tag:blogger.com,1999:blog-2597072372803984485.post-35399297701520922982008-02-29T16:13:00.008+01:002008-03-03T17:59:50.484+01:00O padre Antônio Vieira, Maurício de Nassau e o tráfico negreiro<a href="http://bp3.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/R8gjYMWNEeI/AAAAAAAAAj8/yvDxLGOZikA/s1600-h/1682gross.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5172423070573203938" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/R8gjYMWNEeI/AAAAAAAAAj8/yvDxLGOZikA/s400/1682gross.jpg" border="0" /></a> <div align="justify"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">Comemora-se neste ano o 4° centenário do nascimento do padre Antônio Vieira. Perspicaz conselheiro régio, brilhante escritor, orador sacro e visionário, Vieira era também um homem realista sobre as coisas deste baixo mundo. Grande patriota português (curioso que haja gente insistindo em considerá-lo « brasileiro », coisa que não existia na época), Vieira propôs a venda de Pernambuco e Angola aos holandeses nos anos 1640, para fazer as pazes com a Holanda e concentrar o esforço militar português na guerra fronteiriça contra a Espanha. Entre outras coisas, Vieira foi também um constante defensor do tráfico negreiro para o Brasil. Aliás, no meu entender, ele é o autor da mais audaciosa justificação do tráfico negreiro do período colonial.<br />Em 2004, comemorou-se em Siegen, na Alemanha, o nascimento de Johann Moritz von Nassau-Siegen, mais conhecido em Recife e Luanda como Maurício de Nassau.<br />Ao seu turno, Nassau é glorificado no Brasil e na Europa pelo seu espírito ilustrado. Mas costuma passar-se sob silêncio que ele também foi um defensor obstinado do tráfico negreiro e um dos principais responsáveis pelo envolvimento dos holandeses no comércio de africanos. Falei sobre isto no colóquio organizado em Siegen (terra natal de Nassau e cidade onde ele está sepultado). Saiu agora o livro coletivo, organizado pelos professores Gerhard Brunn e Cornelius Neutsch, "</span><a href="http://www.weltbild.ch/artikel.php?WEA=2220694&amp;artikelnummer=12111555&amp;mode=art&amp;PUBLICAID=a812ad10f1c3d9cbc9c2fbec8de2c7c2"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#006600;"><em>Sein Feld war die Welt</em></span></a> -<span style="font-size:130%;"><em>Johann Moritz von Nassau-Siegen 1604-1679</em></span>"<span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">, com as atas do colóquio. Num dos capítulos falo sobre Nassau e o trato negreiro.<br />Já escrevi bastante sobre isso em vários lugares. </span><a href="http://sequenciasparisienses.blogspot.com/2007/01/olhares-europeus.html"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#006600;"><em>Aqui</em></span></a><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;"><em><span style="color:#006600;"> </span></em>mesmo e, mais detalhadamente, no meu livro </span><a href="http://www.jacotei.com.br/mod.php?module=jacotei.comparacao&amp;prodid=71388&amp;catid=215&amp;mostra=true"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#006600;"><em>O Trato dos Viventes</em></span></a><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">.<br />O padre Antônio Vieira e Maurício de Nassau foram, sem dúvida, dois dos homens mais ilustres que viveram no Brasil colonial. O verdadeiro desafio para o historiador consiste em explicar as razões que os levaram a entrar de cabeça no comércio de escravos. A facilidade intelectual, consiste em pretender que esse assunto não existe ou é de somenos importância. É isso que fazem muitos professores de história do Brasil, de Portugal e da Holanda. É o que faz João Lúcio de Azevedo na biografia do padre Vieira que está sendo reeditada no Brasil. Quem quiser conhecer uma abordagem lúcida sobre o assunto deve ler a biografia de Vieira escrita no século XIX pelo maranhense João Francisco Lisboa, também reeditada no Brasil recentemente. </span></div>luiz felipe de alencastrohttp://www.blogger.com/profile/17830914206423486018noreply@blogger.com