tag:blogger.com,1999:blog-157043852009-07-05T18:22:10.175-03:00Blues, Beat & Beer<IMG SRC="http://photos1.blogger.com/blogger/3281/1462/1600/bad_company.gif" WIDTH=200><BR><BR> <B>Christon Delàs</B><BR> <A HREF="mailto:christon.delas@yahoo.com">christon.delas@yahoo.com</A> <BR><BR> <B>"</B>It comes blundering over the<BR> Boulders at night, it stays<BR> Frightened outside the<BR> Range of my campfire<BR> I go to meet it at the<BR> Edge of the light.<B>"</B><BR> <I><B>Gary Snyder<BR> (How Poetry Comes to Me)</B></I>Christon Delàshttp://www.blogger.com/profile/14053479565799509064christon.delas@yahoo.comBlogger21125tag:blogger.com,1999:blog-15704385.post-32226269134700454032009-06-06T19:32:00.001-03:002009-06-06T07:35:08.568-03:00Filhos de nossa cabeça<div style="font-family: courier,monaco,monospace,sans-serif; font-size: 12pt;"><div>Os filhos de nossa cabeça nos passaram a perna<br />o pai derrubado que tropeçou em si mesmo<br />primeiro eles roubam seu nome<br />depois tiram sua vida<br />primeiro eles sugam seu sangue<br />para depois cuspir na sua cara<br /><br />Nos roubaram e nos esfaquearam<br />esculpiram-se com nossas mentes<br />construíram-se com nossas palavras<br /><br />nem pela palavra, nem pela vida<br />mas pelo tesouro de um jogo<br />tudo falso<br /><br /></div></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15704385-3222626913470045403?l=bluesbeatandbeer.blogspot.com'/></div>Christon Delàshttp://www.blogger.com/profile/14053479565799509064christon.delas@yahoo.com0tag:blogger.com,1999:blog-15704385.post-69613024213153931872009-02-27T23:11:00.000-03:002009-02-27T23:11:00.490-03:00A vitrine da alma<div style="font-family: courier,monaco,monospace,sans-serif; font-size: 12pt;"><div>Quando desperta o herói de um campo de guerra escandinavo, sorri carregado por uma valquíria. Deusas-virgens criando asas em cavalos os conduzem ao Valhala e lhes oferecem festas a mando de Odin. O corpo mantém-se em barro mas seus olhos vivem a alegria da morte.<br /><br />Dono da sabedoria e cinco olhos, o rei nórdico é olhos alados em forma de dois corvos. Odin espera os bravos em uma sala sem luz. Somente o brilho do ouro e lanças.<br /><br />O sorriso fala todas as palavras, mas fala uma só língua. O homem entrega todos seus segredos com apenas um sorriso e, na tristeza de um amigo, o sorriso pode esconder-se atrás da língua, na garganta. Esfregando sua língua de serpente, mostra que não é um amigo.<br /><br />Na solidão, a sombra sorri, zombando da tua tristeza.<br /><br />O homem tortura-se pelo sorriso de uma mulher. Quando o riso dela não pertence a um único homem - chicoteia-se a mente. E o sorriso que a mulher dá hoje, amanhã será mostrado a um homem que não seguiu teu caminho. Lembrando-se e imaginando que o sorriso de hoje, um dia pertenceu a outro homem - chicoteia-se a mente.<br /><br />No sexo, a pupila sorri.<br /><br />O tolo que ri de si mesmo, um dia chorará na sua morte. O perfeito vai rir de suas asas cortadas. Quem deixa os corvos girar a risos seu ninho, chorará a própria morte e a morte dos corvos<br /><br />A promessa guarda-se no sorriso, tornando-se a vitrina da alma.<br /><br /></div></div><a href="http://us.rd.yahoo.com/evt=51734/*http://tools.search.yahoo.com/newsearch/category.php?category=shopping"></a><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15704385-6961302421315393187?l=bluesbeatandbeer.blogspot.com'/></div>Christon Delàshttp://www.blogger.com/profile/14053479565799509064christon.delas@yahoo.com0tag:blogger.com,1999:blog-15704385.post-80086133936610550932008-09-13T16:17:00.000-03:002008-09-13T16:18:14.585-03:00Das cinzas nada surge<div style="font-family: courier,monaco,monospace,sans-serif; font-size: 12pt;"><br />Das cinzas nada surge<br />olhos cerrados neste segundo ato<br />olhos fechados e céus ensangüentados<br />estou só por você de novo<br />se a vida é um palco<br />meu mundo é um monólogo<br /><br />Como uma noite calma<br />o vento aguarda o final da estação<br />como uma noite gentil<br />as memórias aguardam a ultima decisão<br />se a vida é um palco<br />meu mundo é um monólogo<br /><br />Asfaltadas estradas cruzam túneis de árvores de flores<br />entre viagens e revoltas de um subúrbio de vida<br />a morte mostra seu sorriso<br />terra dos sonhos em chamas<br /><br />Eu sei onde vai o bravo guerreiro<br />cavalga nos braços de sua Valquíria<br />deusa-virgem o conduz até o grande banquete<br />feliz daquele que escapa de todo esse sangue e sujeira<br /><br />Encontrarei meus amigos nas costas deste cavalo branco<br /><br /></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15704385-8008613393661055093?l=bluesbeatandbeer.blogspot.com'/></div>Christon Delàshttp://www.blogger.com/profile/14053479565799509064christon.delas@yahoo.com0tag:blogger.com,1999:blog-15704385.post-1149614736319044812006-06-06T14:11:00.002-03:002009-01-15T18:36:43.409-02:00El CobardePassei a noite de meus quarenta anos sozinho em um quarto escuro. Ouvia o som do motor dos carros que passavam e o ruído do neon que piscava para alertar que ainda haviam vagas no hotel. As luzes dos faróis dos carros iluminavam o crucifixo da parede num intervalo quase sincronizado.<br /><br />Eu estava deitado na cama. Olhava para o teto do quarto. Pensava nas coisas que eu havia feito. Naquele dia eu não fui trabalhar. Não passei nem perto. Nem mesmo fui na direção da empresa. Fui até uma revendedora de carros usados. Deixei o meu carro e sai com um Mustang 1972. Meu carro valia muito mais que aqueles 4.000 que o cara queria pelo Mustang. No mínimo o dobro. '<span style="font-family:courier new;">Te dou o Mustang e mais 500</span>', disse o vendedor. Eu aceitei. Para mim era o suficiente.<br /><br />Passei o resto do dia rodando com o Mustang. Passei por várias cidades que eu não conhecia. Parei somente para almoçar em um restaurante de beira de estrada. A comida era horrível e o restaurante tinha um aspecto repugnante, mas isso não importava mais. Eu já estava a 700km de distância da cidade em que morava, quando parei pela segunda vez. <span style="font-family: courier new;">Bem-vindo a El Cajon</span>, dizia a placa na entrada da cidade. Peguei um quarto em um hotel qualquer. Fiquei somente cinco minutos e sai para rodar mais um pouco. Entrei na primeira loja de armas que encontrei e saí com uma Webley .455. Voltei para o hotel e fiquei lá deitado na cama durante horas.<br /><br />Agora eu tinha tudo o que precisava. Tudo o que eu fiz seria recompensado. Todos os anos em que simplesmente seguia ordens acabaram. Todos iriam pagar. Não cruzem na minha frente, ou vocês serão massacrados. Fui amestrado desde minha infância. Aprendi a obedecer. Primeiro na escola, depois no trabalho. Eu sempre soube que estava sendo explorado por todos. Meus colegas de trabalho e mesmo meus amigos. Sempre jogavam sujo. Chantagens e insultos eram comuns para conseguirem o que queriam. Eu sempre aceitei tudo isso. Fingia que era tudo normal. Eu dava um riso amarelo e saía. O ser humano é cruel. Todas as pessoas são, e vão pagar. Não cruzem o meu caminho, ou vou descarregar a minha arma no peito do desgraçado. Todos esses anos serão vingados.<br /><br />A hora chegou. Dei algumas voltas com o Mustang e parei em um bar de uma rua escura. Entrei com a arma na mão e coloquei a arma deitada no balcão. '<span style="font-family: courier new;">Me dá algo para beber</span>', eu disse ao garçom. Ele serviu wilskey. '<span style="font-family: courier new;">Cuidado com isso. Você pode fazer um grande estrago em alguêm</span>', disse o Sr. do outro lado do balcão. Tomei de um só gole e fiz um sinal para o cara encher de novo. Uma mulher que estava no banco ao lado se levantou para sair. '<span style="font-family: courier new;">Não tente sair daqui ou vou estrear a noite com você</span>', disse a ela com uma certa raiva. Ela voltou num movimento devagar para o lugar e ficou de cabeça baixa olhando para o balcão. '<span style="font-family: courier new;">Acho melhor você ir embora, a policia já foi avisada</span>', disse o cara do balcão ao encher o copo. Eu virei o copo e fique de frente para porta, mas encostado no balcão. Levantei a arma em direção das pessoas. Todas ficaram com medo, mas nenhuma tentou correr. A primeira que tentasse isso não chegaria até a porta. Eu puxei o gatilho três vezes. Uma bala para cada direção. No terceiro tiro eu vi um vulto no fundo do bar cair. Saí correndo do bar em direção do carro.<br /><br />Continuei pouco tempo rodando antes que a polícia me localizasse. Comecei a acelerar. O número de carros de polícia me seguindo começava a aumentar. Em cinco minutos eram seis ou sete carros. Peguei a estrada em direção das montanhas. As curvas não tinham fim. Cada vez mais fechadas e difíceis. A polícia continuava atrás. Eu não enxergava, mas ouvia o som das sirenes. Cheguei no alto onde havia uma planície. De um lado a estrada descia de volta para a cidade. Do outro lado, um penhasco. A polícia me seguia. Eu coloquei o Mustang em direção do penhasco e parei. Os policiais pararam pouco atrás, a 500 metros.<br /><br />Agora eu já não tinha mais saída. Os policiais estavam todos alinhados. Um deles gritava para eu sair com as mãos para cima. Eu podia me entregar ou me jogar com o Mustang no penhasco. Eles não me perdoariam. Simplesmente entrei em um bar e puxei o gatilho três vezes. Matei um cara.<br /><br />Eu não podia fraquejar agora. Eles pagaram pelo que fizeram. Eu deveria ter descarregado a arma. Eu deixei de ser um covarde. Está tudo vingado. Eu poderia me atirar pelo penhasco e estaria tudo como deveria ter sido desde o início. Nada poderia me deter. Não me pegariam nunca. Nunca desistiria. Estava decidido.<br /><br />Foi quando fraquejei e tudo voltou como era antes. Desliguei o carro. Saí do mustang com as mãos para cima. Toquei o capô do carro e esperei que os policiais viessem me algemar.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15704385-114961473631904481?l=bluesbeatandbeer.blogspot.com'/></div>Christon Delàshttp://www.blogger.com/profile/14053479565799509064christon.delas@yahoo.com0tag:blogger.com,1999:blog-15704385.post-1145199774142173472006-04-16T11:59:00.000-03:002006-04-16T12:06:59.416-03:00Sílvia e CarlãoSílvia tinha deixado seus pais há alguns meses para morar sozinha em um apartamento na cidade baixa. Era um apartamento pequeno, mas tinha tudo o que Sílvia precisava. Na verdade foi o único apartamento que ela podia pagar. Mas Sílvia não era muito exigente com isso. Ela estava em um bairro excelente para uma jovem de 23 anos e isso bastava.<br /><br />Sílvia era uma mulher muito bonita. Ela tinha cabelos e olhos castanhos e passava o ano todo bronzeada. Ela não era alta nem baixa mas era magra e tinha seios pequenos e bonitos e bunda proporcional com seu corpo. Aos olhos de Sílvia, seu corpo poderia ser mais atraente. Peitos maiores e mais durinhos. Bunda mais redondinha. Barriga mais retinha. Isso e outras pequenas imperfeições que só Sílvia notava ao se olhar no espelho no início de cada manhã.<br /><br />Para Carlão, Sílvia era perfeita assim como ela era, sem tirar ou colocar nada. Carlão era namorado de Sílvia e morava com seus irmãos, apesar de passar a maior parte do tempo no apartamento dela. Carlão tinha 31 anos e tocava gaita de boca numa banda de blues. A banda costumava se apresentar todas as quintas em um bar da cidade, mas o dinheiro não era muito ele já pensava em achar alguma coisa para fazer durante o dia. Mesmo ele passando todo o tempo na casa de Sílvia, a única coisa que ele colocava no apartamento era a cerveja na geladeira. Isso por que era ele que bebia tudo.<br /><br />No fim de uma tarde, Carlão saiu do ensaio e passou com sua moto no trabalho de Sílvia para dar uma carona até seu apartamento. Quando chegaram, eles começaram a se beijar no elevador e, ao fechar a porta do apartamento, o clima esquentou ainda mais. Eles continuaram no sofá da sala. Sílvia tirou a calça de Carlão e Ele começou a abrir os botões da camisa de Sílvia. Ela tirou a saia e, só de calcinha foi até o quarto puxando Carlão pela mão. Eles deitaram na cama e Carlão começou a beijar sua boca, seu pescoço e foi descendo e beijando seus seios. Ele continuou descendo até a barriga enquanto Sílvia abriu a gaveta para pegar o preservativo. Carlão estava na altura da cintura quando Sílvia dá um grito e interrompe Carlão, com um empurrão nos ombros.<br /><br /><font face=Courier><br />- Carlos, não tem mais camisinha.<br />- Ah não.. Mas por que você não viu isso antes.<br />- Eu esqueci Carlão.<br />- Mas não tem problema, podemos continuar assim mesmo, diz Carlão voltando para a cama sem querer perder muito tempo com a situação.<br />- Tem problema sim, Carlão. Vai até a farmácia da esquina, é rapidinho.<br /></FONT><br /><br />Carlão sabia que não adiantava discutir. Então ele colocou as calças e a camisa, calçou os sapatos e saiu a pé até a farmácia. Sílvia ficou deitada na cama, esperando a volta de Carlão.<br /><br />Haviam passado quinze minutos quando Sílvia olhou para o relógio e começou a pensar o que o inútil do Carlão estava aprontando. Afinal de contas, a farmácia era na esquina. Cinco minutos eram suficientes para ir e voltar. Talvez dez. Quinze já eram demais. Talvez ele tenha ficado numa fila grande ou na sua frente estava uma velhinha que começou a contar sobre seus netinhos, mostrando as fotos de todos eles e dizendo: "<FONT FACE=Courier>Essa é minha netinha número três. Ela nasceu de dois quilos e oitocentos e blá blá blá...</FONT>".<br /><br />Foi nesse instante que Sílvia ouviu a sirene de uma ambulância e correu para a janela. A ambulância parou em frente à farmácia e Carlão estava esticado na rua próximo a calçada, rodeado de pessoas. Ela vestiu a roupa e desceu as escadas mais rápido que nunca. Atravessou a rua correndo e chegou na multidão que assistia os enfermeiros trabalhando. Sílvia não agüentou a situação e antes mesmo de chegar próximo a Carlão começou a chorar e gritar pelo seu nome. Pessoas preocupadas com a aflição de Sílvia a seguraram para não deixá-la ver o amado que estava esticado no asfalto próximo a calçada. Sílvia chorava cada vez mais desesperada. Ela não conseguia se aproximar de Carlão e isso a deixava ainda mais agoniada.<br /><br />Toda a multidão se sensibiliza com a emoção de Sílvia e tentavam acalmá-la dizendo que Carlão estava bem. Um enfermeiro que atendia o acidentado virou para Sílvia e disse que Carlão estava sendo levado ao hospital para fazer alguns exames de rotina mas logo poderia voltar para casa. Foi quando o acidentado diz com uma voz fraca e cheia de dor:<br /><br /><FONT FACE=Courier><br />- Quem disse que eu me chamo Carlão. Meu nome é João. Que merda...<br /></FONT><br /><br />O silêncio toma conta da multidão. Sílvia para de chorar no mesmo instante. Todos ficam olhando paralisados para Sílvia. Mesmo os dois enfermeiros param o atendimento por alguns instantes para ver a reação de Sílvia. Mas ela não sabe como agir. Somente nesse momento Sílvia consegue ver o rosto do rapaz acidentado. A expressão de desespero é tomada pelo sentimento de vergonha. Ela começa a se afastar e vê a farmácia fechada. <br /><br />Do outro lado da rua Carlão enxerga Sílvia e corre para ver o que estava acontecendo.<br /><br /><FONT FACE=Courier><br />- O que houve Sílvia? Tudo bem contigo? Por que esta chorando? Conhece o acidentado? A farmácia estava fechada e tive que ir até a outra...<br /></FONT><br /><br />Sílvia e Carlão voltaram até o Apartamento. Sílvia precisava de um momento para se acalmar abraçada em Carlão. Eles entraram no elevador. Se beijaram e começaram o que tinham parado.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15704385-114519977414217347?l=bluesbeatandbeer.blogspot.com'/></div>Christon Delàshttp://www.blogger.com/profile/14053479565799509064christon.delas@yahoo.com0tag:blogger.com,1999:blog-15704385.post-1142978398157078252006-03-21T18:56:00.000-03:002006-03-21T19:02:15.130-03:00O BispoA carroça do bispo se movia lentamente puxada pela mula velha. O silêncio da madrugada só era quebrado pelo barulho de madeira rangendo e das rodas da carroça se movendo sobre o cascalho do caminho. O bispo obeso deixava a vila no meio da noite. A carta marcada com o brasão da <span style="font-style:italic;">Ordem das Chaves Cruzadas</span> não deixava opção ao bispo. Antes do amanhecer, ele deveria se unir a um cavaleiro e dois peões a noroeste da vila. O inimigo avançava e a presença de um religioso na frente de batalha era imprescindível. <br /><br />Antes do crepúsculo, o bispo encontra o cavaleiro no meio do caminho. O guerreiro recuava numa tentativa de formar um novo ataque. "A Ordem das Chaves Cruzadas me envia de volta ao reino", era o que dizia o cavaleiro abatido em direção contrária. <br /><br />- Pegue um pouco de pão e uma garrafa de vinho e siga teu caminho, diz o bispo.<br /><br />O cavaleiro pega com um rápido golpe a comida e parte sem perda de tempo em direção ao reinado. Em contrapartida, o bispo segue seu caminho como ordenado. Agitando as rédeas para acelerar a mula velha, ele tentava reduzir o tempo de viagem. A esperança dos guerreiros no campo de batalha era o calvário da mula cansada. <br /><br />Ao avistar o bispo, o peão corre em direção da carroça. Puxando as calças que caíam a cada passo, o bufão se joga ao pés do religioso, lamentando o resultado da última batalha, desastrosa e cheia de baixas. <br /><br />- Que bo-bom que o se-senhor está aqui, meu bi-bispo, dizia o peão gago. Ti-ti-tivemos pe-perdas e te-tenho muito medo.<br /><br />O guerreiro conta sobre a batalha que vem de acontecer. Ele descreve com detalhes a tentativa de ataque à rainha inimiga. O ataque tinha sido um desastre incrível. Várias mortes desnecessárias somente pelo nome da Ordem. Um verdadeiro massacre. A tristeza é ainda mais visível quando ele revela a morte de um amigo de infância esmagado por uma das torres do castelo. O bispo que havia saído do reino para amparar um cavaleiro e dois peões agora encontrava um único membro. Um peão baixinho, gago e medroso no meio do campo de batalha. <br /><br />- Acalme-se meu filho, diz o bispo. Deus está conosco. Ele nos protegerá e nos ajudará a avançar. Para isso, basta que sejamos pacientes e sigamos Seus ensinamentos. O Senhor está do nosso lado e, em Seu nome, venceremos esta guerra contra nossos inimigos.<br />- Ma-mas meu bi-bispo, continuava o pequeno guerreiro. Porquê de-devemos comba-bater se nós nem me-mesmo conhecemos no-nosso inimi-migo? Em to-toda minha vi-vida, eu não lembro de ter fe-feito outra co-coisa senão lu-lutar. Já de-derruba-bamos vários Reis e pe-perdemos o-outros, ma-mas esta-tamos sempre em gue-guerra.<br />- Não cabe a nós questionármos as decisões de Deus, e sim segui-las. A dúvida nem mesmo deve existir...<br />- Mas senhor, interrompe o peão. Me-mesmo no-nosso Rei se-segue a ri-risca o que a Ordem das Cha-chaves Cruzadas lhe dete-termina à fa-fazer. To-todos nós somos pe-peças neste jogo que é esta gue-guerra inú-nutil. <br /><br />O ódio invade o corpo do bispo que antes se mostrava muito calmo. Os olhos do bispo se enchem de raiva e aversão as palavras do peão tolo.<br /><br />- Cala-te. Não digas estas heresias ou vais passar a eternidade a queimar no inferno. <br />- Se-senhor, eu não acredito que sa-sairei deste jo-jogo. Quando esta gue-guerra acabar, eu serei mandado de volta ao no-nosso re-reino e uma nova gue-guerra vai co-começar. O senhor nu-nunca jogou xa-xadrez? O se-senhor não se sente uma pe-peça de xadrez? Nós so-somos todos mandados por uma enti-tidade que não co-conhecemos e seguimos a ri-risca suas o-ordens. O se-senhor nunca imaginou que essa me-mesma Ordem pode seguir as re-regras de uma outra O-Ordem. E essa outra O-Ordem de outra ainda ma-mais poderosa?<br />- Eu nunca ouvi tamanha besteira. Amanhã vou enviar uma carta para que tu voltes imediatamente ao reino e seja devidamente castigado.<br />- Não é necessário meu bi-bispo. Antes do ama-manhecer, nós estaremos em ple-plena bata-talha com o inimigo. A no-notícia chegou ao ca-campo de batalha antes me-mesmo do senhor.<br /><br />O bispo não vira os olhos e continua seu caminho até a cabana onde ia descansar. Na manhã seguinte o bispo é interrompido por um mensageiro com uma nova carta da Ordem das Chaves Cruzadas. A carta dizia que o Rei tinha sido morto e ele deveria voltar ao reino. O bispo deveria retornar e aguardar novas ordens. O bispo sempre soube que um novo Rei devia estar já no poder e que ele somente aguardaria o começo de uma nova batalha, assim como todas as outras que ele havia vivenciado. Não era necessário que um peão fraco, tolo e gago lhe disse isso. Apesar disso, estava fora de questão interrogar a Ordem que ele sempre seguiu e menos ainda aceitar que outros tentassem lhe dizer que a Ordem não estava certa.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15704385-114297839815707825?l=bluesbeatandbeer.blogspot.com'/></div>Christon Delàshttp://www.blogger.com/profile/14053479565799509064christon.delas@yahoo.com0tag:blogger.com,1999:blog-15704385.post-1138275993806117352006-01-26T09:46:00.001-02:002008-09-13T08:51:04.523-03:00Le LautrecEu morei um ano e meio em Grenoble. Antes mesmo de sair do Brasil, eu já tinha data marcada para a volta. Passei exatamente 18 meses naquele apartamento construído logo após a segunda guerra. Quando alguém caminhava, falava ou gemia no prédio, todo mundo ouvia. Mas o pior mesmo, era a velha do andar de cima que levantava as 4 horas da manhã para molhar as plantas na janela. A cada noite a gente acompanhava a cama rangendo até a velha levantar, a velha colocando os chinelos de sola de madeira, a velha andando até o banheiro, a velha caminhando até a janela, a água descendo pela parede e batendo em nossa persiana de ferro. Por fim, a velha ia até a cama e após alguns novos rangidos, podíamos dormir por mais algumas horas.<br /><br />Um lugar que me chamou a atenção quando cheguei foi o <B>Le Lautrec</B>. Eu passava todos os dias pelo bar e sempre havia alguma Harley parada na frente. Quando eu passava por lá, eu reduzia o passo para ouvir os roncos das motos chegando e saindo do bar. A música era muito boa também, mas da calçada não dava para ouvir muito bem. Algumas vezes o barulho não era das motos, mas das discussões que aconteciam no bar. Um dia, passando pelo bar, eu comecei a caminhar mais devagar quando um tipo gordo, cabelo e barba grisalha saiu cambaleando do bar com uma garrafa de 1664 na mão. Atrás dele veio uma cadeira voando pela porta de entrada e logo após uma mulher que gritava. A gargalhada do cara era mais alta que os gritos da mulher histérica. Eu segui meu caminho. Olhei para trás da esquina e estavam o tipo e a mulher abraçados entrando no bar novamente.<br /><br />Era um bom bairro este que eu morava. Muito estudante universitário e muito velho. Nas férias os estudantes desapareciam e só restavam os velhos. Eram muitos mesmo e sempre queriam conversar. Eu não me importava de ficar algum tempo ouvindo o que eles tinham para contar. Poucas vezes eram reclamações e na maioria das vezes rendiam boas risadas.<br /><br />Isso me fez lembrar meu avós. Meus avós gostavam de cultivar o que seus pais trouxeram da Itália. Mesmo velho, meu avô continuava com as plantações no pequeno terreno atrás de sua casa. Ele podia até ter abandonado o velho cigarro de palha, mas o vinho continuava presente em cada refeição. Minha avó era alta e grande. Era ela que mandava na casa. Cinco filhos ainda moravam com eles. Eu estava sempre ocupado demais para vê-los. Eles moravam longe. Eu tinha sempre algo mais importante para fazer. Mesmo que fosse ficar dormindo no domingo de manhã. Lembro do dia que eles comemoraram 50 anos de casados. Estavam todos lá. Os 10 filhos com maridos e esposas e todos os netos. Foi uma grande festa. Todos estavam lá, exceto eu. Afinal, eu tinha coisas mais interessantes a fazer. Algum tempo depois, descobriram que minha avó tinha um tumor na cabeça. Fui vê-la depois da operação. Não ouvi uma palavra sequer de sua boca. Ela ficou o tempo inteiro dormindo. Minha tia falou que dias antes ela perguntou por mim, mas naquele momento ela só dormia. Eu não acreditava que era minha avó lá naquela cama. Não podia ser. Era uma outra pessoa. Uma desconhecida. Eu voltei para minha cidade no mesmo dia. Na segunda-feira, meu pai foi sozinho ao seu enterro. Eu não queria ir até lá para ver o enterro de uma desconhecida. Três anos depois chegou a hora de meu avô. Disseram que no final de uma tarde de trabalho atrás de casa, ele sentou na sua poltrona em frente a televisão e começou a levantar os braços dizendo que estava com as mãos amortecidas. Isso algum tempo antes de chamarem a ambulância para levá-lo ao hospital por causa do ataque cardíaco. Eu fui vê-lo no hospital. Ele me olhou de lado, mas não disse nada. Não consegui ficar no quarto nem cinco minutos e ele teve mais um ataque. A enfermeira nos tirou do quarto e eu voltei a Porto Alegre no mesmo dia. No domingo eu estava de volta para seu enterro.<br /><br />Tudo isso veio do nada. Semana passada, eu estava sentado à mesa jantando e simplesmente lembrei. Terminei de comer. Tomei o ultimo gole de vinho e disse que ia sair. Vesti o casaco. Calcei os sapatos e sai em direção do Le Lautrec. Atravessei a rua e andei as três quadras que separavam meu apartamento do bar. Cheguei rápido. Era lá que eu queria estar agora. Mas estava tudo escuro. Fechado. Só havia uma placa na porta: "<FONT FACE=Courier>Vende-se ou aluga-se</FONT>".<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15704385-113827599380611735?l=bluesbeatandbeer.blogspot.com'/></div>Christon Delàshttp://www.blogger.com/profile/14053479565799509064christon.delas@yahoo.com0tag:blogger.com,1999:blog-15704385.post-1135370791126161672005-12-23T18:46:00.000-02:002005-12-27T14:26:35.673-02:00A Velha Dama de Paris<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/3281/1462/1600/mendigo.jpg"><img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3281/1462/320/mendigo.jpg" border="0" alt="" /></a> Eu imagino que <B>Fante</B> se sentiu, ao menos uma vez na vida, como sua personagem de <I>Minha Primeira Viagem à Paris</I>. Eu posso quase afirmar que, com toda a emoção e sentimento que sempre expressou em suas novelas, ele já lastimou algo, assim como aquela velha mulher. Eu tenho certeza disso. Ainda mais, Fante precisa ter tido ao menos em algum momento da sua vida, mesmo que muito brevemente, a experiência do amargo sentimento daquela mulher jogada em um cruzamento de Paris.<br /><br />Pois eu já me senti assim. Da mesma forma que aquela mulher horrenda como um pesadelo, grisalha e triste como o mais forte inverno. Aquela velha como a cidade de Paris, que passava o dia como um amontoado de ossos. Abandonada como um cão velho com as horas contadas. Imóvel como a Notre Dame.<br /><br />Talvez isso de alguma forma revolte as pessoas. Mesmo que seja pela impotência de não poder ajudar. Mas eu entendo a velha dama e faria a mesma coisa. Talvez alguns jogariam moedas e outros nem olhariam. Alguns pensariam em ajudar, mas no mesmo instante outra coisa mais importante lhes passaria pela cabeça.<br /><br />Mas se por acaso alguma pessoa de passagem fosse parar e perguntar o que eu precisava ou simplesmente por que eu estava ali jogado como um monte de trapos velhos, eu responderia calmamente assim como a velha mulher fez: "<font face=Courier>A única coisa que eu desejo agora é ficar só, com minha dor</font>".<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15704385-113537079112616167?l=bluesbeatandbeer.blogspot.com'/></div>Christon Delàshttp://www.blogger.com/profile/14053479565799509064christon.delas@yahoo.com0tag:blogger.com,1999:blog-15704385.post-1134745414239000722005-12-16T13:03:00.000-02:002005-12-18T15:36:56.546-02:00Quel Bordel Putain de Merde"<font face=courier>Quel Bordel Putain de Merde</font>", dizia o velho homem curvado pela idade e pelo duro trabalho na antiga fábrica de rádios AM. Como se não bastasse o calor de 35 graus, M. Delatrouille ainda portava um casaco de lã, feito certamente para o mais rigoroso inverno. Ele sai do apartamento onde morou há mais de 50 anos, em direção à casa de seu ex-patrão, o M. Piègeaux. <br /> <br />Chegando lá ele esmurra a porta da forma que pode, já que a fraqueza da idade não lhe deixa expressar todo seu rancor. A porta se abre e é seu ex-patrão mesmo que aparece com a cara de quem não tem muitos amigos. M. Piègeaux o analisa com os olhos, dos pés a cabeça e diz com um ar de desprezo:<br /> <br />- <font face=courier>Que est-ce que vous voulez ici M. Delatrouille</font>.<br />- <font face=courier>J'ai une choise pour vous M. Piègeaux</font>.<br /> <br />De um só golpe, M. Delatrouille puxou do interior de seu casaco uma pistola que ele guardava como medalha pela sua atuação não reconhecida durante a Segunda Guerra e deixou a arma a 30cm do peito de seu maldito ex-patrão. A cena foi tão violenta aos olhos de M. Piègeaux que o velho ex-patrão desmoronou, morto de ataque cardíaco, como um prédio sendo implodido.<br /> <br />M. Delatrouille virou as costas para o defunto esticado no tapete de entrada da casa. "<font face=courier>Quel Bordel Putain de Merde</font>", disse ele com um ar aliviado do fardo pesado que ele carregou durante mais de 40 anos.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15704385-113474541423900072?l=bluesbeatandbeer.blogspot.com'/></div>Christon Delàshttp://www.blogger.com/profile/14053479565799509064christon.delas@yahoo.com0tag:blogger.com,1999:blog-15704385.post-1132651316455149142005-11-22T07:21:00.000-02:002005-11-22T10:10:36.456-02:00De Passagem no InfernoExceto o frio, nada de especial naquele dia,<br />Sem vento, sem neblina e nem sinal de neve tardia,<br />Sem nenhum arrependimento e seguro do que pretendia,<br />De um só gole, deixei a taça vazia.<br /><br />Não foi cortando os pulsos, nem com um tiro no peito,<br />Nenhuma gota de sangue, só um gole do vinho mortal,<br />A forma não importava, nem mesmo necessitava de leito,<br />Somente o motivo que me levava ao reino infernal.<br /><br />O veneno desceu queimando a áspera garganta,<br />A cabeça explodia, o corpo imobilizado, somente o pensamento existia,<br />O segundo virou minuto e o minuto virou hora,<br />O momento esperado enfim chegara agora.<br /><br />"<font face=courier>Porque acelerar o inevitável?</font>", assim perguntou o diabo,<br />Com pose de Rei em seu mundo infernal,<br />Sem mostrar surpresa ou impotência, nem mesmo ansiedade,<br />Respondi, "<font face=courier>Somente um motivo: curiosidade</font>".<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15704385-113265131645514914?l=bluesbeatandbeer.blogspot.com'/></div>Christon Delàshttp://www.blogger.com/profile/14053479565799509064christon.delas@yahoo.com0tag:blogger.com,1999:blog-15704385.post-1131278315199079802005-11-06T09:58:00.000-02:002005-12-31T12:59:24.720-02:00A Ambição é Uma MerdaExistem algumas coisas que o cara faz e depois se arrepende muito, como se fosse um crime. Mesmo que ninguém tenha dito ou mesmo que esteja escrito em algum lugar. Mas existem outras coisas que o cara faz, mesmo todo mundo sabendo que é proibido e nunca se arrepende. E como dizia o velho <span style="font-style:italic;">Bukowski</span>, das coisas boas a serem feitas, de duas uma: ou são caras ou são proibidas.<br /><br />As caras são mais difíceis, e por motivos óbvios. Dinheiro, ou melhor, a falta dele. As proibidas já são outra história. Até atraem. Afinal, que graça teria pecar de vez em quando se não tivesse um maluco dizendo que não é para o cara fazer.<br /><br />Existem ainda outras coisas que ficam em algum lugar incerto no meio disso tudo. Durante alguns anos eu me tornei ambicioso em relação ao trabalho. Como resultado, eu realizei alguns sonhos mas acabei no meio de pessoas que eu detesto. Eu conheci New Orleans e a Califórnia, que sempre desejei muito e acabei aqui na França. Isso também me deu a oportunidade de conhecer outros países e culturas que eu jamais imaginei.<br /><br />Mas eu acabei no meio de pessoas que não se importam nem um pouco com os outros, somente com o interesse de conseguirem o que querem e depois darem um pé na bunda do cara. Há alguns meses atrás eu quebrei o maior pau com o meu chefe. Tinha tudo pronto para voltar, mas ele cedeu e pediu para eu ficar. Eu ainda não estou muito certo se fiz bem em continuar, mas agora tenho somente quatro meses aqui e volto para o Brasil com uma certa saudade daquele bom e velho tempo. Não que eu tenha me arrependido de ter vindo. Conheci muita gente boa. <br /><br />Mas estava conversando com um grande amigo de longa data tempos atrás, e ele me contou como andam as coisas por lá. Apesar de ter passado alguns anos e ter acontecido muita coisa nesse tempo todo, as coisas continuam iguais. O pessoal continua se encontrando para beber e falar besteira. Eu que mudei e me afastei deles. Deixei os acampamentos, as idas e vindas pelos bares do bairro e os churrascos de fim de semana. Ele inclusive falou que sente um pouco de inveja por eu estar aqui. Mas na verdade quem tem inveja deles sou eu.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15704385-113127831519907980?l=bluesbeatandbeer.blogspot.com'/></div>Christon Delàshttp://www.blogger.com/profile/14053479565799509064christon.delas@yahoo.com0tag:blogger.com,1999:blog-15704385.post-1130866508254181592005-11-01T15:35:00.000-02:002005-11-01T15:39:04.623-02:00Um Dia Como os OutrosHoje eu acordei cedo e fui trabalhar, como se não fosse feriado. Um burro de carga não fica tão sobrecarregado como estou nesses últimos dias. Passei o dia trancado naquela sala, fazendo aquela merda de trabalho. Saí às cinco horas da tarde, passei por alguns bares, mas não entrei. Cheguei em casa e acabei com a garrafa de vinho aberta, pensando: "<FONT FACE="courier">Amanhã vai ser um dia de merda como hoje</FONT>".<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15704385-113086650825418159?l=bluesbeatandbeer.blogspot.com'/></div>Christon Delàshttp://www.blogger.com/profile/14053479565799509064christon.delas@yahoo.com0tag:blogger.com,1999:blog-15704385.post-1129739493069371012005-10-19T14:24:00.000-02:002005-10-20T15:33:33.616-02:00Wonderland<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/3281/1462/1600/revolver1.gif"><img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3281/1462/320/revolver1.gif" border="0" alt="" /></a>Havia uma terra muito distante chamada Wonderland. Ela era conhecida pela mulher bonita, sol e cerveja, mas também pela violência. Um dia as armas foram proibidas e todas elas foram destruídas. Os bandidos, que tinham o hábito de cometer delitos desde que eram crianças, continuaram a fazê-los por alguns meses com utensílios de cozinha como colheres e saca-rolhas ou com cortadores de unhas. Mas, com o tempo isso acabou porque perdeu a graça. Os políticos de wonderland ficaram com vergonha porque só eles apareciam nos jornais e deixaram de ser corruptos. Assim, todos viveram felizes para sempre.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15704385-112973949306937101?l=bluesbeatandbeer.blogspot.com'/></div>Christon Delàshttp://www.blogger.com/profile/14053479565799509064christon.delas@yahoo.com0tag:blogger.com,1999:blog-15704385.post-1128360745346476682005-10-03T14:32:00.000-03:002005-10-15T05:44:25.820-03:00O PossanteQuando mudamos para Porto Alegre, nós já tínhamos aquele Gol 1000 93 branco com o escapamento aberto. Era até difícil conversar dentro dele. Em viagem então, o silêncio era quebrado somente pelo ensurdecedor ronco daquele carro. <br /><br />Consertar aquilo era uma possibilidade muito remota. Recebendo aquela bolsa de mestrado, trocar o silencioso era um luxo possível a poucos. Pior que mais da metade da bolsa era para pagar o aluguel de um apartamento de quarto e sala no Bom Fim. O resto já estava condenado com outras despesas. O que garantia o mês era mesmo o salário da patroa. Mesmo que muitas vezes nosso limite era mesmo o limite negativo do cheque. Tanto meu, quando dela.<br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/3281/1462/1600/gol_transparente_n1.gif"><img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3281/1462/320/gol_transparente_n1.gif" border="0" alt="" /></a>A verdade é que o possante ficava mais parado que rodando, mas quando a gente inventava de sair, não sabia que tipo de surpresa poderia encontrar. Às vezes nem conseguia sair da garagem. Lembro uma vez que ao dar ré, notei algo errado com o freio. Voltei, saí do carro e vi que todo o líquido de freio tinha vazado pela roda direita traseira. O verdadeiro "poçante" mesmo.<br /><br />Outras vezes, ao sair da universidade, ficava na merda devido a bateria, ou algum troço de bombear gasolina entupido. Um dia tive que chamar um chaveiro porque a minha chave ficou bloqueada na porta. Chegou um ponto que eu estava tão indignado que chamava o seguro por qualquer razão. Eu devo ter sido considerado o cliente do mês. Talvez do ano. Mas afinal, ter gasto aquela grana pelo seguro não foi em vão. <br /><br />Pior ainda era a sacanagem com os amigos. Uma noite fiz dois amigos ficarem meia hora de um lado para outro no estacionamento de um supermercado, empurrando o possante para fazer funcionar. E o desgraçado não funcionou.<br /><br />O limite foi quando eu estava levando o carro para fazer uma revisão na mecânica antes das férias de verão. Duas quadras antes de chegar, ele simplesmente apagou. Nenhum sinal de vida. Totalmente morto. Encostei e deixei o possante lá. Fui a pé até a mecânica e eles fizeram o resto.<br /><br />Decidimos finalmente passar adiante o possante. Cancelei a garagem. Fomos para as férias e no último mês deixávamos o carro na rua. Acho que era a única rua da cidade sem flanelinha, o que ajudou um pouco. Algumas noites até deixei o carro destrancado. Pensando que a grana do seguro seria maior que o preço que a gente ia ganhar vendendo ele. Mas ele continuava sempre lá. Até que me toquei que algum mendigo poderia começar a usar o carro para dormir, e isso seria problema ainda maior.<br /><br />Devem fazer quase dois anos que vendemos o possante. Desde lá, fazendo sol, chuva, neve, temporal, furacão ou tsunami, estou indo e voltando sempre de ônibus. De manhã cedo, ônibus lotado é foda. Ou no fim de semana que passa um ônibus cada 2 horas. Mesmo agora afastado de Porto por um tempo, continuo na mesma.<br /><br />Mas na verdade mesmo, o cara nunca está contente. Antes era por causa do possante que me deixava sempre na mão e me fazia gastar a maior grana. Agora é por causa do ônibus. Quem sabe um dia eu consiga comprar uma Harley, mas por enquanto é um sonho bem longe de ser realizado.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15704385-112836074534647668?l=bluesbeatandbeer.blogspot.com'/></div>Christon Delàshttp://www.blogger.com/profile/14053479565799509064christon.delas@yahoo.com0tag:blogger.com,1999:blog-15704385.post-1127898628283950742005-09-28T06:10:00.000-03:002005-12-08T06:28:02.890-02:00O Melhor Produto da ReligiãoEstávamos os quatro em torno de uma mesa de bar tentando resolver a próxima rodada. Chamamos a guria do bar para ver o que ela tinha a oferecer. Bom, em relação a bebidas no momento. Ela começou a listar as cervejas, quando um diz:<br /><br />- Essa é interessante. Vocês conhecem? Parece que uns monges elaboraram essa cerveja lá na Bélgica. E blá blá blá...<br /><br />Para falar a verdade, antes mesmo que ela terminasse de dizer o nome da cerveja, eu não lembrava mais de qual se tratava. O mais interessante foi o rumo que a conversa tomou após essa célebre cerveja. Começamos a discutir, com um certo nível alcoólico elevado, sobre as conseqüências da religião, assim como a cerveja e outras bebidas fermentadas ou destiladas que nasceram em segredo em uma cave escura e afastada do resto da humanidade. Mas, pelo bem dessa mesma humanidade, o segredo se espalhou e tornou-se popular.<br /><br />Não é necessário somente olhar as coisas que aconteceram há muito tempo, como as cruzadas por exemplo. Nesse longo período da história onde cavaleiros lutaram e morreram em nome de sua religião e tentaram impor seu Deus como melhor que o Deus dos outros. Algumas religiões mudaram bastante, outras não muito, mas devem existir muitas que nasceram nesse tempo e outras ainda estão por nascer.<br /><br />Um exemplo é o quinto cara mais rico do mundo que se orgulha em ser príncipe do berço do islamismo, mas ao invés de fazer política social, prefere montar uma grande barraca no meio do deserto uma vez por semana, para distribuir dinheiro para as pessoas doentes. Assim ele fica conhecido como o bom príncipe que ajuda os pobres. Além disso, no seu país, mulher não pode dirigir carro e precisa de autorização do marido mesmo para visitar seus pais em outra cidade.<br /><br />Falando nisso, a primeira vez que encontrei uma mulher com lenço na cabeça, fui direto dando os tradicionais dois beijinhos no rosto, como sempre fiz. Nesse momento ouvi um gemido "<font face=courier>huuummmm</font>", como se ela estivesse pensando como ia fazer para se acertar com Allah depois desse grave pecado, ou mesmo como se acertar com seu marido. Confesso que me assustei um pouco, porque também pensei que isso poderia me trazer problemas com Allah, ou pior, com o marido dela. Na segunda vez que eu a encontrei, ela até deu um passo para trás quando me aproximei. Mas eu já estava mais habituado e não passei de um "<font face=courier>Bom dia</font>".<br /><br />Os islamistas radicais também entram nessa. E entram botando para quebrar. Em nome da religião, se enchem de explosivos e vão para os metrôs matar um monte de gente do mal. Do outro lado dessa história, o cara com o maior exército do mundo, invade o país que quiser, dizendo que o mal na verdade é formado pelos caras com os explosivos e não ele. "<font face=courier>O bem sempre vencerá o mal</font>". Mas assim é fácil, se os dois lados são do bem, é claro que ele vai vencer.<br /><br />E ainda temos como exemplo, religiões que prometem curar doenças do corpo, assim como Jesus fez. "<font face=courier>Coloque a mão na região do corpo e tu serás curado pelo poder que Deus me concedeu</font>". Depois começam as declarações dos incríveis poderes de Deus e, é claro, as arrecadações por serviços prestados. Imaginem o Maracanã cheio de doentes sendo curados. Isso tinha que estar na Bíblia e não uma coisa de amador como transformar água em vinho.<br /><br />A verdade é que certas religiões se resumem a regras simples que todos devem seguir para chegar ao reino dos Céus. Assim como caderninho de bar de interior. Mas dessa vez, não existe um só nas redondezas, mas uma cadeia de bares, e um sempre bem próximo. Um grande empreendimento.<br /><br />Tudo que tu fizeres nessa bodega de vida é anotado no caderninho e se tu ficares muito no negativo, podes ter problemas com o dono do bar (Deus no caso). Mas sempre existe uma forma de deixar um dinheirinho no bar mais próximo e ficar com um crédito temporário. Mas lembre-se, se não pagar a dívida, além de ter problemas com o serviço de proteção ao crédito, corre o risco de arder no fogo do inferno pelo resto da eternidade. E olha que a eternidade demora muito, mas muito tempo mesmo, para passar.<br /><br />As coisas são bem simples. Tudo escrito em uma tabela colada na parede do recinto. Cada pecado tem seu preço, e pode ser compensado com uma boa ação ou uma doação direta de dinheiro ao padre. Quero dizer, a igreja. Uma violação aos 10 mandamentos é caríssima, e talvez impagável em uma vida. Terás que ajudar velhinhas a atravessar a rua pelo resto da tua vida.<br /><br />E podes ter certeza que esse empreendimento funciona muito bem. Mesmo assim, as vezes algum funcionário do reino de Deus precisa dar explicações ao fisco por causa de algumas maletas cheias de dinheiro que ele está transportando de São Paulo para Brasília.<br /><br />Eu concordo que para algumas pessoas que estão no fundo do poço, a religião pode gerar um certo conforto. Como eles mesmo dizem, criam uma nova esperança para viver. Outras pessoas até se sentem melhores vivendo sob o amparo da igreja. Mas a verdade é que o melhor produto da religião é mesmo a cerveja.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15704385-112789862828395074?l=bluesbeatandbeer.blogspot.com'/></div>Christon Delàshttp://www.blogger.com/profile/14053479565799509064christon.delas@yahoo.com1tag:blogger.com,1999:blog-15704385.post-1127213278807414202005-09-20T07:20:00.000-03:002005-09-20T09:11:10.560-03:00Porque Toda Essa Merda?Todo esse lixo enlatado, enfiado pelo ouvido esquerdo.<br />Vocês ficam esperando que eu seja certinho.<br />Vocês ficam esperando que eu diga OK para toda essa lama que eu piso.<br /><br />Não venham me dizer que essa merda superficial faz bem para mim.<br />Quem disse para vocês que ficar vendo gente trancafiada numa casa é melhor que ler Ginsberg?<br />Quem disse para vocês que saber o nome dos personagens da novela das 8 é melhor que saber quantos já disseram <B>Foda-se</B> para tudo isso?<br />Quem disse que vocês serão mais felizes se vocês se comportarem?<br />Quem disse para vocês a hora de acordar, comer, trabalhar, respirar?<br /><br />Não venham me dizer que estou sendo imaturo.<br />Vocês são manipulados como cães de circo.<br />Pode ter certeza que eles vão usá-los e depois vão dar um pé na bunda quando vocês não forem mais úteis.<br />E vocês vão continuar achando que isso é normal.<br /><br />Não venham me dizer que eu estou errado.<br />Foram eles mesmos que disseram que isso é bom e vocês acreditaram.<br />Tudo isso fede e de júpiter podemos sentir o cheiro.<br /><br />Não venham me dizer que isso é bom para mim.<br />Eu não sou uma de suas peças de xadrez.<br />Eu não nasci para ser manipulado como vocês tentam fazer.<br />Eu não nasci para ter essa vidinha medíocre.<br />Eu odeio toda essa cegueira imposta.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15704385-112721327880741420?l=bluesbeatandbeer.blogspot.com'/></div>Christon Delàshttp://www.blogger.com/profile/14053479565799509064christon.delas@yahoo.com2tag:blogger.com,1999:blog-15704385.post-1126976885841552182005-09-17T13:21:00.000-03:002005-09-19T08:45:22.856-03:00O Nome do GolpeEu nunca fui muito de me ligar as coisas. Menos ainda, nunca fui de ficar pensando em ter uma carreira bem sucedida. Já larguei várias coisas na metade porque achei que era hora e desisti de muitas coisas pelo simples motivo de não me agradarem. Mesmo para minha mulher sempre disse, desde o dia que nos conhecemos, que eu nunca seria um cara rico. Talvez esse tipo de ambição não sirva para mim.<br /><br />Mas uma coisa que eu sou apaixonado é essa maquina maravilhosa chamada <I>Motocicleta</I>. Principalmente se for uma Harley Davidson. Ouvir aquele ronco é como música. Com certeza essa é a melhor invenção do homem. Concordo que a roda é a invenção mais importante. Mas isso só comprova como a moto é a invenção mais perfeita, tem duas. E mais que duas rodas é exagero.<br /><br />Em uma dessas discussões pela internet sobre motos, um cara pergunta qual é o caminho para chegar a uma Harley. Todo o tipo de resposta imaginável foi dada. Roubo, trapaça e jogatina foram as mais leves. Mas no final, não se chegava a lugar nenhum. Quem já tinha uma, continuava com sua Harley, e quem não tinha ainda (meu caso), ficava ainda mais desanimado porque não via a menor chance de ter uma com os conselhos que vinham dessa discussão.<br /><br />Mas para mim a discussão poderia ter acabado no momento que o Manco (eu não o conheço, mas ele se chama dessa forma) deu sua opinião. Não que isso me influencie a fazer algo a mais do que eu faria para ter a minha, mas posso dizer que ele colocou de uma forma muito interessante algo que a gente aceita como comum. <br /><br />Ele falou o seguinte:<br /><br />"Eu fiz uma pesquisa sobre aquelas coisas que eu falei lá atrás, e eu acho que a melhor jogada para se conseguir grana é explorar o trabalho do próximo ficando com a mais valia, dá mais dinheiro que sequestro.E você não precisa de ficar com a pessoa sob sua custódia, como no sequestro, você só fica com o produto do trabalho dele. Outra é que a vítima na maioria das vezes nem se dá conta que está sendo explorada. Os malandros mais espertos do mundo praticam, e são os mais ricos.<br /><br />À primeira vista pode parecer que traficar drogas dá mais dinheiro porque a margem de lucro é mais alta, mas o volume de grana que dá pra levantar com a mais-valia é maior. E você não precisa subornar a polícia e os políticos, como tem que fazer no tráfico. Nessa modalidade de crime você só precisa de subornar os políticos, a polícia até te ajuda dando porrada nas suas vítimas (popularmente chamados no mundo do crime de otários) se elas se derem conta e reclamarem.<br /><br />Mas ai de você se não subornar, os políticos , eles não te prendem nem nada, muito pior, muito pior, eles te colocam da posição de explorador para explorado. Nesse golpe tem dois tipos de otário, um que o Karl Marx chama de "proletários" e o outro " pequenos burgueses" , que é o que que você vira se esquecer de molhar a mão dos caras. Em outras palavras, tem todo tipo de otário, e nasce mais de um todo dia, tem otário que sabe que é otário, tem otário que nem desconfia, e tem otário que acha que é malandro, e esses são os mais otários .<br /><br />Ficar rico trabalhando? Que idéia, meu camarada! Você acha que tem alguém nesse mundo que fica rico explorando só o próprio trabalho? Então os operários devem trabalhar muito pouco, ou o trabalho deles deve valer quase nada, porque o presidente da compania ganha mais que uma centena deles. Não , meu filho , se você quiser ganhar tutu de verdade o golpe é esse. Mas se você insiste em trabalhar, lembre-se que todo crime dá trabalho para cometer."<br /><br />E completou,<br /><br />"O nome do golpe é capitalismo. Ah, só um toque: quando for praticar, seja esperto e não escravize a vítima, pode parecer que dá mais grana mas dá menos."<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15704385-112697688584155218?l=bluesbeatandbeer.blogspot.com'/></div>Christon Delàshttp://www.blogger.com/profile/14053479565799509064christon.delas@yahoo.com0tag:blogger.com,1999:blog-15704385.post-1126339070227643772005-09-10T04:57:00.000-03:002005-09-11T05:40:49.760-03:00Carl Gages, em 1984Carl Gages era um homem simples e sem muita pretensão em em relação a sua vida. Apesar de seus quase trinta anos, seu corpo magro e curvado, as rugas no rosto e sua roupa azul de trabalho sempre bastante empoeirada e suja, davam-lhe a impressão de no mínimo 45 anos.<br /><br />Era difícil para Carl precisar há quantos anos ele estava trabalhando no Ministério da Paz, mas ele poderia afirmar que nunca tivera outro emprego. Carl trabalhava no setor de reconstrução de Londres. O SetCon era responsável por reconstruir áreas atingidas por mísseis lançados por nações em guerra com a Oceania.<br /><br />Cada manhã, Carl se levantava as oito horas e acompanhava pela teletela as diretivas que deveria seguir na realização de seu trabalho no MinPaz. Apesar de não serem muitas, as diretivas não deveriam jamais serem escritas ou memorizadas. Além disso, eram repassadas todas as manhãs. Como de costume, ele se levanta e escuta as diretivas vindas da teletela, repetindo uma a uma após a voz metálica.<br /><br />1. Aguardar;<br />2. Movimentar normalmente até área de sinistro;<br />3. Prioridade de tarefas: Teletela, Indivíduos e Reconstrução de habitações;<br />4. Reportar resultados.<br /><br />As diretivas eram simples e deviam ser seguidas como leis do ministério. Ir até o local, restaurar o sistema essencial para o funcionamento das teletelas, liberar vias de escombros e após, verificar se pessoas deveriam ser encaminhadas ao socorro. Por fim, os imóveis eram restaurados.<br /><br />Ao sair de sua residência, Carl sempre se dirigia diretamente ao Ministério da paz e aguardava um novo ataque. Seguia sempre o mesmo caminho até o trabalho, seguindo a orientação que sempre lhe foi passada desde criança. Quando chegava no Setor de Reconstrução, Carl ficava sentado numa sala cheia de bancos, ao lado de outras pessoas que ele jamais conversou. Esperava que a voz metálica de uma teletela lhe ordenasse para partir em direção da região atingida pelo míssil.<br /><br />As explosões eram freqüentes. No mínimo uma vez por dia era preciso se deslocar até uma região atingida. Restaurar as teletelas, encaminhas as pessoas ao socorro e chamar o grupo de restauração dos imóveis. Às vezes Carl passava por alguma área que tinha sido atingida por mísseis alguns dias antes. Em certas ocasiões as habitações eram rapidamente restauradas, outras demoravam meses e certos prédios ou grandes condomínios nunca eram totalmente restaurados. <br /><br />Fazia já uma hora que Carl estava na sala, quando veio a notícia para se deslocar até a Cannon Street, onde uma explosão acabava de ter acontecido. Vinte minutos após o chamado ele estava no local e começava a restaurar o sistema de teletela que havia sido totalmente destruído. O acesso ao local foi totalmente fechado para evitar que outras pessoas se aproximassem. Em pouco mais de uma hora o sistema de teletela já estava em funcionamento. As pessoas que necessitavam de cuidados já tinham sido levadas e toda a área de movimentação já estava desobstruída. Tudo voltava ao normal como se nada tivesse acontecido. Carl volta ao Ministério da Paz e relata os resultados para a teletela.<br /><br />- Relatar dados do sinistro, dizia Carl para um buraco na parede junto a teletela.<br />- Iniciar procedimento, respondia a voz saindo da teletela.<br />- Chegada ao local às 9:36.<br />- Ok, prossiga.<br />- Teletelas 16.532, 16.533 e 16.535 restauradas e funcionando.<br />- Aguarde verificação...ok, prossiga.<br />- Cannon street perfeitamente desobstruída.<br />- Aguarde verificação..<br /><br />Carl pensa na verificação imediata das informações que ele vem de passar para a teletela. Algum membro do partido interno deveria estar verificando neste momento se as ruas estavam mesmo em perfeito estado. Após alguns segundos, a voz metálica continuava.<br /><br />- Verificação concluída, prossiga.<br />- Número de pessoas feridas, 46. Número de mortos, 3.<br />- Ok. Fim de transmissão. <br /><br />Carl volta para a rotina na sala do SetCon. Espera que uma nova mensagem enviada pela teletela lhe diga oque fazer. Naquele dia, nenhuma outra tarefa lhe seria solicitada.<br /><br />Apesar de ficar muito tempo a espera de tarefas, Carl jamais se perguntou o porquê de seu trabalho, se aquilo era bom ou mesmo se era isso que ele queria fazer pelo resto de sua vida.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15704385-112633907022764377?l=bluesbeatandbeer.blogspot.com'/></div>Christon Delàshttp://www.blogger.com/profile/14053479565799509064christon.delas@yahoo.com2tag:blogger.com,1999:blog-15704385.post-1125133754656953072005-08-27T06:03:00.000-03:002005-08-27T06:14:58.030-03:00La Grange<span style="font-style:italic;">La Grange</span>, tu sufocas teus filhos no berço,<br />Enquanto porcos com sapatos cheios de lama enchem os bolsos,<br />E tu dormes tranquilo...<br /><br /><span style="font-style:italic;">La Grange</span>, tua mãe foi violada, teu pai é um bastardo.<br />Teu pai vendeu tudo oque tu tinhas,<br />Para poder aproveitar em Fevereiro.<br /><br /><span style="font-style:italic;">La Grange</span>, foi a beira de um riacho<br />Que tu trocaste de dono,<br />Tua Estória é muito bonita,<br />Mas não passa de mentira.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15704385-112513375465695307?l=bluesbeatandbeer.blogspot.com'/></div>Christon Delàshttp://www.blogger.com/profile/14053479565799509064christon.delas@yahoo.com0tag:blogger.com,1999:blog-15704385.post-1124868962405866322005-08-24T04:25:00.000-03:002005-08-25T11:50:44.520-03:00A Origem de TudoEu não me lembro exatamente quando o <span style="font-weight: bold;">Blues</span> entrou na minha vida, mas uma coisa que tenho certeza é que, nas minhas 3 décadas de vida, eu ouvi mais blues que qualquer outro tipo de musica. Até porque sempre que ouvi um blues foi porque eu estava afim de ouvir e outros estilos aparecem sempre em momentos em que a gente está fazendo alguma coisa que na maioria da vezes não gosta. Como estar na sala de espera de um dentista, por exemplo.<br /><br />Alguns tipos de música tem prazo de validade dado pela gravadora e poderiam vir com uma frase: "Consumir antes de: Vide fundo da caixa". Estes são os produtos que estão sempre no campo de visão do consumidor. São como leite em caixinha. Depois de abrir é preciso consumir em alguns dias. Depois é necessário voltar ao mercado e comprar outro estilo músical. Mas sempre existe a possíbilidade de se escolher entre integral ou semi-desnatado. Mais de duas opcões não é necessário.<br /><br />O blues é o produto do mercado que nunca (ou quase nunca) é facilmento visto quando se entra numa loja. E nem perto da cerveja ele está. As vezes, mesmo quando perguntamos ao cara que organiza as prateleiras, onde podemos encontram um John Lee Hocker, ele responde: "<span style="font-family:courier;">Humm, deve ser no 3o. andar, junto com a comida de cachorro</span>". Ou seja, em um lugar que jamais a gente procuraría.<br /><br />A primeira vez que eu ouvi falar da geração <span style="font-weight: bold;">Beat</span>, eu me lembro muito bem. Era um sábado frio e chuvoso quando meu amigo Leandro Sca chegou pra mim e me disse que queria me apresentar um cara que ele conheceu.<br /><br />Esse meu amigo Leandro era um cara de boa fé, sempre estudioso e dedicado a seus ideais. Ele já estava no terceiro ano da facudade de direito enquanto eu estava dois anos sem estudar e ainda não sabia o que queria fazer da minha vida.<br /><br />Fomos até a biblioteca municipal e lá estava o cara. Numa sala bem pequena no fundo da biblioteca, um cara meio cabeludo e barba por fazer, perdido no meio de um monte de livros em toda parte. Ele era o cara responsável por catalogar e organizar os livros da biblioteca. Eu não lembro seu nome. Eu tenho uma péssima memória para nomes.<br /><br />A primeira coisa que Leandro falou para ele foi: "<span style="font-family:courier;">Ola, trouxe um cara aqui que vai adorar saber sobre a geração beat</span>". Talvez não tenha sido bem assim, mas foi mais ou menos isso. As três horas seguintes vieram como uma tempestade de informações. Eu fiquei muito impressionado com esses amigos Beatniks. A forma com que eles viviam, escreviam e tal.<br /><br />Eu comecei como muitos. <span style="font-style: italic;">On the Road</span> na veia. E depois disso vieram muitos outros.<br /><br />Sobre "<span style="font-weight: bold;">Beer</span> e similares", deve ter sido em um breve instante de tempo, logo depois que um frei gordinho e careca, chamado Albino descobriu a fermentação, mas lembrar disso já é pedir demais.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15704385-112486896240586632?l=bluesbeatandbeer.blogspot.com'/></div>Christon Delàshttp://www.blogger.com/profile/14053479565799509064christon.delas@yahoo.com1tag:blogger.com,1999:blog-15704385.post-1124798186850916862005-08-23T08:56:00.000-03:002005-10-04T10:01:29.543-03:00America (Allen Ginsberg)<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/3281/1462/1600/bad_company.gif"><img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3281/1462/320/bad_company.gif" border="0" alt="" /></a><br /><p class="mobile-post"><br />America I've given you all and now I'm nothing.<br />America two dollars and twenty-seven cents January 17, 1956.<br />I can't stand my own mind.<br />America when will we end the human war?<br />Go fuck yourself with your atom bomb. <br />I don't feel good don't bother me.<br />I won't write my poem till I'm in my right mind.<br />America when will you be angelic?<br />When will you take off your clothes?<br />When will you look at yourself through the grave?<br />When will you be worthy of your million Trotskyites?<br />America why are your libraries full of tears?<br />America when will you send your eggs to India?<br />I'm sick of your insane demands.<br />When can I go into the supermarket and buy what I need<br />with my good looks?<br />America after all it is you and I who are perfect not<br />the next world.<br />Your machinery is too much for me.<br />You made me want to be a saint.<br />There must be some other way to settle this argument.<br />Burroughs is in Tangiers I don't think he'll come back<br />it's sinister.<br />Are you being sinister or is this some form of<br />practical joke?<br />I'm trying to come to the point.<br />I refuse to give up my obsession.<br />America stop pushing I know what I'm doing.<br />America the plum blossoms are falling.<br />I haven't read the newspapers for months, everyday<br />somebody goes on trial for<br />murder.<br />America I feel sentimental about the Wobblies.<br />America I used to be a communist when I was a kid and<br />I'm not sorry.<br />I smoke marijuana every chance I get.<br />I sit in my house for days on end and stare at the<br />roses in the closet.<br />When I go to Chinatown I get drunk and never get laid.<br />My mind is made up there's going to be trouble.<br />You should have seen me reading Marx.<br />My psychoanalyst thinks I'm perfectly right.<br />I won't say the Lord's Prayer.<br />I have mystical visions and cosmic vibrations.<br />America I still haven't told you what you did to Uncle<br />Max after he came over<br />from Russia.</p><br /><p class="mobile-post">I'm addressing you.<br />Are you going to let our emotional life be run by Time<br />Magazine?<br />I'm obsessed by Time Magazine.<br />I read it every week.<br />Its cover stares at me every time I slink past the<br />corner candystore.<br />I read it in the basement of the Berkeley Public<br />Library.<br />It's always telling me about responsibility.<br />Businessmen are serious. Movie<br />producers are serious. Everybody's serious but me.<br />It occurs to me that I am America.<br />I am talking to myself again.</p><p class="mobile-post">Asia is rising against me.<br />I haven't got a chinaman's chance.<br />I'd better consider my national resources.<br />My national resources consist of two joints of<br />marijuana millions of genitals<br />an unpublishable private literature that goes 1400<br />miles and hour and<br />twentyfivethousand mental institutions.<br />I say nothing about my prisons nor the millions of<br />underpriviliged who live in<br />my flowerpots under the light of five hundred suns.<br />I have abolished the whorehouses of France, Tangiers<br />is the next to go.<br />My ambition is to be President despite the fact that<br />I'm a Catholic.</p><p class="mobile-post">America how can I write a holy litany in your silly<br />mood?<br />I will continue like Henry Ford my strophes are as<br />individual as his<br />automobiles more so they're all different sexes<br />America I will sell you strophes $2500 apiece $500<br />down on your old strophe<br />America free Tom Mooney<br />America save the Spanish Loyalists<br />America Sacco &amp; Vanzetti must not die<br />America I am the Scottsboro boys.<br />America when I was seven momma took me to Communist<br />Cell meetings they<br />sold us garbanzos a handful per ticket a ticket costs<br />a nickel and the<br />speeches were free everybody was angelic and<br />sentimental about the<br />workers it was all so sincere you have no idea what a<br />good thing the party<br />was in 1935 Scott Nearing was a grand old man a real<br />mensch Mother<br />Bloor made me cry I once saw Israel Amter plain.<br />Everybody must have<br />been a spy.<br />America you don're really want to go to war.<br />America it's them bad Russians.<br />Them Russians them Russians and them Chinamen. And<br />them Russians.<br />The Russia wants to eat us alive. The Russia's power<br />mad. She wants to take<br />our cars from out our garages.<br />Her wants to grab Chicago. Her needs a Red Reader's<br />Digest. her wants our<br />auto plants in Siberia. Him big bureaucracy running<br />our fillingstations.<br />That no good. Ugh. Him makes Indians learn read. Him<br />need big black niggers.<br />Hah. Her make us all work sixteen hours a day. Help.<br />America this is quite serious.<br />America this is the impression I get from looking in<br />the television set.<br />America is this correct?<br />I'd better get right down to the job.<br />It's true I don't want to join the Army or turn lathes<br />in precision parts<br />factories, I'm nearsighted and psychopathic anyway.<br />America I'm putting my queer shoulder to the wheel.</p><p class="mobile-post"> </p><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15704385-112479818685091686?l=bluesbeatandbeer.blogspot.com'/></div>Christon Delàshttp://www.blogger.com/profile/14053479565799509064christon.delas@yahoo.com2