tag:blogger.com,1999:blog-146243952008-08-20T14:22:56.364+01:00Papel de Fantasialegivelhttp://www.blogger.com/profile/15611872967117422697noreply@blogger.comBlogger235125tag:blogger.com,1999:blog-14624395.post-88917692589678878092008-08-10T19:32:00.007+01:002008-08-10T22:34:06.574+01:00DANÇANDO NAS NÚVENS<p><br /><object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-c9dfa6ec4401333e" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="movie" value="http://www.blogger.com/img/videoplayer.swf?videoUrl=http%3A%2F%2Fvp.video.google.com%2Fvideodownload%3Fversion%3D0%26secureurl%3DqgAAAHZQAKfu6jF-JfdYz_38VlhfYdMd1GY_lUXveWi5N-UWWts05h5VxC8rQWLzZ72LW9-Fv6XxTT-Lx-O_w7DHgI6OGq7PtU2ZspIOWw5aRyU_B3na4gD0FLIyTAGTNxWuzMVo7VPhZaXXFNl593QcTxWjpixQhkw3e8i0347hICdx-TLiIO23_KJeGMO0vO0y2oLC7njOaMNaQvXoVxviq3f09dk03p5GrfbTRte9Cfic%26sigh%3D28dwl28WA2cPFpCyyJE0yNutMv4%26begin%3D0%26len%3D86400000%26docid%3D0&amp;nogvlm=1&amp;thumbnailUrl=http%3A%2F%2Fvideo.google.com%2FThumbnailServer2%3Fapp%3Dblogger%26contentid%3Dc9dfa6ec4401333e%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw320%26sigh%3D0wWPfQjYPblieMZHJv8i-vWPMl4&amp;messagesUrl=video.google.com%2FFlashUiStrings.xlb%3Fframe%3Dflashstrings%26hl%3Den"> <param name="bgcolor" value="#FFFFFF"> <embed width="320" height="266" src="http://www.blogger.com/img/videoplayer.swf?videoUrl=http%3A%2F%2Fvp.video.google.com%2Fvideodownload%3Fversion%3D0%26secureurl%3DqgAAAHZQAKfu6jF-JfdYz_38VlhfYdMd1GY_lUXveWi5N-UWWts05h5VxC8rQWLzZ72LW9-Fv6XxTT-Lx-O_w7DHgI6OGq7PtU2ZspIOWw5aRyU_B3na4gD0FLIyTAGTNxWuzMVo7VPhZaXXFNl593QcTxWjpixQhkw3e8i0347hICdx-TLiIO23_KJeGMO0vO0y2oLC7njOaMNaQvXoVxviq3f09dk03p5GrfbTRte9Cfic%26sigh%3D28dwl28WA2cPFpCyyJE0yNutMv4%26begin%3D0%26len%3D86400000%26docid%3D0&amp;nogvlm=1&amp;thumbnailUrl=http%3A%2F%2Fvideo.google.com%2FThumbnailServer2%3Fapp%3Dblogger%26contentid%3Dc9dfa6ec4401333e%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw320%26sigh%3D0wWPfQjYPblieMZHJv8i-vWPMl4&amp;messagesUrl=video.google.com%2FFlashUiStrings.xlb%3Fframe%3Dflashstrings%26hl%3Den" type="application/x-shockwave-flash"></embed></object> </p><p align="justify">"Corta!" berrou irado William Curtis. No set, fez-se um silêncio daqueles que se diz de cortar à faca e barrar no pão. De facto, a responsável pelo casting do corpo de baile dos imóveis dançarinos, não devia estar no seu perfeito juízo quando admitiu aquela casa azul-pálida que não distinguia a valsa da salsa e o rap dos coentros. Humilhada pelo sermão de W.C., descalçou os sapatos e refugiou-se nos seus alicerces chorando desalmadamente. Foi assim que Leonard Cohen a foi encontrar quando chegou da gravação do seu último album. Animou-a, cantando-lhe "Toma lá esta valsa e depois de a ouvires mete-a no congelador". Ela assim fez e tiveram música até ao fim do mês.</p><p align="justify"><span style="font-size:78%;">Agosto de 2008. Vídeo e texto de Alberto Oliveira.</span> </p>legivelhttp://www.blogger.com/profile/15611872967117422697noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-14624395.post-49585350952916287442008-08-05T15:55:00.011+01:002008-08-06T00:24:56.591+01:00NOTÍCIAS DO CONFLITO SALGADO<p></p><p><object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-2523eab0b47b200d" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="movie" value="http://www.blogger.com/img/videoplayer.swf?videoUrl=http%3A%2F%2Fvp.video.google.com%2Fvideodownload%3Fversion%3D0%26secureurl%3DqgAAAO3T1daHheEeH3ZcEQIwEb_I-hkKSmHKog6wkCfTXs_kE_TI2ayukP8uVmF_7RtHkCZdC3TRoERaxA1uT5695RyjzvUbh6pYoENIvvVn7-RYTqaov7isyJ3_FkHe-fHYS54pPeSRRKTqgCFV1G0gHLZvJTlH1646XW1t0t0kDviCmMiwTRHQjPMG07pw39sJ8fvnF4OMuZyThEUIwpuwlILODXOOGPEu4jiUM73lsRgj%26sigh%3DWdnKJtqCl1RGjgN5-LN6VugayzA%26begin%3D0%26len%3D86400000%26docid%3D0&amp;nogvlm=1&amp;thumbnailUrl=http%3A%2F%2Fvideo.google.com%2FThumbnailServer2%3Fapp%3Dblogger%26contentid%3D2523eab0b47b200d%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw320%26sigh%3DsUQQKftVrf9VvTwRkSSBJn3GDYg&amp;messagesUrl=video.google.com%2FFlashUiStrings.xlb%3Fframe%3Dflashstrings%26hl%3Den"> <param name="bgcolor" value="#FFFFFF"> <embed width="320" height="266" src="http://www.blogger.com/img/videoplayer.swf?videoUrl=http%3A%2F%2Fvp.video.google.com%2Fvideodownload%3Fversion%3D0%26secureurl%3DqgAAAO3T1daHheEeH3ZcEQIwEb_I-hkKSmHKog6wkCfTXs_kE_TI2ayukP8uVmF_7RtHkCZdC3TRoERaxA1uT5695RyjzvUbh6pYoENIvvVn7-RYTqaov7isyJ3_FkHe-fHYS54pPeSRRKTqgCFV1G0gHLZvJTlH1646XW1t0t0kDviCmMiwTRHQjPMG07pw39sJ8fvnF4OMuZyThEUIwpuwlILODXOOGPEu4jiUM73lsRgj%26sigh%3DWdnKJtqCl1RGjgN5-LN6VugayzA%26begin%3D0%26len%3D86400000%26docid%3D0&amp;nogvlm=1&amp;thumbnailUrl=http%3A%2F%2Fvideo.google.com%2FThumbnailServer2%3Fapp%3Dblogger%26contentid%3D2523eab0b47b200d%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw320%26sigh%3DsUQQKftVrf9VvTwRkSSBJn3GDYg&amp;messagesUrl=video.google.com%2FFlashUiStrings.xlb%3Fframe%3Dflashstrings%26hl%3Den" type="application/x-shockwave-flash"></embed></object> </p><p align="justify">Resoluto, o cabo avançou para o encontro que o destino lhe tinha marcado. Na retaguarda, o sargento murmurou para com as suas divisas "Lá vai carne para canhão." Ao ritmo da artilharia pesada que se fazia ouvir no areal, o tenente levou a colher de sopa à boca e fez uma careta "De espinhas de peixe e salgadíssima!" As batalhas são feitas destes pequenos nadas e na guerra não sobra tempo para exercícios de estilo.</p><p align="justify"><span style="font-size:78%;">Algures, 2008. Vídeo e texto de Alberto Oliveira .</span></p>legivelhttp://www.blogger.com/profile/15611872967117422697noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-14624395.post-8555868377475096712008-07-20T01:00:00.016+01:002008-07-20T11:38:48.140+01:00IGNORE as DIFERENÇAS.<a href="http://bp0.blogger.com/_EWeLujB3T6k/SHcvWfAGKWI/AAAAAAAAAVk/Lo59z10cQeM/s1600-h/HPIM1227.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5221694356284909922" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_EWeLujB3T6k/SHcvWfAGKWI/AAAAAAAAAVk/Lo59z10cQeM/s400/HPIM1227.jpg" border="0" /></a><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><a href="http://bp0.blogger.com/_EWeLujB3T6k/SHcvIVMeh5I/AAAAAAAAAVc/CJOKHg4eiXQ/s1600-h/IMGP1424.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5221694113134315410" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_EWeLujB3T6k/SHcvIVMeh5I/AAAAAAAAAVc/CJOKHg4eiXQ/s400/IMGP1424.jpg" border="0" /></a><br /><br /><br /><br /><br /><br /><div align="justify">Por vezes, as cidades por mais distantes que se situem entre si, têm destas coisas: <i>tocam-se</i> e quase se confundem. É óbvio que, para que tal combinação produza o efeito estético desejado, muito concorrerá o olho criativo e experimentado de quem edita tais <i>pérolas </i>fotográficas e as <i>manipula</i> a seu belo prazer, para deleite dos visitantes ocasionais ou dos mais assíduos, que -em ambos os casos, não se negam a comentários onde a tónica constante é o puro espanto e o aplauso a ambas as mãos. Depois desta curta mas inequívoca demonstração de modéstia* deste vosso escriba, resta acrescentar que o "Papel de Fantasia" faz hoje três anos, tempo mais que suficiente para merecer que as férias neste espaço não se fiquem por aqui**.</div><div align="justify"><span style="font-size:78%;">* Virtude a que me dedico de corpo inteiro e em regime de voluntariado quando chega a hora de dormir .</span></div><div align="justify"><span style="font-size:78%;">** Ontem, partida para a longínqua Traff Aria sem data de regresso ainda prevista.</span></div><br /><div align="justify"><span style="font-size:78%;">Texto e fotos (Veneza, 2006 e Porto, 2008) de Alberto Oliveira.</span></div>legivelhttp://www.blogger.com/profile/15611872967117422697noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-14624395.post-3048974237242009052008-06-25T15:37:00.009+01:002008-06-25T19:34:30.374+01:00DAR DESCANSO ÀS HISTÓRIAS.<a href="http://bp3.blogger.com/_EWeLujB3T6k/SGJY3GKnIOI/AAAAAAAAAVU/fN4DRKF1KBA/s1600-h/IMGP1378.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5215829022019625186" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_EWeLujB3T6k/SGJY3GKnIOI/AAAAAAAAAVU/fN4DRKF1KBA/s400/IMGP1378.jpg" border="0" /></a><br /><br /><br /><br /><a href="http://bp2.blogger.com/_EWeLujB3T6k/SGJYo-ID7EI/AAAAAAAAAVM/1XAHsv7tDmc/s1600-h/IMGP1372.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5215828779343277122" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_EWeLujB3T6k/SGJYo-ID7EI/AAAAAAAAAVM/1XAHsv7tDmc/s400/IMGP1372.jpg" border="0" /></a><br /><br /><br /><br /><div><a href="http://bp2.blogger.com/_EWeLujB3T6k/SGJYbw23TeI/AAAAAAAAAVE/FZcTq2wx40U/s1600-h/IMGP1387.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5215828552443186658" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_EWeLujB3T6k/SGJYbw23TeI/AAAAAAAAAVE/FZcTq2wx40U/s400/IMGP1387.jpg" border="0" /></a><br /><br /><br /></div><br /><div align="justify">O Abelaira "escrevia na água". Porque sou um gajo modesto e pouco dado a fantasias que ultrapassem o trivial triplo salto mortal à rectaguarda com queda sobre uma superfície coberta com lâminas de barbear no interior dos respectivos blisters, escrevo na areia. E não sendo um exímio praticante de surf, este Verão envidarei todos os esforços, no sentido de aperfeiçoar a técnica de entrar com estilo na água. Que é aonde o carapau quer regressar, depois de um engraçadinho o tirar do seu elemento natural. Até um destes dias.</div><div align="justify"></div><div align="justify"><span style="font-size:78%;">2008. Texto e fotos de Alberto Oliveira.</span></div>legivelhttp://www.blogger.com/profile/15611872967117422697noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-14624395.post-40200041617576024372008-06-18T16:06:00.016+01:002008-06-19T18:43:57.655+01:00LEVITA SÃO!<a href="http://bp3.blogger.com/_EWeLujB3T6k/SFkk0D507jI/AAAAAAAAAUU/KuQYt_VVA24/s1600-h/IMGP1336.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5213238520477707826" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_EWeLujB3T6k/SFkk0D507jI/AAAAAAAAAUU/KuQYt_VVA24/s400/IMGP1336.jpg" border="0" /></a><br /><br /><br /><br /><br /><br /><div align="justify">Euclides já tinha visto muita coisa na vida mas era a primeira vez que assistia a este fenómeno (outra denominação não lhe ocorria para registar tão insólito acontecimento): o da levitação, tu cá tu lá com a pessoa em tão inacreditável atitude, de tal modo que se permitiu passar com a sua mão em redor de todo o corpo da criatura (como já tinha visto fazer -a considerável distância, a falsos espectadores em sessões de magia) confirmando a inexistência de apoios ou suspensões . Mas o seu espanto não se ficava por aí. Quem levitava era uma portuguesa, desprovida dos membros superiores, inferiores, careca e com uma luzinha na garganta que lhe marcava os batimentos cardíacos. Mas não era tudo. Conceição (São para os amigos) -a graça da lusitana, não se apresentava na habitual posição corporal dos levitantes em tais espectáculos da ilusão: de barriga para cima. Ela levitava de lado. Todas as questões que Euclides lhe colocou tiveram resposta. Com a luzinha no pescoço a acender e a apagar velozmente, tal era a fome de conversa. Que "... com o agravamento do custo de vida dos portugueses, como poderia ter os pés bem assentes no chão? Antes -e por isso mesmo, tinha decidido mandar amputar as pernas, porque sempre era menos a despesa no calçado, nas calças, nas meias... (aqui, Euclides suspendeu a respiração mas ela estava imparável) Com os braços a mesmíssima coisa: nem anéis nem relógio, e menos espaço para a tentação de uma tatuagem. E os pequenos vícios que são mais vícios porque temos mãos e dedos? também já tinham ido para o maneta, que é uma forma popular de referir quem nos corta nos vícios e não só ... para não falar da dificuldade em fazer chegar à boca a alimentação que, pelos vistos, também já e um vício... " Ele interrompeu-a "Mas diga-me cá, há uma coisa que me faz espécie: porque está nessa posição?" Um traço de amargura desenhou-se ao canto da boca de São "Os governantes tanto me têm fornicado com desemprego, salário baixo, imposições e impostos que me engravidaram. E agora, só de lado."</div><br /><div align="justify"><span style="font-size:78%;">Lisboa, 2008. Texto e foto de Alberto Oliveira.</span></div>legivelhttp://www.blogger.com/profile/15611872967117422697noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-14624395.post-47737287455453241662008-06-12T23:37:00.003+01:002008-06-13T10:10:27.022+01:00DO AMOR ENTRE OS BICHOS<a href="http://bp3.blogger.com/_EWeLujB3T6k/SE136q_-BdI/AAAAAAAAAUM/ADOVF35j-DI/s1600-h/IMGP0727.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5209952193796244946" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_EWeLujB3T6k/SE136q_-BdI/AAAAAAAAAUM/ADOVF35j-DI/s400/IMGP0727.jpg" border="0" /></a><br /><br /><br /><br /><br /><br /><div align="justify">Assim mesmo, sem tirar nem pôr: letras brancas na tinta preta da protecção de ferro no alto da Calçada do Monte que confina com a rua Damasceno Monteiro. Dou uma mãozinha: ali para os lados do Bairro da Graça e caminho mais rápido para quem queira dar corda aos sapatos e num ápice encontrar-se na baixa lisboeta. E sem pagar mais por isso, deitar um olhar ao Castelo de seu santo(?!) nome Jorge -sem dragão à vista desarmada, e outro ao Tejo, rio a quem calhou na rifa um casamento daqueles como já não se fazem hoje -para o pior e para o melhor, na doença e na morte (cruzes canhoto!) com a atrevida e branca Lisboa. Por sinal, na altura em que aqui estive (no interior da imagem, entenda-se), era uma daquelas manhãs de Primavera que mais faziam lembrar o Inverno e uma capa de neblina tinha descido sobre a cidade, não permitindo grandes turismos visuais. Daí que, a declaração amorosa em primeiríssimo plano ganhe ainda mais protagonismo e remeta para outras núpcias a paisagem de fundo. Nela (declaração), há a clara intenção de fazer crer ao incauto passeante, que está perante os nicknames de dois <i>humanos </i>apaixonados, sendo o primeiro da fêmea e o seguinte do macho. Se partirmos do princípio que <i>gri gri</i> é a fala do grilo e que <i>ferrão </i>é o aguilhão da abelha, ficamos a saber quem é quem. E podemos então logicar que, longe vai o tempo em que os bichos <i>apenas</i> falavam. Hoje, protegem identidades e também escrevem. </div><br /><div align="justify"></div><div align="justify"><span style="font-size:78%;">Lisboa, 2008. Texto e foto de Alberto Oliveira.</span></div>legivelhttp://www.blogger.com/profile/15611872967117422697noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-14624395.post-6914749954865234642008-06-06T21:09:00.023+01:002008-06-06T23:32:48.407+01:00OS BICHOS DA BOLA OU A BOLA TEM BICHO?<a href="http://bp0.blogger.com/_EWeLujB3T6k/SEhIx-zbAMI/AAAAAAAAAUE/YHMyksde9Pc/s1600-h/IMGP0015.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5208492992563445954" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_EWeLujB3T6k/SEhIx-zbAMI/AAAAAAAAAUE/YHMyksde9Pc/s400/IMGP0015.jpg" border="0" /></a><br /><br /><br /><br /><div align="justify">Podem-se contar pelos dedos as vezes que me sirvo deste lugar para tribuna de sofridas e numerosas infelicidades ou de raras e tímidas alegrias. Mas hoje é uma daquelas ocasiões em que não posso -nem devo, calar o veemente protesto, o grito que detestaria ver afogado na garganta. Mas vamos ao caso. É certo que não sou cliente assíduo do café Águia d´Ouro, mas das vezes que lá tenho ido, coisa alguma se passou que merecesse a pena ser relatada, na relação entre o proprietário do estabelecimento e a minha pessoa. Ontem, depois de almoço, ao preparar-me para degustar o cafezinho da ordem, eis que Demétrio -o dono da loja, me barrou a passagem à entrada da dita cuja. "Lamento mas não pode entrar." O tom não admitia réplica e o físico do homem ocupava praticamente a acanhada porta do café. Surpreendido, quase gaguejei "Mas... nem ia a entrar de cigarro na boca -aliás nem fumo, estou decentemente vestido... o que se passa para tomar esta atitude?" Olhou-me da cabeça aos pés "O senhor ainda não reparou na cor e nas palavras da sua camiseta ou está a fazer-se de engraçadinho?" Só então caí em mim (diga-se, para ser exacto, sem prejuízos de maior para a minha integridade mental) porque de facto, a t-shirt era verde e tinha estampada a frase "só eu sei porque não fico em casa!". A ele não disse, mas para vocês que me leem e em quem confio, aqui vai: não fiquei em casa porque ontem a minha senhora não estava para amar e até me disse "Ó homem! desampara-me a loja! vai para a papelaria que tens lá um empregado que, por te saber tão mole, já deve ter saido antes de ter entrado." E eu fui. Para a minha Papelaria A Leoa de Prata. E o Demétrio que experimente lá ir comprar o Record ou o selo para o carro ou... Não entra lá mais. Garanto.</div><div align="justify"></div><div align="justify"><span style="font-size:85%;"><strong>Lembrei-me de escrever sobre este tema porque no defeso, ninguém fala do desporto-rei. E o futebol merece que dele se escreva, se debata, se escalpelize e não seja esquecido. Não deixemos o futebol ficar mudo e arrumado a um canto até à próxima época. E eu já tenho saudades dele...</strong></span></div><br /><div align="justify"><strong><span style="font-size:85%;"></span></strong></div><div align="justify"><span style="font-size:78%;">Lisboa, 2008. Texto e foto de Alberto Oliveira.</span></div>legivelhttp://www.blogger.com/profile/15611872967117422697noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-14624395.post-74350154385768830822008-06-01T11:00:00.003+01:002008-06-01T11:09:39.041+01:00ELES ESTÃO ENTRE NÓS<a href="http://bp3.blogger.com/_EWeLujB3T6k/SEBfOPXtqzI/AAAAAAAAAT0/CGE8SDpVBAg/s1600-h/IMGP0616.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5206265867489094450" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_EWeLujB3T6k/SEBfOPXtqzI/AAAAAAAAAT0/CGE8SDpVBAg/s400/IMGP0616.jpg" border="0" /></a><br /><br /><br /><br /><div align="justify">"Não sei se reparaste mas o olhar depreciativo que a loura me deitou era de humana para manequim." disse, sem mostrar os dentes nem mover um único músculo do rosto, Elisário Carvalho. "Ora! e o que somos nós senão isso mesmo? O gerente apenas nos pôs cá fora para atrair a clientela. Não foi pelos nossos bonitos olhos nem porque precisássemos de apanhar ar. E se queres saber a minha opinião, prefiro o interior da loja. Ainda há pedaço, aquele tipo de blusão laranja que está parado ali ao pé do banco, assim como quem não quer a coisa, passou-me a mão pelo peito, o grande tarado!" proferiu indignada Clarissa Castanheiro. "Quando nos moldaram na fábrica ficámos com o destino traçado: rolha na boca e é se queremos estar vestidos decentemente!" volveu Elisário, pressentindo que um cão alçava a pata na direcção das suas calças de cabedal preto. "Vestidos... e despidos. Ou já esqueceste que no sábado, antes de nos prepararem para a nova colecção nos deixaram nus durante largas horas e nem tiveram a preocupação de cobrir os vidros da montra?! Bonitas coisas devem imaginar de nós os transeuntes... " não se calou Clarissa, que, a existir um sindicato da classe, seria eleita seguramente, a representante dos manequins naquela loja. Coisa de que Elisário não se queixava era da ausência da memória. "Não me havia de lembrar! e devo dizer-te que o teu corpo não fica nada a dever em beleza, à maioria dessas humanas que me passam pela vista!" Se lhe fosse permitido, ela teria respondido com um olhar provocante, sinal exterior que lhe tinha agradado o piropo e, tal como tinha lido num conto -já não se recordava bem onde nem quando, usaria a mesma estratégia da heroína: aguardar que Elisário regressasse da rua, onde fôra para comprar preservativos, prometendo não demorar...</div><br /><div align="justify"><span style="font-size:78%;">Hamburgo, 2007. Texto e foto de Alberto Oliveira.</span></div>legivelhttp://www.blogger.com/profile/15611872967117422697noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-14624395.post-10781028098638212282008-05-27T01:06:00.007+01:002008-05-27T11:16:20.052+01:00A DIVA NO DIVÃ<a href="http://bp1.blogger.com/_EWeLujB3T6k/SDsNi_XtqyI/AAAAAAAAATs/NoHClh_7jDA/s1600-h/HPIM1388.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5204768689134349090" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_EWeLujB3T6k/SDsNi_XtqyI/AAAAAAAAATs/NoHClh_7jDA/s400/HPIM1388.jpg" border="0" /></a><br /><br /><br /><br /><br /><div align="justify">Foi como que uma dádiva celestial: lentamente e com trejeitos de volúpia, a diva deitou-se no divã do amplo camarim, vestida tal como se apresentara ao público minutos antes no palco do Scala, catedral mundial do belo canto. Se então da sua garganta brotaram aplaudidos sons agudos, agora dos seus lábios cerrados nem um <i>ré</i> ou um <i>mi</i> se deixavam escutar. Os belos olhos da soprano, esses sim, fitavam bem abertos e interrogadores Urbino José, caçador de autógrafos de profissão e adepto confesso da música em geral nas horas de ócio. "Minha linda! Raras vezes me acontece uma situação destas e ainda não estou em mim! Lembrar-me eu que o mês passado em Londres, me vi grego para encontrar uma Winehouse lúcida e receptiva e agora tenho-te aqui, bela e -quase me apetece dizer, indefesa... " Francesca Lombardini além de usar divinalmente a voz, era uma mulher prática "Mas afinal em que ficamos? Dispo-me eu, ou rasgas-me tu o vestido?" Urbino não estava preparado para tanto: de ser uma mulher a tomar tal iniciativa. Enervou-se, transpirou, torceu os dedos, enviezou o olhar, mas uma imagem inspiradora salvou-o no último momento: a do sujeito que foi comprar tabaco e não regressou ao ponto de partida. (Desenganem-se os leitores que me imaginam a deitar mão de argumento literário tão próximo do cordel... ) Teatralizou a procura de algo que escrevesse, nos bolsos do casaco, que convenientemente não encontrou e descansou a operática cantora "Não precisamos de correr a foguetes, amor. Nunca ouviste dizer que devagar se vai ao longe? Vou ali abaixo num instante comprar uma esferográfica e já volto."</div><div align="justify"></div><div align="justify"></div><div align="justify"><span style="font-size:78%;">Milão, 2006. Texto e foto de Alberto Oliveira.</span></div>legivelhttp://www.blogger.com/profile/15611872967117422697noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-14624395.post-86901230674946516312008-05-22T23:55:00.009+01:002008-05-23T14:08:57.770+01:00DO PODEROSO AMOR PELO PODER<a href="http://bp0.blogger.com/_EWeLujB3T6k/SDPYWhTNKRI/AAAAAAAAATc/JTu6wGT0qUI/s1600-h/IMGP0612.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5202739875950700818" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_EWeLujB3T6k/SDPYWhTNKRI/AAAAAAAAATc/JTu6wGT0qUI/s400/IMGP0612.jpg" border="0" /></a><br /><br /><br /><br /><br /><br /><div align="justify">Primeiro comprou a t-shirt porque não era pessoa para esconder as suas inclinações amorosas. Anunciava assim, frontalmente, a quem o quisesse ler no verso, que também ele deixava de estar disponível para outros amores menos interessantes (ou mais rasteiros, como costumava ironizar sobre aqueles que se amam deitados, forma inferior de possuir o amor) e que pertencia a esse clube a que poucos tinham acesso: do incomensurável amor pelo poder do amor. Assim mesmo: a maioria dos membros, através do poder do amor alcançavam o poder-poder. Logo a seguir, desta regra que no início lhe pareceu assaz complexa, fez dela a sua bandeira e, enquanto o diabo esfrega um olho e duma assentada, apaixonou-se por uma presidência de câmara municipal, por um ministério e pela administração de uma empresa estatal. Preveniram-no que amores tão em simultâneo, ainda não estavam previstos pela moral vigente, mas um dia -quem sabe?, lá se chegaria... Por enquanto, o mais avisado seria amar um poder de cada vez e dele tirar o máximo prazer e proveito. Cícero, prometeu ponderar o conselho e nessa noite, fez amor com a presidência da câmara três vezes. De pé. Ontem, fui encontrá-lo sentado, no fora-de-borda, mirando as plácidas águas do rio às quais se costuma confessar com regularidade. "Então como é que vamos de amores?" perguntei-lhe. "Uma confusão de sentimentos do diabo! Ainda os lençóis da presidência da câmara não deviam estar frios, já andava eu atrás das saias da pasta da justiça. E a verdade é que também não me sai da cabeça, o peito farto da administração da empresa estatal. Mas isto há-de compor-se que o poder do amor... "</div><br /><div align="justify"><span style="font-size:78%;">Hamburgo, 2007. Texto e foto de Alberto Oliveira.</span></div>legivelhttp://www.blogger.com/profile/15611872967117422697noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-14624395.post-17727147875463295042008-05-17T00:00:00.032+01:002008-05-19T07:50:34.958+01:00E SE A DÚVIDA NÃO NOS ASSALTA?<a href="http://bp1.blogger.com/_EWeLujB3T6k/SC3vvRTNKQI/AAAAAAAAATU/qAnacQCVrRg/s1600-h/IMGP0481.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5201076740059638018" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_EWeLujB3T6k/SC3vvRTNKQI/AAAAAAAAATU/qAnacQCVrRg/s400/IMGP0481.jpg" border="0" /></a><br /><br /><br /><br /><div align="justify">Logo após a primeira refeição do dia meteram pés a caminho explorando rua após rua, avenida após avenida, a cidade desconhecida. Andarilhos experimentados, sentiam-se tão à vontade numa urbe nunca antes visitada, como se ela fosse aquela de onde -por força das circunstâncias (ou do destino?), faziam a sua vida rotineira e ponto de partida para a descoberta de outras urbes, onde por força de conjunturas (ou dos acasos da vida?), se cruzariam com gentes praticando idênticos (ou quase) actos de rotina e desejosas também elas de partir à descoberta de</div><div align="justify"><b>é curioso verificar que, ao viajar, acabamos inevitavelmente por voltar ao ponto de referência inicial, sem ter forçosamente de regressar ao sítio de partida. Bom... tenho de confessar que este foi o argumento que tinha mais à mão para ganhar algum tempo e tentar perceber porque motivo parti para um texto que anda a viajar à volta de si próprio. </b></div><div align="justify">outras cidades. Para alcançar o centro pelo trajecto menos longo, teriam de percorrer uma rua secundária, sem movimento e de edifícios sombrios. Dois quarteirões vencidos e avistaram (saido não sabem de onde) mais à frente e numa zona descampada, um indivíduo de aspecto corpulento, parecendo esperá-los. Arquimínio respirou fundo e trocou um olhar de entendimento com Heliodora "Passamos para o outro lado da rua ou continuamos neste? é que não tenho dúvida que estamos metidos num grande sarilho", sussurrou sem deixar de olhar em frente. Ela estremeceu "Se não me tivesses dito nada, persistia na dúvida. Agora, tenho o coração mais apertado que aqueles sapatos que comprei para a passagem do ano que me me disfarçavam o tamanho dos pés". Decidiram prosseguir pelo mesmo caminho. Quando chegaram ao pé do homem este barrou-lhes a passagem "Não temam. Apenas vos quero pedir que, quando regressarem ao vosso país, façam sentir a quem tirou esta fotografia que bem podia ter prevenido que o ia fazer. Teria desfeito a barba, vestido outra roupa mais apresentável e na dúvida... assaltava-vos os pensamentos." </div><br /><div align="justify"><span style="font-size:78%;">Berlim, 2007. Texto e foto de Alberto Oliveira.</span></div><div align="justify"></div>legivelhttp://www.blogger.com/profile/15611872967117422697noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-14624395.post-64391519045254719722008-05-12T00:46:00.012+01:002008-05-14T09:01:01.129+01:00O DOLOROSO DESTINO DE SER DECORATIVO<a href="http://bp0.blogger.com/_EWeLujB3T6k/SCeF2hTNKPI/AAAAAAAAATM/VOqUTKDthnQ/s1600-h/IMGP0502.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5199271466520881394" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_EWeLujB3T6k/SCeF2hTNKPI/AAAAAAAAATM/VOqUTKDthnQ/s400/IMGP0502.jpg" border="0" /></a><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><div align="justify">"E se nos deixássemos de rodeios e déssemos um valente mergulho no Spree ?" perguntou o cavalo que tinha o secreto sonho de um dia poder vir a ser marinho, ao cavalo que tinha a certeza de ser tímido -e por isso mesmo, apenas permitia que lhe fotografassem a extremidade do focinho. "Não estás bom da cabeça! Como se sentiriam as pessoas que já se habituaram a apreciar-nos ornamentando esta protecção sobre o rio? Defraudadas, claro. E na nossa ausência, que hipótese teríamos hoje de ilustrar um texto na blogosfera? Nenhuma, é evidente." O equídeo que perseguia o sonho de vir a ser cavalo-marinho, não queria acreditar no que ouvia do seu tímido parceiro "Desiludes-me. Além de te ser difícil assumires a condição de cavalo por inteiro, conformas-te com a condição de mero objecto decorativo. É por cavalos como tu -de limitados horizontes e garupa encolhida, que nos trazem sempre à rédea curta. Pois fica, que eu escolho atirar-me ao rio." E se bem o relinchou, melhor o fez: rasgou os ares num salto perfeito ao encontro da utopia. Uma criança que passeava pela mão da mãe, gritou na inocência dos seus quatro anos "Mamã! mamã! vi um cavalo a voar!!" A mulher olhou-a enternecida "Eu sei que tu és uma menina com muita imaginação, mas não deves ser teimosa: já te disse mais que uma vez, que neste rio só há cavalos-submersíveis".</div><div align="justify"></div><div align="justify"><span style="font-size:78%;">Berlim, 2007. Texto e foto de Alberto Oliveira.</span></div>legivelhttp://www.blogger.com/profile/15611872967117422697noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-14624395.post-68479727789367186682008-05-08T10:52:00.000+01:002008-05-08T10:58:18.513+01:00DAS VERTIGENS<a href="http://bp3.blogger.com/_EWeLujB3T6k/SCBqFPQxWSI/AAAAAAAAATE/0raIPaix0Bg/s1600-h/IMGP0580.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5197270608214317346" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_EWeLujB3T6k/SCBqFPQxWSI/AAAAAAAAATE/0raIPaix0Bg/s400/IMGP0580.jpg" border="0" /></a><br /><br /><br /><br /><br /><br /><div align="justify"></div><div align="justify"></div><div align="justify"></div><div align="justify">Arrependeu-se assim que o balão se afastou do solo meia dúzia de metros e, logo depois, as casas parecerem construções de legos e as pessoas formigas. Quando uma águia enorme lhe passou em voo rasante rente ao nariz, tremeram-lhe as pernas e deu graças pelo bicharoco não ter sonhado que esteve a centímetros de um lagarto convicto, testando os níveis de coragem de voar sem asas. No interior de uma grande nuvem branca, imaginou-se pálido e defunto, preparando-se para o interrogatório de prestação de contas ao Divino, ele que carregava na consciência, um considerável peso de dívidas e de outros pecados de difícil avaliação. Um companheiro de viagem perguntou-lhe se estava tudo bem com ele. Saindo enquanto o diabo esfrega um olho, da prova celeste, respondeu que "Sim, estou muito bem. Em terra firme." Não fez caso de quem o preveniu que devia ter vindo bem agasalhado, que nas alturas a temperatura não era pera doce e agora batia os dentes de frio, agarrado com unhas e dentes ao rebordo do cesto de vime da máquina voadora de ar quente. Quando o piloto fez sinal que iam descer e o balão estremeceu, nem quis olhar para baixo: sofria de vertigens com vertiginosa frequência. Abriu os olhos devagar, depois do embate um tudo nada violento com o chão. Estava sentado num banco de jardim e segurava nas mãos um livro de banda desenhada. Como quem não quer a coisa, aproximei-me e li por cima do seu ombro, o título da capa "Arsénio: de vertigem em vertigem". E apreciei o desenho de uma figura masculina -que dava ares do homem sentado no banco do jardim , agarrada com unhas e dentes ao rebordo do cesto de vime do balão de ar quente e, um outro balão (este sem cesto de vime) onde se encontravam dentro as palavras de Arsénio "Sim, estou muito bem. Em terra firme."</div><div align="justify"></div><div align="justify"><span style="font-size:78%;">Berlim, 2007. Texto e foto de Alberto Oliveira.</span></div>legivelhttp://www.blogger.com/profile/15611872967117422697noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-14624395.post-24133404578717713642008-05-03T11:13:00.001+01:002008-05-03T17:36:28.261+01:00AS ÁGUAS DE TODOS OS RIOS<a href="http://bp2.blogger.com/_EWeLujB3T6k/SBrp2fQxWRI/AAAAAAAAAS8/Y3pew8YiuXQ/s1600-h/IMGP0361.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5195722242439338258" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_EWeLujB3T6k/SBrp2fQxWRI/AAAAAAAAAS8/Y3pew8YiuXQ/s400/IMGP0361.jpg" border="0" /></a><br /><br /><br /><br /><br /><div align="justify">O Tejo tem-no acompanhado desde que abriu os olhos para o mundo. Talvez por isso, dificilmente conceberia viver nalguma cidade, vila ou aldeia que não fosse banhada por um rio. Depois, há também a questão estética não menos importante: haverá cenário paisagístico mais agradável para os olhos que as águas de um rio a bordejarem casas, estradas, montes ou vales? Não há, rebate ele, sem esperar por opiniões divergentes daqueles que por força de circunstâncias diversas têm com a água uma relação mais ou menos distante. Remígio, é daqueles que não se ensaia mesmo nada para passar uma tarde de um dia de lazer, a andar de cá para lá no barco que une as duas margens da Grande Lisboa, mirando e remirando sonhador as águas que lhe passam à frente do nariz vindas da lezíria e com encontro marcado com as do Atlântico, logo ali à saida da barra. Ele sabe que é alvo apetecível para o riso dos marinheiros do cacilheiro e que entre eles, é conhecido pelo Infante Don Henrique do Cais da Rocha, onde alguns já o viram olhando na direcção do Bugio. Mas finge que não percebe. Ontem, de regresso à capital e com a embarcação a fazer a manobra de acostagem ao cais do Cais de Sodré, dei por ele ao meu lado e não me contive <i>"Desculpe a ousadia, mas você não se estafa de olhar o rio com tanta insistência?"</i>. Não consegui ler no seu rosto qualquer enfado quando me respondeu <i>"E você não se cansa de escrever sobre pessoas procurando adivinhar o que lhes vai na cabeça?"</i>.</div><div align="justify"></div><div align="justify"><span style="font-size:78%;">Rio Vltava, Praga, 2007. Texto e foto de Alberto Oliveira.</span></div><div align="justify"></div>legivelhttp://www.blogger.com/profile/15611872967117422697noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-14624395.post-60914895079999856602008-04-28T10:07:00.022+01:002008-04-28T12:23:48.534+01:00MANHÃS<div align="justify"><a href="http://bp1.blogger.com/_EWeLujB3T6k/SBWUgfQxWQI/AAAAAAAAAS0/XrErDs_exxg/s1600-h/IMGP1123.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5194221031110301954" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_EWeLujB3T6k/SBWUgfQxWQI/AAAAAAAAAS0/XrErDs_exxg/s400/IMGP1123.jpg" border="0" /></a> Ganimedes levantou-se de um salto. Não era daqueles que acordados por um despertador -estratégicamente adiantado cinco minutos à hora real, ainda ficavam, pelo menos outros tantos, protegidos pelos familiares lençóis, procurando recordar pormenores de sonhos (e pesadelos, que estes são em maior quantidade nos conturbados tempos que se vivem) ou indo buscar coragem onde ela não existe, para enfrentar as duras realidades de um quotidiano que teima em repetir-se sem o sal nem a pimenta de vivências apenas possíveis a quem nasceu com o rabo virado para a lua. Não. Ele era pão-pão, queijo-queijo: chegava a hora de dormir, deitava-se. Na de acordar, levantava-se. Sem mais delongas. Cacilda, sua esforçada companheira, costumava observar: "Tu tens no leito, apenas uma posição: deitado. No chão, o jeito de estares sempre levantado." Conformada, dedicara-se nos últimos tempos à rima, uma vez que o marido na posição horizontal, entregava-se ao sono de alma e coração. Mas o despertar desta manhã, estava a ser no mínimo, invulgar: os acordes da rotineira marcha musical, não provinham do relógio-despertador no quarto do simpático casal. Na rua, passavam dois homens tocando tambor e pífaro. Da janela, Ganimedes observando-os, espantou-se "Cacilda! Com este barulho, até o Florival das Finanças, que está em coma há dois meses, vai acordar e chegar a horas ao emprego!" </div><br /><div align="justify"></div><br /><div align="justify"><span style="font-size:78%;">Valência, 2007. Texto e foto de Alberto Oliveira.</span></div>legivelhttp://www.blogger.com/profile/15611872967117422697noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-14624395.post-8438391663974356832008-04-19T23:28:00.005+01:002008-04-23T10:38:20.106+01:00O HOMEM, O TEMPO E O MODO<a href="http://bp2.blogger.com/_EWeLujB3T6k/SAsM6xlq0WI/AAAAAAAAASs/9EkurP8vGZ0/s1600-h/IMGP0406.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5191257199357907298" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_EWeLujB3T6k/SAsM6xlq0WI/AAAAAAAAASs/9EkurP8vGZ0/s400/IMGP0406.jpg" border="0" /></a><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><div align="justify">Aproveitando uma aberta da chuva que faz jus ao provérbio que popularmente define o mês de todas as esperanças em melhores tempos, o homem escolheu um banco do jardim deserto e nele acomodou a saliência abdominal (e todas as restantes saliências físicas) sobre o assento onde por norma se sentam traseiros dos mais variados formatos e procedências. Notarão os leitores -assim a visão e a memória vos seja propícia, que é a segunda vez em curto espaço de tempo, que por aqui -e pelos desígnios da escrita, se descrevem dois homens em idêntica posição corporal . Que isso não concorra para efabulações diversas e fantasiosas sobre as apetências descritivas do autor, das suas personagens ou do seu género, pois é de mera coincidência que se trata. Mas voltemos ao nosso homem, pessoa que dá igual uso a um banco público como antes dava a uma cama, frequentador assíduo de jardins imaginários, de corpo marcado por muitos temporais e de ouvidos cheios de esperanças não concretizadas. <i>Deitou-se</i> hoje aqui, espaço virtual de realidades ficcionadas e pediu-me para lhe tirar uma foto. Que "... era para a posteridade. Para que os vindouros, vissem como era o rosto de um homem desocupado pela força das circunstâncias?! e que nada tinha para dar porque tudo lhe tinham tirado." Fiz-lhe a vontade no que se refere à fotografia mas não lhe apanhei a cara. É que há sempre uma secreta esperança, não é?</div><div align="justify"></div><div align="justify"><span style="font-size:78%;">Praga, 2007. Texto e foto de Alberto Oliveira.</span></div>legivelhttp://www.blogger.com/profile/15611872967117422697noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-14624395.post-51116388233048633602008-04-14T23:14:00.007+01:002008-04-16T20:21:37.792+01:00(DES)ACORDO COM SOTAQUE<a href="http://bp0.blogger.com/_EWeLujB3T6k/SAPlusYB6AI/AAAAAAAAASk/1i-0B3PkwPg/s1600-h/IMGP0135.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5189243786009634818" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_EWeLujB3T6k/SAPlusYB6AI/AAAAAAAAASk/1i-0B3PkwPg/s400/IMGP0135.jpg" border="0" /></a><br /><br /><br /><br /><br /><div align="justify">Com a rotunda barriga aterrissada sobre a toalha azul que não o impedia de sentir a frialdade da areia, as mãos a apoiar o queixo e o olhar divorciado do sobe-e-desce das oceânicas ondas, perguntava-se agora porque razão tinha enfiado a família na carrinha wolkswagen e rumado à Fonte da Telha. Nem a meteorologia previa um domingo de sol à bessa, nem os valores da temperatura máxima se situavam -pelo menos, ao nível dos derradeiros dias de uma Primavera à séria, que de primaveril só tinha tido o nome. Pior ainda, a decisão de zarpar fôra tão rápida, que Amândia -sua dedicada companheira, nem tempo tivera de comprar rissóis e cervejas para os adultos e picolés para a gurizada. (Valeu a solidariedade do autor do texto, e a passagem pelo local, oferecendo duas loirinhas do seu harém privado -que se distiguem na imagem, para os mais encalorados.) Lentamente, deixou-se vencer pelo sono. E sonhou que jogava futebol (o seu esporte favorito), a areia da praia era agora um gramado cor da esperança e driblava toda a família -qual Ronaldinho Gaúcho, para logo a seguir rematar ao gol. Era um celebrado e bem pago artilheiro... Saiu na hora, antes mesmo do apito final, para receber a ovação da torcida. Na cabina, depois de uma revigorante ducha, vestiu seu terno azul de campeão. Foi neste momento do sonho que, com ternura, Amândia o acordou "Vamos andando Indalécio, que não tarda nada, cai uma carga d´água que até os cães a bebem de pé." Ele piscou os olhos, olhou o céu cinzento, sorriu e disse "Que bobagem! Sonhei que era consultor da Vodatronix e embora não ganhasse ainda uma nota preta e tivesse muita dificuldade em apanhar o bonde para Sete-Rios, peguei um trabalho certo... " Ela sorriu condescendente "Mentes tão mal, mas de fato fica-te a matar esse sotaque."</div><div align="justify"></div><div align="justify"><span style="font-size:78%;">Quarteira, 2007. Texto e foto de Alberto Oliveira.</span></div>legivelhttp://www.blogger.com/profile/15611872967117422697noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-14624395.post-43986534519257359832008-04-09T23:26:00.006+01:002008-04-23T10:42:18.883+01:00DO SOPRO<a href="http://bp2.blogger.com/_EWeLujB3T6k/R_vxWtNzbFI/AAAAAAAAASc/yxgTdh4VW3s/s1600-h/IMGP1121.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187004768244165714" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_EWeLujB3T6k/R_vxWtNzbFI/AAAAAAAAASc/yxgTdh4VW3s/s400/IMGP1121.jpg" border="0" /></a><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><div align="justify">Era um pessimista e tinha razões de sobra para o ser, pois segundo ele, tudo lhe corria mal. Nem a expressão "nada me corre bem", tinha lugar no seu vocabulário... A firme convicção que nascera para atrair a má sorte estava de tal modo enraizada no subconsciente de Libânio, que quem o quisesse ver, era certo e sabido que o encontrava a soprar de raiva, maldizendo azares e desventuras que lhe batiam à porta constantemente. Tanto soprava, que Onofre -amigo chegado, lhe sugeriu que devia experimentar nas horas de ócio, dedicar-se a uma actividade lúdica como era o caso da música instrumental... de sopro. Protestou que "burro velho não aprende línguas e a arte de combinar os sons", mas a novidade de se ver com um trombone de vara nas mãos (instrumento que muito apreciava pelo movimento de vai-e-vem), falou mais alto e aceitou a ideia. Onofre, ao cabo de largos meses sem ter notícias do amigo, soube por via do insuspeitado e muito lido semanário "O Dia Sangrento", da tragédia: Libânio não se tinha entendido com o trombone de vara e trocou-o por uma trompa de caça. Um tiro perdido, na perseguição a um javali difícil, ditou-lhe o último sopro de uma vida pontuada pelo pessimismo.</div><div align="justify"></div><div align="justify"><span style="font-size:78%;">Valência 2008. Texto e foto de Alberto Oliveira.</span></div>legivelhttp://www.blogger.com/profile/15611872967117422697noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-14624395.post-56243165913867291512008-04-03T23:45:00.011+01:002008-04-04T15:12:19.426+01:00O QUE NÃO MATA ENGORDA<a href="http://bp1.blogger.com/_EWeLujB3T6k/R_QP5NNzbCI/AAAAAAAAASE/RpkiTg_UufA/s1600-h/IMGP1079.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5184786546484800546" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_EWeLujB3T6k/R_QP5NNzbCI/AAAAAAAAASE/RpkiTg_UufA/s400/IMGP1079.jpg" border="0" /></a><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><div align="justify"><i>"Não se preocupe em tirar a mosca do sumo que eu sou de boa boca."</i> exclamou Desidério para o empregado ao balcão, acompanhando a frase com uma risada e um gesto largo de braço como que significando "quantas moscas já não comi sem dar por isso... ". Quem não lê pela mesma cartilha é a mulher do seu amigo Epifânio (de camisola verde pelas costas) que serrazina os ouvidos ao marido <i>"Parece impossível! Juro que vi o tipo ali à esquerda, meter os dedos pelas ventas acima e agora, na maior das calmas, prepara o pão para a tua sanduíche de presunto. Não me digas que não vais protestar?!</i> Ele nem a cara lhe volta quando responde, pois a sua curiosidade está toda centrada nas unhas negras (deve estar de luto coitado! imagina pesaroso) do empregado dos sumos de laranja <i>"Ó mulher! Tu nunca ouviste dizer que olhos que não vêem, coração que não sente?"</i></div><div align="justify"><em>...................................................................................................</em></div><div align="justify"><em></em></div><div align="justify"><strong><span style="font-size:85%;">Ao "abrirem" a imagem, os leitores hão-de reparar que Desidério levanta o braço pela segunda vez, segurando agora entre os dedos, duas moedas de dois euros para pagar o sumo de laranja que entretanto bebera. O autor dos textos aqui editados, não se responsabiliza pela inaudita pressa com que algumas personagens dos seus relatos, procuram sair deste sítio.</span></strong></div><br /><div align="justify"></div><div align="justify"><span style="font-size:78%;">Valência, 2008. Texto e foto de Alberto Oliveira.</span></div>legivelhttp://www.blogger.com/profile/15611872967117422697noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-14624395.post-3307490911354379502008-03-30T11:23:00.020+01:002008-03-30T17:13:36.308+01:00SEM REDE<a href="http://bp2.blogger.com/_EWeLujB3T6k/R-9qYtNzbBI/AAAAAAAAAR8/8-adeqoD_5Y/s1600-h/IMGP1031.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5183478668813626386" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_EWeLujB3T6k/R-9qYtNzbBI/AAAAAAAAAR8/8-adeqoD_5Y/s400/IMGP1031.jpg" border="0" /></a><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><div align="justify"></div><div align="justify">O universo circense desde sempre fascinou Demétrio que um dia sonhou ver o seu nome aparecer naqueles cartazes multicolores que pretendem sugerir a movimentação de corajosos trapezistas voando sem mãos, esbeltas amazonas com pernas montando cavalos em pelo, simpáticas focas carecas em roupa interior, ferozes tigres do exterior em papel de Bengala, palhaços pobres em cadeiras de rodas de esferas, ricos palhaços conduzindo Ferraris vermelhos, equilibristas no arame de quotidianos cinzentos, enfim, um cortejo de emoções fortes e encantamento, que apela aos habitantes dos sítios onde a caravana do circo estaciona, a assistir ao maior espectáculo do Mundo. O nosso homem bem tentou integrar esse mundo, mas as respostas eram invariavelmente idênticas <i>"Esse número está muito visto. Passe por cá com alguma coisa mais original."</i> Estava quase, quase, a mandar às malvas o sonho, quando por puro acaso, num blog de nome "Papel de Fantasia", leu um comentário -em castelhano pouco credível, a expressão "Caracoles!"Estava ali a chave do seu futuro sucesso. No quintal da sua vizinha Mercedes (com quem mantinha cordiais relações) apanhou dois desses moluscos gastrópodes de tenra idade e durante seis meses não se poupou a despesas e sacrifícios, alimentando-os à grande e à francesa e adestrando-os como se fossem para a guerra. Depois, bateu à porta do Circo Alfonso y Martinez e apresentou-se <i>"O meu nome é Demétrio Shewarzenegger e estes são os meus Caracolões de Combate. Que tal?"</i> A resposta foi pronta do homem que o atendeu <i>"Vá ao Grande Circo Casa Branca e pergunte pelo empresário Bush. É capaz de ter sorte."</i></div><br /><div align="justify"></div><div align="justify"><span style="font-size:78%;">Valência, 2008. Texto e foto de Alberto Oliveira.</span></div><br /><div align="justify"><span style="font-size:78%;"></span></div>legivelhttp://www.blogger.com/profile/15611872967117422697noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-14624395.post-32461846133579808602008-03-25T15:13:00.005Z2008-03-26T08:59:09.610ZPERNAS PARA QUE VOS QUERO<a href="http://bp2.blogger.com/_EWeLujB3T6k/R-kXFNNza-I/AAAAAAAAARc/nTcKk69ukQ4/s1600-h/IMGP1085.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5181698224480807906" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_EWeLujB3T6k/R-kXFNNza-I/AAAAAAAAARc/nTcKk69ukQ4/s400/IMGP1085.jpg" border="0" /></a><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><div align="justify">É comumente sabido que, ao ir para a festa, não há dor que os apoquente ou obstáculo que os impeça. Aos espanhóis. Vão eufóricos, algazarriantes e com o fogo no rabo (que em texto que se pretenda sério, não tem cabimento um vulgar <b>cu</b> chamuscado... ). Daí, a surpresa ao deparar com os rostos fechados deste sexteto, a caminho do cortejo das <i>Fallas valencianas</i>. Uma <b>falha</b> no guião dos festejos, o exemplo da excepção à regra ou... portugueses integrados nas festas? Notória, sem dúvida alguma, a distração do líder do grupo, que ainda não se apercebeu que alguém já lhe tirou das mãos, o jornal que vinha lendo sabe-se lá desde quando e o olhar interrogador da criança no carrinho como que a pretender saber porque o pagode bate palmas à sua passagem mas ninguém lhe pede um autógrafo.</div><div align="justify"></div><div align="justify"><span style="font-size:78%;">Valência, 2008. Texto e foto de Alberto Oliveira.</span></div>legivelhttp://www.blogger.com/profile/15611872967117422697noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-14624395.post-71618960530300215942008-03-11T11:12:00.007Z2008-03-15T08:32:28.295ZA VISITA DA VELHA SENHORA<a href="http://bp2.blogger.com/_EWeLujB3T6k/R9MrwYq0NFI/AAAAAAAAARU/2zH7N2xIXuQ/s1600-h/IMGP0315.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175528507034580050" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_EWeLujB3T6k/R9MrwYq0NFI/AAAAAAAAARU/2zH7N2xIXuQ/s400/IMGP0315.jpg" border="0" /></a><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><div align="justify"><i>"... mas querido... não vês que ela continua em passo de corrida e a ameaçar-me com a foice?!"</i> As palavras eram entrecortadas de tal modo pelo bater dos dentes de Hortense, que Alcino achou por bem espicaçar-lhe o intelecto, filosofando <i>"Era bom que a megera se fosse, era, mas quanto mais olhas para trás, mais te quer parecer que ela se aproxima!"</i>... e tentava arrastá-la dali e de tal visão horrenda. <i>"Mas que queres? não está mais na minha mão afastar os olhos daquela face ossuda e medonha que parece estar morta de riso com o meu ar de morta de medo."</i> volvia Hortense cujas pernas não obedeciam à ordem de seguir para diante e, retrocedendo, já quase se confundiam com as tíbias da perseguidora. <i>"Vá, anda lá para casa, que tens de vestir qualquer coisa. Quem sabe se não é por andares assim pela rua -nua como vieste ao mundo?! que a ceifeira te persegue? e depois, sabe-se lá, se ela não tem alguma coisa a ver com o ministério da agricultura e procura talentos naturais para o trabalho no campo?"</i> E enquanto assim ia falando com a companheira, envolvia-a com os braços impelindo-a para a frente, na ânsia de aumentar a distância entre ela e a esquelética criatura. Por esta altura do texto, os leitores já estão a futurar que esta história não vai ter um final feliz. Pois se Alcino puxa Hortense para a frente mas Hortense apenas progride para trás... Têm razão, leitores: Hortense falece (imóvel) precisamente neste linha do texto, Alcino -mais adiante, morre alucinado com a tragédia e a Morte... bom, a Morte já está morta, não é?</div><div align="justify"></div><div align="justify"><span style="font-size:78%;">Nuremberg, 2007. Texto e foto de Alberto Oliveira.</span></div><div align="justify"><strong><span style="font-size:78%;">......................................................................................................................................</span></strong></div><div align="justify"><strong><span style="font-size:78%;"></span></strong></div><div align="justify"><strong><span style="font-size:78%;">O autor dos textos e fotos deste espaço vai fazer uma pausa para refrescar ideias. Regressará, assim que a temperatura ambiente o permitir.</span></strong></div><div align="justify"></div><div align="justify"></div>legivelhttp://www.blogger.com/profile/15611872967117422697noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-14624395.post-18892612460617059972008-03-06T11:36:00.001Z2008-03-06T17:06:50.718ZO SEXO, A CIDADE E O GATO<a href="http://bp0.blogger.com/_EWeLujB3T6k/R800rVawZLI/AAAAAAAAARM/m2GW11JHHI4/s1600-h/IMGP0901.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5173849466006955186" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_EWeLujB3T6k/R800rVawZLI/AAAAAAAAARM/m2GW11JHHI4/s400/IMGP0901.jpg" border="0" /></a><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><div align="justify"></div><br /><br /><br /><br /><br /><br /><div align="justify"></div><br /><br /><br /><br /><br /><br /><div align="justify"></div><div align="justify">Escreve-me um leitor (identificado) observando que não se recorda -ao longo do tempo que por aqui vou editando prosa de inequívoca qualidade (palavras dele e que me limito a transcrever) de ler um texto de temática sexual. E interroga-me se haverá algum motivo para tal. O amigo (compreensivelmente não revelo o seu género) tem razão. Nunca escrevi, nem está nos meus horizontes mais próximos, escrever sobre sexo. Revelar-lhe as razões porque não o faço é que fia mais fino: este sítio não é, nem nunca será, um confessionário pessoal, mas sempre vou adiantando que tenho o máximo respeito por todos os que me visitam: das crianças de tenra idade aos idosos mais duros de roer. Na ausência das palavras, deixo a imagem (para os estudiosos de tão excitante e libidinosa matéria) de um recanto licencioso de uma anónima cidade pecadora e com um gato ao fundo abandonando o local, transtornado com tanta luxúria e de rabo entre as pernas.</div><br /><div align="justify"><span style="font-size:78%;"></span> </div><div align="justify"><span style="font-size:78%;">Granada, 2007. Texto e foto de Alberto Oliveira.</span></div>legivelhttp://www.blogger.com/profile/15611872967117422697noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-14624395.post-71111541314380220982008-03-02T10:00:00.004Z2008-03-02T11:39:57.828ZTURISMO ACIDENTAL<div align="justify"><a href="http://bp2.blogger.com/_EWeLujB3T6k/R8cnUJeto4I/AAAAAAAAARE/FOBTNIZSQCQ/s1600-h/IMGP0350.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5172145924153910146" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_EWeLujB3T6k/R8cnUJeto4I/AAAAAAAAARE/FOBTNIZSQCQ/s400/IMGP0350.jpg" border="0" /></a>" ... mas porque diabo se nos meteu na cabeça visitar este estranho país quando estávamos tão descansados lá no nosso rico Minnesota? temos resposta para isto minha querida Cindy?" assim se questionava Frank e à sua companheira de vida e de turísticas viagens. "Ora! Como se tu não soubesses... que sempre estivemos convencidos que esta terra era uma província espanhola e porque de Madrid a Lisboa era um pulinho... " replicou ela à falta de melhor argumento. "E o que achas do homem da camisola azul e mãos nos bolsos, quando lhe perguntei se falava inglês e ele sem dar parte de fraco respondeu-me no idioma local. E falava, falava e não se calava... e eu a zero! " tornou Frank ainda surpreso. Cindy, que era uma turista que acumulava a sede de conhecimento com a observação minuciosa e por isso nada lhe escapava, sorriu condescendente "Provavelmente o coitado nem sabe da existência do Estado onde vivemos, enquanto ele aqui, deve viver num permanente estado de desconforto social - foi o que depreendi, pelo modo desiludido como olhava a montra (que está à direita da imagem mas para além dela... ) da loja de roupa para homem, de custo demasiado elevado para as suas posses. Daí, levar as mãos aos bolsos, como que representando os parcos meios com que se amanha. E não se importou que não o entendesses: quis foi atirar cá para fora a raiva que lhe vai na alma e aproveita todas as ocasiões. Mas olha que nessa altura, aquela da saia estampada comprida e mala a condizer, até voltou a cara para o lado e a outra de calças escuras, disfarçou, fingindo que estava a falar ao telemóvel. Ambas, demonstraram que não queriam ser incomodadas por sobrinhos do tio Sam com problemas de orientação. Não deste por isso, aposto, mas o sujeito que nos escreve os diálogos, fez o favor de imobilizar essas personagens para que possas confirmar o que te digo. Ora volta lá a cabeça... ". Embora tivesse a máxima confiança em Cindy, Frank nunca a contrariava. Por isso voltou a cabeça no preciso momento em que o ronco de um avião se fez ouvir. Olhou para cima e conseguiu ler parte do dístico numa das asas: "... for Guantanamo". Sorriu satisfeito: o turismo norte-americano estava de saúde e recomendava-se...</div><br /><br /><div align="justify"><span style="font-size:78%;">Praga, 2007. Texto e foto de Alberto Oliveira.</span></div>legivelhttp://www.blogger.com/profile/15611872967117422697noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-14624395.post-69320056508816803322008-02-26T10:07:00.003Z2008-02-26T10:57:22.951ZDE GUARDA AO PAPEL<div align="justify"><a href="http://bp3.blogger.com/_EWeLujB3T6k/R8Hrb5eto3I/AAAAAAAAAQ8/Py0VpmYNMbc/s1600-h/IMGP0334.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5170672711716676466" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_EWeLujB3T6k/R8Hrb5eto3I/AAAAAAAAAQ8/Py0VpmYNMbc/s400/IMGP0334.jpg" border="0" /></a> Bateu-me à porta assim, exactamente fardado como aparece na imagem. Levou discretamente dois dedos à pala do boné no gesto usual de saudação castrense e nem me deu tempo a abrir a boca "Venho oferecer-lhe os meus serviços porque sei que precisa de mim." Numa fracção de segundos imaginei o filme: o nosso primeiro visitou o centro de emprego da área onde resido, espantou-se de me saber inactivo durante quase dois anos, convida-me para a pasta da defesa e este militar é o meu oficial às ordens. Mas... não faz sentido! Se a última ocupação certa que exerci foi a de marcador-avivador das "quatro linhas" do estádio municipal de Sarilhos Médios de onde fui despedido por -num dia de enorme pressão laboral, pintar a marca de grande penalidade logo a seguir à da circunferência do centro do terreno... como é que ele poderia ver em mim, o titular de uma pasta recheada de problemas militares, como eram as constantes invasões ao nosso território, por parte de franceses e espanhóis? Dirão vocês "mas há muitos anos que não nos invadem?!" Pois sim! Quem invade uma vez, invade outra quando menos se espera e sem pedir licença. Angustiado, porque o exercício mental raramente faz parte dos meus hábitos desportivos e pela dúvida que a presença do militar empertigado me suscitava, perguntei-lhe diplomaticamente porque portas e travessas tinha notícias das minhas necessidades, quem foi o bufo que lhe cantou que eu estava no desemprego e, onde é que o "soldadinho de chumbo" iria exercer as suas funções. No rosto, não lhe notei qualquer traço de surpresa quando me respondeu firme e lacónico "Aqui, no "Fantasias", lugar público, onde o senhor descarrega todas as suas extravagâncias alucinatórias e se expõe à ira dos virús, worms, spyware, dialers, jokes e tantos outros. " Face a estes argumentos, o que poderia eu fazer senão dar-lhe carta branca? Dez minutos depois, ei-lo neste sítio, -de guarita montada, aprumado, armado, vigilante e de luva branca...</div><br /><div align="justify"></div><br /><div align="justify"><span style="font-size:78%;">Praga, 2007. Texto e foto de Alberto Oliveira.</span></div>legivelhttp://www.blogger.com/profile/15611872967117422697noreply@blogger.com