tag:blogger.com,1999:blog-18386888698295001702008-07-16T11:12:48.224-03:00Cantinho BomLilianhttp://www.blogger.com/profile/08198174817187623287noreply@blogger.comBlogger128125tag:blogger.com,1999:blog-1838688869829500170.post-52280895927541649892008-07-15T17:29:00.002-03:002008-07-15T17:36:00.351-03:00...<a href="http://bp2.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SH0KExZwxDI/AAAAAAAAA9g/XAnksa-guLc/s1600-h/2143249778_f237e39916_m.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5223342219916788786" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SH0KExZwxDI/AAAAAAAAA9g/XAnksa-guLc/s200/2143249778_f237e39916_m.jpg" border="0" /></a><br /><div>Tuas formas e teu olhar faminto me causam os mais espúrios e complexos desejos da carne, por certo insólitos... nem sempre convencionais...Teus seios são flechas perversas inescrupulosamente ávidas para o embate de forma firme e contundente com métodos sórdidos e fatais...Ludibrias teu alvo com tua bela flor, que desabrocha subserviente e captura tua presa inebriada com um ambiente quente e úmido, terno e acolhedor...Resta à mim a arte de decifrar o indecifrável, a argúcia de satisfazer o insaciável e a máxima de Hay que endurecer, pero sin perder la ternura...</div><div> </div><div><em>*Leonardo Sarmento*</em></div>Lilianhttp://www.blogger.com/profile/08198174817187623287noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-1838688869829500170.post-54523669523821055162008-07-08T08:01:00.001-03:002008-07-08T08:09:52.620-03:00CupidoEu vi quando você me viu<br />Seus olhos pousaram nos meus<br />Num arrepio sutil<br />Eu vi... pois é, eu reparei<br />Você me tirou pra dançar<br />Sem nunca sair do lugar<br />Sem botar os pés no chão<br />Sem música pra acompanhar<br /><br />Foi só por um segundo<br />Todo o tempo do mundo<br />E o mundo todo se perdeu<br /><br />Eu vi quando você me viu<br />Seus olhos buscaram nos meus<br />O mesmo pecado febril<br />Eu vi... pois é, eu reparei<br />Você me tirou todo o ar<br />Pra que eu pudesse respirar<br />Eu sei que ninguém percebeu<br />Foi só você e eu<br /><br />Foi só por um segundo<br />Todo o tempo do mundo<br />E o mundo todo se perdeu<br />Ficou só você e eu<br /><br /><br />*Claudio Lins*<br /><br /><br />P.S: A gente começou assim lembra? Te amo pra sempre!Lilianhttp://www.blogger.com/profile/08198174817187623287noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-1838688869829500170.post-37478267411973775982008-07-03T17:57:00.002-03:002008-07-03T18:01:55.184-03:00Invernáculo<a href="http://bp3.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SG0-JjZWREI/AAAAAAAAA9Y/Q5vApze3ZIs/s1600-h/789951153_e07ac18aa4_m.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5218895877033575490" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SG0-JjZWREI/AAAAAAAAA9Y/Q5vApze3ZIs/s200/789951153_e07ac18aa4_m.jpg" border="0" /></a><br /><div>Esta língua não é minha,qualquer um percebe. </div><div>Quem sabe maldigo mentiras,vai ver que só minto verdades. </div><div>Assim me falo, eu, mínima,quem sabe, eu sinto, mal sabe. </div><div>Esta não é minha língua.</div><div>A língua que eu falo trava</div><div>uma canção longínqua,</div><div>a voz, além, nem palavra. </div><div>O dialeto que se usa</div><div>à margem esquerda da frase,</div><div>eis a fala que me lusa,</div><div>eu, meio, eu dentro, eu, quase.</div><br /><div></div><div><em>*Paulo Leminski*</em></div>Lilianhttp://www.blogger.com/profile/08198174817187623287noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-1838688869829500170.post-43897976686634315472008-06-30T19:40:00.001-03:002008-06-30T19:43:48.132-03:00Fragmentos<a href="http://bp3.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SGlhfWbfXZI/AAAAAAAAA9Q/5hkK4Ijub3A/s1600-h/1184348477thomas-kastner-o-beijo.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5217808834510151058" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SGlhfWbfXZI/AAAAAAAAA9Q/5hkK4Ijub3A/s200/1184348477thomas-kastner-o-beijo.jpg" border="0" /></a><br /><div>Muros castos e tristes</div><div>Cativos de si mesmos</div><div>Como criaturas que envelhecem</div><div>Sem conhecer a boca</div><div>De homens e mulheres.</div><div>Muros Escuros, tímidos:</div><div>Escorpiões de seda</div><div>No acanhado da pedra.</div><div>Há alturas soberbas</div><div>Danosas, se tocadas.</div><div>Como a tua própria boca, amor,</div><div>Quando me toca...</div><br /><div></div><div>Hilda Hilst</div>Lilianhttp://www.blogger.com/profile/08198174817187623287noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-1838688869829500170.post-69062875526026602812008-06-23T18:01:00.002-03:002008-06-23T18:06:14.120-03:00A cor do Invisível<a href="http://bp3.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SGAQLmrntOI/AAAAAAAAA9I/iVe4tkHGlBo/s1600-h/Barcos+de+Papel+edit[1].JPG"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5215186160043144418" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SGAQLmrntOI/AAAAAAAAA9I/iVe4tkHGlBo/s200/Barcos+de+Papel+edit%5B1%5D.JPG" border="0" /></a><br /><div>Eu escrevi um poema triste</div><div>E belo, apenas da sua tristeza.</div><div>Não vem de ti essa tristeza</div><div>Mas das mudanças do Tempo,</div><div>Que ora nos traz esperanças</div><div>Ora nos dá incerteza...</div><div>Nem importa, ao velho Tempo,</div><div>Que sejas fiel ou infiel...</div><div>Eu fico, junto à correnteza,</div><div>Olhando as horas tão breves...</div><div>E das cartas que me escreves</div><div>Faço barcos de papel!</div><br /><div></div><br /><div><em>*Mário Quintana*</em></div><br /><div></div>Lilianhttp://www.blogger.com/profile/08198174817187623287noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-1838688869829500170.post-33106401166555800792008-06-16T09:03:00.002-03:002008-06-16T09:09:35.766-03:00Razão de ser<a href="http://bp3.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SFZX6OHzHNI/AAAAAAAAA84/tSmBDl0Lybs/s1600-h/1163387283_1d5ba8e156_m.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5212450276462763218" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SFZX6OHzHNI/AAAAAAAAA84/tSmBDl0Lybs/s200/1163387283_1d5ba8e156_m.jpg" border="0" /></a><br /><div>Escrevo. E pronto.</div><div>Escrevo porque preciso,</div><div>preciso porque estou tonto.</div><div>Ninguém tem nada com isso.<br />Escrevo porque amanhece,</div><div>E as estrelas lá no céu</div><div>Lembram letras no papel,</div><div>Quando o poema me anoitece.<br />A aranha tece teias.</div><div>O peixe beija e morde o que vê.</div><div>Eu escrevo apenas.</div><div>Tem que ter por quê?</div><br /><div></div><br /><div><em>*Paulo Leminski*</em></div>Lilianhttp://www.blogger.com/profile/08198174817187623287noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-1838688869829500170.post-38264347285119442252008-06-12T08:09:00.001-03:002008-06-12T08:16:30.649-03:00Fico com medo<a href="http://bp1.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SFEFg27z4GI/AAAAAAAAA8w/x0fyAPKbY2A/s1600-h/390009721_5631b28350_m.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5210952305904705634" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SFEFg27z4GI/AAAAAAAAA8w/x0fyAPKbY2A/s200/390009721_5631b28350_m.jpg" border="0" /></a><br /><div>Fico com medo. Mas o coração bate.</div><div>O amor inexplicável faz o coração</div><div>bater mais depressa. A garantia única é que eu nasci.</div><div>Tu és uma forma de ser eu, e eu uma forma de te ser:</div><div>Eis os limites de minha possibilidade.</div><br /><div></div><br /><div><em>*Clarice Lispector*</em></div>Lilianhttp://www.blogger.com/profile/08198174817187623287noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-1838688869829500170.post-12358331428803627432008-06-11T07:57:00.002-03:002008-06-11T08:00:39.300-03:00Exausto<a href="http://bp2.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SE-wGMYBXmI/AAAAAAAAA8o/O5UuDoXbxDM/s1600-h/rose2.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5210576914338635362" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SE-wGMYBXmI/AAAAAAAAA8o/O5UuDoXbxDM/s200/rose2.jpg" border="0" /></a><br /><div>Eu quero uma licença de dormir,</div><div>perdão pra descansar horas a fio,</div><div>sem ao menos sonhar</div><div>a leve palha de um pequeno sonho.</div><div>Quero o que antes da vida</div><div>foi o sono profundo das espécies,</div><div>a graça de um estado.</div><div>Semente.</div><div>Muito mais que raízes.</div><br /><div></div><br /><div><em>*Adélia Prado*</em></div>Lilianhttp://www.blogger.com/profile/08198174817187623287noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-1838688869829500170.post-2500800777063546182008-06-09T07:54:00.002-03:002008-06-09T08:03:58.206-03:00...<a href="http://bp0.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SE0N7x6aS0I/AAAAAAAAA8U/TibrJU-Bo4A/s1600-h/584739376_fdc53c3d06_m.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5209835664599305026" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SE0N7x6aS0I/AAAAAAAAA8U/TibrJU-Bo4A/s200/584739376_fdc53c3d06_m.jpg" border="0" /></a><br /><div>Quero dizer que te amo só de amor. </div><div>Sem idéias, palavras, pensamentos. </div><div>Quero fazer que te amo só de amor. </div><div>Com sentimentos, sentidos, emoções. </div><div>Quero curtir que te amo só de amor. </div><div>Olho no olho, cara a cara, corpo a corpo. </div><div>Quero querer que te amo só de amor.</div><div>...Eu te sinto na pele, e no coração...</div><div>...Porque eu te amo, tu não precisas de mim. </div><div>Porque tu me amas, eu não preciso de ti. </div><div>No amor, jamais nos deixamos de completar. </div><div>Somos, um para o outro, deliciosamente desnecessários.</div><div>O amor é tanto, não quanto. </div><div>Amar é enquanto, portanto. Ponto.</div><div></div><br /><div></div><br /><div>*Roberto Freire*</div><br /><div></div><br /><div></div><br /><div>p.s.: pra vc meu amor...</div>Lilianhttp://www.blogger.com/profile/08198174817187623287noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-1838688869829500170.post-36104299246546063212008-06-06T08:12:00.002-03:002008-06-06T08:20:12.373-03:00O Auto-Retrato!<a href="http://bp2.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SEkdWXnWwpI/AAAAAAAAA8M/dBsBr-Fgm58/s1600-h/rm616.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5208726714164101778" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SEkdWXnWwpI/AAAAAAAAA8M/dBsBr-Fgm58/s200/rm616.jpg" border="0" /></a><br /><div>No retrato que me faço</div><div>- traço a traço -</div><div>às vezes me pinto nuvem,</div><div>às vezes me pinto árvore...</div><br /><div></div><div>às vezes me pinto coisas</div><div>de que nem há mais lembrança...</div><div>ou coisas que não existem</div><div>mas que um dia existirão...</div><br /><div></div><div>e, desta lida, em que busco</div><div>- pouco a pouco -</div><div>minha eterna semelhança,</div><div>no final, que restará?</div><br /><div></div><div>Um desenho de criança...</div><div>Terminado por um louco!</div><br /><div></div><br /><div></div><br /><div><em>*Martha Medeiros*</em></div>Lilianhttp://www.blogger.com/profile/08198174817187623287noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-1838688869829500170.post-69764855820360176722008-06-04T07:56:00.004-03:002008-06-04T08:10:10.828-03:00...<a href="http://bp0.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SEZ32qCGjnI/AAAAAAAAA8E/NgtHBnjwv0Q/s1600-h/2387139000_baa9a47ec5_m.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5207981799980306034" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SEZ32qCGjnI/AAAAAAAAA8E/NgtHBnjwv0Q/s200/2387139000_baa9a47ec5_m.jpg" border="0" /></a><br /><div><a href="http://bp0.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SEZ3aJLU1lI/AAAAAAAAA78/WA8Yt0VYdDU/s1600-h/2446580974_0f71f3ba87_m.jpg"></a><div><a href="http://bp3.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SEZ2CJunM7I/AAAAAAAAA70/zwsHJZtI07c/s1600-h/lotus.gif"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5207979798443799474" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SEZ2CJunM7I/AAAAAAAAA70/zwsHJZtI07c/s200/lotus.gif" border="0" /></a> “No momento em que nos comprometemos, a providência divina também se põe em movimento. Todo um fluir de acontecimentos surge ao nosso favor. Como resultados da atitude, seguem todas as formas imprevistas de coincidências, encontros e ajudas, que nenhum ser humano jamais poderia ter sonhado encontrar. Qualquer coisa que você possa fazer ou sonhar, você pode começar. A coragem contém em si mesma, o poder, o gênio e a magia”.<br /><br /><br /><div></div><br /><div><em>*Goethe*</em></div></div></div>Lilianhttp://www.blogger.com/profile/08198174817187623287noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-1838688869829500170.post-37316143926048881462008-06-03T08:42:00.002-03:002008-06-03T08:45:02.715-03:00Morro do que há no mundo<a href="http://bp1.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SEUuoDNir7I/AAAAAAAAA7s/7Hqto03SI7s/s1600-h/2532704632_b70f293337.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5207619809715597234" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SEUuoDNir7I/AAAAAAAAA7s/7Hqto03SI7s/s200/2532704632_b70f293337.jpg" border="0" /></a><br /><div>Morro do que há no mundo:</div><div>do que vi, do que ouvi.</div><div>Morro do que vivi.</div><div>Morro comigo, apenas:</div><div>com lembranças amadas,</div><div>porém desesperadas.</div><div>Morro cheia de assombro</div><div>por não sentir em mim</div><div>nem princípio nem fim.</div><div>Morro: e a circunferência</div><div>fica, em redor, fechada.</div><div>Dentro sou tudo e nada.</div><br /><div></div><br /><div>*Cecília Meireles*</div>Lilianhttp://www.blogger.com/profile/08198174817187623287noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-1838688869829500170.post-9031135583226270632008-05-29T07:47:00.003-03:002008-05-30T08:16:28.134-03:00Não sei quantas almas tenho<a href="http://bp0.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SD_hsrMhjtI/AAAAAAAAA7k/jZs5tP2O_JU/s1600-h/061127_magritte-espelho-falso.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5206127851889331922" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SD_hsrMhjtI/AAAAAAAAA7k/jZs5tP2O_JU/s200/061127_magritte-espelho-falso.jpg" border="0" /></a><br /><div>Não sei quantas almas tenho.</div><div>Cada momento mudei.</div><div>Continuamente me estranho.</div><div>Nunca me vi nem acabei.</div><div></div><div> </div><div>De tanto ser, só tenho alma.</div><div>Quem tem alma não tem calma.</div><div>Quem vê é só o que vê,</div><div>Quem sente não é quem é,</div><br /><div>Atento ao que sou e vejo,</div><div>Torno-me eles e não eu.</div><div>Cada meu sonho ou desejo</div><div>É do que nasce e não meu.</div><br /><div>Sou minha própria paisagem;</div><div>Assisto à minha passagem,</div><div>Diverso, móbil e só,</div><div>Não sei sentir-me onde estou.</div><br /><div>Por isso, alheio, vou lendo</div><div>Como páginas, meu ser.</div><div>O que segue não prevendo,</div><div>O que passou a esquecer.</div><br /><div>Noto à margem do que li</div><div>O que julguei que senti.</div><div>Releio e digo : "Fui eu ?"</div><div>Deus sabe, porque o escreveu. </div><br /><br /><div></div><div><em>*Fernando Pessoa*</em></div>Lilianhttp://www.blogger.com/profile/08198174817187623287noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-1838688869829500170.post-14845897767011175202008-05-28T12:46:00.003-03:002008-05-29T07:48:12.389-03:00...<a href="http://bp3.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SD1_qveanKI/AAAAAAAAA7Q/AvhI07U2RS0/s1600-h/caminhos-de-ng.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5205457116585434274" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SD1_qveanKI/AAAAAAAAA7Q/AvhI07U2RS0/s200/caminhos-de-ng.jpg" border="0" /></a><br /><div>Era um caminho que de tão velho, minha filha, já nem mais sabia aonde ia... Era um caminho velhinho, perdido... Não havia traços de passos no dia em que por acaso o descobri: pedras e urzes iam cobrindo tudo. O caminho agonizava, morria sozinho... Eu vi... Porque são os passos que fazem os caminhos!</div><br /><br /><div><em></em></div><div><em>*Mário Quintana*</em></div>Lilianhttp://www.blogger.com/profile/08198174817187623287noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-1838688869829500170.post-80971507483942515762008-05-26T08:20:00.002-03:002008-05-26T08:28:55.321-03:00...<a href="http://bp0.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SDqe4veanJI/AAAAAAAAA7I/Bh4rzr6OvSw/s1600-h/flores28.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5204647017033931922" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SDqe4veanJI/AAAAAAAAA7I/Bh4rzr6OvSw/s200/flores28.jpg" border="0" /></a><br /><div>parem</div><div>eu confesso</div><div>sou poeta </div><br /><div></div><div>cada manhã que nasce</div><div>me nasce</div><div>uma rosa na face</div><br /><div></div><div>parem </div><div>eu confesso</div><div>sou poeta </div><br /><div></div><div>só meu amor </div><div>é meu deus </div><div>eu sou o seu profeta </div><div></div><br /><div>*Paulo Leminsk*</div>Lilianhttp://www.blogger.com/profile/08198174817187623287noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-1838688869829500170.post-24536682916497896342008-05-19T08:10:00.003-03:002008-05-19T08:14:43.448-03:00O enterrado vivo<a href="http://bp1.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SDFg0nj48VI/AAAAAAAAA64/Glt2J-DAth0/s1600-h/ausencia.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5202045501678612818" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SDFg0nj48VI/AAAAAAAAA64/Glt2J-DAth0/s200/ausencia.jpg" border="0" /></a><br /><div>É sempre no passado aquele orgasmo,</div><div>é sempre no presente aquele duplo,</div><div>é sempre no futuro aquele pânico.</div><div><br />É sempre no meu peito aquela garra.</div><div>É sempre no meu tédio aquele aceno.</div><div>É sempre no meu sono aquela guerra.</div><div><br />É sempre no meu trato o amplo distrato.</div><div>Sempre na minha firma a antiga fúria.</div><div>Sempre no mesmo engano outro retrato.</div><div><br />É sempre nos meus pulos o limite.</div><div>É sempre nos meus lábios a estampilha.</div><div>É sempre no meu não aquele trauma.</div><div><br />Sempre no meu amor a noite rompe.</div><div>Sempre dentro de mim meu inimigo.</div><div>É sempre no meu sempre a mesma ausência.</div><div> </div><div> </div><div></div><div><em>*Carlos Drummond de Andrade*</em></div>Lilianhttp://www.blogger.com/profile/08198174817187623287noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-1838688869829500170.post-18262972844813943842008-05-15T08:25:00.003-03:002008-05-15T08:29:26.273-03:00Metade<a href="http://bp0.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SCweVnj48UI/AAAAAAAAA6w/CtZ23ryU2Yk/s1600-h/normal_52710_photo.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5200565026451681602" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SCweVnj48UI/AAAAAAAAA6w/CtZ23ryU2Yk/s200/normal_52710_photo.jpg" border="0" /></a><br /><div>Que a força do medo que tenho</div><div>Não me impeça de ver o que anseio.</div><div>Que a morte de tudo em que acredito</div><div>Não me tape os ouvidos e a boca</div><div>Porque metade de mim é o que eu grito</div><div>Mas a outra metade é silêncio.</div><div></div><br /><div>Que a música que ouço ao longe</div><div>Seja linda ainda que triste</div><div>Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada</div><div>Mesmo que distante</div><div>Porque metade de mim é partida</div><div>Mas a outra metade é saudade.</div><div></div><br /><div>Que as palavras que falo</div><div>Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor</div><div>Apenas respeitadas</div><div>Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos</div><div>Porque metade de mim é o que ouço</div><div>Mas a outra metade é o que calo.</div><div></div><br /><div>Que essa minha vontade de ir embora</div><div>Se transforme na calma e na paz que eu mereço</div><div>E que essa tensão que me corrói por dentro</div><div>Seja um dia recompensada</div><div>Porque metade de mim é o que penso</div><div>Mas a outra metade é um vulcão.</div><div></div><br /><div>Que o medo da solidão se afaste</div><div>E que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável</div><div>Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso</div><div>Que eu me lembro ter dado na infância</div><div>Por que metade de mim é a lembrança do que fui</div><div>A outra metade eu não sei.</div><div></div><br /><div>Que não seja preciso mais que uma simples alegria</div><div>Pra me fazer aquietar o espírito</div><div>E que o teu silêncio me fale cada vez mais</div><div>Porque metade de mim é abrigo</div><div>Mas a outra metade é cansaço.</div><div></div><br /><div>Que a arte nos aponte uma resposta</div><div>Mesmo que ela não saiba</div><div>E que ninguém a tente complicar</div><div>Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer</div><div>Porque metade de mim é a platéia</div><div>A outra metade é a canção.</div><div></div><br /><div>E que a minha loucura seja perdoada</div><div>Porque metade de mim é amor</div><div>E a outra metade também.</div><br /><div></div><div>*Oswaldo Montenegro*</div>Lilianhttp://www.blogger.com/profile/08198174817187623287noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-1838688869829500170.post-89924588385121405542008-05-14T08:08:00.002-03:002008-05-14T08:12:57.227-03:00O Porre<a href="http://bp3.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SCrJJ3j48TI/AAAAAAAAA6o/r8CyMar9oUs/s1600-h/untitled.JPG"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5200189891123147058" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SCrJJ3j48TI/AAAAAAAAA6o/r8CyMar9oUs/s200/untitled.JPG" border="0" /></a><br /><div>É um porre a hora do porre, </div><div>mas tem coisa que só um porre pode, </div><div>porque a vida é um porre. </div><div>O porre é uma osmose. </div><div>Tudo o que é bom dá porre. </div><div>O amor não é um porre, é uma porrada. </div><div>O sexo é um porre que escorre. </div><div>As pessoas que podem são porres, </div><div>e as que não podem também porrem. </div><div>O beijo é um porre que cospe. </div><div>Sempre o porre que nos acode. </div><div>Não me socorre, diz o samba, que eu tô de porre. </div><div>Porre que é porre não dá bode. </div><div>Que porre, porra! </div><div></div><br /><div><em>*FFF*</em></div>Lilianhttp://www.blogger.com/profile/08198174817187623287noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-1838688869829500170.post-7537694847028228042008-05-12T07:54:00.003-03:002008-05-12T08:02:48.740-03:00Parolagem da vida<a href="http://bp2.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SCgjpHj48SI/AAAAAAAAA6g/Q39KzNslfPU/s1600-h/sozinho.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5199444959110426914" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SCgjpHj48SI/AAAAAAAAA6g/Q39KzNslfPU/s200/sozinho.jpg" border="0" /></a><br /><br />Como a vida muda.<br />Como a vida é muda.<br />Como a vida é nula.<br />Como a vida é nada.<br />Como a vida é tudo.<br />Tudo que se perde<br />mesmo sem ter ganho.<br />Como a vida é senha<br />de outra vida nova<br />que envelhece antes<br />de romper o novo.<br />Como a vida é outra<br />sempre outra, outra<br />não a que é vivida.<br />Como a vida é vida<br />ainda quando morte<br />esculpida em vida.<br />Como a vida é forte<br />em suas algemas.<br />Como dói a vida<br />quando tira a veste<br />de prata celeste.<br />Como a vida é isto<br />misturado àquilo.<br />Como a vida é bela<br />sendo uma pantera<br />de garra quebrada.<br />Como a vida é louca<br />estúpida, mouca<br />e no entanto chama<br />a torrar-se em chama.<br />Como a vida chora<br />de saber que é vida<br />e nunca nunca nunca<br />leva a sério o homem,<br />esse lobisomem.<br />Como a vida ria cada manhã<br />de seu próprio absurdo<br />e a cada momento<br />dá de novo a todos<br />uma prenda estranha.<br />Como a vida joga<br />de paz e de guerra<br />povoando a terra<br />de leis e fantasmas.<br />Como a vida toca<br />seu gasto realejo<br />fazendo da valsa<br />um puro Vivaldi.<br />Como a vida vale<br />mais que a própria vida<br />sempre renascida<br />em flor e formiga<br />em seixo rolado<br />peito desolado<br />coração amante.<br />E como se salva<br />a uma só palavra<br />escrita no sangue<br />desde o nascimento:<br />amor, vidamor!<br /><br /><p><em>*Carlos Drummond de Andrade*</em></p>Lilianhttp://www.blogger.com/profile/08198174817187623287noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-1838688869829500170.post-6491320902186880372008-05-08T08:02:00.005-03:002008-05-08T09:05:07.972-03:00Escolha<a href="http://bp3.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SCLjALpHZqI/AAAAAAAAA6Y/XRqlfyNZ8Es/s1600-h/love.JPG"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5197966512203720354" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SCLjALpHZqI/AAAAAAAAA6Y/XRqlfyNZ8Es/s200/love.JPG" border="0" /></a><br /><div><div>Eu te amo como um colibri resistente</div><div>incansável beija-flor que sou</div><div>batedora renitente de asas</div><div>viciada no mel que me dás depois que atravesso o deserto.</div><div>Pingas na minha boca umas gotas poucas</div><div>do que nem é uma vacina.</div><div>Eu uma mulher, uma ave, uma menina…</div><div>Assim chacinas o meu tempo de eremita:</div><div>quebras a bengala onde me apoiei, rasgas minhas meias</div><div>as que vestiram meus pés</div><div>quando caminhei as areias.</div><div></div><br /><div>Eu te amo como quem esquece tudo</div><div>diante de um beijo:</div><div>as inúmeras horas desbeijadas</div><div>os terríveis desabraços</div><div>os dolorosos desencaixes</div><div>que meu corpo sofreu longe do seu.</div><div>Elejo sempre o encontro</div><div>Ele é o ponto do crochê.</div><div>Penélope invertida</div><div>nada começo de novo</div><div>nada desmancho</div><div>nada volto.</div><br /><div></div><div>Teço um novo tecido de amor eterno</div><div>a cada olhar seu de afeto</div><div>não ligo para nada que doeu.</div><div>Só para o que deixou de doer tenho olhos.</div><div>Cega do infortúnio</div><div>pesco os peixes dos nossos encaixes</div><div>pesco as gozadas</div><div>as confissões de amor</div><div>as palavras fundas de prazer</div><div>as esculturas astecas que nos fixam</div><div>na história dos dias.</div><br /><div></div><div>Eu te amo.</div><div>De todos os nossos montes</div><div>fico com as encostas</div><div>De todas as nossas indagações</div><div>fico com as respostas</div><div>De todas as nossas destilairias</div><div>fico com as alegrias</div><div>De todos os nossos natais</div><div>fico com as bonecas</div><div>De todos os nossos cardumes</div><div>as moquecas.</div><div></div><br /><div>*Elisa Lucinda*</div><div></div><div>P.S.: Essa é pra vc, meu amor. Que aguenta as minhas loucuras há 22 meses, mas que não desiste nunca de mim. Te amo mais que tudo!</div></div>Lilianhttp://www.blogger.com/profile/08198174817187623287noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-1838688869829500170.post-24058395912980840562008-05-06T08:05:00.003-03:002008-05-06T08:13:16.551-03:00...<a href="http://bp0.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SCA9MEdqpZI/AAAAAAAAA6I/mIu2g4_VUvc/s1600-h/lenha1-copia.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5197221247551448466" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SCA9MEdqpZI/AAAAAAAAA6I/mIu2g4_VUvc/s200/lenha1-copia.jpg" border="0" /></a><br /><div>Obturação, é da amarela que eu ponho.</div><div>Pimenta e cravo,</div><div>mastigo à boca nua e me regalo.</div><div>Amor, tem que falar meu bem,</div><div>me dar caixa de música de presente,</div><div>conhecer vários tons pra uma palavra só.</div><div>Espírito, se for de Deus, eu adoro,</div><div>se for de homem, eu testo</div><div>com meus seis instrumentos.</div><div>Fico gostando ou perdôo.</div><div>Procuro sol, porque sou bicho de corpo.</div><div>Sombra terei depois, a mais fria.</div><div></div><br /><div><em>*Adélia Prado*</em></div>Lilianhttp://www.blogger.com/profile/08198174817187623287noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-1838688869829500170.post-4274385857608710552008-05-05T07:53:00.002-03:002008-05-05T07:59:47.075-03:00Eu amo tudo o que foi<a href="http://bp2.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SB7omEdqpYI/AAAAAAAAA6A/OmP-8BVTI2E/s1600-h/196386.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5196846760762975618" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SB7omEdqpYI/AAAAAAAAA6A/OmP-8BVTI2E/s200/196386.jpg" border="0" /></a><br /><div>EU AMO TUDO o que foi,</div><div>Tudo o que já não é,</div><div>A dor que já me não dói,</div><div>A antiga e errônea fé,</div><div>O ontem que dor deixou,</div><div>O que deixou alegria</div><div>Só porque foi, e voou</div><div>E hoje é já outro dia.</div><div></div><br /><div>*Fernando Pessoa*</div>Lilianhttp://www.blogger.com/profile/08198174817187623287noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-1838688869829500170.post-40911109910250048022008-04-30T08:28:00.002-03:002008-04-30T08:31:22.210-03:00A Coruja<a href="http://bp1.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SBhYdUdqpXI/AAAAAAAAA54/L0fpX1F3tDc/s1600-h/FaboartsCoruja.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5194999430904456562" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SBhYdUdqpXI/AAAAAAAAA54/L0fpX1F3tDc/s200/FaboartsCoruja.jpg" border="0" /></a><br /><div>são todo ouvidos</div><div>os teus olhos </div><div>de vigília</div><div><br />olhos acesos,</div><div>luzeiros</div><div>de sabedoria.</div><div><br />olhos atentos</div><div>à geografia</div><div>do dentro,</div><br /><div>és uma concha.</div><br /><div>um encorujado</div><div>caramujo.</div><br /><div>monja em voto de silêncio.</div><br /><div></div><br /><div><em>*Sérgio Castro Pinto*</em></div>Lilianhttp://www.blogger.com/profile/08198174817187623287noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-1838688869829500170.post-20684659292058189202008-04-29T08:27:00.002-03:002008-04-29T08:45:17.136-03:00Interlúdio<a href="http://bp0.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SBcKKUdqpVI/AAAAAAAAA5o/LLCXn_EmuJw/s1600-h/Velhinhos.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5194631867603264850" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SBcKKUdqpVI/AAAAAAAAA5o/LLCXn_EmuJw/s200/Velhinhos.jpg" border="0" /></a><br /><div>As palavras estão muito ditas</div><div>e o mundo muito pensado.</div><div>Fico ao teu lado.</div><div><br />Não me digas que há futuro</div><div>nem passado.</div><div>Deixa o presente — claro muro</div><div>sem coisas escritas.</div><div><br />Deixa o presente. Não fales,</div><div>Não me expliques o presente,</div><div>pois é tudo demasiado.</div><div><br />Em águas de eternamente,</div><div>o cometa dos meus males</div><div>afunda, desarvorado.<br />Fico ao teu lado.</div><br /><div></div><br /><div><em>*Cecília Meireles*</em></div>Lilianhttp://www.blogger.com/profile/08198174817187623287noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-1838688869829500170.post-26791969097568586422008-04-28T08:21:00.003-03:002008-04-28T08:25:56.625-03:00A hora do cansaço<a href="http://bp0.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SBW0H0dqpUI/AAAAAAAAA5g/66q16gjh92w/s1600-h/1744724.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5194255791676892482" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_annPNvoFLsQ/SBW0H0dqpUI/AAAAAAAAA5g/66q16gjh92w/s200/1744724.jpg" border="0" /></a><br /><div>As coisas que amamos,</div><div>as pessoas que amamos</div><div>são eternas até certo ponto.</div><div></div><br /><div>Duram o infinito variável</div><div>no limite de nosso poder</div><div>de respirar a eternidade.</div><div><br />Pensá-las é pensar que não acabam nunca,</div><div>dar-lhes moldura de granito.</div><div>De outra matéria se tornam, absoluta,</div><div>numa outra (maior) realidade.</div><br /><div>Começam a esmaecer quando nos cansamos,</div><div>e todos nos cansamos, por um ou outro itinerário,</div><div>de aspirar a resina do eterno.</div><div>Já não pretendemos que sejam imperecíveis.</div><div>Restituímos cada ser e coisa à condição precária,</div><div>rebaixamos o amor ao estado de utilidade.</div><br /><div>Do sonho de eterno fica esse gozo acre</div><div>na boca ou na mente, sei lá, talvez no ar.</div><br /><div></div><br /><div>*Carlos Drummond de Andrade*</div>Lilianhttp://www.blogger.com/profile/08198174817187623287noreply@blogger.com