tag:blogger.com,1999:blog-201186752009-07-01T17:44:56.859-07:00Causa::"Se me dizes que uma boa causa santifica uma guerra, eu lhe respondo: <b>uma boa guerra santifica qualquer causa</b>" (<i>Friederich Nietzche</i>)Bitthttp://www.blogger.com/profile/05469586261730431758noreply@blogger.comBlogger17125tag:blogger.com,1999:blog-20118675.post-49752666855092711252007-08-27T20:11:00.000-07:002007-08-27T21:45:03.729-07:00Um sistema de armas às terças Krupp Fliegendabwehrkanonne 8,8::<span style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" >Nosso símbolo sexual de hoje é um coroa, já quase chegando aos oitenta anos. Mesmo assim, ainda é um destruídor de corações. Senhoras e senhores, apresento-lhes um dos mais espetaculares, interessantes, atraentes sistemas de armas que vocês podem desejar...<br /><span style="font-size:85%;"><br />O </span><span style="font-style: italic;font-size:85%;" >Fliegendabwehrkanonne</span><span style="font-size:85%;"> 8,8 cm, mais conhecido entre as tropas da Wehrmacht como “<i style="">acht-acht</i>”, e entre os aliados como “88”, surgiu em 1928, como Flak 18, desenhado pelas Usinas Krupp, de Essen, na Alemanha. A origem dessa arma remonta à Guerra Franco-Prussiana de 1870. Durante o sítio de Paris, os franceses lançaram mão de alguns balões aerostáticos para observação do movimento das tropas prussianas. O exército imperial solicitou às Usinas Krupp que providenciassem uma arma eficaz contra o equipamento francês, e o resultado foi o BAK 37 (de <i style="">Balone Abwehrkanonne</i>, “canhão de defesa contra balões”). Tratava-se de uma peça de campanha de 3,7 cm que, perdendo as rodas e ganhando traves de madeira, era montada em uma carroça, num reparo que permitia uma elevação de aproximadamente 60 graus. Esse modelo continuou em atividade após o fim das hostilidades. <o:p></o:p></span></span> <p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" >Em 1909, quando começaram a ser introduzidas na Alemanha as primeiras aeronaves de uso militar, o exército observou que, a uma altura de mais de 2500 metros (teto máximo das aeronaves daquela época), tanto o BAK 37 quanto as metralhadoras usando o cartucho IS 7,92 mm eram totalmente ineficazes. Entretanto, aquela altura, as aeronaves não eram consideradas ameaça, de modo que, no início da Primeira Guerra Mundial, o exército alemão não dispunha de nenhuma arma genuinamente anti-aérea. <o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" >O desenvolvimento da aviação, durante a Grande Guerra, foi notável. Todos os beligerantes perceberam a superioridade do avião sobre o balão, como meio de observação, e logo essas aeronaves começaram a ser caçadas tanto por aeronaves especialmente concebidas (os “caças”), quanto por salvas disparadas do chão. Ainda assim, o armamento anti-aéreo que começou, então, a ser desenvolvido constituía-se de tubos de canhões de campanha de médio calibre montados sobre reparos que permitiam uma ampla elevação. Para aeronaves que voavam no máximo a 3000-3500 metros de altitude, isso parecia ser suficiente. <o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" ><span style="color: rgb(51, 51, 51);">Entretanto, a partir de 1916 começaram a surgir aeronaves multi-motores, capazes de alcançar um teto máximo de 4500 m a uma velocidade de 120 km/h – eram os primeiros bombardeiros pesados. Em vista dessa nova ameaça, em 1916 a Krupp adaptou o canhão de campanha de 8,8 cm colocando-o sobre numa plataforma com rodas, rebocada por um caminhão. Para ser colocada em “bateria” (posição de tiro) as rodas eram removidas e quatro braços dotados de macacos estabilizavam o conjunto, que pesava uns 7300 kg. A elevação máxima chegava a 70 graus, pois descobriu-se que um valor maior poderia desestabilizar a arma durante o disparo. Essa, de ação semi-automática (expulsava o cartucho vazio da câmara sem necessidade de ação humana), foi denominada <span style="font-style: italic;">Geschütze</span> 8,8 Flak (</span><i style="color: rgb(51, 51, 51);">Flug Abwehr Kanonne</i><span style="color: rgb(51, 51, 51);">, “canhão de defesa contra vôo”). Utilizava munição de 9500 g, sendo que o projétil de alto explosivo pesava 2770 g, com uma velocidade de boca de 785 m/s, o que permitia que atingisse a altitude de 3850 m (a mesma peça, empregada em terra, tinha alcance de 10.800 m).</span> <o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style="font-size:85%;"><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_IjOcXQvz9KI/RtOTTRoaV0I/AAAAAAAAAD0/ELGublRXKbU/s1600-h/flak88_17.JPG"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp0.blogger.com/_IjOcXQvz9KI/RtOTTRoaV0I/AAAAAAAAAD0/ELGublRXKbU/s320/flak88_17.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5103584762100602690" border="0" /></a></span></p><p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" ><br /></span></p><p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" ><br /></span></p><p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" ><br /></span></p><p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" ><br /></span></p><p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" ><br /></span></p><p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" ><br /></span></p><p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style="font-size:85%;">Um dos primeiros exemplares de </span><span style="font-size:85%;"><span style="font-size:11;"><span style="font-size:85%;">Geschütze 8,8 Flak </span><span style="font-style: italic;font-size:85%;" >- </span><i style=""><span style="font-size:85%;">Flug Abwehr Kanonne em testes de fábrica, por volta de 1916</span><br /></i></span></span></p><p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" ><br /></span></p><p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" ><br /></span></p><p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" >Durante a guerra, o 8,8 cm foi utilizado na defesa dos parques industriais do Reno e do Rhür, sendo que alguns chegaram a ser instalados em Berlim.<o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" >Depois do final da guerra, o Tratado de Versalhes proibiu a Alemanha de desenvolver e fabricar armas anti-aéreas, de modo que os novos desenhos que estavam sendo concebidos foram abandonados. <o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" >Durante o período entreguerras, o desenvolvimento da aviação militar foi notável. Nos anos 1920 começaram a aparecer aviões que facilmente superavam a velocidade de 350 km/h e alcançavam um teto máximo de 6000 m. A velocidade de boca do projétil passou a ser crucial, visto que era necessário um projétil que não desacelerasse muito rapidamente devido à força da gravidade.<o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" >A resposta dos engenheiros alemães seria o F<span style="">lak 18 (o “F” mudado para <i style="">Fliegend</i> “equipamento voador”, ou “aeronave”; hoje em dia, a palavra “Flak” é uma espécie de gíria para “defesa anti-aérea”). <span style=""> </span><o:p></o:p></span></span></p> <p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" >Este começou a ser<b> </b></span><span style=";font-size:85%;" >concebido na primeira metade dos anos de 1920, quando o <i style="">Reichswehr</i>, o exército nacional que havia sido organizado após a guerra, realizando estudos chegou a conclusão de que havia necessidade de uma artilharia anti-aérea<span style=""> </span>pesada. Os militares alemães concluíram que o menor calibre aceitável era o 7,5 cm, e uma arma começou a ser concebida na Suécia, junto com os arsenais Bofors. Na fase de protótipo, os engenheiros perceberam que o desenvolvimento desse projétil para maiores velocidades de boca seria problemático. O exército então solicitou um calibre maior, demanda atendida tanto pela Krupp quanto pela Rheinmetall. <o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" >O calibre 8,8 foi considerado ideal, mas se teve de desenhar um novo cartucho. Essa nova munição, de projétil ogival, montada junto com o estojo, pesava 10400 g e tinha uma velocidade de boca de 820 m/s, alcançando um teto máximo de 8900 m. Empregado como peça de artilharia de campanha, tinha um alcance de 14800 m. Os protótipos não poderiam ser testados na Alemanha, de modo que a equipe de projeto transferiu-se para a Suécia, iniciando o projeto de um canhão em torno desse novo cartucho. <o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" ><span style="color: rgb(51, 51, 51);">O resultado foi um canhão cujo tubo era forjado em uma única peça, de 56 calibres de comprimento, com câmara de operação semi-automática, que permitia a extração do estojo vazio e introdução de um novo independente da parada do recuo. Isto permitia uma cadência de fogo de 15 a 20 disparos por minuto, dependendo da habilidade da tripulação. O conjunto era montado sobre um reparo cruciforme, que permitia conteira de 360 graus com uma elevação de 77 graus. Uma vez posto em bateria, ficava fixado sobre macacos reguláveis. Para transporte os braços laterais da “cruz” eram rebatidos e dois eixos de rodas, introduzidos. O peso do conjunto era de 4985 kg. Ficou pronto por volta de 1929.</span><o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style="font-size:85%;"><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_IjOcXQvz9KI/RtOUIxoaV1I/AAAAAAAAAD8/SdXgQUrpOKY/s1600-h/flak18_03.JPG"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_IjOcXQvz9KI/RtOUIxoaV1I/AAAAAAAAAD8/SdXgQUrpOKY/s320/flak18_03.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5103585681223604050" border="0" /></a></span></p><p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" ><br /></span></p><p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" ><br /></span></p><p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" ><br /></span></p><p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" ><br /></span></p><p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" ><br /></span></p><p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" ><br /></span></p><p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" >As duas primeiras versões do <span style="font-style: italic;">acht-acht</span>, em primeiro plano o Flak 18 e Flak 36, ao fundo. Note as diferenças no cano das duas versões<br /></span></p><p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" ><br /></span></p><p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" ><br /></span></p><p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" >A construção e testes dos protótipos cercou-se de segredo, visto que a re-militarização alemã ainda não tinha acontecido. O cano era fabricado em uma peça única, o que tornava o conjunto extremamente difícil de reparar, e muito dispendioso. Isso se devia ao fato de que, em função da rapidez da cadência de fogo, o desgaste do cano mostrou-se muito maior do que o esperado, sendo que a taxa maior acontecia na região imediatamente anterior à boca. A enorme pressão aplicada ali pela alta velocidade e alta taxa de giro axial do projétil e pela saída dos gases provocava atrito no raiamento, que acabava por perder a eficiência. Esse problema não foi corrigido imediatamente, pois a nova peça pareceu muito eficaz. Começou a ser distribuída em 1933, como Flak 18 8.8 cm.<o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" >Diversas modificações foram sendo introduzidas, conforme a peça ia sendo testada pelo exército. A principal delas consistiu na divisão do cano em três peças separadas: câmara, seção central e seção de boca, unidos por uma espécie de jaqueta. A divisão tornava a manutenção mais fácil e diminuía o custo do conjunto. Essa modificação teve de ser acompanhada por outras, no reparo, na plataforma e na carreta de transporte. <o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" >Testes de campo realizados em 1935 e 1937 mostraram que a nova arma poderia ser empregada como canhão de apoio à infantaria, além de estabelecer a precisão e potência do projétil AAe. Embora o tubo continuasse o mesmo, diversas mudanças no reparo e na plataforma foram feitas ,de modo a tornar o conjunto mais estável durante o tiro. Uma nova carreta de transporte for desenhada, na qual a posição das rodas foi abaixada e o mecanismo e fixação da plataforma na carreta, modificado, de modo que a altura do conjunto canhão,<br />reparo-plataforma podia ser regulada antes da remoção da carreta. Essa nova plataforma, denominada <i style="">Sonderanhänger 201</i> (“carreta especial”) se mostrou eficaz o suficiente para permitir o tiro em ângulos fechados de elevação, sem a remoção da plataforma da carreta, o que permitiu o uso do canhão contra alvos terrestres. Essa nova versão foi distribuída como Flak 36.<o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" >A Guerra Civil espanhola iria prover um vasto campo de testes para as novas armas alemãs. Hitler resolveu, por questões políticas, enviar um corpo de voluntários, que nada mais eram do que especialistas das forças armadas, cujo maior contingente pertencia à <i style="">Luftwaffe</i>. Como a artilharia anti-aérea era responsabilidade desse ramo da Wehrmacht, alguns Flak 18 e 36 foram acrescentados ao inventário de armamentos levados para a Espanha. <span style=""> </span><o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" >Algumas modificações de projeto foram acrescentadas os novos canhões, em função da experiência espanhola. A carreta e a plataforma se tornaram ainda mais estáveis. Essas modificações não chegaram a resultar em uma nova versão, mas confirmaram as potencialidades do projetil 8,8, inclusive como munição antitanque. Na Espanha, o canhão foi utilizado nesta função em algumas oportunidades, mas o número de peças disponíveis era muito pequeno para possibilitar testes de campo efetivos, embora alguns tanques republicanos e pontos fortificados tenham sido destruídos através do chamado “tiro tenso”. <span style=""> </span>Para essa função foi aperfeiçoado um mecanismo de pontaria baseado em um visor telescópico, que passou a ser distribuído em 1938.</span></p><p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style="font-size:85%;"><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_IjOcXQvz9KI/RtOUpRoaV2I/AAAAAAAAAEE/Bp5IF2iCxdg/s1600-h/flak18_01.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp0.blogger.com/_IjOcXQvz9KI/RtOUpRoaV2I/AAAAAAAAAEE/Bp5IF2iCxdg/s320/flak18_01.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5103586239569352546" border="0" /></a><br /></span><span style=";font-size:85%;" ><o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" ><br /></span></p><p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" ><br /></span></p><p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" ><br /></span></p><p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" ><br /></span></p><p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" ><br /></span></p><p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" ><br /></span></p><p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" >Vista lateral e superior do Flak 37. Observe-se a versão final da plataforma<br /></span></p><p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" ><br /></span></p><p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" ><br /></span></p><p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" >O Flak <i>acht-acht</i> constituiu um autêntico sistema de armas. Ainda que o canhão (o sistema tubo-reparo-plataforma) tivesse atingido um ponto de razoável eficácia, não constituía, por si só, um real sistema de defesa anti-aérea. O passo seguinte foi o aperfeiçoamento do sistema de pontaria, que passou a ser integrado a um sistema de controle de fogo. O centro desse sistema de controle de fogo era o aparelho conhecido como <i>Übertragung</i> <i>30</i> (“transportador”). Um computador de dados analógico, conhecido como <i>Voraussichter</i> (“preditor”) compilava dados de telemetria, constituídos por velocidade aproximada, altitude e direção da aeronave inimiga, levantados através de observação via instrumentos óticos. Compilados os dados, eram convertidos em sinais elétricos e transmitidos para um sistema de lâmpadas situado na plataforma do canhão. O impulso elétrico acendia uma lâmpada, e o operador da peça tinha então de mover ponteiros correspondentes, até que estes cobrissem a lâmpada acesa. O sistema, lançado no início dos anos 1930, se demonstrou insatisfatório, e, em em 1939 surgiu o “Transportador 39”, que introduzia motores elétricos sincronizados, operando um conjunto de ponteiros a partir de sinais elétricos enviados pelo “preditor”. Outro conjunto de ponteiros era ligado mecanicamente à plataforma. O apontador operava estes últimos por meio de rotores mecânicos, de modo que coincidissem com aqueles que indicavam os dados compilados pelo previsor. Os dados para ajuste de pontaria eram, então, transmitidos à plataforma, permitindo que o canhão fosse colocado em posição de disparo. Este sistema revelou-se extremamente preciso, e foi a base da defesa anti-aérea da Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial. Durante a guerra, aperfeiçoamentos consistindo na ligação do “preditor” com aparelhos de radar melhoraram consideravelmente a eficácia do sistema.<o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(51, 51, 51); font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" ><span style="color: rgb(255, 255, 204);">Em 1940, todas as versões </span><i>do acht-acht</i><span style="color: rgb(255, 255, 204);"> instaladas </span><span style="color: rgb(255, 255, 204);"> </span><span style="color: rgb(255, 255, 204);">em “Carretas especiais 201” receberam escudos para dar às tripulações alguma proteção, quando o canhão estivesse atuando como peça terrestre.</span><o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(51, 51, 51); font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" ><span style="color: rgb(51, 51, 51);">No início da guerra, a </span><i style="color: rgb(51, 51, 51);">Luftwaffe</i><span style="color: rgb(51, 51, 51);"> previu a necessidade de contar com um Flak cujo teto de emprego fosse ainda maior, visto que os bombardeiros quadrimotores ingleses e norte-americanos podiam operar a 8000 metros de altura. Esse canhão precisaria, portanto, ter uma velocidade de boca inda maior, o que implicava num novo tubo e nova plataforma. A Rheinmetall-Borsig começou a estudar o projeto por volta do final de 1941, e os primeiros exemplares começaram a ser distribuídos em no início de 1943, designados como Flak 41. A nova versão tinha peso total de 11240 kg e peso de combate de 7800 kg. O projétil também foi totalmente redesenhado, de modo a atingir uma velocidade de boca de cerca de 1000 m/s, o que o fazia alcançar 6336 m, com um projétil de 9200 g. Incorporava um mecanismo de disparo elétrico, operacional quando o canhão estivesse sendo usado contra alvos terrestres. Neste caso, seu alcance chegava a 15000 m, eficaz até 10000m, o que o tornava uma arma antitanque imbatível: o projétil perfurante podia penetrar blindagens de até 210 mm, com inclinação de 50 graus. O Flak 41 deu origem à primeira versão do canhão 8,8 especializada para luta antitanque: o PAK 43/41 (</span><i style="color: rgb(51, 51, 51);">Panzer Abwehrkanonne</i><span style="color: rgb(51, 51, 51);">,</span><i style="color: rgb(51, 51, 51);"> </i><span style="color: rgb(255, 255, 204);"><span style="color: rgb(51, 51, 51);">“c</span>anhão de defesa contra blindados”).</span><o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(51, 51, 51); font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style="font-size:85%;"><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_IjOcXQvz9KI/RtOVOhoaV3I/AAAAAAAAAEM/td_NdlP-Fu0/s1600-h/flak88_Libia.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp1.blogger.com/_IjOcXQvz9KI/RtOVOhoaV3I/AAAAAAAAAEM/td_NdlP-Fu0/s320/flak88_Libia.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5103586879519479666" border="0" /></a></span></p><p style="color: rgb(51, 51, 51); font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" ><br /></span></p><p style="color: rgb(51, 51, 51); font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" ><br /></span></p><p style="color: rgb(51, 51, 51); font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" ><br /></span></p><p style="color: rgb(51, 51, 51); font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" ><br /></span></p><p style="color: rgb(51, 51, 51); font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" >Flak 36 como canhão de apoio terrestre, no norte da África, 1941. Note-se o escudo protetor da guarnição<br /></span></p><p style="color: rgb(51, 51, 51); font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" ><br /></span></p><p style="color: rgb(51, 51, 51); font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" >A carreira do <i style="">acht-acht </i>abrangeu toda a guerra, e esse se tornaria praticamente sinônimo de canhão alemão. A última versão especializada seria produzida, com pequenas modificações, para instalação como armamento de blindados, denominada KwK 36 (<i style="">KampfwagenKanonn</i>, “canhão de carro de combate”), de 56 calibres.</span></p><p style="color: rgb(51, 51, 51); font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style="font-size:85%;"><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_IjOcXQvz9KI/RtOcRxoaV5I/AAAAAAAAAEc/-9YSn0tKoaU/s1600-h/flak88_corte.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_IjOcXQvz9KI/RtOcRxoaV5I/AAAAAAAAAEc/-9YSn0tKoaU/s320/flak88_corte.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5103594631935448978" border="0" /></a></span></p><p style="color: rgb(51, 51, 51); font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style="font-size:85%;"><br /></span></p><p style="color: rgb(51, 51, 51); font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style="font-size:85%;">O projetil 8,8 cm AAe, visto em corte. Note-se o fuso de pressão e o receptáculo interior, capaz de conter mais de três quilos de alto explosivo<br /></span></p><p style="color: rgb(51, 51, 51); font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style="font-size:85%;"><br /></span><span style=";font-size:85%;" > <span style=""> </span><o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(51, 51, 51); font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style=";font-size:85%;" >Dados não muito precisos indicam que por volta de 17000 tubos calibre 8,8 cm tenham sido produzidos durante a guerra, número que sobre a cerca de 19000 tubos caso sejam somados aqueles especialmente projetados para uso em veículos blindados<span style="font-weight: bold;">::</span></span></p><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20118675-4975266685509271125?l=neuromaniaco.blogspot.com'/></div>Bitthttp://www.blogger.com/profile/05469586261730431758noreply@blogger.com7tag:blogger.com,1999:blog-20118675.post-86014907398980469752007-08-25T09:29:00.000-07:002007-08-27T21:46:19.580-07:00A Guerra do Vietnam – Sobre boas e más analogias::<p style="color: rgb(51, 51, 51); font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style="">Ao que parece, Geoge W. resolveu extrapolar. Talvez tenha tido um dia pior dos que os habituais; talvez tenha se engasgado com algum pretzel. Engasgado, certamente ele está, com sua confusa “guerra contra o terror”. Tão engasgado que saiu-se com uma que dificilmente conseguirá superar: mexer com o vespeiro do Vietnam.<o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(51, 51, 51); font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style="">Porque o Vietnam, mesmo passados mais de 30 anos desde o fim da guerra, ainda é um vespeiro: um vespeiro do imaginário nacional norte-americano. Basta dizer que sucessivas presidências, republicanas e democratas, não conseguiram provar ao país o argumento de que foi uma causa nobre. Ao contrário da Segunda Guerra Mundial e da Guerra da Coréia, últimos conflitos legais em que o país se envolveu, o Vietnam continua sendo a guerra injusta que os EUA perdeu.<o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(51, 51, 51); font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style="">Não é pouca coisa, visto que até mesmo o historiador Arthur Schlesinger Jr., modelo, nos anos 1960, de crítica liberal ao governo norte-americano, afirmava que os EUA nunca tinham perdido uma guerra. Schlesinger passou anos clamando pela necessidade de uma saída negociada para o envolvimento norte-americano no Vietnam, e se tornou, no final dos anos 60, um dos principais ativistas contra a guerra. Porque o Vietnam não era uma guerra justa.<br /></span></p><p style="color: rgb(51, 51, 51); font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style="">A noção de “guerra justa” é muito forte entre os norte-americanos. Além do persistente mito de que “os EUA nunca começaram uma guerra” (veiculado desde o século XIX por políticos e historiadores acadêmicos, e tornado assunto público durante a campanha de Hearst pela intervenção em Cuba), é extremamente arraigada a idéia de que, representando os mais fortes valores do Ocidente e da cristandade, a nação norte-americana pega em armas sempre que esses valores estão ameaçados. Foi assim na Segunda Guerra; foi assim na Coréia, foi assim até mesmo na invasão do Kwait por Sadam.<o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(51, 51, 51); font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style="">O fato é que o uso de analogias, pelos governantes dos EUA não é novidade. Certamente George W., nisso, não está inovando em nada. Os políticos de lá invocam, com freqüência, as “lições da história”, como já explicou, de forma brilhante, o historiador <a href="http://books.google.com/books?id=0irZ8O6jJt4C&dq=%22Khong%22+%22Analogies+at+War:+Korea,+Munich,+Dien+Bien+Phu,+and+the+...%22+&amp;hl=pt-BR">Yuen Foong Khong</a>, autor de um livro quase definitivo sobre o assunto. Khong argumenta que o levantamento de analogias tem mais do que a função de justificar políticas de difícil explicação pública. Trata-se de um processo mental destinado a facilitar o processamento cognitivo e informacional presente na tomada de decisões políticas. Assim, analogias com a Segunda Guerra Mundial, a Guerra da Coréia e a derrocada francesa na Indochina tiveram lugar fundamental na decisão norte-americana de intervir no Vietnam e, depois, não apenas na de permanecer, mas de escalar a intervenção. O uso da analogia entretanto, tende a resultar em uma argumentação pobre. Para ser eficaz, deveria levantar fatos de amplo transito entre aqueles que serão alcançados pela mensagem. Desta forma, nem sempre podem ser mobilizadas as melhores comparações, ou por não existirem ou por não apresentarem similaridades perfeitas com a situação que está posta em pauta.<o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(51, 51, 51); font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style="">Ou seja, a analogia faz parte de um processo mental normalmente presente na tomada de decisão dos políticos norte-americanos e pode virar uma enorme casca de banana. Aparentemente, foi exatamente nessa que George W. escorregou, embora não possa ser acusado de inventar um absurdo ou ser o primeiro a distorcer a história. <o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(51, 51, 51); font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style="">A armadilha fica bem clara na análise feita no dia 23 passado, no <em><span style="">NY Times</span></em> por <a href="http://www.nytimes.com/2007/08/23/washington/23history.html?ex=1345521600&en=d94e8ba5edf94a14&amp;ei=5088&partner=rssnyt&amp;emc=rss">Thom Shanker</a>. Sumarizada em um de meus <a href="http://www.huffingtonpost.com/thomas-de-zengotita">blogs</a> do coração, por <span class="profile-textblock">Thomas de Zengotita</span>, a conversa de George W. com veteranos de guerra (outra importante figura do imaginário nacional norte-americano), mostra uma tentativa de "manipular o patriotismo nato [dos veteranos]”.<span style=""> </span>Segundo Zengotita, “Shanker corretamente chama atenção para a ridícula afirmação de Bush de que a carnificina promovida pelo Khmer Vermelho no Camboja foi conseqüência da retirada Americana do Vietnam, quando, de fato, foi a invasão americana que, em primeiro lugar, inspirou a formação daquela quadrilha insana.” E nem mesmo os argumentos que levaram ao envolvimento norte-americano, que formavam a “teoria do dominó”, mostraram-se corretos, no fim. “Bush disse que nós tínhamos de vencer porque se falhássemos, os comunistas tomariam o poder na Indonésia e nas Filipinas, e quem sabe onde mais. </span><span style="" lang="EN-US">Talvez no Havaí. Foi o que disseram na época. Eu estava lá. Eu lembro. </span><span style="">De fato, quando nós finalmente nos retiramos, nada disso aconteceu. <span style=""> </span>O que de fato ocorreu foi que as diferenças sino-soviéticas, postas artificialmente de lado por nossa invasão, explodiram. O que aconteceu foi que a China comunista evoluiu para o bizarro híbrido entre tirania e capitalismo que conhecemos hoje em dia e a União Soviética, para o auto-inflingido copapso.” <o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(51, 51, 51); font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style="">Parece que George W. buscava uma analogia que mobilizasse o patriotismo dos veteranos como uma espécie de expressão amplificada do patriotismo nacional, um valor absoluto que conteria a boa disposição do povo norte-americano para as “guerras justas”.<span style=""> </span>Ainda segundo Zengotita, Bush contava com a ignorância sobre história, característica marcante da maioria da população dos EUA. Não acho que tenha sido apenas isso. O presidente ao tentar mobilizar uma analogia, não contava com o fato de que o Vietnam é um vespeiro imaginário. <span style=""> </span>Para o resto da sociedade norte-americana, uma péssima analogia.<o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(51, 51, 51); font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style="">Mas, de fato, o que é o Vietnam? Para os norte-americanos, claro, uma lembrança amarga – uma guerra que não resultou em nada. Para George W. deveria ser uma lição de história política.<o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(51, 51, 51); font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style="">Pensando bem, talvez George W. leia esse blog... Ahnnnn... Vamos lhe oferecer, então, uma lição de história do Vietnam... <o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal"><span style=";font-family:&quot;;" ><span style="color: rgb(51, 51, 51); font-family: trebuchet ms;">Em seguida::</span><o:p></o:p></span></p><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20118675-8601490739898046975?l=neuromaniaco.blogspot.com'/></div>Bitthttp://www.blogger.com/profile/05469586261730431758noreply@blogger.com2tag:blogger.com,1999:blog-20118675.post-59415322370880375212007-08-21T20:48:00.000-07:002008-03-19T15:16:26.157-07:00Um sistema de armas às terças::<span style="color: rgb(102, 102, 102);">Continuo procurando sistemas de armas realmente <span style="font-style: italic;">sexies</span> para apresentar aos leitores de Causa:: O de hoje é realmente de enlouquecer até monge budista. Ou monja - o fato é que esses objetos de desejo podem seduzir homens e mulheres, sem que a paixão desperte qualquer espécie de malediscência... Não acreditam? Pois, senhoras e senhores, apresento-lhes... <o:p></o:p></span> <p style="color: rgb(102, 102, 102);" class="MsoNormal"><span style="">Canhão anti-aéreo bi-tubo KD 35 mm Oerlikon<o:p></o:p></span></p> <p style="font-style: italic; color: rgb(102, 102, 102);" class="MsoNormal"><span style=""><span style="font-size:100%;">Um pouco de história</span> <o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(102, 102, 102);" class="MsoNormal"><span style="">O canhão anti-aéreo bi-tubo KDA calibre 35 mm é uma arma destinada à defesa de ponto contra aeronaves em vôo de baixo nível e alta velocidade. Foi projetado na pela empresa Oerlikon, da cidade de Zurique, na Suiça, no início dos anos 50. <o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(102, 102, 102);" class="MsoNormal"><span style="">O canhão automático de pequeno calibre remonta ao período final da Primeira Guerra Mundial. Foi desenvolvido por um engenheiro alemão que descobriu uma forma de diminuir a cadência de fogo diminuindo o efeito de “ação de recuo a gás” (princípio básico de funcionamento das armas automáticas) e, assim, a velocidade com que os cartuchos são admitidos na câmara. Introduzido em pequenas quantidades pelos alemães no fim da guerra, o canhão automático foi aperfeiçoado <span style=""> </span><span style=""> </span>no período entreguerras, e se difundiu principalmente como armamento aéreo e anti-aéreo de defesa aproximada, tanto de solo como naval.<span style=""> </span><o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(102, 102, 102);" class="MsoNormal"><span style="">A Oerlikon começou a adquirir experiência com canhões automáticos quando, em meados dos anos 20, adquiriu uma empresa que, por sua vez , havia, logo após a guerra, adquirido a patente do canhão automático alemão. De posse desse desenho, que tinha sido bastante aperfeiçoado, Oerlikon desenvolveu, no período entreguerras, um canhão calibre 20 mm de baixo custo, que tanto servia para uso em aviões quanto em navios. Essa arma foi amplamente usada por todos os beligerantes, durante a Segunda Guerra Mundial Mundial. Fabricada em diversas versões, sob licença, na Alemanha, Inglaterra e Estados Unidos, equipava inclusive aviões japoneses. A versão conhecida como “Tipo S” (em função da munição utilizada) tornou-se a arma anti-aérea mais difundida da Segunda Guerra Mundial. <o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(102, 102, 102);" class="MsoNormal"><span style="">O uso, amplamente disseminado durante a guerra, de bombardeiros de picada e caças-bombardeiros, ambos aeronaves muito ágeis e, considerando o perfil de ataque que adotavam, extremamente precisas e letais, contribuiu para aumentar a importância da artilharia anti-aérea de pequeno calibre. Conforme a guerra se desenrolava, o aumento da velocidade e da proteção das aeronaves logo obrigou ao aumento da cadência de fogo dessas armas, o que, entretanto, tinha um limite (teoricamente, alçava até 450 salvas por minuto, mas, em combate, dificilmente alcançava mais de 180). A <i style="">Wehrmacht</i> começou a considerar o uso de canhões bi-tubo e quadritubo (conhecidos como <i style="">Flak Vierling</i>), embora tivesse dúvidas em torno da real eficácias dessas armas. Na metade da guerra, quando o calibre 20 mm começou a mostrar-se ineficaz, os alemães se voltaram para o calibre 37 mm, que vinha sendo desenvolvido desde os anos 1930. <o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(102, 102, 102);" class="MsoNormal"><span style="">Após a guerra, examinando alguns exemplares do canhão anti-aéreo alemão, os suíços chegaram à conclusão de que a munição de 37 mm alemã era muito mais eficiente que a utilizada no canhões AAe L60 aliados, baseados no modelo sueco Bofors. Um desenho totalmente novo, baseado no conceito alemão, resultou no cartucho 35X228 mm, pesando 550 gramas, HE (alto-explosivo), com velocidade de boca de 1175 m/s e alcance máximo de 4000 metros. <o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(102, 102, 102);" class="MsoNormal"><span style=""><span style="color: rgb(255, 255, 204);">Em torno da munição 35X228 começou a ser projetado um canhão bi-tubo, 90 calibres, operação de recuo a gás, com uma cadência de tiro de 550 salvas por minuto por tubo, denominado KD. A série KD tem no KDA e no KDC seus principais itens, sendo o primeiro uma versão destinada a montagens terrestres e o KDC, destinado a montagens navais. Colocada no mercado em 1959, veio a se tornar um dos mais bem-sucedidos produtos da indústria bélica suíça. A série C foi colocada em serviço em 1972, destinada à defesa de unidades navais.</span> <o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(102, 102, 102);" class="MsoNormal"><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_IjOcXQvz9KI/Rsu5GxoaVyI/AAAAAAAAADk/LTpXvhxlsEw/s1600-h/Oerlikon_02+KDC.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_IjOcXQvz9KI/Rsu5GxoaVyI/AAAAAAAAADk/LTpXvhxlsEw/s320/Oerlikon_02+KDC.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5101374528980408098" border="0" /></a></p><p style="color: rgb(102, 102, 102);" class="MsoNormal"><span style=""><br /></span></p><p style="color: rgb(102, 102, 102);" class="MsoNormal"><span style=""><br /></span></p><p style="color: rgb(102, 102, 102);" class="MsoNormal"><span style=""><br /></span></p><p style="color: rgb(102, 102, 102);" class="MsoNormal"><span style=""><br /></span></p><p style="color: rgb(102, 102, 102);" class="MsoNormal"><span style=""><br /></span></p><p style="color: rgb(102, 102, 102);" class="MsoNormal"><span style=""><br /></span></p><p style="font-style: italic; color: rgb(102, 102, 102);" class="MsoNormal"><span style=""><span style="font-family:trebuchet ms;">Montagem naval KDC 35 mm, como armamento principal de unidade naval de pequeno porte</span><br /></span></p><p style="font-style: italic; color: rgb(102, 102, 102);" class="MsoNormal"><span style=""><br /></span></p><p style="font-style: italic; color: rgb(102, 102, 102);" class="MsoNormal"><span style=""><br /></span></p><p style="color: rgb(102, 102, 102);" class="MsoNormal"><span style=""><span style="color: rgb(255, 255, 204);">A versatilidade do 35 KDA (que, para fins comerciais passou a ser conhecido, a partir de 1964, como GDF-001) é demonstrada por sua capacidade de emprego múltiplo, pois, além de arma anti-aérea, pode também ser usado contra alvos em terra, visto que a munição 35X228 também é produzida na versão APDS (munição rompedora de blindagem). </span><span style=""><br /></span></span></p><p style="color: rgb(102, 102, 102);" class="MsoNormal"><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_IjOcXQvz9KI/Rsu3lhoaVwI/AAAAAAAAADU/ifxxBUhCESo/s1600-h/Oerlikon_03+GDF-001.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp1.blogger.com/_IjOcXQvz9KI/Rsu3lhoaVwI/AAAAAAAAADU/ifxxBUhCESo/s320/Oerlikon_03+GDF-001.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5101372858238129922" border="0" /></a></p> <p style="font-style: italic; color: rgb(102, 102, 102);"><span style=""><br /></span></p><p style="font-style: italic; color: rgb(102, 102, 102);"><span style=""><br /></span></p><p style="font-style: italic; color: rgb(102, 102, 102);"><span style=""><br /></span></p><p style="font-style: italic; color: rgb(102, 102, 102);"><span style=""><br /></span></p><p style="font-style: italic; color: rgb(102, 102, 102);"><span style=""><br /></span></p><p style="font-style: italic; color: rgb(102, 102, 102);"><span style=""><span style="font-size:85%;">GDF-001 em bateria</span><br /></span></p><p style="font-style: italic; color: rgb(102, 102, 102);"><span style=""><br /></span></p><p style="font-style: italic; color: rgb(102, 102, 102);"><span style=""><span style="font-family:trebuchet ms;">Os sistemas Oerlikon, hoje: a série GDF</span><o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:trebuchet ms;" ><span style="font-size:100%;"><span style="color: rgb(255, 255, 204);">Os sistemas Oerlikon mais difundidos, as série GDF-001 até 005, alcançam uma cadência de fogo de até 1100 disparos. Na prática, os manuais recomendam rajadas de 2 segundos, o que significa 40 salvas por tubo, ou 80 salvas, ou um peso de fogo da ordem de 22 quilos em cada rajada. Essa capacidade de saturação pode ser ampliada pelo uso de duas unidades. A operação pode ser feita por um único artilheiro, é totalmente automatizada, sendo que a conteira (movimento lateral) e a elevação são controladas por motores elétricos de alto desempenho, acionados por </span><i>joystick</i><span style="color: rgb(255, 255, 204);">.</span><o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:trebuchet ms;" ><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_IjOcXQvz9KI/Rsu4jBoaVxI/AAAAAAAAADc/DHYERa0qgOw/s1600-h/Oerlikon_04+Skyguard.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp3.blogger.com/_IjOcXQvz9KI/Rsu4jBoaVxI/AAAAAAAAADc/DHYERa0qgOw/s320/Oerlikon_04+Skyguard.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5101373914800084754" border="0" /></a></p><p style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:trebuchet ms;" ><span style="font-size:100%;"><br /></span></p><p style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:trebuchet ms;" ><span style="font-size:100%;"><br /></span></p><p style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:trebuchet ms;" ><span style="font-size:100%;"><br /></span></p><p style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:trebuchet ms;" ><span style="font-size:85%;"><span style="font-style: italic;">Bateria de GDF-002 coordenados por sistema de direção de tiro </span>Skyguard<br /></span></p><p style="color: rgb(102, 102, 102);" face="trebuchet ms"><span style="font-size:85%;"><br /></span></p><p style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:100%;">A máxima eficiência do sistema exige a combinação das armas com unidades de controle de fogo baseadas em radar. Esse sistema, cujo nome comercial é <i style="">Skyguard</i>, é fabricado pela própria empresa. Colocada no mercado no final dos anos 1970, o <i style="">Skyguard</i> é instalado em um trailer, e pode ligar até 3 unidades bi-tubo, que passam a ser acionadas de maneira coordenada. </span><span style="font-size:100%;">O sistema comprende vários sub-sistemas:<br />localizador de varredura ampla com identificador de intrusos (IFF) gerando acompanhamento e seleção de alvos. A aquisição de alvos pode ser feita por radar ou sistema optrônico baseado em TV, de modo a oferecer opções contra engajamento anti-radar. As baterias são controladas por rede de micro-ondas, podendo ou não haver interferência humana no acionamento final. O sistema é acompanhado por gerador e, com administração de energia, pode ficar ativo por até 36 horas.<o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:100%;">Na atualidade, o Grupo Oerlikon-Contraves faz parte da Divisão de Produtos de Defesa Aérea do Grupo Rheinmetall, empresa alemã de longa tradição nesse mercado específico (longa mesmo – forneceram boa parte dos armamentos utilizados pela Alemanha nazista...). <o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:100%;">Atualmente, a empresa está desenvolvendo, juntamente com a britânica Royal Ordnance, um sistema de defesa anti-aérea e antimíssil denominado <i style="">Millenium</i>, <span style=""> </span>projetado em torno do cartucho AHEAD. Trata-se de um sistema totalmente computadorizado, comandando um conjunto de canhões da versãoGDF-007, montados de modo a funcionar como canhão rotativo</span><span style="font-size:100%;">, monitorados por sistema de direção de tiro de alta precisão. O cartucho AHEAD (35X173mm) é o tipo de munição chamado “inteligente”: contém uma espoleta que é programada ao deixar o tubo, e “acompanha” a trajetória do alvo (geralmente um míssil ou projétil de carga oca). Ao explodir, libera fragmentos diante do alvo. A cadência desse fogo desse sistema pode ser regulada, variando o número de salvas. Por ser passivo, o projétil é resistente a todo tipo de contramedidas eletrônicas. O sistema também pode ser programado para engajar alvos aéreos a distâncias de até 2.500 metros e alvos de superfície a até 4.000 metros.<o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:100%;">Um sistema semelhante, embora baseado no reparo norte-americano Bushmaster, para defesa ativa de veículos, está sendo projetado pela Rheinmetall, destinado à defesa aproximada de ponto. <span style=""><br /><br /></span>Dados técnicos:<br />Calibre - 35mm<br />Comprimento do cano (exceto nas versões GDF-006 e 007) - 90 calibres (31500 mm).<br />Velocidade de boca -1175 m/s.<br />Cadência de fogo - 2 x 550 = 1100 disp./min.<br />Peso do conjunto (sem munição) - 7760 kg.<br /></span><span lang="EN-US" style="font-size:100%;">Peso do conjunto (munição embarcada, 268 salvas por tubo) - 8200 kg.<br /><br /><span style="">Tipos de munição disponíveis (35X228): Anti-aéreas - HE (<span style="font-style: italic;">High Explosive</span> - 550 grs), HEI (<span style="font-style: italic;">High Explosive Incendiary</span> - 610 grs); Anti-carro - APDS (<span style="font-style: italic;">Armour Piercieng Discarding Sabot</span> - 294 grs), APFSDS (</span><span style="font-style: italic;">Armor Piercing Fin Stabilized Discarding Sabot</span><span style=""> 375 grs)</span></span><span lang="EN-US" style="font-size:100%;"><span style="">; Defesa ativa de ponto - FAPDS (<span style="font-style: italic;">Frangible Armour Piercieng Discarding Sabot</span> - 375 grs), </span></span><span lang="EN-US" style="font-size:100%;"><span style=""><span style="font-style: italic;">AHEAD</span> (Advanced Hit Efficiency And Destruction - 750 grs)</span></span></p> <p style="font-family: trebuchet ms; color: rgb(102, 102, 102);"><span lang="EN-US" style="font-size:100%;"><o:p> </o:p></span></p><a style="color: rgb(102, 102, 102);" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_IjOcXQvz9KI/Rsu5qBoaVzI/AAAAAAAAADs/PfVG0LHX9Ek/s1600-h/Oerlikon_05+GDF-005.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp3.blogger.com/_IjOcXQvz9KI/Rsu5qBoaVzI/AAAAAAAAADs/PfVG0LHX9Ek/s320/Oerlikon_05+GDF-005.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5101375134570796850" border="0" /></a><p class="MsoNormal" style="color: rgb(102, 102, 102);"><span lang="EN-US" style="font-family:trebuchet ms;"></span><span style="" lang="EN-US"><br /><o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(102, 102, 102);"><span style="" lang="EN-US"><o:p> </o:p></span></p> <p style="color: rgb(102, 102, 102);" class="MsoNormal"><span style="" lang="EN-US"><o:p> </o:p></span></p> <br /><br /><br /><span style="font-style: italic; color: rgb(102, 102, 102);font-family:trebuchet ms;" >Bateria de GDF-005</span><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20118675-5941532237088037521?l=neuromaniaco.blogspot.com'/></div>Bitthttp://www.blogger.com/profile/05469586261730431758noreply@blogger.com2tag:blogger.com,1999:blog-20118675.post-59102596290802502962007-08-20T19:21:00.000-07:002008-03-19T15:14:37.866-07:00Guerra sem limites::<p style="color: rgb(51, 51, 51); font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal">O jornal o Globo, em seu caderno Prosa&amp;Verso, no último sábado (18 de agosto), publicou um dossíê, editado pela jornalista Raquel Bertol, intitulado “Baixas da guerra”, cujo subtítulo apresentava “Confrontos no Iraque destroem, além de vidas, paradigmas da modernidade e são vistos como ´laboratório´ de transformações." O dossiê parece destinado a fazer propaganda da conferência que será proferida dentro de um mês pelo professor Frédéric Gross, no âmbito do ciclo de palestras “<a href="http://www.cultura.gov.br/programas_e_acoes/cultura_e_pensamento/noticias/agenda/index.php?p=28291&amp;amp;more=1&amp;c=1&amp;pb=1">Mutações: novas configurações do mundo</a>”, organizado pelo filósofo Adauto Novaes. Segundo explica a jornalista, o ciclo tem por objetivo “entender as grandes mutações do pensamento”. </p> <p style="color: rgb(51, 51, 51); font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal">Não imagino que o respeitável Adauto iria reunir um monte de pesos-pesados da inteligência nacional e internacional perseguindo um objetivo imbecil como esse. Mas isso não importa. O programa está disponível na Grande Rede e quem quiser (e tiver paciência para tanto) poderá até assistir as conferências em tempo real. O que realmente importa, para as reflexões deste pesquisador-amador e domingueiro é o conteúdo do dossiê. O corpo principal apresenta algumas intervenções de especialistas de alto-coturno, como o sociólogo norte-americano <a href="http://resistir.info/eua/declinio_imperio_americano.html">Immanuel Wallerstein</a> (um dos espantalhos mais assustadores do indômito site <a href="http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=65">Mídia sem Máscara</a>) e os brasileiros João Camilo Penna e Francisco Carlos Teixeira da Silva, professores da UFRJ. </p> <p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal">O texto mais interessante me pareceu ser o do professor Teixeira da Silva, especialista em História Contemporânea. Embora a abertura peque por algumas imprecisões, o texto é bastante interessante e introduz para nós, não-especialistas ou pouco-especialistas (os populares “curiosos”, do qual sou o exemplo mais acabado que conheço), um aspecto novo da guerra contemporânea, que chamo “expansão da noção<a href="http://http//www.clausewitz.com/CWZHOME/CWZBASE.htm"> clausewitziana </a>de guerra”. </p> <p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal">Em breve escreverei um comentário sobre o texto do professor Teixeira da Silva em que explicarei essa minha idéia<span style="font-weight: bold;">::</span><span style=""> </span></p> <p face="trebuchet ms" style="color: rgb(51, 51, 51);" class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p> <div style="border-style: solid none none; border-color: windowtext -moz-use-text-color -moz-use-text-color; border-width: 1pt medium medium; padding: 1pt 0cm 0cm; font-family: trebuchet ms; color: rgb(51, 51, 51);"> <p class="MsoNormal" style="border: medium none ; padding: 0cm;">Da guerra total à guerra sem limites</p> </div> <p face="trebuchet ms" style="color: rgb(51, 51, 51);" class="MsoNormal">O conceito de “guerra total” estrutura-se no século XIX, quando o general Sherman, na Guerra Civil Americana (1861-65), ataca indistintamente alvos civis e militares, destruindo casas, campos agrícolas, indústrias e bens particulares. Ao mesmo tempo, utilizou-se dos novos <span style=""> </span>meios da Revolução Industrial Americana para superar os Confederados, culminando no incêndio de Atalnta e na “Grande Marcha para o Mar”. Estratégias similares foram utilizadas na Guerra da Criméia (1853-56), na Guerra Franco-Prussiana (1870-71) e na Guerra dos Bôeres (1900-02). Na Primeira Guerra (1914-18), o conceito de “guerra total” psaria a desempenhar papel central.</p> <p face="trebuchet ms" style="color: rgb(51, 51, 51);" class="MsoNormal">O General Luddendorf no Estado-Maior alemão, adotou tal estratégia, resultando no uso de gases venenosos, ataques maciços contra cidades e a guerra submarina irrestrita (atingindo navios cargueiros e de passageiros). Nesse momento, os progressos tecnológicos constituíram um setor próprio da preparação bélica, ampliando a letalidade da guerra moderna.</p> <p style="font-family: trebuchet ms; color: rgb(51, 51, 51);" class="MsoNormal">A Segunda Guerra (1939-45) viu a tecnologia – transportes, com a aviação; rádio e radar; o poder nuclear; a gestão fordista do abastecimento e da produção bélica – servir-lhe diretamente. Travou-se, no conjunto, todo tipo de guerra. Houve desde guerrilhas, na ex-Iugoslávia ou na Rússia, guerra química (japoneses contra chineses), até o ataque nuclear contra Hiroshima e Nagasaki, e o Holocausto, com sua gestão altamente tecnológica. A indistinção entre alvos civis e militares tornou-se corrente: uma fábrica ou um entrocamento rodoferroviário é uma planta civil ou militar? Quando trens transportam tropas ou fábricas de tecidos produzem materiais para fardamentos, muitos estrategistas alegam tratar-se de legítimos alvos militares – mesmo atingindo centenas de civis. O mesmo ocorre com os meios de comunicação. A TV e as rádios iraquianas em 1991, na Primeira Guerra do Iraque, foram alvos iniciais da colifação da ONU, e a TV nacional da Sérvia, em 1999, foi atacada pelos EUA, morrendo vários jornalistas, sob a acusação de propaganda pró-governo...</p> <p style="font-family: trebuchet ms; color: rgb(51, 51, 51);" class="MsoNormal">A Guerra do Iraque, de 1991, e do Kosovo, de 1999, geraram imensas preocupações no âmbito do pensamento militar. Os estrategistas passaram a temer o chamado “excedente” de poder dos EUA. Buscou-se uma forma de dissuadir ações bélicas americanas, mesmo com recursos inferiores aos acumulados pelos EUA. Assim, dois estretegistas chineses, os coronéis Qiano Liang e Wang Xiang-sui, publicaram o livro “Guerra sem limites” (publicação eletrônica pela Escola de Guerra Naval, Rio, 2003). Trata-se da aplicação da nova noção de “guerra nas condições de alta tecnologia”. </p> <p style="font-family: trebuchet ms; color: rgb(51, 51, 51);" class="MsoNormal">Estratégia revolucionária em seus preceitos que abandona as noções de guerra de massas e de caráter classista, típicas do maoísmo, para pensar a guerra ”como a síntese das técnicas e da mundialização”, e centrar a ênfase na dominância das ações “não-guerreiras” – como uso dos meios econômicos, computacionais, psicológicos. Da mesma forma, a condução da guerra pode e deve, segundo eles, “ultrapassar todas as fronteiras e todos os limites”, incluindo aí a indistinção entrecivis e militares – mesmo no tocante a médicos, jornalistas ou diplomatas. Na nova estratégia, “todos os meios serão disponíveis, a informação será geral e o campo de batalha será difuso”. Não se trata de retorno às formas de guerra irregular, como guerrilhas. Agora, a ênfase é na alta tecnologia, incluindo hackers e a manipulação do fluxo de capitais, disseminação de zoonoses e de epidemias.</p> <p style="font-family: trebuchet ms; color: rgb(51, 51, 51);" class="MsoNormal">Desde então, a noção de “guerra assimétrica” – a guerra do fraco contra o mais forte – passa a estar inteiramente assimilada ao conceito de “guerra sem limites”. A guerra do mais fraco será, no século XXI, sempre irrestrita, utilizando-se de meios não-convencionais. Evidentemente, isto explica o temor<span style=""> </span>das grandes potências acerca da proliferação das chamadas armas de destruição “em massa”. Porém, armas podem ser construídas a partir da tecnologia disponível no cotidiano dos países mais avançados. O uso de tecnologias domésticas (laptops, celulares, aparelhos de radiologia médica, GPS) e de meios civis (aviões de carreira, trens e metrôs) passam a desempenhar um papel central nesta nova e cruel forma de estratégia de guerra. Seqüestros e execuções, com transmissão garantida pela internet, levam a guerra ao coração dos países mais poderosos, servindo simultaneamente para dissuadir empresas a se instalarem num país conflitado e desencorajar suas populações a apoiar as ações militares dos governos. Nessas novas condições de guerra, todos são alvos potenciais.</p> <p style="color: rgb(51, 51, 51);" class="MsoNormal"><span style="font-family:trebuchet ms;">Hoje, o Iraque é seu grande laboratório<span style="font-weight: bold;">::</span></span> </p><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20118675-5910259629080250296?l=neuromaniaco.blogspot.com'/></div>Bitthttp://www.blogger.com/profile/05469586261730431758noreply@blogger.com6tag:blogger.com,1999:blog-20118675.post-42927570505181853372007-08-13T21:49:00.000-07:002008-03-19T15:18:16.306-07:00Um sistema de armas às terças::<span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:trebuchet ms;font-size:100%;" >Certos blogueiros adoram mulher, ao ponto de colocá-las no seus <i style="">blogs</i> como assunto... Nada contra. Tendo a concordar - mulher é bom, bonito e... ahnnn... interessante (digamos assim). Mas neste <i style="">blog</i>, lamento: elas só entrarão caso estejam relacionadas com uma guerra qualquer. Quem sabe... Golda Meir; ou Margaret Tatcher... Condi Rice (tem caras por aí tarados o suficiente para querer ver a Condi pelada). <o:p></o:p></span> <p class="MsoNormal" style="line-height: normal; color: rgb(102, 102, 102);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:100%;">Não, não. Não farei isso com os leitores. Melhor eleger um bom sistema de armas, que seja altamente sofisticado, lindo<span style="font-style: italic;">. Sexy</span>. <o:p></o:p></span></p> <div style="border-style: none none solid; padding: 0cm 0cm 1pt; color: rgb(102, 102, 102);font-family:trebuchet ms;"> <p class="MsoNormal" style="border: medium none ; padding: 0cm; line-height: normal;"><span style="color: rgb(255, 255, 204);font-family:trebuchet ms;font-size:100%;" >Está combinado, então – toda terça-feira, um sistema de armas<span style="font-weight: bold;">.</span> </span><span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 255, 204);font-family:trebuchet ms;font-size:100%;" >:c) </span><span style="color: rgb(255, 255, 204);font-family:trebuchet ms;font-size:100%;" >Sempre os meus favoritos.</span><span style="font-size:100%;"> <o:p></o:p></span></p> </div> <p class="MsoNormal" style="line-height: normal; color: rgb(102, 102, 102);font-family:trebuchet ms;"><span lang="EN-US" style="font-size:100%;"><o:p> </o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="line-height: normal; color: rgb(102, 102, 102);font-family:trebuchet ms;"><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_IjOcXQvz9KI/RsE00i3jB8I/AAAAAAAAAC8/lrVl_2n17xM/s1600-h/F16_03.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp0.blogger.com/_IjOcXQvz9KI/RsE00i3jB8I/AAAAAAAAAC8/lrVl_2n17xM/s320/F16_03.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5098414330477742018" border="0" /></a></p><p class="MsoNormal" style="line-height: normal; color: rgb(102, 102, 102);font-family:trebuchet ms;"><span lang="EN-US" style="font-size:100%;"><br /></span></p><p class="MsoNormal" style="line-height: normal; color: rgb(102, 102, 102);font-family:trebuchet ms;"><span lang="EN-US" style="font-size:100%;"><br /></span></p><p class="MsoNormal" style="line-height: normal; color: rgb(102, 102, 102);font-family:trebuchet ms;"><span lang="EN-US" style="font-size:100%;"><br /></span></p><p class="MsoNormal" style="line-height: normal; color: rgb(102, 102, 102);font-family:trebuchet ms;"><span lang="EN-US" style="font-size:100%;"><br /></span></p><p class="MsoNormal" style="line-height: normal; color: rgb(102, 102, 102);font-family:trebuchet ms;"><span lang="EN-US" style="font-size:100%;"><br /></span></p><p class="MsoNormal" style="line-height: normal; font-family: trebuchet ms; color: rgb(102, 102, 102);"><span lang="EN-US" style="font-size:100%;"><br /></span></p><p class="MsoNormal" style="line-height: normal; color: rgb(102, 102, 102);font-family:trebuchet ms;"><span lang="EN-US" style="font-size:100%;"><br /></span></p><p class="MsoNormal" style="line-height: normal; color: rgb(102, 102, 102);font-family:trebuchet ms;"><span lang="EN-US" style="font-size:100%;">Lockheed-Martin F-16 <i style="">Fighting-Falcon</i><o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="line-height: normal; color: rgb(102, 102, 102);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:100%;"><strong><span style="">Tipo:</span></strong></span><span style="font-size:100%;"> Caça</span><span style="font-size:100%;"><strong><span style=""> <o:p></o:p></span></strong></span></p> <p class="MsoNormal" style="line-height: normal; color: rgb(102, 102, 102);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:100%;"><strong><span style=""><span style=""> </span></span></strong><strong><span style="">Ano:</span></strong></span><span style="font-size:100%;"> 1976</span><span style="font-size:100%;"><o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="line-height: normal; color: rgb(102, 102, 102);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:100%;"><strong><span style="">Operadores:</span></strong></span><span style="font-size:100%;"> </span><span style="font-size:100%;">Bélgica, </span><span style="font-size:100%;">Chile, </span><span style="font-size:100%;">Cingapura, Coréia do Sul, Dinamarca, Egito, Emirados Árabes, Estados Unidos, Grécia, Holanda, Indonésia, Israel, Noruega, Nova Zelândia, Paquistão, Portugal, Tailândia, Taiwan, Turquia, Venezuela</span><span style="font-size:100%;"><o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="line-height: normal; color: rgb(102, 102, 102);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:100%;"><strong><span style="">Motorização: </span></strong></span><span style="font-size:100%;">1 turbofan </span><span style="font-size:100%;">Pratt &amp; Whitney F100-PW-220 ou General Eletric F110-GE-129 (últimas versões), com</span><span style="font-size:100%;"> </span><span style="font-size:100%;">pós-combustão</span><span style="font-size:100%;"><o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="line-height: normal; color: rgb(102, 102, 102);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:100%;"><strong><span style="">Pesos:</span></strong></span><span style="font-size:100%;"> Vazio,</span><span style="font-size:100%;"> </span><span style="font-size:100%;">8.433 kg;</span><span style="font-size:100%;"> </span><span style="font-size:100%;">Máximo na decolagem,</span><span style="font-size:100%;"> </span><span style="font-size:100%;">19.187 kg</span><span style="font-size:100%;"><o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="line-height: normal; color: rgb(102, 102, 102);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:100%;"><strong><span style="">Dimensões:</span></strong></span><span style="font-size:100%;"> </span><span style="font-size:100%;">Altura,</span><span style="font-size:100%;"> </span><span style="font-size:100%;">5,09 m;</span><span style="font-size:100%;"> </span><span style="font-size:100%;">Envergadura,</span><span style="font-size:100%;"> </span><span style="font-size:100%;">9,45 m;</span><span style="font-size:100%;"> </span><span style="font-size:100%;">Comprimento,</span><span style="font-size:100%;"> </span><span style="font-size:100%;">15,03 m</span><span style="font-size:100%;"><o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="line-height: normal; color: rgb(102, 102, 102);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:100%;"><strong><span style="">Performance:</span></strong></span><span style="font-size:100%;"> </span><span style="font-size:100%;">Vel. Máxima, Mach 2.05</span><span style="font-size:100%;"> a 16.000 m; </span><span style="font-size:100%;">Vel. máxima ao nível do mar,</span><span style="font-size:100%;"> </span><span style="font-size:100%;">Mach 1.2;</span><span style="font-size:100%;"> </span><span style="font-size:100%;">Teto de serviço,</span><span style="font-size:100%;"> </span><span style="font-size:100%;">16.750 m;</span><span style="font-size:100%;"> </span><span style="font-size:100%;">Carga G máxima</span><span style="font-size:100%;"> em curva estreita </span><span style="font-size:100%;">+9</span><span style="font-size:100%;"><o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="line-height: normal; color: rgb(102, 102, 102);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:100%;"><strong><span style="">Autonomia:</span></strong></span><span style="font-size:100%;"> </span><span style="font-size:100%;">Máxima (com tanques externos),</span><span style="font-size:100%;"> </span><span style="font-size:100%;">3.891 km;</span><span style="font-size:100%;"> Raio de ação</span><span style="font-size:100%;">,547 km<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="line-height: normal; color: rgb(102, 102, 102);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:100%;"><strong><span style="">Armamento:</span></strong></span><span style="font-size:100%;"> </span><span style="font-size:100%;">1 canhão rotativo multicanos <span style="font-style: italic;">Vulcan</span> M61 20 mm com 860 salvas; Mísseis: AAM - IR AIM-9 <i style="">Sidewinder</i>, ASRAAM; médio/longo alcance guiado por radar - AIM -7 <i style="">Sparrow</i>, AIM-120 AMRAAM;</span><span style="font-size:100%;"> </span><span style="font-size:100%;">ASM AGM-84E SLAM, AGM-154A/B JSOW e AGM-65 <i style="">Maverick</i>, ARM AGM-88 <i style="">Harm</i> e <i style="">Shrike</i>; anti-navio, AGM-65 <i style="">Harpoon</i>, bombas guiadas a laser, guiadas por GPS, JDAM e queda livre.<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="line-height: normal; color: rgb(102, 102, 102);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:100%;"><o:p> </o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="line-height: normal; color: rgb(102, 102, 102);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:100%;"><o:p> </o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="line-height: normal; color: rgb(102, 102, 102);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:100%;"><span style="font-style: italic; font-weight: bold;">Histórico e aspectos técnicos gerais</span> <o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="line-height: normal; color: rgb(102, 102, 102);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:100%;">Mesmo com quase pouco mais de 25 anos de serviço, o Lockheed-Martin F-16 <i style="">Fighting Falcon</i> (“Falcão-caçador”) continua sendo uma dos principais aeronaves de combate do mundo, e provavelmente ainda permanecerá em atividade no mínimo pelas próximas duas décadas. Suas origens remontam aos primeiros anos da década de 1970, resultantes do programa LWF (<i style="">Light-Weight Fighter</i>, ou “Aeronave de Caça Leve”). Inicialmente, tratava-se de um estudo da Força Aérea dos EUA destinado a demonstrar a viabilidade de uma aeronave leve, com boa capacidade de combate e baixo custo. Transformado em RFP (<i>Request for Proposals</i> – “Solicitação de Propostas”), o programa despertou interesse em cinco empresas, das quais duas foram selecionadas pela USAF em abril de 1972: Northrop, com o <i style="">Project</i> 600 <i style="">Cobra Concept</i> (designado YF-17 pela USAF) e General Dynamics (depois adquirida pela Lockheed) com o <i style="">Model</i> 401 (para a USAF, YF-16). O YF-16 revelou-se, na fase de protótipo, superior ao YF-17 em quase todos os <span style=""> </span>parâmetros: aceleração, autonomia e raio de ação. Em janeiro de 1975 a USAF declarou o avião da General Dynamics vencedor, anunciando, em julho, uma aquisição inicial de 650 unidades do F-16A (monoposto) e F-16B (biposto). <o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="line-height: normal; color: rgb(102, 102, 102);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:100%;"><o:p> </o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="line-height: normal; color: rgb(102, 102, 102);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:100%;">O objetivo do projeto era fornecer um equipamento destinado a complementar as capacidades do F-15A <i style="">Eagle</i> da McDonnel-Douglas, que tinha entrado em serviço em 1974 e era um caça de superioridade aérea.</span></p><p class="MsoNormal" style="line-height: normal; font-family: trebuchet ms; color: rgb(102, 102, 102);"><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_IjOcXQvz9KI/RsE1ti3jB9I/AAAAAAAAADE/wfDn1O7yt14/s1600-h/F16_04.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 300px; height: 204px;" src="http://bp0.blogger.com/_IjOcXQvz9KI/RsE1ti3jB9I/AAAAAAAAADE/wfDn1O7yt14/s320/F16_04.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5098415309730285522" border="0" /></a><span style="font-size:100%;"><o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="line-height: normal; color: rgb(102, 102, 102);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:100%;">O F-16A/B de série era equipado com o radar AN/APG-66, e aviônicos, equipamentos eletrônicos e plataforma de tiro bem mais modernos do que os das versões de teste. O canopí “<i style="">bubble</i>” de plexiglass de alta densidade proporciona ao piloto amplo campo de visão para o piloto. O assento ejetável ACES II zero-zero inclinado a 30º possibilita alta tolerância a cargas </span><span style="font-size:100%;"><i><span style="">g </span></i></span><span style="font-size:100%;">e escape em altas velocidades. O F16 foi o primeiro caça norte-americano equipado com o sistema HOTAS (<i style="">hands on throttle and stick</i>), sistema que substituí o tradicional manche central e permite ao piloto realizar as principais operações de controle com uma única mão. <o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="line-height: normal; color: rgb(102, 102, 102);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:100%;">O armamento principal constitui-se de um canhão GE M61A1 <i style="">Vulcan</i> de 20mm, de uso múltiplo. Para missões ar-ar são utilizados mísseis aam (<i style="">air-to-air míssil</i>) IR AIM-9 <i style="">Sidewinder, </i>de guiagem infravermelha, capazes de engajar alvos a curto alcance e numa posição de no máximo 15 graus em relação à proa da plataforma. Posteriormente,<i style=""> </i>uma versão dos A/B conhecida como <i style="">Block 15</i> recebeu radares que permitiram a utilização do míssil BVR (<i style="">beyond visual range</i> – “fora do alcance visual”) AIM-7 <i style="">Sparrow</i>. Atuando como aeronave tática, o F-16A/B pode ser dotado de bombas tipo <i style="">cluster</i>, guiadas a laser, de queda livre e mísseis anti-radar Maverick. <o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="line-height: normal; color: rgb(102, 102, 102);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:100%;">Tendo sido adquirido em grandes quantidades pelos EUA e por diversos países aliados, os lotes iniciais de F-16A e B passaram por várias melhorias logo ao início de sua vida operacional, que atingiram os sistemas da aeronave, estrutura, equipamentos defensivos, radar, capacidade de manobra e motorização. Muitas vezes, essas mudanças resultavam num equipamento totalmente recondicionado, em “estado de arte”. Entretanto, mesmo depois dos<span style=""> </span><i style="">upgrades</i>, a aeronave mantinha a designação F-16A ou B, mas adicionava um novo <i style="">block number</i> (número de lote): Block 5, Block 10, Block 15, dependendo da época e intensidade das modificações. Em 1982, a partir da série “lote” 25, mudanças mais profundas, projetadas para aeronaves novas de fábrica introduziram outra notação: F-16C (monoposto) e F-16D (biposto). Essas aeronaves foram as primeiras a operar o míssil ar-ar AIM-120 AMRAAM (</span><span style="font-size:100%;"><i style=""><span style="">Advanced Medium-Range Air-to-Air Missile </span></i></span><span style="font-size:100%;">– “Míssil ar para ar avançado de médio alcance”). Trata-se de um vetor super-sônico com alcance de 60 quilômetros e incorporando o conceito <i style="">fire and forget</i> (“atire e esqueça”), ou seja, guiagem totalmente independente de três fases:</span><span style="font-size:100%;"> lançamento orientado pelo computador da aeronave; fase de vôo, com sistema de navegação inercial totalmente passivo, imune à contramedidas; engajamento do alvo, guiado por radar ativo. </span><span style="font-size:100%;">Os F-16C/D podiam realizar missões ar-ar e ar-terra com alto índice de eficiência, o que os tornava superiores aos F-16A/B, otimizados apenas para missões ar-ar, tendo as missões ar-terra como complementares, ou seja – não podiam ser considerados verdadeiros caças táticos. <o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="line-height: normal; color: rgb(102, 102, 102);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:100%;">Os F-16C/D são, de fato, novas aeronaves que utilizam a plataforma F-16. Receberam um novo radar, o AN/APG-68, HUD (<i style="">head-up display</i>, um sistema que projeta dados no visor do capacete do piloto, permitindo-lhe olhar para a frente durante 85 por cento do tempo de missão) de ângulo aberto, GPS, MFD (<i style="">multi-frequency discriminator</i>, um tipo de localizador de freqüências que permite à aeronave identificar de que tipo de rastreamento está sendo alvo) e capacidade de ECM – contramedidas eletrônicas. <o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="line-height: normal; color: rgb(102, 102, 102);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:100%;">Nos anos 90, a plataforma passou por novos aperfeiçoamentos, baseados principalmente na experiência de combate real obtida na Guerra do Golfo e nas sugestões feitas pelos israelenses (tidos pelos próprios norte-americanos como os melhores pilotos de F-16 do mundo). O resultado foram os F-16CG/DG “lote” 40/42, equipados com nova motorização e um controle de vôo digital integrado totalmente novo, incorporando capacidade de combate <i style="">all-weather</i> (“qualquer tempo”, que permite ao piloto voar em visibilidade 0-2, ou seja, nenhuma) obtida através de acompanhadores de terreno <i style="">look-down</i> (radares secundários que “enxergam” a altitude graças a interpretação de ondas de freqüência altíssima lançadas diretamente ao solo) e <span style=""> </span>designadores de alvo a laser. A partir dessa versão, os <i style="">Fighting-Falcon</i> passaram a ser totalmente pilotados por 16 computadores integrados, que tanto conduziam a plataforma quanto monitoravam e engajavam os alvos. O piloto apenas supervisionava o conjunto, determinando direção, velocidade e despacho do armamento. Quando a velocidade supera os 1320 km/h ou em certas situações (por exemplo, curvas de alto <span style="font-style: italic;">g</span>) é “impedido” de pilotar, total ou parcialmente, pelo computador. <o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" face="trebuchet ms" style="line-height: normal; color: rgb(102, 102, 102);"><span style="font-size:100%;">A série atual do F-16 é o “lote” 50/52. A variação da numeração indica a motorização (50 - </span><span style="font-size:100%;">Pratt&Whittney; 52 General Eletric)</span><span style="font-size:100%;">. Os novos F16CJ/DJ incorporam melhorias consideráveis em seus equipamentos. O radar AN/APG-68V.5 é capaz de operar em 25 modos ar-ar e ar-superfície – quer dizer, monitora 25 alvos ao mesmo tempo, no ar e na superfície, podendo “enxergar” alvos no ar a distâncias que chegam a 296 km e alvos de superfície em movimento e cursos discrepantes. <o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"><span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:trebuchet ms;" >A versão F-16CJ/DJ “lote” 50/52 foi oferecida ao Programa F/X da FAB, no início da década de 2000. Não tinha grandes chances, visto que, apesar da previsão de longa vida útil, essas aeronaves já eram consideradas ultrapassadas. Entretanto, agora essa situação mudou um pouco. Com as dificuldades observadas na adaptação do novíssimo Raptor F-22 e os atrasos no programa JSF, que incorporará o F-35 como substituto do F-16, a USAF contratou, junto à Lockheed-Martin um programa de modernização de todos os seus F-16, que permitirá a incorporação de alguns dos componentes do F-35 e da nova geração de armamentos planejados para essa nova aeronave. Alguns especialistas consideram que, lá pelo ano 2025, a USAF talvez ainda esteja operando o F-16, o que o fará uma das aeronaves de vida útil mais longa da história do poderio aéreo.</span><span style=""><o:p></o:p></span></p><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20118675-4292757050518185337?l=neuromaniaco.blogspot.com'/></div>Bitthttp://www.blogger.com/profile/05469586261730431758noreply@blogger.com7tag:blogger.com,1999:blog-20118675.post-72426275223708462122007-08-13T19:45:00.000-07:002007-08-13T19:51:27.865-07:00O lugar da guerra da teoria marxista::<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; font-family: trebuchet ms; color: rgb(255, 255, 204);">E aí está a segunda (e última) parte do ensaio sobre “o lugar na guerra na teoria marxista”. De fato, após a leitura, teremos notado que tal lugar é bastante modesto, e que Marx, e mais ainda, Engels, lidaram com a guerra levando em conta mais a práxis do que a teoria. Para o marxismo, a práxis é a ação objetiva que, concretizando e superando a atuação meramente teórica, permite ao ser humano construir a si mesmo e, por conseguinte, a seu mundo, de forma livre e autônoma, nos âmbitos cultural, político e econômico. A práxis se manifesta, em última análise, na militância política e na prática teórica engajada. Enfim, coisa que ativistas políticos conhecem muito bem, quando resolvem “cair na clandestinidade”. <o:p></o:p></p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; font-family: trebuchet ms; color: rgb(255, 255, 204);">Marx e Engels não foram, de modo algum, apenas filósofos. Viveram intensamente uma das épocas mais interessantes da história, na qual o longo processo de liberação plena das forças produtivas, operado pelo surgimento e ascensão do capitalismo. A modificação da sociedade implicou em grandes transformações, mas também em grandes injustiças. A luta contra a situação criada pelo capitalismo foi a luta a que os dois, ambos prolixos jornalistas políticos e propagandistas da causa dos trabalhadores, se dedicaram. A questão da guerra, para ambos, aparece em primeiro lugar como um fator dentro da luta geral de proletários e camponeses.<o:p></o:p></p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; font-family: trebuchet ms; color: rgb(255, 255, 204);">O autor do texto é Victor Gordon Kiernan, professor emérito de história da Universidade de Edimburgo, autor de dezenas de livros sobre temas como a história do tabaco, os duelos na história européia e um brilhante ensaio sobre Shakespeare. Entretanto, Kiernan destacou-se como autor de textos de análise e interpretação tendo como base a teoria marxista. <o:p></o:p></p> <p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; font-family: trebuchet ms; color: rgb(255, 255, 204);">Este texto é uma tradução do verbete <i style="">War</i>, que figura em <i style="">A dictionary of Marxist thought</i>, editado por Tom Bottomore e publicado em 1983 por Harvard University Press, Cambridge, Mass., USA.</p><p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; font-family: trebuchet ms; color: rgb(255, 255, 204);"> <span style=""> </span><span style=""> </span><o:p></o:p></p> <div style="border-style: solid none none; border-color: windowtext -moz-use-text-color -moz-use-text-color; border-width: 1pt medium medium; padding: 1pt 0cm 0cm; font-family: trebuchet ms; color: rgb(255, 255, 204);"> <p class="MsoNormal" style="border: medium none ; padding: 0cm;">Parte II<o:p></o:p></p> <p class="MsoNormal" style="border: medium none ; padding: 0cm;">Marx compreendeu que os exércitos poderiam exercer certa atração popular, não só para o chauvinismo, mas, por motivos mais sólidos, para aqueles aos quais proporcionava emprego. Na França, os camponeses tinham muito gosto pela guerra e pela glória, escreveu ele, porque o recrutamento militar minorava o excesso de população no campo (cf. <i style="">O Dezoito Brumário de Luís Bonaparte</i>, parte VII). As, a partir de 1848, ele e Engels passaram a lutar pela abolição dos exércitos regulares e por sua substituição, não por milícias burguesas do tipo da Guarda Nacional francesa, mas por um “povo armado”, mais democrático. É muito provável que Engels, quando engajou-se com tanto entudiasmo, no corpo de voluntários, na década de 1860, visse nele um passo nessa direção. Na Alemanha e em outros lugares, os partidos socialistas apoiaram essa reivindicação. Os governos, por seu lado, expandiram seus exércitos regulares com base no serviço militar obrigatório. De qualquer modo, Engels – como Lenin – conservou a esperança de que os governos estavam dando às massas um treinamento militar de que elas poderiam se valer para derrubá-los (cf. <i style="">Anti-Dühring</i>, parte II, cap. 3).<o:p></o:p></p> <p class="MsoNormal" style="border: medium none ; padding: 0cm;">Ao mesmo tempo, ele se sentia preocupado com a hipertrofia dos exércitos, com seu crescimento ao ponto de se transformarem quase em um Estado. As forças armadas se haviam transformado em um fim em si mesmas, escreveu Engels, desalentado (cf. <i style="">Anti-Dühring</i>, parte II, cap. 3), enquanto a nação era reduzida a um mero apêndice sem outra função senão a de sustentá-lo. Em seus últimos anos, preocupava-se cada vez mais com o perigo da guerra. Não era possível pensar-se agora numa “guerra revolucionária”, e ela não era necessária, pois os partidos socialistas cresciam e pareciam capazes de tomar o poder dentro de pouco tempo por si mesmos. E um conflito travados com as terríveis armas novas representaria um retrocesso terrível para o socialismo e para a civilização.Numa longa carta a Lafargue, datada de 25 de outubro de 1866, sobre a crise balcânica e as forças incendiárias em atividade na região, argumentou que, se houvesse guerra, seu verdadeiro propósito seria conter a revolta social. “Portanto, sou pela ´paz a qualquer preço´...”. Mas, em 1891, Engels tinha algo diferente a dizer: a Alemanha deveria estar preparada para defender-se de um ataque da Rússia e da França, então aliadas. Suas palavras foram citadas em 1914: Engels se esquecera da dificuldade que tinha o homem comum em saber, num caso desses, qual é o lado agressor. Muito próximo do fim, ele acalentou a idéia demasiado esperançosa, de que as novas armas haviam tornado os riscos da guerra muito mais incalculáveis do que qualquer governo ousaria enfrentar, e que as coalizões em que o continente europeu estava dividido poderiam dissolver-se espontâneamente (Carta a P. Lafargue datada de 22 de janeiro de 1895). Em meio à pressão dos acontecimentos e à crescente complexidade das relações internacionais, suas impressões eram, evidentemente, flutuantes: sua lógica nem sempre é fácil de seguir, e nenhuma concepção geral emerge com clareza, nesse último período, de seus escritos. <o:p></o:p></p> <p class="MsoNormal" style="border: medium none ; padding: 0cm;">Seus sucessores herdaram essa perplexidade cada vez maior e mais profunda. Com a aproximação de 1914, as conferências realizadas pela Segunda Internacional, cujos líderes eram, em sua maioria, marxistas ou próximos do marxismo, foram dominadas pelo perigo da guerra. Em 1905, o socialista francês Jaurès fez duas previsões sobre o resultado da guerra européia que ser mostrariam corretas: a guerra poderia desencadear a revolução, mas poderia tornar-se também o limiar de uma era de ódios nacionais, reação e ditadura (In: Margaret Pease<i style="">. Jean Jaurès: Socialist and Humanitarian</i>.Nova Iorque & Londres, 1916. p. 126). O historiador Karl Kautsky, que depois da morte de Engels tornou-se o principal teórico da Internacional, podia contentar-se com a reflexão de que os sistemas sociais petrificados foram, com muito maior freqüência na história, construídos pela guerra do que pela revolução. Mas compreendeu, como Engels, que o medo da revolução poderia levar um regime inseguro a jogar com a guerra como uma solução. Num estado de espírito mais exaltado, , manifestou a esperança de que a sombra da revolta tivesse o efeito contrário de atemorizar os governos, afastando-os das armas.Durante trinta anos, escreveu ele em <i style="">Weg zum Macht</i> (O caminho do poder), esse temor teria evitado uma guerra que, de outro modo, já teria estourado há muito tempo (cf. “Weg zum macht”. <i style="">Neue Zeit</i> n°50,1909, p.149-154). Não podia, porém, contemplar o futuro sem sombrias preocupações. As classes dominantes acusavam-se umas às outras, nos países vizinhos, de conspiração; a hostilidade mútua transformava-se em histeria; a expansão imperialista tornava inevitável a acumulação de armas, que prosseguia até o ponto de exaustão e explosão. Os teóricos acreditavam que apenas a revolução poderia conter essa tendência.<o:p></o:p></p> <p class="MsoNormal" style="border: medium none ; padding: 0cm;">Karl Liebknecht escreveu, no livro que lhe valeria 18 meses de prisão que o militarismo é um fenômeno tão complexo, que se torna muito difícil dissecá-lo. Os militares e os capitalistas não tinham, no seu entender, sentimentos de mútua simpatia, mas pareciam se aceitar uns aos outros como “mal necessário”; financeiramente, o exército era um ônus, embora a maior parte de seu peso recaísse sobre os trabalhadores (cf. Karl LIEBKNECHT. <i style="">Militarismus und Antimilitarismus</i> (1907). Berlim: Neue Verlag, 1973. p. 48-52).Tal avaliação não pode ser considerada como uma afirmação clara de que a cauda da guerra está no capitalismo, e essa afirmação não se encontra em “O Capital”, e dificilmente pode ser deduzida de seu conteúdo. Entretanto, nos anos anteriores a 1914, parecia bastante natural responsabilizar as classes burguesas e seus clientes pela motivação para a guerra, principalmente porque seus próprios porta-vozes afirmavam, com toda a ênfase, que o comércio seguia os canhões, e que as nações deviam entrar na luta pela existência ou desaparecer. Em 1912, o congresso da Internacional, em Basiléia, Suiça, resolveu que, se a classe operária fosse incapaz de evitar a catástrofe, deveria esforçar-se em promover o fim das hostilidades e valer-se da crise delas resultante para derrubar o capitalismo, pois seria crime trabalhadores se matarem mutuamente em benefício de seus opressores.<o:p></o:p></p> <p class="MsoNormal" style="border: medium none ; padding: 0cm;">Com a chegada de 1914, a Internacional cindiu-se sem possibilidade de acordo, e a cisão do socialismo perdura desde então. Lênin relacionava essa divisão dentre os principais ganhos obtidos pelas classes burguesas com a guerra. No manifesto que preparou para o comitê do Partido em outubro de 1914, sobre a guerra e a social-democracia russa, levou em conta uma quantidade de causas complexas: a corrida armamentista, a luta pelos mercados, os interesses dinásticos das velhas monarquias e o desejo de desviar a atenção e dividir os trabalhadores, cuja resposta deveria ter sido transformar a guerra em guerra civil (cf. Lenin. “The war and the russian social-democracy.” <i style="">Collected works</i>. Vol. 21. Londres, 1964).Em essência, afirmava Lenin em sua análise do colapso da Segunda Internacional (feita em 1915), todos os governos vinham se preparando para a guerra; todos eram culpados e seria desonesto repetir o que Marx e Engels haviam dito, em outra época e outro contexto, sobre “guerras progressistas” (cf. Lenin. “The collapse of the Second International.” <i style="">Collected works</i>. Vol. 1. Londres, 1953).<o:p></o:p></p> <p class="MsoNormal" style="border: medium none ; padding: 0cm; margin-top: 12pt;">Pode-se dizer que os bolveviques tinham mais a esperar da derrota de seu país do que qualquer outro partido socialista, pois eram demasiado fracos para contar, tão cedo, com uma oportunidade de chegar ao poder que se apresentasse de qualquer outro modo.Mas, com o prosseguimento da guerra, Lenin passou a responsabilidade por ela cada vez mais ao capitalismo, que também era mais fraco na Rússia do que em qualquer outro país beligerante.Este foi o tema predominante de seu livro sobre o imperialismo (cf. Lenin. “Imperialism, highest fase of capitalism”. <i style="">Collected works</i>. Vol. 22. Londres, 1971). Em seu primeiro congresso, a nova Internacional Comunista confirmou, formalmente, o diagnóstico da Primeira Guerra Mundial como uma explosão das contradições do capitalismo e da anarquia de uma economia por ele governada. A Rússia enfrentava então tensões de outro tipo: a guerra civil combinada com uma intervenção estrangeira. Lenin formulou algumas conclusões políticas a partir dessa situação, em um relatório ao Sétimo Congresso dos Sovietes de toda a Rússia, em dezembro de 1919). “A guerra não é apenas uma continuação da política, é a epítome da política.” ((cf. Lenin (1919). “Report to the &th All Russian Congress of the Soviets.” <i style=""><span style=""> </span></i><i style="">Collected works</i>. Vol. 30. Londres, 1980). Ele acreditava que a luta estava dando aos operários e camponeses que a estavam colhendo uma educação política muito mais rápida do que teria sido possível em outra circunstância. Quando de seu término, Trotsky, que foi o criador do Exército Vermelho, registrou algumas lições militares que tinham uma essência prática de bom-senso. A guerra não podia ser reduzida à uma ciência com leis eternas, como queriam os tradicionalistas, nem ser guiada, como imaginavam alguns jovens entusiastas, como um jogo de xadrez, por preceitos deduzidos do marxismo. <o:p></o:p></p> <p class="MsoNormal" style="border: medium none ; padding: 0cm;">Pouco depois de 1918, os comunistas advertiram para o perigo de outra guerra mundial. Desde a experiência de 1941-1945, com suas perdas incalculáveis para a URSS, os marxistas (com excessão dos chineses) deram grande ênfase à prevenção da guerra como a mais premente necessidade da humanidade. Numa declaração formal de 1961, na realidade uma rejeição do aventureirismo maoísta e de sua tese da inevitabilidade da guerra, os outros partidos comunistas afirmaram (e nisso não estavam sendo muito exatos) que o marxismo nunca havia considerado a guerra como o caminho por excelência para a revolução. Enquanto isso, o estudo histórico da guerra e da sociedade progredia ativamente, embora muita coisa ainda precise ser melhor compreendida.Os marxistas deram contribuições valiosas para a análise da Segunda Guerra Mundial, chamando atenção para a parcela de responsabilidade que coube aos altos círculos da economia alemã, obscurecida pelo tratamento dado à mesma no Ocidente, onde é caracterizada, simplesmente, como uma luta contra Hitler e o nazismo.Mas não se pode dizer realmente que exista uma doutrina abrangente das causas da guerra que possa ter pretensões ao título de marxista, embora exista uma doutrina leninista relativa às guerras deste século. Entre as diversas hipóteses, a que foi formulada por Engels, no final da vida, de que a guerra tenha mais possibilidade de eclodir com a superacumulação de armamentos, parece ser a única que guarda, hoje em dia, alguma relevância.<o:p></o:p></p> <p class="MsoNormal" style="border: medium none ; padding: 0cm;">As guerras de libertação colonial, nos últimos 50 anos, colocaram novas questões para análise. Receberam dos marxistas aprovação muito mais entusiasmada do que Marx e Engels podiam conferir às guerras de construção nacional européias, no século XIX. Os levantes coloniais foram, em sua maioria, organizados e conduzidos pelos comunistas. Engels escreveu, com freqüência, sobre as campanhas de além-mar,em sua época, particularmente sobre a revolta indiana e a segunda guerra da China (1856-1860); escreveu com espírito altamente crítico sobre o imperialismo, embora manifestasse a expectativa de que ele viesse a mostrar, de maneira não-intencional, revolucionário, pela destruição de velhos regimes, já obsoletos.A estimativa que fazia sobre a capacidade de luta de indianos, persas e chineses, mal organizados e mal liderados, eram, em geral, muito negativas. Nos escritos e discursos de Trotsky durante a guerra civil russa, há uma rejeição inflexível da tática de guerrilha, vista como anárquica e inútil. A experiência posterior mostraria que a guerrilha, guiada por uma firme liderança política e realizada com planejamento militar, pode ser altamente eficaz. Dentre outros, Mao e o general Giap acreditavam ser necessário proceder, o mais depressa possível, a constituição de exércitos regulares, permanecendo as guerrilhas como forças auxiliares. Em áreas amplas, as guerras de libertação colonial conduzidas por guerrilhas chegaram a ter sucesso. <o:p></o:p></p> </div> <span style="font-family: trebuchet ms; color: rgb(255, 255, 204);">(Tradução e adaptação por J. Bittencourt)</span><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20118675-7242627522370846212?l=neuromaniaco.blogspot.com'/></div>Bitthttp://www.blogger.com/profile/05469586261730431758noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-20118675.post-43311551100982577652007-08-08T19:19:00.000-07:002007-08-08T20:00:04.590-07:00O lugar da guerra da teoria marxista::<p style="color: rgb(255, 255, 204); font-family: trebuchet ms;"><em><span style="font-size: 11pt; font-style: normal;"><span style="font-size:100%;"><span style="font-weight: bold;">Dizer que a guerra é a realidade mais constante na história humana</span></span> é chover no molhado. Mas temos observado um tipo novo de guerra, promovido, ao longo das últimas duas décadas, em nome de uma “ordem internacional” que visaria promover uma espécie de “paz armada” e um “equilíbrio assimétrico” no aparece certa preponderância dos EUA. Entretanto, uma série de intelectuais de esquerda têm argumentado contra uma relação automática que tende a relacionar essas guerras como a mera expressão da vontade das administrações conservadoras na Casa Branca. Essas teses tentam não relacionar o neoconservadorismo entranhado na administração norte-americana com certo momento que atravessa o sistema capitalista. Mas cabe pensar, ainda que como mero exercício intelectual, se a análise marxista recente, que recupera a teoria marxiana, notadamente o imperialismo (entendido como sistema político, econômico e social) do surgimento das guerras e movimentos agressivos atuais, é cabível, diante do recuo, inclusive acadêmico, desse pensamento.</span></em><span style="font-size: 11pt;"><o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(255, 255, 204); font-family: trebuchet ms;"><span style="font-size: 11pt;">Muitos observadores, na universidade, na imprensa e nas organizações da sociedade civil, não importa se à direita ou à esquerda, já admitem estarmos diante de um renovado movimento de expansão imperialista. Por outro lado, uma maioria de agentes intelectuais tendem a minimizar essa política como iniciativa de neoconservadores e militaristas, carecendo inclusive de lógica e organização interna. Esta visão tem se tornado dominante entre os críticos liberais da guerra. Por outro lado, uma explicação mais interessante focaliza aspectos que mudam o eixo de entendimento da questão. A estagnação econômica, a globalização financeira, a disputa por recursos naturais, o declínio da hegemonia norte-americana, a fratura de objetivos no mundo capitalista e a ausência de uma superpotência capaz e disposta a opor-se eficazmente, política e militarmente, aos EUA são fatores que impelem ao surgimento de movimentos nos quais as nações centrais – chamadas genericamente de “o Ocidente” - tentem criar condições para manter suas economias nacionais, fortemente entrelaçadas, em expansão. Por outro lado, o aparecimento, na cena internacional, de agentes com capacidade de atuação global e dinamismo que parece exceder a capacidade dos países capitalistas mais antigos, faz com que haja necessidade de garantir posições – situação que lembra, em diversos aspectos, o contexto observado no período compreendido entre 1870 e 1914 – a “fase superior do capitalismo”, conforme designou certo pensador... <o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(255, 255, 204); font-family: trebuchet ms;"><span style="font-size: 11pt;"><span style="font-size:100%;"><span style="font-weight: bold;">O contexto atual tornou-se um estímulo para que os EUA </span></span>tentassem assumir o papel de potência hegemônica global, colocando-se como potência supranacional e uma espécie de “polícia global”. Não se trata, pois de mera plataforma partidária, mas de objetivos nacionais estabelecidos à longo prazo, apoiados pelas classes dirigentes norte-americanas e perfeitamente expressos, com pequenas divergências, pela classe política, representada nos partidos principais e nas organizações políticas e econômicas da sociedade civil. <o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(255, 255, 204); font-family: trebuchet ms;"><span style="font-size: 11pt;">E não se trata de um movimento isolado, uma iniciativa observável apenas nos EUA. O apoio dos aliados advém do fato de que os gastos militares necessários para uma política desse caráter constituem um ônus capaz de entravar a expansão dos aparelhos produtivos nacionais, já enredados em problemas não pequenos. O processo, entretanto, parece estar fadado ao fracasso, visto que não existe entre os atores principais unanimidade sobre métodos e sobre o lugar de cada um num contexto futuro. E nem existe segurança que esse contexto se desenhe do modo que tem sido projetado. O que tem acontecido é uma renovada produção da guerra - o que torna mais brilhante o título de um livro escrito dez anos atrás por Phillipe Delmas: <a href="http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2005/12/340938.shtml">"O belo futuro da guerra"</a>. E que futuro... <o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(255, 255, 204); font-family: trebuchet ms;"><span style="font-size: 11pt;">Esta é, evidentemente, uma análise de extração marxiana, baseada na compreensão de certos elementos formulados nos principais textos de Marx, bem como de Friederich Engels. Não espero que todos a aceitem, mas se trata de uma construção lógica razoável. É, em grande parte, baseada nos textos de <a href="http://http://resistir.info/mreview/fim_capitalismo_racional.html">Paul Sweezy</a>, <a href="http://resistir.info/mreview/redescoberta_do_imperialismo.html">John Bellamy Foster</a> (adoro esse cara!..) e, lógico, <a href="http://www.nodo50.org/insurgentes/biblioteca/o_que_o_tio_sam_realmente_quer_chomsky.pdf">Noam Chomsky</a> (irritemos um ou outro: afinal, o quê a gente ganha com esses blogs, além de diversão?..), e não tem nenhuma novidade. <o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(255, 255, 204); font-family: trebuchet ms;"><span style="font-size: 11pt;"><span style="font-size:100%;"><span style="font-weight: bold;">Entretanto, visto que a guerra é um dos elementos centrais para sua formulação</span></span> (como é um dos elementos básicos dentro da teoria do imperialismo), é uma pergunta interessante se é bem claro o lugar da guerra na obra de Marx e Engels. Portanto, é uma boa oportunidade para recorrer a um clássico – na próxima postagem, falo sobre o autor. Então, será em duas partes, de novo??? Mas claro - adoro dividir esses textos em partes...<o:p></o:p></span></p> <br /> <div style="border-style: solid none none; border-color: windowtext -moz-use-text-color -moz-use-text-color; border-width: 1pt medium medium; padding: 1pt 0cm 0cm; color: rgb(255, 255, 204); font-family: trebuchet ms;"> <p class="MsoNormal" style="border: medium none ; padding: 0cm;">Parte I<o:p></o:p></p> </div> <p style="color: rgb(255, 255, 204); font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style="font-size:100%;"><span style="font-weight: bold;">Marx e Engels cresceram no período imediatamente posterior </span></span>aos 25 anos de guerras revolucionárias e napoleônicas, que correspondem a um longo intervalo de paz na Europa, entre 1815 e 1854, e bem pode ter contribuído para levá-los a não considerar a guerra como a mais importante das atividades humanas. Eram, além disso, jovens progressistas de origem burguesa, que cresciam sob um regime político bem pouco simpático , a monarquia militar prussiana. A abordagem da história que eles começaram a desenvolver na década de 1840 teve como pedra fundamental os modos de produção econômica, deixando relativamente de lado as guerras, a violência e a conquista, que os historiadores de então colocavam em lugar de destaque. Em <i style="">A ideologia alemã</i>, admitiram a freqüência do conflito armado, mas reduziram-lhe a significação, dizendo que os conquistadores tinham de adaptar-se ao sistema produtivo que encontravam, tal como fizeram os bárbaros que dominaram o império romano.<o:p></o:p></p> <p style="color: rgb(255, 255, 204); font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal">Em 1848, Marx e Engels, membros da Liga Comunista defenderam uma “guerra revolucionária” contra a Rússia. Era uma estratégia baseada no precedente dos exércitos revolucionários franceses, em marcha pela Europa. Desde então, e até o fim de suas vidas, as questões relativas à guerra se impuseram à sua atenção, e com relação a tais questões, desenvolveram interesses divergentes mas complementares: Marx no sentido das questões mais teóricas, Engels ocupando-se dos métodos e da evolução das técnicas da guerra. Este último servira, durante breve período, na artilharia prussiana e participara do abortado levante de 1847 no sudoeste da Alemanha. Uma carta de 1851 mostra que ele planejara uma série de estudos de amplo escopo, com o motivo muito prático de qualificar-se para oferecer orientação por ocasião da próxima explosão revolucionária. Colaborou com numerosos artigos sobre assuntos militares para os comentários feitos por Marx sobre acontecimentos do momento, e estes e outros escritos granjearam-lhe a reputação de especialistas no assunto.<o:p></o:p></p> <p style="color: rgb(255, 255, 204); font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal">Sobre as relações entre a economia e a guerra na época em que viveram, ou pouco antes, Marx e Engels expressam vários pontos de vista, nunca reunidos de maneira regular. Em <i style="">A ideologia alemã</i> (vol. I, I,2) e em outros trabalhos, admitiram que o período inicial do capitalismo, até cerca de 1800, com o capital mercantil na liderança havia sido marcado por muitas guerras, motivadas pela luta pelas colônias e concorrência comercial.Mas o capitalismo industrial mais moderno aparecia-lhes , ao que tudo indica, sob outra luz. É de lamentar que Marx e Engels jamais tenham<span style=""> </span>retomado uma intuição antiga, que se revela em <i style="">A sagrada família</i> (cap. VI, seção 3). Segundo essa passagem, Napoleão, obcecado pela luta militar e pela glória como fim em si mesma, não estimulou a burguesia francesa, abrindo-lhe mercados, mas, ao contrário, afastou-se de seu verdadeiro caminho, que era a construção de uma base industrial para a França. Em 1849, Marx estendeu essa concepção pacífica do capitalismo moderno até a oligarquia financeira, dizendo que essa seria sempre pela pais, pois a guerra fazia baixar as cotações da bolsa de valores (cf. <i style="">A luta de classes na França de 1848 a 1852</i>, seção 1). Em artigo publicado em 1853, Marx chegou a afirmar que nada, senão uma crise econômica, poderia provocar a guerra ... e poderia provocar a guerra muito mais por motivos políticos do que propriamente econômicos (“Revolução na China e na Europa”, <span style="font-style: italic;">New York Daily Tribune</span>, 14 de junho de 1853). A Europa estava então na iminência da Guerra da Criméia (1854-1856), a primeira de uma nova série de conflitos, e Marx iria demonstrar, pelo evento, apaixonado interesse. Quando a guerra eclodiu, ele tinha perfeita consciência da combinação, do lado dos Aliados, entre motivos econômicos e motivos políticos, e constatou com clareza os motivos de Napoleão III e de <span style="font-style: italic;">lord</span> Palmerson, ambos mais ligados à questões internas de seus países.Condenar a guerra como uma peste imposta pelos governos a seus povos era tendência natural do pensamento desse "jovem Marx". Por outro lado, ele e Engels, bem como Lenin mais tarde, opuseram-se sempre com firmeza ao pacifismo e a preocupação que os dominava, então, era a intervenção do czar, o “policial da Europa”, que tanto contribuíra para derrotar as revoluções de 1848-1849.Uma guerra bem sucedida contra Nicolau I Romanov libertaria a Rússia e abriria o caminho para o progresso na Europa; e mais ainda se uma coalizão convencional entre governos pudesse ser transformada numa guerra verdadeiramente revolucionária de povos e princípios. Marx e Engels se decepcionaram...<span style=""> </span>Engels deplorou a incompetência dos comandantes e a decadência da “arte da guerra”; Marx receava que a guerra pudesse deixar de ser uma ferramenta libertadora e deplorou a “raça domesticada dos homens do presente” (cf. <i style="">The eastern question</i>, n<sup>o</sup>s 88 e 104), como se a civilização lhe parecesse estar condenada devido à sua incapacidade,somada à fascinação pela prosperidade industrial, de lutar com disposição. Sua aversão pelos donos de moinhos contribuiu para que ele combinasse os ataques ao cobdenismo [de Richard Cobden, industrial e político inglês, defensor agressivo do livre-comércio e da liberdade de iniciativa] com as críticas aquele simulacro de guerra.<o:p></o:p></p> <p style="color: rgb(255, 255, 204); font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style="font-weight: bold;">Da visão, ou talvez, miragem da “guerra revolucionária”</span>, passou-se ao plano mais realista da aprovação limitada que era possível dar às guerras que se seguiram, até 1870, que seriam classificadas pelo marxismo como “progressistas-burguesas” ou “guerras de libertação” nacional. Os socialistas não podiam tomar parte diretamente nelas, mas considerariam apoiar o lado que apresentasse as perspectivas mais favoráveis à classe operária. Entre essas guerras estava a Guerra da Secessão norte-americana, que Marx e Engels acompanharam com atenção especial, e cuja simpatia pelo Norte não escondiam. Engels, como observador militar, foi surpreendido pelo espírito combativo e competência militar do Sul; Marx esteve mais atento aos fatores subjacentes que apontavam, a médio prazo, uma vitória do Norte.<o:p></o:p></p> <p style="color: rgb(255, 255, 204); font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal">Na época da Guerra Austro-Prussiana, de 1866, a Primeira Internacional já tinha sido convocada, e uma resolução, não inspirada por Marx ou Engels, conclamou os trabalhadores a se manterem neutros em uma briga que era de interesse dos setores dominantes, representados pelos governos beligerantes. Mas essa guerra, bem como a seguinte, contra a França (1870), ajudaram a promover a unificação da Alemanha, seguida, logo depois, pela da Itália. E, embora Marx e Engels achassem profundamente lamentável que a unificação da Alemanha estivesse sendo feita por elites aristocráticas e plutocráticas, chafiadas por Bismarck, sem a participação ativa dos trabalhadores, ainda assim consideravam o saldo final positivo, por favorecer o crescimento econômico e, por conseguinte, a expansão da classe operária. Por outro lado, inclinavam-se a considerar a guerra de 1870 como resultante de uma provocação de Napoleão III, e, portanto, do lado alemão, uma guerra defensiva. Achavam, entretanto, que os socialistas alemães deviam opor-se às anexações territoriais e trabalhar pela reconciliação com o operariado francês.<o:p></o:p></p> <p style="color: rgb(255, 255, 204); font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style="font-weight: bold;">Os acontecimentos e novos estudos os levaram a reconsiderar </span>algumas de suas concepções originais sobre o lugar da guerra na história. Curiosamente, foi Engels que se mostrou o menos inclinado a conceder ao fenômeno, lugar de maior destaque. Às voltas com problemas da história antiga, Marx foi obrigado, por volta de 1857, a reconhecer a guerra, pelo menos em certas épocas, como um fator fundamental. A concorrência pela terra, escreveu ele, deve ter feito da atividade guerreira uma das principais tarefas de todas as comunidades agrárias primitivas. Na Grécia, ela era a grande função coletiva, e a cidade desenvolveu-se como seu ponto focal de organização. A guerra e a conquista eram, igualmente, parte integrante da vida romana. Por estimularem a escravidão e a desigualdade, a longo prazo acabaram por subverter a República. Engels, ao contrário, repetiu, no <i style="">Anti-Dühring</i>, um dos principais postulados de <i style="">A ideologia alemã</i>: a idéia de que a história seria, essencialmente, a expressão do exercício da força era ridícula. Em 1887-1888, procurou demonstrar que Bismarck havia realizado, involuntariamente, o trabalho da revolução burguesa, acabando com a pletora de pequenos estados alemães, e que o regime por ele criado era um peço temporário a pagar.<o:p></o:p></p> <p style="color: rgb(255, 255, 204); font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal">A Europa Ocidental já havia, nessa época, assumido a forma de Poucos e grandes Estados nacionais, entre os quais, a harmonia deveria ser buscada, por ser essencial ao progresso do<span style=""> </span>(cf. “O papel da violência na história”, seção 1). O trabalho ficou inacabado – talvez Engels tenha perdido a confiança em seu argumento.<o:p></o:p></p> <p style="color: rgb(255, 255, 204); font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style="font-weight: bold;">Esse trabalho de Engels </span>mostra uma certa afinidade com uma outra linha de pensamento que, durante muitos anos, ele e Marx, bem como alguns de seus discípulos (por exemplo, Paul Lafargue), julgaram convincente.Os acontecimentos de 1848-1849 e, posteriormente a imagem que fizeram da guerra da Criméia como simples ficção de luta, levou-os a concluir que os exércitos modernos não eram mais do que corpos de polícia, organizados pelos Estados para manter seus respectivos povos sob controle. Depois de 1848, as burguesias européias, aterrorizadas com os operários, buscaram proteção de governos e soldados. “É esse o segredo dos exércitos permanentes da Europa, que seriam, para os historiadores futuros, de outra forma, incompreensíveis”, escreveu Marx em “A revolução na Espanha”, artigo publicado no <i style="">New York Daily Tribune</i> em agosto de 1856. Nesse artigo, ele comentava um episódio da contra-revolução na Espanha, e suas palavras são aplicáveis ao exército espanhol durante a maior parte do século XIX e todo o século XX. Esse exército tinha, além disso, o hábito que conservou por muito tempo, de interferir em política, segundo os próprios desígnios. Essa era, aliás, outra ameaça que Marx levou em conta, particularmente depois de 1851, quando Luís Napoleão pôde valer-se dos generais franceses, muitos deles formados na escola brutal da conquista argelina, para dar seu golpe de estado e assegurar-se o trono::</p><p class="MsoNormal"><span style="font-family: &quot;Trebuchet MS&quot;,&quot;sans-serif&quot;;"><span style=""><span style="color: rgb(255, 255, 204); font-family: trebuchet ms;">(</span><span style="font-style: italic; color: rgb(255, 255, 204); font-family: trebuchet ms;">Tradução e adaptação do original em inglês por Josef Bittencourt</span><span style="color: rgb(255, 255, 204); font-family: trebuchet ms;">) </span> </span><span style=""> </span><span style=""> </span><span style=""> </span><span style=""> </span><o:p></o:p></span></p><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20118675-4331155110098257765?l=neuromaniaco.blogspot.com'/></div>Bitthttp://www.blogger.com/profile/05469586261730431758noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-20118675.post-57288442419010572242007-08-06T18:02:00.000-07:002007-08-27T21:36:55.392-07:00Uma das conseqüências mais duradouras da Segunda Guerra Mundial: o fuzil de assalto::<span style="color: rgb(255, 255, 204);font-family:trebuchet ms;" ><span style="color: rgb(51, 51, 51);">Gostaram da parte I? Pois já devem ter reparado que gosto de escrever em partes... Aproveitem então a parte II::</span><br /><br /></span> <p style="margin: 0cm 0cm 6pt; background: black none repeat scroll 0% 50%; line-height: 12pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial; color: rgb(255, 255, 204);"><span style=""><span style="font-size:85%;"><span style="font-family:trebuchet ms;">1939-1940:</span></span><i><span style="font-size:85%;"><span style="font-family:trebuchet ms;"> novo </span></span><span style="font-size:85%;"><span style="font-family:trebuchet ms;">do campo de batalha, velhas armas</span><o:p style="font-family: trebuchet ms;"></o:p></span></i></span></p> <p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><b style=""><span style="">A</span></b><b style=""><span style=""> concepção do fuzil de assalto expressa uma evolução</span></b></span><span style="font-size:85%;"> das doutrinas aplicadas ao campo de batalha, e seus desdobramentos durante o desenrolar do conflito. Na primeira fase da Segunda Guerra Mundial, que corresponde à campanha da Polônia e às campanhas da Noruega, Países Baixos e França, a desconcertante rapidez da vitória alemã ocultou alguns problemas, um deles a inadequação do armamento de infantaria. Essa primeira fase da guerra foi travada por exércitos equipados e treinados para uma luta no estilo da Primeira Guerra Mundial. De fato, Inglaterra e França estavam às voltas com enormes estoques de armamentos herdados da Grande Guerra, por problemas econômicos, não investiram fortemente no reequipamento das forças terrestres. Nos anos de 1930, blindados e aviação observaram grandes avanços, mas apenas a Alemanha formulou uma doutrina e táticas que lhe permitiram explorar ao extremo as potencialidades das novas tecnologias. <o:p></o:p></span></p> <p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;">Os especialistas militares alemães perceberam o movimento coordenado, baseado em veículos a motor e grande disponibilidade de combustível mudaria o combate, que perderia seus aspectos estáticos e linhas de frente bem definidas. O tiro - fosse de artilharia ou de armas portáteis - não mais se caracterizaria pelos disparos de longo alcance. A guerra de movimento impedia a colocação de tropas em posições estáticas, visto que tais posições eram facilmente ultrapassadas pelo movimento de blindados, acompanhados à curta distância por elementos de infantaria, transportados em veículos protegidos ou em caminhões. Se aproximando rapidamente do inimigo, já desestabilizado pelo fogo aéreo e dos canhões dos blindados, os “infantes blindados” combateriam a uma distância menor – por vezes tendo o inimigo diretamente à vista. <o:p></o:p></span></p> <p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;">A maximização do movimento exigia o uso de estradas, o que implicava na possibilidade da entrada em cidades – onde geralmente estavam instaladas pontes, entroncamentos e facilidades rodoviárias, mas as cidades se constituíam em um campo de batalha pouco conhecido e estudado, até então. Nas cidades, os defensores podiam movimentar-se e se ocultar facilmente, expondo-se por curto período de tempo. Posições fixas de artilharia e metralhadoras eram, numa tal condição, impensáveis. <o:p></o:p></span></p> <p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><b style=""><span style="">As armas disponíveis em 1939 não consideravam nem uma nem outra situação.</span></b></span><span style="font-size:85%;"> Basicamente, as que estavam disponíveis eram adaptações feitas ainda durante a Grande Guerra. Por exemplo, as metralhadoras, como forma de ganhar maior mobilidade, passaram a ser equipadas com bipés e ser desenhadas como um fuzil, dotadas de coronha e carregadores tipo “caixa”. Essas modificações visavam dotar os infantes de maior poder de fogo, de modo a conseguir superar posições defensivas entrincheiradas – eram adaptações derivavas das condições da guerra de trincheiras.<o:p></o:p></span></p> <p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;">Durante a Grande Guerra tinha sido levantada também a possibilidade da substituição do fuzil K98, sendo considerada a adoção de um fuzil semi-automático. Por motivos óbvios, a discussão não foi levada adiante. <o:p></o:p></span></p> <p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><span style="color: rgb(51, 51, 51);">Nas submetralhadoras os especialistas enxergaram as armas ideais para o novo campo de batalha: fogo supressivo instantâneo e em grande volume, grande capacidade de munição e pequenas dimensões. Armas como o fuzil Garand M1 e o fuzil semi-automático russo Tokarev, disponíveis em grande quantidade no início da Segunda Guerra, embora projetos posteriores à Grande Guerra, tinham tido em vista as condições daquela. Eram muito mais rápidos de usar do que os fuzis de ferrolho, mas ainda eram grandes, pesados e desajeitados para o uso nos novos campos de batalha.</span><o:p></o:p></span></p> <p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192);font-family:trebuchet ms;"><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_IjOcXQvz9KI/RrfHsi3jB1I/AAAAAAAAACE/lJnuJb1gBx4/s1600-h/FG42_01.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_IjOcXQvz9KI/RrfHsi3jB1I/AAAAAAAAACE/lJnuJb1gBx4/s320/FG42_01.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5095761071480964946" border="0" /></a></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><br /></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><br /></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><br /></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><br /></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><br /></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><br /></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><span style="color: rgb(51, 51, 51);">Um pára-quedista da Luftwaffe dispara o FG42</span><br /></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><br /></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;">A pouca eficiência das armas existentes foi constatada pelos alemães ainda em 1940. Na segunda metade desse ano, o <i style="">Heereswaffen Amt</i> elaborou uma requisição para uma arma longa semi-automática projetada em torno do cartucho IS convencional. O resultado foi o pouco eficaz fuzil G41. Na mesma época em que o G41 entrou em testes, a <i style="">Luftwaffe</i>, sob cujo controle estavam as tropas aerotrasportadas, solicitou uma arma portátil totalmente automática, também projetada em torno da munição convencional Mauser. A resposta dos projetistas foi o FG42 (de <i style="">Fallschirmjager Gewehr</i> – “fuzil de pára-quedista”) que, embora já apresentasse algumas características de fuzil de assalto, tinha no uso da munição convencional a principal diferença. Essa arma resultou pesada, difícil de produzir e com alguns problemas que não chegaram a ser resolvidos.</span></p><span style="color: rgb(255, 255, 204);font-size:85%;" ><i style=""><span style=""><br /></span></i></span><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; background: black none repeat scroll 0% 50%; line-height: 12pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial; color: rgb(255, 255, 204);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><i style=""><span style="">O cerne do problema: munição do século XIX para uma guerra do século XX<o:p></o:p></span></i></span></p> <p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(51, 51, 51); font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;">O <b style="">principal problema dessas armas era a potência excessiva </b></span><span style="font-size:85%;">do cartucho IS, que gerava um violento recuo, tornando o disparo em rajadas muito difícil de executar, e dessa forma, obrigando o aumento do peso da arma. Essa dificuldade já tinha sido constatada desde os meados dos anos 30. Em 1935, o <i style="">Heereswaffen Amt</i> voltou a considerar seriamente a adoção de um fuzil semi-automático, ou mesmo de um totalmente automático. Esse debate surgiu na fase inicial do rearmamento alemão, e foi acompanhado da proposta de se desenvolver um cartucho menos potente. O exército, entretanto, aferrado às táticas que privilegiavam o tiro de precisão à longa distância, encarava a idéia com antipatia; as fábricas, totalmente ocupadas com a produção de armamento para dar conta da expansão da <i style="">Wehrmacht</i>, e já produzindo a munição IS e as armas concebidas para ela, não viam na economia de material uma vantagem determinante. <o:p></o:p></span></p> <p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(51, 51, 51); font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;">As experiências que começaram então a ser feitas eram iniciativas de algumas empresas, e não chegaram a resultar em nada concreto. Essas experiências visavam criar uma munição totalmente nova, o que significaria, a médio prazo, a substituição de todos os gabaritos, ferramental e processos utilizados pela indústria alemã de munições – bem como, é claro, das armas que as utilizariam. <o:p></o:p></span></p> <p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(255, 255, 204);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-family: trebuchet ms; color: rgb(51, 51, 51);font-size:85%;" ><b style=""><span style="">A invasão alemã da União Soviética encontrou o Exército Vermelho</span></b></span><span style="font-family: trebuchet ms; color: rgb(51, 51, 51);font-size:85%;" > </span><span style="font-size:85%;"><span style="font-family: trebuchet ms; color: rgb(51, 51, 51);">em processo de substituir os fuzis convencionais por semi-automáticos Tokarev, em números não muito altos, e por submetralhadoras, cujos números já eram muito maiores do que em qualquer outro país – inclusive a Alemanha. As derrotas iniciais, entretanto, fizeram com que os russos perdessem enormes quantidades de armas. Em função da situação crítica daí resultante, no final de 1941, as tropas começaram a receber uma submetralhadora que, embora concebida tendo em vista a produção em massa, era extremamente bem projetada. Tratava-se da PPSh 41 (de </span><i style="font-family: trebuchet ms; color: rgb(51, 51, 51);">pistolet pulemyot</i><span style="font-family: trebuchet ms; color: rgb(51, 51, 51);"> – pistola-metralhadora – </span><i style="font-family: trebuchet ms; color: rgb(51, 51, 51);">Shpagina </i><span style="font-family: trebuchet ms; color: rgb(51, 51, 51);">– de Giorgy Shpagin, o projetista). Muito fácil de fabricar, toda feita em metal estampado e sem parafusos, esta arma tinha uma alta cadência de fogo e era simples de operar. Graças à munição utilizada, calibre 7.62X25, podia utilizar um carregador circular (do tipo geralmente conhecido pelos colecionadores brasileiros como “lata de goiabada”) de 71 cargas, copiado da submetralhadora finlandesa Suomi. A combinação dessa arma com táticas que juntavam infantaria e blindados foi suficiente para convencer os alemães da superioridade de tropas totalmente equipadas com armas automáticas, e da necessidade de tomar providências urgentes para preencher essa lacuna.</span> <o:p></o:p></span></p> <p style="margin: 0cm 0cm 6pt; background: black none repeat scroll 0% 50%; line-height: 12pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial; color: rgb(255, 255, 204);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><i style=""><span style="">O cartucho Polte e o surgimento do fuzil de assalto<o:p></o:p></span></i></span></p> <p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><b style=""><span style="">A primeira providência foi estabelecer requisitos para a nova arma</span></b></span><span style="font-size:85%;">, que foram estabelecidos em 1941: em resumo, deveria ser um fuzil totalmente automático, do mesmo peso ou, preferencialmente mais leve, e também mais curto, que o KAR98, deveria ter um alcance de aproximadamente 600 metros e ter uma cadência de fogo igual à de uma submetralhadora (350-450 salvas por minuto). Essa nova arma, segundo o Departamento de Armamentos do Exército, deveria, em prazo máximo de um ano, substituir os fuzis de ferrolho, submetralhadoras e, nas esquadras de infantaria, as metralhadoras ligeiras. No início do ano de 1942, duas empresas Karl Walther e C. G. Hänel apresentaram protótipos, designados <i style="">Machinenkarabine</i> (algo como “carabina-metralhadora”) 1942, ou MKb 42(W) e MKb42(H). Ambos os protótipos tinham sido desenhados em torno de um novo tipo de cartucho, chamado Polte, nome da firma em que foi desenvolvido, por requisição direta do HwA, a partir de 1938.</span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192);font-family:trebuchet ms;"><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_IjOcXQvz9KI/RrfJ8S3jB2I/AAAAAAAAACM/YKI__uIN-jk/s1600-h/792Kurtz_01.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp1.blogger.com/_IjOcXQvz9KI/RrfJ8S3jB2I/AAAAAAAAACM/YKI__uIN-jk/s320/792Kurtz_01.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5095763541087160162" border="0" /></a><br /><span style="font-size:85%;"><o:p></o:p></span></p> <p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><br /></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><br /></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><br /></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><br /></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><br /></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><br /></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><br /></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;">O cartucho Polte, de 7.92X30 mm, de 1938, e o cartucho 7.92X33 mm Kurtz, de 1940<br /></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><br /></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;">O problema do desenvolvimento de um cartucho totalmente novo – partido adotado por todas as outras empresas – era o fato de que os novos calibres não saiam da prancheta para o estágio de protótipo funcionando bem. Muito pelo contrário. A fase de experiência se prolongava sem a garantia de que o resultado seria satisfatório. A Polte, por sua vez, tinha adotado um conceito que era um verdadeiro “ovo de Colombo”: já que o 7.92 IS funcionava bem, a solução talvez fosse criar uma espécie de “irmão menor”, em que seriam mantidos integralmente os desenhos do projétil e do estojo, mas com comprimento, peso e potência significativamente diminuídos. Por volta do início de 1941 as dimensões de 7.92X33 mmX125 grãos (8 gramas) de pólvora sem fumaça pareceram ser as ideais, conseguindo que a velocidade de boca do disparo, em banco de provas, chegasse a pouco mais de 650 metros por minuto.</span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192);font-family:trebuchet ms;"><a style="color: rgb(51, 51, 51);" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_IjOcXQvz9KI/RrfK2S3jB3I/AAAAAAAAACU/KZEwjsl22UU/s1600-h/MKb42%28H%29_02.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 320px; height: 123px;" src="http://bp1.blogger.com/_IjOcXQvz9KI/RrfK2S3jB3I/AAAAAAAAACU/KZEwjsl22UU/s320/MKb42%28H%29_02.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5095764537519572850" border="0" /></a><br /><span style="font-size:85%;"> <o:p></o:p></span></p> <p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><br /></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><br /></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><br /></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><br /></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><br /></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;">Os testes iniciais apontaram a MKb.42(H), desenhada pelo projetista Hugo Schmeisser (bem sucedido desenhista de submetralhadoras, equivocadamente apontado como idealizador das ERMA) como a melhor dentre as concorrentes. O exército encomendou alguns exemplares para avaliação, que foram denominados MP43, notação usada para submetralhadoras. O motivo é bastante curioso: na segunda metade de 1942, um exemplar da MKb42(H) foi apresentada a Hitler. Ao contrário do que era esperado, o ditador teceu uma série de comentários sobre a superioridade das submetralhadoras e, diante dos desconsertados membros do HwA, proibiu qualquer investimento sobre a arma. A partir de então, por sugestão de um projetista da Hänel, a notação MP43 passou a constar dos relatórios. Até o ano de 1944, quando Hitler foi finalmente convencido da superioridade da nova arma de infantaria, todas as referências à ela apareciam como MP.</span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192);font-family:trebuchet ms;"><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_IjOcXQvz9KI/RrfOZC3jB7I/AAAAAAAAAC0/lfo_JZrwNNQ/s1600-h/mp_03.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp0.blogger.com/_IjOcXQvz9KI/RrfOZC3jB7I/AAAAAAAAAC0/lfo_JZrwNNQ/s320/mp_03.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5095768433054910386" border="0" /></a><br /><span style="font-size:85%;"><o:p></o:p></span></p> <p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><br /></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><br /></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><br /></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><br /></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><br /></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;">Infantes alemães da Divisão Blindada-Escola fotografados em algum lugar da Frente Ocidental. O terceiro soldado a partir da esquerda está usando uma MP43. Ao fundo, um PzKpfW V, o Pantera. A divisão era uma das mais melhores da Wehrmacht.<br /></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;"><br /></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><br /></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><br /></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;">Certa quantidade de “MP43” foi entregue para avaliação às tropas empenhadas na frente oriental, e logo começaram a chegar pedidos de todos os lados. No final do ano de 1943, uma nova versão, denominada MP44, já trazia as características do fuzil de assaltoque se tornaria padrão. O nome <i style="">SturmGewehr</i> (StG) 44 foi adotado por questões de propaganda. Embora essa designação não coubesse nas normas de referência do exército, soava bem e teve a aprovação entusiástica de Hitler, a partir de uma demonstração um tanto teatral montada por generais do exército em junho de 1944.</span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192);font-family:trebuchet ms;"><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_IjOcXQvz9KI/RrfLWS3jB4I/AAAAAAAAACc/2UdiXZzZvRM/s1600-h/mp44_03.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp1.blogger.com/_IjOcXQvz9KI/RrfLWS3jB4I/AAAAAAAAACc/2UdiXZzZvRM/s320/mp44_03.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5095765087275386754" border="0" /></a><br /><span style="font-size:85%;"> <o:p></o:p></span></p> <p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><b style=""><span style=""><br /></span></b></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><b style=""><span style=""><br /></span></b></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><b style=""><span style=""><br /></span></b></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><b style=""><span style=""><br /></span></b></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><b style=""><span style=""><br /></span></b></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192);font-family:trebuchet ms;"><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_IjOcXQvz9KI/RrfL3C3jB5I/AAAAAAAAACk/3TdBARWos4g/s1600-h/mp44_02.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp0.blogger.com/_IjOcXQvz9KI/RrfL3C3jB5I/AAAAAAAAACk/3TdBARWos4g/s320/mp44_02.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5095765649916102546" border="0" /></a></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><b style=""><span style=""><br /></span></b></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192); font-family: trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><b style=""><span style=""><br /></span></b></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><b style=""><span style=""><br /></span></b></span></p><p face="trebuchet ms" style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192);"><span style="font-size:85%;"><b style=""><span style=""><br /></span></b></span></p><p face="trebuchet ms" style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192);"><span style="font-size:85%;"><span style="">Acima, o StG44 com carregador de 30 cargas e, ao lado, o número de carregadores que o exército recomendava que o infante recebesse, ao entrar em ação.</span><b style=""><span style=""><br /></span></b></span></p><p face="trebuchet ms" style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192);"><span style="font-size:85%;"><b style=""><span style=""><br /></span></b></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><b style=""><span style="">Independente do nome adotado, a arma mostrou-se totalmente eficaz. </span></b></span><span style="font-size:85%;">O infante equipado com ela tinha a cadência de fogo de uma submetralhadora somada à potência e alcance de um fuzil de ferrolho. O desenho “ogival” do projétil, somado potência, eliminavam grande parte dos problemas de estabilidade e precisão observados nas submetralhadoras, permitindo manter, sem grandes alteração de peso – a KAR98K pesava cerca de 4 quilos, no StG o peso, com o carregador de 30 cargas subia a pouco mais de 5 quilos. Este, entretanto, era significativamente mais curto do que o fuzil de ferrolho, e dotado de uma ergonomia que permitia facilitava o disparo em movimento: é significativo o fato de que os StG44 não dispunham de bipé. <o:p></o:p></span></p> <p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(255, 255, 204);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><span style="color: rgb(51, 51, 51);">É claro que a arma tinha problemas: ainda era considerada um tanto pesada e os infantes reclamavam do fato de que o longo carregador tornava problemático o disparo deitado. Curiosamente, embora considerada pesada, a fabricação quase totalmente feita em metal estampado e plástico a tornava relativamente frágil para as condições de campanha; outra reclamação constante entre os usuários era o excesso de saliências, que a tornava difícil de carregar tanto em descanso de ombro quanto “à bandoleira” (pendurada nas costas através da correia).</span> <o:p></o:p></span></p> <p style="margin: 0cm 0cm 6pt; background: black none repeat scroll 0% 50%; line-height: 12pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial; color: rgb(255, 255, 204);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><i style=""><span style="">Poucas observações sobre o StG44 em combate – não adiantou nada...<o:p></o:p></span></i></span></p> <p face="trebuchet ms" style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(51, 51, 51);"><span style="font-size:85%;">Calcula-se que pouco mais de 500.000 StGs tenham sido fabricados, entre 1944 e 1945. Os MKb42 e StG44, ainda escondidos sob a notação de submetralhadora, já estavam disponíveis em meados de 1944, em números bastante limitados, geralmente encaminhados à Frente Oriental, e suficientes apenas para a infantaria das divisões blindadas de elite do exército e da Waffen-SS. Mesmo assim, alguns exemplares foram encontrados nas operações que se seguiram à invasão da Normandia. No final daquele ano, entretanto, a produção da nova arma aumentou em níveis que vieram a permitir distribuição em escala mais ampla. Durante a contra-ofensiva das Ardenas, quantidade razoável de infantes já dispunha de fuzis de assalto, incluíndo algumas de <i>Volksgrenadier</i>, recentemente formadas e que, depois da “operação Valquíria”, gozavam da confiança do partido nazista. No fim da guerra, as operações em torno de Berlim, comandada pelo general-de-exército Waffen-SS Steiner, viram violentos combates nos quais os infantes alemães estavam armados extensivamente com StG 44.</span></p><p face="trebuchet ms" style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192);"><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_IjOcXQvz9KI/RrfNMC3jB6I/AAAAAAAAACs/iKMwZsA9vfE/s1600-h/mp44_sniper.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp0.blogger.com/_IjOcXQvz9KI/RrfNMC3jB6I/AAAAAAAAACs/iKMwZsA9vfE/s320/mp44_sniper.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5095767110204983202" border="0" /></a><br /><span style="font-size:85%;"><o:p></o:p></span></p> <p face="trebuchet ms" style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192);"><span style="font-size:85%;"><br /></span></p><p face="trebuchet ms" style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192);"><span style="font-size:85%;"><br /></span></p><p face="trebuchet ms" style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192);"><span style="font-size:85%;"><br /></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192); font-family: trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><br /></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192); font-family: trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><br /></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192); font-family: trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><br /></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192); font-family: trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;">Um atirador de elite (<span style="font-style: italic;">sniper</span>) Waffen-SS usa o StG44, equipado com uma luneta telescópica.<br /></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192); font-family: trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><br /></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(51, 51, 51); font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;">Relatórios feitos tanto pelos aliados quanto pelos russos indicam que um dos motivos que permitiram a unidades alemãs largamente inferiorizadas em números combater com certo sucesso foi a superioridade de fogo dada a eles pelo fuzil de assalto. O maior alcance e peso de fogo da arma combinados com precisão comparável à dos fuzis de ferrolho davam ao infante alemão superioridade tanto em campo aberto quanto em áreas fechadas – as cidades arruinadas da Alemanha. Em certas situações, a arma mostrou poder funcionar inclusive metralhadora ligeira para prover cobertura próxima à infantaria. <o:p></o:p></span></p> <p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(51, 51, 51); font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;">Entretanto, na situação caótica dos meses finais da guerra, grandes estoques da nova arma não alcançaram a frente de batalha ou, quando alcançavam não podiam ser utilizados por falta de munição. <o:p></o:p></span></p> <p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(51, 51, 51); font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><b style=""><span style="">Após a guerra, tanto aliados quanto russos examinaram o StG44</span></b></span><span style="font-size:85%;">, mas não manifestaram interesse em colocá-lo em produção. Em 1947 os soviéticos lançaram o AK47, que tinha começado a ser concebido durante a guerra e que, apesar de extremamente parecido com o StG, tinha, com relação ao mesmo, grandes diferenças. Nos anos seguintes surgiriam o FN Herstal, belga (adotado nos anos 60 pelo exército brasileiro), o Heckler-Koch G3 (adotado no final dos anos 60 pela infantaria da FAB) e o M14 (até hoje usado como arma de parada pelos aspirantes a oficial da Escola Naval). <o:p></o:p></span></p> <p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(192, 192, 192); font-family: trebuchet ms;"><span style="color: rgb(51, 51, 51); font-family: trebuchet ms;font-size:85%;" >Essa foi a primeira geração de fuzis automáticos. Mas essa já é outra história...</span><span style="color: rgb(51, 51, 51); font-weight: bold; font-family: trebuchet ms;font-size:100%;" >::</span><span style="background: yellow none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;font-size:85%;" ><o:p></o:p></span></p><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20118675-5728844241901057224?l=neuromaniaco.blogspot.com'/></div>Bitthttp://www.blogger.com/profile/05469586261730431758noreply@blogger.com2tag:blogger.com,1999:blog-20118675.post-87020934857584789022007-08-03T10:15:00.000-07:002007-08-06T14:54:17.440-07:00Uma das conseqüências mais duradouras da Segunda Guerra Mundial: o fuzil de assalto::<span style="color: rgb(255, 255, 153);font-family:trebuchet ms;font-size:85%;" ><span style="font-size:100%;"><span style="font-weight: bold;">O “fuzil de assalto” (</span><i style="font-weight: bold;">SturmGewehr</i><span style="font-weight: bold;"> - StuG) 44 </span></span>é reconhecido como tendo sido a primeira arma dessa classe surgida no mundo. De certa forma, é uma das conseqüências mais duradouras da Segunda Guerra Mundial, pois sua introdução no campo de batalha e, posteriormente, seu exame pelas principais forças armadas do mundo trouxe modificações nas doutrinas, treinamento e indústria militar, que não mais seriam mudadas. O termo “fuzil de assalto” está, hoje em dia, em desuso, substituído por “fuzil automático” (AR, <span style="font-style: italic;">Automatic Rifle</span>, em inglês, ou FAL, de "Fuzil Automático Leve", em nossa língua). Nos estágios finais da Segunda Guerra Mundial, </span><span style="color: rgb(255, 255, 153);font-family:trebuchet ms;font-size:85%;" >designava </span><span style="color: rgb(255, 255, 153);font-family:trebuchet ms;font-size:85%;" >uma arma longa portátil de infantaria, a ser distribuída aos elementos do pelotão de choque das companhias de granadeiros do Exército alemão. Hoje em dia, "fuzis automáticos", ou seja, armas capazes de disparar em rajadas contínuas, como uma metralhadora, ou em salvas simples, são a arma-padrão dos infantes em todos os exércitos do mundo. Produzidos em massa e bastante simples de usar, também são encontrados nas mãos de forças irregulares, policiais e do crime organizado.<br /><br />Seu desenvolvimento tem alguns aspectos interessantes e, como diversas outras tecnologias decorrentes da Segunda Guerra Mundial, resultou dos equívocos cometidos no início daquela conflagração.<br /></span><p style="margin: 6pt 0cm 3pt; line-height: 12pt; color: rgb(255, 255, 153);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:100%;"><i style=""><span style="">Os antecedentes</span></i><span style="">::</span><i style=""><span style=""><o:p></o:p></span></i></span></p> <p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(255, 255, 153);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><span style="font-size:100%;"><span style="font-weight: bold;">A infantaria do exército alemão entrou na Segunda Guerra Mundial </span></span>equipada com uma miscelânea de armas portáteis que incluía um rifle de ação de ferrolho (não automático), o KAR98K, um modelo de metralhadora ligeira, a MG34 e diversos modelos de submetralhadoras, o principal deles a ERMA MP38/40. Os dois primeiros usavam um cartucho-padrão, o <i style="">Mauser Patrone</i> 1888 7.92X57 mm, desenhado no final do século XIX para os fuzis de ferrolho Mauser modelo 1888. Produto de engenharia muito bem concebido, o Mauser 7,92X57 IS (<i style="">Infanterie, Spitz</i>, ou “Infantaria, ponteado”) foi padronizado pela Alemanha em 1905, com a adoção do<span style=""> </span>fuzil Mauser G98 como arma da infantaria do exército do Exército Imperial. A partir de então, as armas do exército alemão passaram a ser projetadas em torno desse cartucho, inclusive as metralhadoras usadas na Primeira Guerra Mundial. Já a ERMA MP38/40 era produto do desenvolvimento, iniciado no final da Primeira Guerra Mundial, da pistola-metrahadora, uma arma concebida para disparar projeteis de pistola semi-automática P08, a arqui-conhecida Luger. <o:p></o:p></span></p> <p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(255, 255, 153);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;">O poder de fogo do infante era comprometido pelo fato de que a maioria deles transportava fuzis cujo tiro implicava numa “parada”, ou seja, era necessário deitar-se ou ajoelhar-se para executar o disparo. A arma, disparando apenas uma salva de cada vez, tinha de ser apontada, para que essa única salva não se perdesse. Essa seqüência de operações resultava numa cadência de fogo relativamente baixa (um atirador mediano conseguia disparar as cinco cargas contidas no “clip” de munição do KAR98K em cerca de um minuto), que tornava esse tipo de arma completamente inadequada para as novas condições do campo de batalha. A ampla difusão da metralhadora depois do impasse da guerra de trincheiras, a partir de dezembro de 1914, mostrou as limitações do “fuzil de repetição”, e levou a que militares e engenheiros começassem a pensar em soluções para contornar o problema. Uma delas foi tentar diminuir o tamanho das metralhadoras, de modo que essas pudessem ser operadas por um único atirador, se deslocando e atirando ao mesmo tempo. Essas “metralhadoras ligeiras” ainda eram muito pesadas e, na prática, obrigavam o atirador a parar para disparar. <o:p></o:p></span></p> <p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(255, 255, 153);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;">Os alemães tiveram uma idéia que parecia melhor: criaram uma arma automática disparando munição de pistola, que chamaram <i style="">maschinepistole</i> (pistola-metralhadora). Essa arma, surgida em 1917 e distribuída em 1918, tinha vantagens e desvantagens: era leve (pesava cerca de 4 quilos), tinha o desenho parecido com o de um fuzil, podia ser disparada em movimento, tinha uma cadência de tiro alta e, graças a um carregador parecido com o usado em pistolas semi-automáticas, alojando 28 cargas, podia ser rapidamente remuniciada; entretanto, o cartucho usado, 9X19, igual ao das pistolas, era pouco potente e, por esse motivo, seu alcance era pequeno. O pior é que as características da munição de pistola faziam com que o disparo em rajadas curtas fosse totalmente impreciso.<o:p></o:p></span></p> <p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(255, 255, 153);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;">A guerra acabou antes que um novo uso fosse dado às novas submetralhadoras (forças especiais chamadas “Tropas de choque”, criadas no último ano da guerra, foram equipadas com elas), embora tivessem sido produzidas umas 100.000 dessas armas. <o:p></o:p></span></p> <p style="margin: 6pt 0cm 3pt; line-height: 12pt; color: rgb(255, 255, 153);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:100%;"><i style=""><span style="">Um paradoxo interessante: as duas </span></i></span><span style="font-size:100%;">Wehrmacht::<i style=""><o:p></o:p></i></span></p> <p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(255, 255, 153);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><span style="font-size:100%;"><span style="font-weight: bold;">A reorganização das Forças Armadas Alemãs </span></span>(<i style="">Deutsche Wechmacht</i>), a partir de 1935, não se deu sem alguns problemas. O Tratado de Versalhes tinha imposto dentre outras, duras restrições<span style=""> </span>militares ao país, a principal delas a limitação de efetivos e equipamento. A Alemanha imediatamente começou a burlar essas condições. O Tratado de Rapallo, estabelecido em 1923, iniciou uma colaboração secreta com a URSS, que, depois da revolução soviética, também tinha sido colocada à margem da comunidade internacional. Uma comissão de oficiais alemães viajou a Moscou ainda naquele ano para negociar os termos do acordo, e ficou estabelecido que a URSS ajudaria a Alemanha no treinamento de militares e, principalmente, forneceria campos de provas para as novas armas que estavam sendo projetadas. Milhares de pilotos e especialistas alemães em blindados receberam treinamento nos campos de Lipetsk e Kazan. O acordo com os russos – cuja contrapartida era o fornecimento de tecnologia industrial e supervisão técnica – permitiu que, quando a reestruturação da <i style="">Wehrmacht</i> começou, esta já dispusesse de tecnologia e, principalmente, de um núcleo de pessoal familiarizado com as novas doutrinas e treinado nas novas táticas. Dentre essas novas doutrinas e táticas encontrava-se uma nova forma de combinar o uso de veículos blindados e infantaria. <o:p></o:p></span></p> <p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(255, 255, 153);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><span style="font-size:100%;"><span style="font-weight: bold;">A introdução de elementos mecanizados como transportadores de infantaria</span></span> – caminhões e carros blindados – apontou para a necessidade de novas armas de infantaria. Dois resultados logo apareceram: a metralhadora MG34, lançada em 1934 e distribuída em 1935, e a submetralhadora MP38, lançada em 1938 e distribuída em 1939, pouco antes do início do conflito. A MG34 era uma adaptação das metralhadoras ligeiras da Primeira Guerra Mundial, com a diferença de que foi concebida para uso por todas as especialidades do exército, e até mesmo pela força aérea. A MP38 era um redesenho da submetralhadora, que perdeu a ergonomia de “arma longa”, sendo encurtada (com a coronha rebatida, tinha 63 centímetros de comprimento) e adaptada para tropas transportadas em caminhões e pára-quedistas. Pouco depois de distribuída, sofreu uma série de adaptações que visavam torná-la mais fácil e barata de produzir: o uso de peças em metal usinado deu lugar, tanto quanto possível, a peças de metal estampado, o uso de parafusos foi reduzido ao mínimo e as peças de madeira foram substituídas por plástico.</span></p> <p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt;font-family:trebuchet ms;"><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_IjOcXQvz9KI/RrNmgi3jBvI/AAAAAAAAABU/zm9UQ9i2Rzg/s1600-h/mp40_01.jpg"><br /></a></p> <p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt;"><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_IjOcXQvz9KI/RrNs2y3jByI/AAAAAAAAABs/2JOj7qxWyFU/s1600-h/mp40_01.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp3.blogger.com/_IjOcXQvz9KI/RrNs2y3jByI/AAAAAAAAABs/2JOj7qxWyFU/s320/mp40_01.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5094535292109653794" border="0" /></a><span style=""><span style="font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;">Infantaria motorizada Waffen-SS equipada com submetralhadoras ERMA MP40::</span><span style="font-weight: bold;font-size:100%;" ><br /></span></span></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt;"><span style=""><span style="font-family:trebuchet ms;"><span style="font-weight: bold;font-size:100%;" ><br /></span></span></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt;"><span style=""><span style="font-family:trebuchet ms;"><span style="font-weight: bold;font-size:100%;" ><br /></span></span></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt;"><span style=""><span style="font-family:trebuchet ms;"><span style="font-weight: bold;font-size:100%;" ><br /></span></span></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt;"><span style=""><span style="font-family:trebuchet ms;"><span style="font-weight: bold;font-size:100%;" ><br /></span></span></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt;"><span style=""><span style="font-family:trebuchet ms;"><span style="font-weight: bold;font-size:100%;" ><br /></span></span></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt;"><span style=""><span style="font-family:trebuchet ms;"><span style="font-weight: bold;font-size:100%;" ><br /></span></span></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt;"><span style=""><span style="font-family:trebuchet ms;"><span style="font-weight: bold;font-size:100%;" ><br /></span></span></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt;"><span style=""><span style="font-family:trebuchet ms;"><span style="font-weight: bold;font-size:100%;" ><br /></span></span></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt;"><span style=""><span style="font-family:trebuchet ms;"><span style="font-weight: bold;font-size:100%;" ><br /></span></span></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt;"><span style=""><span style="font-family:trebuchet ms;"><span style="font-weight: bold;font-size:100%;" ><br /></span></span></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt;"><span style=""><span style="font-family:trebuchet ms;"><span style="font-weight: bold;font-size:100%;" ><br /></span></span></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt;"><span style=""><span style="font-family:trebuchet ms;"><span style="font-weight: bold;font-size:100%;" ><br /></span></span></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt;"><span style=""><span style="font-family:trebuchet ms;"><span style="font-weight: bold;font-size:100%;" ><br /></span></span></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(255, 255, 153);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><span style="font-weight: bold;">A</span><span style="font-weight: bold;">lguns desses especialistas</span> chegaram a pensar em distribuir submetralhadoras para todos os combatentes, mas essa idéia foi entravada por dois problemas. O primeiro era conceitual: mesmo com o sucesso das novas experiências, a doutrina alemã enfatizava o tiro individual à longa distância. Vários infantes disparando ao mesmo tempo, apoiados por uma ou mais metralhadoras, criavam o peso de fogo necessário para superar o adversário. Além do mais, a segurança do infante, não protegido por blindagens ou velocidade, exigia que fosse possível fazer disparos de precisão, de posição segura, ou seja: disparos deitados, visando alvos à uma distância de 500 a 600 metros. O segundo problema era econômico: o exército alemão dispunha de enormes estoques de carabinas KAR98K, herdados da Primeira Guerra Mundial, que tinham sido preservados pelas tropas francas que proliferaram pelo país após o colapso de 1918. Em 1935, com a retomada da conscrição universal, o aumento repentino do tamanho do exército, que foi ampliado para 550.000 efetivos, exigiu que houvesse equipamento para todos esses soldados. Essas armas herdadas da Grande Guerra, recolhidas pelas autoridades, foram distribuídas às tropas, e as fábricas continuaram a utilizar a tecnologia, gabaritos e ferramental já disponíveis, visto que não haveria tempo para desenhar e colocar em produção uma nova arma-padrão. <u1:p></u1:p></span></p> <p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(255, 255, 153);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;">Na prática, a <i>Wehrmacht</i> de 1939 dispunha de duas categorias de tropas bem diferenciadas: as forças blindadas e o resto do exército. As primeiras, compostas por 10 divisões blindadas, 7 divisões de infantaria blindada e 3 divisões “ligeiras” (divisões blindadas com um efetivo menor de tanques e veículos motorizados), representavam apenas 7% do efetivo total, mas tinham sido transformadas como resultado da introdução dos blindados sobre lagartas, apoio logístico motorizado, e aplicação de interdição e apoio aéreo aproximado. Apenas essas tropas receberam uma quantidade maior de submetralhadoras (1 em cada 4 armas), mas mesmo elas continuaram a ser dotadas com os fuzis de repetição convencionais. O resto do exército, cuja organização e armamento não eram muito diferentes da guerra anterior, compunha-se de divisões de infantaria clássicas, deslocando-se a pé e, quando necessário, em veículos tirados a cavalo. Nessas unidades, o armamento continuou a ser o convencional, com a diferença de que a esquadra de combate passou a ser equipada com uma metralhadora ligeira. <u1:p></u1:p></span></p> <p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(255, 255, 153);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;">O desenrolar da guerra acabaria por modificar esses conceitos. O choque com as tropas soviéticas armadas massiçamente de submetralhadoras dotadas de carregadores de 70 cargas e com fuzis semi-automáticos, como o excelente Tokarev, e norte-americanas, armadas com não o menos excepcional Garand M1, arma-padrão das forças armadas dos EUA desde 1940, deixaram evidente a necessidade de uma nova arma para as tropas alemãs.<u1:p></u1:p></span><span style="font-size:85%;"><b style=""><o:p></o:p></b></span></p> <p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(255, 255, 153);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;">Em 1941, as principais fábricas de armas longas da Alemanha, Mauser e Walther, apresentaram o desenho de um fuzil semi-automático, concebido em torno do cartucho IS. A primeira versão, denominada G41, foi distribuída em pequenas quantidades e, em combate, revelou-se pouco eficiente em todos os parâmetros testados. Diante do desinteresse do exército, a Mauser abandonou o projeto. Walther, entretanto, continuou avaliando o Tokarev STV40, e rapidamente seus engenheiros notaram que o fuzil soviético, de ação a gás (o cartucho vazio é eliminado e o mecanismo de culatra, rearmado através do aproveitamento de parte da energia do disparo, sob a forma da expansão do gás criado pela explosão do propelente), oferecia grandes vantagens sobre o G41. A produção do G41 foi suspensa e o projeto, amplamente modificado, resultando no G43(W), mais simples e barato. Foram introduzidas muitas peças em metal forjado e uma coronha em madeira laminada, bem como a introdução de um c</span><span style="font-size:85%;">arregador destacável de dez cargas, </span><span style="font-size:85%;">carregadas a partir dos clips convencionais usados na KAR98K. </span><span style="font-size:85%;">O</span><span style="font-size:85%;"> G43(w), revelou-se razoável, mas teve sua produção em massa atrasada pela implicância do exército com armas semi-automáticas. Certa quantidade chegou a ser produzida e distribuída (calcula-se um número entre 350.000 e 400.000 unidades). O G43 foi visto nas principais campanhas travadas a partir de meados de 1944.<u1:p></u1:p></span></p> <p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt;font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><br /></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt;"><br /></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt;"><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_IjOcXQvz9KI/RrNnYS3jBwI/AAAAAAAAABc/ZrbrEUEWGWc/s1600-h/Gew43_01.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 379px; height: 64px;" src="http://bp1.blogger.com/_IjOcXQvz9KI/RrNnYS3jBwI/AAAAAAAAABc/ZrbrEUEWGWc/s320/Gew43_01.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5094529270565504770" border="0" /></a></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt;"> </p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt;font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><br /></span></p><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt;font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;">O <span style="font-style: italic;">Gewehr</span> 43 Walther, G43(W) em sua versão carabina, distribuída às tropas da <i>Wehrmacht</i> a partir do final de 1944. Ao ter contacto com essa arma pela primeira vez, os infantes norte-americanos a chamaram de "<i>Hitler´s Garand</i>". No entanto, a arma-padrão dos GIs era superior em diversos pontos, em comparação com a arma alemã.</span></p><span style="font-size:85%;"><br /></span><p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt; color: rgb(255, 255, 153);font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:85%;"><span style="font-weight: bold;">Mas, naquela altura, tanto militares quanto engenheiros alemães </span>já estavam interessados em outro conceito. Este sim, irá se revelar, com o tempo, revolucionário</span><span style="font-size:85%;"><span style="">::</span></span></p> <span style="font-size:85%;"><u1:p style="font-family: trebuchet ms;"></u1:p></span><p face="trebuchet ms" style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 12pt;"><span style="font-size:85%;"><br /></span><span style="font-size:85%;"><o:p></o:p></span></p><br /><u1:p></u1:p><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20118675-8702093485758478902?l=neuromaniaco.blogspot.com'/></div>Bitthttp://www.blogger.com/profile/05469586261730431758noreply@blogger.com5tag:blogger.com,1999:blog-20118675.post-53843031178464298232007-07-25T17:50:00.000-07:002007-07-25T18:21:18.446-07:0062 anos esta noite::Olímpica, mas nem tanto::<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_IjOcXQvz9KI/Rqf2yi3jBsI/AAAAAAAAAA8/MhJj-gAGWR0/s1600-h/Kamikaze_66.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_IjOcXQvz9KI/Rqf2yi3jBsI/AAAAAAAAAA8/MhJj-gAGWR0/s320/Kamikaze_66.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5091309251979314882" border="0" /></a><br /><span style="line-height: 115%;">Parte II<o:p></o:p></span> <div style="border-style: none none solid; padding: 0cm 0cm 1pt;"> <p class="MsoNormal" style="border: medium none ; padding: 0cm;"><em><span style="">Tóquio sacode sob o peso de nossas bombas.. Quero deixar claro ao mundo inteiro que esse curso deve ser, e será, mantido, sem alteração ou hesitação ... Nossa proposta está feita e não mudará: rendição incondicional.</span></em><strong><span style=""> Harry Truman</span></strong><strong><span style="">, em sua primeira mensagem dirigida ao Congresso dos EUA, em 16 de abril de 1945.</span></strong><b style=""> <o:p></o:p></b></p> </div> <p class="MsoNormal"><span style="line-height: 115%;"><br /></span></p><p class="MsoNormal"><span style="line-height: 115%;">O cansaço da população civil americana, embora disfarçado pela vitória, que provocou, por todo o lado, grande entusiasmo, já era, em meados de 1945, bastante evidente. Depois de quase quatro anos de mobilização, e um total de mortos nunca antes registrado pela história do país, a chegada do dia V-E tinha inculcado, em todos, a idéia de que o dia V-J se aproximava rapidamente.<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal"><span style="line-height: 115%;">Paradoxalmente, os EUA sofreram pouco, durante a guerra. Esta tinha significado, para a sociedade norte-americana, um período de prosperidade excepcional, maculado por algumas restrições que todos viam como temporárias (a falta de bens de consumo duráveis e o rigoroso racionamento de combustíveis). As lembranças do período da Grande Depressão tinham se tornado distantes: haviam empregos em profusão, dinheiro e mercadorias. O povo estava pronto para gozar a boa-vida garantida pelo “<i style="">Dr.</i> <i style="">Win-the-War</i>” (em 12 de julho de 1941, Rooselvelt assim se referira a si mesmo, numa possível mudança de rumo do <i style="">New Deal</i>, em função do envolvimento dos EUA na guerra européia). Só que o dia V-E chegara depois das péssimas novas da campanha de Iwo Jima. A disputa por uma ilha perdida mais de mil quilômetros a sudeste de Tóquio, tinha custado, em pouco mais de um mês, quase 7.000 baixas aos <i style="">Marines</i>, das quais 2.000 fatais. A reação da população foi de desalento e desconfiança. A guerra não estava quase acabada? <o:p></o:p></span></p> <div style="border-style: none none solid; padding: 0cm 0cm 1pt;"> <p class="MsoNormal" style="border: medium none ; padding: 0cm;"><span style="line-height: 115%;">A pior notícia é que começava a faltar homens: os EUA chegaram, em 1945, no limite de sua capacidade de mobilização. Virtualmente toda a população adulta, entre 17 e 45 anos tinha sido engajada no esforço de guerra, fosse nas forças armadas, fosse na produção, isto numa população total de uns 140 milhões de habitantes. Doze milhões de homens e mulheres estavam engajados nas forças armadas, sessenta por cento deles no estrangeiro. Não havia mais de onde tirar gente, e a população estava ansiosa pelo retorno de seus filhos, maridos e pais para casa.<o:p></o:p></span></p> </div> <p class="MsoNormal"><span style="line-height: 115%;">Embora em meados de julho de 1945, o Japão já não tivesse a menor perspectiva de conseguir outra saída que não fosse, a exemplo da Alemanha nazi alguns meses antes, a rendição incondicional, isso não significava que a essa fosse ser facilmente aceita pela liderança nacional. Os chefes militares norte-americanos encaravam, embora sem nenhum entusiasmo, a possibilidade de uma invasão das ilhas metropolitanas do Japão. Esse plano, denominado “Queda”, vinha sendo estudado desde o início de 1945 e deveria se dividir em dois estágios, que aconteceriam, o primeiro (codinome, “Olímpico”), em setembro e o segundo, ainda maior (codinome “Diadema”), em dezembro. “Olímpico” desembarcaria um exército, o 6º, na ilha de Kiushu, tendo Okinawa como principal base de operações e as Filipinas como retaguarda – seria, de fato, uma versão ampliada da campanha de Okinawa. “Diadema”, a invasão de Honshu, não estava planejava, e implicava enormes problemas de concepção, já que estava previsto o desembarque de 25 divisões, e essas simplesmente não existiam, pois parte delas ainda estava, naquela época, empenhada no ETO.<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal"><span style="line-height: 115%;">Mas esses eram apenas parte do problema geral. Para essa ofensiva final, os norte-americanos contavam com a participação de algo em torno de 5 a 8 divisões aliadas – cinco britânicas, canadenses e australianas, e duas francesas, bem como com os efetivos da RAF liberados pelo fim das hostilidades na Europa. O que ninguém sabia direito era como esse contingente, calculado em quase 900.000 efetivos, e seu equipamento, seria transportado até o teatro do Pacífico, visto que não haviam transportes especializados em número suficiente. A própria transferência do 1º Exército dos EUA, </span><span style="line-height: 115%;">com o quartel-general transferido para Manilha no final de abril de 1945, e os efetivos </span><span style="line-height: 115%;">aquartelados no ETO, não tinha como ser realizada. Outra questão, esta ainda mais delicada, é que quase certamente, tripulações aéreas do Exército e da Marinha, que estavam sendo desmobilizadas na Europa e mandadas rapidamente para casa, certamente teriam de ser novamente convocadas.<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal"><span style="line-height: 115%;">A invasão do Japão se configurava, nas palavras do major-general Walter Krueger, comandante do 6º Exército dos EUA, “o pior pesadelo logístico”.<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal"><span style="line-height: 115%;">O fato é que não havia nem mesmo a concordância em torno da invasão do Japão. A campanha de Okinawa, cuja duração, investimentos e baixas foram subestimados pela inteligência norte-americana, e a reação adversa da opinião pública nos EUA, dividiram o Estado-maior, além de trazer à discussão a classe política que, até então, tinha-se mantido quieta em função da unidade do front interno. A oposição republicana, rediviva depois da eleição de 1944, começou a questionar a forma como a guerra vinha sendo conduzida pelos Democratas, segundo eles, “muito lenientes com os comunistas”.<o:p></o:p></span></p> <div style="border-style: none none solid; padding: 0cm 0cm 1pt;"> <p class="MsoNormal" style="border: medium none ; padding: 0cm;"><span style="line-height: 115%;">Em Washington, parte dos comandantes imaginava a possibilidade de que o Japão fosse estrangulado por um bloqueio coadjuvado por incessantes bombardeios navais e aéreos. Por outro lado, o bloqueio, por mais que poupasse os líderes do desgaste de impor operações com número excessivo de baixas, não resolvia o problema político de que, sem a rendição do governo japonês, nada indicava que as forças imperiais na China – ainda consideráveis, em 1945 – e seus aliados, questionariam ordens de Tóquio para persistir na luta. Fontes diplomáticas deram curso ao boato, surgido nessa época, de que, mesmo em caso de colapso da resistência no território metropolitano, a luta deveria continuar. O novo chefe do governo, almirante Suzuki, mesmo considerado moderado e derrotista, pelas alas militares mais radicais, tinha dito esperar pelo menos mais dois anos de guerra.<br /></span></p><p class="MsoNormal" style="border: medium none ; padding: 0cm;"><span style="line-height: 115%;">E agora, os EUA encaravam a possibilidade de ter exércitos russos de 3 milhões de homens, dez mil tanques e dez mil aviões atravessando a China, onde praticamente não havia tropas norte-americanas empenhadas (de fato, desde março de 1945 os soviéticos já vinham fazendo planos para esse redirecionamento, e começaram a transferir 2 grupos de exército através da Sibéria, em meados de maio). Embora essa perspectiva causasse arrepios a Washington, era vista como necessária, pois os exércitos japoneses na Manchúria e norte da China ainda estavam relativamente intactos e tinham tido uma série de sucessos contra os nacionalistas chineses, em 1944.<o:p></o:p></span></p> </div> <p class="MsoNormal"><span style="line-height: 115%;">Em meados de julho de 1945, um grupo de trabalho da inteligência norte-americana, analisando os relatórios da campanha de Okinawa, havia elaborado um relatório de conteúdo bastante desagradável: a operação “Queda” deveria durar no mínimo seis meses, e não se deveria esperar menos de 300.000 baixas como resultado da invasão do Japão. Cálculos conservadores estabeleciam não menos de dois milhões de militares japoneses aquartelados na metrópole (metade dos quais reservistas da guarda metropolitana), bem provisionados e com moral alto. A paisagem japonesa era semelhante à de Okinawa, e tudo indicava que a estratégia geral japonesa seria uma ampliação daquela utilizada lá, bem como as táticas, baseadas, antes de mais nada, no aferramento ao terreno. Não existem indicações seguras de que Truman tenha tido acesso a esse relatório, mas com toda certeza o vice-presidente e o general Marshall, chefe da Junta de Estado-maior, tiveram. </span>O fato é que, desde 18 de junho, Truman estava informado pelos chefes da JEM sobre as principais características da operação <strong style="font-weight: normal;"><span style="">“Queda”</span></strong><span style="font-weight: bold;">.</span> Já nessa oportunidade, ele tinha revelado grande preocupação com o número de baixas, e manifestara claras dúvidas em torno da real necessidade da invasão. Naquele momento, Marshall deu ao presidente uma estimativa (não é conhecida a origem desse estudo) de no mínimo 40.000 baixas norte-americanas. Truman determinou, nessa reunião, que o planejamento do “Olímpico” fosse aprofundado e acelerado, mas postergou sua execução para 1 de novembro de 1945; “Diadema” <em><span style="">não</span></em><em><b><span style=""> </span></b></em>teria lugar antes de março do ano seguinte. Curiosamente, a data de 1º de novembro passou a ser tratada como “Dia-X”. Em reuniões posteriores, falava-se em um desembarque envolvendo 800.000 efetivos, ao longo de 4 dias, entre tropas de assalto, tropas de reforço e pessoal aéreo.</p> <span style="line-height: 115%;">Um dos participantes da reunião declarou, anos mais tarde, que, ao final dela, teve a clara impressão que “Olímpico” “tinha se transformado em <span style=""> </span>história”<span style="font-size:100%;"><span style="font-family:trebuchet ms;">::</span></span></span><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20118675-5384303117846429823?l=neuromaniaco.blogspot.com'/></div>Bitthttp://www.blogger.com/profile/05469586261730431758noreply@blogger.com2tag:blogger.com,1999:blog-20118675.post-40770189600911165312007-07-25T13:01:00.000-07:002007-07-25T13:37:54.017-07:0062 anos, esta noite::<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_IjOcXQvz9KI/RqesvS3jBoI/AAAAAAAAAAc/q9o_waA3TDY/s1600-h/hiroshima62.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp1.blogger.com/_IjOcXQvz9KI/RqesvS3jBoI/AAAAAAAAAAc/q9o_waA3TDY/s200/hiroshima62.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5091227832284284546" border="0" /></a><br /><p class="MsoNormal"><span style="line-height: 115%;">Não sei se as pessoas estão dispostas a comemorar, mas hoje é dia de um aniversário: 62 anos atrás, o recém-empossado Harry Truman decidia pelo alvo japonês a ser engajado por uma nova arma: a bomba nuclear. O alvo? Uma cidade japonesa que, mesmo depois da tempestade de fogo trazida diariamente pelos Boeing B29 sobre as cidades metropolitanas, ainda se encontrava surpreendentemente intacta: Hiroshima.<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal"><span style="line-height: 115%;">O desenvolvimento de uma arma nuclear embora seja um dos principais desdobramentos da 2ª Guerra Mundial, é suficientemente conhecido, e não é o objetivo desta postagem. Quero discutir o motivo pelo qual Truman teria resolvido passar para a história como o primeiro – e, até o momento, único - assassino de massas da era nuclear. Até poucos anos atrás, eu mesmo achava que o lançamento da Little Boy sobre Hiroshima, na manhã de 6 de agosto de 1945 foi um desnecessário ato de selvageria, destinado a constituir uma advertência aos soviéticos, no alvorecer da Guerra Fria. <o:p></o:p></span></p> <div style="border-style: none none solid; padding: 0cm 0cm 1pt;"> <p class="MsoNormal" style="border: medium none ; padding: 0cm;"><span style="line-height: 115%;">Hoje em dia, não penso mais assim – acho que a situação, naquele momento, era muito mais complicado do que podemos antever.<o:p></o:p></span></p> </div> <p class="MsoNormal"><span style="line-height: 115%;">Parte I<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal"><span style="line-height: 115%;">O debate em torno desse assunto, quando acontece (o que, apesar do tempo passado, ainda é relativamente comum) costuma a travar-se entre posições expressas em termos absolutamente maniqueístas: o Japão estaria derrotado, bastaria um cerco para minar a resistência da população sem que grande baixas fossem necessárias, em ambos os lados. A ordem de lançamento da bomba teria sido, portanto, um ato de crueldade totalmente desnecessário, provocado por um novo ambiente que se desenhava entre as potências surgidas da guerra. <o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal"><span style="line-height: 115%;">É uma pergunta cabível, por qualquer critério, se o extermínio repentino e não avisado de quase 200.000 pessoas seria, naquele momento, justificável. Seja qual for o parâmetro de análise, no início de julho de 1945, o Japão tinha perdido a guerra. Sua Marinha está inteiramente destruída; suas forças aéreas, embora ainda reunissem umas 5.000 aeronaves, sofriam carências crônicas, de combustível, munição e pessoal treinado. O bloqueio naval esgotava os recursos da indústria; a fome era uma ameaça real. Três quartos da indústria tinha cessado de funcionar, incendiado junto com as cidades por bombardeios incessantes. Dois milhões de feridos amontoavam-se em hospitais desprovidos de tudo, a começar por médicos e enfermeiras. No início de maio, a capitulação alemã fez o futuro ficar ainda mais negro, pois liberou do ETO (Teatro de Guerra Europeu) parte das forças militares lá empenhadas – uns dois milhões de efetivos, entre ingleses, canadenses e norte-americanos, e 12.000 aeronaves, para o Pacífico. Como cereja do bolo, a 5 de abril, Moscou denunciou o pacto de neutralidade, pressagio da entrada da URSS na guerra. Por todo lado, os exércitos imperiais eram espremidos: na segunda metade de 1944, </span><span style="line-height: 115%;">MacArthur completou </span><span style="line-height: 115%;">a reconquista das Filipinas. Na Birmânia, lord Mountbatten, o <span style="font-style: italic;">enfant térrible</span> da Família Real, aproximava-se de Rangum. O general Curtis O. LeMay, apóstolo do “bombardeio por área”, futuro comandante da USAF, planejava estender a todas as cidades japonesas suas experiências com bombas incendiárias, que culminaram, em março de 1945, com a quase total destruição de Tóquio, em incêndio apocalítico. E, logo após a conclusão da tomada de Iwo Jima, a esquadra americana deslocava-se para o arquipélago Riu Kiu. Ao alcance da vista, estava o Japão.<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal"><span style="line-height: 115%;">Estas ilhas, cerca de 150, constituem uma espécie de “ponte natural” entre Formosa e o extremo sul de Kiu Shiu, no arquipélago japonês. A ilha principal, com uma centena de quilômetros de extensão por 12 km de largura, situa-se no centro, e a partir dela, alcança-se Tóquio, em menos de 3 horas de vôo. É montanhosa, quente e superpovoada. Os planejadores de estado-maior, tanto da Marinha quanto do Exército, observavam-na com ansiosa e sombria expectativa: consideravam que seria um laboratório do desembarque no Japão.<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal"><span style="line-height: 115%;">O nome do lugar? Okinawa.<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal"><span style="line-height: 115%;">A invasão de da ilha foi a maior das operações militares realizadas no Pacífico. Nimitz, comandante-em-chefe das operações navais, um cultor clássico do poder naval, exige o comando de todas as forças na área, inclusive dos 1500 B-29 de LeMay, naquele momento obcecado por destruir o Japão. Apesar dos protestos irados do general, o almirante pretende, em Okinawa, uma operação combinada clássica, na qual todos os meios disponíveis deverão, sob comando único, ser utilizados para neutralizar as defesas inimigas. <o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal"><span style="line-height: 115%;">Os japoneses defendem furiosamente o perímetro marítimo de Riu Kiu, e as baixas norte-americanas, surpreendem os comandantes. Um ataque de mais de 100 kamikaze contra os porta-aviões do almirante Mitscher atingem três deles, pesadamente avariados. Ainda assim, a supremacia naval norte-americana é indiscutível, inclusive no momento em que o fim da guerra na Europa liberou 50 navios, inclusive 26 ingleses, para o esforço no Pacífico.<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal"><span style="line-height: 115%;">No dia 1<sup>o</sup>­ de abril, </span><span style="line-height: 115%;">começou </span><span style="line-height: 115%;">a invasão de Okinawa, pel</span><span style="line-height: 115%;">o centro da ilha, na foz de um rio chamado Busha. Mais de 1.200 navios, incluindo 700 transportes de todos os tipos lançam a terra 4 divisões de infantaria, duas do Exército e duas dos Fuzileiros Navais. Num primeiro momento, não se observa qualquer resistência: Okinawa parece abandonada. Para o alívio geral (mas principalmente dos <span style="font-style: italic;">Marines</span>, moídos em Iwo um mês antes), a ilha é atravessada logo no primeiro dia e a conquista dos principais aeródromos acontece sem baixas. <o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal"><span style="line-height: 115%;">Escondidos em suas fortificações, no entanto, estão 100.000 japoneses, dos quais 24.000 da guarda metropolitana (uma espécie de guarda nacional, formada por reservistas além da idade de convocação, mas com treinamento militar razoável). Seu comandante, o tenente-general Ushijima, renunciara à defesa da totalidade da ilha, concentrando suas forças no sul, em torno das duas principais cidades, Shuri, e a capital, Naha. No norte, cerca de um terço dos efetivos disponíveis defendem a península de Motobu e a ilha de Jima. O resto foi abandonando. Os invasores avançam diretamente para essa linha de defesa.<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal"><span style="line-height: 115%;">No Japão, o novo desembarque americano desorganizou o governo, que renunciou coletivamente diante do Imperador Hirohito. O novo chefe do governo, almirante Kantoro Suzuki, de 77 anos, um moderado, foi tirado do ostracismo por parecer um bom instrumento para reunir os meios buscados pelo Imperador para encontrar uma saída honrosa.<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal"><span style="line-height: 115%;">Em Okinawa, a 6 de abril é lançada, pelos japoneses, a partir de Kiu Shiu e do Mar Interior, uma contra-ofensiva aeronaval: mais de 1000 aeronaves, boa parte delas kamikaze, lançam-se contra a esquadra americana. Em menos de 12 horas, o custo é estonteante: 355 kamikaze e 444 aeronaves regulares são dadas como perdidas, tendo os invasores sofrido perdas de 16 unidades navais (seis metidas a pique) e 38 aeronaves; um porta-aviões de escolta foi a perd</span><span style="line-height: 115%;">a mais significativa</span><span style="line-height: 115%;">. O ataque que deveria se seguir, realizado por um esquadrão naval carente de munição e combustível, encontrou a esquadra norte-americana intacta.<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal"><span style="line-height: 115%;">Várias centenas de bombardeiros e de caças norte-americanos alcançam o pequeno grupo de japoneses (cuja capitânea é o enorme – e obsoleto – couraçado Yamato, de 72.000 toneladas) em vagas sucessivas. O Yamato é atingido pela primeira vez às 12h41. Pouco mais de duas horas depois, o esquadrão japonês tinha deixado de existir.<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal"><span style="line-height: 115%;">Os dias seguintes são bem mais custosos para os atacantes, sob ataque massivo de kamikaze. Os japoneses usam uma nova tática aérea que se revela, na confusão do combate, bastante eficaz: bombardeiros convencionais, a grande altitude, infiltram-se entre os ataques rasantes de kamikaze. As centrais de direção de tiro não conseguem coordenar a artilharia anti-aérea de modo eficaz, nessa forma de ataque. O resultado: 30 navios afundados, 350 avariados em diferentes graus, entre estes o veterano porta-aviões Enterprise.<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal"><span style="line-height: 115%;">O relativo sucesso dos kamikaze, naquele período, cria nos soldados e marinheiros <span style=""> </span>- e no público norte-americano - a impressão de que o Japão só poderá ser vencido pelo extermínio dos japoneses. É, de fato, um engano, cujas proporções são multiplicadas pelo calor do combate. Ataques kamikaze revelam-se muito pouco eficazes, mas provocam, nos atacados, um nível de estresse maior do que o normalmente observado. Mas diante dos radares instalados em aeronaves, coordenando patrulhas de interceptação em diversas camadas e terminado em DCA aperfeiçoada, dificilmente um avião-suicida consegue atingir o alvo. As vítimas são, sobretudo, embarcações leves, menos defendidas: LST, transportes e destróieres. Não se registra a perda de nenhum grande navio.<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal"><span style="line-height: 115%;">E faltavam, sobretudo aviões e combustível. A indústria japonesa foi, ao longo de 1944 e 1945, sistematicamente desorganizada pela campanha naval e aérea norte-americana. Uma campanha submarina, intensificada a partir de 1943, baseada na campanha dos U-boats alemães no Atlântico Norte, lograra levara ao colapso as longas e desprotegidas linhas de suprimentos do Pacífico - como tinha previsto, em 1942, o almirante Yamamoto, a extensão do perímetro de defesa revelou-se, na prática, desastrosa e os americanos souberam aproveitar-se da incapacidade japonesa em garantir suas rotas marítimas; já na China, as fontes de matérias-primas, embora mantivessem a produção, não conseguiam fazer chegar seus produtos ao Japão, em função da eficiente guerrilha comunista, a única que revelava (na visão de Joseph Stiwell, o ácido comandante norte-americano do Teatro China-Burma), disposição em matar japoneses".<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal"><span style="line-height: 115%;">A segunda ofensiva, a 12 de abril, reúne 184 kamikaze; daí por diante, os efetivos se reduzem ainda mais. Quase 1.900 kamikaze foram sacrificados durante a batalha de Okinawa sem inflingir ao adversário baixas nem de longe proporcionais. A aviação japonesa perdeu na batalha de Riu Kiu: 7.800 aviões, abatidos ou destruídos no solo. O poder aéreo nipônico deixou de existir.<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal"><span style="line-height: 115%;">Em terra, o 3<sup>o</sup> Corpo Anfíbio alcança, em 4 de abril, o extremo norte da ilha. Isolada a península de Motobu, começam as operações de consolidação.<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal"><span style="line-height: 115%;">No Sul, a luta mostra-se mais dura. O terreno escarpado foi muito bem fortificado, e serve de base para uma defesa encarniçada. Ushijima ainda imagina ser possível expulsar o inimigo da ilha e, depois de quase um mês, em 4 de maio, lança uma divisão de infantaria completa e bem aprovisionada, mantida em reserva, numa contra-ofensiva, que não leva um dia para falhar. Os norte-americanos continuam, metodicamente, se lançando contra o labirinto de fortificações na península, num tipo de batalha que se assemelha às da Primeira Guerra Mundial. Em 27 de maio, Ushijima resolve abandonar Naha, mas não sem antes tranqüilizar Tóquio: afirma que seu exército está intacto e que a retirada é, na verdade, uma concentração de forças.<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal"><span style="line-height: 115%;">Não deixa de ser verdade, embora não nos termos otimistas do comandante japonês. As pesadas baixas obrigam que a população civil seja convocada a combater. São formados “corpo escolares”, com mais de 2.000 rapazes e moças, que, como armas, recebem lanças e porretes. São comandados por instrutores políticos sem formação militar. As privações, a intensificação dos bombardeios sobre a região superpovoada e a desconfiança dos invasores tornam a situação dos civis ainda pior que a dos militares. A infantaria norte-americana começa a testemunhar, com freqüência, suicídios coletivos.<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal"><span style="line-height: 115%;">Em 4 de junho, dois terços dos efetivos japoneses já não existem, e o que resta é constituído por milicianos da guarda metropolitana e civis convocados. Apenas um em cada cinco combatentes tem uma arma; não existe mais artilharia. Os americanos arrasam cidades, estradas e instalações; limpam as defesas com lança-chamas e tiros diretos de canhão. Em 22 de junho, ocupam toda a costa, e a resistência japonesa é esparsa e não tem mais coordenação. Os generais em comando, Ushijima e Cho cometem suicídio. As perdas japonesas elevam-se a 131.000 mortos, dos quais 42.000 civis. Os norte-americanos sofreram mais de 14.000 baixas fatais e por volta de 20.000 feridos. Um clamor levanta-se entre a opinião pública norte-americana: como a guerra está sendo conduzida? É possível confiar nos comandantes supremos?<br /></span></p><p class="MsoNormal"><span style="line-height: 115%;">E, sobretudo: pelo número de vidas humanas que devoraram Iwo e Okinawa, quanto custará a invasão do Japão?<o:p></o:p></span></p><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20118675-4077018960091116531?l=neuromaniaco.blogspot.com'/></div>Bitthttp://www.blogger.com/profile/05469586261730431758noreply@blogger.com2tag:blogger.com,1999:blog-20118675.post-2753610669039962062007-07-18T20:49:00.000-07:002007-07-19T14:56:12.262-07:00Maus - o pobre monstro::<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_IjOcXQvz9KI/Rp7gi9f92TI/AAAAAAAAAAU/0J2PEZ_BGkY/s1600-h/maus_78.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp0.blogger.com/_IjOcXQvz9KI/Rp7gi9f92TI/AAAAAAAAAAU/0J2PEZ_BGkY/s200/maus_78.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5088751520204052786" border="0" /></a><br /><p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style="font-size:100%;">Esta é para apreciadores do assunto, embora se relacione com o tópico geral que estou discutindo. Um dos assuntos que, no âmbito da história militar, me parece mais fascinante é o desenvolvimento da arma blindada. E é inegável que, apesar da principal ferramenta tecnológica desta ter sido inventada pelos britânicos, em 1915, a arma, em si, foi concebida e desenvolvida pelos alemães, durante a década de 1930. <o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style="font-size:100%;">A grande invenção dos alemães foi reunir os tanques em unidades autônomas, ao mesmo tempo aperfeiçoando uma doutrina de emprego e procedimentos táticos. A arma blindada alemã implicava numa alta mobilização de novidades tecnológicas – o emprego coordenado por rádio em modulação de voz e não em código (ou seja, os tripulantes “falando” uns com os outros), o emprego de aviões fazendo o papel de artilharia e o transporte de unidades de infantaria em caminhões ou veículos protegidos.<o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style="font-size:100%;">Os tanques aperfeiçoados pelos alemães, nos anos 1930, entretanto, eram surpreendentemente leves e ligeiramente armados. O principal modelo, em números, era um veículo (os alemães os chamavam de <i style="">Panzer Kampfwagen</i>, ou seja, “Veículo de Combate Blindado”, e geralmente os modelos eram conhecidos como PzKpfw) considerado, pelos padrões da época, como “leve”, ou “de reconhecimento”, denominado PzKpfw II, de pouco mais de 10 toneladas de deslocamento. Franceses, ingleses e russos já dispunham, nesta época, de veículos bem mais pesados e armados. <o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style="font-size:100%;">Independente dos motivos que fizeram a <i style="">Wehrmacht</i> começar a guerra com metade de seu inventário composto por um veículo pouco mais pesado que um caminhão (e apenas um pouco mais blindado, também...), a forma de emprego da arma blindada alemã foi a grande vantagem que eles tiveram, no início. Por outro lado, depois de 1941, o contato com os blindados soviéticos, notadamente os da série KV (modelos 1 e 2), pesadamente blindados e armados, fizeram os planejadores alemães levantarem a necessidade de um veículo melhor armado e blindado que os disponíveis, que equilibrasse a desvantagem diante dos soviéticos. <span style=""> </span><o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style="font-size:100%;">O desenvolvimento de tanques superpesados começou nessa época, com base no exame de veículos soviéticos capturados durante a Barbarossa. No início do ano seguinte, as usinas Krupp propuseram, baseadas em requisições feitas pelo <i style="">Waffenamt</i> (Departamento de Armamentos do Ministério da Guerra do Reich) desenhos de veículos denominados <i style="">Tiger-Maus </i>("Ratazana"<i style="">) e Löwe</i> (“Leão”). As duas propostas eram desenvolvimentos do PzKpfw VI <i style="">Tiger</i>, desenho do escritório de projetos do Professor Porsche, que estava então sendo experimentado pelo exército. Entretanto, em meados de 1942, surgiu uma requisição para um veículo ainda mais pesado (os Tigres deslocavam por volta de 60 toneladas). O projeto dos dois veículos foi descontinuado, mas idéias presentes em ambos, principalmente no <i style="">Löwe</i><o:p></o:p></span>, foram aproveitadas na concepção do novo modelo. </p> <p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style="font-size:100%;">No início de 1942, Porsche recebeu um contrato inicial para a um novo tanque deslocando por volta de 100 toneladas. Embora os militares tivessem dúvidas em torno do conceito de um veículo superpesado, este novo tanque era uma demanda estabelecida pelo próprio Hitler. Suas características gerais deveriam torná-lo "definitivo" (se é que isto é possível, no tocante a armamento...): deveria ter um canhão de 150 mm, ser capaz de carregar grande quantidade de munição e ser indestrutível por qualquer armamento então existente. A expectativa era para que o supertanque tivesse atingido o estágio de protótipo na primeira metade de 1943. Desde o início, o veículo passou a ser denominado <i style="">Maus</i> (“Rato”). <o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style="font-size:100%;">A primeira idéia surgida do escritório de Porsche<span style=""> </span>apresentava um monstro de 188 toneladas, equipado com um canhão de 150 mm e 37 calibres (o comprimento do cano equivaleria a 37 vezes o calibre, ou seja, 37 X 150) e montando ainda um outro, de 105 mm por 70 calibres. Esperava-se que na segunda metade de 1943, as Usinas Krupp pudessem produzir 5 desses carros a cada mês, até um limite de 150 unidades, pelo final de 1945. <o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style="font-size:100%;">Logo ao início do projeto, Hitler começou a imiscuir-se e determinou a diminuição do armamento principal, que passou a ser um canhão anti-aéreo de 128 mm, ladeado por outro menor, de 75 mm. Determinava também que o armamento inicialmente previsto deveria continuar a ser desenvolvido, para uso futuro. Ainda que diminuído o armamento, os projetistas não conseguiram garantir que a quantidade de munição demandada pudesse caber no espaço disponível.</span></p> <p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style="font-size:100%;">E este não foi o único problema com que os projetistas se depararam. O primeiro protótipo deparou-se com o fato de que não havia motores gerando potência suficiente para deslocar o veículo na velocidade planejada – 20 km/h. Foram apresentados planos que modificavam um motor de avião, mas mesmo este não conseguia levar o veículo a mais que 13 km/h, e isto à custa de um enorme consumo de combustível. O segundo protótipo chegou a ser equipado com um motor a diesel, sem que se obtivesse resultados melhores. Outro problema é que a suspensão convencional dos tanques alemães não funcionava no novo carro de combate, e teve de ser totalmente redesenhada. Também não havia pontes rodoviárias que suportassem o peso do veículo, e seu deslocamento por distâncias mais longas teria de ser feito por via ferroviária ou por espaços abertos, o que comprometeria o desempenho geral do conjunto. No final de 1943 os responsáveis pelo planejamento geral alemão, ligados ao Ministério dos Armamentos do Reich decidiram que o <i style="">Maus</i> não deveria ser prioridade, dada a enorme quantidade de materiais que teria de ser empenhada, numa época em que a Alemanha já carecia de fontes de diversos deles. Entretanto, foi determinado que os protótipos até então fabricados continuassem a ser avaliados. A ordem de produção, por sua vez, foi cancelada.<o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style="font-size:100%;">Muito pouca documentação sobre o <i style="">Maus</i> (que recebeu do exército a notação PzKpfw VIII), foi, depois da guerra, localizada, de modo que não se sabe muito sobre como o exército pretendia usá-lo – se é que pretendia usá-lo. Segundo entrevistas feitas depois da guerra, com o Professor Porsche, o projeto era uma demanda pessoal de Hitler, que imaginava uma espécie de “fortaleza rolante”, destinada a cobrir espaços vazios nas “muralhas do Reich”, notadamente na “Muralha Atlântica”. Se era realmente esse o objetivo do projeto, o desempenho pobre teria sido um fator limitador, visto que o alcance e mobilidade em combate do veículo eram mínimos. Segundo os cálculos feitos pelos alemães, com o armamento projetado, o PzKpfw VIII seria capaz de superar qualquer tanque em operação em 1944. Entretanto, segundo testes feitos com um protótipo capturado pelo Exército Vermelho em 1945, o que sobrava em proteção e armamento, faltava em desempenho. É muito pouco provável que um veículo daquele tipo fizesse alguma diferença contra forças altamente móveis. O <i style="">Maus</i> foi concebido, ao que parece, pondo de lado o princípio básico das forças blindadas, o do movimento - o princípio que levou a Alemanha à vitória, na primeira fase da guerra, até 1942.<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal"><span style=""><span style="color: rgb(51, 51, 51);font-size:100%;" ><span style="font-family:trebuchet ms;">Pois bem – voltaremos ao assunto::</span></span><o:p></o:p></span></p><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20118675-275361066903996206?l=neuromaniaco.blogspot.com'/></div>Bitthttp://www.blogger.com/profile/05469586261730431758noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-20118675.post-27831300848944836602007-07-18T07:11:00.000-07:002007-07-18T07:34:38.826-07:00O Tigre, os escudos e os falcões<p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style="font-size:100%;">Parte II<o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style="font-size:100%;">A iniciativa de instalar o MLBS, estabelecida como objetivo estratégico e político pelo governo George W. Bush, ao que parece, conseguiu a proeza de irritar os aliados europeus e a Rússia de uma só vez. A Europa, num difícil caminho para a unificação, não chegou a ser consultada sobre o perigo de, em troca de um sistema defensivo de eficácia duvidosa, ficar novamente na mira do arsenal estratégico pesado dos russos – arsenal que, embora bastante reduzido, em relação ao que era, no tempo da Guerra Fria, ainda pode destruir o Velho Continente 10 ou 20 vezes; a Rússia vê a agressiva política hegemonista norte-americana aproximar-se de suas fronteiras. Ficará com instalações militares americanas às portas da Rússia Européia.<o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style="font-size:100%;">O Bush e seus diplomatas afirmam, de modo conciliador, que o objetivo do novo sistema defensivo é prevenir ataques nucleares dos “estados-párias” Coréia do Norte e Irã – principalmente este último; argumentam que Polônia e República Tcheca estão em pontos que permitem monitorar as principais rotas de vôo, tanto para a Europa quanto para a América do Norte - a rota transpolar. De fato, é verdade, com uma ressalva – os sítios de lançamento russos que apontam para território americano também acessam a mesma via (quem assistiu o filme “Limites de Segurança”,com Warter Matthau fazendo o papel de Robert McNamara, deve lembrar desse detalhe – o ataque equivocado seguia uma rota Alasca-Oceano Ártico-Rússia Européia). <o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style="font-size:100%;">Mísseis pesados dificilmente poderiam ser detidos por um sistema do tipo do MLBS, pois alcançam os limites da atmosfera em apenas alguns minutos. Na hierarquia dessas armas de destruição em massa, o topo da cadeia é ocupado pelos MIRV, acrônimo de <i style="">Multiple Independent targetable Reentry Vehicle</i>. São mísseis intercontinentais armados com diversas ogivas, alcance entre 13 e 20 mil quilômetros e capazes de engajar 6 a 20 alvos diferentes (no caso dos modelos russos mais avançados). Atingem o zênite de sua trajetória entre 150 e 200 mil metros de altitude. Esse tipo de armamento é quase impossível de ser interceptado. Logo abaixo estão os MRVs, de <i style="">Multiple Reentry Vehicle</i>. São vetores capazes de engajar um único alvo, mas lançando sobre ele 2 ou 4 ogivas. Os MRVs também se deslocam pela ionosfera, que alcançam em 2 ou 3 minutos, dependendo da posição da superfície terrestre de onde forem lançados. Abaixo destes encontram-se os S-ICBMs de <i style="">Single Warhead Intercontinetal Ballist Missil</i>, os modelos capazes de percorrer distância superior a 3,5 mil quilômetros, parte dela nas camadas inferiores da ionosfera. Essas três categorias são as mais perigosas, visto que, no final da trajetória, a força da gravidade aumenta a velocidade do projétil de maneira exponencial, tornando a interceptação virtualmente impossível.<o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style="font-size:100%;">MIRVs e MRVs, pela complexidade e custo, e também pela estrita vigilância exercida sobre a tecnologia de concepção e fabricação, são restritos às maiores duas potências nucleares – EUA e Rússia. S-ICBMs são mais simples, embora a tecnologia de auto-telemetria (capacidade do artefato controlar uma trajetória de vôo pré-estabelecida) não seja facilmente adquirida.<o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style="font-size:100%;">Nos anos de 1960 e 1970, tanto EUA quanto URSS correram atrás de uma forma de estabelecer defesas eficazes contra um ataque nuclear. Os sistemas ABM começaram a ser aperfeiçoados nos anos de 1960. Os primeiros foram testados nos EUA em 1967-8, e na URSS provavelmente na mesma época. Inicialmente era um conceito algo tosco: um míssil balístico de alcance médio para deter um míssil balístico intercontinental num momento zenital da trajetória. Esses sistemas dependiam de outros sistemas, radares de varredura ampla intalados em terra, complementados por sistemas de alerta antecipado instalados em aviões e navios, integrados, no caso norte-americano, em um sistema chamado NORAD, acrônimo de <i style="">North-American Aerospace Defense Command</i>, e, no caso soviético, de sistemas de radares de amplo espectro de varredura denominados (pela OTAN) “Gatil”, “Canil” e “Galinheiro” (humor negro dos analistas de informação ocidentais?..). <o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style="font-size:100%;">Embora na época pudessem ser considerados impressionantes, esses sistemas partiam de uma premissa muito simples: lançar um tipo de míssil que, dirigindo-se contra determinado ponto da trajetória do atacante, ao aproximar-se deste detonasse uma ogiva nuclear que destruiria o alvo. Ainda assim os sistemas ABM provocaram muita preocupação, pois se uma das potências nucleares conseguisse tornar um desses operacional, adquiriria a capacidade de disparar o primeiro golpe e talvez sobreviver ao contragolpe. Os sistemas anti-balísticos, entretanto, envolviam problemas doutrinários e tecnológicos que, na época, se mostraram incontornáveis, e, por isto, nunca chegaram a tornar-se plenamente operacionais.<o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style="font-size:100%;">Durante o governo Reagan, foi oficialmente estabelecido o objetivo de criar um sistema anti-balístico de ampla abrangência, denominado SDI (<i style="">Strategic Defence Initiative</i>), mas que ficou conhecido como “Guerra nas Estrelas”. O SDI não foi adiante devido aos custos e a problemas tecnológicos impossíveis de resolver, na época. Embora tenha provocado ácidos debates internos nos EUA, o fim da Guerra Fria o tornou desnecessário, e apenas uma parte da tecnologia que o formaria chegou a ser testada em laboratório. Atualmente, o governo Bush tem falado em reviver o SDI, utilizando novas abordagens, menos abrangentes, em um sistema denominado NMD (<i style="">National Missil Defense</i>).<o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style="font-size:100%;">Diversos teóricos afirmam que um sistema desse tipo é uma quimera, por buscar romper um conceito que tem sido eficaz desde que grupos organizados de homens se enfrentam: a incapacidade de qualquer defesa ser totalmente eficaz. A defesa tem de ser capaz de alcançar dois objetivos: primeiro, dissuadir o inimigo de querer atacar; segundo, caso o ataque ocorra, ser capaz de deter o inimigo. O problema é que </span><span style="font-size:100%;">mas geralmente não os alcança de forma concomitante. </span><span style="font-size:100%;">Tem sido assim desde tempos remotos. <o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style="font-size:100%;">Imaginemos a Grande Muralha da China, por exemplo. Deveria ser capaz de dissuadir os povos nômades do norte, principalmente os mongóis, de penetrar o território chinês. Seus construtores, diversas dinastias chinesas ao longo de 1700 anos, partiam do princípio que a contenção física de um obstáculo formado por muros, fortificações e aquartelamentos poderia prover, rapidamente, a defesa de um ponto que fosse submetido a um ataque. Não imaginaram que a eficácia do sistema poderia ser comprometida caso o Estado chinês não conseguisse reunir homens, armas e suprimentos em volume suficiente. Geralmente, não conseguiam. Relatos feitos nas duas últimas décadas da dinastia Sung, na segunda metade do século XI, falam de incursões mongóis em pelo menos 30 pontos da muralha, numa extensão de mais de 100 quilômetros, que o exército imperial não conseguia conter. Caso a superioridade numérica do atacante supere determinada proporção (em geral estabelecida em 5 por 1), o defensor será inevitavelmente ultrapassado, a não ser que receba reforços. Se o atacante conseguir concentrar forças em um dado ponto, os defensores terão de continuar aumentando seus números, de modo a equilibrar a situação. Num único ponto, isto é possível, pois um bom sistema de fortificações, um comandante talentoso, uma tropa motivada e boas armas podem compensar números muito díspares. Num conjunto de pontos articulados, um deles fatalmente fraquejará, e os defensores terão, para reforçar o ponto fraco, enfraquecer os outros.<o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style="font-size:100%;">Na época em que as batalhas eram travadas principalmente através da aplicação de energia humana e animal (ou seja, a era das armas de ponta-corte e de arremesso), um bom sistema de fortificações poderia fazer grande diferença, e técnicas de sítio poderiam superar um bom sistema de fortificações.<o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style="font-size:100%;">A pólvora, ou seja, a descoberta da aplicação de energia química desequilibrou essa equação. Grandes canhões foram usados, a partir do século XIV, como artefatos de sítio, contra muralhas. Se mostraram tão eficazes que, no século XVII, os castelos perderam as muralhas e o caráter de fortaleza, e as fortalezas, desde o século XVI, começaram a ser desenhadas levando em conta as armas de fogo não apenas como elementos de ataque, mas também de defesa. Muros e trincheiras passaram a ser arquitetados de modo a permitir que os defensores se ocultassem do fogo inimigo e cruzassem seus fogos diante de tropas atacantes. A fortaleza tornou-se um elemento de dissuasão, mas o combate que vencia a guerra era travado em campo aberto, entre tropas dotadas de armas de fogo e manobrando de modo a superar o adversário. Vencer o combate tornou-se uma questão de, por um lado, concentrar o fogo e, por outro, garantir a integridade da própria tropa. Ou seja, garantir sua capacidade de continuar atirando.<o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style="font-size:100%;">Se observarmos bem, esse princípio, <i style="">mutatis-mutandis</i>, continuou sendo o principal conceito dos exércitos em combate. Garantir a própria integridade significa garantir que se poderá continuar a combater. A defesa, em última análise, é uma maneira de garantir que o ataque, em algum momento, será possível.<o:p></o:p></span></p> <span style="font-size:100%;"><span style="line-height: 115%; color: rgb(51, 51, 51);font-family:trebuchet ms;font-size:11;" >Voltaremos ao assunto na próxima e última parte dessa reflexão um tanto delirante.</span></span><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20118675-2783130084894483660?l=neuromaniaco.blogspot.com'/></div>Bitthttp://www.blogger.com/profile/05469586261730431758noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-20118675.post-86823820071932269822007-07-06T09:22:00.000-07:002007-07-07T07:03:27.477-07:00Guerra e paz::<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_IjOcXQvz9KI/Ro-dH3e4iAI/AAAAAAAAAAM/nQ7PTf6S3CI/s1600-h/vulcan.jpg"><img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://bp0.blogger.com/_IjOcXQvz9KI/Ro-dH3e4iAI/AAAAAAAAAAM/nQ7PTf6S3CI/s200/vulcan.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5084455262802708482" border="0" /></a><br /><span style="color: rgb(51, 51, 51);font-size:100%;" ><span style="font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:130%;"><span style="font-weight: bold;"><span style="font-size:180%;"><span style="font-style: italic;">C</span></span></span>onforme</span> ansiavam meus 17.000 leitores assíduos (minha soberba caminha para um claro apartamento da realidade...), publico a segunda e última parte do texto de Eric Hobsbawn. É interessante observar como análise mostra-se espantosamente precisa, principalmente quando colocamos em tela a situação do Oriente Médio, conforme testemunhamos agora. Fico pensando numa pequena adaptação do clichê que, no início do século passado, dizia-se de nosso: "Muita saúva e pouca saúde os males do Brasil são."</span><br /><br /><span style="font-family:trebuchet ms;">Adapto o dito para alguma coisa mais atual: "Muita arma e pouco acordo os males do Brasil (e do mundo) são." é interessante pensar na emergência de grupos armados em nosso país, nos últimos 20 anos, e como esses grupos mostram-se capazes de impor, pela força, sua vontade à grandes parcelas da população. </span><br /><br /><span style="font-family:trebuchet ms;">Nossa sorte (até agora) é que esses grupos (até agora) estão no estágio que o próprio Hobsbawn, em livro publicado em 1959, chamou de "não-político". São "bandidos". De toda forma, desfrutam da facilidade de conseguir equipamento militar e financiamento , que ele cita no texto. Esse estágio "não-político" os torna (mais uma vez, para nossa sorte) incapazes de enfrentar, de modo organizado, o estado. Por outro lado, não podemos dizer que o Estado se mostre fraco ou ilegítimo, pois não se observa oposição política armada. Diria que o problema é a ausência de projeto político claro que incorpore, inclusive, esses grupos aos objetivos nacionais.</span><br /><br /><span style="font-family:trebuchet ms;">Essa ausência de projeto faz com que a única resolução possível do conflito seja militarizada - como se observou na invasão do favela carioca Complexo do Alemão, acontecida na semana passada. Novamente podemos vislumbrar os apontamentos de Hobsbawn naquela situação: qual o objetivo daquela operação? Se fosse uma operação policial, o objetivo seria prender os bandidos e levá-los à Justiça. Mas, ao que parece, o objetivo era expulsá-los e como disse o Presidente da República, "disputar" com a organização (seja qual for) o controle do território. A polícia não faz isso - tomar e controlar território é objetivo militar. </span><br /><br /><span style="font-family:trebuchet ms;">Mas essa é outra história...</span></span><br /><br /><br /><div style="border-style: solid none none; padding: 1pt 0cm 0cm;font-family:trebuchet ms;"> <p class="MsoNormal" style="border: medium none ; padding: 0cm;"><span style="color: rgb(51, 51, 51);font-size:130%;" >Guerra e paz::</span><span style="font-size:130%;"><i style="color: rgb(51, 51, 51);">Eric Hobsbawn</i></span><span style="color: rgb(51, 51, 51);font-size:130%;" >::</span><span style="color: rgb(51, 51, 51);font-size:130%;" >Tradução livre do original publicado em The Guardian, 23/02/2002</span><span style=";font-size:16;color:white;" ><o:p></o:p></span></p> </div> <p class="MsoNormal" style="font-family:trebuchet ms;"><span style=";font-size:10;color:white;" ><o:p><span style="color: rgb(51, 51, 51);">Parte II</span> </o:p></span></p> <p><span style="">Outra questão é que a distinção entre guerra e paz tornou-se obscura. Exceto por alguns casos isolados, a Segunda Guerra Mundial nem começou com uma declaração de guerra e nem terminou com um grande tratado de paz. O conflito mundial foi seguido por um período de tal modo difícil de classificar como “de guerra” ou “de paz”, no velho sentido da palavra, que o neologismo “guerra fria” teve de ser inventado para descrevê-lo. A cabal obscuridade da distinção desde a Guerra Fria é bem ilustrada pela situação no Oriente Médio. Nem “paz” nem “guerra” descrevem exatamente as relações entre israelenses e palestinos, ou as relações entre Israel e seus vizinhos, Líbano e Síria. Tudo isso é um desafortunado legado das guerras do século XX, mas também da máquina do crescente envolvimento da mídia nos conflitos, e de um período de confrontação entre ideologias incompatíveis e apaixonantes, que trouxeram às guerras um aspecto cruzadista comparável aqueles observados nos conflitos religiosos do passado.<o:p></o:p></span></p> <p><span style="">Esses conflitos, diferentemente das guerras tradicionais do sistema internacional de poder, foram travados buscando objetivos não-negociáveis, tais como “rendição incondicional”. Desde que ambas, guerra e vitória, passaram a ser vistas como “totais”, qualquer limitação sobre a capacidade dos beligerantes em vencer, que pudesse ser imposta pelas convenções aceitas para os conflitos travados no estilo dos séculos XVIII e XIX – ainda que fosse a exigência de uma declaração de guerra formal - passou a ser rejeitada. Como também passou a ser rejeitada qualquer limitação à capacidade do vitorioso em impor sua vontade. A experiência mostra que acordos estabelecidos por tratados de paz podem facilmente ser quebrados. <o:p></o:p></span></p> <p><span style="">Em épocas mais recentes, a situação tem ficado ainda mais complicada, devido à tendência, observada na retórica pública, em considerar como “guerra” o emprego de força contra diversas espécies de atividade, nacionais ou internacionais, consideradas anti-sociais – por exemplo, "guerra contra a Máfia", ou "guerra contra os cartéis das drogas". Nessas situações, observam-se conflitos entre os dois tipos de forças armadas regulares, e a distinção entre as duas se torna obscura. Uma dessas – vamos chamá-los de "soldados" – é dirigido contra o “inimigo” com o objetivo de derrotá-lo. A outra – vamos chamá-los “policiais” – busca manter ou re-estabelecer um grau aceitável de observância da lei e da ordem pública, dentro de uma entidade política pré-existente, tipicamente, um estado. A vitória, que não necessariamente tem conotação moral, é o objetivo dos “soldados”; levar à justiça os ofensores da lei, objetivo este com conotação moral, é o objetivo dos “policiais”. Uma tal distinção é mais fácil de estabelecer na teoria que na prática. Um homicídio praticado por um soldado no campo de batalha não é, em si, uma quebra da lei. Mas como decidir o que é um membro do IRA, que se vê como beligerante, e é visto como homicida pelas autoridades britânicas?<o:p></o:p></span></p> <p><span style="">As operações na Irlanda do Norte são uma guerra, como pretende o IRA, ou uma mera ação de foras-da-lei de romper a ordem numa província da Grã-Bretanha? Desde que não apenas uma enorme força policial, mas um exército nacional estão mobilizados contra o Ira ao longo de 30 anos, ou mais, parece que podemos concluir que é uma guerra, mas na qual as operações militares tomam a forma de operações policiais, de modo as evitar baixas e interferir o mínimo possível na vida local. São tais as complexidades e confusões das relações entre paz e guerra no início deste novo século. Tais confusões são muito bem ilustradas pelas operações, militares e não-militares, em que os EUA e seus aliados tem se engajado em tempos recentes. <o:p></o:p></span></p> <p><span style="">Observa-se na atualidade, como se observou ao longo de todo o século XX, uma completa ausência de qualquer autoridade efetiva global, capaz de controlar ou arbitrar disputas armadas. A globalização tem avançado em quase todos os aspectos - economicamente, tecnologicamente, culturalmente, e até linguisticamente –, exceto um: política e militarmente, desde que os estados territoriais continuam sendo a única autoridade efetiva. Existem, oficialmente, cerca de 200 estados,mas, na prática, apenas um punhado deles realmente conta, e, dentre estes, os EUA são, indiscutivelmente, o mais poderoso. Entretanto, nenhum estado ou império foi tão grande, rico ou poderosos que pudesse ser capaz de manter a hegemonia política sobre o mundo, ao ponto de poder estabelecer sua supremacia política e militar sobre todos os outros. Uma única superpotência não pode compensar a ausência de autoridades globais,especialmente diante da falta de convenções – relativas ao desarmamento internacional, por exemplo, ou ao controle de armamentos – sólidas o suficiente para que os maiores estados se comprometam voluntariamente aceitas com elas. Pode-se observar a existência de algumas dessas autoridades, notadamente a ONU, secundada por diversos organismos técnicos e financeiros, como o FMI, o Banco Mundial e a OMC, e também alguns tribunais internacionais. Nenhum deles, entretanto, tem qualquer poder efetivo, que não seja o atribuído pelo acordo entre estados, ou graças ao suporte das maiores potências. </span><span style="" lang="EN-US">Infelizmente, tal situação não deverá mudar num futuro previsível.<o:p></o:p></span></p> <p><span style="">Desde que somente estados estabelecidos contam com poder real, o risco é que as instituições internacionais, quando tiverem de lidar com ofensas tais como “crimes de guerra”, se mostrem ineficazes, ou careçam de legitimidade universal. Mesmo quando as cortes internacionais são estabelecidas por acordo geral (como foi o caso, por exemplo, do Tribunal Criminal Internacional, estabelecido pela ONU em Rome, em 1998), suas decisões não necessariamente serão aceitas como legítimas e aplicadas, uma vez que estados suficientemente poderosos estão em condições de negá-las. Um consórcio de estados pode ser forte o suficiente para assegurar que ofensores de estados menores sejam levados a esses tribunais, e, desta maneira, talvez a crueldade do certos conflitos armadas travados em áreas menores seja refreada. Entretanto, isso não é um exemplo de exercício da lei internacional, mas de poder e influência, tradicionalmente observado dentro do sistema internacional de estados. <o:p></o:p></span></p> <p><span style="">Por outro lado, existe uma grande diferença entre o século XXI e o anterior: a idéia de que a guerra poderá ocorrer em áreas territoriais sob a autoridade de governos efetivos, que detendo o monopólio dos meios de poder e coerção, tenham perdido a capacidade de aplicá-los. Isto não era acontecimento comum em países onde tivessem ocorrido revoluções, ou nos fragmentos de impérios desintegrados. Entretanto, foi apenas recentemente que inúmeros regimes novos, pós-coloniais – a China entre 1911 e 1949 é a principal exceção –, de uma hora para outra emergiram como sucessores mais-ou-menos organizados e funcionais das potências coloniais. Nas últimos 3 ou 4 décadas, diversos estados territoriais, por várias razões, perderam o tradicional monopólio das forças armadas e muito da própria estabilidade e poder. Junto desses elementos, vai, de roldão, o fundamental sentido de legitimidade, ou pelo menos, de aceitação tácita. Desta forma, os governos perdem a capacidade de impor aos cidadãos sob sua autoridade, impostos e outras obrigações. O equipamento material para se travar a guerra, assim como os meios de financiar sua aquisição, são, na atualidade, amplamente disponíveis para grupos privados. O resultado é que o balanço de forças entre as organizações estatais e não-estatais mudou notavelmente. <o:p></o:p></span></p> <p><span style="">Conflitos armados dentro de estados têm se tornado mais sérios e podem se prolonger por décadas sem qualquer perspectiva de vitória ou acordo: Cachemira, Angola, Sri Lanka, Chechênia, Colômbia. Em casos extremos, como acontece em certas partes da África, o estado pode, virtualmente, deixar de existir, ou como na Clômbia, não exercer mais o poder sobre partes consideráveis de seu território. Mesmo em estados mais fortes e estáveis, tem se mostrado diícil eliminar pequenos grupo de oposição armada, tal como o IRA, na Grã-Bretanha, e o ETA, na Espanha. A novidade dessa situação é indicada pelo fato de que os estados mais poderosos do planeta, tendo sofrido ataques terroristas, se vêem obrigados a lancer operações militares formais contra pequenas organizações não ligadas a nenhum governo. <o:p></o:p></span></p> <p><span style="">Como essas mudanças poderão afetar o balanço entre guerra e paz no século que se inicia? Não quero fazer previsões sobre guerras possivelmente por acontecer, e seus resultados. Entretando, a estrutura do conflito armado e os métodos de arbitragem têm sido profundamente afetados pelas transformações do sistema mundial de estados soberanos. <o:p></o:p></span></p> <p><span style="">A dissolução da URSS significou que deixava de existir o sistema de grandes potências que, por quase dois séculos, governou as relações internacionais, e, com exceções óbvias, exerceu o controle sobre o conflito entre estados. Seu desaparecimento removeu as principais restrições sobre a guerra inter-estados, e à intervenção armada direta nos assuntos internos de outros estados – as fronteiras territoriais internacionais, durante a Guerra Fria, eram tacitamente respeitadas. O sistema internacional tornou-se potencialmente instável desde então, como resultado da multiplicação de pequenos estados, algumas vezes muito fracos, que ainda assim eram oficialmente considerados pela ONU como “soberanos”.<o:p></o:p></span></p> <p><span style="">O fim dos regimes comunistas europeus contribuiu decididamente para o aumento dessa instabilidade. Tendências separatistas de força variável, em estados-nações até agora estáveis, tais como a Grã-Bretanha, Espanha, Bélgica e Itália podem, mais adiante, crescer. Ao mesmo tempo, o número de atores privados na cena mundial tem se multiplicado. Que mecanismos existem para controlar e arbitrar tais conflitos? O retrospecto não é promissor. Nenhum dos conflitos armados acontecidos nos anos de 1990 alcançou um acordo estável. A sobrevivência das instituições, retórica e suspeitas da Guerra Fria, exacerbou a desintegração pós-comunista da Europa do sudeste e tornou ainda mais difícil um acordo na região antes chamada Iugoslávia. <o:p></o:p></span></p> <p><span style="">As desconfianças herdadas da Guerra Fria, ideológicas e políticas, terão de ser ultrapassadas, se pretendemos desenvolver meios de controlar conflitos armados. É também evidente que os EUA estão falhando, e, inevitavelmente, continuarão a falhar, em impor, pela aplicação unilateral de força, uma nova ordem mundial (seja de que tipo for), mesmo que, no presente, a balança de forças tenda em seu favor e mesmo que esteja apoiado por uma aliança internacional (ainda que, inevitavelmente, de curta duração). O sistema internacional continuará multilateral e sua regulação dependerá da habilidade de algumas unidades maiores em concordar umas com as outras, ainda que alguns dentre esses estados sejam militarmente predominantes.<o:p></o:p></span></p> <p><span style="">Nesta direção, já ficou claro como as ações militares dos EUA dependem de acordos negociados com outros estados. Também já ficou claro que a decisão política de ir a guerra, mesmo com o envolvimento dos EUA, será tomada depois de negociações, e não de maneira unilateral. A era das guerras encerradas por rendição incondicional, pelo menos em futuro previsível, não retornará.<o:p></o:p></span></p> <p><span style="">O papel das instituições internacionais existentes, notadamente da ONU, também terá de ser repensado. Sempre presentes, e usualmente invocadas, essas instituições não tem lugar claro na resolução de disputas. Sua estratégia e aplicação ficam sempre à mercê de poderes políticos cambiantes. A ausência de organismos internacionais intermediários, considerados genuinamente neutros, capazes de agir sem autorização prévia do Conselho de Segurança, tem sido uma falha óbvia do sistema de administração de disputas. <o:p></o:p></span></p> <p><span style="">Desde o fim da Guerra Fria, a administração da paz e da guerra tem sido improvisada. Na melhor das hipóteses, como aconteceu nos Balcãs, conflitos armados são interrompidos por intervenções militares, e o status quo e o fim das hostilidades, mantidos por exércitos de terceiros. Se um modelo geral para o futuro controle de conflitos armados poderá surgir dessas intervenções não é, de modo algum, claro.<o:p></o:p></span></p> <p><span style="">O balanço da guerra e da paz no século 21 dependerá não da elaboração de mecanismos mais eficazes de negociação e acordo, mas da estabilidade interna das nações e de que se evite os conflitos militares. Com poucas exceções, as rivalidades e atritos entre estados, que, no passado, levaram a conflitos armados, são menos passíveis de acontecer na atualidade. Por exemplo, observa-se, entre governos, comparativamente poucas disputas sérias sobre fronteiras internacionais. Por outro lado, conflitos internos podem, com facilidade, descambar em violência: o principal perigo de guerra reside no envolvimento, nesses conflitos, de outros estados ou atores militares.<o:p></o:p></span></p> <p><span style="">Estados com economias estáveis e dinâmicas e uma distribuição de renda relativamente equilibrada são mais difíceis de serem abalados – social e politicamente – do que aqueles pobres, altamente desiguais e economicamente instáveis. O controle da violência armada interna e manutenção da tranqüilidade dependem, mesmo mais imediatamente, do poder e capacidade efetivos dos governos nacionais e de sua legitimidade, aos olhos da maior parte de seus habitantes. Na atualidade, nenhum governo, fora da Europa Ocidental, pode conceber a existência de populações civis desarmadas, ou um grau de ordem pública como aquele que, por longo período, tem sido familiar nessa região do mundo. Da mesma forma, nenhum governo, hoje em dia, está em posição de superar ou eliminar totalmente minorias internas armadas.<o:p></o:p></span></p> <p><span style="">Ainda que o mundo seja crescentemente dividido em estados capazes de administrar efetivamente seus territórios e cidadãos, dentro fronteiras internacionais oficialmente reconhecidas, grande número de governos nacionais enfrentam oposição provocada pela fraqueza institucional e corrupção. Essas zonas costumam a ser palco de sangrentas disputas internas e conflitos internacionais, como os que tem acontecido na África Central. Não há, entretanto, nessas regiões, perspectiva imediata de melhorias duradouras, e a possibilidade de enfraquecimento dos governos centrais de países instáveis, ou da balcanização do mapa do mundo, sem dúvida faz crescer o perigo do conflito armado.<o:p></o:p></span></p> <p><span style="">Uma tentativa de previsão: a guerra, no século XXI poderá não ser tão sangrenta quanto foi no século passado. Mas a violência armada, criando sofrimento e perdas desproporcionais, continuará onipresente e endêmica – ocasionalmente epidêmica – em grande parte do mundo. </span><span style="" lang="EN-US">A perspectiva de um século de paz é remota. <o:p></o:p></span></p><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20118675-8682382007193226982?l=neuromaniaco.blogspot.com'/></div>Bitthttp://www.blogger.com/profile/05469586261730431758noreply@blogger.com2tag:blogger.com,1999:blog-20118675.post-42943806938309166962007-07-04T19:52:00.000-07:002007-07-07T06:43:57.972-07:00O Tigre, os escudos e os falcões::<p style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:arial;" class="MsoNormal"><span style="font-size:85%;">Uma sugestão de enredo para o próximo livro de Tom Clancy, dada de graça aqui pelo redator do Neuromaniaco<span style="font-weight: bold;">::</span></span><br /></p><p style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:arial;" class="MsoNormal"><span style="font-size:85%;">I</span></p> <p style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:arial;" class="MsoNormal"><span style="font-size:85%;"><span style="font-weight: bold;">Segundo deu no Globo</span>, hoje (4 de julho), Vladimir Putin e George W. Bush estão pescando no Maine. Entre uma fisgada e outra, discutem a nova iniciativa estratégica dos EUA – o novo escudo anti-míssil que os norte-americanos pretendem instalar na Europa Oriental, segundo eles para garantir o mundo ocidental contra o poder nuclear do “Eixo do Mal”. No campo diplomático, Putin tomou a iniciativa ao propor um esforço conjunto a Bush, abrindo aos norte-americanos a possibilidade de utilizar estações de alerta antecipado situadas no Azerbaijão, em troca de uma limitação radical na capacidade dos sistemas a serem instalados na Polônia e República Tcheca.</span></p> <p style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:arial;" class="MsoNormal"><span style="font-size:85%;">O sistema em projeto tem o nome de <i style="">Ballistic Missile Defense System</i> (BMDS), e sua função seria dissuadir a proliferação de armas nucleares e a vulnerabilidade que estas trazem como fator capaz de limitar o cumprimento dos objetivos nacionais norte-americanos. Especialistas em política externa e estratégia argumentam que o BMDS poderá ser, no futuro, fator de dissuassão contra nações agressivas. A favor ou contra, todos negam que o sistema tenha por objetivo de médio prazo neutralizar os arsenais nucleares russo e chinês. </span></p> <p style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:arial;" class="MsoNormal"><span style="font-size:85%;">Pelo que saiu na imprensa européia, o BMDS deverá lidar com mísseis balísticos sub-orbitais (que voam dentro da atmosfera) em alguma das três fases do seu percurso: "lançamento" (1), "trajetória" (2) e "engajamento do alvo" (3). A fase inicial (lançamento, ou, em inglês, <i>boost phase</i>) corresponde ao início do trajeto. Este ponto inicial do vôo é importante pois nele é mais fácil detectar e seguir o míssil, devido à grande quantidade de energia necessária para tirá-lo do chão e colocá-lo no curso. A vantagem de interceptar um míssil nesta fase reside no fato de que, nela, o sistema está inteiro (<span style="">propulsores</span>, combustível, equipamento de direção e telemetria e munição) e sua velocidade ainda não é muito alta. Politicamente, isso oferece uma vantagem adicional: permitir a interceptação ainda bem longe do alvo, o que poderá permitir aos EUA dar alguma cobertura a seus aliados da Europa e na Ásia. Mas esta fase dura apenas alguns minutos e o tempo de reação teria de ser muito curto. Este é o principal argumento para colocar o sistema de defesa o mais próximo possível do local de lançamento do inimigo.</span></p> <p style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:arial;" class="MsoNormal"><span style="font-size:85%;">As nações equipadas com mísseis balísticos funcionais são atualmente 10: EUA, Rússia, Ucrânia, China, Inglaterra, França, Índia,Paquistão, Israel e Coréia do Norte. Este número provavelmente crescerá significativamente nos próximos 20 anos. Os planejadores norte-americanos tem afirmado que o crescimento da capacidade de adversários declarados dos EUA em ameaçar efetivamente o país constitui um fator de insegurança difícil de não levar em consideração, e que um sistema anti-míssil aumentará a confiança da sociedade e dos aliados de que governo dos EUA é capaz e tem disposição para defende-los. O sistema deverá estar completo em 2016.</span></p> <p style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:arial;" class="MsoNormal"><span style="font-size:85%;">O urso deixou de ser uma superpotência desde a queda da União Soviética, e seus arsenais estratégicos, cujo desenvolvimento tinha sido limitado pelos tratados SALT, reduziram-se concretamente, desde então. Algo entre 30 e 40 por cento das armas pesadas instaladas em terra foram desmontadas para que não passassem para as mãos das repúblicas que surgiram da dissolução da URSS. Os mísseis intercontinentais (ICBMs) precisam de silos para serem disparados, e a URSS não teve como reinstalá-los em seu próprio território em função da crise econômica em que se viu metida, nos anos de 1990. A crise, entretanto, passou. E os russos estão desenvolvendo novos tipos de armas estratégicas, que ninguém sabe direito ainda o que seriam. Criatividade não lhes falta. E o fim do planejamento centralizado aumentou, em muito, a eficiência e competitividade da indústria deles. </span></p> <p style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:arial;" class="MsoNormal"><span style="font-size:85%;">A atenção dos russos com esse novo movimento dos EUA faz sentido, pelo menos no longo prazo. O relativo equilíbrio internacional observado hoje, do ponto de vista do confronto de alta intensidade tem relação com o fim da União Soviética, a incapacidade desta em intervir fora de sua área de abrangência territorial e a existência de um colar de tratados que limitam rigorosamente a ampliação de arsenais de armas estratégicas. Nos anos de 1980, Reagan e Margareth Thatcher alteraram o regime estratégico estabelecido desde a crise dos mísseis de 1962, ao acordarem a estocagem, em bases norte-americanas situadas na Inglaterra, de mísseis de médio alcance (MRBMs) capazes de atingir alvos na Rússia européia (posteriormente, o governo conservador Democrata-Cristão da Alemanha também concordou em permitir a presença, em seu território, de <a href="http://http//www.nasm.si.edu/exhibitions/gal100/inf.html"><span style="font-weight: bold;">Pershing II</span></a> e ogivas "táticas" estocados) , o que daria aos EUA capacidade de interditar o movimento de grandes unidades militares convencionais na Europa Central (esta região, que abrange da Alemanha até a grande planície eurasiana é a “mãe de todos os Teatros de Operação”). Essa iniciativa simplesmente botou no bolso a superioridade do Pacto de Varsóvia (além de fornecer assunto para dezenas de grupos de <i style="">punk music</i>, inclusive o excelente <i style="">New Model Army, </i>autores da divertida<i style=""> 51th State of America</i>). E nem é preciso dizer que essa iniciativa foi o sinal para o início de mais uma corrida armamentista internacional.<br /></span></p><p style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:arial;" class="MsoNormal"><span style="font-size:85%;">Em 1987, Reagan e Gorbatchev, cada um movido por uma gama de problemas provocados pela escalada armamentista, assinaram em Washington, o chamado “Tratado INF” (de <i style="">Intermediary Nuclear Forces</i>), e uma série de acordos que estabeleciam métodos de inspeção sobre o cumprimento das determinações. A importância do <a style="font-weight: bold;" href="http://http//www.fas.org/nuke/control/inf/index.html">INF</a> estava no fato de que os acordos <a style="font-weight: bold;" href="http://www.fas.org/nuke/control/salt1/index.html">SALT</a> (1971 e 1979) estabeleciam tetos para o número de ogivas, lançadores e sítios de lançamento mas não diminuíam o número de armas nucleares, coisa que o outro tratado fazia. Mas os acordos SALT não fazem sentido sem os Tratados <a style="font-weight: bold;" href="http://www.fas.org/spp/eprint/cfr_nc_4.htm">ABM</a> (<i style="">Anti-Balistic Missils Limitation Treaty</i>, assinados em 1972, para valer em 1976) que limitavam a capacidade de ambas as superpotências em construir e instalar sistemas de mísseis anti-balísticos (inclusive sistema de alerta antecipados), pois a existência desse tipo de sistema constituí uma grave limitação à capacidade do adversário de infringir danos – o que rompe a doutrina <a style="font-weight: bold;" href="http://www.strategicstudiesinstitute.army.mil/Pubs/display.cfm?pubID=585">MAD</a> <span style="color: rgb(153, 51, 0);">[um toque: para quem tem saco para esses assuntos, vale à pena baixar a monografia indicada aí]</span>. E se um lado meter na cabeça que pode vencer uma guera nuclear, o que o impedirá de se sentir tentado a começar uma?..</span></p> <p style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:arial;" class="MsoNormal"><span style="font-size:85%;">Pois agora, nosso paladino do Ocidente, o<i style=""> cowboy</i> George W. pretende fazer o impensável – retirar os EUA do SALT e dos acordos ABM. A instalação do tal escudo na Europa Central encontra-se nesse contexto. E os russo ameaçam abandonar o INF e um outro tratado, o CFE, que limita a presença de forças convencionais na Europa. </span></p> <p style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:arial;" class="MsoNormal"><span style="font-size:85%;">Os motivos apresentados por Bush e a gritaria dos russos não são de interesse aqui, e quem quiser saber mais poderá consultar o excelente blog <a style="font-weight: bold;" href="http://blog.controversia.com.br/2007/05/12/escudo-antimissil-e-questao-politica/">Controvérsia</a>. Meu objetivo é outro: levantar algumas questões em torno da eficácia desses sistemas. <span style=""> </span>Resumindo: afinal, vale à pena torrar alguns bilhões de dólares para instalar esse tipo de defesa, e, de quebra, irritar russos e União Européia ao mesmo tempo?</span></p><p style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:arial;" class="MsoNormal"><span style="font-size:85%;">(Continuarei logo-logo)<span style="font-weight: bold;">::</span></span></p><p style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:arial;" class="MsoNormal"><span style="font-size:85%;"><span style="font-weight: bold;">.......................................................</span></span></p><p style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:arial;" class="MsoNormal"><span style="font-size:85%;">Próxima postagem: Guerra e Paz (Parte II)<span style="font-weight: bold;">::<br /></span></span></p><p style="color: rgb(102, 102, 0);font-family:arial;" class="MsoNormal"><span style="font-size:85%;"><span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 255, 255);"></span><br /></span></p><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20118675-4294380693830916696?l=neuromaniaco.blogspot.com'/></div>Bitthttp://www.blogger.com/profile/05469586261730431758noreply@blogger.com3tag:blogger.com,1999:blog-20118675.post-44674317159417245342007-07-03T15:13:00.000-07:002007-07-07T06:46:41.390-07:00Guerra e paz::<span style="color: rgb(204, 204, 204); font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" ><span style="font-size:85%;"><span style="color: rgb(102, 102, 0);"><span style="font-size:78%;"><span style="font-weight: bold;">Recolhi</span> este texto anos atrás. Como estou recolhendo material interessante para fazer decolar o novo blog (por enquanto, ainda sem nome...) o assunto me pareceu muito atual.<br /><br />Por sinal, nada melhor do que um texto em torno da definição atual de "guerra", e seus problemas, para começar um fórum que pretende discutir... guerra.<br /><br />O autor, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Eric_Hobsbawm"><span style="font-weight: bold;">Eric Hobsbawn</span></a>, imagino que dispense maiores apresentações. Suas obras em torno de temas históricos são referência , sendo que quatro deles - <span style="font-weight: bold; font-style: italic;">A era das revoluções</span>, <span style="font-weight: bold; font-style: italic;">A era do capital</span>, <span style="font-style: italic; font-weight: bold;">A era dos impérios</span> e <span style="font-weight: bold; font-style: italic;">A era dos extremos</span> se tornaram manuais universitários e leitura obrigatória para todos que pretendam formar uma opinião sobre o mundo atual.<br /><br />Como se trata de um ensaio, e o texto é bastante longo, optei por dividir a postagem em duas partes, a primeira saindo hoje e a segunda... Bem, espero que meus 17.000 leitores (ao contrário de certos jornalistas, pretensamente modestos, eu sou assumidamente pretencioso...) fiquem se mordendo de ansiedade pela segunda parte. :c))<br /></span><br /></span></span></span> <div style="border-style: solid none none; border-color: windowtext -moz-use-text-color -moz-use-text-color; border-width: 1pt medium medium; padding: 1pt 0cm 0cm; color: rgb(204, 204, 204); font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"> <p class="MsoNormal" style="border: medium none ; padding: 0cm;"><span style="font-size:16;">Guerra e paz::</span><span style="color: rgb(102, 102, 0);font-size:85%;" ><i><span style="">Eric Hobsbawn</span></i><span style="font-size:16;">::</span></span><span style="font-size:11;"><span style="color: rgb(102, 102, 0);font-size:78%;" >Tradução livre do original publicado em The Guardian, 23/02/2002</span><o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="border: medium none ; padding: 0cm;"><span style="font-size:11;"><o:p> </o:p></span></p> </div> <p style="color: rgb(204, 204, 204); font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style="font-size:11;"><span style="font-size:78%;">Parte I</span><o:p></o:p></span></p> <p style="color: rgb(204, 204, 204); font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style="font-size:10;"><o:p> </o:p></span></p> <p style="color: rgb(204, 204, 204); font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"><span style="font-size:78%;"><span style="font-size:10;">O século XX foi, dentre os que a história registra, o mais mortífero. O número total de mortes causadas diretamente ou associadas com suas guerras foi estimado em aproximadamente 187 milhões, o equivalente a 10% da população no ano de 1913. Tendo sido estabelecido seu início em 1914, foi um século de guerras quase ininterruptas, com poucos e breves períodos de paz. Foi dominado por guerras mundiais, e por muitas guerras entre estados territoriais ou alianças entre estados. <o:p></o:p></span></span></p> <p style="color: rgb(204, 204, 204); font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:78%;"><span style="font-size:10;">O período entre 1914 e 1945 pode ser entendido como uma “guerra de 30 anos” com uma pausa nos anos de 1920 – entre o final da retirada japonesa do Oriente soviético, em 1922 e o ataque contra a Manchúria, em 1931. A esse período seguiu-se, quase imediatamente, quase 40 anos de Guerra Fria, que coincide com a definição de Hobbes para a guerra. Segundo esse filósofo, “guerra” consiste “não em batalhas, ou no ato de lutar, mas numa extensão de tempo no qual a disposição dos contendores para a luta é suficientemente conhecida”. É assunto de debates quanto às ações nas quais as forças armadas dos EUA têm estado envolvidas desde o final da Guerra Fria, em variadas partes do globo, constituem a continuação da era da guerra mundial. Não restam dúvidas, entretanto, que os anos 1990 foram cheios de conflitos militares formais e informais na Europa, África e na Ásia Ocidental e Central. O mundo, como um todo, não tem paz desde 1914; não há paz agora. <o:p></o:p></span></span></p> <p style="color: rgb(204, 204, 204); font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:78%;"><span style="font-size:10;">Todavia, o século não pode ser tratado como um bloco, nem cronologicamente, nem geograficamente. Cronologicamente, pode ser dividido em três período: a era da Guerra mundial centrada na Alemanha (1914 até 1945), a era da confrontação entre as duas superpotências (1945 até 1989), e a era desde o fim do sistema clássico internacional de poder. Poderíamos chamar esses períodos de I, II e III. Geograficamente, o impacto das operações militares tem sido altamente desigual. Com uma exceção (a Guerra do Chaco de 1932-35), não aconteceram conflitos significativos entre estados soberanos no hemisfério ocidental (as Américas) no século XX. Operações militares inimigas raramente alcançaram esses territórios: por este motive o ataque ao World Trade Centre e ao Pentágono, em 11/09, tornaram-se tão chocantes. <o:p></o:p></span></span></p> <p style="color: rgb(204, 204, 204); font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:78%;"><span style="font-size:10;">Desde 1945, guerras entre Estados tem também desaparecido da Europa, continente que, até então, tinha sido o principal teatro de operações do mundo.Embora no período III, a guerra tenha retornado ao sudeste da Europa, parece que não tornará a acontecer no resto do continente. Por outro lado, durante o período II, guerras entre Estados, não necessariamente conectadas com o conflito global, foram endêmicas no Oriente Médio e Sudeste da Ásia e guerras maiores, diretamente ligadas à confrontação global aconteceram no Leste e Sudeste da Ásia. Ao mesmo tempo, áreas como a África subsaariana, que ficaram relativamente intocadas pela guerra do período I (excetuando-se a Etiópia, sujeita à conquista colonial pela Itália em 1935-36), tornaram-se teatros de conflitos armados durante o período II, e testemunharam grandes carnificinas no período III. <o:p></o:p></span></span></p> <p style="color: rgb(204, 204, 204); font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:78%;"><span style="font-size:10;">Duas outras características da guerra no século XX se sobressaem, e persiste no século XXI, a primeira de maneira menos óbvia do que a segunda. Operações armadas deixaram de ser exclusividade de governos ou de seus agentes autorizados (um) e as partes em contenda nem sempre têm características, status ou objetivos facilmente perceptíveis, a não ser a vontade de usar a violência (dois). <o:p></o:p></span></span></p> <p style="color: rgb(204, 204, 204); font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:78%;"><span style="font-size:10;">As guerras interestados dominaram a imagem da guerra nos períodos I e II que guerras civis ou outros conflitos armados dentro do território de estados existentes ou impérios foram, com freqüência, obscurecidos. Mesmo as guerras civis dentro dos territórios do império russo depois da Revolução de Outubro, e aquelas que tiveram lugar depois do colapso do império chinês, costumam a ser colocadas na lista dos conflitos internacionais, embora sejam inseparáveis das conjunturas políticas internas e até do território daqueles Estados. Por outro lado, a América Latina pode não ter testemunhado exércitos cruzando fronteiras internacionais no século XX, mas tem sido cenário de importantes conflitos civis: no México, depois de 1911, por exemplo, na Colômbia, desde 1948, e em diferentes países da América Central durante o período II. Em geral, não se reconhece que o número de guerras internacionais tem decrescido notavelmente desde os meados da década de 1960, quando conflitos internos tornaram-se mais comuns do que os travados entre Estados. O número de conflitos entre as fronteiras de Estados continuou a crescer até a década de 1990, quando se nivelou. <o:p></o:p></span></span></p> <p style="color: rgb(204, 204, 204); font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:78%;"><span style="font-size:10;">Mais familiar é a erosão da distinção entre combatentes e não-combatentes. As duas guerras mundiais na primeira metade do século envolveram toda a população dos países beligerantes; combatentes e não-combatentes foram afetados. No curso do século entretanto, o ônus provocado pela guerra mudou crescentemente, das forces armadas para os civis, que não apenas passaram a ser atingidos diretamente, como se tornaram objeto de operações militares ou político-militares. O contraste entre a Primeira e a Segunda guerras mundiais é dramático: na primeira, apenas 5% dos mortos eram civis; na segunda, esse número cresceu para 66%. Acredita-se que 80 a 90% dos afetados pelas guerras atuais sejam civis. A proporção tem aumentado desde o final da Guerra Fria porque, desde então, a maioria das operações militares não é conduzida por exércitos regulares, mas por pequenos grupos de tropas regulares ou irregulares, em muitos casos operando armamento de alta tecnologia e capazes de se proteger contra baixas. Não há razão para que se duvide que o maior número de vítimas das guerras atuais continuará a se dar entre os civis. <o:p></o:p></span></span></p> <p style="color: rgb(204, 204, 204); font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:78%;"><span style="font-size:10;">Seria mais fácil escrever sobre guerra e paz no século XX se a diferença entre os dois estados fosse tão clara quanto se supunha no começo daquele século, na época em que a convenções de Haia, de1899 e 1907 codificaram as regras da guerra. Supunha-se, então, que conflitos devessem acontecer principalmente entre Estados soberanos ou, se ocorressem dentro do território de um Estado em particular, as partes envolvidas fossem suficientemente organizadas para serem reconhecidas como beligerantes, por outros Estados soberanos. Supunha-se que a guerra pudesse ser claramente distinguida da paz, num extremo por uma declaração de Guerra e, em outro, por um tratado de paz. Imaginava-se que, durante operações militares, fosse fácil distinguir entre combatentes – marcados como pertencendo a um exército organizado pelos uniformes e outros símbolos que usassem – e não-combatentes. A guerra, estabelecia-se, era para ser travada entre combatentes; os não-combatentes, tanto quanto possível, deveriam ser, em tempo de guerra, protegidos. <o:p></o:p></span></span></p> <p style="color: rgb(204, 204, 204); font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"><span style="font-size:78%;"><span style="font-size:10;">Foi sempre entendido que essas convenções não cobririam todos os conflitos internacionais e civis, e, notavelmente, não aqueles surgidos da expansão imperial dos Estados ocidentais em regiões que não se encontrassem sob a jurisdição de Estados soberanos assim entendidos internacionalmente, ainda que alguns (mas não todos) desses conflitos fossem reconhecidos como “guerras” As convenções também não cobriam grandes rebeliões contra Estados estabelecidos, como foi o caso do chamado “motim indiano”; nem as recorrentes atividades armadas em regiões onde o controle das autoridades estatais ou imperiais não fosse efetiva, tais como as incursões e lutas fratricidas de montanheses do Afeganistão ou do Marrocos. Mesmo assim, as convenções de Haia serviram como linhas-mestras, desde a Primeira Guerra Mundial. No decorrer do século XX, a relativa clareza determinada por tais normas foi substituída pela confusão. <o:p></o:p></span></span></p> <span style="color: rgb(204, 204, 204); font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;font-size:78%;" ><span lang="EN-US" style="font-size:10;"><span style="color: rgb(102, 102, 0);">Conflitos interestados e dentro de estados – ou seja, Guerra internacionais e guerras civis – tornaram-se difíceis de distinguir, pois o século XX foi um século não apenas de guerras, mas também de revoluções e queda de impérios. Revoluções ou lutas de libertação dentro de um Estado têm implicações para a situação internacional, particularmente durante a Guerra Fria. Depois da Revolução Russa, a intervenção de um Estado nos assuntos internos de outro, que o primeiro desaprovasse, tornou-se comum, ao menos nos lugares onde tal intervenção parecesse sem riscos. Este continua sendo o caso</span>.<br /><br /><span style="color: rgb(102, 102, 0);">(Traduzido por <span style="font-style: italic;">Josef Bittencourt</span>)</span><br /></span></span><span style=""><span style=";font-family:arial;font-size:85%;" ><span style="color: rgb(102, 102, 0);"><br /><br /></span></span></span><span style=""></span><span style="font-family:arial;"></span><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20118675-4467431715941724534?l=neuromaniaco.blogspot.com'/></div>Bitthttp://www.blogger.com/profile/05469586261730431758noreply@blogger.com4tag:blogger.com,1999:blog-20118675.post-88943753350633996752007-07-02T16:22:00.000-07:002007-07-02T17:49:11.789-07:00Esse weblog vai mudar...<span style="font-family: arial;">Após quase um ano, e inspirado no fim do No Mínimo, o Neuromaníaco (eu) resolve anunciar o fim do Neuromaníaco (o blog).<br /><br />Entretanto, neste caso, o fim é o começo... Cheguei à conclusão que assuntos científicos são pouco interessantes para a maior parte das pessoas. Continuo achando assuntos científicos, principalmente se lidarem com a questão do tempo (dêem uma olhada nas postagens do ano passado, antes que eu as tire do ar) fascinantes, mas reconheço que são meio chatos, para quem não seja próximo ao assunto.<br /><br />Na verdade, tão chatos que nem mesmo meus amigos visitavam o blog... :c( Ora, se é verdade que a voz do povo é a voz de Deus, então Deus estava dizendo - "acabe com essa coisa e deixe de ser pretensioso!" Pois então...<br /><br />Estou pretendento chamar o novo blog de "Boa...", só para poder usar aquela máxima de Nietzshe " Se dizes que uma boa causa santifica uma guerra, eu lhe digo: tolo, uma boa guerra santifica qualquer causa". Sempre achei que as epígrafes são muito importantes para o sucesso de qualquer projeto. Também pensei em usar o título "Pesado", para poder usar a máxima "As guerras são vencidas com ideais e metal pesado." - não sei de quem é essa, mas prometo descobrir...<br /><br />Até pensei em fazer uma votação e aceitar sugestões, mas aí iria perigar o blog chamar-se "nenhum nome"... Portanto, oportunamente, inventarei um, bonitinho e "criativo" (o que significa que ninguém irá entender, de cara).<br /><br />O tema geral será o que é chamado, genericamente, "assuntos militares e relações internacionais". Eu conheço um pouco do assunto, e o venho pesquisando já faz bom tempo, e descobri que as pessoas, principalmente os homens, adoram essas coisas. Porque, é uma questão relativamente fácil de responder, e certamente tem relação com o imaginário de macheza que cerca as forças armadas. Claro, não nos EUA, com aquela política "não pergunto e vc não responde"; ou em Israel , onde 40% das FDI são compostas por mulheres; ou a Suécia e Suiça, com políticas de milícias de pronto emprego...<br /><br />Mesmo nas FA brasileiras, o emprego de mulheres já tem 25 anos. A "força singular" (curioso nome pelo qual os milicos tratam as FA) que primeiro abriu-se à presença feminina foi a Marinha, quando criou o o CAF (Corpo Auxiliar Feminino), onde as mulheres ganharam funções tipo médicas, dentistas e farmacêuticas. E não entravam em navios. Depois foi a Força Aérea e, finalmente, o Exército. A Força Aérea foi a primeira a abrir o concurso de admissão à tantas mulheres quanto forem aprovadas. Assim é possível que, logo-logo, tenhamos uma força só de mulheres. A Marinha já as admite como intendentes (como são chamados, aqui, os especialistas em logística e administração militar) e em funções especificas, como maquinistas e armeiras, mas em terra. O Exército também as admite como intendentes e engenheiras militares. Existem estudos para que sejam admitidas mulheres em funções como comunicações e engenharia de combate.<br /><br />Provavelmente, dentro em breve, os machões terão de arrumar outro imaginário. :c) Por sinal, esse será um bom tema, algum dia.<br /><br /></span><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20118675-8894375335063399675?l=neuromaniaco.blogspot.com'/></div>Bitthttp://www.blogger.com/profile/05469586261730431758noreply@blogger.com3