tag:blogger.com,1999:blog-185253402009-07-04T06:13:54.495-07:00VerSão PauloO jornal virtual versão paulo pretende fazer uma reflexão sobre temas que pertencem ao passado da cidade de São Paulo e que tem repercussão no presente da cidade. A primeira edição do VerSão Paulo é sobre Juó Bananére, que se dizia jornalista e barbière do Abaixo Pigues (Largo da Memória), a segunda edição trata de tema polêmico entre os paulistanos, a taxa do lixo.versao paulohttp://www.blogger.com/profile/15587238024616601100noreply@blogger.comBlogger18125tag:blogger.com,1999:blog-18525340.post-73424635356107320342009-01-29T11:13:00.000-08:002009-01-30T16:05:14.509-08:00Em busca das trilhas sonoras da cidade de São Paulo<em>Quem vê sem ouvir fica muito mais inquieto do que quem ouve sem ver</em> (Walter Benjamin)<br /><br /><br />Existem critérios para os barulhos que escutamos no nosso dia-a-dia? Dentre as várias ondas de ruídos, quais seriam as mais dignas de lembrança?<br />A grande cidade deixou de ter um fundo silencioso faz muito tempo. O fenômeno excesso de barulho nas grandes cidades trouxe uma série de transtornos aos seus habitantes. O mais conhecido é o nível de ruídos suportável a audição humana, mais de 85 decibéis parece ser o limite de barulho que podemos agüentar sem prejuízos a audição. Aliás, este limite do quanto a gente agüenta de barulho vem sendo tema de artigos na imprensa , principalmente com as obras do metrô aqui em São Paulo e os walkmans, ipods, iphones diretamente conectados nos ouvidos da maior parte da juventude. Muito em breve, parece que teremos uma geração de adultos surdos. Mas a barulheira da grande cidade também revela um outro dado muito mais sutil e silencioso. O apagamento das lembranças auditivas no cotidiano de seus habitantes. Especialmente aqueles sons que um dia fizeram parte da nossa vida e que vão desaparecendo sem que tenhamos percepção de seu sumiço. É irônico constatar que perdemos os sons em silêncio. Talvez isto se dê pela confusão de barulhos que nos cercam, talvez pela desvalorização da memória auditiva , ou ainda por esta conjunção de faltas de estímulos que acabam por perpetuar esta ausência de percepção da importância dos sons nas nossas lembranças.<br /><br /><strong>Estou ficando surdo de tanto escutar!<br /></strong><br />Nos critérios do que permanece por mais tempo como registro do passado, a memória visual ganha em disparado da memória sonora. O verbo ver é muito mais utilizado do que escutar. Apesar de termos perdido o silêncio há muito tempo, parece que hoje mais do que ontem, “ninguém escuta ninguém”. Então o excesso de barulho nos fez surdos aos chamados das lembranças sonoras. Guardamos filmes sem trilha sonora , no máximo imagens com escassas legendas.<br /><br />Alguém já pensou nas suas lembranças sonoras particulares ao longo da vida? Lembro do assobio do meu pai ao chegar em casa, o barulho das pisadas seguras da minha mãe ao vir me tirar da cama de manhã, o som do amolador de faca, do homem da pamonha, do quebra-queixo e ai não lembro muito mais. Onde guardamos estes registros que não se repetem mais e nem são lembrados por nós a não ser por um grande esforço de memória? Como rever estes sons sem um registro deles?<br /><br />Só para se ter uma idéia num outro dia assisti um documentário sobre demolições em São Paulo, História de morar e demolições, em que se entrevistavam algumas pessoas que iriam ter suas casas postas abaixo num curto espaço de tempo. A proposta do diretor do documentário foi registrar a casa destas pessoas antes da demolição. Para a execução do registro, o diretor deu para os depoentes uma máquina fotográfica para que os próprios selecionassem o que gostariam que fosse lembrado da suas casas no momento da filmagem. A maioria das pessoas repetiu algo semelhante e bastante singular, pediram para que fosse capturado lugares da casa que promoviam sons característicos e familiares: ranger de portas e janelas, campainhas, o barulho de um ventilador de teto e etc.... enfim os sons de lugares da casa que por si só provocavam lembranças. Eis aqui uma grande revelação da importância do registro sonoro: provocar de forma direta lembranças do lugar.<br /><br /><strong>Como ter critérios se não percebemos os sons que perdemos dia-a-dia, geração à geração?<br /></strong><br />Nossas trilhas sonoras têm uma história que vai do pessoal ao coletivo . E o que vem ocorrendo na grande cidade, é que vamos perdendo o nosso acervo de sons públicos e privados de forma galopante. Pensar formas de registrar as sonoridades urbanas parece ser tarefa fundamental não apenas para salvar as nossas lembranças mais distantes, mas para refinarmos os critérios dos sons que desejamos ou não tolerar na cidade em que vivemos.<br /><br />Agora em novembro foi lançado um livro sobre a história das sonoridades da cidade de São Paulo na virada do século XIX para o XX. O livro Kaleidosfone é do historiador Nelson Aprobato Filho e busca revelar através de fontes diversas: memórias, ficções, legislatura da cidade e etc, os vários sons da cidade num momento de grandes transformações temporais e espaciais, a viradinha do século, como diria o poeta Juó Bananére.<br /><br /><br /><br /><p align="center"><a href="http://www.carbonoquatorze.com.br/versaopaulo/uploaded_images/somleg2-799551.jpg"><img style="WIDTH: 240px; CURSOR: hand; HEIGHT: 178px" alt="" src="http://www.carbonoquatorze.com.br/versaopaulo/uploaded_images/somleg2-799548.jpg" border="0" /></a></p>A virada do século é um momento interessante para registrar hábitos e espaços que a cidade foi perdendo, e outros que começam a ser valorizados. Aquelas manifestações que não se desejam mais na vida urbana não desaparecem de imediato e o que é considerado moderno, não se fixa de forma tranqüila e nem imediata como pode-se imaginar numa olhada rápida para as imagens do passado. É nesta confusão de temporalidades, num espaço ainda bastante restrito, que se percebe com clareza a história da cidade. E, acredito eu que foi com esta perspectiva de cidade em transição, em dissonância, que Nelson Aprobato resgatou a história dos sons da cidade de São Paulo. Os antigos barulhos da cidade colonial como a saparia do Brás,o chiado dos carros de bois, os sinos das igrejas, convivendo com o barulho do trem, dos motores de carro, das fábricas e etc....<br /><br /><br /><br /><p align="center"><a href="http://www.carbonoquatorze.com.br/versaopaulo/uploaded_images/somleg3-717698.jpg"><img style="WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 155px" alt="" src="http://www.carbonoquatorze.com.br/versaopaulo/uploaded_images/somleg3-717694.jpg" border="0" /></a></p>Estou no começo do livro, entre os sons das igrejas que anunciavam desde a morte de um habitante até os momentos das missas. Explica o autor que os sinos naquela época não serviam apenas para chamar os fiéis para a missa, sinalizavam muito do cotidiano dos habitantes da cidade. E assim as igrejas rodeavam a cidade de sinos, sons e hábitos. Imagine então a conjunção de sinos tocando em tempos diferentes numa cidade que vivia com um fundo silencioso quase que permanente?<br /><br /><p align="center"><a href="http://www.carbonoquatorze.com.br/versaopaulo/uploaded_images/somleg4-760783.jpg"><img style="WIDTH: 149px; CURSOR: hand; HEIGHT: 202px" alt="" src="http://www.carbonoquatorze.com.br/versaopaulo/uploaded_images/somleg4-760781.jpg" border="0" /></a><br /></p>É neste mesmo momento de paisagem silenciosa ao fundo da cidade que o chiado dos carros de bois adquire uma barulhenta história em São Paulo. Como nota Aprobato, a presença dos carros de boi entram a saem da cidade fazendo um barulhaço. O registro de vários viajantes que passaram por São Paulo é quase unânime em notar o barulho, rangido, chiado dos pesados carros de bois que passam lentamente pelas ruas de São Paulo levando lenha e depois material de construção. O barulho de chiados aumenta à medida que a cidade cresce, e sua presença começa a incomodar cada vez mais. Há registros do barulho insuportável deles ao chegarem e partirem da cidade, e como seu peso danificava as ruas centrais. Para conter os carros de boi, as autoridades municipais começam a buscar através de leis e regulamentos formas de proibir sua passagem na área central . A principio as novas regras não são acatadas e eles continuam indo e vindo pela cidade Outros sons juntam-se as antigas sonoridades da cidade. O apito de trem simbolicamente anuncia a presença dos barulhos mecânicos, surgem as chaminés e apitos das fábricas, o breque do bonde e com estes toda uma massa de trabalhadores que invade as ruas. Surgem os sons dos mascates , ambulantes de rua e dos entregadores de jornal. Difícil não lembrar aqui os registros de Jorge Americano em São Paulo daquele tempo (1895-1915), crônicas repletas de sonoridades. O capítulo “Insônia” registra os barulho da noite, e parece que o fundo silencioso da cidade torna tudo mais claro, o ruído das patas dos cavalos, , o bonde da Companhia Viação, o galo da nossa casa. O capítulo dos “Vendedores ambulantes” contempla os barulhos do dia: o badalo da madrinha de tropas, o assobio do amolador, o som metálico de colher batida contra caçarola do folheiro, ao longe escuta-se um pregão fanhoso que ao aproximar-se revela o empalhador, à tarde vem entre nuvens de içás, o anúncio de sorvete e por ai vai a cidade trocando de sons ao longo do dia.<br /><br /><p align="center"><a href="http://www.carbonoquatorze.com.br/versaopaulo/uploaded_images/som2-716083.jpg"><img style="WIDTH: 244px; CURSOR: hand; HEIGHT: 159px" alt="" src="http://www.carbonoquatorze.com.br/versaopaulo/uploaded_images/som2-716077.jpg" border="0" /></a></p>Em São Paulo daquele tempo os antigos barulhos da cidade misturam-se aos novos barulhos dos veículos motorizados, do apito do trem , da chaminé da fábrica e dos mascates das ruas. Mais um pouco o chiado dos carros desaparece de fato e os sinos não comandam mais o dia a dia da cidade. E surge cada vez mais forte este barulho indiscriminado , este ruído surdo misturado de pressa, buzina, breques de ônibus, de construção e destruição que vai apagando sorrateiramente nossas lembranças sonoras.<br /><br />Neste sentido, o livro de Aprobato é muito bem-vindo, não apenas porque nos conta de um passado sonoro que em sua maior parte desconhecemos, os sons perdidos da cidade colonial e os novos sons da nascente metrópole, mas porque ao resgatar os sons do passado, os barulhos de São Paulo, proporciona a nós leitores elementos para refinar e ter critérios de valores sobre os sons que desejamos ou não para a nossa vida na cidade.<br /><br /><br /><br /><br /><p align="left"><span style="color:#ff6600;">Só para escutar:</span></p>Clique em <a href="http://www.carbonoquatorze.com.br/versaopaulo/largodaconcordia.mp3">Largo da Concórdia/São Paulo</a><br /><br />Clique em <a href="http://www.carbonoquatorze.com.br/versaopaulo/nivaldo2.mp3">Nivaldo vendedor de quebra-queixo</a><br /><br /><strong>Para saber mais:<br /></strong><br />Aprobato Filho, Nelson, Kaleidosfone, São Paulo: Edusp/Fapesp, 2008<br /><br />Americano, Jorge, São Paulo Naquele Tempo (1895-1915), São Paulo: Carrenho Editorial, Narrativa Um, Carbono 14, 2004.<br /><br /><br /><br /><a href="http://www.itaucultural.org.br/index.cfm?cd_pagina=2699&pag=3&ordem=">RUMOS ITAÚ CULTURAL, Cinco sobre cinco: documentários, Histórias de morar e Demolições, André Costa, São Paulo, 2007. 54’</a><br /><br />Paula Janovitch<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18525340-7342463535610732034?l=www.carbonoquatorze.com.br%2Fversaopaulo%2Findex.html'/></div>Janôhttp://www.blogger.com/profile/17125597501083113868paula@carbonoquatorze.com.br6tag:blogger.com,1999:blog-18525340.post-50419410427578324892008-10-19T10:40:00.000-07:002008-10-21T12:38:40.148-07:00Guia de terrenos baldios de São Paulo<a href="http://www.carbonoquatorze.com.br/versaopaulo/uploaded_images/baldio-788614.jpg"><img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://www.carbonoquatorze.com.br/versaopaulo/uploaded_images/baldio-788580.jpg" border="0" /></a> Por acaso ou força do hábito , fui no domingo à feira do Bexiga e lá encontrei um guia bastante singular: <em>Guia de terrenos baldios de São Paulo or Guide to the wastelands of São Paulo</em>. O simplório guia, todo em preto e branco e bilíngüe, chamou minha atenção. Terrenos baldios esta cidade tem de monte. Em regiões valorizadas, os tais terrenos tornam-se verdadeiros potes de ouro nas mãos da especulação imobiliária.<br />Folheando o simpático guia reencontrei o emblemático terreno onde foi o antigo colégio Des Oiseaux. E através dos comentários sobre este na rua Augusta com Caio Prado, revelaram-se mais curiosidades sobre aquela vasta área protegida de muros, motivo do meu último post no Versão Paulo, “<a href="http://www.carbonoquatorze.com.br/versaopaulo/2008/06/moa-vestida-de-estudante-pula-muro-de.html">Moça vestida de estudante pula muro e volta às aulas</a>.”<br />O guia diz que o colégio cedeu a área para a prefeitura e em contrapartida esta deveria conservar as árvores e transformar 75% do terreno num parque público. Até agora o terreno continua lá, baldio, com as árvores, um estacionamento e um circo ótimo, Zanni, que faz uma temporada no local . Mas parque público, não parece que virou. Mais pra frente no texto, ainda há referência a uma sociedade que há 12 anos comprou o terreno, Sociedade Armando Conde Investimentos e, por ter sido contestada pelos vizinhos, elaborou um plano B chamado Projeto Parque dos Pássaros, homenagem mórbida ao <em>oiseaux</em> do antigo colégio. O shopping center teria 14.000 metros quadrados e, 10.000 metros seriam reservados a um parque que a benemérita “sociedade do mal” cederia a prefeitura desta cidade tão cheia de shoppings e tão carente de parques. Mas parece que a coisa sofreu nova contestação graças a deus, de uma outra Sociedade, esta do Bem, os Amigos e Moradores do Bairro Cerqueira César ( SAMORCC), que alegaram ser o terreno um dos poucos pulmões verdes do centro da cidade com vegetação de Mata Atlântica. Este grupo criou um comitê dos aliados do Parque, o qual reunia em 2006, 300 pessoas. Além de tentar segurar este projeto nefasto de shopping/gaiola com nome de pássaro, em 2006, momento em que este guia foi lançado, havia um processo na câmara dos vereadores em que foi pedido que a prefeitura comprasse o terreno e o conservasse como parque.<br />Agora fica-se na dúvida, se o antigo colégio (des Oiseaux) cedeu para a prefeitura o terreno há um tempão atrás e, naquela época, exigia que a prefeitura fizesse dos 75% do terreno um parque, como é que esta sociedade do mal compra o terreno e faz um projeto em que a maior parte da área é para shopping piu piu e apenas 10.000 ficam para a prefeitura fazer o que até agora ela não fez?<br />Bom gente, desculpe não ter dado uma explicação histórica daquelas com começo, meio e fim. Às vezes, a história apronta destas, acaba com uma dúzia de dúvidas contra meia de certezas....<br /><br /><strong>Sobre o guia dos terrenos baldios de São Paulo:</strong><br />A edição é de 2006 e foi feita por conta da 27 Bienal de São Paulo que tinha como tema “Como viver junto”. O projeto é de <a href="http://diversao.uol.com.br/27bienal/artistas/lara_almarcegui.jhtm">Lara Almarcegui </a>(Espanha), artista que faz trabalhos fotográficos interessantíssimos com prédios abandonados e locais deteriorados. Foram impressos 27.750 cópias. Outros terrenos aparecem em várias regiões da cidade. As histórias são muito interessantes e, na apresentação do guia, há uma breve explicação geral sobre este fenômeno na cidade de São Paulo: a maior parte dos terrenos baldios esta ligada a realização de um projeto, são lugares onde tudo é possível porque a principio são todos filosoficamente vazios. Há terrenos com histórias fantásticas, outros relacionados a situações conflituosas, e ainda aqueles que são verdadeiros oásis na cidade. E este breve resumo prova por A + B que viver junto é difícil, mas sem dúvida, provoca um número enorme de histórias.<br />postado por Paula Janovitch<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18525340-5041941042757832489?l=www.carbonoquatorze.com.br%2Fversaopaulo%2Findex.html'/></div>Janôhttp://www.blogger.com/profile/17125597501083113868paula@carbonoquatorze.com.br11tag:blogger.com,1999:blog-18525340.post-57232204557995426422008-06-22T12:17:00.000-07:002008-06-24T17:32:53.056-07:00Moça vestida de estudante pula muro de terreno baldio e volta às aulas.<img src="http://www.carbonoquatorze.com.br/versaopaulo/teatro1.jpg.jpg" /><br /><div><div><div><div><span style="font-size:85%;color:#ff9900;">foto do Colégio des Oiseaux</span><br /><br />Quinta-feira à noite, dia dos namorados, a cidade estava com um congestionamento de casais e mais casais a caminho de, ou indo ao encontro das/dos. Nestas condições resolvi sair de casa para ver um pequeno espetáculo de música + teatro na Praça Roosevelt, “Opera Crua”, com os atores Gero Camilo, Rubi e Luiz Gayotto. Mas para chegar lá, fomos capturados pelos amores lícitos e ilícitos da Augusta street, que hoje mistura o antigo trottoir das mariposas da noite, com a moçada das novas boates e barzinhos da região. O trânsito parou de fato na altura do terreno baldio do extinto Colégio des Oiseaux, travessa da rua Caio Prado, demolido nos anos 70 . De repente, do outro lado da Augusta, onde fica o restaurante Piolin, sai uma moça com roupas de estudante dos tempos idos - saia plissada, meia ¾ , gravatinha e camisa branca - atravessa a rua e pula o muro da escola que ocupava a área de 24.000 metros quadrados. Minha amiga antes do pulo da “estudante” deu um grito do carro, “tá tudo bem com você?” e a moça meio sem jeito falou, “tá, isto é uma peça de teatro”.<br /><br /><strong>Tietê</strong> </div><br /><div><br /><br /><a href="http://www.carbonoquatorze.com.br/versaopaulo/uploaded_images/Imagem-046-799254.jpg"><img style="WIDTH: 246px; CURSOR: hand; HEIGHT: 185px" height="212" alt="" src="http://www.carbonoquatorze.com.br/versaopaulo/uploaded_images/Imagem-046-799224.jpg" width="289" border="0" /></a><br /><span style="font-size:85%;color:#ff9900;">foto do rio Tietê, 2008<br /></span>São Paulo nos últimos anos vem tendo várias das suas áreas ocupadas por peças de teatro que andam utilizando a geografia e o mobiliário urbana como espaços cenográficos. Podemos lembrar o corajoso grupo de teatro Vertigem que em uma de suas muitas apresentações, resolveu em 2005 encenar num barco dentro do rio Tietê a peça “ BR-3”. A duração da peça foi de mais ou menos 2 h 40 minutos. Atores e espectadores tiveram que incorporar à apresentação, o cheiro do rio e as imundices que pelas suas águas passam. Se não estou enganada, depois que o barco do Vertigem passou pelo rio, ano passado houve em suas margens plácidas um desfile tipo fashion week e vingou um passeio turístico de barco que leva amantes da cidade para navegar por um dos seus trechos. Eu já fui num destes passeios e fiquei impressionada com a sujeira e a quantidade de bichos, aves principalmente, que moram nas cercanias. </div><br /><div><br /><a href="http://www.carbonoquatorze.com.br/versaopaulo/uploaded_images/Imagem-055-788724.jpg"><img style="CURSOR: hand" height="193" alt="" src="http://www.carbonoquatorze.com.br/versaopaulo/uploaded_images/Imagem-055-788708.jpg" width="280" border="0" /></a><br /><span style="font-size:85%;color:#ff9900;">foto de pássaro sobrevoando o rio Tietê, 2008</span></div><div>Só acho que a proposta do passeio que é muito agradável e confortável, tem até música ao vivo e vinho branco, seria muito mais legal se no percurso víssemos um pouco da outra vida do rio. Meu pai nadou no Tietê. E quantos outros pais não devem ter nadado lá? Valeria a pena que nestas viagens fosse contada estas histórias que povoam a memória dos moradores mais antigos da cidade, dos historiadores que se debruçaram sobre os outros tempos do rio e dos clubes ex-náuticos que permanecem ali nas margens, escondidos pelo movimento do trânsito.Eu adoraria participar desta viagem no tempo pelo rio Tietê...<br /><br /><strong>Vila Maria Zélia</strong></div><strong><br /><div><br /><a href="http://www.carbonoquatorze.com.br/versaopaulo/uploaded_images/teatro2-745938.JPG"><img style="CURSOR: hand" alt="" src="http://www.carbonoquatorze.com.br/versaopaulo/uploaded_images/teatro2-745839.JPG" border="0" /></a><br /></div><div></strong><span style="font-size:85%;color:#ff9900;">foto Vila Maria Zélia, 2008/ Livia Gabbai</span></div><div>O grupo XIX, também faz um trabalho maravilhoso de ocupação geográfica na cidade. Estão firmes na zona leste, numa vila operária bárbara que foi tombada em 1992 e construída em 1917, a vila Maria Zélia. “Hygiene” , o primeiro espetáculo apresentado na vila, convidava o público a assistir a peça andando pelas ruelas e pelo tempo. Pois a história da peça tinha tudo a ver com a origem do lugar. Até mesmo a construção da vila operária que ao ser concebida teve forte influencia do pensamento higienista, o qual, no final do século XIX passou a organizar os espaços e corpos dos habitantes da cidade. Antes da “ Hygiene” ocupar esta vila, eu já conhecia o lugar. Fui lá na época em que era pesquisadora do DPH, achei um lugar interessante, mas, vivo mesmo, só depois que vi a ocupação do grupo XIX. E isto é que é tombamento bão, algo que não só preserva o lugar, mas retoma sua vida, incerta é claro, pois vida que é vida é feita de imprecisão, amém!<br /><br /><strong>Subterrâneo do Viaduto do Chá</strong> </div><br /><div></div><a href="http://www.carbonoquatorze.com.br/versaopaulo/uploaded_images/vdcha-786846.jpg"><img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 155px; CURSOR: hand; HEIGHT: 249px" height="250" alt="" src="http://www.carbonoquatorze.com.br/versaopaulo/uploaded_images/vdcha-786585.jpg" width="176" border="0" /></a>Em 2008 já tivemos novamente o Vertigem ocupando a extinta passagem subterrânea do Viaduto do Chá. Pois é, acredite se quiser, embaixo do conturbado movimento da rua Xavier de Toledo com o Viaduto do Chá e adjacências existe uma silenciosa passagem subterrânea há muito tempo fechada ao antigo fluxo EXCLUSIVO de pedestres. Alguém já pensou na outra vida deste subterrâneo? Pois é, eu não fui nesta peça, mas sei que quando ali era uma passagem, existia um trânsito intenso de veículos na área central, e as passagens subterrâneas e as galerias do centro novo, eram lugares seguros para os pedestres desta cidade caminharem. Isto não merecia ser revelado? Um dia houve na cidade um lugar para os pedestres caminharem que não seria interrompido pelo fluxo dos automóveis. Pensava-se então nos habitantes que andam a pé pela cidade. <span style="font-size:85%;color:#ff9900;">foto:Viaduto do Chá/1942</span><br /><div align="left"><span style="font-size:85%;color:#ff9900;"></span></div><br /><div align="left"></div><br /><div><span style="font-size:85%;color:#ff9900;"></span></div><div><strong>Campos Elíseos: casarão na Alameda Cleveland<br /></strong><br />Num casarão da Alameda Cleveland a peça Labirinto Reencarnado do grupo Cia. Pessoal do Faroeste entra em cartaz. Mais uma casa ocupada. A peça faz parte de uma trilogia do grupo que se chama Trilogia degenerada: A História de São Paulo através de um casarão no Campos Elíseos. E ai o comentário do Estado de São Paulo diz que a peça tem muita eugenia, e que parte da Segunda Guerra Mundial. Temos poucos referências deste período na história da cidade de São Paulo. E um livrão que não pode faltar é o Guerra sem guerra do Roney Cytrynowicz, que foi uma das pessoas consultadas pelo grupo para montar esta peça. A estréia aconteceu no sabadão, dia 14 e para quem quiser conferir aqui vão as dicas:<br />Labirinto Reencarnado. 80 min.. 12 anos. Sede Faroeste. Al. Cleveland,677, tel 3362-8883. Sábado a segunda, 18 h. R$10. Até dia 28/7<br /><br /><strong>Estação Pinacoteca/DOPS<br /></strong><br />Ontem, 13/06/08 vi no jornal o Estado de São Paulo uma coluna contando a história da recuperação de um lúgubre edifício na rua Mauá. Foi em 1999 que 30 atores e 40 espectadores começaram a mudar a história daquele lugar encenando uma peça no porão onde pessoas haviam sido torturadas e mortas durante a ditadura militar. “A idéia de recuperar o Dops vinha ao encontro da necessidade de criar ‘âncoras’ culturais no centro. O edifício projetado como estação ferroviária por Ramos de Azevedo em 1914, também abrigou a Delegacia do consumidor, e, em 2004 transformou-se na Estação Pinacoteca, um museu com área de 8 mil metros quadrados.<br />Desta última ocupação há controvérsias. Já escutei inúmeros depoimentos de gente que não gosta do lugar, ops desculpe, da memória do lugar, e que não acha nada tranqüilo a transformação de um espaço de memórias recentes tão pesadas, vir a ser uma referência cultural da cidade. </div><div>Isto é um debate e tanto para quem pensa o que preservar e como fazê-lo.<br />Quanto aos artistas, fiquem a vontade para iluminar esta cidade cheia de espaços difíceis e fáceis, afinal, apesar da fama que São Paulo é uma senhora carrancuda e sem memória, basta um pouco de luz e boa vontade que a pecha se desfaz, a vida nesta cidade pode ser leve e extremamente profunda.<br /><br />postado por Paula Janovitch </div></div></div></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18525340-5723220455799542642?l=www.carbonoquatorze.com.br%2Fversaopaulo%2Findex.html'/></div>Janôhttp://www.blogger.com/profile/17125597501083113868paula@carbonoquatorze.com.br0tag:blogger.com,1999:blog-18525340.post-92022944505509098822008-01-19T16:21:00.000-08:002009-05-15T19:08:24.067-07:00ToKyo Ga<a href="http://www.carbonoquatorze.com.br/versaopaulo/uploaded_images/TKpostal-791419.jpg"><img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 371px; CURSOR: hand; HEIGHT: 202px; TEXT-ALIGN: center" height="206" alt="" src="http://www.carbonoquatorze.com.br/versaopaulo/uploaded_images/TKpostal-791416.jpg" width="392" border="0" /></a><br /><a href="http://www.carbonoquatorze.com.br/versaopaulo/uploaded_images/Toquio-799861.jpg"></a><div align="left"><br />Acabo de assistir Tokyo Ga de Wim Wenders, filme que o diretor fez durante a produção de Paris, Texas (1984). Em duas semanas Wim Wenders vai ao Japão para buscar imagens, memórias de Tóquio construídas por Yasujiro Ozu: um dos diretores de cinema que Wim Wenders considera um tesouro sagrado do século XX. Seus filmes vão desde o cinema mudo no início do 1900 até os anos 60 quando vem a falecer. O filme Tokyo Ga é tocante a princípio porque trata de um registro totalmente pessoal de Tóquio. Um encontro de Wim Wenders com quase um século de imagens da cidade. Ao mesmo tempo, uma busca que parte da descoberta das pessoas que trabalharam com Ozu, sua técnica de fazer cinema , mas também com uma certa busca de Wim Wenders de identidade através da compreensão das radicais transformações do Japão, de Tóquio, dos elementos do passado que ainda se fazem presentes no ritmo caótico da grande cidade.<br />O filme de Wenders começa por fragmentos de um filme mudo de Ozu, “ Viagem a Tóquio”. Depois há um corte rápido e chegamos em Tóquio moderna pelo registro de Wim Wenders. Há cenas fantásticas, como os jogos de azar em porões em que o ganho é obtido através do acúmulo de bolinhas. As máquinas em sintonia com os homens mostram uma repetição de movimentos, nada mais do que os famosos passatempos modernos que habitam todas as grandes cidades do mundo. Vicio adquirido pelos moradores de Tóquio após a Segunda Guerra Mundial. </div><div align="left">A prática do golf , coqueluche em Tóquio, mas com sutilezas emblemáticas e talvez extremamente vinculadas a tradição oriental japonesa é outro caso exemplar deste fenômeno. Em Tóquio, o golf não requer que o jogador acerte a bolinha no buraco. O foco do esporte esta na repetição e aprimoramento, no movimento do corpo em lançar a bolinha. Falta de espaço ou será mesmo uma forma particular de interpretar o jogo? As repetições também surgem na forma de Ozu dirigir os atores de seus filmes. Uma cultura da precisão de movimentos que se transforma radicalmente após a penetração das influências ocidentais. Há também nostalgia no filme, talvez a noção que esta tradição, a identidade de Toquio dos filmes de Ozu, vai se perdendo à entrada das influências ocidentais.<br />No fundo o filme trata da identidade e da memória de todos nós. Do desejo de estarmos em contato com algo verdadeiro, um tesouro encantado, por que não? Algo perdido nas nossas próprias memórias. Imagens queridas que se encontram embaralhadas em meio a tantas ofertas/imagens de prazeres rápidos, mas que permanecem presentes e silenciosas no espaço.</div><div align="left"></div><div align="left">Achei por "puro acaso" numa caixa de papéis velhos da minha casa este postal dos anos 90 que ilustra o post, de uma Tóquio frenética, tecnológica e elétrica como diz o missivista da correspondência, mas ainda com a imagem de gueixa pronto para fazer um novo começo. Tokyo Ga é esta memória, de algo que vem de muito antes, mas que parte das duas semanas que Wim Wenders larga as filmagens de Paris,Texas, um filme de buscas, memória e identidade, e vai para Tóquio de Ozu " apenas para observar, sem querer provar nada pra ninguém". E ai toda uma outra história pode começar . Vale a pena assistir.<br /></div><div align="left"></div><div align="left">O filme Tokyo GA pode ser alugado em DVD na 2001.<br />Paula Janovitch </div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18525340-9202294450550909882?l=www.carbonoquatorze.com.br%2Fversaopaulo%2Findex.html'/></div>Janôhttp://www.blogger.com/profile/17125597501083113868paula@carbonoquatorze.com.br0tag:blogger.com,1999:blog-18525340.post-22793296354402651712008-01-07T02:09:00.001-08:002008-02-14T04:29:40.542-08:00Eu fui a Lapa e não perdi a viagem!!!!Pois é, o Rio de Janeiro continua lindo e totalmente musical. De uns tempos para cá a história da musicalidade da cidade anda em pauta . O que é totalmente correto e de bom gosto. Caso recente deste mapeamento e reinvenção bem sucedida de um espaço perdido e decadente, é a Lapa carioca. Um bairro que até bem pouco tempo fazia alusão a história de uma boêmia de outros tempos, de malandros e prostitutas que parecia totalmente em ruínas. Fui a Lapa há uns vinte anos atrás. Lembro que entrei numa daquelas vielinhas, talvez cenário do filme Madame Satã, e tomei sangria. Tudo era decadente na região e lembrava com tristeza os outros tempos dos grandes malandros e prostitutas.<br />Quem vai a Lapa hoje em dia como diz Caetano Veloso, não precisa tomar remédio, porque ela se transformou em saúde pública. Tem um monte de opções para beber, dançar, conversar ou mesmo assistir a um show no Circo Voador. Ainda existem os pequenos hotéis de pernoite e os pontos de travestis da região. Mas até isto vem mudando. Os travestis começam a montar lojas e diversificar seus negócios. Assim como os bares que se abrem na Lapa, são temáticos e aludem a este passado que por muitos anos esteve adormecido sobre a fuligem de uma malandragem mal tratada.<br />No dia que fui a Lapa, quase na viradinha do ano, escolhi o bar Rio Cenarium e dancei um monte lá. Quando sai, vi uma fila enorme na rua. Bem diferente de outros tempos em que visitar a Lapa era andar solitário por ruas silenciosas.<br />Para saber mais ver reportagem da Folha de São Paulo 06/01/07<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18525340-2279329635440265171?l=www.carbonoquatorze.com.br%2Fversaopaulo%2Findex.html'/></div>Janôhttp://www.blogger.com/profile/17125597501083113868paula@carbonoquatorze.com.br0tag:blogger.com,1999:blog-18525340.post-34795122515597307212008-01-07T02:01:00.000-08:002008-01-07T02:08:13.793-08:00Aos cinquentinha, bossa nova ganha roteiro histórico no RioA outra novidade carioca na área do resgate de sua musicalidade é o mapeamento da bossa nova. Na comemoração dos seus 50 anos o historiador Carlos Roquette prepara roteiros em quatro bairros do Rio para mostrar pontos históricos da bossa de João Gilberto, Tom Jobim, Vinicius de Morais e Nara Leão. Mas atenção aos interessados, os roteiros serão feitos nos dias 25,26,27 de janeiro. Mais informações no site <a href="http://www.culturario.com.br/">www.culturario.com.br</a><br />Para saber mais, Folha de São Paulo 05/01/07<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18525340-3479512251559730721?l=www.carbonoquatorze.com.br%2Fversaopaulo%2Findex.html'/></div>Janôhttp://www.blogger.com/profile/17125597501083113868paula@carbonoquatorze.com.br0tag:blogger.com,1999:blog-18525340.post-285910158502296932007-11-25T16:15:00.000-08:002007-11-26T02:44:31.469-08:00A cidade é minha, oba!!!!<div align="center"><a href="http://www.carbonoquatorze.com.br/versaopaulo/uploaded_images/mureta-em-viaduto-centro-716861.JPG"><img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.carbonoquatorze.com.br/versaopaulo/uploaded_images/mureta-em-viaduto-centro-716259.JPG" border="0" /></a> <span style="font-family:Arial;font-size:85%;color:#ff9900;">Pombos sobre mureta de viaduto, centro de São Paulo</span></div><span style="font-family:Arial;color:#ff9900;"></span><div align="left"><br />Outro dia fui ao cinema e uma moça sentou do meu lado e saiu rapidamente. Quando as luzes se acenderam percebi que ela havia deixado alguma coisa na cadeira, um vídeo com os seguintes dizeres: você foi escolhido para assistir este vídeo. Achei o negócio estranho, a princípio pensei em jogar na primeira lixeira. Mas sou curiosa demais para descartar uma mensagem destas.<br /><br />Então levei pra casa, coloquei no meu aparelho de DVD e tomei uma distância maior do que a normal do possível “ elemento malfeitor” que poderia disparar raios ou explodir minha televisão. O fato foi que vi vários clipes de filmes bem interessantes de uma produtora independente. No final a orientação foi esta: pegue este DVD e deixe-o para outra pessoa.<br /><br />Com um artigo da revista Vida Simples (nov/2007), compreendi que este tipo de intervenção chama-se guerrilha urbana. Você pode fazer isto para mostrar seu trabalho, mas também para cuidar da sua cidade. O jornalista Denis Russo Bugierman que escreveu o artigo “ Guerrilha urbana” refere-se a um livro The Guerrilha Art Kit, onde a autora, Keri Smith, aponta um monte de estratégias para cuidar e criar coisas na sua cidade. Por exemplo: Mapas guerrilheiros: - Em casa, desenhe um mapa de sua região ou arrume um já pronto. Complete o mapa com as coisas que você acha importantes, mas que geralmente não apareceriam num mapa: um banco legal para sentar , um gramado bom para deitar.... e aqui completo eu, uma galinha e um galo no caminho, uma pequena lagartixa nascendo na calçada em que você caminha, um orvalho chorado de folha de arvore em começo de dia, a novidade da estação. Marque tudo no seu mapa particular e afixe por ai para outras pessoas.<br /><br />Para quem quiser saber mais segue o site da Keri: www.kerismith.com<br />Para os que quiserem enviar suas mapas particulares , por favor mandem que eu publico no Versão Paulo.<br />por Paula Janovitch</div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18525340-28591015850229693?l=www.carbonoquatorze.com.br%2Fversaopaulo%2Findex.html'/></div>Janôhttp://www.blogger.com/profile/17125597501083113868paula@carbonoquatorze.com.br0tag:blogger.com,1999:blog-18525340.post-82430519574246141732007-11-25T15:46:00.000-08:002007-11-25T15:49:07.153-08:00Achado e adquirido: Arquitetura Moderna Paulistana<a href="http://www.carbonoquatorze.com.br/versaopaulo/uploaded_images/capalivro-765725.jpg"><img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.carbonoquatorze.com.br/versaopaulo/uploaded_images/capalivro-765716.jpg" border="0" /></a><br />Achei na feira do Bexiga o livro Arquitetura Moderna Paulistana, de Alberto Xavier, Carlos Lemos e Eduardo Corona, editora Pini, 1983.<br /><br />A idéia do livro é fazer uma mostra/roteiro de vários exemplares de arquitetura moderna de São Paulo com os respectivos endereços. Ou seja, quem quiser, pode anotar o endereço e visitar . O único defeito do livro, que não é defeito mas pura preferência minha, é o fato da organização não ser por região, mas cronológica. Ficaria bem mais fácil e divertido se os autores apontassem percursos, mesmo que pequenos.<br /><br />Voltando a ordem correta do livro. Tudo começa em 1927 com o primeiro projeto eleito como modernista, na Av. Angélica, 172. Um edifício de apartamentos do arquiteto Júlio de Abreu Junior. Aliás, todos os projetos do livro vem com um pequeno texto, uma fotografia ou duas e um croqui.<br /><br />Logo na introdução os autores explicam de maneira sucinta o critério de seleção dos projetos considerados modernos e a dificuldade em definir o marco desta modernidade da arquitetura na cidade de São Paulo. E isto não é difícil apenas na arquitetura. Acho que todo mundo que trabalha com este período se depara com os mesmos pontos cegos do quando começamos a ser modernos, será que seria mesmo 1922?<br />Ai, ai, esta história de que nada de moderno existia antes da Semana de Arte Moderna já assassinou muitas produções interessantes da cidade de São Paulo. Na área da literatura por exemplo, escritores como Juó Bananére, Hilário Tácito, José Agudo e até o conhecido Monteiro Lobato que foram extremamente modernos, passaram ao largo dos participantes presentes na Semana de Arte de Moderna. Acabaram todos com o título duvidoso de pré-modernistas. Conceito totalmente equivocado. De fato foram modernos, ou para ser mais chique ainda como diz o professor Foot, foram antigos modernos. Isto de deixar fora da panela o tempero de época não foi apenas injusto com a produção cultural da cidade, mas de uma parcialidade que tem que ser revista e ampliada para podermos saborear o prato com todos os seus ingredientes.<br />Os autores deste livro de arquitetura, resolveram desenroscar este nó do primeiro exemplar moderno de arquitetura, definindo que a seleção dos projetos teria como parâmetro a arquitetura moderna racionalista e o domínio da tecnologia do concreto armado. No caso, o primeiro primeiríssimo exemplar de arquitetura moderna transpõe os muros de 1922 , escapa de São Paulo e segue direto para a estação de estrada de ferro de Mairinque (1907) onde Victor Dougbras utilizou pela primeira vez o concreto armado. Só depois de 20 anos é que São Paulo ganhou o seu primeiro edifício moderno, este que citei de Julio de Abreu Junior na <a name="PVW">Av</a>. Angélica.<br />Bom, da minha parte, vou pegar o livro, abrir numa das páginas e ir para a rua fotografar aquilo que existe e o que já desapareceu da arquitetura moderna paulistana selecionada nesta obra. Aguardem futuras revelações...<br />por Paula Janovitch<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18525340-8243051957424614173?l=www.carbonoquatorze.com.br%2Fversaopaulo%2Findex.html'/></div>Janôhttp://www.blogger.com/profile/17125597501083113868paula@carbonoquatorze.com.br2tag:blogger.com,1999:blog-18525340.post-75980382873416030092007-10-18T03:06:00.000-07:002007-10-18T03:19:06.936-07:00Samba enfeitiça o Iphan, entra na roda e é tombado como bem imaterialNo mês passado, em Santo Amaro, além da comemoração dos 100 anos de Dona Canô, mãe de Caetano e Maria Bethânia, ocorreu a inauguração da Casa do Samba. Especialistas em samba invadiram o Solar Araújo Pinho às margens do rio Subaé, a Casa do Samba, em evento promovido pelo Iphan para tratar da origem do gênero.<br />Em outubro o samba carioca virou "entidade de respeito", foi tombado como bem imaterial, depois de muita boemia eis que o danado chegou lá. Pois é, tomara que isto contamine mais movimentos, alimentos e sons da cultura brasileira. Afinal o samba como outras manifestações da cultura brasileira, apesar de estar no pé, no ouvido e no gosto de muito brasileiro, como se diz por ai “ é quase uma criação de improviso”, tem lá uma longa história, cheia de altos e baixos, perseguições e variações que merecem ser melhor conhecidas. Conforme nota da Folha 10/10/07 : “ O tombamento não traz mudanças imediatas, mas é um estímulo para que a história do gênero entre em currículos escolares e seja alvo de projetos de documentação”.<br />Eu aqui escuto o cd da Teresa Cristina e Grupo Semente lá da Lapa carioca. Tudo de bom.<br />por Paula Janovitch<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18525340-7598038287341603009?l=www.carbonoquatorze.com.br%2Fversaopaulo%2Findex.html'/></div>Janôhttp://www.blogger.com/profile/17125597501083113868paula@carbonoquatorze.com.br0tag:blogger.com,1999:blog-18525340.post-33961222779634444582007-10-15T11:18:00.000-07:002007-10-16T13:38:53.663-07:00Os ossos do mundo de Flavio de Carvalho<div align="left"><a href="http://www.unirio.br/opercevejoonline/7/artigos/6/p87.jpg"><img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand" alt="" src="http://www.unirio.br/opercevejoonline/7/artigos/6/p87.jpg" border="0" /></a> <a name="OLE_LINK1">Flavio de Carvalho foi engenheiro, artistas plástico e vegetariano convicto. Mais conhecido por ter sido um transgressor de costumes por desfilar de saias no centro da cidade de São Paulo (<a href="http://www.unirio.br/opercevejoonline/7/artigos/6/artigo6.htm">Experiência 3)</a> ou atravessar uma procissão de Corpus Christi em sentido contrário e sem tirar o chapéu <a href="http://www.unirio.br/opercevejoonline/7/artigos/6/artigo6.htm">(Experiência 2)</a>, seus atos não foram isolados. [<span style="color:#000000;">A foto acima faz referência a Experiência 3 (1957) quando Flavio lançou seu traje de verão unissex.</span></div><br /><div align="left"></div><br /><div align="left"></div><div align="left">Por estas atitudes e por tantas outras produções, pode-se afirmar que Flávio de Carvalho foi de fato um vanguardista. Um intelectual completo. Leio seu livro de notas de viagens, <em>Os ossos do mundo(1936)</em>. O livro reúne vários ensaios de Flavio sobre viagens e reflexões a respeito de estética, pontos de vista sobre espaço e impressões de viagens. O primeiro dos capítulos já deixa a gente meio desconcertado. Imagine, é sobre viagens de avião, “Voando sobre as Costas Brasileiras e Notas sobre a sensação do medo”. Assunto bem emblemático para quem mora em São Paulo e viveu o drama da queda do avião da TAM. Flavio confessa seu medo de voar. Mas quando o avião decola, aliás um hidroavião, suas observações do que pode ser visto do alto e as dimensões deste observador humano, quase sobre-humano mexem com os neurônios. Uma das pérolas de Flavio neste vôo sobre o litoral brasileiro, deixo aqui para os amadores de cidades. Vale a pena ler tudo, pois viajar com Flavio de Carvalho, é um passeio incomum por lugares extremamente comuns:</a><br />"<em>O homem em vôo sente-se superior porque enxerga a cidade e o mundo das coisas como se enxergasse através de um organismo transparente. Ao mesmo tempo que vejo um personagem carregando uma carroça de verduras, vejo um outro personagem que necessita e procura verduras, mas ambos os personagens nada sabem da existência um do outro - estão apenas conscientes da predisposição individual e por suposição sabem que deve existir perto o personagem com disposição contrária e pronto a recebê-lo. "</em><br />E mais adiante seguem suas reflexões sobre este homem que se aproxima de um vidente por conta do lugar que ocupa estando em vôo:<br /><em>“A visão do homem em vôo adquire mais uma dimensão sobre a visão do habitante da superfície; ele é capaz de prever e calcular o destino do habitante da superfície, o seu ponto de vista percorre o presente, o passado e o futuro desse personagem, porque ele enxerga a predisposição para receber este ou aquele acontecimento, e ele caminha para um rumo conforme a sua receptividade, isto é, o seu comportamento neste dado futuro só pode ser alterado pela sua predisposição ou capacidade de receber coisas. “<br /></em>E por ai vai... </div><br /><br /><div align="left"></div><div align="left"><strong>Obras arquitetônicas modernistas de Flavio de Carvalho na mira da imprensa:</strong></div><br /><div align="left">Na terça feira, dia 16/out/07, saiu na Folha de São Paulo o estado de algumas obras arquitetônicas modernistas de Flavio de Carvalho. A que teve maior destaque, foi o imóvel da Fazenda Capuava em Valinhos ainda pertencente a familia Carvalho. O imóvel foi tombado em 1982 pelo Condephaat . E, em 2002, devido ao estado de abandono que se encontrava foi feito um acordo entre o Condephaat , a Prefeitura e a família para o restauro. Cinco anos depois, pouca coisa mudou. A família alega que o IPTU do imóvel é muito caro. Já a prefeitura de Valinhos não isenta legalmente este imposto apesar de acenar com proposta de comodato ou doação. </div><br /><div align="left"></div><div align="left">Já a outra obra modernista de Flavio é uma vila de 1938 nos jardins, aqui na cidade de São Paulo. Passou por uma reforma no mês passado, porém afirma o jornal, não ganhou proteção de nenhum orgão de preservação do patrimônio (eu tenho quase certeza que é tombada ou esta com abertura de tombamento). A vila fica na Alameda Lorena, 1257 e tem um conju<a href="http://www.carbonoquatorze.com.br/versaopaulo/uploaded_images/folder-FC-al-lorena-726246.jpg"><img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://www.carbonoquatorze.com.br/versaopaulo/uploaded_images/folder-FC-al-lorena-725908.jpg" border="0" /></a>nto de 17 casas. </div><br /><div align="left"></div><div align="left">As casas foram feitas para aluguel. À época a publicidade das casas vinha com os seguintes dizeres: " novos modelos para 1938 e 1939, casas frias no verão e quentes no inverno". As casas demoraram por serem alugadas. Finalmente foram ocupadas por artistas e intelectuais e depois vendidas. Hoje a ocupação da vila é totalmente comercial. Porém não há uma placa ou qualquer referência que lance luz sobre este conjunto arquitetônico do emblemático arquiteto Flavio de Carvalho. <a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1610200709.htm">Leia mais</a>...</div><br /><div align="left"></div><br /><div align="left"></div><div align="left"><strong>Quem quiser saber mais sobre Flavio de Carvalho indico aqui dois livros </strong>: </div><br /><div align="left">Flavio de R. Carvalho, <em>Os ossos do mundo</em>, São Paulo: ed.Antiqua, 2005 ( notas de viagem)</div><br /><div align="left">J.Toledo, <em>Flavio de Carvalho: o comedor de emoções</em>, São Paulo: Unicamp/Brasiliense, 1994: livro biográfico encontrável em sebos. </div><br /><br /><div align="left"></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18525340-3396122277963444458?l=www.carbonoquatorze.com.br%2Fversaopaulo%2Findex.html'/></div>Janôhttp://www.blogger.com/profile/17125597501083113868paula@carbonoquatorze.com.br0tag:blogger.com,1999:blog-18525340.post-72483465214722258932007-09-16T17:55:00.000-07:002007-09-17T14:57:07.434-07:00Aderentes X permanentes: o que se vê e não se vê na paisagem urbana paulistaParece que o Conjunto Nacional esta prestes a se despedir do logotipo eletrônico do Banco Itaú. Já o seu relógio digital, tem grande possibilidade de permanecer atendendo à pressa dos paulistanos da mais paulista das avenidas. Em artigo publicado na <a href="https://acesso.uol.com.br/login.html?dest=CONTENT&url=http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0509200729.htm&COD_PRODUTO=7">Folha de São Paulo </a>do dia 05/09/07, explica Juliana Prata, vice-presidente do Condephaat (conselho estadual de patrimônio histórico), que o logotipo do Itaú como todo produto publicitário, é um bem aderente ao imóvel. Logo, pode ser retirado sem descaraterizar o edifício. Da minha parte, se tirarem mesmo o logotipo do Itaú, vou sentir uma drástica mudança na fachada do Conjunto Nacional. O que não faz o hábito à memória...<br /><br /><a href="http://www.carbonoquatorze.com.br/versaopaulo/uploaded_images/file-786683.JPG"><img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 307px; CURSOR: hand; HEIGHT: 224px" height="252" alt="" src="http://www.carbonoquatorze.com.br/versaopaulo/uploaded_images/file-786678.JPG" width="335" border="0" /></a> Já no centro da cidade, é difícil alguém olhar para cima. E não é que na rua Barão de Itapetiniga há um letreiro do edifício Itá lá no alto do prédio. Aquilo não é bem aderente e ninguém pode tirar. Pelo tipo de letras, deve fazer parte da construção do prédio, então é " irremovível". Mas o que será que fez com que resolvessem colocar o letreiro do prédio lá no alto há tanto tempo atrás? Se alguém souber, ou imaginar, pode enviar para o Versão Paulo a explicação do mistérioso letreiro do edifício Itá.<br /><br />por Paula Janovitch<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18525340-7248346521472225893?l=www.carbonoquatorze.com.br%2Fversaopaulo%2Findex.html'/></div>Janôhttp://www.blogger.com/profile/17125597501083113868paula@carbonoquatorze.com.br0tag:blogger.com,1999:blog-18525340.post-35121176137037618602007-09-16T04:40:00.000-07:002007-09-16T17:40:50.754-07:00Dois importantes bancos de imagens fotográficas de São Paulo estão disponíveis a partir deste mês via internet<div align="justify"><br />Neste mês de setembro começam a ser disponibilizados na rede dois importantes bancos de imagens da cidade: os acervos fotográficos do Museu da Cidade e da Fundação Patrimônio Histórico, mais conhecida como antiga Light. </div><div align="justify">No Museu da Cidade, <a href="http://www.museudacidade.sp.gov.br/">http://www.museudacidade.sp.gov.br/</a>, dentre vários ambientes sobre serviços, casas históricos, atividades e acervos, localiza-se o banco de imagens que reúne grande parte da memória fotográfica urbana paulistana. As imagens do acervo de negativos da Divisão Iconográficos e Museus do Departamento de Patrimônio Histórico ainda estão sendo incluídas no banco de imagens virtual, mas já é possível se ter uma bela idéia de como fazer a busca e ver vários registros que até então só eram possíveis com a pesquisa no próprio acervo da Divisão. O <a href="http://www.museudacidade.sp.gov.br/imagem-imagens.php">banco de imagens do Museu da cidade</a> esta incluido no projeto Casa da Imagem e tem acesso pelo site do Museu da Cidade.<br />A Fundação Patrimônio Histórico da Energia e Saneamento também lança neste mês seu banco de imagens fotográficas on-line. São cerca de 2.300 imagens de um total de 250 mil que vão ser publicadas no site da Fundação, <a href="http://www.fphesp.org.br/">http://www.fphesp.org.br/</a>. </div><div align="justify">Conforme artigo publicado na <em>Folha de São Paulo</em> de 15/09/07, as imagens que estarão disponíveis on-line “mostram o início da urbanização paulistana vista, principalmente, pela abertura dos trilhos dos bondes”. Algumas imagens já são velhas conhecidas de pesquisadores e amantes da cidade. Principalmente aquelas que foram publicadas nos famosos álbuns da Light. Mas, entre as 2.300 imagens, muita coisa ainda pode ser revelada e vista sobre a cidade da Light.</div><div align="justify"></div><div align="justify">por Paula Janovitch</div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18525340-3512117613703761860?l=www.carbonoquatorze.com.br%2Fversaopaulo%2Findex.html'/></div>Janôhttp://www.blogger.com/profile/17125597501083113868paula@carbonoquatorze.com.br0tag:blogger.com,1999:blog-18525340.post-7150695631051281652007-09-15T02:22:00.000-07:002007-09-15T02:32:40.857-07:00Ocupação no ringue<div align="justify">Embaixo do viaduto do Café, na Bela Vista, até bem pouco tempo atrás havia uma verdadeira academia de ginástica que reunia instrumentos de ginástica, um ringue de boxe e até um espaço para biblioteca. Numa das vezes que passei por ali a pé fui convidada pelo treinador a entrar e visitar a academia. Achei interessante o lugar, uma sucata de sonhos de outras academias que naquele lugar criava nova vida. Imaginei aquilo à noite, iluminado, repleto de pessoas gritando e torcendo. Depois de muito tempo, soube que a “academia” debaixo do viaduto havia sido fechada e, nesta quarta-feira 12/09/07, lendo o artigo de Gilberto Dimenstein na Folha de São Paulo, “ Um arquiteto no ringue”, descobri o arquiteto-filósofo Igor Guatelli que adotou a tal “academia”. Ele é especialista na maneira como espaços vazios da cidade são ocupados e tomam novas significações. Como um exemplo ilustre, Gilberto Dimenstein cita a marquise do Ibirapuera de Oscar Niemeyer e os jovens patinadores que deslizam nela criando ali um ponto de referência.<br />Igor, não só ficou impressionado com a “academia” dos baixos do viaduto, mas resolveu ir à luta e brigar por sua permanência ali. O professor de projetos na faculdade de arquitetura do Mackenzie e seus alunos fizeram um novo projeto para a academia do treinador Nilson Garrido. Para os interessados em conhecer a proposta de academia dos baixos do viaduto do Café, acesse o site, <a href="http://www.dimenstein.com.br/">http://www.dimenstein.com.br/</a>. </div><div align="justify">por Paula Janovitch</div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18525340-715069563105128165?l=www.carbonoquatorze.com.br%2Fversaopaulo%2Findex.html'/></div>Janôhttp://www.blogger.com/profile/17125597501083113868paula@carbonoquatorze.com.br0tag:blogger.com,1999:blog-18525340.post-69849239160660434462007-09-14T20:51:00.000-07:002007-11-30T16:23:13.927-08:00Mar de histórias: as nebulosas de Cubatão em registros fotográficos de Bob Wolfenson<a href="http://www.carbonoquatorze.com.br/versaopaulo/uploaded_images/file-792750.jpg"><img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://www.carbonoquatorze.com.br/versaopaulo/uploaded_images/file-792747.jpg" border="0" /></a><br /><div align="justify">Bob Wolfenson resolveu fotografar aquilo que muita gente viu e sentiu na infância e apenas deixou adormecido em memórias dispersas. Pois é, eu particularmente fui uma das crianças que via eternamente as chaminés e a nebulosa paisagem de Cubatão na descida da Serra e tinha a prazerosa sensação de estar chegando ao Guarujá. A minha felicidade naquele lugar misturava-se com um certo horror ao mau cheiro e uma enorme placa que dava para estrada com o número de acidentes de trabalho do dia e quiçá do mês. Depois vinham os banhos de mar, as patas de siri, o barco de inflar cor de abóbora e aquela lembrança das nebulosas de Cubatão na travessia para o mar ficavam para trás, coisas do caminho do mar...<br /><br />Bob ao registrar em imagens o lugar que é (???) um ritual de passagem entre São Paulo e parte do litoral paulista, oferece a muitos viajantes um presente de rara beleza, com suas fotografias podemos parar e olhar aquelas memórias nebulosas e confusas que nos geraram tanto prazer e desconforto e ter sobre o emblemático lugar um sentimento coletivo de afeto. A exposição esta na Galeria Millan ( rua Fradique Coutinho, 1.360) de seg. à sex. das 11h às 19h.<br /><br />por Paula Janovitch </div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18525340-6984923916066043446?l=www.carbonoquatorze.com.br%2Fversaopaulo%2Findex.html'/></div>Janôhttp://www.blogger.com/profile/17125597501083113868paula@carbonoquatorze.com.br0tag:blogger.com,1999:blog-18525340.post-64263665929272624672007-09-14T20:13:00.000-07:002007-09-16T17:54:25.945-07:00O lugar da tragédia do avião da TAM já tem projeto de praça.<div align="justify">Um projeto da prefeitura lança proposta para o lugar demolido do galpão da TAM. Isto me lembrou o seminário da Casa da Dona Yayá que ocorreu ano passado, cujo debate versou sobre os lugares de memórias difíceis. O grupo que foi ao seminário saiu no outro dia para fazer um percurso em alguns lugares selecionados e considerados de memórias dolorosas ou difíceis em São Paulo. Eu adorei o passeio. Cheguei a escrever um texto sobre o evento que se encontra nos posts do <a href="http://www.carbonoquatorze.com.br/versaopaulo/2006/12/memrias-difceis-espaos-de-recluso-na.html">Versão Paulo</a>.<br />O projeto da praça elaborado pelo arquiteto Marcos Cartum para a tragéida da TAM, é delicado e bonito. Dois muros brancos quebrados e um acesso para uma praça com ipês amarelos.<br />A questão que não quer calar não é nem a idéia e nem o projeto, mas o lugar. Será que as pessoas que perderam seus entes e os habitantes do bairro desejam ter ali um monumento? As memórias difíceis, são também lugares difíceis e passíveis de inúmeros questionamentos. Diante deste pressuposto, será que o projeto de um monumento não veio antes das tantas perguntas serem feitas aos diretos e indiretamente envolvidos?<br />Não dá para esquecer que neste mês de setembro, exatamente em 11 de setembro um outro lugar de memória difícil esta sendo lembrado e questionada. Ao contrário de uma praça, a idéia de um monumento para o atentado em Nova Iorque tem as dimensões de um arranha- céu. Passaram-se seis anos daquela tragédia, e até hoje sua representação simbólica gera debates e mais debates. Por estas e outros ainda sou favorável à antiga tradição de velar os mortos, enterrá-los para depois pensar na maneira de representá-los.<br />Para quem quiser saber mais sobre o projeto , a matéria saiu na revista da Folha de 09/09/07.</div><div align="justify">por Paula Janovitch</div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18525340-6426366592927262467?l=www.carbonoquatorze.com.br%2Fversaopaulo%2Findex.html'/></div>Janôhttp://www.blogger.com/profile/17125597501083113868paula@carbonoquatorze.com.br0tag:blogger.com,1999:blog-18525340.post-1168768047067349022007-01-14T01:38:00.000-08:002007-01-14T09:57:39.650-08:00O calçamento de São Paulo: buracos e etc...<img style="WIDTH: 311px; HEIGHT: 69px" height="93" src="http://www.carbonoquatorze.com.br/versaopaulo/ver03a.jpg" width="411" /><br /><br />Buraco, <em>buracolância, buracópolis</em> e outros sinônimos imperavam nos jornais do 1900 para falar dos problemas em relação ao calçamento da cidade. É irônico pensar que em 2006, os jornais voltaram ao tema da pavimentação da cidade. Na <em>Folha de São Paulo </em>do mês de dezembro a Avenida Paulista, senhora na “melhor idade”, completou 115 anos repleta de calçadas esburacadas e camelôs espalhados em seu passeio.<br /><br /><img style="WIDTH: 307px; HEIGHT: 334px" height="355" src="http://www.carbonoquatorze.com.br/versaopaulo/ver03b.JPG" width="348" /><br /><br />A newsletter do <em>Viva o Centro</em>, chama atenção para um mal que anda atacando as sofridas calçadas da área central. O apelido do malfeitor que produz uma cicatriz no calçamento das ruas não deixa de ser engraçado, bicho geográfico. Com a sutileza que o bicho tratado aqui foi contraído de uma companhia telefônica a GVT/Oi que anda instalando fibras óticas.<br />Na rua Augusta, a bicharada também anda solta, mas lá ao contrário do centro, é a operação piso novo da própria prefeitura que arma umas arapucas para o pedestre distraído. Mal o novo calçamento, semelhante a bolacha maisena, é inaugurado, o piso começa a murchar e os buracos brotam do chão feito toca de tatu.<br /><br /><img style="WIDTH: 256px; HEIGHT: 286px" height="457" src="http://www.carbonoquatorze.com.br/versaopaulo/ver03c.JPG" width="334" /><br /><br />Olhando para trás no tempo, o calçamento tem uma história de inadaptações que vem de meados do século XIX, quando a intendência publica da cidade, ainda provinciana, começava a interferir na fluidez e limpeza dos logradouros públicos. No jornal humorístico <em>O Cabrião</em> (1865), temos um diálogo bem interessante entre dois tipos de calçamento, o “dr.Pedregulho” e o “Macadame”, e o total desacerto da administração pública quanto a escolha daquele que seria ideal para as ruas de São Paulo. Alguns queriam o macadame e chegavam a defender publicamente o material, outros iam de pedregulho, mas ambos, ao serem fixados, misturados às ruas de terra da cidade formavam entre si uma lambança geral. Tudo só piorou ao avançar do século XX com a entrada em cena da Companhia Light and Power que passou a executar mudanças nas ruas. O caso da Light era colocar trilhos principalmente nas ruas centrais e, para isso, foi necessário levantar calçadas e cavocar valas nas ruas para fixar os memoráveis caminhos dos bondes elétricos.<br />A própria Light registrou o caos da cidade em vários álbuns . Porém, no início do século XX, as imagens destes álbuns eram mais para demonstrar a participação da empresa no progresso da cidade do que documentar o início do caos de São Paulo.<br /><br /><img style="WIDTH: 290px; HEIGHT: 250px" height="272" src="http://www.carbonoquatorze.com.br/versaopaulo/ver03d.jpg" width="334" /><br /><br />A confusão aumentou mais ainda quando de fato chegaram os bondes elétricos e os automóveis. Os pneus fininhos dos veículos importados estouravam a torto e a direito nas ruas desalinhadas e repletas de buracos. As curvas também não eram próprias para os automóveis e nem os diversos calçamentos. O choffeur queria pegar velocidade, e ao começar a descer as ladeiras da cidade o que pegava era buraco e gente.<br /><br /><img style="WIDTH: 278px; HEIGHT: 343px" height="377" src="http://www.carbonoquatorze.com.br/versaopaulo/ver03e.jpg" width="375" /><br /><br />A pressa e a inabilidade dos motorneiros, também foram algumas das principais causas de acidentes com os bondes elétricos. Não era difícil ver à época um bonde sair dos trilhos e avançar em calçadas e casas.<br /><br /><img style="WIDTH: 270px; HEIGHT: 313px" height="363" src="http://www.carbonoquatorze.com.br/versaopaulo/ver03f.jpg" width="358" /><br /><br />É desta época que começam a surgir altos índices de atropelamentos e trombadas.<br /><br /><img style="WIDTH: 354px; HEIGHT: 210px" height="226" src="http://www.carbonoquatorze.com.br/versaopaulo/ver03h.jpg" width="402" /><br /><br />Aliás estas duas palavras apesar de terem seu uso mais freqüente com o surgimento dos veículos motorizados, tem sua origem, lendária ou não, no mundo animal. Atropelamento vem de tropel que tem sua origem no ritmo da pata dos cavalos. E trombada, como reza a lenda paulista, surgiu num dia ensolarado do 1900 e batatinha, quando um elefante fugiu do circo e na corrida desabalada acabou se chocando com um bonde. Foi do encontro do bonde com o elefante que a trombada se fez presente entre nós. Se a história não for verdade verdadeira, não deixa de ter uma raiz etimológica bem interessante para o nosso anedotário local.<br /><br />Enfim, é triste pensar que o “ buraco é mais embaixo” mas, como moral da história, melhor pensar onde é o buraco do que acabar em um como este que Patrícia Santos fotografou na rua Conselheiro Crispiniano, centro de São Paulo, publicado no <em>Estado de São Paulo</em> em 09 de dezembro de 2006.<br /><br /><img height="248" src="http://www.carbonoquatorze.com.br/versaopaulo/ver03i.jpg" width="370" /><br /><br /><strong><span style="color:#ff9966;">Para saber mais:<br /></span></strong><br />- Os álbuns da Light apesar de esgotados encontram-se nos alfarrábios e nas feiras de antiguidade da cidade, assim como são perfeitamente consultáveis nas bibliotecas públicas e na própria Fundação do Patrimônio Histórico da Energia de São Paulo. O que indico é o de título <em>Registros</em>, tem fotos bonitas e uma abordagem interessante das obras da Light na área central de São Paulo.<br /><br />- O bicho geográfico que ataca São Paulo saiu na newsletter do Vivia o Centro no dia 29/11/06 com o titulo “ bicho geográfico ataca o centro”.<br /><a href="http://www.vivaocentro.org.br/noticias/arquivo/291106_a_infonline.htm">http://www.vivaocentro.org.br/noticias/</a><br /><br />- Sobre a história do bonde em São Paulo vale a pena dar uma navegada pelo site do pesquisador Werner Vana. <a href="http://www.wvp.hpg.ig.com.br/">http://www.wvp.hpg.ig.com.br/</a><br /><br />- Ainda sobre os bondes, Giselle Beiguelman, historiadora e artista multimídia, fez um artigo sobre os ritmos da cidade com a introdução dos bondes que dá o que pensar. O título é “ Rondó do tempo presente” e foi publicado na Revista <em>Memória</em>, São Paulo, jul./dez., 1995. Esta revista não esta a venda, seus títulos mais antigos encontram-se esgotadíssimos. Com alguma sorte ainda você acha números avulsos destas revistas nas feiras de antiguidade ou em alfarrábios. Para consulta, a coleção encontra-se disponível na Fundação do Patrimônio Histórico da Energia de São Paulo e na biblioteca do Arquivo Municipal de São Paulo “ Washington Luís” .<br /><br />- Existe um livro que só trata da história das calçadas em São Paulo, <em>O mundo das calçadas</em>, ed.Humanitas/Imprensa Oficial, 2000. O autor é Eduardo Yázigi, geógrafo da USP. A obra é de fôlego, aborda o tema calçadas desde o 1560 até 1988. O mundo das calçadas esta disponível nas livrarias da cidade.<br /><br />- Para finalizar, indico um artigo muito legal do Chico Homem de Melo que saiu no portal virtual <em>Vitruvius</em> na seção “ Minha cidade” n.172, out/2006.<br />“ Crônica de um ícone paulista”, resgata a origem histórica de um calçamento padrão da cidade muitíssimo pisado pelos paulistanos, aquele inspirado nos limites geográficos do Estado de São Paulo. <a href="http://www.vitruvius.com.br/minhacidade/mc172/">http://www.vitruvius.com.br/minhacidade/mc172/</a>.<br /><br />Texto: Paula Janovitch<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18525340-116876804706734902?l=www.carbonoquatorze.com.br%2Fversaopaulo%2Findex.html'/></div>Janôhttp://www.blogger.com/profile/17125597501083113868paula@carbonoquatorze.com.br0tag:blogger.com,1999:blog-18525340.post-1165191814433596602006-12-03T14:54:00.000-08:002007-01-14T04:17:57.536-08:00Memórias difíceis: espaços de reclusão na cidade<div align="center"></div><div align="center"></div><div align="center"></div><div align="center"></div><div align="center"></div><div align="center"></div><div align="left"></div><div align="left"></div><div align="left"></div><div align="left"></div><div align="left"></div><div align="left">Este foi o título do workshop de iniciativa do Centro de Preservação Cultural da USP (CPC) e do Instituto Polis realizado na casa de Dona Yayá CPC/USP, à rua Major Diogo 353, no dia 01 de setembro de 2006. Com a participação de Gabi-Dolff Bonekämper, professora da Universidade Técnica de Berlim, Maria Lúcia Bressan Pinheiro( CPC/USP) e Ana Lanna (IEB/USP).<br /><br />A idéia do encontro foi discutir questões relativas a patrimônio histórico nas cidades que concentram memórias no espaço físico de difícil reconstrução e preservação, mais especificamente, memórias dolorosos.<br /><br />Gabi além de professora universitária, esta à frente da conservação de edifícios e monumentos históricos em Berlim e pôde lidar com experiências, memórias e lugares em que a guerra deixou suas marcas – como o Muro de Berlim e alguns monumentos da antiga Alemanha Oriental. A maior parte das questões discutidas no workshop partiram de um artigo da professora berlinense, distribuído antecipadamente aos participantes : “ Sites of Hurful Memory”(1).<br /><br />O artigo, centrado no tema controverso de refletir sobre a preservação de lugares envolvidas em memórias dolorosas e difíceis, em linhas gerais, propõe que prestemos mais atenção àquilo que elegemos como bem a ser preservado, privilegiando nestes mais o seu caráter social e cultural, do que apenas seu valor arquitetônico e paisagístico.<br /><br />Como definir estes objetos de memória cultural?<br /><br />Para Gabi, estes objetos de memória cultural se incluem nos critérios gerais de preservação arquitetônica, onde o objeto tem de estar de acordo com as memórias associadas ao artefato, edifício ou monumento a ser preservado: os objetos de memórias difíceis são lugares, construções onde se passou algo desagradável, negativo, com o qual o lugar surge como um testemunho do evento.<br /><br />O tema da dor como objeto a ser preservado, em si, já gera polêmica. E, neste sentido, a reflexão sobre estes objetos extremamente singulares sugere variações enormes das relações da memória com o lugar, especialmente ao pensarmos na história recente Europeia ou Latinoamericana, onde muitos lugares tomam um sentido de “ edifícios ambíguos”: há lugares como o bunker onde Hitler ficou escondido, se fosse preservado, seria apenas mais um monumento para ser idolatrado pelos neonazistas , e ainda há outros como o Estádio Nacional do Chile, que não foi construído para ser uma prisão, mas, num “curto período de tempo”, era usado para tal fim.<br /><br />Diante destes lugares “ polêmicos” de memórias difíceis, a autora também propõe que tenhamos a prática de sempre fazer três questões básicas e fundamentais:<br /><br />1.Por que deveríamos preservar estes bens se eles causam desconforto a pessoas que não querem mais lembrar de determinados acontecimentos ligados a eles? </div><div align="left"><br />2.Que tipo de informação eles proporcionam que não pode ser avaliável em outro tipo de registro como: livros, testemunhos, filmes e vídeos? </div><div align="left"><br />3.Por que e como estes lugares poderiam produzir uma herança material a ser conservada?<br /><br />Lugares de memórias difíceis, tais como os relacionados à Segunda Guerra Mundial, sugerem lembranças que muitas pessoas gostariam de esquecer, vitimas e algozes. Porém, é necessário fazermos um mapa topográfico e humano amplo destes a fim de decidirmos da forma mais contextualizada possível o seu futuro destino, sejam eles restaurados ou demolidos.<br /><br />Há lugares que não necessitam existir em seu registro físico, e livros, filmes e documentos, podem dar conta de suprir suas memórias. Mas há outros, que podem “ falar por si”, e conseguem chegar como lugares de memória às gerações mais novas, as quais não necessariamente passaram pelas agruras de outro tempo. No caso das novas gerações da Alemanha, o que pode significar preservar/revitalizar lugares referentes à Segunda Guerra Mundial, quartéis onde foram guardados documentos secretos da SS em Berlim, barracões vazios em campos de concentração espalhados pelo interior do país? Tudo depende da forma de abordar estes lugares. Não basta apenas que eles permaneçam existindo, algo tem que lhes dar sentido para que o registro histórico de seu passado possa disparar aquilo que Freud afirmava como saudável e libertador para seus pacientes acometidos por traumas: re-visitar os lugares de memórias dolorosos e talvez, diante deles, libertar-se de um passado que vive a imbricar-se no presente e nas expectativas de futuro. Para as novas gerações, talvez este passado difícil e nebuloso, não seja o duro trauma vivido pelas vitimas dos tempos da guerra, em seu lugar sobrepõe-se o silêncio, ausência de diálogos e fatos diante de um passado recente que não se vê e nem se visita, mas de alguma forma, permanece no presente como algo, ao mesmo tempo, fantasmagórico e impenetrável.<br /><br /><span style="color:#666666;"><strong>Mapeando a cidade de São Paulo: </strong></span></div><div align="left"><span style="color:#666666;"><strong><br /></strong></span><br /><img style="WIDTH: 346px; HEIGHT: 215px" height="244" src="http://www.carbonoquatorze.com.br/versaopaulo/4%20imagens%20carandiru.jpg" width="520" /></div><div align="left"><span style="font-family:times new roman;font-size:85%;color:#666666;">1- Estação Carandiru do metrô 2-" Ruinas" do extinto Presídio do Carandiru </span></div><div align="left"><span style="font-family:times new roman;font-size:85%;color:#666666;">3-Pavilhão do Carandiru que foi reformado 4- Passarela nova que integra -se ao extinto presídio.</span></div><br /><br /><div align="left">Em São Paulo, estes lugares de memórias difíceis ainda estão por ser mapeados. De antemão, o workshop em um pequeno tour pela cidade no dia 02 de setembro, apontou alguns ligados à história mais recente, como DEOPS onde presos políticos foram torturados, hoje um espaço de exposição (Estação Pinacoteca), o extinto Presídio do Carandiru, parte do Parque da Juventude e o Portal do Presídio Tiradentes. Ou mesmo o local onde ocorreu o workshop, a casa de Dona Yayá, que mantém em seu registro arquitetônico aspectos da construção antiga com adaptações e anexos ligados ao confinamento psiquiátrico da sua última moradora.<br /><br />Sobre a casa de Dona Yayá, a professora Ana Lanna contribui com a discussão falando um pouco de sua experiência pioneira de revitalização do imóvel da USP, o qual por muitos anos recebeu inúmeras propostas e projetos de revitalização que até o ano de 2003 não vingavam.<br /><br />Dona Yayá, a última proprietária da casa, foi uma mulher rica que num determinado momento da vida enlouqueceu. Para seu tratamento, os médicos resolveram montar uma estrutura de confinamento psiquiátrico dentro de sua casa.<br /><br />A execução do restauro finalizada em 2003, buscou oferecer ao visitante os vários registros de construção da casa antiga e parte da estrutura arquitetônica ligada ao confinamento psiquiátrico. Porém, o que chamou atenção no depoimento de Ana Lanna não foi o restauro em si, mas a forma como após a finalização das obras, a casa foi aberta ao público.<br /><br />Na região do Bixiga todo mundo conhecia o imóvel, como a casa da louca, um típico lugar do espanto. Diante de uma legenda tão assustadora que envolvia o lugar, o que poderia ser feito na sua nova ocupação, abordar o assunto da loucura logo de chofre e ir tentando desfazer a legenda, ou talvez silenciar um pouco quanto aos fantasmas e as questões psiquiátricas que envolviam o lugar, e ir colocando para a casa novos sentidos de existência? A opção da equipe que abriu os portões da casa, foi proporcionar atividades que não estivessem diretamente relacionadas com a loucura.<br /><br />Hoje a casa de Dona Yayá combina de forma instigante o seu passado com um presente bastante dinâmico. Aos domingos seu quintal é ocupado pelas crianças e por atividades ligadas aos moradores do bairro, durante a semana também se pode ver movimentos noturnos na casa que nada mais tem a ver com os legendários fantasmas dos outros tempos. Nos seus salões são oferecidos cursos, palestras e workshops ligados a preservação histórica. Até os moradores mais antigos já voltaram a visitar a casa e falar coisas de Dona Yayá que pouco se sabia até então, como as grandes festas e comemorações que foram realizadas ali.<br /><br />Os gritos de Dona Yayá de fato não cessaram, ainda ressoam nas memórias e na legenda, porém agora são excertos de um concerto para várias vozes. A casa que até então era do espanto, é mais para usar do que para assustar. E isto acredito eu, foi o suficiente para amansar os fantasmas e produzir para o lugar um típico final feliz.... </div><div align="left"></div><div align="left"></div><div align="left"></div><div align="left"></div><div align="left"></div><div align="left"></div><div align="left"><br /><img style="WIDTH: 328px; HEIGHT: 100px" height="161" src="http://www.carbonoquatorze.com.br/versaopaulo/4%20Vista%20do%20minhoc%E3o%20da%20av%20S%E3o%20Jo%E3o.JPG" width="472" /><br /><span style="font-family:times new roman;font-size:85%;color:#666666;">1.2 Elevado Costa e Silva, " Minhocão", visto por baixo, da Av. São João. 2006</span></div><div align="left"><span style="color:#666666;"></span></div><div align="left"><span style="color:#666666;"></span></div><div align="left"><span style="color:#666666;"></span></div><div align="left"><br /><br />Poderíamos incluir muitos outros lugares de memórias difíceis na cidade. Num vôo particular, colocaria na lista o Minhocão, o elevado mais controverso da cidade, inaugurado nos anos 70 pelo prefeito Paulo Salim Maluf. E ainda alguns lugares menos visíveis. Os relacionados a história da escravidão, como a igreja dos Enforcados e dos Aflitos no bairro da Liberdade, que em seu subterrâneo guarda as memórias do extinto cemitério dos Aflitos, vala comum de muitos negros escravos. </div><div align="left"><br /><img style="WIDTH: 339px; HEIGHT: 211px" height="216" src="http://www.carbonoquatorze.com.br/versaopaulo/8%20Igreja%20dos%20Enforcados.JPG" width="400" /><br /><span style="font-size:85%;color:#666666;">1. Igreja dos Enforcados 2.Igreja dos Aflitos 2006</span></div><div align="left"></div><div align="left"><br /><br />Porém, o que parece de fundamental importância neste rápido registro de experiências e reflexões sobre lugares de memória difícil, é de fato começarmos a olhar a paisagem urbana de São Paulo, seu espaço construído, em seu conteúdo humano e histórico. Melhor ainda, como possibilidade de memórias que cada lugar oferece e, de que maneira podemos facilitar para que estes registros venham à tona aos habitantes desta mesma cidade – de memórias difíceis sem dúvida - mas ainda assim, pensáveis e possíveis.<br /><br /><br /><span style="font-size:85%;">(1) O artigo "Sites of Hurful Memory” apresenta vários lugares de memórias difíceis, não apenas na Alemanha, mas também no Chile e na Argentina. O texto foi publicado em <em>Conservation,</em> The GCI Newsletter, volume 17, Number 2, 2002. Há também alguns livros que tem a colaboração de Gabi-Bonekämper como <em>Materiel Culture: the Archaeology of 20th Century Conflict</em> ( 2002) e <em>Patrimoine européen des frontières</em>( 2004)<br /></span><br />Texto e imagens: Paula Janovitch </div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18525340-116519181443359660?l=www.carbonoquatorze.com.br%2Fversaopaulo%2Findex.html'/></div>Janôhttp://www.blogger.com/profile/17125597501083113868paula@carbonoquatorze.com.br1tag:blogger.com,1999:blog-18525340.post-1145644676188973032006-04-21T11:37:00.000-07:002006-04-29T02:54:42.130-07:00O lixo e a cidade<a href="http://www.carbonoquatorze.com.br/blog/olixoeacidade1a.jpg"><img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.carbonoquatorze.com.br/blog/olixoeacidade1a.jpg" border="0" /></a><br /><p align="center"></p><div align="center"><br /></span></span><span style="font-size:85%;"><strong><span style="color:#ff9900;">Clique sobre a imagem para ampliá-la</span><br /></strong></div></span><p>Quanto pesa o lixo que cada um faz na sua casa? O lixo é uma<br />responsabilidade do Estado ou do cidadão? É legítimo ser cobrada uma sobretaxa do contribuinte para o recolhimento do lixo? </p><p>Todos esses questionamentos nos remetem a fatos que têm o calor da hora, porém foram feitos há mais ou menos um século atrás. Os destinos do lixo, ou melhor os debates sobre a limpeza da cidade, são temas quase centenários na história de São Paulo. A taxa do lixo que pegou os paulistanos de surpresa durante a gestão de Marta Suplicy chegando a dar a prefeita a alcunha de Martaxa, pertence a uma longa história de debates acalorados entre políticos, médicos sanitaristas, engenheiros que buscavam formas de organizar o espaço urbano através do pensamento higienista. </p><p>Fazendo uma leitura dos <em>Anais da Câmara Muncipal de São Paulo</em> entre os anos de 1906 e 1912 pode-se encontrar sem grandes dificuldades comentários e debates sobre a questão da limpeza da cidade. Dentre os assuntos abordados, um dos que criavam maior polêmica era a proposta do novo imposto sobre o lixo. Nestas acaloradas sessões da Câmara, é freqüente reconhecermos muitos vereadores que hoje emprestam seus nomes a ruas e avenidas de São Paulo: Sampaio Viana, Rocha Azevedo, Artur Guimarães , Goulart Pentado, Alcantara Machado, Raymundo Duprat , Bernado de Campos e Celso Garcia entravam em discussões ferrenhas sobre as vantagens e desvantagens de um imposto sanitário, assim como sobre, a legitimidade da Câmara Municipal em legislar sobre a criação deste novo tributo municipal. </p><p></p><p>Através destas discussões na Câmara também ficamos sabendo que foi na gestão do prefeito Antonio Prado, famoso por suas reformas na área central da cidade no início do século XX, que a idéia de taxar o lixo começou. Foi Antonio Prado que contratou uma empresa particular para fazer a limpeza da cidade com um acordo “quase vitalício”. À época o tal contrato provocou comentários maldosos por parte da imprensa. Porém se a questão da discórdia ficasse somente nos rumores de protecionismo, nos dias de hoje, talvez não provocasse grande surpresa ao cidadão. Acontece que a tal empresa, terceirizada pelo prefeito, não varria e nem recolhia o lixo de várias ruas da cidade.</p><p><a href="http://www.carbonoquatorze.com.br/blog/olixoeacidade2a.jpg"><img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.carbonoquatorze.com.br/blog/olixoeacidade2a.jpg" border="0" /></p></a><p></p><p><blockquote></blockquote><p align="center"></p><p align="center"></p><p><p align="center"><span style="font-size:85%;color:#ff9900;"><strong></strong></span><span style="font-size:85%;color:#ff9900;"><strong>Clique sobre imagem para ampliá-la</strong></span></p><p>O clima em São Paulo era de descontentamento geral. O povo reclamava de mais uma taxa nas suas costas e a total falta de vassoura nas ruas. Nas colunas de reclamações dos jornais, surgiam cartas dos leitores denunciando ruas e mais ruas em que o serviço de limpeza, feito pela tal empresa contratada pela prefeitura, não passava nunca: <em>a rua General Jardim jamais viu vassoura</em>, afirmavam seus moradores no <em>Diário Popular</em> de 05/06/1906.</p><p>Por outro lado, a cidade no início do século XX sofreu uma enorme explosão populacional que gerou uma quantidade de lixo descomunal se comparada com a pacata paulicéia de características rurais do final do 1800. Mesmo os hábitos arraigados da população de varrer a sujeira da casa para o quintal ou, mais longe ainda, lançar os detritos com uma boa vassourada da porta para fora de casa, bem no meio da rua, no século XIX não representaram grandes riscos à saúde pública e nem a conservação e asseio da cidade. O lixo até então era composto em sua maior parte de resíduos naturais. Quando o lixo começou a concentrar um número variado de produtos industrializados que sofriam o desgaste do tempo e eram descartados pela população em grandes quantidades, aí então que este pesou na cidade, pois, contrariando a célebre frase de Lavoisier - " na natureza nada se cria, tudo se transforma"- não era mais possível deixar os resíduos em qualquer lugar da rua, ou abandoná-los ao sabor das transformações naturais no quintal de casa porque ele não desapareceria sozinho.</p><p>Engenheiros e médicos sanitaristas divulgavam os perigos de contaminação dos detritos no meio urbano de alta densidade demográfica e mostravam soluções de grandes cidades onde propostas de incineração, reciclagem e recipientes apropriados para se alojar e retirar o lixo das ruas já eram incorporadas ao dia-a-dia do cidadão. Um caso exemplar de acondicionamento próprio para o lixo são as históricas latas de lixo, <em>poubelles</em> em francês, apelido malicioso dado pelos catadores de ossos e trapos ao prefeito Eugène Poubelle (1884) por temerem que este, além de proibir a antiga prática de jogar o lixo na rua, também colocasse em risco o seu comércio de trapos e ossos. </p><p>Como se pode notar, o problema dos resíduos não era um assunto restrito à cidade de São Paulo. O lixo e a limpeza pública faziam parte de um problema vivido em todos os grandes centros urbanos que tiveram crescimento estrondoso a partir de meados do século XIX. O que parecia extremamente local foi a maneira como a questão do lixo era encaminhada em São Paulo. A terceirização do serviço de limpeza, já em sua estréia, se mostrava totalmente irregular, porém as declarações da prefeitura justificavam a ausência de vassouras e coleta do lixo das ruas, devido a falta de orçamento necessário para assumir no departamento de limpeza pública mais estas atribuições. A taxa sobre o lixo seria uma solução para a falta de caixa da prefeitura e uma forma de responsabilizar a população pela produção dos seus resíduos, considerados até então como tudo que não prestava, e que deveria ficar para fora da casa.</p><p>Para os habitantes de São Paulo, já desconfiados das falhas do serviço de limpeza, o problema da coleta do lixo, assim como a manutenção das ruas, surgia como mais um descaso e falta de organização da prefeitura que apenas desejava angariar mais capital para os cofres públicos. </p><p>O jogo do empurra estava armado, a história do lixo em São Paulo passou a ficar entre a casa e a rua, no impasse do " a quem pertence" e, talvez, a taxa do lixo ressuscitada no século XXI, seja apenas o pivô de um problema muito mais profundo que vai se acumulando no espaço urbano . </p><p></p><p><span style="color:#999999;"><span style="font-size:85%;"><strong>Sobre o lixo, algumas dicas de leituras interessantes:</strong></span></p></span><p><span style="color:#999999;"><span style="font-size:85%;"><strong>-Nos Rastros dos Restos </strong>(EDUC, sp, 2001) de Rosana Miziara. A origem deste livro é o mestrado em história da Rosana. Como o título do livro já deixa claro, trata-se de uma investigação histórica dos restos na cidade de São Paulo a partir do final do século XIX até a atualidade. </span></span></p><p><span style="color:#999999;"><span style="font-size:85%;"><br /><strong>-Cotidiano e Sobrevivência </strong>(EDUSP, sp, 1994) de Maria Inez Machado Borges Pinto, é uma outra pesquisa acadêmica na área de história, onde se busca tratar da economia informal da cidade de São Paulo do final do século XIX ao inicio do século XX. Dentre os assuntos e personagens da cidade, surgem os trapeiros, coletores informais de resíduos, que sobrevivem deste comércio até os dias de hoje nas ruas da cidade. </span></span></p><p><span style="color:#999999;"><span style="font-size:85%;"><br /><strong>-O limpo e o sujo </strong>( Martins Fontes, sp, 1996) de Georges Vigarello é uma viagem pela história ocidental da limpeza e da sujeira. Desde o sentido de purificação pela água, da higiene e das várias conotações do que se tornou o termo oposto à limpeza - a sujeira. Vale a pena tomar este banho histórico. Posso adiantar de antemão que após a leitura, saímos mais sujos do que limpos, pois Vigarello nos redimensiona os vários aspectos da limpeza e da sujeira e como a dicotômia entre os termos foi extremamente útil ao controle social nas grandes cidades. </span></span></p><span style="color:#999999;"><span style="font-size:85%;"><p><br /><strong><span style="color:#999999;">-Anais da Câmara Municipal de São Paulo</span><span style="color:#999999;"> </span></strong><span style="color:#999999;">das primeiras décadas do século XX, são sempre leituras extremamente instigantes. Quem gosta muito deste material como " fonte" são os historiadores. Mas desde já afirmo que é acessível e agradável para qualquer grande curioso dos assuntos da cidade. Vale a pena pegar para ler uma sessão da Câmara entre 1907 – 1912 para sabermos afinal o que se pensava anos atrás sobre os destinos de São Paulo. As sessões da Câmara, ao contrário das outras referências bibliográficas não podem ser adquiridas nas livrarias, quem quiser mesmo ler terá que ir à biblioteca da Câmara Municipal de São Paulo ou à biblioteca do Arquivo Municipal da cidade. </span></p><p><span style="color:#ff6600;"><a href="http://www.carbonoquatorze.com.br/blog/textolixo1.htm">1.Leia um trecho do debate na Câmara Municipal sobre a taxa sanitária em 1909</a></span>.</p><p><span style="color:#ff6600;"><a href="http://www.carbonoquatorze.com.br/blog/Taxa1911.pdf">2. Download arquivo (pdf) : regularização da taxa do lixo em 1911</a></span>.</p><p><strong><span style="color:#999999;">Texto e pesquisa: Paula Janovitch</span></strong></span></p></span><p></p><blockquote></blockquote><p></p><br /><span style="color:#999999;"></span><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18525340-114564467618897303?l=www.carbonoquatorze.com.br%2Fversaopaulo%2Findex.html'/></div>Janôhttp://www.blogger.com/profile/17125597501083113868paula@carbonoquatorze.com.br4