tag:blogger.com,1999:blog-25970723728039844852008-07-16T23:27:42.792+01:00Seqüências Parisiensesluiz felipe de alencastrohttp://www.blogger.com/profile/17830914206423486018noreply@blogger.comBlogger155125tag:blogger.com,1999:blog-2597072372803984485.post-33931245406543452122008-04-22T22:58:00.013+01:002008-04-24T20:23:53.876+01:00Onde fica Israel?<a href="http://bp2.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/SA5hxnIwXRI/AAAAAAAAAmA/vfaD5Po0MSY/s1600-h/800px-LocationIsrael_svg.png"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5192194925351951634" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/SA5hxnIwXRI/AAAAAAAAAmA/vfaD5Po0MSY/s400/800px-LocationIsrael_svg.png" border="0" /></a> <span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">Lula viaja mundo afora, visita países, conversa com chefes de Estado. E Lula tem razão. O Brasil tem tamanho, é um país pacífico, com potencial geopolítico e uma população vinda do mundo inteiro. Deve estar presente nos lugares em que se decidem as grandes questões. Assisti em Paris, em abril de 1976, a passagem do presidente-ditador Geisel, sob protestos que mobilizaram não só a esquerda e os republicanos de todas as tendências, como também os bispos franceses. Apoiei essas reações e também fui para a rua vaiar o ditador. Fico agora contente de ter visto presidentes como FHC e Lula serem bem recebidos e respeitados em toda parte. Nas Américas, na Ásia, na África, no Oriente Médio.<br />Mas Lula deve ir também a Israel. Trata-se da algo fundamental para consolidar a respeitabilidade da diplomacia brasileira e confirmar a pluralidade de nossa cultura.<br />Quando aconteceu em Brasília, em maio de 2005, o encontro entre os países árabes e os países sul-americanos, iniciativa judiciosa e importante, mas criticada pela maioria dos jornalistas brasileiros -, com a honrosa exceção de Jânio de Freitas e Eliane Catanhêde -, o ministro Celso Amorim afirmou que estava planejada uma visita de Lula a Israel. Passados três anos, o chanceler </span><a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/02/080214_amorimvisitaorientemedio_np.shtml"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#006600;"><em>esteve</em></span></a><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;"><em><span style="color:#006600;"> </span></em>em Tel Aviv, em fevereiro deste ano, com o primeiro-ministro Ehud Olmert. Disse, segundo a BBC, “que existe a possibilidade de uma visita do presidente Lula a Israel”. </span><br /><div><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">Quer dizer então que existe igualmente a possibilidade de Lula completar dois mandatos, dar várias vezes a volta ao planeta em viagens oficiais, e não parar nunca em Israel?</span></div>luiz felipe de alencastrohttp://www.blogger.com/profile/17830914206423486018noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-2597072372803984485.post-49686164375206290062008-04-19T14:46:00.019+01:002008-04-21T13:11:14.031+01:00Déjà vu<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/SAn8a7_F0zI/AAAAAAAAAlI/p3adY0I8qbM/s1600-h/dejavu_cerveau.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5190957585230320434" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: pointer; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/SAn8a7_F0zI/AAAAAAAAAlI/p3adY0I8qbM/s400/dejavu_cerveau.jpg" border="0" /></a><br /><p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:georgia;" ><span style="font-size:130%;"><span lang="EN-GB">Outro dia foi anunciada uma grande 'descoberta' feita por pesquisadores do <span style="FONT-STYLE: italic">Center for Economic Policy Research (CEPR)</span>, de Londres: veiculando um padrão de família com poucos filhos, as novelas da Globo tiveram impacto na forte queda da taxa de fecundidade constatada no Brasil nas últimas décadas. Anunciada pela BBC, a notícia repercutiu pelo mundo afora, <a style="COLOR: rgb(0,102,0); FONT-STYLE: italic" href="http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2008/04/17/novelas_provocam_queda_em_fertilidade_no_brasil_diz_estudo-426919781.asp">no Globo</a><span style="COLOR: rgb(0,102,0); FONT-STYLE: italic">, na</span> <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u393026.shtml"><em><span style="color:#006600;">Folhaonline</span></em></a>, no <span style="COLOR: rgb(0,102,0); FONT-STYLE: italic"><a href="http://news.sky.com/skynews/article/0,,30200-1313113,00.html"><span style="TEXT-DECORATION: none;color:#006600;" >SkyNews</span></a></span>, no <i style="COLOR: rgb(0,102,0)"><a href="http://www.nydailynews.com/news/us_world/2008/04/16/2008-04-16_brazils_decline_in_fertility_blamed_on_s.html"><span style="TEXT-DECORATION: none;color:#006600;" >New York Daily News</span></a></i> e nas agências de <i style="COLOR: rgb(0,102,0)"><a href="http://afp.google.com/article/ALeqM5jj7v-GuLrtKg1VCCiSJFGOrmwRfA"><span style="TEXT-DECORATION: none;color:#006600;" >notícias</span></a></i>. <?xml:namespace prefix = o /><o:p></o:p></span></span></p><div style="TEXT-ALIGN: justify"></div><p class="MsoBodyTextIndent" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:georgia;" ><span style="font-size:130%;"><span lang="EN-GB"><span style="font-size:0;"></span></span>Embora ainda fosse madrugada por aqui, a leitura da « novidade » me deixou embatucado. Explico: desde o final dos anos 1980 e nos anos 1990 participei de seminários e debates no Cebrap em que Vilmar Faria -, autor do primeiro estudo sobre o assunto em 1989 -, e Elza Berquó, grande demógrafa e fundadora do Cebrap, discutiam e organizavam pesquisas sobre o tema. <span lang="EN-GB">Joseph Potter, da Universidade do Texas, juntou-se às pesquisas iniciadas por Vilmar e em 1998 os dois publicaram um artigo intitulado : <i>“Television, Telenovelas, and Fertility Change in North-East Brazil”,</i>(in Richard Leete (ed.), Dynamics of Values in Fertility Change, Oxford: Oxford University Press, 1998). O ensaio teve impacto imediato e -, coisa muito rara -, foi citado num <a style="COLOR: rgb(0,102,0); FONT-STYLE: italic" href="http://query.nytimes.com/gst/fullpage.html?res=9C02E6D81538F930A25755C0A96F958260&scp=1&sq=vilmar+faria&st=nyt">editorial</a> do <em>The New York Times</em>, em junho de 1998. O texto foi depois publicado na revista do <a style="COLOR: rgb(0,102,0); FONT-STYLE: italic" href="http://www.cebrap.org.br/imagens/Arquivos/televisao_telenovelas.pdf">Cebrap</a> em março de 2002. A tése dos autores, fundamentada em pesquisas, era basicamente a mesma que está sendo 'descoberta' 10 anos depois.</span></span></p><p class="MsoBodyTextIndent" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:georgia;" ><span style="font-size:130%;"><span lang="EN-GB">Os autores do estudo do <a style="COLOR: rgb(0,102,0); FONT-STYLE: italic" href="http://www.econ.upf.edu/docs/seminars/laferrara.pdf">CEPR</a> citam 3 vezes (no estudo, não nas entrevistas aqui citadas) o ensaio de Vilmar e Potter. Mas, francamente, não avançam muito além das análises publicadas pelos dois. </span>Acho até que as conclusões de Vilmar e Potter são mais complexas e sofisticadas que as do CEPR. Quem quiser, pode conferir. Mais ainda, o estudo do CEPR (feito por La Ferrara, Chong e Duryea) aparentemente ignora o grande estudo orientado por Vilmar, Potter e Elza, entre 1992 e 2000, cujo resumo transcrevo: <i>“O projeto 'O Impacto Social da Televisão no Comportamento Reprodutivo no Brasil' é um projeto multi-disciplinar e multi-institucional que envolve, além do CEDEPLAR/UFMG, o NEPO/UNICAMP, o CEBRAP, a ECA/USP, além da University of Texas at Austin e Santa Clara University. O objetivo do projeto é mostrar como a televisão teve impacto nas mudanças reprodutivas observadas no Brasil recentemente, incluindo a queda da fecundidade propriamente dita e as mudanças ideacionais (ideational changes) com relação à reprodução, sexualidade e uso de contraceptivos. O argumento, inicialmente proposto por Faria (1989), é de que a política governamental de incentivo à expansão dos meios de comunicação de massa, aliada à ampliação do crédito ao consumidor e à medicalização, geraram efeitos não intencionais e não esperados sobre a fecundidade e as práticas contraceptivas. O projeto teve início em fevereiro de 1992 com um workshop em Austin, Texas. ... A pesquisa de campo propriamente dita foi feita entre junho de 1996 e fevereiro de 1997, enquanto a novela das 8 da Rede Globo O Rei do Gado esteve no ar. ».</i></span></p><p class="MsoBodyTextIndent" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:georgia;" ><span style="font-size:130%;">Este projetaço, discutido em universidades americanas e brasileiras, teve trabalho de campo e <a style="COLOR: rgb(0,102,0); FONT-STYLE: italic" href="http://www.abep.nepo.unicamp.br/docs/anais/PDF/1998/a132.pdf"><span style="TEXT-DECORATION: none">pesquisas derivadas</span></a> publicadas dentro e <i style="COLOR: rgb(0,102,0)"><a href="http://www.aps.pt/cms/docs_prv/docs/DPR460e7e9be5809_1.pdf"><span style="TEXT-DECORATION: none;color:#006600;" >fora</span></a></i><span style="color:#006600;"> </span>do país. A melhor prova que a pesquisa do CEPR não « descobriu » nada de tão novo assim, pode ser verificada nos resumos das duas pesquisas, publicados na mídia novaiorquina com dez anos de intervalo.</span> </p><p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="font-size:130%;"><span lang="EN-GB">Em 1998, o editorial do <i>New York Times</i> dizia: <i>“Vilmar Faria, a Brazilian sociologist, and Joseph Potter, a University of Texas sociologist, argue that the drop in fertility tracks the spread of television -- dominated by the universally popular nightly soap operas known as telenovelas. </i></span><i>For many poor, the telenovelas provided their first glimpse of small, less authoritarian families and of consumer culture. </i><i><span lang="EN-GB">Women realized they could choose fewer children, and that children had a cost »</span></i><span lang="EN-GB">.<br /></span></span></p><p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="font-size:130%;"><span lang="EN-GB">Há três dias, o <span style="FONT-STYLE: italic">New York Daily News</span>, jornal de 2a. divisão de Nova York, afirmou, num tom mais vulgar, no meio do noticiário geral: </span><i>Soap operas are contributing to a population decline in Brazil, according to a new study - and not just because people are too busy watching TV to get busy in the bedroom. A study by the Center for Economic Policy Research (CEPR) says that Brazil's national addiction to soap operas is to blame for a drastic decline in fertility rates there over the past four decades. The small families depicted on the soaps, the study says, are causing real women to want fewer children of their own.</i><i><span lang="EN-GB" style="COLOR: rgb(54,54,54);font-size:7;" ><o:p></o:p></span></i></span></p><div style="TEXT-ALIGN: justify"></div><p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="font-size:130%;">Dez anos atrás, trouxe de NY para Vilmar o exemplar do NYT com a primeira citação. Ele ficou feliz. Agora</span><span style="font-size:130%;"><span lang="EN-GB">, ponho as duas citações lado a lado neste post. </span>Espero que ele também tenha ficado contente, lá onde se encontra. </span></p>luiz felipe de alencastrohttp://www.blogger.com/profile/17830914206423486018noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-2597072372803984485.post-51191764088962997812008-04-18T22:52:00.010+01:002008-04-21T13:22:47.474+01:00Conferência conclusa<div align="center"><a href="http://bp0.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/SAyGpb_F00I/AAAAAAAAAl0/RYsq4SeB76I/s1600-h/ana%C3%AFs.JPG"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5191672516896478018" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/SAyGpb_F00I/AAAAAAAAAl0/RYsq4SeB76I/s400/ana%C3%AFs.JPG" border="0" /></a> Outra mesa: Daniel Aarão Reis, Paulo Paranaguà, Kelly Araùjo, Anaïs Fléchet, Hervé Théry<br /><a href="http://bp0.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/SAkZJEy92AI/AAAAAAAAAlA/UsIbDC7HfAQ/s1600-h/liard.JPG"><span style="color:#333333;"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5190707689218234370" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/SAkZJEy92AI/AAAAAAAAAlA/UsIbDC7HfAQ/s400/liard.JPG" border="0" /></span></a><span style="color:#333333;"><br /></span><br /><div><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">O colóquio sobre o Brasil e o Atlântico Sul foi, creio eu, bastante bom, graças à colaboração de alto nível dos colegas e da presença atenta dos pesquisadores e estudantes.<br />Ficou faltando alguém da África do Sul (mas haverá um especialista com um capítulo sobre o país nas Atas que serão publicadas) e mais gente sobre a Argentina (idem ). No final das contas, o balanço só aparecerá daqui dois ou três anos: quando tiver saído o volume com as conferências e, sobretudo, quando um colóquio peso pesado na Inglaterra ou nos EUA retomar a temática, mostrando que o Atlântico Sul é uma área histórica e cultural com sua própria especificidade. Se isso não acontecer, a coisa toda continuará mal parada.<br />A foto acima, no anfiteatro Liard, na Sorbonne, registra o final da primeira sessão da tarde da sexta-feira dia 11. Beatriz Mamigonian (Universidade Federal de SC - Yale) pega o material dela; atrás, o vulto do embaixador Alain Rouquié (presidente da sessão);do lado direito, com uma gravata vermelha, Michael Zeuske, da Universidade de Colônia (Alemanha); ao lado dele Júnia Furtado (Federal de MG); no primeiro plano à direita, Nuno Monteiro da Universidade de Lisboa; na frente da mesa, com os papéis na mão, Joseph Miller, da Universidade de Virginia; ao lado dele, de costas, vosso criado; depois à esquerda, Katia Mattoso ajustando os óculos, Ernestina Carreira (Universidade de Provence) e Serge Gruzinski (École de Hautes Études e CNRS); (e tem gente que diz que ponto-e-vírgula não serve para nada!). No fundo, o quadro de </span><a href="http://fr.wikipedia.org/wiki/Richelieu"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#006600;"><em>Richelieu</em></span></a><span style="font-family:georgia;font-size:130%;"><span style="color:#333333;"><em>,</em> reitor e reformador da Sorbonne, por </span></span><a href="http://fr.wikipedia.org/wiki/Philippe_de_Champaigne"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#006600;"><em>Philippe de Champaigne</em></span></a><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">. A foto, de que gostei porque o mostra o movimento das sessões e porque ninguém faz pose, é de José Manuel Santos Pérez, da Universidade de Salamanca. </span></div><br /><div></div><br /></div>luiz felipe de alencastrohttp://www.blogger.com/profile/17830914206423486018noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-2597072372803984485.post-33129219096352790252008-04-02T14:14:00.008+01:002008-04-09T06:36:34.284+01:00Por uma História do Atlântico Sul<a href="http://bp1.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/R_xT_EOXH-I/AAAAAAAAAk4/SKTnIwH5AtY/s1600-h/affiche1.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187113213754810338" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/R_xT_EOXH-I/AAAAAAAAAk4/SKTnIwH5AtY/s400/affiche1.jpg" border="0" /></a> clicar para ler <div align="justify"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">Dias 10 e 11 de abril organizo este colóquio <span class=" to_transl_class" id="3" title="Click to correct">anunciado</span> <span class=" to_transl_class" id="4" title="Click to correct">acima</span>, cuja idéia se articula em <span class=" to_transl_class" id="1" title="Click to correct">torno</span> de três pontos :<br />1.O Atlântico Sul tem uma história distinta do Atlântico Norte. A esmagadora maioria dos estudos que se referem genéricamente ao Atlântico falam, na realidade, Atlântico Norte e omitem as particularidades do Atlântico Sul: tráfico negreiro bilateral (e não triangular), envolvimento dos colonos escravistas da América portuguesa na África portuguesa, etc.<br />2. O Atlântico Sul tem um passado, um presente e um futuro. As novas nações lusófonas da África, principalmente Angola, retomam o intercâmbio direto com o Brasil, a Argentina também desenvolve suas relações com a África. A parceria diplomática entre o Brasil e a África do Sul tem hoje em dia um peso importante.<br />3. O estudo da História do Brasil na vertente de uma história global do Atlântico Sul permite renovar uma historiografia brasileira que patina em interpretações excessivamente territoriais ou que continua enquadrando-se no conceito meio obsoleto de América Latina<br /></div></span>luiz felipe de alencastrohttp://www.blogger.com/profile/17830914206423486018noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-2597072372803984485.post-7502416736678093892008-03-20T07:25:00.006+01:002008-03-20T09:35:21.041+01:00A Rede e o Nada<div align="center"><a href="http://bp0.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/R-IHSUOXH8I/AAAAAAAAAkg/qu8cZd7c0W4/s1600-h/418.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5179710532677476290" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/R-IHSUOXH8I/AAAAAAAAAkg/qu8cZd7c0W4/s400/418.jpg" border="0" /></a> Capa da edição de 1883 de <em>Les Travailleurs de la Mer</em>, de Victor Hugo<br /><div align="justify"><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Paulo_Henrique_Amorim"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#006600;"><em>Paulo Henrique Amorim</em></span></a><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;"> é meu amigo há muito tempo. Mas não é por isso que escrevo aqui. Penso, de fato, que a ruptura de seu contrato no Ig é exemplar para demonstrar como a rede também pode abrir a via à regressão política e cultural. Visivelmente, os posts e as entrevistas que Paulo Henrique Amorim fazia não agradavam gente muito poderosa. Por esta ou por outra razão que o Ig não se dignou a explicar aos internautas, aos colaboradores do seu portal e ao público (o argumento dado: a falta de rentabilidade do site de PHA é grotesco: os outros sites que ficaram têm mais internautas-leitores do que o dele???), seu sítio foi bruscamente tirado do ar.<br />A maior parte de seus posts e de suas entrevistas com líderes políticos, altos funcionários e personalidades diversas foram seqüestradas e podem ser destruídas pelo Ig. Este é o problema de fundo: os posts e os sítios podem desaparecer definitivamente. Noutro registro, o triste fechamento do Nomínimo, do qual fui colaborador, como do No antes dele, acabou fazendo desaparecer todo o rico material jornalístico que ele continha. No que me concerne perdi para sempre os meus textos, embora eles tivessem continuado a ser acessíveis muito tempo depois do fechamento do Nominino. Causado, como se sabe, pela falta de fontes de publicidade que torna vulnerável o jornalismo eletrônico no Brasil.<br />O caso de PHA é muitíssimo mais grave e constitui um verdadeiro atentado à liberdade de imprensa e à propriedade intelectuel. PHA não teve a oportunidade de redirecionar seus leitores e os internautas para o seu </span><a href="http://www.paulohenriqueamorim.com.br/"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#006600;"><em>novo sítio</em></span></a><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">, nem de recuperar seu trabalho jornalístico. No século passado e retrasado, quando os autoritários e os truculentos mandavam empastelar as redações dos jornais que não lhes convinham, ainda dava para recuperar os exemplares antigos e reimprimir a publicação. Como sabem os pesquisadores e os historiadores, mesmo o regime mais ditatorial ou o país mais desleixado não consegue fazer desaparecer os jornais antigos. Estes acabam sendo preservados, na pior das hipóteses, na documentação consular e nas bibliotecas de outros países. Agora some tudo num piscar de olhos. Que PHA tenha podido recuperar parte de seu acervo para abrir logo um outro sítio (antes os empastaledos também podiam reabrir outro jornal) não diminui em nada a malignidade do ato de que ele foi vítima.</span></div></div>luiz felipe de alencastrohttp://www.blogger.com/profile/17830914206423486018noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-2597072372803984485.post-34134685479948976362008-03-13T11:56:00.009+01:002008-03-13T18:11:42.619+01:00Buenos Aires?<a href="http://bp3.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/R9kJPHXcMxI/AAAAAAAAAkY/GBKB9dfIGls/s1600-h/rice.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5177179401919148818" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/R9kJPHXcMxI/AAAAAAAAAkY/GBKB9dfIGls/s400/rice.jpg" border="0" /></a><br /><div><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">Chega hoje no Brasil, para uma visita oficial de dois dias, Condoleezza Rice. Vai à Brasília encontrar Lula, conversar sobre etanol, Oriente Médio, Chávez, Uribe y otras cositas más. Depois vai para a Bahia, cada vez mais legitimada como capital da Afro-América. </span><a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/elianecantanhede/ult681u381332.shtml"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#006600;"><em>Eliane Catanhêde</em></span></a><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;"> que, junto com Jânio de Freitas, foi a única jornalista a salientar a importância do encontro Países Árabes-América do Sul organizado em Brasília em 2005 (e escarnecido pelo restante da mídia), faz um comentário bem centrado sobre a viagem de Rice. Mas, salvo engano, não há nenhuma notícia nos jornais brasileiros sobre um ponto essencial, analisado pelo </span><a href="http://www.nytimes.com/2008/03/13/world/americas/13rice.html?_r=1&scp=1&sq=rice&st=nyt&oref=slogin"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#006600;"><em>New York Times</em></span></a><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">: Condoleezza renova o gelo que os EUA davam na Argentina de Nestor Kirchner, evitando encontrar-se com Cristina Kirchner, eleita há pouco tempo. Ela irá ainda ao Chile, mas não passa por Buenos Aires. !Assim reiterada, a crise entre Washington e Buenos Aires assume proporções inéditas nas relações entre os dois países. Fato que dá outro destaque à situação diplomática do Brasil. Ao não dar por isso, o jornalismo brasileiro consolida o analfabetismo sobre assuntos internacionais existente na opinião pública nacional. Quase todas as matérias importantes sobre política internacional publicadas na imprensa brasileira são traduzidas dos jornais americanos e europeus. E podem ser lidas na véspera nos próprios sítios destes mesmos jornais pelos leitores brasileiros mais curiosos.</span></div>luiz felipe de alencastrohttp://www.blogger.com/profile/17830914206423486018noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-2597072372803984485.post-78998757875771389662008-03-09T12:53:00.011+01:002008-03-10T10:49:50.878+01:00A crise das Farc: making of de um artigo<div align="justify"><a href="http://bp0.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/R9PRq3XcMwI/AAAAAAAAAkQ/7qsLATN8y9Y/s1600-h/GuerraMilDias.png"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175710931125809922" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/R9PRq3XcMwI/AAAAAAAAAkQ/7qsLATN8y9Y/s400/GuerraMilDias.png" border="0" /></a> Crianças colombianas mobilizadas na 'Guerra de los mil dias" (1899-1902)<br /><div align="justify"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">O <em>Estadão</em> me convidou no começo da semana para escrever, para o caderno dominical <em>Aliás</em>, um artigo sobre as Farc e as tensões regionais geradas pelo ataque colombiano em solo equatoriano. Como a crise evoluía muito rapidamente, passei a semana coletando material. Mas só comecei a redigir o texto na sexta-feira de manhã (o deadline do jornal era às 18 horas, horário brasileiro): esperava não ser surpreendido por nenhuma novidade que desmontasse os argumentos desenvolvidos no texto.<br />Zapeando no meio da semana, vi na TV a cena em que Chávez decretava a mobilização de suas tropas. De camisa vermelha, falando no meio da multidão para um ministro da guerra parecido com aquele gordinho de óculos do programa Chaves, da SBT, Chávez, o outro, ordenava com voz tonitruante:<em>“que se mande diez regimientos, que se despliegue la aviación militar!”.</em> Entre um pistache e outro, pensei: «ou o cara ficou doido ou está brincando». Doido, Chávez não é: nunca interrompeu as exportações de petróleo venezuelano para os Estados Unidos. Por isso, comecei a redigir o artigo num enfoque de longo prazo que excluía a iminência de um conflito armado envolvendo a Colômbia, a Venezuela e o Equador. O fato de que Chávez, Uribe e Correa não tivessem desmarcado sua presença na reunião do Grupo do Rio em Santo Domingo, confirmava esta impressão. Mas o tom de muitos sítios de informação era:«There will be blood!». No final do dia, sexta-feira à noite, veio a notícia e as imagens: Chavez, Uribe e Correa estavam se abraçando em Santo Domingo. Tant mieux! Mas a imprensa brasileira traz hoje artigos que começaram a ser impressos antes do final da crise, imaginando que a guerra iria rebentar de uma hora para outra. Veja-se a capa da </span><a href="http://vejaonline.abril.com.br/notitia/servlet/newstorm.ns.presentation.NavigationServlet?publicationCode=1"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#006600;"><em>Veja</em></span></a><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">.<br />A certa altura escrevi que a guerra com as Farc é o conflito mais antigo do mundo. O raciocínio teria ficado mais completo se tivesse inserido a frase que agora vai em itálico (incluo também a referência do estudo em que me baseio):<br />«Estudos especializados registraram um total de 229 conflitos armados em 148 países entre 1946 e 2003. No meio tempo, a grande maioria destas guerras cessou. Assim, excluídos os conflitos inter-étnicos <em>oriundos de partições territoriais estabelecidas após 1945</em> (Palestina, Território Karen na Mianmar-Birmânia, Cachemira na Índia), a guerra do governo colombiano com as Farc, cujos combates começaram em 1966, configura o mais antigo dos conflitos mundiais</span><a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2597072372803984485#_ftn1" name="_ftnref1"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">[1]</span></a><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">.Considerando-se que tal fato ocorre num país independente desde 1819, a guerra civil colombiana apresenta-se como um caso único na história do mundo contemporâneo ». O artigo completo está </span><a href="http://www.estado.com.br/suplementos/ali/2008/03/09/ali-1.93.19.20080309.13.1.xml"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#006600;"><em>aqui</em></span></a><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">.<br /><br /></span><a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2597072372803984485#_ftnref1" name="_ftn1"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">[1]</span></a><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">. <span style="font-size:100%;">Mikael Eriksson e Peter Wallensteen, « Armed Conflict 1989-2003 », Journal of Peace Research, v. 41 (5), 2004, pp. 625-636</span>.<br /></span></div></div>luiz felipe de alencastrohttp://www.blogger.com/profile/17830914206423486018noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-2597072372803984485.post-6184434456943539412008-02-29T16:24:00.003+01:002008-02-29T16:29:13.362+01:00Sumário do livro<a href="http://bp1.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/R8gj7sWNEfI/AAAAAAAAAkE/7VrofxAUZTE/s1600-h/siegen.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5172423680458559986" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/R8gj7sWNEfI/AAAAAAAAAkE/7VrofxAUZTE/s400/siegen.jpg" border="0" /></a><br /><div align="center">Clique para ler</div>luiz felipe de alencastrohttp://www.blogger.com/profile/17830914206423486018noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-2597072372803984485.post-35399297701520922982008-02-29T16:13:00.008+01:002008-03-03T17:59:50.484+01:00O padre Antônio Vieira, Maurício de Nassau e o tráfico negreiro<a href="http://bp3.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/R8gjYMWNEeI/AAAAAAAAAj8/yvDxLGOZikA/s1600-h/1682gross.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5172423070573203938" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/R8gjYMWNEeI/AAAAAAAAAj8/yvDxLGOZikA/s400/1682gross.jpg" border="0" /></a> <div align="justify"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">Comemora-se neste ano o 4° centenário do nascimento do padre Antônio Vieira. Perspicaz conselheiro régio, brilhante escritor, orador sacro e visionário, Vieira era também um homem realista sobre as coisas deste baixo mundo. Grande patriota português (curioso que haja gente insistindo em considerá-lo « brasileiro », coisa que não existia na época), Vieira propôs a venda de Pernambuco e Angola aos holandeses nos anos 1640, para fazer as pazes com a Holanda e concentrar o esforço militar português na guerra fronteiriça contra a Espanha. Entre outras coisas, Vieira foi também um constante defensor do tráfico negreiro para o Brasil. Aliás, no meu entender, ele é o autor da mais audaciosa justificação do tráfico negreiro do período colonial.<br />Em 2004, comemorou-se em Siegen, na Alemanha, o nascimento de Johann Moritz von Nassau-Siegen, mais conhecido em Recife e Luanda como Maurício de Nassau.<br />Ao seu turno, Nassau é glorificado no Brasil e na Europa pelo seu espírito ilustrado. Mas costuma passar-se sob silêncio que ele também foi um defensor obstinado do tráfico negreiro e um dos principais responsáveis pelo envolvimento dos holandeses no comércio de africanos. Falei sobre isto no colóquio organizado em Siegen (terra natal de Nassau e cidade onde ele está sepultado). Saiu agora o livro coletivo, organizado pelos professores Gerhard Brunn e Cornelius Neutsch, "</span><a href="http://www.weltbild.ch/artikel.php?WEA=2220694&artikelnummer=12111555&mode=art&PUBLICAID=a812ad10f1c3d9cbc9c2fbec8de2c7c2"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#006600;"><em>Sein Feld war die Welt</em></span></a> -<span style="font-size:130%;"><em>Johann Moritz von Nassau-Siegen 1604-1679</em></span>"<span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">, com as atas do colóquio. Num dos capítulos falo sobre Nassau e o trato negreiro.<br />Já escrevi bastante sobre isso em vários lugares. </span><a href="http://sequenciasparisienses.blogspot.com/2007/01/olhares-europeus.html"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#006600;"><em>Aqui</em></span></a><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;"><em><span style="color:#006600;"> </span></em>mesmo e, mais detalhadamente, no meu livro </span><a href="http://www.jacotei.com.br/mod.php?module=jacotei.comparacao&prodid=71388&catid=215&mostra=true"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#006600;"><em>O Trato dos Viventes</em></span></a><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">.<br />O padre Antônio Vieira e Maurício de Nassau foram, sem dúvida, dois dos homens mais ilustres que viveram no Brasil colonial. O verdadeiro desafio para o historiador consiste em explicar as razões que os levaram a entrar de cabeça no comércio de escravos. A facilidade intelectual, consiste em pretender que esse assunto não existe ou é de somenos importância. É isso que fazem muitos professores de história do Brasil, de Portugal e da Holanda. É o que faz João Lúcio de Azevedo na biografia do padre Vieira que está sendo reeditada no Brasil. Quem quiser conhecer uma abordagem lúcida sobre o assunto deve ler a biografia de Vieira escrita no século XIX pelo maranhense João Francisco Lisboa, também reeditada no Brasil recentemente. </span></div>luiz felipe de alencastrohttp://www.blogger.com/profile/17830914206423486018noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-2597072372803984485.post-76568269818863521802008-02-10T18:23:00.000+01:002008-02-11T08:36:07.062+01:00Blogs e Fortuno Sorano encarando a morte<a href="http://bp0.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/R68ztNJ3KtI/AAAAAAAAAj0/-bYgZtc8k0w/s1600-h/cartierbresson.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5165404149335403218" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/R68ztNJ3KtI/AAAAAAAAAj0/-bYgZtc8k0w/s400/cartierbresson.jpg" border="0" /></a><br /><div><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">Fui entrevistado ainda há pouco na rádio </span><a href="http://cbn.globoradio.globo.com/cbn/home/index.asp"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#006600;"><em>CBN</em></span></a><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">, de São Paulo, pela jornalista Fabíola Cidral, que nos domingos faz comentários sobre blogs. Esqueci de dizer algo que indico aqui. Na </span><a href="http://www.nybooks.com/contents/20080214"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#006600;"><em>New York Review of Books</em></span></a><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;"> desta semana há um artigo bem interessante de </span><a href="http://www.nybooks.com/articles/21013"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#006600;"><em>Sarah Boxer</em></span></a><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;"> sobre alguns livros que comentam blogs.<br />Não tem nada a ver, mas uso como ilustração uma foto anônima que estava catando há tempos e achei ontem. Trata-se da imagem, datada de 1911, de Fortuno Sorano, companheiro de Emiliano Zapata e Pancho Villa durante a Revolução mexicana, diante do pelotão de execução. Cartier-Bresson achava que esta era a « foto do século ».</span></div><div><span style="font-size:130%;">Não encontrei nada sobre o personagem ou as circunstâncias em que a foto foi feita. Olhando devagar, dá para presumir o que podia estar rolando.<br />Fortuno está com a camisa meio enfiada na calça. Pode ter sido preso (quanto tempo?) e empurrado, o joelho direito está meio esbranquecido. Estava atirando de cima de um telhado ou bebendo na mesa de um botequim quando o renderam?<br />Em todo o caso, ele se arrumou um pouco, enfiou a camisa na calça e aprumou o pé direito numa pedra, esperando o tranco dos tiros. Os dentes trincam o charuto com força para escorar os balaços. Seu chapéu está bem posto. Seus sapatos tem a poeira das ruas. Quem está na frente dele, além dos que vão matá-lo? Fortuno conhecia alguém do pelotão ? Há mais gente um pouco atras ? choravam ou curtiam ? era a cidade dele ou uma terra longe do lugar onde nascera, onde ninguém o conhecia nem se preocupava se ele ia ter um enterro ou ser jogado num buraco onde já havia outros corpos ?<br />Fortuno espera o impacto e calcula o tempo de dores que terá antes de desvanecer e morrer. A parede atrás, feita de tijolo e estuco não parece ser um « paredón » usado noutros fuzilamentos. Mas o contorno furado dos tijolos (o recorte é muito regular para ser pedra) cria um pano de fundo que dá mais dramaticidade à roupa preta que ele porta com uma elegância armânica. A camisa bem branca faz tom sobre tom com a tinta branca jogada na parede. Fortuno meteu a mão no bolso sem segurar latinamente o saco. Fortuno vive para sempre neste último minuto de vida. </span></div><div><span style="font-size:130%;">Fica no entanto uma dúvida. E se Fortuno tiver sido um matador ? um destes indivíduos embrutecidos pela violência e as represálias que ensagüentam as guerras civis? De que serviria então ele ter tido pose na hora morte ? Cartier-Bresson, um grande homem, sabia mais coisas sobre Fortuno que o faziam ter tão grande apreço pela foto ?<br /><br />P.S. – É para isso que serve um blog Fabíola : para escrever umas linhas sobre Fortuno Sorano, que virou pó há muito tempo.</span></div>luiz felipe de alencastrohttp://www.blogger.com/profile/17830914206423486018noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-2597072372803984485.post-65083682571857466342008-02-02T12:37:00.000+01:002008-02-03T21:08:16.082+01:00As línguas africanas e a língua do Brasil<div align="center"><a href="http://bp0.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/R6RbFjEUOyI/AAAAAAAAAjg/YLyQ4BfnqTg/s1600-h/babel.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5162351223744248610" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/R6RbFjEUOyI/AAAAAAAAAjg/YLyQ4BfnqTg/s400/babel.jpg" border="0" /></a> Torre de Babel, <a href="http://fr.wikipedia.org/wiki/Pieter_Bruegel_l%27Ancien"><em><span style="color:#006600;">Pieter Brueghel, o Velho</span></em></a>, 1563, <a title="Kunsthistorisches Museum" href="http://fr.wikipedia.org/wiki/Kunsthistorisches_Museum"><em><span style="color:#666600;">Kunsthistorisches Museum</span></em></a>, Viena<br /><div align="center"><em><span style="color:#333333;"></span></em></div><br /><div align="center"><em><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">O texto abaixo é parte de uma palestra que fiz na Unicamp em 2006, no colóquio </span></em><a href="http://www.unicamp.br/unicamp/divulgacao/BDNUH/NUH_7211/NUH_7211.html"><em><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#006600;">“Caminhos da Língua Portuguesa: África-Brasil”</span></em></a><em><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;"><span style="color:#006600;">,</span> cujas atas serão publicadas em breve. Aproveito para indicar o excelente sítio de </span></em><a href="http://www.linguakimbundu.com/index3.html"><em><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#006600;">Fátima Kandenge</span></em></a><span style="font-family:georgia;"><span style="font-size:130%;"><span style="color:#333333;"><em><span style="color:#006600;">,</span> agora Katulembe, que inclui textos muito interessantes, um dicionário de quicongo e outro de quimbundo</em>.</span></span></span></div><div align="center"><span style="font-size:130%;color:#333333;"></span></div><div align="justify"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;">"Tenho sempre optado por guardar a forma lusitanizada de muitos nomes e topônimos africanos. Como se sabe, o português era língua franca em boa parte da costa ocidental e oriental africana e língua veicular interétnica no reino Congo, e obviamente em Angola, onde era utilizada em todos os documentos oficiais e comerciais.</span></div></div><div align="justify"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">Assim, ao contrário da maioria dos historiadores e antropólogos, escrevo Congo e não « Kongo ». O motivo é simples : os soberanos congoleses, na sua correspondência com Roma e com as autoridades portuguesas, holandesas, etc., assinavam-se sempre “rey do Congo”. O argumento segundo o qual “Kongo” caracterizaria o antigo reino congolês, distinto dos dois países que hoje têm o nome Congo, não é pertinente : o antigo reino da Dinamarca também não coïncide com as fronteiras da atual Dinamarca e nem por isso se alterou a grafia do país. Na mesma ordem de idéias, escrevo quicongo e não kicongo, Dongo e não Ndongo, Ambuíla e não Mbwila, ambundo e não Mbumdu, e assim por diante. Deste modo, com referência ao som nasal em quimbundo, representado pelo « M » ou « N » antes das consoantes (mbundu, Ndongo), sigo a forma tradicional que às vezes anexa o genitivo « a » (de, da, dos, das) ao nome (ambundo) e outra vez suprime a nasalização da consoante (Dongo).<br />O uso de formas alegadamente mais próximas da pronúncia nativa, em geral originárias da fonética inglesa (Kwanza ao invés de Cuanza), oferece no mais das vezes uma ilusão de autenticidade. Por que cargas d’água os angolanos, os brasileiros, os portugueses, os moçambicanos – todos os autores lusófonos – podem achar que escrever rainha <em>Nzinga</em> é mais autêntico, quando a rainha ela própria, alfabetizada em português, assinava seu nome como <em>Jinga</em> ? No que me concerne, deixo de lado a transitoriedade do politicamente correto e, fiel à assinatura da rainha de Matamba, continuo a escrever Jinga.<br />É bem verdade que, a partir de 1987, passaram a vigorar em Angola os alfabetos criados para seis dos vinte idiomas que possuem estatuto de línguas nacionais no país : quicongo (kikongo), quimbundo (kimbundu), chocué (cokwe), umbundo (mbundu), bunda (mbunda) e cuanhama (ocikwanyama). Elaborados por especialistas angolanos e peritos em linguística da UNESCO, estes alfabetos fixaram, em muitos casos, a ortografia que estou criticando. Porém, as incongruências persistem. Continua-se a escrever rio « Cuanza », mas a moeda nacional passou a ter a ortografia « kwanza ». E no final das contas, não se mudou o nome oficial do país de Angola para Ngola. Como se sabe, <em>Ngola </em>era o nome dos reis do Dongo, senhores da região de Luanda na época da conquista portuguesa. Na seqüência, a área começou a ser chamada de terra do Ngola. Daí o aportuguesamento em “Angola”.<br />Em geral, conserva-se o nome tradicional do país. « Japão » é um transcrição inexata, feita pelas jesuítas portugueses no século XVI, dos caracteres japoneses indicando o nome do país <em>Nippon koku</em>. Uma lei japonesa determinou, em 1934, que o nome oficial do país era Nippon. No entanto, fala-se de cultura « nipônica », mas o país continua sendo chamado de Japão. Algo similar ocorre agora com a Belarus -, nome oficial do país desde 1990 -, referido no resto do mundo pelo seu nome tradicional: Bielorússia.</span></div>luiz felipe de alencastrohttp://www.blogger.com/profile/17830914206423486018noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-2597072372803984485.post-14257362255866026182008-01-23T11:41:00.000+01:002008-01-23T16:38:45.757+01:00Bomba made in Brasil<div align="center"><a href="http://bp0.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/R5cbLzEUOxI/AAAAAAAAAjY/D8I2NSLvVTI/s1600-h/101128ma.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5158621787677014802" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/R5cbLzEUOxI/AAAAAAAAAjY/D8I2NSLvVTI/s400/101128ma.jpg" border="0" /></a> Desenho de Alfred Agache para a reforma urbana do Rio, <em>O Cruzeiro</em>, 10/11/1928</div><div align="center"><br /><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">A revista britânica <em>Jane’s</em>, a mais reputada publicação do mundo em assuntos militares, publicou ontem uma </span><a href="http://www.janes.com/news/publicsafety/jid/jid080122_1_n.shtml"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#006600;"><em>matéria</em></span></a><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;"> sobre o programa nuclear do Brasil. Nelson de Sá repercutiu a notícia na sua coluna da </span><a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2301200828.htm"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#006600;"><em>Folha</em></span></a><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;"><em><span style="color:#006600;"> </span></em>de hoje. No entanto, ao contrário da leitura de Nelson de Sá, achei que a matéria da <em>Jane’s</em> tinha um tom voluntariamente ambigüo.<br />A frase inicial do texto, <em>« While Brazilian nuclear intentions are not military in nature, the development of its civilian programmes could be motivated partly by political and commercial considerations</em>”, deixa margem para concluir que o programa brasileiro pode ser ainda “partly” motivado por considerações militares. O artigo também ironiza a pretensão brasileira de esconder tecnologia nuclear alegamente inventada pelo Brasil, mas <em>“já desenvolvida há mais de uma década com assistência técnica estrangeira</em>”.<br />Depois de dizer que a Constituição limita o programa militar nacional ao uso exclusivamente pacífico (mas sem mencionar a ratificação do Brasil do TNP, em 1998), a revista conclui com uma frase de bem escrita ambigüidade: ”<em> Yet potential capability remains; statements made since 2002 by current President Luiz Inácio Lula da Silva, Science and Technology Minister Roberto Amaral, and other Brazilian government and military officials have reinforced the belief of many observers that Brazil's civilian nuclear energy and naval propulsion programmes could be quickly diverted to acquire weapons-grade capabilities in the unlikely event of a change in government nuclear policy”.<br /></em>As declarações duvidosas do ex-ministro </span><a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2003/030105_amaralafdi.shtml"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#006600;"><em>Roberto Amaral</em></span></a><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;"> (que já saiu do governo há 4 anos), como as de outras </span><a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u58516.shtml"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#006600;"><em>autoridades</em></span></a><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">, a respeito da finalidade do programa nuclear brasileiro, foram sempre reenquadradas pelo Itamaraty, o qual reafirmou o vínculo do governo ao TNP e a uma política pacifista.<br />O Brasil é o único país dos BRICs que não tem bomba atômica e que renunciou a tê-la num dispositivo constitucional reiterado pela assinatura de tratados internacionais (TNP e Tatlelolco). A tchurma da Jane’s ainda acha pouco, embora afirme ser « unlikely” (improvável) uma mudança na política pacífica do (deste) governo. Não li a matéria toda da revista, cujo teor é 4 vezes maior do que o texto postado no sítio. Posso estar sendo injusto. Mas tal como aparece no sítio, o texto retrata uma maneira elegante de exprimir uma opinião sacana : para a <em>Jane’s</em>, a legalidade constitucional e o respeito do Brasil aos tratados internacionais não vale lhufas. </span></div>luiz felipe de alencastrohttp://www.blogger.com/profile/17830914206423486018noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-2597072372803984485.post-33394235453039158552008-01-15T17:38:00.000+01:002008-01-16T05:40:56.094+01:00Sífilis, Colombo e a aids<div align="center"><a href="http://bp1.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/R4zjQ-rsICI/AAAAAAAAAjQ/TXtyHHlmDG0/s1600-h/death5.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5155745554276032546" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/R4zjQ-rsICI/AAAAAAAAAjQ/TXtyHHlmDG0/s400/death5.jpg" border="0" /></a> <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Carlos_Schwabe">Carlos Schwabe</a> (1877-1927), <em>A morte do coveiro,</em> Musée d'Orsay, Paris.<br /><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;"></span><br /><div align="center"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">O </span><a href="http://www.estadao.com.br/vidae/not_vid109330,0.htm"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#006600;"><em>Estadão</em></span></a><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">, o </span><a href="http://www.lemonde.fr/web/article/0,1-0@2-3244,36-999427@51-999428,0.html"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#006600;"><em>Monde</em></span></a><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">, o </span><a href="http://www.nytimes.com/2008/01/15/science/15syph.html?_r=1&scp=1&sq=columbus&oref=slogin"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#006600;"><em>New York Times</em></span></a>, <span style="font-size:130%;">entre </span><a href="http://www.blog.newsweek.com/blogs/labnotes/archive/2008/01/14/american-to-europe-here-have-some-syphilis.aspx"><span style="font-size:130%;color:#006600;"><em>outros</em></span></a>,<span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;"> deram hoje a notícia de um estudo publicado numa </span><a href="http://www.plosntds.org/article/info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pntd.0000148"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#006600;"><em>revista</em></span></a><span style="font-family:georgia;color:#333333;"><span style="font-size:130%;"> especializada, por uma equipe de cientistas ingleses, americanos e canadenses, indicando que a sífilis foi trazida da América para a Europa pelos marinheiros dos navios de Cristovão Colombo. O fato apenas confirma a tése de muitos historiadores. Há 25 anos, ouvi um debate entre Philippe Ariès e Michel Vovelle em que os dois grandes mestres da história da morte no Ocidente davam esta informação com um dado estético avançado por Vovelle : depois da chegada da sífilis na Europa, no final do século XV, a morte deixou de ser representada somente por esqueletos humanos com uma foice e passou a ser também pintada sob a forma de uma mulher nua, diáfana : representação evidente da convergência entre sexo e perecimento (como muita gente representa agora a aids). Quando estava preparando o meu livro « <em>O Trato dos Viventes</em> » lembrei-me dos dois mestres, fui procurar mais historiografia especializada e redigi este parágrafo no capítulo 4 :<br /><br />“Tudo indica que a sífilis se disseminou mundo afora a partir da América Central, no repique de uma mutação genética da bactéria <em>Treponema pallidum</em>.( C. C. Dennie, <em>A history of syphillis</em>; J.-C. Sournia, <em>Histoire et médicine</em>, pp. 167-70; F. Guerra, “The dispute over syphillis: Europe versus America”, <em>Clio Medica</em>, 1978, vol. 13, pp. 39-61). Fenômeno parecido deu-se com a bouba ou piã, enfermidade transmitida pelo <em>Treponema pertenue</em>, de sintomas semelhantes aos da sífilis e com ela freqüentemente confundida (Léry cita o piã como "a moléstia mais perigosa do Brasil", <em>Narrative d'un voyage fait à la Terre du Brésil</em>, trad. bras. Viagem à Terra do Brasil, pp. 245-6. L. Santos Filho, <em>História geral da medicina brasileira</em>, vol. i, pp. 185-8; Doc. de 1513 descreve o piã em Cabo Verde, onde provocava até lesões nos ossos, <em>MMA</em>², ii, p. 59, n. 1. No litoral de Angola, a doença se tornou endêmica no século xvii)".<br /><br />Se tivesse de refazer tudo e tivesse agora 15 anos, iria estudar biociências, a disciplina mais fascinante da atualidade.<br /></span></div></span></div>luiz felipe de alencastrohttp://www.blogger.com/profile/17830914206423486018noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-2597072372803984485.post-86040322302824070262008-01-13T23:47:00.000+01:002008-01-14T09:17:39.857+01:00Sobre o império português<a href="http://bp3.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/R4qXZ-rsIBI/AAAAAAAAAjI/61y8BJ5eCfE/s1600-h/510%252BUi7WOWL__SS500_.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5155099196057722898" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/R4qXZ-rsIBI/AAAAAAAAAjI/61y8BJ5eCfE/s400/510%252BUi7WOWL__SS500_.jpg" border="0" /></a><span style="font-size:130%;"> <span style="font-family:georgia;color:#333333;">Saiu outro </span></span><a href="http://sequenciasparisienses.blogspot.com/2007/10/livro.html"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#006600;"><em>livro</em></span></a><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">, agora aqui na França, sobre o império português, no qual estou envolvido. Trata-se de </span><a href="http://www.decitre.fr/livres/L-Empire-portugais-face-aux-autres-empires.aspx/9782706818486"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#006600;"><em>L'Empire portugais face aux autres empires. XVIe-XIXe siècle</em></span></a><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">, organizado por Francisco Bethencourt e por mim, e publicado pela editora Maisonneuve et Larose (Paris).<br /><br />O Sumário é o seguinte :<br /><br /><span style="font-size:85%;">INTRODUCTION . .. . . . .. . . . . . . .7 </span></span><br /><span style="font-family:georgia;color:#333333;"></span><br /><span style="font-family:georgia;color:#333333;"><span style="font-size:85%;">LA DIMENSION DIPLOMATIQUE DE L’IMPÉRIALISME EUROPÉEN<br />Lucien Bély, Université de Paris IV-Sorbonne . . . . . . . . . . . . . . . . . . .15<br /><br />INTERACTIONS LUSO-NÉERLANDAISES EN EUROPE ET EN ASIE (1580-1663) Ernst van Veen, Université de Leyde . . . .. . . . . . . . . . . . . .41<br /><br />COLBERT ET L’EMPIRE PORTUGAIS D’ASIE (1669-1670)<br />Philippe Haudrère, Université d’Angers .. . . . . . . .69<br /><br />STRATÉGIES D’APPROPRIATION DES PORTS DE L’ESTADO DA ÍNDIA PAR LES COMPAGNIES BRITANNIQUE ET FRANÇAISE (1661-1813)<br />Ernestine Carreira, Université de Provence . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .79<br /><br />PORTUGAIS ET OTTOMANS AU XVIe SIÈCLE<br />Gilles Veinstein, Collège de France / ÉHÉSS, Paris . . . . . . . . . . .121<br /><br />MACAO ENTRE LA CHINE ET L’ASIE MARITIME : CYCLES D’ÉCONOMIE<br />Roderich Ptak, Université de Munich . . . . . . . . . . . . .137<br /><br />LES DESCRIPTIONS QUI FÂCHENT. LA RELACIÓN DU JÉSUITE ADRIANO<br />DE LAS CORTES EN CHINE (1626) ET LE DÉNI DE LA COMPAGNIE<br />Pascale Girard, Université de Marne-la-Vallée .. . . . . . . . . . . . . .167<br /><br />LA COGESTION LUSITANIENNE ET LUSO-BRÉSILIENNE DE L’EMPIRE<br />PORTUGAIS DANS L’ATLANTIQUE SUD<br />Luiz Felipe de Alencastro, Université de Paris IV-Sorbonne . . . . . . . . . . .185<br /><br />IDÉOLOGIES IMPÉRIALES EN AFRIQUE OCCIDENTALE AU DÉBUT DU<br />XVIIe SIÈCLE<br />Diogo Ramada Curto, Institut Universitaire Européen de Florence . . . . . . .203<br /><br />LES RELATIONS DES PORTUGAIS AVEC L’« EMPIRE » DE MONOMOTAPA<br />(1506-1695) Malyn Newitt, King’s College London . . . . . . . . . . . .249<br /><br />LES ÉLITES DE LA MONARCHIE CATHOLIQUE AU CARREFOUR DES<br />EMPIRES (FIN XVIe-DÉBUT XVIIe SIÈCLE)<br />Serge Gruzinski, Centre National de la Recherche Scientifique /ÉHÉSS. . . .273<br /><br />CULTURES ORGANISATIONNELLES DES EMPIRES EUROPÉENS<br />Francisco Bethencourt, King’s College London . . . . . . . . . . .289</span><br /></span>luiz felipe de alencastrohttp://www.blogger.com/profile/17830914206423486018noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-2597072372803984485.post-64163530762711523032008-01-10T14:12:00.000+01:002008-01-10T14:28:05.196+01:00Ditadura é Ditadura<div align="center"><a href="http://bp0.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/R4YcOOrsH_I/AAAAAAAAAi4/tuNadZqm4bo/s1600-h/bacon.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5153837854357200882" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/R4YcOOrsH_I/AAAAAAAAAi4/tuNadZqm4bo/s400/bacon.jpg" border="0" /></a> Francis Bacon, <em>Autoportrait</em>, 1976, <a href="http://web.artprice.com/classifieds/fineart/list.aspx?source=artist&sh=0&idartist=MTA1NDc0NDAyOTg3ODk="><span style="color:#006600;">JSC Gallery</span></a></div><div align="center"><br /></div><div align="left"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">No 'Painel do Leitor' da <em>Folha de São Paulo</em> de 08/01/2008 saiu uma carta em que comento a coluna de Elio Gaspari, publicada na mesma <em>Folha </em>do dia 06/01/2008. Para quem não tem acesso ao UOL, segue abaixo o texto da carta.<br /><br />"É a segunda vez que Elio Gaspari (6/1, pág. A10) escreve sobre a história de um irmão do marechal Castello Branco, demitido da Receita Federal porque o então ditador-presidente não gostou que ele tivesse sido presenteado com um carro por seus colegas de repartição pública. Ora, a torpeza dos regimes autoritários não depende da maior ou menor propensão dos ditadores ao roubo e à pilhagem dos bens nacionais. Salazar, opressor de Portugal, Angola e Moçambique, não enriqueceu nos seus 40 anos de ditadura. No que nos concerne, Castello Branco comandou um golpe de Estado que instalou a pior ditadura que o Brasil conheceu nos seus quase dois séculos de nação independente. É um grande disparate apresentá-lo como um estadista e um exemplo de moralidade pública." </span></div>luiz felipe de alencastrohttp://www.blogger.com/profile/17830914206423486018noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-2597072372803984485.post-69698035159065546792008-01-08T22:22:00.000+01:002008-01-08T23:09:51.139+01:00Sobre maio 1968<div align="center"><a href="http://bp3.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/R4PrGursH-I/AAAAAAAAAiw/ZBhRjoTREBM/s1600-h/THE_SENSORIUM.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5153220899484999650" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/R4PrGursH-I/AAAAAAAAAiw/ZBhRjoTREBM/s400/THE_SENSORIUM.jpg" border="0" /></a> <a href="http://www.pbs.org/art21/artists/ford/index.html"><span style="color:#666600;">Walton Ford</span></a> <em>The Sensorium</em>, 2003, Cortesia da Paul Kasmin Gallery</div><div align="center"><br /><div align="left"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">Já escrevi e falei sobre o movimento de maio de 1968. Como disse na entrevista a Ricardo Musse publicada pela Folha em 1998, eu estava em Paris e </span><a href="http://www2.uol.com.br/JC/_1998/1005/br1005e.htm"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#006600;"><em>entendi tudo errado</em></span></a><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;"><span style="color:#006600;"><em> </em></span>(há uma gralha no texto da reportagem: eu cheguei na França em 1966 e não em 1996). Também já disse aqui mesmo, no ano passado, que tô fora do </span><a href="http://sequenciasparisienses.blogspot.com/2007/05/vai-com-maio-ou-sem-maio.html"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#006600;"><em>narcisismo geracional meia-oiteiro</em></span></a><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">.<br />Há duas semanas, o jornalista Amauri Barnabe Segalla, da revista Época, pediu-me uma entrevista sobre 1968. A reportagem saída agora na </span><a href="http://www2.pv.org.br/noticia.kmf?noticia=6839159&canal=253&total=15901&indice=0"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#006600;"><em>revista</em></span></a><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;"> cortou minhas respostas, aumentando a confusão entre o sentido das manifestações do 1968 brasileiro, onde havia a ditadura, e o sentido dos movimentos de 1968 dos EUA e da Europa Ocidental.<br />Por isso, retomo aqui o texto integral de minha entrevista à <em>Época</em><br /><br />- Que legado os movimentos de 1968 deixaram para o mundo de hoje?</span></div><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;"><div align="left"><br />R. O historiador Fernand Braudel fala do período histórico chamado “longo século XVI”, cujas mudanças começam antes de 1500 e terminam bem mais tarde, em meados do século XVII. Penso que que há também um “longo 1968” que começa antes de 1968 nos Estados Unidos com as primeiras manifestações contra a guerra do Vietnã e com o Black Power, com as manifestações estudantís lideradas por Rudi Dutschke na Alemanha, e a Internacional Situacionista de Guy Debord, na França. Da mesma forma, as consequências políticas e culturais do movimento de 1968 adentram pelas décadas de 1970 e 1980.<br /><br /> -Há quem diga que as principais mudanças não aconteceram nas ruas, mas dentro de casa, nos valores. A vida social tornou-se mais tolerante. Por exemplo: a divisão de papéis entre homens e mulheres foi recalculada. Os pais perderam a autoridade sobre os filhos. Você concorda que a única herança é de caráter social?</div><div align="left"><br />R. – É verdade que as mudanças culturais foram importantes. Mas as mudanças políticas também foram. Nos Estados Unidos, a guerra do Vietnã terminou em 1975 (mesmo se o país retomou guerras de agressão mais tarde), o regime de quase apartheid que mantinha os negros americanos numa situação de infra-cidadania foi desmantelado. Agora até Bush venera Martin Luther King. Na Alemanha, o Partido Verde é herdeiro direto do movimento dos sixties. O tema da ecologia tornou-se uma reinvidicação universal e agora é encampado pela ONU e o direito internacional.<br /><br />Como seria o mundo hoje se a juventude, e não a repressão, tivesse vencido?-<br /></div><br /><div align="left">R. Na França não houve repressão propriamente dita. Apesar das batalhas de rua do mês de maio, a polícia nunca atirou nos estudantes. Como noutros lugares, o movimento lançava reinvidicações e protestos, mas não planejava tomar o poder ou transformar-se em governo porque sabia que era minoritário eleitoralmente. Na América Latina era diferente porque havia ditaduras em toda a parte. No México, houve em outubro de 1968 o “massacre de Tlatelolco” onde mais de 300 estudantes e manifestantes foram assassinados pelo Exército. Isso relativizou as coisas e escancarou a truculência da direita latino-americana.<br /><br />- Afinal, 1968 transformou o mundo?</div><div align="left"><br />R. Acho que as correntes políticas e culturais desta época mudaram as sociedades contemporâneas. Todas as manifestações anti-autoritárias de massa dos anos seguintes - no Chile em 1973, em Portugal em 1974, no Brasil em 1984 (as Diretas Já!), na China em 1989 – filiam-se ao movimento de 1968.<br /><br />Por que hoje nenhum movimento é capaz de mobilizar os jovens como antigamente? </div><div align="left"><br />R. Não é bem assim. Na Sorbonne, em Paris, na França, sempre há manifestações estudantís e sindicais. Faz parte da cultura política do país. Há no mundo todo um sentimento pacifista que também saiu de 1968. Na Inglaterra e na Espanha houve nos últimos anos manifestações de massa importantes, contra a invasão do Iraque, que acabaram por derrubar Tony Blair e Aznar. </span></div></div>luiz felipe de alencastrohttp://www.blogger.com/profile/17830914206423486018noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-2597072372803984485.post-32553476605547756282007-12-04T07:37:00.000+01:002007-12-04T22:52:28.556+01:00O IPEA de ontem e de hoje<span style="font-size:130%;color:#333333;"></span><a href="http://bp2.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/R1T2VPDUdmI/AAAAAAAAAic/TZo9kTc75tA/s1600-R/image36sm.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5140003919414720098" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/R1T2VPDUdmI/AAAAAAAAAic/msxzpJagR88/s400/image36sm.jpg" border="0" /></a><span style="font-size:85%;"> </span><a href="http://www.pbs.org/art21/artists/hawkinson/"><span style="font-size:85%;color:#006600;">Tim Hawkinson</span></a><span style="font-size:85%;">, <em>Emotor</em> (detalhe), 2001, Coleção particular, Courtesy </span><a href="http://www.acegallery.net/live.php"><span style="font-size:85%;color:#006600;">Ace Gallery</span></a><span style="font-size:85%;">, Los Angeles</span><br /><br /><div><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">A polêmica sobre as demissões no Ipea envolve vários problemas. Conheço Márcio Pochman, meu colega durante anos no Instituto de Economia da UNICAMP. É um economista sério e competente, que nunca foi sectário. Creio que muitos de meus colegas da UNICAMP compartilham esta opinião. As acusações de que ele estaria fazendo um “expurgo” no Ipea me parecem injustas. Os motivos levando à rescisão ou ao questionamento dos contratos de alguns economistas do Ipea tem fundamentos jurídicos ou administrativos que não foram -, aparentemente -, contestados pelos próprios interessados. No entanto, na sua coluna na Folha, José Alexandre Scheinkman sugere que a equipe de Paes e Barros, o PB, estaria sendo perseguida. Caso isto se confirme, trata-se de algo mais grave. Penso que PB e Pochman deveriam esclarecer este assunto.<br />No meio da polêmica veio uma declaração de Delfim Netto que também merece comentário: “Nunca houve censura de nenhuma natureza no Ipea. No período da ditadura, eles atacavam a ditadura à vontade e ainda recebiam aumento de salário. O que espero é que não haja nenhuma censura à pesquisa acadêmica que o Ipea tem produzido” (<em>Folha</em> de 15/11/2007). </span></div><div><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">Fica parecendo, sobretudo para os leitores mais jovens, que a ditadura respeitava opiniões divergentes, não sendo tão ditadura assim (“até recebiam aumento de salário”). Mesmo vazada em tom cínico, a afirmação foi retomada tal qual, sem nuances, por outros jornais e vários blogs.<br />Ora, a ditadura – da qual Delfim Netto foi um dos pilares e continua sendo um <a href="http://sequenciasparisienses.blogspot.com/2006/12/saiu-hoje-na-folha-de-so-paulo-um.html"><em><span style="color:#006600;">obstinado defensor</span></em></a> - era uma ditadura. Expurgava o Brasil inteiro. Matava, torturava, estropiava, reprimia, censurava e cassava os direitos políticos de quem queria, quando queria. Para ficar só no quadro das personalidades mais conhecidas, lembro os economistas punidos pela ditadura por puro delito de opinião: Paulo Singer, Maria Conceição Tavares, prêsos, ameaçados e humilhados. Chico Oliveira, prêso e torturado, Celso Furtado e José Serra, exilados com seus direitos políticos cassados e perseguidos fora do Brasil pela sanha de diplomatas-meganhas. </span></div><div><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">Pochman parece ter esquecido disso quando convidou Delfim Netto para fazer parte do Conselho do Ipea. </span></div>luiz felipe de alencastrohttp://www.blogger.com/profile/17830914206423486018noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-2597072372803984485.post-61747081986537888652007-12-03T22:17:00.000+01:002007-12-05T13:29:45.327+01:00TV BRASIL<a href="http://bp2.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/R1RzSPDUdlI/AAAAAAAAAiU/2cSOODIFCXQ/s1600-R/lrg_cover2.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5139859831851873874" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/R1RzSPDUdlI/AAAAAAAAAiU/vMyOZeAjzSE/s400/lrg_cover2.jpg" border="0" /></a><br /><div><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">Outro dia houve um filme na TV sobre Marchais, o líder do PCF na época da União de Esquerda PS-PC. Marchais mexia os olhos o tempo todo e desorientava seus interlocutores, ganhando sempre os debates na TV e afundando cada vez mais o PCF: sucesso na TV e desastre nas urnas. </span></div><div><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">Mitterrand piscava bastante e também desorientava, quando queria, seus interlocutores. Num encontro dele com Miguel Arraes, eu fui acompanhando Miguel. Foi em 1980. Mitterrand, estava meio isolado e a mídia de esquerda preferia Michel Roccard como candidato da esquerda contra Giscard d’Estaing. Ele demonstrou bastante afeto por Miguel. Jacques Attali também estava no encontro e foi brilhante. Disse uma coisa que me impressionou (estávamos em 1980!): as grandes cidades da América Latina e da África – México, São Paulo, Lagos - vão escapar ao contrôle das autoridades públicas e virar amplos espaços urbanos de não-Direito. </span></div><div><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">Hoje, na <a href="http://www.arte.tv/fr/70.html"><em><span style="color:#006600;">ARTE</span></em></a>, vi « Le Promeneur du Champ-de-Mars », filme de Robert Guédguian (marselhês ex e filo comunista) sobre Mitterrand, com o grande Michel Bouquet no papel de Mitterrand. Há toda uma noitada (filme + documentário) na ARTE sobre Mitterrand.<br />Fico pasmo que no debate sobre a TV Brasil sejam evocadas a BBC, a PBS (TV Pública dos EUA) e do Canal 7 (TV Pública argentina) e nem uma palavra é dita sobre a TV Pública de Cultura e de News franco-alemã ARTE, sucesso absoluto há 25 anos na Europa inteira (ARTE tem convênio com a BBC a<br />RAI e associa TV públicas de 10 países europeus). No caso da TV Brasil, compara-se seu pequeno orçamento com o enorme orçamento da BBC. Grande absurdo! A BBC cobre dezenas de países do </span><a href="http://fr.wikipedia.org/wiki/Commonwealth"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#006600;"><em>Commonwealth</em></span></a><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;"> e usa a língua mais falada do mundo. Nada a ver com o escopo da TV Brasil.<br /></div></span>luiz felipe de alencastrohttp://www.blogger.com/profile/17830914206423486018noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-2597072372803984485.post-40873502448020373432007-11-07T09:11:00.000+01:002007-11-07T18:21:31.932+01:00OS MASSACRES DE 1937<a href="http://bp0.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/RzFzwVNUb3I/AAAAAAAAAiM/SNmblIBCc0o/s1600-h/0-587-03056-9-L~Long-Live-Stalin-Great-Architect-of-Communism-Posters.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5130008724715630450" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/RzFzwVNUb3I/AAAAAAAAAiM/SNmblIBCc0o/s400/0-587-03056-9-L~Long-Live-Stalin-Great-Architect-of-Communism-Posters.jpg" border="0" /></a><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">Como já escrevi <a href="http://sequenciasparisienses.blogspot.com/2007/10/rssia-e-brasil.html"><em><span style="color:#006600;">abaixo</span></em></a>, não tenho a menor simpatia por Putin. Todos os democratas da Rússia, Oropa e Bahia têm mêdo do autoritarismo deste ex-meganha do KGB. Mêdo que ele feche ainda mais o frágil sistema político russo. Mas, na semana passada, o homem prestou um serviço relevante ao seu país e à democracia. Homenageava-se as milhares vítimas dos massacres perpetrados em 1937 por Stalin. Num discurso em Butovo, perto de Moscou, onde milhares de pessoas – camponeses, operários, intelectuais, donas de casa – foram fuziladas, Putin lembrou as vítimas e afirmou que estas tragédias acontecem quando “idéias ostentivamente atrativas mas vazias são postas acima de valores fundamentais, valores da vida humana, de direitos e de liberdade”. O New York Times fez um editorial sobre o assunto, retomado no </span><a href="http://www.iht.com/articles/2007/11/02/opinion/edrussia.php"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#006600;"><em>Herald Tribune</em></span></a><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">. Outros jornais também falaram nisso.<br />No Brasil este tipo de notícia não atrai a atenção de nenhum editorialista. A propósito, lembro-me de ter visto num canal brasileiro uma longa entrevista de Prestes. De 1931 a 1934, ele vivia na URSS e trabalhava lá como engenheiro. No meio da entrevista ele disse que o período – que desembocaria nos grandes massacres de 1937-1938 - era complicado porque havia “muita sabotagem” nas obras feitas na URSS. Putizgrila! “Muita sabotagem” era precisamente o termo usado por Stalin e sua polícia para justificar matanças pelo país afora. A coisa era assim: uma equipe de engenheiros e operários fazia uma ponte com prazo marcadinho para acabar, mas não havia cimento na quantidade certa. Com mêdo de ir para o Gulag, os caras terminavam a ponte de qualquer jeito. Aí, quando ela rachava, todo mundo era fuzilado sob a acusação de “sabotagem”. Prestes falou em “sabotagens” na maior cara limpa e o entrevistador (não me lembro quem era) nem piou. A entrevista continua passando nos canais aí no Brasil. A moçada e os velhos desinformados engolem numa boa a mentira criminosa de Prestes e a omissão inepta do entrevistador.<br />O cartaz acima é tirado do blog do jovem russo </span><a href="http://sovietposter.blogspot.com/"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#006600;"><em>Alexander Zakharov</em></span></a><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">, onde há uma grande coleção de cartazes da URSS. Tirei a informação do </span><a href="http://www.lemonde.fr/web/article/0,1-0@2-3214,36-974943@51-974755,0.html"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#006600;"><em>Le Monde</em></span></a><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">. </span>luiz felipe de alencastrohttp://www.blogger.com/profile/17830914206423486018noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-2597072372803984485.post-80222504918841299562007-11-01T20:37:00.000+01:002007-11-04T17:41:10.475+01:00Paredes de Abu Dhabi<a href="http://bp1.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/Ry31vlNUb2I/AAAAAAAAAiE/g5Ak0PRw42M/s1600-h/abu.bmp"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5129025748435496802" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/Ry31vlNUb2I/AAAAAAAAAiE/g5Ak0PRw42M/s400/abu.bmp" border="0" /></a> <span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;"><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Abu_Dhabi"><em><span style="color:#006600;">Abu Dhabi</span></em></a> é o principal emirado (Dubai é o segundo mais importante) da confederação formada pelos Emirados Árabes Unidos (EAU). A região é fascinante.<br />Os EAU se apresentam como um caso único na História por causa de seus três quatro: têm 4% do petróleo mundial, cerca de 400.000 habitantes nativos e 4 milhões de estrangeiros, segundo algumas estimativas.<br />A <a href="http://www.paris-sorbonne-abudhabi.ae/index.htm"><em><span style="color:#006600;">Sorbonne</span></em></a> tem agora um campus em Abu Dhabi (o <a href="http://www.lefigaro.fr/culture/20070306.FIG000000144_louvre_abu_dhabi_signature_aujourd_hui.html"><em><span style="color:#006600;">Louvre</span></em></a> também terá um museu na cidade, num belo projeto de Jean Nouvel). Como outros colegas, vim dar aula aqui durante duas semanas.<br />Não há registro histórico de um país que tenha conhecido uma ascensão econômica tão fulgurante num período tão curto. Nos anos 1950, não havia carros, nem hospital, nem escola em todo o emirado de Abu Dhabi. Os beduínos viviam pobremente no deserto, em torno de Al Aïn e outros oásis. Na ilha de Abu Dhabi, que deu o nome ao emirado, sobreviviam descendentes dos pescadores de pérolas que se arruinaram no começo do século XX, quando os japoneses começaram a produzir pérolas cultivadas.<br />Agora, os Emirados vivem na opulência e formam uma nação onde os estrangeiros – indianos, paquistaneses, cingaleses, nepaleses, iranianos, filipinos -, são dez vezes mais numerosos que os nacionais. Há povos e governos que surtam - mostrando a face mais abjeta do racismo - quando a porcentagem de imigrantes bate nos 10% da população nacional. </span><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">Há gente no Brasil que se impressiona com o fato de São Paulo ter contado, nos anos 1930, com um terço da população que falava italiano. Hoje, nos Emirados, existe mais gente falando híndi e urdu do que árabe. A convivência de tantas comunidades numa sociedade em mutação constante impressiona e constitui um importante trunfo político e cultural para Abu Dhabi e os Emirados.</span><br /><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">Alguns lados de Abu Dhabi, e de Al Aïn, no interior do deserto, na fronteira com Omã, se parecem com Brasília no começo dos anos 1960. Guindastes e prédios em construção em toda a parte. Mas o andamento das coisas daqui tem outra dimensão. A maior mesquita do mundo, com um belo perfil arquitetônico, está sendo concluída em Abu Dhabi. Em Dubai, se constrói a maior torre do mundo no meio de muitos prédios recém levantados. A impressão que se tem é a de que estão querendo construir outra Manhattan em 10 anos.</span><br /><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">Embora mais liberais que outros países árabes, nem Abu Dhabi, nem os Emirados em geral, respondem ainda às regras fundamentais que regem as sociedades democráticas. </span><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">A questão que se coloca aqui é a mesma que concerne, <em>mutatis mutandis,</em> a reflexão recente de Howard French sobre a <a href="http://www.iht.com/articles/2007/11/02/asia/letter.php"><em><span style="color:#006600;">China</span></em></a>: há um novo paradigma político no século XXI? os países podem crescer rápidamente, constantemente, engendrando sociedades cada vez mais complexas sem plena democracia? </span><br /><div><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;"><br />P.S. - <em>Estou migrando meu blog para o </em><a href="http://sequenciasparisienses.blog.uol.com.br/"><span style="color:#006600;"><em>UOL</em></span></a><em>. Onde colaboro no UOLNews. A ferramenta é diferente: deu para levar os meus posts, mas não os comentários dos leitores. Durante algum tempo ficarei postando nos dois lugares. </em></span></div>luiz felipe de alencastrohttp://www.blogger.com/profile/17830914206423486018noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-2597072372803984485.post-71733715849290543832007-10-17T05:04:00.001+01:002007-10-17T05:09:09.350+01:00Livro<a href="http://bp0.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/RxWKqAFFwPI/AAAAAAAAAh0/K1Oq_xECFZk/s1600-h/414ZCVYGHEL__SS500_.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5122152605384294642" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/RxWKqAFFwPI/AAAAAAAAAh0/K1Oq_xECFZk/s400/414ZCVYGHEL__SS500_.jpg" border="0" /></a><br /><div><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">Vim à Londres para o lançamento deste </span><a href="http://www.cambridge.org/uk/catalogue/catalogue.asp?isbn=9780521608916&ss=fro"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#006600;"><em>livro</em></span></a><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;"> sobre o império português, do qual participei. É o resultado de um seminário iniciado em 1998 na John Carter Brown Library, em Providence, R. I. O objetivo da obra é o de atualizar, para os leitores anglo-saxões, a historiografia sobre a expansão oceânica portuguesa, de 1400 a 1800.</span></div>luiz felipe de alencastrohttp://www.blogger.com/profile/17830914206423486018noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-2597072372803984485.post-75560512209395267882007-10-17T04:44:00.000+01:002007-10-17T13:04:41.964+01:00Nos Trilhos<a href="http://bp1.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/RxWH2QFFwNI/AAAAAAAAAho/05TnU3goDLI/s1600-h/radio_tube_train.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5122149517302808786" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/RxWH2QFFwNI/AAAAAAAAAho/05TnU3goDLI/s400/radio_tube_train.jpg" border="0" /></a><br /><div align="center"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;"></span></div><br /><div><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">No <em>Eurostar</em>, logo na saída de Waterloo Station, o alto-falante anuncia que, a partir de 14 de novembro, haverá uma nova estação em Saint-Pacras. É em Bloomsbury, o Quartier Latin de Londres. De lambuja, a viagem Paris-Londres ficará 20 minutos mais curta. Será que intelectuais e os ingleses em geral vão se aproximar mais dos franceses? Duvido, No way : a tchurma em Londres continua se espelhando muito mais nos EUA. Começou durante a Segunda Guerra e continua pelo século XXI adentro.<br />Um colega que me ajudou muito na Faculdade e se aposentou neste ano, um cavalheiro e um erudito, contou-me que na Guerra de Independência dos EUA houve uma reunião em Versalhes, onde Luís XVI assuntou, procurando saber se valia a pena ajudar militarmente os americanos. Parte de seus conselheiros achou que sim: era, indiretamente, a revanche dos franceses sobre a derrota sofrida na Guerra de Sete Anos (1756-1763) que resultou na perda do Canadá para os ingleses. Mas outros conselheiros acharam que não: para eles, os americanos, protestantes e anglo-saxões, ficariam sempre do lado dos ingleses nos conflitos na Europa e no mundo. A história provou que estes últimos tinham razão.<br />E o Commonwealth cresce, até para onde não se espera: Moçambique está incluído no guia da Universidade de Londres sobre os países das universidades do Commonwealth. A França também costuma incluir Cabo-Verde entre os países da francofonia.<br /><br />No hotel em que fiquei em Bloomsbury (Tavistock Hotel, velhinho simpático, com ambientes de Agatha Christie; o problema são as tomadas; é igual no Ouro Verde, em Copacabana, ou no Everest, em Porto Alegre, onde gosto de ficar: nos hotéis velhinhos simpáticos as tomadas estão atrás dos armários: tem Wi-Fi, mas o notebook tem que ficar com você pendurado na beirada da cama, ligado numa tomada na outra ponta do quarto) – e no trem onde estou agora, lí toda quase toda a imprensa inglesa.<br /><br />No Eurostar há muitas revistas e jornais de graça. Nos bares e café de Londres, muito mais que em Paris, há bastante jornais de graça. Nos lugares supostamente trendy (na onda), a imprensa tradicional dá de barato que entregar de graça é uma boa estratégia para travar a concorrência dos jornais gratuitos. Não acredito nisso. Sou adepto da doutrina do <em>Le Monde</em>: o leitor tem que pagar o jornal para sentir que ele é coisa sua. Há algum tempo, o <em>Le Monde</em> tinha um princípio que não sei se ainda continua em vigor: a publicidade do jornal nunca podia ultrapassar 50% do seu preço. Ou seja: o leitor tem que pagar ao menos a metade do custo do jornal que está lendo.<br /><br />O <em>Economist</em>, sempre bem escrito, sempre interessante, cobre muito bem a China. No último número há uma reportagem sugestiva: a parte da massa salarial no PIB chinês está caindo firme. Escorregou de 53% em 1998 para 41% em 2005 e continuou caindo em 2006. Nos EUA, onde, como se sabe, o governo não é comunista, a massa salarial representou 56% do PIB em 2005. Conclusão do </span><a href="http://www.economist.com/finance/displaystory.cfm?story_id=9944703"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#006600;"><em>Economist</em></span></a><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">: o arrôcho salarial está comprometendo a evolução da economia chinesa e isso pode atrapalhar o resto do mundo: está faltando luta de classes no milagre chinês.<br /><br />P.S. - Estou migrando meu blog para o </span><a href="http://sequenciasparisienses.blog.uol.com.br/"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#006600;"><em>UOL</em></span></a><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">. Onde colaboro no UOLNews. A ferramenta é diferente: deu para levar os meus posts, mas não os comentários dos leitores. Durante algum tempo ficarei postando nos dois lugares.</span></div>luiz felipe de alencastrohttp://www.blogger.com/profile/17830914206423486018noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-2597072372803984485.post-56835394344232374762007-10-07T21:45:00.000+01:002007-10-09T16:34:18.998+01:00A tara da discriminação<div align="center"><a href="http://bp2.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/RwlGlgFFwMI/AAAAAAAAAhg/ax4qCtjr9kU/s1600-h/MeduseCaravage1.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5118700061563666626" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/RwlGlgFFwMI/AAAAAAAAAhg/ax4qCtjr9kU/s400/MeduseCaravage1.jpg" border="0" /></a> <a title="Michelangelo Merisi da Caravaggio" href="http://it.wikipedia.org/wiki/Michelangelo_Merisi_da_Caravaggio"><span style="color:#006600;">Caravaggio</span></a>, <em>Medusa</em>, 1598, <a title="Galleria degli Uffizi" href="http://it.wikipedia.org/wiki/Galleria_degli_Uffizi"><span style="color:#006600;">Galleria degli Uffizi</span></a>, Florença. </div><div align="center"><br /><div align="justify"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">Escrevo de supetão depois de ler as </span><a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0710200717.htm"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#006600;"><em>três</em></span></a><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;"> </span><a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0710200720.htm"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#006600;"><em>matérias</em></span></a><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;"> da </span><a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0710200719.htm"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#006600;"><em>Folha</em></span></a><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;"> de hoje sobre os jovens entre 16 e 18 anos que hesitam em se tornar eleitores. O TSE lançará campanha para mobilizá-los. Como declarou o presidente do TSE, ministro Marco Aurélio Mello, “...a apatia não conduz a nada. O que nós precisamos é de perseverar e procurar a correção de rumos. E a forma de se corrigir rumos é participando ativamente, fazer uma revolução pelo voto, bem escolhendo aqueles candidatos que devem nos representar nos diversos cargos”. </span></div><div align="justify"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">Belas palavras. Mas nem o ministro, nem a propaganda do TSE, nem os jornalistas da <em>Folha</em> se lembraram do outro lado do problema: a </span><a href="http://www6.senado.gov.br/con1988/CON1988_05.10.1988/CON1988.htm"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#006600;"><em>Constituição</em></span></a><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;"> deu o direito facultativo de voto aos jovens entre 16 e 18 anos, <em>mas também aos analfabetos</em> [art.14° § 1, a) e c), da Const.].<br />Sucede que os últimos dados do </span><a href="http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/condicaodevida/indicadoresminimos/sinteseindicsociais2006/indic_sociais2006.pdf"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#006600;"><em>IBGE</em></span></a><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#333333;">, datando de 2005, mostram um contingente de 14,9 milhões de pessoas com 15 anos ou mais analfabetas no país. É muita gente, gente! Quando se verifica o critério da cor aparece de novo a tara da discriminação racial. Cito o relatório do IBGE “a taxa de analfabetismo de pretos (14,6%) e de pardos (15,6%) continua sendo em 2005 mais de o dobro que a de brancos (7,0%)”. Noutro <a href="http://sequenciasparisienses.blogspot.com/2007/02/iii-passado-e-futuro.html"><span style="color:#006600;"><em>post</em></span></a> me referi ao fato que a proibição de voto dos analfabetos constituiu um fator importante de exclusão da população negra da vida política brasileira. .<br />Ora, desde o início, a propaganda do TSE e da mídia tem procurado incitar os jovens de 16 a 18 anos incompletos a se tornarem eleitores. Mas não há notícia de propaganda similar dirigida aos analfabetos em geral, ou de medidas específicas para facilitar-lhes a obtenção do título de eleitor. Lembro-me de uma notícia ouvida no final de 1988 ou começo de 1989, antes da primeira presidencial direta, dizendo mais ou menos isso: “ a jovem Adriana Rezek, de 16 anos, filha do ministro Francisco Rezek (então presidente do TSE), foi uma das primeiras a obter seu título de eleitora, etc...”. (a moça se chamava Adriana, mas não estou seguro se tinha 16 ou 17 anos). Lembro também da reflexão que fiz então no Cebrap, ou escrevi alhures: ‘que tal prevenir dona Maria de Tal, empregada doméstica há 40 anos, negra e analfabeta, que ela também pode ser eleitora e festejar a obtenção de seu título eleitoral’?<br />Na época, aparecia na TV, na propaganda do TSE, um jovem surfista dizendo algo do gênero: “ e aí garotão, não vai tirar seu título eleitoral?”<br />Nada mudou de lá para cá. Fala-se sempre dos jovens (leia-se: jovens de classe média) que podem obter título de eleitor aos 16 anos e jamais dos analfabetos adultos que também têm este mesmo direito. O PT nunca se mexeu para mudar isso. O Movimento Negro nunca se mobilizou para mudar isso. A imprensa e a mídia deram pouca ou nenhuma notícia sobre o assunto, e os tribunais eleitorais continuam insensíveis ao tema.<br />Não há preconceito de classe? Não há preconceito de raça no Brasil? Então tá! </span></div><div align="justify"></div><div align="justify"><em><span style="font-size:130%;color:#333333;">P.S. - Estou migrando meu blog para o </span></em><a href="http://sequenciasparisienses.blog.uol.com.br/"><em><span style="font-size:130%;color:#006600;">UOL</span></em></a><em><span style="font-size:130%;color:#333333;">. Onde colaboro no UOLNews. A ferramenta é diferente: deu para levar os meus posts, mas não os comentários dos leitores. Durante algum tempo ficarei postando nos dois lugares.</span></em></div></div>luiz felipe de alencastrohttp://www.blogger.com/profile/17830914206423486018noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-2597072372803984485.post-9471691003202615162007-10-04T18:52:00.001+01:002007-10-05T12:38:24.943+01:00Coisas Vistas II<a href="http://bp3.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/RwUqkwFFwLI/AAAAAAAAAhY/klJ1hPL_aLc/s1600-h/cacilda.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5117543362446344370" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_UwIbNgGNbBY/RwUqkwFFwLI/AAAAAAAAAhY/klJ1hPL_aLc/s400/cacilda.jpg" border="0" /></a><br /><div><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#666666;">Alinho de maneira aleatória algumas notas escritas durante a viagem pelo Brasil.<br /></span></div><br /><div><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#666666;">A carpete do anexo do aeroporto Santos Dumont, inaugurado há alguns meses, já está rota como um tapete de bordel. As paredes externas da parte recentemente reformada de Congonhas parecem ter mais de cem anos. Não dá para entender a falta de cuidado.<br />∫∫∫∫∫∫∫∫∫∫∫∫∫∫∫∫∫∫∫∫<br />Andei bastante no metrô de SP e do Rio. Em geral, me parecem limpos, rápidos e seguros. É verdade que outro dia um passageiro foi assaltado e levou um tiro na saída da estação Trianon-Masp, em SP. Mas ele já estava fora do metrô. Talvez seja esta violência extramuros que torna o metrô brasileiro seguro. Explico-me: como os roubos são quase sempre à mão armada e podem gerar tiroteio (com a polícia, com os seguranças e com eventuais passageiros armados), o risco assumido por qualquer ladrão dentro do metrô é muito elevado. O vulgar batedor de carteira, o pickpocket – encontradiço nos metrôs de Paris, Londres e Nova York - cuja maneira de agir baseia-se na na discrição absoluta, segue um método absolutamente incompatível com a estrepitosa violência urbana brasileira (veja-se a crítica de Roberto Ribeiro ao célebre filme </span><a href="http://cineplayers.com/critica.php?id=486"><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#006600;"><em>Pickpocket</em></span></a><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#666666;"> (1959), de Robert Bresson). Daí o fato de haver poucos roubos destes – comparando por exemplo com Paris – no metrô de SP e do Rio.<br />∫∫∫∫∫∫∫∫∫∫∫∫∫∫∫∫∫∫∫∫<br />A TV mostra publicidades do balacobaco. Há um anúncio de um grande banco estrangeiro espalhado pelo Brasil, alegando que um sujeito com cara de palerma, atendendo pelo nome de Beto, “se apaixonou pelo mercado financeiro” depois de utilizar os serviços do dito banco. Até quando vai passar esta pornografia no horário livre?<br />∫∫∫∫∫∫∫∫∫∫∫∫∫∫∫∫∫∫∫∫ </span></div><div><span style="font-size:130%;color:#666666;">Fiquei perplexo com a tarifas extorsivas e despropositadas cobradas no Brasil e, sobretudo, pelas taxas escandalosas do ‘roaming’ de um município para o outro. Hoje no <a href="http://www.iht.com/articles/2007/10/04/business/roam.php"><em><span style="color:#006600;">Herald Tribune</span></em></a> </span><span style="font-size:130%;color:#666666;">há uma matéria mostrando como a União Européia botou pra quebrar e forçou as companhias de celulares daqui a baixarem as tarifas de « roaming »</span></div><div>∫∫∫∫∫∫∫∫∫∫∫∫∫∫∫∫∫∫∫∫ </div><div><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#666666;">Canal Brasil é a melhor coisa que existe na TV brasileira. Sobretudo quando você está num apê frio numa praia no inverno. Vi coisas que gostaria de ter visto quando não morava mais no Brasil, outros filmes de que tinha ouvido falar e outros que nem conhecia. Vi, entre outros, </span><a href="http://www.adorocinemabrasileiro.com.br/filmes/floradas-na-serra/floradas-na-serra.asp"><em><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#006600;">Floradas da Serra</span></em></a><span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#666666;">,(1954) de Luciano Salce, com Jardel Filho e Cacilda Becker: é ruim, mas é bom. A jovem Cacilda Becker, visivelmente vestida e penteada para parecer com Katherine Hepburn, é de uma beleza estonteante. O filme se passa em Campos de Jordão, filmado como se fosse um resort europeu ou americano. Deve ser por isso que não aparece nenhum negro nos 100 minutos da película: nem mesmo como garçom ou engraxate. Os caras queriam, de qualquer jeito, fazer o Brasil parecer um país de brancos. Nos anos 50 esse tipo de tramóia ainda colava.</span></div><br /><div></div><div><span style="color:#999999;"><span style="font-size:130%;">P.S. - <em>Estou migrando meu blog para o </em></span></span><a href="http://sequenciasparisienses.blog.uol.com.br/"><em><span style="font-size:130%;color:#006600;">UOL</span></em></a><span style="font-size:130%;"><em><span style="color:#999999;">. Onde colaboro no UOLNews. A ferramenta é diferente: deu para levar os meus posts, mas não os comentários dos leitores. Durante algum tempo ficarei postando nos dois lugares</span></em>.</span></div>luiz felipe de alencastrohttp://www.blogger.com/profile/17830914206423486018noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-2597072372803984485.post-61763350858397884572007-10-03T01:10:00.000+01:00