tag:blogger.com,1999:blog-293738792009-07-19T21:19:52.351-03:00Não analisa nãoSarah Toledohttp://www.blogger.com/profile/02059782805031588651noreply@blogger.comBlogger128125tag:blogger.com,1999:blog-29373879.post-4922636368251890272009-07-19T20:47:00.003-03:002009-07-19T21:19:52.461-03:00Lar doce lar...<div align="justify">A senhora na poltrona ao lado estava mesmo incomodada. Se movimentava o tempo todo, olhava as horas, mexia na bolsa... Fiquei a pensar que ela deveria estar com muita pressa para chegar, talvez tivesse um compromisso, talvez estivesse atrasada. Afinal, uma viagem de 3h não é algo insuportável. É uma viagem até curta (fiquei lembrando que para ir até a cidade onde minha irmã mora, em Minas, são 13h!). Eu tentava me concentrar para não ficar enjoada. Descer a serra não é nada agradável, essa estrada com um milhão de curvas. Então não tinha como não observar a impaciência da senhora que estava ao meu lado. Ela virou minha distração durante boa parte do caminho. </div><div align="justify"></div><div align="justify"><br />Quando chegamos percebi que sua impaciência não era porque estava atrasada, ou porque tinha um compromisso marcado, mas era apenas saudade do seu lugar. Foi o ônibus começar a entrar da rodoviária para ela dizer "Ah, finalmente na minha cidade linda!". Achei curioso. A cidade realmente tem um centro bonitinho, mas não chega a ser linda. E é uma cidade pequena, sem muito o que fazer a não ser os restaurantes, cafés e, um pouco mais longe, a praia. Mas fiquei animada ao ver a alegria dela em voltar para casa. Me lembrei de todas as vezes que viajei e como me senti ao voltar. Essa sensação de conhecimento, pertencimento. </div><div align="justify"></div><div align="justify"><br />Na verdade, me parece que a saudade é mais dessa sensação que da própria cidade. Não é bom voltar somente por voltar, mas porque então retoma-se a rotina, sente-se que é parte da cidade, de alguma forma... Eu posso dizer isso talvez com um pouco de propriedade, pois já morei em três cidades diferentes e, dentro delas, em vários bairros diferentes. E a sensação é sempre a mesma. Ou seja, não importa muito o lugar. Essa semana, quando voltava a São Paulo, louca para dormir na minha cama e ficar perto dos meus livros (sim, eu tenho saudade deles), me lembrei da senhora que estava ao meu lado na ida. Foi impossível dizer a mesma frase que ela estando parada durante um pouco mais de uma hora no trânsito da Marginal Tietê. Trânsito que me recordou o motivo pelo qual eu odeio esta cidade na maioria das vezes. Mas a sensação certamente era a mesma daquela senhora. </div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29373879-492263636825189027?l=semvoar.blogspot.com'/></div>Sarah Toledohttp://www.blogger.com/profile/02059782805031588651noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-29373879.post-89705776178443572142009-07-05T22:02:00.001-03:002009-07-05T22:07:08.682-03:00Meu amigo imaginário<p align="justify">Quando eu era criança, tinha um amigo imaginário. O nome dele era Alfredo. Não me lembro exatamente o porquê do nome, acho que li em algum livro. O Alfredo era legal. Meu melhor amigo. Ele sempre tinha alguma coisa para falar. Contava suas histórias, fazia piadinhas, brigava comigo, me esperava do lado de fora quando eu entrava no guarda-roupas para chorar... E quando eu saía ele dizia que um diga eu ia ficar claustrofóbica, como que para me fazer rir. Pior que ele acertou.<br /><br />Alfredo foi meu amigo durante uns dois anos. Depois disso ele desapareceu, sem nem se despedir. Confesso que eu também não fiz questão de procurá-lo mais. Mas quando procurava um canto para chorar, me lembrava dele. E pensava o quão idiota eu era por ter falado sozinha tantas vezes, mentindo para mim mesma que conversava com alguém que existia. Esses dias me lembrei de Alfredo. E me senti idiota por achar, antes, que eu era idiota.<br /><br />Quando crescemos um pouco, achamos ridículo o que fizemos na infância. Quando crescemos um pouco mais, a vontade que dá é de poder voltar a fazer certas coisas, brincar, conseguir imaginar... Sei que, por mais que eu tente encontrar o Alfredo hoje, não conseguirei. Ou, se conseguir, não será a mesma coisa. Mas sei que ele me diria: "É o ruim de ser adulto. Tudo o que é belo se perde."</p><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29373879-8970577617844357214?l=semvoar.blogspot.com'/></div>Sarah Toledohttp://www.blogger.com/profile/02059782805031588651noreply@blogger.com8tag:blogger.com,1999:blog-29373879.post-84728170532280590182009-06-30T12:20:00.005-03:002009-06-30T13:20:39.531-03:00Selo, Homo sapiens, #forasarney<div align="justify">Pessoas! Eu aviso sobre meu retorno e desapareço por mais uns dias. Me desculpem. Foram duas semanas corridíssimas por causa do fim do semestre. Se tudo der certo, sexta-feira estarei de férias. Torçam por isso, estou com problemas em um dos cursos, o que não é nada agradável. De qualquer modo, hoje estou aqui para falar sobre algumas coisas rápidas.<br /><br />Há um tempinho atrás, enquanto eu ainda estava ausente, o <a href="http://pgnotfound.blogspot.com/">Mauri</a> indicou um selo ao meu blog. Eu fiquei bem feliz ao ver que, mesmo parado, meu blog recebe algum tipo de reconhecimento. (rs) Ainda me pergunto o que faz com que algumas pessoas gostem daqui, mas acho melhor não fazer isso. Basta ver a atenção e carinho de vocês. Obrigada, Mauri, pela indicação. Por fazer já tanto tempo, eu não vou repassar para ninguém. Mas saibam, amigos blogueiros (links ao lado), que todos merecem. O selo é este: </div><div align="justify"><br /></div><br><div align="justify"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5353142665890056178" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 156px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_GHdXdZ3XQv8/Skou5HhdR_I/AAAAAAAAAHs/ioTmbPg9DFo/s320/selo.jpg" border="0" /></div><p align="justify"></p><p align="justify"><br>Foi pedido aos indicados que falassem sua definição do que é o <em>Homo sapiens. </em>Caramba! Que coisa difícil! Quando pensei em responder, até pensei em dizer algumas coisas legais, bonitinhas e tal. Mas, nos últimos dias, meu pessimismo com relação ao ser humano aumentou de forma considerável. Digo o motivo. Vendo algumas discussões no <a href="http://www.dotgospel.com/forum/">fórum</a> que participo, percebo como o homem pode ser totalmente intolerante diante de opiniões e valores diferentes dos seus. Como se apenas os seus próprios fossem corretos. Quando digo intolerância não é simplesmente não aceitar as diferenças, mas tratar com enorme falta de respeito quem é diferente. O mais triste é ver isso por parte daqueles que se dizem cristãos. Eles dão uma verdadeira lição do que é NÃO SER um cristão. O que me conforta um pouco é ver, por outro lado, aqueles que conseguem ser racionais o suficiente pra separar opiniões de direitos, por exemplo. Aqueles que são capazes de realmente entender a mensagem deixadas por Cristo, que não é nada além de amar as pessoas, independetemente de quem elas sejam.</p><p align="justify"><br>Além disso, mudando de assunto, tenho acompanhado as novidades sobre a crise no senado. E me revolta (muito!) que as coisas se repitam dessa forma. E se repitam mesmo. Quer dizer, o que o Sarney ainda está fazendo no meio da nossa política? E se está, o que nós estamos fazendo pra que ele não esteja mais? Toda essa apatia e conformidade me incomoda bastante. E estudar Política na faculdade para depois ver como as coisas são de fato, é revoltante. E quase me deixam doente... Mas o que me conforta com relação a isso é ver que existem pessoas dispostas a fazer algo. No Twitter está acontecendo uma movimentação contra todos os acontecimentos chamada <a href="http://twitter.com/forasarney">Fora Sarney</a>. Os usuários do Twitter trocam notícias e comentários sobre o assunto e isso parece estar chamando a atenção, o que é muito bom. Além disso, amanhã, dia 01/07, ocorrerá uma movimentação prática na Avenida Paulista (todos os que quiserem e puderem participar, vão!) desse mesmo movimento. </p><p align="justify"><br>Acho que, de forma geral, eu poderia definir o ser humano como alguém egoísta, instável e que não se importa, definitivamente, com os outros. Mas seria generalizar demais. Exceções (e não são poucas) mostram que meu pessimismo pode diminuir. E eu espero que realmente seja assim.</p><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29373879-8472817053228059018?l=semvoar.blogspot.com'/></div>Sarah Toledohttp://www.blogger.com/profile/02059782805031588651noreply@blogger.com7tag:blogger.com,1999:blog-29373879.post-63934030930072720662009-06-14T21:47:00.002-03:002009-06-14T22:34:50.769-03:00Eis que...<div align="justify">"Olha, olha! Espere... Não! É verdade! Sim, ela voltou! Isso é bom ou ruim? Digam vocês."</div><div align="justify"> </div><div align="justify"><br>Essa foi a reação da minha amiga Samara Morgan ao saber que eu estou de volta com o blog. Sim, eu voltei. Com a promessa de responder todos os comentários deixados, visitar os blogs amigos e, obviamente, com novas postagens. Obrigada a todos pelos recadinhos. Minha ausência, como vocês sabem, não foi apenas pela falta de internet, então todas as manifestações de atenção para com minha pessoa muito me alegraram! </div><div align="justify"> </div><div align="justify"><br>Nesse post, apenas o aviso de retorno. E um abraço bem grandão em todos.</div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29373879-6393403093007272066?l=semvoar.blogspot.com'/></div>Sarah Toledohttp://www.blogger.com/profile/02059782805031588651noreply@blogger.com4tag:blogger.com,1999:blog-29373879.post-15387673746713866882009-05-08T12:59:00.002-03:002009-05-08T13:05:57.915-03:00Pausa<p align="justify">O blog está aos ventos. Não pensem que eu não percebi isso. Tenho lido os comentários que recebi no meu último post e em posts anteriores (alguns bem antigos). Prometo responder a todos em breve e visitar os que passaram no meu humilde cantinho na Internet. Qual a justificativa para o abandono? Nenhuma, na verdade. Só quis dar uma pausa. Precisei dar uma pausa. Colocar as ideias no lugar, tirar outras, diminuir minhas tarefas diárias, semanais, mensais. O blog não tem culpa de ter a dona que tem.</p><p align="justify"><br>E então, quando decidi voltar, fiquei completamente sem Internet (pela milésima vez). Aí pensei: “Bem, já que é assim, vou estender a pausa.” E parei de pensar em coisas que não dizem respeito aos estudos. Não tanto por vontade própria, mas porque me atolei entre provas e trabalhos. Ainda estou sem Internet e ainda estou atolada, então minha volta não é para já. Mas eu volto. Em breve. É uma promessa. E eu procuro cumprir as promessas que faço. </p><p align="justify"><br>Se existe algum louco o suficiente para desejar ler um post meu, anuncio que agora participo de outro blog também. É o <a href="http://garotasincomuns.wordpress.com/">Garotas (In) Comuns</a>. Como vocês podem imaginar, é um blog só de meninas. Que aborda diversos assuntos sob diferentes pontos de vistas. Porque nós somos realmente bem diferentes. Mas tão (in) comuns quanto qualquer um. Meu dia de postagem é o sábado. Mas eu espero que vocês leiam todos os dias e deixem por lá seus comentários. E espero que gostem. </p><p align="justify"><br>Espero que todos estejam bem e que, diferentemente de mim, estejam escrevendo. Faz bem. Um grande abraço e até a volta!</p><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29373879-1538767374671386688?l=semvoar.blogspot.com'/></div>Sarah Toledohttp://www.blogger.com/profile/02059782805031588651noreply@blogger.com9tag:blogger.com,1999:blog-29373879.post-36405676984686640742009-03-27T23:50:00.002-03:002009-03-28T00:42:46.556-03:00Minha essência<div align="justify">Talvez eu nunca tenha escrito um post tão pessoal quanto esse. E talvez eu não volte mais a escrever outro parecido (isso é muito provável, na verdade). Mas hoje eu me sentei aqui à frente do computador sem sequer pretender atualizar o blog, por não ter nada mesmo o que postar, e por algum tipo de impulso resolvi vir aqui escrever. Em certos momentos esses impulsos me assustam... Mas deixa eu começar falando sobre o que pensei quando entrei aqui, porque esse post também será, acho, um pouco longo.</div><div align="justify"> </div><div align="justify"><br>Há uns dias atrás eu comentava aqui em casa sobre algumas coisas que penso para o meu futuro. Uma dessas coisas é passar um tempo, mesmo que poucos meses, fora do Brasil. Estudando, de preferência. É fato que depois que comecei na faculdade, meus objetivos de vida (que não são muitos, porque eu detesto planejar o futuro, acho algo sem sentido e inútil) têm se voltado para coisas relacionadas ao meu curso, ao meu futuro acadêmico, já que pretendo seguir a área de pesquisa, e até mesmo à minha própria satisfação pessoal em conhecer outros pensamentos, outros lugares. Quando comentei sobre isso, minha irmã, um pouco indignada, me perguntou onde isso iria me levar. Bem, minha bola de cristal anda um pouco defeituosa ultimamente. O que ela quis expressar com esse comentário foi a preocupação dela com minha vida "espiritual". Eu sei, porque não é só ela em minha casa que acha que eu deixei de acreditar em Deus, ou qualquer coisa do tipo, só porque não frequento uma igreja. Não quero entrar nesse assunto, mas garanto que minha ausência em qualquer igreja não tem relação com minha fé em Deus, ou minha (tentativa de) vida cristã. Muito ao contrário. O que ela me disse foi que isso, esses meus vagos planos com relação à minha vida não deveriam ser minha essência.</div><div align="justify"> </div><div align="justify"><br>Essência. Acho que às vezes usamos essa palavra de forma um pouco equivocada. Um certo tipo de banalização. Mas eu fiquei pensando nessa palavra e no que realmente ela quer dizer. Na minha essência, ou seja, o que faz com que eu seja quem eu sou, basicamente. Não que eu tivesse algum tipo de dúvida sobre qual é a minha essência, mas como não me permitir esquecer, é possível entender isso? Mesmo que outras pessoas não saibam ou não percebam qual ela seja... Enfim, foram momentos interessantes de reflexão.</div><div align="justify"> </div><div align="justify"><br>E então chegou essa semana. Essa foi uma das minhas semanas mais longas e mais cansativas que eu consigo lembrar. E posso dizer que uma das mais frustrantes. Eu esperava por uma reunião, na qual eu tinha esperança com relação a determinada coisa (não vale a pena entrar em detalhes) que não se concretizou. Eu sabia que isso poderia acontecer, eu sabia que infelizmente tudo poderia não funcionar da forma como eu desejava, e eu não achei injusto. E eu sei que nada é definitivo. Mas ainda assim eu me frustrei. Fiquei e estou triste. Como "desgraça pouca é bobagem", para finalizar bem a semana, hoje roubaram meu telefone celular. Da maneira mais idiota possível. Foi de manhã. Consegui passar o dia consideravelmente bem, apesar do cansaço e dos acontecidos. Mas foi chegar em casa, tomar um banho e me sentar para pensar que desabei, como uma criança de seis anos. Pensando em como as coisas são incertas, passageiras, indefinidas, instáveis... E no quanto isso me assusta! Sim, acho que como qualquer pessoa "normal", eu tenho medo do futuro. Medo porque sei que as coisas nunca acontecerão como eu espero ou desejo, mesmo que aconteça da forma próxima ao que seria ideal na minha mente. E então fiquei mais triste.</div><div align="justify"> </div><div align="justify"><br>Foi quando ouvi minha mãe cantar algumas músicas do hinário, que ela gosta de cantar. E eu também gosto. Acho que já disse aqui em algum post o quanto acho as letras sinceras, bonitas. E uma das músicas era aquela "Sou feliz". Que começa assim: <em>"Se paz a mais doce eu puder desfrutar/ Se dor a mais forte sofrer/ Oh, seja o que for/ Tu me fazes saber/ Que feliz com Jesus sempre sou!" </em>Eu pensei: Que ridículo isso! Que ridículo pensar que sempre seremos felizes, quando a mensagem cristã diz exatamente que sofreremos. Que ingênuo pensar em ser feliz em qualquer circunstância, quando de uma só vez elas se mostram, de vários modos, decepcionantes! Eu, sinceramente, nunca acreditei que o Cristianismo trouxesse felicidade. Porém, quando pensei nesse trecho da música me toquei de uma coisa: o autor estava falando da <em>essência</em>. </div><div align="justify"> </div><div align="justify"><br>Isso não me alegrou. Fato. Novamente como qualquer pessoa "normal", eu preciso de um tempo pra lidar com acontecimentos desagradáveis. Mas me consolou, de algum modo. Me fez pensar que minha essência está acima que qualquer possível infortúnio da minha vida. Mesmo que muitas pessoas que leiam esse post não acreditem no mesmo que eu. Talvez alguém leia e nem acredite em Deus, ou talvez alguém em outro extremo acredite que tudo o que acontece é Ele manipulando nossa vida. Bem, eu não estou em nenhum dos dois lados. Sei que as coisas acontecem por atitudes nossas, mas acredito que Deus esteja de olho em todas elas. E penso, neste momento, que se eu ignoro isso, então esqueço a minha essência, que é o amor Dele. Eu realmente não me importo se isso soa abstrato. Não é para mim. E ainda bem que não é... </div><div align="justify"> </div><div align="justify"><br>Peço desculpas pela total digressão que é essa postagem. Na próxima, algum escrito habitual. </div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29373879-3640567698468664074?l=semvoar.blogspot.com'/></div>Sarah Toledohttp://www.blogger.com/profile/02059782805031588651noreply@blogger.com20tag:blogger.com,1999:blog-29373879.post-65975466813800061832009-03-15T20:42:00.003-03:002009-03-15T21:08:15.751-03:00Cegueira<div align="justify">Hoje, no ônibus, vi uma menina absolutamente linda. Um rosto que, certamente, até mesmo algumas modelos invejariam. Ela estava acompanhada da mãe, que a colocou sentada em uma das poltronas reservadas que, por sinal, era o último lugar disponível para sentar e a mãe ficou de pé. Eu estava sentada atrás e fiquei a pensar porque a mãe deixou a menina sentar e não o contrário. E ao prestar atenção nas duas percebi que a menina era cega. Isso se confirmou na conversa que se deu entre a mãe e a senhora sentada ao lado da menina, e depois ela própria. Ao descobrir que a menina (tinha cara de uns 16 anos) era cega, a senhora falou: Tadinha, tão jovem e bonita! Mas a moça mesmo disse que as coisas não tinham relação e que a vida dela estava bem adaptada à deficiência visual. Notei nela uma auto-confiança e gostei disso.</div><div align="justify"></div><div align="justify"><br>Me lembrei na hora do livro "Ensaio sobre a cegueira", do Saramago. Que nos faz questionar sobre qual cegueira exatamente ele trata. E fica óbvio que não é aquela física. Me lembrei não por causa da menina, mas pelo comentário da senhora, que provavelmente foi o meu primeiro pensamento e seria o da maioria das pessoas. Julgá-la como coitada por ser tão bela, porém cega. Exercendo neste momento uma cegueira espiritual, intelectual e até de valores.</div><div align="justify"></div><div align="justify"><br>Dá medo andar no escuro. Sem saber o que há pela frente, onde se apoiar, se for necessário. Não deve ser nada fácil para um cego se guiar, especialmente em uma cidade como esta. Mas existe uma coisa: ele está ciente de sua cegueira e, por isso, se adapta, modifica seu modo de vida e consegue se sair muito bem. O mesmo não acontece quando nos deparamos, de repente, na escuridão mental, por assim dizer. Não estamos adaptados e quase nunca queremos modificar a situação. E, como no livro, acabamos por encontrar muitos iguais a nós.</div><div align="justify"></div><div align="justify"><br>... E talvez quem menos imaginamos para tal tarefa passa a ser nosso guia.</div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29373879-6597546681380006183?l=semvoar.blogspot.com'/></div>Sarah Toledohttp://www.blogger.com/profile/02059782805031588651noreply@blogger.com8tag:blogger.com,1999:blog-29373879.post-60219786271328741702009-03-08T19:21:00.003-03:002009-03-08T19:31:32.675-03:00Torcida adversária<div style="text-align: justify;">Nunca tive nada contra o futebol. Ao contrário, sempre tive uma considerável simpatia e até tenho meus times preferidos. Mas em dias como hoje lembro-me de um amigo que odeia futebol e costuma dizer que esse é o vício mais alienante do brasileiro. Ele fica indignado com, por exemplo, os torcedores se unirem para reivindicar a saída de um dirigente do time, mas não fazem o mesmo com um político corrupto. Ou com as frequentes brigas que ocorrem entre as torcidas e que às vezes causam até mortes. Eu geralmente digo que as coisas não são bem assim (e não são), mas em dias como hoje, acabo concordando.<br /><br />Em São Paulo teve o clássico Corinthians x Palmeiras. E eu fico verdadeiramente assustada ao ver como as pessoas se alteram nesses momentos. Eram 10h:30min e eu acordei com um grito "É Palmeiras!" de alguém (um tanto quanto sem noção) que passou na rua. Um pouco antes do jogo ouvia-se discussões calorosas sobre quem iria ganhar, sem falar naquelas bombinhas insuportáveis. Durante o jogo, os corinthianos resolveram se reunir na rua para assistirem o jogo. Foi o inferno. E isso resume tudo. Pois em um dia de domingo a última coisa que se deseja é tal coisa na porta de casa, convenhamos.<br /><br />E é por isso que eu me lembro do que diz esse meu amigo, porque vejo uma movimentação enorme, pessoas fora de si, brigas por causa de UM jogo. Se fosse pelo menos o final do campeonato... E, de fato, é um pouco revoltante que para coisas extremamente importantes e que atingem diretamente a vida dessas pessoas, ninguém faça nada.<br /><br />Óbvio que isso é generalizar. Estou certa de que existem torcedores menos fanáticos e que o futebol é <span style="font-style: italic;">também</span> uma manifestação cultural e um modo de agir na (e, em alguns casos, pela) sociedade. Mas seria bom ter a mesma certeza de que ele não é um agente de alienação. E essa certeza eu não tenho.<br /></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29373879-6021978627132874170?l=semvoar.blogspot.com'/></div>Sarah Toledohttp://www.blogger.com/profile/02059782805031588651noreply@blogger.com5tag:blogger.com,1999:blog-29373879.post-90864282381797257372009-03-01T19:52:00.006-03:002009-03-01T20:22:44.519-03:00Sem o que dizer<div align="justify">Desde ontem pretendia atualizar o blog, mas não tenho o que dizer. Ok, talvez eu até tenha, mas nada sai do meu cérebro de forma coerente. Não sei se é pelo calor, ou porque meus pensamentos estão direcionados a algo que venho estudando, então nenhum pensamento sobre outro assunto consegue ser finalizado. Minhas férias acabaram oficialmente e volto, então, à minha rotina de passar em média cinco horas por dia no ônibus e atravessar a cidade para chegar à universidade. Tenho me acostumado a isso, acreditem ou não. Esse semestre será mais pesado, terei uma matéria no período da noite. Ainda bem que não será um semestre, afinal, já estamos em março. E se depender de alguns alunos fanáticos por greve, o tempo será ainda menor. </div><div align="justify"></div><div align="justify"><br />É provável que minha frequência em postar aqui diminua, ficarei sem internet não sei exatamente por quanto tempo, espero que seja pouco. Mas darei um jeito de passar por aqui. A vantagem de estudar a noite é que, não podendo voltar pra minha casa, vou para a casa da minha tia, uma vez por semana. De lá eu visito vocês. É, também eu estou cansada dessas idas e vindas da Internet. Um dia isso não acontecerá mais, quando tudo depender de mim (rs). </div><div align="justify"></div><div align="justify"><br />Para não deixar vocês sem algo interessante para ler, coloco um recorte de um dos textos que tive que ler no primeiro semestre do ano passado, em Sociologia. Não pensem que todos os textos são de fácil leitura, assim. Na verdade, nem esse mesmo é, mas essa parte é um tanto quanto poética sobre quem é o sociólogo. Quando li confirmei o que eu queria quando pretendi estudar Ciências Sociais: ser socióloga. Acontece que depois de alguns meses meus passos me levaram para a Antropologia, é onde estou atualmente e, se tudo der certo, a área onde meus estudos serão aprofundados. Encantem-se<em>.</em> </div><div align="justify"></div><div align="justify">______________________________________________</div><div align="justify"></div><div align="justify"></div><div align="justify"></div><div align="justify"><br /><br /><span style="color:#990000;">"Diríamos então que o sociólogo (isto é, aquele que realmente gostaríamos de convidar para nosso jogo) é uma pessoa intensa, interminável, desavergonhadamente interessada nos atos dos homens. Seu <em>habitat</em> natural consiste em todos os lugares de reunião humana, todo lugar em que homens se juntem. O sociólogo poderá estar interessado em muitas outras coisas. Mas seu interesse dominante será o mundo dos homens, suas instituições, sua história, suas paixões. E como ele se interessa por homens, nada que os homens façam poderá ser totalmente tedioso para ele. Ele se interesserá naturalmente pelos fatos que cativam as convicções supremas dos homens, seus momentos de tragédia, de grandeza e de êxtase. Mas também se sentirá fascinado pelo trivial, pelo cotidiano. Conhecerá a reverência, mas ela não o impedirá de querer ver e entender. Poderá às vezes sentir repugnância e desprezo. Mas isso não o afastará da resolução de encontrar respostas para suas perguntas. Em sua busca de conhecimento, o sociólogo caminha pelo mundo dos homens, sem respeitar as fronteiras costumeiras. Tanto a nobreza quanto a degradação, o poder e a obscuridade, a inteligência e a insensatez lhe são igualmente INTERESSANTES, por mais díspares que lhe sejam as posições que ocupem em sua escala pessoal de valores ou em seu gosto. Assim, suas perguntas poderão conduzi-lo a todos possíveis níveis da sociedade, aos mais respeitados e aos mais desprezados. E se ele for um bom sociólogo, ele estará presente em todos esses lugares porque suas próprias perguntas o obcecaram a tal ponto que lhe resta pouca alternativa senão procurar as respostas."</span></div><div align="justify"><span style="color:#990000;"></span></div><div align="center"><span style="color:#990000;"></span></div><div align="center"><br /><span style="color:#990000;">Peter Berger - Perspectivas Sociológicas - Uma visão humanística</span></div><div align="justify"></div><div align="justify"></div><div align="justify"></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29373879-9086428238179725737?l=semvoar.blogspot.com'/></div>Sarah Toledohttp://www.blogger.com/profile/02059782805031588651noreply@blogger.com6tag:blogger.com,1999:blog-29373879.post-84842661854942359742009-02-24T21:14:00.003-03:002009-02-24T21:39:27.438-03:00A maldita perseguição dos clássicos<div align="justify">Acabei de ler "Os irmãos Karamazovi", de Dostoievski. Um livro formidável, que recomendo a todos. Escolhi ele para ler nessas longas férias que tive porque já havia lido outros do autor que gostei muito e porque os autores russos me agradam, de forma geral. Algumas pessoas costumam sempre me perguntar o que estou lendo no momento, pois sabem que eu gosto de ler. E, de fato, eu sempre estou com a cara enfiada em algum livro. E dessa vez - mas não foi a primeira - quando dizia o nome e o autor, pelo menos duas pessoas soltaram um "Noooossa!", como se isso fosse algo tão extraordinário. Para uma das pessoas eu perguntei o porquê do comentário e ela me disse exatamente que "para ler um livro assim tem que ser uma pessoa muito culta".</div><div align="justify"> </div><div align="justify"><br>Duas coisas me incomodaram nessa fala. A primeira é que deu a entender que é um livro inacessível intelectualmente a determinadas pessoas, o que eu não posso, de forma alguma, aceitar. Então perguntei: "Mas você não acha que Dostoievski poderia se tornar leitura popular, com um pouco de incentivo?" E a pessoa se limitou a dar uma risadinha e dizer que era impossível. Pode-se alegar que ele tenha uma linguagem difícil, ou que seja uma leitura muito densa, mas ainda assim não é justificativa para que ele não possa ser mais lido. A prática da leitura se encarrega de torna-la fácil e agradável. E por que subestimar as pessoas?</div><div align="justify"> </div><div align="justify"><br>A segunda coisa que me causou incômodo foi a rotulação. Não entrarei agora nesse mérito, rotulações podem ser boas e ruins. Mas me fez lembrar de um outro comentário que ouvi (esse foi no ônibus, não comigo), exatamente sobre ler Dostoievski, que uma menina dizia que as pessoas gostam de ler Dostoievski para fazer pose e dizer quer já leu. E que a maioria era <em>indie </em>e pseudo-cult. (Eu tentei ver a ligação disso com estilo e gosto musical, mas não consegui.) Naquele momento fiquei pensando que eu não era <em>indie</em>, nem pseudo-cult (seja lá o que isso signifique) e tampouco lia para fazer pose, mas pelo simples prazer de ler. Como me encaixava nesse rótulo? Fiquei a pensar, então, uma coisa que daria um nome de filme de terror, daqueles <em>trash</em>: "A maldita perseguição dos clássicos". </div><div align="justify"> </div><div align="justify"><br>Percebi que muitas pessoas têm um certo preconceito, uma aversão ou até medo mesmo (já ouvi essa expressão) de clássicos da Literatura. Talvez porque já nas escolas se crie um mito de que um clássico é difícil de ler, é de um autor renomado, ou seja, colocam um peso sobre a leitura que causa esse imaginário em torno de autores como o próprio Dostoievski. Ou no Brasil - não comparando o estilo ou tema da escrita - Guimarães Rosa, por exemplo. E isso é agravado pelo fato de não haver um incentivo à pratica da leitura. Então talvez por não terem lido, ou por ouvirem falar, ou ainda pela impressão negativa colocada sobre certos livros e autores (o tal peso), as pessoas pensem ser algo extraordinário, o que, realmente, não é. Falta, definitivamente, o incentivo.</div><div align="justify"> </div><div align="justify"><br>Os clássicos são tão acessíveis quanto quaisquer livros. Em qualquer biblioteca pública é possível encontra-los. O grau de dificuldade da leitura dependerá unicamente do leitor e isso não tem a ver com ser ou não "uma pessoa culta". Infelizmente, existem tabus a serem quebrados em todas as áreas.</div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29373879-8484266185494235974?l=semvoar.blogspot.com'/></div>Sarah Toledohttp://www.blogger.com/profile/02059782805031588651noreply@blogger.com9tag:blogger.com,1999:blog-29373879.post-55595508451428573842009-02-21T19:54:00.003-03:002009-02-21T20:24:25.818-03:00Igrejas e educação sexual<img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5305393819487554450" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 215px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_GHdXdZ3XQv8/SaCLkdQby5I/AAAAAAAAAHk/XUZNgbe2MZ4/s320/blogagemcoletiva.jpg" border="0" /><br /><br /><div align="justify"><em>* Esta postagem faz parte da blogagem coletiva, promovida pela <a href="http://blogosferacrista.com/">Blogosfera Cristã</a>. Para fazer parte da blogosfera e ficar por dentro dos assuntos, acesse o site.</em><br /></div><div align="justify"></div><div align="justify"><br /></div><div align="justify"> </div><div align="justify">Falar sobre sexualidade dentro das igrejas, ou entre pessoas que tendem a ter uma visão limitada do Cristianismo, ainda é um tabu. Sobre o assunto, a única coisa que a maioria das igrejas têm a dizer é: Não faça sexo antes do casamento. Ouvimos isso desde que somos crianças e ainda nem sabemos o que é sexo. O problema é que depois que crescemos o discurso não muda: continuam proibindo sem explicar exatamente o porquê e sem instruir. Nesse tema proposto, vários aspectos poderiam ser abordados, inclusive, exatamente sobre o sexo antes do casamento, ou o que seria o casamento. Mas tudo o que diz respeito ao assunto parte de uma única pergunta: por que não se fala de sexo nas igrejas?</div><div align="justify"><br /></div><div align="justify"></div><div align="justify"><br /></div><div align="justify">É uma pergunta simples, convenhamos. Mas não será tão simples se feita dentro de uma igreja. Isso certamente faz parte do método adotado com relação a qualquer outro assunto: não questione, obedeça. E isso pode ser extremamente problemático. Dentro da questão da sexualidade não é difícil identificarmos alguns problemas que a proibição pura e simples traz. Cito dois exemplos: A falta de instrução faz com que um número considerável de jovens, sem entender o porquê de não poderem fazer sexo antes de se casarem e considerando isso um pecado mortal, apressem seus casamentos para poderem se relacionar sexualmente. O problema disso é que o casamento já começa de forma errada, por causa do sexo e não do desejo de construirem uma vida juntos. Um casamento assim está praticamente fadado ao fracasso. (Sendo que o casal deverá continuar junto porque a igreja não admite o divórcio.) Um outro exemplo é com relação à pureza, tão pregada pelas igrejas como sendo simplesmente a não prática sexual. O que acontece, então, é ouvirmos diversas histórias de adolescentes e jovens que fazem <em>tudo</em> o que se pode imaginar, exceto o ato em si (correndo risco de adquirirem doenças, inclusive), com a consciência de que são "puros". Talvez as igrejas não percebam ou não queiram perceber que isso ocorre com uma frequência espantosa.</div><div align="justify"><br /></div><div align="justify"></div><div align="justify"><br /></div><div align="justify">Esteja claro que esse texto não pretende dizer às igrejas que mudem seus conceitos sobre o sexo ou quando ele deve ser feito, mas que abordem o tema de outra maneira. Ou melhor, que abordem o tema. Educando sobre os aspectos físicos, inclusive, afinal, eles não podem prever o que acontecerá na vida de cada indivíduo. Educando e explicando o que é o casamento (quando ele começa) e por que o ato sexual está diretamente ligado a ele (e não tem a ver com cerimônias). Ora, é preciso entender que temos <em>uma</em> vida, ou seja, todos os assuntos se referem a ela, não é uma vida religiosa, outra profissional, outra afetiva. Isso significa que para cumprir bem o seu papel, a igreja deve abordar todos os assuntos de forma a instruir (com bases bíblicas) para que cada um tome sua própria decisão. E não proibir sem explicações e ainda criar barreiras para que se fale no assunto.</div><div align="justify"><br /></div><div align="justify"></div><div align="justify"><br /></div><div align="justify">Não é tão difícil entender o medo e/ou vergonha em discutir sobre sexualidade nas igrejas, ou à luz do Cristianismo. É cultural até. Mas é algo tão natural a nós quanto qualquer outra coisa. Essa falta de debate gera a falta de esclarecimento que, por sua vez, só pode trazer problemas. Como um casamento por pressão, uma gravidez indesejada, doenças, obediência por medo e, talvez uma das piores coisas, o falso moralismo.</div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29373879-5559550845142857384?l=semvoar.blogspot.com'/></div>Sarah Toledohttp://www.blogger.com/profile/02059782805031588651noreply@blogger.com15tag:blogger.com,1999:blog-29373879.post-28185023121319823432009-02-16T21:21:00.003-03:002009-02-16T21:26:55.254-03:00"Sí" para Chávez<div align="justify">Hugo Chávez, presidente da Venezuela, conseguiu o direito de se reeleger por quantas vezes quiser e acha isso democrático. A oposição acha a atitude do presidente arbitrária (desconsiderando, de certa forma, os votos) e acha que seu posicionamento também é democrático... Pois ainda tem gente que tenta definir o que é democracia!</div><div align="justify"></div><div align="justify"><br />Não faço uma análise do governo de Chávez. Mas acredito que deve haver uma razão convincente para que as pessoas o tenham reelegido e agora votado "sim" no plebiscito. E se olharmos de onde são essas pessoas, talvez possamos enxergar mais que uma razão. Mas o meu pessimismo político não me permite crer que essas razões são totalmente racionais. O que não me faz, também, acreditar nas "boas intenções" da oposição.</div><div align="justify"></div><div align="justify"><br />Vamos esperar pelos próximos capítulos e ver o que acontece.</div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29373879-2818502312131982343?l=semvoar.blogspot.com'/></div>Sarah Toledohttp://www.blogger.com/profile/02059782805031588651noreply@blogger.com8tag:blogger.com,1999:blog-29373879.post-53690705524289037202009-02-12T22:44:00.004-02:002009-02-15T19:13:22.524-03:00Mudar qual mundo?<div align="justify">As pessoas, lá no fundo, desejam (ou já desejaram) um mundo diferente. Por objetivos e interesses distintos, mas, no fim, seria um mundo em que todos pensassem igual, ou de forma parecida e, por isso, não haveriam conflitos e todos viveriam felizes para sempre. E as pessoas, lá no fundo, querem (ou já quiseram) mudar o mundo. Algo ambicioso. E, contrariando qualquer argumento otimista em relação a isso, impossível.</div><div align="justify"></div><div align="justify"><br />Este, no entanto, não é um argumento pessimista, mas racional. Quem deseja mudar o mundo descarta as diferenças de opiniões que possam existir, já que as pessoas, inevitavelmente, teriam que pensar igual (ou aceitar um pensamento imposto) para viverem em paz. E, a não ser que a idéia de "mudar o mundo" seja equivalente a "deixar o mundo do jeito que <em>eu acredito </em>ser melhor, nem que para isso seja preciso usar a força", é impossível que as pessoas sejam transformadas de tal maneira. Ainda bem! Porque essa diversidade de opiniões, conceitos e valores é o que "dá graça" à vida e, de certa forma, preserva nossa liberdade. Porém, o que não falta são discursos sobre uma sociedade-melhor-que-só-depende-de-nós-pois-podemos-mudar-o-mundo. </div><div align="justify"></div><div align="justify"><br />Mudarmos o sistema político e econômico seria mudar o mundo? "Garantir" que todos tenham as mesmas oportunidades dentro do sistema vigente é mudar o mundo? E, que tal, se aproveitar de ambientes de formação como universidades e escolas para soltar um discurso de "faça algo em favor da paz e do amor"?. Percebam como a ideia de "mudar o mundo" é totalmente abstrata, subjetiva e, consequentemente, impossível.</div><div align="justify"></div><div align="justify"><br />Mas a subjetividade nos leva à questão principal: mudar qual mundo? Barack Obama, em sua campanha, usava a frase: <em>"Yes, we can change!" </em>(Sim, nós podemos mudar!) O mundo? Claro! O mundo dos EUA. O que esse exemplo quer dizer é que a visão de mundo é relativa, logo, a visão de mudança também é. Para os negros, talvez a ideia de mudar o mundo seja fazer com que a discriminação por causa da cor da pele acabe, e é por isso que eles lutam. Para os moradores de rua, mudança de mundo pode ser a construção de casas para todos. Para civis em um país em guerra, provavelmente é o fim dessa guerra (e não necessariamente a paz mundial). Os moradores de um bairro afastado, na periferia, podem crer que um mundo diferente seja aquele em que as ruas sejam asfaltadas e tenham ônibus circulando por perto... Os exemplos são infinitos.</div><div align="justify"></div><div align="justify"><br />Então, as possibilidades de agir para mudar o mundo também são infinitas. O discurso comprado que prega uma revolução, exige grandes atitudes. Não basta que você doe livros a uma escola, por exemplo, é preciso transformar a educação. Isso é verdade. Mas se ao seu alcance está doar livros, isso não deixa de ser uma contribuição na mudança daquele mundo. Transformações não acontecem de uma hora para outra. E não acontecem sem ação, obviamente. Mas é de extrema importância largarmos essa idealização de mundo perfeito e definirmos qual mundo de fato queremos mudar para que a transformação seja real.</div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29373879-5369070552428903720?l=semvoar.blogspot.com'/></div>Sarah Toledohttp://www.blogger.com/profile/02059782805031588651noreply@blogger.com7tag:blogger.com,1999:blog-29373879.post-32443796899898857802009-02-08T20:20:00.003-02:002009-02-08T20:33:12.548-02:00Reencontro<div align="justify">Sentados num banco da praça.</div><div align="justify"></div><div align="justify"><br />- Sabe qual é a pior coisa de morar em uma cidade pequena? É que nada muda. Você anda pela cidade e sempre vê as mesmas coisas, sempre encontra as mesmas pessoas...</div><div align="justify"></div><div align="justify"><br />- Pode ser.</div><div align="justify"></div><div align="justify"><br />- Pode ser não, é assim. Em que você está pensando?</div><div align="justify"></div><div align="justify"><br />- Penso não, viajo um pouco. Que ninguém é a mesma pessoa todos os dias e que as coisas mudam, dependendo da forma como olhamos.</div><div align="justify"></div><div align="justify"><br />- Hum... Isso é verdade. É ainda mais verdade quando não se mora em uma cidade pequena.</div><div align="justify"></div><div align="justify"><br />(Risos)</div><div align="justify"></div><div align="justify"><br />- Sim, abstrair as coisas dessa maneira é fácil quando se vê coisas e pessoas diferentes todos os dias. Mas aí está o ponto negativo. Nunca se conhece ninguém de verdade. Ou quase nunca...</div><div align="justify"></div><div align="justify"><br />- E você acha que eu conheço alguém de verdade porque sei exatamente onde e quando vou ver as pessoas? Acho que ninguém conhece, isso não é possível.</div><div align="justify"></div><div align="justify"><br />- Não acho que conheça. Mas não sei se é impossível. Digo, então, que as chances de se conhecer alguém de verdade são muito maiores.</div><div align="justify"></div><div align="justify"><br />- É, talvez. Mas não sei do que reclamo também. Não conseguiria viver em um lugar de vida agitada.</div><div align="justify"></div><div align="justify"><br />- Você reclama porque sempre arrumamos do que reclamar.</div><div align="justify"></div><div align="justify"><br />- Você e suas respostas pra tudo. É, certas coisas não mudam mesmo.</div><div align="justify"></div><div align="justify"><br />- Verdade, como você pensar que eu tenho respostas pra tudo, quando eu não tenho nem pra metade do que eu gostaria de ter.</div><div align="justify"></div><div align="justify"><br />- Tem sim, que ver?</div><div align="justify"></div><div align="justify"><br />- (Cara desconfiada)</div><div align="justify"></div><div align="justify"><br />- Quer tomar um sorvete ali na frente?</div><div align="justify"></div><div align="justify"><br />- Isso não vale!</div><div align="justify"></div><div align="justify"><br />- Sim ou não?</div><div align="justify"></div><div align="justify"><br />- ... Sim, mas só se for de creme, sabor tradicional, pra combinar com o lugar e a conversa. </div><div align="justify"></div><div align="justify"><br />- Viu? Respondeu e ainda incrementou.</div><div align="justify"></div><div align="justify"><br />- Ok. Não cometerei a maldade de acabar com sua ilusão. Vamos?</div><div align="justify"></div><div align="justify"><br />E levantaram-se do mesmo banco, da mesma praça de tantas outras vezes.</div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29373879-3244379689989885780?l=semvoar.blogspot.com'/></div>Sarah Toledohttp://www.blogger.com/profile/02059782805031588651noreply@blogger.com7tag:blogger.com,1999:blog-29373879.post-89879819933496934402009-02-05T01:34:00.008-02:002009-02-05T02:10:04.403-02:00E para este ano...<div align="justify">Desde que eu comecei com esse blog, faço do dia do meu aniversário um dia para postar alguma citação de um livro que eu tenha gostado muito. Uma citação que faça pensar na vida e no sentido dela, afinal, aniversários têm que servir pra alguma coisa (rs). Nos últimos dias eu venho pensando em algo que já até foi assunto para um post: a ligação entre vida e morte. Pensando que cada dia a mais na nossa vida é, na verdade, um a menos. E o que comemoramos no aniversário? A aproximação da morte? Uh, que mórbido - alguém pode pensar. Eu não acho, mas mesmo assim não vou citar o que me fez voltar a pensar nisso (do Padre Antônio Vieira), mas um trecho de um livro que li há um ano e que recomendo a todos. Foge totalmente do que acabei de falar, mas estou divagando mesmo, então... Em todo caso, minha citação é uma espécie de pensamento sobre o pensamento. Será que todo mundo perde tempo divagando? (rs) O livro se chama "Reparação" (não fala sobre pensar!), de Ian McEwan.<br /><br /><br /><br /><br /><br /></div><div align="justify"></div><div align="justify"><a href="http://2.bp.blogspot.com/_GHdXdZ3XQv8/SYpgeuTLa8I/AAAAAAAAAHE/HUYu8FSr9Ao/s1600-h/Mcewan.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5299153992495623106" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 302px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_GHdXdZ3XQv8/SYpgeuTLa8I/AAAAAAAAAHE/HUYu8FSr9Ao/s320/Mcewan.jpg" border="0" /></a></div><div align="justify"><span style="color:#990000;">"Esses pensamentos lhe eram tão familiares e tão confortadores quanto a configuração exata de seus joelhos, sua aparência geral porém contrastante, simétrica e reversível. Um segundo pensamento sempre vinha após o primeiro, um mistério gerava outro: seriam todas as demais pessoas tão vivas quanto ela? Por exemplo, seria sua irmã realmente importante para si própria, tão valiosa para ela mesma quanto Briony era? Ser Cecília seria uma coisa tão intensa quanto ser Briony? Sua irmã também teria um eu verdadeiro por trás da onda que se quebrava, e passaria tempo pensando nisso, com o dedo quase encostado na cara? E as outras pessoas, inclusive seus pais, e Betty, e Hardman? Se a resposta fosse sim, então o mundo, o mundo social, era insuportavelmente complicado, dois bilhões de vozes, os pensamentos de todo mundo a se debater, todos com igual importância, investindo tanto na vida quanto os outros, cada um se achando o único, quando ninguém era único. Era possível afogar-se naquele mar de irrelevância. Mas se a resposta fosse não, então Briony estaria cercada de máquinas, inteligentes e agradáveis vistas de fora, mas sem aquele sentimento vivo oculto, <em>interior</em>, que Briony tinha. Era uma idéia sinistra e desoladora, além de improvável. Pois, por mais que seu senso de ordem se sentisse agredido, ela sabia que era muitíssimo provável que todo mundo tivesse pensamentos como os dela. Isso ela sabia, mas somente de um modo um tanto árido; não conseguia senti-lo de verdade."</span></div><span style="color:#990000;"></span><div align="center"><br /><br /><span style="color:#990000;">Ian McEwan - em Reparação</span></div><br /><br /><br /><div align="center"><span style="color:#000000;">____________________________________________</span></div><br /><br /><br /><div align="justify">Aproveitando o post, eu quero agradecer à <a href="http://slowcheddar.blogspot.com/">Ana</a> e à <a href="http://passosdaalma-p.blogspot.com/">Pri</a> pelos selos que indicaram ao meu blog. Obrigada, meninas, pela atenção que sempre dão às minhas palavras, e continuam dando apesar de elas serem tão idiotas às vezes (rs). </div><br /><br /><br /><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5299157531549226354" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 184px; CURSOR: hand; HEIGHT: 171px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_GHdXdZ3XQv8/SYpjsuTT1XI/AAAAAAAAAHM/DCxFqerIJzk/s320/selo1caf%C3%A9.jpg" border="0" /><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5299157872462055474" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 189px; CURSOR: hand; HEIGHT: 190px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_GHdXdZ3XQv8/SYpkAkTQyDI/AAAAAAAAAHU/rDkoy_n_lsU/s320/selo3.jpg" border="0" /><br /><div align="justify"></div><p>Repasso os selos para os blogs:</p><div align="justify"></div><a href="http://minhasconfissoes.wordpress.com/">Minhas confissões</a> - da Quézia<br /><br /><a href="http://andreiaom.blogspot.com/">Relatos de uma guerra pessoal</a> - da Andréia<br /><br /><a href="http://numarededeleituras.blogspot.com/">Numa rede de leituras</a> - do César<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29373879-8987981993349693440?l=semvoar.blogspot.com'/></div>Sarah Toledohttp://www.blogger.com/profile/02059782805031588651noreply@blogger.com7tag:blogger.com,1999:blog-29373879.post-10296239614130931562009-01-28T22:25:00.006-02:002009-01-31T22:42:29.928-02:00Meme: coisas aleatórias sobre mimO <a href="http://jeffaoaraujo.blogspot.com/">Jefferson</a> me indicou para participar de um meme que consiste em dizer seis coisas aleatórias sobre mim. (É impresão minha, ou os últimos memes foram todos sobre assuntos pessoais? rs.) Tem uma regrinha que eu não vou seguir à risca: repassar para seis outras pessoas. Deixa só três, como sempre. Indicarei ao final do post. Pois bem, vamos lá.<br /><div align="justify"></div><br /><div align="justify"></div><div align="justify">1 - Eu gosto de coisas escritas à mão. Bilhetinhos, cartas (escrevo e recebo mesmo existindo e-mail e Orkut), diários, anotações, agendas, rascunhos... E tudo o que eu faço, mesmo se for preciso digitar depois, é à mão.</div><br /><div align="justify"></div><div align="justify">2 - Por falar nisso (e isso sim é uma revelação), eu tenho três diários: um em que eu escrevo meus pensamentos e impressões, outro em que eu escrevo (por enquanto) algumas divagações sobre um tema que pretendo estudar e o terceiro é um diário de oração, minhas conversas com Deus. O primeiro e o último eu já tenho há quatro anos, praticamente. O segundo há uns dois meses. E eles são extremamente necessários para mim.</div><br /><div align="justify"></div><div align="justify">3 - Eu tenho medo de beiradas. Sacadas, por exemplo. Em passarelas tenho que andar bem no meio. O lado da escada que tem corrimão, essas coisas. Não é medo de altura, é da beirada. Fico tonta só em pensar.</div><br /><div align="justify"></div><div align="justify">4 - Há uns cinco anos eu descobri de verdade o significado de ser cristão. Isso me transformou em outra pessoa. O difícil é explicar para alguns que a mensagem de Cristo é mais simples do que pensamos. Há um ano eu fiz uma simples tatuagem que me recorda essa descoberta toda vez que a olho, é um dos símbolos do Cristianismo. </div><br /><div align="justify"></div><div align="justify">5 - Eu não gosto de gatos porque acho que eles parecem gente e isso me dá medo.</div><br /><div align="justify"></div><div align="justify">6 - Sou viciada em: café, chocolate, livros e Internet. Não me orgulho disso, mas não sei largar essas coisas. Agora começo a me viciar em um joguinho chamado UNO. Culpa da Lívia. É melhor parar antes que não tenha volta também.</div><br /><div align="justify"></div><br /><div align="justify"></div><br /><div align="justify"></div><div align="justify">* Repasso o meme para:</div><br /><div align="justify"></div><div align="justify">Juuu - do <a href="http://frasesentaladas.blogspot.com/">Frases Entaladas</a></div><br /><div align="justify">Ana - do <a href="http://slowcheddar.blogspot.com/">Slow Cheddar</a></div><br /><div align="justify">Rosângela - do <a href="http://zanjinha.blogs.sapo.pt/">Rosangicos</a></div><br /><div align="justify"></div><div align="justify">_________________________________________________</div><br /><div align="justify"></div><div align="justify">O Jefferson ainda me deu de presente um selo que adorei! É para blogueiros honestos. Aqueles que comentam algo além de "Amei seu texto!" ou "Que legal seu blog". Acho que pode servir também para aqueles que postam textos e comentários próprios. Jefferson, muitíssimo obrigada!</div><br /><div align="justify"></div><br /><div align="justify"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5296510572344464946" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 170px; CURSOR: hand; HEIGHT: 231px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_GHdXdZ3XQv8/SYD8Ta2xVjI/AAAAAAAAAG8/lDvGF_H7bXA/s320/selo.jpg" border="0" /></div><br /><p></p><p>O selo eu repasso, merecidamente, para:</p><p></p>Raphael - do <a href="http://rapensando.blogspot.com/">Rapensando</a><br />Catarina - do <a href="http://romanos12-2.blogspot.com/">Romanos 12:2</a><br />Rosana - do <a href="http://vamosparaoleve.blogspot.com/">Vamos para o Leve?</a><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29373879-1029623961413093156?l=semvoar.blogspot.com'/></div>Sarah Toledohttp://www.blogger.com/profile/02059782805031588651noreply@blogger.com10tag:blogger.com,1999:blog-29373879.post-48951183717757520232009-01-25T03:22:00.009-02:002009-01-26T03:05:02.280-02:00Pelo aniversário de São Paulo<div align="justify">Pelo aniversário de São Paulo faz-se muitas coisas. Acontecem vários shows pela cidade, eventos pelos parques, além daquele bolo enorme, que sempre rende comentários (e foi <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u492018.shtml">cancelado</a> esse ano porque os patrocinadores pularam fora). (Teoricamente) Todo aniversário deve ser comemorado e é totalmente aceitável que se comemore, então, mais um ano da maior cidade do Brasil. Eu sei, vocês devem agora estar esperando algum tipo de crítica da minha parte. Afinal, eu nunca escondi de ninguém o meu desgosto por essa cidade. Na verdade, nem é pela cidade em si, mas por morar aqui, já que não considero São Paulo um bom lugar para se morar, por causa do exagero de tudo: barulho, pessoas, trânsito e, conseqüentemente, estresse. Mas não vou criticar dessa vez.<br /><br /></div><div align="justify">Apesar de tudo, São Paulo é realmente uma cidade incrível. Todas as coisas possíveis de imaginar podem ser encontradas aqui. Pessoas de todos os estilos e de vários lugares do Brasil e do mundo. Outro dia me peguei pensando, por exemplo, em como na mesma cidade convivem pessoas de culturas tão diferentes como nordestinos e japoneses, ambos em grande número e com grande importância em vários aspectos, como o econômico. E sendo tão diferentes trabalham, estudam, vivem no mesmo lugar! Sem falar de outras pessoas, vindas de outros lugares. Além disso, acredito que em nenhuma outra cidade há a mesma possibilidade de ir a shows, eventos, exposições, teatro, como em São Paulo (isso é o que me consola, às vezes, em morar aqui).</div><br /><div align="justify">Por isso, hoje quero poupá-los de minhas críticas, olhando para São Paulo com olhos mais amigáveis. Para isso, destaquei o lugar que mais gosto na cidade, para apresentar a quem porventura ainda não conhece. É o Museu da Língua Portuguesa. Mesmo para quem odeia Literatura (e eu não sei como isso é possível), uma visita a esse museu seria fascinante. Ele é dividido em três partes. Uma fixa, que conta a história da língua portuguesa, com o foco, claro, para o português falado no Brasil. É bem legal, com umas interatividades. As outras duas partes são as mais legais e são os espaços que eu mais gosto: A sala das palavras e, óbvio, as exposições. A sala das palavras é algo meio... Inexplicável. É uma viagem pela forma, som, textura das palavras em português, através de poemas e trechos de livros. Só conhecendo pra entender. As exposições são sempre criativas e encantadoras. Fazem com que você seja obrigado a ir mais de uma vez, para apreciar tudo. Os autores são explorados por todos os lados, é formidável. O mais legal é que o ingresso é super acessível. Quatro reais, dois para estudantes. E aos sábados a entrada é gratuita para todos.</div><br /><br /><div align="justify"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5295101879558031410" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_GHdXdZ3XQv8/SXv7GtSPSDI/AAAAAAAAAG0/DbpcfjeqW3w/s320/museu.jpg" border="0" /><br /></div><br />E o que me faz gostar ainda mais do museu, além do fato de ele tratar de Literatura e da belíssima língua portuguesa, é que ele está localizado em um lugar privilegiado, do ponto de vista histórico-cultural. Fica na Estação da Luz (já famosa, dispensa comentários), de frente para a Pinacoteca e o Parque da Luz.<br /><br />Por tudo isso, no aniversário de São Paulo, minha humilde homenagem é destacar esse lugar, que certamente merece ser visitado por quem passar por aqui.<br /><br /><p align="justify"><em></em></p><p align="justify"><em>*Foto do <a href="http://www.museulinguaportuguesa.org.br/">site</a> do museu.<br /></p></em><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29373879-4895118371775752023?l=semvoar.blogspot.com'/></div>Sarah Toledohttp://www.blogger.com/profile/02059782805031588651noreply@blogger.com6tag:blogger.com,1999:blog-29373879.post-42190457552104199812009-01-18T20:40:00.003-02:002009-01-22T03:06:44.166-02:00A pedra<div align="justify">Eu não me recordo de ter enterrado uma pedra. Me recordo de ter roubado uma flor de papel da biblioteca, de ter seguido uma prostituta (Er... Longa história que eu conto em outra oportunidade.), de ter me infiltrado entre os alunos de educação física para matar aula e não participar do esporte, de ficar na praça quando a aula acabava mais cedo, para não ter que arrumar casa... Mas enterrar uma pedra? Não. Conversava com minhas amigas e relembrávamos da época da escola. Elas tentaram me convencer de que eu participei dessa história maluca. </div><div align="justify"> </div><div align="justify"><br>Segundo elas, aconteceu o seguinte: Na saída da aula, alguém encontrou uma pedra na porta do colégio e começou a chutar. E então foi parar perto do pé de outra, que também chutou. E começamos, então, a chutar a pedra, passando de uma para a outra. Fizemos isso até chegar na praça (era um caminho considerável), lugar onde nos despedíamos. Mas durante o percurso criamos um carinho especial pela pedra. Até lhe demos um nome, Pedrita. E ficamos com dó de deixá-la ali, no meio da praça, onde qualquer coisa poderia acontecer à indefesa pedrinha. Por isso decidimos enterrá-la, perto de uma árvore. </div><div align="justify"> </div><div align="justify"><br>Todas se lembram disso, menos eu. E quando ouvi essa história, pensei: Nossa, nem eu quando imagino minhas historinhas sem sentido, poderia pensar em uma solenidade para enterrar uma pedra. E fiquei pensando no que as pessoas deveriam ter achado de nós ao nos ver chutando uma pedra pelo meio da rua e depois enterrando na praça, perto de uma árvore, como se não houvesse ninguém olhando. É engraçado. Mais engraçado ainda porque nessa época ja não éramos crianças, mas mocinhas de 15 anos.</div><div align="justify"> </div><div align="justify"><br>E depois de tanto tempo eu percebi que naquela época nós sempre fazíamos coisas assim, pelo simples divertimento, em viagens bizarras, como se vivêssemos em um mundo paralelo, já que as outras pessoas dessa idade estavam mais preocupadas com festinhas, paqueras, serem populares, agradar os outros, dar uma de adultos. Não digo que nós não pensávamos nisso também, mas certamente não eram essas coisas o centro da nossa vida, como é com a grande maioria, especialmente quando se mora em uma pequena cidade do interior. E isso era legal. Coisas como enterrar uma pedra, apesar de eu não me lembrar desse fato, me fazem olhar para trás com alegria e saudade.</div><div align="justify"> </div><div align="justify"><br>Não era a toa que as pessoas não iam muito com nossa cara. Éramos esquisitas. E, segundo as pessoas da nossa sala do colégio, "as santinhas". Muito provavelmente elas nos achavam infantis. E éramos um pouco, de fato. Mas apenas vivíamos de acordo com nossa idade, em que não se sabe ao certo o quão criança ou adulto se é. Mas que todas as coisas eram experimentadas com grande interesse, curiosidade, intensidade. Inclusive uma homenagem a uma pedra que em vinte minutos de convivência conseguiu nos cativar. </div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29373879-4219045755210419981?l=semvoar.blogspot.com'/></div>Sarah Toledohttp://www.blogger.com/profile/02059782805031588651noreply@blogger.com11tag:blogger.com,1999:blog-29373879.post-30543997773321871612009-01-13T03:15:00.002-02:002009-01-13T03:37:25.275-02:00Sobre oração<div align="justify">Existem alguns assuntos que deveriam ser discutidos com maior freqüência e seriedade nas igrejas. Um deles é "oração". Pode ser que alguém pergunte: Mas por que discutir sobre isso? Oração não é apenas falar com Deus? Sim. E eu me pergunto: O que falar? Como falar? Estou certa de que algumas coisas não incomodam somente a mim. Como, por exemplo, a enorme formalidade que as igrejas ensinam que se use no momento de oração. Ou ainda orações gritadas e intermináveis que, na maioria das vezes, não passam de exigências do tipo "Deus, faça isso", ou "Deus me dê um sinal".</div><div align="justify"> </div><div align="justify"><br>Sobre a formalidade, a primeira coisa a se pensar é no porquê de termos que usar um vocabulário que não usamos diariamente. Algo como "tu és", ou "peço-te que venhas me abençoar". Tenho grande apreço pela língua portuguesa, mas esse modo de falar está em desuso (infelizmente), então por que usá-lo somente nesses momentos? O argumento usado é que Deus é superior, é o Rei e, por isso, não devemos falar com Ele de qualquer modo. Concordo. Mas não falar de qualquer modo não exige que falemos de forma tão rebuscada. O que me impede de tratar Deus como "você"? (Lembremos que o pronome "você" foi popularmente usado para substituir o "tu", a segunda pessoa do singular. Logo, é a mesma coisa.) Deus certamente não espera de nós uma oração bonita, com palavras "chiques". Ele espera apenas nossa oração, nossa conversa com Ele de forma sincera. Além disso, convenhamos, tentar falar difícil é quase sempre a razão pela qual se assassina a língua portuguesa. </div><div align="justify"> </div><div align="justify"><br>Sobre as orações gritadas e intermináveis, o próprio Cristo fala sobre elas. Orações assim não têm outro sentido a não ser trazer toda a atenção para a pessoa que ora. Seja por fazer aparecer a si mesmo, ou por fazer aparecer os "feitos e milagres" de quem ora (o que não deixa de ser o primeiro caso). Nada tem a ver com conversar com Deus. E o que Jesus disse sobre isso pode ser lido na Bíblia, em Mateus 6:5-8: <em>"E quando vocês orarem, não sejam como os hipócritas. Eles gostam de ficar orando em pé nas sinagogas e nas esquinas, a fim de serem vistos pelos outros. Eu lhes asseguro que eles já receberam sua plena recompensa. Mas quando você orar, vá para o seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está em secreto. Então seu Pai, que vê em secreto, o recompensará. e quando orarem, não fiquem sempre repetindo a mesma coisa, como fazem os pagãos. Eles pensam que por muito falarem serão ouvidos. Não sejam iguais a eles, porque o seu Pai sabe do que vocês precisam, antes mesmo de o pedirem."</em></div><div align="justify"> </div><div align="justify"><br>No filme "Todo-poderoso" (aquele com o Jim Carrey), tem uma parte muito interessante que fala sobre oração. Já quase no final, quando tudo deu errado e o personagem Bruce fala com Deus sobre o quão difícil é ser Ele, Deus diz para que Bruce faça uma oração. Ele, por sua vez, diz que não sabe orar, mas, diante da situação, começa a pedir pela paz mundial, as crianças famintas e coisas assim. Então Deus diz algo como: "Tudo isso é admirável e válido, mas eu quero que você faça uma oração sobre o que realmente está em seu coração neste momento." E, brevemente, Bruce ora por sua esposa, desejando que ela seja feliz, mesmo que fosse longe dele. E Deus diz: "Isso sim é uma oração."</div><div align="justify"> </div><div align="justify"><br>Não existem rituais ou mistérios para orar. Não é necessário grandes coisas. Por causa de Cristo temos a liberdade de falarmos sobre, como e onde quisermos com Deus. Sobre nossos desejos, preocupações, nossos agradecimentos também. Sem palavras difíceis ou bonitas, mas da maneira como sabemos falar. E em qualquer lugar, afinal, trata-se de uma conversa pessoal com Deus sobre o que está em nosso coração.</div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29373879-3054399777332187161?l=semvoar.blogspot.com'/></div>Sarah Toledohttp://www.blogger.com/profile/02059782805031588651noreply@blogger.com10tag:blogger.com,1999:blog-29373879.post-66872338396574327852009-01-08T23:45:00.002-02:002009-01-08T23:59:03.515-02:00Retorno<div align="justify">Cheguei de viagem. Ao mesmo tempo parece que foi rápido e que demorou. Isso significa que fiquei fora por tempo suficiente. Suficiente para rever amigos, passar boas horas sentada na praça conversando e tomando sorvete, relembrar os velhos tempos (que incrivelmente não são tão velhos, mas parece ser há séculos atrás), perceber o quanto as pessoas mudam, o quanto eu mesma mudo e que certas coisas parecem não mudar, ficar até 5h da manhã conversando, ficar sem assunto e olhar as árvores balançando no ritmo do vento. Tudo muito bom e especial. Suficiente também para me cansar de não estar mais na minha casa (mesmo que estivesse na casa da minha irmã) e da falta do que fazer, para sentir falta do meu computador e saudade dos meus estudos e livros.</div><div align="justify"> </div><div align="justify"><br>Por falar em livros, preciso dizer que nesse período acabei, finalmente, de ler "Guerra e Paz", do Tolstoi. Demorei quase um ano, devido minhas enormes pausas por causa das leituras e responsabilidades da faculdade. Mas é como, acho, já comentei aqui, que demorar tanto não foi completamente ruim, pois assim absorvi mais do que li. E certos livros não merecem uma leitura superficial. Eu sei que é um pouco de maldade recomendar um livro enorme como é "Guerra e Paz", mas quem algum dia estiver com tempo, ou desejar fazer uma leitura lenta como a minha, faça isso. Não há possibilidade de arrependimento. Eu comento que em alguns livros encontramos tudo o que é possível saber sobre a vida. O clássico de Tolstoi certamente é um deles.</div><div align="justify"> </div><div align="justify"><br>O livro que comecei a ler agora, outro clássico, é "Os irmãos Karamazovi", de Dostoievski (sim, os russos estão no topo da minha lista literária) e espero não demorar tanto com ele. Ao contrário, pretendo acabar antes que as férias acabem. Terei ainda um bom tempo. Afinal, para que mais servem as férias além de continuar exercitando o cérebro? (rs) Brincadeira. É preciso descansar a mente também. Já fiz isso bastante esses dias e ler coisas não relacionadas à faculdade é descansar também, em todo caso.</div><div align="justify"> </div><div align="justify"><br>Foi bom viajar. E é bom estar de volta. A quem ainda está de férias, continuem aproveitando. A quem não, boa readaptação. É um pouco difícil retomar os hábitos, não?</div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29373879-6687233839657432785?l=semvoar.blogspot.com'/></div>Sarah Toledohttp://www.blogger.com/profile/02059782805031588651noreply@blogger.com5tag:blogger.com,1999:blog-29373879.post-61745785965271587592008-12-14T23:36:00.003-02:002008-12-14T23:50:28.948-02:00Férias!<div align="justify">Eu teria muitas coisas a dizer sobre esse ano. Muitas mesmo! Apesar de não gostar de todo esse clima Natal/Ano Novo, é impossível evitar pensar sobre coisas que aconteceram (ou deixaram de acontecer). E é até bom fazer isso, na verdade. As promessas eu deixo pra lá. Já há algum tempo não faço questão de planejar algo sobre o qual não tenho controle. Mas eu não vou dizer nada. Para ser sincera, não me sinto animada em fazer isso (rs). E neste momento não considero que isso fará diferença na vida de alguém. Posso dizer que foi um ano melhor do que eu esperava, apesar dos problemas que sempre surgem, apesar do cansaço e apesar dos meus altos e baixos, por ser uma pessoa totalmente instável. E só faço agradecer a Deus por tudo. </div><div align="justify"></div><div align="justify"><br>Como a maioria das pessoas já sabe, eu não gosto de Natal. Mas para quem gosta, desejo ótimos momentos. Bem, para quem não gosta também, né? Por que não? (rs) Só não se esqueçam do que é o Natal. Eu insisto em falar isso todos os anos e vou insistir sempre. Natal não é um momento de amor, boa vontade, blablabla. Está bem, é isso também, de certo modo. Tampouco é um momento de fazer compras. Natal é se lembrar que Cristo veio ao mundo por nós. E a minha prece de Natal é que as pessoas se lembrem disso e agradeçam a Deus pelo presente que nos enviou.</div><div align="justify"></div><div align="justify"><br>No mais, aviso que ficarei ausente por alguns dias. Viajo amanhã para Minas Gerais (Oh, Minas!). Passarei o fim de ano brincando com minha sobrinha linda, matando saudades da minha irmã e dos meus amigos de lá. Logo, ficarei off line esse tempo todo. Volto na primeira semana de janeiro. Será ótimo descansar a mente, preciso disso. Então me despeço de vocês. Cuidem-se. Descansem. E tenham um bom final de ano! Até a volta! Abraço.</div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29373879-6174578596527158759?l=semvoar.blogspot.com'/></div>Sarah Toledohttp://www.blogger.com/profile/02059782805031588651noreply@blogger.com11tag:blogger.com,1999:blog-29373879.post-73727075827284858432008-12-10T20:58:00.005-02:002008-12-12T14:47:31.327-02:00Camus<div align="justify"><em>Eu sempre gostei de Filosofia. Mas entre gostar e estudar existe um grande espaço. Esse ano tive Filosofia nos dois semestres. É obrigatório para todos os cursos, mas é fato: se você não é estudante dessa disciplina, tudo é muito mais complicado. Se ilude quem pensa que Filosofia é só teoria... Então. Esse semestre foi aterrorizante. O tema do curso era muito legal, estudamos sobre o Absurdo a partir de uma obra chamada "O mito de Sísifo", de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Albert_Camus">Albert Camus</a>. Ele não era propriamente um filósofo, mas tratava de filosofia (se isso é compreensível). E esse livro é fantástico! O problema foi o curso. Impossível assistir às aulas, principalmente quando a professora começava simplesmente a ler o livro. Não assisti muitas (rs) e achei que ia me afundar na prova, no fim do semestre. A prova foi, basicamente, resumir todo o curso, o que não foi tão difícil, mas comecei a ter medo da correção. Foi uma semana e meia de ansiedade e eu prometi a mim mesma que se passasse, postaria minha resposta da prova aqui, em homenagem ao Camus (na verdade ele merece mais do que isso, rs). Minha nota não foi das melhores, mas aí está minha dissertação da prova. </em><em></em><br /></div><p align="justify"></p><br /><br /><p align="justify"><a href="http://2.bp.blogspot.com/_GHdXdZ3XQv8/SUB_axcQ1BI/AAAAAAAAAGo/enw_3bVOUH8/s1600-h/camus.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5278358861203428370" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 169px; CURSOR: hand; HEIGHT: 258px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_GHdXdZ3XQv8/SUB_axcQ1BI/AAAAAAAAAGo/enw_3bVOUH8/s320/camus.jpg" border="0" /></a>Em "O Mito de Sísifo", Camus aborda a questão do Absurdo e as possíveis saídas existentes, assim como a maneira de se conviver com ele. O Absurdo, diz Camus, é o sentimento que surge no homem em determinado momento, de profunda angústia por não se ver mais em ligação com o mundo. Tudo o que lhe era reconhecível e aceitável passa a não fazer mais sentido. O homem sente-se desconfortável diante daquilo que agora desconhece e passa a buscar respostas para seus questionamentos. O conflito e o ápice desse enfrentamento com o Absurdo é justamente o momento em que o homem percebe que não há um sentido, não existem respostas e tudo o que existe e faz parte de sua vida se respalda no nada.</p><p align="justify">A primeira saída sugerida por Camus é o suicídio. Ele encara, aqui, o suicídio como conseqüência de fatores individuais, e não sociais (contraposição a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Durkheim">Durkheim</a> - e o suicídio como questão social). Quando o homem percebe que sua vida não tem um sentido, provavelmente conclui que não há então outra razão para continuar vivo (conclusão que Camus rejeitará). Por isso, qualquer pequena razão o levará ao suicídio. Entretanto, Camus afirma que esta não é uma solução para o Absurdo, pois ele está na própria vida e no mundo. Logo, se a vida acaba, o Absurdo também. O suicídio, na verdade, é um salto, ou uma trapaça. Aquele que não consegue conviver com a consciência que adquiriu ao se deparar com o Absurdo, procura meios de se livrar dela, pois é um tormento.</p><p align="justify">Outros meios de trapaça são a esperança e a fé. Ao perceber a falta de sentido do mundo, o homem cria maneiras de fazer com que esse sentido exista. Como isso não é possível neste mundo, pensa-se em uma vida após a morte, aceita-se a idéia de um deus que controla todas as coisas e espera-se por isso. Agora existe um sentido e o Absurdo se desfaz por causa do salto.</p><p align="justify">Mas o homem absurdo é aquele que não trapaceia. Ele é consciente da falta de sentido da vida, mas ainda assim busca por algo que o faça se reconhecer no mundo. Ele é guiado por forças contrárias que jamais entrarão em acordo. Ele mergulha profundamente no Absurdo. Toda essa consciência lhe permite, então, ser dono de seu próprio destino. Como o homem absurdo não cria esperanças, ele vive cada momento sem expectativas e planos. É autor de seus próprios dias.</p><p align="justify">As conseqüências com as quais o homem absurdo se depara são: a revolta - ele se depara com a falta de respaldo do ser, com o nada; a liberdade - por saber da falta de sentido, ele pode agir de acordo com sua própria consciência; e a conciliação - o homem deseja permanecer no Absurdo, pois assim ele é consciente, só assim ele possui a lucidez. No fim, o homem absurdo sabe que seus atos não trarão resultados, serão inúteis, pois são feitos em um mundo em que não há sentido algum. Mas ainda assim ele vive. E é feliz vivendo dessa maneira. </p><br /><br /><p align="justify"></p><br /><br /><p align="justify"><em>Tem uma segunda parte, mas é uma relação com outro texto. Não sei se o que vocês leram dá ânimo ou desânimo em ler o livro, mas vale a pena. Um pouco de filosofia de um modo literário. </em></p><br /><br /><p><br /><br /><br /></p><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29373879-7372707582728485843?l=semvoar.blogspot.com'/></div>Sarah Toledohttp://www.blogger.com/profile/02059782805031588651noreply@blogger.com7tag:blogger.com,1999:blog-29373879.post-57495678674222508112008-12-06T22:57:00.003-02:002008-12-07T16:02:58.481-02:00Limpeza<div align="justify">Sumi um pouquinho. Fim de semestre, sabem como é. Muitas provas, trabalho acumulado, estresse... Agora estou, teoricamente, de férias. Sim, porque ainda preciso saber de algumas notas e se não fiquei de exame. Eu espero que não. Não sei lidar com essas coisas. Me mato de estudar para ganhar, no mínimo, um sete. Embora eu sempre espere um quatro. É coisa de gente paranóica. De qualquer modo, as coisas estão mais tranqüilas agora.</div><div align="justify"> </div><div align="justify"><br>Devo viajar, praticamente, em uma semana. Vou para Minas! Então estou tentando deixar algumas coisas adiantadas, para quando eu voltar. Hoje resolvi arrumar minhas coisas. Guardar as cópias de textos usadas durante o ano (e como são muitas!), separar as que pretendo reler, assim como os livros. E os livros que não tenham a ver com a faculdade. Jogar papéis fora, limpar a mesinha cheia de pó. De quebra ainda arrumar as roupas, separando as que já não uso, organizando nas gavetas...</div><div align="justify"> </div><div align="justify"><br>O chato de fazer isso é que a gente começa a fazer com a maior animação, mas uma horinha depois já não vê o momento de acabar. É porque dá trabalho. Separar o que não é mais útil e organizar o que vamos guardar. Isso quando não ficamos na dúvida se alguma coisa ainda será útil ou não. E então eu penso: que bom que não preciso fazer isso todos os dias! E nem seria possível. As coisas não se tornam obsoletas de um dia para o outro, é preciso um certo tempo.</div><div align="justify"> </div><div align="justify"><br>As pessoas costumam fazer esse trabalho com suas vidas no fim do ano. Jogar fora algumas coisas, guardar outras e fazer essa reflexão sobre o que de fato deve ser mantido, alterado, incluído. Mas, neste caso, eu penso que seria bom, se não todos os dias, pelo menos com uma freqüência maior que uma vez por ano, fazer esse exercício. Há algo que me incomoda nesse período de festas de fim de ano, que é justamente o fato de certas pessoas agirem de uma maneira que nunca agem o tempo todo. Como se a vida e as relações fossem papéis ou roupas que já não servem. Um tanto hipócrita, ao meu ver.</div><div align="justify"> </div><div align="justify"><br>Enquanto arrumava minhas coisas pensei em tudo isso. E me entristeci um pouco quando, sem querer, rasguei um papel que eu pretendia guardar. Falta de atenção da minha parte (ou pressa de acabar logo). E então me perguntei o quanto sou atenciosa ao me livrar de algumas coisas na vida. Acho que já rasguei bastante coisa sem querer.</div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29373879-5749567867422250811?l=semvoar.blogspot.com'/></div>Sarah Toledohttp://www.blogger.com/profile/02059782805031588651noreply@blogger.com8tag:blogger.com,1999:blog-29373879.post-67272724371684016542008-11-23T02:31:00.005-02:002008-11-23T02:43:46.740-02:00Sem sentido<div align="justify">- O que te faz acordar todos os dias?<br /><br />- Se eu disser que é o despertador do celular você fica bravo?<br /><br />- Fico. Estou perguntando o que motiva você a se levantar, se arrumar, se relacionar, viver?...<br /><br />- Pergunta filosófica não apropriada para o horário. Ainda mais se unirmos a isso a fome e o sono. (Fecha os olhos.)<br /><br />- Por que você simplesmente não responde?<br /><br />- ...<br /><br />- Dá para abrir os olhos, por favor?<br /><br />- Eu não entendo! O que importa isso? Não basta que eu acorde todos os dias? E que me levante, me arrume, me relacione?... Não seja paranóico. Você procura uma resposta para si mesmo, mas as coisas nem sempre têm sentido. E nem devem ter...<br /><br />- Viver exige um sentido.<br /><br />- Discordo.<br /><br />- Por quê?<br /><br />- Porque sim! Me diga, você não se cansa de sempre levar as coisas para o lado filosófico e intelectual?<br /><br />- Na verdade... Não. E o mundo faria mais sentido se todas as pessoas fizessem isso.<br /><br />- O <em>seu</em> mundo seria mais feliz se você não fizesse isso.<br /><br />- É a sua opinião.<br /><br />- Sim.<br /><br />- ... E então, o que te faz acordar todos os dias?<br /><br />- Responda você primeiro.<br /><br />- Essa é uma pergunta filosófica não apropriada para o horário.<br /><br />- Pois então...<br /><br />- Eu não sei!<br /><br />- O quê?<br /><br />- O que me faz acordar todos os dias, oras!<br /><br />- Então!<br /><br />- Então o quê?<br /><br />- Se nem você sabe, por que me pergunta? Eu também não sei. E a gente não precisa saber.<br /><br />- Hum... Ok. Mas se você chegar a alguma conclusão, você me diz?<br /><br />- (Fecha os olhos novamente.)<br /><br /><br /><br /><em>-- Mais um diálogo, por falta de tempo de escrever algo consistente. Diálogos acontecem todos os dias (rs). Não fiquem bravos!</em></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29373879-6727272437168401654?l=semvoar.blogspot.com'/></div>Sarah Toledohttp://www.blogger.com/profile/02059782805031588651noreply@blogger.com15tag:blogger.com,1999:blog-29373879.post-65470841861720852892008-11-15T22:37:00.005-02:002008-11-15T22:53:47.344-02:00Depois da parede<div align="justify">Uma das brincadeiras que eu e meus irmãos costumávamos fazer, quando éramos crianças, era algo bem sem noção: nos jogar na parede. Óbvio, não diretamente nela. Colocávamos um colchão enconstado em pé e disputávamos quem pulava mais alto. Quando descobrimos que quanto maior distância tomávamos, mais alto pulávamos, a brincadeira ficou emocionante.</div><div align="justify"></div><div align="justify"><br>Não sei se eles se lembram desse fato, mas eu me lembro bem do dia em que me machuquei. O colchão, que já não era muito firme, às vezes caía no meio da brincadeira. E às vezes caía enquanto alguém ainda estava correndo, o que dava tempo suficiente para a pessoa não se jogar na parede. Mas não dessa vez. Eu tomei uma boa distância, corri muito rápido (seria o salto perfeito!) e me joguei. Na parede vazia, pois o colchão havia caído. Eu me lembro que meus irmãos deram risada e logo se preparam para o próximo que iria se jogar. Mas eu fiquei no chão um bom tempo, com os olhos cheios de lágrimas e com o corpo cheio de dores.</div><div align="justify"></div><div align="justify"><br>Nada mais grave aconteceu, além das dores pelo corpo. Mas o que ficou bem guardado em minha memória foi o momento em que eu fiquei no chão, quase chorando. Com dor. Esperando que meus irmãos parassem de brincar para ver o que havia acontecido comigo. Deve ter sido por um minuto, mas pareceu uns cinco. Naquele momento eu pensei no quanto aquela brincadeira era estúpida. E que eu não queria chorar, pois meus irmãos dariam ainda mais risada. Me levantei e fui assistir televisão, só voltei a brincar no dia seguinte. No dia seguinte eu não achava mais a brincadeira tão estúpida, achava divertido, mas tomava cuidado agora. Esqueci rápido, como toda criança faz. Mas não esqueci totalmente, como todo adulto faz. </div><div align="justify"></div><div align="justify"><br>É interessante que as crianças realmente não pensam muito no que fazem. A brincadeira sem noção não era vista assim por nós. A não preocupação de meus irmãos comigo não foi por maldade. Era apenas algo legal que, naquele momento foi ruim (para mim), e talvez tivesse outros momentos ruins, mas que não estragava todo o resto. Ontem, me lembrando disso, eu pensei que o que foi ruim para mim, me fez crescer de alguma maneira. Me fez enxergar as coisas (a brincadeira) de outro modo. Mas não estragou tudo e não me fez parar de brincar por ter caído uma vez. E pensei também o quanto seria bom se pudéssemos fazer isso em todos os aspectos da vida: levantar diferente e continuar. Mas quando crescemos isso é muito mais difícil.</div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29373879-6547084186172085289?l=semvoar.blogspot.com'/></div>Sarah Toledohttp://www.blogger.com/profile/02059782805031588651noreply@blogger.com12