tag:blogger.com,1999:blog-327584612008-05-07T22:53:01.693-07:00: as escolhas afectivas :Aníbal Cristobohttp://www.blogger.com/profile/18191523121141050397noreply@blogger.comBlogger157125tag:blogger.com,1999:blog-32758461.post-22940307675367079932008-01-27T02:45:00.000-08:002008-01-27T03:03:45.352-08:00<div style="text-align: justify;"><span style="font-weight: bold; font-family: arial;font-size:180%;" >BONUS TRACK: DEREITO DE RESPOSTA</span><span style="font-size:130%;"><br /><br /><span style="font-family: arial;">Os editores da "Modo de Usar & Co." devem ter publicado já, no Caderno Idéias do JB, una versao curta e editada do texto completo da resposta. A íntegra se reproduz no blog da revista (</span><a style="font-family: arial;" href="http://revistamododeusar.blogspot.com/" target="_blank">http://revistamododeusar.blogspot.com</a><span style="font-family: arial;">) e, como complemento à correspondência do domingo passado, também aquí. O meu respeito pela seriedade do texto que segue e pelas opinioes que foram expressadas aqui no "Escolhas..." me impede seguir postando comments anônimos. Um abraço e bom domingo. a.-</span><br /><br /><br /><span style="font-weight: bold; font-family: arial;">Seleção e síntese: resposta a uma resenha</span><br /><br /><br /><span style="font-family: arial;">Quem se dispõe a iniciar ou contribuir com um debate em que as opiniões diversas geram entrincheiramentos inevitáveis prepara-se para oposições e discordâncias, e seria pueril surpreender-se com elas. A existência de opiniões contrárias não ofende quem realmente acredita na necessidade deste debate, pois são até mesmo essenciais à sua criação, e se as escolhas de um poeta não tivessem implicações ético-estéticas sérias, estas discussões muitas vezes não passariam de pequenas batalhas entre egos. No entanto, a postura de muitos poetas nestes debates acaba por desnudar o caráter de hegemonia que segue guiando a discussão do que chamamos muito candidamente de cânone e tradição. O texto de Felipe Fortuna, publicado no Jornal do Brasil a 19 de janeiro e apresentado pelo crítico como “resenha” do número de estréia da revista </span><span style="font-style: italic; font-family: arial;">Modo de Usar & Co.</span><span style="font-family: arial;">, infelizmente ultrapassa qualquer limite aceitável de leviandade. Poderíamos assumir a velha estratégia do silêncio e de “guerra nos bastidores”, já enraizada entre os escritores brasileiros, mas decidimos tomar isto como oportunidade para aclarar e avançar no debate que Felipe Fortuna tentou obscurecer.</span><br /><br /><span style="font-family: arial;">O que se pede de um crítico é que primeiramente compreenda o projeto e a proposta que se dispõe a analisar, e então possa debatê-los de acordo com os seus próprios parâmetros estéticos. Felipe Fortuna falha claramente nesta tentativa. Sua resenha do número de estréia de uma revista que traz textos de 22 autores brasileiros e 22 estrangeiros, muitos traduzidos pela primeira vez no Brasil, sem mencionarmos os ensaios, concentra-se em sua maior parte na análise do texto de imprensa enviado por correio eletrônico. Após assumir o papel de gramático iracundo e desperdiçar tanto espaço discutindo este “press release” - desonestamente fazendo-o passar por editorial da revista e ignorando o trabalho de mais de 40 poetas incluídos na publicação que, em sua opinião, não merecem figurar em sua resenha, o autor passa a discorrer sobre seu diagnóstico do que vem devastando a poesia e crítica brasileiras: a “endogamia” que, em sua opinião, rege a crítica contemporânea, demonstrando que a resenha sobre a revista nada mais era que um pretexto para seu trabalho de catequese sobre a situação genérica do cenário poético nacional, para a qual ele oferece a bibliografia que remediaria tal quadro clínico. Fortuna aproveita ainda a ocasião para investir contra o </span><span style="font-style: italic; font-family: arial;">blog</span><span style="font-family: arial;"> Escolhas Afectivas, um dos poucos sites de divulgação de poesia brasileira com regras claras e honestas. O resenhista diz ter buscado simplesmente “compreender” os propósitos dos editores, e que suas críticas foram feitas em um contexto bastante específico. Ora, “contexto” foi a última coisa que Felipe Fortuna respeitou em sua resenha. O que Felipe Fortuna procura escamotear, analisando um </span><span style="font-style: italic; font-family: arial;">press release</span><span style="font-family: arial;"> com tanto afinco? E seria esta revista realmente um exemplo de endogamia?</span><br /><br /><span style="font-family: arial;">A revista </span><span style="font-style: italic; font-family: arial;">Modo de Usar & Co.</span><span style="font-family: arial;"> não possui um editorial em seu número de estréia por decisão de seus editores, que seguiram sua crença na responsabilidade de evitar o risco da criação de uma narrativa crítico-ideológica com o uso dos poemas de autores convidados, a partir de sua ordenação nas páginas da revista. Assim, optou-se pela estratégia, neste número, da adoção da ordem alfabética de acordo com o título dos poemas, na tentativa de quebrar com uma noção de hierarquia entre poetas, e também para privilegiar os próprios poemas, que deveriam responder, cada um a seu modo, às necessidades críticas do momento atual. Isto é coerente com o debate sobre “sincronia/diacronia” defendido pela revista. Guiados pela mesma responsabilidade, excluímos qualquer nota biográfica, espalhando pelas páginas da revista textos de poetas de diversas idades e línguas, sem compartimentos de caráter nacional ou escola literária. Poetas da primeira vanguarda, ligados a DADA, como Hans Arp e Pierre Albert-Birot (inéditos no Brasil e vertidos diretamente do alemão e francês, respectivamente), são colocados entre poetas brasileiros surgidos nos últimos anos, como Juliana Krapp e Walter Gam, autores contemporâneos como os franceses Jean-François Bory (importante poeta sonoro e visual) e Joseé Lapeyrère, também traduzida pela primeira vez no Brasil, textos dos norte-americanos John Cage e Jack Spicer, austríacos do Grupo de Viena (poetas experimentais da década de 50, pouquíssimo conhecidos no país que o resenhista parece querer salvar de nossa “irresponsabilidade”) como H.C. Artmann e Gerhard Rühm, além de autores de língua hispânica, como os espanhóis Benjamín Prado e Sandra Santana, ou os argentinos Cristian De Nápoli e Martin Gambarotta. Todos traduzidos pelos editores da revista diretamente dos originais (francês, alemão, inglês e espanhol), trabalho que o resenhista tenta fazer parecer apenas outro sintoma de sua teoria da “endogamia”, da qual seríamos exemplo. No entanto, nenhuma destas traduções é mencionada na resenha tendenciosa e leviana de Felipe Fortuna, que provavelmente não saberia como discutir tais poetas. Das traduções da revista, ele limita-se a mencionar uma única, feita por Rodrigo Ponts, de uma letra de John Lennon para uma canção assinada por ele e Paul McCartney, mesmo assim sem explicitar se discorda das escolhas de Ponts ou da decisão de uma revista de poesia ao publicar letras de música, tema polêmico que, obviamente, serve melhor à tentativa do resenhista de anulação completa do trabalho empreendido pelos editores da revista com responsabilidade, em debate constante e colaboração. A recusa de Felipe Fortuna é, no entanto, completa e totalitária. Nada entre as 204 páginas da revista com dezenas de autores de 5 línguas tem qualquer valor para o diplomata-crítico, e resulta em um produto de “qualidade duvidosa” e atos de camaradagem. É a primeira vez que presencio uma revista de poesia ser condenada por possuir uma linha editorial e fazer escolhas, essência do trabalho crítico: assumir uma posição, ser capaz da difícil conjugação de seleção e síntese. Certamente não se espera dos editores da revista que passem a editá-la com aqueles que possuem parâmetros estéticos de que discordam frontalmente, ou com poetas como Felipe Fortuna, que consideramos medíocre.</span><br /><br /><span style="font-family: arial;">O resenhista tenta sugerir que a escolha do conteúdo da revista seguiu apenas questões de amizade e politicagem, prática com a qual ele talvez esteja acostumado, já que trabalha para o governo. Além disso, a citação entre poetas é coisa antiga mas, para nos limitarmos ao material em discussão, bastaria que Felipe Fortuna conhecesse melhor os poetas que publicamos para saber que isto foi prática comum entre os dadaístas, sendo uma das características e técnicas de contextualização (especialmente em Pierre Albert-Birot) que mais tarde influenciariam poetas da chamada New York School, como Frank O´Hara e James Schuyler, sendo que outras de suas práticas de intervenção e reação contra noçoes puristas e equivocadas de “universalidade” teriam efeitos sobre o trabalho “grupal” do, ora veja, Grupo de Viena. No entanto, o crítico deveria buscar entender o “uso” (</span><span style="font-style: italic; font-family: arial;">Modo de Usar & Co.</span><span style="font-family: arial;">, lembra-se?) que todos estes poetas fizeram destas estratégias em seus contextos específicos de intervenção poética, seja na Europa de 1916 ou década de 50, nesta mesma década nos Estados Unidos ou no momento atual da poesia brasileira. Mesmo assim, é ridículo criticar um grupo de poetas que se respeitam mutuamente e compartilham parâmetros críticos por decidirem editar uma revista em conjunto. A crítica deveria recair sobre estes parâmetros, já que o convite aos poetas publicados foi feito a partir de nossa fé em seus trabalhos e na necessidade de suas propostas estéticas para o debate poético contemporâneo. É completamente lícito que Felipe Fortuna discorde dos nossos parâmetros e critérios, mas é necessário que ele demonstre poder compreendê-los. Os próprios editores da revista criticam abertamente os parâmetros poéticos de outros poetas e “grupos”, por um questionamento das implicações ético-estéticas destes no contexto atual. Não somos adeptos da “estratégia do silêncio”, agindo como se fôssemos os únicos poetas ativos no Brasil de hoje.</span><br /><br /><span style="font-family: arial;">Mas a resenha de Felipe Fortuna é o atestado de que ele não compreendeu as implicações de uma revista sem editorial que o guiasse, ou que ele deliberadamente agiu de má-fé, tentando fazer estes parâmetros passarem por inexistentes. Sua resenha dá sinais de sua incapacidade para o trabalho crítico, tanto por não estar aparelhado para discutir uma possível poética contemporânea, como por agir de forma leviana e tendenciosa ao discutir o trabalho de poetas que claramente seguem parâmetros estéticos diferentes dos seus. Como exemplo, basta que os interessados leiam os poemas “Sobre portas”, “Interior Via Satélite” e “Deustchkurs” de Carlito Azevedo, Marcos Siscar e Aníbal Cristobo publicados na revista, e decidam por si mesmos se estão ali por politicagem ou por serem poemas de uma qualidade que Felipe Fortuna jamais consquistou, segundo nossos critérios, é claro. Também desafiamos o resenhista a discorrer sobre esta suposta “fórmula” que ele acredita flagrar sob o trabalho editorial de uma revista como a </span><span style="font-style: italic; font-family: arial;">Inimigo Rumor</span><span style="font-family: arial;">, crendo que nós a “repetimos” neste primeiro número da </span><span style="font-style: italic; font-family: arial;">Modo de Usar & Co.</span><span style="font-family: arial;"> Poderíamos ser acusados de endogamia se tivéssemos tentado apresentar nossa seleção de autores como canônica, ou como único grupo no país, da maneira como editores de certas revistas e curadores de festivais organizam seleções dentro de seus grupos e as apresentam como “A Poesia Contemporânea”, no Brasil e América Latina. Não foi o caso desta revista, outro motivo pelo qual evitamos um editorial. No entanto, o sarcasmo arrogante de Felipe Fortuna não pode esconder a pobreza de sua argumentação, que evitou ao máximo a discussão de autores de que ele discorda. Só isto explicaria a decisão deliberada de adulterar o trabalho editorial desta revista, ignorando seu conteúdo, 22 autores brasileiros, 22 autores estrangeiros, ensaios sobre Alexander Calder e Dom Tomás de Noronha; ou o caso específico do ensaio dedicado ao trabalho de Sebastião Uchoa Leite, sobre o qual a tentativa de crítica de Felipe Fortuna merece reflexão, pois parece mostrar que o resenhista não leu muito atentamente o ensaio antes de alinhavar suas afirmações, e que não conhece muito bem a bibliografia sobre Sebastião Uchoa Leite. O ensaio de Alves Dassie é uma contribuição importante para a tentativa de ler a obra de Uchoa Leite fora dos parâmetros usuais de concretude, concisão/minimalismo e objetividade (dita cabralina), que o próprio poeta pernambucano declarou passar a questionar de forma sistemática a partir de seu livro </span><span style="font-style: italic; font-family: arial;">Antilogia</span><span style="font-family: arial;">. No entanto, a opinião de Felipe Fortuna sobre Uchoa Leite, que ele considera poeta epigonal, impede-o de apreciar ou sequer compreender o que Franklin Alves Dassie aporta ao debate poético contemporâneo e criação de possíveis parâmetros estéticos para o nosso momento histórico, a partir da releitura que empreende em seu ensaio. Esta releitura está intimamente ligada ao questionamento dos parâmetros críticos hegemônicos no país há vários anos, como os já mencionados: objetividade, concretude, concisão, economia de meios, precisão, repetidos à exaustão, e que os editores da revista não crêem poder seguir guiando o trabalho poético contemporâneo em todos os seus meandros. Simplesmente por não “darem conta” de poetas que interessam aos editores, como Jack Spicer e John Ashbery, Emmanuel Hocquard e Josée Lapeyrère, Hans Arp e Tristan Tzara, além de condicionar e limitar a leitura das obras de poetas como Gertrude Stein e August Stramm. Estes são questionamentos e discussões que este primeiro número da </span><span style="font-style: italic; font-family: arial;">Modo de Usar & Co.</span><span style="font-family: arial;"> buscou iniciar, publicando poemas que deliberadamente não se encaixam facilmente em tais parâmetros de qualidade, como os de Franklin Alves Dassie, Walter Gam, Juliana Krapp, além da quebra deliberada de hierarquias culturais em textos como os de Veronica Stigger ou Marcelo Montenegro. Estes são exemplos de poetas reagindo e questionando os parâmetros críticos hegemônicos atuais, e não é à toa que um poeta conservador como Felipe Fortuna os rejeite por completo. Se ele houvesse lido com mais cuidado e respeito, poderia usar a própria inteligência para compreender as implicações éticas e estéticas de nossas escolhas, e teria obtido todas as suas respostas, implícitas ou não, espalhadas pelas páginas da revista, como o nome da publicação, que busca dialogar, entre outros, com o Wittgenstein que escreveu: “O significado de uma palavra é seu uso na língua”, citado em meu ensaio, ou o Georges Bataille que escreveu: “Um dicionário começaria a partir do momento em que já não fornecesse o sentido senão o uso das palavras.”, citado por Franklin Alves Dassie, além da quebra de dicotomias de pureza/impureza literárias e lingüísticas, já discutidas por ensaístas que tratam o trabalho poético dos editores desta revista com seriedade. Será preciso explicar a Fortuna de que maneira isto se relaciona ao questionamento dos parâmetros mencionados acima? Não estou tentando criar a ficção de um bloco monolítico de interesses e critérios em comum a todos os poetas publicados neste primeiro número da </span><span style="font-style: italic; font-family: arial;">Modo de Usar & Co.</span><span style="font-family: arial;"> Há na revista poetas que seguem relaçoes distintas com a tradição e que muito provavelmente não concordam com todas as opiniões expressas neste texto. Poetas com pesquisas diferentes dos mencionados acima, ligados a outras revistas e grupos, e com trabalhos e critérios que não se confundem aos que discuti até aqui, como Eduardo Sterzi, Dirceu Villa ou Andréa Catrópa.</span><br /><br /><span style="font-family: arial;">Se ele houvesse lido com mais acuidade, teria nos poupado parte de seu sarcasmo, como ao afirmar que o </span><span style="font-style: italic; font-family: arial;">press release</span><span style="font-family: arial;"> sugeria uma “revista espírita”, mudando de forma desonesta o verbo “surgir” por “nascer”, e mais uma vez falhando em compreender o debate sobre “sincronia/diacronia”, já mencionado, num desapego ao idioma e à lógica que o impediu de perceber que nos referíamos a poetas inéditos, espalhados pelo país, com os quais buscamos estabelecer um contacto e oferecer parâmetros alternativos aos vigentes, da mesma forma que a obra de poetas mortos passa por releituras a cada nova geração, unido à nossa recusa em participar da prática contemporânea de deduzir do conceito de sincronia histórica a noção equivocada de trans-historicidade, defendida por certos grupos de poetas nos dias de hoje. Melhor aparelhado, o resenhista teria percebido que nossa preocupação primordial não reside na discussão de “formas poéticas”, mas nas funções que estas exercem no cenário contemporâneo e em suas implicações éticas ou mesmo políticas.</span><br /><br /><span style="font-family: arial;">Este primeiro número da revista dá passos e inicia ainda um questionamento que pretende intensificar, sobre o engessamento de uma certa “taxinomia” de gêneros literários que segue controlando o trabalho crítico contemporâneo. Refiro-me aqui à prática de primeiramente buscar “encaixar” um texto em gêneros com características estanques, seja poesia ou prosa, tanto por críticos como por escritores, que desde meados da década de 90 tem levado a poesia e prosa brasileiras a retornar a parâmetros de gênero do fim do século XIX e início do XX, antes que as vanguardas borrassem tais fronteiras, sugerindo a crença de saberem exatamente o que é um “poema” e o que é um “conto”, por exemplo, numa década em que prosadores e poetas deram-se as costas, e que hoje gera uma postura que se recusa a compreender muitos textos por não se filiarem de forma óbvia ao conceito tedioso de “poesia-poesia”. Penso em certos livros de Roland Barthes como </span><span style="font-style: italic; font-family: arial;">Fragmentos de um Discurso Amoros</span><span style="font-family: arial;">o ou </span><span style="font-style: italic; font-family: arial;">Barthes por Barthes</span><span style="font-family: arial;">, nas </span><span style="font-style: italic; font-family: arial;">lectures</span><span style="font-family: arial;"> de John Cage e Gertrude Stein, em “peças” de Heiner Müller e Bernard-Marie Koltès, nos questionamentos de Susan Howe quanto às intervenções editoriais na obra de Emily Dickinson e outros autores norte-americanos, em roteiros de Isidore Isou ou Guy Debord, em certos textos dos poetas da Escola de Nova Iorque, como </span><span style="font-style: italic; font-family: arial;">Three Poems</span><span style="font-family: arial;"> de John Ashbery ou </span><span style="font-style: italic; font-family: arial;">Meditations in an Emergency</span><span style="font-family: arial;"> de Frank O´Hara, nos textos coletivos do Grupo de Viena, especialmente com Konrad Bayer e Gerhard Rühm, em trabalhos como o </span><span style="font-style: italic; font-family: arial;">Livre des Questions</span><span style="font-family: arial;"> de Edmond Jabès ou </span><span style="font-style: italic; font-family: arial;">I, etc</span><span style="font-family: arial;"> de Susan Sontag, ou mesmo em propostas como a de Michael Davidson de ler os manuscritos de George Oppen, com fragmentos, lembretes, citações e mesmo listas de compras, como textos em si.</span><br /><br /><span style="font-family: arial;">Isto se reflete, nós cremos, em certa atitude comum na resenharia do país, de autores que acreditam que a mera avaliação </span><span style="font-style: italic; font-family: arial;">“Isto não é poesia”</span><span style="font-family: arial;"> constitua crítica e encerre o debate sobre determinado texto. Unido à obsessão por Guttemberg, tanto por parte de poetas como críticos, vemos como o trabalho crítico no Brasil em grande parte exila áreas gigantescas do trabalho poético e recusa-se a discutir ou interessar-se por poetas como Henri Chopin, Bernard Heidsieck, Brion Gysin, François Dufrêne, Bob Cobbing, para quem a noção de poesia concreta não implicou obsessão pela semântica (penso no manifesto de Henri Chopin em que ele declara: “Não podemos seguir com a palavra todo-poderosa”); e assim segue-se ignorando outras vanguardas do pós-guerra, como os trabalhos dos letristas, já mencionados, (surgidos no fim da década de 40 em Paris) como Isidore Isou, Maurice Lemaître, Guy Debord ou Gil J. Wolman (estes dois últimos mais tarde ligados à dissidência da Internacional Letrista e Internacional Situacionista), as performances e intervençoes públicas do Grupo de Viena, o círculo de poetas ligado a Jack Spicer, ou todo o trabalho em vídeo, som e performance sendo empreendido por jovens como Maja Ratkje, Amanda Stewart, Jörg Piringer, Eduard Escoffet, Michael Lentz e tantos outros. É devido a isso que decidimos, como editores da </span><span style="font-style: italic; font-family: arial;">Modo de Usar & Co.</span><span style="font-family: arial;">, dividir os esforços da revista em duas frentes: como revista impressa, anual, divulgando os trabalhos de poetas que seguem contribuindo para a manifestação da poesia como escrita; e como revista virtual, usando o blog para passar a divulgar, em breve, o trabalho de poetas que se concentram em outras mídias como vídeo, ou seguem a pesquisa no campo da poesia sonora.</span><br /><br /><span style="font-family: arial;">Que isto não seja confundido com a tentativa de anulação do trabalho das vanguardas brasileiras do pós-guerra, por quem mantemos o respeito que não só permite como incentiva o questionamento. Não defendemos a prática do que Marjorie Perloff chama de </span><span style="font-style: italic; font-family: arial;">therapy of replacement</span><span style="font-family: arial;">, substituindo uma vanguarda por outra ou certos poetas por outros poetas no cânone. Os editores da </span><span style="font-style: italic; font-family: arial;">Modo de Usar & Co.</span><span style="font-family: arial;"> rejeitam o trabalho de estabelecimento deste cânone que segue praticando a crítica como instituição de hegemonias, e pretendemos radicalizar ainda mais estas escolhas e questionamentos. De qualquer forma, não há motivos para que o resenhista Felipe Fortuna, que colaborou inconscientemente com nosso desejo de “acionar um clima de intervenção”, perca o sono e reste “acordado como um cão”, pois jamais correu o risco de ser convidado a publicar poemas na revista Modo de Usar & Co. A isto ele chamará de endogamia. Nós chamamos de crítica.</span><br /><br /><span style="font-style: italic; font-family: arial;">Ricardo Domeneck<br /><br /><br /><br /></span></span></div>Aníbal Cristobohttp://www.blogger.com/profile/18191523121141050397noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-32758461.post-10530933196167831322008-01-20T00:37:00.001-08:002008-01-20T03:00:54.310-08:00<div style="text-align: justify;font-family:arial;"><span style="font-weight: bold;font-size:130%;" >CARTAS DE AMOR : CRITICA BRASILEIRA LIMITADA</span><span style="font-weight: bold;font-size:130%;" ><br /><br /></span><span style="font-weight: bold;font-size:130%;" >para que ninguém fique com sono: correspôndencia completa fortuna-cristobo de leitura inversa</span><span style="font-size:130%;"><br /><br /><br /></span><div style="text-align: justify;"><span style="font-weight: bold;font-size:130%;" ><span style="font-family: arial;">cristobo / 04</span></span><br /><br /><span style="font-size:130%;"><span style="font-family: arial;">Por supuesto que son cartas de amor: del amor que uno tiene o debería tener por aquello que hace, y por lo que otros hacen y uno tiene el gusto de comentar, como forma de aporte, de buscar complementar el trabajo de otro, no creés?</span></span><br /><br /><span style="font-size:130%;"><span style="font-family: arial;">Bueno, no. Seguramente que no creés eso.</span></span><br /><br /><span style="font-size:130%;"><span style="font-family: arial;">Yo creo que el asunto no es únicamente de interés para el blog: lo reproduzco en ese espacio porque es lo que está a mi alcance, claro. Pero creo que la irresponsabilidad y arrogancia con la que un crítico es capaz de tratar la producción ajena es algo sobre lo que vale la pena reflexionar.</span></span><br /><br /><span style="font-size:130%;"><span style="font-family: arial;">Por último: lo opuesto a los poetas que mencionan a otros; serán los poetas que se mencionan a sí mismos? O dicho de otro modo: el vanidoso solipsista que acusa al resto de endogamia -y que no se mezcla con ellos porque no están a su altura- que siga gozoso, manchándose de su propia pluma, única tinta con la que sueña concebirse a sí mismo para el resto de la eternidad.</span></span><br /><br /><br /><br /><span style="font-family: arial; font-weight: bold;font-size:130%;" >fortuna / 04</span><br /><br /></div><div style="font-family: arial; text-align: justify;"><span style="font-size:130%;">Anibal Cristobo,</span></div><div style="text-align: justify;"> </div><div style="font-family: arial; text-align: justify;"><span style="font-size:130%;"> </span></div><div style="text-align: justify;"> </div><div style="font-family: arial; text-align: justify;"><span style="font-size:130%;">Considero que o assunto é público e oportuno o debate. Se são "cartas de amor", na sua opinião...</span></div><div style="text-align: justify;"> </div><div style="font-family: arial; text-align: justify;"><span style="font-size:130%;">Observo, no entanto, que não pretendo responder a possíveis interlocutores por meio do <em>blog</em>, mas unicamente por meio deste e-mail. Não me importo, obviamente, se o assunto tratado aqui for de interesse para <em>As Escolhas Afectivas</em> e precisar ser reproduzido, segundo a sua decisão ou a decisão dos poetas que se mencionam uns aos outros.</span></div><div style="text-align: justify;"> </div><div style="font-family: arial; text-align: justify;"><span style="font-size:130%;"> </span></div><div style="text-align: justify;"> </div><div style="font-family: arial; text-align: justify;"><span style="font-size:130%;">Felipe Fortuna </span></div><div style="text-align: justify;"> </div><div style="font-family: arial; text-align: justify;"><span style="font-size:130%;"> </span></div><div style="text-align: justify;"><br /><br /></div><span style="font-size:130%;"><br /></span><div style="text-align: justify;"><span style="font-weight: bold;font-size:130%;" ><span style="font-family:arial;">c<span style="font-family:arial;">ristobo </span>/ 03</span></span><br /><br /><br /><div style="text-align: right;"><div style="text-align: justify;font-family:arial;"><span style="font-size:130%;">Fortuna, comprendo el mensaje. Es sensato y razonable decir en el JB que el release de Modo de Usar & Co. fue escrito por un "<span style="line-height: 150%;">talentoso meteorologista ou astrônomo amador"; es una crítica seria y responsable afirmar que la "</span><span style="line-height: 150%;">Proposta ideal para formar a equipe de colaboradores de uma revista espírita" sea "convidar poetas que ainda não nasceram para se juntarem aos que já se encontram no além", pero es inconcebible que alguien suponga que esas anotaciones denotan "deshonestidad y sarcasmo", y eso hace imposible que sigas conversando conmigo. Lamento haberme excedido: tiendo a olvidar el delicado sistema de castas que articula nuestro intercambio.</span></span><span style="font-size:130%;"><br /></span><span style="font-size:130%;"><span style="line-height: 150%;">Aplaudo, sin embargo, tu infinita tolerancia con el blog: que consideres la iniciativa como "verdadeiramente importante" nos alegrará el día a los pocos que leamos esa afirmación. Los lectores de JB, creo, se quedarán con una idea muy diferente; pero sabemos que para la prensa, eso de elogiar no queda bien, verdad?</span></span><span style="font-size:130%;"><br /></span><span style="font-size:130%;"><span style="line-height: 150%;">Personalmente, seguiré sin entender qué sistema podría ser más permeable que el de esta cadena rizomática de indicaciones; más abierto a la incorporación de aquellos que no forman parte de nuestro grupo. Quizás, si en vez de que cada poeta mencione a otros, los eligiera a todos yo, tendríamos un sistema menos endogámico. O talvez lo que hubiera que hacer es llamar a alguien que brinde una lista única de poetas que deben ser publicados. Por ejemplo, podríamos llamar a Felipe Fortuna. Creo que eso sería más plural y menos endogámico.</span></span><span style="font-size:130%;"><br /></span><span style="font-size:130%;"><span style="line-height: 150%;">No te insistiré con que sugieras otra opción porque sé que no es lo que te hace sentir cómodo. Mucho menos, teniendo que intercambiar opiniones con Dirceu Villa, Ricardo Domeneck, Marcos Siscar, Carlito Azevedo, Heitor Ferraz, Mariano Marovatto, Susana Scramim, Cristián de Nápoli, Masé Lemos, y, enfin, todos y todas aquell@s poetas y lectores que, con su "nivel muito baixo de opinioes", no merecieron que te mezclaras con ellos. </span></span><span style="font-size:130%;"><br /></span><span style="font-size:130%;"><span style="line-height: 150%;">Entiendo entonces tu afirmación de que no </span></span><span style="font-size:130%;">"possamos prosseguir no mesmo nível": me siento orgulloso de haber coincidido con ése tu nivel al menos durante un par de e-mails. Es una distinción que nunca olvidaré.</span><span style="font-size:130%;"><br /><br /></span><span style="font-size:130%;">P.D.: He creído oportuno subir este intercambio de mensaje al Blog en cuestión. Creo que se trata de un asunto público y que sería valioso que cada lector pueda formarse su propia opinión.</span><span style="font-size:130%;"><br /><br /><br /></span><span style="font-size:130%;">Aníbal Cristobo</span><span style="font-size:130%;"><br /><br /><br /><br /></span></div><br /></div><br /><br /><br /><br /><br /><span style="font-weight: bold;font-family:arial;font-size:130%;" >fortuna / 03</span><br /><br /></div><div style="text-align: justify;font-family:arial;"><span style="font-size:130%;">Aníbal Cristobo,</span></div><div style="text-align: justify;font-family:arial;"> </div><div style="text-align: justify;font-family:arial;"><span style="font-size:130%;"> </span></div><div style="text-align: justify;font-family:arial;"> </div><div style="text-align: justify;font-family:arial;"><span style="font-size:130%;">Por favor, seja razoável ao reconhecer que a única crítica realtiva a "& Co." foi feita num contexto muito específico: o editorial da revista afirmava que "A partir de seu nome, a revista aciona um clima (...)". Não compreendi qual a relação estabelecida pelos editores e por isso perguntei: "nem sequer explicaram a preferência pela abreviação <em>Co.</em> em língua inglesa, em vez de <em>Cia.</em>" Longe de mim o sentimento nacionalista, que mesmo como diplomata não move os meus ideais mais queridos. Você saberia explicar por que "& <em>Co.</em>" foi utilizado?</span></div><div style="font-family: arial; text-align: justify;"> </div><div style="text-align: justify;font-family:arial;"><span style="font-size:130%;">Fico satisfeito ao saber que o crescimento da família de poetas está permitindo tanto intercâmbio. Fico perplexo, no entanto, que a amizade e a endogamia se transformaram até mesmo em tema de poemas - na minha opinião, sem qualquer mérito. Trata-se, na minha percepção, do mesmo problema apontado pelo crítico Dana Gioia, cujo artigo menciono e cujo livro, <em>Can Poetry Matter?</em> poderia em alguma ocasião constituir matéria de debate no seu <em>blog</em> ou em qualquer outro espaço de debate. recomendo a leitura</span></div><div style="font-family: arial; text-align: justify;"> </div><div style="text-align: justify;font-family:arial;"><span style="font-size:130%;">Atenção, não me confunda: jamais afirmei que "seguramente viviríamos mejor sin un <em>blog</em> de poesía brasileña". Considero a iniciativa de <em>As Escolhas Afectivas</em> verdadeiramente importante, mas continuo a avaliar o sistema de menções como propício à tendência endogâmica, sim, na linha apontada por Mario Faustino em seu artigo. Acompanhei o debate do Foro 1 do seu <em>site, </em>"O que você acha da situação da poesia no Brasil?", e considerei o nível das opiniões muito baixo, e muito alto o da cumplicidade. Não há propriamente um debate ali, mas uma troca de opiniões quase sempre aproximadas e semelhantes. Detestaria entrar nesse espaço para o debate: prefiro a forma de um texto articulado que possa gerar discussões posteriores, como aliás tem sido boa parte das polêmicas nos principais suplementos literários, como <em>London Review of Books</em>, <em>The New York review of Books</em>, entre tantos outros.</span></div><div style="font-family: arial; text-align: justify;"> </div><div style="text-align: justify;font-family:arial;"><span style="font-size:130%;">Com essa minha mensagem, estou possivelmente atingindo o limite do meu diálogo com você. Minha tendência ao debate esbarra na sua observação sobre "</span><span style="font-size:130%;">la deshonestidad y el sarcasmo" que marcariam a minha visão crítica. Por certo você permanecerá com essa impressão, mas ela impede que possamos prosseguir no mesmo nível. Convido-o então a conhecer meus livros de poesia, crítica, tradução (<a href="http://www.felipefortuna.com/" target="_blank">www.felipefortuna.com</a>) e a seguir lendo os artigos no <em>JB</em>. Convido-o também a reler <em>Modo de Usar & Co.</em>, que deu início a essa troca de mensagens: posso assegurar-lhe que é uma revista de qualidade duvidosa, porém importante como sintoma de uma etapa da poesia brasileira em que o talento da voz individual foi trocado pela força, débil e equivocada, de um grupo de assemelhados.</span></div><div style="font-family: arial; text-align: justify;"> </div><div style="text-align: justify;font-family:arial;"><span style="font-size:130%;"> </span></div><div style="font-family: arial; text-align: justify;"> </div><div face="arial" style="text-align: justify;"><span style="font-size:130%;">Felipe Fortuna</span></div><div style="font-family: arial; text-align: justify;"><span style="font-size:130%;"><br /><br /><br /></span><span style="font-weight: bold;font-size:130%;" >cristobo / 02</span><span style="font-size:130%;"><br /><br /></span></div></div><div face="arial" style="text-align: justify;"><span style="font-size:130%;">Fortuna, disculpe, no había entendido que cuestionar por ejemplo la no-explicitación del término "& Co.", en lugar de su versión brasileña fuese estar haciendo crítica - me parecía apenas un intento de pactar con el sentimiento nacionalista más atávico de tus lectores.</span><span style="font-size:130%;"><br /><br /></span><span style="font-size:130%;">Luego, sobre el blog, debo disculparme nuevamente por no haberme dado cuenta del engendro en cuestión: la numerosa -y en permanente creciemiento- familia endogámica nos ha permitido, a muchos, ponernos en contacto, conocer, leer y debatir a, y con, muchos poetas que no conocíamos antes. El hecho de que haya un espacio, una alternativa más, siempre me pareció algo positivo, un modo de aportar a las posibilidades de la pluralidad. Pero quizás sea otro de mis errores perceptuales: seguramente viviríamos mejor sin un blog de poesía brasileña, y sin una nueva revista y sin, enfin, cualquier otra opinión, órgano de expresión, crítica y poesía que no sea la tuya. Es una pena que alguien ya tan fogueado en el discurso crítico no sea capaz de percibir sus propios prejuicios personales y su mala predisposición a la hora de sentarse a escribir sobre el trabajo de lo otros. O de aceptar que talvez, simplemente, no seas el interlocutor idóneo para entender el valor de algunas cosas y, desde esa incapacidad, quieras extender su lectura negativa a los demás.</span><span style="font-size:130%;"><br /><br /></span><span style="font-size:130%;">Y por cierto: el blog ha sido y es un espacio de debate público; no sólo potencialmente sino de hecho: allí se han producido debates abiertos entre poetas - con el único límite de que los mismos aceptaran exponerse a discutir sus ideas con sus pares en una estructura no-jerárquica. Mi mala memoria me impide recordar haberte visto por allí, conversando y debatiendo con otros poetas sin necesidad de "passar o recado" mediante los lectores del JB: me disculpo también por ese fallo de mis recuerdos. </span><span style="font-size:130%;"><br /><br /></span><span style="font-size:130%;">Tan carente de juicio como soy, el numero de lanzamiento de la revista me impide ver su trayectoría, dinámica y modificaciones futuras, como para poder hacer un juicio adivinatorio tan terminante como el tuyo -que Modo de Usar & Co. no es una revista nueva, que repite la fórmula, etc- pero, en cambio, percibo la deshonestidad y el sarcasmo con el que buscás descalificar el trabajo ajeno con ironías tan delicadas como la de convidar a los poetas aún no nacidos. Una vez más, Fortuna: es eso crítica? Porque yo aprendí que el discurso y la reflexión sobre la producción ajena tenían sentido cuando uno era capaz de tender nuevos puentes interpretativos a otros lectores, no para intentar dejar en rídiculo a quienes emprenden una tarea con frasecitas ingeniosas. Y ahora no sé si aprendí mal, si hace 20 años sería diferente, o si todos esos años te fueron haciendo perder el respeto hacia los demás. </span><span style="font-size:130%;"><br /><br /><br /></span><span style="font-size:130%;">Aníbal Cristobo.</span><span style="font-size:130%;"><br /><br /><br /><br /><br /></span><span style="font-size:130%;"><span style="font-weight: bold;">fortuna / 02</span></span><span style="font-size:130%;"><br /><br /><br /></span><span style="font-size:130%;">Aníbal Cristobo,</span><span style="font-size:130%;"> </span><span style="font-size:130%;"><br /></span><span style="font-size:130%;"> </span><span style="font-size:130%;"><br /></span><span style="font-size:130%;">Agradeço sua leitura do meu artigo e sua carta. Em resposta à primeira pergunta que me fez, afirmo que escrevi crítica literária, sim, não sem fazer observações que mais se enquadram no contexto a crítica cultural. A minha crítica, por exemplo, não tem o caráter rotineiro da que escreveu Franklin Alves Dassie sobre Sebatião Uchoa Leite, na revista <em>Modo de Usar & Co.</em>: velhas percepções, repetidas à exaustão, sobre um poeta enfim epigonal da literatura brasileira. Meu artigo expressa a percepção de quem acompanha com seriedade a produção da poesia brasileira e vem escrevendo sobre o assunto há mais de 20 anos, juntamente com a publicação de livros de poesia, que obviamente se expõem à interpretação dos críticos.</span><span style="font-size:130%;"> </span><span style="font-size:130%;"><br /></span><span style="font-size:130%;">Quanto ao seu <em>blog</em>, interpreto-o - como quis demonstrar no meu artigo - como a potencialização de uma tendência da endogamia que marca a poesia brasileira. Há pouco debate, atualmente, sobre o assunto - e muita produção que só vem a público por causa de um circuito de amizades e da força centrípeta mencionada. Mario Faustino, num artigo da década de 60, já havia diagnosticado a situação: "<span style="font-weight: bold;">Vida literária, emulação, reuniões sérias, leituras de poesia inédita, troca de experiências, debates, nada disso temos. Quando se conversa sobre um poema, o mais que sai, em geral, é o ‘tá bom’, o ‘muito ruim’, o ‘é uma beleza’. Em lugar disso tudo, há o fenômeno amizade, o mesmo que se verifica em nossa administração, em nossa política: meu amigo escreve bem, meu inimigo escreve mal.” O texto completo, se lhe interessar, encontra-se em <em>Poesia-Experiência</em>.</span></span><span style="font-weight: bold;font-size:130%;" > </span><span style="font-weight: bold;font-size:130%;" ><br /></span><span style="font-weight: bold;font-size:130%;" >Ao contrário do que você pensa, <em>Modo de Usar & Co.</em> não é uma revista nova: repete a fórmula de <em>Inimigo Rumor</em>.</span><span style="font-weight: bold;font-size:130%;" > </span><span style="font-weight: bold;font-size:130%;" ><br /></span><span style="font-weight: bold;font-size:130%;" >O que você chama de "leitura rizomática" (se é que existe algum valor nela), eu chamo de círculo vicioso, aliás sem qualquer valor para a poesia. Leia, por exemplo, esse trecho do poema "A Falta que Ela me Faz", de Fabiano Calixto: “ontem falei ao telefone com Carlito / (estava calçando seu All-star verde / e ia dar uma volta à Lagoa com Marilinha)”. Alguns outros trechos do livro possuem essa mesma indulgência, sem que sirvam à poesia.</span><span style="font-weight: bold;font-size:130%;" > </span><span style="font-weight: bold;font-size:130%;" ><br /></span><span style="font-size:130%;"><span style="font-weight: bold;">Espero que você esteja equivocado ao afirmar que eu não trouxe idéia alguma c</span>om meu artigo. Felizmente, algumas mensagens já recebidas, de poetas e críticos, me dizem o contrário, e assim não preciso mais me defender a mim mesmo.</span><span style="font-size:130%;"> </span><span style="font-size:130%;"><br /></span><span style="font-size:130%;">Sugiro que esqueça a retórica sobre o "pequeno espaço de poder". O caderno <em>Idéias & Livros</em>, tenho certeza, publicaria qualquer artigo bem argumentado que se confrontasse à minha posição - que é isso mesmo, somente uma posição.</span><span style="font-size:130%;"> </span><span style="font-size:130%;"><br /></span><span style="font-size:130%;">Se estamos em desacordo, pelo menos encontramos esse espaço para o debate e a conversa.</span><span style="font-size:130%;"> </span><span style="font-size:130%;"><br /></span><span style="font-size:130%;"> </span><span style="font-size:130%;"><br /></span><span style="font-size:130%;">Felipe Fortuna</span><span style="font-size:130%;"><br /><br /><br /><br /></span><span style="font-size:130%;"><span style="font-weight: bold;">cristobo / 01</span></span><span style="font-size:130%;"><br /><br /></span><span style="font-size:130%;">Fortuna: eso es crítica? Hablar del círculo vicioso y de fuerzas centrípetas de un blog que debe andar por los 150 poetas sin ser subvencionado es suponer que el pequeño grupo de amigos no es tan pequeño; o que tu lectura es tendenciosa. Del mismo modo que, desde el JB, querer ensañarse con el primer número de una revista solamente porque no comparte tu gramática ni tu lógica es un exceso. Que un grupo de colaboradores de una revista cree una nueva publicación habla de la necesidad de abrir nuevas líneas; y no creo que sea una muestra de monogamia, sino más bien lo contrario. </span><span style="font-size:130%;"><br /><br /></span><span style="font-size:130%;">No te queda ni un poco de sentimiento de respeto por el trabajo ajeno, verdad? Las afinidades entre pares son lógicas; pero los poetas se mencionan entre ellos y mencionan también a otros: así el juego va abriéndose en una lectura rizomática; lamentablemente todo eso no te sirve para mostrarte sarcástico desde tu pequeño espacio de poder, porque son lecturas que implican ejercitar la empatía, o al menos una suspensión del prejuicio - y lo tuyo, a la vista está, está más cercano a la ironía resentida. Para intentar seguir el tono de tu nota, sólo se me ocurre decirte una cosa: resulta un poco inapropiado que hayas publicado eso en el cuaderno "Idéias & Livros", porque no se trata de un libro sino de una revista - e ideas, está claro, no aportás ninguna.</span><span style="font-size:130%;"><br /><br /></span><span style="font-size:130%;">Aníbal Cristobo.-</span><span style="font-size:130%;"><br /><br /><br /><br /><br /><br /></span><span style="font-size:130%;"><span style="font-weight: bold;">fortuna / 01 : enviado por mail</span></span><span style="font-size:130%;"><br /><br /></span> </div><p style="text-align: justify;font-family:arial;" class="EC_MsoNormal"><span style="font-size:130%;"><b style="">Jornal do Brasil</b></span></p><div face="arial" style="font-family: arial; text-align: justify;"> </div><p style="text-align: justify;font-family:arial;" class="EC_MsoNormal"><span style="font-size:130%;">Caderno <i style="">Idéias & Livros</i></span></p><div face="arial" style="font-family: arial; text-align: justify;"> </div><p style="text-align: justify;font-family:arial;" class="EC_MsoNormal"><span style="font-size:130%;">Sábado, 19 de janeiro de 2008</span></p><div face="arial" style="font-family: arial; text-align: justify;"> </div><p class="EC_MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;font-family:arial;"><span style="font-size:130%;"><b style=""> </b></span></p><div face="arial" style="font-family: arial; text-align: justify;"> </div><p class="EC_MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;font-family:arial;"><span style="font-size:130%;"><b style=""> </b></span></p><div style="font-family: arial; text-align: justify;"> </div><p class="EC_MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;font-family:arial;"><span style="font-size:130%;"><b style=""><span style="line-height: 150%;">Poesia Brasileira Ltda.</span></b></span></p><div style="font-family: arial; text-align: justify;"> </div><p class="EC_MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;font-family:arial;"><span style="font-size:130%;"><span style="line-height: 150%;"><span style=""> </span>Felipe Fortuna</span></span></p><div style="font-family: arial; text-align: justify;"> </div><p class="EC_MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;font-family:arial;"><span style="font-size:130%;"> </span></p><div style="font-family: arial; text-align: justify;"> </div><p class="EC_MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;font-family:arial;"><span style="font-size:130%;"><span style="line-height: 150%;"><span style=""> </span>Fui incluído entre os destinatários de uma mensagem eletrônica que convidava para o lançamento da revista literária <i style="">Modo de Usar & Co.</i> (Berinjela, 204 p., R$20) e indicava os propósitos de sua publicação: “A partir de seu nome, a revista aciona um clima de intervenção e propõe uma mudança em certos ângulos e perspectivas, convidando o leitor a observar as escolhas tidas como naturais sob uma outra luz possível.” Reli a frase algumas vezes e por fim concluí que ela fora escrita por um talentoso meteorologista ou astrônomo amador. Afinal, o que é “acionar um clima”? Como poderei “observar as escolhas tidas como naturais sob uma outra luz possível”? E o que tem o nome da revista a ver com isso, se nem sequer explicaram a preferência pela abreviação <i style="">Co.</i> em língua inglesa, em vez de <i style="">Cia.</i>?</span></span></p><div style="font-family: arial; text-align: justify;"> </div><p class="EC_MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;font-family:arial;"><span style="font-size:130%;"><span style="line-height: 150%;"><span style=""> </span>A apresentação da revista prossegue em tom desmiolado, com o qual se proclama que “os editores da revista ocupam-se com a discussão de possíveis novas formas (...) e noções de objetividade e concretude lidas com a lente do significado das palavras em seu ‘uso na língua’”. A bizarra explicação, como já se percebeu, ignora qualquer arranjo coerente ou gramatical, e prossegue em seu disparate: afirma-se que “a seleção dos textos (...) teve uma avaliação [<i style="">sic</i>] que procurou medir, antes, sua necessidade para o cenário (...)”. Os editores informam, ainda, que “dentre os trabalhos selecionados, estão poetas brasileiros recentes [<i style="">sic</i>], unidos a poetas já ativos desde a década anterior” – mas seriam estes últimos também brasileiros, embora todos tenham sido confundidos aos trabalhos selecionados? Por fim, os editores acreditam que “um novo momento histórico traz novas necessidades [<i style="">sic</i>], às quais os poetas a surgir – e a obra dos poetas mortos – acabam por ter que responder.” Proposta ideal para formar a equipe de colaboradores de uma revista espírita: convidar poetas que ainda não nasceram para se juntarem aos que já se encontram no além.</span></span></p><div style="font-family: arial; text-align: justify;"> </div><p class="EC_MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;font-family:arial;"><span style="font-size:130%;"><span style="line-height: 150%;"><span style=""> </span>Tamanha imperícia com o idioma e tanto desapego à lógica preparam mal o leitor de <i style="">Modo de Usar & Co.</i> Ainda assim, começa-se a leitura com a aspiração de que a insensata apresentação nada tenha a ver com a qualidade dos colaboradores reunidos ali. Os editores são Angélica Freitas, Fabiano Calixto, Marília Garcia e Ricardo Domeneck – eles mesmos também poetas e quase todos tradutores, cuja produção se espraia nas páginas da revista. Subitamente, porém, ocorre a observação: como pode a publicação trazer nova proposta se os seus colaboradores são os mesmos que já fazem parte da revista <i style="">Inimigo Rumor</i>, editada a partir de 1997? A pergunta, no entanto, é superada por outra observação, que diz respeito ao estado atual da poesia brasileira: boa parte dos poetas se compraz num rotineiro processo de endogamia, no qual se alinham e se combinam os membros da mesma tribo.</span></span></p><div style="font-family: arial; text-align: justify;"> </div><p class="EC_MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;font-family:arial;"><span style="font-size:130%;"><span style="line-height: 150%;"><span style=""> </span>Está no ar, por exemplo, o <i style="">site</i> “As Escolhas Afectivas”, organizado pelo poeta argentino-brasileiro Aníbal Cristobo – também presente na revista <i style="">Modo de Usar & Co.</i> Nele se criou um sistema de indicações pelo qual o poeta mencionado deve mencionar outros poetas, num círculo vicioso e de força centrípeta: é lá que Fabiano Calixto escolhe Ricardo Domeneck (que escolhe Marília Garcia e Angélica Freitas) e Marília Garcia (que escolhe Ricardo Domeneck), cujos afetos se expandem aos nomes dos demais colaboradores da revista. Por sua natureza passional e comunitária, esse sistema poderia ser melhor compreendido com a releitura do capítulo “O Homem Cordial”, de <i style="">Raízes do Brasil</i> (1936), no qual Sérgio Buarque de Holanda comenta o pacto emotivo no qual o indivíduo se reduz em nome da coletividade, dado o “pavor que ele sente em viver consigo mesmo”.</span></span></p><div style="font-family: arial; text-align: justify;"> </div><p class="EC_MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;font-family:arial;"><span style="font-size:130%;"><span style="line-height: 150%;"><span style=""> </span>Esse aspecto gregário, que repele a voz individual e se fundamenta na informalidade, seria apenas uma anotação sociológica se não apresentasse fundas repercussões na obra literária: em <i style="">Modo de Usar & Co.</i>, desdobra-se a cumplicidade não somente nas dedicatórias, mas também na falta geral de surpresa com a originalidade de um poeta ou com a visão crítica sobre, por exemplo, a poesia de Sebastião Uchoa Leite. Num ensaio justamente intitulado “A Poesia Pode Interessar?”, que causou forte debate a partir de sua publicação, em 1991, o crítico norte-americano Dana Gioia examina o isolamento dos poetas, condenados a lerem a si mesmos e a não criarem novos leitores, ao mesmo tempo em que organizam revistas e antologias sob o critério do oportunismo grupal. Na sua percepção, muitas dessas iniciativas “dão a impressão de que a qualidade literária é um conceito que nem o editor nem o leitor devem levar muito a sério.” As conexões entre resenhistas e poetas, bem como a criação de uma linguagem própria ao <i style="">inner circle</i> têm contribuído para a falta de prestígio da poesia na cena cultural.</span></span></p><div style="font-family: arial; text-align: justify;"> </div><p class="EC_MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;font-family:arial;"><span style="font-size:130%;"><span style="line-height: 150%;"><span style=""> </span>Para cada um dos poetas reunidos em <i style="">Modo de Usar & Co.</i>, e estimulado pelo inesquecível editorial da revista, poderia ser formulada a pergunta de Carlos Drummond de Andrade em famoso poema: “Trouxeste a chave?” O utensílio não estaria com o Fabiano Calixto do poema “Animal Boy” – no qual menciona o poeta Aníbal Cristobo – e seus versos de extenso prosaísmo como:</span></span></p><div style="font-family: arial; text-align: justify;"> </div><p class="EC_MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:arial;"><span style="font-size:130%;"><i style=""><span style="line-height: 150%;">no Brasil, os deputados se reuniam</span></i></span></p><div style="font-family: arial; text-align: justify;"> </div><p class="EC_MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:arial;"><span style="font-size:130%;"><i style=""><span style="line-height: 150%;">para dividir a pizza da corrupção que assola o país</span></i></span></p><div style="font-family: arial; text-align: justify;"> </div><p class="EC_MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:arial;"><span style="font-size:130%;"><i style=""><span style="line-height: 150%;">quando ouviram a maléfica notícia</span></i></span></p><div style="font-family: arial; text-align: justify;"> </div><p class="EC_MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:arial;"><span style="font-size:130%;"><i style=""><span style="line-height: 150%;">os ratos</span></i></span></p><div style="font-family: arial; text-align: justify;"> </div><p class="EC_MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:arial;"><span style="font-size:130%;"><i style=""><span style="line-height: 150%;">resolveram abrir uma CPI para</span></i></span></p><div style="font-family: arial; text-align: justify;"> </div><p class="EC_MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:arial;"><span style="font-size:130%;"><i style=""><span style="line-height: 150%;">verificar os fatos.</span></i><span style="line-height: 150%;"></span></span></p><div style="font-family: arial; text-align: justify;"> </div><p class="EC_MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:arial;"><span style="font-size:130%;"><span style="line-height: 150%;">Muito menos na tradução equivocada de uma canção de John Lennon e Paul McCartney, “Na Minha Vida”, feita por Rodrigo Ponts, o mesmo poeta que na revista inicia o poema “Odelegia à Quimioterapia” assim:</span></span></p><div style="font-family: arial; text-align: justify;"> </div><p class="EC_MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:arial;"><span style="font-size:130%;"><i style=""><span style="line-height: 150%;">o céu era todo azul</span></i></span></p><div style="font-family: arial; text-align: justify;"> </div><p class="EC_MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:arial;"><span style="font-size:130%;"><i style=""><span style="line-height: 150%;">azul de céu quase-amarelo</span></i></span></p><div style="font-family: arial; text-align: justify;"> </div><p class="EC_MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:arial;"><span style="font-size:130%;"><i style=""><span style="line-height: 150%;">nem uma nuvenzinha</span></i></span></p><div style="font-family: arial; text-align: justify;"> </div><p class="EC_MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:arial;"><span style="font-size:130%;"><i style=""><span style="line-height: 150%;">sujava a planura da cor</span></i></span></p><div style="font-family: arial; text-align: justify;"> </div><p class="EC_MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:arial;"><span style="font-size:130%;"><i style=""><span style="line-height: 150%;">: só mesmo a luz planava. </span></i><span style="line-height: 150%;"></span></span></p><div style="font-family: arial; text-align: justify;"> </div><p class="EC_MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;font-family:arial;"><span style="font-size:130%;"><span style="line-height: 150%;"><span style=""> </span>Lucidamente (já que o editorial mencionava “uma outra luz possível”), ao menos o poeta Manoel Ricardo de Lima, em entrevista a <i style="">Modo de Usar & Co.</i>, põe em dúvida a existência de “poetas jovens com voz forte” que estão “questionando as estruturas”, assim como a “cartografia simplória que vai desde certas antologias (...) até a sugestão do cânone.” Ele tem razão: a ação entre amigos se esgota em si mesma e nas suas simplificações e provincianismos. E todo o resto é literatura.</span></span></p><div style="font-family: arial; text-align: justify;"> </div><p class="EC_MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;font-family:arial;"><span style="font-size:130%;"><span style="line-height: 150%;"> </span></span></p><div style="font-family: arial; text-align: justify;"><span style="font-size:130%;"><br /><br /><br /><br /></span></div><span style="font-weight: bold;font-family:arial;font-size:180%;" ><span style="font-size:130%;"><br /></span></span>Aníbal Cristobohttp://www.blogger.com/profile/18191523121141050397noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-32758461.post-44034515361428050942008-01-01T06:38:00.000-08:002008-01-01T06:43:10.094-08:002008<br /><br />parabéns para tod@s mais uma vez : enquanto tira umas mini-férias virtuais aqui, o curador convida para pasar lá em casa: <br /><br />http://cristobo.livejournal.com<br /><br />abraço,<br />a.-Aníbal Cristobohttp://www.blogger.com/profile/18191523121141050397noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-32758461.post-56029169281411236262007-12-22T01:51:00.000-08:002007-12-22T02:02:22.635-08:00<div align="justify"><br /><span style="font-size:180%;"><strong>MÔNICA DE AQUINO</strong></span><br /><br /><a href="http://bp1.blogger.com/_J91c3zk8whI/R2zeMwH8FUI/AAAAAAAAAJE/6LJG1XmhEzE/s1600-h/monica.JPG"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5146732784835630402" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_J91c3zk8whI/R2zeMwH8FUI/AAAAAAAAAJE/6LJG1XmhEzE/s400/monica.JPG" border="0" /></a><br /><br /><span style="font-size:130%;"><strong>mencionada por:<br /></strong><a href="http://asescolhasafectivas.blogspot.com/2006/09/srgio-alcides-desenho-de-maria-da-paz.html">Sérgio Alcides</a><br /><a href="http://asescolhasafectivas.blogspot.com/2006/09/lgia-dabul-foto-joo-palmeira.html">Lígia Dabul</a><br /><a href="http://asescolhasafectivas.blogspot.com/2006/10/ana-elisa-ribeiro-mencionada-por.html">Ana Elisa Ribeiro</a><br /><br /><strong>menciona a:</strong><br />Flávia Rocha<br />Micheliny Verunsck<br />Adriano Menezes<br />Valéria Tarelho<br />Leonardo Martinelli<br /><br /><br /><br /></span><span style="font-size:130%;"><strong>poemas:<br /></strong><br /><br />Ser mínima.<br /><br />Cortar cabelo<br />unha pele<br />mas sem o cálculo da cutícula.<br /><br />Despir-me de tudo<br />o que não dói.<br /><br />Ultrapassar toda a carne<br />e roer osso –<br />canina –<br />roer o rabo.<br /><br />Roer, ainda,<br />os próprios dentes<br />agudos<br />rentes</span></div><div align="justify"><span style="font-size:130%;"></span> </div><div align="justify"><span style="font-size:130%;"></span> </div><div align="justify"><span style="font-size:130%;"><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br />A noite<br />liberta sombras<br />e seu passeio invisível.<br /><br />Estrelas adormecidas<br />cintilam um desfile<br />lasso.<br /><br />A lua<br />irônica ri<br />com seu escalpo roubado.<br /><br />A noite é dela<br />o céu é dela<br />sua luz falsa<br />brilha<br />e arde.<br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br />A um átimo<br />do amo-te<br />temo-te.<br /> <br />A um istmo<br />do íntimo<br />mente.<br /> <br />De cor, somente<br />o silêncio<br />(continente).<br /> <br />E a linguagem,<br />cortejo<br />(périplo).<br /> <br />Mas o amor:<br />arquipélago.<br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><strong>Mônica de Aquino</strong> nasceu em Belo Horizonte, em 1979.<br /><em>Sístole</em>, seu primeiro livro, foi lançado em junho de 2005 pela editora carioca Bem-te-vi, e faz parte da coleção Canto do Bem-te-vi. No mesmo ano, foi convidada para integrar a antologia <em>O Achamento de Portugal</em>, organizada pelo poeta Wilmar Silva e publicada pela Anome em parceria com a Fundação Camões. Participou, também, da antologia catalã <em>Panamericana, poetas americanas nascidas a partir de 1976,</em> organizada pelo poeta espanhol Joan Navarro e publicada na revista eletrônica sèrieAlfa em 2006.<br />Já teve poemas publicados em páginas eletrônicas do Brasil e do exterior e em periódicos como o Suplemento Literário de Minas Gerais e a revista Poesia Sempre, da Biblioteca Nacional.<br />Mônica de Aquino participou de vários eventos apresentando seus poemas, dentre eles o Terças Poéticas, realizado pela Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais, a Primavera dos Livros em São Paulo e a Feira do Livro de Porto Alegre.<br /><br /><br /><br /><br /><strong>Poética</strong><br /><br />A poesia nasce de um olhar inaugural que se adensa e pulsa na linguagem. É o processo alquímico de comunhão com os nossos espantos. Este encantamento é tecido por ritmos e imagens, por metáforas que revelam e transformam as experiências, metamorfoseando os sentidos, que trocam de pele ao desvelar sua natureza primitiva e múltipla.<br />Cito Octavio Paz, retomando uma frase de Valéry: “Em algum lugar Valéry disse que o poema é o desenvolvimento de uma exclamação. Entre desenvolvimento e exclamação há uma tensão contraditória; eu acrescentaria que essa tensão é o poema”.<br /> </span></div>Aníbal Cristobohttp://www.blogger.com/profile/18191523121141050397noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-32758461.post-66651666080932212882007-12-15T01:17:00.000-08:002007-12-22T02:21:32.945-08:00<span style="font-family:arial;font-size:180%;"><strong>FLÁVIA NASCIMENTO FALLEIROS</strong> </span><br /><br /><a href="http://bp0.blogger.com/_J91c3zk8whI/R2Ob2wH8FTI/AAAAAAAAAI8/Z1KXzcGE3Uo/s1600-h/flavia.JPG"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5144126564320679218" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_J91c3zk8whI/R2Ob2wH8FTI/AAAAAAAAAI8/Z1KXzcGE3Uo/s400/flavia.JPG" border="0" /></a><br /><br /><div align="justify"><span style="font-family:arial;font-size:130%;"><strong>mencionada por:<br /></strong><a href="http://asescolhasafectivas.blogspot.com/2006/09/marcos-siscar-mencionado-por-carlito.html">Marcos Siscar</a><br /><br /><strong>menciona a:<br /></strong><a href="http://asescolhasafectivas.blogspot.com/2006/09/marcos-siscar-mencionado-por-carlito.html">Marcos Siscar</a><br /><a href="http://asescolhasafectivas.blogspot.com/2006/08/marilia-garcia-mencionada-por-carlito.html">Marília Garcia</a><br /><a href="http://asescolhasafectivas.blogspot.com/2006/08/carlito-azevedo-mencionado-por-eucana.html">Carlito Azevedo</a><br /><br /><br /><br /><strong>poemas:<br /></strong><br /><br /><br /><br /><strong>BREVE POÉTICA</strong><br /><br />Todo e qualquer <em>know how</em> poético é absolutamente intransferível. Captar realidades dormentes, mas em conformidade com as reverberações que emanam de um abismo indescritível – ponto em que nos sabemos ser a confluência de pelo menos dois: um Eu mais Outro. Estes não raro se caleidoscopizam no momento poema. Não há momentos poéticos. Há poemas e há momentos que os são. A matéria infinita concentra-se sobretudo no amargor de um cadinho que destila quase todo o terror do mundo: solidão suprema, conselho do silêncio. Quem todo este terror ama – amargo poema solidão caleidoscópica poesia – tem também medos, mas outros. Assemelham-se à sensação que todos temos de querer eternizar certos instantes e nos sabermos impotentes. Assemelham-se ao desejo de fazer com que a pequena morte não tenha mais duração, que rompa o tempo permanecendo enfim, suprimindo a noção duração. Medo de morte porque a única coisa que se sabe eterna é a própria. Morte dos corpos, morte dos poemas, morte das cidades, morte das canções: a morte é eterna, portal supremo, por tal razão é que se a quer quem quer poemas, quem quer de breves fazer infinitos, quem quer olhos retesados diante de quadros tão efêmeros e os tem e os fixa brevemente na eternidade para depois nela morrer.<br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><strong>ENGARRAFAMENTO<br /></strong><br />Com nós na garganta vejo a fila desses carros parados, antigos amigos me ligam, cobram poemas e sonhos, mal sabem que velhas canções cafonas soam no meu FM. Com o tempo fui ficando piegas. Eles me contam antigos amores, antigas cantilenas, antigos amores. O órgão coração me dói. Velhas cidades me sufocam, não avisto a linha do horizonte como na América do sul, as novas, de lá, jamais permaneceriam em mim. Resta um jorro incrédulo através de minhas pupilas vítreas, por sobre a cidade, cemitério ancião contemporâneo.</span></div><p><span style="font-family:arial;font-size:130%;"></span></p><p><span style="font-family:arial;font-size:130%;"></p></span><span style="font-family:arial;font-size:130%;"><div align="justify"><br /><br /><br /><br /><strong>POEMA DÚBIO</strong><br /><br />Misturar latim com futebol – eis onde reside a verdadeira dificuldade. Misturar dúvidas com dívidas, metafísica com <em>baby-beefs</em> Rubayat – eis aí o meu calcanhar de Aquiles. Viver neste mundo como vivo e viver em outro mundo o meu espírito onde a matéria mais etérea impera. Eu aqui – eu e meu outro lobo. Metafísica com futebol, latim com dívidas, dúvidas com <em>beefs</em>. Nesta tempestuosa noite oceânica o único farol de sentinela é o brilho dos olhos do lobo indomável – este habitante da planície Alma que traga os ventos que sopram os mares que trazem as chuvas que fecundam as terras em que germinam as sementes feitas plantas enquanto os homens matam sua sede de homosapienscianimalidade. No princípio era o Caos, inaudível desordem que cedeu lugar à afinação dos instrumentos cósmicos: os decibéis fizeram-se ouvir, os decibéis da orquestra humana aumentaram desencadeando explosões genocidas. Depois um fechar de olhos. Silêncio. Afinal, funde-se tudo no todo do abismo mais profundo – o abismo que eu perscruto enquanto navego neste oceano que existir é.</span></div><p><span style="font-family:arial;font-size:130%;"></span></p><p><span style="font-family:arial;font-size:130%;"></p></span><span style="font-family:arial;font-size:130%;"><div align="justify"><br /><br /><br /><strong>POEMETO</strong><br /><br />Sonetos de Camões às voltas com seus fogos, artifícios de amar às soltas. Do corpo sai dirigida a energia perdida que se extravia na chuva noctívaga incorrigível a secar as chamas que não se vêem, a sepultar extensamente a distância que ilha cada um. Não se vêem tais labaredas. Somente ilhéus. Rochedos. Cadeiras vazias.<br /><br /><br />(Publicados na Revista <em>Inimigo Rumor</em> n° 17, RJ/Portugal. 2005.)<br /><br /><br /><br /><br /><br /><strong>Dados biográficos:</strong><br /><br />Flávia Nascimento Falleiros é pesquisadora em Ciências da literatura, e publicou vários ensaios sobre as literaturas francesa, portuguesa e brasileira. Também é tradutora literária. Publicou ainda poemas e prosas nas revistas: <em>Inimigo R</em>umor (n° 17), <em>Germina, Escritoras Suicidas</em> e <em>Cronópios</em> (essas três últimas, eletrônicas). É doutora em Literatura francesa pela Universidade de Paris X (defendeu uma tese de doutorado sobre o mito literário de Paris: <em>Paris dans la littérature française des années vingt. Contribution à l’histoire de la représentation</em>, Lille, ANRT, 1998, 483 p.). Prepara atualmente um ensaio sobre o escritor francês Julien Gracq.<br /><br /><br /><br /><br /><br /><strong><br />Uma possível poética:</strong><br /><br />Tentativa (muito pessoal) de um caminho do meio : entre os atos do intelecto e o suposto encanto arcaico, misterioso e oculto da língua.<br />Não serve pra nada. E nem acho que deva.<br /><br /><br /><br /><br /></span></div><div align="justify"><span style="font-family:arial;font-size:130%;"></span></div><span style="font-size:130%;"><div align="justify"><br /></div><span style="font-family:arial;"></span></span>Aníbal Cristobohttp://www.blogger.com/profile/18191523121141050397noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-32758461.post-81716887901301410332007-12-07T01:29:00.000-08:002007-12-07T01:40:32.891-08:00<span style="font-family:arial;font-size:180%;"><strong>ANGELA MELIM</strong></span><br /><br /><a href="http://bp2.blogger.com/_J91c3zk8whI/R1kTgs8NrFI/AAAAAAAAAI0/fgTwrcTnFu0/s1600-h/angela+melim.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5141161902160587858" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_J91c3zk8whI/R1kTgs8NrFI/AAAAAAAAAI0/fgTwrcTnFu0/s400/angela+melim.jpg" border="0" /></a><br /><br /><div align="justify"><span style="font-family:arial;"><span style="font-size:130%;"><strong>mencionada por:<br /></strong><a href="http://asescolhasafectivas.blogspot.com/2006/10/laura-erber-mencionada-por-lgia-dabul.html">Laura Erber</a><br /><a href="http://asescolhasafectivas.blogspot.com/2007/07/adolfo-montejo-navas-foto-diana-pereira.html">Adolfo Montejo Navas</a><br /><a href="http://asescolhasafectivas.blogspot.com/2006/09/italo-moriconi-mencionado-por-lu.html">Italo Moriconi</a><br /><br /><strong>menciona a:<br /></strong>Elisabeth Veiga<br />Leonardo Fróes<br />Cecília Meireles<br />Manuel Bandeira<br />Carlos Drummond<br />João Cabral<br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><strong>Três poemas:<br /></strong><br /><br /><br /><strong>FLORES<br /></strong><br />Colho olhos fixos<br />de novo<br />boca seca<br />aberta<br />- o não completo me suspende<br />entre parênteses invisíveis e impotentes<br />no ar parado -<br />de passeio neste campo imperceptível<br />minado<br />que a pasma semântica do absurdo<br />colore de avesso e espanto,<br />flores que explodem ao contrário.<br /><br /><em>1999<br /></em><br /><br /><br /><br /><strong>CLOWNS<br /></strong><br />Será triste a passagem<br />para a Terra Sem Sentimentos<br />do capital total.<br />Um por um<br />pelo desfiladeiro<br />como os mocinhos do cinema.<br />Fardos, jegues.<br />Camelos?<br />Também, vindos de outros filmes.<br />Turbantes, sarongues, sáris.<br />Irmão, primo.<br />Pai.<br />Até mãe pelo despenhadeiro.<br />Nada sobrará.<br />Amor, sorriso.<br />Pedra sobre pedra.<br />Só frieza e névoa.<br />Não, não será triste.<br />É Sem Sentimentos a Terra<br />do capital fatal.<br />Ovelha irreal<br />simulacro de gemido<br />inteligência transgênica.<br />Clowns, clones - será gente<br />o que desce da garganta<br />do outro lado da montanha<br />da transmutação global?<br /><br /><em>15 de setembro de 2000</em><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br />Meu pai nos abandonou.<br />Minha mãe casou e mudou.<br />Vovó morreu.<br />Os irmãos sumiram no mundo<br />ou submundo.<br />Sem explicação<br />Yvonne nunca mais falou comigo<br />e, para Ronaldo,<br />sou fantasma do passado.<br />Vejo meus filhos já voando.<br />Nem um pássaro na mão.<br /><br /><em>2 de outubro de 2000</em><br /><br /><br />Do livro <em>Possibilidades,</em> Rio de Janeiro, agosto de 2006<br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><strong>Biobibliografia<br /></strong><br />Angela Melim nasceu em Porto Alegre em 1952 e mora no Rio de Janeiro, onde é escritora e trabalha como redatora, tradutora e intérprete de conferências. Publicou diversos livros, tendo sido premiada pela Fundação Vitae e UBE – União Brasileira de Escritores. Escreveu para diversas revistas e jornais, tomou parte em debates, programas de TV, filmes e mesas redondas sobre poesia e literatura. Coordenou núcleos de Cultura para o Partido dos Trabalhadores, participou dos sindicatos dos Tradutores e Escritores, da UBE e da CUT (Central Única dos Trabalhadores).<br /><br /><strong>Livros publicados:</strong><br />- O vidro o nome (1974) poemas<br />- Das tripas coração (1978) poemas<br />- As mulheres gostam muito (1979) prosa poética<br />- Vale o escrito (1981) poemas<br />- Os caminhos do Conhecer (1981) poemas<br />- O outro retrato (1982) prosa poética – manuscrito circulante<br />- Poemas (1987)<br />- Mais dia menos dia (1996) obra reunida<br />- Possibilidades (2006) poemas<br /><br /><strong>Inéditos:<br /></strong>- Ainda ontem - contos, Prêmio Eneida da UBE-RJ, 1991<br />- O personagem - em elaboração (Bolsa Vitae, 2005)<br />- O elefante triste infantil (no prelo)<br />- O pinheirinho de Natal infantil (no prelo)<br />- Monstrinho infantil (no prelo)<br />- Aniversário infantil (no prelo)<br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><strong>Uma poética</strong><br /><br /><br />COISAS ASSIM PARDAS<br /><br />Para Eduardo<br /><br /><br />Canário-da-terra, marreco, chinfrim<br />coisas assim, nomes – Rita<br />coisas assim pardas, mestiças<br />de pequeno porte<br />coisas de fibra<br />embora os jeitos desvalidos<br />coisas pardas vivas<br />pulsantes<br />um poema assim.<br /><br /><br />Do livro <em>Das tripas coração</em>, Florianópolis, 1978<br /><br /></span><br /><br /></div></span>Aníbal Cristobohttp://www.blogger.com/profile/18191523121141050397noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-32758461.post-39077790289011452432007-12-07T01:17:00.000-08:002007-12-07T01:22:20.616-08:00<span style="font-family:arial;font-size:180%;"><strong>GUILHERME ZARVOS</strong></span><br /><br /><div align="justify"><a href="http://bp1.blogger.com/_J91c3zk8whI/R1kPzc8NrEI/AAAAAAAAAIs/hMQ3royYsAQ/s1600-h/zarvos.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5141157826236623938" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_J91c3zk8whI/R1kPzc8NrEI/AAAAAAAAAIs/hMQ3royYsAQ/s400/zarvos.jpg" border="0" /></a><br /><br /><span style="font-family:arial;font-size:130%;"><strong>mencionado por:<br /></strong><a href="http://asescolhasafectivas.blogspot.com/2006/09/michel-melamed-foto-dbora-70.html">Michel Melamed</a><br /><a href="http://asescolhasafectivas.blogspot.com/2006/09/italo-moriconi-mencionado-por-lu.html">Italo Moriconi</a><br /><a href="http://asescolhasafectivas.blogspot.com/2007/03/camila-do-valle-mencionada-por-izabela.html">Camila do Valle</a><br /><br /><strong>menciona a:<br /></strong>Ericson Pires<br />Flávio Amoreira<br />Márcio-André<br />Botika<br />Laurent Gabriel<br />Rod Bitto<br /><br /><br /><br /><strong>poemas:<br /></strong><br /><br /><br /><br /><br /><strong>Verde<br /></strong><br />Se eu morrer amanhã que se salve a poesia ou que me salve a poesia e não estarei morto amanhã. Minha voz e as letras - como é preciso o encaixe das palavras – que dão sentido e, na busca, o encontro do que é estético ético do que é sintonia. Não vaguei neste mundo besta à toa, se bem que é bom vadiar. Vadiei. Se na volta da mesa toalha de cânhamo e vaso deixei vagar pensamentos e cheiro e sabor: como gosto de você. E procurei ajudar outros vadios, em precisão maior que a minha, pois há retorno na camaradagem. Sou de um grupo de semente vândala, de esparramante coração. Assumido vagabundo. Sinto falta de você. E lá se vão anos e gente de todas as vidas. Vi venderem a peso de ouro copeques sem valor. Fui passado para trás com um sorriso vago. Era vantagem. Vendo o sorriso vago de quem vendia. Não sou vítima. E cada disso com sentido: eu amo ser humano que se aventura...contudo vem agora canseira do vago, ventrílocos, vociferação. Já sinto sono no meio da volta. Este teatro eu vi ontem. E não que valha apenas o versado. Mas vai chegando a velhice e devagar cedo ao vigor do vento. Continuo amando o que é verde...ver-te vou indo ver.<br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><strong>Henrique<br /></strong><br />Ele era branco. A camada de tinta<br />sobre a tela. A primeira segunda cama-<br />das de tinta brancas sobre a tela. intacta.<br />Ele era branco. O rosto pretensiosamente<br />masculino. Francês pernas finas com mús-<br />culos de corrida. O short e a camisa brancos.<br />Olhei me olhou. Tantas vezes. O número<br />que supera desculpe-me, ou você está me<br />olhando porquê. Ele era francês perdido no<br />vagão do metrô. Eu sou do Rio. Cada um<br />media a liberdade e o espaço. Foram poucas<br />palavras. Não era de palavras. Sem retórica. Eu<br />não falo francês. Seu olhar pretensioso aborrecia-me.<br />O corpo muito belo. Quase todos os machos sabem<br />que os rapazes atraem certos homens. Poucos<br />são inocentes. As mães nunca são inocentes. Os<br />pais raramente são inocentes. Os adultos poucas<br />vezes não sabem que rapazes atraem muitos<br />homens. Isso é repugnante! Os homens riem dos<br />homens que deixam transparecer atração por rapazes.<br />O francês era belo. O buço do francês era belo.<br />Os poucos pelos da coxa do francês de pernas finas<br />e musculosas eram belos. Ele me olhava. Olhava para ele.<br /><br /><br /><br />Deitou na minha cama sem palavras. Seu<br />corpo era magro e musculoso. Entumecido o<br />membro era pequeno. aparentava fragilidade. En-<br />volto em pelos finos como seu cabelo seus ombros<br />seus músculos. Branco foi a imagem que<br />restou. O ventre branco espargido de esperma<br />que escorria ou gotejava aqui acolá - o quadro<br />final: o silêncio do branco e o cheiro de homem<br />que enjoa ou agrada a muitos homens - quadro<br />insólito. O francês vestiu a camiseta e o calção<br />brancos e apertou minha mão. Saiu em silêncio e<br />o cheiro que impregnava foi pela janela. Como são<br />brancas as nuvens!<br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><strong>Brasília<br /></strong><br /><br />Voando ver sobre as asas de<br />Lúcio seguindo sua coluna vertebral<br />Tocando teclas nódulos e assistindo<br />Para além das asas as irmãs Guará e<br />Tabatinga. Vô vi vi Brasília brincando<br />De amar. Há tantos: o lutador gentil como<br />Um pequeno urso acariciado pela mãe<br />Protegendo e protegido seu amigo<br />Parelha o desavergonhado Fashion<br />Vô vi ver Fashion a estátua do belo<br />Magérrimo levantando seu braço<br />Raio Flach Gordon apontando estrela<br />E seu corpo manequim e seu braço<br />Manequim e seu dedo manequim<br />Esticando-se pois mais que estrelas<br />Apontava o limite do corpo heróico<br />Já que alguém o afrontava e seu corpo<br />Impinado desafiava como a solidez<br />De obra do Oscar ou de uma pena de<br />Ema todos seres do cerrado<br />Vô e na sala de aula modernosa USP<br />Ou PUC tanto faz fala-se do<br />Moderno Autoritário de Brasília<br />Vô a Brasília de Jucelino de Oscar<br />De Lúcio e de Darcy vô pelas Super<br />Quadras no entardecer de um inverno<br />E me sento com o Denílson na UNB e<br />O pequeno urso o inseparável Faschion<br />E seus mais sete ou nove amigoas<br />Que andam soltos flor do cerrado<br />Porém não tão soltos que possam soltar o<br />Celular de cada progenitora e vejo a igreja e<br />Vejo os santos e os vitrais, tudo flutua e<br />Sigo para outro caminho<br />Da procura que o dedo determina.<br /><br /><br /><br /><br /><strong>bio / biblio:<br /></strong><br />Guilherme Zarvos nasceu em São Paulo em 1957 e vive desde os dois anos no Rio de Janeiro. Formou-se em Economia PUC-1980, fez mestrado em Ciências Sociais IFCS-UFRJ -1989 e é doutorando em Letra, PUC-RJ. De 83-87 trabalhou com Darcy Ribeiro no Programa Especial de Educação. Foi viajante mochileiro por dezenas de países.<br /><br />Em 1990, fundou com outros poetas o CEP 20.000 – Centro de Experimentação Poética do Rio de Janeiro, sendo ainda hoje, 2007, um dos organizadores.<br /><br />Escritor, professor, editor, diretor de teatro e participante de grupos de poesia falada, produtor cultural, publicou seis livros, de 1990 até agora, passando pela poesia e prosa. Zombar, 2004, é seu livro mais novo.<br /><br /><br /><br /><br /><strong>poetica:</strong><br /><br />Poesia- Mais do que gênero a forma de ver e ouvir e a história e a descoberta e o deixar chegar.Unté, Já vou let ar.<br /><br /><br /><br /></span></div>Aníbal Cristobohttp://www.blogger.com/profile/18191523121141050397noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-32758461.post-19255100432480845202007-12-01T01:24:00.000-08:002007-12-07T01:47:21.820-08:00<span style="font-family:arial;font-size:180%;"><strong>ADALBERTO MÜLLER</strong></span><br /><br /><a href="http://bp1.blogger.com/_J91c3zk8whI/R1Eoec8NrCI/AAAAAAAAAIc/PBRpsxiJfU8/s1600-R/muller.JPG"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5138933153436380194" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_J91c3zk8whI/R1Eoec8NrCI/AAAAAAAAAIc/iJtlOgn4dKA/s400/muller.JPG" border="0" /></a><br /><br /><div align="justify"><span style="font-family:arial;font-size:130%;"><strong>mencionado por:<br /></strong><a href="http://asescolhasafectivas.blogspot.com/2006/09/ricardo-pedrosa-alves-mencionado-por.html">Ricardo Pedrosa Alves</a><br /><a href="http://asescolhasafectivas.blogspot.com/2006/09/marcos-siscar-mencionado-por-carlito.html">Marcos Siscar</a><br /><br /><strong>menciona a:<br /></strong>(5 bons poetas que não achei na lista)<br />Fernando Paixão<br />Maria Lúcia dal Farra<br />Mário Domingues<br />Ricardo S. Carvalho<br />Carlos Loria<br /><br /><br /><br /><strong>poemas:</strong><br /><br /><br /><br /><strong>ENQUANTO VELO TEU SONO</strong></span></div><span style="font-family:arial;font-size:130%;"><strong></strong><div align="justify"><br /><em>Perception of an object costs<br />Precise de object’s loss.<br /></em>Emily Dickinson</div><div align="justify"><br />I<br />No silêncio da noite<br />em vigília de insônia<br />velo teu corpo<br />e o admiro<br />como ao copo translúcido<br />ao lado de tua cabeça.<br /><br />II<br />Teu corpo deitado na cama<br />tem a mesma inquietude do copo,<br />a inquietude da água desse copo<br />pronta a derramar-se<br />como teus cabelos sobre o lençol;<br />a mesma inquietude<br />pela sede que evoca.<br /><br />III<br />Um copo translúcido e calmo<br />que perturba o cristalino.<br />Um corpo de água<br />todo espraiado<br />entre os lençóis de água<br />de que é feito o branco da cama<br />a derramar em dobras dentro<br />dos limites do leito.<br /><br /><br />IV<br />Um corpo cheio até a boca<br />entre lençóis de água.<br /><br />V<br />A cama<br />toda se alagando<br />entra por meus olhos cheios<br />do líquido que derramam<br />teus cabelos.<br /><br /><br /><br /><br /><strong>O VINHO DE LETHES</strong><br /><br /><br />Pousa uma vez mais<br />em tuas mãos<br /><br />a taça<br /><br />é tempo, é tempo<br />de beber<br />o vinho do esquecimento<br /><br />recolhe as rosas<br />murchas no vaso<br />e as pétalas<br />que amarelam sobre a toalha de renda<br />solta os cavalos<br />no carrossel da memória.<br /><br />é tempo, é tempo<br />de lançar ao mar<br />as cinzas<br />de estancar com lenço<br />da seda mais alva<br />as primeiras gotas da tempestade.<br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><strong>NAVEGAÇÃO<br /></strong><br /><br />Bombordo<br />aroma<br />de rosas<br />azuis<br /><br />Estibordo<br />o corpo<br />suspira<br />espiral<br /><br />Acima<br />o lume<br />do teu olho<br />em mar escuro<br />o leme<br />do teu olho<br /><br />astro-<br />lábios.<br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br />Trecho de uma resposta a uma enquete da Revista Eletrônica Zunái <strong>(É possível conciliar experimentação formal e lirismo na criação poética?) </strong></div><strong><div align="justify"><br /></strong>...Mas felizmente tivemos também um Manuel Bandeira, em cuja poesia o lirismo ressurge no que ele tem de primordial, de grego, mesmo: a associação entre o canto e o mundo dos afetos. Não nos esqueçamos que a origem do lirismo é grega, e tem a ver com o fato de Orfeu ter feito uma lira com suas tripas, para resgatar sua amada Eurídice do inferno. Estamos marcados por esse gesto, ainda que seja um mito. É verdade, porém, que, entre os jovens poetas, os temas tipicamente líricos não estejam muito na ordem do dia. Aos jovens poetas, interessa mais a anotação das sensações, mais que dos sentimentos. E mesmo os sentimentos, no mundo pós-moderno, se modificaram, sobretudo com a diversificação sexual. De minha parte, acredito que lidar com temas líricos como o amor (e suas adjacências), não significa abrir mão da experimentação. Meu mentor, nesse caso, é o poeta que, a meu ver, melhor soube conciliar os temas clássicos do lirismo com a experimentação estética mais ousada da poesia moderna: E.E.Cummings. Gosto de escrever sobre temas que deveriam ser expressos em elegias, odes ou epitalâmios, mas submentendo-os a uma nova configuração verbal e gráfica. Em suma, acredito que os grandes temas líricos, na mesmo medida em que ganham novas formas de expressão, vão também influenciando a formação de novas experiências e experimentações. Pois o amor, que é a base e o fundamento do gesto órfico da poesia, não é uma experimentação – e o que é mais – estética?<br /><br /><br /><br /><br /><strong>Adalberto Müller</strong> nasceu em Ponta Porã (MT/MS) em 1966. Publicou Ex Officio (Paris, 1995) e Enquanto velo teu sono (7 Letras, 2003), além de traduções de Francis Ponge (O partido das coisas – Iluminuras – A mimosa – Ed. UnB), Paul Celan (revistas Zunái, Oroboro)e de E.E.cummings (O Tigre de Veludo - Editora UnB, coleção Poetas do Mundo). Organizou o livro de ensaios de Benedito Nunes João Cabral: A máquina do poema (Ed. da UnB, 2007). Organizou e coordenou, com Graça Ramos, o Festival de Poesia de Goyaz, em 2006. É professor de literatura e cinema na UnB, e dirigiu (com Ricardo Carvalho) o curta-metragem (35mm) Wenceslau e a árvore do gramofone, baseado em textos de Manoel de Barros (em finalização).<br /><br />blog: <a onclick="onClickUnsafeLink(event);" href="http://www.cordeldigital.blogspot.com/" target="_blank">www.cordeldigital.blogspot.com</a></div><div align="justify"> </div><div align="justify"><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /> </div></span>Aníbal Cristobohttp://www.blogger.com/profile/18191523121141050397noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-32758461.post-53308477739176419412007-11-24T01:42:00.000-08:002007-11-24T02:06:06.403-08:00<span style="font-family:arial;font-size:180%;"><strong>FREDERICO BARBOSA</strong></span><br /><br /><a href="http://bp1.blogger.com/_J91c3zk8whI/R0f0Gy4l-LI/AAAAAAAAAIU/VX1_dhzGB7Y/s1600-h/fred.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5136342297614874802" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_J91c3zk8whI/R0f0Gy4l-LI/AAAAAAAAAIU/VX1_dhzGB7Y/s400/fred.jpg" border="0" /></a><br /><br /><a href="http://bp2.blogger.com/_J91c3zk8whI/R0fyaC4l-KI/AAAAAAAAAIM/lXZyOmUGp9c/s1600-h/fred.jpg"></a><div align="justify"><br /><span style="font-family:arial;font-size:130%;"><strong>mencionado por:</strong><br /><a href="http://asescolhasafectivas.blogspot.com/2006/09/ricardo-aleixo-mencionado-por-manoel.html">Ricardo Aleixo</a><br /><a href="http://asescolhasafectivas.blogspot.com/2006/09/greta-benitez-mencionada-por-rodrigo.html">Greta Benitez</a><br /><a href="http://asescolhasafectivas.blogspot.com/2006/09/claudio-daniel-mencionado-por-ricardo.html">Claudio Daniel</a><br /><a href="http://asescolhasafectivas.blogspot.com/2006/08/rodrigo-de-souza-leo-mencionado-por.html">Rodrigo de Souza Leão</a><br /><a href="http://asescolhasafectivas.blogspot.com/2006/09/virna-teixeira-mencionada-por-leonardo.html">Virna Teixeira</a><br /><br /><br /><strong>menciona a:</strong><br />Onze poetas que ainda não estão no site:<br />Alice Ruiz<br />Antonio Risério<br />Amador Ribeiro Neto<br />Lau Siqueira<br />Valéria Tarelho<br />Micheliny Verunschk<br />Gabriela Marcondes<br />Gabriel Pedrosa<br />Rica P<br />Donny Correia<br />Eduardo Lacerda<br /><br /><br /><br /><br /><br /><strong>poemas:</strong><br /><br /><br /><br /><strong>Desexistir</strong><br /><br />Quando eu desisti<br />de me matar<br />já era tarde.<br /><br />Desexistir<br />já era um hábito.<br /><br />Já disparara<br />a auto-bala:<br />cobra cega se comendo<br />como quem cava<br />a própria vala.<br /><br />Já me queimara.<br /><br />Pontes, estradas,<br />memórias, cartas,<br />toda saída dinamitada.<br /><br />Quando eu desisti<br />não tinha volta.<br /><br />Passara do ponto,<br />já não era mais<br />a hora exata.<br /><br />(in <em>Contracorrente</em>, São Paulo, Iluminuras, 2000)</span></div><div align="justify"> </div><div align="justify"><span style="font-family:arial;font-size:130%;"></span> </div><div align="justify"><br /><span style="font-family:arial;font-size:130%;"><br /><strong>Memória se</strong><br /><br />A mais íntima<br />memória se<br />desdobra cega<br />e surda:<br /><br />A presença tátil<br />de suas dobras <br />incrustadas <br />nas marcas linhas <br />das minhas mãos. <br /><br />O gosto redondo <br />do seu corpo <br />na retina língua <br />do meu gesto <br />ou rosto. <br /><br />E seu perfume <br />rio riso colorido <br />escorrendo <br />sobre o corpo <br />sopro e calor. <br /><br />Memória se <br />deseja. O resto, <br />se ouça ou veja.<br /><br />(in <em>Contracorrente</em>, São Paulo, Iluminuras, 2000)<br /><br /><br /><br /><br /><br /><strong>Rua da Moeda</strong><br /><em>tapa na cara dos reaças</em><br /><br />enquanto<br />o poeta reaça<br />na lagoa<br />(maranhense) carioca<br />realça a garça<br />e condena o rock<br /><br />lá em recife<br />a turma dança<br />de negro (<em>fear of the dark</em>)<br />e canta contra<br /><br />(quanto mofo<br />gullar/tinhorão<br />surdo ao novo<br />patronos do pagode<br />banal)<br /><br />tapa na cara dos reaças:<br /><br />rua da moeda<br />dos punks do heavy<br />do soco socorro<br />metal pernambuco<br />contra a paralisia mental<br /><br /><br />enquanto<br />um passadista<br />síntese da direita<br />do preconceito<br />da retro seita<br />brada armorial<br /><br />na rua da moeda<br />camisetas negras<br />mimetizam arrecifes<br />contra a onda<br />do fácil fascio<br />o burro coro coreto<br />nacional-popular<br /><br />(quanto mofo<br />intolerância tola<br />implicância ditadura<br />na voz do velho<br />ariano feito dogma<br />preconceito feito god)<br /><br />tapa na cara dos reaças:<br /><br />rua da moeda<br />onde rock faz mais sentido<br />ácido pesado e divertido<br />contra a nação mesmice<br />um louco pernambuco dadá<br /><br /><br />(in <em>Invenção Recife</em> <em>– Coletânea Poética 2</em>, Recife, Fundação de Cultura, 2004)<br /><br /><br /><strong>bio/biblio:</strong><br />Frederico Barbosa - Poeta e professor de literatura, nasceu em Recife, em 1961, e mora em São Paulo desde a infância. Publicou os livros de poesia Rarefato (Iluminuras, 1990), Nada Feito Nada (Perspectiva, 1993), que ganhou o Prêmio Jabuti, Contracorrente (Iluminuras, 2000), Louco no Oco sem Beiras (Ateliê, 2001), Cantar de Amor entre os Escombros (Landy, 2002), A Consciência do Zero (Lamparina, 2004) e Brasibraseiro (Landy, 2004), em parceria com Antonio Risério, pelo qual recebeu seu segundo Prêmio Jabuti.<br />Pela Landy Editora, para a qual dirige a Coleção Alguidar, publicou a coletânea Cinco Séculos de Poesia (2000), a seleção de sermões de Antônio Vieira, O Sermão do Bom Ladrão e outros sermões (2000), a edição comentada, em parceria com Sylmara Beletti, dos episódios camonianos Inês de Castro e O Velho do Restelo (2001) e, com Claudio Daniel, a antologia Na Virada do Século, Poesia de Invenção no Brasil (2002). Organizou também os volumes Clássicos da Poesia Brasileira, Poemas Escolhidos de Fernando Pessoa, Os Sonetos de Camões e Contos Escolhidos de Artur Azevedo, para a Editora Klick.<br />Dirige, desde a sua inauguração em 2004, o Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura – Casa das Rosas e é curador da primeira biblioteca temática de poesia do país, a Alceu Amoroso Lima, inaugurada em 2006 pela Prefeitura de São Paulo.<br />Seus poemas podem ser lidos em </span><a href="http://fredbar.sites.uol.com.br/"><span style="font-family:arial;font-size:130%;">http://fredbar.sites.uol.com.br</span></a><br /><span style="font-family:arial;font-size:130%;"><br /><br /><br /><br /><br /><br /><strong>poética:</strong><br /><br /><br /><br /><strong>O P.S.</strong><br /><br />1.<br />em terra de profetas</span></div><div align="justify"><span style="font-family:arial;font-size:130%;">quem se cala</span></div><div align="justify"><span style="font-family:arial;font-size:130%;">é o poeta <br /><br />2.<br />porque houve auschwitz </span></div><div align="justify"><span style="font-family:arial;font-size:130%;">porque o caos é aqui </span></div><div align="justify"><br /><span style="font-family:arial;font-size:130%;">porque a palavra consola </span></div><div align="justify"><span style="font-family:arial;font-size:130%;">porque há tantos brasis</span></div><div align="justify"><span style="font-family:arial;font-size:130%;"> <br /></div></span><div align="justify"><span style="font-family:arial;font-size:130%;">porque arte é ordem </span></div><div align="justify"><span style="font-family:arial;font-size:130%;">escrevo e sou gris </span></div><div align="justify"><br /><span style="font-family:arial;font-size:130%;">3.<br />entre a expressão </span></div><div align="justify"><span style="font-family:arial;font-size:130%;">(banal) </span></div><div align="justify"><span style="font-family:arial;font-size:130%;">e a invenção </span></div><div align="justify"><span style="font-family:arial;font-size:130%;">(genial) <br /><br />fico com a impressão <br /><br />invento </span></div><div align="justify"><span style="font-family:arial;font-size:130%;">no leitor </span></div><div align="justify"><span style="font-family:arial;font-size:130%;">a expressão </span></div><div align="justify"><span style="font-family:arial;font-size:130%;">do meu horror <br /><br />imprima-se <br /><br /><br /><br />(in <em>Louco no oco sem beiras</em>, São Paulo, Ateliê, 2001)</span></div><p><span style="font-family:arial;font-size:130%;"></span> </p><p><span style="font-family:arial;font-size:130%;"> </p><div align="justify"><br /></div></span><div align="justify"><span style="font-family:arial;font-size:130%;"></span> </div><div align="justify"><span style="font-family:arial;font-size:130%;"><strong>Três fragmentos de uma entrevista a Claudio Daniel</strong><br /><br />· Já que pouco podemos fazer para minimizar o caos do mundo, pelo menos podemos, através da poesia, tentar organizar o nosso horror interior. Alertar e protestar. Encontrar parceiros nessa revolta e dar voz aos que, mesmo a sentindo, nem sempre a conseguem expressar.<br /><br />· Sempre cri que o que importa mesmo na poesia é a forma. Não a fôrma, prisão, mas a estrutura orgânica do texto. O que importa é como se diz e não o que se diz. Se o que importa é a forma, o vigor da composição, por que não unir à preocupação estrutural a busca de um conteúdo que tenha impacto e fale das coisas que, de fato, preocupam e afligem as pessoas hoje? Já cansei de poetas ditos refinados que fazem uma poesia frouxa, cheia de artifícios e que nada dizem do nosso tempo. Estou certo de que é possível unir a experimentação inventiva e rigorosa dos concretos ao ímpeto de denúncia e protesto dos “engajados” e a o que há de engenhoso e inventivo dos “marginais”. É possível conseguir tudo isso ao mesmo tempo? É a minha busca.<br /><br />· Inventivo sempre é quem enfrenta de frente os principais problemas da arte no seu tempo. Creio que os principais problemas da poesia brasileira hoje sejam o neoconservadorismo; o abandono da experimentação formal, substituída por fórmulas arcaizantes; a autocomplacência das panelinhas; a quase completa inexistência de uma crítica literária inteligente e estimulante; a falta de comunicação com o público leitor e uma pobreza semântica assustadora (em outras palavras: falta do que dizer). Assim, creio que os poetas que seguem experimentando, com muita autocrítica e exigência, procurando abordar aspectos significativos da vida de hoje, sem receio de buscar um público leitor mais amplo, são aqueles que praticam uma “poesia de invenção”. São apenas esses que me interessam. Como eu já disse algumas vezes, qualidade sem inventividade não é arte, é burocracia, é papo furado, papo de otário. O conceito de “invenção” não foi criado pelas vanguardas, muito menos pela Poesia Concreta, como pensam alguns desinformados. Invenção é tudo na poesia, desde Homero. O resto é conversa para boi dormir, picaretagem.<br /><br /><br /><br /><br /> </span></div>Aníbal Cristobohttp://www.blogger.com/profile/18191523121141050397noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-32758461.post-86525475296087677392007-11-10T00:58:00.000-08:002007-11-11T12:38:48.669-08:00<span style="font-family:arial;font-size:180%;"><strong>MASÉ LEMOS</strong></span><br /><br /><a href="http://bp2.blogger.com/_J91c3zk8whI/RzVy54WkI7I/AAAAAAAAAH8/oRjY_YGWq-8/s1600-h/masé+copy.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5131133689163686834" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_J91c3zk8whI/RzVy54WkI7I/AAAAAAAAAH8/oRjY_YGWq-8/s400/mas%C3%A9+copy.jpg" border="0" /></a><br /><br /><div align="justify"><span style="font-family:arial;font-size:130%;"><strong>mencionada por:</strong><br /><a href="http://asescolhasafectivas.blogspot.com/2006/11/izabela-leal-mencionada-por-juliana.html">Izabela Leal</a><br /><a href="http://asescolhasafectivas.blogspot.com/2006/09/marcos-siscar-mencionado-por-carlito.html">Marcos Siscar</a><br /><br /><strong>menciona a:</strong><br /><a href="http://asescolhasafectivas.blogspot.com/2006/08/carlito-azevedo-mencionado-por-eucana.html">Carlito Azevedo</a><br /><a href="http://asescolhasafectivas.blogspot.com/2006/09/marcos-siscar-mencionado-por-carlito.html">Marcos Siscar</a><br /><a href="http://asescolhasafectivas.blogspot.com/2007/10/rgis-bonvicino-mencionado-por-carlos.html">Régis Bonvicino</a><br /><a href="http://asescolhasafectivas.blogspot.com/2006/08/paula-glenadel-menciona-marcos-siscar.html">Paula Glenadel</a><br />Luiza Leite<br />Mauro Santa Cecîlia<br />Paulo Moreira<br /><br /><br /><strong>poemas</strong></span></div><span style="font-family:arial;font-size:130%;"><strong></strong><div align="justify"><br /><br /><strong>Os lados</strong></div><div align="justify"><strong></strong><br /><br />Os cílios espessos</div><div align="justify"><br />determinam</div><div align="justify"><br />as cores</div><div align="justify"><br />cinco</div><div align="justify"><br />se voltam</div><div align="justify"><br />a cada espessura</div><div align="justify"><br />vários raios</div><div align="justify"><br />cortam </div><div align="justify"><br />os fios.</div><div align="justify"><br /><br /><br /><br /><strong>De lado</strong></div><strong></strong><div align="justify"><br />Os lados desenham diversos fragmentos</div><div align="justify"><br />naquele vinil do Jimi Hendrix </div><div align="justify"><br />as notas </div><div align="justify"><br />embora às vezes aceleradas</div><div align="justify"><br />lentamente querem alcançar </div><div align="justify"><br />sem sobreaviso</div><div align="justify"><br />elas ameaçam sobrepujar a simples canção encadeada.<br /><br /><br /><br /><br /><strong>o exercício das coisas</strong><br /><br /><strong>1- o cortador</strong></div><strong></strong><div align="justify"><br />acordo. volto à cama e conto todas as pintas do corpo. nada cresceu. ranhuras. o vermelho e o negro são tão cosméticos quanto banhos d’água oxigenada. espumantes. arranho. vontade ditirâmbica de passar merthilolate. arde dói, germicida. vetustos esparadrapos e gazes, <em>complices</em>. [o amor], unhas, lixas, pinças.</div><div align="justify"></div><div align="justify"><br /><br /><strong>2- o creme</strong></div><strong></strong><div align="justify"><br />durmo. volto ao banheiro permeado de broncos insectos. um para o rosto, um para as pernas, outro para os seios, especial para o contorno. retinol. [azelha]. estrangeiros e peles. grudam, transformam-se em outros tantos. películas. pro sol, pro mar. gosmas em frasqueira empedernida.</div><div align="justify"><br /><br /><br /><strong>3- o abajur</strong></div><strong></strong><div align="justify"><br />levanto. deito ao lado, mudo. os livros agitados. de um para o outro, pilhas entrecortadas. agir, ação. sentir, distração. sem, dicção. lençóis seiscentas linhas. conto uma a uma. penas de gansos intoxicados. espinheira santa noturna. o fato desenvolvido nunca empregado. seguro datilógrafas em tipografias bastante minúsculas para servirem de criado. [a vida], escovas, pentes, espanadores.</div><div align="justify"><br /><br /><strong>4- confort</strong></div><strong></strong><div align="justify"><br />a roda rodeada de triângulos, pontas arrendondadas.<br />circunscrita de arabescos sinuosos, eles o são sempre.<br />uma linha que rompe o vermelho formando uma oval.<br />coroada de bolas flutuando.<br />o encardido embrulho do corpo.<br />o pequeno ventre, um umbigo marcante.<br />poros pequeninos quase imperceptíveis.<br />de cor parda manchando de respingos.<br />pulam fios negros ordenados. </div><div align="justify"><br /><span style="font-size:100%;">[<em>Redor</em>, 2007]</span><br /><br /><br /><strong>Bio/Biblio</strong><br />Nasceu em Belo Horizonte e mora do Rio. Já foi advogada e designer gráfica. Doutora em letras (Paris 3) é pesquisadora e professora de literatura na Uerj. Fez algumas traduções para a <em>Inimigo Rumor</em>. Publicou em 2007 <em>Redor</em> pela 7letras.<br /><br /><br /><strong>poética</strong><br />roubar outras, o silêncio, ler se apropriando, traduzir, ficar perto de.<br /><br />"la poésie dit ce qu'elle dit en le disant (ne dit rien d'autre, le dit littéralement : non paraphrasable, voire, c'est encore pire, non interprétable), et à ceci : la poésie dit ce qu'elle dit en se disant (fait ce qu'elle dit et dit ce qu'elle fait). Réflexivité et littéralité ont quelque chose à voir. Littéralement c'est-à-dire explicitement. Proématiquement toujours. Et encore : la «littéralité» a affaire à la question (difficile) de : dire ce qui est, ce qui se passe, dire cela, transférer aux mots (impossiblement, mais nécessairement) cela qui est la réalité, le «réel», intraitable, etc. La réalité c'est-à-dire la nudité, la nudité dénudée, l'«ossature des choses»." [Jean-Marie Gleize]<br /></div></span><p></p>Aníbal Cristobohttp://www.blogger.com/profile/18191523121141050397noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-32758461.post-79744702520104140272007-10-27T01:53:00.000-07:002007-10-27T09:09:52.282-07:00<span style="font-family:arial;font-size:180%;"><strong>ANA GUADALUPE</strong></span><br /><br /><div align="justify"><a href="http://bp3.blogger.com/_J91c3zk8whI/RyL8mcVy3FI/AAAAAAAAAH0/A3X886TaMFI/s1600-h/junina2.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5125937063273880658" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_J91c3zk8whI/RyL8mcVy3FI/AAAAAAAAAH0/A3X886TaMFI/s400/junina2.jpg" border="0" /></a><br /><br /><span style="font-family:arial;"><span style="font