenhuma utilidade das cores além do milagre epidermicamente sentido: útil é da ordem do desnecessário/ entre os moradores há luz eivada da cores questionando o excesso de "úteis inutilezas" na outra sociedade: onde consome-se o irreal por ser exorbitado. Prodígios reverberam: não é fogo-fatuo da ruínas do capitalismo: são moinhos auto-realizantes. </div><div><br />Nenhum faro mercadológico ou lógica redutível: essas cores fazem-se poemas / êxtase agitando-se sem termo ou medida. A simetria é só efeito primordial antecedendo atmosferas superpostas / apoteose submersa: intangível quadrilátero/ até onde vista alcança nada que fascina é passível de enquadro. "Hapenning" / performance / obra aberta: tudo intuído, o efeito ultrapassa ilimitado ou deliberado. As cores falam / dizem / projetam tudo-todo que um tom alumia: não é projeto / "Cores no dique" é retenção mutante dos caminhos / metalingüística observação táctil do trajeto. Desprovido de paternalismo a ação do artista co-move mutirão desprovendo-se de ego para amplificar o arco de ação negando apropriação da Arte tão somente pelo indivíduo: "soma" de ilhas, as cores lançam pontes entres toda a gente "comunizando" a Utopia / agregando o arquipélago-ocre num continente-cores. Só um senso / nexo / propósito: o arco-íris encarnado / “habitabilidade” densamente mitificada / o profano artisticamente sacralizado: Arte sem evasão / cores alinhavando um compromisso de rompimento / protesto sábio / vívido alumbramento. Sabotagem de arquétipos / desprezo ao clamor apocalíptico / descontrução do tédio pela erotização radical do espaço pelos cacos numinados / inspiração seminal do "locus-topus" pelo mais fundo de sua "naturaleza". Arte é dique sem barreiras: pensamento nômade / pólen quântico-náutico. No princípio era o verbo fazendo Arte. Embarcadouro: nada assenta ou repousa / as cores acompanham o embarcadouro nesse estado "originalizante" de "estar-aí" mutante: o dique pinta-se feito metalinguagem onde a existência faz-se morada.<br /><br />Arte adesiva, não encerrada / estanque: clareia serpenteando a esmo num acaso objetivo: o mundo aqui é onde cor vai adentrando seu enredo</div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3306894512660379166-8610981599416453300?l=cultuar.blogspot.com'/></div>Ribeiro Eirashttp://www.blogger.com/profile/11788850857155058592noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-3306894512660379166.post-40093937305600922012009-05-22T02:02:00.008-03:002009-05-22T23:32:37.939-03:00POEMAPROTOESCURECIMENTO III<a href="http://4.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/ShdKSdTBm5I/AAAAAAAAAmo/jucSg03fviE/s1600-h/digitalizar0021.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5338817564233538450" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 252px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/ShdKSdTBm5I/AAAAAAAAAmo/jucSg03fviE/s320/digitalizar0021.jpg" border="0" /></a> Itamambuca, 1990.<br /><div><a href="http://1.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/ShYzoAhklOI/AAAAAAAAAmg/jTRYdRxvMWQ/s1600-h/guarda.jpg"></a><br /><br /><br />a onda um movimento dentro<br />tombava nos quartos<br />passávamos o zinco queimado sob<br />as cachoeiras do sonho<br />meu pai dormia a grande labaredamontanha de um pai<br />tudo é extenuante e queima até a vida<br />na memória desses verões<br /><br />as línguas línguas juvenis beijavam as labaredas<br />tocavam a conchavida de um som anterior<br />antes do esquecimento<br />nos giros maduros da cabeça<br />esqueço<br />que composição de estrelas<br />que mar noturno mar paternal<br />soletravam<br /><br />casa alguma deixava-se tão morna na loucura<br />das crianças<br />búzios que batem inumeráveis canções inabitadas<br />sou silêncio e bato a cada janela<br />não canto senão em cada mudezretrato que guardo<br /><br />e se houvesse uma garganta tão extrema como a loucura<br /><br />fosse assim<br />tão eterno aquele erguer-se de águas<br /><br />devo ter as vagas entre os dedos para<br />esmagar as palavras que agora resistem<br /><br /><br /><br /><p></p><br /><p></p><br /><p></p><br />Felipe Stefani.</div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3306894512660379166-4009393730560092201?l=cultuar.blogspot.com'/></div>Ribeiro Eirashttp://www.blogger.com/profile/11788850857155058592noreply@blogger.com1tag:blogger.com,1999:blog-3306894512660379166.post-76686650166239260252009-05-22T00:34:00.003-03:002009-05-22T00:42:20.038-03:00Tao<a href="http://4.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/ShYddadGzKI/AAAAAAAAAmY/dl0gTeXCCYQ/s1600-h/ChuangTzu1.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5338486799449115810" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 148px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/ShYddadGzKI/AAAAAAAAAmY/dl0gTeXCCYQ/s320/ChuangTzu1.jpg" border="0" /></a> Nan-po Tzu-k'uei disse a velha corcunda: "És velha em anos; todavia, tens a compleição de uma criança. Por que isso?"<br />"Eu ouvi o caminho!" <br /><br />Chaug Tzu<br /><br /><div></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3306894512660379166-7668665016623926025?l=cultuar.blogspot.com'/></div>Ribeiro Eirashttp://www.blogger.com/profile/11788850857155058592noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-3306894512660379166.post-86537020176632110672009-05-17T17:44:00.015-03:002009-05-19T07:17:00.893-03:00POEMAPROTOESCURECIMENTO II<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/ShB-D475zfI/AAAAAAAAAmQ/79mc6y4-ee8/s1600-h/0712.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5336904163722382834" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: pointer; HEIGHT: 181px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/ShB-D475zfI/AAAAAAAAAmQ/79mc6y4-ee8/s320/0712.jpg" border="0" /></a><span style="font-size:100%;">Itamambuca. Foto, Marcio de Oliveira Naves.<br /></span><p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 0pt"><span lang="EN-US" style="font-family:Georgia;font-size:100%;"><span class="Apple-style-span"><br /></span></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 0pt"><span lang="EN-US" style="font-family:Georgia;font-size:100%;"><span class="Apple-style-span">a</span></span><span lang="EN-US" style="font-family:Georgia;font-size:100%;"> </span><span lang="EN-US" style="font-family:Georgia;font-size:100%;"><span class="Apple-style-span">onda um movimento dentro</span><span class="Apple-style-span"><?xml:namespace prefix = o /><o:p></o:p></span></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 0pt"><span lang="EN-US" style="font-family:Georgia;font-size:100%;"><span class="Apple-style-span">tombava nos quartos </span><span class="Apple-style-span"><o:p></o:p></span></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 0pt"><span lang="EN-US" style="font-family:Georgia;font-size:100%;"><span class="Apple-style-span">passávamos o zinco queimado sob</span><span class="Apple-style-span"><o:p></o:p></span></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 0pt"><span lang="EN-US" style="font-family:Georgia;font-size:100%;"><span class="Apple-style-span">as cachoeiras do sonho</span><span class="Apple-style-span"><o:p></o:p></span></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 0pt"><span lang="EN-US" style="font-family:Georgia;font-size:100%;"><span class="Apple-style-span">meu pai dormia a grande labaredamontanha de um pai</span><span class="Apple-style-span"><o:p></o:p></span></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 0pt"><span lang="EN-US" style="font-family:Georgia;font-size:100%;"><span class="Apple-style-span">tudo é extenuante e queima até a vida</span><span class="Apple-style-span"><o:p></o:p></span></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 0pt"><span lang="EN-US" style="font-family:Georgia;font-size:100%;"><span class="Apple-style-span">na memória desses verões</span></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 0pt"><span style="font-size:100%;"><br /></span><span lang="EN-US" style="font-family:Georgia;font-size:100%;"><span class="Apple-style-span"><o:p></o:p></span></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 0pt"><span lang="EN-US" style="font-family:Georgia;font-size:100%;"><o:p><span class="Apple-style-span"></span></o:p></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 0pt"><span lang="EN-US" style="font-family:Georgia;font-size:100%;"><span class="Apple-style-span">as línguas línguas juvenis beijavam as labaredas</span><span class="Apple-style-span"><o:p></o:p></span></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 0pt"><span lang="EN-US" style="font-family:Georgia;font-size:100%;"><span class="Apple-style-span">tocavam a conchavida de um som anterior</span><span class="Apple-style-span"><o:p></o:p></span></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 0pt"><span lang="EN-US" style="font-family:Georgia;font-size:100%;"><o:p><span class="Apple-style-span"></span></o:p></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 0pt"><span lang="EN-US" style="font-family:Georgia;font-size:100%;"><span class="Apple-style-span">antes do esquecimento</span></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 0pt"><span lang="EN-US" style="font-family:Georgia;font-size:100%;"><span class="Apple-style-span">nos giros maduros da cabeça</span><span class="Apple-style-span"><o:p></o:p></span></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 0pt"><span lang="EN-US" style="font-family:Georgia;font-size:100%;"><span class="Apple-style-span">esqueço</span></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 0pt"><span lang="EN-US" style="font-family:Georgia;font-size:100%;"><span class="Apple-style-span">que composição de estrelas</span><span class="Apple-style-span"><o:p></o:p></span></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 0pt"><span lang="EN-US" style="font-family:Georgia;font-size:100%;"><span class="Apple-style-span">que mar noturno mar paternal<br /></span></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 0pt"><span lang="EN-US" style="font-family:Georgia;font-size:100%;"><span class="Apple-style-span">soletravam</span></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 0pt"></p><span style="font-size:100%;"></span><br /><p><span style="font-size:100%;"></span></p><p><span lang="EN-US" style="font-family:Georgia;font-size:100%;"><span class="Apple-style-span">pois sou silêncio e bato a cada janela</span></span></p><p><span lang="EN-US" style="font-family:Georgia;font-size:100%;"><span class="Apple-style-span">não canto senão em cada mudezretrato que guardo</span></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 0pt"><span lang="EN-US" style="font-family:Georgia;font-size:100%;"><span class="Apple-style-span">casa alguma deixava-se tão morna na loucura</span><span class="Apple-style-span"><o:p></o:p></span></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 0pt"><span lang="EN-US" style="font-family:Georgia;font-size:100%;"><span class="Apple-style-span">das crianças</span></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 0pt"><span style="font-size:78%;">.</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 0pt"></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 0pt"></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 0pt"></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 0pt"></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 0pt"><span lang="EN-US" style="font-family:Georgia;font-size:100%;"><span class="Apple-style-span"><o:p></o:p></span></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 0pt"><span lang="EN-US" style="font-family:Georgia;font-size:100%;"><span class="Apple-style-span"></span></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 0pt"><span lang="EN-US" style="font-family:Georgia;font-size:100%;"><span class="Apple-style-span">búzios que batem inumeráveis canções inabitadas</span><span class="Apple-style-span"><o:p></o:p></span></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 0pt"><span lang="EN-US" style="font-family:Georgia;font-size:100%;"><span class="Apple-style-span">preciso de nomes</span><span class="Apple-style-span"><o:p></o:p></span></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 0pt"><span lang="EN-US" style="font-family:Georgia;font-size:100%;"><span class="Apple-style-span">quero dizer</span><span class="Apple-style-span"><o:p></o:p></span></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 0pt"><span lang="EN-US" style="font-family:Georgia;font-size:100%;"><span class="Apple-style-span">se houvesse uma garganta tão extrema como a loucura</span></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 0pt"><span lang="EN-US" style="font-family:Georgia;font-size:100%;"><span class="Apple-style-span">éramos onda</span><span class="Apple-style-span"><o:p></o:p></span></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 0pt"><span lang="EN-US" style="font-family:Georgia;font-size:100%;"><span class="Apple-style-span">e ondas adentravam o sonoinfância de nossas carnes</span></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 0pt"><span style="font-size:100%;"><br /></span><span lang="EN-US" style="font-family:Georgia;font-size:100%;"><span class="Apple-style-span"><o:p></o:p></span></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 0pt"><span lang="EN-US" style="font-family:Georgia;font-size:100%;"><o:p><span class="Apple-style-span"></span></o:p></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 0pt"><span lang="EN-US" style="font-family:Georgia;font-size:100%;"><span class="Apple-style-span">e foi assim</span></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 0pt"><span lang="EN-US" style="font-family:Georgia;font-size:100%;"><span class="Apple-style-span">tão eterno aquele erguer-se de águas</span><span class="Apple-style-span"><o:p></o:p></span></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 0pt"><span style="font-size:100%;"><br /></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 0pt"><span style="font-size:100%;">(</span><span class="Apple-style-span" style="font-size:100%;">devo ter as vagas entre os dedos para</span><span style="font-size:100%;"><br /></span></p><p class="MsoNormal"><span lang="EN-US" style="font-family:Georgia;font-size:100%;"><span class="Apple-style-span">esmagar as palavras que agora resistem)</span></span></p><p class="MsoNormal"><span style="font-size:100%;"><br /></span></p><p class="MsoNormal"><span style="font-size:100%;"><br /></span></p><p class="MsoNormal"><span class="Apple-style-span" style="font-size:100%;">Felipe Stefani</span></p><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3306894512660379166-8653702017663211067?l=cultuar.blogspot.com'/></div>Ribeiro Eirashttp://www.blogger.com/profile/11788850857155058592noreply@blogger.com1tag:blogger.com,1999:blog-3306894512660379166.post-85057217361339029982009-05-07T19:51:00.022-03:002009-05-17T17:45:51.932-03:00POEMAPROTOESCURECIMENTO<a href="http://4.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/SgNnesO80qI/AAAAAAAAAmI/10cIhOmLFVA/s1600-h/89954908_0yhwmbNc.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5333220160704402082" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 232px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/SgNnesO80qI/AAAAAAAAAmI/10cIhOmLFVA/s320/89954908_0yhwmbNc.jpg" border="0" /></a><br /><br /><div>a onda um m<span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;">ovimen</span>to dentro<br />lembro-me<br />as manhãs nas paredes manhãs esquecidas dos ossos</div><div>o cal dentro da boca<br />subia as árvores secas<br />tombava nos frutosquartos tão serenos quartos<br />mansamente<br /></div><div></div><div>o terral<br />batia<br />nos ossos<br /><br />era o verão<br /><br />estou lá naquela casa quaseinfância<br />mastigo tremo<br />desde os telhados lá dentro no fundo<br />no silênciosonho de um adultocítara<br /><br />nada<br />era tão sutil e moroso<br />morosamente<br />passávamos o zinco queimado sob<br />as cachoeiras do sonho<br />dormíamos</div><div>nascemos<br />no alto das casas<br />pequenos frutos<br />vinham vislumbrar o sono<br />meu pai dormia a grande labaredamontanha de um pai<br />sabiamente deitado nas longas ondas do filho<br />tudo tão pequeno enquanto lentamente grunhindo nos dentes noturnos<br />dos morcegos<br /><br />que me retiro<br /><br />paro um pouco na inspiração da coruja<br />(não há outro retrato)<br />tudo é extenuante e estanca até a vida<br />na memória desses verões<br /><br />mastigo e faço aparecê-los pelos ossos<br />as vigas das casas espremo nas pálpebras<br />trago-os à luz pelo escurecimento do corpo<br />pequeno e leve<br />mil mares míticos de músicas inspiradas e<br />tempo recolhido</div><div><br />recolho palmo a palmo nos ramos musicais<br />contorço aquelas ruas negras ruas povoadas de portas<br />e de um negro medo contorcido<br />no tremendo nada que espreita<br />agora lembro ou<br />esqueço aqui naquela vila cheia de atos<br />o que me lembro<br />as línguas línguas juvenis beijavam as labaredas<br />tocavam a conchavida de um som anterior<br />antes do esquecimento<br />esqueço<br />nos giros maduros da cabeça<br />que composição de estrelas<br />que mar noturno mar paternal<br />soletravam<br /><br />e tão pequeno e flui dentro dos dedos<br />que posso espremer o sono das fogueiras entre as mãos<br />assim<br />trazê-las<br />pois prefiro a loucura das constelações do que somos<br />feitos assim de uma a mais abrupta ruptura<br />feitos de cosmos cosmos inumeráveis cosmos siameses em universos marítimos<br />prefiro trazê-los cantando como a memóriaesquecimento das<br />coisas anteriores<br /><br />pois sou silêncio e bato a cada janela<br />não canto senão em cada mudezretrato que guardo<br /><br />e se fosse assim<br />tão delicada a vertigem<br />que direi?<br /><br />no pensamento da sala </div><div>nas pálpebras das sacadas interiores<br />onde sentavam minha avó minha tia</div><div>éramos noite e dia batendo às idades</div><div>na madrugada surfávamos o inverso do corpo que deitava<br />casa alguma deixava-se tão morna na loucura<br />das crianças<br />que eram ondafogueira<br />dos mergulhos<br />e saltos que habitávamos<br />em nossos músculos primaveris de criança<br /><br />mas que são as pálpebras no grande<br />girotempo tencionado de um adulto?<br /><br />enxergo para dentro longe em tudo<br />quero a paisagem dentro das portas<br />vendo<br />o menino vendo ondas refletidas no vidro<br />das janelas em seus ossos<br />e para um pouco na expiração de tudo<br />sabe mais que há dias em que tudo se sente<br />outros que dormem escurecem e se fazem violinos<br />búzios que batem inumeráveis canções inabitadas<br />preciso de nomes<br />quero dizer<br />se houvesse uma garganta tão extrema como a loucura<br />búzios que batem inumeráveis canções inabitadas<br />porque éramos onda<br />e ondas adentravam o sonoinfância de nossas carnes<br /><br />e era isso<br />tão eterno aquele erguer-se de águas<br />dentro da sala calma</div><div>casa da infância<br /><br />(devo ter as vagas entre os dedos para<br />esmagar as palavras que agora resistem)<br /><br /><br /><br /><br />Felipe Stefani.</div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3306894512660379166-8505721736133902998?l=cultuar.blogspot.com'/></div>Ribeiro Eirashttp://www.blogger.com/profile/11788850857155058592noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-3306894512660379166.post-67075906214622378862009-05-06T19:30:00.003-03:002009-05-06T19:35:48.347-03:00ROMULO FROÉS- O SAMBA EM TRANSE:<a href="http://2.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/SgIPl-rW_JI/AAAAAAAAAmA/NQRM2ehtcYM/s1600-h/nochao.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5332842053914524818" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 282px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/SgIPl-rW_JI/AAAAAAAAAmA/NQRM2ehtcYM/s320/nochao.jpg" border="0" /></a> Por Marcelo Ariel.<br /><br /><br /><div></div><div>Sobre No chão sem o chão de Romulo Froés, antes um retrospecto: Em Calado e Cão, seus discos anteriores Romulo soube como poucos mergulhar nas fontes ontológicas do samba, onde suas raízes se cruzam com as do Blues, são discos onde a energia do samba se funde com a do blues, a palavra blues aqui designa mais um estado de espírito do que o gênero musical, Calado e Cão são discos de sambanzo. No fundo Romulo é bem mais do que um sambista e chamá-lo de sambista talvez seja um reducionismo, em seus dois discos anteriores podemos encontrar elementos do cool jazz , ecos da fossa de Tito Madi e Dolores Duran e é claro, muito da aura de Nélson Cavaquinho transfigurada, revisitada e ampliada para outros horizontes da dor, álias, Nélson Cavaquinho talvez signifique para Romulo Froés o mesmo que Edgar Alan Poe para Baudelaire, é mais uma ressonância do que um modelo. Dito isto nos voltamos para este recém lançado e duplo No chão sem o chão que me parece uma renovação ( no conteúdo) em relação aos dois discos anteriores, aqui R.F. sai do samba pela porta da frente através do transe elétrico ou do transe das texturas elétricas das guitarras, "sai" e passeia por outros jardins sonoros para no final do segundo disco-sessão, como uma cobra mordendo o próprio rabo, voltar a ele, retornar para uma transfiguração do sambanzo de Calado. No chão sem o chão é o disco onde o projeto de R.F. alcança uma síntese, onde as raízes do rock, do cool jazz e do samba se misturam às vezes em um mesmo módulo-canção , é um disco-conceitual fundado na investigação de uma ontologia da dor e em uma jornada lírica em direção ao estranhamento do mundo. Romulo faz sua música a partir de um não-lugar, o mesmo não-lugar onde Garrincha dançava seus dribles, o mesmo não-lugar onde Augusto dos Anjos escrevia seus poemas e o título do cd nomeia este não-lugar com uma triste e certeira elegância .</div><div> </div><div> </div><div>.</div><div></div><div></div><div></div><div></div><div></div><div></div><div></div><div></div><div>Marcelo Ariel direto do deserto do marketing do enigma.</div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3306894512660379166-6707590621462237886?l=cultuar.blogspot.com'/></div>Ribeiro Eirashttp://www.blogger.com/profile/11788850857155058592noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-3306894512660379166.post-11346713740491892982009-05-01T03:17:00.009-03:002009-05-01T03:27:07.050-03:00Poesia<a href="http://1.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/SfqVqzBVAxI/AAAAAAAAAl4/ZfW2RXN3SMg/s1600-h/Le_Pont_de_Manc.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5330737671429227282" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 269px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/SfqVqzBVAxI/AAAAAAAAAl4/ZfW2RXN3SMg/s320/Le_Pont_de_Manc.jpg" border="0" /></a> <div><a href="http://2.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/SfqU8H_NDiI/AAAAAAAAAlw/OTCWpfxor9s/s1600-h/Le_Pont_de_Manc.jpg"></a></div><div></div><div>Paul Cézanne, The Bridge of Maincy near Melun. c. 1879</div><div><br /><div></div><br /><div></div><br /><div>dizem pelas vértebras das luas que o grunhido da água não é música e<br />perto<br />esquecem o transbordante silêncio único<br />disso sei ao avesso<br />do rio que abre-se em candeias de<br />nudez que voltam secas para argila indecifrável da loucura<br />do céu a outro céu da escrita<br /><br />que fique imóvel o continente de mãos pintadas pelo fogo<br />luminoso continente inscrito no vento<br />enchem-no de ouro e a margem devora quem<br />cresce inalterado de entendimento de<br />outra imagem é o hemisfério onde<br />dormem as flautas<br /><br />sonham acordes inspirados pela pedra pela<br />existência muda da pedra<br /><br />e o som empurra o sonho da vida para dentro<br />do sonho do rio<br /><br />todos se mancham com esse golpe sempre novo<br /><br />as águas devolvem a coroa do sono<br />para a música que dorme na água<br />apaixonada destruída em inocência<br />a música da água<br /><br />escoa<br /><br />límpida desde as luas as luas sem fundo<br />brilha em si mesma inalterada<br />ao corpo da noite húmida inexplicável<br />na respiração das pedras inspiradas<br /><br />ela toca a frase louca dos cantores que ouvem<br />as fontes<br /><br />em silêncio<br /><br /><br /><br /><br />Felipe Stefani<br /><br /><br /><div></div></div></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3306894512660379166-1134671374049189298?l=cultuar.blogspot.com'/></div>Ribeiro Eirashttp://www.blogger.com/profile/11788850857155058592noreply@blogger.com1tag:blogger.com,1999:blog-3306894512660379166.post-2274237373220346782009-04-29T02:04:00.000-03:002009-04-29T02:05:40.926-03:00<a href="http://4.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/Sfff7gGcYzI/AAAAAAAAAlg/7IjQ2_GNT3k/s1600-h/OgAAAGx9PXrwlVcxI0JwPt9J51eZ4MfMzCZbCFWanfQD-e1Zy7QiRC-PevU01ythJx_hjivFgYlaH0hPwM6WKW2GcyoAm1T1UBFKHrK2n7dbfPGnUJev9JXxbc1t.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5329974897338508082" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 254px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/Sfff7gGcYzI/AAAAAAAAAlg/7IjQ2_GNT3k/s320/OgAAAGx9PXrwlVcxI0JwPt9J51eZ4MfMzCZbCFWanfQD-e1Zy7QiRC-PevU01ythJx_hjivFgYlaH0hPwM6WKW2GcyoAm1T1UBFKHrK2n7dbfPGnUJev9JXxbc1t.jpg" border="0" /></a><br /><div></div><br />As vezes uma imagem vale mais que mil <span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_0">silêncios</span>...<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3306894512660379166-227423737322034678?l=cultuar.blogspot.com'/></div>Ribeiro Eirashttp://www.blogger.com/profile/11788850857155058592noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-3306894512660379166.post-19082129605232529802009-04-27T07:00:00.003-03:002009-04-27T07:04:36.863-03:00Dique de cores flutuantes<a href="http://1.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/SfWCVviz9GI/AAAAAAAAAlY/Ha3_ICNxIyI/s1600-h/oficinas_dique_5_062mn.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5329309044114191458" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/SfWCVviz9GI/AAAAAAAAAlY/Ha3_ICNxIyI/s320/oficinas_dique_5_062mn.jpg" border="0" /></a><br /><div>Por Flávio Viegas Amoreira</div><div> </div><div> </div><div></div><div>“Quem nasce num porto de mar tem tudo para ser sábio” Paulo Mendes da Rocha (arquiteto)</div><div></div><div><br /><br />Novas cores para o pós-tudo que enfrentamos. Assim emocionado li a matéria de 11 de abril de A Tribuna: Arte deixa a Vila Gilda com as cores da esperança. Inteirações estéticas, superfícies líquidas, soluções movediças para um universo em transe: o risco das marés reentrantes agora tonalizadas de cores iluminando o Rio Bugre. Uma exposição impermanente , Cores no dique foi idéia concretíssima do artista plástico e filósofo santista Maurício Adinolfi, projeto aprovado pela Funarte e que mobilizou comovidamente os moradores dos barracos sobre palafitas do dique, braço de mar que abraça essa nossa ilha (in) comum. Folhas de madeirite simetricamente esquadrinhadas tingindo de poesia o cotidiano reinventado dessa gente valorosa que persegue ainda o mito de morar onde o Oceano vai querendo preencher seu espaço. Habitações de nobreza lírica. Que dignidade nesse empreendimento convergindo sonhos, perspectivas e o maior desafio do Homem: a capacidade de ainda dar sentido ao encanto. Nenhum paternalismo: o artista coordenou sua visão amplificando sua percepção com o entusiasmo dos agentes e protagonistas desssa metamorfose urbanística de dimensão global apartir da interferência nas peculiaridades da vivência ribeirinha local.</div><div><br />Nenhuma transcendência me balança tanto quanto a beleza imanente: nenhuma carência é mais urgente que a do espírito saciado plasticamente pela mutação do instante. Casas-navegantes: dormentes que sustentam Mondrian e Kandinsky pelos manguezais de Santos! Ludicamente compostos, os barracos ganham matizado sinestésicos da maresia. Nenhum arranha-céu da burguesia me move tanto à persistência quanto o arquipélago onírico da Vila Gilda. A Arte é a religião dos sem fé além da fé no humano: o pintor que vai pincelando almas, traçando esboços impactados nas águas salobras do horizonte. A experiência da arte não simplesmente uma passiva recepção sensorial tranqüilizante: Arte para quem de tudo precisa no ofício impreciso da Vida. Maurício Adinolfi imprimiu o dique de azul-futuro; simbólico empenho: o real soçobra enquanto a minha crença vem do universo-dique, arquipélago arco-irís que não se desmancha: desdobra no canal mirando a costa ampla. Cores no Dique: deu-me orgulho “viver” santista; povo do dique perseguindo o enfrentamento das marés; bravos sujeitos de sua História.</div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3306894512660379166-1908212960523252980?l=cultuar.blogspot.com'/></div>Ribeiro Eirashttp://www.blogger.com/profile/11788850857155058592noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-3306894512660379166.post-20474978664584702672009-04-23T22:13:00.002-03:002009-04-23T22:15:27.279-03:00CORPO, NASCERÁ DE UM MESTRE<a href="http://4.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/SfESpe8_awI/AAAAAAAAAlQ/TiZa7ewwjoM/s1600-h/govinda_kunda2.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328060338048822018" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/SfESpe8_awI/AAAAAAAAAlQ/TiZa7ewwjoM/s320/govinda_kunda2.jpg" border="0" /></a><br /><div></div><br /><div>para o peixe pouco importa o simbolismo das flautas<br /><br />peixe negro dentro de um mestre<br /><br />a arvore compreende o nome dentro da sombra o homem dentro<br /><br />o mestre<br /><br />disse<br /><br />não há caminho no meio do nome posso aventurar-me a perguntar as flautas da terra as flautas do céu o que nada significa disso o grande labrego explode no ar e seu nome é vento sob as oliveiras chorei morro amanhã nos espinhos sabem meus pés descalços os lírios sem a tristeza dos campos entorno onde ninguém compreenderá tudo isso estava escrito nas quedas da paisagem desse corpo dilacerado que estremece e o silêncio continuo </div><br /><div></div><br /><div></div><br /><div></div><br /><div>Felipe Stefani.</div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3306894512660379166-2047497866458470267?l=cultuar.blogspot.com'/></div>Ribeiro Eirashttp://www.blogger.com/profile/11788850857155058592noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-3306894512660379166.post-30703656517442604342009-04-22T19:22:00.002-03:002009-04-22T19:26:10.940-03:00Foram publicados alguns poemas meus no saudoso Jornal de Poesia <a href="http://www.jornaldepoesia.jor.br/">http://www.jornaldepoesia.jor.br/</a> Não deixem de conferir.<br /><br /><a href="http://www.jornaldepoesia.jor.br/felipestefani.html">http://www.jornaldepoesia.jor.br/felipestefani.html</a><br /><br /><br />Grande Abraço a todos,<br /><br />Felipe S.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3306894512660379166-3070365651744260434?l=cultuar.blogspot.com'/></div>Ribeiro Eirashttp://www.blogger.com/profile/11788850857155058592noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-3306894512660379166.post-69519944090892429832009-04-21T19:45:00.010-03:002009-04-21T21:32:40.749-03:00Colagem.<a href="http://2.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/Se5llEtt2wI/AAAAAAAAAlI/Hj7nNBOd6Ns/s1600-h/20061202134704-tom-curren_hantingtonbeach_usopen.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5327307096820931330" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 317px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_NIZCW_s9sdM/Se5llEtt2wI/AAAAAAAAAlI/Hj7nNBOd6Ns/s320/20061202134704-tom-curren_hantingtonbeach_usopen.jpg" border="0" /></a><br /><br /><br /><strong>Respiração, cítara.</strong><br /><br /><br />Quem são aqueles com a respiração<br />inteira voltada ao meio do mundo<br />de linhas e luminosidades?<br /><br />um artista calcula<br /><br />compreende que a encosta é um mergulho de silêncios<br /><br />opõe o passo contra o tempo respira<br />as linhas<br />dentro do mergulho<br /><br />os inocentes<br />com pés minerais<br />de pedra esculpida dentro dos pulmões<br /><br />batem as pranchas voando<br />no fundo das cítaras da respiração<br /><br />esculpem<br /><br />as luas abertas nos pontos obscuros da metáfora<br /><br />o artista calcula as linhas que se perdem ganham luminosidade<br /><br />os inocentes<br />como se lessem a brevidade da encosta<br />elucidam o mar<br />como se voassem<br /><br />nisso que escorre aos pontos de silêncio<br /><br />laranjas vencem a arte nas nuvens cai<br />o dia o ultimo inocente<br /><br />se perde no escuro<br /><br /><br /><br />Felipe Stefani.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3306894512660379166-6951994409089242983?l=cultuar.blogspot.com'/></div>Ribeiro Eirashttp://www.blogger.com/profile/11788850857155058592noreply@blogger.com0