tag:blogger.com,1999:blog-174387372009-02-21T01:49:22.390ZPensar de AltoCarloshttp://www.blogger.com/profile/01772140824381397868noreply@blogger.comBlogger64125tag:blogger.com,1999:blog-17438737.post-1137424068165405642006-01-16T15:03:00.000Z2006-01-16T15:08:46.226ZCastelos no Ar ( II Parte )<div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Parou num semáforo vermelho que teimava em manter o tom e, apesar de nenhum carro estar ao alcance da vista, recusou-se a atravessar a passadeira, ao contrário de todos aqueles que seguiam no mesmo sentido. Notou o ar espantado dos que o viam ali parado a respeitar o sinal e sentiu o convite dos seus olhares para que com eles caminhasse em desrespeito à sinalização, mas continuou indiferente na sua imobilidade expectante do verde permissivo.<br />Sorriu, não para si, mas para o pai que o obrigara a decorar, ainda mal aprendera a juntar as letras, o "Cântico Negro " de José Régio, com aqueles versos que o haveriam de acompanhar por toda a vida "Vem por aqui, dizem alguns com o olhar seguro de que seria bom que os ouvisse quando dizem vem por aqui....há nos meus olhos ironias e cansaços/E nunca vou por ali...". Que Deus o conservasse a seu lado, já que entendeu, tão cedo, levá-lo para junto d'Ele.<br />O semáforo, entretanto, havia desistido da sua arrogância, porque só assim poderia entender a sua insistência em manter a cor, quando nada justificava que o fizesse, permitindo-lhe que continuasse o seu caminhar sem destino.<br />Atravessou a passadeira com uma passada carregada de altivez, própria de quem acabara de vencer uma batalha contra um poder ignorante. Com desprezo, mesmo.<br />Lembrou-se de novo dela. Do sorriso que ela punha quando o via tomar atitudes destas, de como as compreendia e aceitava.<br />Havia-a voltado a ver um ou dois meses depois daquela reunião, quando, também por ironia do destino, se cruzaram num qualquer restaurante. Cumprimentaram-se com uma ligeira troca de olhos e um sorriso cúmplice, sem que um e outro tenham interrompido a conversa que estavam a ter com o respectivo acompanhante.<br />Viu-a sair primeiro, despedindo-se de forma idêntica à da chegada e pela primeira vez sentiu-lhe a falta.<br />Logo então decidiu que no dia seguinte ali iria, à mesma hora, mas só. Apenas para a ver. E foi.<br />Viu-a entrar e caminhar com a passada segura que já lhe conhecia, também só. Viu-a olhar para as mesas vazias em redor, embora pudesse garantir que o sabia ali. Quando o fez já era inevitável o convite para que se sentasse na sua mesa, dada a evidência das circunstâncias.<br />Aceitou com a naturalidade de quem já sabia há muito que o ia fazer, o convite e o almoço a dois nesse dia.<br />Começaram com um sorriso e a conversa teve a naturalidade que ambos sabiam ir ter, como se amigos há muito fossem. Com o segundo café chegou também a sensação que estavam sós, o que confirmaram com um breve olhar em redor que lhes mostrou uma sala vazia com um empregado ao fundo ansiando por lhes apresentar a conta.<br />Saíram para a rua e começaram a caminhar sem saberem para onde iam, apenas com vontade de continuarem a conversar. Tinham descoberto que se riam das mesmas coisas, que pensavam da mesma forma e isso tornava a separação difícil.<br />Foi aquando da indecisão quanto ao destino que se destinaram um ao outro. Nada lhes pareceu melhor que isso nesse momento, embora só o tenham dito com o silêncio da ausência de resposta perante a interrogação do caminho que seguiam.<br />Sem mais palavras decidiram que assim seria. E sem mais delongas assim foi.<br />Durante meses almoçaram sempre juntos, sem que alguma vez o tivessem combinado. Jantaram também algumas vezes, essas sim antecipadamente marcadas, que outras vidas a tanto obrigavam.<br />Um dia deixaram-no de o fazer, porque ela não apareceu e ele soube logo que nunca mais almoçariam.<br />Um ano havia passado desde então e apenas tinha sabido dela por um ou outro telefonema trocado entre eles para saberem um do outro. Apenas isso e mais nada.<br />Caminhava há horas e nem se apercebera que estava de novo perto de casa. Resolveu subir e esperar que o resto dia corresse depressa.<br />Aquele telefonema de ontem à noite havia-o apanhado de surpresa.<br />Ela apenas havia dito que podia jantar com ele.<br />Iam jantar hoje. </span></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17438737-113742406816540564?l=pensardealto.blogspot.com'/></div>Carloshttp://www.blogger.com/profile/01772140824381397868noreply@blogger.com46tag:blogger.com,1999:blog-17438737.post-1137105014087344702006-01-12T20:52:00.000Z2006-01-12T22:32:43.100ZCastelos no Ar ( I Parte)<div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Amanhecera mais cedo do que o costume naquele dia.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Ainda não eram 4 horas da madrugada e acordara sem que para que tal encontrasse qualquer justificação e, por mais que se esforçasse, o sono não havia maneira de prosseguir o seu percurso.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Já haviam decorrido duas horas, dando voltas e mais voltas na cama, procurando a posição que mais agradasse àquele que tardava em encontrar, mas todas lhe eram indiferentes.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">O rádio que tinha na mesa de cabeceira e que, inadvertidamente, tinha ficado ligado durante a noite, a cada meia hora, repetia as notícias já gastas da véspera, revestidas com outra roupagem de forma a aparentarem serem as últimas novidades matinais. Sempre a mesma coisa.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Decidiu levantar-se e começar o dia mais cedo. Tal como o amanhecer havia feito com ele.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Enquanto se escanhoava e se olhava ao espelho, por dever do ofício que tinha entre mãos, interrogou-se sobre a razão que o teria levado a acordar tão cedo, mas não vislumbrando qualquer razão plausível, com um simples trejeito de lábios, arrumou definitivamente esse assunto no arquivo morto da sua memória.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">O que não tem explicação explicado está, se não merece consideração. Esta última parte do ditame popular havia ele acrescentado um dia em que, também sem qualquer motivo, resolveu avaliar aquela expressão da sabedoria popular.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Saíu para a rua estava o dia a clarear e entrou na primeira pastelaria que viu aberta para tomar o primeiro dos muitos cafés que diariamente bebia, mas que era o mais importante por ser aquele que afastava, em definitivo, a nebulosidade do seu racicíonio até então ainda meio entorpecido.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Na posse de todas as suas faculdades, ciente da inexistência de horários a cumprir, resolveu fazer o que mais gostava. Andar por andar, sem rota e sem rumo. Caminhar com destino a nenhures, como se respondia quando calhava interrogar-se mentalmentalmente sobre o lugar que buscava. </span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Sorriu-se quando se apercebeu que de tantos diálogos que tinha consigo mesmo, já não conseguia passar sem eles. Aliás, habituara-se a eles de tal forma que os preferia a quase todos os outros. </span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Sim, porque com ela era diferente. Com ela falava com ele e também com ela, numa relação a dois que também era a três. Diria mesmo que era a quatro, porque sentia que ela também era assim, o que tornava os diálogos que tinham numa verdadeira discussão a quatro vozes, das quais só duas se ouviam.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Haviam-se conhecido por mero acaso, num qualquer lugar onde ele havia trabalhado.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Reparou nela pela primeira vez numa reunião sobre um qualquer assunto que já nem recorda. Lembra-se sim do seu ar tranquilo, da beleza do seu rosto, dos seus olhos verdes que ninguém fitavam e a todos abarcavam sempre que queria. Recorda-se, como se tivesse sido hoje da sua postura altiva durante a mesma, presente e distante, sombreando a lápis, alternadamente, as quadrículas de uma folha. Quase sempre de olhos fixos no castelo imaginário que quase que ia jurar ela estava a construir.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Nunca lhe saíu da memória o sorriso contido que lhe aflorou os lábios e o olhar discreto que não viu, mas sentiu vindo dela, quando, instado a falar sobre o tema em discussão, explicou que estava ali para ouvir e pensar no que os presentes tinham a dizer sobre a questão e não para falar, mas que sempre ia adiantando que da primeira hora e meia de reunião pouco lhe tinha ficado.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Lembra-se de a ter visto sair discretamente no fim da reunião, despedindo-se de todos com um ligeiro cerrar de pálpebras, que parecia uma eternidade a quem a fixava, privado que ficava da visão do verde deslumbrante dos seus olhos.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Na ocasião quase que teria jurado que a ele, propositadamente, não o privou desse privilégio, mantendo os olhos abertos e fixos nos dele por uma breve fracção de segundos.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Sabe agora que assim foi.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">(continua) </span></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17438737-113710501408734470?l=pensardealto.blogspot.com'/></div>Carloshttp://www.blogger.com/profile/01772140824381397868noreply@blogger.com14tag:blogger.com,1999:blog-17438737.post-1136918079109901232006-01-10T18:28:00.000Z2006-01-10T18:34:41.773ZE Não Se Riem<div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Se há coisa que não sou é curioso. Nem sou isso nem tenho por hábito meter a foice em seara alheia.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Esses são comportamentos que me desagradam e dos quais, felizmente, nunca fui acusado.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Sei, no entanto, que a curiosidade é fundamental para a descoberta de novos mundos e novas coisas, como também sei que muitas vantagens se podem extrair do facto de se conhecer a vida alheia, mas sou assim e pronto.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Definitivamente nunca serei cientista nem agente dos serviços secretos. Com grande pesar meu, desde já assumo, no que à impossibilidade de vir a ser um 007 se refere.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">E acho curioso que, vá-se lá saber porque razão, as mulheres sejam as principais visadas quando se exemplifica alguém que peca por excesso de curiosidade ou de invasão da privacidade terceiros. </span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Quando se quer criticar um homem por ser "cusca" ou por andar a informar-se sobre a vida de outrém a expressão é sempre a mesma :" Pareces uma mulher! ".</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">O curioso é que tanto a dizem homens como mulheres, sempre a dirigindo, como é óbvio, ao interlocutor masculino.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Eu tenho cá para mim que alguma razão haverá para a unanimidade na sua utilização e estou em crer que se trata de mais um estratagema em que as mulheres são peritas.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">E nós os "patos".</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">É que, tanto quanto me é dado ver, aquilo que para mim é defeito, mas para outros nem tanto, não tem prevalência de sexo, verificando-se tanto em homens como em mulheres.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Aliás, estou em crer que, actualmente, tais defeitos ou virtudes, tanto dá, pertencem mais aos homens que às mulheres.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Eles é que estão sempre a querer saber tudo, sobretudo delas.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Fazem-no com o maior descaramento, sujeitando-as a verdadeiros interrogatórios.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Já elas, mais discretas, não se preocupam em saber logo, mas em irem sabendo. Devagarinho, para saborearem a informação.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Sendo que, se percebem que pouco lhes interessa quem do outro lado está também pouco ou nada querem saber.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">O que só abona a favor delas, porque não perdem tempo desnecessário.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Ora se assim é, parece-me que quem cusca é e quem se mete na vida alheia são os homens e não as mulheres, pelo que a expressão a utilizar deveria ser " pareces um homem " e só dirigida às mulheres.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Claro que elas, inteligentemente, como sempre acontece, nessa matéria sujeitam-se a serem gozadas, passando pelo que não são e criando no sexo oposto a falsa ideia que só se preocupam com coisas fúteis.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Nós homens, perante tal reconhecimento de inferioridade mental por parte daquelas que pretendemos subjugar ao nosso domínio, de tão vaidosos que ficamos, nem nos apercebemos que da falsa generosidade feminina.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">E colocamos o nosso ar mais sério, adequado a quem não pactua com futilidades, aproveitando então para perguntar, com ar circunspecto, se fulana já se divorciou e se é verdade que anda com beltrano.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">O curioso é que elas até respondem sem se rirem. </span></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17438737-113691807910990123?l=pensardealto.blogspot.com'/></div>Carloshttp://www.blogger.com/profile/01772140824381397868noreply@blogger.com10tag:blogger.com,1999:blog-17438737.post-1136812514140436412006-01-09T13:11:00.000Z2006-01-09T13:18:42.626ZA Apregoada Inveja Feminina<div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">O meu amigo" </span><a href="http://minetereal.blogspot.com/"><span style="font-family:trebuchet ms;">MineteReal</span></a><span style="font-family:trebuchet ms;"> ", num dos seus últimos "</span><a href="http://minetereal.blogspot.com/2006/01/descubra-as-diferenas.html"><span style="font-family:trebuchet ms;">posts</span></a><span style="font-family:trebuchet ms;"> ", suscitou a questão das diversas reacções de mulheres e de homens perante a ida ao cabeleireiro de uma amiga ou amigo. </span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Com tal exposição, cujo rigor e mérito não posso deixar aqui de louvar, parece evidente que a mulher é, por norma, um ser invejoso quanto às do seu sexo, apesar de utilizar uma linguagem que indicia o oposto, enquanto o homem, em regra, se mostra sempre de elevado companheirismo, apesar de se expressar de forma antagónica.<br />Tenho como bom para mim, que o meu querido amigo não andará longe da verdade, no que às mulheres diz respeito, mas já tenho dúvidas quanto ao que dos homens dali parece poder inferir-se.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">O que acontece é que toda aquela prosápia que os homens utilizam e que, num primeiro momento, demonstra uma elevada camaradagem, não é mais que mero folclore linguístico e por sinal de elevado mau gosto.<br />A diferença está na forma e não no conteúdo.<br />As mulheres só têm esse tipo de conversa "falsa" com aquelas que não lhes inspiram confiança - quase todas as do seu sexo, diga-se - mas a quem , por diplomacia, não ignoram.<br />Já os homens têm esse tipo de discurso com aqueles que consideram como camaradas, porque se alguma suspeita tiverem sobre o indivíduo em questão, o paleio passa a ser outro e pouco diferente do das mulheres. É mais do tipo:<br />"Então como vai o meu querido amigo? Vem do barbeiro? Está com bom ar e cada vez mais novo....", e por aí fora.<br />Serve isto por dizer que sendo verdade tudo o que aquele meu amigo diz, os destinatários são diferentes, sendo que nessa matéria, o homens que são mais crédulos que as mulheres, utilizam mais vezes a linguagem de "irmão de armas", o que faz com que, muitas vezes, o destinatário do chorrilho de asneiras que acaba de cortar o cabelo, seja quem faz a tosquia em casa de quem tais impropérios profere.<br />Já a mulher, mais cautelosa, utiliza sempre a ironia com muita diplomacia, não deixando de desvalorizar a interlocutora como medida cautelar.<br />A mulher não corre o risco de ser atraiçoada pela amiga em quem confiou desmesuradamente, enquanto o homem nem coloca tal hipótese.<br />Expõe-se mais ao ridículo, coisa que a mulher não faz.<br />Um homem não desperdiça a oportunidade de ir para a cama com a mulher do seu melhor amigo, enquanto a mulher pelo menos hesita se do cônjuge da amiga se tratar e as mesmas reticências põe, ou talvez mais, caso a hipótese lhe surja com o mais que tudo do seu homem.<br />E a hesitação feminina só confirma a precariedade do conceito de solidariedade.<br />Precário, mas existente para ela, que para ele é mero pró-forma, porque só existe na linguagem<br />Isto porque ela aprendeu com as sucessivas mentiras dos homens e sabe que nem tudo o que luz é oiro, enquanto aquele, que de tanto mentir se descuidou na arte, de tão primário que é, como a linguagem o demonstra, julga-se com o rei na barriga quando ela está vazia.<br />Eu sei que muitas mulheres dirão que estou enganado e que elas mesmo são invejosas por natureza, invejando até a solidariedade entre os homens.<br />Se isso que dizem, mas que não pensam, fosse verdade, esse seria o seu único engano e o seu maior erro.<br />Elas estão bem cientes, fruto da experiência adquirida com o comportamento dos homens, que a solidariedade decorre das circunstâncias e que, se os interesses forem opostos, esvai-se em meros segundos.<br />Já os homens simulam por tudo e por nada a solidariedade, mas quando o devem ser nunca o são, ao contrário das mulheres.<br />Ela é que é solidária, não ele.<br />Ele é que mente, não ela.<br />No fundo o que acontece é que ela aprendeu depressa as regras do jogo, enquanto o homem, de tantas vezes enganar, até a si mesmo se aldraba.<br />Tenho cá para mim que aquelas que me vão comentar dirão que estou enganado e que aqueles que o fizerem também o mesmo dirão, o que me dará a felicidade de pelo menos numa coisa ter conseguido a unanimidade - o meu engano.<br />Embora quanto ao que as mulheres disserem, eu aceite com reticências e, do que dos homens vier, eu aceite convictamente.<br />Como homem que sou.<br /></div></span><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17438737-113681251414043641?l=pensardealto.blogspot.com'/></div>Carloshttp://www.blogger.com/profile/01772140824381397868noreply@blogger.com9tag:blogger.com,1999:blog-17438737.post-1136573323285934592006-01-06T18:18:00.000Z2006-01-06T20:33:53.850ZA Mulher da Limpeza (Parte II)<div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Tomei uma decisão irrevogável.<br />A partir de Março vou deixar de ter empregada doméstica. Definitivamente.<br />E vou ser eu que passo a assegurar as lides domésticas. Se é que já não as assegurava quase todas.<br />Quem me lê já antes travou conhecimento com a </span><a href="http://pensardealto.blogspot.com/2005/11/mulher-da-limpeza.html"><span style="font-family:trebuchet ms;">mulher que manda cá em casa</span></a><span style="font-family:trebuchet ms;"> e, portanto, já sabe da sua competência e generosidade.<br />Acontece que ela não quer deixar de me surpreender com novidades que introduz na gestão do meu lar e, vai daí, acaba de decidir que passa a vir cá a casa apenas duas vezes por semana, reduzindo o seu horário para quatro horas semanais e alterando os dias de comparência para as 3ªs e 6ªs feiras. A razão que a levou a tomar tal decisão é simples, segundo me informou, quando lhe perguntei porque havia estipulado novo regime de trabalho.<br />Decorrido que foi mais de um ano aqui a trabalhar concluiu que não precisa de cá vir seis horas por semana, porque o trabalho é pouco, e daí que, generosamente, tenha entendido reduzir as horas e alterar os dias sem de tal me dar conhecimento.<br />Óbvo é que ainda tive de agradecer a sua atitude e esquecer que me tem andado a enganar ao longo de mais de um ano, para além de que mensalmente sempre acrescentou umas horas a mais na conta, porque, no seu doutoral entender, se mostravam necessarias para assegurar a boa gestão da minha casa.<br />Não, esqueci tudo isso e até agradeci, porque o burro sou eu, como já expliquei no </span><a href="http://pensardealto.blogspot.com/2005/11/mulher-da-limpeza.html"><span style="font-family:trebuchet ms;">" post "</span></a><span style="font-family:trebuchet ms;"> em que a apresentei à sociedade da blogosfera.<br />Mas agora está decidido, vou ser eu a fazer tudo.<br />Verdade seja dita que eu só não aspirava, encerava e passava a ferro, porque até a louça e a roupa eu lavava, que ela nunca tinha tempo e eu gostava de a poupar.<br />De todas essas coisas que eu não vinha fazendo, só temo a de engomar, mas Deus me dê arte e engenho, que dela darei eu conta.<br />E sei que conto sempre com o vosso apoio técnico-teórico, mas tenho cá para mim que vou ter de reforçar a quantidade de camisas e de calças. </span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Se, por acaso, se cruzarem com alguém com bom ar - queriam que eu dissesse o contrário, não? - todo amarrotado, não reparem.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Sou eu.<br />Esperemos que me engane.<br />Maldito Mr. Ed.</span></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17438737-113657332328593459?l=pensardealto.blogspot.com'/></div>Carloshttp://www.blogger.com/profile/01772140824381397868noreply@blogger.com10tag:blogger.com,1999:blog-17438737.post-1136478659166876442006-01-05T12:37:00.000Z2006-01-05T17:55:18.306ZO Ser Social<div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">O ser humano é um ser social, dizem os entendidos, mas eu tenho algumas dúvidas que essa verdade seja tão absoluta quanto o afirmam.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Ou seja, admito que sim, mas também estou convencido que ele tudo anda a fazer para o deixar de o ser.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Basta olhar para os comportamentos no dia a dia, na forma como nos relacionamos com todos aqueles com quem convivemos para se perceber que a nossa forma de socializar é procurando valorizar o nosso eu e desvalorizar o daqueles com quem lidamos. Directa ou indirectamente. E isso incomoda-me, porque não é a forma como eu acho que deveria ser.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">No trabalho ou entre amigos, já para não falar entre meros conhecidos, por muito boa que seja a relação, há sempre pequenos nadas que vão minando os relacionamentos, obstaculizando ao entendimento perfeito. Muitas vezes por mera desconfiança sem sentido.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">É até na vida a dois, contrariamente ao que seria imaginável, ou talvez não, que isso se nota mais.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Viver a dois, por maior que seja a sintonia, é, quanto a mim, dos actos mais complexos que pode haver.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Tudo porque implica com a liberdade individual, impondo limitações de direitos e deveres, o que, se numa primeira fase parece fácil de aceitar em nome do amor que une as pessoas em causa, o qual, por si só, parece suficiente para derrubar todos os obstáculos, com o decorrer do tempo, muito ou pouco, tanto dá, porque apenas depende da intensidade do mesmo, o eu individual começa a querer libertar-se das amarras, a querer mais ser mais eu e menos nós. Continua a querer o nós, mas o eu sente-se pouco. Precisa de mais.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Não é que o amor tenha esmorecido, isso que fique claro, é tão simplesmente o facto de ter ficado diferente. Já não é o "amor paixão", mas sim o amor singelo, talvez o melhor, mas aquele com o qual é mais difícil lidar. E é o melhor, na minha óptica, na medida em que é a amizade na sua plenitude, sem a irracionalidade da paixão, mas com a comunhão de dois eus.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Fazê-los comungar é que não é fácil, não só porque a intensidade do "amor-paixão" nunca é igual, o que implica que cessa em momentos diferentes, mas também porque, apesar de tudo o que há em comum, começam a notar-se aquelas pequenas coisas que , não sendo muitas vezes importantes, começam a incomodar. E o acumular delas, que um entende fazerem parte do eu próprio e o outro como violação do seu, começa a complicar o relacionamento e a sintonia começa a ser menor.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Chega mesmo a esbater-se de tal forma que deixa de fazer sentido a vida a dois e cada um segue o seu caminho.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">E a culpa nunca é de ninguém ou é dos dois, mas isso pouco importa porque o importante é que não souberam viver em conjunto.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">No meu caso até foi mais minha, admito, mas é irrelevante para este efeito.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Óbvio que são situações limite, já que o ideal é adequar cada um dos eus de forma a não colidirem entre si. A completarem-se no que for possível e a suprirem de outra forma naquilo em que tal não é viável.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Tal como na vida em sociedade, mas numa vida a dois, ainda com mais razão de ser.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Infelizmente, esta vida em sociedade, com uma competitividade feroz, nem sempre nos tem ajudado muito a perceber o caminho a seguir, levando-nos a erigir defesas, procurando viver cada vez mais o nosso eu e desprezando ou desvalorizando o do próximo.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Chega mesmo a ser constrangedor verificar que quem pensa mais no nós acaba a falar sózinho, quando o contrário é que seria suposto.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Eu, cá por mim, apesar de já ter errado algumas vezes, até mesmo na vida a dois, assumo claramente que prefiro continuar a pensar mais no nós do que no eu.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Não só a pensar, que fique claro, mas também a agir em conformidade.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Mesmo que erre algumas vezes.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;"></span> </div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17438737-113647865916687644?l=pensardealto.blogspot.com'/></div>Carloshttp://www.blogger.com/profile/01772140824381397868noreply@blogger.com14tag:blogger.com,1999:blog-17438737.post-1136378850316502512006-01-04T12:51:00.000Z2006-01-04T14:10:16.546ZAviso à Navegação<div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Ando a ficar com a ideia que não me tenho vindo a expressar correctamente, dando uma imagem de mim que não corresponde à realidade. A ser verdade o que penso, desde já me penitencio por isso.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Cheguei a esta conclusão depois de ler os meus posts anteriores que, numa leitura mais distante, me permitiram admitir que fosse isso o que pensava quem me lê, na medida em que escrevo muito sobre os defeitos dos meus pares, parecendo distanciar-me deles.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Ora isso não é verdade.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Eu sou igualzinho à maioria dos homens que aqui andam - não a todos, o que até é bom para mim e para os outros - e quando critico o comportamento deles, não é tanto a eles como a mim.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Por outras palavras, eu sou mesmo pior que aqueles que critico.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">E sou-o porque, apesar de ter alguma lucidez que me permite saber ver o que de errado fazemos, tenho essa postura tão entranhada em mim que, mesmo assim, ouso agir de acordo com o que critico.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Sou um caso sem cura, indubitavelmente.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Assumo-o com todas as consequências que isso pode ter para a imagem</span> que de mim criaram, se é que isso aconteceu.</div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Serve isto por dizer que assumo plenamente que sou um homem que gosta de mulheres, não sou o paradigma da fidelidade, aprecio a sedução e sobretudo que as suas consequências sejam o prazer sexual de ambos. Sou ainda todas essas coisas que os homens gostam de ser e de ter.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Uma coisa é certa, sou tudo isso e assumo-o, que eu não gosto de mentir por acção ou por omissão.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Ficam assim desfeitos eventuais equívocos que é coisa que eu detesto.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Façam-me o favor de não me acharem melhor que os outros. </span></div><div align="justify"></div><div align="justify"></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17438737-113637885031650251?l=pensardealto.blogspot.com'/></div>Carloshttp://www.blogger.com/profile/01772140824381397868noreply@blogger.com16tag:blogger.com,1999:blog-17438737.post-1136216064302583362006-01-02T16:02:00.000Z2006-01-02T16:09:55.523ZCom Desculpa Custa Menos (a alguns)<div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;">Estamos a 2 de Janeiro de 2006, o primeiro dia útil deste novo ano, e a primeira coisa que me ocorreu hoje, quando acordei, foi que não tinha sexo desde o ano passado. Achei tal omissão um acto quase criminoso. Como é possível alguém poder dizer que desde 2005 que não tem sexo?<br />Mas é verdade. Eu, desde 2005 que não tenho sexo.<br />Ainda tentei atenuar este meu comportamento omissivo pensando que muitos outros estariam como eu, mas tal não me consolou. É que o mal dos outros não me ajuda em nada, embora saiba que muitos têm prazer assim. Fraco consolo o deles, direi eu.<br />Não conseguindo ter um orgasmo com recurso à desgraça alheia, optei por pensar que hoje era o primeiro dia útil do ano de 2006, o que desde logo minimizou o efeito da falta da queca.<br />Na verdade, se hoje é o primeiro dia útil, significa isso que ontem foi um dia inútil, o que desde logo impediria a prática de algo tão prazenteiro - num dia inútil não se podem ter práticas úteis à estabilidade emocional, porque isso seria um desperdício.<br />Aliás, o dia 31 de Dezembro de 2005, também não foi dia útil, isto é, foi inútil, o que, tendo por bom o raciocínio anterior, me leva a concluir que estou impossibilitado de ter sexo desde o ano passado.<br />O que ainda mais atenua a falta do mesmo.<br />No fundo, desde o ano passado que estou impedido de ter sexo porque até hoje foram sempre dias inúteis.<br />É verdade que alguns tiveram sexo nesses dias, mas como já se viu, foi puro desperdício, porque eram inúteis.<br />Agora sim, estou satisfeito. Não tenho sexo desde o ano passado porque os dias eram inúteis e quem fez teve a fazer para o "boneco" pela mesma razão.<br />Não sei porquê, mas este raciocínio, embora à primeira vista pareça que me faz sentir melhor, deixa-me cá a ideia que quem fez nestes dias está melhor do que eu.<br />Ora, mas assim como eu não me satisfaço com o mal dos outros também não sou invejoso, pelo que se estão melhor deixá-los estar.<br />O que interessa é que não tenho sexo desde o ano passado, mas o impedimento é causa justificativa bastante, porque os dias eram inúteis.<br />Por outras palavras, já arranjei desculpa que nem envolve os outros.<br />E é certo que a alguns basta arranjar desculpa que já se sentem melhor.Seja no que for.<br />O pior é que eu não me sinto melhor.<br />Vou ver é se faço o que me apetece e me deixo de teorias.<br /><br /><br /></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17438737-113621606430258336?l=pensardealto.blogspot.com'/></div>Carloshttp://www.blogger.com/profile/01772140824381397868noreply@blogger.com17tag:blogger.com,1999:blog-17438737.post-1135942331366041512005-12-30T11:30:00.000Z2005-12-30T11:32:11.386Z<div style="text-align: center;"><span style="font-family: trebuchet ms; color: rgb(102, 51, 0);font-size:180%;" >Sejam Felizes em 2006</span><br /></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17438737-113594233136604151?l=pensardealto.blogspot.com'/></div>Carloshttp://www.blogger.com/profile/01772140824381397868noreply@blogger.com13tag:blogger.com,1999:blog-17438737.post-1135695646186223842005-12-28T12:57:00.000Z2005-12-28T15:40:54.076ZMal por Mal<div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Há uma expressão que me deixa sempre espantado, por muitas vezes que a ouça.<br />"Mal por mal, fico assim."Com ponto final e tudo.<br />Julgo que poucos haverão que nunca a tenham ouvido. Atrevo-me mesmo a pensar, e que me seja perdoada a ousadia, que quase todos já a terão proferido numa qualquer vez na sua vida.<br />Por muito que me esforce não consigo descobrir uma fase tão derrotista, tão fatalista, tão desgraçada como esta.<br />É frase própria de um "vencido da vida".<br />Algo que ninguém quer ser, mas que todos assumem que o são quando a proferem.<br />O curioso nisto tudo é que não só a dizem como agem em conformidade. Acho mesmo que é uma das poucas circunstâncias em que as pessoas são coerentes e consequentes. Não só falam como o fazem. Cumprem-no na íntegra.<br />O que nem envolve grande trabalho, porque basta não fazer nada. Ficar quieto assegura a coerência.<br />Pois eu acabo de tomar uma decisão de fim de ano - uma daquelas que todos os anos tomamos, mas que invariavelmente não cumprimos - e asseguro-vos que nunca mais vou pronunciar tal expressão.<br />De hoje em diante vou passar a usar outra que também já aí ouvi, mas que, de tão raro ser o uso, já quase esqueci.<br />Vou lutar por melhor, "que para pior já basta assim." </span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">E quer-me cá parecer que esta frase se aplica a tudo na vida.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Tal como aquela que acabo de banir do meu vocabulário.<br /></div></span><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17438737-113569564618622384?l=pensardealto.blogspot.com'/></div>Carloshttp://www.blogger.com/profile/01772140824381397868noreply@blogger.com15tag:blogger.com,1999:blog-17438737.post-1135607754563715132005-12-26T13:45:00.000Z2005-12-26T14:41:30.670ZO Natal é depois<div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Hoje hesitei no texto que iria aqui colocar.<br />Comecei por ter vontade de aqui transcrever um poema de Álvaro de Campos ou de Ricardo Reis.<br />Um desses que por aí vi.<br />Depois, achei que isso nada tinha de pessoal e que, sem demérito para Pessoa, para que valor tivesse, o texto deveria ser meu.<br />Não porque a escrita seja melhor, como é bom de ver, mas apenas porque o autor sou eu.<br />A mensagem de Natal chegou e, nalguns casos, passou, mas no meu não.<br />Agora é que faz sentido e, por isso, agora o escrevo.<br />Enquanto se prepara o Natal, durante a sua comemoração, é tudo um acto inacabado.<br />É o trabalho, o cansaço, são as correrias, as oferendas, mas depois, normalmente, vem o marasmo, o silêncio e tudo se repete.<br />Eu vejo de forma diferente. Como um quadro que se pinta.<br />Escolhe-se a tela, ponderam-se as tintas e as cores, os pincéis a usar. E começa-se a pintar.<br />Concluída a obra, descansa-se. E depois contempla-se. Só então a obra faz sentido.<br />E é então que se felicita e se diz o que nos oferece sobre o quadro acabado, a obra produzida.<br />Agradecendo-se então a quem o pintou o ter-nos proporcionado tal prazer para a vista e para os sentimentos.<br />O ter contribuído para se estar bem e se ser cada vez melhor.<br />O fazer-nos felizes.<br />E é nos momentos de marasmo ou de silêncio, quando se limpam os pincéis, que sabe bem sentir o trabalho reconhecido.<br />Daí que, hoje, eu agradeça a quem me fez o Natal Feliz, tanto que, se de quadro se tratasse e pintado por mulher, a obra e a autora seriam minhas.Pelo menos hoje.<br />Por isso acho importante aqui e a quem me lê prestar as minhas homenagens por terem contribuído para um Natal melhor pra os vossos.<br />Sejam felizes todos os dias depois do Natal.</span></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17438737-113560775456371513?l=pensardealto.blogspot.com'/></div>Carloshttp://www.blogger.com/profile/01772140824381397868noreply@blogger.com13tag:blogger.com,1999:blog-17438737.post-1135273588690757812005-12-22T18:10:00.000Z2005-12-22T18:39:08.520ZO Natal das Mulheres<div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Hoje dei por mim a pensar que o Natal, na forma como está concebido, não é para todos.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">E o pior de tudo é que, apesar de haver unanimidade quanto à inexistência do mesmo para os mais desfavorecidos, que são cada vez mais, ainda ninguém reparou nessa classe de pessoas a quem o Natal nunca abrange.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Refiro-me às mulheres.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">A véspera de Natal e o próprio dia devem ser dos piores momentos do ano para as mulheres.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Nos quinze dias anteriores, nos dois dias de festejos e ainda nos dois seguintes, são elas que na maioria dos casos tudo têm de providenciar para que as festividades sejam um marco histórico na consagração da família. </span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Da compra dos presentes, à lide doméstica, dos "avios" no "super", à confecção das refeições, das limpezas antes às limpezas depois, há uma tal panóplia de tarefas que elas desempenham quase sempre em regime de exclusividade, que deixariam qualquer homem em estado de coma profundo ainda antes da véspera das comemorações.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Mas elas resistem e, apesar do cansaço acumulado com tudo e mais alguma coisa, são elas que conseguem dar a animação aos festejos nas datas em questão.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">É espantoso.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Quando tudo acaba estão extenuadas, derreadas, sem força para um mero boa noite, mas levam a nau a bom porto.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Muitas vezes sem um agradecimento ou qualquer manifestação de reconhecimento.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Sim, porque a prenda que lhe é posta no sapatinho nunca é o que merecem, apesar do sorriso de felicidade que fazem aquando da abertura do respectivo embrulho.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">De facto, as mulheres não têm direito ao Natal e no período em questão limtam-se a criar condições para que outros o festejem e fazem-no com uma generosidade tão única que até parece ser um dever.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">E isto parece-me injusto. Mais injusto ainda porque ninguém repara.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Ora, eu que ando disponível para colaborar com as autoridades em prol da melhoria da qualidade de vida, vou propor a quem de direito que essas festividades passem a ser comemoradas pelas mulheres noutra data.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">A ideia é que a elas seja concedido um período idêntico, dois dias, nos quais poderão fazer tudo o que melhor lhes aprouver, sem constrangimentos ou obrigações.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Incluindo o sexo, claro. Como, com e sempre que queiram, pelo menos nesses dois dias.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Livres de obrigações laborais, sociais, conjugais ou quaisquer outras.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Esse seria o seu Natal. O delas.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Os dias 27 e 28 de Dezembro parecem-me bem, mas deixo a questão dos dias para elas definirem.</div></span><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17438737-113527358869075781?l=pensardealto.blogspot.com'/></div>Carloshttp://www.blogger.com/profile/01772140824381397868noreply@blogger.com13tag:blogger.com,1999:blog-17438737.post-1135178232778257762005-12-21T18:15:00.000Z2005-12-21T18:22:27.306ZA Culpa é do Sexo<div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Hoje dei por mim a pensar que a causa de todos os males é o sexo.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Ou melhor, a falta dele.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Este pensamento que de quando em vez me assalta, acaba de se tranformar em dogma para mim, tal foi a intensidade com que hoje se manifestou. Não o sexo, mas o pensamento.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">O sexo é a causa de tudo e não há mais discussão.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Senão vejamos.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Na origem do ser humano, pese embora a questão de adão e eva que, como todos sabemos, tiveram por génese outra coisa qualquer, está sempre o sexo entre um homem e uma mulher.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Ora se está na origem, tem de estar em tudo, porque quem começa acaba ou como diz o povo na sua consagrada sabedoria, quem come a carne que lhe chupe os ossos. E este provérbio já é, de si mesmo, muito erótico, mas adiante.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Nasce a criancinha, produto do tal acto sexual entre o homem e a mulher, e a primeira coisa que se faz é dar-lhe mimos, carícias, de mamar, ajudá-lo a crescer e por aí fora. Tudo acções que podem ser consideradas como práticas sexuais, o que, estou certo, ninguém contestará.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Quando a criança passa a adolescente, a primeira coisa que lhe ocorre é a atracção pelo sexo oposto, o dar a mão, o primeiro beijo, o descobrir as diferenças do corpo humano, o perceber a forma de lidar com elas, tudo preliminares do sexo, ou já sexo mesmo.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Chega a adulto e, na sequência de uma educação só virada para o sexo, passa a orientar toda a sua vida em função disso mesmo. </span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Olha para o colega de trabalho e só pensa na maneira de o entalar. Se calha a ser parceira isso ainda lhe ocorre com maior insistência. Quando o superior hierárquico lhe passa ao alcance da vista só lhe ocorre cobiçar o assento e quando da entidade patronal se trata, aí só pensa em rebentar com ela.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Tudo resquícios de uma educação só virada para o sexo porque foi esse que lhe deu origem.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Ora, passando as pessoas os dias numa actividade sexual tão intensa, chegam a casa cansadas, esgotadas mesmo, de tanto sexo durante o dia.Por isso só lhes apetece meter uma "bucha" - veja-se que até na alimentação o sexo existe - e vão logo para a cama retemperar forças. Aí sem sexo, claro.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Ora quando assim é, as pessoas começam a sentir-se frustradas, deprimidas, porque nunca têm o gozo pleno, ficam-se sempre pelos preliminares que, apesar de bons, sabem sempre a pouco.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Daí que comecem a produzir menos, com as consequências óbvias para a economia e para todos nós.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Eu tenho para mim que se o culpado é o sexo, como acabo de demonstrar, também será o sexo a solução. Com benefícios para todos.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Penso mesmo propor à Assembleia da República que se debruce sobre o tema, estando eu disponível para colaborar com os deputados - hummmm - da Nação.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Entendo eu que bastaria uma pequena alteração dos factores para resolver tão bicudo -hummmmm- problema.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Se as pessoas não passassem o dia em processos de intenções sexuais e o fizessem quando é suposto fazerem, a frustração e as consequentes depressões desapareceriam. A produtividade aumentaria, a economia melhoraria e nós ficaríamos melhor a todos os níveis. Até no sexual.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">No fundo tudo se resume a falar menos e a fazer mais.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Sexo, claro.</span> </div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;"></span></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17438737-113517823277825776?l=pensardealto.blogspot.com'/></div>Carloshttp://www.blogger.com/profile/01772140824381397868noreply@blogger.com10tag:blogger.com,1999:blog-17438737.post-1135102716717175172005-12-20T19:25:00.000Z2005-12-21T10:52:28.346ZA Noite de Consoada<div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Admito que quem me lê, imbuído do espírito natalício, quando passa os olhos de raspão por estes meus devaneios de mente pequena, se interrogue, por mera curiosidade, sobre a forma como eu, vivendo só, passarei a Consoada.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Pois bem, aqui estou eu para, em antecipação, vos dar conta do que será a essa minha noite, sendo certo que não deverão inferir daquilo que vos vou dar a conhecer, que essa é a forma como passa tal noite um homem que vive só.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Não o façam por muitos e bons motivos, mas sobretudo porque uma noite minha é sempre diferente. Reparem que disse minha e não comigo, porque nessa matéria nem me pronuncio, que o pudor e a réstea de bom senso que por cá ficou a tanto me obrigam.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Feito o aviso, passemos à noite de Consoada.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">De há uns anos a esta parte tenho por norma comprar já tudo feito, recorrendo aos prestimosos serviços de um "pronto-a-comer" qualquer, o que se tem vindo a revelar pouco gratificante, porque, invariavelmente, acabo aborrecido por estar a comer algo requentado, por ter comprado comida a mais e porque, ainda por cima, vou ter de andar dois ou três dias a comer aquela bodega.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Para ajudar à festa, tento distrair-me em frente da televisão, que, normalmente, apresenta em todos os canais filmes sobre o Natal, que já vejo desde os anos 60, o que, como é bom de ver, estraga o resto da noite.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Este ano vai haver uma inovação.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Não compro nada feito e vou eu tratar da minha refeição de véspera de Natal.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Vou ao hipermercado amanhã, para evitar as filas de última hora, e compro uns camarões. Aproveito e compro também duas postas de bacalhau, que batatas e azeite ainda tenho cá em casa.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Compro um bom lombo de porco, que como já viram em post anterior cozinho de forma ímpar, o que me leva a dispensar o leitão e o perú, que não quero bêbadados cá em casa.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">A doçaria, essa compro, embora nada de de fritos que os sonhos tenho eu.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Chegado o dia, ponho mesa para dois, tantos quantos as postas de bacalhau, que noite de Consoada nunca a passo sózinha.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Isto é, passo e não passo.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Trato de tudo como se fosse para duas pessoas e, chegada a hora da refeição, sirvo os dois pratos e vou falando de mim para mim, frente a frente na mesa e de velas acesas, num intenso diálogo que a vós parecerá um exercício de "non sense", mas que a mim me sabe muito bem, pois que é das poucas vezes que passo a noite com alguém que me acha graça.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Comemos os dois, bebemos um bom vinho e vamos saborear o café para a sala, os dois, claro, que nenhum de nós vai lavar a loiça nesse dia.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Ponho uma boa música e ou troco mais umas palavras comigo ou faço uma pausa na conversa para meditar, não sobre alguma em especial, mas sobre nada, porque é coisa que me agrada muito. Pode ser que aí também me apeteça sonhar acordado, o que também é delicioso ao som de uma boa música.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Com o tempo que demora a cozinhar os camarões, as duas postas de bacalhau, as batatas, a cear e a tomar o café, admito que, no pressuposto que tudo se iniciará por volta das 18h30, começarei a meditar ou a sonhar acordado já perto das 2 horas da manhã, não tanto pelo tempo que passo na cozinha, que será muito, mas mais pelo tempo que passo a conversar comigo.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Ora às 2 horas da manhã, começar a meditar ou a sonhar, é coisa que me puxa o sono, pelo que às 3 horas já estarei na cama, depois de um serão bem passado.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Agora que sabem, peço que não contem a ninguém, porque consta que há vagas no Júlio de Matos.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Mas acreditem que eu passo uma óptima noite de Consoada.</span></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17438737-113510271671717517?l=pensardealto.blogspot.com'/></div>Carloshttp://www.blogger.com/profile/01772140824381397868noreply@blogger.com7tag:blogger.com,1999:blog-17438737.post-1135010609202916182005-12-19T18:20:00.000Z2005-12-19T18:25:40.553ZO Rádio Ligado<div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Hoje adormeci com o rádio ligado e asseguro desde já que é coisa que não volta a acontecer.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Não que isso me perturbe o sono, que eu quando faço qualquer coisa tento fazê-la bem, pelo que se o obejctivo é dormir nada me afasta dele.Até porque gosto de sonhar e, quando durmo, não sou eu que controlo os sonhos. O que para variar é bom.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Embora goste mais de sonhar acordado. Gostos.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">O que me leva a garantir que não volto a adormecer com o rádio ligado, não é, pois, a perturbação do sono, mas a perturbação do acordar.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Daquele que vos falei em post anterior.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">É que eu acordo na mesma bem disposto, porque nada me perturba o reviver do sonho, olho para o lado na mesma e, encontre ou não lá alguém, continuo bem disposto, porque o que se passou durante o sono já ninguém me tira.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Agora, quando sou chamado à realidade, por um locutor de voz grave a dissertar sobre os candidatos presidenciais, isso é coisa para estragar o dia a qualquer um.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Não a mim que tenho o dom de esquecer depressa o que não interessa e, definitivamente, os candidatos a presidentes são coisas de pouco interesse.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Aliás, são eles próprios que o dizem, que passam os debates a afirmarem que não têm poderes para nada, apenas para gerarem consensos, por isso nem me podem levar a mal que diga que tal tema não me interessa.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">No fundo, eles não são mais que o dono da tasca quando os bêbados não se entendem. Eu como não vou muito a tascas e evito beber em demasia não preciso do tasqueiro para nada.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Ora, uma pessoa depois de regressar das longínquas e paradisíacas paragens a que o sonho o conduziu, ser chamado à Terra com a caracterização do perfil dos candidatos, todos eles homens, é coisa que devia ser punida com a pena de prisão perpétua. Se ainda houvesse lá uma mulher, talvez que atenuasse a pena para 25 anos de trabalhos forçados. Agora só homens? Poupem-me a tão severo castigo.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Mas foi isso que me aconteceu esta manhã, fui chamado à realidade com tal tema radiofónico.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Desliguei logo, como é óbvio, o que evitou estragos no meu bom homor matinal.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Mas não volto a cometer tal imprudência.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Dormir com o rádio ligado nunca, mas nunca mais mesmo.</span></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17438737-113501060920291618?l=pensardealto.blogspot.com'/></div>Carloshttp://www.blogger.com/profile/01772140824381397868noreply@blogger.com10tag:blogger.com,1999:blog-17438737.post-1134822250576131192005-12-17T16:55:00.000Z2005-12-17T20:09:31.813ZAcordar ao Sábado<div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Ora cá estamos em mais um sábado.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Acordar ao sábado é diferente de acordar em qualquer outro dia da semana. Diferente mesmo do que fazê-lo ao domingo. Para a maioria das pessoas, claro, porque para alguns não é assim.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">O sábado é o primeiro dia de descanso semanal e acordar num dia descanso é logo algo muito agradável. </span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Embora só o simples facto de acordar seja para muitos desagradável. O que faz com que, para estes, o sábado que é um dia agradável por ser um dia de descanso, comece por ser desagradável já que lhe interrompem o descanso. O que até faz sentido. Embora estrague logo o sábado, porque um dia que começa mal nunca é perfeito.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Não é o meu caso que acordo todos os dias bem disposto, feliz por acordar, já que pior seria não o fazer, na medida em que não auguraria nada de bom para a minha pessoa. É a teoria do mal menor, que não sendo das melhores também não é das piores. </span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Acordo, abro os dois olhos e situo-me, porque normalmente venho de sítios bem longínquos.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Habitualmente sorrio-me, não ainda a pensar no sábado que tenho pela frente, mas a recordar-me do que se passou enquanto dormia. E nem fico triste pelo facto de tudo se ter passado enquanto dormia, porque pior seria que nada se tivesse passado.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Depois de alguns momentos a desfrutar as sensações que tive enquanto dormia, olho para o lado para ver se está alguém. Não o faço logo que acordo, por uma razão bem simples e que mais não é que uma postura de auto-defesa. Eu explico.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Se olhasse para o lado mal abrisse os olhos, o mais provável seria constatar que ao meu lado não dormiu ninguém, o que diminuiria o prazer que a seguir teria quando pensasse no que aconteceu e, dita-me o bom senso, que não limite os prazeres que o meu imaginário me concede.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Olho, pois, para o lado, só após já ter gozado tudo e constato então que não está lá ninguém.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Aí já não me incomodo porque até estou bem disposto e penso, então, no que estou a fazer na cama sózinho, depois de uma noite tão bem passada e com mais um dia pela frente.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">E levanto-me logo bem disposto.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Se acontece estar alguém ao lado, o que, confesso, é raro, agracio quem aí está com o prémio por tal noite me ter proporcionado. O que também me deixa bem disposto.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Pelo que ao sábado eu acordo sempre bem.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">E nos outros dias também.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Pelo que já sei que amanhã vou acordar bem disposto</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Só ou acompanhado, logo vejo quando acordar, que não quero estragar o sono.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;"></div></span><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17438737-113482225057613119?l=pensardealto.blogspot.com'/></div>Carloshttp://www.blogger.com/profile/01772140824381397868noreply@blogger.com8tag:blogger.com,1999:blog-17438737.post-1134758648981722692005-12-16T19:47:00.000Z2005-12-16T20:02:54.156ZO MSN<div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">O ser humano é um animal de vícios e é bem verdade.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Na primeira oportunidade em que tomamos o gosto a algo que nos agrada, ficamos logo viciados, dependentes, obcecados.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">É assim tanto com as coisas como com as pessoas.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Sabe-nos bem um cigarro e vamos por ali fora até ficar viciados.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Apreciamos o sabor de um café e ele passa a fazer parte dos nossos hábitos diários, de tal forma que não passamos sem ele para acordar, para ficar bem dispostos ou mesmo para tornar perfeita uma refeição já de si agradável.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">No domínio dos chocolates e dos doces, para quem gosta, é o mesmo, havendo quem ponha em risco a sua saúde.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">E por aí fora, no domínio do consumo das coisas</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Com as pessoas é o mesmo.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Conhecemos alguém que nos agrada mais do que o normal e começamos a tentar passar o maior tempo possível com ela.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Gostamos de um sorriso e andamos sempre a tentar vê-lo de novo.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Cruzamos os nossos olhos com outros e tudo fazemos para que eles se voltem a cruzar muitas vezes.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">E enquanto isso nos sabe bem, é só nisso que pensamos.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">A net, nessa matéria, veio ainda potenciar mais esse estado de dependência.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Depois de duas ou três conversas mais longas, em que a empatia se mostra, cria-se logo o vício.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Muitas vezes as conversas são banais, outras nem tanto, mas ao fim de uns dias de as pessoas se conhecerem, quando simpatizam, cria-se uma tal dependência que uma ausência momentânea nos provoca um invulgar sentimento de perda.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">O curioso é que as pessoas mal se conhecem, mas a ausência do outro torna-se dolorosa, porque o vício de o termos ao alcance do teclado se entranha rapidamente.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">E depois imaginamos logo coisas que tenham levado à quebra da relação. Será que disse algo menos adequado? Será que existia mesmo? Será que lhe aconteceu alguma coisa?</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Sei lá, analisamos uma imensidão de possibilidades para uma ausência muitas vezes justificada por um mero café fora de horas.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">E estes sintomas só se manifestam em alguém que se vicia. Pior, vicia-se em algo que nem conhece, nem sabe se existe. Vicia-se numa imagem que criou, que muitas vezes nem corresponde à realidade. para o bem ou para o mal, que admito que muitas vezes até seja melhor do que alguma vez se concebeu. Mas deve ser raro.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Eu, que ando aqui há pouco mais de um mês e que tenho uma lista de MSN com pouco mais de 6 pessoas, já sinto a falta.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Não estou viciado, admito, mas quase, porque se não troco um bom dia que seja já o dia não me corre tão bem.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Ora isto não é normal e eu até sei que não.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Mas pensando bem, não vindo grande mal ao Mundo por isso e se é tão saboroso porque não me hei-de viciar?</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">E nem é um vício grande...e que fosse.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Vou continuar com o MSN para já.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;"></span></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17438737-113475864898172269?l=pensardealto.blogspot.com'/></div>Carloshttp://www.blogger.com/profile/01772140824381397868noreply@blogger.com13tag:blogger.com,1999:blog-17438737.post-1134572484565240702005-12-15T18:33:00.000Z2005-12-15T19:22:24.916ZCarta ao Pai Natal<span style="font-family:trebuchet ms;">Ex.mo Senhor<br />Professor Doutor Pai Natal<br /><br /></span><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Antes de mais desculpa tratar-te assim, porque acredito que tenhas muitos outros títulos de maior importância, só que eu nunca ouvi falar neles, mas como vivo em Portugal, país em que há muitos doutores e onde o mérito se mede por aí, pela cor do cartão partidário e pelo lugar que se ocupa, achei por bem chamar-te Professor Doutor, que tenho cá para mim que, pelo menos, sabes mais do que muitos que eu conheço.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Até porque cá, se não te chamar qualquer coisa que soe, ninguém te dá valor e eu acho que tu és importante.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Pelo menos para mim és, tanto que nunca te escrevi, porque às pessoas importantes não se escreve, que elas são demasiado distintas para nos lerem. É uma das regras cá do meu país, que eu não compreendo, mas aceito porque deve ter sido feita por alguém que percebe dessas coisas. </span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Por isso desculpa estar a escrever-te directamente e não para o teu Chefe de Gabinete, como se faz cá, mas desta vez eu gostava que tu me lesses mesmo e temi que o teu serventuário não desse importância a esta minha missiva.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Há muitos anos que ando para te escrever e tenho vindo sempre a adiar porque acho que haverá outros que têm coisas de mais interesse para te dizer ou pedir, mas este ano achei que, apesar de continuar a pensar o mesmo, devia fazê-lo, não fosses tu achar que eu não te escrevia porque era mal educado. Não, eu até acho que sou educadinho, mas há muita gente por estas paragens que confunde o silêncio com a falta de educação. E vê lá tu que até acho que ficar em silêncio evita que, algumas vezes, se seja mal educado. Acho mesmo que um silêncio diz tanto, tanto, que às vezes até me faz doer os tímpanos. Mas também me faz doer a voz quando o silêncio é meu.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">O que interessa é que desta vez te escrevi para te esclarecer tudo de uma vez por todas e agora já ficaste a saber porque nunca o fiz antes, se é que não sabias já.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">O importante é que saibas que acredito em ti, Pai Natal e que por isso te escrevo.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Agora que nos conhecemos e que sabes que contas com a minha admiração, não levarás a mal que te faça um pequeno reparo. Desde já te peço desculpa, Pai Natal, mas eu nunca consigo calar o que me vai na alma quando aos outros diz respeito, que quanto a mim resolvo eu, mas isto é coisa que já anda há muitos anos às voltas cá dentro na expectativa que tu a resolvas. E até hoje nada. Portanto, aí vai.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Não podias arranjar maneira de seres tu a definir quem recebe o quê e não andares tu a distribuir as prendas em função dos pedidos? </span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">É que assim são sempre os mesmos a receberem as prendas que querem, porque muitos há que não têm dinheiro para o selo da carta e por isso nada recebem ou ficam com os restos, o que não me parece justo.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Se pudesses fazer alguma coisa por isso, agradecia.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Pronto, já te escrevi e não será por falta de carta minha que não passarás por Portugal.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">É que neste país, à beira-mar plantado, a culpa é sempre dos outros e um dia destes ainda me acusam de ele estar neste estado por eu não te escrever.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Um Feliz Natal para ti, Pai Natal.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;"></span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">P.S.Tenho que pedir uma prenda? É obrigatório? A sério? Engraçado, é como cá....anda sempre tudo a pedinchar...mas cá ainda não é obrigatório ou pelo menos disfarçam. Bom, mas se tem de ser... dá-me lucidez que é o que me faz mais falta. E se te sobrarem, o que eu não acredito porque há muita gente a precisar, manda-me também uns mimos, que cá em casa nunca são demais. </span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;"></span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;"></span></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17438737-113457248456524070?l=pensardealto.blogspot.com'/></div>Carloshttp://www.blogger.com/profile/01772140824381397868noreply@blogger.com7tag:blogger.com,1999:blog-17438737.post-1134580199178512102005-12-14T18:55:00.000Z2005-12-14T18:59:59.106ZMais ou Menos<div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Tenho cá para mim que, vá-se lá saber o porquê, andamos com uma forma estranha de exprimir as nossas ideias.<br />Isso nota-se, sobretudo, quando falamos e o exemplo do uso do mais e do menos, do muito e do pouco, ilustra o que digo.<br />Ele é mais isto, ela é menos aquilo - o contrário também é verdadeiro -, mas o mais e o menos andam sempre na nossa boca, parecendo mesmo que tudo deve ser sujeito a comparação.<br />Ele ou ela são muito ou pouco qualquer coisa, dando a ideia que tudo deve ser visto em função do peso ou quantidade. E por aí fora.<br />A maleita manifesta-se de tal forma que agora até já se diz que fulano ou fulana é "poucochinho", como se isso quisesse dizer alguma. "Poucochinho o quê?<br />Mais, até já chegamos a dizer que " é muito poucochinho" ou " é menos poucochinho", num verdadeiro exercício de quantificar e comparar o nada, porque o conteúdo da expressão é zero.<br />Aliás, nessa matéria de falar sem rigor, a utilização do mais e do menos, do muito e do pouco contribuem de forma decisiva para evidenciar que se fala sem pensar. O que muitas vezes é grave.<br />Uma das expressões muito utilizadas e que me deixa sempre a pensar se não haverão segundas intenções em quem a profere é " fulano é muito honesto".</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Quando alguém de diz isto penso logo que está a falar com ironia e que colocou o "muito" para eu, ser de limitações pensantes reconhecidas internacionalmente, consiga apreender o verdadeiro sentido das suas palavras.<br />E,como é óbvio,esboço logo um sorriso de cumplicidade, daqueles que diz "desta vez percebi a brincadeira e a minha mãe teria muito orgulho em mim se me visse a entender uma ironia à primeira".<br />O pior é que a minha mãe teria mais um desgosto, porque o que recebo em troca, de quem tal expressão proferiu, é um olhar fulminante e um endurecer de voz para exprimir "Não tenhas dúvidas.Olha que falo muito a sério! Tens alguma coisa contra ele?"<br />Aí fico ainda mais atrapalhado. É que pelo ar com que isto me foi dito acabo de ser repreendido, mas o "muito a sério" usado na frase, faz-me crer que de brincadeira se trata.<br />Quando fico neste impasse tomo a atitude que considero inteligente, de colocar a cara de parvo que Deus me deu em estado de "stand by", cerro os lábios e espero que o meu interlocutor diga mais qualquer coisa que me faça perceber as suas palavras.<br />Normalmente recebo como complemento um "és burro? Tens dúvidas?", isto porque a minha cara é dotada de grande expressividade do dom que Deus me deu, obra perfeita como ele quis que fosse.<br />Certo é que prefiro ouvir isto a ser acusado de injúria ou difamação por causa de um sorriso cúmplice.<br />Mas acreditem ou não tenho dificuldades em perceber como é que alguém pode ser muito honesto ou muito sério, para não dar outros exemplos.<br />É que eu fiquei sempre com a ideia que uma pessoa é honesta ou não o é. É séria ou não o é.<br />Em matérias destas, como em muitas outras, a questão não se vê em função da quantidade ou da graduação. É ou não e está tudo dito, que isso do mais e do menos só serve para confundir.<br />Aliás, acho mesmo que pode ser grave confundir as coisas nessas matérias.<br />Mas o problema deve ser meu e por isso nem me atrevo a falar na questão.<br />Ocorreu-me agora que um destes dias também vou querer saber o que será isso de ser muito homem ou muito mulher...quem assim é deve ter mais que o homem e a mulher, o que nalguns casos até pode ser útil.<br />Agora que penso nisso até fico com pena de ser só homem e não ter um muito a ajudar.</span></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17438737-113458019917851210?l=pensardealto.blogspot.com'/></div>Carloshttp://www.blogger.com/profile/01772140824381397868noreply@blogger.com8tag:blogger.com,1999:blog-17438737.post-1134476200564144522005-12-13T11:46:00.000Z2005-12-13T20:46:55.603ZA Previsibilidade dos Homens<div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Há uma expressão que as mulheres pronunciam com invulgar frequência e que, homem que sou, nunca ouvi os da minha espécie comentar. Vá-se lá saber porquê, os meus "compinchas de pila", evitam debater o assunto. E não acredito que seja por desprezo do que elas pensam, nalguns casos será, admito, mas acho que que na maioria das vezes eles não meditam nessa frase porque se sentem incomodados com ela e fazem que não a ouvem ou que é coisa sem importância.<br />A espressão até é bem simples e seria bem fácil de contestar se algum fundo de verdade não tivesse.<br />" Os homens são tão previsíveis... ". Isso mesmo, é esta a expressão demoníaca, com reticências e tudo; que o uso destas num discurso verbal tem um efeito demolidor.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">E a reacção de todos nós é um simples sorriso e nunca se vislumbra um esgar de contestação.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Sorrimos e calamos.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">O pior de tudo é que nem entre amigos ou perante os nossos botões, por uma vez que seja, nos questionamos sobre as razões da nossa previsibilidade.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">O que é grave, porque assim nunca surpreendemos. O que só nos prejudica.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Agora que penso nisso, ocorre-me que a previsibilidade do homem, para o bem e para o mal, deve ter origem na sua preguiça para aperfeiçoar o seu comportamento perante o sexo oposto, dando como adquirido que sendo irresistível a mais não é obrigado.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">É assim, a bem dizer, como pensar com os pés e calcorrear a calçada com a cabeça a fazer sapateado nos paralelipípedos.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Isso nada teria de mal se, sempre que uma mulher verbalizasse essa expressão, ela não a dissesse com um misto de desprezo e comiseração. Mas diz. E para tornar mais dramática a situação, diz em quase todas as ocasiões em que um homem a tenta surpreender.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Se um homem a leva a jantar a um restaurante com velas e à beira-mar, ela sabe logo que ele quer ir tomar o café lá a casa.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Se lhe oferece uma ramo de rosas sem ser numa ocasião especial, ela já sabe que ele quer tomar café lá em casa. Se for numa ocasião especial, ela já sabe que ele quer tomar café lá em casa.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Se lhe oferece um perfume, ela já sabe que ele quer cheirar o perfume, depois do café lá em casa.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">E por aí fora.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Realmente somos muito previsíveis.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Mas eu vou surpreender.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">A partir de hoje vou dispensar o jantar, as flores, o perfume e o café.</span></div><div align="justify">Levo-a logo para casa.</div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17438737-113447620056414452?l=pensardealto.blogspot.com'/></div>Carloshttp://www.blogger.com/profile/01772140824381397868noreply@blogger.com12tag:blogger.com,1999:blog-17438737.post-1134312583894987052005-12-12T19:21:00.000Z2005-12-13T20:19:54.543ZA Igualdade entre os Sexos<div align="justify">Tenho andado cá a pensar que as mulheres andam enganadas com a ideia de lutarem pela igualdade de direitos entre os sexos.</div><div align="justify">E tenho cá a impressão que a ideia de as convencer a despoletarem essa luta partiu de um homem. Só pode mesmo ter sido.</div><div align="justify">Aliás, suspeito mesmo que terá sido das poucas vezes em que as mulheres foram enganadas por um homem. Essa, em que as convenceram que deviam estabelecer uma guerra em prol da igualdade de direitos.</div><div align="justify">Certo é que, tão bem enganadas foram, ainda hoje continuam a defender tal princípio.</div><div align="justify">E os homens riem-se, abanam a cabeça em sinal de concordância e até publicam leis e regulamentos, criam comissões e outras coisas do género, para demonstrarem a sua solidariedade com tal princípio.</div><div align="justify">O curioso é que, as mulheres, que por norma nunca se deixam enganar, ao contrário do que afirmam à saciedade, neste caso da igualdade dos direitos, foram atrás da conversa.</div><div align="justify">Eu tenho cá para mim que a luta, para ser correcta, devia ser em sentido inverso.</div><div align="justify">Antes de mais, começaria por lhe dar outra denominação, porque o nome desde logo evidencia o reconhecimento de uma subalternidade que, como adiante se verá, não existe.</div><div align="justify">Eu, se mulher fosse, recusar-me-ia a lutar por outra coisa que não fosse a igualdade de deveres entre os homens e as mulheres. E toda a luta se desenvolveria em torno disso, de forma a que, imputando-lhes deveres iguais ou equiparados, os direitos viessem a ser os mesmos na medida do possível, já que isso nunca seria alcançado em pleno.</div><div align="justify">É a mesma coisa, dirão vocês, sendo que dizer nunca se alcança a igualdade deveres, como lhe chamas, ou de direitos, tanto dá, é desde logo uma atitude demissionista. Uma declaração de derrota, que nos recusamos a assumir.</div><div align="justify">Pois eu penso exactamente o contrário e, perante tal princípio, só posso concluir que quem as enganou foi genial na farsa.Um verdadeiro farsante é o que foi. </div><div align="justify">Cá para mim, as mulheres já há muitos anos que têm direitos iguais e, se não os têm, é porque os não exercem. Tenho mesmo para mim que ainda que esses direitos não lhes tivessem sido reconhecidos por lei, eles já decorriam da sua dignidade como seres humanos.Daí que a questão seria sempre fácil de resolver. Bastaria um simples abrir e fechar de pernas ( que de olhos poderia ser mal interpretado) para que os homens se apressassem a reconhecer a legitimidade dos mesmos. Que se há coisa a que homem cede é à visão de um abrir e fechar daquelas sem eles.</div><div align="justify">Mas não, a luta não é essa.</div><div align="justify">A luta das mulheres deveria ser para conseguirem que os homens tivessem os mesmos deveres. Que tivessem como obrigação chegar a casa e fazerem as refeições, passar a ferro, ajudar nos trabalhos escolares dos filhos, dar-lhes atenção, que passassem a ferro, sei lá eu, um conjunto de obrigações que, por norma, são da exclusiva responsabilidade da mulher em cada lar.</div><div align="justify">Sendo que, que mesmo que conseguissem essa igualdade de deveres, por partilha dessas obrigações, ainda assim elas nunca a alcançariam de forma plena e ficariam sempre prejudicadas.Daí que antes tenha dito que essa igualdade só seria alcançada na medida do possível.</div><div align="justify">É que só às mulheres é possível gerar dentro de si um filho, só às mulheres é possível dar à luz uma criança, só às mulheres é possível amamentar uma criança. E, por isso mesmo, os homens nunca teriam os mesmos deveres e seriam sempre beneficiados.</div><div align="justify">A não ser que a lavagem de loiça e de roupa e ainda o passar a ferro começassem a ser obrigação exclusiva dos homens.</div><div align="justify">Acho que mesmo assim ficavam beneficiados.</div><div align="justify">Mas, ainda assim, defendo que a luta deve ser pela igualdade de deveres e não de direitos. </div><div align="justify"></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17438737-113431258389498705?l=pensardealto.blogspot.com'/></div>Carloshttp://www.blogger.com/profile/01772140824381397868noreply@blogger.com5tag:blogger.com,1999:blog-17438737.post-1134244187175479512005-12-10T18:42:00.000Z2005-12-10T22:39:01.000ZA Erva Daninha ou a Tempestade que se Adivinha<div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">É espantosa a nossa forma de estabelecer e aprofundar as relações humanas no dia a dia.<br />Oa anos passam e cada vez estamos piores, cada vez somos mais desconfiados, cada vez tememos mais o desconhecido, aquele que de nós se aproxima.<br />E devia ser o contrário, porque a experiência que a vida nos dá, deveria fazer com que as ervas daninhas fossem reconhecidas através de um simples olhar.<br />Mas não, afectados uma ou outra vez por essa praga, passamos a reagir sempre como se de maligno se tratasse o que nos aparece como novo, sem cuidar de conceder o benefício da dúvida.<br />Assumimos como bom que quem connosco se cruza e estabelece contacto é porque de nós alguma coisa quer ou é a nós que nos quer.<br />O curioso é que eu nem nisso vejo mal, porque se algo quer de mim é que tenho algo para dar e se é a mim que me quer, até me sinto lisonjeado.<br />Compreendo, no entanto, quem assim não pensa, porque por aí há muita erva daninha que nos quer mal. Não por alguma razão em especial, apenas porque é daninha.<br />E as pessoas de bem defendem-se. Com todas as armas que têm, o que como se sabe não é bom, porque há sempre danos colaterais e perdem-se coisas maravilhosas.<br />Como o falar de tudo abertamente, sem constrangimentos, do mim e do ti, sem nada ocultar, com o à vontade da transparência de um olhar, com o desprendimento das ondas do mar.<br />Perdem-se momentos de partilha, de cumplicidade, de fazer meu um segredo teu e teu o meu, ou não, porque apenas nos apetece estar mais próximos. Eu ser um pouco do ti e tu um pouco do mim. Como o mar e a areia. Ou os peixes, tanto dá.<br />E tantas outras coisas que podiam ser nossas e não são. Ou sermos um do outro e não somos.<br />Tudo porque tememos que a tempestade nos colha em pleno mar alto.<br />O pavor do naufrágio impede-nos de navegar. De deixar o barco ser abraçado pelas ondas em todo o seu esplendor. De andar sem rumo e sem norte. Ao desnorte.<br />Eu gosto de andar à deriva e vou continuar assim.<br />Porque gosto e por achar que a tempestade, se vier, não terá forças para mim. E se forças tiver para me derrubar, mais força terei eu para me levantar e voltar a navegar<br />Nem a erva daninha medrará no meu jardim. Pela mesma razão anterior.<br />Compreensivelmente as pessoas não pensam assim, porque para não o fazerem basta um pouco de bom senso.<br />O tal que eu não tenho.<br />Mas tenho pena que estejamos a ficar tão tristes e tão fechados em nós próprios.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Será por isso?</span></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17438737-113424418717547951?l=pensardealto.blogspot.com'/></div>Carloshttp://www.blogger.com/profile/01772140824381397868noreply@blogger.com7tag:blogger.com,1999:blog-17438737.post-1134221004156612012005-12-10T13:11:00.000Z2005-12-10T16:12:00.976ZDe Cara Lavada<div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Como já terão reparado, hoje apresento-me de cara lavada.<br />É sábado, estamos perto do Natal, pelo que entendi que se justificava amenizar o impacto dos meus pouco ajuizados pensamentos, dando um ar mais lavadinho a este meu local de devaneios.<br />Lavei, pois, a cara e limpei os ouvidos.<br />Para ser franco nem fui eu que lavei e limpei, porque até para isso sou incapaz.<br />Quem me deu dignidade à apresentação foi a </span><a href="http://www.contossecretos.com"><span style="font-family:trebuchet ms;">Sutra</span></a><span style="font-family:trebuchet ms;">, a quem quero aqui deixar os meus agradecimentos e prestar público reconhecimento.<br />Agora sempre tenho um ar mais limpinho.<br />A todos que me lêem agradeço a condescendência que têm para comigo.<br />À Sutra deixo um Beijo. </span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;"><br /></div></span><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;"><em><strong>P.S. Está a decorrer um leilão para apoio a crianças necessitadas, o qual é promovido pela </strong></em></span><a href="http://contossecretos.com"><span style="font-family:trebuchet ms;"><em><strong>Sutra</strong></em></span></a><span style="font-family:trebuchet ms;"><em><strong> através de um passatempo. Passem por lá e participem. As crianças merecem.</strong></em></span></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17438737-113422100415661201?l=pensardealto.blogspot.com'/></div>Carloshttp://www.blogger.com/profile/01772140824381397868noreply@blogger.com3tag:blogger.com,1999:blog-17438737.post-1134151298463246402005-12-09T17:15:00.000Z2005-12-10T13:05:57.803ZO Sabor do Divino<div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Há algo de divinal no acto de saborear. Seja o que for.<br />De todos os cinco sentidos talvez seja o que menos é falado, o que algum significado terá.<br />E, no entanto, com ele lidamos com a mesma frequência com que olhamos, com que cheiramos, com que tocamos e com que ouvimos.<br />Mas do paladar pouco falamos a não ser quando à mesa nos sentamos. Talvez também ao balcão, mas pouco mais do que isso.<br />Eu, não sendo pessoa de grandes comezainas, nunca desenvolvi tal sentido à mesa ou ao balcão. Gosto de saborear um bom prato ou um bom vinho, é óbvio, e aprecio o sabor de um bom bacalhau, de um bom pedaço de cabrito, de um tinto soberbo (ou branco, mas mais tinto). Mas, se fosse só aí que desse uso dele, estou certo que estaria com o mesmo muito subdesenvolvido. E não é o caso, até porque lhe dou importância fundamental.<br />Aliás, estou em crer que, quando ao homem foram atribuídos os 5 sentidos (porque como é sabido a mulher foi presenteada com 6 - e bem, digo eu ), não foi intenção de quem nos concedeu tal dádiva, que ele apenas fosse utilizado à mesa. Até porque na altura nem havia mesas.<br />Não, ele foi concedido para ser usado em tudo, tal como os outros 4 sentidos (ou 5 nas pessoas sobredotadas antes referidas).<br />O que acontece é que o ser humano, insatisfeito por natureza, tudo faz para mudar o que é perfeito. E faz isso com todos os sentidos.<br />Quer ver mais e acaba a não ver nada, ou a não ver o que deve.<br />Para se poupar ao tacto, arranja outros ou cria mecanismos que lhe evitem o ter de tocar nas coisas e acaba por perder a sensibilidade nas mãos e no corpo.<br />Incomoda-se com os cheiros e cria ambientes inodoros, o que chega a ter consequências desastrosas, porque acaba a cheirar uma bosta de boi na convicção que de uma fragância de amor se trata.<br />Por tanto querer evitar o ruído acaba por não ouvir o que deve e mesmo por ouvir o que não deve.<br />E com o paladar faz o mesmo. Na mira de aperfeiçoar, tanto faz que qualquer dia nem o tem. Aliás, até já começa a ter substitutivos das refeições, que é ainda onde hoje ele se mantém, pelo que a curto prazo até aí irá desaparecer.<br />Eu, cá por mim, vou evitando todas essas modernices. Tentando sempre tirar o maior proveito de todos os sentido que me foram concedidos, ciente que deles tenho de aproveitar o máximo, já que só tenho cinco.<br />Sendo que do paladar tento extrair o maior sabor, para o compensar de tão desprezado ser no meio dos outros sentidos.<br />Ele, agradecido, retribui-me.<br />Sim, porque sentido que é, sabe sentir o meu gosto.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Daí que em tudo o que faça ele me conceda o dom de a ele o apreciar.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">O que me dá grande prazer, confesso, já que fiquei a saber que tudo o que existe tem sabor e que ele é sempre diferente. Mais doce ou menos doce, mesmo agridoce, amargo ou picante,sei lá, uma infinidade de paladares, de sabores que, com maior ou menor intensidade, me deliciam a cada momento.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Mas há um sabor que é único. É mesmo indescritível. Tal como o amor.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">É certo que nem todos o apreciam, uns porque não têm sabor e outros porque o que têm, não é aí que reside. Mais infelizes os primeiros que os segundos, embora nestes seja mais uma questão de gosto, pelo que, para eles, de infelicidade não se trata.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Eu, aceito sem reservas que é o meu prazer sublime. Aquele que mais aprecio, aquele sem o qual não passo.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Adoro saboreá-la. Não sei descrever o sabor e para o caso pouco importa. Até porque sendo único não há termo de comparação, o que dificulta a sua apreensão. A vossa, porque eu sei que gosto e quando gosto não preciso de perceber porquê.Gosto e pronto. E gosto muito.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Apenas vos posso dizer que saborear uma mulher é divino. Tão divino quanto diferente é saborear cada uma, porque todas o são.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Sabe a tudo o que é bom com intensidade infinita. E de ponta a ponta tem uma imensidão de sabores todos diferentes e todos de intensidade incomensurável. </span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">É inexplicável de tão bom que é.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Pensem em algo divinal. </span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Conhecem o sabor do divino?</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">É mesmo esse. </span></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17438737-113415129846324640?l=pensardealto.blogspot.com'/></div>Carloshttp://www.blogger.com/profile/01772140824381397868noreply@blogger.com11tag:blogger.com,1999:blog-17438737.post-1133882580660395142005-12-06T15:17:00.000Z2005-12-07T00:08:31.963ZAs Extra<div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Com inusitada frequência sou confrontado com a questão das relações extraconjugais.<br />Seja em conversas de café com amigas e amigos que, por mera benevolência para com o meu fraco pensar, se mostram interessadas em ouvir a minha opinião, quer por notícias que me chegam aos ouvidos pela comunicação social e, também, por via de acesas discussões com outros da minha espécie.<br />A primeira coisa que me ocorre quando tal pergunta me fazem, mesmo que de homem provenha a questão sacramental, é que alguém lhe anda na ideia.<br />E isso faz-me sorrir, não de desdém, atenção, mas porque acho que é alguém que mais feliz procura ser. Ou é o feliz que busca, o que também me parece bem, por maioria de razão.<br />Logo a seguir e quando no tema começo a pensar, aquilo que logo me ocorre dizer é que se de “extra” se tratam, não tenho nada a obstar, pelo contrário, até sou todo a favor, pois que a expressão em si, desde logo induz a que a resposta seja afirmativa. Prefiro sempre o que tem extra.<br />Entre ter algo ordinário e algo “extra”ordinário, é óbvio que prefiro o do “extra”.<br />Entre comer o fiambre normal ou comer um fiambre extra, claro que prefiro o segundo.<br />Até aqui a resposta parece óbvia para quem quer que seja.<br />O pior vem depois, quando começo a aprofundar o raciocínio. Aí é que a coisa se complica. Não só por limitações próprias do pensador, mas também por força da complexidade da questão.<br />Por isso desde já alerto que aquilo que eu penso sai da cabeça de alguém pouco avisado e só deve ser seguido por pessoas que chegarem às mesmas conclusões por suas próprias cabeças.<br />Não vá alguém ainda dizer que teve as ditas relações “extra” por minha causa. Ainda se fosse comigo...agora com terceiros, poupem-me a isso.<br />Eu tenho como bom para mim que sempre que alguém disso se lembra e tem interesse na resposta, é porque se trata de alguém a quem já alguma vez lhe apeteceu fazê-lo. E fez ou não fez, que a mim já pouco interessa enquanto coisa de terceiros for, mas ficou com qualquer coisa a roer a consciência. Por fazer ou não fazer.<br />Ou por ambas o que é bem pior.<br />Assim sendo e porque privilegio o bem estar individual, entendendo mesmo que o bem estar social, enquanto soma de todas as individualidades, será sempre potencializado em função do bem estar de cada um, sou de opinião que, se em consciência alguém as deseja, as deve ter. Sem mais .<br />Sem quaisquer tipos de constrangimentos. Apenas porque o desejou.<br />Sei que argumentarão que há a questão da fidelidade, dos remorsos, do meu (minha) mais que tudo, das regras sociais, sei lá, uma imensidão de contras.<br />A todos poderia rebater aqui, mas nem o vou fazer, porque o meu objectivo não é convencer ninguém.<br />Digo apenas o que penso.<br />E penso que os argumentos contra não fazem sentido algum, porque todos eles partem de uma concepção de posse entre seres humanos que eu abomino.<br />Não deixando de ser curioso que só são, realmente, condenadas pela sociedade as “extra” das mulheres. As dos homens não, essas, antes pelo contrário, são merecedoras de elogios, na melhor das hipóteses, velados.<br />Para mim, a questão é tão simples quanto isto. Se lhes ocorre ter e desejam ter que as tenham e não compliquem.<br />Que essa coisa da consciência em tal matéria é um pau de dois bicos que nos foi metida na cabeça na primeira lavagem ao cérebro que nos fizeram. Sim, na Escola e na Igreja.</span><br /><span style="font-family:trebuchet ms;">Ao que acresce que tenho sérias dúvidas que um desejo frustrado não seja pior para todos os envolvidos. Pelo menos para quem o vê frustrado é, porque do acumular de frustrações dizem que vem mal para a sanidade mental.<br />Vivam, pois, bem com isso, que pior é viver sem isso e com o desejo na cabeça.<br />Até porque já temos tantas coisas más com que viver e conseguimos tão poucas das que desejamos...<br />Agora se não querem “extra” nem as desejam, então não percam tempo com o assunto.<br /><br /></span><span style="font-family:trebuchet ms;">P.S. Presumo que este post só vá ser comentado por quem já pensou no assunto face ao que eu digo no final. De forma a não limitar a capacidade de comentar de cada uma das leitoras às quais nunca tal pensamento ocorreu, sugiro que pensem e desejem ter uma extra comigo. Assim sempre ficam habilitadas a comentar e eu não sou acusado de discriminação. Quanto aos meus leitores que também nunca pensaram no assunto, sugiro que pensem e desejem a.....sim essa. Agora também já podem comentar.</span></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17438737-113388258066039514?l=pensardealto.blogspot.com'/></div>Carloshttp://www.blogger.com/profile/01772140824381397868noreply@blogger.com32