<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss'><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748</id><updated>2009-12-20T02:46:11.609-08:00</updated><title type='text'>altamente derivativo</title><subtitle type='html'>desculpa qualquer coisa</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default?start-index=26&amp;max-results=25'/><author><name>andreis passarinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>200</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-8628024976153580152</id><published>2009-12-17T13:09:00.000-08:00</published><updated>2009-12-17T14:36:34.777-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>(encontrei isso salvo em rascunhos do meu gmail, nem lembrava da existência)&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;Todo mundo se reuniu pra descobrir coisas autênticas. Num galpão, com cadeiras de plástico e sistema de som e uma mesa com salgadinhos. Tinha alguma ansiedade no ar, mas não tanta (as expectativas não eram tão fantásticas, depois das últimas decepções). O homem que deveria liderá-los, daquela vez, seria Arrigo Andrada, a última esperança verdejante. Quando alguém se destacava de alguma maneira (pegando um mosquito com as mãos, ficando debaixo d'água sem respirar por mais de um minuto, chorando por causa de um filme, compreendendo por inteiro a trama da novela), era eleito a nova esperança, alçado aos ares, casado com várias virgens e posto num terno distinto e sóbrio. Depois de experiências iluminadores e purificadoras, ele deveria nos explicar a origem de autenticidade, retraçá-la com gráficos e planilhas, para que finalmente entendêssemos onde é que ela havia se perdido nas confusões. O que se seguia era um extermínio, sensato e organizado e super competente, de tudo aquilo que pudesse entravar a autenticidade. Uma retomada legislativa de todos os códigos disponíveis para impedir que os itens agora expurgados pudessem sobreviver em quaisquer dos setores da realidade. Várias ondas subsequentes e contraditórias já se haviam seguido de explicações e tentativas de purificação, discursos e práticas proibidos e exterminados, um dilúvio que permitisse que vicejassem mais uma vez os lindos carvalhos da autenticidade (as metáforas já haviam largamente se perdido, com muita gente efetivamente achando que carvalhos reais cresceriam aqui em volta, imagine só, nesse tipo de terra, com esse tipo de tempo). Já era bem evidente para todo mundo que não se teria um fim, que o único sentido possível da nossa atividade era um alegórico, da impossibilidade da nossa empreitada, mas não é como se alguém tivesse alguma idéia melhor. Autenticidade ainda era prezada, apesar de tudo, isso ninguém discutia, e o esforço todo ainda era respeitável, com suas circunstâncias burocráticas e práticas (suas instituições e seus corredores e seus motoristas e seus sistemas de crédito e seus amigos ocultos no final do ano) que não poderiam assim ser desmanteladas de forma tão apressada. Nós já estávamos ali, afinal de contas, os processos já encaminhados, profissionais altamente capacitados, treinados até nos finais de semana, prontamente dispostos a efetivarem qualquer linha programática de otimização e planejamento que se estabelecesse. Havia, nos comitês, sempre um cego ou uma criança ou um velho negro que se levantasse dum jeito grosseiro, interrompendo os procedimentos para sugerir que talvez a própria tentativa de se estabelecer uma autenticidade derradeira possuísse em si uma premissa finalmente equivocada, que complicava qualquer de suas possíveis consequências, um até citava um poema bonito de como havia navios fadados ao fracasso desde a podridão das árvores que lhe serviram de madeira (o que eu pessoalmente achei de mau gosto), outros provando a impossibilidade lógica do que a gente tentava fazer, com diagramas e setas e latim (mas ninguém respeita essas coisas hoje em dia). Dessa vez foi quase diferente, apareceu uma moça gordinha falando de como as nossas ferramentas discursivas, redobradas sobre si mesmas, se misturavam como as ferramentas dentro de uma caixa de ferramentas, e que nós estávamos a esse ponto usando chaves de fenda para tentar desmontar um parafuso martelado por um prego. Todos nós achamos a imagem muito eloquente (e bem-humorada), e prontamente descemos Arrigo do pódio (com toda educação, ninguém aqui é bárbaro; ele ganha uma cesta de presentes oferecida pela Jonhson &amp;amp; Johnson) e levantamos a moça lá pra cima. Ela chorou, muito emocionada, era a primeira moça a fazer uma coisa daquelas, o que todo mundo concordou ser muito importante, muito correto. Suas primeiras medidas foram proibir comic sans e gasolina aditivada e gerundismo e oração nas escolas. Escolhas que foram recebidas pela crítica especializada como bem distribuídas e equilibradas em diversos planos diferentes de eficácia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-8628024976153580152?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/8628024976153580152/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=8628024976153580152' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/8628024976153580152'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/8628024976153580152'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2009/12/encontrei-isso-salvo-em-rascunhos-do.html' title=''/><author><name>andreis passarinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='00105752803655904802'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-6098403094760971687</id><published>2009-11-30T09:50:00.000-08:00</published><updated>2009-12-01T18:35:08.967-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;DESCUBRE EL VICIO DE LA HIPOCRISIA, QUE AFETAM MUCHOS EM LA DISIMULACION DE SUS MALDADES&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;Uma cultura toda obcecada com demarcar &lt;a href="http://catandgirl.com/?p=2286"&gt;autenticidade&lt;/a&gt;, fixá-la como uma bandeirinha. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Isso aqui não é uma simulação&lt;/span&gt; (o que quer que simulação signifique, no caso particular)! &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu juro que não é!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso vai de complicadas e convolutas demarcações pessoais de gosto nos mundos indies (eu gostava disso antes de sair no comercial da Toyota, antes de se tornar popular, antes da Pitchfork, gostava quando ainda se podia gostar-de-verdade) até as bem literais e repetitivas declarações de 4realness do hip-hop. Sem falar da própria obsessão-maior do rock indie de se botar como menor, como mais vulnerável e infantilizado (i.e. mais autêntico). Como se, nos mundões atuais, todo sistema estético contivesse necessariamente todo um rol de falsidade inócua e canalha ao qual se opor, de forma definitiva, antes da brincadeira sequer começar. É uma paranóia tão sintomática e óbvia que dá até preguiça, as citações de Baudrillard que ninguém quer fazer. Até pornografia mainstream caminha em direção do mais gonzo e menos produzido, e carrega a obsessão do Money shot obrigatório no final, como quem diz &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Aconteceu sexo de verdade aqui!&lt;/span&gt;* Se até publicidade (uma das maiores responsáveis pela paranóia toda, e sempre pontual cemitério de recursos) parece querer isso&lt;span style="font-style: italic;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;E aí que uma certa &lt;span style="font-style: italic;"&gt;parte &lt;/span&gt;desse ímpeto ganhou articulação do David Foster Wallace, lá no &lt;a href="http://unrealnature.wordpress.com/2009/05/31/institutionalized-irony/"&gt;famoso ensaio del&lt;/a&gt;e, cuja historinha pode ser grosseiramente reduzida jornalisticamente como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ironia subversiva e bacana dos escritores comediantes pós-modernos é absorvida e tomada pela mídia televisiva e pela publicidade até se tornar perversa e limitadora das forças redentoras da imaginação&lt;/span&gt;. Alguma coisa assim. Na verdade, o argumento dele (que me parece lindo e ótimo e correto, ainda que já datado) é bem delimitado à ficção americana de tal época, mas dá pra ver que ele já vem sendo tomado como call to arms pra &lt;span style="font-style: italic;"&gt;arte verdadeira e honesta!,&lt;/span&gt; como uma solução geral contra um cinismo generalizado responsável por vários tipos de ruindades. Como se essa briga ironia/autenticidade não só fosse algo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;novo&lt;/span&gt;, mas ainda definisse toda a circunstância cultural desse mundão numa cisão clara e inequívoca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E parece óbvio o bastante que qualquer discussão de autenticidade nas artes que não se queira fadada à adolescência de um filme indie não pode se traduzir apenas na irrupção de &lt;a href="http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&amp;amp;safe=off&amp;amp;client=firefox-a&amp;amp;rls=org.mozilla%3Apt-BR%3Aofficial&amp;amp;hs=HGB&amp;amp;q=Real+rebels%2C+as+far+as+I+can+see%2C+risk+disapproval.+...+Today%27s+risks+are+different.+The+new+rebels+might+be+artists+willing+to+riskthe+yawn%2C+rolled+eyes%2C+the+cool+smile%2C+the+nudged+ribs%2C+the+parody+of+gifted+ironists%2C+the+%27Oh+how+banal&amp;amp;btnG=Pesquisar&amp;amp;meta=&amp;amp;aq=f&amp;amp;oq="&gt;um novo léxico fixo de intenções&lt;/a&gt;. Quanto tempo até se aperceberem que se dizer curtidor de uma NEW SINCERITY, ou um PÓS-IRÔNICO, que tornar claro a toda hora que você&lt;span style="font-style: italic;"&gt; é de verdade&lt;/span&gt; não torna nada mais certo, não estabelece nem sequer um ponto-de-partida retórico genuíno (que tampouco seria o bastante). Que, ao contrário, a declaração de autenticidade - seja direta, seja por adesão a pressupostos estéticos - funciona retoricamente bem mais como uma inversão retórica pra quem a detecta, pra quem percebe os fios. E com toda a culpa que DFW pode vir a ter na elaboração dessa onda toda** - e por mais maluco que soe um autor assim-dito literário influenciar campos tão distantes do mundo-real, ainda me parece mais ou menos plausível -, ninguém pode culpá-lo de não antever ao menos este mais óbvio dos paradoxos. Que a vontade-de-sinceridade tornada um tropo, tornada uma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;imagem fixa&lt;/span&gt;, traz seus coices &lt;span style="font-style: italic;"&gt;imediatos &lt;/span&gt;de invalidez retórica, e precisa ser incessantemente reformulada, repetidamente afirmada, até se esfumaçar em nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Essas não as &lt;span style="font-style: italic;"&gt;únicas &lt;/span&gt;demarcações do money shot, né, nem de longe. Mas faz parte essencial do troço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**Muito irresponsavelmente, sem justificar, eu estabeleço essa linha assim: DFW-&gt;Dave Eggers-&gt; Indie Rock-&gt; Juno-&gt; Publicidade -&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mundo&lt;/span&gt;. Ela não deve fazer sentido, mas na minha cabeça faz. Dá pra ver o troço se diluindo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-6098403094760971687?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/6098403094760971687/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=6098403094760971687' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/6098403094760971687'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/6098403094760971687'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2009/11/descubre-el-vicio-de-la-hipocrisia-que.html' title=''/><author><name>andreis passarinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='00105752803655904802'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-1665956443786594198</id><published>2009-11-11T15:22:00.000-08:00</published><updated>2009-11-12T06:15:38.897-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;What ordre shulde be in lernynge and whiche autours shulde be fyrst redde&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Biblioteca Central da UnB tem um andar de periódicos. Semana passada eu fui lá pela segunda vez. O lugar é inteiramente diferente dos dois outros andares, tem quase metade do espaço para leitura, não é cheio de gente estudando para concurso, de meninas com cadernos abertos e várias canetas coloridas, de gente passeando pelos corredores. É vazio e, na maior parte do tempo, realmente silencioso, com as exceções sendo bem mais exageradas, já que ninguém parece levar o lugar tão a sério (o guardinha sentado num canto, apoiado na parede, escutando rádio pelo auto-falante estourado do celular, dois homens conversando em voz doidamente alta sobre arquivos que eles precisam digitalizar, um menino gordinho feio roncando feroz entre antropologia e história).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira impressão, mais óbvia e pesada, é só de um excesso, much of a muchness, multidão canhestra e constrangida de conhecimentos e discursos materialmente renderizados. Tudo ganha um rosto mais específico e menor, pontiagudo, mais delimitado de sua realidade. As três prateleiras do Korean Journal of Linnear Algebra, as revistas americanas de fotografia com comercial de seguradora atrás, Acta Metallurgica, as Tel Quels dos anos 60 e 70*, Poultry Science, &lt;span style="font-size:85%;"&gt;Архитектурæ&lt;/span&gt;as CCCP dos anos 70, Sports Illustrated dos anos noventa todas amassadas, rasgadas. A impressão imediata, mais acessível à imaginação, mal emprestada da Bibilioteca de Borges, dos quase-infinitos textos puramente contidos em edições de capa-dura e escura, Harvard Great Books, dá lugar a uma outra versão, mais pesada, das edições amareladas, rasgadas, dobradas sobre si mesmas, escolióticas, tantas delas claramente virgens, vozes inassistidas ali impotentes. Qualquer mito ou representação coletiva de uma única cultura, um único troço que todos nós podemos apreender (dado um mínimo potencial cognitivo), um lugar que todo mundo visita igualmente - acompanhado do, sei lá, George Steiner - torna-se muito mais engraçadinho. Não que esse ponto não esteja já feito, não seja já muitíssimo familiar, mas é outra coisa vê-lo tão ricamente ilustrado, ali na sua cara, com poros entupidos e barba por fazer, a contracapa rasgada da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;revista de&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;nevrologia &amp;amp; psychiatria&lt;/span&gt; entre estantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda dá pra simular alguns desses traços todos antigos, ainda dá pra sorrir e tentar correr um progresso historiográfico panorâmico de algo-parecido-com a cultura ocidental na sua cabeça - sentir que tá simulando um Civilization.exe** - mas você sabe que 'cultura' é também uma pilha de JOURNALS OF COMPARATIVE LITERATURE, 1997/1998, com páginas meio pregadas de desuso, de onde caem cartões amarelados solicitando, tadinha, a sua assinatura, em prateleiras empoeiradas metálicas atendidas durante décadas apenas pelo pessoal da limpeza e por calouros querendo se agarrar (e ainda assim raramente).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase todo mundo que eu conheço que é genuinamente interessado em alguma coisa tem que se virar com um alto grau de auto-didatismo pra formar uma visão culturamente informada do que lhe interessa. Uma empreitada pessoal e improvisada, largamente mediada pela internet. O que é difícil, trabalhoso e terroso. Artigos da Wikipédia, ensaios acidentalmente pescados, colagens inventadas, lacunas tardiamente preenchidas.  Muita, &lt;i&gt;muita &lt;/i&gt;suposição pouco verificada. Uma cultura-gambiarra***. Eu passeei uns quarenta minutos pelos corredores todos e acabei com uma pilha de uns noventa quilos de quase tudo. Media Studies antiquados, Tel Quel, Arquitetura, Fotografia, Antropologia, Linguística, Revista Cult de uns sete anos atrás . Eu me sentei no chão, apoiado num vidro que acumulava toda uma história movimentada de sujeira, projetada e estendida no chão por um sol já idiota de logo-antes do almoço. A pretensão não era de conseguir ler nada muito seriamente. Na verdade, eu nem sabia muito bem qual era a pretensão. Acostumado antes de tudo com hiperlinque e com imaginar associações feitas nuvens de tags, o que facilita imagens mais aéreas e preguiçosa, eu tinha ali uma aproximação talvez mais verdadeira de como se dão esses troços todos aí no mundo, do que são efetivamente essas tentativas todas.   E no final eram esses pedaços, essas coisas caídas no colo, tudo impossivelmente querendo ser entendido. E eu só com quarenta minutos até estar atrasado pra almoçar com minha vó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*talvez a coisa mais genuinamente legal que eu achei. Barthes e Butor e essa garotada toda. Ver um pouco do contexto deles reproduzido - as edições tão francesas e simples, o povo todo concordando consigo mesmo como pequenas caricaturas - ajuda a entender um pouco a miopia concentrada e provinciana que os franceses dessa época conseguiam ter com literatura (uma miopia concentrada frequentemente genial, é verdade). Ajuda a entender como é possível que alguém escreva coisas como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pour num nouveau roman&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**se você tiver uma imaginação tipo a minha, o que rola é uma simulação toda animada, com pequenas miniaturas pantomímicas se agitando em velocidade x32 acompanhadas de tremebundas e abaritonadas onomatopéias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***não que uma educação aí nas ivy leagues da vida seja necessariamente toda repleta, com barrinhas ideais se preenchendo perfeitamente numa enteléquia toda linda (como os skills num jogo), mas é certamente diferente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-1665956443786594198?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/1665956443786594198/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=1665956443786594198' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/1665956443786594198'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/1665956443786594198'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2009/11/what-ordre-shulde-be-in-lernynge-and.html' title=''/><author><name>andreis passarinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='00105752803655904802'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-8072674709847711772</id><published>2009-11-04T06:15:00.000-08:00</published><updated>2009-11-04T07:36:46.492-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Enfim, it faut faire leur place à de mysterieux facteurs à l’ouvre dans tant de villes, les chassant vers l’ouest et condamnant leurs quartiers orientaux à la misère ou à la decadence. Simple expression, peut-être, de ce rythme cosmique qui, depui ses origins, a penetre l’humanité de la croyance inconsciente que lês sens Du mouvement solaire est positif, Le sens inverse négatif; que l’un traduit l’ordre, l’autre Le disordre. Voilá longtemps que nous n’adorons plus Le soleil et que nous avons cesse d’associer lês points cardinaux à dês qualités magiques: couleurs et vertus. Mais, si rebelle que soit devenu notre esprit euclidien à la conception qualtitative de l’espace, il ne dépend pás de nous que lês grands phénomènes astronomiques ou même météorologiques n’affectent lês régions d’um imperceptible mais indélébile coefficient; que, pour tous leus hommes, la direction est-ouest ne soit celle de l’accomplissement; et pour l’habitant dês régions tempérées de l’hémisphere boreal, que Le nord ne soit Le siège du froid et de la nuit; Le sud, celui de la chaleur et de la lumière. Rient de tout cela ne transpaît dans la conduit raisonnable de chaque individu. Mais de la vie urbaine offre um étrange contraste. Bien qu’elle represente la forme la plus complexe et la plus raffinée de la civilisation, par l’exceptionnelle concentration humaine qu’elle réalise sur um petit espace et par la durée de son cycle, elle precipite dans son creuset dês attitudes inconscientes, chacune infinitésimale mais qui, em raison du nombre d’individus qui lês manifestent au même titre et de la même manière, deviennet capables d’engendrer de grand effets. Telle la croissance dês Villes d’est em ouest et la polarisation du luxe et de la misere selon cet axé, incompréhensible si l’on ne reconnaît ce privilège – ou cette servitude – dês Villes, à la façon d’um microscope, et grâce au grossissement qui leur est propre, de faire surgir sur la lame de la conscience collective le grouillement microbien de nos ancestrales et toujours vivantes superstitions. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;S’agit-il bien, d’ailleurs, de superstitions? Dans de telles predilections, je vois plutôt la marquee d’une sagesse que les peoples sauvages ont spontanément pratiquée et contre quoi la rébellion modern est la vrai folle. Ils ont souvent su gagner leur harmonie mentale aux moindres frais. Quelles usures, quelles irritations inutiles ne nous épargnerions-nous pas si nous acceptions de recconnaître les conditions réelles de notre experience humaine, et qu’il ne depend pas de nous de nous affranchir intégralement de ses cadres et de son rythme? L’espace possède ses valeurs propres, comme les sons et les parfums ont des couleurs, et les sentiments un poids. Cette quête des correspondances n’est pas un jeu de poète ou un mystifications (…); elle propose au savant le terrain le plus neuf et celui dont l’exploration peut encore lui procurer de riches découvertes. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(…)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ce n’est donc pas de façon métaphorique qu’on a le droit de comparer – comme on l’a si souvent fait – une ville à une symphonie ou á um poème; ce sont dês objets de même nature. Plus précieuse peut-être encore, la ville se situe au confluent de la nature et de l’artifice. Congrégation d’animaux qui enferment leur histoire biologique dans sés limites et qui la modèlent em même temps de toutes leurs intentions d’êtres pensants, par sa gênese et par sa forme la ville relève simultanément de la procréation biologique, de l’évolution organique et de la création esthétique. Elle est à la fois objet de nature et sujet de culture; individu et groupe, vécue et rêvée: la chose humaine par excellence. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;-&lt;br /&gt;claude lévi-strauss, tristes tropiques.&lt;br /&gt;(eu que transcrevi, acentos devem estar todos zoados)&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é um trecho dos mais legais, nem tão representativo, mas foi o que eu achei de última hora. É algo recorrente no livro, isso de uns pontos vagos e amplos serem expandidos inesperadamente, zoom-out nas ossaturas escondidas e reconhecíveis, assim, DO MUNDO.&lt;br /&gt;Muito legal, pra mim, tê-lo andando por Goiás, por Mato Grosso, comentando as planuras e os longes, o céu largifronte, a terra desinformada, os hominhos confusos. Ele vai divagando de um jeio fistaile muito antiguinho, muito distante e direto, já d'outra realidade. Todo homem-de-letras-francês-fazendo literatura de um jeito gravata borboleta, pouco zoão, nada recursivo. E é estranho e bonito imaginar que ele fosse o último de uma espécie, o último receptáculo de uma episteme, uma consciência hesitante entre esferas, se sentindo de alguma forma responsável por coisa que ele nem entende, um mundo perdurando aí fraco e confuso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficam os filhos dos filhos dos filhos das suas estruturas, sobreouvidas confusamente, resumidas na wikipédia. Assim como suas calças jeans ousadas e revolucionárias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-8072674709847711772?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/8072674709847711772/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=8072674709847711772' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/8072674709847711772'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/8072674709847711772'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2009/11/enfim-it-faut-faire-leur-place-de.html' title=''/><author><name>andreis passarinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='00105752803655904802'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-8310059097612398849</id><published>2009-10-31T07:16:00.000-07:00</published><updated>2009-10-31T17:22:27.631-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;NOTA BIOGRÁFICA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;1987: Nasce, em Biguaçu (grande Florianópolis), Andreis Passarinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1994: Assiste, pela primeira vez, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Jamaica Abaixo de Zero&lt;/span&gt;. Muda-se para Brasília.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1997: Primeira viagem a Caldas Novas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2006: Segunda viagem a Caldas Novas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2011: Passa em vigésimo terceiro lugar em um concurso razoavelmente concorrido do Poder Judiciário. Não passa pelo período probatório, por motivos desconhecidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2012: Escreve seus primeiros poemas em hipertexto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2013: Publica “O véu e o espelho: ensaios” (autopublicação)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2015: Terceira viagem a Caldas Novas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2017: Publica “O direito de participar no trabalho da imaginação” (manifesto on-line)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2018: Cria o seu próprio artigo na Wikipédia, apagado horas depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2019:Publica “Identidades parciais, explorações totais: ensaios” (7letras)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2022:Convidado para participar do conselho editorial de uma edição da revista de literatura &amp;amp; design da Universidade de Juiz de Fora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2023: Publica o romance “O meio do avesso” (Rocco)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2026:Primeira viagem à Índia. Torna-se (por um breve período) budista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2027: Perde o movimento de alguns dedos num acidente com a porta de um carro, ganha um tremendo processo com a Ford que lhe sustentará pelo resto de sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2028: Publica o romance “Repetição” (Editora Ecos), amplamente tido como ilegível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2031:Publica o controverso ensaio “Pós-humanos ou pós humanos?” na hoje extinta revista on-line Pará Ex-Machina&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2031: Participa do programa de entretenimento-realidade-gincana “Hn:S MX’ING”, torna-se um meme involuntário ao se assustar com alguns hologramas e bater em duas mulheres participantes. Sua fama mundial dura quase uma semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2032: Publica o romance satírico “Nós éramos nós”, recebido pela crítica como um dos primeiros romances a tratar de maneira crítica a internet e a pós-modernidade no Brasil, que lhe renderá a fama de ser  “talvez até o novo Júlio Abreu”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2033:Ganha uma coluna semanal na revista online portuguesa Tripas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2035:Encerra sua parceira com a revista online portuguesa Tripas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2036:Publica “Brasília: a utopia estática”, com edição subsidiada pelo Governo Estadual, vira alvo de controvérsia e denúncias de improbidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2037: É condecorado com a ordem de Duque de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Impossibilidad &lt;/span&gt;do Reino fictício de Redonda, pelo músico, grafiteiro virtual e chef Gastón Marías, filho de Javier Marías e neto de Julian Marías. A imprensa espanhola repercute de maneira extremamente negativa, sugere que a "amizade virtual" dos dois explique a condecoração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2044: Publica o romance “Vidro moído”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2046: Descobre-se que o seu romance “Vidro moído” é uma versão apenas ligeiramente modificada de “Molloy”, de Samuel Beckett. A crítica retrata seus elogios anteriores, e ele é obrigado a devolver seu prêmio Jabuti. Ele explica, em entrevista, que se tratava de uma “pegadinha literária com a idéia de autoria”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2055:Depois de uma longa e protelada luta com uma infecção hospitalar, vem a falecer de manhã, sozinho, no Hospital de Base de Brasília. Como era dia do servidor público, uma pequena festinha dos funcionários no seu andar impede que seu falecimento seja descoberto por mais de dezesseis horas, evento estranhamente prefigurado por um de seus contos não-publicados “A sobra do resto”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2057: Stand (com mesas e fotos) em sua homenagem na XXIII Feira do Livro do Plano Piloto&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-8310059097612398849?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/8310059097612398849/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=8310059097612398849' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/8310059097612398849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/8310059097612398849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2009/10/nota-biografica-1987-nasce-em-biguacu.html' title=''/><author><name>andreis passarinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='00105752803655904802'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-302309692257683381</id><published>2009-10-17T09:12:00.000-07:00</published><updated>2009-10-17T09:32:34.589-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>esse conto é meio grande, ninguém precisa ler não (ainda mais do jeito que blogger deixa as coisas ruins de ler). e eu tampouco o revisei direito, acabei de acabar. mas hoje é sábado, pédecachimbo, tou aqui super jazzys do bom humor e da verdejante bem-aventurança, então toma, sentaquelávemahistória, tal. aqui não é exatamente a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Partisan Review&lt;/span&gt;, né.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*tosse, põe fraque, diminui a luz, franze o cenho de preocupação com o peso acachapante de toda a tradição ocidental*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Barulho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;   De tarde ela trabalhava, e ele não. O sol se batia em tudo no pequeno apartamento de dois quartos, progredia a iluminar todas as coisas no seu progresso, todos os livros empilhados e revistas amassadas e camisetas esparramadas, propondo diferentes sistemas de sombras na parede, ao longo da tarde. E ele se engastava de todas essas coisas, ganhava uma pequeníssima (mas presente) agonia de todas as suas posições possíveis ali, todas as suas pequenas possibilidades de organização (deitado na cama, deitado no sofá, sentado no sofá, sentado no computador, sentado no pufe, deitado no chão, debruçado na varandinha apertada). Tinha dificuldade de ficar parado, de aceitar qualquer posição como definitiva. De fora chegavam espaçados os barulhos que uma tarde de quadra traz, soltos e descompromissados, indispostos a serem explicados, crianças, porteiros, gente vendendo botijões de gás implausivelmente pesados, naquele calor todo, gente oferecendo para remendar suas cadeiras de vime. Ele pega uma guitarra (das quatro disponíveis ali), a Fender azul-bebê comprada por um preço verdadeiramente absurdo de barato num leilão na internet - recompensa de umas incontáveis tardes consecutivas gastas na procura da melhor oferta possível, da mais irresponsável e inocente oferta, de alguém que não soubesse o que estava vendendo - e começa a rodear bem lentamente a possibilidade de alguma composição, pequeníssimos começos de idéia que andam rondando sua cabeça nas últimas semanas, todas severamente inconclusas. Ele sempre que empaca em algum trecho por muito tempo acaba desviando pralguma música antiga que fica passeando pela sua cabeça, imbecil, geralmente algum sucesso antigo da sua adolescência que ele diz que só gosta em alguma compreensão enviesada, supostamente irônica. Toca Greenday, Shakira, mudando o registro e o tempo, fazendo versões em bolero, ruidosas de distorção, versões tristíssimas para músicas tolas e juvenis e fáceis. Fuma um baseado já feito que ele estranhamente não lembra de ter feito, encontrado meio amassado entre duas revistas, e lê uma tirinha de internet sobre um tiranossauro ninja, vê fotos de meninas lindas e lindamente arrumadas de Oslo, de Paris, de Barcelona. Aprova tudo nas fotos e sente vários tipos sobrepostos de carência e desejo, linhas concorrentes e confusas que culminam num ponto meio insustentável, no qual ele acha melhor fechar tudo e sair do computador (já tendo se masturbado nessa última hora). Percebe, desviando as ambiências mais concretas daquele troço pra um lado mais refletido e rarefeito, que falta ao mundo meninas bonitamente desleixadas, conscientemente desleixadas, envoltas em dobrinhas confortáveis de moletom, com cabelo genuinamente bagunçado, fumando tchose e chegando desavisada na casa dos outros, atravessando a Asa Norte a pé com um cachorro que não é seu. Minas slacker. Sabe que isso é provavelmente porque esse nosso malvado mundo não permite às minas que sejam bonitamente desleixadas, um ethos (ele não sabe se a palavra está correta) reservado e exclusivo aos homens. O mais próximo seriam minas hippies, mas aí ele não gosta. Pensa (apenas mais ou menos sério) no quanto que o mundo ganharia em elegância se estivesse disposto a seguir sua consultoria não-remunerada em diversos campos de empreendimento, sua consultoria tão iluminadas, tão disposta e desinteressada. Ele poderia coordenar tudo daqui mesmo, do sofá, do pufe, do chão, mas não, o mundo preferia insistir teimosamente em todos seus erros. Ele pensa em se levantar, tomar um banho. Seu cabelo parece sujo ao toque, e ele talvez esteja carregando um cheiro desagradável. Ele cheira suas axilas (mais verdadeiramente: ele cheira seus ombros), mas aprendeu a não confiar no próprio olfato pra esse tipo de coisa.&lt;br /&gt;             A sua namorada deve estar, naquele momento, lidando com alguma seriedade muito séria, no Itamaraty. Ela é uma dessas pessoas que fazem coisas, que falam com os outros, que se projetam em direção a problemas para solucioná-los, que descobrem que esse é o telefone do cara do negócio (do Itamar lá do cerimonial, por exemplo), e então anotam no caderninho que anda com ela apenas pra lembretes imediatos, e que então liga, assim, de uma vez, para o Itamar, tratando-o educadamente e simpaticamente, sem parecer falsa – provavelmente sem nem ser falsa -, e descobrem, sem que isso lhe seja dito diretamente, descobrem nas sutilezas, que o cerimonial de tal ministro não respondeu porque o ministro tá emburrado que só ele não recebeu os livros do outro ministro. Ela conta essas histórias e ele concorda adiante, não consegue entender de verdade a realidade na qual ela está metida, de ministros e cerimoniais e autoridades que nunca se alcançam diretamente ao telefone, e ele geralmente inventa versões cartunescas que sua imaginação consiga articular com mais facilidade (com cada pessoa ganhando um avatar amigável e ironicamente infantil, como o monstrinho roxo do McDonald’s ou o amigo do Popeye que come hambúrgueres toda hora). Ele ficou chocado de descobrir, por exemplo, que alguns dos prédios da Esplanada tinham anexos subterrâneos. Imagina agora toda atividade burocrática se passando em complexos assustadores e distópicos de túneis interligados, com luz fraquejante piscando, carpete verde escuro mofado, filtro d’água vazio rodeado de copos plásticos e pôsteres da Amazônia na parede (“A NOSSA FORÇA”), quadros esquecidos do Sesquiat e gente de terno transportando papéis pra todo lado em carrinhos antiquados empurrados com displicência.  Ele se involuta desse jeito em reação a quase qualquer fenômeno, se encolhe e tenta desconsiderar sua realidade (ou ao menos adiá-la), remontá-lo numa versão animada, nos seus próprios termos, feita para TV. Aos nove anos ele associou essa atividade a de um tatu-bolinha - que se fecha tão rápido numa linda e íntegra bolinha, lisinha ao toque - e ainda mantém a imagem, embora meio fraca e um pouco abstrata (tendo já uns nove anos que ele não vê nenhum tatu-bolinha, embora eles permaneçam igualmente disponíveis, inutilizados, em diversos canteiros e jardins perpassados por ele quase diariamente). Empunha sua guitarra agora com renovada seriedade, e agora senta no chão, para comprovar a mudança de postura, apóia as costas no pufe quadrado e dá pequenos tapinhas nas cordas, com a ponta dos dedos, os mais sutis possíveis, quase surdos. Faz isso por dez minutos.&lt;br /&gt;             Ele sabe mais de música do que qualquer pessoa que ele conhece. Música popular, é verdade, e apenas americana e brasileira, é também verdade (e mais americana do que brasileira), mas mesmo assim. Desenvolve há uns meses um texto que nunca mostrou nem deve mostrar pra ninguém, já de uns cinco páginas (Uma altamente crítica e pouquíssimo deslumbrada teoria do Indie, o troço se chama, mas o título ainda é bem provisório). Ele sabe o que é que estão fazendo, sempre, em boa parte dos cantos desse mundão, e entende os motivos e as pertencenças, as origens, sabe traçar mentalmente para cada música que ouve nuvenzinhas de atribuições e influências de uma complexidade impossível de ser traduzida em qualquer mídia que ele conheça. Ele já pensou, até, em desenvolver um software que o faça, mas os planos não passaram de rabiscos emaconhados num caderno que no dia seguinte ele nem chegou perto de entender (e que insistiam em traçar vários diagramas todos parecidos com capacitadores de fluxo). Sabe decompor as influências dos poucos artistas realmente originais, compartilhar sua força de maneira intensamente sofisticada (ele gosta de pensar que entende melhor do que os próprios artistas, até, na maior parte do tempo). E inclusive sabe que sabe disso, enuncia isso pra si mesmo como parte de uma teatral recomposição de si mesmo, auto-irônica e auto-odiosa (geralmente na forma de uma entrevista madura, de final de carreira, com o Jô Soares)&lt;br /&gt;         Olha, Jô, acho que é o que mais me define é essa indecisão entre esses dois mundos, da tradição americana e da tradição brasileira. Eu me defino assim nessa falta de definição, entende?Como um objeto ansioso, se me permite.&lt;br /&gt;          Agora já meio deitado, com a guitarra ainda em seus braços e sendo bem suavemente tocada, ele tenta com os pés apanhar um isqueiro que havia caído da mesinha do computador e que quase saía do quarto. Com o corpo quase todo deposto no chão, ele percebe que consegue sentir uns pequenos tremores e vibrações no prédio, intercadências de maquinaria distante, do elevador, de eletrodomésticos dos vizinhos, do encanamento, funcionamentos vagos chegando até ele como gestos denunciadores de uma materialidade total inapreensível, daquele prédio como um corpo infinitamente complexo de concreto armado e vidro e aço sabe-se lá o que mais, um bicho rugindo. Ele desiste do que estava tentando e se deita todo no chão, percebe que consegue ouvir uma multitude absurda de coisas abafadas e distantes, um universo distante de significado. Já havia ouvido a Helena falar de como aquele pequeno espaço fechadinho entre as varandas (perto da parede ali mais próxima de sua cabeça) comunicava os sons de todos os apartamentos de cada prumada, mas nunca havia sentido aquilo de verdade, até então. Aquele ponto onde ele estava, de alguma forma, deveria ser onde culminavam aquelas reverberações todas, em tanta nitidez. Ou então - e ele entretia também essa possibilidade com igual atenção - ele estava doidão pra caralho, e aquilo não passava do ruído normal que qualquer um consegue escutar a qualquer momento, se prestar mínima atenção.&lt;br /&gt;          Sempre que sob a influência ele sentia essa capacidade de estender indefinidamente a importância e o peso de uma pequena sensação específica, um único dado minúsculo da realidade de alguma forma explodido e tornado total, tornado importante.&lt;br /&gt;          Sua guitarra estava ainda no seu peito, repousada com algum conforto, uma extensão carinhosa de si mesmo, infinitamente confortável, e ele não havia parado, durante esse tempo, de tocá-la lentamente nuns acordes espaçados e pouco coerentes, ruidosos de muita e acumulada distorção reunida de quatro pedais distintos. Mas agora ele parou, tirando o cabo, para melhor ouvir o que ele tinha para ouvir, aquele apanhado pontiagudo e disperso que ele pudesse reunir em coerência, explicar, de alguma maneira. Ele conseguia distinguir janelas sendo abertas e fechadas, com vidro correndo estridente e relutante, uma televisão (ou rádio) com canais sendo trocados toda hora por alguém indeciso, uns alarmes eventuais que poderiam ser de bem qualquer coisa, microondas, rádio-relógio, celular, uma música repetitiva que ele decidiu ser de um videogame, embora sem muito motivo, e uma vibração meio uniforme e distribuída que se interrompia e se retomava em intervalos que poderiam muito bem ser os de um elevador.&lt;br /&gt;        Ele demorou muito tempo para entender quais daqueles barulhos – aqueles surdos, abafados e meio uniformes que se sobrepunham a todo o resto em ritmos e intervalos próprios e aleatórios – que seriam vozes humanas.&lt;br /&gt;        Ele passou a se concentrar nelas, então, tentar entender o que tavam dizendo. As palavras em si pareciam bem impossíveis de serem compreendidas, mas talvez o ritmo e algo da inflexão poderiam ser intuídos, reunidos e explicados (e também o próprio processo de interpretação ele narrava pra si mesmo, com os dedos encadeados no peito, uma recursão que ele precisava frear toda hora para que não o distraísse da primeira e mais importante atividade). Entremetidos a todo o excesso, ele percebeu duas linhas constantes que pareciam compor uma conversa mais sustentada. Uma masculina e outra feminina (aparentemente, na verdade tudo que percebia era que uma era bem mais grave que a outra). Estavam exaltadas, e por isso se destacavam ao resto, na verdade, ele percebeu, elas quase gritavam em resposta uma a outra. Ele não conseguia entender o sentido possível de nada, mas os ritmos eram bem reconhecíveis, se alinhavam numa forma qualquer imediata de briga de casal (no mínimo, certamente uma briga de duas pessoas íntimas). Na verdade, naquelas vozes tão abafadas onde nem a língua portuguesa conseguia se verificar de nenhuma forma definitiva, aquilo se tomava como um modelo meio abstrato de briga-de-casal, ele percebeu, como se estivessem apenas praticando uma forma vazia, ali, preenchendo os gestos sem um conteúdo real, talvez porque praticassem. Com uma pontada de dor súbita de mau jeito na cintura, torcida pro lado ali no chão, ele veio a si por um instante, percebeu que estava há bem uns dez minutos ali ouvindo aquele troço todo, deitado no chão. Ele não estava nem de longe doido o bastante para que isso não se lhe afigurasse como exagerado.        &lt;br /&gt;         Mas ainda conseguia ouvir as duas vozes, ainda se esbatendo incessantemente, duas linhas que resistiam uma à outra, um imitando a frase anterior do outro, ridicularizando-a, reproduzindo aqueles tons extremos, vociferados.&lt;br /&gt;         Ainda discorria a preocupação de que ele estaria talvez fazendo algo imbecil, indultando suas partes mais reprováveis e perdendo mais uma tarde inaudita em algo tão distante e opaco, o dia escorrendo irreversivelmente sua luz pra fora das janelas, prorrompendo em perdas, irrecuperáveis e incompreensíveis perdas, oportunidades imensas desperdiçadas, espatifadas, com uma das vozes na sua cabeça se prontificando a tentar entender o que se passava de alguma maneira um pouco mais objetiva, menos dispersa e doidona. E aí que Os vizinhos do quarto andar. Aquele casal que Helena tão frequentemente dizia esquisito, ele fortão e barrigudo, de cabelo um pouco grisalho, naquele ponto meio estranho entre uns trinta poucos e uns trinta e tantos (estranho pela maneira adolescente que o cara tinha ainda de se vestir, bermudas surfistas e camisetas esportivas, sempre) e ela um tiquinho de gente, moreninha até bonita e minúscula, meio olhuda, ele sempre andando com a mão de orangotango aranhada em volta do pescoço frágil dela, parecendo que ia quebrar, e meio que conduzindo o progresso dela, pra dentro do elevador, pra fora do elevador, pra baixo da escada. Helena ficava puta com tudo aquilo. Ele argumentava com Helena que a mulher não tinha olhos submissos e fracos, na verdade, e que às vezes ela gostava dessa imposição física e mandava no marido em todo o resto. Ele não acreditava particularmente naquela interpretação, mas era possível, e ele se sentia de alguma forma invocado a dispor um ponto contrário ao de Helena, apenas porque parecia assim mais simétrico. Mas agora ali ele começou a se preocupar com a possibilidade daquele barulho ser deles dois brigando (eram o único casal não-aposentado do prédio que não trabalhava, passavam o dia vendo TV e gritando um com o outro, passavam os fins-de-semana todos fora de casa, ele em campeonatos de Rally sobre os quais falava longamente no elevador, inclusive depois de parar no seu andar, segurando sua porta meio como se te desencorajando de sair antes de terminar a história), e começou a temer pela integridade física da mulher. E realmente não sobraria muita coisa se aquele cara decidisse bater nela, em termos de assim ossos. Uma murranca dele devia afundar tudo ali. Ele imaginou a cabeça dela cedendo como metal líquido, cavando pra dentro, o que acabou deslanchando em algumas cenas sustentadas de uma mulher-de-metal-líquido apanhando impunemente de um cara fortão e confuso, gargalhando sua invencibilidade. E como seria legal ser feito de metal líquido, como o T-1000. Mas aí de repente houve um barulho mais forte, ainda difícil de se compreender, soado de mais de uma maneira, com vários tipos de materiais se combinando, um barulho seccionado, e que silenciou as duas vozes por um instante. Ele percebeu que seria bem isso que ele ouviria, provavelmente, se o marido desse uma porrada na mulher. E uma porrada forte, mesmo, já que o barulho não se seguiu de mais gritos raivosos, ou de uma reclamação, ou de alguma espécie (mais simbólica do que qualquer coisa) de revide, ou choro. Havia sido uma porrada definitiva, de algum tipo, ele pensou. Ele possivelmente seria a única pessoa do prédio a entender aquilo. A única a deitar no chão e captar as vibrações todas. Se não estivesse prestando tanta atenção, os barulhos tão teriam se acumulado naquela narrativa que ele conseguiu compor. Mas também, ele sabia, haveria uma chance gigantesca de uns barulhos ligeiramente sugestivos terem sido interpretados doidamente. Às vezes esse último barulho soou claramente longe daqui, fora do prédio, e ele que não conseguiu perceber. E se fosse a primeira opção? Ele não poderia fugir daquilo, da realidade daquela merda, então. Aquilo estava acontecendo de verdade, naquele momento, apenas alguns andares abaixo. Tipo coisas verdadeiras verdadeiramente se combinando de maneira efetiva. Como em filmes, o personagem do marido ainda tentando enrolar suas ferramentas cognitivas em volta da realidade da situação, checando o pulso da mulher, tentando entender se haveria indícios na cena que o incriminassem, sua mão levemente machucada do soco, a quina do armário onde ela bateu a cabeça, tudo insolitamente limpo, sem nem uma gota de sangue. Ele então esperaria a madrugada para descer com o corpo da mulher enrolado em algum material improvisado, talvez cortina do chuveiro, talvez lençol, talvez um tapete, direto para a garagem, evitando as câmeras do prédio (o que não seria fácil de se fazer, como ele vivia comentando com Helena, absurdamente compondo planos fantásticos de assaltos ao prédio). Ou então fatiaria em vários pedaços e dividiria o corpo em diversos sacos plásticos de supermercado (“Alcatra”, ele diria, no elevador). Ou às vezes  ela ainda estaria viva, mas o marido estivesse assustado demais, paralisado pela merda que tinha feito, pelo azar de um soquinho de nada ter resultado tão catastrófico, amaldiçoando a fragilidade absurda dela, de bonequinha (que tanto o excitava em situações bem diversas daquela). Talvez ele realmente gostasse dela, em algum nível, e estaria chorando agora copiosamente e calculando as maneiras mais fantásticas de se redimir daquilo (e, embora o marido fosse bem claramente o vilão da história, ele lembrou que era bom e correto lembrar que ele possivelmente cresceu num ambiente imbecil, circunstâncias culturais imbecis, onde tudo potencializava aquela sua masculinidade animalesca e simples, violenta, de mãos de orangotango) incluindo o suicídio imediato, correndo desde a sala até a varanda e pulando fantasticamente, com a propulsão que suas pernas absurdamente fortes deveriam proporcionar (talvez caindo até perto do estacionamento lá embaixo). Se essa opção fosse a correta, ele pensou, certamente se seguiria um barulho mais fantástico de um corpo se espatifando em algum material lá embaixo, seguido, é claro, de exclamações variadas de toda a quadra, comoções várias, articulações decompostas e ramificadas daquele impacto em várias novas vozes e registros (como uma fuga, ele pensou, mas não tinha rigorosamente nada a ver, ele também pensou). Era difícil imaginar como é que soa um corpo batendo em asfalto. Ele pensou naquele barulho comicamente amassado de coisas se espatifando como massinha, em desenho animado, algo como ploft.  Ele pensou no tanto que seria incrível se isso realmente acontecesse agora e ele tivesse conseguido antecipá-lo. De como ele poderia explicar aquilo em meses e anos subseqüentes, todo Sherlock Holmes, todo retoricamente diminuindo a importância (“eu consegui entender o que tava rolando, e percebi que ele talvez agora fosse se matar, porque dava pra ver que, apesar de tudo, eles gostavam um do outro, de algum jeito maluco, o que a Helena sempre negou, mas não tive tempo de impedir nada, infelizmente”). E se qualquer daquelas coisas tivessem se passando, como que ele poderia explicar que não tomou nenhuma atitude? Que continuou deitado no chão com uma guitarra no peito e apenas uma das meias no pé, sem ainda ter almoçado, peidando repetidas vezes e julgando estudiosamente o cheiro de seus novos peido em comparação com os anteriores (um juízo que ele meio misticamente relacionava ao seu bem-estar assim espiritual) às três hora da tarde, e não tendo feito nada digno de nota naquele dia todo (embora, sendo justo, o seu dia tivesse começado apenas às onze e meia, e ele tivesse lido quase um terço do jornal e tomado suco de laranja). Que sua garganta agora pudesse ser retraçada por um matizado gosto de cigarro e Passatempo, com pedaços ainda generosos de massa de biscoito sendo resgatados com a língua de buracos entre os dentes na última meia hora. Ele tinha conseguido interpretar o negócio todo de uma maneira genial e não havia tirado nenhum proveito daquilo. Nem sequer se apresentava como possível sua intervenção, qualquer que fosse, ele nem chegava a imaginá-la de verdade. Até parece que ele desceria as escadas e bateria na porta e perguntaria se estava tudo bem. E se tivesse? E se não tivesse? Mesmo se o que tivesse ouvido fosse mais conclusivo, mais óbvio, se não tivesse doidão agora e conseguisse determinar que sim, que certamente havia acabado de escutar um marido dando uma porrada na esposa, ou (quem sabe?, sejamos inclusivos) uma esposa dando uma porrada no marido (fisicamente a coisa parecia improvável, mas há sempre um abajur, um cinzeiro, uma chave-de-fenda ou castiçal que facilitem o trabalho). Ele provavelmente continuaria aqui deitado do mesmo jeito, recebendo esses sons macios e espaçados e abafados como espasmos abstratos de um mundo impossivelmente longe, igualmente composto de concreto e vidro e tinta descascada e vazamentos  e vizinhos estranhos e impostos e homem do gás e luz derramada no térreo e ônibus queimados e motoqueiros com urgências e triplos assassinatos e mobilizações da categoria e reformas da previdência, um mundo do qual ele participava apenas formalmente, sem de fato se compreender como imerso dentro de seus funcionamentos e integrante das suas estruturas de participação.&lt;br /&gt;             Ele pode tentar, pode tentar ainda refinar a sua interpretação, tentar uma retomada dos barulhos escondidos, uma repetição dos augúrios, das relações compreendidas. Dos ruídos que ele tenta reunir. Suas costas estão inteiras no chão, até incômodas, sua nuca duramente deposta em madeira lisa. Ele vira de lado, recolhe suas pernas, repousa o braço da guitarra no chão. Seus olhos estão fechados, ele não sabe o que fazer. Em algum momento Helena deve chegar, assoviando alguma música brega e romântica, como sempre faz (ontem Claudinho e Buchecha), chamando ele de Guto, de lindinho, perguntar o que ele fez o dia todo. Impedi um assassinato e um suicídio, ele poderia dizer, com as forças do pensamento positivo. A luz recortada da janela se alonga na parede, se estica num losango distorcido que enfraquece, quase se confunde ao cinza do resto do quarto. Ele começa a sentir a consciência fraquejando, as bordas das coisas se misturando, os limites já porosos, sabe que logo-logo vai adormecer. Ele percebe isso com alguma gratidão. Ele deveria, no mínimo, escovar os dentes. Reunir-se a esse tremendo e memorável e necessário feito de higiene e, secundariamente, até saúde, de certa forma. Não pode haver nada de imediatamente reprovável em escovar os dentes, ele acha. Nenhuma culpa se derivaria disso. Ele sente os tremores e os ruídos circundantes todos se embaçando num mesmo pulso, um mesmo excesso indistinto e distante, cinza, que cede, um gesto vago significando nada, ou bem pouco.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-302309692257683381?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/302309692257683381/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=302309692257683381' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/302309692257683381'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/302309692257683381'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2009/10/esse-conto-e-meio-grande-ninguem.html' title=''/><author><name>andreis passarinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='00105752803655904802'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-7270237363624449841</id><published>2009-10-03T23:30:00.000-07:00</published><updated>2009-10-06T08:27:26.617-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O futebol de júnior baiano&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;Nós nos damos o tempo inteiro com uma cultura que não conseguimos ter como nossa diretamente, que não nos diz nada (os modos de expressão mais imediatos estão tomados, cinema é tudo publicidade, etc). Por isso todas essas circunvoluções retóricas quando neguinho quer fazer arte (e com isso não quero dizer só arte maiúscula toda séria, não), todos esses redemunhos confusos. Todo mundo quer encontrar focos de autenticidade, reuni-los, de alguma forma, tentar se apoiar neles. E daí esses focos sempre bem frágeis, equilíbrios geralmente acidentais de forças retóricas grandalhonas como placas se chocando e deslizando uma contra outra, dando em posições e acomodações eventuais bem-sucedidas por motivos geralmente pouco explicáveis&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(o post começava assim pra falar de música indie, mas aí eu não fiz isso)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*se exalta*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E daí que eu, pessoalmente, aqui no fundo da minha humildade e pequeneza e perna esquerda torta, de frente a essas fantasmagorias se agitando como se importassem, como se dissessem alguma coisa, me vejo envolvido  mais uma vez com o Campeonato Brasileiro. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Envolvido&lt;/span&gt;. Do tipo saber vários jogadores de times tipo Atlético Paranaense e Vitória, de me revoltar com declarações de jogadores e saber de cabeça pontuações. De ter opinião sobre o futebol de pessoas chamadas Thiago Feltri e Neto Berola e Marquinhos Paraná e Muriqui. Saber nomes de árbitros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E torcer, ainda, o que é mais maluco. De me importar e ter meu humor alterado por causa de resultado de jogo (eu sou cruzeirense, aliás). E o tempo inteiro com algumas vozes dentro da minha cabeça repetindo o tanto que o negócio é maluco e não faz sentido, chamando a minha atenção pra arbitrariedade, os movimentos constrangidos da grandeza meio tola que tenta se articular, impossível, os fundos corporativos pequenos e feinhos por trás de tudo, com suas tentativas técnicas de maximizar as potências dramáticas e épicas (a Globo e toda sua relação involuta com as torcidas, Galvão, a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;super-câmera&lt;/span&gt;), os impulsos de masculinidade besta, a ingenuidade tremenda e insciente do povo metido ali, as facções de torcidas de um mesmo time ganhando complexidades orientemedianas, as mesas redondas se redobrando sobre si mesmas em análise de umas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;pequeníssimas &lt;/span&gt;coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ainda torcer em Brasília, onde a coisa nem faz sentido num nível imediato de identidade coletiva local, de ir pro estádio, de ver a cidade minimamente transfigurada pelo resultado da rodada anterior nas bandeiras na janela e motoqueiros uniformizados no dia seguinte. E ainda nem gostando de tirar sarro dos outros, como eu não gosto. Em Brasília a coisa tornada ainda mais abstrata, as denominações heráldicas dos times ainda mais engraçadas e longes, significando apenas a si mesmas (e olhe lá), uns nomes aí antiguinhos hipostasiados e fingidos de identidade, reunidos uns fatos e momentos cuidadosamente selecionados e devidamente protegidos da realidade, contidos com as mãos, pra consagrar uma suposta presença qualquer aí confusa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A capacidade esquisita que o negócio tem de pretender uma totalidade, com suas infinitas esferas de importância se decorrendo de cada evento, comentadas e subcomentadas, explodindo em tópicos no orkut. E de todas as grandes narrativas aí rolando, de todas as versões do mundo, a mais absurda. Justamente o seu tamanhinho, a sua falta de jeito. E isso sem falar sobre o futebol, em si - o jogo, a coisa tática, os passes bonitos, os golos - porque eu não sei nada de futebol. Leiam o PVC e o Tostão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;SEGUNDA PARTE DO POST, QUE É DIFERENTE MAS QUE TEM UM POUCO A VER&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao se acostumar com comentaristas de youtube, com yahoo!respostas, com Barbara Johnson propondo um tríptico de leituras composto de Poe, da leitura do Lacan de Poe e da leitura do Derrida da leitura do Lacan de Poe,  com &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mezzanine&lt;/span&gt;, com todos esses excessos fumosos, uma parte minha vai se afeiçoando a uma impressão de que qualquer coisa no mundo - qualquer item destacável da realidade - pode se desenrolar em infinitas recursões, tudo pode se redobrar infinitamente sobre si mesmo em linhas discursivas progressivamente complicadas.&lt;br /&gt;Como se toda coisinha (todo jogo do Goiás, música do Djavan) se pretendesse, assim meio sem querer, absoluta. Falhando miseravalmente, em seguida, é claro, toda bonitinha.&lt;br /&gt;Nada parece muito negligenciável, tudo parece da maior importância, participando de esferas tipo concêntricas de masseza. O negócio quase ficaria místico, se eu soubesse me explicar. A gente poderia escolher um único item e lhe dedicar o resto da vida, estudando, anotando, revisando, sem chegar a nenhum fim. Um episódio de Sai de Baixo, um andar do Mercure Apartments de Osasco, um mamilo da Taís Araújo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-7270237363624449841?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/7270237363624449841/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=7270237363624449841' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/7270237363624449841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/7270237363624449841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2009/10/o-futebol-de-junior-baiano-nos-nos.html' title=''/><author><name>andreis passarinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='00105752803655904802'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-2290145301967619336</id><published>2009-09-02T20:40:00.000-07:00</published><updated>2009-09-03T11:10:14.337-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; 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Se for o segundo caso, é bem triste que ela tenha encontrado esse blog aqui, tão bobão e insuficiente, assim como um textinho sobre “Linguagem e verdade em Autran Dourado” e um outro chamado “O amor se constrói e dói construir o amor”. O cara todo tentando que o mundo mostre algum sentido, e o Google todo cínico, todo robozão burro, entregando pedras para que ele mastigue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;-se a pessoa ouve abrulho através de movimentos de moveis q se mexem por causa da presença de um espírito oq quer dizer&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Ora mas se você já disse que é um espírito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;-como matar passarinhos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Dá pra entender melhor quem queira matar um passarinho pelo exercício de uma técnica, duma arapuca, duma espingarda de bolinha, tal. É bem mais doido alguém que esteja tipo diretamente interessado na morte de passarinhos, em si, com a técnica sendo um acidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;-adjetivos engraçados&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Este é o mais popular. Chegam aqui aos baldes querendo adjetivo engraçados&lt;br /&gt;Bojudo é um, eu acho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;-como eu ponho a linguagem no jogo age of empires&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Esse é tão lindo. A linguagem já está no jogo, Guilherme (posso te chamar de Guilherme?), de tantas maneiras diferentes, em tantos níveis! As linguagens de código doidamente complexas que carregam tudo adiante por baixo da interface, a linguagem pictórica tão elementar e básica de hominhos civilizando uma terra randômica, cortando lenha e construindo casas, a jogabilidade intuitiva que nos direciona a rapidamente se adequar às propriedades do jogo, etc. O subtexto não-intencionado de que empreender civilização significa dominar território e matar os cavalos alheios e roubar as ovelhas e as minas de ouro, etc. Mas você provavelmente quer dizer aquela caixinha de comando de texto. É apertando enter, eu acho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;-vijogueime&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;De novo, é quase impossível penetrar na circunstância de alguém que se depare com o Google e demande algo tão simples. O que ele esperava, exatamente? Minha conjetura favorita é de um moleque impossivelmente novo (tipo, sei lá, dezoito meses) que se contente com a mera força taumatúrgica da ferramenta de pesquisa, com as ocorrências pressurosas avalanchando aos milhões, tão imprecisas, com fotos de baixa resolução do console de PS3, do Wii, e que já fique contente com isso, com essa invocação (meu irmão de quatro anos tem algo parecido com fotos de animais e tratores).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;-furta-cebolas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;-Quem escreveu mundo dos pseudoeventos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Ah. Somos nós quem escrevemos esse mundo, meu rapaz. Todos os dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É legal se ver como de alguma forma participando dessas pesquisas todas, de alguma forma metido junto deles dentro de um mesmo corpo amorfo e desengonçado de articulações pouco intencionais, de alguma forma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;responsável &lt;/span&gt;por elas, também. Conjunções muito específicas as quais eu não entendo me ligaram a essas pesquisas todas, só resta concordar e juntar os dedos e tentar divinar a sabedoria maior de deus Google, né, que tudo aponta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ainda (bonus tracks):&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;macacos brigando ate a morte&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;orelhas pequenas quase infantis &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;como arranjar um homosecsual&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style=""&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-2290145301967619336?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/2290145301967619336/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=2290145301967619336' title='11 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/2290145301967619336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/2290145301967619336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2009/09/normal-0-21-false-false-false-pt-br-x.html' title=''/><author><name>andreis passarinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='00105752803655904802'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-3632026196285783636</id><published>2009-08-05T11:30:00.000-07:00</published><updated>2009-08-07T11:39:24.492-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;como ninguém me dá o que fazer no trabalho, eu lhes ofereço outro post enorme, vlw&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;LIT BR CONT &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;1&lt;br /&gt;Num artigo que eu li uns meses atrás, um bróder chamado José Castello falava de como literatura brasileira contemporânea teria agora uma tendência de reinventar a realidade, e não mais apenas se postar como imitadora banal e obediente, automática (como se fosse possível imitar automaticamente a realidade, como se houvesse um discurso claro disponível a se obedecer), fundar suas ficções com princípios tortos e deliberadamente estranhos, turvos, complicadinhos.&lt;br /&gt;    Afora a banalidade maior dessa constatação, da tão pequena tentativa de tentar pegar emprestado uma tendência óbvia e mundial e já velha e tentar dar uma cara ousada e maisoumenos fixa a algo tão informe e despegado de cor como a nossa literatura, a coisa se torna &lt;span style="font-style: italic;"&gt;particularmente &lt;/span&gt;imprópria quando o cara tenta botar no meio o Cristovão Tezza e o seu filho eterno.&lt;br /&gt;    Esse livro, pra quem não sabe, é um romance que fez um sucesso do caramba ano passado, história de um pai tentando lidar com o fato do seu primeiro filho ter síndrome de down, estilão realista tradicional com discurso indireto livre competente e acima da média. O suposto encaixe do Castello estaria no fato do livro de Tezza ter se desenvolvido a partir da tão-ousada decisão do escritor de,  não só fundamentá-lo diretamente na sua experiência (já que o autor viveu justamente a história do livro), mas de ainda botar um filtro entre ele e o personagem, e torná-lo um tremendo babaca bestinham que despreza o filho com síndrome de down durante a maior parte do tempo, chegando a desejar sua morte, e tudo mais. A complexidade, segundo o Castello, se encontraria em algum lugar por aí (ele não faz muito mais além de gesticular vagamente). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Na tão moderna confusão entre o fictício e o real&lt;/span&gt;, é o meu chute. Ele não é o único a achar isso. É impressionante como se insiste em enxergar esse pulinho do Tezza como algo corajoso pra caramba, mesmo depois da recepção tremendamente entusiasmada e rara que o livro ganhou, de quase unânime. Com os prêmios todos, com pilhas de resenhas elogiosas, num lugar tão distraído como esse, deveria de se tornar óbvio que o livro – suas qualidades quais sejam – é uma satisfação bem imediata das expectativas estéticas d’hoje em dia, do gosto desse povo que resenha literatura. Devia se tornar claro que ele não é uma quebra de porra nenhuma.&lt;br /&gt;   Pelo que me parece, a dificuldade do Tezza estava em cumprir um ato significativo que não se esbatesse contra uma breguice incontornável de livro de auto-ajuda, com mensagem óbvia &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Foi Difícil Mas Aprendi A Amar Meu Filho Deficiente Do Jeito Que Ele É E todos Crescemos No Processo&lt;/span&gt;. Sem dúvida que isso seria difícil, que seria quase impossível. A solução dele, então, foi extrair qualquer possibilidade de moralismo ou sentimentalismo óbvio, não só compondo o livro a partir de um filho-da-puta como evitando qualquer moralização maior por parte da narrativa (porque nós estamos, é bem claro, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;muito acima disso tudo&lt;/span&gt;), evitando inclusive a segunda opção técnica óbvia: se distanciar mui sutilmente do personagem para criar aquela ironia fácil que o povo tanto adora por aqui, de que o Chico Buarque claramente se serve no Leite Derramado (que eu só folheei). O que ele põe no lugar não é de nenhuma ousadia moral, sofisticada e assustadora, ou de qualquer complicação que possa te perturbar de qualquer maneira. A miopia do autor não chega tão longe. É apenas rasteiro, é apenas uma operação de sinais trocados, de uma neutralidade moral tão simples e covarde quanto a moralidade óbvia e automática de um romance tolo do século XIV, uma resposta automática e igualmente ingênua na sua compreensão de que está, de alguma forma, sendo fiel à complexidade de qualquer versão coerente da realidade.&lt;br /&gt;    Isso porque o livro não é opaco, não é que as coisas se passem sem valorização nenhuma, nouveau-roman-like. Isso fica bem claro quando o livro apresenta os frequentes arroubos do personagem diante da opressora falta de sentido da vida. Tecnicamente, o livro se demonstra nesses momentos bem convencional (o que não é um problema), bem direto na sua enunciação retórica. O tom amargo e repetitivo do personagem, de conclusões óbvias, medíocres e inexpressivas, desimportantes, se coloca tão diretamente e tantas vezes que o autor acaba descendo e sujando as mãos, mostrando a cara um pouco e dando tchauzinho. Torna ainda mais evidente que as pinças cagonas com as quais ele trata o seu personagem e a complexidade (real) do seu problema não constituem uma técnica formal sofisticada, mas sim a falta de qualquer visão profunda sobre temas um pouco mais complicados, e o medo de se aventurar por terreno (esteticamente) pedregoso.&lt;br /&gt;   Não seria justo esperar de Tezza que ele nos entregasse uma solução moral perfeita e esteticamente agradável de um tema tão complicado, mas tampouco me parece satisfatório aplaudir tão efusivamente o que não passa, no final das contas, de uma realização técnica mínima, que se mantém rente ao chão, de nenhuma coragem ou originalidade expressiva.&lt;br /&gt;   E, tocando no tal do José Castello, o que não dá – não dá mesmo – é  dizer que qualquer coisa tecnicamente sofisticada esteja se operando aqui, que Tezza tenha se distanciado da realidade para fundar seu próprio mundo de agudeza de significado, de turvamento retórico, um parque colorido de recursões autor-personagem do tipo que o Roth mantém. De fato, não há nada nesse livro que não seja claríssimo, imediatamente apreensível. O seu tom, sua técnica, sua escolha vocabular, suas situações, suas conclusões. Ele é todo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;pequeno&lt;/span&gt;*.&lt;br /&gt;   Sim, síndrome de Down é um tema cercado de dificuldades estéticas, minado de clichês. Mas a solução não está – não pode estar – em fingir então que o tema não tem nenhuma importância, em tratá-lo da maneira mais rasteira possível, onde absolutamente nada se arrisca. Os resenhistas parecem se divertir justamente com isso, Estamos evitando tomar julgamentos morais!, estamos contornando posições politicamente corretas e prontas!, isso deve ser grande literatura! Não é.&lt;br /&gt;   Os leitores parecem bastante animados com essa &lt;span style="font-style: italic;"&gt;via negativa&lt;/span&gt;, com esse medo cagão de clichê, além da mera possibilidade de sentirem &lt;span style="font-style: italic;"&gt;alguma &lt;/span&gt;coisa (que a técnica do Tezza possibilita). Mas o que estamos sentindo é só pena. Do autor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*O que não é necessariamente um problema. Grandíssima arte já se fez com tudo pequeno (Chekov, Carver). Mas o pequeno do Tezza se quer grande, se quer Coetzee, quer que a raivinha meio existencial meio burguesa meio medíocre do seu personagem tenha a força de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Disgrace&lt;/span&gt;. Aí não dá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2&lt;br /&gt;Mãos de Cavalo é bacana, sim. Comprem para os seus amigos, seus primos, seus tios, suas namoradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3&lt;br /&gt;Muito divertido, &lt;a href="http://bogotissimo.com/mapas/clarah.htm"&gt;isso aqui&lt;/a&gt;. Os sinais estão corretos e bonitinhos, fluidos e naturais, os pontos de referência (maiores e menores) estão todos firmes, o ímpeto é certo, dever de casa feito. A organização engraçadinha funciona em vários sentidos, ultrapassa o imediatamente &lt;span style="font-style: italic;"&gt;gimmicky&lt;/span&gt;, e, curioso, dá numa leitura não-linear bem mais fluida do que uma impressa daria, e mais divertida, menos aparatosa.&lt;br /&gt;O truque é simples, até intuitivo, mas a graça é justamente essa. A naturalidade com que a coisa se organiza na nossa cabeça, usando de maneira nova de umas ferramentas que a gente já tem, lá, prontinhas na nossa cabeça. Boas sacações formais funcionam assim. &lt;br /&gt;É verdade, também, que os eventos todos se repassam um pouco de desculpa pra brincadeirinha formal, sem aparecer aquela – me desculpem – LIBERDADE PLÁSTICA, aquela – me desculpem de novo – NEGOCIAÇÃO COM A CONTINGÊNCIA, é verdade que o tom irônico não &lt;span style="font-style: italic;"&gt;precisava&lt;/span&gt; diminuir quase todos os personagens da mesma maneira facinha. Mas tou sendo chato, não dá pedir tudo de uma vez, também.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-3632026196285783636?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/3632026196285783636/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=3632026196285783636' title='13 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/3632026196285783636'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/3632026196285783636'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2009/08/como-ninguem-me-da-o-que-fazer-no.html' title=''/><author><name>andreis passarinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='00105752803655904802'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-6723182389461388881</id><published>2009-07-29T12:21:00.000-07:00</published><updated>2009-07-29T12:39:57.905-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Um intervalo auto-indulgente&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;    Eu juro que não gosto de ser chato, e deus sabe que eu costumo engolir seco os tão freqüentes impulsos (no mínimo diários) de OHMEUDEUS, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Someone is wrong on the internet! &lt;/span&gt;Mas meu trabalho tá chato e o dia não passa e, olha, hoje vou ME PERMITIR (tipo uma mulher mãe dona de casa executiva comprando um Sundae no Drive-Thru e comendo em três garfadas, ainda no estacionamento).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem pelo menos duas coisas erradas com&lt;a href="http://www.dicta.com.br/os-brutos-tambem-amam/"&gt; isso aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Primeiro:&lt;br /&gt; Existe já um discurso prontinho, reanimado frequentemente, de que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Essas coisas moderna aí são tudo besta, o que importa mesmo é a beleza&lt;/span&gt;.  Isso costuma significar muito pouco, ou quase nada, e nesse caso não é diferente. Até dá pra conferir algum tipo de validade pro argumento &lt;span style="font-style: italic;"&gt;as-modernidades-precisam-sossegar-um-pouco-de-tanta-bagunça&lt;/span&gt;, embora ele dificilmente seja de interesse para qualquer um,  e seja igualmente articulado por críticos medíocres e a novela das sete, o que não dá pra entender é a parte &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O que importa é a beleza&lt;/span&gt;. Certo. Não dá pra entender se com isso se quer dizer que arte moderna não conseguiu produzir nada de bonito, ou que ela nem sequer está tentando. As duas alternativas são tolas. Ninguém é obrigado a concordar com as premissas engraçadinhas da arte contemporânea, nem da música, nem da literatura, mas achar que existe algum sentido real em simplesmente dizer &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mas gente, o que aconteceu com a beleza???&lt;/span&gt; é de uma ingenuidade constrangedora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo (mais grave):&lt;br /&gt;O autor desqualifica a crítica de o vídeo ser uma propaganda de uma multinacional, tratando o argumento como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;papo de intelectual&lt;/span&gt;. Pelo tom do texto, dá pra supor que ele vê essa crítica como uma imposição meio abstrata, meio teórica, algo que as pessoas se sentem artificialmente na obrigação de sustentar - por estarem imersos num discurso acadêmico, talvez – contra algo que é, assim, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;simplesmente bonito&lt;/span&gt;, e que portanto estaria acima dessas críticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que ele não parece antecipar é o a possibilidade do status publicitário de alguma obra necessariamente atingir qualquer força estética que ela possa ter. Sendo bem didático:&lt;span style="font-style: italic;"&gt; publicidade quer alguma coisa de você, quer te vender alguma coisa&lt;/span&gt;. Isso compromete qualquer definição sustentável de arte, e compromete a nossa relação direta com boa parte das ferramentas estéticas disponíveis. E, sim, existe algo de particularmente perverso na veiculação casual de publicidade, como é o caso dos virais. Vídeos despretensioso de internet são, afinal de contas, uma produção cultural popular genuína, de um alcance considerável e um impacto até bacana. Pode não ser exatamente Brakhage, mas é um canal verdadeiro de interação, com gente tentando se expressar, e tudo mais. O fato de a publicidade tentar tomar esse mundo pra si torna muito mais difícil que a gente confie neles, torna mais difícil que eles consigam transmitir qualquer coisa*.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou nenhum resmungão do tipo do Gaddis, do Adorno, esse confusão aí *gesticula amplamente* é a minha casa, e eu vivo feliz nela. Já estou um tanto acostumado com o espaço que publicidade &lt;a href="http://contracampo.com.br/92/pgpublicidadevenceu.htm"&gt;ganha &lt;/a&gt;como força cultural (prêmio em Cannes, imprensa cultural tratando tudo nos mesmos termos, tudo criatividade, Washington Olivetto na capa da Cult), mas é meio deprimente ver partilhar desse tipo tolo de cegueira a revista que tão altivamente tenta se colocar como contrária à mediocridade nacional, à banalização da cultura. Então tá, então. Depois não me venha falar dos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Exemplo pessoal e pouco representativo: tem um poema lindo do Frost, dos meus favoritos, que termina &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Here are your Waters and your watering place / Drink, and be whole again beyond confusion&lt;/span&gt; . Quando eu li isso pela primeira vez, me veio à mente um comercial de água, essa frase escrita em comic sans numa garrafa da Evian. Eu sei que isso é muito da minha cabecinha escrota, mas existe um sentido aqui. Ela estava acionando um reflexo condicionado, ela tava tentando, tadinha, não ser enganada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(e ainda tem o fato do vídeo ser, ele mesmo, propaganda ou não, bem bestinha, bem pouco original, mas isso nem tem graça dizer)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-6723182389461388881?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/6723182389461388881/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=6723182389461388881' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/6723182389461388881'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/6723182389461388881'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2009/07/um-intervalo-auto-indulgente-eu-juro.html' title=''/><author><name>andreis passarinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='00105752803655904802'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-5086388480437713905</id><published>2009-07-23T10:29:00.000-07:00</published><updated>2009-07-23T10:46:42.968-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Notes on awesome (um post horrivelmente grande)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;    Though I am speaking about sensibility only -- and about a sensibility that, among other things, converts the serious into the frivolous -- these are grave matters.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho até um carinho considerável por toda a cultura de awesomeness (que eu traduzo, meio idioletamente, como cabulosidade), mas me  incomoda um pouco a valorização que anda se dando, a confiança deposta nos seus ombros, achando-se que o buraco não tem fundo e a força do negócio pode ir se auto-afetando indefinidamente, cheio das implosões bulbosas, dos Zumbis caubóis e tiranossauros ninjas e piratas chtulhu dirigindo suas motos e seus dirigíveis até o infinito, os termos negociados numa pequena e confusa retomada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    A coisa vai progressivamente ganhando seus carimbos de reconhecimento e legitimidade, vai se consolidando e &lt;a href="http://www.dapperstache.com/index.php?contenttype=ptoa&amp;amp;title=ptoa"&gt;endurecendo&lt;/a&gt;. É um progresso sempre contrito e contraditório para uma sensiblidade, um troço tão fugidio, que progressivamente perde um pouco da sua graça frágil ao ganhar contornos oficiais e se estabelecer melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Dá pra ver&lt;span style="font-style: italic;"&gt; um dos lados &lt;/span&gt;da coisa progredindo de um jeito bem simples, e feio, no caso do Duro de Matar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    *ahem*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    O primeiro filme – talvez até o segundo* - tem uma relação ingênua e direta com seus termos heróicos de masseza absurda, a ligeira subversão de convenções se deve muito ao carisma meio acidental do Bruce Willis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    O filme veio na esteira de um milhão de filmes do tipo, de policiais durões que não seguem as regras e improvavelmente salvam o dia, ao mesmo tempo afirmando e contestando a autoridade das instituições, e tudo mais. Mas ele foi o único filme que manteve uma graça confusamente irônica, do Bruce Willis realizar seus atos implausíveis com uma aparente consciência de cantinho de boca do tanto que estava sendo absurdo e improvável. É um marco do que viria a ser esse tipo de sensibilidade, mas a aparência é de um processo bem acidental e natural, até quase inocente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Mas aí vem temos o Duro de Matar 4, tão recente, já mil anos depois, com seus produtores e roteiristas presumivelmente crescidos com a assimilação dos primeiros filmes,  com tipo sessões bêbadas de VHS do filme em dormitório de faculdade, já processada a aura cultural, a pala já sustentada e coerente, e reproduzida aqui de um jeito não tanto espontâneo e engraçado quanto calculado e frio, e triste. Todo mundo entende, nesse último filme, que o que se passa é ridículo (John Mclane derrubando um caça nas mãos, atirando através de si mesmo para atingir o malvadão, etc), e, perversamente, já se arquiteta o filme com essa retomada, essa segunda qualidade subjacente à qualidade mais imediata. É meio que um motivo já fixo dos tempos: alguma apropriação divertida e razoavelmente genuína de algum item de cultura popular é retomada artificialmente pela própria indústria, com aquele cheirinho de publicitário. Como quando os produtores perceberam a piada que se fazia em torno de Snakes on a Plane e tentaram forçá-la adiante, chamando o Samuel L Jackson (talvez o maior talismã nerd hoje em dia, e embaixador de awesomeness auto-consciente, conseguindo ser ao mesmo tempo um jedi, protagonista do Tarantino, Nick Fury e vilão do Spirit) e ridicularizando o troço. Não funciona. Seria o equivalente a um novo filme do Chuck Norris onde seus recém-adquiridos atributos cabulosos fossem devidamente aplicados, e ele constituísse uma paródia genuína de si mesmo. Os fãs iriam animadões pro cinema e não entenderiam o porquê de tanto desapontamento, da graça se gastando em alguns minutos, a auto-afeção tremenda morrendo ali quando oficial, quando  institucionalizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Isso de se apreciar justo o ridículo e o improvável dos filmes simplistas e formulaicos de ação não é uma complicação crítica genuína, é só uma autoconsciência formal. É o que acontece depois de décadas de um gênero tão apressadamente reproduzido e pesadamente consumido, são os consumidores se acostumando quase &lt;span style="font-style: italic;"&gt;mecanicamente &lt;/span&gt;ao reconhecimento dos tropos, e passando – faltando qualquer outro estímulo significativo - a apreciar justamente essa auto-consciência. Hipertrofia, tipo, uma previsível, triste e recorrente em quase todo canto. Não é como se esse suposto espírito crítico quisesse no lugar um realismo decente, que desse conta de alguma versão coerente da realidade. Apenas se quer que as convenções sejam reformuladas de maneira esperta, que dê conta de uma mais potente capacidade de apreender reversões e sacadas narrativas (por exemplo: Bourne). Mas ainda tudo se passa sempre no mesmo nível.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Daí que a curtição de awesomeness parece se contentar com a afirmação - irônica, né? (eu sei, também tou cansado) – dessas convenções meio ridículas de importância e grandeza épica, parece se contentar com uma confirmação delas, e com um certo carinho que se adquire pela sua artificialidade formal e estilizada, pela satisfação tão pequena e previsível das convenções imbecis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*o 3 não conta muito, porque, que nem que Super Mario 3, é um caso muito evidente de imposição de uma franquia numa estrutura alheia, com uns esforços mínimos pra que a coisa faça algum sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-5086388480437713905?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/5086388480437713905/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=5086388480437713905' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/5086388480437713905'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/5086388480437713905'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2009/07/notes-on-awesome-um-post-horrivelmente.html' title=''/><author><name>andreis passarinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='00105752803655904802'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-1677379900496068180</id><published>2009-06-14T09:36:00.000-07:00</published><updated>2009-06-15T09:54:12.896-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;He is fertile as reality itself in arresting incronguities&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; -&lt;br /&gt;Todo romance do Bellow parece ter a tão bonita tarefa alquimística de tentar salvar a opacidade das rudes aparências, reconhecê-las em alguma forma significativa confusa. E isso sem nenhuma das soluções habituais, nenhuma geringonça formal de redenção e explicação, buracos de encaixe evidente, ironias oniscientes, sem complicações retóricas que toldem as águas, para que pareçam mais profundas do que são. Sempre um narrador de primeira pessoa de quase nenhuma distância do autor, olhando pra gente nos olhos, (quase) todos os níveis diretamente enunciados. Tentando cumprir um ato significativo a partir de uma dolorosamente verossimilhante realidade, que esperneia de impurezas, que não quer significar nada de tão extraordinário assim, não. Coleridge falou que arte devia nos livrar das  ‘&lt;span style="font-style: italic;"&gt;disturbing&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;forces of accident&lt;/span&gt;’. Bellow colocava seus hominhos agitados atentamente recolhendo tudo, tudo, todos os pontiagudos acidentes irredimidos, que eles se intregrassem e se consagrassem pela sua força expressiva até algo além deles mesmos. O que, claro, nunca se operava de verdade. Mas a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;tentativa&lt;/span&gt; escancarada deixa seus mundos povoados de uma dificuldade e de uma gratidão. Eu gosto tanto dele.&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Música &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Veckatimest &lt;/span&gt;muito bacana, como tanta gente irá te dizer. E também, e mais ainda, o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Bitte Orca&lt;/span&gt;. É engraçado que desde Radiohead nenhuma banda realmente legal faz mais o caminho do mais-acessível pro ruidoso-e-doidinho. Agora é o contrário, você começa fazendo barulho auto-indulgente e arrastado e progride a coisas mais acessíveis e, curiosamente, bem melhores. Música pop tem aptidão presse meio termo, mesmo, parece. Animal Collective, Grizzly Bear, Broken Social Scene, e agora Dirty Projectors. Alguém mais esperto me diga o que isso significa, se alguma coisa.&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Design&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;Eu não gosto de design.&lt;br /&gt;-&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-1677379900496068180?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/1677379900496068180/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=1677379900496068180' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/1677379900496068180'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/1677379900496068180'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2009/06/he-is-fertile-as-reality-itself-in.html' title=''/><author><name>andreis passarinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='00105752803655904802'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-1487563970893410872</id><published>2009-05-22T15:43:00.000-07:00</published><updated>2009-05-24T20:22:16.805-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>-&lt;br /&gt;Eu agora estou também &lt;a href="http://andreisp.tumblr.com"&gt;aqui&lt;/a&gt;, todo multimídia e agitadinho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-1487563970893410872?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/1487563970893410872/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=1487563970893410872' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/1487563970893410872'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/1487563970893410872'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2009/05/eu-agora-estou-tambem-aqui-todo.html' title=''/><author><name>andreis passarinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='00105752803655904802'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-5529967253138801752</id><published>2009-05-15T12:58:00.000-07:00</published><updated>2009-05-15T13:22:13.798-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; 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O texto é tido como um clássico jornalístico, um exemplo de como dá de se fazer Arte a partir do jornalismo. Quando eu li, pensei imediatamente em Santiago, ainda mais sabendo a importância que o JMS dá para o jornalismo literário (que ele, burramente, tem como tão importante quanto a ficção, pra segunda metade do século XX, sóseforhein).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Santiago também tem um autor que traça equivalências pessoais com o seu objeto documentado, tentando formar (ou encontrar) um discurso em comum, um tema meio pronto ali entre os dois. Mas essa equivalência temática dos dois acaba evidenciando o tanto que o tratamento do JMS é um tanto mais sofisticado do que o do Mitchell, né, o tanto que os pressupostos estéticos atuais resultam numa obra bem completamente diferente. O que não é acidental, e acaba por ser eloqüente sobre um bando de coisa (que tentarei explicar).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Santiago é todo complicadinho, todo repleto de camadas e temas diretamente enunciados, quase didaticamente dispostos. O que é engraçado, e que torna o filme distinto, pra mim, é que os temas sejam todos literários. Não só tradicionalmente literários, mas que estejam mesmo dispostos de maneira literária (isso não deve ser tão raro quanto me parece, com os Chris Marker aí e tudo, filmes-ensaios, mas pra mim é curioso). São poucos os recursos do filme que dependem exclusivamente de linguagem cinematográfica (o que quer que isso seja).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas seu eu tivesse que escolher um tema central, por mais chatas que sejam essas tentativas, seria a da terrível dificuldade que espreita por trás de qualquer produção de sentido, um certo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;constrangimento final &lt;/span&gt;(&lt;span style="font-style: italic;"&gt;tou numa fase de itálicos&lt;/span&gt;). Um constrangimento que compreenderia tudo. De todos os vários tropos e recursos e elementos temáticos da obra, eu reconheço esse fio em comum, esse padrão onde tudo se enreda. Isso está na própria figura (quase trágica) do Santiago, ao tentar se colocar como o personagem do documentário que o JMS-de-93 quer fazer, isso está na sua gigantesca e caseira e inútil empreitada de se capturar e listar a nobreza mundial*(que se equivale maisoumenos ao espírito falho e bonito da empreitada também canhestra e excêntrica do Joe Gould), isso está no lirismo-de-memória do filme**, enviesado e típico, de desconfiança amarga-e-doce dos nossas tão-suspeitas faculdades de produção de sentido , etc. Tá em tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez a principal maneira desse fio em comum se manifestar no filme esteja na sua recursividade metaficcional, que é o seu recurso mais imediatamente notável (e mais imediatamente notado, em resenhas e tal). O filme, principalmente ao tratar direto do primeiro corte do documentário, de 93, fala toda hora dos seus movimentos formais, das premissas retóricas de algumas das convenções que ele abandona, além de um certo constrangimento estético e retórico (e finalmente moral) que existe nas tentativas óbvias e ingênuas do primeiro corte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De se tentar firmar o Santiago como um personagem numa narrativa prontinha e artificiosa, superficial***. O que está em ação aqui, é bom notar, é um tropo já assente, já familiar, do artista candidamente desvelando-se em honestidades, descascando as premissas formais da sua arte para atingir uma suposta autenticidade final, um apuramento infinitamente confiável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso é tão rotineiro que até publicidade (que é como um deserto pra onde recursos e imagens artísticas vão quando morrem) faz. Po-mos americanos já tentaram fazer o que seria o passo lógico seguinte, submetendo a própria prática metafficonal à mesma tentativa de desvelar seus mecanismos e tentar atingir uma autenticidade retórica final. É evidente que o negócio espirala involutamente num progresso engastado, sem nenhum fim previsível. Há sempre um mecanismo retórico a ser revelado e exposto em honestidade (‘eu estou te falando dos mecanismos da ficção pra você confiar em mim, e admitindo isso para que confie mais ainda, etc’). Barthelme tá cheio disso, mas a tentativa mais exagerada que eu conheço nesse sentido é Octet, do DFW (cujo sucesso é bem discutível). É difícil imaginar uma tentativa séria ainda mais extremada do que aquela, acaba funcionando meio como um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ok, já deu, bora desligar a luzinha dos nosso chapéu de minerador e voltar pra superfície.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E no entanto o negócio &lt;span style="font-style: italic;"&gt;funciona &lt;/span&gt;em Santiago, eu digo. O filme realmente consegue usar de todas essas ferramentas literárias, já meio cansadas, para trazer uma autenticidade pro seu discurso, para se tingir de uma autoridade retórica que não se costuma conferir a muita coisa hoje em dia (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;além do Obama, a-yo!&lt;/span&gt;). E é curioso que funcione, com o filme se apresentando tão imediato de temas relevantes, de recursos familiares, de um clima &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Senta-que-lá-vem-uma-arte&lt;/span&gt;, piano-feeling, p&amp;amp;b. Eu confesso que a minha reação inicial, meio martelinho-no-joelho, foi de desconfiar, de achar tudo muito encaixadinho, como um pássaro mecânico que tenta demais, ou uma cebola de infinitas camadas descascáveis****. Mas o filme me ganhou, de verdade, de com força, talvez principalmente pelo carisma do Santiago, que é um grande dum bróder, e que parece pronto a sair significando adiante em qualquer romance do século XX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E talvez esses engenhos literários meio artificiosos todos ganhem legitimidade no filme justamente por ser um documentário, e não um trabalho de ficção. Ficção que se meta a recursos formais ou temáticos muito vistosos e evidentes corre sempre o risco de perder parte de sua força, de nos deixar suspeitos quanto a importância ficcional da realidade que se mostra e se constrói, derrubando a suspensão de descrença à procura das intenções por trás das cortinas. A realidade dos eventos de Santiago não deixam que isso jamais aconteça. Apesar do rastro tão pesado dos recursos e temas, nada jamais se diminui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Também esse parece, curiosamente, um elemento literário, embora seja, é claro , algo real. e não trazido pelo JMS. Há muito tempo que se considera especificamente o constrangimento da lista enquanto produtora de sentido. Há o exemplo divertidão de Borges, da enciclopédia chinesa, que Foucault cita e que é, por sua vez, citado pelo Gass (risos). Mas o filme foi bem esperto em se centrar naquilo que só um filme poderia trazer, trazendo o constrangimento &lt;span style="font-style: italic;"&gt;material &lt;/span&gt;da lista, sua tipografia tosca, suas fitinhas fiapadas. É lindão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**Que seria, segundo não-lembro-quem-mas-juro-que-existe, o principal tema da literatura no século passado. Eu pessoalmente sou meio engastado com ele, com Sebald e parte da galera, leio sempre com reticências automáticas (“Minha memória me trai” -&gt; “Minha memória me trai...”), mas isso é provavelmente bobajada de quem não leu Proust direito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***Pode-se dizer que o filme faça a mesma coisa no corte atual, só que de uma maneira mais sofisticada. É estranho que o JMS não pareça admitir isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***mal aew.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-5529967253138801752?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/5529967253138801752/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=5529967253138801752' title='9 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/5529967253138801752'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/5529967253138801752'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2009/05/normal-0-21-false-false-false-pt-br-x.html' title=''/><author><name>andreis passarinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='00105752803655904802'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-8364051590302328543</id><published>2009-05-02T12:14:00.000-07:00</published><updated>2009-05-02T12:23:01.028-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>////////&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_8O-jkxMCHlQ/SfydQSWt9BI/AAAAAAAAACY/UupPB8EJvTA/s1600-h/X6sh6C0oTmif9e8fpP4WqvBVo1_500.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 224px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_8O-jkxMCHlQ/SfydQSWt9BI/AAAAAAAAACY/UupPB8EJvTA/s320/X6sh6C0oTmif9e8fpP4WqvBVo1_500.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5331308962030416914" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;UM POST ATUAL&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;////&lt;br /&gt;Gente olha que coisa. O que se traz com a irrupção cabulosa de blogs, de perfil-do-orkut e, agora, do twitter, é a consolidação de toda uma multidão de pessoas cujo, *ahem*, self-fashioning está estritamente conectado com um hábito lingüístico. Acho que ninguém esperava por isso, quinze anos atrás. Já houve tempo onde empreitar uma formação-do-eu a partir da escritura de um texto era vanguarda, era revolução, era coisa&lt;span style="font-style: italic;"&gt; tremendamente sofisticada&lt;/span&gt;. Montaigne ensaiando a si mesmo, Santo Agostinho se confessando, Rousseau brincando (sei lá como, nunca li) d’o homem moderno. Hypomnemata laboriosa e séria (mesmo no caso tão esguio do Montaigne). As versões atuais são vulgares e pequenas, e principalmente superficiais, mas não se distanciam completamente de uma idéia parecida de uma construção pessoal.&lt;br /&gt;Quem é mais esperto consegue, suponho, se adaptar com mais sofisticação à realidade expressiva do negócio, e presumivelmente deve se criar toda uma cultura agradável e engraçadinha, uma forma de se enxergar as coisas e de se reproduzirem graças e níveis suplentes. Mas os usuários mais clueless (que são, como sempre, quase todos) devem logo deixar essa pequena técnica informar terrivelmente a vida deles. O que é engraçado de qualquer mídia nova e brilhante e pervasiva como essa é que não deve influenciar apenas a capacidade expressiva das pessoas, circunscrevendo a imaginação delas a esse impedimento de 140 caracteres, a um caráter tão específico de publicação, mas - e isso é mais importante - imagino que eventualmente essa forma deve também influenciar o modo de neguinho viver as coisas, tornando a vida delas uma sucessão de oportunidades twittáveis, o mundo averbado em pseudo-eventos reduzíveis a 140 caracteres. *põe dedos nas têmporas* &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Oooh Shiiit.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;///////&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo se reduz a uma antologia ou repertório de pequeníssimas, minúsculas articulações estéticas. Civilizações existiram para completar Age of Empires, Buda existiu pra dar em estatuazinhas gorduchas que nos preenchem de boadisposição genérica e multiculturalismo, vidas ilustres existem para acabar em cinebiografias com estrelas de Hollywood, os anos 50 existiram para que Mad Men, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;\\\\\\\\&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sobrevida laggada de um perfil desativado do Orkut causa um efeito engraçado, com aquele lirismo já empacotado de luz-de-estrelas-mortas. Porque estamos acostumados a enfrentar perfis como extensões da pessoa, uma impressão que se valida não só pelo alto grau de personalização que ocorre em cada elemento do perfil, quanto pelo fato dele poder ser atualizado e modificado a qualquer momento (o que traz um efeito de atualidade, a  impressão de uma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;presença &lt;/span&gt;esquisita pairando sobre aquilo). Quando se perde o controle de edição sobre um perfil desativado, ele fica verdadeiramente fora do alcance da pessoa, torna-se uma extensão morta, mas que ainda estamos acostumados a julgar de acordo com os critérios antigos (já bem falsos e confusos). É uma coisa que existe&lt;span style="font-style: italic;"&gt; tão pouquinho.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-8364051590302328543?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/8364051590302328543/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=8364051590302328543' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/8364051590302328543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/8364051590302328543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2009/05/um-post-atual-gente-olha-que-coisa.html' title=''/><author><name>andreis passarinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='00105752803655904802'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_8O-jkxMCHlQ/SfydQSWt9BI/AAAAAAAAACY/UupPB8EJvTA/s72-c/X6sh6C0oTmif9e8fpP4WqvBVo1_500.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-2496433277612566238</id><published>2009-04-16T12:23:00.000-07:00</published><updated>2009-04-16T12:29:37.809-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;UM EITO DE CITAÇÕES &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;4 U&lt;/span&gt; /                                                                                                que andei acumulando nos últimos, sei lá dois meses. pedaços curtos cuja graça não depende (pra mim) de contexto, funcionam (pra mim) como pecinhas soltas imediatas de graça. Eu poderia ter um tumblr só dessas coisas, ou um twitter, um equivalente escrito de um &lt;a href="http://wordofcommand.tumblr.com/"&gt;bom &lt;/a&gt;indexador de imagens. mas não, vou colocar todas aqui misturadas assim mesmo. Mesmo quando sou moderninho, eu sou antiquado, tá vendo que coisa.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Todas as coisas estavam juntas&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;. &lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;The process of the breaking day was unknown to them. &lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;(such a world of total metaphor is the formal cause of poetry)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Há um pastar meu e de ovelhas, &lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;so all things hobble together for the only possible.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p style="margin-left: 36pt;"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Todos os abutres são fêmeas, fecundados pelo vento. Não resta qualquer dúvida a respeito.&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;It is a curious tendency in human nature to believe in disillusionment: that is, to think we are nearest the truth when we have established as much falsehood as possible. &lt;/span&gt;Sendo considerado um pleonasmo falar em 'liana lenhosa'&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;The sky takes on content, feeling, an exalted narrative life. Remembering disasters.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt; This dark alterity, simia dei. Yet this absence of imagination had itself to be imagined (see also pantheistic solipsism).&lt;br /&gt;   &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;E há de parir um sapo / metido num guardanapo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;TIGER ROBOCOP NELES, ARQUITETOS DA INFORMAÇÃO&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;  &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p style="margin-left: 36pt;"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-2496433277612566238?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/2496433277612566238/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=2496433277612566238' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/2496433277612566238'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/2496433277612566238'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2009/04/um-eito-de-citacoes-4-u-que-andei.html' title=''/><author><name>andreis passarinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='00105752803655904802'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-3151763029860934287</id><published>2009-03-31T11:45:00.000-07:00</published><updated>2009-03-31T11:48:44.307-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;-Mas daonde é que vem tanta água?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    A árvore era grande e desorganizada, ela se abria indecentemente em galhos grandalhões que terminavam em folhas pequenininhas poucas, desapontantes, como se desfalecesse.  Seria feia, se árvores conseguissem ser feias. O raio da sua copa era delimitado no chão por bolinhas pequenas que haviam todas caído recentemente.&lt;br /&gt;    Verde, cinzas e verde-cinzas, e que ainda caíam, de minuto em minuto. Como se a árvore tentasse com esforço manter um ritmo impossível com aquilo, percutindo no chão de pedra.&lt;br /&gt;    -É que eu queria ir pra Austrália.&lt;br /&gt;    Eu olho pra baixo pra cara dele e ele continua olhando pro céu. Mesmo sabendo, mesmo tendo já uma casca meio dura, eu quase sempre tenho um meio segundo de tentar entender o sentido e o possível contexto do que ele quer dizer. É ainda sempre mais fácil do que acreditar que não há mesmo contexto, que são sinapses qualqueres que decidiram dar a mão e fazer bagunça. Porque sim.&lt;br /&gt;    Eu passo a mão no cabelo dele, devagarinho, concordo.&lt;br /&gt;    Minhas mãos são pequenas, pequenas o bastante pra eu não me acostumar com a pequenez delas. Pra toda vez eu olhar e pensar Caramba, como minhas mãos são pequenas. Parecem as mãos de uma outra coisa, de uma boneca. Eu ponho a mão no queixo dele, envolvendo a cara pequena e frágil, sentindo o osso debaixo da pele. Ele não se mexe.&lt;br /&gt;O chão é de alguma pedra que eu não sei o nome, uma pedra áspera e pontiaguda, rachada pelas raízes da árvore, que se pegam à terra num esforço tão bonito. A pedra do chão é também a pedra do banco onde eu estou sentada e ele está deitado. A pontiagudeza quase faz com que o banco descumpra seu propósito de coisa sentável. Ele tem que estar desconfortável, mas eu não sou a mãe dele, né. A pedra está meio fria, mas ainda guarda um calor antigo, que nem o meu corpo, ainda meio acalorado nuns fiozinhos irritantes de suor. Cai outra fruta-bolinha. Eu fico atenta achando que ele vai querer comer uma delas, pronta pra tirá-la da mão dele.&lt;br /&gt;     Mas se ele nem come frutas comestíveis, cortadas e dispostas pra ele em cima de um prato.&lt;br /&gt;    A maior dificuldade de acreditar que as frases não querem dizer nada é que elas não são realmente aleatórias. Não são. Eu faço frases aleatórias na minha cabeça pra testar, e elas costumam soar tipo: Mas o calor não se faz com tijolos, e De tarde o azul tira as botas. Comida boa é comida morta. Elas são só bestas, às vezes engraçadinhas, no máximo. As dele geralmente parecem tentar querer dizer alguma coisa, parecem ao menos fazer referência a alguma expressividade comum, coisas que ele já deve ter ouvido em algum lugar. Ele é quase um artista dentro da doidice dele. É assim que crescem e se multiplicam as produções das águas, eu penso.&lt;br /&gt;    Mas nem tem nada a ver.&lt;br /&gt;    Ele tá deitado no meu colo, com a camisa meio feia que ganhou de presente (da silhueta um surfista, e escrito SURF IS MY FREEDOM) e o short preto habitual e tênis de futsal, que ele nem joga. A orelha dele pequena e tão perfeitinha, que eu admiro como se só ele fosse capaz de produzir cartilagem no mundo, e como se isso fosse, de alguma forma, algum mérito dele. O cabelo recatado e curtinho dum corte recente e trabalhoso (ele não aceita as mãos do cabeleireiro, tem horas que eu que tenho que segurar a cabeça dele).  Eu olho pro cabelo bonito dele na testa, tão melhor que o meu, o que é injusto de umas três maneiras diferentes. A orelha sujinha e os ombros de garoto, ossudos daquele jeito limpo e infantil, fresco. Seu joelho tá machucado de uma queda qualquer inconseqüente, ralado numa casquinha já desaparecendo. Eu não consigo me lembrar da última vez que tive casquinha, é quase como se seu corpo parasse de produzir, parasse de se importar tanto com algo já tão estragado. Cai outra frutinha, perto dele. Ele treme um tremelique desconcentrado através do corpo todo, quase abstrato. Elas caem rapidamente e estacam no chão com um baque surdo baixinho, quase imperceptível, tão rápido, parece que puxadas.&lt;br /&gt;    Isso é porque elas são puxadas, né, imbecil.&lt;br /&gt;     Ele geralmente come as casquinhas assim que aparecem, o fato dessa ter ficado tempo o bastante até sumir me lembra da última vez que eu o vi comendo e briguei com ele. Eu penso em sair dali por causa das frutinhas, mas só eu tou dentro do raio da árvore, ele tá fora. Parece covarde sair dali só por causa de uma frutinha, com ele tão confortável e sossegando o meu colo.&lt;br /&gt;    Mas os olhos dele não estão quietos, nunca estão. Parecem sempre no meio de alguma coisa.&lt;br /&gt;    Embora provavelmente não estejam.&lt;br /&gt;    Ele põe o dedo no nariz e eu tiro, gentilmente. Ele sabe que não pode, e não resiste. Cai outra fruta, mais perto de mim. Tem um pássaro bonitinho todo igualmente marrom que fica virando de um lado pro outro toda vez que cai uma frutinha, tentando entender o que se passou. A pose dele é marcadamente inquisitiva, o que é muito massa e nem faz sentido. Eu quero tirar foto dele, mas minha câmera tá dentro da mochila e até eu tirar ele não vai mais estar super legal e inquisitivo, eu sei. Eu sei porque o mundo é sempre assim, sempre te mostrando pássaros legais e te negando fotos deles.&lt;br /&gt;    E ainda tem que eu tiro foto mal pra caralho.&lt;br /&gt;    Ele faz um barulhinho de quem se espreguiça, sem se espreguiçar de verdade. Às vezes ele faz essas coisas, uns elementos normais soltos e descontextualizados. Eu tenho vinte e dois anos e a única pessoa que não me deixa pesadamente solitária e paralisada de auto-consciência é o meu irmão doidinho. Cai outra frutinha, ou bolinha, ou fruta-bolinha, não consigo me decidir. Eu levanto minha cara pra ver onde está a que caiu e todas estão imóveis, como que assustadas. O raio de bolinhas ainda está determinado meio certinho, quase um círculo, o alcance da oferta daquela árvore, a oferta inútil sobre aquele círculo de pedra.&lt;br /&gt;    Eu percebo pela décima vez naquela semana, segunda vez naquele dia, que a minha mania de narrar o que acontece toda hora desse jeito deve ser uma maneira meio desesperada de impor forma e sentido nas coisas. E uma meio infantil.&lt;br /&gt;    Ele levanta o torso e o gira em minha direção, meio desajeitado, apressado e com uma expressão inquisitiva bem exagerada, como se eu tivesse acabado de fazer algo ultrajante com ele.&lt;br /&gt;    -Daqui a pouco a gente vai, daqui a uns cinco minutos.&lt;br /&gt;    Ele parece entender, e faz algo com o queixo que pode perfeitamente ser um gesto de concorde. Gesto de concorde, olhem só para mim, presidente da Academia Brasileira de Letras. Não, obrigado, srta. Fagundes Telles, já comi biscoitos demais.&lt;br /&gt;    E ainda por cima meus braços são mais peludos do que o dele. Por altos ângulos eu imagino que meu corpo nem pareça nada com o de uma menina, e as roupas nem ajudam. Nem tampouco me escapa que o meu reconhecimento de que eu tou narrando tudo de uma maneira infantil seja também uma forma  enviesada de legitimar o que eu estou fazendo, uma também infantil. Para que daí eu possa continuar sem problemas.&lt;br /&gt;    Meio isolado, em volta dessa árvore grandalhona e desajeitada, desfalecente,  dois bancos que se encaram e um chão redondo que não serve pra nada. Não dá pra entender tão bem o que era pra ser isso. Os dois prédios visíveis daqui tem a mesma altura e a mesma traseira perfeita inteira de pequenos cobogós vazando luz pra dentro de suas cozinhas. Os dois são paralelos e partilham uma pequena rua curvada bonitinha e retocada de uma calçada nova. Meu irmão olha pra tudo isso e parece tranquilo, parece assentir de alguma forma pequena. Parece,embora dificilmente esteja, concordar com aquilo, aquela arrumação, concordar com a cidade transida de ordem (não, Sr. Sarney, ainda não tive chance de ler o novo livro; é romance?).&lt;br /&gt;    Uma das vantagens é que ele não se envergonha, e daí que eu possa me reclinar sobre ele e beijá-lo na testa por tanto tempo.&lt;br /&gt;    O céu é gigantesco e auto-importante, cheio de nuvens tremendas e formidáveis, tufos acarneirados e bonitinhos, maduros de chuva.  Ele parece ocupar quase todo o meu campo de visão, deixando só uma coisinha de nada pros prédios baixos e as árvores modestas. Cai ainda outra bolinha. Mesmo agnóstica, a única palavra que soa apropriada ao falar do seu irmão era milagre, o que ela nunca havia feito em voz alta. E nem sabe tão bem o que quer dizer com isso, se é que alguma coisa. O que não a impede de usar a palavra mentalmente, e com frequência, assim como não se impede de se sentir principalmente grata, grata a ninguém em particular. A parelha estável de duas das maiores nuvens se move integralmente, com uma rapidez deselegante. Isso de não ter a quem se sentir grata era meio chato, tipo quando o vento derrubava uma manga madurinha bem na sua frente e ela pensava ‘Pô, valeu’.  Na verdade, ela se via sem querer tomando parte em todo tipo de breguice ao pensar no irmão, todo tipo de coisa que antes não significava nada. Que a maneira dele de entender o mundo só acontecia lá dentro, e em nenhum outro lugar, que era único. Esse tipo de coisa. Dentro dessa caixinha, desse limite que ela determinava agora com as mãos, na dureza das têmporas. Uma palavra pronunciada uma única vez, hapax alguma coisa, hapax legonãoseioquê. Meu irmão continua levantado ao invés de se deitar de novo, um gesto tradicionalmente visto como um gesto de impaciência. Ele olha pras unhas, suspeito (mas ele dificilmente tinha jamais tido algo parecido com uma inocência, pra agora estar suspeito). Passam um esmalte nele que deixa as unhas amargas, pra ele não roer, e eu nunca entendi exatamente quê que tem roer as unhas, qual o problema. Deixa ele roer, ué. Por cima dele as nuvens rodando, apressadas. As produções das águas. Ele guarda o que ouve e vê e imita, e isso é normal, apenas não é normal que ele o faça tão bem, com uma aparente seleção, hierarquia. Ninguém concorda comigo sobre isso. Ele volteia algo que vai dizer, faz que vai desistir e depois que não. Ele parece tentar reaver algo do fundo da cabeça, na ponta da língua. Quando ele finalmente fala ele tá olhando diretamente pra mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(nem revisei de verdade, postar rapidamente aqui antes que passe o RAPTO de FALTA DE VERGONHA)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-3151763029860934287?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/3151763029860934287/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=3151763029860934287' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/3151763029860934287'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/3151763029860934287'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2009/03/mas-daonde-e-que-vem-tanta-agua-arvore.html' title=''/><author><name>andreis passarinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='00105752803655904802'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-3963866919727788512</id><published>2009-03-07T16:03:00.000-08:00</published><updated>2009-03-07T16:16:20.515-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_8O-jkxMCHlQ/SbMOCWusVnI/AAAAAAAAACQ/w_Bcuy3fG1M/s1600-h/VF5WQdmu0iyf9amcltCzj205o1_400.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_8O-jkxMCHlQ/SbMOCWusVnI/AAAAAAAAACQ/w_Bcuy3fG1M/s320/VF5WQdmu0iyf9amcltCzj205o1_400.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5310603819223897714" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;o universo, hoje&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;TIPO CULTURA, ASSIM&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;Vendo &lt;a href="http://imomus.livejournal.com/435556.html"&gt;COISAS &lt;/a&gt;desse tipo, parte de mim se assusta genuinamente com o tipo de sofisticação que se desenvolve tão descaradamente em volta de termos tão tímidos, tão finalmente desimportantes. A coisa já se apresenta com toda a complexidade circunstancial de uma Tradição maiúscula, um cânone, com refrações e ecos de segunda e terceira ordem, etc. Como se apenas o fato de nós termos, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;necessariamente&lt;/span&gt;, esse ponto de contato cultural popular tão avassalador, esse cobertor que-tudo-comprende e que nós remete a algum conforto meio quentinho (atualmente: os anos 80, mas vareia, já quase vira os 90) indicasse para muita gente que a recursão e a utilização devidamente esperta dessas referências e subníveis bestas deveriam configurar uma espécie de ato significativo, a articulação de alguma verdade estética, de alguma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;totalidade, &lt;/span&gt;&lt;span&gt;até&lt;/span&gt;. É certo que todo o - err - &lt;span style="font-style: italic;"&gt;lixo cultura&lt;/span&gt;l é nosso, e deve ser tratado como nosso, compreendido como nosso vocabulário e paisagem, mas a interação simples desses elementos, re-arranjar de cartas, não tem como dar em nada que seja mais do que engraçado ou curioso. Parece que as pessoas se sentem nas bordas de algo, ao lidar com isso tudo, mas deve ser só uma hipertrofia esquisita, mesmo. É ainda mais deprimente que esse garimpo e revitalização e ressureição de itens e elementos de vinte anos atrás se dê com uma suposta carga negativa e assim-dita irônica. É como se estivéssemos tão profundamente soterrados nos termos desse tipo de cultura que a única sofisticação possível fosse a afirmação negativa de tudo que conseguimos reconhecer como banal e ineficiente, como brega. Todos os acenos de cabeça incessantes. Aquilo que já se considerou tão seriamente O MAL, NA ARTE, agora é a maior área em comum, o ponto de contato imediato, a referência em comum de toda uma geração. Isso tem que ser assustador.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-3963866919727788512?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/3963866919727788512/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=3963866919727788512' title='12 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/3963866919727788512'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/3963866919727788512'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2009/03/o-universo-hoje-tipo-cultura-assim.html' title=''/><author><name>andreis passarinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='00105752803655904802'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8O-jkxMCHlQ/SbMOCWusVnI/AAAAAAAAACQ/w_Bcuy3fG1M/s72-c/VF5WQdmu0iyf9amcltCzj205o1_400.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-6741334338131454842</id><published>2009-03-01T19:13:00.000-08:00</published><updated>2009-03-01T19:32:12.808-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;And the dead kelp like the hair of the drowned&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Parece que romance não-terminado do DFW vai ser editado nalgum ponto. Much rejoicing, tal, mas leiam o troço da New Yorker sobre (bem longo, tem que ter saco) e vejam se não aparece uma porra duma torranja trevosa travando sua garganta. Mesmo se o livro não for metade do sucesso que IJ é (e IJ já tem sua boa dose de falhas e concessões aqui nossas), vai ser uma das pourras mais dolorosas que eu vou ler na vida, eu já sei. E um tema que me parece apropriado, aliás, assim PRO MUNDO. Tédio. Os buracos pra retórica dele fraquejar estão lá, mas isso talvez seja uma coisa boa, quem sabe. Tentar imaginar a dificuldade dele em escrever aquilo&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;a seriedade dolorosa e incompreensível, o inferno que deve ter sido&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;, &lt;/span&gt;as pequenas felicidades em torno dos pontos mais bem-sucedidos, a cabecinha explodedoura dele tentando se agarrar em volta daquelas pessoinhas que ele suou, em volta das realidades tão dolorosamente trazidas. E tentar, ao longo da coisa, toda, ser um leitor merecedor disso tudo, de todo esse esforço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(esse post não tem links, pois tenho preguiça. quem se importar googla)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-6741334338131454842?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/6741334338131454842/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=6741334338131454842' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/6741334338131454842'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/6741334338131454842'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2009/03/and-dead-kelp-like-hair-of-drowned.html' title=''/><author><name>andreis passarinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='00105752803655904802'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-612266005673972962</id><published>2009-02-01T19:26:00.000-08:00</published><updated>2009-02-01T19:55:46.365-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; 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  &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 6"&gt; 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De como estátuas gregas semi destruídas e de contexto incompreensível nos são expressivas e naturais, e como estranhezas várias em algum texto podem ser tão-facilmente tomadas por empreitadas à frente do seu tempo. É o que torna mais difícil determinar criticamente a fase tardia do Henry James, além das várias dificuldades que o filho da mãe já sempre ofereceu. Não se concorda sobre muita coisa dela, ele se entrevê numa pureza bem esquisita, untouched by ideas, resoluto a tratar de ficção em termos próprios e bem largamente tirados da própria bunda. O que é evidente é que a vagueza e a entrega tortuosamente indireta são intencionais, são parte inteiramente deliberada da construção dos livros, mas não dá pra se determinar com muita facilidade o que é que ele tava tentando, na maior parte do tempo. Ok, atingir a realização de coisas bem esguias, é certo, esticando metáforas e tornando o ar cruelmente rarefeito, mas ainda assim, ainda assim. Partes do Golden Bowl são mais estranhas, pra mim, do que os Three Poems do John Ashberry, que é tipo um totem pomo desses dos mais óbvios. Estranhas num sentido WTF, mesmo. É sempre bem possível que ele tenha ficado meio doido*. Você pode ser um fã de olhos aquosos e piscantes e conceder tudo, imaginar que ele saiu escrevendo livros indiretos que parecem falar de si mesmos toda hora, da impressão da impressão da impressão, e que isso fazia parte de uma dificuldade séria e deliberada de realização que ele sempre teve, e que se sofisticou tanto no final de carreira que acabou por antecipar – com uma sutileza filhadamãe que não se deixa apanhar facilmente – boa parte das empreitadas do Alto Modernismo que se seguiria. Eu gosto de fazer isso às vezes, e é super divertido**, mas as evidências nem sempre apontam nessa direção.&lt;br /&gt;Você pode ser o Gass e fingir que a arquitetura das frases basta, o dedo apontando pra si mesmo e toldando as águas da visão moral***. Mas isso não passa tanto de viadagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*O Leavis acha isso, e cita pra reforçar uma anedota bem engraçada do HJ com a Edith Wharton tentando pedir direções na rua, sem conseguir formular uma frase direta e simples que o bróder da rua entendesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**ter fronteiras tão porosas na sua cabeça têm suas vantagens, sabe. Outro dia tava lendo Golden Bowl e folheando Golden Bough, mais ou menos ao mesmo tempo, e eu tava com um baita sono, acabava que se entreviam altas parecenças difusas entre os dois livros, irmandades de algum tipo. Coisas paralelas encontrando nos longes do &lt;a href="http://coolest-homemade-costumes.shippony.com/images/characters/buzz-lightyear/buzz-lightyear-costume-01.jpg"&gt;infin&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=17545748"&gt;Blogger: altamente derivativo - Criar postagem&lt;/a&gt;&lt;a href="http://coolest-homemade-costumes.shippony.com/images/characters/buzz-lightyear/buzz-lightyear-costume-01.jpg"&gt;ito&lt;/a&gt;. No dia seguinte fui pensar e elas nem existem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***hahaha, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;as águas da visão moral.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;\\\\\\\\\\  (agora eu uso barrinhas)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha que isso &lt;a href="http://www.newsarama.com/comics/010928-Grant-Final-Crisis.html"&gt;aqui &lt;/a&gt;é legal, em várias direções. Dá pra olhar pela janela e pensar nos nossos tempos, e tudo. Mas também qualquer coisa dá. Exemplo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_8O-jkxMCHlQ/SYZswqkG_4I/AAAAAAAAAB0/9k6IcEW8vZs/s1600-h/020e6L3q7in7ss6usr1JhKaio1_500.png"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_8O-jkxMCHlQ/SYZswqkG_4I/AAAAAAAAAB0/9k6IcEW8vZs/s320/020e6L3q7in7ss6usr1JhKaio1_500.png" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5298041594963230594" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;                                    &lt;span style="font-style: italic;"&gt; essa imagem e a suas várias reações diante dela certamente são assim desesperadamente eloquentes sobre zeitgeists assim altos. escreva redação de 400 caracteres e mande para andreisp2000@bol.com.br.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-612266005673972962?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/612266005673972962/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=612266005673972962' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/612266005673972962'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/612266005673972962'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2009/02/normal-0-21-false-false-false-pt-br-x.html' title=''/><author><name>andreis passarinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='00105752803655904802'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_8O-jkxMCHlQ/SYZswqkG_4I/AAAAAAAAAB0/9k6IcEW8vZs/s72-c/020e6L3q7in7ss6usr1JhKaio1_500.png' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-2699687811269689839</id><published>2009-01-20T07:31:00.000-08:00</published><updated>2009-01-21T09:31:59.744-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Pra quem é relativamente tranks na maior parte dos frontes, tipo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;metafisicamente &lt;/span&gt;tranks, como eu sou, ver &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Persona &lt;/span&gt;é legal não só como filme, como obra de arte, como EXPRESSIVIDADE HUMANA, mas pra efetivamente se sentir como gente complicada sente. Funciona mesmo, quase como algum tipo de droga, amortece partes da sua cabeça e massageia outras e te deixa num estado alterado por um tempo indeterminado. Ainda mais se você assistir sozinho, de madrugada, com os trabalhos todos facilitados. Tudo fica bem sério, repassado de gravidade. Você vai lavar a mão, lá, de boa, e de reptente sua mão é A MÃO DA FALSIDADE E DO DESESPERO. Você vai jogar Mario e ele é tipo O MARIO DA FALSIDADE E DO DESESPERO. Você espirra e é O ESPIRRO DA DESESPERANÇA. E etc e etc.&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;É interessante que boa parte da nossa linguagem assim mais sujinha seja tão antiga, não é? &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mijar, cagar, caralho&lt;/span&gt;, tudo já tá lá no Gil Vicente. É justamente onde se imaginaria que as expressões deviam se variar mais, tipo de década pra década. Deve ter um motivo legal que eu não consigo imaginar.&lt;br /&gt;(e, aliás, se eu trabalhasse nos meios aí de massa, faria semi esforcinho pra difundir xingamentos do Gil Vicente na linguagem corrente.  Corinthianos na rua se xingando de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Furta-Cebolas&lt;/span&gt;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-2699687811269689839?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/2699687811269689839/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=2699687811269689839' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/2699687811269689839'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/2699687811269689839'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2009/01/pra-quem-relativamente-tranks-na-maior.html' title=''/><author><name>andreis passarinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='00105752803655904802'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-7836867945936736937</id><published>2009-01-13T03:47:00.001-08:00</published><updated>2009-01-13T05:22:01.058-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>-&lt;br /&gt;Oi bom dia.&lt;br /&gt;Fico triste de não postar nada, uma url me traz sentimento de responsabilidade, não consigo evitar compreender isso aqui como um lugar que se fica fisicamente abandonado, com poeiras e teias de aranha, coisas se gastando. Há uma equivalência engraçada que a nossa imaginação tenta forçar, ao entrar pela décima vez e ver o último post irritante lá ainda. Falta-nos todo um vocabulário para falar das internets, né? Um vocabulário assim no sentido mais largo possível. Deviam botar gente a postos para criar um, de preferência portugueses. Do jeito que tá, as coisas vão se definindo por multidões de fórum e crianças de quatorze anos. O que pode ter o seu charme, né. Toda essa atualidade na qual a gente não consegue se movimentar direito, ainda incompreende e fica confuso, com tipo porções do cébro se chocando. O que, nos meus olhos, é bom.&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;Age of Empires 2 é tão bonito, é tão correto. Eles achavam que tavam fazendo um joguinho, mas estavam na verdade realizando um ideal necessário e prefigurado, que agora não envelhece e não se compreende, não se consegue compreender, como contigencial e humano. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Acheiropoeita&lt;/span&gt;, tal.&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;Também muito bonito é aquele livro Gilead, que eu só fui descobrir agora que existe. No brasil não se dá bola praquela moça, mas se deveria. Recomendo pra toda família.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-7836867945936736937?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/7836867945936736937/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=7836867945936736937' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/7836867945936736937'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/7836867945936736937'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2009/01/oi-bom-dia.html' title=''/><author><name>andreis passarinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='00105752803655904802'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-5462665833975055841</id><published>2008-12-17T11:47:00.000-08:00</published><updated>2008-12-17T11:51:48.291-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Não me parece aceitável que macacos morram todos os dias, e de maneiras evitáveis&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;Entre um pastelzinho de Trás-do-Monte e um último gole no café frio que não se deixaria desperdiçar, ele decidiu pelo primeiro, e o engoliu todo de uma vez deixando apenas uma das três pontinhas se pronunciando pra fora do buraco feito redondo da sua boca, e continuou a ler LA PARTICIPACION EM ST THOMAS DE AQUINAS, de um autor cujo nome ele nem lembrava tão bem, e a considerar seriamente cada frase com mãos pensas que se abraçavam e formavam um arco que encimava seu nariz e o fornecia algo parecido com uma moldura incompleta. Do seu lado também estavam os poemas de Robert Browning e os discursos de Rui Barbosa e uma versão fac-símile em catalão de Tirant Lo Blanc (emprestada) e contos chineses coletados em uma versão reconhecidamente antiquada e preconceituosa (que portanto deveria ser lida “com uma pitada de sal”, segundo a orelha) e a correspondência íntima de Chekov e a contracapa de uma nova tradução Da Divina Comédia da qual só se encontrava para vender, por hora, a contracapa, que oferecia um holograma de Dante sendo alternadamente acompanhado à direita por Virgílio e à esquerda por Beatriz, o que nem lhe parecia tão adequado mas que, tendo à mão apenas a contracapa e sua cultura insuficiente, ele nem poderia verificar.&lt;br /&gt;Ele era um pai, um marido, um filho (duplamente, embora um dos vértices esteja hoje falecido), um engenheiro, um eleitor, um amante, um comprador da banca de revistas de sua quadra, um cristão assim meio mais ou menos, um brasileiro, um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;cidadão &lt;/span&gt;brasileiro (olha só), um palmeirense, um heterossexual, etc. Nenhuma dessas coisas era assim evidente no momento, embora ele tentasse assumi-las agora, como sempre, inteiramente nos braços e nos dedinhos, se possível nos cabelos e nas unhas. Ele lembrou-se da morte de Ayrton Senna e chorou copiosamente por quinze segundos, parando apenas para pensar na crise financeira e em suas possíveis conseqüências, nos números da bolsa, concluiu que o negócio era muito sério e muito grave, e em seguida que todas as coisas eram muito sérias e muito graves, toda elas, inclusive o final daquele filme onde a Susan Sarandon morre de câncer. Lembrou de um grupo de crianças de dez anos de idade que estava construindo uma escola ecologicamente sustentável. Sem ajuda do governo ou da sociedade, de fato até sendo atrapalhada por alguns membros, com gente xingando e tentando derrubar as escadas enquanto eles tentavam aplicar as placas de absorção de energia solar no teto que eles fizeram principalmente de papel-machê e cuspe. Eles eram para ele um motivo constante de inspiração, crianças multiétnicas e multiculturais, na verdade possivelmente transétnicas e transculturais, e de estágios avançados e incompreensíveis, potencialmente impossíveis, de complexidade de gênero e afetividade sexual, vendendo biscoitos para arranjar fundos, trabalhando dia e noite, algumas delas vencendo também cânceres de vários tipos e estágios de avanço, e também pais alcoólatras e expectativas heteronormativas - às vezes todos ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;Ele pensava nas crianças e se sentia inspirado, mas nada em volta ajudava, nada em volta lhe parecia imediatamente solucionável com seu ânimo. E ele ainda havia abandonado a leitura de LA PARTICIPATION EM ST THOMAS DE AQUINAS há alguns minutos, que era escrito em uma língua ainda (página 47) indeterminável, no meio de um parágrafo interessantíssimo, realmente formidável, claro e provocante, adverbiado corretamente, com subordinações essenciais e fluidas que te carregavam adiante de forma macia e íntima, como os braços meio gordinhos – moderadamente gordinhos e até meio geladinhos - de uma namorada. E ele havia abandonado aquele parágrafo tão bonito, tão esforçado, e agora chorava também por isso, e queria de alguma forma se encontrar com aquele parágrafo e pedir desculpas em forma de um presente pequeno e significativo, um chaveiro do seu time, um livro de máximas chinesas adequadas ao mundo business. Mas nada disso o ajudava de maneira alguma a continuar a leitura, e no entanto tudo continuava a parecer essencial e da maior importância, tudo igualmente chorável por horas longas e dificultosas.&lt;br /&gt;E tampouco haveria alguma maneira clara de provar a existência das crianças, ele percebeu, terminando de engolir o pastelzinho, cujo gosto ele havia finalmente se esquecido de determinar com qualquer precisão apreciável.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-5462665833975055841?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/5462665833975055841/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=5462665833975055841' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/5462665833975055841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/5462665833975055841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2008/12/no-me-parece-aceitvel-que-macacos.html' title=''/><author><name>andreis passarinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='00105752803655904802'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-8893204406410101765</id><published>2008-12-11T09:16:00.000-08:00</published><updated>2008-12-11T09:18:46.288-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Sabem o Retábulo de Santa Joana Carolina, do Osman Lins? Então, tava eu lá lendo Auerbach falando de outra coisa nadaver, e olha só:   &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 36pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 36pt; font-family: georgia; font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="" lang="EN-US"&gt;The figures – as on the sarcophagi of late antiquity – are placed side by side paratactically. They no longer have any reality, they have only signification. With respect to the events of this world, a similar tendency prevails: to remove them from their horizontal context, to isolate the individual fragments, to force them into a fixed frame, and within it, to make them impressive gesturally, so that they appear as exemplary, as models, as significant, and to leave all “the rest” in abeyance.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 36pt; font-family: georgia; font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="" lang="EN-US"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 36pt;"&gt;Não explica um tanto? É isso que ele faz com os pequenos capítulos do conto, que ele chama de mistérios Não só a disposição entre cada um deles imita a de quadros não-exatamente-lineares num retábulo, isso é fácil, mas a concretização esquisitinha mesmo de cada mistério é feita com parataxe estranhamente rígida. Não nos lembra imediatamente narrativas antiguinhas por ter vários elementos modernos ali misturados, por não ter um estilo nobre e distinto que mantém cada coisa no seu lugar (e que pareceria paródia, se tentado). Mas é isso: as cenas não tem nenhuma realidade, como disse o Auerbach, elas só tem significação. Elas recriam poses gesturais sem realizar nunca nenhuma atualidade, são fixas e rígidas. É um negócio bem bastante medieval, e isso não é um acidente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 36pt;"&gt;Eu sou bastante simpático ao que parece ser a tentativa central do Osman Lins, de uma centralização concentrada das propriedades cosmogônicas (eia) da ficção nesse mundo de tantas modernidads, tantas internetes. Mas o jeito que ele opera isso me parece sempre ingênuo, descreditando realismo e operando a partir de coordenadas que ele tira de si mesmo e que não fazem nada pra mim, achando que dá pra sair hierofanizando as coisas a partir de estruturas tão evidentes e declaradas, geometrias e palíndromos e etc. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 36pt;"&gt;Mas ainda assim, ainda assim, há de se achar massa. Deve ser a única coisa formalmente original em ficção no Brasil desde, sei lá, Graciliano.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-8893204406410101765?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/8893204406410101765/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=8893204406410101765' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/8893204406410101765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/8893204406410101765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2008/12/sabem-o-retbulo-de-santa-joana-carolina.html' title=''/><author><name>andreis passarinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='00105752803655904802'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-842767775689044249</id><published>2008-11-24T05:37:00.000-08:00</published><updated>2008-11-24T05:42:49.159-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_8O-jkxMCHlQ/SSqut1g0iCI/AAAAAAAAABs/a2BAYDTCm_E/s1600-h/kirby.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 316px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_8O-jkxMCHlQ/SSqut1g0iCI/AAAAAAAAABs/a2BAYDTCm_E/s320/kirby.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5272218416272672802" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;                                               Harness the power cosmic, &lt;a href="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/ae/Blake_ancient_of_days.jpg"&gt;Urizen&lt;/a&gt;!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;Mas o que eu queria assim mesmo era que o William Blake tivesse nascido no século vinte e tivesse sido o Jack Kirby. De algum jeito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-842767775689044249?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/842767775689044249/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=842767775689044249' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/842767775689044249'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/842767775689044249'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2008/11/harness-power-cosmic-urizen-mas-o-que.html' title=''/><author><name>andreis passarinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='00105752803655904802'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_8O-jkxMCHlQ/SSqut1g0iCI/AAAAAAAAABs/a2BAYDTCm_E/s72-c/kirby.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>5</thr:total></entry></feed>