tag:blogger.com,1999:blog-302191552008-08-29T18:33:10.852+01:00Palavras que me tocam...Criei este blog para registar os meus poemas e textos favoritos. Estas são as palavras que me tocam e que, de algum modo, influenciaram ou influenciam os meus pensamentos e a minha vida. Estou sempre disponível para ouvir e sentir o toque de novas palavras, por isso aceito todas as contribuições que queiram fazer (palavras.tocam@netcabo.pt). Novas palavras nos tocarão todas as Segundas, Quartas e Sextas-feiras. Sintam-nas.Susana B.http://www.blogger.com/profile/15940534382532256431noreply@blogger.comBlogger614125tag:blogger.com,1999:blog-30219155.post-33024562859458082242008-08-27T16:02:00.002+01:002008-08-27T16:28:10.506+01:00David Mourão-Ferreira - Soneto do Cativo<div style="text-align: center;"><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_642zXmPL27U/SLVyUSk6hSI/AAAAAAAABJo/dULBvVh401M/s1600-h/Paulo+cesar.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_642zXmPL27U/SLVyUSk6hSI/AAAAAAAABJo/dULBvVh401M/s400/Paulo+cesar.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5239219434425058594" border="0" /></a><span style="font-size:78%;">Foto: Paulo César</span><br /></div><br /><br /><br />Se é sem duvida Amor esta explosão<br />de tantas sensações contraditórias;<br />a sórdida mistura das memórias,<br />tão longe da verdade e da invenção;<br /><br />o espelho deformante; a profusão<br />de frases insensatas, incensórias;<br />a cúmplice partilha nas histórias<br />do que os outros dirão ou não dirão;<br /><br />se é sem dúvida Amor a cobardia<br />de buscar nos lençóis a mais sombria<br />razão de encantamento e de desprezo;<br /><br />não há dúvida, Amor, que te não fujo<br />e que, por ti, tão cego, surdo e sujo,<br />tenho vivido eternamente preso!<br /><br /><br /><br />David Mourão-Ferreira (Poeta português, 1927-1996)<br /><br>Susana B.http://www.blogger.com/profile/15940534382532256431noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-30219155.post-5102315989388339222008-08-25T11:21:00.002+01:002008-08-25T11:27:52.329+01:00Ana Carolina - Nada te faltará<br><br />Pra onde vamos<br />As vans, carros e bicicletas?<br />Certezas avessas<br />Comércio de guerra<br />Legado de merda<br /><br />Mais de um bilhão de chineses<br />Marchando sem deuses<br />E outros descalços<br />Fazendo sapatos<br />Pra nobres e ratos<br /><br />Sobe do solo<br />A nuvem de óleo com cheiro<br />De enxofre queimado<br />Fudendo com os ares<br />E outras barbáries<br /><br />Quero mudança total<br />Uma idéia genial<br />A ciência e o amor<br />A favor do futuro<br />Quero o claro no escuro<br /><br />Peço paz aos filhos de abraão<br />Quero gandhi na melhor versão<br /><br />E nada vai me faltar, e nada te faltará<br />E nada vai me faltar, e nada te faltará<br /><br />Pra onde seguem os barcos?<br />Os homens, suas trilhas<br />Seus filhos e filhas<br />No pau da miséria?<br />Um pico na artéria<br /><br />As mulheres pedintes perdidas<br />Que já quase loucas<br />Dividem o frio da noite<br />Com as drags<br />As mães e os "carregues"<br /><br />Meninas sangrando na boca<br />E no meio das pernas<br />No meio da noite<br />Tomando cacete<br />Sem dente, sem leite<br /><br />Quero respeito<br />Os humanos direitos<br />Fazendo pensar os pilares<br />De uma nova era<br />Que não seja quimera<br /><br />Peço paz aos filhos de abraão<br />Quero gandhi na melhor versão<br /><br />E nada vai me faltar, e nada te faltará<br />E nada vai me faltar, e nada te faltará<br /><br /><br /><br />Ana Carolina (Letrista, cantora, compositora brasileira, 1974- )<br /><br>Susana B.http://www.blogger.com/profile/15940534382532256431noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-30219155.post-32818412109551387222008-08-25T11:06:00.004+01:002008-08-25T11:29:56.138+01:00Regresso<div style="text-align: justify;">Olá caros amigos,<br /><br />muito obrigada pelas vossas mensagens. É bom saber que ainda estão por aí. Peço desculpa pela minha ausência. O palavras não fechou, não vai fechar. Esteve em stand-by, porque não tenho tido muito tempo para ler e publicar poesia. No entanto, prometo que vou tentar voltar ao anterior ritmo de publicação.<br /><br />Um abraço a todos.<br /><br />Susana B.</div>Susana B.http://www.blogger.com/profile/15940534382532256431noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-30219155.post-53205059638483203582008-07-09T18:30:00.001+01:002008-07-09T18:36:59.883+01:00Fernando Pessoa - António de Oliveira Salazar<br><br />Antonio de Oliveira Salazar.<br />Trez nomes em sequencia regular...<br />Antonio é Antonio.<br />Oliveira é uma arvore.<br />Salazar é só apelido.<br />Até aí está bem.<br />O que não faz sentido<br />É o sentido que tudo isto tem.<br /><br />29-03-1935<br /><br />---------------------------------------------------------<br /><br />Este senhor Salazar<br />É feito de sal e azar.<br />Se um dia chove,<br />A agua dissolve<br />O sal,<br />E sob o céu<br />Fica só azar, é natural.<br /><br />Oh, c'os diabos!<br />Parece que já choveu...<br /><br />---------------------------------------------------------<br /><br />Coitadinho<br />Do tiraninho!<br />Não bebe vinho.<br />Nem sequer sozinho...<br /><br />Bebe a verdade<br />E a liberdade,<br />E com tal agrado<br />Que já começam<br />A escassear no mercado.<br /><br />Coitadinho<br />Do tiraninho!<br />O meu vizinho<br />Está na Guiné,<br />E o meu padrinho<br />No Limoeiro<br />Aqui ao pé,<br />Mas ninguém sabe porquê.<br /><br />Mas, enfim, é<br />Certo e certeiro<br />Que isto consola<br />E nos dá fé:<br />Que o coitadinho<br />Do tiraninho<br />Não bebe vinho,<br />Nem até<br />Café.<br /><br /><br /><br /><span style="font-style:italic;">29-03-1935</span><br /><br />Fernando Pessoa (Poeta Português, 1988-1935)<br /><br>Susana B.http://www.blogger.com/profile/15940534382532256431noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-30219155.post-29853601879645016512008-07-07T21:48:00.004+01:002008-07-09T18:47:44.661+01:00Vitor Hugo - Desejo-te<br><br />Desejo primeiro que ames,<br />E que amando, também sejas amado.<br />E que se não fores, sejas breve em esquecer.<br />E que esquecendo, não guardes mágoa.<br />Desejo, pois, que não sejas assim,<br />Mas se fores, saibas ser sem desesperar.<br />Desejo também que tenhas amigos,<br />Que mesmo maus e inconsequentes,<br />Sejam corajosos e fiéis,<br />E que pelo menos num deles<br />Possas confiar sem duvidar.<br />E porque a vida é assim,<br />Desejo ainda que tenhas inimigos.<br />Nem muitos, nem poucos,<br />Mas na medida exacta para que, algumas vezes,<br />Te interpeles a respeito<br />Das tuas próprias certezas.<br />E que, entre eles, haja pelo menos um que seja justo,<br />Para que não te sintas demasiado seguro.<br />Desejo depois que sejas útil,Mas não insubstituível.<br />E que nos maus momentos,<br />Quando não restar mais nada,<br />Essa utilidade seja suficiente para te manteres de pé.<br />Desejo ainda que sejas tolerante,<br />Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,<br />Mas com os que erram muito e irremediavelmente,<br />E que fazendo bom uso dessa tolerância,<br />Sirvas de exemplo aos outros.<br />Desejo que, sendo jovem,<br />Não amadureças depressa demais,<br />E que sendo maduro, não insistas em rejuvenescer<br />E que sendo velho, não te dediques ao desespero.<br />Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e<br />É preciso deixar que eles escorram por entre nós.<br />Desejo também que sejas triste,<br />Não o ano todo, mas apenas um dia.<br />Mas que nesse dia descubras<br />Que o riso diário é bom,<br />O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.<br />Desejo que descubras,<br />Com o máximo de urgência,<br />Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,<br />Injustiçados e infelizes e que estão à tua volta.<br />Desejo ainda que afagues um gato,<br />Alimentes um cuco e ouças o joão-de-barro<br />Erguer triunfante o seu canto matinal<br />Porque, assim, te sentirás bem por nada.<br />Desejo também que plantes uma semente,<br />Por mais minúscula que seja,<br />E acompanhes o seu crescimento,<br />Para que saibas de quantas<br />Muitas vidas é feita uma árvore.<br />Desejo, outrossim, que tenhas dinheiro,<br />Porque é preciso ser prático.<br />E que pelo menos uma vez por ano<br />Coloques um pouco dele<br />Na tua frente e digas «Isso é meu!»,<br />Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.<br />Desejo também que nenhum dos teus afectos morra,<br />Por ele e por ti,<br />Mas que se morrer, possas chorar<br />Sem te lamentares e sofrer sem te culpares.<br />Desejo por fim que, sendo homem,<br />Tenhas uma boa mulher,<br />E que sendo mulher,<br />Tenhas um bom homem<br />E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,<br />E quando estiverem exaustos e sorridentes,<br />Ainda haja amor para recomeçar.<br />E se tudo isso acontecer,<br />Não tenho mais nada a desejar-te.<br /><br /><br /><br />Vitor Hugo (Poeta e escritor francês, 1802-1885)<br /><br>Susana B.http://www.blogger.com/profile/15940534382532256431noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-30219155.post-80395837610011469032008-07-04T14:31:00.003+01:002008-07-09T18:58:12.708+01:00Octávio Paz - Rendição<br><br />Depois de ter cortado todos os braços que se estendiam para mim; depois de ter entaipado todas as janelas e todas as portas; depois de ter inundado os fossos com água envenenada; depois de ter edificado minha casa num rochedo inacessível aos afagos e ao medo; depois de ter lançado punhados de silêncio e monossílabos de desprezo a meus amores; depois de ter esquecido meu nome e o nome da minha terra natal; depois de me ter condenado a perpétua espera e a solidão perpétua, ouvi contra as pedras de meu calabouço de silogismos a investida húmida, terna, insistente, da Primavera.<br /><br /><br /><br />Octavio Paz (Poeta Mexicano, 1914-1998)<br /><br>Susana B.http://www.blogger.com/profile/15940534382532256431noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-30219155.post-28788009288176225072008-07-02T16:52:00.004+01:002008-07-02T17:02:56.646+01:00David Mourão-Ferreira - Ilha<br><br /><div style="text-align: center;"><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_642zXmPL27U/SGumTIqlwPI/AAAAAAAABII/YWp3khkMAtU/s1600-h/marilyn-monroe+bert+stern.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_642zXmPL27U/SGumTIqlwPI/AAAAAAAABII/YWp3khkMAtU/s400/marilyn-monroe+bert+stern.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5218447440912695538" border="0" /></a><span style="font-size:78%;">Foto: Marlyn Monroe, Autor Desconhecido</span><br /></div><br /><br /><br />Deitada és uma ilha E raramente<br />surgem ilhas no mar tão alongadas<br />com tão prometedoras enseadas<br />um só bosque no meio florescente<br /><br />promontórios a pique e de repente<br />na luz de duas gémeas madrugadas<br />o fulgor das colinas acordadas<br />o pasmo da planície adolescente<br /><br />Deitada és uma ilha Que percorro<br />descobrindo-lhe as zonas mais sombrias<br />Mas nem sabes se grito por socorro<br /><br />ou se te mostro só que me inebrias<br />Amiga amor amante amada eu morro<br />da vida que me dás todos os dias<br /><br /><br /><br />David Mourão-Ferreira (Poeta português, 1927-1996)<br /><br>Susana B.http://www.blogger.com/profile/15940534382532256431noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-30219155.post-5255522716158170612008-06-30T17:49:00.002+01:002008-06-30T18:00:02.995+01:00Cleri Aparecida Biotto Bucioli - Pousada<br><br />Pousa teus sonhos<br />Nos meus ombros.<br />O mormaço escorre<br />No suor de teu cansaço.<br />Estamos exaustos:<br />Eu por te esperar,<br />Tu por não chegares.<br />Vem.<br />Espero teu abraço.<br />Quero-o ardente,<br />Possuidor.<br />Frouxos estão<br />Meus lamentos.<br />Tardas.<br />Não queres voltar?<br />Estás farto de amor,<br />Ou tens pouco para dar?<br />Vem.<br />Preciso de teus beijos<br />Longos, gananciosos.<br />Quero sorver vida<br />Através de tua boca.<br />Chama-me louca,<br />Aventureira,<br />Presa fácil...<br />Estás indeciso?<br />Queres uma pousada segura,<br />Ou não crês nas minhas oferendas?<br />Vem.<br />Encontrarás o que procuras:<br />Casa, conforto, roupa macia,<br />Comida farta, carinho<br />E uma cama ardente.<br />Vem.<br />Pousa tua teimosia<br />Na minha solidão.<br />Vem.<br />Há sempre uma vaga<br />Na minha pousada.<br />Vem.<br />Espero tua chegada...<br /><br /><br /><br />Cleri Aparecida Biotto Bucioli (Poetisa Brasileira)<br /><br>Susana B.http://www.blogger.com/profile/15940534382532256431noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-30219155.post-15344964576845728692008-06-27T12:36:00.002+01:002008-06-27T12:39:42.018+01:00Ludwig van Beethoven - Carta de Amor<br><div style="text-align: justify;">7 de Julho<br /><br />Bom dia! Todavia, na cama se multiplicam os meus pensamentos em ti, minha amada imortal; tão alegres como tristes, esperando ver se o destino quer ouvir-nos. Viver sozinho é-me possível, ou inteiramente contigo, ou completamente sem ti. Quero ir bem longe até que possa voar para os teus braços e sentir-me num lugar que seja só nosso, podendo enviar a minha alma ao reino dos espíritos envolta contigo. Tu concordarás comigo, tanto mais que conheces a minha fidelidade, e que nunca nenhuma outra possuirá meu coração; nunca, nunca… Oh, Deus! Por que viver separados, quando se ama assim?<br /><br />Minha vida, o mesmo aqui que em Viena: sentindo-me só, angustiado. Tu, amor, tens-me feito ao mesmo tempo o ser mais feliz e o mais infeliz. Há muito tempo que preciso de uma certeza na minha vida. Não seria uma definição quanto ao nosso relacionamento?… Anjo, acabo de saber que o correio sai todos os dias. E isso me faz pensar que tu receberás a carta em seguida.<br /><br />Fica tranquila. Contemplando com confiança a nossa vida alcançaremos o nosso objectivo de vivermos juntos. Fica tranquila, queiras-me. Hoje e sempre, quanta ansiedade e quantas lágrimas pensando em ti… em ti… em ti, minha vida… meu tudo! Adeus… queiras-me sempre! Não duvides jamais do fiel coração de teu enamorado Ludwig.<br /><br />Eternamente teu, <br />eternamente minha, <br />eternamente nossos.<br /><br /><br /><br />Ludwig van Beethoven (Compositor Erudito Alemão, 1770—1827)<br /></div><br /><br>Susana B.http://www.blogger.com/profile/15940534382532256431noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-30219155.post-59526254002964350352008-06-18T01:11:00.003+01:002008-06-18T01:26:20.424+01:00Fui de...<br><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_642zXmPL27U/SFhVlWoBiGI/AAAAAAAABHg/SknlqapRNzI/s1600-h/ferias.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp0.blogger.com/_642zXmPL27U/SFhVlWoBiGI/AAAAAAAABHg/SknlqapRNzI/s400/ferias.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5213010668898322530" border="0" /></a><br /><div style="text-align: center;"><span style="font-size:130%;"> </span><span style="font-weight: bold; color: rgb(204, 0, 0);font-size:130%;" >Estarei por estas bandas...<br /><br /><br /></span><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_642zXmPL27U/SFhV7HHdc9I/AAAAAAAABHo/iohsGATnMYQ/s1600-h/barcelona.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp3.blogger.com/_642zXmPL27U/SFhV7HHdc9I/AAAAAAAABHo/iohsGATnMYQ/s400/barcelona.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5213011042692330450" border="0" /></a><br /><span style="font-weight: bold; color: rgb(204, 0, 0);font-size:130%;" >Adeus...e até ao meu regresso!!<br />Beijinhos a todos.<br /><br /></span></div><br /><br>Susana B.http://www.blogger.com/profile/15940534382532256431noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-30219155.post-86872043902884689812008-06-18T00:13:00.003+01:002008-06-18T00:50:35.381+01:00Paulo Afonso Ramos - Poema Imperfeito<br><br />Num fogo rendilhado<br />entre as brumas e ventos<br />deixei perdidos os meus momentos<br />ficaram caídos, esquecidos nos meus dias.<br />Perdi-me nas aguarelas<br />entre pincéis e telas<br />dos poeirentos quadros<br />entre apertos e alegrias<br />em que me deixei seduzir<br />entre estéreis estrias.<br /><br />Ainda assim, refeito, volto<br />renovado e sem amarras<br />para recomeçar o meu caminho.<br />Nem que lute sozinho<br />com as minhas garras<br />sem que tu, imperfeição, que me agarras<br />possas travar-me, impedir.<br />Trago-vos um recado<br />que é este poema sem pecado, inacabado<br />é dentro dele que vou sempre existir. <br /><br /><br /><br />Paulo Afonso Ramos (Poeta Português que publica <a href="http://poesiadepauloafonso.blogspot.com/">aqui</a>)<br /><br>Susana B.http://www.blogger.com/profile/15940534382532256431noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-30219155.post-75784855128050718702008-06-13T21:09:00.002+01:002008-08-27T16:30:26.117+01:00Luís Miguel Nava - As ondas que se encontram<br><br />As ondas que se encontram<br />ainda agora em formação no espírito<br />dele já não vêm rebentar ao meu.<br /><br />Por mim não volto a vê-lo, encontros houve<br />com ele dos quais a alma ficou cheia de dedadas.<br /><br />Já nem sequer dele quero ouvir falar,<br />saber que se ele<br />fosse uma cama estaria por fazer nada me traz<br />agora além de desconforto.<br /><br /><br /><br />Luís Miguel Nava (Poeta português, 1957- )<br /><br /><br>Susana B.http://www.blogger.com/profile/15940534382532256431noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-30219155.post-59990251337155777242008-06-11T23:19:00.003+01:002008-06-18T00:59:27.842+01:00Paulo Afonso Ramos - Momento<br><br /><div style="text-align: center;"><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_642zXmPL27U/SFhPe_URdCI/AAAAAAAABHY/BqKDT63kkhI/s1600-h/angela+berlinde.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_642zXmPL27U/SFhPe_URdCI/AAAAAAAABHY/BqKDT63kkhI/s400/angela+berlinde.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5213003962492482594" border="0" /></a><span style="font-size:78%;">Foto: Angela Berlinde</span><br /></div><br /><br /><br />Toco nos teus cabelos de solidão<br />com os meus dedos enfeitiçados de amor<br />procurando sentir a tua candura<br />e encontro-te, incerta, coberta de paixão<br />postada nua e incrivelmente pura<br />liberta, assim, de qualquer ignóbil dor.<br />Toco no teu rosto cândido<br />de uma imensa expressão<br />reflectido, por vezes, perdido<br />outras vezes lavado em emoção.<br />Toco no teu corpo sedento<br />construindo o nosso momento<br />que guardaremos no baú da recordação.<br />Toco num só corpo onde cresce o querer<br />confundo os corpos unidos pela vida<br />somos um só para amadurecer.<br />Cruzados num tempo da razão<br />descobrimos um só caminho<br />e é nesse momento que o percorremos devagarinho. <br /><br /><br /><br />Paulo Afonso Ramos (Poeta Português que publica <a href="http://poesiadepauloafonso.blogspot.com/">aqui</a>)<br /><br>Susana B.http://www.blogger.com/profile/15940534382532256431noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-30219155.post-27234421305200478182008-06-09T10:14:00.002+01:002008-06-18T01:10:50.090+01:00Octavio Roggiero Neto - Kama Sutra<br><br />nada como a nossa cama<br />pra inventarmos louco abraço:<br />é nela que a gente se ama,<br />confundindo perna e braço.<br /><br /><br /><br />Octavio Roggiero Neto (Poeta brasileiro que publica <a href="http://primiciaspoeticas.blogspot.com/">aqui</a>)<br /><br>Susana B.http://www.blogger.com/profile/15940534382532256431noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-30219155.post-2907098773824060192008-06-06T10:09:00.002+01:002008-06-18T00:43:17.638+01:00Sara Silva - A minha vida é uma odisseia<br><br />A minha vida é uma odisseia, uma cruzada<br />Na busca da essência perfeita,<br />Do beijo avassalador, do brilho vibrante,<br />Do coração de propulsão extrema,<br />Da alma gémea também ela incompleta.<br /><br />Procurei entre amigos e conhecidos<br />Numa busca sem fim nem sentido.<br />Sonhei com o dia em que nos encontrávamos<br />E juras de amor trocávamos.<br />Cansei-me de falar de ti ao mar,<br />De contar ao sol como te amo<br />E de pedir ás estrelas conforto<br />Por não te ter a meu lado.<br /><br />Não te conheço, mas sei que um dia<br />O destino te trará até mim.<br />E só nesse momento poderei dizer<br />A palavra: AMO-TE!!!!<br /><br /><br /><br />Sara Silva (Poetisa portuguesa, 1990- )<br /><br>Susana B.http://www.blogger.com/profile/15940534382532256431noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-30219155.post-3674461600386829292008-06-04T16:05:00.003+01:002008-06-15T04:02:58.371+01:00Jorge Gaitán Durán - AMANTES II<br><br />Desnudos afrentamos el cuerpo<br />como dos ángeles equivocados,<br />como dos soles rojos en un bosque oscuro,<br />como dos vampiros al alzarse el día,<br />labios que buscan la joya del instante entre dos muslos,<br />boca que busca la boca, estatuas erguidas<br />que en la piedra inventan el beso<br />sólo para que un relámpago de sangres juntas<br />cruce la invencible muerte que nos llama.<br />De pie como perezosos árboles en el estío,<br />sentados como dioses ebrios<br />para que me abrasen en el polvo tus dos astros,<br />tendidos como guerreros de dos patrias que el alba separa,<br />en tu cuerpo soy el incendio del ser.<br /><br /><br /><br /><span style="font-weight:bold;">Amantes II</span><br /><br /><br />Despidos enfrentamos o corpo<br />Como dois anjos equivocados,<br />Como dois sóis roxos num bosque escuro,<br />Como dois vampiros ao se fazer o dia,<br />Lábios que buscam a jóia do instante entre dois músculos,<br />Boca que busca a boca, estátuas erguidas<br />Que na pedra inventam o beijo<br />Somente para que um relâmpago de sangue juntas<br />Cruze a invencível morte que nos chama.<br />De pé como pesarosas árvores no estio,<br />Sentados como deuses ébrios<br />Para que me abracem como um polvo teus dois astros,<br />Estendidos como guerreiros de duas pátrias que o amanhecer separa,<br />No teu corpo sou o incêndio do ser.<br /><br /><br /><br />Jorge Gaitán Durán (Poeta Colombiano, 1924-1954)<br /><br />Tradução: <a href="http://serpoeta.blogspot.com/">Silvio Persivo</a> <br /><br>Susana B.http://www.blogger.com/profile/15940534382532256431noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-30219155.post-8564021709937822282008-05-30T12:03:00.002+01:002008-06-01T18:00:53.069+01:00António Salvado - Antinomias<br><br />Prendes num dia o que desligas noutro, <br />e entre o não e o sim não há meio termo: <br />o passo dado em frente com desvelo <br />revolta após por pouco duradouro. <br /><br />Negas agora mas depois afirmas <br />e quando afirmas saberás negar: <br />ponteiro de um relógio que não gira <br />e quando gira é como se parasse. <br /><br />Um cão fiel à infidelidade: <br />um infiel fazendo a guerra santa <br />com tanta santidade e temperança <br />que se desdiz ao prosseguir p'ra trás.<br /><br /><br /><br />António Salvado (Poeta, ensaísta, antologiador, crítico, director de publicações português)<br /><br>Susana B.http://www.blogger.com/profile/15940534382532256431noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-30219155.post-76361892161030975752008-05-26T01:27:00.003+01:002008-05-26T01:41:57.037+01:00Adriana Calcanhoto - Vambora<br><br /><object width="425" height="355"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/6XQYORjfp3w&hl=en"></param><param name="wmode" value="transparent"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/6XQYORjfp3w&hl=en" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"></embed></object><br /><br /><br /><br />Entre por essa porta agora<br />E diga que me adora<br />Você tem meia hora<br />Prá mudar a minha vida<br />Vem, vambora<br />Que o que você demora<br />É o que o tempo leva...<br /><br />Ainda tem o seu perfume<br />Pela casa<br />Ainda tem você na sala<br />Porque meu coração dispara?<br />Quando tem o seu cheiro<br />Dentro de um livro<br />Dentro da noite veloz...<br /><br />Ainda tem o seu perfume<br />Pela casa<br />Ainda tem você na sala<br />Porque meu coração dispara?<br />Quando tem o seu cheiro<br />Dentro de um livro<br />Na cinza das horas...<br /><br /><br /><br />Adriana Calcanhotto (Cantora, compositora e letrista brasileira, 1965- )<br /><br>Susana B.http://www.blogger.com/profile/15940534382532256431noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-30219155.post-88755317067746165002008-05-21T22:36:00.003+01:002008-05-25T02:25:35.766+01:00Sílvia Chueire - há um corpo<br><br /><div style="text-align: center;"><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_642zXmPL27U/SDi_5136_2I/AAAAAAAABE0/kILr9HHQ8Bw/s1600-h/Nikola+Borissov.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp3.blogger.com/_642zXmPL27U/SDi_5136_2I/AAAAAAAABE0/kILr9HHQ8Bw/s400/Nikola+Borissov.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5204120369861689186" border="0" /></a><span style="font-size:78%;">Foto: Nikola Borissov</span><br /></div><br /><br /><br />há um corpo à tua espera<br />um corpo e um conjunto de signos<br />nas mãos espalmadas<br />a te oferecerem o riso,<br />as avencas na pele,<br />o perfume.<br /><br />há um corpo, um copo de vinho<br />ao pé da lareira,<br />no silêncio do lume.<br /><br /><br /><br />Silvia Chueire (Poeta e psiquiatra brasileira, autora do blog <a href="http://eugeniainthemeadow.blogspot.com/2008/04/h-um-corpo.html">In The Meadow</a>)<br /><br>Susana B.http://www.blogger.com/profile/15940534382532256431noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-30219155.post-48124530087464988582008-05-19T12:14:00.002+01:002008-05-20T23:44:45.779+01:00Carlos Drummond de Andrade - O chão é cama<br><br />O chão é cama para o amor urgente,<br />amor que não espera ir para a cama.<br />Sobre tapete ou duro piso, a gente<br />compõe de corpo e corpo a úmida trama.<br /><br />E para repousar do amor, vamos à cama.<br /><br /><br /><br />Carlos Drummond de Andrade (Poeta Brasileiro, 1902-1987)<br /><br>Susana B.http://www.blogger.com/profile/15940534382532256431noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-30219155.post-34435326539601520042008-05-16T12:52:00.001+01:002008-05-20T23:16:58.214+01:00Lara Santos - Hoje a noite não tem fim.Hoje a noite não tem fim.<br />Os minutos não passam,<br />Choram a tua ausência...<br />Sobrevivem apenas numa vaga melodia,<br />Que os embala e ao mesmo tempo os atrasa...<br /><br />Dentro de mim ainda te oiço<br />Pois regresso aos caminhos<br />Por onde passaram os ecos perdidos da tua voz,<br />E por onde os teus olhos tranquilos<br />Deixaram os claros silêncios entre nós...<br /><br />Vens no canto das aves, na espuma das ondas<br />És o canto do vento, luzes e sombras<br />Moves o ar em redor...<br />És a musica suave, o meu segredo mais querido<br />A minha dor no sustento,és o meu porto de abrigo,<br />És a memória do amor....guardo-te.<br /><br /><br /><br /><br />Lara SantosSusana B.http://www.blogger.com/profile/15940534382532256431noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-30219155.post-42928309314668314882008-05-14T22:01:00.003+01:002008-05-20T22:29:00.141+01:00Joaquim Pessoa - Não vou pôr-te flores de laranjeira no cabelo<br><br />Não vou pôr-te flores de laranjeira no cabelo<br />nem fazer explodir a madrugada nos teus olhos.<br /><br />Eu quero apenas amar-te lentamente<br />como se todo o tempo fosse nosso<br />como se todo o tempo fosse pouco<br />como se nem sequer houvesse tempo.<br /><br />Soltar os teus seios.<br />Despir as tuas ancas.<br />Apunhalar de amor o teu ventre.<br /><br /><br /><br />Joaquim Pessoa (Poeta português, 1948- )<br /><br>Susana B.http://www.blogger.com/profile/15940534382532256431noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-30219155.post-52017131244281771952008-05-12T14:30:00.005+01:002008-05-12T14:40:25.921+01:00Bruno Kampel - Mulher<br><br /><div style="text-align: center;"><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_642zXmPL27U/SChIbC3yzOI/AAAAAAAABEs/6SMnN7kEmwk/s1600-h/sigourney-weaver01.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp0.blogger.com/_642zXmPL27U/SChIbC3yzOI/AAAAAAAABEs/6SMnN7kEmwk/s400/sigourney-weaver01.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5199485399263792354" border="0" /></a><span style="font-size:78%;">Foto: Sigourney Weaver, Autor desconhecido</span><br /></div><br /><br /><br />Não quero uma mulher<br />Que seja gorda ou magra<br />Ou alta ou baixa<br />Ou isto e aquilo.<br /><br />Não quero uma mulher<br />Mas sim um porto, uma esquina<br />Onde virar a vida e olhá-la<br />De dentro para fora.<br /><br />Não espero uma mulher<br />Mas um barco que me navegue<br />Uma tempestade que me aflija<br />Uma sensualidade que me altere<br />Uma serenidade que me nine.<br /><br />Não sonho uma mulher<br />Mas um grito de prazer<br />Saindo da boca pendurada<br />No rosto emoldurado<br />No corpo que se apoie<br />Nas pernas que me abracem.<br /><br />Não sonho nem espero<br />Nem quero uma mulher<br />Mas exijo aos meus devaneios<br />Que encontrem a única<br />Que quero sonho e espero<br />Não uma, mas ela.<br /><br />E sei onde se esconde<br />E conheço-lhe as senhas<br />Que a definem. O sexo<br />Ardente, a volúpia estridente<br />A carência do espasmo<br />O Amor com o dedo no gatilho.<br /><br />Só quero essa mulher<br />Com todos seus desertos<br />Onde descansar a minha pele<br />Exausta e a minha boca sedenta<br />E a minha vontade faminta<br />E a minha urgência aflita<br />E a minha lágrima austera<br />E a minha ternura eloquente.<br /><br />Sim, essa mulher que me excite<br />Os vinte e nove sentidos<br />A única a saber<br />O que dizer<br />Como fazer<br />Quando parar<br />Onde Esperar.<br /><br />Essa a mulher que espero<br />E não espero<br />Que quero e não quero<br />Essa mulherportoesquina<br />Que desejo e não desejo<br />Que outro a tenha.<br /><br />Que seja alta ou baixa<br />Isto ou aquilo<br />Mas que seja ela<br />Aquela que seja minha<br />E eu seja dela<br />Que seja eu e ela<br />Euela eu lá nela<br />Que sejamos ela.<br /><br />E eu então terei encontrado<br />A mulher que não procuro<br />O barco, a esquina, Você.<br />Sim, você, que espreita<br />Do outro lado da esquina, no cais,<br />A chegada do marinheiro<br />Como quem apenas me espera.<br /><br /><br /><br />Então nos amarraremos sem vergonha<br />À luz dos holofotes dos teus olhos,<br />E procriaremos gritos e gemidos<br />Que iluminarão todas as esquinas.<br /><br />Será o momento de dizer<br />Achei/achamos amei/amamos<br />E por primeira vez vocalizar o<br />Somos, pluralizando-nos<br />Na emoção do encontro.<br /><br />Essa a mulher<br />que não procuro<br />nem espero.<br />Você, viu? Você!<br /><br /><br /><br />Bruno Kampel (Analista Político, Poeta e Escritor Brasileiro, 1944- )<br /><br>Susana B.http://www.blogger.com/profile/15940534382532256431noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-30219155.post-22944858259774699022008-05-09T13:17:00.003+01:002008-05-12T14:48:06.236+01:00Bruno Kampel - Dizer<br><br />Dizer<br />Sem Palavras<br />Amar<br />sem vírgulas<br />Sofrer<br />sem sintaxe<br />Viver<br />sem Parêntese<br />Sublinhando<br />o gesto<br />Acentuando<br />o tempo.<br />Conjugando<br />o resto.<br /><br /><br /><br />Bruno Kampel (Analista Político, Poeta e Escritor Brasileiro, 1944- )<br /><br>Susana B.http://www.blogger.com/profile/15940534382532256431noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-30219155.post-19923732622928200472008-05-07T18:02:00.003+01:002008-05-12T15:03:24.732+01:00Líria Porto - (des)conecta<br><br />a tua e a minha pele<br />assim como nossas almas<br />fazem um tal encaixe<br />que às vezes eu me pergunto<br />porque o céu nos nega<br />a eternidade<br />desta engrenagem<br /><br />quando não vens<br />quando me faltas<br />fico a vasculhar segredos<br />a entrelaçar meus medos<br />nos teus recados<br /><br /><br /><br />Líria Porto (Poetisa brasileira que publica <a href="http://liriaporto.blogspot.com/">aqui</a>)<br /><br>Susana B.http://www.blogger.com/profile/15940534382532256431noreply@blogger.com