tag:blogger.com,1999:blog-290874762009-07-15T00:07:59.172+01:00Luís Graça & Camaradas da GuinéBlogue colectivo, criado e editado por Luís Graça, com o objectivo de ajudar os ex-combatentes, de um lado e de outro, a reconstituir o puzzle da memória da guerra colonial, na Guiné. Desde Abril de 2005, formamos já a maior rede social na Net, em português, centrada na experiência desta guerra. Como camaradas que fomos, tratamo-nos por tu. A palavra de ordem é: Não deixes que sejam os outros a contar a tua história por ti!... Co-editores: C. Vinhal, E. J. Magalhães Ribeiro, V. BrioteLuís Graçahttp://www.blogger.com/profile/02855689880579087551lgraca@clix.ptBlogger3859125tag:blogger.com,1999:blog-29087476.post-38888035383059283002009-07-14T23:32:00.002+01:002009-07-14T23:38:13.132+01:00Guiné 63/74 – P4687: Agenda Cultural (21): Djumbai “Storias de Mindjeris), 19 de Julho (Instituto Marquês Valle Flor)<div><br /></div><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_dsU46cigwIM/Sl0IT6sYBWI/AAAAAAAADnw/ljaPkBeTTmQ/s1600-h/image001.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 227px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_dsU46cigwIM/Sl0IT6sYBWI/AAAAAAAADnw/ljaPkBeTTmQ/s320/image001.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358448269906675042" /></a><br /><div style="text-align: center;"><span class="Apple-style-span" style="color: rgb(0, 0, 153); font-size: 24px; font-weight: bold; ">CONVITE </span></div><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></div><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><div style="text-align: justify;">Camaradas Tertulianos, </div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;">Trazemos ao vosso conhecimento mais um amável e gracioso convite que, desde já, muito agradecemos, em nome do Luís Graça e de todos os Camaradas desta grande tertúlia bloguista da Guiné. </div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;">Desta feita, o convite foi-nos endereçado pelo I.M.V.F. - Instituto Marquês Valle Flor, que foi o principal parceiro português da AD - Acção para o Desenvolvimento. </div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;">Este evento vai decorrer no próximo dia 19 de Julho, pelas 15h30, no Salão Nobre do Ateneu Comercial de Lisboa e é composto, por um vídeo: “Fala de Mindjeris” e o Álbum de Retratos “Storias de Minjeris”. </div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;">O vídeo e o álbum são constituídos por relatos no feminino, histórias de vida, que têm como pano de fundo a Guiné-Bissau. </div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;">O Ateneu Comercial de Lisboa, situa-se em: </div><div style="text-align: justify;">Rua Portas de Sto Antão, </div><div style="text-align: justify;">Nº 110 </div><div style="text-align: justify;">Lisboa </div><div style="text-align: justify;">(Próximo do Coliseu dos Recreios) </div><div style="text-align: justify;">Telefone do I.M.V.F.: 213 256 310 </div><div style="text-align: justify;">http://www.im-valle-flor.pt/ </div><div style="text-align: justify;">____________ </div><div style="text-align: justify;">Nota de M.R.: </div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;">(*) Vd. poste anterior, desta série em: </div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia; font-size: 16px; "><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';">26 de Junho de 2009 > </span></span><span class="Apple-style-span" style=" color: rgb(158, 82, 5); font-weight: bold; "><a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/06/guine-6374-p4589-agenda-cultural.html"><span style="color:#9E5205;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';">Guiné 63/74 – P4589: Agenda Cultural (20): Conferência Angola, Contribuição ao Estudo da Génese do Nacionalismo Moderno Angolano, 30 Junho (Edmundo Rocha)</span></span></span></a></span></span></div></span></span><p class="MsoNormal" style="margin-top:6.25pt;margin-right:0cm;margin-bottom: 0cm;margin-left:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align:justify;line-height:normal; mso-outline-level:2"><b><span style="font-family:"Trebuchet MS","sans-serif"; mso-fareast-font-family:"Times New Roman";mso-bidi-Times New Roman"; letter-spacing:-.65pt;mso-fareast-language:PTfont-family:";color:#9E5205;"><o:p></o:p></span></b></p><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29087476-3888803538305928300?l=blogueforanadaevaotres.blogspot.com'/></div>Eduardo J. Magalhães Ribeirohttp://www.blogger.com/profile/11788153894877896960noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-29087476.post-8834967343791533472009-07-14T18:30:00.003+01:002009-07-14T19:05:54.832+01:00Guiné 63/74 - P4686: Tabanca Grande (162): José Eduardo Oliveira, ex-Fur Mil, CCAÇ 675, Binta, 1965/66<a href="http://3.bp.blogspot.com/_pMkPOXBWOec/SlyR2kyKIbI/AAAAAAAAWv0/BR-dybEWHu0/s1600-h/Guine_JERO_Livro_Capa_v1.JPG"><img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 289px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358318023437066674" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_pMkPOXBWOec/SlyR2kyKIbI/AAAAAAAAWv0/BR-dybEWHu0/s400/Guine_JERO_Livro_Capa_v1.JPG" /></a> Capa do livro, edição de autor, Golpes de Mão's - Memórias da Guiné, de José Eduardo Reis de Oliveira. Prefácio do Ten Gen Alípio Tomé Pinto, o famoso Capitão de Binta (CCAÇ 675, 1965/66).<br /><br /><a href="http://4.bp.blogspot.com/_pMkPOXBWOec/SlyRwRGUb4I/AAAAAAAAWvs/8QkreUnvTt0/s1600-h/Guine_JERO_Hoje.JPG"><img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 280px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358317915073703810" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_pMkPOXBWOec/SlyRwRGUb4I/AAAAAAAAWvs/8QkreUnvTt0/s400/Guine_JERO_Hoje.JPG" /></a> O novo membro da nossa Tabanca Grande, o José Eduardo Oliveira, com a sua neta mais nova, a Nana... Tem ainda um <em>turra,</em> de 7 anos, o Pedro.<br /><br /><a href="http://4.bp.blogspot.com/_pMkPOXBWOec/SlyRqd44qNI/AAAAAAAAWvk/k5nV9uXizEc/s1600-h/Guine_JERO_Ontem.JPG"><img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 339px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358317815427803346" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_pMkPOXBWOec/SlyRqd44qNI/AAAAAAAAWvk/k5nV9uXizEc/s400/Guine_JERO_Ontem.JPG" /></a> Guiné > Região do Cacheu > Binta > CCAÇ 675 (1965/66) > O ex-Fur Mil Oliveira, com "duas meninas felizes, de que já não recordo o nome"...<br /><br /><a href="http://1.bp.blogspot.com/_pMkPOXBWOec/SlyRhQd5-RI/AAAAAAAAWvc/obMb1bpMnGo/s1600-h/Guine_JERO_CCAC_675_Abatises.JPG"><img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 261px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358317657206159634" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_pMkPOXBWOec/SlyRhQd5-RI/AAAAAAAAWvc/obMb1bpMnGo/s400/Guine_JERO_CCAC_675_Abatises.JPG" /></a>Guiné > Região do Cacheu > Binta > CCAÇ 675 (1965/66) > Ainda era o tempo das abatizes (grossos troncos de árvores, abatidas pela guerrilha, e que funcionavam como obstáculo, nas estradas e picadas, à progressão das colunas auto das NT)... E, como se pode ver pela foto, ainda era o tempo em que os militares portugueses eram obrigados a usar os insuportáveis capacetes de aço!...<br /><br /><br /><a href="http://2.bp.blogspot.com/_pMkPOXBWOec/SlyRYQ965mI/AAAAAAAAWvU/9Wl9pc4439I/s1600-h/Guine_JERO_CCAC_675_Sao_Joao.JPG"><img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 278px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358317502721615458" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_pMkPOXBWOec/SlyRYQ965mI/AAAAAAAAWvU/9Wl9pc4439I/s400/Guine_JERO_CCAC_675_Sao_Joao.JPG" /></a>Guiné > Região do Cacheu > Binta > CCAÇ 675 (1965/66) > Ao fundo, a Vila Tomé Pinto... Em primeiro plano, dois foliões, na festa de S. João (ou no Carnaval ?)<br /><br /><strong><strong><em>' (...) ' À margem da guerra', criámos junto da tabanca nova uma nova BINTA …onde fomos quase tudo… O céu era o limite… Fomos professores, alunos, arquitectos, pedreiros, carpinteiros, agricultores, agentes do totobola, jornalistas, artistas de teatro e músicos, dançarinos de batuque, toureiros, forcados, jogadores de futebol e voleibol, fadistas, pêemes, pescadores, caçadores, padeiros e …sei lá que mais!' (...) (JERO)</em></strong></strong><br /><br /><br /><strong>1.</strong> O José Eduardo Reis de Oliveira é jornalista profissional, trabalha na imprensa regional, sendo actualmente sud-director do jornal <em>O Alcoa,</em> quinzenário, com sede em Alcobaça e uma tiragem de 8 mil exemplares.<br /><br /><a href="http://4.bp.blogspot.com/_pMkPOXBWOec/SlySvAblK4I/AAAAAAAAWwE/CHotAqFu8mk/s1600-h/Guine_JERO_Cap_Tome_Pinto_v1.JPG"><img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 195px; FLOAT: left; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358318992931236738" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_pMkPOXBWOec/SlySvAblK4I/AAAAAAAAWwE/CHotAqFu8mk/s200/Guine_JERO_Cap_Tome_Pinto_v1.JPG" /></a>Recentemente, em Maio passaddo, na sua terra natal, Alcobaça, o José Eduardo lançou o seu livro de memórias da guerra colonial, <em>Golpes de Mão’s – Memórias de Guerra</em>, de cerca de 440 pp., com prefácio do Ten Gen Alípio Tomé Pinto, antigo comandante da CCAÇ 675 (Binta, 1964/65), ele próprio ferido em combate (foto, à esquerda).<br /><br />O José Eduardo confirmou-me, por telefone, o carisma que este homem (o então Cap QP Tomé Pinto) possuía, entre os seus soldados e a própria população local... Era conhecido como o <strong>Capitão de Binta</strong>. Todos quiseram tocar-lhe quando foi evacuado, de heli, para Bissau, depois de ferido em combate.<br /><br /><strong><br /><span style="color:#ff0000;">" Mais do que pela bandeira o soldado bate-se pelo seu capitão", escreve o José Eduardo, numa apresentou em power ppoint que me enviou, subordianada ao título <em>Memórias em Dois Tempos</em>.</span></strong><br /><br />O José Eduardo (que é conhecido no meio jornalístico pelo seu acrónimo, JERO, e que foi Fur Mil naquela subunidade, entre 1965 e 1966, tendo inclusive feito a respectiva história, documento que foi classificado como confidencial) teve a gentileza de me mandar um exemplar autografado do seu primeiro livro, <em>Golpes de Mão's</em>, do qual irei fazer uma gostosa recensão crítica... depois de o ler nas férias.<br /><br />Eis um excerto do mail que ele mandou em 21 de Junho último:<br /><br /><em>"Caro Luís Graça: (...) Como gratidão pelo que tem feito ao longo dos anos pelas nossas 'memórias' colectivas, gostaria muito de lhe oferecer um exemplar. Envio-lhe em anexo uma 'apresentação' em power point. O livro, que é edição de autor, tem 440 páginas com 190 fotografias e mapas.<br /><br />"Agradeço que me informe o seu endereço para lhe enviar o livro em causa, de que também tenho suporte informático.<br /><br />"Melhores cumprimentos. José Eduardo Reis de Oliveira" (...)</em><br /><br /><br /><img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 279px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358319652197128978" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_pMkPOXBWOec/SlyTVYY0WxI/AAAAAAAAWwM/B30u6iaXCog/s400/Guine_JERO_Diario_v1.JPG" />Capa do 1º Volume do documento classificado <em>Diário da Companhia de Caçadores 675 - Dois Anos de Guiné</em>, elaborado com "elementos colhidos pelo Fur Mil Oliveira".<br /><br /><br /><strong>2.</strong> Respondi-lhe nestes termos, a agradecer a oferta e as amáveis palavras do autor:<br /><br /><em>Meu caro José Eduardo:<br /><br />Deixa-me que te trate por tu, que é o tratamento (romano) entre pares e camaradas... És um homem de letras, como eu, e sobretudo um ex-combatente da Guiné, como eu... Obrigado pela gentileza do teu gesto. Terei muito em fazer uma recensão crítica do teu livro no nosso blogue e divulgá-lo... Os meus parabéns pela concretização da ideia de transformares o teu diário em livro. Estou muito curioso por lê-lo... até por que não há referências, no nosso blogue, à tua CCAÇ 675...<br /><br />Gostaria, antes de mais, de convidar-te para ingressares na nossa Tabanca Grande, o lugar da blogosfera onde cabem todos os camaradas da Guiné. Se aceitares, é também uma honra para todos, dos mais velhinhos aos piras... Se és leitor do nosso blogue, sabes qual o nosso espírito o nosso objectivo: partilhar e contar histórias... Somos também um blogue de afectos, como podes ver pelos relatos do nosso último encontro, aí perto de ti, em Monte Real (...)</em><br /><br /><strong>3.</strong> O José Eduardo Oliveira, conhecido dos seus leitores como JERO, respondei-me no próprio dia:<br /><br /><em>Meu caro Luís Graça<br /><br />Sou hoje um homem feliz pelas tuas palavras. Pelo tratamento 'romano' e por sentir que estou a entrar para um grande clube... que leio e releio vezes sem conta.<br /><br />Tenho muitas histórias da minha '675' e sinto uma obrigação especial a partir deste momento: tenho que preencher o vazio de mais de 40 anos.<br /><br />Há no meu livro de memórias algumas páginas sobre o desastre do Pelotão de Morteiros 980, em 5 de Janeiro de 1965, que vos irá surpreender. E não só. Também sobre o Padre Gama, o Coronel Fernando Cavaleiro e do grande Capitão de Binta, Alípio Tomé Pinto.<br /><br />Amanhã vai seguir o livro e logo que possível vou aparecer ao vivo para um apertado abraço.<br /><br />Até sempre e...até breve.<br /><br />José Eduardo Reis de Oliveira.</em><br /><br /><strong>4.</strong> Mais recentemente, a 12 do corrente, o José Eduardo disse-me que vinha a Lisboa e que poderíamo-nos encontrar, na próxima semana (o que está combinado e confirmado por telefone).<br /><br /><em>Caro Luís<br /><br />~(...) Volto a ar notícias porque vou estar em Oeiras durante a próxima semana. Vou fazer uma 'comissão' de avô. Seis dias a aturar um 'turra' de quase 8 anos!<br /><br />Como vou estar por perto de Lisboa pergunto se posso aparecer para uma pequena cavaqueira. Em caso afirmativo qual o melhor dia e hora? Tenho o teu telefone – 21 751 21 93 [,e não 21 751 21 96, como eu te comuniquei, por erro ]- que no entanto só utilizarei depois das tuas notícias para um eventual acerto de pormenores.<br /><br />Entretanto mando um texto que, se tiver algum interesse, poderás juntar aos escritos dos velhotes da Tabanca Grande.<br /><br />Um abraço e até breve, assim o espero.<br />José Eduardo Oliveira<br />Telemóvel [ já registei].</em><br /><br /><strong>5.</strong> Comentário de L.G.:<br /><br />Que mais dizer-te, depois do nosso último contacto telefónico ? Que gostei dos teus escritos (o livro ainda não o li, só o folheei...), gostei de falar de falar contigo ao telefone, gostei de saber que também tens magníficas recordações de Binta, que és um português positivo, que és um avô babado e ternurento... E que mais ? Que estás apresentado ao pessoal da Tabanca Grande, que já estás cadastrado, que és bem vindo a este blogue, de que és fã e leitor assíduo... e que vamos ficar ansiosos pelas tuas histórias... Irei rapidamente publicar o teu notável texto 'Depois da guerra... o stresse da paz'... Vem mesmo a calhar, quero eu dizer, é editorialmente muito oportuno.<br /><br />Um Alfa Bravo, camarada. Luís<br /><br />_________<br /><br />Nota de L.G.:<br /><br /><br />(*) O último poste desta série Tabanca Grande é de 11 de Julho de 2009 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/07/guine-6374-p4669-tabanca-grande-161-um.html">Guiné 63/74 - P4669: Tabanca Grande (161): António Torcato Oliveira, um sobrevivente de Gandembel/Balana, ex-1º Cabo da CCAÇ 2317 (1968/69)</a><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29087476-883496734379153347?l=blogueforanadaevaotres.blogspot.com'/></div>Luís Graçahttp://www.blogger.com/profile/02855689880579087551lgraca@clix.pt2tag:blogger.com,1999:blog-29087476.post-4204031097765142702009-07-14T14:30:00.002+01:002009-07-14T21:40:06.610+01:00Guiné 63/74 - P4685: In Memoriam (26): Recordando o Major Raul Passos Ramos (José Borrego)<a href="http://4.bp.blogspot.com/_7fkEU8QYw6U/SlyDALQlsnI/AAAAAAAAFaw/7gJCKrkNuzA/s1600-h/Jos%C3%A9+Francisco+Borrego-2.BMP"><img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 146px; FLOAT: left; HEIGHT: 184px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358301695709655666" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_7fkEU8QYw6U/SlyDALQlsnI/AAAAAAAAFaw/7gJCKrkNuzA/s200/Jos%C3%A9+Francisco+Borrego-2.BMP" /></a><strong>1.</strong> Mensagem de José Borrego <span style="font-size:78%;">(*)</span>, Ten Cor na Reserva, que pertenceu ao Grupo de Artilharia n.º 7 de Bissau e ao 9.º Pel Art, <a href="http://www.ensp.unl.pt/luis.graca/guine_guerracolonial68_mapa_Pirada.html">Bajocunda</a> (Guiné, 1970/72), com data de 12 de Julho de 2009:<br /><br />Caríssimo Carlos Vinhal,<br /><br />Sem querer abusar da tua paciência e amizade envio-te para publicação, se assim o entenderes, mais este contributo antes das férias. Com os meus agradecimentos deixo a estética do trabalho ao teu altíssimo critério.<br /><br />No Poste 4653 do camarada Álvaro Basto vi, pela primeira vez, os majores Pereira da Silva, Raul Passos Ramos, Osório e o alferes Mosca do Estado-Maior do CAOP1 em Teixeira Pinto, assassinados, na Guiné, na estrada que liga Pelunto a Jolmete <span style="font-size:78%;">(**)</span>.<br /><br />Quando, em Julho de 1970, cheguei à Guiné não se falava de outra coisa!<br /><br />As mortes tinham sido em Abril e ainda me lembra de ver o Senhor General Spínola de luto, fita preta, no braço <span style="font-size:78%;">(***)</span>.<br /><br />Dizia-se em Bissau que tinha desaparecido, ingloriamente, a fina flor do Exército Português!<br /><br />Estou muito grato ao blogue por publicar as fotografias e ao camarada Álvaro Basto por as ter arranjado, desfazendo equívocos, as quais me serviram de inspiração para escrever estas palavras sobre pessoas que foram brutalmente mortas numa missão muito arriscada… (receber a rendição de dois bigrupos na região de Canchungo ), como infelizmente se veio a verificar.<br /><br />Segundo o irmão de Amílcar Cabral (Luís Cabral) que foi Presidente da Guiné-Bissau, o plano consistia em apanhar à mão o Governador (General Spínola) e os seus companheiros, mas este foi desencorajado pelo excelso e avisado Tenente-coronel Pedro Cardoso, que na altura era o Secretário-Geral da Guiné, que numa carta enviada ao Sr. General Spínola lhe terá dito que era perigoso envolver-se em contactos pessoais com os dirigentes sob controlo inimigo, propondo-lhe que, de futuro, os contactos se passassem a fazer em Bissau, no Palácio. Isto porque em data anterior (primeiros dias de Abril) o Comandante-chefe ter-se-á encontrado, secretamente, com André Pedro Gomes, chefe guerrilheiro da região Caboiana-Churo, para negociações de paz, na estrada entre Teixeira-Pinto/Cacheu.<br /><br />As circunstâncias da morte dos militares em apreço, já foram relatadas por camaradas que viveram de perto a situação e publicadas no blogue.<br /><br />Apenas falarei de algumas qualidades do major Raul Passos Ramos, porque conheço o seu irmão, general Fernando Passos Ramos, de quem sou amigo há muitos anos. Aliás, quando soube do falecimento do seu irmão Raul, voou do Leste de Angola para a Guiné para se inteirar da situação.<br /><br />Nunca tive o privilégio de conhecer pessoalmente o major Passos Ramos, mas conheço testemunhas credíveis de camaradas do QP que serviram sob o seu comando, dos quais guardo na memória algumas qualidades humanas e militares do major Passos Ramos, relatadas por eles, e que passo a descrever:<br /><br />Na década de 60, ainda capitão, o major Passos Ramos esteve a prestar serviço na Escola Prática de Artilharia em Vendas Novas;<br /><br />Era um oficial distintíssimo, muito respeitado pelo seu constante exemplo (era um exemplo a seguir);<br /><br />Era de uma dedicação e competência inexcedíveis, surpreendendo os mais dedicados e competentes!<br /><br />Como comandante de Bateria (equivalente a Companhia na Infantaria) preocupava-se com os seus soldados, principalmente com os mais necessitados; conhecia-os a todos pelo nome e não pelo número... conversava com eles e sabia das dificuldades por que passavam. Alguns eram casados com filhos e o Capitão Ramos para lhes minimizar o sofrimento mandava-os entrar de licença para poderem trabalhar e contribuir para o sustento das suas famílias;<br /><br />Todos os militares, principalmente oficiais, o queriam imitar…;<br /><br />Oferecia-se para missões em lugar de outros camaradas que estivessem em dificuldades;<br /><br />Quando entrava de Oficial de Dia à Escola Prática de Artilharia a população de Vendas Novas comparecia em peso para assistir à cerimónia do Render da Parada num gesto de profunda homenagem e consideração ao capitão Passos Ramos!<br /><br />Enfim, era um Homem bom que do meu ponto de vista, merece ser recordado com todo o respeito e admiração!<br /><br />Ao major Passos Ramos e aos restantes militares que faleceram com ele no cumprimento de uma missão, rogo a Deus para que as suas almas descansem em paz.<br /><br />Despeço-me, desejando a todos as camaradas da Tabanca Grande e respectivas famílias, umas boas férias.<br /><br />Abraços do<br />JOSÉ BORREGO<br /><br /><strong>Nota: - </strong>Na construção dos parágrafos cinco e seis, apoiei-me no livro do Tenente-coronel Infª Francisco Proença Garcia (Mestre em Relações Internacionais pela Universidade Portucalense Infante Henrique)<br /><br />Linda-a-Velha, 12 de Julho de 2009<br /><br /><a href="http://4.bp.blogspot.com/_7fkEU8QYw6U/SlyCTmvr2KI/AAAAAAAAFao/I8i7Ck5tecg/s1600-h/Guine_Chao_Manjaco_Majores_1970.jpg"><img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 328px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358300929993726114" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_7fkEU8QYw6U/SlyCTmvr2KI/AAAAAAAAFao/I8i7Ck5tecg/s400/Guine_Chao_Manjaco_Majores_1970.jpg" /></a> <strong><span style="font-size:85%;">Na foto: Majores Joaquim Pereira da Silva e Raul Passos Ramos, Alf Mil Fernando Giesteira Gonçalves e Major Magalhães Osório</span></strong><br /><br /><a href="http://2.bp.blogspot.com/_7fkEU8QYw6U/SlyCGl-d4pI/AAAAAAAAFag/uBUw2pzR2Kk/s1600-h/MRTIRE~1.JPG"><img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 316px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358300706448990866" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_7fkEU8QYw6U/SlyCGl-d4pI/AAAAAAAAFag/uBUw2pzR2Kk/s400/MRTIRE~1.JPG" /></a>__________<br /><br />Notas de CV:<br /><br />(*) Vd. poste de 2 de Julho de 2009 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/07/guine-6374-p4628-estorias-avulsas-38.html">Guiné 63/74 - P4628: Estórias avulsas (38): Histórias passadas na Guiné (José Borrego)</a><br /><br />(**) Vd. poste de 7 de Julho de 2009 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/07/guine-6374-p4653-dando-mao-palmatoria.html">Guiné 63/74 - P4653: Dando a mão à palmatória (21): A verdadeira fotografia do Alf Mil Cav Mosca, assassinado no dia 21 de Abril de 1970 (Os Editores)</a><br /><br />(***) Vd. postes de:<br /><br />8 de Fevereiro de 2007 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2007/02/guin-6374-p1503-dossi-o-massacre-do-cho.html">Guiné 63/74 - P1503: Dossiê: O Massacre do Chão Manjaco (Afonso M. F. Sousa) (6): Fotografia dos três majores (Sousa de Castro)</a><br /><br />9 de Fevereiro de 2007 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2007/02/guin-6374-p1510-os-heris-do-cho-manjaco.html">Guiné 63/74 - P1510: Os heróis do Chão Manjaco e o Alferes Giesteira (Paulo Raposo)</a><br /><br />27 de Julho de 2007 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2007/07/guin-6374-p2004-dossi-o-massacare-do.html">Guiné 63/74 - P2004: Dossiê O Massacre do Chão Manjaco (Afonso M.F. Sousa) (Anexo A): Depoimento de Fur Mil Lino, CCAÇ 2585 (Jolmete, 1970)</a><br /><br />30 de Julho de 2007 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2007/07/guin-6374-p2007-dando-mo-palmatria-1.html">Guiné 63/74 - P2008: Dando a mão à palmatória (1): A fotografia dos saudosos majores Pereira da Silva, Passos Ramos e Osório (João Tunes / Editores)</a><br /><br />1 de Dezembro de 2007 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2007/11/guin-6374-p2310-relatrios-secretos-1-o.html">Guiné 63/74 - P2320: Relatórios Secretos (1): Massacre do Chão Manjaco: O resgate dos corpos (Virgínio Briote)</a><br /><br />Vd. último poste da série de 6 de Julho de 2009 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/07/guine-6374-p445-in-memoriam-25-maria-da.html">Guiné 63/74 - P4645: In Memoriam (25): Maria da Glória Revez Allen Beja Santos (1976-2009): Missa do 7º dia, 4ª feira, 19h, Igreja do Campo Grande</a><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29087476-420403109776514270?l=blogueforanadaevaotres.blogspot.com'/></div>Carlos Vinhalhttp://www.blogger.com/profile/02513603707400841996noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-29087476.post-20317041634687439192009-07-14T12:30:00.003+01:002009-07-14T12:31:59.748+01:00Guiné 63/74 - P4684: (Ex)citações (33): Milicianos ou do Quadro Permanente, todos fomos combatentes (Paulo Santiago)<a href="http://3.bp.blogspot.com/_7fkEU8QYw6U/SlxspCswdWI/AAAAAAAAFaY/ksz5klRrW-c/s1600-h/Paulo+Santiago+-2.jpg"><img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 189px; height: 184px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_7fkEU8QYw6U/SlxspCswdWI/AAAAAAAAFaY/ksz5klRrW-c/s200/Paulo+Santiago+-2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358277109019080034" /></a><strong>1.</strong> No dia 13 de Julho de 2009, Paulo Santiago <span style="font-size:78%;">(*)</span>, Ex-Alf Mil, Cmdt do Pel Caç Nat 53,<br /><a href="http://www.ensp.unl.pt/luis.graca/guine_guerracolonial49_mapa_Contabane.html">Saltinho</a>, 1970/72, fez este comentário no poste Guiné 63/74 - P4672 <span style="font-size:78%;">(**)</span>:<br /><br />Queiram desculpar, estas discussões estéreis, ía dizer, já cheiram mal, mas digo melhor, são uma MERDA...<br /><br />Será que este blogue passou a ser um espaço para <em>historiadores</em> e <em>doutrinadores</em>?<br /><br />Milicianos versus QP's, qual o interesse? Houve bons e maus, nos dois campos, mas isto é uma afirmação à La Palisse. Já contei por aí parte da minha vivência na Guiné, e sabem que o pior <em>personagem</em> que encontrei naquele <em>teatro</em> foi precisamente um miliciano (Capitão). Daqui não vou generalizar, que todos os milicianos (eu incluído) eram maus, seria um ultrage. Mas esta generalização(sem Generais, como algures diz o Mexia Alves) está a ser tentada em relação aos militares do QP. Não vou falar de militares do QP que conheci e eram excelentes, vou até Guiledje (só cá faltava, dirão) para lembrar dois mortos, o Cap Tinoco de Faria e o Cap Assunção Silva... eram do QP.<br /><br />Dirão alguns, "...e quantos Milicianos lá morreram"? Muitos, direi eu, incluindo Soldados. Mas deixemos Guiledje e vamos até Guidaje (já agora!?), penso que foi o meu amigo e conterrâneo, Vitor Tavares, que falou no assunto num poste inserido no blogue, há meses atrás, quando contou a odisseia do socorro dos Páras aquele aquartelamento na fronteira com o Senegal. Contava ele, ficarem impressionados verem um tipo, já não muito novo, quando dos ataques, de pingalim na mão, a coordenar o fogo de morteiros e outras armas, com rebentamentos a toda a volta. Tratava-se do Major Correia de Campos. E para que não esqueçam, relembro o "<em>massacre do Chão Manjaco</em>", morreu um Alf Mil, mas morreram três Majores da <em>nata</em> de Oficiais Superiores do ComChefe.<br /><br />O nosso camarada Mário Fitas falou, várias vezes, com admiração, no Cap Costa Campos, comandante dos "<em>Lassas</em>", que participava nas Operações, apesar de já andar nos quase 40 anos de idade.<br /><br />Fui buscar estes exemplos, há mais, porque me chateia esta <em>treta</em> de descarregar as culpas sobre os oficiais do QP. Parece que não andámos todos lá... Parece que o Xime, onde esteve o Pereira da Costa era uma colónia de férias...<br />Fui miliciano com orgulho, não tenho qualquer ligação familiar com militares do Quadro, mas não tenho qualquer preconceito em relação a eles. Temos alguns aqui no blogue... poderíamos ter mais... acabemos com estas <em>tricas</em>.<br /><br />Abraço<br />P.Santiago<br />__________<br /><br />Notas de CV:<br /><br />(*) Vd. poste de 18 de Março de 2009 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/03/guiine-6374-p4046-trinta-e-s-anos.html">Guiné 63/74 - P4046: Ainda a atroz dúvida da Cidália, 37 anos depois: O meu marido morreu mesmo na emboscada do Quirafo ? (Paulo Santiago)</a><br /><br />(**) Vd. poste de 12 de Julho de 2009 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/07/guine-6374-p4672-blogoterapia-114-quem.html">Guiné 63/74 - P4672: Blogoterapia (114): Quem somos nós? (António J. Pereira da Costa)</a><br /><br />Vd. último poste da série de 7 de Julho de 2009 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/07/guine-6374-p4650-excitacoes-32-tabanca.html">Guiné 63/74 - P4650: (Ex)citações (32): A Tabanca Grande ou... Global: de Contuboel, Fajonquito e Bissau com amizade (Cherno Baldé)</a><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29087476-2031704163468743919?l=blogueforanadaevaotres.blogspot.com'/></div>Carlos Vinhalhttp://www.blogger.com/profile/02513603707400841996noreply@blogger.com4tag:blogger.com,1999:blog-29087476.post-35921841849896296162009-07-14T00:20:00.001+01:002009-07-14T00:26:20.227+01:00Guiné 63/74 - P4683: Estórias de Mansambo II (Torcato Mendonça, CART 2339) (6): Cansamba II, o Serra e o Burro<a href="http://1.bp.blogspot.com/_pMkPOXBWOec/SluwimSF7RI/AAAAAAAAWvE/ObsvIY1PSX0/s1600-h/Guine_Mansambo_Picada_TM2_9.JPG"><img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 285px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358070290125810962" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_pMkPOXBWOec/SluwimSF7RI/AAAAAAAAWvE/ObsvIY1PSX0/s400/Guine_Mansambo_Picada_TM2_9.JPG" /></a><br /><br /><div><a href="http://4.bp.blogspot.com/_pMkPOXBWOec/SlutvCV62rI/AAAAAAAAWu8/Ue74nXJwu0g/s1600-h/Guine_Candama_TM020_v2.JPG"><img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 266px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358067205281602226" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_pMkPOXBWOec/SlutvCV62rI/AAAAAAAAWu8/Ue74nXJwu0g/s400/Guine_Candama_TM020_v2.JPG" /></a> </div><br /><div>Guiné > Zona Leste > Subsector de Galomaro > 2º Gr Comb da CART 2339 (Julho/Agosto de 1969) > Fotos Falantes II (9) e I (20) > Aspectos da vida do 2º Gr Comb, vindo de Mansambo, destacado em Julho/Agosto de 1969, para o reforço do subsector de Galomaro, incluindo as tabancas em autodefesa de<a href="http://www.ensp.unl.pt/luis.graca/guine_guerracolonial47_mapa_Duas_Fontes.html"> Cansamba</a> e Candamã. O Serra, guarda-costas do Alf Mil Torcato Mendonça, em cima, de toalha ao ombro na Tabanca de Candamã (FII, 9). Ou de T-Shirt, branca, num burrinho (Unimog 411), na picada Candamã-Áfia.</div><br /><div></div><br /><div>Fotos: © <a href="mailto:torcatomendonca@gmail.com">Torcato Mendonça</a> (2009). Direitos reservados.</div><br /><div></div><br /><div><br /><div><strong></strong></div><br /><div><strong></strong></div><br /><div><strong><span style="font-size:130%;">Estórias de Mansambo II ></span></strong></div><br /><div><strong></strong></div><br /><div><strong>CANSAMBA – II > O SERRA E O BURRO</strong> (*)</div><br /><div>por Torcato Mendonça<br /><br /></div><br /><div>Há tempos, ao ver, no blogue, a foto de um burro do Saltinho (**) lembrei-me do Serra.<br /><br />Na vida civil era negociante de gado. Só fez a 4ª classe na tropa. Contudo era, em cálculo mental, de uma agilidade prodigiosa. Contas com Notas – terminologia empregue nas feiras de gado – tinham resultado certo.<br /><br />Quando tirou a especialidade em Évora não parecia vir a ser grande combatente. A sua parte física era fraca; estava perro, descoordenado. A saltar o muro, mesmo o mais baixo, dizia: </div><br /><div>- Não me <em>astrevo</em>... - E ficava grudado ao chão. </div><br /><div></div><br /><div>Evoluiu com o avançar da instrução. Na Guiné foi excelente combatente e meu guarda-costas. As aparências enganam às vezes; mas só às vezes e raramente. Este caso foi a excepção à regra.<br /><br />Estávamos em Cansamba e havia ou apareceu por lá um asno. Não me lembro como. Era raro aparecerem burros ou cavalos naquela terra quando, anos antes, havia bastantes. Há Lendas lindas sobre os feitos dos guerreiros, Fulas e Mandingas, com os seus cavalos. Diziam os velhos que o cheiro da gasolina os matou. Claro que não foi. Deve ter sido a febre equídea ou outra parecida.<br /><br />O Serra descobriu o burro. A alegria foi enorme. Por força queria dar uma volta com o asno. O dono não estava pelos ajustes e, temendo qualquer contratempo, teve que ser convencido pelo dinheiro. Talvez cinquenta escudos. Parece muito dinheiro para aquele tempo. Não sei ao certo.<br /><br />O que sei é que o Serra cavalgou o burro e ficou tremendamente feliz.<br /><br />O dono, certamente a temer algo, desapareceu com o burro para desgosto no nosso feirante cavaleiro.<br /><br />Voltei a encontrar o Serra, em Évora trinta e cinco anos depois mas não falámos em burros. Talvez um dia falemos.<br />________________</div><br /><div></div><br /><div>Notas de L.G.:<br /><br />(*) Vd. poste anterior desta série > 1 de Julho de 2009 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/06/guine-6374-p4670-estorias-de-mansambo.html">Guiné 63/74 - P4618: Estórias de Mansambo II (Torcato Mendonça, CART 2339) (5): Cansamba, subsector de Galomaro, 1 de Agosto de 1969</a> </div><br /><div></div><br /><div>(**) Vd. postes de:</div><br /><div></div><br /><div><br /><div>1 de Agosto de 2007 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2007/08/guin-6374-p2019-lbum-das-glrias-23-o.html">Guiné 63/74 - P2019: Álbum das Glórias (23): O mestre-escola do Saltinho (Joaquim Guimarães, CCAÇ 3490, 1972/74)</a> </div><br /><div></div>Vd. também poste de 6 de Novembro de 2007 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2007/11/guin-6374-p2244-cusa-di-nos-terra-12.html">Guiné 63/74 - P2244: Cusa di nos terra (12): Ainda vi burros em Bafatá (Beja Santos)</a> </div><br /><div></div></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29087476-3592184184989629616?l=blogueforanadaevaotres.blogspot.com'/></div>Luís Graçahttp://www.blogger.com/profile/02855689880579087551lgraca@clix.pt0tag:blogger.com,1999:blog-29087476.post-66238798760306989812009-07-14T00:01:00.001+01:002009-07-14T00:23:22.604+01:00Guiné 63/74 - P4682: Memória dos lugares (35): Guiné, Sol e Sangue, de Armor Pires Mota, CCAV 488, 1963/65 (José Marques Ferreira)<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_dsU46cigwIM/Slu3-3TpTDI/AAAAAAAADno/8MrL7vTzGFU/s1600-h/Jos%C3%A9%2BMarques+Ferreira-2.jpg"><img style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 141px; FLOAT: left; HEIGHT: 184px; CURSOR: pointer" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358078472313457714" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_dsU46cigwIM/Slu3-3TpTDI/AAAAAAAADno/8MrL7vTzGFU/s320/Jos%C3%A9%2BMarques+Ferreira-2.jpg" /></a> <div style="TEXT-ALIGN: justify"><b><span class="Apple-style-span" style="color:#000099;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;">1. </span></span></span></b><span class="Apple-style-span" style="color:#000099;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;">Mensagem de José Marques Ferreira, que foi Soldado Apontador de Armas Pesadas da CCAÇ 462, Ingoré 1963/65, com data de 13 de Julho de 2009: </span></span></span></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><br /></span></span></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;">Meus Caros Camaradas; </span></span></div><div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><br /></span></span></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;">Estive ontem a tentar reler um livro de um ex-camarada, insigne escritor bairradino, meu particular amigo, que já foi convidado a fazer parte da Tertúlia, com o título abaixo descrito. </span></span></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><br /></span></span></div></div><div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;">A certo momento na sua prosa encontrei uma definição de uma terra (em áreas mais ou menos longas), conhecida de todos nós. Não aceito que esta descrição esteja apenas “depositada” no livro, sem ver a luz internauta, imensa e sem fim. </span></span></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><br /></span></span></div></div><div><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;">Nela está o que podemos chamar de definição da GUINÉ, muito bem retratada pela óptica daquele camarada. </span></span></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><br /></span></span></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;">Assim: </span></span></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></div><div style="TEXT-ALIGN: center"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><b><span class="Apple-style-span" style="color:#663333;"><span class="Apple-style-span" style="font-size:x-large;">GUINÉ, SOL E SANGUE </span></span></b></span></div><div style="TEXT-ALIGN: center"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';color:#663333;"><b><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><br /></span></b></span></div></span></div><div><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;">Do livro «Guiné, Sol e Sangue», de Armor Pires Mota, ex-combatente na Guiné, 1963-1965, CCAV 488 do BCAV 490, respigamos, com a devida vénia ao autor e amigo, da página 62 daquele seu livro, Editora Pax, 1968, esta passagem, que admiro: </span></span></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="color:#000099;"><i><b><span class="Apple-style-span" style="font-size:medium;">“Guiné, misteriosa com rondas de feitiços e magias, terra de cruz, sonho e glória, céu liso e tardes de sol em brasa calcinando o chão, as almas.Terra de irãs e vertigens, hoje sou um pouco de ti e da tua gente: tenho no sangue as tuas veias, porque amoldei tanta vez o meu corpo, a tremer, à poeira dos caminhos avermelhados ou às algas dos pântanos doentios. Tenho no sangue o sangue da tua gente: carreguei com um negro ferido, dei pão ao garotio, admirei o ébano das raparigas, tenho, para recordação, uma tábua de marabú, um terço de mandinga e uma ligeira cicatriz. </span></b></i></span></span></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';color:#000099;"><b><i><br /></i></b></span></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="color:#000099;"><i><b><span class="Apple-style-span" style="font-size:medium;">Porque será que, embora, sofrendo, hoje te adoro, terra de sol e azul em fogo?”</span></b></i></span><b> </b></span></div></span><div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><br /></span></span></div><img style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 226px; CURSOR: pointer" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358077952100422386" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_dsU46cigwIM/Slu3glXMUvI/AAAAAAAADng/yesXtjuiEf4/s320/GUINE+PALACIO+GOVERNADOR.jpg" /><span class="Apple-style-span" style="color:#000099;"> <div style="TEXT-ALIGN: center"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"></span></span></div><div style="TEXT-ALIGN: center"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;">Um dos que foi dos mais belos edifícios da Guiné, o Palácio do Governador </span></span></div></span></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><br /></span></span></div><div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;">Para todos um abraço, </span></span></span></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;">J.M. Ferreira </span></span></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><br /></span></span></div><b><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;">Foto: © José Marques Ferreira (2009). Direitos reservados. </span></span></span></div></b><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;">____________ </span></span></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;">Notas de M.R.: </span></span></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><br /></span></span></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;">(**) Vd. último poste da série em: </span></span></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><br /></span></span></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;">11 de Julho de 2009 > </span></span><span style="LETTER-SPACING: -1px; COLOR: rgb(158,82,5); FONT-WEIGHT: bold" class="Apple-style-span"><a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/07/guine-6374-p4670-memoria-dos-lugares-34.html"><span style="color:#9e5205;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;">Guiné 63/74 - P4670: Memória dos lugares (34): Álbum de Memórias de Bafatá 1968/70 (Regina Gouveia)</span></span></span></a></span></span></div></span><p style="TEXT-ALIGN: justify" class="MsoNormal"><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><i style="mso-bidi-font-style: normal"><span style="Trebuchet: ;font-size:11;" ><?xml:namespace prefix = o /><o:p></o:p></span></i></b></p></div></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29087476-6623879876030698981?l=blogueforanadaevaotres.blogspot.com'/></div>Eduardo J. Magalhães Ribeirohttp://www.blogger.com/profile/11788153894877896960noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-29087476.post-21602006857321330952009-07-13T23:10:00.005+01:002009-07-13T23:25:42.284+01:00Guiné 63/74 - P4681: Estórias de Jorge Picado (9): Passeio fluvial pelos rios Baboque e Mansoa<a href="http://2.bp.blogspot.com/_7fkEU8QYw6U/SlupQTHn-CI/AAAAAAAAFaA/2D_CsVc842E/s1600-h/Jorge+Picado-2.jpg"><img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 144px; FLOAT: left; HEIGHT: 184px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358062279162591266" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_7fkEU8QYw6U/SlupQTHn-CI/AAAAAAAAFaA/2D_CsVc842E/s200/Jorge+Picado-2.jpg" /></a><strong>1.</strong> Mensagem de Jorge Picado (*), ex-Cap Mil da CCAÇ 2589/BCAÇ 2885, <a href="http://www.ensp.unl.pt/luis.graca/guine_guerracolonial19_mapa_Mansoa.html">Mansoa</a>, CART 2732, <a href="http://www.ensp.unl.pt/luis.graca/guine_guerracolonial31_mapa_Farim.html">Mansabá</a> e CAOP 1, <a href="http://www.ensp.unl.pt/luis.graca/guine_guerracolonial43_mapa_Canchungo_TeixeiraPinto.html">Teixeira Pinto</a>, 1970/72, com data de 12 de Julho de 2009:<br /><br />Caríssimos Carlos, Luís, Briote e MRibeiro<br /><br />Deu-me hoje na <em>mona</em> para escrevinhar umas recordações do passado.<br />Se entenderem que não são oportunas, <em>delete...m-nas</em>.<br /><br />Abraços para todos e que as férias que se aproximam serenem os ânimos.<br />Jorge Picado<br /><br /><br /><strong><span style="font-size:100%;">PASSEIO FLUVIAL NO RIO BABOQUE E RIO MANSOA</span></strong><br /><br />Indiferente às guerrilhas, armadilhas e outras ratoeiras que alguns nos vão lançando pelo caminho, tentando eliminar-nos ou pelo menos desmoralizar-nos para que não contemos as nossas estórias, porque não são feitos bélicos ou não se enquadram nos <em>altos</em> valores que defendem e a que só eles se julgam com direito, vou tentar passar a escrito um passeio de <em>barco</em> que fiz na outrora florescente estância de veraneio da Guiné Portuguesa.<br /><br />Este passeio ocorreu num belo domingo, tal como a maioria dos passeios que se fazem aos fins de semana, dia 29 de Agosto do longínquo ano de 1971.<br />Já lá vão pois cerca de 38 anos... vejam lá... mais do que a idade que então tinha... Ai como eram belos ainda os 33 aninhos...<br /><br /><span style="color:#3333ff;">“<strong>I. JETE, c/ T.C. Herdade, Reg. Agr. Dias, das 13.30 às 17.10. Banhos de água salgada ao dobrar UMPACACA</strong>”.</span><br /><br />É a parca anotação que consta nos meus poucos registos e vai a azul como homenagem marítima.<br /><br />Começando pelas apresentações direi:<br /><br /><strong>I.JETE</strong> – uma grande zona baixa toda recortada por linhas de água que a tornavam de facto uma ilha, ainda que não fosse no mar, como a ILHA de JETA em pleno Atlântico frente a CAIÓ. Situada a Sul de PELUNDO, as suas margens Sul eram banhadas pelo Rio MANSOA e tinham na sua frente a ILHA de LISBOA. Havia uma picada de PELUNDO para lá, encontrando-se um Pel da CCaç 3307 aí instalado;<br /><br /><strong>T.C. Herdade</strong> – Ten Cor Herdade (Ten Cor Inf Nívio José Ramos Herdade), Cmdt do BCaç 3833 colocado no Sector 07, com sede em PELUNDO e abrangendo CÓ e JOLMETE;<br /><br /><strong>Reg. Agr. Dias</strong> – como já mencionei num escrito anterior, era o técnico dos SAF de BISSAU <em>responsável ou encarregado</em> pelo andamento dos trabalhos agrícolas da zona do CAOP 1. Tendo chegado a 27, já tínhamos visitado CAJEGUTE e CAIÓ, seguindo agora para JETE, onde julgo que terminou esta <em>inspecção</em>;<br /><br /><strong>UMPACACA</strong> – o nome do lado nascente da foz do Rio BABOQUE que, vindo de TEIXEIRA PINTO, desagua no Rio MANSOA. Digamos assim <em>qual Cabo das Minhas Tormentas</em>;<br /><br /><strong>Objectivo</strong> – ajuizar do estado dos trabalhos de recuperação das bolanhas daquela(s) Tabanca(s).<br /><br />Embarcámos no Cais ou Porto de TEIXEIRA PINTO e começou aí o meu espanto. Era a primeira vez que me confrontava com tal meio de navegação.<br /><br />Sendo oriundo de uma terra marítima e de marinheiros, farto de ver (e de andar na ria) barcos de ria e de mar, de várias dimensões e feitios, que se deslocavam com a força de braços (remos e varas), movidos pelo vento ou a motor fora e dentro de borda, fiquei extasiado quando me fazem entrar naquilo que julgava ser uma banheira de fibra a que tinham acoplado um motor fora de borda e chamavam agora pomposamente barco.<br />Sinceramente, foi esse o meu primeiro pensamento.<br />Nunca tinha visto tal... mas logo me interpelaram:<br /><br />- Então não entra no SINTEX?.<br /><br />Estava à espera de um zebro, dos Fuzos... e sai-me uma banheira…<br /><br />Na fotografia que anexo do Porto de TEIXEIRA PINTO, obtida em algum dia <em>festivo</em>, pela <em>manga</em> de pessoal presente, vê-se pelo menos um zebro junto de uma LDP (?) que está atracada a um barco de cabotagem, já que não tem ar de ser da Marinha de Guerra.<br />Nunca tinha reparado no tal Sintex, se é que ele lá costumava parar.<br /><br /><a href="http://2.bp.blogspot.com/_7fkEU8QYw6U/Slupm8LtB8I/AAAAAAAAFaQ/QlB6z5XWEwM/s1600-h/JP-Porto_TPinto.jpg"><img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 288px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358062668142675906" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_7fkEU8QYw6U/Slupm8LtB8I/AAAAAAAAFaQ/QlB6z5XWEwM/s400/JP-Porto_TPinto.jpg" /></a><br />Pois é camarigos Luís Graça e Mexia Alves (desculpem-me os outros que também neles andaram, mas estes dois é que andam sempre a exibir-se fotograficamente em trajes, mais apropriados a quem vai a banhos - depois não se queixem se aparecer algum mirone a dizer que não andavam na guerra -, pavoneando-se no GEBA-ESTREITO), não tenho é foto para me vangloriar igualmente e, quanto a fatiota, íamos todos devidamente equipados, com <em>fardamento de trabalho</em> como garbosos militares das nossas FA.<br /><br />Sentando-me naquilo que se chamaria <em>proa ou popa</em>, por causa das coisas, i.é. o meu desconhecimento daquela prática chamada natação, disfarçadamente tinha colocado dois coletes de salvamento ao alcance das mãos, não fosse o diabo tecê-las... de modo que, ao dobrar o <em>tal Cabo</em> ou seja, quando entrámos no Rio MANSOA, coloquei mesmo um no regaço a servir quase de antepara aos banhos forçados das águas salgadas desse rio, consequência das fortes bátegas que eram projectadas pelo encontro daquela <em>pseudo popa</em>, mais parecida como uma antepara, contra a corrente e forte ondulação do MANSOA, que naquele local tem uma largura de quase 6 quilómetros.<br /><br />Na imagem obtida no Google Earth, que anexo, onde se pode visualizar o trajecto desde o ponto de partida 1, até ao presumível ponto de chegada 2, onde ainda em 31JAN06 (data das respectivas imagens do Google) se localizam os arrozais, são cerca de 20 km. O ponto 3 assinalado, era o ancoradouro existente na Carta Militar, mas fica no lado oposto aos arrozais, pelo que não era lógico aportarmos aí.<br />Se algum camarada desse tempo que lá estivesse estacionado ou, ainda melhor seria, o militar – 1.º Cabo – <em>condutor</em> do barco, aparecessem para contar...<br /><br /><a href="http://4.bp.blogspot.com/_7fkEU8QYw6U/SlupfOMKuRI/AAAAAAAAFaI/-dSlk7MErxA/s1600-h/JP-Umpacaca.jpg"><img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 357px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358062535537506578" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_7fkEU8QYw6U/SlupfOMKuRI/AAAAAAAAFaI/-dSlk7MErxA/s400/JP-Umpacaca.jpg" /></a><br />Só por curiosidade direi que no dia 25JUN70, foi sensivelmente nesta zona do Rio MANSOA, que foi engolido pelas suas águas o helicóptero que transportava os Deputados da ANP tendo morrido os seus ocupantes.<br /><br />Eu lembrava-me, por isso não ia muito satisfeito...<br /><br />Mas tudo correu bem e, às 17H10M, desembarquei novamente em TEIXEIRA PINTO.<br /><br />Jorge Picado<br />__________<br /><br />Nota de CV:<br /><br />(*) Vd. poste de 1 de Julho de 2009 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/07/guine-6374-p4620-estorias-de-jorge.html">Guiné 63/74 - P4620: Estórias de Jorge Picado (8): A minha passagem pelo CAOP 1 - Teixeira Pinto (IV Parte)</a><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29087476-2160200685732133095?l=blogueforanadaevaotres.blogspot.com'/></div>Carlos Vinhalhttp://www.blogger.com/profile/02513603707400841996noreply@blogger.com3tag:blogger.com,1999:blog-29087476.post-74606934079975407472009-07-13T22:15:00.002+01:002009-07-13T22:19:18.634+01:00Guiné 63/74 - P4680: Resposta ao amigo Pereira da Costa (J. Mexia Alves)<a href="http://3.bp.blogspot.com/_7fkEU8QYw6U/SluiLhibffI/AAAAAAAAFZ4/M7VeVARZsU8/s1600-h/Joaquim+Mexia+Alves-2.jpg"><img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 135px; FLOAT: left; HEIGHT: 184px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358054500552375794" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_7fkEU8QYw6U/SluiLhibffI/AAAAAAAAFZ4/M7VeVARZsU8/s200/Joaquim+Mexia+Alves-2.jpg" /></a><strong>1.</strong> Mensagem de J. Mexia Alves <span style="font-size:78%;">(*)</span>, Alf Mil da CART 3492 (<a href="http://www.ensp.unl.pt/luis.graca/guine_guerracolonial2_xitole.html">Xitole / Ponte dos Fulas</a>), Pel Caç Nat 52 (<a href="http://www.ensp.unl.pt/luis.graca/guine_guerracolonial17_mapa_Bambadinca.html">Ponte Rio Udunduma, Mato Cão</a>) e CCAÇ 15 (<a href="http://www.ensp.unl.pt/luis.graca/guine_guerracolonial19_mapa_Mansoa.html">Mansoa</a>), com data de 12 de Julho de 2009:<br /><br />Meu caro António Pereira da Costa, meus caros editores<br /><br />Escrevi este texto como comentário/resposta ao meu amigo António Pereira da Costa <span style="font-size:78%;">(**)</span>.<br /><br />Envio-o para que dele façam o que quiserem, ou seja, colocá-lo como comentário, ou como texto publicado.<br /><br />Confio como sempre no vosso superior juízo.<br /><br />Abraço camarigo do<br />Joaquim Mexia Alves<br /><br /><br /><strong><span style="font-size:130%;">2. Comentário ao meu amigo António Pereira da Costa</span></strong><br /><br />Meu caro António Pereira da Costa<br /><br />Obrigado por este teu texto com o qual concordo em quase tudo.<br />E porquê quase tudo?<br />Porque não concordo com duas coisas:<br /><br />A primeira é a <em>valentia</em> dos que fugiram, nem que seja expressa como hipótese.<br />Valentia a sério daqueles que não foram, julgo eu, é a dos poucos que se apresentaram às autoridades de então e disseram cara a cara que não embarcavam, arrostando com as responsabilidades do seu acto.<br />Assim fizeram vários, por exemplo nos EUA, por causa da guerra do Vietname e esses, como os de cá que procederam de igual modo merecem e têm todo o meu respeito.<br />Se entre os outros haverá alguns que teriam razões ponderosas para o fazer, certamente haveriam, mas muito poucos para o fazerem daquela forma.<br />Repara que tu mesmo utilizas um verbo que em nada abona o acto: fugir.<br /><br />A outra com que não concordo, meu caro camarigo de Bambadinca e <em>afins</em> é a conclusão final de que perdemos a guerra.<br /><br />Não, não vou debater razões tácticas nem outras quaisquer, mas vou-te dizer apenas que nós, aqueles que lá estivemos, não perdemos guerra nenhuma!<br /><br />Tê-la-ão perdido os políticos, tê-la-ão perdido uns quantos militares, tê-la-ão perdido uns <em>historiadores</em> e uns <em>opinadores</em>, mas nós não meu camarigo, nós não!<br /><br />Nós, os que lá estivemos, vencemo-la com a nossa entrega naquele tempo e agora.<br />Sim somos vencedores, porque não olhamos para o inimigo como inimigo, e porque não vemos aquele povo e aquela Nação como inimiga, mas sim como um povo e uma Nação que gostaríamos de ajudar a ser mais fraterna, mais solidária, mais coesa e sobretudo mais feliz.<br /><br />Custa-nos isso sim, ver tantos mortos de um lado e de outro, e afinal não vemos um povo mais independente, um povo mais feliz.<br /><br />E a culpa não é só deles, mas também daqueles que não souberam fazer tudo o que estava ao seu alcance para que a Nação se construísse na paz e no progresso.<br /><br />Arrisco-me mesmo a dizer, meu camarigo, nós ganhámos a guerra, o PAIGC ganhou a guerra, mas quem veio depois, poderes portugueses e poderes guineenses, perdeu-a total e completamente.<br /><br />Sim é verdade, que neste espaço, nos convívios, encontramos espaço para falar do que não falávamos e isso é a razão porque nos devemos manter unidos à volta deste mais que projecto, que nos une até nas divisões próprias do pensar de cada homem, mas que nos leva a fazer a história, feita das nossas histórias, que um dia poderá ser a verdadeira história da guerra da Guiné e não aquela que alguns que sobre ela escrevem querem que seja, por razões que apenas lhes assistem a eles, e com isto não me estou a referir a ninguém em particular, que fique bem expresso.<br /><br />Resta-me deixar-te o abraço de quem contigo viveu momentos que nunca esquecerá e a todos os que os viveram também por aquela Guiné dos nossos sonhos.<br /><br />Joaquim Mexia Alves<br />__________<br /><br />Notas de CV:<br /><br />(*) Vd. poste de 13 de Julho de 2009 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/07/guine-6374-p4678-antonio-sampaio-se-bem.html">Guiné 63/74 - P4678: António Sampaio, sê bem-vindo à Tabanca Grande (Joaquim Mexia Alves)</a><br /><br />(**) Vd. poste de 12 de Julho de 2009 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/07/guine-6374-p4672-blogoterapia-114-quem.html">Guiné 63/74 - P4672: Blogoterapia (114): Quem somos nós? (António J. Pereira da Costa)</a><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29087476-7460693407997540747?l=blogueforanadaevaotres.blogspot.com'/></div>Carlos Vinhalhttp://www.blogger.com/profile/02513603707400841996noreply@blogger.com4tag:blogger.com,1999:blog-29087476.post-22144397022019713162009-07-13T22:01:00.004+01:002009-07-14T10:46:55.809+01:00Guiné 63/74 - P4679: Memórias do Chico, menino e moço (Cherno Baldé) (6): Uma gesta familiar, de Canhámina a Sinchã Samagaia, aliás, Luanda<a href="http://1.bp.blogspot.com/_pMkPOXBWOec/SltyQH6z-OI/AAAAAAAAWu0/bOT7Hg0WuLM/s1600-h/Guine_Cherno_Balde_Bissau_v2.JPG"><strong><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358001803016534242" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 193px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_pMkPOXBWOec/SltyQH6z-OI/AAAAAAAAWu0/bOT7Hg0WuLM/s200/Guine_Cherno_Balde_Bissau_v2.JPG" border="0" /></strong></a><strong> 1.</strong> Mensagem de 8 de Julho , enviada pelo nosso Cherno Baldé, membro da nossa Tabanca Grande (*):<br /><br /><br /><em>Caro amigo Luís,<br /><br />Na continuação das estórias que chamei de 'memórias de infância' (**) envio mais dois excertos. O primeiro fala da minha família. Não queria enviá-la mas apercebi-me que faz falta para uma melhor compreensão das partes seguintes sobre as origens da família e alguns factos ligados com a fuga do irmão do meu pai e patriarca da família, o <strong>Sambagaia</strong>. O segundo fala do meu pai[, Aliu Tambá Baldé, ] e da encenação de um Marabú tradicional.<br /><br />Obrigado e um forte abraço,<br /><br />Cherno Baldé<br /></em><br /><br /><strong><span style="font-size:130%;">2. Memórias do Chico, menino e moço (6)</span></strong><br /><strong></strong><br /><strong>DE CANHAMINA A SINCHÃ SAMAGAIA</strong><br /><br /><strong>Uma família a procura de estabilidade</strong><br /><br />A minha família, descendente de Fulas originários de Macina, no espaço territorial do antigo Sudão Ocidental (actual <strong>Mali</strong>), e que se consideram a si mesmos de <em>Fulbhê Arábbhê</em>, cujo significado se deve ter perdido na noite dos tempos e que, no entanto, tem uma similitude muito próxima da palavra <em>Árabe</em>, vivia em Kerewane (uma deformação de Kairuan?), localidade situada entre Kumakara (Senegal) e Saré Bacar (Guiné-Bissau), mesmo na linha da fronteira entre os dois países.<br /><br />Dessa época não sei quase nada que possa transmitir. Mais tarde, a familia mudou-se para <strong>Canhámina</strong>, capital do regulado de Sancorlã, [a nordeste de Fajonquito, carta de Tendinto, ainda não disponível 'on line' ,] o que aconteceu após a morte do nosso avô paterno, <strong>Morô Baldé</strong> (Morseide), ocorrida, provavelmente, entre os anos de 1922/23.<br /><br />Os seus descendentes eram sobrinhos directos da casa reinante de Sancorlã (Soncoia?), através da mãe, nossa avó paterna, <strong>Eguê Mariama Baldé</strong>, facto que certamente terá pesado na decisão de se mudar para esta localidade. Em Canhámina, durante muito tempo, a nossa família viveu sob protecção da casa do régulo, tendo beneficiado de algumas regalias daí inerentes, encabeçada pelo mais velho dos irmãos, <strong>Naor</strong>, que foi pajem de seu tio Braima Djame Baldé, mais conhecido por Burandjame (ou Brandjame?), o régulo de Sancorlã, e era colega e amigo íntimo de Abdu Buram, o príncipe herdeiro do trono, que encontrou a morte na última guerra de <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2008/11/guin-6374-p3454-historiografia-da.html">Canhabaque entre 1935/36</a> [, nas Ilhas Bijagós, referência à repressão de uma das últimas revoltas dos habitantes locais] .<br /><br />O <strong>Naor</strong> terá morrido logo a seguir após uma doença prolongada (dizem que por desgosto pela morte do seu primo e amigo inseparável) e, com a morte prematura deste, acedeu ao lugar de patriarca da família, o <strong>Sambagaia</strong>, o irmão mais novo que lhe seguia segundo a linhagem.<br /><br />Decorridos alguns anos após a morte de Naor, a nossa família saiu de Canhámina. Não consegui obter informações certas sobre as razões que motivaram esta mudança, todavia, algumas vozes especulam que estaria ligada a morte do Régulo <strong>Brandjame Baldé</strong>, cujo desaparecimento teria provocado uma luta de sucessão bastante perigosa no seio da família reinante.<br /><br />De qualquer modo, a transferência para a zona de <strong>Farimbali</strong>, marca o início da liderança de Sambagaia na família e abre uma nova era, marcada por grandes dificuldades materiais de existência, alguma turbulência no seio da família e guerra política.<br /><br /><strong><span style="color:#ff0000;">Para uma família que já estava, de certo modo, habituada a viver não muito longe da sombra do poder e das suas facilidades, a provação foi dura. As dificuldades do duro trabalho agrícola que era a principal actividade da família se juntou a desastrosa gestão do patriarca <strong>Sambagaia</strong> que utilizava os magros recursos da família (colheita de cereais e gado) para granjear reputação e mobilizar apoios, votando a família à fome e miséria contínuas.<br /></span></strong><br />As suas mãos largas e suas frequentes deslocações e viagens para o centro do poder e da administração colonial em <strong>Bolama</strong> onde servia de agente policial, e também procurava alianças, permitiu-lhe entrar, assim, nos meandros das intrigas e das guerras pelo poder, que eram suportadas pelo esforço da família, obrigando-a a vender tudo que existia, inclusive as vacas de seguro (<em>teguê</em>) das mulheres que normalmente não se vendiam, em obediência às regras de uma tradição secular.<br /><br />A família estava sem posses, sem segurança para as calamidades naturais, bastante frequentes na época e junte-se a isso mudanças constantes de uma aldeia à outra de forma sucessiva e por períodos muito curtos, provocando a erosão dos poucos recursos disponíveis abalando com isso a coesão social preexistente no seio da familia.<br /><br />Primeiramente saíram de Canhámina para <strong>Saré Saliu</strong>, lado norte da bolanha de Berécolom (onde encontraram e conheceram a família de um caçador profissional, originário de Forrea, chamado Samba Candé, vulgo<em> Samforrea</em>, pai da minha futura mãe, <strong>Cadi Candé</strong>), tendo aí permanecido por pouco tempo.<br /><br />Nesta aldeia faleceu<strong> Paté</strong> (Pareru), o quarto dos cinco irmãos, após alguns anos de doença psíquica. Contam as más-línguas que ele ousara desafiar o patriarca Sambagaia ao pretender em herança a mais jovem das mulheres do falecido Naor, a <strong>Nhama Aua</strong>, filha de Brandjame, pelo que este o teria feito guerra através de forças ocultas para o enlouquecer. Outros afirmam que a jovem viúva teria escolhido do seu livre arbítrio o jovem e bonito Patê, provocando desta forma a desgraça deste.<br /><br />Esta história ilustra, independentemente do que teria acontecido na realidade, que os vínculos de dependência e/ou obediência aos costumes e a tradição, na reprodução e manutenção das práticas culturais ancestrais, se faziam também por diversos meios, inclusive a difusão de falsas informações a fim de paralizar e/ou neutralizar o(s) adversário(s).<br /><br />De Saré Saliu passaram para <strong>Solambuntô</strong>, aldeia situada junto a fronteira com o Senegal, a oeste de Cambajú. Por aqui, viveram uns poucos anos. O que estaria o Sambagaia a procura? Certamente uma base de apoio para as suas ambições politicas. Após Solambuntô, fizeram meia volta regressando para <strong>Saré Coba</strong>, aldeia vizinha de Sare Saliu. Foi aqui que os filhos de Naor, Baciro e Ioba foram circuncisados. Teriam vivido nesta aldeia perto de 3 anos.<br /><br />De seguida, regressaram, de novo, para o lado sul da bolanha, e instalaram-se em <strong>Farimbali</strong>, na altura uma povoação enorme, situada perto de Canhámina (ver recenseamento de 1950), onde a minha mãe Cadi se juntou à família casando com o meu pai, <strong>Aliu Tambá</strong> (provavelmente entre 1949/50) e onde também nasceram os seus primeiros filhos, Aua (1951/52), Cumba (nome da esposa de Cherno Abdulai Shall, almane da mesquita de Farimbali)(1953/54), Ibraima (1955/56-), Carlos Bubacar (1957/58), hoje farmacêutico formado na Faculdade de Farmácia de Lisboa, e eu, Cherno Abdulai (entre 1959/60).<br /><br />A partir desta localidade, Sambagaia lançou-se na corrida à conquista do poder da casa reinante de Sancorlã, fazendo frente aos seus primos de Canhámina. Tendo conseguido mobilizar para a sua causa um grande número de aldeias à custa de alianças fortuitas em terreno movediço num contexto social e político bastante atribulado, minado por ambivalências e sobreposição de poderes de naturezas diversas: colonial, tradicional, religioso etc.<br /><br /><br /><br /><br /><p><a href="http://1.bp.blogspot.com/_pMkPOXBWOec/SlxMh14TaqI/AAAAAAAAWvM/eMKdgf6VGVA/s1600-h/Guine_Lendas_Grandeza_Africana_TM.JPG"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358241800946674338" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 299px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_pMkPOXBWOec/SlxMh14TaqI/AAAAAAAAWvM/eMKdgf6VGVA/s400/Guine_Lendas_Grandeza_Africana_TM.JPG" border="0" /></a> Capa do livro de Manuel Dias Belchior, editado no início da década de 1960, <em>A Grandeza Africana – Lendas da Guiné Portuguesa</em>. (***)<br /><br />Foto: © <a href="mailto:torcatomendonca@gmail.com">Torcato Mendonça</a> (2008). Direitos reservados<br /><br /></p><p>No momento decisivo, só ficaram ao seu lado as chefias e as aldeias de etnia Mandinga, nomeadamente de Sumbundo e Tendinto [ vd. carta de Tendinto, ainda não disponível 'on line'], um número claramente insuficiente quando foram confrontados, no posto administrativo de <a href="http://www.ensp.unl.pt/luis.graca/guine_guerracolonial48_mapa_Contuboel.html">Contuboel</a>, perante a situação de escolher o futuro régulo de Sancorla.<br /><br />Conforme já se referiu mais acima, a vida e situação em <strong>Farimbali</strong> não eram fáceis de suportar. A pobreza extrema, conflitos permanentes com os vizinhos, o mal-estar resultante da humilhação sofrida com a derrota de Sambagaia na luta pela sucessão do seu tio Brandjame tornava inviável a continuação da família numa aldeia minada por intrigas, encomendadas a partir de Canhámina em conluio com alguns representantes das autoridades administrativas de Contuboel e Bafatá.<br /><br /><span style="color:#ff0000;"><strong>Foi devido a esta situação, no mínimo embaraçosa, e a chacota que dela resultaram, segundo explicou a minha mãe, é que justificou a fundação, entre 1959 a 1960 de uma nova aldeia no lado norte da bolanha, a menos de 2 km de Sare Coba, na confluência de Berekolóm (antigo feudo mandinga do Séc. XIX), que recebeu o nome do chefe da família,</strong> <strong>Sinchã Samagaia, que literalmente quer dizer a aldeia de Samba Gaia. Para agradar aos seus amigos da administração de Bolama, Sambagaia deu-lhe o nome de Luanda (porquê Luanda e não Lisboa?...).<br /></strong></span><br />Esta mudança de residência coincidiu com o meu nascimento. Eu nasci em Farimbali mas fui baptizado, sete dias depois, na nova aldeia. Deram-me o nome de Cherno Abdulai em honra ao chefe religioso e almane da mesquita de Farimbali, originário de Futa Toro, do Senegal, que conduziu a cerimónia do baptismo.<br /><br /><strong>Cherno</strong> não é propriamente um nome mas um título a que se dá aos homens letrados, que orientam a comunidade durante as orações, sobre aspectos da vida social/religiosa e ensinam o Alcorão às crianças. O seu apelido era Shall, que faz pensar nos acompanhantes do célebre homem de letras e também chefe de guerra, El-hadj Cheik Omar Saidou Tall que marcou profundamente o então Sudão Ocidental da época pré-colonial com a sua<em>Djihad </em>e que teria feito uma passagem discreta pelos actuais territórios da Casamança e da Guiné-Bissau antes de se estabelecer no Futa Djalon.<br /><br />O meu pai, <strong>Aliu Tambá Baldé</strong> (ou Tambá Maudô, como lhe chamava a Mãe), era o mais novo dos irmãos que formavam a família. Trabalhador intrépido e fiel à disciplina familiar, esteve muito ligado ao Naor que, praticamente, conduziu a sua educação após a morte do pai. Esta mesma dedicação faria dele o preferido de Sambagaia. Na verdade, ele estava destinado a liderar a família após a fuga de Sambagaia pois, com a morte de Patê, <em>o belo</em>, ficavam ele e o Dembaro. Este último era mais velho que ele, todavia, não oferecia aos olhos de todos o carisma e as capacidades requeridas para isso.<br /><br />Mas, as diferenças de pontos de vista entre Sambagaia e <strong>Tambá</strong> eram também conhecidas de todos e não raras vezes vinham à superfície. De referir que este último, descontente com a maneira como Sambagaia geria os destinos da família, tinha feito uma aliança com <strong>Dembaro</strong> a fim de formarem um<em> fogão</em> à parte (núcleo familiar restrito no seio da família alargada), separando-se de Sambagaia e seus filhos, embora continuassem a viver juntos.<br /><br />Este facto, todavia, não impediu que este o tivesse indicado para trabalhar no posto de auxiliar de comércio que lhe tinham oferecido (primeiro em Farim e depois em Cambajú), entre os comerciantes lusos que faziam o negócio de compra e venda local de borracha e outros produtos agrícolas, talvez, no intuito de acalmar o seu apetite pelo poder que seus primos da casa real não viam com bons olhos. Aliás, mesmo assim, <strong>[Tambá</strong>] ver-se-ia obrigado, mais tarde, com o início da guerra contra a ocupação colonial na zona norte (1963/64), a exilar-se no Senegal para fugir da conspiração dos herdeiros directos de<strong> Brandjame</strong> e seus seguidores.<br /><br />Tudo levava a pensar que viveríamos para sempre em Sinchã Samagaia, aliás <em>Luanda</em>, onde, finalmente, tínhamos encontrado um pouco de paz e sossego, para se tentar reorganizar e construir as bases de uma família normal para a época. Aqui nasceu a minha irmãzinha Ramatulai e foi aqui onde comecei a descobrir o mundo, a minha família (**).<br /><br />Desde cedo ganhei o gosto da aventura acompanhando o meu irmão Ibraima na pastorícia dos poucos animais (gado bovino e caprino) que, entretanto, os nossos pais tentavam reunir. As deambulações atrás dos animais, as brincadeiras junto dos poços de água, locais onde davam de beber aos animais (<em>Bidal</em>), constituíam a minha única ocupação. Não tendo ainda idade para a iniciação à vida adulta, aqui tudo estava em aberto, a minha liberdade e curiosidade não tinham limites. Tudo acabou com o rebentar da guerra que pouco a pouco se alastrou a partir de<strong> Cola-Carresse</strong> (Oio) e atingiu o Sancorlã em cheio.<br /><br /><strong><span style="color:#ff0000;">A desmoralização e o abandono que se seguiram no seio do Regulado, não condiziam com a epopeia da guerra de pacificação com o </span><a href="http://historiaguine.com.sapo.pt/GuineOioTeixeiraPinto.html"><span style="color:#ff0000;">Graça Falcão ou Teixeira Pinto</span></a><span style="color:#ff0000;">. Nós acabámos por fugir para Cambajú (**).<br /></span></strong><br /><em>(Continua)</em><br /><br /><br />Bissau, Novembro de 2006<br /><em><br />[Revisão / fixação de texto / bold / cores: L.G.]</em><br /><br /><strong>2.</strong> Comentário de L.G.:<br /><br />Meu caro amigo e irmão: Obrigado por teres tido a coragem de abrir, para nós, o <em>álbum de memórias de família.</em>.. É uma verdadeira saga... Ajuda-nos muito a entender o que foi a história do Séc. XX na tua terra, nomeadamente no <em>chão fula</em>. Mas também da nossa história, dos portugueses e dos europeus na época da expansão colonial, e do choque (cultural e não só) que isso representou para os povos africanos...</p><p>É, da tua parte, um gesto de grande hospitalidade, na melhor tradição fula, e de da grande apreço e amizade por nós, portugueses e guineenses, aqui <em>reunidos na Tabanca Grande, debaixo do velho poilão</em>... Percebo as tuas hesitações: revisitar o passado é sempre abrir a caixinha de Pandora... Estás, além disso, a expor-te e a expor a tua família, mostrando nesta aldeia global é que a Internet que afinal a tua família, tirando o contexto histórico, geográfico e cultural, é igualíssima a todas as outras nossas famílias, incluindo as nossas, do Minho ao Algarve, com as suas alegrias e tristezas, os seus altos e baixos, os seus amores e os seus ódios, as suas alianças e os seus conflitos, com os seus exemplos, bons e maus, de liderança, mas sempre com a mesma vontade e tenacidade na luta pela dignidade, liberdade e justiça... </p><p>É atravésa dessa instância de socialização que é a a família, que aprendemos, em primeiro lugar, a falar, a comunicar, a conhecer o que nos rodeia, a perceber o outro, o diferente, o estrangeiro... Mas é também, para o pior e o para o melhor, o lugar onde o aprendemos e imitamos os exemplos dos nossos maiores. Felizmente tiveste um pai e uma mãe que passaram o melhor das suas famílias, que são a memória, os valores, os princípios, a ética, o conhecimento, o nosso verdadeiro <em>kit </em>de sobrevivência. Vê-se que tens orgulho e ternura por eles... Obrigado, irmãozinho, em meu nome e em nome de todos nós. Um AB (Alfa Bravo), abraço. Luís<br /><br />PS - Por azar, não tenho agora à mão a carta de Tendinto... Depois mando-ta... Está digitalizada mas ainda não disponível 'on line'...<br /><br />__________<br /><br />Notas de L.G.:<br /><br />(*) Vd. poste de 18 de Junho de 2009 ><a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/06/guine-6374-p4550-tabanca-grande-153.html">Guiné 63/74 - P4550: Tabanca Grande (153): Cherno Baldé (n. 1960), rafeiro de Fajonquito, hoje engenheiro em Bissau...</a><br /><br />Vd. também poste de 7 de Julho de 2009 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/07/guine-6374-p4650-excitacoes-32-tabanca.html">Guiné 63/74 - P4650: (Ex)citações (32): A Tabanca Grande ou... Global: de Contuboel, Fajonquito e Bissau com amizade (Cherno Baldé)</a><br /><br /><br />(**) Vd. postes aneriores da série:<br /><br />19 de Junho de 2009 ><a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/06/guine-6374-p4453-memorias-do-chico.html">Guiné 63/74 - P4553: Memórias do Chico, menino e moço (Cherno Baldé) (1): A primeira visão, aterradora, de um helicanhão</a><br /><br />24 de Junho de 2009 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/06/guine-6374-p456-memorias-do-chico.html">Guine 63/74 - P4567: Memórias do Chico, menino e moço (Cherno Baldé) (2): Cambajú, uma janela para o mundo</a><br /><br />25 de Junho de 2009 ><a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/06/guine-6374-p4579-memorias-do-chico.html">Guiné 63/74 - P4580: Memórias do Chico, menino e moço (Cherno Baldé) (3): A chegada dos primeiros homens brancos a Cambajú em 1965: terror e fascínio</a><br /><br />30 de Junho de 2009 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/06/guine-6374-p4611-memorias-do-chico.html">Guiné 63/74 - P4611: Memórias do Chico, menino e moço (Cherno Baldé) (4): O ataque dos meus primos a Cambajú e o meu pai que foi um herói</a><br /><br />6 de Julho de 2009 ><a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/07/guine-6374-p4646-memorias-do-chico.html">Guiné 63/74 - P4646: Memórias do Chico, menino e moço (Cherno Baldé) (5): A família extensa, reunida em Fajonquito, em 1968</a><br /><br />(***) Vd. poste de 2 de Abril de 2008 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2008/04/guin-6374-p2714-antropologia-5-cano-do.html">Guiné 63/74 - P2714: Antropologia (5): A Canção do Cherno Rachide, em tradução de Manuel Belchior (Torcato Mendonça)</a> </p><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29087476-2214439702201971316?l=blogueforanadaevaotres.blogspot.com'/></div>Luís Graçahttp://www.blogger.com/profile/02855689880579087551lgraca@clix.pt1tag:blogger.com,1999:blog-29087476.post-4839813896475075222009-07-13T22:00:00.001+01:002009-07-13T22:00:11.451+01:00Guiné 63/74 - P4678: António Sampaio, sê bem-vindo à Tabanca Grande (Joaquim Mexia Alves)<a href="http://2.bp.blogspot.com/_7fkEU8QYw6U/Sluc5QxfuaI/AAAAAAAAFZw/xr6vXHiqXJY/s1600-h/Joaquim+Mexia+Alves-2.jpg"><img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 135px; FLOAT: left; HEIGHT: 184px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358048689256380834" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_7fkEU8QYw6U/Sluc5QxfuaI/AAAAAAAAFZw/xr6vXHiqXJY/s200/Joaquim+Mexia+Alves-2.jpg" /></a><strong>1.</strong> Mensagem de Joaquim Mexia Alves (*), Alf Mil da CART 3492 (<a href="http://www.ensp.unl.pt/luis.graca/guine_guerracolonial2_xitole.html">Xitole / Ponte dos Fulas</a>), Pel Caç Nat 52 (<a href="http://www.ensp.unl.pt/luis.graca/guine_guerracolonial17_mapa_Bambadinca.html">Ponte Rio Udunduma, Mato Cão</a>) e CCAÇ 15 (<a href="http://www.ensp.unl.pt/luis.graca/guine_guerracolonial19_mapa_Mansoa.html">Mansoa</a>), com data de 13 de Julho de 2009:<br /><br />Meus caríssimos editores<br /><br />Segue um texto de boas-vindas ao António Sampaio que se acharem por bem, poderiam publicar, junto com a foto anexa.<br /><br />Não sei o email do Sampaio pelo que não posso enviar cópia para ele, o que se puderdes vos peço que façais.<br /><br />Como falo de amigos da Força Aérea, envio também para o Miguel Pessoa.<br /><br />Abraço amigo do<br />Joaquim<br /><br /><br /><strong>2.</strong> Mensagem de Mexia Alves para o nosso novo camarada António Sampaio, já enviada ao destinatário<br /><br />Meu caro António Sampaio (**)<br />Sê bem-vindo à Tabanca Grande!<br />Foi um prazer rever-te no Encontro de Monte Real.<br /><br />Tal como te disse, sendo os meses que passei na CCaç 15, (cujo lema era “<em>Taque Tchife</em>”, o que me afirmaram querer dizer “<em>Agarra à mão</em>”), e dado o avanço do <em>apanhamento</em> das minhas células cerebrais, as minhas recordações desse tempo são poucas, pelo que vou precisar de ti para as reavivar.<br />Vamos lá a ver se não apanho nenhuma vergonha!!!<br /><br />Tive ainda o prazer nesse dia de falar ao telemóvel com o António Bamba, que era Furriel do meu Pelotão e com quem não falava desde a Guiné.<br />É muita emoção num só dia!<br /><br />Mas o que me traz hoje ao teu encontro é deixar esta fotografia que encontrei no meu álbum e cuja legenda colocada por mim naquele tempo, reza assim:<br /><br /><a href="http://2.bp.blogspot.com/_7fkEU8QYw6U/SlucZeTnpVI/AAAAAAAAFZo/Pe_flbA0PmA/s1600-h/Ant%C3%B3nio+Sampaio-1r.jpg"><img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 354px; DISPLAY: block; HEIGHT: 351px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358048143133353298" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_7fkEU8QYw6U/SlucZeTnpVI/AAAAAAAAFZo/Pe_flbA0PmA/s400/Ant%C3%B3nio+Sampaio-1r.jpg" /></a><strong><span style="font-size:85%;">Mansoa 73 – Na prova do rancho, intervalando com o corte de cabelo (Sampaio).</span></strong><br /><br />Ora aqui tens, acredito eu, uma tua fotografia inédita!!!<br /><br />Mas quero ainda dizer-te que o Major Quintanilha foi um dos maiores amigos que tive em toda a minha vida.<br />Homem de uma cultura invulgar, (devorava livros), piloto de excepção, feitio a roçar o insuportável, mas um amigo de mão cheia, que só mais tarde soube, me trouxe da Guiné nesse Boeing no dia 21 de Dezembro de 1973, dia dos seus anos.<br /><br />A frase que citas não tenho dúvidas em dizer que é dele, porque sempre foi rapaz para deixar o pessoal um pouco mais à rasca.<br /><br />Passei longas noites com ele em Luanda, muitas vezes na companhia do Osório, outro piloto já aqui falado e que esteve na Guiné.<br /><br />Morreu num trágico e estúpido acidente, já depois de sair da Força Aérea e andar a pilotar aviões de combate a incêndios, juntamente com dois outros grandes pilotos, o Castanheira, salvo o erro, e o Ten Cor David que era comandante da Base Aérea de Luanda e foi quem me tirou de lá, (apesar de eu já não ser militar nesse tempo), quando já em cima da independência me queriam prender, sabe-se lá porquê, e me fez embarcar outra vez no Boeing militar de regresso a Lisboa.<br /><br />Aqui fica portanto este excerto de história para percebermos que as nossas histórias sempre entroncam nas histórias dos outros e assim juntos vamos fazendo história.<br /><br />Abraço camarigo para ti e para todos do<br />Joaquim Mexia Alves<br />__________<br /><br />Notas de CV:<br /><br />(*) Vd. poste de 6 de Maio de 2009 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/05/guine-6374-p428-espelho-meu-diz-me-quem.html">Guiné 63/74 - P4288: Espelho meu, diz-me quem sou eu (1): Joaquim Mexia Alves</a><br /><br />(**) Vd. poste de 9 de Julho de 2009 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/07/guine-6374-p4662-tabanca-grande-159.html">Guiné 63/74 - P4662: Tabanca Grande (159): António João Sampaio, ex-Alf Mil da CCAÇ 15 e Cap Mil da CCAÇ 4942/72 (Guiné, 1973/74)</a><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29087476-483981389647507522?l=blogueforanadaevaotres.blogspot.com'/></div>Carlos Vinhalhttp://www.blogger.com/profile/02513603707400841996noreply@blogger.com1tag:blogger.com,1999:blog-29087476.post-19654437064626111572009-07-13T00:01:00.001+01:002009-07-13T00:01:46.201+01:00Guiné 63/74 - P4677: Parabéns a você (13): Dia 13 de Julho de 2009 - Rogério Ferreira, ex-Fur Mil da CCAÇ 2658/BCAÇ 2905 (Editores)<a href="http://1.bp.blogspot.com/_7fkEU8QYw6U/SlpSwFaEzwI/AAAAAAAAFZQ/iacdQKdnkZk/s1600-h/Rog%C3%A9rio+Ferreira-1.jpg"><img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 156px; FLOAT: left; HEIGHT: 184px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357685692749369090" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_7fkEU8QYw6U/SlpSwFaEzwI/AAAAAAAAFZQ/iacdQKdnkZk/s200/Rog%C3%A9rio+Ferreira-1.jpg" /></a>Hoje, dia 13 de Julho de 2009, faz anos o nosso camarada Rogério Ferreira (*), ex-Fur Mil Inf MA da CCAÇ 2658/BCAÇ 2905, Guiné, 1970/71.<br /><br />Deste modo vimos desejar a este nosso camarada uma longa vida junto dos seus familiares e amigos.<br /><br />Recordemos a sua apresentação no poste 3255:<br />[...]<br /><em>Fui Fur Mil Inf e com a especialidade de Minas e Armadilhas. Pertenci a CCAÇ 2658/BCAÇ 2905. Estive em Teixeira Pinto, Bachile, Nhamate e manga de LDG para ir do Xime até Galomaro, Nova Lamego, Pirada, Paiama, Paunca, Sinchã Abdulai e Mareue, aí até aos 19 meses, vindo os restantes meses para Bissau para o AGRABIS (600), ainda Nhacra umas duas semanas até ao barco.<br /><br />Em Mareue, aldeia só com população, calhou-me construir um quartel, mas dessas peripécias contarei outro dia.<br /><br />Calcorreei muito chão, do manjaco ao fula, do balanta ao mandinga.<br /><br />Estive em Bambadinca pelo menos uma vez a beber umas bazucas com malta conhecida de Santarém, de onde sou, que era o Vitor Alves, furriel e um soldado ou cabo Orlando Rodrigues, já falecido depois do regresso. Conheço de algum modo a zona. A estrada que ia do Xime para Bambadinca, quando cheguei, era só buracos pegados onde cabiam os unimogs mais pequenos e se deixavam de ver, demorando horas a atravessar. Quando vim para a LDG estava tudo alcatroado, demorámos a volta de 20 minutos, lembro-me que habia soldados africanos a fazer-nos a segurança na orla da mata quem sabe se algum dos colegas que fazem parte do site e que são do meu tempo lá estariam a comandá-los. </em><br />[...]<br />__________<br /><br />Notas de CV:<br /><br />(*) Vd. postes de:<br /><br />19 de Novembro de 2008 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2008/11/guin-6374-p3483-tabanca-grande-97.html">Guiné 63/74 - P3483: Tabanca Grande (97): Rogério Ferreira, ex-Fur Mil da CCAÇ 2658/BCAÇ 2905, Guiné 1970/71</a><br /><br />30 de Setembro de 2008 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2008/09/guin-6374-p3255-o-nosso-livro-de.html">Guiné 63/74 - P3255: O Nosso Livro de Visitas (31): Rogério Ferreira, ex-Fur Mil Inf MA, CCAÇ 2658/BCAÇ 2905, Guiné (1970/71)</a><br /><br />18 de Novembro > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2008/11/guin-6374-p3476-humor-de-caserna-6.html">Guiné 63/74 - P3476: Humor de caserna (6): Paiama, Paunca, Natal de 1970: o lapso do Caco Baldé (Rogério Ferreira)</a><br /><br />Vd. último poste da série de 9 de Julho de 2009 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/07/guine-6374-p4659-parabens-voce-12-dia-9.html">Guiné 63/74 - P4659: Parabéns a você (12): Dia 9 de Julho de 2009 - Joaquim Peixoto, ex-Fur Mil da CCAÇ 3414 (Sare Bacar, Cumeré, Brá, 1971/73)</a><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29087476-1965443706462611157?l=blogueforanadaevaotres.blogspot.com'/></div>Carlos Vinhalhttp://www.blogger.com/profile/02513603707400841996noreply@blogger.com7tag:blogger.com,1999:blog-29087476.post-59441195564923307512009-07-12T21:50:00.003+01:002009-07-12T21:50:22.441+01:00Guiné 63/74 - P4676: FAP (31): Defendendo a minha dama (Miguel Pessoa)<a href="http://4.bp.blogspot.com/_7fkEU8QYw6U/SlpKaGy_1TI/AAAAAAAAFZA/Bhw8X71UnVQ/s1600-h/Miguel+Pessoa-2.jpg"><img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 180px; FLOAT: left; HEIGHT: 184px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357676519072191794" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_7fkEU8QYw6U/SlpKaGy_1TI/AAAAAAAAFZA/Bhw8X71UnVQ/s200/Miguel+Pessoa-2.jpg" /></a><strong>1.</strong> Mensagem de Miguel Pessoa (*), ex-Ten Pilav, BA 12, Bissalanca, 1972/74, hoje Coronel Pilav Reformado, com data de 11 de Julho de 2009:<br /><br />Aos 4 Mosqueteiros do Blogue<br />Estive afastado da Net quase uma semana e, regressado, leio os comentários saídos nestes últimos dias e fico preocupado com o conteúdo de alguns. Parece que andamos um pouco afastados da troca de memórias e de afectos que este blogue pretende incentivar...<br />O Blogue não renega a sua ascendência guineense pois, assim como ali se sucediam as revoadas (ou pragas) - de gafanhotos, de baratas, de grilos, de cantáridas, de sapos - não por esta ordem, necessariamente, também no blogue surgem as revoadas que periodicamente enchem as suas páginas e que têm dado alguma polémica: foi a retirada do Guileje, depois o caso do AB a que se seguiu a comparação da tropa especial com a <em>tropa macaca</em> (termo que não aprecio), há pouco foram os desertores e, mais recentemente, o contributo do pessoal miliciano (nomeadamente os furriéis) versus o pessoal do quadro.<br /><br />Relacionado com este último assunto, embora receando que este meu texto possa vir um pouco atrasado, não quero no entanto deixar de pôr à vossa consideração a sua publicação, pois parece-me de todo necessário que se evite generalizar aquilo que não é igual para todos. Ou corre-se o risco de se ver tudo pela óptica daqueles que cumpriram o seu serviço no Exército, não deixando ao pessoal dos outros Ramos margem de manobra para se pronunciarem neste espaço.<br /><br />Não gosto de alimentar discussões, mas se tiver que ser... Como diria o outro: - <em>Venham todos! Quantos são?! Quantos são?!.</em><br /><br />Um abraço.<br />Miguel Pessoa.<br /><br /><br /><strong><span style="font-size:130%;">DEFENDENDO A MINHA DAMA</span></strong><br />Miguel Pessoa<br /><br />Nestes últimos tempos tenho seguido com a devida atenção os textos e os subsequentes comentários feitos por alguns bloguistas relativamente ao contributo dos militares milicianos no decorrer da guerra que travámos nas antigas colónias, comparando-o com o que aos militares do quadro diz respeito.<br /><br />Atenção e tristeza pois, sendo alguém que desenvolveu a sua actividade profissional como oficial do quadro das Forças Armadas (não fazendo aqui qualquer distinção do Ramo em que desenvolvi essa actividade), custa-me ouvir estes comentários depreciativos sobre um grupo profissional ao qual pertenci (ou, melhor dizendo, hei-de pertencer até ao último dia).<br /><br />Não irei fazer a defesa do grupo a quem maioritariamente esses comentários se dirigem, e que me parecem passar ao lado da Força Aérea: Primeiro, por desconhecimento dos factos aqui reportados; segundo, porque não fui para tal mandatado por ninguém dos outros Ramos, pensando eu que quem se sentir injustamente atingido com essas observações poderá sempre ter a possibilidade de as rebater neste espaço.<br /><br />Apenas direi que estas apreciações correm sempre o risco de ser generalizadas, entrando-se em situações de inevitáveis injustiças, ao tomar-se a parte pelo todo, embrulhando na mesma <em>folha</em> os que cumpriram e os que conseguiram uma vida bem menos atribulada.<br /><br />Posto este meu comentário inicial, e face ao risco de uma possível generalização, tenho que deixar-vos umas palavras em defesa da honra da minha Dama - a Força Aérea Portuguesa. Sei que arrisco <em>ouvir</em> alguns comentários menos abonatórios, mas se é verdade que não gosto de <em>comprar</em> guerras desnecessárias, também não costumo fugir a elas. E penso que esta ocasião justifica que eu corra esses riscos.<br /><br /><a href="http://1.bp.blogspot.com/_7fkEU8QYw6U/SlpLRf2z_mI/AAAAAAAAFZI/JXydFmHAS68/s1600-h/Miguel_Pessoa_19740000_Bissalanca_11.jpg"><img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 328px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357677470691884642" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_7fkEU8QYw6U/SlpLRf2z_mI/AAAAAAAAFZI/JXydFmHAS68/s400/Miguel_Pessoa_19740000_Bissalanca_11.jpg" /></a><strong><span style="font-size:85%;">Bissau > Bissalanaca >BA 12 > 1974 > O então Ten Pilav Miguel Pessoa..</span></strong><br /><br />A Base Aérea 12 tinha naturalmente uma organização hierárquica bem definida, em que cada um, aos diversos níveis, sabia perfeitamente o que lhe competia fazer. Quando se tratava da actividade de voo, a situação era um pouco diferente. As Esquadras de Voo dispunham naturalmente de efectivos estabelecidos para o cumprimento da missão; mas, por escassez de meios humanos e também por existirem na Unidade pilotos dos escalões hierárquicos superiores devidamente qualificados nas aeronaves existentes, aqueles ficavam adidos a uma das Esquadras para efeitos de voo. Já tive a oportunidade de aqui o referir, mas relembro que na Esquadra 121 (Fiats, DO-27 e T-6) voavam regularmente o Comandante da Zona Aérea de Cabo Verde e Guiné, o Comandante da BA12, o Comandante do Grupo Operacional 1201, o Oficial de Operações do GO1201 e um Oficial Superior colocado no Quartel General como oficial de ligação da Força Aérea. Os postos destes militares variavam entre Coronel e Major.<br /><br />Quando integrados nas missões da Esquadra, era possível ver esses oficiais voarem sob as ordens de oficiais menos graduados pois, mais importante que a antiguidade do posto, interessava a experiência do piloto no Teatro de Operações. No meu caso pessoal, cheguei a voar integrado em formações chefiadas por alferes milicianos e, no oposto, chefiei formações em que voavam capitães antigos e tenentes-coronéis. E não era por isso que eram postas em causa as competências e autoridade de cada um no desempenho de funções em terra.<br /><br />Assim, os riscos em voo eram democraticamente repartidos por todos os que voavam na Esquadra, fossem coronéis, tenentes-coronéis, majores, capitães, tenentes (todos do quadro) ou tenentes, alferes e furriéis (todos estes milicianos).<br /><br />Um exemplo dramático disto é o facto de no decorrer de missões, no ano de 1973, terem sido mortalmente atingidos oficiais superiores adidos à Esquadra 121, o Ten Cor Brito, comandante do GO1201, e o Maj Mantovanni Filipe, oficial com funções no Quartel General, tendo ainda, por outro lado, perdido a vida Furriéis Milicianos colocados na Esquadra, como o Fur Baltazar da Silva e o Fur Ferreira. Isto para além de 3 oficiais do quadro que se ejectaram com sucesso no decorrer do mesmo ano.<br /><br />É, pois, em nome de todos aqueles que, abdicando de eventuais mordomias, dedicaram todo o seu esforço - e nalguns casos a vida - ao apoio à Esquadra 121, que deixo aqui estes esclarecimentos. (*)<br /><br />Miguel Pessoa<br /><br />(*) Tentando evitar fazer chalaça com esta frase, direi que na maioria dos casos o ar condicionado, mencionado naqueles textos, serviu na maior parte das vezes para amenizar as altas temperaturas sofridas dentro do cockpit do Fiat G-91.<br />__________<br /><br />Nota de CV:<br /><br />(*) Vd. poste de 28 de Junho de 2009 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/06/guine-6374-p4597-fap-30-ferro-qb-para.html">Guiné 63/74 - P4597: FAP (30): Ferro Q.B. para acalmar as hostes (Miguel Pessoa)</a><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29087476-5944119556492330751?l=blogueforanadaevaotres.blogspot.com'/></div>Carlos Vinhalhttp://www.blogger.com/profile/02513603707400841996noreply@blogger.com9tag:blogger.com,1999:blog-29087476.post-60885406441182393752009-07-12T20:30:00.003+01:002009-07-12T23:09:56.353+01:00Guiné 63/74 - P4675: A guerra vista de Bafatá (Fernando Gouveia) (9): Férias na Metrópole. Não há duas sem três...<a href="http://4.bp.blogspot.com/_7fkEU8QYw6U/Sloxcw2gdII/AAAAAAAAFYY/wM6PecWlELo/s1600-h/Fernando+Gouveia-1.jpg"><img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 158px; FLOAT: left; HEIGHT: 184px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357649076930245762" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_7fkEU8QYw6U/Sloxcw2gdII/AAAAAAAAFYY/wM6PecWlELo/s200/Fernando+Gouveia-1.jpg" /></a><strong>1.</strong> Mensagem de Fernando Gouveia, ex-Alf Mil Rec e Inf, <a href="http://www.ensp.unl.pt/luis.graca/guine_guerracolonial18_mapa_Bafata.html">Bafatá</a>, 1968/70, com data de 8 de Julho de 2009:<br /><br />Caro Carlos:<br /><br />Estive uns dias em Oviedo, cidade asturiana, daquelas em que apetece viver,<br />aliás como deviam ser todas as nossas. Foi esse o motivo do pequeno atraso<br />semanal no envio da IX estória para a série A Guerra Vista de Bafatá, que segue<br />em anexo.<br /><br />Fernando Gouveia<br /><br /><br /><strong><span style="font-size:130%;">A GUERRA VISTA DE BAFATÁ</span><br />8 - Férias na metrópole. Não há duas sem três…</strong><br /><br /><a href="http://2.bp.blogspot.com/_7fkEU8QYw6U/Sloye9zuF4I/AAAAAAAAFY4/WR0M5_xSxFw/s1600-h/FG-1.jpg"><img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 273px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357650214279583618" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_7fkEU8QYw6U/Sloye9zuF4I/AAAAAAAAFY4/WR0M5_xSxFw/s400/FG-1.jpg" /></a><strong><span style="font-size:85%;">Foto 1 > 1968 > Chegada a Bafatá num Dakota, depois das primeiras férias. Vista parcial da tabanca da Ponte Nova.</span></strong><br /><br />Todos têm as suas manias. Eu tenho as minhas. Uma é a de considerar as férias sagradas. Entendo que quem trabalha tem esse sacro direito.<br /><br />Quando fui mobilizado para a Guiné sabia, à partida, que iria ter direito a um mês de férias em cada ano civil (mais cinco dias, suponho, se viesse à metrópole) mas só podendo vir à metrópole duas vezes, por ser miliciano. Os oficiais do quadro podiam vir três vezes.<br /><br />Fui para a Guiné em JUN68 e vim em JUN70. Três anos civis com direito a duas férias cá. As regras eram essas pelo que orientei a minha vida nesse sentido.<br /><br />Gozaria as primeiras em NOV68 e as segundas e últimas em MAR/ABR69. Casaria nestas últimas e a minha mulher mais tarde iria passar umas temporadas à Guiné, em Bafatá, onde tinha possibilidade de alugar uma casa.<br /><br />Nessas primeiras férias tudo foi pacífico. Passados mais uns quatro meses viria novamente de férias, MAR/ABR69, mas as coisas complicaram-se.<br /><br />No Agrupamento em Bafatá tinha conhecido um soldado nativo, Seidi, que estava à espera de ser julgado, pensava eu, por algo que teria feito contrário ao RDM. Quarenta anos depois cheguei à conclusão, pela leitura dos livros do Beja Santos, que esse tal Seidi devia ser o mesmo que algures, na zona de Bambadinca, tinha espancado a mulher.<br /><br />Se tivesse sabido que o Seidi tinha praticado tal javardice talvez eu não tivesse embarcado no que se passou a seguir.<br /><br />O Seidi foi para Bissau onde iria ficar preso, tendo-me pedido para o visitar na prisão. Passados uns dias sigo também para Bissau a caminho das minhas segundas férias.<br /><br />Como prometido, procuro a prisão no Quartel General, em Santa Luzia. Já perto, de trás das grades, o Seidi chama-me. Estivemos à conversa e em determinada altura diz-me: Meu Alferes faça-me um favor: sabe que sou muçulmano e que não bebo vinho. Peça ao nosso Major (chefe dos serviços prisionais) que, em vez do vinho, me dêem o correspondente patacão, assim já dá para melhorar o resto do cume.<br /><br />Fui falar com o tal Major e expus-lhe a situação.<br /><br />O céu parece ter desabado ali. O homem espumava por todos os lados e aos gritos perguntou:<br /><br />- O que está a fazer aqui?<br /><br />- Vim de Bafatá e vou de férias à metrópole.<br /><br />Aos gritos continuou:<br /><br />- IA, IA, IA. O nosso Alferes não conhece o RDM? Não sabe que não se podem visitar presos sem a minha autorização?<br /><br />Vendo a minha vida a andar para trás (e não só a minha), adiantei-lhe que nas férias iria casar, que tinha tudo marcado.<br /><br />Por isso e talvez por ter conseguido ler os meus pensamentos assassinos, fui de férias.<br /><br />No princípio do ano de 1970, num fim de tarde estando à conversa com um Major, que por ser do quadro tinha acabado de gozar as suas terceiras férias na metrópole, aquele major sugeriu-me que deitasse o barro à parede, pedindo as minhas terceiras férias.<br /><br />Depois de pensarmos qual a justificação a apor no requerimento, só se descobriu uma: Conforme casos anteriormente autorizados.<br /><br />O requerimento foi para Bissau. Ao fim de um mês veio a resposta. Quem deferiu o requerimento ou não conseguiu encontrar a lei que impossibilitava aos milicianos as terceiras vindas à metrópole ou, por pura incompetência, não verificou que eu era miliciano.<br /><br />Faltavam uns dias para ir para Bissau apanhar o avião com vista às terceiras férias, quando à porta do Comandante (Cor Neves Cardoso) tive uma discussão com um Major que mais tarde se viria a revelar de baixíssimo carácter, que elevou a voz. Como achava que tinha toda a razão do meu lado, elevei também a minha, no pressuposto, no meu subconsciente, que dentro do gabinete do Comandante estaria ainda o anterior Comandante Cor Hélio Felgas, que me teria dado razão.<br /><br />A pessoa era outra e um pouco depois mandou-me chamar para me comunicar que me tinha cortado as férias.<br /><br /><a href="http://4.bp.blogspot.com/_7fkEU8QYw6U/SloyNmilRQI/AAAAAAAAFYw/2Yj8u0FXNMY/s1600-h/FG-2.jpg"><img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 246px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357649915975910658" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_7fkEU8QYw6U/SloyNmilRQI/AAAAAAAAFYw/2Yj8u0FXNMY/s400/FG-2.jpg" /></a><strong><span style="font-size:85%;">Foto 2 > 1970 > O Cor Neves Cardoso entre o Ten Cor Banazol e o Administrador</span></strong><br /><br />Fui lamentar-me junto do Major que me tinha ajudado a fazer o requerimento e este, que não se dava com o outro (aliás ninguém se dava com tal elemento), prometeu-me que falaria com o Comandante.<br /><br />Fui chamado novamente e lá vim de férias, só que o insólito ainda estava para acontecer.<br /><br />Em Bissau, já no aeroporto, quando estava com o <em>chek-in</em> feito e a chamarem para o embarque, o meu passaporte militar não aparecia. Procurei, procurei, revi os bolsos várias vezes, várias vezes tirei tudo da pequena sacola que levava e nada.<br /><br />Só faltava eu embarcar.<br /><br />Em determinada altura a minha situação chegou ao conhecimento do Comandante do avião. Junto deste tornei a rever todos os sítios possíveis onde poderia estar o documento militar. Em determinada altura o comandante dá a seguinte ordem, sem que eu estivesse à espera:<br /><br />- Retirem todas as malas do porão do avião até a mala do senhor Alferes aparecer.<br /><br />Termino, dizendo que o Passaporte Militar não estava na mala… mas vim de férias… com Passaporte Militar.<br /><br />Obrigado Senhor Comandante.<br /><br /><a href="http://1.bp.blogspot.com/_7fkEU8QYw6U/Slox-KdYioI/AAAAAAAAFYo/4xhNxB0fDVo/s1600-h/FG-3.jpg"><img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 284px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357649650739874434" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_7fkEU8QYw6U/Slox-KdYioI/AAAAAAAAFYo/4xhNxB0fDVo/s400/FG-3.jpg" /></a><strong><span style="font-size:85%;">Foto 3 > ABR1970 > Viagem de Bissau para Bafatá em LDG - 1.ª classe, no regresso das últimas férias.</span></strong><br /><br /><a href="http://3.bp.blogspot.com/_7fkEU8QYw6U/SloxvRRtVqI/AAAAAAAAFYg/PyrMUz3hLUI/s1600-h/FG-4.jpg"><img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 268px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357649394871916194" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_7fkEU8QYw6U/SloxvRRtVqI/AAAAAAAAFYg/PyrMUz3hLUI/s400/FG-4.jpg" /></a><strong><span style="font-size:85%;">Foto 4 > ABR > Chegada ao cais do Xime, no regresso das terceiras férias. “Tudo ao monte e fé em Deus”</span></strong><br /><br />A próxima estória relatará uma situação simples da guerra de retaguarda à qual eu pertencia e que a meu ver completava a da frente de combate. O tema será uma mina e um poema alusivo de um nosso camarada também poeta.<br /><br />Até para a semana camaradas.<br /><br /><strong><span style="font-size:85%;">Texto e fotos: © Fernando Gouveia (2009). Direitos reservados</span></strong><br />__________<br /><br />Nota de CV:<br /><br />Vd. último poste da série de 3 de Julho de 2009 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/07/guine-6374-p4637-guerra-vista-de-bafata.html">Guiné 63/74 - P4637: A Guerra vista de Bafatá (Fernando Gouveia) (8): À carga no Esquadrão de Cavalaria de Bafatá</a><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29087476-6088540644118239375?l=blogueforanadaevaotres.blogspot.com'/></div>Carlos Vinhalhttp://www.blogger.com/profile/02513603707400841996noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-29087476.post-58062463942185147692009-07-12T19:13:00.000+01:002009-07-12T19:28:39.980+01:00Guiné 63/74 - P4674: O mundo é pequeno e o nosso blogue... é grande (16): O alvoroço dos (re)encontros: obrigado, malta da CCAÇ 2790 (António Matos)<a href="http://4.bp.blogspot.com/_pMkPOXBWOec/SlobOlb1IdI/AAAAAAAAWus/GYfl7oMxoXM/s1600-h/Guine_Jose_Camara_entrada_A_Barros_AM.jpg"><img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 337px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357624644091584978" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_pMkPOXBWOec/SlobOlb1IdI/AAAAAAAAWus/GYfl7oMxoXM/s400/Guine_Jose_Camara_entrada_A_Barros_AM.jpg" /></a> Guiné ><a href="http://www.ensp.unl.pt/luis.graca/guine_guerracolonial60_mapa_Bula.html">Bula</a> > CCAÇ 2790 > A entrada no destacamento da Ponta Augusto Barros, com o Alf Mil Matos à frente...<br /><br /><a href="http://1.bp.blogspot.com/_pMkPOXBWOec/SloaN1tJfkI/AAAAAAAAWuM/jKW-4GPeu3o/s1600-h/Guine_Jose_Camara_Bula_equipa_futebol_2790.jpg"><img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 255px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357623531767692866" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_pMkPOXBWOec/SloaN1tJfkI/AAAAAAAAWuM/jKW-4GPeu3o/s400/Guine_Jose_Camara_Bula_equipa_futebol_2790.jpg" /></a> Guiné >Bula > CCAÇ 2790 > A equipa de futebol... De pé, do lado direito, de camuflado, o Cap Inf Sucena (ou será o Gertrudes da Silva ?)<br /><a href="http://1.bp.blogspot.com/_pMkPOXBWOec/SloaFK84EvI/AAAAAAAAWuE/9hKu6z6Mzvg/s1600-h/Guine_Jose_Camara_Jo%C3%A3o+Landim_AM.jpg"><img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 265px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357623382851982066" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_pMkPOXBWOec/SloaFK84EvI/AAAAAAAAWuE/9hKu6z6Mzvg/s400/Guine_Jose_Camara_Jo%C3%A3o+Landim_AM.jpg" /></a> Guiné > Região do Cacheu > Rio Mansoa: a jangada que fazia a travessia do rio, em João Landim, carregando o pessoal da CCAÇ 2790. (Teve como unidade mobilizadora o BII 18, partiu para a Guiné em 24/9/1970 e regressou a 30/9/1972. Esteve em Ponta Augusto Barros e em Bula. Comandantes foram dois: Cap Inf José Pedro de Sucena, e Cap Inf Diamantino Gertrudes da Silva.<br /><br />Fotos: © José Câmara (2009). Direitos reservados<br /><br /><strong>1.</strong> Mensagem de António Matos (*), ex-Alf Mil MA da CCAÇ 2790, <a href="http://www.ensp.unl.pt/luis.graca/guine_guerracolonial60_mapa_Bula.html">Bula</a>, 1970/72:<br /><br /><em>Caros editores, aqui vai um texto [, para publicação como poste, logo que possível]... Em anexo mando algumas fotos que me foram cedidas pelo José Câmara, lá dos States, que me fizeram muito bem pelas recordações fabulosas que me permitiram (**).<br /><br />Um abraço<br />António Matos<br /></em><br /><br /><strong>2. O mundo é pequeno e o nosso blogue ... é grande (***) > Obrigado, José Câmara!</strong>por António Matos<br /><br />Caramba, como bate o coração !!!!<br /><br />Caramba, eu que fui um especialista comercial da grande IBM Portugal, [colega do Raul Albino,] vejo-me agora a vibrar a um ritmo cardíaco mais acelerado do que o meu normal pelas maravilhas informáticas postas ao meu dispor !!!!<br /><br />Caramba, que laços estes que se formaram na guerra e que agora, quase 40 anos depois, me põem de lágrima ao canto do olho, com um entusiasmo danado por alguém ter descoberto uma ligação aos homens que comigo conviveram naqueles 2 anos de inferno mas que a vida os transpôs para terras do tio Sam, para lá do Atlântico, e de quem nunca mais tive a mínima ideia de os voltar a encontrar...<br /><br />Esta é uma primeira tentativa conseguida (se bem que ainda só em fotografia ) mas talvez o futuro nos venha a possibilitar, ainda, aquele abraço !<br /><br />Caramba, José Câmara, como te estou agradecido !!!!<br /><br />Caramba, José Câmara, que fantástico rever o Moniz, o Benevides, o capitão Sucena, o padre Antero, o Rocha, o Ferreira, o furriel <em>Carabina,</em> o furriel Cardoso, o Cordeiro, o Simas, o Aprígio, o capitão Gertrudes da Silva, o Carvalho Araújo em Ponta Delgada, a LDM e tantos outros camaradas que, relembrando-me deles, não recordo os nomes...<br /><br />Como te posso agradecer, meu caro ?<br /><br />Não sei por onde começar a desembrulhar o enigma desta parte da minha vida mas sei que não vou largar as pontas agora expostas.<br /><br />Vou continuar a precisar de ti desse lado do mar para me pores em contacto com essa malta que foram para mim como irmãos, como filhos, como companheiros de luta, como parceiros de momentos de angústia, de medo, de dor, de solidariedade desmedida, enfim.<br /><br />Melhor do que ninguém saberás dar andamento ao que já deslindaste mas agora põe essa gente a falar comigo , por favor!<br /><br />Os números de telefone que já me disponibilizaste (José Bairos e José João) não me têm dado qualquer resposta e não sei dar andamento ao assunto.<br /><br />Conto contigo e com eles!<br /><br />Faz boas férias e se passares cá pelo <em>Continente, </em>telefona ! Estou no 919777978 !<br /><br />Um grande abraço do<br />António Matos<br />___________<br /><br />(*) Vd. postes de:<br /><br />1 de Novembro de 2008 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2008/11/guin-6374-p3390-tabanca-grande-95.html">Guiné 63/74 - P3390 Tabanca Grande (95): António Garcia de Matos, ex-Alf Mil da CCAÇ 2790, Bula (1970/72)</a><br /><br />Vd. também postes de:<br /><br />7 de Maio de 2009 ><a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/05/guine-6374-p4291-espelho-meu-diz-me.html">Guiné 63/74 - P4296: Espelho meu, diz-me quem sou eu (2): António Matos</a><br /><br />26 de Junho de 2009 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/06/guine-6374-p4582-os-nossos-camaradas.html">Guiné 63/74 - P4582: Os Nossos Camaradas Guineenses (11): Ernesto… procuro saber algo sobre este meu Amigo guineense (António Matos)</a>:<br /><br />(**) José da Câmara, natural das Lajes das Flores, Açores, ex-Fur Mil da CCAÇ 3327 e Pel Caç Nat 56, Guiné, 1971/73.<br /><br />Vd. postes de:<br /><br />15 de Maio de 2009 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/05/guine-6374-p4350-tabanca-grande-141.html">Guiné 63/74 - P4350: Tabanca Grande (141): José da Câmara, ex-Fur Mil da CCAÇ 3327 e Pel Caç Nat 56 (Guiné, 1971/73)</a><br /><br />25 de Junho de 2009 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/06/guine-6374-p4577-o-mundo-e-pequeno-e-o.html">Guiné 63/74 - P4577: O mundo é pequeno e o nosso Blogue... é grande (13): Encontro de dois atabancados em terras da América (José da Câmara)</a><br /><br />27 de Maio de 2009 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/05/guine-6374-p4424-excitacoes30-o-meu-pai.html">Guiné 63/74 - P4424: (Ex)citações (30): O meu pai só aprendeu as letras que o trabalho lhe ensinou (José da Câmara)</a><br /><br />Vd. série Memórias e histórias minhas (José da Câmara):<br /><br />16 de Maio de 2009 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/05/guine-6374-p4353-memorias-e-historias.html">Guiné 63/74 - P4353: Memórias e histórias minhas (José da Câmara) (1): O início do Serviço Militar</a><br /><br />27 de Maio de 2009 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/05/guine-6374-p4420-memorias-e-historias.html">Guiné 63/74 - P4421: Memórias e histórias minhas (José da Câmara) (2): O IAO em Santa Margarida</a><br /><br />8 de Junho de 2009 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/06/guine-6374-p4480-memorias-e-historias.html">Guiné 63/74 - P4480: Memórias e histórias minhas (José da Câmara) (3): Partida para a Guiné</a><br /><br />(***) Vd. útimo poste da série><br /><br />12 de Julho de 2009 ><br /><a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/07/guine-6374-p4673-o-mundo-e-pequeno-e-o.html">Guiné 63/74 - P4673: O mundo é pequeno e o nosso blogue... é grande (15): Ingoré e Gandembel na feira de Custóias, Matosinhos (José Teixeira)</a><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29087476-5806246394218514769?l=blogueforanadaevaotres.blogspot.com'/></div>Luís Graçahttp://www.blogger.com/profile/02855689880579087551lgraca@clix.pt1tag:blogger.com,1999:blog-29087476.post-7339721803173115742009-07-12T17:01:00.003+01:002009-07-12T19:30:30.380+01:00Guiné 63/74 - P4673: O mundo é pequeno e o nosso blogue... é grande (15): Ingoré e Gandembel na feira de Custóias, Matosinhos (José Teixeira)<a href="http://2.bp.blogspot.com/_pMkPOXBWOec/SloEPRrk0WI/AAAAAAAAWt8/rprnOye0quo/s1600-h/Guine_Ingore_Teixeira_1968_v2.jpg"><img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 352px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357599367201345890" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_pMkPOXBWOec/SloEPRrk0WI/AAAAAAAAWt8/rprnOye0quo/s400/Guine_Ingore_Teixeira_1968_v2.jpg" /></a> Guiné > Região do Cacheu > Ingoré > 1968 > O 1º cabo enfermeiro Teixeira, da CCAÇ 2831 (1968/70), posando em cima de uma autrometralhadora Daimler... Os alegres dias de Ingoré, com o pessoal da CCAÇ 2381 em treino operacional antes de ser colocado no sul (região de Quínara e região de Tombali)...<br /><br />Foto: © José Teixeira (2005). Direitos reservados<br /><br />1. Mensagem do José Teixeira, ex-1.º Cabo Enfermeiro da CCAÇ 2381, <a href="http://www.ensp.unl.pt/luis.graca/guine_guerracolonial16_mapa_Xitole.html">Buba, Quebo, Mampatá</a> e <a href="http://www.ensp.unl.pt/luis.graca/guine_guerracolonial51_mapa_Empada.html">Empada</a>, 1968/70 (*):<br /><p><br /><br /><em>Caríssimos editores. Depois de uma conversa que tive ontem com o Chefe de Tabanca, Luís, o qual me deixou a pensar, resolvi escrever este texto inspirado numa cena hoje vivida. Se merecer ter entrada no blogue, façam favor . abraço fraterno para tudo dgenti.<br /><br />José Teixeira.</em><br /><br /><strong>O QUE NOS DEVE UNIR COMO VETERANOS DE GUERRA (**)<br />por José Teixeira </strong><br /><br />É meu hábito, desde longa data, todos os sábados de manhã ir à feira de Custóias, [no concelho de Matosinhos,] abastecer-me de frutas e legumes.<br /><br />Um dos feirantes, onde normalmente adquiro a fruta , bateu com os <em>costados </em>na Guiné. Soube-o há pouco tempo e desde então a nossa forma de estar e conversar modificou-se, para admiração dos seus dois filhos, já que minha esposa conhece o que a casa gasta. Desde os bons dias como "na pinda” ou "corpo di bó, o “vai no gosse” ou “manga di ronco” etc. Os rapazes devem legitimamente pensar que o pai estar "apanhado pelo clima”.<br /><br />Neste sábado a conversa centrou-se nos locais por onde passámos e para alegria de ambos, Ingoré foi o nosso hotel por algum tempo, embora em épocas diferentes. Barro, Antotinha, Sedengal, Ingorezinho, etc nomes sonantes para nós, com aventuras pelo meio que logo começaram a ser contadas.<br /><br />Continuando a nossa conversa/caminhada, deslocamo-nos para o Sul, onde Buba, Aldeia Formosa, Mampatá e Gandembel foram estrelas para mim que o meu amigo e camarada não chegou a conhecer.<br /><br />A meu lado postou um possível comprador de fruta, o qual de repente e sem ninguém contar, começa a cantar:<br /><br /><em>Gandembel das morteiradas,<br />dos abrigos de madeira,<br />onde nós, pobres soldados,<br />imitamos as toupeiras...</em><br /><br />Que espanto! Que alegria ! o meu coração já bailava ao som da cantiga, que tantas vezes cantei no terreno e ainda o ano passado foi <em>show </em>no Simpósio de Guiledge.<br />- Quem é você ?<br />- Um pára-quedista da Companhia 121, que esteve em Gandembel, Aldeia Formosa, Cantanhez na segunda metade de 1968.<br /><br />Segui-se o rosário habitual das cenas vividas naquele inferno, algumas delas em comum, como a coluna que foi a Gandembel levar mantimentos com os Páras na mata a montar segurança e eu/nós na picada a levantar minas e fazer caminho, para que as viaturas carregadas pudessem chegar ao destino.<br /><br />Que bela manhã de sábado !<br /><br />Esta minha feliz vivência, quarenta e um anos depois, creio, vir a propósito perante o momento que a Tabanca Grande vive neste momento. Momento, no mínimo apreensivo, para quem cá anda desde 2005, quando estávamos a chegar aos cinquenta tertulianos. Desde essa data, leio avidamente tudo quanto aparece escrito, porque me diz muito. Fala-me de uma terra que é a minha segunda pátria. Também lá pus as minhas marcas; o meu Diário, escrito a quente e outras estórias que não couberam no diário, mas que ficaram gravadas no coração (*).<br /><br />O desafio que nos é posto, simples e concreto – <em>não deixes que sejam os outros a contar a tua História, por ti </em>– é estimulante e pode vir a ter muito valor, se é que já não tem, na realidade histórica que os nossos vindouros vão querer saber no que respeita à guerra colonial.<br /><br />Nós somos os actores da História que vivenciamos e temos condições para sermos os <em>autores </em>dessa mesma História. Isto é, as nossas estórias, serão a base verdadeira e real suporte para os historiadores, que no futuro farão da nossa estória, uma História de factos reais vividos e testemunhados e não uma lenda.<br /><br />Ultimamente, o <em>nosso </em>blogue,(como o Moreira de Gandembel, recém-chegado, me dizia há dias pelo telefone) por intervenção de alguns camaradas, tem-se desviado do seu objectivo central, para se perder em questiúnculas estéreis, vazias de conteúdo histórico, atiçadas por <em>paixões </em>pessoais, de índole, politica, partidarites, e até militarites.<br /><br />Assim, não fazemos/construímos a História, a nossa verdadeira história, vivida e sofrida de tal modo que ninguém conseguirá substituir-nos.<br /><br />Basta-me o que vivi no terreno como escrevi no meu Diário:<br /><br /><em>Janeiro 1969 / Chamarra / 23<br /><br />É tremendamente chocante ver morrer um camarada na guerra, mas custa muito mais quando se morre por acidente, por descuido e sobretudo quando a morte é causada por vingança de outrém.<br /><br />Ontem ao anoitecer, em Aldeia Formosa, alguém, lançou uma granada de mão para a Messe dos sargentos. Não se sabe quem foi. Branco ou negro. Por vingança, por descuido. Os resultados foram tremendos. Dois soldados, meus camaradas, tiveram morte imediata e houve ainda dez Furrieis feridos, alguns com gravidade. As medidas tomadas pelo Comandante para descobrir o assassino ainda não resultaram.<br /><br />Aqueles dois colegas que casualmente se encontravam à porta encontraram a morte, pela mão de um companheiro cego pela loucura ou pelo ódio, tudo leva a crer. (...)<br /><br /><br />Abril,1969 / Buba / 19<br /><br />Pela primeira vez, num ano de guerra com diversos casos graves e mortais, vi camaradas meus serem varados por balas de armas manejadas por companheiros só porque já não se houve a voz da razão.<br /><br />Um pequeno incidente de palavras entre um soldado da minha Companhia e um Comando Africano, quando tomavam banho originou uma luta entre Fuzileiros e Comandos com consequências graves. Parece está tudo louco.<br /><br />Um Comando branco defendeu o Africano e alguns 'Fuzas' intrometeram-se. A coisa azedou e surgiu uma cena de pancadaria de que resultou algumas cabeças partidas e olhos negros. Aparece uma G 3 a vomitar uma rajada e quatro meros espectadores ficam gravemente feridos. Uma perna desfeita, um braço cortado e o mais grave veio a falecer com uma bala na cabeça. Foi este o resultado de uma simples discussão.<br /><br />Eu estava de saída para o mato e mal vi os feridos. Pela primeira vez na minha vida de guerra, chorei. Lágrimas de raiva ... e de sangue.</em><br /><br />Amigos e camaradas, contemos as nossas estórias sem as carregarmos com espartilhos, estribilhos e outros <em>ilhos.</em> Deixemos que a melancolia de um passado que não voltará, lhe dê um toque de romance, porque não! Mas não as sobrecarreguemos com as marcas que a vida que se seguiu, se encaixaram dentro de cada um de nós.<br /><br />Sobretudo, saibamos, compreender os camaradas que, ao contar as suas estórias, reflectem uma visão ou pontos de vista diferentes dos nossos. Admitamos que eles viram e viveram os acontecimentos à sua maneira.<br /><br />Não nos esqueçamos que somos todos iguais como homens, mas todos diferentes na essência, na educação, nas marcas que a vida nos foi deixando. São essas diferenças um enorme factor de riqueza que permitiu ao homem, nascer, crescer e caminhar no cosmos, promovendo a mudança e o crescimento, que nos permite esta forma de viver que ninguém sonhava há alguns anos atrás.<br /><br />É essa diferença de pontos de vista sobre a mesma vivência, sem ataques pessoais que nos vai permitir uma visão de conjunto, mais realista, permitindo um crescimento cultural efectivo.<br /><br />Há tanta coisa que nos une, porque havemos de alimentar e dar força a pequenas coisas /paixões que nos desunem, nos fazem sofrer e tiram valor à história que vivenciamos, a qual ninguém jamais nos poderá substituir.<br /><br />Para todos um abraço fraterno do tamanho... Talvez da vida que vivemos.<br /><br />José Teixeira<br /><br /><strong>2.</strong> Comentário de L.G.:<br /><br />Zé: Obrigado pela tua história de hoje... Tens um especial talento para fazer um bela história com pouca matéria-prima... Ou melhor, com dois ou três pequenos apontamentos ou observações. A tua ida, ontem, à feira de Custóias veio mostrar que, afinal, o mundo é pequeno e que o nosso blogue é...grande. À volta de coisas tão essenciais como a fruta e os legumes, fostes descobrir , por acaso, camaradas que andaram pelos mesmos sítios que tu, nos idos anos de 1968... E como foi genuína e bonita a manifestação das tuas emoções, do teu espanto e da tua alegria!...<br /><br />Nem sempre os nossos familiares e amigos entendem esta capacidade de ainda nos emocionarmos, quarenta anos depois, ao encontrar alguém que passou pelos sítios que nós... durante a guerra da Guiné. Às vezes, até ficam com uma pontinha de ciúme pelos novos amigos que fazemos, os camaradas da Guiné...<br /><br />Esse, é de facto, o maior denominador comum que nos une, a capacidade de falarmos uma linguagem comum como ex-combatentes, falarmos de coisas comuns, lugares, episódios, pessoas, emoções, experiências, que partilhamos uns com os outros...<br /><br />Pessoalmente, não exijo mais deste blogue que criei, e que ajudo a alimentar todos os dias, com o talento, o apoio, o entusiasmo, a entrega, a paixão, a criatividade e a camaradagem de tanta gente fantástica como tu e os meus/nossos queridos co-editores, Carlos Vinhal, Virgínio Briote e Eduardo Magalhães...<br /><br />Obrigado, meu <em>Esquilo Sorridente</em>! Que este blogue continue a proporcionar-te outros felizes encontros e a dar-te muitas outras alegrias... Julgo ser essa a sua missão primordial...<br />_________<br /><br />Notas de L.G.:<br /><br />(*) Vd. poste de 14 Março de 2006 > <a href="http://blogueforanada.blogspot.com/2006_03_12_archive.html">Guiné 63/74 - DCXXVI: O meu diário (Zé Teixeira) (fim): Confesso que vi e vivi</a>.<a name="114219571682438961"> </a><br /><br />(**) 7 de Julho de 2009 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/07/guine-6374-p4652-o-mundo-e-pequeno-e-o.html">Guiné 63/74 - P4652: O mundo é pequeno e o nosso Blogue... é grande (14): O mundo é do tamanho duma ervilha (António Matos)</a></p><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29087476-733972180317311574?l=blogueforanadaevaotres.blogspot.com'/></div>Luís Graçahttp://www.blogger.com/profile/02855689880579087551lgraca@clix.pt6tag:blogger.com,1999:blog-29087476.post-61045204510770984612009-07-12T16:30:00.010+01:002009-07-12T19:44:33.972+01:00Guiné 63/74 - P4672: Blogoterapia (114): Quem somos nós? (António J. Pereira da Costa)<a href="http://4.bp.blogspot.com/_7fkEU8QYw6U/Sln0ZQHP9-I/AAAAAAAAFYQ/Gh9IkUm-HYk/s1600-h/Pereira+da+Costa-2.jpg"><img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 153px; FLOAT: left; HEIGHT: 184px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357581946393196514" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_7fkEU8QYw6U/Sln0ZQHP9-I/AAAAAAAAFYQ/Gh9IkUm-HYk/s200/Pereira+da+Costa-2.jpg" /></a><strong>1.</strong> Mensagem do nosso camarada António J. Pereira da Costa, Coronel, que foi comandante da CART 3494, <a href="http://www.ensp.unl.pt/luis.graca/guine_guerracolonial5_xime.html">Xime</a> e <a href="http://www.ensp.unl.pt/luis.graca/guine_guerracolonial6_mansambo.html">Mansambo</a>, 1972/74, com data de 6 de Julho de 2009:<br /><br />Olá Camarada<br />Fiquei a saber que a filha do Beja Santos faleceu.<br />Que é que se diz nestas alturas? Num caso como este, não sei porquê, o melhor é nada dizer... Os que nos seguem de longe, quando se nos dirigem nestas alturas, dizem coisas... E eu não quero dizer coisas.<br /><br />Pois eu escrevi um texto sobre os ex-combatentes no qual procuro saber <em>Quem Somos</em>? São quatro páginas a computador e, por isso, parece-me um pouco infuncional para o blog, pois vai ocupar um grande espaço e a malta terá dificuldade em lê-lo.<br /><br />Que farei com este texto? Ora dá uma ideia e informa, como se dizia <em>naquele tempo</em>.<br /><br />Um Ab do<br />António Costa<br /><br /><br /><strong>2.</strong> Cabe aqui uma pequena intervenção antes de apresentarmos o texto do nosso camarada A. Pereira da Costa.<br /><br />Face a este depoimento, que podia ser igual ao que cada um de nós faria, se para o efeito tivesse a mesma arte e engenho, fica provado que temos tanto em comum, mesmo admitindo as divergências normais e salutares, que todos os conflitos criados recentemente, artificialmente talvez, empolados propositadamente, são insignificantes, comparado com aquilo que nos une.<br /><br />Vamos definitivamente enterrar os machados, esquecer ou pelo menos desculpar os nossos camaradas que não pensam como nós, e de uma vez por todas deixar de utilizar palavras provocatórias e ofensivas. Problemas pessoais devem ser tratados por mail ou telefone, e nunca nos comentários.<br /><br />Estou a falar por mim, não entrei para a Tabanca e muito menos para a edição do Blogue para ver a minha caixa de correio cheia de tricas. Quero trabalho, muito, mas construtivo. Para outra coisa, acreditem, não estou cá.<br /><br />Optei por publicar o texto do nosso camarada por inteiro, porque o achei demasiado importante para o dividir. Leiam por favor, porque é muito importante e leva-nos a reflectir sobre o que foi o nosso passado.<br />C.V.<br /><br /><br /><span style="font-size:130%;"><strong>Quem somos nós?</strong><br /></span>António J. Pereira da Costa<br /><br />Afinal quem somos nós, os ex-combatentes, como hoje, se diz?<br /><br />Primeiro, interroguemo-nos acerca das razões que nos levaram a participar numa guerra, chame-se ela colonial, do ultramar ou de África. O nome é o menos importante e não deve constituir motivo de discussão. O que verdadeiramente interessa é o que se passou, o que fizemos ou não fizemos, porque fizemos isto e não aquilo, o que estava à nossa volta, quer fossem outros compatriotas, o inimigo, a terra ou clima. Por mim, não me restam dúvidas de que participámos na História do nosso país de um modo com que todos tínhamos sonhado, ao aprendermos a nossa História, nos bancos da escola, mas também nunca tínhamos pensado que pudesse acontecer.<br /><br />Nós que, de vez em quando, em tantos sítios do país e às vezes no estrangeiro, nos reunimos para conviver, temos, como denominador comum, um tempo que passámos em África – mais ou menos dois anos – pouco tempo numa vida inteira e numa situação que, quando terminámos a escola primária, nem sonhávamos que pudesse ocorrer. Pouco tempo depois do fim da escola, fomos surpreendidos por alguma coisa que acontecia naquilo que tínhamos estudado como sendo parte integrante do nosso país e que nem sequer imaginávamos que contornos podia ter. Quantos de nós conheceriam a África? E se era nossa? De quem? Nossa mesmo? E era-o como e porquê? Como exercíamos essa posse? No fundo, nunca tínhamos pensado no assunto. Éramos uma comunidade una, mas dispersa? Ou simplesmente um conjunto de territórios povoados por povos diferentes? De países, em última análise...<br /><br />Começara a guerra, dizia-se.<br /><br />Os governantes do tempo procuravam reduzi-la a simples operações contra terroristas infiltrados a partir dos países limítrofes, bandoleiros, tresloucados etc. quase como se fossem operações de polícia. Porém, ainda hoje não tenho conhecimento de qualquer ofensiva diplomática ou protesto, junto das instâncias internacionais, por parte do governo português, para que o apoio estrangeiro aos tais terroristas terminasse. Era o mínimo que se exigia.<br /><br />Começamos hoje a não ter dúvidas de que se tratava de um fenómeno sociológico previsível e previsto por vários visitantes e residentes naquelas terras, que observaram o que se passava e se aperceberam do aumento das tensões entre os diferentes grupos sociais: mais ou menos pobres, mais ou menos detentores ou condicionadores do funcionamento dos meios de produção. Se a isto juntarmos as diferenças rácicas e as tensões acumuladas, ao longo de séculos, temos uma mistura explosiva que, só poderia ter sido evitada com algo que se não fez antes e que, quando se pretendeu fazer era tarde demais: o desenvolvimento económico e social e a integração. Os que anunciaram que havia perigo ficaram mal vistos e foram tidos como mensageiros da desgraça, às vezes mesmo como elementos perturbadores, interessados em desequilibrar o país e as suas instituições, espiões, quase. Não há dúvida de que o pior cego é o que não quer ver.<br /><br />Infelizmente, a ciência, mesmo quando não é exacta, não deixa de ser ciência e de prever as consequências dos factos que vão acontecendo. É inutil fingir que se ignora que as sociedades funcionam num processo dinâmico e que a repressão a esse processo sempre deu mal resultado.<br /><br />Não sabíamos que era assim, mas aquilo a que a dada altura passámos a chamar guerra era afinal, consequência de um domínio virado para a exploração de recursos, naturais ou não, e dos primitivos habitantes daquelas terras. Se os primeiros servem mesmo para isso mesmo, a exploração e ao mau trato aos segundos revela-se, a prazo, uma fonte de tensão que, neste caso, terminou numa revolta, com largo apoio no exterior mercê da conjuntura internacional favorável, mas com larga implantação na população, como vimos à chegada à Guiné.<br /><br />Éramos assim, uma espécie de bombeiros que chegavam tarde a um incêndio numa floresta, batida com vento forte. Era um incêndio que tinha por onde arder e boas condições para lavrar. Podem crer que, desde a primeira hora, a guerra estava perdida.<br /><br />Com a idade que tínhamos quando ela começou, os nossos pais, só tarde, começaram a pensar que a sorte também nos iria tocar.<br /><br />Que fazer então quando, à data de embarque, a guerra era velha de dez anos e nós jovens com pouco mais de vinte?<br /><br />Havia, como se lembram, os muitos que já tinham ido e voltado – amigos e conhecidos – e que nos davam a ideia de que afinal as coisas não seriam assim tão más. Poderíamos correr o risco.<br /><br />A opção não era fácil. As escolhas, quase desconhecidas. Vivíamos num país atrasado e todos os que vieram a emigrar ou os poucos que então visitaram o estrangeiro sabem do que falo. As diferenças que encontrávamos falavam por si. Estávamos encurralados entre dois fogos. Se, por um lado, a incerteza da guerra se aproximava – e hoje todos entendem o que digo – por outro, a certeza da impossibilidade de ficar, era um dado a que não podíamos fugir. Entre as duas soluções, só o diabo sabia escolher. Quantos de nós pensámos na outra solução?... Quantos de nós pensámos em fugir? Quantas vezes não nos arrependemos de não o termos feito?<br /><br />Fugir. Aqui estava outra expressão que a nós, homens de bem e bem formados, repugnava. Tudo aquilo que pudesse ser confundido com fugir não era para os homens da nossa geração. Mas as coisas não são assim tão simples e fugir pode ser um acto de valentia, quando se sabe, porquê. Quando se recusa fazer algo, arrostando com as consequências que, às vezes, nem adivinhamos quais possam vir a ser, entrando numa espécie de opção “<em>não sei por onde vou, mas sei que não vou por aí</em>”, então fugir é um acto de valentia que pode exigir maior integridade moral do que aceitar passivamente o destino comum.<br /><br />Vale a pena voltarmos a pensar nos que tinham ido e voltado. Por estranho que pareça, à chegada, eles pareciam ter esquecido tudo. Não falavam do que tinham vivido. Não procuravam passar-nos – como se tal fosse possível – a sua experiência. Não nos aconselhavam, nem nos desaconselhavam. Partiam para a sua vida com a ânsia de quem tinha perdido tempo e agora só pensavam em começar a viver.<br /><br />Hoje não temos dificuldade em compreender a atitude destes camaradas.<br /><br />A sociedade, à chegada, não lhes reconhecia o mínimo valor. Eram um corpo estranho que lembrava aos políticos a sua incapacidade, teimosia e intransigência. À sociedade relembravam um problema que ela tinha, mas que não sabia como resolver e, por isso, deixava o tempo passar e o problema agudizar-se.<br /><br />E se voltavam deficientes, estavam condenados a sobreviver.<br /><br />Desde aqueles que ficaram depositados numa cama ou numa cadeira de rodas, sobrecarregando a família e sofrendo o esquecimento dos amigos, até àqueles que conseguiram, sabe-se lá com que esforço e vencendo que combates, progredir na vida, parecendo esquecer-se do que lhes tinha sucedido. Não podiam. No fundo, não lhes era fácil recordar, ao fim de cada dia, que lhes faltava um bocado do corpo.<br /><br />E os que por lá se tinham perdido, caídos nas mãos do inimigo e sofrendo, na prisão, uma culpa que não sabiam se tinham? E aqueles a quem a família não teve outro remédio senão esquecer, apagados na sequência dos dias? As mães, os pais, as esposas, os irmãos ou um outro amigo ainda os procuravam, de vez em quando, no local do último repouso, mas depois...<br /><br />Depois... o resto já todos sabemos. A vida é isso mesmo e não há nada a fazer.<br /><br />Enfim chegou a nossa vez.<br /><br />– “<em>Se os outros foram e voltaram, eu também poderei ir e voltar</em>” – era um dos nossos pensamentos.<br /><br />– “<em>E até pode ser que não seja bem assim. Pode ser que o sítio não seja mau e que o tempo passe depressa. No fundo são só dois anos</em>” – dizíamos também.<br /><br />– “<em>Tenho fé de que comigo vai ser diferente</em>” – pensávamos para nos animarmos.<br /><br />À chegada, o choque foi grande. O desembarque numa cidade militar e num teatro de operações não tinha nada a ver com a simples chegada a um país que não era o nosso. Era o mergulhar num desconhecido, que se mostrava cada vez mais soturno e dramaticamente enigmático, à medida que trocávamos impressões com os veteranos. Alguns, poucos, pareciam ter ganho a guerra. Outros revoltavam-se. Outros aceitavam a sua sorte como algo que não podia ser modificado. A confusão no nosso espírito era grande. Todavia, numa coisa estávamos todos de acordo: aquilo era outra terra e – porque não dizê-lo? – outro país. Deixada para trás a cidade, a vida no quartel do mato, numa localidade pequena do interior, em que os camponeses nos eram estranhos, não falavam a nossa língua, não cultivavam a terra como nós e tinham hábitos de que só vagamente tínhamos ouvido falar, era algo que nos paralisava.<br /><br />Quem eram? O que queriam? De que lado estavam e porquê? Se recusavam a protecção e a ligação ao inimigo, preferindo o nosso apoio e colaborando com a nossa acção, tendo nascido e sempre vivido ali, quais seriam as razões para tal? Estas talvez fossem questões que não púnhamos, ao princípio, mas que ao fim dos primeiros tempos de acção, com as primeiras horas de mato feitas e a recepção das diferentes notícias do inimigo começaram a preocupar-nos.<br /><br />O tempo escorria no calendário, com as operações – quem não se lembra das emboscadas, quando o tempo não passa? – as tarefas monótonas de cada dia e as notícias ou a falta delas dos nossos, a quem tínhamos de escrever, contando verdades ou mentindo, consoante entendêssemos que era melhor para o destinatário.<br /><br />Começávamos a ser cada vez mais experientes e fazer uma ideia do que se passava à nossa volta. Envelhecíamos, sem darmos por isso. Sabíamos agora mais o que era importante na vida. As amizades ganhas nas horas de incerteza, o contacto próximo e diário com outros – civis e militares – as tarefas desempenhadas em equipa. Numa palavra: amadurecíamos. Claro que poderíamos questionar se, para amadurecermos, seria necessário expormo-nos assim e virmos para tão longe.<br /><br />Mas afinal quem éramos? Cidadãos-patriotas? Soldados-heróis? Acomodados à espera que o tempo passasse e jogando na lotaria do “<em>não há-de ser nada</em>!” como então se dizia?<br /><br />Talvez uma mistura de tudo isto. Hoje, se regressarmos ao passado, havemos de encontrar muitos momentos em que fomos tudo aquilo e muito mais a que a vida impiedosamente nos obrigava. Estávamos ali, sem podermos alterar drasticamente a nossa situação e, mesmo assim ficávamos. Entregues ao fluir do tempo, sabíamos que a sua contagem decrescente corria a nosso favor e, até lá, havíamos de nos aguentar. É certo que alguns dos nossos camaradas... Mas... connosco havia de ser diferente! Era a nossa convicção. E foi assim, felizmente.<br /><br />Passámos a alegria breve do regresso, a inserção no mundo do trabalho e a constituição de família. Tal como os nossos antecessores, sofremos a incapacidade de transmitir, mesmo aos que nos são muito próximos, o que tínhamos passado. Sentimos a frustração de não sermos ouvidos, e o desinteresse dos outros, perante a nossa mensagem e, por fim, a necessidade de, a bem da nossa saúde mental, esquecermos o sucedido. Isso levou-nos a evitar falar do que tínhamos passado. Era coisa “<em>para esquecer</em>”. Agora era necessário viver e desfrutar da luta diária da vida, no fundo a razão pela qual os Homens vivem.<br /><br />A vida foi correndo e a curiosidade em sabermos o que seria feito deste camarada que nos ajudou nesta ou naquela situação, daquele a quem apoiámos num momento em que se foi abaixo ou daquele outro que se tornou notado num episódio cómico, que a todos fez rir. Primeiro a curiosidade, depois as saudades e, por fim uma vontade irresistível de recordar. Ficamos velhos. E os velhos têm necessidade de recordar para se sentirem gente ao contemplarem a vida. Daí aos convívios foi um passo. Mas, afinal porque nos irmanamos à volta de uma mesa?<br /><br />Porque todos temos em comum o facto de termos sido os homens que estavam na esquina errada da História. Fomos apanhados num turbilhão e não pudemos fazer nada para sair dele. Nadámos num troço de águas revoltas do rio do tempo.<br /><br />Há quem diga que cada homem é ele próprio mais as suas circunstâncias. As nossas foram estas. Bem difíceis, temos que concordar. Sobrevivemos e demos a nossa contribuição, modesta como é sempre é a dos homens do povo feitos soldados. A História só muito excepcionalmente recordará os nossos nomes, numa pequena rua da nossa terra natal. Para que serviu o que fizemos? Não sabemos. Talvez para pouco. Se calhar não passou de um esforço inútil, ao qual fomos coagidos, sem qualquer espécie de fuga. Custa, mas teremos que o admitir, mais tarde ou mais cedo.<br /><br />Estamos condenados ao esquecimento que o tempo sempre traz, mas, enquanto pudermos, havemos de lutar contra isso. Temos de deixar a nossa assinatura na marcha do tempo. Toca-nos procurar passar aos vindouros uma mensagem. Qual é ela? Será de paz? Há quem diga que os ex-soldados são sempre os mais ardentes pacifistas. Pacifistas pela análise fria e pausada do que sucedeu, mas não medrosos. E, se o futuro perguntar, a nossa resposta será sempre sim ou não, mas, desta vez, convicta e justificada.<br /><br />Creio que devemos sentir-nos orgulhosos. Passámos por uma prova que, esperemos, não se repetirá tão depressa. E quem sabe? A nossa própria experiência demonstra claramente a margem de incerteza que sempre marca a vida dos povos. Vencemos a prova. Mal ou bem, mas vencemo-la. Não temos hoje nada para provar a ninguém nem podemos aceitar que nos censurem por aquilo que fizemos.<br /><br />Fizemos uma guerra pobre. Era pobre a nossa logística e os meios operacionais escassos, como se lembram. Faltava muitas vezes o essencial. Tive sob o meu comando um soldado que lhe chamava “<em>a guerra a petróleo</em>”, por semelhança com os fogareiros da nossa meninice que usavam aquele combustível. Os meios do inimigo, como se recordam, evoluíam a olhos vistos. As guerras ou se perdem ou se ganham. E nós perdemos. Perdemo-la, sim. E depois? Alguém esperava ganhá-la? Ninguém. Nem os que a aprovavam naquele tempo, nem os que hoje, por preconceito, saudosismo ou desonestidade intelectual, afirmam que a poderíamos e deveríamos ter ganho.<br /><br />Nós perdemos porque fomos lá. E só quem ali viveu sabe o que é ganhar e perder.<br />__________<br /><br />Notas de CV:<br /><br />(*) Vd. poste de 11 de Dezembro de 2007 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2007/12/guin-6374-p2341-siga-marinha-que-o.html">Guiné 63/74 - P2341: Siga a Marinha que o Exército já lá está (Coronel Pereira da Costa)</a><br /><br />Vd. último poste da série de 5 de Julho de 2009 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/07/guine-6374-p4643-blogoterapia-113.html">Guiné 63/74 - P4643: Blogoterapia (113): Saudades do blogue dos primeiros tempos, em que tudo se contava na primeira pessoa (Vítor Junqueira)</a><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29087476-6104520451077098461?l=blogueforanadaevaotres.blogspot.com'/></div>Carlos Vinhalhttp://www.blogger.com/profile/02513603707400841996noreply@blogger.com10tag:blogger.com,1999:blog-29087476.post-62484847962747582312009-07-11T22:23:00.007+01:002009-07-11T22:44:35.027+01:00Guiné 63/74 - P4671: Estórias avulsas (42): Domingos – A Mascote da minha CCAÇ 462, Ingoré 1963/65 (José Marques Ferreira)<img src="http://3.bp.blogspot.com/_dsU46cigwIM/SlkEYNIfQTI/AAAAAAAADmo/Lw0rxJafwK4/s320/Jos%C3%A9%2BMarques+Ferreira-2.jpg" style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 141px; height: 184px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357318045622550834" /><div style="text-align: justify;"><b><span class="Apple-style-span" style="color:#000099;"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';">1. </span></span></span></b><span class="Apple-style-span" style="color:#000099;"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';">Mensagem de José Marques Ferreira, ex-Soldado Apontador de Armas Pesadas da CCAÇ 462, Ingoré 1963/65, com data de 11 de Julho de 2009: </span></span></span></div><div style="text-align: justify;"><b><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></b></div><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style=" ;font-family:'trebuchet ms';">Camaradas, </span></div></span><div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';font-size:100%;"><span class="Apple-style-span" style="font-size:13px;"><br /></span></span></div><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style=" ;font-family:'trebuchet ms';">Hoje, passados todos estes anos, quando quero escrever uma estória sobre o Domingos, faltam-me as palavras, os verbos e é difícil juntar as sílabas. </span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></div></span></div><div><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style=" ;font-family:'trebuchet ms';">Ainda me estão a martelar no cérebro as palavras escritas pelo Engº Pedro Moço, funcionário de uma empresa do grupo Soares da Costa, que, recordo o que disse em tempos, esteve 18 meses na Guiné, fazendo parte da equipa que dirigiu a construção da ponte “Euro-Africana”, que para nós será sempre a ponte (onde foi jangada) de S. Vicente. </span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></div><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><div style="text-align: justify;">Dizia então o Pedro: </div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="color:#000099;">"Penso que qualquer cidadão europeu devia viver em África, pelo menos 6 meses, para poder dar valor ao que tem disponível no seu país, coisas que para qualquer europeu são banais, tais como, o direito à saúde, educação, o poder dispor de electricidade, água potável, etc., etc. Aqui nada existe, a não ser a tentativa de sobrevivência do dia-a-dia.</span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="color:#000099;"><br /></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="color:#000099;">Dói a ausência de futuro nos olhos das crianças, dói o nulo investimento na formação, na educação, dói o tipo de vida resignada, dói que a única solução seja emigrar, ainda que precariamente. Dói que o eldorado esteja sempre do lado de lá. Dói pensar nas desilusões de quem passa para o lado de lá e encontra o que não esperava. Dói a ausência de futuro e de estratégias de desenvolvimento. Dói que se morra de “coisas da Guiné”, espécie de doença generalista que agrupa tudo o que mata e se desconhece." </span></div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;">Vamos à história. </div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;"><b><span class="Apple-style-span" style="font-size:x-large;"><span class="Apple-style-span" style="color:#663333;">O DOMINGOS – UMA CRIANÇA SOLDADO </span></span></b></div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;">O Domingos era uma criança, em 1964, de estatura normal para os seus cinco, seis anos (talvez nem tantos na altura), os olhitos pareciam estar em permanente melancolia (como os de muitos putos guineenses), mas já o seu porte e presença eram um tanto diferentes. </div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;">O Domingos, fazendo fé nas recordações um tanto esfumadas, porque o tempo não perdoa e não é eterna a sua permanência nas minhas memórias cerebrais, começou a aparecer com a mãe, que lavava a roupa de alguns camaradas nossos, o que, como sabemos, constituía mais alguma fonte de sobrevivência para a família. </div><div style="text-align: justify;"><br /></div></span></span><img src="http://4.bp.blogspot.com/_dsU46cigwIM/SlkDYCIcYpI/AAAAAAAADmQ/ppRqMoq_jAE/s320/INGORE_EDIFICIO+DO+COMANDO.jpg" style="text-align: justify;display: block; margin-top: 0px; margin-right: auto; margin-bottom: 10px; margin-left: auto; cursor: pointer; width: 320px; height: 318px; " border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357316943157944978" /><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><div style="text-align: center;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="color:#000099;">Ingoré - Edifíco de Comando </span></span></div><div style="text-align: center;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style=" ;font-family:'trebuchet ms';">Tantas vezes lá foi que começou a ter contacto mais directo com os militares que, pelo seu feitio e postura simpáticas, eram afáveis para aquela criança de tenra idade. Ficou lá connosco um dia, depois outro e outro... </span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style=" ;font-family:'trebuchet ms';">Todos o acarinhavam e brincavam com ele, e o Domingos ia demonstrando alguma sociabilidade, retribuindo simpaticamente com as peripécias próprias das crianças, o trato que lhe ia sendo dispensado. </span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></div><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><div style="text-align: justify;">Até que, para não alongar mais esta “lengalenga”, o Domingos foi adoptado, oficialmente, como mascote da CCAÇ 462. Passou a ter uma farda verde igual à nossa, com excepção do camuflado e do vestuário de trabalho. Comia connosco, e durante muito tempo, chegou a dormir na nossa caserna, tal como todos nós. Os pais sabiam desta situação, o comandante da Companhia também. Já fazia parte da nossa "família".</div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;">Por isso, as palavras do Engº Pedro Moço e que peço, voltem agora atrás e, releiam o primeiro parágrafo.Muitos de nós, estejamos onde estivermos hoje, lembramo-nos com certeza que conhecemos e convivemos com muitos simpáticos e afáveis Domingos, por toda a Guiné, e sei que, como eu, ficarão doentes ao lerem esta infeliz realidade: «Dói a ausência de futuro nos olhos das crianças, dói o nulo investimento na formação e na educação…» </div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;">Ao fim de dezasseis meses, a minha companhia foi “embalada” e enviada para Bula, pelo que perdemos o rasto do Domingos. Continuamos sem o ver quando fomos ocupar, pela primeira vez, o território de Có, Ponate, Jolmete e Pelundo. </div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;">E perdemos-lhe completamente o rasto, quando destas localidades seguimos para Mansoa. </div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;">Nunca mais soube nada do Domingos, aquele puto simpático e meigo, de olhar melancólico, que viveu connosco durante vários e saudosos meses. </div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;">Um dia, a Guiné tal como a conhecemos então, acabou para a nossa companhia, pois regressamos a casa no paquete Niassa…</div></span></span><div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';font-size:100%;"><span class="Apple-style-span" style="font-size:13px;"><br /></span></span></div><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style=" ;font-family:'trebuchet ms';">Do Domingos ficou-me as naturais saudades do seu sorriso e traquinices, e a única foto que tenho dele… </span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></div></span><img src="http://2.bp.blogspot.com/_dsU46cigwIM/SlkD2-0jHHI/AAAAAAAADmY/q_aPnBOMGaw/s320/GUINE+INGORE.jpg" style="text-align: justify;display: block; margin-top: 0px; margin-right: auto; margin-bottom: 10px; margin-left: auto; cursor: pointer; width: 320px; height: 202px; " border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357317474845138034" /><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><div style="text-align: center;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="color:#000099;">Na foto podemos ver o Domingos sentado no chão, entretido a colcocar um capacete na cabeça. </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style=" ;font-family:'trebuchet ms';"><b>Fotos: © José Marques Ferreira (2009). Direitos reservados.</b></span></div><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;">Um abraço, </div><div style="text-align: justify;">José M. Ferreira </div><div style="text-align: justify;">____________ </div><div style="text-align: justify;">Notas de M.R.: </div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;">(**) Vd. último poste da série em: </div></span></span><div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';font-size:100%;"><span class="Apple-style-span" style="font-size:13px;"><br /></span></span></div><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style=" ;font-size:16px;"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';">6 de Julho de 2009 > </span></span><span style="color:#9E5205;"><a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/07/guine-6374-p4647-estorias-avulsas-41.html"><span style="color:#9E5205;"><b><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';">Guiné 63/74 - P4647: Estórias avulsas (41): Fotos de Gandembel e Ponte Balana (Manuel Oliveira)</span></span></b></span></a></span></span></div></span></div></div></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29087476-6248484796274758231?l=blogueforanadaevaotres.blogspot.com'/></div>Eduardo J. Magalhães Ribeirohttp://www.blogger.com/profile/11788153894877896960noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-29087476.post-79597106849939547812009-07-11T19:22:00.014+01:002009-07-11T19:53:44.152+01:00Guiné 63/74 - P4670: Memória dos lugares (34): Álbum de Memórias de Bafatá 1968/70 (Regina Gouveia)<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_dsU46cigwIM/SljeKkPKy6I/AAAAAAAADmA/hWIENxoLQrM/s1600-h/Reginapasse.JPG"><img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 175px; height: 193px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_dsU46cigwIM/SljeKkPKy6I/AAAAAAAADmA/hWIENxoLQrM/s320/Reginapasse.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357276029864561570" /></a><br /><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style=" color: rgb(0, 0, 153); "><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">1. No decorrer do IV Encontro Nacional do nosso blogue, e m 20 de Junho passado, na Quinta do Paul, Ortigosa, Luís Graça convidou o novo membro desta nossa Tabanca Grande, Regina Gouveia, esposa do nosso Camarada Fernando Gouveia, que cumpriu a sua comissão em Bafatá, 1968/70, como Alf Mil Pel Rec Inf, Comando de Agrupamento 2957, Ba fatá, que na altura em que era comandado pelo Cor Hélio Felgas (já falecido), a escrever, para o nosso blogue, histórias desse tempo... </span></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="color:#000099;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="color:#000099;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Foi o que a Regina fez e aqui está mais um excelente e bem contada história: </span></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Caro Luís Graça,</span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">As partidas que a Internet nos prega… </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';font-size:100%;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Fiquei perfeitamente estupefacta ao ver o meu currículo exposto no Blog. Nele não consta, nem podia constar, qualquer actividade minha no âmbito da fotografia. Esse pelouro é do Fernando… </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Em tempos escrevi um conto baseado nas minhas vivências na Guiné. Agora, fazendo o percurso contrário, escrevi um texto, depurando do conto apenas as referidas vivências. É o que agora te envio. </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Um abraço. </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: center;"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_dsU46cigwIM/SljdTk5oC7I/AAAAAAAADlo/Bwzg91BEAvQ/s320/Regina.jpg" style="text-align: justify;display: block; margin-top: 0px; margin-right: auto; margin-bottom: 10px; margin-left: auto; cursor: pointer; width: 320px; height: 214px; " border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357275085149834162" /></div><div style="text-align: center;"><span class="Apple-style-span" style="font-family: 'trebuchet ms'; color: rgb(0, 0, 153); font-size: 13px; ">A Regina, na tabanca da Rocha em Bafatá onde morámos - 1969 </span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: center;"><span class="Apple-style-span" style="color:#663333;"><b><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: x-large;">Bafatá: álbum de memórias</span></span></b></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Agosto de 1969. Sobrevoo o Atlântico com destino a Bissau. O meu baptismo de voo. O avião fez escala no Sal e ainda tenho a sensação da extrema humidade que me envolveu quando saí do avião. </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Agora, por sobre as nuvens, vejo o sol nascer. Gostaria de ter “engenho e arte” para descrever quão fantástico é este espectáculo. </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Cá estou eu, de novo perdida nas minhas longínquas recordações. </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">É certo que recordo muitas vezes as minhas duas idas à Guiné. Por vezes, basta-me olhar para o pano, em tons de azul, que tenho na parede ao cimo das escadas que levam ao 2º andar, ou para as fotos no álbum, ou ainda para a bilha de Teixeira Pinto ou para o cesto de Contubuel. Mas desta vez as lembranças invadiram-me com uma intensidade inusitada. </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: center;"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_dsU46cigwIM/SljdExydNtI/AAAAAAAADlg/SqItrXFlTCg/s320/Bilha.jpg" style="text-align: justify;display: block; margin-top: 0px; margin-right: auto; margin-bottom: 10px; margin-left: auto; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px; " border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357274830911387346" /></div><div style="text-align: center;"><span class="Apple-style-span" style="font-family: 'trebuchet ms'; color: rgb(0, 0, 153); font-size: 13px; ">Bilha de Teixeira Pinto</span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: center;"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_dsU46cigwIM/SljcmldgTLI/AAAAAAAADlQ/RPBUtZKMvGM/s320/Cesto.jpg" style="text-align: justify;display: block; margin-top: 0px; margin-right: auto; margin-bottom: 10px; margin-left: auto; cursor: pointer; width: 244px; height: 320px; " border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357274312206208178" /></div><div style="text-align: center;"><span class="Apple-style-span" style="color:#000099;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Cesto de Contuboel com a árvore de Natal de 1969 na nossa casa em Bafatá </span></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">O avião acaba de aterrar. Já vejo o Fernando, na sua farda de alferes, alferes miliciano por força da guerra cujo espectro paira, como espada de Demóstenes, sobre a cabeça de todos os jovens varões. </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Pensou ainda em fugir, como tantos outros fizeram, mas foi adiando a decisão e acabou por se ver embarcado no navio Ana Mafalda com destino à Guiné. Felizmente foi mobilizado para Bafatá, onde praticamente não havia guerra, embora o obus de Piche, que se ouvia ribombar todos os dias, se encarregasse de lembrar quão sem sentido era ali a palavra paz. </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">E parece-me ouvir o obus de Piche ao pôr do sol e, simultaneamente, recordo-me da indescritível beleza do pôr do sol naquelas paragens. </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Olho, estupefacta, o chão do aeroporto. Nacarado pelas inúmeras asas de insectos efémeros cuja vida cessou durante a noite. </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Ouço, junto de mim, uma voz arrastada: “Parte um peso”. E vejo a meu lado, envolvido num pano de tom cinza, um velho de rosto muito enrugado mas simultaneamente muito belo, que me estende a mão. O Fernando explica-me o sentido da frase. Em vez de me pedir para lhe dar uma moeda de um peso, pede-me para a repartir com ele. Bonita expressão. </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: center;"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_dsU46cigwIM/SljczSW4d-I/AAAAAAAADlY/4yEJi1V54Fk/s320/Marroquino.jpg" style="text-align: justify;display: block; margin-top: 0px; margin-right: auto; margin-bottom: 10px; margin-left: auto; cursor: pointer; width: 214px; height: 320px; " border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357274530416457698" /></div><div style="text-align: center;"><span class="Apple-style-span" style="font-family: 'trebuchet ms'; color: rgb(0, 0, 153); font-size: 13px; ">No Ramadão junto à Mesquita </span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">A beleza do rosto deste velho fui encontrá-la em outros rostos que revejo, folheando o álbum de fotografias. Vejo também jovens e crianças, mulheres envoltas em panos coloridos, transportando os filhos nas costas, homens deitados no chão, voltados para Meca, nas horas de oração. Fotografias belíssimas em que o Fernando, amante de fotografia, conseguiu captar como que a beleza visível e a invisível, o explícito e o implícito. </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Viajo agora de Bissau para Bafatá num Dakota velhíssimo tendo vários companheiros de viagem, alguns um pouco estranhos como galináceos e cabritos. </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Continuo a folhear o álbum. Um conjunto de mulheres jovens que, envoltas em panos dum colorido exuberante transportam, sobre a cabeça, recipientes com água. </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Estou na tabanca da Ponte Nova. Vim ver a arte de colorir os panos. Ali está um belíssimo em tons de azul. É mesmo aquele que eu quero. Já tem destino, a parede ao fundo das escadas que levam ao 2º andar. </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><img src="http://2.bp.blogspot.com/_dsU46cigwIM/SljcVW6qbNI/AAAAAAAADlI/Y2taF2ZkVqk/s320/Tapete.jpg" style="text-align: justify;display: block; margin-top: 0px; margin-right: auto; margin-bottom: 10px; margin-left: auto; cursor: pointer; width: 307px; height: 320px; " border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357274016244198610" /><div style="text-align: center;"><span class="Apple-style-span" style="font-family: 'trebuchet ms'; color: rgb(0, 0, 153); font-size: 13px; ">Pano tingido na tabanca da Ponte Nova em Bafatá </span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">E de novo as imagens no álbum. Imagens belíssimas do pôr do sol. E eis que surgem a Angelina, o Carlos, o Domingos e o Adrião. </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">O Dakota aterra na pista onde se encontram várias pessoas. Desperta-me a atenção o olhar curioso de algumas crianças de sorriso brilhante. Tento conversar com elas mas recuam timidamente e acabam por fugir embora, furtivamente, se voltem para olhar. </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Chego a casa. Simples mas acolhedora. Um pequeno jardim à frente, com vários mangueiros. Três degraus e eis uma varanda coberta, a todo o correr da fachada, e uma porta de acesso ao interior. </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: center;"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_dsU46cigwIM/Sljb62NGFMI/AAAAAAAADlA/SG3u4gn1VJ8/s320/Casa.jpg" style="text-align: justify;display: block; margin-top: 0px; margin-right: auto; margin-bottom: 10px; margin-left: auto; cursor: pointer; width: 320px; height: 184px; " border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357273560786539714" /></div><div style="text-align: center;"><span class="Apple-style-span" style="font-family: 'trebuchet ms'; color: rgb(0, 0, 153); font-size: 13px; ">A nossa casa, mesmo em frente ao café do Senhor Teófilo em Bafatá </span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Há anos, durante a campanha eleitoral que levou Kumba Yalá à presidência, vi a casa numa reportagem da TV. Os mangueiros frondosos, as paredes já desbotadas e a varanda, essa apinhada de gente. </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Chego à varanda, vejo algumas crianças a espreitar do outro lado da rua. Parecem-me as mesmas que ontem estavam na pista quando o Dakota aterrou. De novo tento entabular uma conversa com elas, mas a tentativa é infrutífera e acabam por se afastar, olhando furtivamente para trás. </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Como justificar este comportamento? Apenas timidez ou sentem que de certa forma represento o colonizador indesejável, o militar que vem combater o libertador? Que pensarão estas crianças da guerra? </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">A fotografia à porta do café do Infali, a Transmontana. </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_dsU46cigwIM/SljbKfEE8sI/AAAAAAAADk4/H6xp9MZdmvw/s320/Esplanada.jpg" style="text-align: justify;display: block; margin-top: 0px; margin-right: auto; margin-bottom: 10px; margin-left: auto; cursor: pointer; width: 320px; height: 214px; " border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357272729940980418" /></div><div style="text-align: center;"><span class="Apple-style-span" style="color:#3333FF;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Na esplanada do Transmontana com o empregado Enfali em Bafatá </span></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Nha na bai tomá café? </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Mas isso foi algum tempo depois, quando a timidez deu lugar à confiança que lhes permitia saudar-me e dar-me conta dos seus passos, ao passarem na rua, muitas vezes a caminho da fonte. </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Nó na bai fonti. </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Outras vezes, se nada havia para fazer, abriam o portão, entravam no quintal, subiam as escadas de acesso à varanda, sentavam-se no chão e esperavam que a porta se abrisse e eu aparecesse umas vezes de mãos vazias, outras com um pequeno agrado como uma guloseima ou um lápis. </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Nó na bai papia com bó. </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Quando lhes pedi para me ensinarem algumas palavras e frases em crioulo olharam-me sorrindo com um ar desconfiado, um pouco malicioso. Mas, pouco a pouco, começaram a levar a sério a sua tarefa. E assim fui aprendendo alguma fonologia, possivelmente um pouco adulterada pela minha interpretação dos seus sons. Se as crianças soubessem escrever teria sido mais fácil pois a grafia ajudaria a melhor compreender a fonética. </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">De tal modo se empenhavam na sua tarefa que chegavam a dizer-me que não me entendiam para me forçarem a tentar falar a sua língua. </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';font-size:100%;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Mi cá ôbi português. </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Sei que tenho algures uma cassete com gravações das suas conversas. Mas onde estará ela, passados tantos anos? </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Bô na disquice tudo… </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Ouço a vozita na gravação. Um pouco agastado porque já não me recordava de algumas palavras que tinha aprendido na véspera. Qual deles seria? A voz da Angelina é fácil de distinguir, mas as outras… Já passaram tantos anos…No entanto, tenho quase a certeza que esta é a voz do Carlos. </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Tão pequeninos ainda. As suas idades rondavam os seis, sete anos. </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">De novo no avião, mas de regresso à metrópole. Acabaram as minhas férias. Comigo viajam o pano destinado à parede ao cimo das escadas que levam ao 2º andar, a bilha de Teixeira Pinto e o cesto de Contubuel , ofertas do Fernando. </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">O sentimento que agora me envolve é o oposto do que me envolvia na viagem que há dois meses fiz em sentido contrário. Parto com tristeza, já cheia de saudades. Do Fernando, obviamente, mas também da terra, das suas cores, dos seus cheiros, dos seus sabores e das crianças. Fazem-me já falta o seu riso cristalino, a algaraviada das suas vozes, a alegria da sua infância. </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Foram despedir-se de mim à pista. Já no ar, ainda via os seus bracitos oscilando, dizendo adeus. Mas estavam com um ar triste, embora lhes dissesse que voltaria no Natal. </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Cá jubi, cá obi, cá miste , na jubi, na obi, na miste. </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">No tempo que mediou entre a partida e o regresso, embrenhada no trabalho, não tive tempo para pensar nas lições de crioulo que esperava retomar quando chegasse. </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Hoje já pouco recordo do crioulo que aprendi. Ao ouvir a cassete já não entendo o significado de muitas frases. Mas, curiosamente, surgiram-me com toda a nitidez os rostitos das crianças. É terrível este sentido inexorável do tempo, do mesmo modo que é fantástica esta capacidade selectiva da memória que nos permite esquecer tantas coisas e simultaneamente recordar tantas outras que apesar de tão distantes no tempo, nos surgem como se estivessem a ocorrer precisamente no momento. </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">O Dakota prepara-se de novo para aterrar na pista de Bafatá. As crianças sabem da minha chegada, pois quase diariamente inquiriam o Fernando. </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Desço do avião e correm para mim numa alegria contagiante. Não consigo evitar que duas lágrimas teimosas me escorram pelo rosto. </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Vejo que as crianças ficam um pouco confusas ao ver-me chorar. Abraço-me então a cada uma delas e digo-lhes no meu crioulo tão deficiente: Mi gosta Angelina, mi gosta Adrião, mi gosta Carlos, mi gosta Domingos. </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Dirijo-me para casa e as crianças acompanham-me. Retiro do saco de viagem umas lembranças que trouxe: uns lápis, umas borrachas, uns apara-lápis, uns cadernos e uns chocolates. Reflicto sobre a pobreza das minhas lembranças quando as comparo com a dádiva do seu riso cristalino, dum valor infinitamente superior. </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Recordo a expressão “parte um peso” que tantas vezes ouvi, após aquela primeira vez, ao desembarcar em Bissau. Expressão bonita… </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Que “parti” eu com eles? Afectos, por certo, mas recebi muito mais que aquilo que dei. Jamais eu poderei esquecer aquelas crianças. </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">A cassete chegou ao fim. Fecho o álbum e a imagem das crianças apresenta-se-me com toda a nitidez. Parece-me ouvir as suas vozes e o seu riso de cristal. Que será feito delas hoje? Por certo nenhuma se lembrará de mim. Foram efémeras as lembranças que lhes dei. Eu, pelo contrário, recordo-as com a nitidez nos seus seis, sete anos. </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Que será feito delas? Serão por certo pais e até avós, dado que geralmente casam muito novos. Ainda viverão em Bafatá? </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Ainda viverão? E quando me faço esta pergunta sinto um enorme aperto no peito. </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"> </span></span><b><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Fotos e legendas: Regina Gouveia (2009). Direitos reservados. </span></span></div></b><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Regina Gouveia </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">____________ </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Notas de M.R.: </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">(*) Vd. último poste da autora em: </span></span></div><div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">30 de Junho de 2009 > </span></span><b><span style="color: rgb(158, 82, 5); letter-spacing: -0.75pt; "><a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/06/guine-6374-p4613-blogpoesia-52.html"><span style="color:#9E5205;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Guiné 63/74 - P4615: Blogpoesia (52): </span></span><i><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Telejornal</span></span></i><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">... ou uma viagem no tempo, Bafatá, 1969 (Regina Gouveia)</span></span></span></a></span></b></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">(**) Vd. último poste da série em: </span></span></div></div><div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">10 de Julho de 2009 > </span></span><span class="Apple-style-span" style="color: rgb(158, 82, 5); font-weight: bold; letter-spacing: -1px; "><span style="color:#9E5205;"><a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/07/guine-6374-p4665-memoria-dos-lugares-33.html"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Guiné 63/74 - P4665: Memória dos lugares (33): A minha visita a Missirá, na passagem de ano de 1970, com o médico Mário Ferreira (Arsénio Puim)</span></span></a><span class="Apple-style-span" style="color: rgb(0, 0, 0); font-weight: normal; letter-spacing: normal; "> </span></span></span></div></span></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29087476-7959710684993954781?l=blogueforanadaevaotres.blogspot.com'/></div>Eduardo J. Magalhães Ribeirohttp://www.blogger.com/profile/11788153894877896960noreply@blogger.com6tag:blogger.com,1999:blog-29087476.post-53419510457073633492009-07-11T14:50:00.012+01:002009-07-14T17:24:03.571+01:00Guiné 63/74 - P4669: Tabanca Grande (161): Manuel Tavares Oliveira, um sobrevivente de Gandembel / Balana, ex-1º Cabo da CCAÇ 2317 (1968/1969)<div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><br /></span></span></div><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357201366288289842" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 138px; CURSOR: pointer; HEIGHT: 157px; TEXT-ALIGN: justify" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_dsU46cigwIM/SliaQkvZ0DI/AAAAAAAADko/5mwo0LW51Zs/s320/Manuel+Oliveira3.jpg" border="0" /><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357201589197579218" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 120px; CURSOR: pointer; HEIGHT: 147px; TEXT-ALIGN: justify" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_dsU46cigwIM/SliadjJHo9I/AAAAAAAADkw/JONuTEwye6I/s320/MO2.jpg" border="0" /> <div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="color:#000099;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;">1. Manuel Fernando Tavares de Oliveira foi 1º Cabo, do 1º Pelotão da CCAÇ 2317/BCAÇ 2835, em Gandembel e Ponte Balana (1968/69), e é mais um Camarada-de-armas que se apresenta à nossa Tertúlia, passando a integrar o nosso blogue (*). O Oliveira havia-nos já enviado, em 6 de Julho de 2009, uma curta mensagem acompanhada de <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/07/guine-6374-p4647-estorias-avulsas-41.html">oito raras fotos de Gandembel, que se encontram publicadas no P4647</a>.</span></span></span></div><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><br /></span></span></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;">A certo momento na sua mensagem dizia o Manuel Oliveira: </span></span></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"></span></span> </div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><em>“Já reparei que um dos Tertulianos é o Alferes Idálio Reis, também da CCAÇ 2317, a quem aproveito esta oportunidade para enviar aquele abraço, cujo efeito sentimental só o pessoal que esteve na Guiné conhece.”</em></span></span></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><br /></span></span></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;">Ao que o ex-Alferes Idálio Reis já respondeu, afirmativamente, através do seguinte e-mail: </span></span></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><br /></span></span></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><em>"Meu caro Oliveira:</em></span></span></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><br /><em></em></span></span></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><em>"Tenho estado ausente, e só há pouco fui ver o correio electrónico. Uma boa nova foi saber do teu paradeiro. Em boa hora, a Tabanca Grande acaba de poder encontrar-te. </em></span></span></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><br /><em></em></span></span></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><em>"A tua Companhia, já tinha perdido as esperanças de te reencontrar, pois a tua ausência aos nossos convívios, assim o indiciava. Há uns quantos que estavam nas tuas condições. </em></span></span></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><br /><em></em></span></span></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><em>"Da tua Lamego de origem, não havia qualquer indicação. </em></span></span></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><br /><em></em></span></span></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><em>"Mas agora com o conhecimento dos nossos endereços, teremos possibilidade de te pôr ao corrente de alguns aspectos que mais te interessem. </em></span></span></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><br /><em></em></span></span></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><em>"Diz-me da receptividade deste mail, e cá espero notícias tuas. </em></span></span></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><br /><em></em></span></span></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><em>Um grande abraço do Idálio Reis,</em></span></span></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><em>que efectivamente conheceste enquanto Alferes Reis"</em></span></span></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';font-size:100%;"><span class="Apple-style-span" style="font-size:13;"></span></span></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';font-size:100%;"><span class="Apple-style-span" style="font-size:13;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:Georgia;font-size:16;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"></span></span></span></span></span> </div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';font-size:100%;"><span class="Apple-style-span" style="font-size:13;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:Georgia;font-size:16;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;">Caso alguém queira contactar o Manuel Tavares Olibveira, pode fazê-lo para:</span></span></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><b><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;">maneltoliveira@hotmail.com</span></span></b></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><b><span class="Apple-style-span" style="FONT-WEIGHT: normal; BORDER-COLLAPSE: collapse"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;">ou, Ubr. Ortigosa Bloco 10 - R/C Esq. </span></span></span></b></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><b><span class="Apple-style-span" style="FONT-WEIGHT: normal; BORDER-COLLAPSE: collapse"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;">5100 - 183 LAMEGO,</span></span></span></b></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="BORDER-COLLAPSE: collapse"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;">Telefone 254614325 </span></span></span></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="BORDER-COLLAPSE: collapse"><span class="Apple-style-span" style="BORDER-COLLAPSE: separate"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;">Telemóvel 966 174 331 </span></span></span></span></span></span></span></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;">____________ </span></span></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"></span></span> </div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;">Nota de M.R.: </span></span></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><br /></span></span></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;">(*) Vd. último poste da série em: </span></span></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><br /></span></span></div><div style="TEXT-ALIGN: justify"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;">11 de Julho de 2009 > </span></span><span class="Apple-style-span" style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(158,82,5); LINE-HEIGHT: 17px"><a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/07/guine-6374-p4667-tabanca-grande-160.html"><span style="color:#9e5205;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;">Guiné 63/74 - P4667: Tabanca Grande (160): Joaquim Peixoto, ex-Fur Mil Inf MA da CCAÇ 3414 (Bafatá e Sare Bacar, 1971/73)</span></span></span></a></span></div></span><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29087476-5341951045707363349?l=blogueforanadaevaotres.blogspot.com'/></div>Eduardo J. Magalhães Ribeirohttp://www.blogger.com/profile/11788153894877896960noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-29087476.post-29548325706921893272009-07-11T12:35:00.020+01:002009-07-11T13:48:15.216+01:00Guiné 63/74 - P4668: Convívios (149): Encontro / Almoço / Convívio da CART 6250 (Mampatá 1972/74) (António Carvalho)<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><img src="http://4.bp.blogspot.com/_dsU46cigwIM/SliB-ouT3gI/AAAAAAAADjg/MibHVbf-BFI/s320/Ant_nio_Carvalho_2.jpg" style="text-align: justify;float: left; margin-top: 0px; margin-right: 10px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; cursor: pointer; width: 134px; height: 184px; " border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357174669840735746" /><img src="http://3.bp.blogspot.com/_dsU46cigwIM/SliBvZDn46I/AAAAAAAADjY/weWuprfUGAM/s320/CCA%C3%87+6250guiao.jpg" style="text-align: justify;float: right; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 10px; cursor: pointer; width: 141px; height: 184px; " border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357174407937123234" /><div style="text-align: justify;"><b><span class="Apple-style-span" style="color:#000099;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';">1. </span></span></span></b><span class="Apple-style-span" style="color:#000099;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';">Mensagem de António Carvalho, </span></span><span class="Apple-style-span" style="color: rgb(0, 0, 0); "><span class="Apple-style-span" style="color:#000099;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';">ex-Fur Mil Enf da CART 6250, </span></span></span><span class="Apple-style-span" style="color:#000099;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';">Mampatá, 1972/74: </span></span></span></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';">Camaradas, </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';">Tal como estava previsto, concretizou-se no dia 4 de Julho, em minha casa, o Convívio Anual da minha CART 6250 – MAMPATÁ (1972/1974), que foi superior e competentemente comandada pelo Capitão Luís Marcelino, que acompanhou animada e embevecidamente todos os “trabalhos” neste convívio dos "seus" homens, para que nada falhasse. </span></span></div><div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';">Foi uma festa em cheio com muitos Amigos, Familiares e vários Convidados, que nos deram a alegria da sua participação, entre eles um bom punhado de Tertulianos, dos quais me lembro: o Vasco da Gama, Casimiro Carvalho, Pimentel, Rocha, Chico Allen, Ribeiro Agostinho, Magalhães Ribeiro e um convidado especial - o Dr. Fernando Giesteira Gonçalves (*) e esposa Dª Joaquina Silva, que foi nosso Camarada-de-armas na Guiné e que, através do Instituto Piaget, tem desenvolvido excelente trabalho naquele território africano e que, segundo nos contou, tem já na forja um projecto na área da saúde, que passa pela sua fixação, por alguns anos, na zona de Bissau. </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_dsU46cigwIM/SliBf8jh5XI/AAAAAAAADjQ/ZePutpX0BPk/s320/Imagem+039.jpg" style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 231px; height: 309px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357174142588282226" /></div><div style="text-align: justify;"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_dsU46cigwIM/Slh9Qys241I/AAAAAAAADi4/MJbhXOK1lcs/s320/Imagem+044.jpg" style="text-align: justify;float: right; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 10px; cursor: pointer; width: 240px; height: 320px; " border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357169484198503250" /></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"> </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="color:#000099;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="color:#000099;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="color:#000099;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="color:#000099;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"> </span></span></span></div><div style="text-align: center;"><span class="Apple-style-span" style="color:#000099;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';">Duas das "vedetas" do convívio eram guineenses, a Dayane e a Janice, sendo que, a primeira, está temporariamente em Portugal onde foi sujeita a uma intervenção cirúrgica (responsabilidade do Dr. Giesteira). Brincalhonas, lindas, divertidas, irrequietas, como todas as crianças da sua idade, imprimiram maior vivacidade e alegria, à já de si alegríssima confraternização.</span></span></span><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';">Todos eram unânimes em que este convívio da companhia, foi diferente para melhor até porque, logo à partida nas palavras de muitos deles, não tiveram um restaurante a cobrar-lhes uns indecentes 30/35 Euros (onde, salvo raras excepções, pois felizmente também as há, se servem refeições fracas e mal preparadas). </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_dsU46cigwIM/SliIw_rmlfI/AAAAAAAADjw/MtMa_yaz6ck/s320/Imagem+069.jpg" style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 307px; height: 230px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357182132066620914" /></div><div style="text-align: justify;"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_dsU46cigwIM/SliJAWBKIaI/AAAAAAAADj4/pSXtqGZcJ3c/s320/Imagem+033.jpg" style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 307px; height: 230px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357182395760648610" /></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="color:#000099;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"> </span></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="color:#000099;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></span></div><div style="text-align: center;"><span class="Apple-style-span" style="color:#000099;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';">Aspecto geral do pessoal espalhado nas sombras pelo jardim, e à direita, Francisco Camilo com o seu filho a quem baptizou com o memso nome e sua esposa Filomena.</span></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';">Em bom rigor, os convívios da C.A.R.T.6250 sempre foram organizados desta forma. Julgo poder dizer que somos os únicos, em Portugal, com este tipo de convívio. No próprio dia da festa há (tem havido) sempre um voluntário, que se anuncia como organizador do encontro, para o ano seguinte, e se encarrega, logo ali, de marcar o dia. </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';">E temo-nos dado bem com este sistema, pois assim ninguém protesta, nem pelo preço, nem pela qualidade ou variedade da comida. </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';">Assim, a cave e o jardim da minha casa nesta linda freguesia de Medas - Concelho de Gondomar -, permitiram que o abastado almoço volante, onde além de diversos grelhados sardinha, fêveras e entrecosto, os convivas intercambiaram os conteúdos dos seus faustos farnéis, com todo o tipo de alimentação tradicional portuguesa, onde não faltou o delicioso pão de Paços de Ferreira, o bom vinho alentejano, presunto regional, queijos de diversas origens, o leitão da velha Bairrada, o coelho do mato, o galo estufado e muitos outros acepipes e petiscos de diversas localidades nacionais. </span></span></div><div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><img src="http://3.bp.blogspot.com/_dsU46cigwIM/Slh7n249PjI/AAAAAAAADiI/_pbKI2vA8fs/s320/Imagem+049.jpg" style="text-align: justify;float: left; margin-top: 0px; margin-right: 10px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; cursor: pointer; width: 308px; height: 231px; " border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357167681436728882" /><div style="text-align: justify;"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_dsU46cigwIM/SliIdAHryqI/AAAAAAAADjo/1WUGBRvobRU/s320/Imagem+060.jpg" style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 309px; height: 232px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357181788587018914" /></div></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"> </span></span></div><div style="text-align: center;"><span class="Apple-style-span" style="color:#000099;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';">A Tabanca esteve presente em peso, à esquerda vemos: o Xico Allen, o ex-Capitão Luís Marcelino, o ex-Capitão Vasco da Gama, o RANGER Pimentel e o Dr. Giesteira, e à direita, o Maia Simões mostra as suas fotos ao Andias. </span></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';">Mais que as palavras, as fotos dizem da alegria que vivemos em fraterna harmonia, no decorrer da tarde de sábado, onde não faltaram ainda a boa música popular animada pela nossa parelha - Camaradas Andias e Tony, e as brincadeiras e paródias do buliçoso e divertido Camarada Alfredo. </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div><img src="http://2.bp.blogspot.com/_dsU46cigwIM/Slh8J1hAzVI/AAAAAAAADiQ/bZMFlzb4D6s/s320/Imagem+059.jpg" style="text-align: justify;float: right; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 10px; cursor: pointer; width: 307px; height: 230px; " border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357168265183415634" /><img src="http://1.bp.blogspot.com/_dsU46cigwIM/Slh7BxGrl9I/AAAAAAAADho/Fe-pw-tHO9Y/s320/Imagem+058.jpg" style="text-align: justify;float: left; margin-top: 0px; margin-right: 10px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; cursor: pointer; width: 308px; height: 231px; " border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357167027048650706" /><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"> </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="color:#000099;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></span></div><div style="text-align: center;"><span class="Apple-style-span" style="color:#000099;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';">À esquerda: o ex-Capitão Vasco da Gama, Casimiro Cravalho, Eduardo Alves, Ribeiro Agostinho - À direita o António Carvalho, ex-Capitão Vasco da Gama, o Xico Allen e o Ribeiro Agostinho. </span></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';">Para o próximo ano a confraternização será em Paços de Ferreira, em casa do Alfredo Silva. </span></span></div><div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';">Pela parte que me toca resta-me agradecer as presenças dos militares mampataenses (51) e de todos os Camaradas, Familiares e Amigos que se nos associaram. </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';">Foi um dia maravilhoso e inesquecível que espero se repita durante muitos anos. </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';">Um grande abraço, </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';">António Carvalho </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';">Fotos: © Magalhães Ribeiro (2009). Direitos reservados.</span></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';">____________ </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';">Notas de M.R.: </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="color:#000099;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';">(*) O Dr. Giesteira, que ainda não é nosso Camarada Tertuliano, contou-me uma história que já está narrada pelo Álvaro Basto, no Poste 184, do Blogue da Tabanca Pequena de Matosinhos e devidamente reproduzida neste blogue no Poste - P4653. </span></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="color:#000099;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="color:#000099;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';">Reiterando o convite que já lhe foi comunicado pelo Basto, aguardo uma oportunidade, se ele a isso nos dignar em dia próximo, para lhe solicitar ceder-nos uma entrevista para o blogue, sobre a excelente e profícua mas quase desconhecida obra, desenvolvida pelo Instituto Piaget em terras da Guiné. </span></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';">(**) Vd. último poste da série em: </span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';"><br /></span></span></div><div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';">28 de Junho de 2009 > </span></span><span class="Apple-style-span" style=" color: rgb(158, 82, 5); font-weight: bold; "><a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/06/guine-6374-p4599-convivios-148-convivio.html"><span style="color:#9E5205;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:'trebuchet ms';">Guiné 63/74 - P4600: Convívios (148): Convívio da CART 6250 (Mampatá 1972/74) & Todos os Camaradas que quiserem aparecer, 4 Julho (António Carvalho)</span></span></span></a></span></div></div></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29087476-2954832570692189327?l=blogueforanadaevaotres.blogspot.com'/></div>Eduardo J. Magalhães Ribeirohttp://www.blogger.com/profile/11788153894877896960noreply@blogger.com3tag:blogger.com,1999:blog-29087476.post-42672860861533868262009-07-11T00:01:00.002+01:002009-07-11T00:03:51.852+01:00Guiné 63/74 - P4667: Tabanca Grande (160): Joaquim Peixoto, ex-Fur Mil Inf MA da CCAÇ 3414 (Bafatá e Sare Bacar, 1971/73)<a href="http://3.bp.blogspot.com/_7fkEU8QYw6U/SlfCfrvP_HI/AAAAAAAAFYI/aVrMuEIbnsQ/s1600-h/Joaquim+Peixoto-2.jpg"><img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 142px; FLOAT: right; HEIGHT: 184px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356964131353132146" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_7fkEU8QYw6U/SlfCfrvP_HI/AAAAAAAAFYI/aVrMuEIbnsQ/s200/Joaquim+Peixoto-2.jpg" /></a><a href="http://1.bp.blogspot.com/_7fkEU8QYw6U/SlfCXdA2uKI/AAAAAAAAFYA/7ttOmSl6VZc/s1600-h/Joaquim+Peixoto-1.jpg"><img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 143px; FLOAT: left; HEIGHT: 184px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356963989961488546" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_7fkEU8QYw6U/SlfCXdA2uKI/AAAAAAAAFYA/7ttOmSl6VZc/s200/Joaquim+Peixoto-1.jpg" /></a><strong>1.</strong> Mensagem do nosso camarada Joaquim Peixoto (*), ex-Fur Mil Inf MA da CCAÇ 3414, <a href="http://www.ensp.unl.pt/luis.graca/guine_guerracolonial18_mapa_Bafata.html">Bafatá</a> e <a href="http://www.ensp.unl.pt/luis.graca/guine_guerracolonial57_mapa_Paunca.html">Sare Bacar</a>, 1971/73, com data de 10 de Julho de 2009:<br /><br />Caro amigo e Camarada Carlos Vinhal:<br />Em primeiro lugar quero pedir mil desculpas por estar a ser um clantestino.<br />Tenho imenso gosto e prazer em ser membro da Tertúlia.<br />Embora não queira fugir à responsabilidade de não ter enviado tudo o que me era pedido, passo a explicar:<br /><br />Em 1 de Abril recebi email para enviar dados pessoais, fotos e outras coisas que tais.<br />No dia seguinte enviei tudo, mas só agora me apercebi que o email não foi recebido por erro no endereço.<br />Peço desulpa.<br /><br />Agora faço seguir o meu "curriculum", mas como sou <em>periquito</em> em informática, não sei se vai nos moldes que pediste.<br /><br />Despeço-me, esperando, a partir de agora, ser membro do maior <em>clube</em> do Mundo.<br /><br />Um abraço do camarada<br />Peixoto<br /><br />OBS:-Em breve, enviarei um artigo para ser publicado<br /><br /><strong>Dados pessoais:</strong><br /><br />Nome - Joaquim Carlos Rocha Peixoto<br />Posto militar - Furriel Miliciano<br />Especialidade - Atirador de Infantaria com o curso de Minas e Armadilhas<br />Unidade - CCAÇ 3414<br /><br />As principais localidades onde estive: Bafatá e Sare Bacar<br /><br />Morada:<br />PENAFIEL<br /><br />Ainda a estou a exercer como Professor do 1.º Ciclo<br /><br /><br /><a href="http://4.bp.blogspot.com/_7fkEU8QYw6U/Sle8HPNeWLI/AAAAAAAAFX4/4C2wVnJuVUY/s1600-h/Quinta_Paul_20Jun09_Blogue_DSC04961.JPG"><img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356957114308647090" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_7fkEU8QYw6U/Sle8HPNeWLI/AAAAAAAAFX4/4C2wVnJuVUY/s400/Quinta_Paul_20Jun09_Blogue_DSC04961.JPG" /></a><strong><span style="font-size:85%;">O nosso camarada Joaquim Peixoto deu-nos o prazer da sua presença, acompanhado de sua esposa Margarida, no nosso IV Encontro em Ortigosa, como documenta a foto.<br /></span></strong><br /><br /><strong>2.</strong> Comentário de CV:<br /><br />Caro Joaquim Peixoto.<br />Obrigado por teres respondido tão prontamente.<br />As tuas amáveis palavras enviadas em sucessivas mensagens, em curto espaço de tempo, são para nós um incentivo, e bem estamos a precisar de algum neste momento, para continuarmos nesta espinhosa missão de mantermos o Blogue da Tabanca Grande, vivo e actuante, onde se discutam os assuntos relacionados com a guerra da Guiné de forma correcta, educada e sem violência verbal. O respeito pela diversidade de opinião, cor, opção política, religiosa e outras, é indispensável para uma convivência sã, e própria de verdadeiros camaradas e amigos que queremos ser.<br /><br />Dizes que queres pertencer ao maior clube do mundo. Não pertencerás, mas uma coisa é certa, somos o maior blogue dedicado à guerra da Guiné. Pelo número de visitas registado na nossa página, tendo nós um registo de cerca de 350 tertulianos, vê-se a quantidade enorme de pessoas nos consultam para os mais diversos fins, entre os quais os didáticos.<br /><br />Tu poderás ser mais um a narrar factos e a mostrar fotos que ajudem a reconstituir a parte da história em que nós, os ex-combatentes, fomos protagonistas.<br /><br />Recebe então 352 abraços de boas-vindas.<br />Um especial deste teu camarada<br />Carlos Vinhal<br />__________<br /><br />Notas de CV:<br /><br />(*) Vd. postes de:<br /><br />22 de Maio de 2007 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2007/05/guin-6374-p1774-morte-do-fernando.html">Guiné 63/74 - P1774: A morte do Fernando Ribeiro: eu ia nessa fatídica coluna e era seu amigo (Joaquim Peixoto, CCAÇ 3414)</a><br /><br />16 de Março de 2009 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/03/guine-6374-p4041-o-premio-sirvam-em.html">Guiné 63/74 - P4039: O Prémio: Sirvam , em nome da Pátria, uma bica quente a estes rapazes!, dizia o Gen Spínola... (Joaquim Peixoto)</a><br /><br />21 de Junho de 2009 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/06/guine-6374-p4557-iv-encontro-nacional.html">Guiné 63/74 - P4557: IV Encontro Nacional do Nosso Blogue (3): Um dia caloroso, em que fizemos novos amigos (Joaquim e Margarida Peixoto)</a><br /><br />9 de Julho de 2009 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/07/guine-6374-p4659-parabens-voce-12-dia-9.html">Guiné 63/74 - P4659: Parabéns a você (12): Dia 9 de Julho de 2009 - Joaquim Peixoto, ex-Fur Mil da CCAÇ 3414 (Sare Bacar, Cumeré, Brá, 1971/73)</a><br /><br />Vd. último poste da série de 9 de Julho de 2009 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/07/guine-6374-p4662-tabanca-grande-159.html">Guiné 63/74 - P4662: Tabanca Grande (159): António João Sampaio, ex-Alf Mil da CCAÇ 15 e Cap Mil da CCAÇ 4942/72 (Guiné, 1973/74)</a><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29087476-4267286086153386826?l=blogueforanadaevaotres.blogspot.com'/></div>Carlos Vinhalhttp://www.blogger.com/profile/02513603707400841996noreply@blogger.com1tag:blogger.com,1999:blog-29087476.post-54197127134038312022009-07-10T16:32:00.002+01:002009-07-10T16:44:30.516+01:00Guiné 63/74 - P4666: Memorias de um alferes capelão (Arsénio Puim, BART 2917, Dez 69/Mai 71) (2): De Viana do Castelo a Bissau<a href="http://4.bp.blogspot.com/_pMkPOXBWOec/SldfzfvJgMI/AAAAAAAAWtk/HFvmK_yaWVg/s1600-h/Guine_Puim_Lisboa_24Mai09_LG_DSC03762.JPG"><img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; FLOAT: left; HEIGHT: 134px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356855620077715650" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_pMkPOXBWOec/SldfzfvJgMI/AAAAAAAAWtk/HFvmK_yaWVg/s200/Guine_Puim_Lisboa_24Mai09_LG_DSC0%20%20Continuação%20da%20publicação%20das%20memórias%20de%20%3Ca%20href=" /></a> 1. Continuação da publicação das memórias de <a href="mailto:arseniopuim@hotmail.com">Arsénio Puim</a>, ex-Alf Mil Capelão, CCS/ BART 2917, e que esteve em Bambadinca entre Maio de 1970 e Maio de 1971 (A sua comissão terminou mais cedo, um ano depois de ter chegado a Bambadinca, por decisão do Com-Chefe, ao que se sabe). Vive actualmente em Vila Franca do Campo, Ilha de São Miguel, Região Autónoma dos Açores (RAA). Está reformado como enfermeiro do Serviço Regional de Saúde da RAA (*).<br /><br /><strong>MEMÓRIAS DE UM CAPELÃO II - RECORDANDO... DE VIANA DO CASTELO A BISSAU<br /></strong>por Arsénio Puim<br /><br /><br />No dia 2 de Março de 1970, o BART 2917, em que me integrava como alferes-capelão, já deixara a Pesada [, o RASP 2,] em Gaia, e encontrava-se na linda e pequena cidade de Viana do Castelo, para fazer o IAO.<br /><br />Foram dois meses e meio de intenso treino operacional, incluindo um acampamento, em princípios de Março, na serra, para as bandas de Santa Luzia, em que também participei. Um ambiente duro, onde faltava tudo o que pudesse saber a conforto. E, sobretudo, que frio, meu Deus, durante a noite!<br /><br />A despedida oficial do Batalhão ocorreu no dia 6 de Maio [de 1970], com desfile pela cidade e Missa solene da Unidade na bonita igreja renascentista de S. Domingos.<br /><br />À homilia realcei duas ideias principais que a Missa, como acto de culto ao Pai da humanidade e de comunhão da Palavra e do Pão, nos deveria inspirar e consolidar:<br /><br />(i) por um lado, o espírito de comunidade que deveria imperar no Batalhão 2917 ao serviço das terras da Guiné, onde íamos viver;<br /><br />(ii) e, por outro, os valores humanos e cristãos que devem ser apanágio de todos os homens de boa vontade em quaisquer circunstâncias.<br /><br />«Os exércitos, referi, também têm a sua mística altamente humanitária - que não a guerra, porque essa não poderá ser um ideal ou valor em si – mas a defesa do direito de todos, a garantia da liberdade dos povos, a consecução da paz justa».<br /><br />Só a 16 de Maio, à tarde, deixámos Viana do Castelo, a caminho de Lisboa. Deu-se, logo à saída, um percalço: mesmo em cima da ponte, o comboio parou de repente. Acontecera que um elemento do Batalhão ficara atrás e alguém, vendo-o correr na direcção do comboio, puxou a alavanca de emergêrncia.<br /><br />Ao longo do percurso, muitas pessoas juntavam-se à beira do caminho de ferro e despediam-se, acenando carinhosamente.<br /><br />Pelas 12,30 horas de 17 de Maio largámos do Cais da Rocha, [em Lisboa,] no <em>Carvalho Araújo</em>, em direcção à Guiné. Um clima de emoção, à mistura com a alegria ruidosa dos sempre bem dispostos, caracterizou a despedida.<br /><br />Volvidos cinco dias, tendo como único horizonte o mar, o <em>Carvalho Araújo</em> atracou, pelas 22 horas, no porto comercial da ilha de S. Vicente, onde desembarcámos até à uma hora. E, pelas 6 horas da manhã, depois de podermos apreciar a grande e bela baía do Mindelo, continuámos a viagem, agora com mar um pouco mais agitado.<br /><br />Às dez horas do dia 25 de Maio entrámos no Canal do Geba, muito largo e envolto por uma neblina acinzentada que mal nos deixava ver as margens. Quatro horas depois – tanto demorou o percurso da ria - aportámos, finalmente, em Bissau.<br /><br />Pequena cidade, arborizada e agradável, de traça espaçosa e com capacidade de expansão; presença marcantemente negra, falando habitualmente o crioulo; os homens fortes e bem constituídos, trajam mantos longos ou vestem como os europeus; nos hábitos das mulheres, o pano comprido a cingir o corpo e o lenço em touca, de cores vistosas, contrastam com a mini-saia e o penteado trabalhosamente ripado; fácil convívio racial; calor intenso e derrotante, vida pacata: foi assim que eu vi pela primeira vez Bissau, onde permanecemos alguns dias.<br /><br />No dia 27 teve lugar a apresentação e desfile do Batalhão perante o general Spínola. Na ocasião, o Comandante-Chefe e Governador da Guiné desenvolveu um longo discurso, onde traspareciam conceitos dum patriotismo exacerbado e a aceitação de Portugal como povo eleito. Pareceu um homem de mentalidade fechada, incapaz de compreender ideologias diferentes, todas baptizadas de traição.<br /><br />Para os oficiais da Unidade, foi mesmo duro, chegando a dizer que sabia haver entre eles alguns «mal encaminhados» de ideias. Seria uma frase, de fins preventivos, usual nos seus discursos às tropas recém-chegadas? O que sei é que ouvi, mais tarde, Spínola dizer as mesmas palavras numa recepção aos capelães militares da Guiné.<br /><br />Definiu, no entanto, perspectivas de acção pelo progresso sócio-económico do povo da Guiné como único meio de ganhar a guerra, que, disse, «nunca se vencerá pelas armas». E acentuou que ou fazemos alguma coisa nesse sentido, assegurando pelas armas um ganho de tempo para o realizar, ou «não temos nada que fazer em África».<br /><br />Hoje, julgo entrever, nestas palavras do General Spínola, sinais da concepção sócio-política ultramarina que viria a culminar com o projecto, muito «sui generis», do «Portugal e o Futuro», vindo a lume em 1974, ainda antes da Revolução dos Cravos.<br /><br />Arsénio Puim<br /><br />__________<br /><br />Nota de L.G.:<br /><br />(*) Vd. poste anterior da série > 14 de Junho de 2009 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/06/guine-6374-p4521-memorias-de-um-alferes.html">Guiné 63/74 - P4521: Memórias de um alferes capelão (Arsénio Puim, BART 2917, Dez 69/ Mai 71) (1): No RAP 2, V.N. Gaia, onde fez mais de 60 funerais</a><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29087476-5419712713403831202?l=blogueforanadaevaotres.blogspot.com'/></div>Luís Graçahttp://www.blogger.com/profile/02855689880579087551lgraca@clix.pt0tag:blogger.com,1999:blog-29087476.post-17338730202835564442009-07-10T13:59:00.001+01:002009-07-10T16:12:43.792+01:00Guiné 63/74 - P4665: Memória dos lugares (33): A minha visita a Missirá, na passagem de ano de 1970, com o médico Mário Ferreira (Arsénio Puim)<a href="http://3.bp.blogspot.com/_pMkPOXBWOec/SlcyYo0D57I/AAAAAAAAWtM/Cd12yMgU1bk/s1600-h/Guine_Cabral_Vilar_Goncalves_Guimaraes_LG.jpg"><img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 241px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356805680634521522" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_pMkPOXBWOec/SlcyYo0D57I/AAAAAAAAWtM/Cd12yMgU1bk/s400/Guine_Cabral_Vilar_Goncalves_Guimaraes_LG.jpg" /></a> Viseu > 26 de Abril de 200 > Convívio do pessoal da CCS do BART 2917 (Bambadinca, 1970/72) e unidades adidas > O Jorge Cabral, o segundo a contra da esquerda, "entre um Psiquiatra (Marques Vilar) e um Cardiologista (Mário Ferreira Gonçalves, autor do Romance <em>Tempestade em Bissau</em>)" (**)... Na ponta, do lado direito, o nosso camarada David Guimarães. Acrescenta o Jorge que ambos os médicos "me visitaram em Missirá, quando eu comandava o Pel Caç Nat 63, tendo o Mário, passado lá o Natal de 70, com o Padre Puim"...<br /><br />Foto: © Jorge Cabral (2008). Direitos reservados<br /><br />Mensagem do nosso camarada Arsénio Puim, que vive actualmente em Vila Franca do Campo, S. Miguel, Região Autónoma dos Açores, e que foi Alf Mil Capelão, da CCS do BART 2917, Bambadinca, entre Maio de 1970 e Maio de 1971.(***)<br /><br /><br /><strong>A MINHA VISITA A MISSIRÁ</strong><br />por <a href="mailto:arseniopuim@hotmail.com">Arsénio Puim</a><br /><br />Li no blogue uma evocação de Jorge Cabral relativa à visita do Capelão Puim ao Destamento de Missirá, na Guiné, em Dezembro de 1970. (****)<br /><br />Foi realmente em Dezembro, mas no último do mês, e aí passei a noite de fim de ano.<br /><br /><a href="http://1.bp.blogspot.com/_pMkPOXBWOec/SldR_-yIAbI/AAAAAAAAWtU/ekKQ8XBN-Zc/s1600-h/Guine_PelCacNat52_JMA30.jpg"><img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 235px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356840441407340978" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_pMkPOXBWOec/SldR_-yIAbI/AAAAAAAAWtU/ekKQ8XBN-Zc/s320/Guine_PelCacNat52_JMA30.jpg" /></a>O transporte foi de sintex através do rio Geba, à tardinha [<em>Vd. foto à esquerda, sendo que o camarada que está de pé, e de G3 em punho, não é o capelão Puim, que não tinha arma distribuída, mas o Alf Mil Joaquim Mexia Alves, dois anos depois, em 1972, comandante do Pel Caç Nat 52, destacado em Mato Cão</em>].<br /><br />A placidez das águas, a arborização das margens, a sinuosidade do trajecto e sobretudo a abundância, a variedade e a beleza das aves – de cores as mais variegadas – fizeram desta uma viagem encantadora.<br /><br />Da margem ao acampamento, julgo que ainda distavam um ou dois quilómetros, que percorri a pé mais o médico Mário Ferreira, que também visitava Missirá. Numa dada altura, ouvimos um grande tropel dentro do mato. Parámos. Mas logo vimos que era um bando enorme de macacos em deslocação. Ao atravessarem o caminho, olhavam-nos e logo continuavam a correria.<br /><br /><a href="http://3.bp.blogspot.com/_pMkPOXBWOec/SldXrvvDJSI/AAAAAAAAWtc/VCDhZ3JkwiY/s1600-h/Guine_Missira_Pel_Cac_Nat_52_Gavioes_Matar_Morrer_JM.jpg"><img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 233px; FLOAT: left; HEIGHT: 312px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356846690840290594" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_pMkPOXBWOec/SldXrvvDJSI/AAAAAAAAWtc/VCDhZ3JkwiY/s320/Guine_Missira_Pel_Cac_Nat_52_Gavioes_Matar_Morrer_JM.jpg" /></a>A noite de passagem do ano foi muito alegre, com boa comida e <em>alcoolfarta.</em> Houve discursos e música (admito que também discursei) no acampamento, que – é a impressão que guardo – se caracterizava por quase não haver separação física e humana entre ele e a tabanca e por todo um espírito que me pareceu nada ter a ver com o lema, demasiado redutor, pertencente a um Pelotão antigo, que ainda se podia ler, impresso num bloco de cimento, na parada [, <em>referência provável ao Pel Caç Nat 52, anterior ao comando do Alf Mil Beja Santos - Missirá, 1968/69 - cuja divisa era 'Os Gaviões: Matar ou Morrer' : vd. foto à esquerda</em>].<br /><br />No primeiro dia do ano tivemos missa no pequeno aquartelamento de Missirá, e voltei a Bambadinca.<br /><br />Esta é uma das minhas boas recordações da Guiné, graças também ao comandante do Destacamento e grande <em>régulo </em>de Missirá, o ex-alferes Jorge Cabral, que saúdo com amizade.<br /><br />Arsénio Puim<br /><br />____________<br /><br />Notas de L.G.:<br /><br />(*) Vd poste de 16 de Maio de 2008 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2008/05/guin-6374-p2847-convvios-57-ccsbart.html">Guiné 63/74 - P2847: Convívios (57): CCS/BART 2917 (Bambadinca, 1970/72): Viseu, 26 de Abril (Jorge Cabral)</a><br /><br />(**) Vd. poste de 10 de Setembro de 2007 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2007/09/guin-6374-p2091-antologia-61-tempestade.html">Guiné 63/74 - P2092: Antologia (61): Tempestade em Bissau (Mário G. Ferreira)</a><br /><br />Mário G. Ferreira, <em>Tempestade em Bissau: Ano 1970</em>. Lisboa: Pallium Editora. 2007. 216 pp. Preço 14 €.<br /><br />O autor foi Alf Mil da CCS do BART 2917 (Bambadinca, 1970/72).<br /><br />Vd. poste de 15 de Fevereiro de 2007 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2007/02/guin-6374-p1527-lista-de-ex-militares.html">Guiné 63/74 - P1527: Lista de ex-militares da CCS do BART 2917 (Bambadinca, 1970/72) e unidades adidas (Benjamim Durães</a>)<br /><br />(***) Vd. poste de 14 de Junho de 2009 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/06/guine-6374-p4521-memorias-de-um-alferes.html">Guiné 63/74 - P4521: Memórias de um alferes capelão (Arsénio Puim, BART 2917, Dez 69/ Mai 71) (1): No RAP 2, V.N. Gaia, onde fez mais de 60 funerais</a><br /><br />(***) Vd. poset de 3 de Junho de 2009 ><a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/06/guine-6374-p4455-historiografia-da.html">Guiné 63/74 – P4455: Estórias cabralianas (50): Alfero, de Lisboa p'ra mim um Fato de Abade (Jorge Cabral)</a><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29087476-1733873020283556444?l=blogueforanadaevaotres.blogspot.com'/></div>Luís Graçahttp://www.blogger.com/profile/02855689880579087551lgraca@clix.pt1tag:blogger.com,1999:blog-29087476.post-31109839239085612242009-07-10T12:17:00.001+01:002009-07-10T22:26:18.421+01:00Guiné 63/74 - P4664: Blogoterapia (116): Os filhos dos nossos camaradas, nossos filhos são (José Martins)<a href="http://1.bp.blogspot.com/_pMkPOXBWOec/SlcfYGfvpoI/AAAAAAAAWtE/2InSSgjXcEw/s1600-h/LIsboa_Campo_Grande_8Jul09_DSC05663.JPG"><img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 230px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356784780701574786" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_pMkPOXBWOec/SlcfYGfvpoI/AAAAAAAAWtE/2InSSgjXcEw/s320/LIsboa_Campo_Grande_8Jul09_DSC05663.JPG" /></a> <strong>1.</strong> Comentário do José Martins (na foto, o primeiro da direita), a comentário de um leitor do nosso blogue, estranhando o espaço que foi dado à manifestação da nossa solidariedade na dor e no luto, por ocasião da morte da Maria da Glória (*):<br /><br />Não tenho Ordens nem Formação Eclesiástica. No entanto, entendo o que se passa nas Celebrações da Igreja Católica Romana, e quais os objectivos das mesmas.<br /><br />A nossa presença numa missa de exéquias, sufragando alguém, é, sendo praticantes e crentes, uma manifestação de Fé; se somos católicos, porque nessa fé fomos baptizados mas não a seguimos de perto, é um acto de solidariedade.<br /><br />Porque é que se encontravam presentes membros da nossa tertúlia? Porque o Mário e a Cristina (**) pisaram a mesma terra que nós – a Guiné – e, como já foi dito e fez escola, “os filhos dos nossos camaradas, nossos filhos são”. A Glória também é nossa filha!<br /><br />Mas, o acaso proporciona algumas surpresas.<br /><br />Se a nossa atenção acompanhou as leituras – a do Antigo e do Novo Testamento – e superiormente comentadas pelo Cónego Feytor Pinto, que para quem conheça a sua eloquência, não é estranho, ouviu a “história dos Doze”. Do AT [Antigo Testamento] os 12 filhos de Israel, do NT [Novo Testamento] os 12 Apóstolos, ou seja, o trabalho desenvolvido propõe a esses “eleitos” trazer ao Seu convívio, o maior número de elementos.<br /><br />Haverá alguma relação, por muito estranha e/ou forçada que pareça, com o aparecimento e crescimento do nosso blogue? Poucos, no princípio apenas um, mas que hoje, efectivamente declarados, somos mais de 350, além dos que se intitulam “apenas leitores”? Fica a pergunta.<br /><br />Também não quero deixar de referir que, imediatamente antes do final da missa, na altura em que o Ministro abençoa os presentes e deles se despede, subiu ao Ambão uma senhora que, pensava eu, iria alertar os paroquianos para qualquer evento ou facto que fosse motivo de aviso.<br /><br />Mas não. Com voz suave e firme, apesar embargada pelo momento, soaram palavras de alguém que conheceu a Glória desde sempre e de muito perto, como vim a saber mais tarde, que nos transmitiu “um pedaço de si mesma e com muita saudade” mas que foi uma autêntica oração e elogio à Locas.<br /><br />José Martins<br /><br />__________<br /><br />Nota de L.G.:<br /><br />(*) Vd. poste de 9 de Julho de 2009 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/07/guine-6374-p4660-in-memoriam-26-fazendo.html">Guiné 63/74 - P4660: In Memoriam (26): Fazendo o luto pela Maria da Glória e agradecendo a todos a solidariedade (Mário Beja Santos)</a><br /><br /><em>(...) Não vejo qualquer interesse público no exercício desta elegia que me parece excessiva, tanto por não saber de quem se trata como por não entrever qualquer dimensão da defunta (rip). Sede comedidos, senhores. (...)</em><br /><br />Comentário de um leitor, anónimo, e posteriormente assumido e assinado por Salvador Nogueira.<br /><br />(**) O Beja Santos tem uma vastíssima e regular colaboração no nosso blogue. A Cristina Allen, por sua vez, publicou os seguintes postes:<br /><br /><br />9 de Janeiro de 2009 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/01/guin-6374-p3713-os-meus-53-dias-de.html">Guiné 63/74 - P3713: Os meus 53 dias de brasa em Bissau (Cristina Allen) (1): Just married... </a><br /><br />8 de Fevereiro de 2009 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/02/guine-6374-p3880-os-meus-53-dias-de.html">Guiné 63/74 - P3850: Os meus 53 dias de brasa em Bissau (Cristina Allen) (2): Quarto, precisa-se, por favor!</a><br /><br />19 de Fevereiro de 2009 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/02/guine-6374-p3913-os-meus-53-dias-de.html">Guiné 63/74 - P3913: Os meus 53 dias de brasa em Bissau (Cristina Allen) (3): Quanta chuva, Mário ?</a><br /><br /><br />24 de Fevereiro de 2009 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/02/guine-6374-p3933-os-meus-53-dias-de.html">Guiné 63/74 - P3933: Os meus 53 dias de brasa em Bissau (Cristina Allen) (4): Cenas, pouco edificantes, de caserna, que não contarei...</a><br /><br />24 de Dezembro de 2008 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2008/12/guin-6374-p3667-blogoterapia-86-bissau.html">Guiné 63/74 - P3667: As Nossas Mulheres (2): De Bissau a Lisboa, com amor (Cristina Allen)</a><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29087476-3110983923908561224?l=blogueforanadaevaotres.blogspot.com'/></div>Luís Graçahttp://www.blogger.com/profile/02855689880579087551lgraca@clix.pt4tag:blogger.com,1999:blog-29087476.post-55936644130437551622009-07-10T00:15:00.005+01:002009-07-10T09:32:04.394+01:00Guiné 63/74 - P4663: Blogpoesia (53): História de Portugal em sextilhas (Manuel Maia) (VIII Parte): Da Monarquia Constitucional à República<a href="http://1.bp.blogspot.com/_pMkPOXBWOec/Slbq3dLjrzI/AAAAAAAAWs8/anDbE3xLOhE/s1600-h/Portigal_Assembleia_Republica_alegoria_republica.jpg"><img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 304px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356727045250592562" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_pMkPOXBWOec/Slbq3dLjrzI/AAAAAAAAWs8/anDbE3xLOhE/s400/Portigal_Assembleia_Republica_alegoria_republica.jpg" /></a> Portugal > Proclamação da República em 5 de Outubro de 1910 > Alegoria (desconheço o autor)<br /><br />Fonte: Página oficial da <a href="http://www.parlamento.pt/Parlamento/PublishingImages/constitucionalismo/Imagens_grandes/alegoria_repub.jpg">Assembleia República </a>(com a devida vénia...)<br /><br /><br /><a href="http://4.bp.blogspot.com/_pMkPOXBWOec/SlUVeagDU4I/AAAAAAAAWrU/mFZuHe8n6XI/s1600-h/Lisboa_Casa_Alentejo_17Jan2009_LG_DSC06012.JPG"><img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 273px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356210944081089410" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_pMkPOXBWOec/SlUVeagDU4I/AAAAAAAAWrU/mFZuHe8n6XI/s400/Lisboa_Casa_Alentejo_17Jan2009_LG_DSC06012.JPG" /></a>Lisboa > Terreiro do Paço (antes do terramoto de 1755) > Azulejos (pormenor) > Casa do Alentejo > 17 de Janeiro de 2009.<br /><br />Foto: © <a href="http://blogueforanadaevaodois.blogspot.com/2009/04/blogantologias-ii-79-rua-da-conceicao-n.html">Luís Graça</a> (2009). Direitos reservados.<br /><br /><br />VIII parte da História de Portugal em Sextilhas, escritas pelo Manuel Maia, licenciado em História (ex-Fur Mil da 2.ª CCAÇ/BCAÇ 4610, <a href="http://www.ensp.unl.pt/luis.graca/guine_guerracolonial60_mapa_Bula.html">Bissum Naga</a>, <a href="http://www.ensp.unl.pt/luis.graca/guine_guerracolonial42_mapa_Cacine.html">Cafal Balanta</a> e <a href="http://www.ensp.unl.pt/luis.graca/guine_guerracolonial42_mapa_Cacine.html">Cafine</a>, 1972/74). Texto enviado em 4 de Julho último (*).<br /><br /><br /><strong>Da Monarquia Constitucional à República</strong><br /><br />251-De Trás-os-Montes sai Barão Casal<br />a perseguir escocês, anti-liberal,<br />que as forças miguelistas comandava.<br />Centenas, lá por Braga, chacinou<br />chegado à Invicta, entrada não ousou<br />pois líder da cidade intimidava...<br /><br /><br />252-À Causa Setembrista há uma adesão<br />dum velho general que passa então<br />a comandar, nas Beiras, <em>Patuleias.</em><br />Chegado ao Porto, Póvoas, o visado,<br />ficou deveras entusiasmado<br />ao ver no povo a força das ideias...<br /><br /><br />253-Com frota para o sul cedo zarpou,<br />Sá da Bandeira em Lagos aportou,<br />p´ra juntar forças lá p´ro Alentejo.<br />Ocupa a capital do rio Sado,<br />permanecendo ali, qual sitiado,<br />à espera dum levante, junto ao Tejo...<br /><br /><br />254-Ao Porto é enviado um emissário<br />da quádrupla aliança mandatário<br />p´ra suspender a fratricida guerra.<br />Proposta já prevê uma amnistia<br />que aos revoltosos dava a garantia<br />de livres eleições na sua terra.<br /><br /><br />255-Recusa o Conde de Antas tal proposta,<br />com quatro barcos ruma junto à costa,<br />disposto a invadir a capital.<br />Travão disuasor da inglesa esquadra,<br />em plena Foz na altura fundeada,<br />levou à rendição do general.<br /><br /><br />256-De pouco ou nada valem os protestos<br />da junta, p´la ingerência e manifestos<br />que o Almirante Maitland debitava.<br />Os Passos combateram bravamente,<br />Saldanha, que avançara finalmente,<br />e em Grijó revolta terminava...<br /><br /><br />257-Gramido vai trazer a rendição,<br />dos Patuleias sob condição,<br />de acordo que jamais será cumprido.<br />Cabral ao regressar gera sarilho,<br />num fervilhar de ódio, qual rastilho<br />pois vencedor humilhará vencido...<br /><br /><br />258-Matosinhenses meios abastados,<br />geraram dois irmãos mui bem fadados,<br />mostrando p´ra política aptidões.<br />Nas guerras liberais estão envolvidos,<br />na Patuleia esforços são perdidos,<br />derrota sofrem <em>manos de Guifões...</em><br /><br /><br />259-Brutais espancamentos e prisões,<br />recriam novamente as condições<br />p´ro eclodir de outra situação.<br />De novo o Porto tem papel fulcral<br />ao sediar revolta inicial,<br />que a História chama Regeneração.<br /><br /><br />260-A Invicta reclamou uma vez mais<br />amor à liberdade e ideais,<br />na rua clama o fim da repressão.<br />Saldanha, Regeneradores comanda,<br />a roda p´ros Históricos desanda,<br />partiu Cabral, rejubilou Nação...<br /><br /><br />261-Depois desta Maria <em>Educadora,</em><br />o filho Pedro Quinto surge agora<br />p´ra um curto mas profícuo reinado.<br />Combóio fez rolar entre os carris,<br />telégrafo implantou desde a raíz,<br />consigo esclavagismo é extirpado...<br /><br /><br /><a href="http://4.bp.blogspot.com/_pMkPOXBWOec/SlZf7b6KjZI/AAAAAAAAWss/Kdbhra1qr5w/s1600-h/Pedro_V_de_Portugal.jpg"><span style="font-size:85%;"><img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 191px; FLOAT: left; HEIGHT: 279px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356574281512422802" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_pMkPOXBWOec/SlZf7b6KjZI/AAAAAAAAWss/Kdbhra1qr5w/s400/Pedro_V_de_Portugal.jpg" /></span></a><span style="font-size:85%;"> D. Pedro V de Portugal (nome completo: Pedro de Alcântara Maria Fernando Miguel Rafael Gonzaga Xavier João António Leopoldo Victor Francisco de Assis Júlio Amélio de Bragança, Bourbon e Saxe Coburgo Gotha). Nasceu e morreu em Lisboa, no Palácio das Necessidades, a 16 de Setembro de 1837 e a 11 de Novembro de 1861, respectivamente. De cognome, <em>O Esperançoso</em>, <em>O Bem-Amado</em> ou <em>O Muito Amado</em>, era o filho mais velho da Rainha D.Maria II e do príncipe consorte D.Fernando II, de origem alemã.<br /><br />Reinou de 1853 a 1861. Foi o mais culto dos reis da monarquia constitucional. Foi o 32º monarca portugês. Sucedeu-lhe o irmão D. Luís.<br /><br />Filomena Mónica escreveu sobre ele uma notável biografia, editada por Círculo de Leitores e Temas e Debates (2007).</span><br /><br /><span style="font-size:85%;">Fonte: </span><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pedro_V_de_Portugal"><span style="font-size:85%;">Wikipédia</span></a><span style="font-size:85%;">. Imagem do domínio público.<br /></span><br /><br /><br />262-Senhor de uma cultura de invejar,<br />partiu p´ra Europa, dado a viajar,<br />na busca do melhor para o seu povo.<br />Mal começara as lides do reinado<br />enfrenta as febres, vive atormentado,<br />morrendo, já viúvo, moço novo...<br /><br /><br />263-Após D. Pedro vem, <em>rei Popular, </em><br />Luis, que o Porto irá remodelar<br />com obras de que a urbe carecia.<br />A doca de Leixões, Palácio e pontes<br />irão rasgar, por certo, horizontes,<br />passando o sonho além da utopia...<br /><br /><br />264-Para obstar a crítica bem dura<br />de compadrio com a escravatura,<br />na África distante e ignorada,<br />a lusa Sociedade de Geografia<br />apoia expedição que se exigia,<br />em gesta mui difícil e ousada...<br /><br /><br />265-O fito foi tomar conhecimento,<br />fortalecer presença no momento,<br />da imensidão da África que estranham.<br />Exploradores partiram co´a intenção<br />de se empenharem numa ligação<br />terrena, entre oceanos, que a banham.<br /><br /><br />266-Projecto português intenta unir<br />Angola a Moçambique e permitir<br />a ligação das costas via terra.<br />Com alemães convénio é definido,<br />mal <em>mapa cor de rosa</em> é conhecido<br />tão logo surge atrito co´a Inglaterra.<br /><br /><br />267-Orgulho de Tendais, país profundo,<br />um luso, Serpa Pinto, homem do mundo,<br />tal como, em S.Miguel, Ivens é tido.<br />Soltando seus vagidos em Palmela ,<br />Capelo engrandeceu terra já bela,<br />com feito tão brilhante cometido...<br /><br /><br />268-Zarparam Serpa Pinto, Ivens, Capelo,<br />catando com minúcia e com desvelo,<br />do Zaire e do Zambeze a foz ignota.<br />Mau grado algum prestígio p´ra Nação,<br />não fôra conseguida a ligação<br />difícil, face aos p´rigos dessa rota...<br /><br /><br /><a href="http://3.bp.blogspot.com/_pMkPOXBWOec/SlZkianVPxI/AAAAAAAAWs0/va_PAT2MZHg/s1600-h/Portugal__Carlos_I_selo_1895_wikipedia.jpg"><span style="font-size:85%;"><img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 371px; FLOAT: left; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356579349226405650" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_pMkPOXBWOec/SlZkianVPxI/AAAAAAAAWs0/va_PAT2MZHg/s400/Portugal__Carlos_I_selo_1895_wikipedia.jpg" /></span></a><span style="font-size:85%;"> Selo de 25 réis, com a efígie de D. Carlos I, 34º Rei de Portugal. Reinou de 1889 a 1908. Foi assassinado com 44 anos, juntamente com o príncipe herdeiro Luís Filipe.<br /><br />Fonte: </span><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_I_de_Portugal"><span style="font-size:85%;">Wikipédia</span></a><span style="font-size:85%;">. Desenho e Gravura: Eugéne Mouchon. Print: Tipográfica, na Casa da Moeda. (Private collection </span><a href="http://commons.wikimedia.org/wiki/User:Henrique_Matos"><span style="font-size:85%;">Henrique Matos</span></a><span style="font-size:85%;">) (com a devida vénia...). </span><br /><br /><br />269-A ideia desta ligação por terra<br />chocava com interesses da Inglaterra,<br />em cuja zona intenta <em>pôr a pata.</em><br />A prepotência gera o Ultimato,<br />D. Carlos cede a tal desiderato,<br />começa mal reinado o <em>Diplomata...</em><br /><br /><br />270-Pintor sensível, fino aguarelista,<br />da natureza amante e desportista,<br />D. Carlos foi rei culto e estudado.<br />P´lo mar apaixonado há muitos anos,<br />investigou a fauna aos oceanos<br />a bordo do <em>Amélia</em>, requintado.<br /><br /><br />271-Do rei, republicanos fazem réu<br />com estigma de traição, forte labéu,<br />no Porto vai estalar revolução.<br />Janeiro de oitocentos, nove e um<br />o <em>trinta e um</em> virou dia incomum,<br />revolta só a custo tem travão.<br /><br /><br />272-Surgiram n´ultramar rebeliões ,<br />Mouzinho, em Chaimite, <em>impôs galões,</em><br />ao soba Gungunhana, alta figura.<br />D. Carlos, portugueses quer unidos,<br />e p´ra pôr termo à guerra dos partidos,<br />forçou o João Franco e a ditadura.<br /><br /><br />273-Centúria nova, oitavo ano, fevereiro,<br />a tarde era do seu dia primeiro,<br />de volta ao paço está coche real.<br />Buissa despejando a sua ira,<br />ao rei e um infante a vida tira,<br />está perto a monarquia, do final.<br /><br />274-Reflexo do desfecho violento,<br />país estremeceu, nesse momento,<br />face à assassina sanha ocorrida.<br />Republicanos vão forçar acções,<br />capazes de criar rebeliões,<br />que hão-de conduzir a nova vida.<br /><br />275-Imposta a João Franco a retirada<br />por incapacidade demonstrada,<br />foi acto de pressão sobre o infante.<br />Nem mesmo a <em>Acalmação</em> vai trazer frutos<br />pois sete vezes surgem substitutos,<br />mas monarquia está agonizante...<br /><br />276-El-rei D.Manuel, adolescente,<br />revolta quer travar mas é impotente,<br />e o povo extravasa, chega ao rubro.<br />República terá seu nascimento<br />um dia após proclamação de evento,<br />mil novecentos dez, cinco de Outubro.<br /><br />Manuel Maia<br /><br /><em>[ Fixação / revisão de texto / selecção de imagens: L.G.]<br /></em><br />__________<br /><br />Nota de L.G.:<br /><br />(*) Vd. postes anteriores:<br /><br />2 de Maio de 2009 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/05/guine-6374-p4274-blogpoesia-43-historia.html">Guiné 63/74 - P4274: Blogpoesia (43): A história de Portugal em sextilhas (Manuel Maia)</a><br /><br />3 de Maio de 2009 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/05/guine-6374-p4278-blogpoesia-44-historia.html">Guiné 63/74 - P4278: Blogpoesia (44): A história de Portugal em sextilhas (II Parte) (Manuel Maia)</a><br /><br />6 de Maio de 2009 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/05/guine-6374-p4290-blogpoesia-45-historia.html">Guiné 63/74 - P4290: Blogpoesia (45): História de Portugal em Sextilhas (Manuel Maia) (III Parte): II Dinastia, até ao reinado de D. João II</a><br /><br />15 de Maio de 2009 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/05/guine-6374-p4351-blogpoesia-47-historia.html">Guiné 63/74 - P4351: Blogpoesia (47): História de Portugal em sextilhas (Manuel Maia) (IV Parte): II Dinastia (De D.Manuel, O Venturoso, até ao fim)</a><br /><br />3 de Junho de 2009 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/06/guine-6374-p4456-blogpoesia-48-historia.html">Guiné 63/74 - P4456: Blogpoesia (48): História de Portugal em sextilhas (Manuel Maia) (V Parte): III Dinastia (Filipina)</a><br /><br />22 de Junho de 2009 ><a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/06/gine-6374-p4561-blogpoesia-49-historia.html">Guiné 63/74 - P4561: Blogpoesia (49): História de Portugal em sextilhas (Manuel Maia) (VI Parte): IV Dinastia (Brigantina) (até 1755)</a><br /><br />30 de Junho de 2009 > <a href="http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2009/06/guine-6374-p4610-blogpoesia-51-historia.html">Guiné 63/74 - P4610: Blogpoesia (51): História de Portugal em sextilhas (Manuel Maia) (VII Parte): De Pombal (1755) até ao regente D. Miguel (1828)</a><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29087476-5593664413043755162?l=blogueforanadaevaotres.blogspot.com'/></div>Luís Graçahttp://www.blogger.com/profile/02855689880579087551lgraca@clix.pt6