tag:blogger.com,1999:blog-192337242009-07-12T19:22:38.826-04:00Café, Sonhos e Desconstruções em fumaça de cigarroDreamerhttp://www.blogger.com/profile/04208402036252999551noreply@blogger.comBlogger104125tag:blogger.com,1999:blog-19233724.post-9948088105742916952009-07-06T10:10:00.006-04:002009-07-06T18:50:38.753-04:00INGLÊS NO PESCOÇO.<div align="justify">Nas segundas era todo <span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0">engomadinho</span>. Levantava trinta minutos mais cedo que o de costume, pra poder fazer a barba com zelo.</div><div align="justify">Nessa ocasião trocava religiosamente as laminas do aparelho. Era dado a superstições bobas e laminas com mais de três usos atraíam má sorte.</div><div align="justify"><span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1">Fazia</span> a barba com a paciência e a precisão artística de um escultor. Mirava e deslizava suave a navalha até que julgasse seu rosto digno de uma segunda-feira. </div><div align="justify">Limpo, barbeado e com um leve tom vermelho-azulado nas maças do rosto, parecia mais <span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2">profissional</span> que o velho gerente do andar de cima com sua <span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_3">abusada</span> <span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4">colônia</span> de rosas e o paletó quadrado desbotado de trinta e dois anos de empresa. Sentia-se invencível e ninguém podia contradizê-lo.</div><div align="justify">Era <span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6">perfeccionista</span> e de fato não arredava o pé até que estivesse com aquela aparência de coluna de mármore, perfeitamente lisa. Era quase como um pequeno ritual de purificação reservado exclusivamente para as segundas, já que a barba de quarta era <span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7">consideravelmente</span> menos criteriosa e a de sexta uma verdadeira <span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_8">incógnita</span> desleixada. Talvez quisesse com aquele ato <span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9">sanguinolento</span> de maltrato às curvas de seu rosto, compensar a falta de limites do fim de semana, como se quisesse se livrar de tudo aquilo de condenável que fizera.</div><div align="justify"><span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10">Complementava</span> com uma bela e fina gravata atada com "nó inglês" perfeitamente arrematado. A gravata escolhida à dedo para combinar com a camisa bem passada com <span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11">vincos</span> laterais bem destacados. Ne quarta feira era a primeira que lhe viesse à <span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_12">mão</span>, e da quinta em diante um "<span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13">deus</span> dará".</div><div align="justify">Mas na segunda era assim, barbeado, engravatado, alinhado. Perfeitamente concentrado e funcionário exemplar, até que o monstro da semana lhe devorasse o zelo e a vaidade dando em troca as rugas na testa e à gravata um mal feito nó de "<span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_14">Windsor</span>" que resumia toda a mixórdia de sua conturbada semana.</div><div align="justify">.</div><div align="justify">.</div><div align="justify">.</div><div align="justify">.</div><div align="justify">[visitem também: <a href="http://www.flickr.com/photos/rfalcao">www.flickr.com/photos/rfalcao</a> ]</div><div align="justify"></div><div align="justify"></div><div align="justify"></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19233724-994808810574291695?l=coffeeanddreams.blogspot.com'/></div>Dreamerhttp://www.blogger.com/profile/04208402036252999551noreply@blogger.com5tag:blogger.com,1999:blog-19233724.post-14488111826398432062009-07-04T19:27:00.002-04:002009-07-04T19:40:50.234-04:00O CURIOSO CASO DE BENJAMIN CONSTANTINO<a href="http://4.bp.blogspot.com/_K_Xpc61lmNA/Sk_mLbT9avI/AAAAAAAAACw/asVhgQHY65w/s1600-h/DSC_0256.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5354751565951232754" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 267px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_K_Xpc61lmNA/Sk_mLbT9avI/AAAAAAAAACw/asVhgQHY65w/s400/DSC_0256.jpg" border="0" /></a> .<br />.<br />.<br /><div align="justify">Nascido de amor profundo, entre suor e dor física ele veio ao mundo. Em silêncio, como o caçador que chega sorrateiro com o vento.<br />Em Lua de sexta, ele nasceu. Traz consigo a Pata do Leão do Norte e o Uivo do Lobo do Inverno.<br />Que sua jornada seja longa e os perigos não o assustem, bravo Benjamin. Que o mundo, esse grande dragão de dentes afiados, não vença seu escudo, e que o fio de sua espada sempre verta o primeiro sangue.<br />Voe alto e grite com poderosos pulmões, pois a saga começa.<br />Bem vindo, Benjamin.</div><div align="justify">.</div><div align="justify">.</div><div align="justify">.</div><div align="justify">[Aos meus amados Carla, Gustavo e o pequeno Benjamin. Parabéns!!]</div><div align="justify"><br /> </div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19233724-1448811182639843206?l=coffeeanddreams.blogspot.com'/></div>Dreamerhttp://www.blogger.com/profile/04208402036252999551noreply@blogger.com3tag:blogger.com,1999:blog-19233724.post-47728980445659213922009-07-02T17:15:00.003-04:002009-07-02T18:39:02.926-04:00<a href="http://1.bp.blogspot.com/_K_Xpc61lmNA/Sk0kNGVxudI/AAAAAAAAACo/gWkMzMncLvc/s1600-h/untitled.bmp"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5353975339472239058" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_K_Xpc61lmNA/Sk0kNGVxudI/AAAAAAAAACo/gWkMzMncLvc/s400/untitled.bmp" border="0" /></a><br /><br /><br /><br /><br /><br />Bem, recebi ontem um e-mail com o aviso da indicação. Um tanto tarde pra concorrer, mas só a indicação ja faz cócegas no ego. Quem quiser votar, à direita e abaixo tem um selinho com o link.<br />.<br />.<br /><br />Amanhã é dia de texto novo.<br />.<br />.<br />visitem também: <a href="http://www.flickr.com/photos/rfalcao">www.flickr.com/photos/rfalcao</a><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19233724-4772898044565921392?l=coffeeanddreams.blogspot.com'/></div>Dreamerhttp://www.blogger.com/profile/04208402036252999551noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-19233724.post-25784034487544437962009-06-29T21:34:00.004-04:002009-06-29T22:32:06.065-04:00LESTE ÍTACA<div align="justify">"Quando você começar sua viagem para Ítaca, reze então para que a estrada seja longa, cheia de aventura, cheia de sabedoria. </div><div align="justify">Não tema os Lestrigões e os Ciclopes e o bravo Poseidon.</div><div align="justify">Você nunca vai encontrá-los em sua trilha se os pensamentos continuarem amplos, se uma fina emoção tocar seu corpo e seu espírito. Você nunca vai encontrar os Lestrigões, os Ciclopes e o feroz Poseidon, se não os carregar consigo em sua alma, se sua alma não os erguer diante de você. </div><div align="justify">Reze então para que a estrada seja longa. Que as manhãs de verão sejam muitas,Que você entre em portos vistos pela primeira vez com tanto prazer, com tanta alegria.Pare em mercados fenícios e compre finas mercadorias, madrepérolas e corais, âmbar e ébano,e perfumes agradáveis de todos os tipos, compre tantos perfumes agradáveis quanto puder; visite anfitriões de cidades egípcias, para aprender e aprender com aqueles que têm sabedoria.</div><div align="justify">Sempre tenha Ítaca fixa em sua mente. </div><div align="justify">Chegar lá é seu último objetivo. Mas não apresse a viagemde jeito nenhum. É melhor deixá-la durar por longos anos; e até mesmo ancorar na ilha quando vocêestiver velho, rico com tudo que tiver conquistado no caminho, sem esperar que Ítaca lhe ofereça riquezas. Ítaca lhe deu a bela viagem. Sem ela você nunca teria tomado a estrada. Mas ela já não tem o que lhe dar. </div><div align="justify">E, se você achá-la pobre, Ítaca não fraudou você. Com o grande saber conquistado, com tanta experiência, você certamente deverá ter entendido o que Ítacas significam."</div><div align="justify">.</div><div align="justify">.</div><div align="justify">.</div><div align="justify">.</div><div align="justify">(Konstantinos Kaváfis)</div><div align="justify">.</div><div align="justify">.</div><div align="justify">.</div><div align="justify">.</div><div align="justify">[Da série: Coisas que eu queria ter escrito.]</div><div align="justify">.</div><div align="justify">.</div><div align="justify">.</div><div align="justify">.</div><div align="justify">[perambulando em postagens antigas do blog, me deparei com esse texto maravilhoso que me foi deixado pela querida amiga Lilith. Merece uma postagem na página principal com muito louvor]</div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19233724-2578403448754443796?l=coffeeanddreams.blogspot.com'/></div>Dreamerhttp://www.blogger.com/profile/04208402036252999551noreply@blogger.com2tag:blogger.com,1999:blog-19233724.post-69133504361866713492009-06-25T10:11:00.002-04:002009-06-25T10:18:21.945-04:00PASSEIOS DE QUINTA<div align="justify"> </div><div align="justify"> Acordei com seu rosnado e o peso de suas patas na minha cama. Antes mesmo de olhar já sabia que era ele. Desvencilhou-se da corrente, das trancas e veio direto pro meu quarto, atirando-se janela a dentro. E eu podia jurar que havia deixado o tinhoso bem trancado no quarto dos fundos...<br /> Discretamente, olhei de canto de olho fingindo dormir. Não adiantou. Logo começou a puxar o cobertor que eu usava pra me esconder – como todos sabem um cobertor quentinho pode protegê-lo de quaisquer males, do mundo ou imaginários, ainda que eles permaneçam lá fora - e nem isso adiantou. Hoje ele veio determinado, e logo começou a me morder os pés com uma insistência insuportável. <br /> Enfim, desisti e levantei. Não há como competir com um bicho tão persistente.<br /> Enquanto troco de roupas ele destrói mais um sapato meu em uma brincadeira furiosa. Apenas observo, me questionando se ele nunca ataca um sapato cujo outro pé já tenha sido destruído por algum senso de moral destorcida; como uma lição, ao vitimar apenas um e deixar o outro como um lembrete de que parte de mim pertence a ele; ou se seria apenas sadismo.<br /> Abro a porta e de imediato ele se coloca ao meu lado. Já conhece minhas artimanhas e eu sei que não vai adiantar tentar sair rápido e deixá-lo trancado do lado de dentro, ou voltar ao quarto e prendê-lo de fora. Lado a lado, dividimos o caminho como siameses, desconfiados um do outro.<br />Sob protestos, vou e cumpro minha sina junto do meu companheiro não opcional.</div><div align="justify"><br />Às quintas-feiras é inevitável levar meu mau humor pra passear.</div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19233724-6913350436186671349?l=coffeeanddreams.blogspot.com'/></div>Dreamerhttp://www.blogger.com/profile/04208402036252999551noreply@blogger.com6tag:blogger.com,1999:blog-19233724.post-36762588162299609852009-06-23T09:10:00.004-04:002009-06-23T09:28:36.277-04:00<a href="http://3.bp.blogspot.com/_K_Xpc61lmNA/SkDXoFF8s0I/AAAAAAAAACg/QKReZ8nAeu4/s1600-h/3635692045_4a2bcbf9c7.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5350513440878015298" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_K_Xpc61lmNA/SkDXoFF8s0I/AAAAAAAAACg/QKReZ8nAeu4/s400/3635692045_4a2bcbf9c7.jpg" border="0" /></a><br /><div><a href="http://1.bp.blogspot.com/_K_Xpc61lmNA/SkDV1t2MtlI/AAAAAAAAACY/Wq-yMynq2Wg/s1600-h/3635692045_4a2bcbf9c7.jpg"></a><br /><br /><div></div><br /><div align="center"></div><br /><div align="center"><span style="font-size:180%;"></span></div><br /><div align="center"><span style="font-size:180%;"></span></div><br /><div align="center"><span style="font-size:180%;"></span></div><br /><div align="center"><span style="font-size:180%;">Quem quiser colorir os olhos, apareça!</span></div><div align="center"></div><div align="center"></div><div align="center"></div><div align="center"><br /><span style="font-size:180%;">[ E o Sr. Regis também vai expor. ; ) ]</span></div><div align="center"></div><p align="center"><span style="font-size:180%;">Realização: Piauí Photo Clube.</span></p><div align="center"> </div><div align="center"><span style="font-size:180%;"></span></div><div align="center"><span style="font-size:180%;"></span></div><div align="center"></div><div align="center">Meu Flick: <a href="http://www.flickr.com/photos/rfalcao">www.flickr.com/photos/rfalcao</a></div></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19233724-3676258816229960985?l=coffeeanddreams.blogspot.com'/></div>Dreamerhttp://www.blogger.com/profile/04208402036252999551noreply@blogger.com2tag:blogger.com,1999:blog-19233724.post-29396209286556356532009-06-07T20:54:00.003-04:002009-06-07T21:23:05.215-04:00RITO FÚNEBRE [OU EPITÁFIO DESLETRADO AUTOACUSATÓRIO DE UM VERBERRÃO INFAME]<div align="justify"><a href="http://1.bp.blogspot.com/_K_Xpc61lmNA/Sixh1kYc2nI/AAAAAAAAACQ/c7zF4RqjkDk/s1600-h/Digitalizar0120.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5344754430709127794" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 204px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_K_Xpc61lmNA/Sixh1kYc2nI/AAAAAAAAACQ/c7zF4RqjkDk/s320/Digitalizar0120.jpg" border="0" /></a><br /><br /><br /><br />Faleceu na última quinta-feira mais um poeta. Morreu de Verborragia Crônica. As poucas letras dedicadas ao seu epitáfio, publicado quase imperceptivelmente na edição vespertina do periódico de sexta, entre o anúncio de um poodle perdido e um edital para o cargo de coveiro com os dizeres:<br /><br /><em>“partiu na última quinta-feira Augusto Silvério Cortez, escritor e poeta, editor semestral da coluna de crítica literária do jornal “Há Dias”. Falência múltipla da criatividade agravada por relogismo acentuado. Saudades, amigos, familiares e leitores. A missa se realizará na Catedral de Longa Viagem”<br /></em><br />Não que fosse de todo ingrato ou mesmo injusto, mas poderia se dizer exagerado, visto que “poeta” é uma alcunha pomposa em se tratando daquele em particular. Era na verdade um letreólatra costumaz, que era flagrado comumente em ambientes de dignidade duvidosa consumindo verbos antes mesmo das dez da manhã.<br />Os poucos com quem conversava, menos ainda tinham dele o que falar. Esquecia aniversários, nomes e compromissos. Talvez sua mais memorável característica fosse aquela sua colônia barata, que costumava permanecer nos recintos por horas após sua partida. Diriam em justificativa talvez, que andava em fase sombria de seus dias, dedicando-se cada vez menos às letras suas e progressivamente à esvaziar páginas de outros, sem deixar de ostentar com desdém da alcunha de escritor, enquanto fechava-se na moribunda expressão de sua própria testa, a sinopse de sua vida.<br />Seu vício já atingira tamanha expressão que misturava sobrenomes, épocas das publicações e títulos das mais distintas e altivas edições em frases sem sentido. Se fazia isso por prazer sádico em causar confusão ou por avançada debilidade mental, nem mesmo o caixão – doado por um benemérito vereador de um partideco da câmara local – saberia responder.<br />Dada a profunda ausência de pauta e algum assunto de interesse público nesta noite de domingo, nossa coluna resolveu dedicar não só um breve comentário, acima verificado, como formular o não menos infame e absolutamente indigno - porém um tanto mais indicado - epitáfio que se segue:<br /><br />“<em>Dia desses morreu mais um proferidor de impropérios e desinteresses. Partiu só, sem herdeiros, amigos nem obra que mereça citação. Crítico literário, pretenso poeta e medíocre jogador de sinuca. Verbólatra, fumante e torcedor do botafogo. Dada sua desimportância, seu nome será também ignorado. Não sentirão saudades amigos, familiares ou mesmo o periquito mudo que catou no quintal, vitimado pelo último inverno. Não haverá missa de sétimo dia. <strong>PS: VENDO CORCEL 73, BOM ESTADO, ÚNICO DONO INTERESSADOS TRATAR 1982-2009</strong>” </em></div><div align="justify"></div><div align="justify"></div><div align="justify"><br />[Qualquer coincidência com nomes e fatos do cotidiano é inteira responsabilidade da vida, a mais sádica espectadora dos dias e infortúnios do mundo]</div><div align="justify"> </div><div align="justify"> </div><div align="justify"></div><div align="justify">[Com a devida Venia, dedico este texto ao grande mestre <a href="http://yehudabenelin.blogspot.com/">Yosif Landau</a>. Por pura ironia do destino, logo após publicar no meu blog iniciei minha peregrinação de leituras, coincidentemente no blog dele esbarrei em um texto de despedida de sua autoria. Escrevi antes de ler o dele e achei conveniente acrescentar esta pequena dedicatória. ]</div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19233724-2939620928655635653?l=coffeeanddreams.blogspot.com'/></div>Dreamerhttp://www.blogger.com/profile/04208402036252999551noreply@blogger.com8tag:blogger.com,1999:blog-19233724.post-89426306730280659862009-02-10T10:51:00.003-04:002009-02-10T11:27:44.849-04:00DESASTRONAUTA<div align="right"><a href="http://1.bp.blogspot.com/_K_Xpc61lmNA/SZGa_S2cMpI/AAAAAAAAABc/TmYmN1q4nFQ/s1600-h/astronauta.gif"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5301188648574399122" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 206px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_K_Xpc61lmNA/SZGa_S2cMpI/AAAAAAAAABc/TmYmN1q4nFQ/s320/astronauta.gif" border="0" /></a><br /><div align="justify"></div><span style="font-family:arial;font-size:85%;">[imagem do artista Weno, publicada originalmente em sua home: </span><a href="http://www.weno.com.br/"><span style="font-family:arial;font-size:85%;">http://www.weno.com.br/</span></a><span style="font-family:arial;font-size:85%;">]</span><br /><p align="justify"><br /></p><br /><p align="justify">O Desastronauta caminhava nas entrelinhas de seu espaço circunflexo. Árbitro de suas próprias incoerências, investigava seus desfazeres e recusas assumidas.<br />Era costume ser inconveniente em suas auto-avaliações. Já fora o grande Ponto Duplo, lorde desbravador de desgaláxias e outros lugares imaginários; já perambulara com pés trocados em irrealidades fingindo ser malabarista; já tentou fugir de si enquanto dormia, em busca de conhecer novos tijolos que não amarelos. Amarelou-se e fingiu que ele nao era consigo mesmo.<br /><br />Recentemente ganhara o prêmio de coadjuvante em sua grande obra de meia lauda, e co-quase-semi roteirista de sua tragicômiga história.<br /><br />Há um tempo vestira um avental pentalóide e recebra o cargo de artífice de si mesmo, função na qual já nascera, mas agora recebera por três vezes a incumbência de dar andamento.:<br />Não tinha preguiça das andanças, muito pelo contrário, gostava das desventuras e de fortes emoções. Divertia-se em capturar instantes e explodir em letras o que lhe vinha aos olhos e à alma, mas sofria de uma persistente síndrome de comodismo sedentário. Talvez tivesse adquirido tal enfermidade macabra exercendo o labutário estressadinho do seu outro eu, praticado oito horas por dia.<br /><br />Escolheria viver de deslizes e outras coisas sorridentes, se fosse uma opção, mas o grunido do bicho-bucho não perdoa.<br />Mas... não aguentava mais aqueles tempos normalóides. Era hora de voltar às estrelas e percorrer os desmundos imaginários com todos aqueles trololós e onomatopéias saltitantes. Era hora de voltar a devorar livros e fazer as letras escorregarem docemente goela a baixo; de saltitar em uma perna só, desviando de cometinhas azulados e fazer caretas ao monstro-frevo-aleluia, esse maldito devorador de asas e cores.<br /><br /><br />... e saltou o Desastronauta pro mundo do espelho outra vez, de onde nunca deveria ter saído.</p></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19233724-8942630673028065986?l=coffeeanddreams.blogspot.com'/></div>Dreamerhttp://www.blogger.com/profile/04208402036252999551noreply@blogger.com10tag:blogger.com,1999:blog-19233724.post-27769102056800667272009-02-06T20:19:00.004-04:002009-02-06T20:49:41.311-04:00Concurso "Contos de Teresina"<div align="justify"> </div><div align="justify"> </div><div align="justify"> </div><div align="justify"> Enfim, concluídas as análises do Concurso Contos de Teresina, promovido pela Fundação Cultural Monsenhor Chaves, foi finalmente divulgado o resultado.</div><div align="justify">No concurso, para o qual tive a honra de ser convidado para compor a banca de juízes junto do grande mestre Assis Brasil (tietagem mode on), renomado escritor piauiense; e do também escritor João Bosco da Silva, concorreram 24 obras. Muitas delas bem escritas, instigantes e provocativas. Outras porém, nem tanto. </div><div align="justify">Os dois primeiros colocados serão publicados na próxima edição da revista Cadernos de Teresina.</div><div align="justify"> </div>Os vencedores foram:<br /><br />1° Redemoinho de emoções, de Ana Maria Quessada<br /><br />2° Quando a morte se chama Crispim, de Raimundo Nonato Lopes<br /><br />3° O velho, de Célia Silva Forte<br /><br /><br /><br /><br />Além do destaque para:<br /><br />O assassinador, de Antônio José Fontenele da Silva; O furto de Caim, de Antônio de Pádua Ribeiro; A mulher que amava o monstro, de Eugênio Carlos do Rego; O sábio artesão, de Glauber dos Santos Teixeira e O conto de quinta, de Sâmara Eugênia Viana Moura.<br /><br /><br /><div align="justify">Foi uma experiência muito interessante, principalmente por ter me dado a oportunidade de conhecer o mestre Assis, com o qual aproveitei a deixa pra expor um projetinho futuro que logo falarei aqui.</div><div align="justify"> </div><div align="justify">Por hora é isso.</div><br /><br /><br /><br /><br />.........................................................................................<br />Confira abaixo a matéria da página da FCMC:<br /><br />Literatura<br />Divulgado resultado do Concurso Contos de Teresina30/1/2009 11:51:24<br />.<br />.<br />.<br /><div align="justify">Depois de alguns meses de espera, nesta sexta-feira foi divulgado o resultado do Concurso Contos Cidade de Teresina 2008, promovido pela Prefeitura Municipal de Teresina, através da Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves, que premia os melhores autores com textos deste gênero tendo a cidade como referência.</div><div align="justify">.</div><div align="justify">.</div><div align="justify">.</div><div align="justify">O concurso foi aberto em junho e teve dezenas de inscritos, sendo que três foram premiados. De acordo com o parecer da comissão julgadora, em primeiro lugar ficou o conto “Redemoinho de emoções”, de Ana Maria Quessada; em segundo, ficou o conto “Quando a morte se chama Crispim”, de Raimundo Nonato Lopes; o terceiro colocado foi “O velho”, de Célia Silva Forte.</div><div align="justify">.</div><div align="justify">.</div><div align="justify">.</div><div align="justify">O concurso tem a finalidade de incentivar a ambientação de contos na cidade, dando ênfase às manifestações culturais locais, a seu espaço físico ou à história do município. A premiação atribuída pelo concurso é a seguinte: 1º lugar: publicação, pela FCMC, na Revista Cadernos de Teresina e a quantia de R$ 1.000,00 (um mil reais); 2º lugar: publicação do conto na Revista “Cadernos de Teresina”; edição de nº. 42 e outorga de menção honrosa; 3º lugar: outorga de menção honrosa.</div><div align="justify">.</div><div align="justify">.</div><div align="justify">.</div><div align="justify">De acordo com o Coordenador de Editoração e Literatura da FMCMC, César Augusto Barros, o resultado do concurso teve um atraso devido um problema com um dos avaliadores. “A falta de compromisso de um deles prejudicou enormemente a finalização do resultado, postergando e terminando por não entregar a sua avaliação, o que levou a Coordenação a convidar um quarto avaliador para completar as análises. Isso de certa forma gabaritou ainda mais a comissão, pois o substituto foi o mestre Assis Brasil”, frisa.</div><div align="justify">.</div><div align="justify">.</div><div align="justify">.</div><div align="justify">Além disso, como a qualidade de alguns trabalhos foi bastante elevada, a Comissão, formada também por João Bosco da Silva e Régis Falcão de Área Leão, sugeriu que fossem destacados os contos “O assassinador”, de Antônio José Fontenele da Silva; “O furto de Caim”, de Antônio de Pádua Ribeiro; “A mulher que amava o monstro”, de Eugênio Carlos do Rego”; “O sábio artesão”, de Glauber dos Santos Teixeira e “O conto de quinta”, de Sâmara Eugênia Viana Moura.</div><div align="justify">.</div><div align="justify">.</div><div align="justify">.</div><div align="justify">Neste ano, o concurso será lançada no mês de março e a Coordenação de Literatura promoverá algumas mudanças no regulamento.</div><div align="justify">.</div><div align="justify">.</div><div align="justify">.</div><div align="justify">Fonte: <a href="http://www.fcmc.pi.gov.br/base.asp?ID=2460">http://www.fcmc.pi.gov.br/base.asp?ID=2460</a></div><div align="justify">[Errata: escreveram meu nome errado, o certo é: Regis de Arêa Leão Falcão Filho, mas enfim...]</div><div align="justify"> </div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19233724-2776910205680066727?l=coffeeanddreams.blogspot.com'/></div>Dreamerhttp://www.blogger.com/profile/04208402036252999551noreply@blogger.com1tag:blogger.com,1999:blog-19233724.post-64024289851421013502008-12-30T22:55:00.004-04:002008-12-31T14:36:28.575-04:00COTTON CLUB<ul><li><a href="http://4.bp.blogspot.com/_K_Xpc61lmNA/SVrhKhy50yI/AAAAAAAAABQ/dDY5GgOkeL4/s1600-h/casablanca02-785587.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5285784683659514658" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_K_Xpc61lmNA/SVrhKhy50yI/AAAAAAAAABQ/dDY5GgOkeL4/s320/casablanca02-785587.jpg" border="0" /></a> </li></ul><br /><br /><br /><p align="justify">Nas terças-feiras sentava ao fundo de um bar, rodeado daquele cheiro ocre de cerveja velha e fumaça adormecida. Cheiro de suor de ontem e beijos de amanhã, carregados nos olhares que se cruzam no balcão em um <span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0">flerte</span> embriagado.<br />Costumava sentar e observar tudo. Era quase como uma fotografia empoeirada na parede, cujos olhos ninguém saberia dizer ao certo para onde apontavam. Era tão ali, empoleirado em seus próprios pensamentos, que passava despercebido aos outros. Era como ninguém, nada. Era tal qual a fumaça azulada de seu cigarro: uma presença ignorada, traída apenas pelo seu cheiro.<br />Observava com olhos de esfinge, em uma expressão <span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1">inexata</span>, imprecisa. Era ao mesmo tempo um espelho que refletia um olhar qualquer que o encontrasse; bem como uma máscara de si mesmo. Fosse de <span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2">carnaval</span>, de um baile à moda antiga, de <span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3">ritualística</span> sagrada ou forjada pela dureza de seus próprios <span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4">ontens</span>.<br />Outro gole. A bebida lhe queimava a garganta. Era como as palavras que nunca dissera. Aquelas longas conversas que tinha com ele mesmo em diálogos imaginários que sempre terminavam em choro de uma parte de si. Senão em tragédia, em homicídio selvagem. O assassino de si, condenado a carregar seu próprio corpo sobre o ombro, sendo por vezes seu alter ego o cadáver das escolhas, levado com esforço; por vezes os seus anseios e paixões mais doces. Era seu carrasco e também sua vítima. Por isso bebia. Tinha de sentir que ainda controlava algo.<br />Mas às vezes apenas observava os outros. Ria-se por dentro da comédia da vida alheia. Não queria saber seus nomes, seus endereços e muito menos aonde iriam depois do bar. Queria apenas olhar. Ler seus passos e tentar adivinhar o que viria a seguir, dentro daquele instante de validade limitada à quatro paredes.<br />Via através do copo, tal qual uma lente de aumento. Entre as gotas suadas do copo e o malte barato que suas posses podiam pagar. <em><span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5">In</span> <span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6">vino</span> <span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7">veritas</span></em>.ou <em><span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8">In</span> whisky</em>,que seja. O álcool revelava-lhe os indivíduos de forma clara. Ou talvez apenas inebriasse sua mente de uma forma criativa.<br />Já estivera tantas vezes ali, sentado naquela mesa no fim do mundo, esquecido de si. Perdido de si. Nunca estivera mais em si... e assim jogado, largado à própria miséria naquela espelunca, sentia-se um pouco mais importante. Um pouco mais centrado, ainda que seu corpo nunca encontrasse equilíbrio para cruzar as oito quadras que o separavam de sua casa sem se ferir.<br />Olhava mais uma vez em volta. Escrevia em sua memória cada um dos personagens sem nome e sem rosto daquela noite. Não importava. Amanhã nada lembraria. Pagava a conta com três notas amassadas. Receberia moedas em troco. Odiava moedas, aquelas pequenas coisas sujas e quase sem valor, condenadas a viver perdidas entre bolsos e latas de pedintes.<br />Seguiria naqueles trôpegos passos de bêbado, tão incertos quanto sua mente, sentindo o mundo girar à sua volta - isso lhe causava uma agradável sensação egocêntrica. Depois de lutar contra seus próprios pés e a fechadura, cairia profundamente em sua cama. Entregue ao delírio ébrio, ao sono perturbado.<br />Outra vez acordaria e ainda seria um reflexo de sim mesmo, e agora com ressaca de sua própria vida.<br /></p><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19233724-6402428985142101350?l=coffeeanddreams.blogspot.com'/></div>Dreamerhttp://www.blogger.com/profile/04208402036252999551noreply@blogger.com9tag:blogger.com,1999:blog-19233724.post-72475825295281687442008-12-18T10:04:00.003-04:002008-12-18T10:47:43.709-04:00O VELHO PREGADOR<div align="justify">Do alto de um tronco caído, esbravejava o velho. Usava uma coroa de alumínio e vestia-se com a sujeira de sua própria existência. Em seus olhos insanos fervilhava uma fúria ígnea. De sua boca uma profusão verborrágica de aforismos e revoltas. Clamores pelo levante; pela luta. Pelo retorno das milícias armadas conspirando contra os tiranos senhores da nossa era. Protestos pela tomada do poder pelos insanos - os únicos com capacidade de arrancar do caos e da anarquia uma nova ordem.<br />Clamores por uma era sem farsas, no que havia se tornado o grande teatro do poder. Pregava a morte pela fogueira daquela que antes se chamava Justiça, a grande defensora de espada afiada, que resolveu abaixar a calcinha por uns trocados e se tornar a maior das prostitutas, no que ousava chamar de Ditadura das Meretrizes, no país da Bordelândia. Gesticulava como um louco – quiçá um maestro no doce delírio de reger a mais bela das sinfonias – enquanto amaldiçoava cada um dos membros de sua curta platéia de Homens-de-pedra. Rochosos seres cegos surdos e loucos, cuja alma era tão seca e dura quanto seu coração impenetrável. – antes palavras fossem marretas.<br />Gritava, gesticulava, vociferava em despudorado reclame. Talvez fosse ainda um dos poucos homens de carne e virtude, que via nas palavras mais força do que mero entretenimento. Fosse quem sabe apenas um maltrapilho, açoitado pelo infortúnio de ter a cabeça longe do chão e um coração sem joelhos numa era onde pensar era “desnecessário”. Fosse o que fosse, pregava às pedras de forma inflamada e fabulosa, ainda que estivesse nu. </div><div align="center"> </div><div align="center"> </div><div align="center"> </div><div align="center">............................................</div><div align="center"> </div><div align="center"> </div><div align="center"> </div><div align="justify">Bem, nem preciso dizer que os últimos tempos foram deveras caóticos aqui. Não tenho conseguido postar e mal tive tempo de ler e comentar os blogs amigos, que sabem o quanto os admiro. Agora enfim, as coisas começam a se acalmar. Tudo está justo e em breve estará perfeito.</div><div align="justify">Resolvi estabelecer as segundas e quinta feiras, como dias oficiais de postagem. Nem que seja uma bobagem qualquer. Vou me obrigar a recriar o hábito de postar. </div><div align="justify">Portanto amigos, declaro outra vez inaugurada esta casa e agora com pelo menos duas postagens por semana!</div><div align="justify">Grande abraço!</div><div align="justify"> </div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19233724-7247582529528168744?l=coffeeanddreams.blogspot.com'/></div>Dreamerhttp://www.blogger.com/profile/04208402036252999551noreply@blogger.com3tag:blogger.com,1999:blog-19233724.post-6357837524811678182008-09-22T09:09:00.002-04:002008-09-22T09:29:10.532-04:00INTERLÚDIORecentemente fui convidado pela Fundação Cultural Monsenhor Chaves, para compor a banca julgadora do Concurso Literário Contos de Teresina 2008 <a href="http://www.fcmc.pi.gov.br/base.asp?ID=2074">http://www.fcmc.pi.gov.br/base.asp?ID=2074</a>.<br />Foi uma grande honra receber esse convite, principalmente pelo fato de um dos meus contos, "Teresa e seus amores" (postado em 4 partes aqui em: <a href="http://coffeeanddreams.blogspot.com/2006_09_01_archive.html">http://coffeeanddreams.blogspot.com/2006_09_01_archive.html</a>) ter sido o segundo colocado na edição de 2006 do concurso <a href="http://www.fcmc.pi.gov.br/base.asp?ID=702">http://www.fcmc.pi.gov.br/base.asp?ID=702</a>.<br />Foram 24 obras inscritas, e algumas se mostram bem promissoras. É realmente delicioso ler em primeira mão obras de escritores iniciantes no mercado com narrativas criativas e ás vezes até mesmo invejáveis.<br />Em breve vamos conhecer os grandes vencedores.<br /><br />Agora o Sr. Cafeinado tem de voltar à maratona diária.<br />Câmbio e desligo.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19233724-635783752481167818?l=coffeeanddreams.blogspot.com'/></div>Dreamerhttp://www.blogger.com/profile/04208402036252999551noreply@blogger.com9tag:blogger.com,1999:blog-19233724.post-14054021953599427182008-09-16T14:06:00.003-04:002008-09-16T14:29:39.962-04:00GUERRAS IMAGINÁRIAS"Montando seu elefante alado, o Homem de lata avançava impiedoso contra o exército de pinóquio, mutilando aqueles horríveis fantoches de madeira - como odiava aquele sorriso fingido estampado naquelas caras-de-pau.<br />Do front circense, malabaristas ateavam fogo aos normalóides, que em meio às convulsões pirocinéticas dançavam uma valsa quântica de luzes hipnóticas. Os homens-bala se atiravam contra os biscoitos alemães montados em seus camelos filosóficos, derrubando aqueles muros imaginários de séculos de conceitos.<br />De súbito uma grande sobra pairou sobre o campo de batalha, todos olharam assustados e..."<br /><br /><br />... teve seu lápis e papel arrancado bruscamente de suas mãos, sob um olhar ameaçador:<br /><br />- Fascista!! Fascista!! - gritava o garotinho, enquanto era conduzido à diretoria.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19233724-1405402195359942718?l=coffeeanddreams.blogspot.com'/></div>Dreamerhttp://www.blogger.com/profile/04208402036252999551noreply@blogger.com7tag:blogger.com,1999:blog-19233724.post-37725259174866799862008-08-07T09:45:00.004-04:002008-08-07T10:02:49.478-04:00ESTÁTUA SERÁ SEU NOME?<a href="http://3.bp.blogspot.com/_K_Xpc61lmNA/SJr908ZLnSI/AAAAAAAAABE/i1NSIOlaPVk/s1600-h/DSC_04060001.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5231773003151023394" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_K_Xpc61lmNA/SJr908ZLnSI/AAAAAAAAABE/i1NSIOlaPVk/s320/DSC_04060001.jpg" border="0" /></a><br /><div align="justify"></div><br /><div align="justify"></div><br /><div align="justify">“Nada mais são do que fórmulas. Problemática incerta tratada com decisões frágeis e goles ébrios, frutos de uma árvore imaginária de flores estranhas escondidas entre suas folhas e dorminhocos em sua sombra. Fórmulas falhas de dias covardes e madrugadas ousadas donde nasceram sonhos e amanhãs pouco menos que fictícios. No hoje dorme a inamovabilidade e a observação masoquista de como as coisas acontecem ou deixam de acontecer.<br />E como às vezes não há nada a se fazer...” </div><div align="justify"></div><div align="justify">.</div><div align="justify">.</div><div align="justify">.</div><div align="justify">.</div><div align="justify">.</div><div align="justify">............</div><div align="justify"></div><div align="justify">.</div><div align="justify">.</div><div align="justify">.</div><div align="justify">.</div><div align="justify">.</div><div align="justify"> </div><div align="justify">Fragmento de uma coisa antiga que resolvi retomar. Aguardem.</div><div align="justify"></div><div align="justify"></div><div align="justify">[texto, foto e cara de tacho: Regis, o infame e pretensioso colecionador de desocupações]</div><div align="justify"></div><div align="justify"></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19233724-3772525917486679986?l=coffeeanddreams.blogspot.com'/></div>Dreamerhttp://www.blogger.com/profile/04208402036252999551noreply@blogger.com15tag:blogger.com,1999:blog-19233724.post-41092921419724784082008-08-02T17:02:00.002-04:002008-08-02T17:45:06.837-04:00O HOMEM QUE OBSERVA<div style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"> <br /> Há um homem sentado na sobmra de uma grande árvore cinza. Ele está lá sem parecer estar. Sob a longa aba do chapéu que lhe cobre quase todo o rosto, ele observa. Observa como se na verdade estivesse apenas sonhando ou quem sabe visse em um lugar diferente de seus olhos.</span><br /><span style="font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"></span><span style="font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"> Ele vê as duas nascentes mananciais percorrerem um longo caminho até se encontrarem, transformando-se em um único rio. Suas águas antes diferentes, agora têm a mesma cor. Um só rio, que sinuoso e leve escorre entre os mundos...</span><br /><span style="font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"></span><span style="font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"> Ele vê algo que não consegue definir se são borboletas ou pequenas fadas fugitivas da cidade do crepúsculo na 13ª hora. Elas dançam diante de seus olhos. Seus pés não tocam o chão e sua música animada parece brotar das folhas e se diluir no vento.</span><br /><span style="font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"></span><span style="font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"> Ele vê a grande marcha de homens solitários que segue seu caminho silencioso. Cada um com uma túnica de cor particular, e na mão uma lanterna. Um é todos e todos são um. </span><span style="font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;">Conscientemente, eles nunca se conheceram</span>.<br /> <span style="font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"></span><span style="font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;">Ao seu lado, repousam duas pedras: uma preta e outra branca, tal qual dois pares de asas daquelas estranhas aves que voam harmonicamente, trazendo o amanhecer.</span><br /><span style="font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"></span><span style="font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"> Ele vê uma loira e sorridente criança brincar. Há flores em seus pés e um enorme sol a ilumina. O sol lentamente evapora a água dos dois-rios-em-um, fazendo-a subir em forma de vapor e nuvens gorduchas de chuva vindoura.</span><br /><span style="font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"></span><span style="font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"> O homem sentado ri, enquanto entende – quem sabe pela primeira vez? – entende como tudo se conecta. Tudo funciona como um grande mecanismo. Um grande arranjo de engrenagens feitas de coisas, lugares, pessoas e animais. Pequenas porções do mesmo fluxo, que girando no mesmo sentido ou no oposto, convergem para o mesmo ponto. O Ponto Zero. A Matriz Universal de onde tudo parte e depois retorna, tal qual a chuva que desliza suave escorrendo para a nascente do manancial e recomeça todo o ciclo. No ápice de sua individualidade, Todos são também Um.</span><br /><span style="font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"></span><span style="font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"> Em sua bolsa, há também uma lanterna, tal qual a dos homens encapuzados. Teria andado pelos mesmos caminhos que eles ou sua hora ainda viria? Quem sabe... outra vez? Havia também uma corda, que em momentos distintos já prendera cada um de seus pés.<span style=""> </span>Em seus bolsos, o Ouro, a Mirra e o Incenso.</span><br /><span style="font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"></span><span style="font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"> Bebendo o líquido doce de sua taça, ele fecha os grandes botões de ouro de seu manto, ajeita a espada em sua cintura e recolhe seu cajado. Sob a aba de seu chapéu infinito, ele observa a noite chegar no brilho da grande estrela. Onde antes era o sol, agora sentava a lua com seu véu a ocultar suas intenções. O homem ri satisfeito em sua contemplação, enquanto em um ato quase imperceptível, sua mão desliza pelo cajado e os dedos chegam ao topo, apontando para o céu, tal qual sua outra mão sobre o alforge aponta o chão. Era hora de voltar à estrada. Para ele, a noite era clara e lanternas não eram necessárias.</span><br /><span style="font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"></span><span style="font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"> Quem sabe em seu caminho, no meio desse grande fluxo, também parasse para dançar à beira do abismo, mas agora ele andava com firmes passos ouvindo o guizo das 32 contas do colar em seu pescoço.</span><br /></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19233724-4109292141972478408?l=coffeeanddreams.blogspot.com'/></div>Dreamerhttp://www.blogger.com/profile/04208402036252999551noreply@blogger.com3tag:blogger.com,1999:blog-19233724.post-53383082080428081622008-07-15T16:43:00.003-04:002008-12-10T23:22:27.510-04:00<a href="http://2.bp.blogspot.com/_K_Xpc61lmNA/SH0OkmdIB_I/AAAAAAAAAAc/sd0m6u1GNBI/s1600-h/kaos.bmp"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5223347164780431346" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_K_Xpc61lmNA/SH0OkmdIB_I/AAAAAAAAAAc/sd0m6u1GNBI/s320/kaos.bmp" border="0" /></a> foto: Fábio Reoli<br /><p align="justify"></p><br /><p align="justify"></p><br /><p align="justify"></p><br /><p align="justify">" "Coletivo: Kaos" tem o intuito de externar essa forma incessante de ir e vir coletiva e, ainda assim, individual aos olhos de cada um. Sensações que se movimentam pelos nossos olhos cotidianamente e que, muitas vezes sem percebermos, conseguem extrair uma quantidade absurda de histórias, ilustradas pela gritante quantidade de informações que envolvem os frequentadores de um caótico transporte público da grande - e nem um pouco humana - cidade de São Paulo." [F. Reoli]</p><br /><div align="justify"></div><br /><div align="justify"></div><br /><div align="justify">Recomendo aos ilustres visitantes desse reino cafeinado uma visita pelo ensaio conjunto "Coletivo: Kaos", do amigo Reoli. Um belo ensaio fotográfico feito dentro de um ônibus coletivo, instigando outros viajantes do mundo blogueiro tais como Caio Tadeu (<a href="http://contosdeinsonia.blogspot.com/">http://contosdeinsonia.blogspot.com/</a>), Solange Mazzeto (<a href="http://solemazzeto.wordpress.com/">http://solemazzeto.wordpress.com/</a>), Frank Saiu, Q SE FLOG (<a href="http://qseflog.blogspot.com/2008/06/catstrofes-modernas.html">http://qseflog.blogspot.com/2008/06/catstrofes-modernas.html</a>), Ana Pallito, dentre vários outros talentosos escritores, assim como este enfileirador de letras que vos escreve. </div><br /><div align="justify">O material na íntegra pode ser conferido em <a href="http://coletivokaos.zip.net/">http://coletivokaos.zip.net/</a></div><br /><div align="justify"></div><br /><div align="justify">Uma série de descostruções escritas, congeladas e deliciosamente enfileiradas. Divirtam-se.</div><br /><div align="justify"></div><br /><div align="justify"></div><br /><div align="justify"></div><br /><div align="justify">trecho do meu texto: </div><br /><div align="justify"></div><br /><div align="justify">"Os que chegam, devorados pelo monstro metálico, fazem seus o caminho dele. Aos que vão, a curta liberdade aparente de seguir com os próprios pés até que finde o dia e novamente sirvam de aperitivo à um outro monstro."</div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19233724-5338308208042808162?l=coffeeanddreams.blogspot.com'/></div>Dreamerhttp://www.blogger.com/profile/04208402036252999551noreply@blogger.com5tag:blogger.com,1999:blog-19233724.post-30170317325483906352008-07-03T10:19:00.004-04:002008-07-03T11:11:55.189-04:00O HOMEM QUE ERA TERÇA-FEIRA<div align="justify"> Não que fosse de todo um mistério o seu nascimento. Poderia se dizer, de um ponto de vista deveras abrangente, que tivera no mínimo algumas peculiaridades sobre sua concepção, visto que o pai morrera no exato momento do nascimento de sua mãe, e esta de parto; e o fato de não ter passado de 24 horas de vida, por exemplo.</div><div align="justify"> Diante de tais esclarecimentos, podemos seguir adiante visto que nesta história em particular o correr das horas é por demais atroz.</div><div align="justify"> Nascera precisamente ao primeiro segundo da meia-noite, como o próprio dia de quem recebera o nome: Terça-feira. Na aurora de sua infância, entre cinco e meia seis da manhã, recebeu em suas bochechas nada rosadas, os primeiros e tímidos raios de sol, fugitivos da neblina daquele dia cinzento. Precoce para sua idade, antes das 10hs da manhã, já havia tomado certa consciência de si como indivíduo e do mundo ao seu redor, por mais profundas que tais implicações pareçam. </div><div align="justify"> Logo no florescer da adolescência, pouco depois do meio-dia, questões sobre o rumo a tomar, o que fazer da vida e o sentido das coisas passaram a lhe tomar a atenção. Quão efêmero é o tempo...</div><div align="justify"> Dedicara até as 18hs em uma revoltada reflexão sobre tais coisas, quando lhe ocorreu que a maioridade se jogava em sua face, e a consciência, tal qual um mundo que se descobre em processo de implosão, lhe atingia em cheio. E agora? Que faria?</div><div align="justify"> As 20hs de vida já lhe chegavam à soleira da porta, em cada passo do ponteiro, esse incansável andarilho que carrega o tempo [carniceiro insaciável] à sua volta. Tic Tac. Tic Tac...</div><div align="justify"> Antes mesmo de decidir o que queria para si, sua curta vida de Homem-dia, já mergulhava em suas horas finais de existência (pelo menos no sentido em que a entendemos).</div><div align="justify"> Tantos lugares queria ainda visitar: as montanhas nevadas da Escócia, onde correria nu sentindo o frio lhe congelar a barba; o sol escaldante do México, onde cantaria com os <em>Mariachis</em> embebido no ardor da tequila; o Peru, sagrada terra onde os mistérios estão incrustados nas pedras e até mesmo na posição do chapéu das mulheres <em>Quéchua...</em> tanto ainda para ver<em> e </em>tão pouco tempo. Não lhe restavam mais que duas horas, e todo o peso de uma vida puxava seus ombros para baixo e a imaginação se inebriava. Em tão avançada idade, mal sabia dizer se de fato havia estado em tantos lugares ou se apenas tomara seus anseios como parte da lembrança do que vivera de fato. Não sabia mais o que era memória e o que era invenção de sua cabeça senil. </div><div align="justify"> Em tão corrida vida, vivera muito menos tempo do que esperava, e boa parte dele tinha dedicado a tentar encontrar um rumo a seguir. Agora estava velho, cansado e não podia de fato citar algo de que se orgulhasse, além do fato de ter se descoberto grávido, e da consciência de que morreria durante o parto de sua desconhecida mas ja amada filha Quarta-feira.</div><div align="justify"> Assim se encerra a existência breve porém lembrada do Homem que era Terça-feira, nada deixou alem de uma filha em um mundo desolado e a pouca lembrança do nada que fizera.</div><div align="justify"> </div><div align="justify">Tempus Adest. </div><div align="justify"> </div><div align="justify"> </div><div align="justify"> </div><div align="justify">[Título inspirado no livro " O homem que era quinta-feira", de G. K. Cheston, o qual nunca li mas o título me provocou como uma tormenta]</div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19233724-3017031732548390635?l=coffeeanddreams.blogspot.com'/></div>Dreamerhttp://www.blogger.com/profile/04208402036252999551noreply@blogger.com9tag:blogger.com,1999:blog-19233724.post-85114946907092010502008-05-24T12:09:00.002-05:002008-05-24T12:10:48.830-05:00Humm.. nas minhas andanças terminei esquecendo de voltar pra casa.<br /><br />Aos visitantes eventuais, em breve uma bela recepção nesta casa.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19233724-8511494690709201050?l=coffeeanddreams.blogspot.com'/></div>Dreamerhttp://www.blogger.com/profile/04208402036252999551noreply@blogger.com5tag:blogger.com,1999:blog-19233724.post-53859579058700377702007-08-31T19:25:00.000-05:002007-08-31T19:56:11.352-05:00CURTAS COTIDIANIDADES<div align="justify">Relutante, tentava não balançar as pernas, brincar com os anéis ou beliscar o queixo - pequenos tiques adquiridos com as voltas do relógio - mantia aquela falsa expressão de comportamento adequado.</div><div align="justify">Ao lado o mundo gritava na correria louca de transeuntes sem rosto que pareciam amarrados, andando em fila indiana: quanta pressa!!</div><div align="justify">Retirou do bolso o seu lápis-rouba-sonho, ferramenta que usava para transcrever delírios em letras e desenhos estranhos, e começou a desconstruir. Despoemas, crônicas invertidas ou histórias de final duvidoso. O ofício de enfileirar letras e causar pequenos transtornos como uma forma de fugir daquele mundo corre-corre é para poucos um tique (que assim seja em forma exagerada com crises histéricas).</div><div align="justify">Repousou calmamente o lápis no bolso quando ouviu seu nome. </div><div align="justify">Essa costumava ser sua manhã no mundo engravatado dos normalóides: fingir andar reto e certinho, enquanto conspirava secretamente pra deixar o mundo um tanto mais surreal.</div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19233724-5385957905870037770?l=coffeeanddreams.blogspot.com'/></div>Dreamerhttp://www.blogger.com/profile/04208402036252999551noreply@blogger.com12tag:blogger.com,1999:blog-19233724.post-45599982554260056652007-08-03T16:37:00.000-05:002007-08-03T16:46:40.864-05:00ASAS DO AMANHECER<div align="justify"> </div><div align="justify">Naquela manhã tinha acordado com vontade de voar.<br />Não era um bocejo sorridente, nem tão pouco rugas de um despertar rabugento. Talvez o olhar de um amanhecer monótono...<br />Levantou da cama, e cruzou a casa com um olhar distante sem distribuir bom dias ou sorrisos de cara inchada. Simplesmente andou calmamente até a porta dos fundos sem ao menos se preocupar com o alarme ou com aquele ridículo e confortável pijama. Andou até o batente do quintal. Sequer lembrara da existência de todos aqueles prédios e olhares curiosos que sempre espreitam das varandas da vizinhança. Apenas abriu os braços e começou a voar.<br />Nunca fizera aquilo antes ou soubera de qualquer um que o tenha feito. Mas fez. Se lançou ao céu como se caísse pra cima. Uma desqueda invertida para um mundo de vento e nuvens.<br />À medida que sentia o mundo sem asas ficar à centena de pés dos seus próprios pés, misturava a sua vida blues com o azul daquele mundo leve. Pouco a pouco a existência que conhecia se distanciava. Não olhava para baixo, mas a vibração que lhe percorria a barriga e explodia no umbigo dava a certeza de que já estava à uma terrível e maravilhosa altura. Sentia a resistência do ar entre seus dedos e em seu rosto. O peso do vento livre que vez ou outra cai, tombando janela a dentro em um deslize pela cortina.<br />Sem pássaros ou nuvens. A rarefeita atmosfera não lhe incomodava. Sentia a gravidade perder sua jurisdição e quase não conseguia lembrar que um dia já tivera os pés no chão... alto!! Alto!!<br />O azul do céu agora se transformava no silencioso e descolorido frio. Nem mesmo um grito – se gritasse – seria ouvido. O silêncio parecia ser o senhor daquele novo mundo onde o tempo mais parecia uma canção de ninar em braile cantada à ponta dos dedos.<br />Subindo... subindo... os joelhos começaram a procurar o peito e os braços a envolver as pernas. Um abraço tão apertado quanto pudesse ser naquele mundo de regras incertas.<br />Começou com um formigamento que parecia vir da própria alma e deslizava para o umbigo, se espalhando pelo resto do corpo. Mesmo de olhos fechados, podia ver o brilho que saia de seu corpo embolado. E aquilo crescia. Parecia gritar dentro dele. Poderia ouvir seu corpo aos berros, não fosse aquele um mundo de silêncios. Por um instante pensou em cair pra dentro de si e aliviar a dor e o calor que agora o enlouqueciam, mergulhando em sua própria limitação e ser um buraco negro de existência cadente e retorcida. Mas não. Não faria isso. Preferiu abrir os olhos no ultimo instante e assistir sua existência explodir em um milhão de anos por segundo, em pipocos escandalosos de puro silêncio e cores berrantes em fogo. Espalhava-se pelo cosmo até que esquecesse que já tinha sido humano, tornara-se estrela entrando em nova e agora era pouco mais que uma fagulha vagando no silêncio.<br />Seria lembrado até que todos o esquecessem.<br /> </div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19233724-4559998255426005665?l=coffeeanddreams.blogspot.com'/></div>Dreamerhttp://www.blogger.com/profile/04208402036252999551noreply@blogger.com5tag:blogger.com,1999:blog-19233724.post-82539752214989478542007-07-16T21:06:00.000-05:002008-12-10T23:22:27.680-04:00EL PICHADOR<div align="right"><a href="http://2.bp.blogspot.com/_K_Xpc61lmNA/RpwlQx-0vXI/AAAAAAAAAAU/pK7W9PbDYPI/s1600-h/binrat.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5087982649246793074" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_K_Xpc61lmNA/RpwlQx-0vXI/AAAAAAAAAAU/pK7W9PbDYPI/s320/binrat.jpg" border="0" /></a><span style="font-size:85%;"> [imagem: grafite de autoria de Banksy]<br /></span><div align="justify"></div><br /><div align="justify"></div><br /><div align="justify">EL PICHADOR</div><div align="justify"> </div><div align="justify">Caminhava apressado e desconfiado. As mãos escondidas nos bolsos. Passos curtos e ligeiramente vacilantes. Procurou um lugar com pouco movimento. Apenas alguns transeuntes e nenhum desconfiaria dele: O capuz do casaco garantiria o segredo de sua identidade. Não que tivesse algum medo de ser descoberto, já que na verdade não passava de mais um zé-ninguém perdido no mundo. Um anarquista imaginário sem grandes feitos, que não aquelas mensagens de rodapé de grandes muros.<br />De cedo teve vontade de causar desconforto. Perturbar, ainda que por alguns segundos. Incitar o questionamento...<br />Não ansiava por grandes transformações na cabeça de ninguém, ainda que fosse esse o sonho de qualquer um dos anarquistas romanticos. Limitava-se às rápidas desconstruções.<br />Os que já tinham visto seu trabalho talvez pensasem ser ele um escritor de rodapés porque falava aos cabisbaixos, aos perdidos do mundo de olhar rente ao chão. Tão enganados estavam... queria ele escrever em altos muros sim, se lá sua mensagem pudesse mesmo ser entendida. Não havendo jeito, preferiu aceitar-se e pichar quase junto ao chão em um grafite rápido: “você devia estar olhando acima das estrelas”<br />Vivia assim, confundido com um artista que escrevia em rodapés como protesto, quando na verdade era portador de nanismo. O anão pichador traduzia perto dos pés o que era pra ser dito à alma.<br />Bem aventurados os sonhadores.</div></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19233724-8253975221498947854?l=coffeeanddreams.blogspot.com'/></div>Dreamerhttp://www.blogger.com/profile/04208402036252999551noreply@blogger.com9tag:blogger.com,1999:blog-19233724.post-90294254694789529582007-06-06T17:20:00.000-05:002007-06-07T10:26:23.592-05:00PROVOCAÇÕES DE HUMOR CAPCIOSO<div align="justify">Elas são teimosas. Às vezes fúteis, desinteressadas, sorrateiras, escondidas. Mal-ditas. Malditas!</div><br /><div align="justify">Palavras e sua intencional Arte-Sabotagem, seu incontrolável destempero ácido. Reacionarismo ortográfico...</div><br /><div align="justify">Obsessão impressa de destruir a obsoleta tendência previsível das fileiras encarriladas desses grupos fonéticos de desalinho midiático. Esquerda? Nunca!!! A intenção é escapulir para as diagonais, transversais e retro-rotas. A dança quase erótica de letras perdidas, certeiras em desconstrução, provocação, questionamento. </div><br /><div align="justify">Hiatos. <em>"Hiato é o encontro de duas vogais tônicas num vocábulo, como em saída (sa-í-da). Os hiatos são sempre separados quando da divisão silábica: mô-o, ru-im, pa-ís." [Wikipedia].</em> Será o hiato mais um <em>Cisma</em> imaginário ou mero Apartheid silábico? </div><br /><div align="justify">A vogal, liberação do ar em entonação, me foge junto do resto do fôlego. Perco vogais, consoantes, ditongos, tritongos...</div><br /><div align="justify">... prefiro ser mais um rebelde adebto das românticas causas perdidas, desertor das construções escritas faladas ou vividas. Um agitador fonético-ortográfico das desconstruções nuas, entregues à bebida e à orgia imaginária entre os prazeres fúteis e puramente efêmeros das letras enfileiradas. Causar desconforto aos que tentam <em><strong>pensar reto</strong></em> e promissor Sultão da <strong><em>Inversocracia</em></strong> desalinhada dos bons e velhos Sonhadores.</div><br /><div align="justify"></div><br /><div align="justify">Caminho sutilmente, espalhando Caos aos olhos que enxergam em viés inesperado. Antes isso que ver pelos olhos de um morto.</div><br /><div align="justify"></div><br /><div align="justify">Assinado: a Poesia em Letras, que não só não está morta como bebe, fuma, grita e devaneia.</div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19233724-9029425469478952958?l=coffeeanddreams.blogspot.com'/></div>Dreamerhttp://www.blogger.com/profile/04208402036252999551noreply@blogger.com7tag:blogger.com,1999:blog-19233724.post-91898124294604213362007-04-14T15:29:00.000-05:002008-12-10T23:22:27.950-04:00INVASÕES BÁRBARAS<a href="http://2.bp.blogspot.com/_K_Xpc61lmNA/RigFUQVq51I/AAAAAAAAAAM/xpIwTMEldCw/s1600-h/b0036031_2257223.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5055296427264763730" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_K_Xpc61lmNA/RigFUQVq51I/AAAAAAAAAAM/xpIwTMEldCw/s320/b0036031_2257223.jpg" border="0" /></a><br /><div align="justify"> </div><div align="justify"> </div><div align="justify">Esperou lá fora até a luz apagar e dois instantes mais. Sorrateiramente chegou à janela e adentrou o quarto tão silencioso quanto um sonho manso. Pé-ante-pé, foi ao guarda-roupas, abriu e encontrou o que procurava: a caixinha de sapatos onde ela guardava seu diário. Compulsivamente começou a apagar todas as páginas borradas de lágrimas-de-sábado. Tudo!</div><div align="justify">Retirou do bolso um pacote cheio de giz de cera e encheu com desenhos infantis as amareladas páginas e devolveu tudo ao seu lugar.<br />Saiu pela janela como um garoto travesso, com um sorriso exagerado de satisfação: Queria que ela guardasse na memória só as melhores lembranças. </div><div align="justify"></div><div align="justify">[Dar boas histórias de presente era um passatempo que lhe fazia sorrir feliz.]<br /></div><div align="justify"></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19233724-9189812429460421336?l=coffeeanddreams.blogspot.com'/></div>Dreamerhttp://www.blogger.com/profile/04208402036252999551noreply@blogger.com11tag:blogger.com,1999:blog-19233724.post-1170311845268298432007-02-01T01:32:00.000-05:002007-02-01T01:37:25.286-05:00TODOS DANÇAM NUS NO ELEVADOR DO CAOS<div align="justify">[Da Série Terrorismo Poético - Primeiro Ato]</div><div align="justify"><br /><br />Um velho mendigo, sujo, barbado e bêbado, trajando um vestido longo vermelho daquela famosa marca. Novo, impecávelmente novo. Dança loucamente no meio da avenida na hora do Rush.</div><div align="justify"><br />O garotinho de cachos loiros e lindos olhos verdes no ápice de seus 9 anos de idade sobe no telhado de casa e se masturba à vista de todos enquanto brada com uma risada insana: <em>“-Deus não passa de um velho safado!!!”.</em></div><div align="justify"><br />Deitado no altar, chora o padre gordo usando uma coroa de espinhos e um ensanguentado manto vermelho do mesmo tom de sua Lingerie, abraçando a imagem da Virgem Maria. Em sua cinta-liga, farelos de hóstias e amassada dentro do cálice de ouro a <em>homilia</em> do dia;<em> “queria morder tua carne ainda no corpo e sentir o sangue quente escorrer na boca, Senhor”.</em></div><div align="justify"><br />A velhinha assiste à novela das 8 com um sorriso efêmero enquanto acaricia a cabeça do Rotweiller de seu neto que repousa entre suas coxas. Ele lhe retribui lambendo indecorosamente suas partes.</div><div align="justify"><br />Todos aqueles carros com um único cartaz no pára-brisas: Logo abaixo da foto de um colorido girassol e em letras garrafais: BEBEZINHOS NATIMORTOS SÃO BENVINDOS À COZINHA DO NHECDONALD´S.</div><div align="justify"><br />Um casal de idosos saindo do elevador. Ele sentindo-se um Jim Morrison da terceira idade, cantarola <em>Wild Child</em>; ela traz na mão uma versão moderna do <em>Kama-Sutra</em> e na virilha a tatuagem do coelhinho da <em>Playboy</em> . Ambos trajando nada mais que óculos de praia.<br /><br />Todos dançam nus no elevador do Caos. A promessa do êxtase provocativo é como um pequeno <em>Cocktail Molotov Poético</em>: causa a fagulha explosiva do <em>Terrorismo Romântico</em>.</div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19233724-117031184526829843?l=coffeeanddreams.blogspot.com'/></div>Dreamerhttp://www.blogger.com/profile/04208402036252999551noreply@blogger.com10tag:blogger.com,1999:blog-19233724.post-1170027321687419272007-01-28T18:25:00.000-05:002007-01-28T18:36:34.156-05:00NOITES DE SÁBADO<div align="justify"></div><div align="justify">“Colocava o cinto e ligava o carro vagarosamente. Apertava o play [sempre tinha suas trilhas sonoras especiais à mão]; conferia o cabelo e a maquiagem no espelho [tinha um jeitinho de colocar o cabelo ligeiramente sobre o olho...]. Nem mesmo três quarteirões adiante, já estava com o esguicho sobre o pára-brisas. Era louca por aquela sensação de dirigir na chuva...”</div><div align="justify"> </div><div align="justify"> </div><div align="justify"> </div><div align="justify"> </div><div align="justify"></div><div align="justify"></div><div align="justify"></div><div align="justify">[todas as chuvas são suas, das tormentas que derrubam a casa aos chuviscos que descem incertos pelo lado. Amo...]</div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19233724-117002732168741927?l=coffeeanddreams.blogspot.com'/></div>Dreamerhttp://www.blogger.com/profile/04208402036252999551noreply@blogger.com11