tag:blogger.com,1999:blog-152512362008-07-18T15:31:46.028+02:00COMBUSTÕESCombustõeshttp://www.blogger.com/profile/06405105818147148987noreply@blogger.comBlogger1432125tag:blogger.com,1999:blog-15251236.post-49680075661319819852008-07-18T15:11:00.002+02:002008-07-18T15:31:46.043+02:00Angola<a href="http://bp1.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SICbNPiPS4I/AAAAAAAABbs/YmqBd9DcTEM/s1600-h/angola530scott[1].jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5224346219560520578" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SICbNPiPS4I/AAAAAAAABbs/YmqBd9DcTEM/s320/angola530scott%5B1%5D.jpg" border="0" /></a><br /><div align="justify"></div><div align="justify">O interesse nacional - mesmo que misturado com negócios de amigos - é o interesse nacional. No que a Angola toca, esse interesse não é nem pode ser uma mera contabilidade na balança de transações comerciais, mas algo mais profundo, dado coincidir com a manutenção de uma presença lusófona que o Brasil, gigante sem vontade, se recusa actualizar. Fomos expulsos de Angola pela pressão conjugada da inabilidade e falta de percepção norte-americana e pelo expansionismo soviético. Depois, ao longo de quase três décadas, confundimos os negócios com o MPLA e as negociatas de diamantes com a UNITA com as relações entre os dois Estados, a tal ponto que nos deixamos envolver num verdadeiro festim canibal em que muitos dos nossos governantes sujaram a reputação portuguesa. A evidência do que as tv's debitam é que o momento chinês passou, a França não entrou, a África do Sul tornou-se rival de Angola e com ela disputa influência na África Austral. É o momento - o primeiro em 30 anos - para canalizar tanto dinheiro que no Brasil tem sido semeado, mas que não acrescenta um grama ao aborto dos abraços e juras de amor que não conseguiram, sequer, dar corpo à comatosa CPLP. Não podemos confundir as lutas intestinas portuguesas com o interesse em abrir, de novo, Angola à presença portuguesa. Angola - o PALOP que menos ama Portugal, digamo-lo com sinceridade - aprendeu com a lição dos cubanos, dos chineses e do chupismo dos europeus e está verdadeiramente motivada para esquecer os complexos de ex-colonizada. Falamos a mesma língua, temos uma história comum de meio milénio, partilhamos a mesma visão atlantista, somos complementares nos interesses económicos, pelo que não há que hesitar. Moçambique está demasiado perto da África do Sul, a Guiné Bissau não tem massa crítica, nem riquezas, nem mercado, S. Tomé é um pequeno protectorado português e Cabo Verde há muito que é, aceitem-no ou não, um segundo Estado português em África. Chegou o momento de regressar a Angola, imediatamente e em força.</div>Combustõeshttp://www.blogger.com/profile/06405105818147148987noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-15251236.post-59357959444672514972008-07-17T19:10:00.004+02:002008-07-17T19:28:17.776+02:00Voltaire, espeto corrido e Jansenista<a href="http://bp2.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SH-AcIgt5nI/AAAAAAAABbk/3iS2ojr4oYM/s1600-h/janseniusjpg[1].gif"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5224035313582466674" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SH-AcIgt5nI/AAAAAAAABbk/3iS2ojr4oYM/s320/janseniusjpg%5B1%5D.gif" border="0" /></a><br /><div align="justify"></div><br /><div align="justify">O mundo tem destas coisas. No penúltimo dia desta esgotante passagem pelo rectângulo, uma manhã repimpado na leitura das Cartas Inglesas de Voltaire e um almoço de espeto corrido oferecido por um ex-aluno que, sabendo-me em Lisboa, teve a gentileza de me convidar para uma herodiana comezaina de viandas. Entretido estava a destruir o espartano regime de papas de aveia a que me submeto, quando uma voz cheia de autoridade vinda de outra mesa se foi impondo à conversa de circunstância que ia mantendo com o meu parceiro. Era um grupo de juristas, pelo tom, terminologia e estilo - os juristas usam uma linguagem que parece escrita - mas desse grupo destacava-se, pelo tom assertivo mas sem autoritarismo, uma voz que comandava o ritmo e rumo da conversa. Esclarecido e enciclopédico, parecia estar a dar uma aula. Dei comigo a pensar que já ouvira - ou lera - alguém com tal gabarito. Tenho a certeza que era um nosso <a href="http://jansenista.blogspot.com/"><strong>confrade blgosférico</strong></a>. Estarei errado ? Se em mim reparou, deve ter ficado espantado com o ar de turista e veraneante, mas é hoje essa a minha atitude perante o país: cada vez mais ausente e distante dos afectos, desafectos e modos da nossa terra.</div>Combustõeshttp://www.blogger.com/profile/06405105818147148987noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-15251236.post-68602232140588986952008-07-16T14:59:00.007+02:002008-07-16T20:50:38.070+02:00Desfazer 100 anos de mentiras<div align="justify"></div><div align="justify"><a href="http://centenario-republica.blogspot.com/"><strong>Uma plataforma pela reposição da verdade histórica, peneirando os mitos, as pequenas e grandes mentiras que fizeram de Portugal o México da Europa do primeiro quartel do século XX. O revolverismo, os cárceres secretos, o bombismo, a inveja de desclassificados, o fanatismo, o desrespeito pelas crenças e cultura populares; em suma, um desastre que ditou o rumo e a sorte do nosso país. A não perder</strong></a>.</div>Combustõeshttp://www.blogger.com/profile/06405105818147148987noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-15251236.post-80843475694770425962008-07-14T03:52:00.017+02:002008-07-17T01:08:23.846+02:00Há 40 anos:eles deram a cara por Portugal<object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/HBto6f1IG0w&hl=pt-br&fs=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/HBto6f1IG0w&hl=pt-br&fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="325" height="244"></embed></object><br /><br /><a href="http://bp3.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SH5LvpHR6MI/AAAAAAAABbM/_i8fACPh0kg/s1600-h/1441067.320.s.tn[1].jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5223695899658676418" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" height="215" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SH5LvpHR6MI/AAAAAAAABbM/_i8fACPh0kg/s320/1441067.320.s.tn%5B1%5D.jpg" width="309" border="0" /></a><br /><div><a href="http://bp1.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SH5JPFYtVkI/AAAAAAAABbE/gifmO_A7oFk/s1600-h/Bau%20-%20Soba[1].jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5223693141289031234" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 279px; CURSOR: hand; HEIGHT: 326px; TEXT-ALIGN: center" height="326" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SH5JPFYtVkI/AAAAAAAABbE/gifmO_A7oFk/s320/Bau%2520-%2520Soba%5B1%5D.jpg" width="257" border="0" /></a><br /><div><a href="http://bp0.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SH5EyolejbI/AAAAAAAABa8/a-MnbxCml5o/s1600-h/MATATEU4+copy[1].jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5223688254475111858" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 279px; CURSOR: hand; HEIGHT: 324px; TEXT-ALIGN: center" height="325" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SH5EyolejbI/AAAAAAAABa8/a-MnbxCml5o/s320/MATATEU4%2Bcopy%5B1%5D.jpg" width="269" border="0" /></a> <img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5223702653410527154" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 281px; CURSOR: hand; HEIGHT: 341px; TEXT-ALIGN: center" height="325" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SH5R4wzMx7I/AAAAAAAABbU/mGWthYbgu-E/s320/Chibanga%2520novo%5B1%5D.jpg" width="240" border="0" /> <div><br /><div><a href="http://bp3.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SHq0clwRFnI/AAAAAAAABaE/cSMDWJf2Nf0/s1600-h/daMata_1_250[1].jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5222685121153406578" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 297px; CURSOR: hand; HEIGHT: 333px; TEXT-ALIGN: center" height="328" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SHq0clwRFnI/AAAAAAAABaE/cSMDWJf2Nf0/s320/daMata_1_250%5B1%5D.jpg" width="261" border="0" /></a><br /><div><a href="http://bp1.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SHq0Sc44d9I/AAAAAAAABZ8/ULuynPRSvyM/s1600-h/3060e[1].gif"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5222684946974930898" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 318px; CURSOR: hand; HEIGHT: 283px; TEXT-ALIGN: center" height="282" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SHq0Sc44d9I/AAAAAAAABZ8/ULuynPRSvyM/s320/3060e%5B1%5D.gif" width="276" border="0" /></a> <a href="http://bp3.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SHqz_e8WncI/AAAAAAAABZs/8oMHziLYW6w/s1600-h/duo[1].jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5222684621108846018" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 330px; CURSOR: hand; HEIGHT: 237px; TEXT-ALIGN: center" height="237" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SHqz_e8WncI/AAAAAAAABZs/8oMHziLYW6w/s320/duo%5B1%5D.jpg" width="314" border="0" /></a><br /><div><div><div align="justify"></div><div align="justify">Imagens com 40 anos. Coisas de outro mundo que a já ninguém parecem interessar. Eles deram voz a uma certa ideia de Portugal que a Revolução e depois a Europa quiseram enterrar nos quintos do inferno. Enquanto assisto em directo, pela tv, à morte dessa ideia de Portugal, sinto que regredimos. Hoje já não somos um povo, mas uma tribo; já não somos uma nação, mas um país. Acabámos mal: desprezados pelos europeus, envergonhados do nosso passado, só nos resta um lugar marginal de bantustão no puzzle das pequenas negociatas em que caiu o velho continente. Saudosismo ? Não, vergonha por ver a minha pátria reduzir-se à condição de uma Sérvia, de uma Croácia ou de uma Macedónia.</div></div></div></div></div></div></div></div>Combustõeshttp://www.blogger.com/profile/06405105818147148987noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-15251236.post-50092228191969470192008-07-13T22:45:00.002+02:002008-07-13T22:57:00.464+02:00Sadr city<div align="justify"><a href="http://bp0.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SHpr4JHkngI/AAAAAAAABZk/tjBa7JbW-lY/s1600-h/z5su[1].jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5222605330154036738" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SHpr4JHkngI/AAAAAAAABZk/tjBa7JbW-lY/s320/z5su%5B1%5D.jpg" border="0" /></a> <div align="justify"></div><div align="justify">Foi preciso vir dos confins do mundo para me aperceber da magnitude da desagregação do Estado Português. Outros desculpar-se-ão invocando os distúrbios de Paris, outros lembrarão o flagelo napolitano, outros ainda refugiam-se no lirismo de uma terra abençoada pelo sol. Nestes curtos dias em Lisboa, para além do acentuar do cinzento esgar, das comissuras desencantadas, das fachadas literalmete vandalizadas e dos prédios devolutos, dos incêndios na Avenida e do fim de festa do tão prometido arranque económico - hoje tão credível como as profecias de Daniel - dei-me conta que já ninguém manda e já ninguém obedece. As facadas da praia anunciaram os tiros num ignoto bairro social. Talvez na próxima vez assista a tiroteio no Rossio. Volto para a Ásia com a clara sensação que Lisboa, nove meses volvidos, está muito diferente, para pior. Só nos falta emular Sadr city.</div><div align="justify"></div></div>Combustõeshttp://www.blogger.com/profile/06405105818147148987noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-15251236.post-8292930376992617372008-07-12T03:34:00.000+02:002008-07-12T03:35:30.136+02:00Mais Cilinha<div align="justify"><em><a href="http://jansenista.blogspot.com/2008/07/historiografia-de-rastos.html#comments"><strong>Faço notar apenas que os ataques à Senhora foram ferozes e vieram de vários quadrantes: desde a esquerda «caviar» que a tratou como uma leprosa (uma gentileza decerto para com uma pessoa que está viva, lúcida, e pode ler essas tiradas selváticas) até a uma direita taciturna que, umas vezes porque não gosta de protagonismos femininos, outras porque não esquece antigos vexames, outras ainda porque não resiste a uma boa intriga, também não se poupa à indelicadeza de zurzir na líder do MNF</strong></a><strong>.</strong></em></div>Combustõeshttp://www.blogger.com/profile/06405105818147148987noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-15251236.post-31782783841306513692008-07-11T22:47:00.005+02:002008-07-13T22:45:44.969+02:00A Espanha não nos larga<a href="http://bp0.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SHfJ-FA_a9I/AAAAAAAABZM/Zky1T2EIbXc/s1600-h/franco-cartel3[1].jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5221864361294785490" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SHfJ-FA_a9I/AAAAAAAABZM/Zky1T2EIbXc/s320/franco-cartel3%5B1%5D.jpg" border="0" /></a><br /><div align="justify"></div><div align="justify">Inaugurou-se em Saragoça uma exposição mundial dominada, uma vez mais, pelo tema dos oceanos. Esperaram dez anos para replicar a Expo 98, não escondendo o propósito de confiscar o papel histórico que coube aos dois reinos ibéricos no processo de expansão europeia nos séculos XV e XVI. Por Portugal, entre a ignorância, a estulta "boa vizinhança" de negócios e um cada vez maior entreguismo à lógica do protectorado, não se ouviu uma voz. Não se trata de um acidente retórico, nem de Franco, nem de José Antonio, dos republicanos ou da Federação Anarquista. É um geo-comportamento, e desse nunca nos livraremos. </div><br /><embed src="http://ficheros.doncel.org/cp_a_03.mp3" width="80" height="25" type="audio/mpeg" controls="FALSE" autoplay="false"></embed><br />Isabel y FernandoCombustõeshttp://www.blogger.com/profile/06405105818147148987noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-15251236.post-48742336404269552782008-07-11T18:52:00.005+02:002008-07-11T22:46:58.414+02:00Por favor, evite autores portugueses<a href="http://bp0.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SHeaADOjgXI/AAAAAAAABZE/jBoVcxkJK74/s1600-h/ceciliasipicopinto_300[1].jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5221811618616410482" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SHeaADOjgXI/AAAAAAAABZE/jBoVcxkJK74/s320/ceciliasipicopinto_300%5B1%5D.jpg" border="0" /></a> <div align="justify"></div><div align="justify">Entre o espanto e a fúria, fechei violentamente uma obra cuja publicação <a href="http://combustoes.blogspot.com/2008/02/cilinha.html"><strong>aqui anunciara há meses.</strong> </a>Foi pela mão do meu pai - que possui uma vasta biblioteca onde se destacam o memorialismo, a biografia e o epistolário portugueses dos séculos XIX e XX - que recebi a biografia de <a href="http://www.esferadoslivros.pt/livros.php?id_li=%2085"><strong>Cecília Supico Pinto: o rosto do Movimento Nacional Feminino</strong></a>, da autoria de Sílvia Espírito Santo. Pensei, ingenuamente, que as coisas do Estado Novo haviam, finalmente, abandonado os arraiais do jornalismo roncante e semi-analfabeto, que a Universidade, com Rosas ou sem Rosas, mau grado Medinas e similares, se encarregara de afastar os fantasmas da paixão cega, o fanatismo pró e contra Salazar, a demonização e a santificação dos temas, lugares, figuras e factos desse longo período da nossa vida contemporânea. Mas não, está tudo na mesma. Continua a não se poder escrever, investigar, avaliar e compreender esse tempo. Exige-se aos "historiadores" comprometimento, pede-se-lhes adjectivos, ideias-feitas, lugares-comuns, catilinárias e, até, soezes insinuações; pede-se-lhes que rastejem e se desculpem pela abordagem de tais assuntos, não vão os censores e os perseguidores do espírito pensar que a eleição de tais temas transporte admiração, cumplicidade e simpatia pelo ideário de tal regime. No caso vertente, a autora, para além de incorrecções que mereciam devolução imediata da obra e pedido de restituição integral do valor (e tempo) dispendidos, chega a atingir foros de quase infantil subserviência perante o censor potencial, num jogo patético de impugnação de cada frase de Cilinha. A autora, para além da superficialidade, deficiente erudição, mau domínio das técnicas elementares da investigação historiográfica e absoluta incapacidade de se libertar da subjectividade - não falo da qualidade da expressão literária, que roça a indigência - incorre no erro judicativo: vê a história como tribunal, com culpas e culpados, julga os factos à luz dos preconceitos hodiernos, faz testemunho de vinculação política. É, sem tirar, uma história excêntrica, tão eriçada de má fé e comprometimento como o são negacionismo e o revisionismo. Cilinha não merecia tal caricatura. Os leitores - empurrados pela sugestão de tão interessante figura biografada - não mereciam tamanho embuste. A Universidade, já tão desacreditada, devia exigir um pouco mais de independência àqueles que a dizem servir. É por estas e por outras que me recuso comprar, ler e citar autores portugueses. Portugal pode-se ufanar da proeza de haver conseguido, no interim de uma geração, dar cabo de uma gloriosa tradição historiográfica que inscrevia no seu frontão nomes como Cortesão, Silva Rego, Borges de Macedo e Oliveira Marques.</div>Combustõeshttp://www.blogger.com/profile/06405105818147148987noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-15251236.post-72488713508859608972008-07-10T17:53:00.003+02:002008-07-10T18:31:45.875+02:00Regresso após duas semanas<a href="http://bp2.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SHY5XWZF0yI/AAAAAAAABY0/IEAoKuMDYSA/s1600-h/black_rose3[1].jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5221423891293262626" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SHY5XWZF0yI/AAAAAAAABY0/IEAoKuMDYSA/s320/black_rose3%5B1%5D.jpg" border="0" /></a><br /><div align="justify"></div><div align="justify">Uma curta ida a Portugal é um cabo de trabalhos e obrigações: documentos por tratar, assinaturas, contas a saldar, impressos há muito reclamando preenchimento, assinaturas várias e requerimento de visto de longa duração prenderam-me durante quase duas semanas a uma massa de papéis carimbados. Acresce que a familia e amigos, o mais importante de tudo quanto me prende a Lisboa, me exigiram presença para longas conversas ou simples actualização de outras deixadas em suspenso em Outubro passado, quando parti para terras do Oriente. Nestes dias passados na azáfama de repartições regurgitantes vi o que sempre vira, mas em versão acrescentada. O Estado e a sua maquinaria deixou para trás o mito do fim da burocracia e aprofundou-a, agora com mais tecnologias de controlo, mais zelo e dados. O Estado escuda-se da crise para investir forte e feio contra os segredos dos cidadãos, descobrindo as moedas escondidas sob o colchão, os vinte Euro ganhos numa aula dada nos confins de Atrás do Sol Posto, questionar a inclusão do paracetamol ou de um livro sobre borboletas no IRS, exigir a devolução de uns míseros cobres mal parados. A crise reforça o Estado e nada nada há melhor que o medo para justificar a retoma do controloeirismo e da vigilância que lhe restituem a dignidade semi-divina que se havia eclipsado nos tempos de fartura. Em tempos de crise, a única crise que não existe e atormenta é a do Estado. Cidadãos fracos e temerosos, Estado forte e agressivo. Assim foi no passado, assim o é no presente. Bendita crise !</div>Combustõeshttp://www.blogger.com/profile/06405105818147148987noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-15251236.post-75430733399116143292008-06-28T21:23:00.003+02:002008-06-28T21:52:41.951+02:00Nos 90 anos do Madiba<a href="http://bp0.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SGaWYExgWUI/AAAAAAAABYk/Ahj-W4dbmQg/s1600-h/MandelaPassport[1].jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5217022558697707842" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SGaWYExgWUI/AAAAAAAABYk/Ahj-W4dbmQg/s320/MandelaPassport%5B1%5D.jpg" border="0" /></a><br /><div></div><div align="justify">Também fui dos que suspeitaram da integridade de Mandela. Via-o - induzido pelo trágico catálogo de tiranetes, antropófagos e bandidos que fizeram a história recente da África dita independente - como um homem prenhe de vingança, mandarete do comunismo e terrorista. Afinal, enganei-me. Nelson Mandela é, apenas, a excepção, daquelas excepções que redimem o conjunto e permitem a esperança. Nelson Mandela é um grande homem, como foi grande como Estadista e como político. É, sem dúvida, um dos maiores vultos da história contemporânea, muitíssimo superior a esses outros santos laicos que foram JFK, Luther King e Gandhi, pois sobre esses pesam dúvidas bem pouco simpáticas. Tenho para mim que quem vê um indivíduo vê-lhe o espírito. Nelson Mandela tresanda a respeitabilidade e possui aqueles traços de fineza aristocrática, segurança e equilibrio que só os homens superiores conseguem preservar. O Madiba salvou um país, libertou o seu povo e estendeu a mão aos brancos, que foram na África perdida como o sal que permitia a estabilidade e a riqueza. Retirem os brancos e os asiáticos de África - sinónimos de vida citadina, do funcionamento das instituições económicas e garantes do Estado - e a elite negra de colarinhos brancos será esmagada pelo proletariado do caniço. Mandela operou a transição. Perante o seu exemplo, tenho esperança que aqueles que com ele trabalharam, com o Madiba algo tenham aprendido.</div>Combustõeshttp://www.blogger.com/profile/06405105818147148987noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-15251236.post-76510985218382689842008-06-27T20:57:00.000+02:002008-06-27T22:38:19.635+02:00Prazeres asiáticos (2): guisado de patas de pato<a href="http://bp2.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SGP1ehfj0ZI/AAAAAAAABYc/EvQsFNBtWdI/s1600-h/Picture+559.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5216282698160787858" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" height="325" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SGP1ehfj0ZI/AAAAAAAABYc/EvQsFNBtWdI/s320/Picture+559.jpg" width="262" border="0" /></a><br /><div align="justify">Guisado de patas de pato: manjar que sobrevive à repulsa inicial. Perguntou-me o cozinheiro como podemos nós, ocidentais, comer coelho, caracóis e outras imundices. Gostos !</div>Combustõeshttp://www.blogger.com/profile/06405105818147148987noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-15251236.post-22590525292181142402008-06-27T20:53:00.000+02:002008-06-27T21:39:54.458+02:00Prazeres asiáticos (1): gelado de chá verde<a href="http://bp2.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SGP0IysCKVI/AAAAAAAABYU/pFq6UmioT5Y/s1600-h/Picture+569.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5216281225307760978" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SGP0IysCKVI/AAAAAAAABYU/pFq6UmioT5Y/s320/Picture+569.jpg" border="0" /></a> "<em><strong>I teem chá kiéw say ho fúu, túa déng káp nóm</strong></em>": ice cream de chá verde, tofú, feijão vermelho e leite". De morrer e pedir por mais.<br /><div></div>Combustõeshttp://www.blogger.com/profile/06405105818147148987noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-15251236.post-6002019464377837772008-06-26T20:38:00.003+02:002008-06-26T21:07:19.099+02:00Outros reis: Reis do Butão<div align="center"><a href="http://bp3.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SGPkwfBVAtI/AAAAAAAABX8/QqL3ciI45Ts/s1600-h/thirdkingofbhutan[1].jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5216264315037090514" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SGPkwfBVAtI/AAAAAAAABX8/QqL3ciI45Ts/s320/thirdkingofbhutan%5B1%5D.jpg" border="0" /></a><span style="font-size:85%;">Jigme Dorji Wangchuck (r. 1928-1972)</span></div><div align="center"><br /></div><div align="center"><a href="http://bp0.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SGPivBhDTXI/AAAAAAAABX0/zinsugBKBM4/s1600-h/His_Majesty_4th_+King_of_Bhutan[1].jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5216262090913959282" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SGPivBhDTXI/AAAAAAAABX0/zinsugBKBM4/s320/His_Majesty_4th_%252BKing_of_Bhutan%5B1%5D.jpg" border="0" /></a></div><div align="center"><span style="font-size:85%;">Jigme Singye Wangchuk (r.1972-2006)</span><br /></div><p align="center"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5216265838893586050" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" height="331" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SGPmJL1B1oI/AAAAAAAABYE/zTGDKUELFR8/s320/bhutan_20981t%5B1%5D.jpg" width="261" border="0" /><span style="font-size:85%;">Jigme Khesar Namgyel Wangchuk (r. 2006- )<br /></span></p><p align="center"><span style="font-size:85%;"></span></p><div align="justify">O Shangrila, reino fictício que James Hilton idealizou em 1925 na novela Lost Horizon, existe. É, sem dúvida, <a href="http://www.kingdomofbhutan.com/">um dos últimos e quase intocados paraísos</a>, ferozmente preservado do horrendo turismo de massas e da macdonaldização. Uma monarquia budista, de ethos tradicionalista mas extremamente lúcida na percepção das mudanças irrefreáveis que estão a mudar a face do planeta.<br /></div><p align="center"></p>Combustõeshttp://www.blogger.com/profile/06405105818147148987noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-15251236.post-25640318563973738982008-06-26T01:31:00.008+02:002008-06-28T21:16:03.795+02:00Afago para espíritos deprimidos: António Feijó e o Sião<div align="center"><a href="http://bp0.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SGLhCNXg_AI/AAAAAAAABXs/_NHRAjnqo4o/s1600-h/chira01a[1].jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5215978746512735234" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 195px; CURSOR: hand; HEIGHT: 235px; TEXT-ALIGN: center" height="228" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SGLhCNXg_AI/AAAAAAAABXs/_NHRAjnqo4o/s320/chira01a%5B1%5D.jpg" width="183" border="0" /></a><span style="font-size:85%;">Príncipe Chirapravati, um dos quatro príncipes siameses enviados para estudar na Europa<br /></span><br /><div align="justify"></div><div align="justify"><span style="font-size:85%;">Não sei se vale a pena bater na cegueira e na surdez dos portugueses. Lembrei-me, logo, das Cartas Íntimas de António Feijó, o poeta-embaixador que desempenhou cargos no Brasil (não imaginem o que ele diz e conta a respeito dos brasileiros e dos patriotas portugueses que à época por lá viviam!). Passou depois a Estocolmo, onde foi Cônsul, depois Encarregado de Negócios e mais tarde Ministro Plenipotenciário, com igual representação em Copenhaga; escreve o bom e o bonito sobre a classe política nacional. O livro recolhe as cartas encontradas no espólio do irmão José Feijó, que foi advogado em Viana do Castelo. São cartas curiosas, carregadas de afecto e de queixas, notáveis ainda pelas considerações que tece a propósito da política nacional relatando, mesmo que ao de leve, as cunhas - a que ele também não foge - os compadrios, as quadrilhas, aldrabices, burrices, tubarãozices e outras coisas pequenas. Lá encontrei uma referência ao Sião na carta n.º 122 (CXXII) datada de 3 de Agosto (sem indicação do ano) em Estocolmo.Transcrevo-a por me parecer interessante, anotando que o Feijó acabara de chegar da Dinamarca onde fora cumprimentar os Príncipes Herdeiros que comemoravam as núpcias de prata. Creio tratar-se do depois Rei Frederico VIII c.c. Luísa da Suécia e Noruega, casamento realizado em 1869, o que atira a carta para 1894.</span></div><div align="justify"></div><br /><div align="justify"><em><strong>"Estive em Copenhague onde onde fui para representar o Governo nas núpcias de prata do Príncipe herdeiro. Regressei ontem para assistir ao Congresso dos Americanistas de que sou membro por parte do nosso governo. Já ando cansado de festas e contradanças. É um trabalho mais fatigante do que o de carpinteiro.Em Copenhague houve festas interessantes, sobretudo para mim. Nunca vi tantos príncipes juntos. Além dos do país, que são inumeráveis, havia .... um Príncipe Oriental, com um séquito luzido, irmão do Rei do Sião. Numa ceia no Palácio Real, este Príncipe veio ao pé de mim e disse-me a seguinte frase: bebo à sua saúde, como representante do povo europeu de quem primeiro se ouviu falar no Oriente! Comoveu-me por tal forma esta frase, no meio das nossas misérias actuais que tive um desejo louco de lhe dar um beijo. Nenhum Príncipe europeu era capaz de ser mais amável! Isto devia contar-se nas gazetas porque consola a gente".</strong></em></div><div align="justify"><strong><em></em></strong></div><div align="justify"><br /><embed src="http://www.asianclassicalmp3.org/Udom_Silapin--Northern_Thai_Funeral_Music--Lao_Kruan.mp3" width="80" height="25" type="audio/mpeg" autoplay="false" controls="FALSE"></embed><br />Udon Silapin </div></div>Combustõeshttp://www.blogger.com/profile/06405105818147148987noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-15251236.post-53798457404669402682008-06-24T18:15:00.003+02:002008-06-24T19:06:46.690+02:00Bloco Central<a href="http://bp1.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SGEpL7FH0QI/AAAAAAAABXc/O52hBSWL3RU/s1600-h/red_block.preview[1].jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5215495128286220546" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SGEpL7FH0QI/AAAAAAAABXc/O52hBSWL3RU/s320/red_block.preview%5B1%5D.jpg" border="0" /></a><br /><div></div><br /><div align="justify">Dizem as boas e as más línguas que para 2009 está marcado novo encontro de governação entre o PS e o PSD. As versões gémeas do Partido Revolucionário Institucional (México) e do Partido Democrático Liberal (Japão) têm estado no poder desde 1976, ou seja, lá estão desde o tempo em que eu ainda usava calções, acreditava que havia pirâmides em Marte e lia com avidez o Júlio Verne. Os anos, os lustros e as décadas passaram, fiz o liceu e a universidade, mudei de casa duas vezes e por duas vezes mudei de país, mas eles estão lá desde 76. Vivi sob Soares, Carneiro, Balsemão, Mota Pinto, Cavaco e Guterres, mais Barroso e Sócrates. Sempre ouvi dizer que "agora o país ia mudar", que o futuro estava de portas abertas, luminoso, oferecendo a Portugal riqueza e reconhecimento. Assisti à betonização, ao surto das croissanterias, dos montes alentejanos e dos jipões, à ascensão dos jovens de colarinhos brancos brincando às bolsas, às novas urbanizações e às gestões e marketings. Sou do tempo dos bip's, como também o são os farfalhudos salvadores de pátrias que se congestionam às portas das duas únicas empresas empregadoras que não sofrem de problemas de insolvência, salários em atraso e limitação orçamental, competição estrangeira e listas de excedentes. A coisa dura há 10.000 dias - um número bíblico - e parece tão imenso como o tempo geológico em que se formaram os mares e oceanos, se fendeu a Pangeia e os primeiros líquens iniciaram a corrida que levaria ao cérebro de Einstein. Em Portugal, esses 10.000 dias permitiram coisas espantosas, à cabeça das quais pontifica um partido com duas bocas, quatro braços e quatro pernas, dois nomes e cérebro algum. Perdemos todas as corridas. Perdemos a corrida para a Europa, a corrida para a industrialização, a corrida para a emergência de uma sociedade civil não artificial - porque a que por aí existe se vai parecendo cada vez mais com uma indecente barganha de dinheiros, favores e isenções - a corrida para a justiça, para saúde e para a educação. Ficou só o Bloco Central mais os futebóis, essa religião civil que vai lentamente tomando conta dos afectos, dos restos de lucidez e de bom-senso inerentes à espécie humana. Outros fogos surgiram, aqui e ali, como foguetório de entretenimento em momentos em que o comatoso recobrava o espírito. Coisas importantíssimas como os crucifixos nas escolas, as interrupções da gravidez, as drogas duras e moles, as regionalizações, as coincenerações e outras magnas tarefas do razonamento filosófico deixaram de lado coisas insignificantes como a reforma do Estado e da tributação, a reforma da educação, a formação do civismo e a discussão dos futuríveis. Estamos em coma há 10.000 dias. E aí se perfilam mais 10.000.</div><br />É assim que estamos a calcetar, com paciência de coollie, o caminho para o fecho de portas.Combustõeshttp://www.blogger.com/profile/06405105818147148987noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-15251236.post-92186039456973288712008-06-22T01:08:00.005+02:002008-06-24T18:02:28.517+02:00Faz hoje 67 anos que a Europa se matou<a href="http://bp1.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SF2Rcf3tf3I/AAAAAAAABXU/XFHeLmptb2k/s1600-h/9780300123647[1].jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5214483862342434674" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SF2Rcf3tf3I/AAAAAAAABXU/XFHeLmptb2k/s320/9780300123647%5B1%5D.jpg" border="0" /></a><br /><div align="justify"></div><br /><div align="justify">Uma diplomacia de capa-e-espada, com simulações, kriegspielen, amadores e ideólogos de poucas leituras, muito atrevimento e absoluta incapacidade para discernir os riscos. Um regime que cavou um desastre económico chamado autarcia e que para fugir à derrocada se atirou para uma guerra que contrariava todos os avisos que o bom-senso aconselharia. Uma percepção da geo-política mundial feita de palpites, intuições e lugares-comuns, à mistura com astrólogos, delírios wagnerianos e outras bizarrias nascidas nas noitadas de insones. Faz 67 anos que a Alemanha pequeno-burguesa de Zés Ninguém cheios de si resolveu atacar a Rússia depois de já haver declarado guerra às mais poderosas forças materiais e culturais que comandavam o planeta. Uma rematada idiotia cujo preço todos pagamos, no passado, no presente e no futuro.</div><div align="justify"></div><br /><div align="justify">O povo alemão, nas suas grandezas e defeitos, não merecia, decididamente, que uma seita de lunáticos o atirasse para tal tragédia. Por mais que queiramos discernir a inteligibilidade de tal decisão, fenece-nos a capacidade de a encarar como um dado da razão, mas como um capricho, uma infantilidade e uma demonstração de quão perigosa pode ser uma decisão política de tal magnitude quando entregue a amadores. Como sempre, dado do ethos germânico, soldados da frente e a população bateram-se com uma valentia, um sacrifício e um desprezo pela morte dignos de um povo grande, que foi cérebro e coração da Europa até ao triste dia em que um homem problemático confiscou a inteligência, baniu o sentimento e os transformou em propaganda e fanatismo. </div><div align="justify"></div><div align="justify">A Operação Barbarossa foi planeada com detalhe pela mais qualificada estirpe de militares oriundos da velha escola prussiana, aplicados leitores de Klausewitz e homens de grande capacidade profissional. Porém, desde os primeiros dias da invasão, um ex-cabo impôs-lhes alterações ao plano inicial. As decisões então tomadas pelo OKW transformaram a invasão numa sucessão de mudanças de ritmo, objectivos e calendário, a tal ponto que a partir de Setembro de 1941, com a guerra praticamente decidida, Hitler resolveu desviar o centro de aplicação das operações, considerando Moscovo objectivo secundário. Concomitantemente, os alemães, que haviam sido recebidos como libertadores, deram aos russos um tratamento igual ou pior que aquele que de Estaline haviam recebido, legitimando o ressurgimento do patriotismo russo e oferecendo de bandeja a Estaline uma "guerra patriótica". Não há na história militar nada que se assemelhe a tal campanha, que se iniciou com tremendas vitórias e acabou atolada na lama, enregelada pelos nevões e decomposta pela incessante guerrilha. Depois, foi o lento, sacrificado e doloroso apagamento gradual do exército alemão, sempre bem comandado, sempre valoroso, mas sabotado por um homem de capacidades diminuídas que tinha o condão de hostilizar a inteligência. A história todos a sabemos. Depois de Moscovo foi Estalinegrado, depois Kursk, depois e eclipse. O nacional-socialismo empurrou a Alemanha para a mais completa e inapelável derrota. Quando tudo estava perdido, mas quando ainda era possível negociar, saindo de cena e entregando-o a quem poderia ainda fixar os limites da derrota, quis mais: quis levar toda a Europa para a vala comum. E conseguiu-o.</div><div align="justify"></div><br /><div align="justify">Se o Euro-mundo acabou, se os EUA e a URSS entre si repartiram esferas de influência e por todo o lado a Europa se retirou das sete partidas do mundo; se a esplêndida sociedade europeia dos anos 20 e 30, com aquele toque de grandeza faustiana, se perdeu de vez, rendendo-se à risível "cultura" sem cultura, deve-o a Hitler. O homem dizia em 1933, com toda a razão, que dez anos após a sua ascensão ao poder a Alemanha estaria irreconhecível. Profético. A Alemanha, 10 anos após o advento da pequena religião, estava transformada num monte de ruínas. As bibliotecas, os palácios, as universidades, o casco medieval dos burgos, mais as catedrais, os laboratórios, os hospitais, as estações, os aeroportos - tudo o que fazia da Alemanha a maravilha de uma Europa antiga mas actuante e na vanguarda do pensamento, das artes e da ciência, acabou.</div><div align="justify"></div><br /><div align="justify">Faz hoje 67 anos que a Europa se suicidou.</div><br /><embed src="http://www.kuws.fm/MediaFiles/RadioSuperior/1941/Radio%20Superior%20June%2023,%201941.mp3" width="80" height="25" type="audio/mpeg" controls="FALSE" autoplay="false"></embed><br />Radio SuperiorCombustõeshttp://www.blogger.com/profile/06405105818147148987noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-15251236.post-67377850545071494332008-06-21T00:07:00.005+02:002008-06-21T15:39:40.264+02:00Os comunistas de volta<a href="http://bp0.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SFwzkMM-pVI/AAAAAAAABXM/3KjglXKxtGk/s1600-h/01[1].jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5214099165432161618" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SFwzkMM-pVI/AAAAAAAABXM/3KjglXKxtGk/s320/01%5B1%5D.jpg" border="0" /></a><br /><div align="justify"></div><div align="justify">Não mais seria que uma blague se não estivessemos no Sudeste-Asiático, região quase intocada pelos ventos que varreram o comunismo da face da Terra no início dos anos 90 do século passado. Aqui ao lado, o Laos e o Vietname continuam sob a férula marxista-leninista, o Camboja tem por primeiro-ministro um antigo Khmer Vermelho, a Birmânia é governada por uma distopia socialista. Perto, nos contrafortes dos Himalaias, o Nepal tem um novo parlamento maioritariamente maoísta.</div><div align="justify"></div><br /><div align="justify">Hoje de madrugada, assistindo pela tv ao comício ininterrupto a que aludi há horas, cantou-se a Internacional. Na multidão, jovens de fardamento heteróclito, boinas à Mao, estrelas e lenços vermelhos. Com eles, <strong><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Communist_Party_of_Thailand">incitando-os, os agit prop dos anos 60 e 70, homens e mulheres em idade declinante que terão estado no maquis comunista nos anos da luta </a></strong>de que o actual rei saiu incontestado vencedor no plano militar e na acção psico-social. O perigo existe, não há que ocultá-lo. A grande frente cívica anti-corrupção integra gente da extrema-direita monárquica e budista à extrema-esquerda comunista, moderados, liberais e conservadores. O denominador deste ajuntamento de forças e motivações distintas tem sido a luta contra uma democracia de partidos, mas sem a efectiva participação dos cidadãos. </div><div align="justify"></div><br /><div align="justify">Taksin, o antigo primeiro-ministro, sonhou com uma Tailândia queimando etapas. Para consolidar a sua posição na luta que decidiu travar contra o aparelho do Estado e as "forças da conservação", ensaiou uma discreta política de proteccionismo social: salário mínimo, pensões, universalidade de cuidados médicos, obrigatoriedade contratual, férias, etc. Esta acção conquistou muitas fidelidades entre o povo pequeno, mas depressa se revelaram os efeitos nefastos de tal política. Os indíces de produtividade caíram, a contratação declinou, o desemprego aumentou, a conflitualidade laboral subiu em espiral. Muitos investidores estrangeiros, entre o seguro Vietname comunista em que não há direitos e a Tailândia, onde o capitalismo finalmente se deu ares de sensibilidade social, preferem o Vietname, pois quem investe quer lucro, lucro sem problemas, rapidamente. Taksin era contraditório: assentou baterias nas forças da burocracia, pediu a liderança para os empresários, mas teve de ganhar o coração do povo, dando-lhe aquilo que sabia não poder manter.</div><div align="justify"></div><br /><div align="justify">O liberalismo <em>à outrance</em> é assim: tanto parece querer diluir a importância do Estado na vida das sociedades, que acaba por ser ultrapassado pelo movimento defensivo daqueles cuja existência quis fragilizar. Num país onde 80% da população se poderá considerar das classes populares, é uma rematada estupidez sonhar com acelerações bruscas no ritmo da integração numa sociedade pós-industrial. A Tailândia continua a ser um país agro-industrial, com forte sector secundário, é certo, mas com tecido social maioritariamente constituido por camponeses, operários e outras categorias não especializadas. Acicatar o povo-miúdo, atirando-o contra a classe média minoritária, tida como culpada pelas desigualdades, bem como contra a velha aristocracia, que mantém a memória cultural e a identidade do país, não vai dar a Taksin qualquer Tailândia liberal, individualista e empreendedora. Vai - pode acontecer, estou certo que pode quando o actual monarca deixar este mundo - dar aos comunistas a oportunidade de ouro para um ajuste de contas com aqueles que os derrotaram há trinta anos: a monarquia, o Exército, o clero budista e as classes empreendedoras urbanas.</div>Combustõeshttp://www.blogger.com/profile/06405105818147148987noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-15251236.post-9307152829082733002008-06-20T15:46:00.005+02:002008-06-22T01:08:06.084+02:00A força do Povo é a força do Rei<a href="http://bp1.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SFvB5x2F5fI/AAAAAAAABXE/33rnAoqIiGI/s1600-h/antithaksinrally[1].jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5213974191988401650" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SFvB5x2F5fI/AAAAAAAABXE/33rnAoqIiGI/s320/antithaksinrally%5B1%5D.jpg" border="0" /></a><br /><div></div><div align="justify">Pergunta-me um amigo por que razão não falo de política portuguesa. Que eu saiba, nada de especial acontece em Portugal desde o tremor de terra de 1755, pelo que nada há a escrever, comentar e prever. As coisinhas da política do campanário são tão pequenas que não deixam sulco, não apaixonam nem merecem atenção. Portugal fechou-se, definitivamente, no seu pequeno mundo: um mundo sem ideias, sem novidade e absolutamente vazio. Leio os blogues e tresandam àquela triste resignação - por vezes armada de cinismo, por vezes de indignação - que outra coisa mais não concita senão um desdenhoso virar de costas.</div><div align="justify"></div><br /><div align="justify">Aqui estou <strong><a href="http://www.11news1.com/">no meio de uma revolução</a></strong>. Há um mês, cansados de corrupção, tráfico de influências, desmandos, barganhas, compra de votos e caciquismo, o que de melhor há na sociedade tailandesa resolveu montar acampamento em frente da sede da ONU, com comício 24 sobre 24 horas pedindo a mudança do regime partidocrático, o fim da impunidade dos políticos e o julgamento dos tubarões que desvirtuam a democracia e a tornaram refém de um partidismo que insulta a liberdade. A geração que esteve na dianteira da revolução democrática de 1973 volta a sair às ruas. Quer democracia, mas uma democracia que sirva o povo e não aquela facécia de democracia que engorda o gansterismo, que protege e imuniza os corruptos e corruptores e se preparava - tudo o previa - para desferir um golpe mortal na instituição monárquica, que é, como aqui por várias vezes expliquei, o grande agente de conciliação e unidade nacional. São milhares, dezenas de milhares de cidadãos fiéis ao Rei, envergando camisolas amarelas, agitando bandeiras nacionais, cantando em plenos pulmões o hino real e as canções da guerra e da paz que são património da história do patriotismo thai. </div><div align="justify"></div><br /><div align="justify">Dizem as más línguas que o Rei estará por detrás da iniciativa. Discordo em absoluto. Os cidadãos que hoje se contam já por dezenas de milhares são a nata do país, não foram arregimentados, alimentados e trazidos do campo em camionetas. São professores e alunos universitários, profissionais liberais - médicos, advogados, empresários, arquitectos - militares, monges budistas, aristocratas, pessoas com elevada preparação cívica que se fartaram dos simulacros eleitorais, das chapeladas e da decomposição do sistema democrático, agora manipulado pelo dinheiro do ex-primeiro ministro Taksin - uma das maiores fortunas do país - que da sombra dá instruções ao governo chegado ao poder há meses. Invocam os defensores do governo que este é um governo legítimo, pois produto de eleições. Sabemos que tais críticas teriam cabimento numa democracia europeia, mas aqui a maioria que dizer, quase sempre, que o partido vencedor possui a maior e mais rica máquina de condicionamento. Este governo venceu as eleições no campo, onde o poder dos caciques é tremendo. Nas grandes cidades, ou entre a classe média, é simplesmente desprezado.</div><div align="justify"></div><br /><div align="justify">A democracia por que clama a mole de manifestantes é a da soberania do povo, moderada pela soberania real. Nesta multidão não há as "forças fáticas" do aparelho burocrático e dos interesses instalados. Os interesses instalados - o poder do dinheiro, da banca, do imobiliário e da especulação - invocam a legitimidade do governo. Coisa estranha esta a do dinheiro querer falar em nome do povo, sobretudo daquele povo pobre e ignorante que da plutocracia jamais mereceu qualquer movimento de solidariedade. A única força que neste país deu dignidade ao povo chão, que a ele se consagrou, lhe deu escolas, hospitais, formação profissional, dignidade e patriotismo foi o rei, que desde há 50 anos é o baluarte dos direitos dos pequenos. É para ele que se voltam os tailandeses para, uma vez mais, restaurarem a união que, no passado, foi o instrumento da paz e da unidade.</div><div align="justify"></div><br /><div align="justify">Querem que fale de política portuguesa ? Comentar o quê ? E consideramo-nos um povo maduro. Em Portugal, este movimento democrático seria impensável. Com as primeiras chuvas, com a fome a apertar o estômago, a manifestação dissolver-se-ia espontaneamente para a bacalhoada do jantar. Aqui dura há um mês ! Diferenças ...</div><br /><embed src="http://www.prd.go.th/thaisound/mp3/03-Track3.mp3" width="80" height="25" type="audio/mpeg" controls="FALSE" autoplay="false"></embed><br />Phleng Sansoen Phra Barami (hino real da Tailândia)Combustõeshttp://www.blogger.com/profile/06405105818147148987noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-15251236.post-90407566195249806432008-06-18T20:05:00.007+02:002008-06-20T16:49:54.592+02:00O deus elefante<a href="http://bp3.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SFlViZBHGVI/AAAAAAAABW8/5GbhesmGctk/s1600-h/original_siam_flag_web5[1].jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5213292092977518930" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SFlViZBHGVI/AAAAAAAABW8/5GbhesmGctk/s320/original_siam_flag_web5%5B1%5D.jpg" border="0" /></a><br /><div><a href="http://bp3.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SFlU66hpaKI/AAAAAAAABW0/nRS67Kq3yQQ/s1600-h/Picture+439.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5213291414777587874" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 301px; CURSOR: hand; HEIGHT: 326px; TEXT-ALIGN: center" height="326" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SFlU66hpaKI/AAAAAAAABW0/nRS67Kq3yQQ/s320/Picture+439.jpg" width="278" border="0" /></a><br /><div><a href="http://bp0.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SFlUbuNXCyI/AAAAAAAABWs/rElkl4UZELE/s1600-h/Picture+532.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5213290878895328034" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" height="240" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SFlUbuNXCyI/AAAAAAAABWs/rElkl4UZELE/s320/Picture+532.jpg" width="312" border="0" /></a><br /><div></div><div></div><div align="justify">Num mundo absolutamente diverso, se pergunto a um adorador do Deus Único se presta culto ao Deus de Moisés, responde-me, quase irritado, que Phra Jao (Deus dos Céus) só há um e chama-se Shiva. Resolvido o equívoco, pergunto-lhe se acredita no Céu e no Inferno. Diz-me que não, mas acrescenta acreditar na reencarnação, nos espíritos e em demónios. Ainda não satisfeito, pergunto-lhe se o Iluminado - Buda - deve ser adorado como um deus ou seguido como um mestre. Diz-me que Buda não é deus, nasceu homem e homem morreu, muito embora, ao nascer, pudesse andar e falar com eloquência de predicador. Olho para um canto da sala: uma colorida e simpática estatueta de Ganisha/Ganexa/Ganesha, filho de Shiva e Parvati, pede-me que o intrometa na conversa. É a ele que os siameses oram em momentos de aflição, pois Ganisha é o vencedor dos obstáculos, o propiciador da fortuna e do sucesso. Os seus adoradores dão pelo nome de Ganapatyas e os budistas, sem Deus, tomam-no de empréstimo num adorável sincretismo que lembra o tempo distante em que os romanos frequentavam os templos das mais desvairadas religiões, sem nisso vislumbrarem a mais pequena nódoa de contradição. Estou em pleno mundo "ariano", em contacto com as fontes das religiões pré-cristãs . Politeísmo é assim mesmo: vários eixos, camadas de sagrado, uma distribuição razoável de esferas de acção das forças sobrenaturais, com igual peso para o simples descrédito, mas que aqui nunca se precipita do ateísmo. Não continuo a conversa. Lembro que o elefante branco é animal sagrado, que a bandeira do Sião entre 1850 e 1916 exibiu um elefante branco e que as guerras que os seus reis travam com Cambojanos e Birmaneses tinham por objectivo capturar alguns desses raros albinos. </div></div></div><br /><embed src="http://media.mndp.ru:8022/WWW/mp3/king_i/06%20-%20March%20of%20the%20Siamese%20Children.mp3" width="80" height="25" type="audio/mpeg" controls="FALSE" autoplay="false"></embed><br />Marcha das Crianças Siamesas (Rodgers/Hammerstein)Combustõeshttp://www.blogger.com/profile/06405105818147148987noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-15251236.post-81122672011337978582008-06-18T19:44:00.001+02:002008-06-18T19:46:38.298+02:00Explosivo<div align="justify"><a href="http://joshuaquim7.blogspot.com/2008/06/memria-de-mamute.html"><em><strong>Afinal, Nosso Senhor Jesus Cristo remiu, com Altíssimo Preço, um monturo de merda: nós.</strong></em> </a></div>Combustõeshttp://www.blogger.com/profile/06405105818147148987noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-15251236.post-68735472757624208102008-06-16T22:58:00.008+02:002008-06-18T19:47:28.739+02:00Os "fascistas" no Sião<a href="http://bp0.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SFbo-Y0fzQI/AAAAAAAABWk/bFDsWhVX4Wk/s1600-h/chini_man[1].jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5212609777240100098" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SFbo-Y0fzQI/AAAAAAAABWk/bFDsWhVX4Wk/s320/chini_man%5B1%5D.jpg" border="0" /></a><br /><div><a href="http://bp2.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SFbozIceXWI/AAAAAAAABWc/lU_r5XNZHsk/s1600-h/Chini_600_1[1].jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5212609583865814370" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SFbozIceXWI/AAAAAAAABWc/lU_r5XNZHsk/s320/Chini_600_1%5B1%5D.jpg" border="0" /></a><br /><div align="justify">A influência das belas-artes italianas no Sião não deixar de colher de surpresa quem, estudando o percurso histórico da transição do Estado patrimonial monárquico tradicional asiático para o Estado moderno, poderia supor que a estética do poder aqui recolhida teria entrado ou por via francesa - dada a proximidade do Camboja, protectorado francês entre 1864 e 1953, do Laos e Vietname, colónias francesas - ou por via britânica, que a sul exercia protectorado sobre a Malaia (hoje confederação da Malásia) e a ocidente impunha a Pax Britannica sobre a Birmânia.</div></div><div><div align="justify"></div><br /><div align="justify"><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Chulalongkorn"><strong>Rama V</strong></a> (r. 1868-1910), o grande rei que impôs modernização a passo rápido ao Sião para o furtar à colonização directa das potências europeias, viajou por duas vezes pela Europa em visitas oficiais (1897 e 1907), aí contratando inúmeros "conselheiros" técnicos. Quando desembarcou na Itália - as suas cartas à rainha Sawapa, regente durante as suas digressões ocidentais, são a todos os títulos um monumento à perspicácia - rendeu-se perante a imponência do que por lá viu, deixando-se contagiar pelo frenético ambiente cultural cisalpino, muito marcado pelo nacionalismo do <em>rissorgimento</em> e pelo exoticismo. Não nos esqueçamos de <em>Madama Butterfly</em> e de Turandot, de Puccini, mas também não menosprezemos a influência marcante que o pobre Emilio Salgari, com os seus rajás e tigres, exerceu sobre o imaginário de gerações de leitores juvenis. Ponderados os orçamentos - os italianos eram menos caros e menos perigosos que os franceses, entranhados de revolução e republicanismo - escolheu os italianos. </div><div align="justify"></div><br /><div align="justify">De Itália chegaram ao Sião fotógrafos, escultores, arquitectos, decoradores e músicos para realizar encomendas destinadas a exaltar o trono, embelezar as praças e jardins de Banguecoque e emprestar à capital os traços de uma nação orgulhosa e independente. As estátuas equestres, os frisos escultóricos, as residências reais e da vasta parentela de irmãos, meio-irmãos, príncipes de primeira, segunda e terceira linha - ou seja, da elite de sangue que dominaria o reino até ao advento do constitucionalismo no país (1932) - mais o muralismo, o mosaico e o vitralismo, a regalia da monarquia, o mobiliário dos palácios e ministérios, tudo isso foi entregue a italianos. Entre as mansardas esconsas de Montparnasse e o luxo do Sião, onde eram tratados como príncipes, muitos criadores italianos optaram pelo distante Oriente. Por cá ficaram durante décadas, num imparável esforço de iniciativas generosamente regadas pela munificência régia.</div><div align="justify"></div><br /><div align="justify">Estes artistas italianos, ardentes nacionalistas, receberam com satisfação o ascenso do fascismo em Itália. Para a consolidação doutrinária do fascismo, importa lembrar, foi necessária a aceitação por Mussolini da dinâmica corrente nacionalista liderada por Enricco Corradini, que detinha o monopólio da direita inteligente na península, dado o fascismo, fenómeno de rua, não possuir nomes de vulto nas artes e do pensamento, com excepção para o exótico e marginal Gabriele d'Annunzio, que mesmo durante os anos do regime, cumulado de elogios e prémios, nunca deixou de increpar com aspereza o Duce.</div><div align="justify"></div><br /><div align="justify">Ora, estes decoradores italianos chegados ao Sião, pertenceriam a essa linha doutrinária nacionalista impregnada de fascismo, mas nunca se deixaram impressionar pelos aspecto socialista e pela vis multitudinária do regime, mantendo, quer durante a passagem pelo Sião, quer mais tarde, já em Itália, no desenvolvimento de trabalhos encomendados pelo Estado, uma linha de coerente apego ao nacionalismo em que se filiavam: exaltação do povo, dos heroís e guerreiros, descoberta das fontes da expressão artistica popular, do artesanato, com particular fixação pelo folclore e pela literatura oral, mas também com esporádicas incursões - amadoras - ao mundo da arquelogia, da museologia e, até, do cinema e das artes gráficas.</div><div align="justify"></div><br /><div align="justify">Em Banguecoque - ao assunto voltaremos mais tarde - persiste o único monumento à vitória do Eixo - o Anusawalli Chai Samoraphum, ou Monumento à Vitória - erigido em 1941 para celebrar a guerra franco-siamesa de 1941, que se saldou pela incorporação das províncias ocidentais cambojanas na Tailândia. Esse monumeto, executado por Corrado Feroci - que no Sião criou a Faculdade de Belas-Artes e fez-se siamês, passando a chamar-se Silpa Bhirasi - é, para os tailandesas, o "monumento ao embaraço", porquanto, três anos volvidos, a Tailândia foi obrigada a devolver aqueles territórios à França.</div><br /><div align="justify"></div><div align="justify">Entre os artistas aqui chegados, destacou-se, pelo mérito e prolifica actividade, <strong><a href="http://www.800artstudio.com/en/chini.php">Galileo Chini</a></strong>, florentino de méritos vários que se iniciara na Arte Nova. Amigo de Puccini e Mascagni - dois outros nacionalistas seduzidos pelo mussolinismo - chegou a Banguecoque em 1911, realizando importante trabalho na decoração da Sala do Trono ( Ananta Samakhom) e no ensino do cânone ocidental aos pintores siameses. Para evocar o artista, os serviços culturais da embaixada de Itália na Tailândia prepararam uma brilhante<strong><a href="http://www.central.co.th/promotion/index_en.php"> exposição, acompanhada de catálogo, que está patente no Central Chidlom </a></strong>desde a passada semana. Merece uma visita, pois reflecte o entusiasmo e capacidade de fazer bem que os italianos possuem. Poderá esta exposição servir de exemplo para tantos miserabilistas que por Lisboa se arrastam em queixumes, buscando evasivas para nada fazer e adiando a necessária prestação que se nos pede para, em 2011, celebrarmos com análoga decência, os 500 anos da chegada dos portugueses ao Sião.</div><div align="justify"></div><div align="justify">A Tailândia foi muito marcada por essa geração de italianos. O culto pela farda, pelas medalhas e passadeiras, as coreografias do cerimonial de Estado, os hinos e marchas, tudo isso, afinal, são vestígios desse "fascismo" aclimatado, doseado pelo exotismo e incorporado por um povo orgulhosíssimo da sua identidade.</div></div><br /><embed src="http://www.solargeneral.com/audio/fascismo/fascismo_-_beniamino_gigli_-_inno_a_roma.mp3" width="80" height="25" type="audio/mpeg" controls="FALSE" autoplay="false"></embed><br />Hino a Roma, de Puccini (interpretado por Beniamino Gigli)Combustõeshttp://www.blogger.com/profile/06405105818147148987noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-15251236.post-6155960832051235242008-06-14T21:22:00.004+02:002008-06-17T00:30:08.404+02:00Um rei diferente<a href="http://bp1.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SFQeHzQwLXI/AAAAAAAABWU/UMATvR8I0UA/s1600-h/sihamoni.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5211823788142898546" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SFQeHzQwLXI/AAAAAAAABWU/UMATvR8I0UA/s320/sihamoni.jpg" border="0" /></a><br /><div align="justify">Dizem aqueles que com ele privaram que é a antítese do monarca esfígico, distante e quase-divino que a tradição do budismo theravada, com forte dosagem de elementos bramânicos, impõe. Desde a minha visita a Angkor não mais me saiu da memória o sorriso gélido de Jayavarman VII, um quase esgar de quem , convivendo com os deuses, sem jamais pisar a terra, se impunha aos seus como o representante de Shiva na terra. Nas pisadas desse rei-revolucionário, a história reservou aos cambojanos um outro sorriso, mais letal e sanguinário, que quis fazer regredir o seu povo aos confins de uma antiguidade mítica em nome do socialismo: Pol Pot. O actual rei do Camboja, Norodom Sihamoni, esteta e reputado conhecedor de dança clássica khmer, parece negar essa ancestralidade. Não é guerreiro nem político e é de uma humildade quase chocante para os seus concidadãos, durante tanto tempo submetidos aos mais extremos sacrifícios. Dir-se-ia que, com Sihamoni, o que de melhor há no budismo - compassividade, tolerância e paciência, a "Santa Paciência" que também é valor cristão - se coroam com a mansidão de um monarca que está a virar uma página na história dessa nação martirizada.</div><div align="justify"></div><div align="justify"></div><br /><embed src="http://www.youtube.com/v/A8YDGCCkjgk&amp;hl=" width="325" height="244" type="application/x-shockwave-flash"></embed><br /><br /><embed src="http://www.fhi.net/sounds/anthem-cambodia.mp3" width="80" height="25" type="audio/mpeg" controls="FALSE" autoplay="false"></embed><br />Camboja: Hino do ReiCombustõeshttp://www.blogger.com/profile/06405105818147148987noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-15251236.post-30870490659175152542008-06-14T17:56:00.002+02:002008-06-14T18:14:07.857+02:00A Irlanda<a href="http://bp2.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SFPuNedc6hI/AAAAAAAABWM/bNP2_znKHjA/s1600-h/irish-shamrock-3[1].jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5211771109080099346" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SFPuNedc6hI/AAAAAAAABWM/bNP2_znKHjA/s320/irish-shamrock-3%5B1%5D.jpg" border="0" /></a><br /><div align="justify"></div><div align="justify">Tão desinteressado ando das coisas europeias, bem como da pelintra politiquisse portuguesa, que deixei passar em branco o resultado de uma consulta popular em que um milhão e quatrocentos mil votantes (é essa a expressão da Irlanda) chumbaram os aprofundamentos de um tratado em que já ninguém se revê. A Europa unida - o tal projecto que se distorceu com alargamentos sucessivos ao ponto de perder consistência - é hoje, novamente, uma quimera; ou seja, não se uniu pela mão de Marte, não se quis unir pela mão de Mamon e por maioria de razão deixou de acreditar nos eurocratas, essa burocracia sem Estado que parece, apenas, entretida em jogos bizantinos e na defesa de privilégios de casta. Contudo, como bom advogado do diabo, lembraria aos entusiastas do Não pelo Não que a Irlanda só se exprimiu negativamente porque julga não precisar dessa Europa. A Irlanda é rica e os irlandeses esqueceram séculos de fome e emigração, pelo que confiam na sua sorte. Há quem diga que o milagre irlandês se abeira do fim, que as primeiras físsuras deixam antever um retrocesso, senão mesmo um desastre, nas pisadas de análogo "milagre" que acometeu a Islândia e hoje se salda por um clamoroso fracasso. Estou certo que os irlandeses, logo que a crise lhes bater à porta, correrão pressurosos para Bruxelas de mão estendida. Aí se finará a rebeldia, pois, como dizia um certo estadista, a fome é a pior conselheira da liberdade.</div>Combustõeshttp://www.blogger.com/profile/06405105818147148987noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-15251236.post-26430506091737358132008-06-12T07:10:00.003+02:002008-06-12T07:22:17.712+02:005 anos em fogo cerrado<a href="http://bp3.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SFCySRmolyI/AAAAAAAABWE/UvVHnD2YGkA/s1600-h/Gulf%20storm%206.27.04[1].jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5210860795900499746" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SFCySRmolyI/AAAAAAAABWE/UvVHnD2YGkA/s320/Gulf%2520storm%25206.27.04%5B1%5D.jpg" border="0" /></a><br /><div></div><div align="justify"><a href="http://portugaldospequeninos.blogspot.com/"><strong>É uma proeza, tanto mais que animada pela insubmissa, corajosa, livre e sempre imprevisível inteligência, que tudo sobreleva. Um exemplo de persistência e a prova manifesta da existência em Portugal de uma radicalidade não-extremista. Está de parabéns o autor do blogue que substitui a imprensa amansada, o medinho português infuso, o respeitinho postiço e outras convencionalidades pardacentas</strong></a>. </div>Combustõeshttp://www.blogger.com/profile/06405105818147148987noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-15251236.post-30471678147381724692008-06-10T23:50:00.011+02:002008-06-11T12:25:20.741+02:0010 de Junho na Tailândia<a href="http://bp2.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SE77i93PjWI/AAAAAAAABVs/uK3YcfKSFhg/s1600-h/SANY0372.JPG"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5210378397054635362" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 279px; CURSOR: hand; HEIGHT: 332px; TEXT-ALIGN: center" height="325" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SE77i93PjWI/AAAAAAAABVs/uK3YcfKSFhg/s320/SANY0372.JPG" width="260" border="0" /></a><br /><div><a href="http://bp2.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SE77JlP8X6I/AAAAAAAABVk/6jY4XlPdPXA/s1600-h/SANY0375.JPG"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5210377960950620066" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 284px; CURSOR: hand; HEIGHT: 230px; TEXT-ALIGN: center" height="235" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SE77JlP8X6I/AAAAAAAABVk/6jY4XlPdPXA/s320/SANY0375.JPG" width="307" border="0" /></a><br /><div align="center"><a href="http://bp1.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SE76nqxbvMI/AAAAAAAABVc/C7HJlrxFdVk/s1600-h/SANY0385.JPG"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5210377378317712578" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 282px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" height="326" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SE76nqxbvMI/AAAAAAAABVc/C7HJlrxFdVk/s320/SANY0385.JPG" width="278" border="0" /></a> Wan, "portuguet" que fala a nossa língua com espantosa desenvoltura. Dentro de dois anos estará aos comandos de um F-16 da Força Aérea Tailandesa.<br /><br /><div><a href="http://bp3.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SE76TJXLr3I/AAAAAAAABVU/b5QOZMennVo/s1600-h/SANY0386.JPG"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5210377025751854962" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 301px; CURSOR: hand; HEIGHT: 241px; TEXT-ALIGN: center" height="242" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SE76TJXLr3I/AAAAAAAABVU/b5QOZMennVo/s320/SANY0386.JPG" width="308" border="0" /></a>Os líderes da comunidade luso-descendente na companhia de alta funcionária do MNE tailandês</div><div><br /><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5210376573924728274" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" height="239" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_NtlrdquX4w8/SE7542LM3dI/AAAAAAAABVM/wv6S-cCoNJU/s320/SANY0388.JPG" width="309" border="0" /> Embaixador e Embaixatriz de Faria e Maya, anfitriões<br /><br /><div><div></div><div align="justify">O hotel Shangri-la acolheu hoje centenas de amigos de Portugal para as festividades do dia de Camões. O corpo diplomático, as autoridades governamentais, alunos de cultura e língua portuguesa, muitos "portuguet" (comunidade luso-descendente) e compatriotas nossos residentes em Banguecoque emprestaram a esta noite a ilusão do encurtamento das distâncias. O embaixador Faria e Maya dirigiu-se com especial carinho aos "portuguet", comunidade católica miscigenada que tem servido com lealdade o seu rei ao longo dos últimos quatrocentos anos, mas que se afirma de um portuguesismo e patriotismo profundos que fariam corar de vergonha muitos dos nossos. Saí da cerimónia esperançado que em 2011 se celebrem os 500 anos da nossa chegda ao Sião e não surjam, como infelizmente aconteceu na Índia e no Ceilão, "imprevistos de calendário". Longe dos futebóis, com um quinteto de cordas da Marinha Real executando Abril em Portugal, Coimbra, Na Rua dos Meus Ciúmes e Lisboa não sejas Francesa, mais um soberbo jantar à portuguesa e uma Torre de Belém em gelo, ideia da nossa embaixatriz, foi um dia em cheio. </div></div></div></div></div>Combustõeshttp://www.blogger.com/profile/06405105818147148987noreply@blogger.com