tag:blogger.com,1999:blog-138128662009-03-17T18:13:04.368-07:00O Pico do PetróleoM. King Hubbert - Hubbert Peak - Hubbert Curve - Depletion - Peak OilLuis Rochahttp://www.blogger.com/profile/12337689984724786054noreply@blogger.comBlogger236125tag:blogger.com,1999:blog-13812866.post-63910018587754790732009-03-17T18:11:00.000-07:002009-03-17T18:13:04.388-07:00<span style="font-size:130%;"><span style="font-weight: bold; font-family: arial;">Está a Europa de Leste condenada a explodir?</span></span><br />17-Mar-2009<br /><br /><span style="font-style: italic;">A Europa de Leste está prestes a explodir. Se isso acontecer, levará boa parte da União Europeia consigo. É uma situação de emergência mas não existem soluções fáceis. O FMI (Fundo Monetário Internacional) não tem recursos para um bailout (plano de resgate) desta envergadura e a recessão está a alastrar-se de forma mais rápida do que os fundos de socorro são organizados.</span><br /><br /><span style="font-weight: bold;">Por Mike Whitney, publicado no Counterpunch</span><br /><br />Os ministros das finanças e os governadores dos bancos centrais andam à roda a tentar apagar um fogo atrás do outro. É apenas uma questão de tempo até serem vencidos pelos eventos. Se a um país for permitido falhar, os dominós poderão começar a tombar por toda a região. Isto poderá despoletar mudanças dramáticas na paisagem política. O surgimento do fascismo já não está fora de questão.<br /><br />O editor da secção de economia do jornal UK Telegraph, Edmund Conway, resume tudo assim:<br /><br />"Uma ‘segunda vaga' de países será vítima da crise económica e são já candidatos a um resgate pelo FMI, avisou o seu chefe na Cimeira do G7 em Roma (...) Contudo, tendo em conta que as suas economias são anãs comparadas com a dimensão ganha pelo sector bancário e pelos seus problemas financeiros, receia-se que possam ser vítimas da balança de pagamentos e de crise de moeda, tal como aconteceu à Islândia, antes de receber a assistência de emergência do FMI no ano passado."<br /><br />O capital estrangeiro está a fugir a uma velocidade alarmante; quase dois terços desapareceram em questão de meses. A deflação está a baixar o valor dos bens, aumentando o desemprego e ampliando o peso das dívidas das instituições financeiras. As economias estão a ser esvaziadas de capital. A Ucrânia está a beira da falência. A Polónia, a Letónia, a Lituânia e a Hungria caíram todas numa recessão de longa duração. As economias que seguiram o regime económico de Washington foram as que sofreram mais. Apostaram que o crescimento a partir da dívida e das exportações levaria à prosperidade. Esse sonho foi destruído. Não desenvolveram os seus mercados de consumo, a procura é fraca. O capital é escasso e as empresas estão a ser forçadas a desvalorizar-se para evitar a quebra. Toda a Europa de Leste está a emitir um grito de socorro. Precisam de fundos extra para cobrir o valor decrescente dos seus bens. Precisam de uma salvação do FMI ou as suas economias irão desmoronar-se.<br /><br />O correspondente de economia do UK Telegraph, Ambrose Evans-Pritchard, escreveu uma série de artigos sobre a Europa de Leste. No artigo "O fracasso do salvamento da Europa de Leste conduzirá ao desmoronamento mundial", diz:<br /><br />"O ministro das finanças austríaco, Josef Pröll, fez esforços titânicos para conseguir 150 mil milhões de euros de salvamento para o ex-bloco soviético. E conseguiu. Os seus bancos emprestaram 230 mil milhões de euros à região, o que corresponde a 70% do PIB da Áustria."<br /><br />"Um índice de não pagamento de 10% levaria ao colapso do sector financeiro austríaco," reportou o Der Standard em Viena. Infelizmente, isto está para acontecer.<br /><br />O Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento (BERD) afirma que as dívidas mal-paradas vão ultrapassar os 10% e poderão talvez chegar aos 20%...<br /><br />Stephen Jen, actual chefe do Morgan Stanley, disse que a Europa de Leste pediu emprestado no estrangeiro 1,7 biliões de dólares, muito deles em modo de curto prazo.<br /><br />Tem de pagar - ou refinanciar - 400 mil milhões de dólares, iguais a um terço do PIB da região. Boa sorte. A janela do crédito fechou-se.<br /><br />A maior parte das dívidas são com a Europa Ocidental, especialmente a bancos austríacos, suecos, gregos, italiano e belgas. Mais, as contas europeias são responsáveis por 74% do portfolio de 4,9 biliões de dólares dos mercados emergentes. Estão cinco vezes mais expostos a este último problema do que os bancos americanos e japoneses e estão 50% mais alavancados (dados do FMI). (Ambrose Evans-Pritchard UK Telegraph)<br /><br />A crise economica está rapidamente a transformar-se numa crise política. Estalaram revoltas pelas capitais da Europa de Leste. Será melhor que o senhor Geithner preste atenção. As perspectivas para um levantamento político estão a crescer. A ansiedade pública pode tomar conta das ruas num instante. Os governos devem actuar depressa e firmemente. Estes países precisam de moeda e garantias de apoio. Se não conseguirem ajuda, a fúria do público transformar-se-á em algo muito mais letal.<br /><br />O correspondente de economia do UK Telegraph, Ambrose Evans-Pritchard:<br /><br />"Os bancos globais assumiram até agora metade dos 2,2 mil milhões de perdas estimadas pelo FMI. Além disso, os bancos da UE estão expostos em 1,6 mil milhões de dólares à Europa de Leste - crescentemente vista como a crise de subprime da Europa, e a dívida das empresas europeias ascende a 95% do PIB em comparação com os 50% nos EUA, uma preocupação crescente à medida que os índices de insolvência.<br /><br />"É essencial que o apoio do governo através do resgate de bens não seja a uma escala que levante dúvidas sobre o excesso de endividamento ou problemas financeiros. Estas preocupações são particularmente importantes no actual contexto de expansão dos défices orçamentais, aumento da dívida pública e desafios à emissão de títulos públicos." (UK Telegraph)<br /><br />O mesmo nos sítios em que os bancos fundiram os seus sectores comerciais com os sectores de investimento. A dívida disparou, atingindo níveis insustentáveis e abalando toda a economia. Os bancos operaram como fundos de investimento, ocultando as suas actividades das balanças de operações e maximizando os seus alavancamentos (leverage) através de operações obscuras de instrumentos de dívida. Agora a economia global foi apanhada na explosão da bolha especulativa. A Europa de Leste foi duramente golpeada, mas é apenas o primeiro dos vários pinos de bowling que vão cair. Toda a Europa foi infectada pelo mesmo vírus que teve origem em Wall Street. O New York Times resume os desenvolvimentos na UE:<br /><br />"A Europa caiu ainda mais na recessão do que os EUA nos últimos meses do ano, de acordo com números publicado na sexta-feira... A economia dos 16 países que partilham o Euro declinou 1,5% no último quarto (um descida anual de certa de 6%), de acordo com o gabinete de estatística da UE. É ainda pior que o declínio de 1% da economia americana, durante o mesmo período, em comparação com os quatro meses anteriores.<br /><br />"Hoje, os dados dissipam qualquer ilusão de que a Zona Euro está a reagir melhor nesta recessão global", diz Jörg Radeke, um economista do Centro de Pesquisa Económica e Empresarial de Londres. ("A Europa Cai Mais do que o Previsto", New York Times)<br /><br />Os ‘liquidacionistas' gostariam de ver os governos cortar o fluxo de fundos para ajudar as instituições financeiras e deixá-las cair por elas próprias. É a loucura darwiniana, como esperar por um ataque cardíaco no chão da cozinha em vez de nos dirigirmos ao hospital para cuidados de emergência. O sistema bancário está insolvente, o desemprego está a aumentar, as taxas de lucro estão a cair, os mercados estão em choque, o sector imobiliário está à beira do colapso, os défices estão a crescer e a confiança dos consumidores está no seu ponto mais baixo de sempre. Esta não é altura para nos aferrarmos a ideologias meio cozinhadas. A economia global está a passar por uma contracção maciça que pode fugir do controlo e afundar-nos numa outra guerra. Os líderes políticos precisam de perceber a urgência do momento e impedir o veículo de se despenhar.<br /><br /><span style="font-style: italic;">Mike Whiney vive no Pacífico Noroeste e pode ser contactado através do email fergiewhitney@msn.comEste endereço de email está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email</span><br /><br /><span style="font-weight: bold;">Tradução de Sofia Gomes</span><br />Fonte: <a href="http://www.esquerda.net/index.php?option=com_content&task=view&id=11210&Itemid=1">Esquerda.net</a><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13812866-6391001858775479073?l=peakoilportuguese.blogspot.com'/></div>Luis Rochahttp://www.blogger.com/profile/12337689984724786054noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-13812866.post-36596921059869990362009-03-16T17:21:00.000-07:002009-03-16T17:25:14.411-07:00<div><span style="font-size:6;"><strong>Um retrato de Gilmar Mendes</strong></span></div> <div> </div> <div><br /><img alt="" src="http://f353.mail.yahoo.com/ya/download?mid=1%5f8084%5fAGSzo0IAAUSvSbofqgv1fkiJVrE&pid=1.2&fid=Inbox&inline=1" align="baseline" border="0" hspace="0" /></div> <div> </div><br /><span style="font-style: italic; font-weight: bold;">Nota: Uma pequena história da (in)justiça no Brasil, suficiente para compreender que a corrupção está instalada no topo das instituições.</span><br /><br /><div>A foto bem-apessoada acima (<em>ver no blog</em>) está na <a rel="nofollow" target="_blank" href="http://www.stf.gov.br/portal/ministro/listarPresidente.asp">galeria de presidentes do site do Supremo Tribunal Federal</a>. Trata-se do ministro Gilmar Ferreira Mendes, 52, mato-grossense de Diamantino que já passou por vários cargos importantes até galgar ao escalão máximo dos juristas – e conceder dois habeas corpus em menos de uma semana ao banqueiro Daniel Dantas.<br /><br />É o retrato dele que vou traçar agora. Nem sempre bem-apessoado, como veremos.<br /><br /><strong>Impeachment</strong><br /><br />Na sexta-feira passada, sindicalistas da CUT protocolaram <a rel="nofollow" target="_blank" href="http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2008/07/18/materia.2008-07-18.6936865379/view">pedido de impeachment</a> de Gilmar Mendes no Senado.<br /><br />Antes disso, um <a rel="nofollow" target="_blank" href="http://www.petitiononline.com/w267x65/petition-sign.html">abaixo-assinado virtual</a>, escrito por alguém que se identifica como <a rel="nofollow" target="_blank" href="http://congressoemfoco.ig.com.br/Ultimas.aspx?id=23262">Luiz Augusto Barroso</a>, exige a mesma coisa:<br /><br />"Nós, cidadãos brasileiros, estarrecidos pelos acontecimentos da última semana, quando vários criminosos, entre eles DANIEL DANTAS, foram liberados graças à intervenção do Ministro GILMAR MENDES, do Supremo Tribunal Federal, exigimos a saída do Ministro GILMAR MENDES DO STF".<br /><br />Ainda antes, 42 procuradores da República, mais de 100 juízes federais e a associação de delegados da Polícia Federal protestaram contra decisões de Gilmar Mendes durante a Operação Satiagraha.<br /><br /><a rel="nofollow" target="_blank" href="http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2008/07/11/ult5772u308.jhtm">Disseram os primeiros</a>:<br /><br />"As instituições democráticas brasileiras foram frontalmente atingidas pela decisão liminar que, em tempo recorde, sob o pífio argumento de falta de fundamentação, desconsiderou todo um trabalho criteriosamente tratado nas 175 (cento e setenta e cinco) páginas do decreto de prisão provisória proferido por juiz federal da 1ª instância, no Estado de São Paulo.<br /><br />As instituições democráticas foram frontalmente atingidas pela falsa aparência de normalidade dada ao fato de que decisões proferidas por juízos de 1ª instância possam ser diretamente desconstituídas pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal, suprimindo-se a participação do Tribunal Regional Federal e do Superior Tribunal de Justiça. Definitivamente não há normalidade na flagrante supressão de instâncias<br />do Judiciário brasileiro, sendo, nesse sentido, inédita a absurda decisão proferida pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal.(... )"<br /><br /><a rel="nofollow" target="_blank" href="http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2008/07/11/ult5772u310.jhtm">Disseram os segundos</a>:<br /><br />"Nós, juízes federais da Terceira Região abaixo assinados, vimos mostrar, por meio deste manifesto, indignação com a atitude de Sua Excelência o Ministro Gilmar Mendes, Presidente do Supremo Tribunal Federal, que determinou o encaminhamento de cópias da decisão do juiz federal Fausto De Sanctis, atacada no Habeas Corpus n. 95.009/SP, para o Conselho Nacional de Justiça, ao Conselho da Justiça Federal e à Corregedoria Geral da Justiça Federal da Terceira Região.(...)"<br /><br /><a rel="nofollow" target="_blank" href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u421679.shtml">Disseram os últimos</a>:<br /><br />"A Associação dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) manifesta sua indignação quanto à nova decisão do ministro Gilmar Mendes que determinou a soltura do Senhor Daniel Valente Dantas, em desacordo com a jurisprudência dominante, que autoriza a prisão preventiva no caso de prejuízo à instrução criminal, e com supressão de instâncias do Poder Judiciário.<br /><br />Referida decisão desprezou o esforço desenvolvido pela Polícia Federal, Ministério Público Federal e Justiça Federal, bem como a criteriosa análise da legalidade e adequação realizadas pelo Juízo de primeira instância, quando da determinação da prisão preventiva do Senhor Daniel Valente Dantas.<br /><br />(...) É inadmissível que à Polícia Federal, responsável por trabalhos conjuntos com o Ministério Público e o Poder Judiciário, norteados para a desejada e tempestiva mudança de um sistema historicamente focado à prisão de criminosos desassistidos, seja atribuída a pecha de ‘canalhas’ e ‘gângsters’.<br /><br />A contrário senso, investigados pelo desvio de bilhões de reais dos cofres públicos, inclusive com a tentativa de suborno de Delegado de Polícia Federal, são tratados com beneplácito."<br /><br /><strong>Polêmicas</strong><br /><br />"Canalha" e "gângster" são só dois dos adjetivos polêmicos usados por Gilmar Mendes ao longo de sua vida de jurista. No ano passado, rebatendo a divulgação pela PF de dados relacionados à Operação Navalha, Mendes acusou a corporação policial de empregar métodos "fascistas" e de cometer "canalhice" (semelhança com o caso recente não é mera coincidência) . Já disse, durante discussão com o também ministro do Supremo Joaquim Barbosa que ele não podia "dar lição de moral", porque "não tem condições". Que os procuradores oferecem "denúncias ineptas" e os magistrados têm "covardia institucional" ao recebê-las.<br /><br />Em <a rel="nofollow" target="_blank" href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0212200102.htm">reportagem</a> intitulada "Polêmico, Mendes acumula atritos com Poder Judiciário", publicada em dezembro de 2001, o repórter da Folha de S.Paulo Wladimir Gramacho assim escreveu sobre o então advogado-geral da União: "Ao defender os interesses do governo, o "juridiquês" de Mendes incorporou termos como "manicômio judiciário", na luta pelo fim da greve nas universidades, "autismo dos juízes", na privatização do Banespa, e "censura prévia", quando sugeriu que os ministros do Supremo Tribunal Federal não falassem mais em off." Na mesma reportagem, ele é descrito por Osíris Lopes Filho, ex-secretário da Receita Federal, como "cão da ditadura".<br /><br />Se ele foi cão da ditadura, é difícil saber por quê. Naquela época ele ainda não havia entrado no mundo da política, tendo ficado estudando Direito (<a rel="nofollow" target="_blank" href="http://www.stf.gov.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/CurriculoGM.pdf">bacharelado, dois mestrados e um doutorado</a>) entre 1973 e 1990, no Brasil e na Alemanha. Depois disso, tornou-se professor de Direito Constitucional da UnB.<br /><br />Ou melhor, um pouco antes, entre 1985 e 1988, atuou como procurador da República. Anos mais tarde, <a rel="nofollow" target="_blank" href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0212200102.htm">incitaria o ódio dos colegas procuradores</a> por ter apoiado a redução do poder de investigação do Ministério Público. Isso, quando era ainda assessor técnico do Ministério da Justiça na gestão de Nelson Jobim, entre 1995 e 1996.<br /><br />Foi ele que redigiu o projeto de lei que pedia a redução das férias dos procuradores de dois meses a um mês por ano e – ulalá! – queria que os procuradores do Executivo não fossem impedidos de obter promoções. Na época, essa mudança beneficiaria apenas a ele e a outros dois procuradores que o assessoravam. Mas voltaremos a supostos desvios éticos em poucos parágrafos.<br /><br /><strong>Juristucano</strong><br /><br />Antes de ocupar esse cargo estratégico no governo FHC, Mendes foi adjunto da Subsecretaria Geral da Presidência da República (1990-1991) e consultor-jurí dico da Secretaria Geral da Presidência da República (1991-1992), quando defendia o ex-presidente Fernando Collor de Melo junto ao órgão que hoje preside. Entre 1993 e 1994, foi assessor técnico na relatoria da revisão constitucional na Câmara dos Deputados.<br /><br />Depois de trabalhar com Jobim, continuou galgando degraus na era FHC, quando foi subchefe para assuntos jurídicos da Casa Civil (1996-2000).<br /><br />Até que, em 2000, foi convidado ao cargo de advogado-geral da União, onde permaneceu até o fim do segundo mandato de Fernando Henrique. Retribuiu a gentileza defendendo intransigentemente seu padrinho político – muitas vezes, como já vimos, polemizando com a Justiça, o Ministério Público e com advogados renomados.<br /><br />Segundo <a rel="nofollow" target="_blank" href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2107200807.htm">reportagem desta segunda-feira na Folha de S.Paulo</a>, ele teve grande apoio de outros tucanos para conseguir ter sua indicação ao STF aprovada pelo senado: "Dos 11 ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) em atividade, Gilmar Mendes foi o que mais sofreu contestação para assumir o cargo. Foram 15 votos contrários durante a análise de sua indicação pelo plenário do Senado – o triplo de rejeição que sofreu o segundo colocado, ministro Eros Grau, com cinco reprovações. (...) Registros do Senado mostram que a base de apoio ao governo tucano se mobilizou para garantir aprovação do de Mendes para o cargo. Diferente do usual no caso de indicação de autoridades, o quórum da sessão foi alto, com 72 dos 81 senadores presentes. Os governistas garantiram 57 votos favoráveis contra os 15 contrários."<br /><br />Não é à toa que o colunista Elio Gaspari o batizou de "juristucano" em artigo publicado em agosto de 2000. Foi indicado ao Supremo por Fernando Henrique em junho de 2002 para ocupar a vaga aberta pela aposentadoria do ministro José Néri da Silveira. Então com 46 anos, foi o ministro mais jovem do STF, superando a ministra Ellen Gracie (então com 54).<br /><br /><strong>Ética?</strong><br /><br />Indignado com a indicação, o advogado e professor da Faculdade de Direito da USP Dalmo de Abreu Dallari escreveu o artigo "<a rel="nofollow" target="_blank" href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0805200209.htm">Degradação do Judiciário</a>", publicado na Folha de S.Paulo em 08/05/2002.<br /><br />Dizia: "Se essa indicação vier a ser aprovada pelo Senado, não há exagero em afirmar que estarão correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional" .<br /><br />Um dos argumentos usados por Dallari para previsão tão forte foi de que Mendes havia sido antiético: "Revelou a revista 'Época' (22/4/ 02, pág. 40) que a chefia da Advocacia Geral da União, isso é, o dr. Gilmar Mendes, pagou R$ 32.400 ao Instituto Brasiliense de Direito Público – do qual o mesmo dr. Gilmar Mendes é um dos proprietários- para que seus subordinados lá fizessem cursos. Isso é contrário à ética e à probidade administrativa, estando muito longe de se enquadrar na 'reputação ilibada', exigida pelo artigo 101 da Constituição, para que alguém integre o Supremo."<br /><br />À época, um procurador questionou "451 contratos firmados, sem licitação, entre a Advocacia Geral da União, quando Gilmar era o titular do órgão, e o Instituto Brasiliense de Direito Público, do qual é citado como sócio cotista, permitindo que subordinados da AGU freqüentassem cursos naquela empresa privada à custa do erário", como informou <a rel="nofollow" target="_blank" href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2203200708.htm">Frederico Vasconcelos em 22/03/2007</a>.<br /><br />Gilmar Mendes rebateu dizendo que se trata de uma atividade regular, declarada no Imposto de Renda e, segundo ele, informada à Comissão de Ética Pública e ao TCU.<br /><br />No dia 10 de dezembro do ano passado, o ministro Gilmar Mendes <a rel="nofollow" target="_blank" href="http://www.conjur.com.br/static/text/61728,1">lançou na Faculdade de Direito</a> do Largo de São Francisco, da USP, em São Paulo, o livro Curso de Direito Constitucional, escrito por ele em parceria com dois professores do Instituto, que o editou juntamente com a Editora Saraiva. Curiosamente, no dia 30 de março último, quando ele voltou a lançar seu livro em Curitiba, ele lamentou "a atual situação política em que está a Casa Civil, com a ministra Dilma Roussef envolvida em denúncias de vazamento de dados sobre o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso", conforme <a rel="nofollow" target="_blank" href="http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac148375,0.htm">reportagem de Júlio César Lima</a> em O Estado de S. Paulo. Não sei se o ministro está aproveitando o cargo para promover seu livro e o Instituto.<br /><br />O que eu sei é que esse pai de dois filhos não só foi empossado ministro como se tornou presidente do STF em 23 de abril deste ano, ficando nessa condição até 2010. Depois disso, tem até 30 de dezembro de 2025, quando completará 70 anos de idade, para se aposentar do Supremo.<br /><br />E, até lá, quantos Daniel Dantas serão liberados? O sorriso enigmático da foto acima – coisa meio Monalisa – não responde.<br /><br /><strong>07.2008</strong></div> <div><strong></strong> </div> <div><strong></strong> </div> <div><strong>Abraços</strong></div> <div><strong>Cristiano Fádel</strong></div> <div><strong><a rel="nofollow" target="_blank" href="http://www.cristianofadel.com.br/">www.cristianofadel. com.br</a></strong></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13812866-3659692105986999036?l=peakoilportuguese.blogspot.com'/></div>Luis Rochahttp://www.blogger.com/profile/12337689984724786054noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-13812866.post-91913555648951980202009-03-14T06:22:00.000-07:002009-03-14T08:28:15.380-07:00<span style="font-weight: bold; color: rgb(0, 0, 153);font-family:arial;font-size:130%;" >Histórias de Banksters (Bankers + Gangsters) ou de como ser Banqueiro se tornou sinónimo de ser Ladrão</span><br /><br />Roubo: 50 mil milhões de dólares<br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_6_kKf4xniVs/SbuzsNgI5eI/AAAAAAAAAco/No3c5PP7d74/s1600-h/Bernard+Madoff.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 354px; height: 199px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_6_kKf4xniVs/SbuzsNgI5eI/AAAAAAAAAco/No3c5PP7d74/s400/Bernard+Madoff.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5313037757533709794" border="0" /></a><br /><span style="font-weight:bold;">Bernard Madoff</span><br /><a href="http://www.usatoday.com/money/markets/2008-12-14-ponzi-madoff-downfall_N.htm">USA Today</a><br /><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Bernard_Madoff">Wikipedia</a><br /><a href="http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2008/12/12/AR2008121203970.html">Washington Post</a><br /><a href="http://dn.sapo.pt/2008/12/18/economia/fraude_madoff_causa_perdas_96_milhoe.html">Diário de Notícias</a><br /><a href="http://www.youtube.com/watch?v=SsSGZezvuSg">Youtube</a><br /><a href="http://news.scotsman.com/world/US-financier-Bernard-Madoff-admits.5067214.jp">News Scotsman</a><br /><br />Roubo: entre 1,6 e 8 mil milhões de dólares<br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_6_kKf4xniVs/Sbu0bMZ89bI/AAAAAAAAAcw/dBJzO1CKKZw/s1600-h/Allen+Stanford.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 280px; height: 390px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_6_kKf4xniVs/Sbu0bMZ89bI/AAAAAAAAAcw/dBJzO1CKKZw/s400/Allen+Stanford.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5313038564693177778" border="0" /></a><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><span style="font-weight:bold;">Allen Stanford</span><br /><a href="http://www.reuters.com/article/newsOne/idUSTRE51Q66G20090228">Reuters</a><br /><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Stanford_Financial_Group">Wikipedia</a><br /><a href="http://www.economist.com/finance/displaystory.cfm?story_id=13136627">Economist</a><br /><a href="http://www.aporrea.org/actualidad/n130300.html">Aporrea</a><br /><br />Roubo: 2 mil milhões de dólares (condenando a 10 anos de prisão)<br /><span style="font-weight:bold;">Ramón Baez Figueroa</span><br /><a href="http://mx.news.finance.yahoo.com/18042008/8/finanzas-dominicana-banquero-condenado-prisi-n-fraude-bancario.html">Yahoo News Finance</a><br /><a href="http://www.eleconomista.net/noticia.php?id=142">El Economista</a><br /><a href="http://www2.centrotampa.com/ap-espanol/2008/apr/18/dominicana-banquero-condenado-a-prisin-por-fraud1/?paises-dominicana-noticias">Centro Tampa</a><br /><br />Roubo: 700 milhões de dólares (condenado a 10 anos de prisão)<br /><span style="font-weight:bold;">Pedro Castillo</span><br /><a href="http://www.hoy.com.do/el-pais/2009/3/6/269109/Condenan-banquero-a-10-anos-de-prision">Hoy</a><br /><a href="http://finance.yahoo.com/news/Dominican-bank-president-gets-apf-14573306.html">Yahoo News Finance</a><br /><br />Roubo: 32,2 milhões de dólares<br /><span style="font-weight:bold;">Donald Trump</span><br /><a href="http://www.aporrea.org/contraloria/n130552.html">Acusan a Donald Trump de fraude millonario en Baja California (Aporrea)</a><br /><br />Roubo: fraude fiscal, encobrimento dos crimes de uma Ditador sanguinário<br /><span style="font-weight:bold;">Banco Santander</span><br /><a href="http://www.aporrea.org/internacionales/n130632.html">Gobierno chileno: "Banco Santander ocultó fortuna de Pinochet" (Aporrea)</a><br /><br />Roubo: um escândalo de crimes de fraude fiscal e branqueamento de capitais, ainda em investigação (montantes por saber)<br /><span style="font-weight:bold;">Banco Português de Negócios</span><br /><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Banco_Portugu%C3%AAs_de_Neg%C3%B3cios">Wikipédia</a><br /><a href="http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS&id=345138">Jornal de Negócios</a><br /><a href="http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1351257&idCanal=12">BPN tem ligações a deputados do PSD da Madeira (O Publico)</a><br /><a href="http://economico.sapo.pt/noticias/bpn-e-uma-mega-fraude_3265.html">BPN "é uma mega fraude" (Diário Económico)</a><br /><a href="http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=126631">Administradores do Banco Português de Negócios levantaram milhões em dinheiro vivo (Sol)</a><br /><br />Roubo: indícios criminais, fraude, etc., em investigação (montantes por saber)<br /><span style="font-weight:bold;">Banco Privado Português</span><br /><a href="http://ww1.rtp.pt/wportal/acessibilidades/legendagem/pecas.php?data=2009-01-28&fic=telej_1_28012009&peca=5&tvprog=1103">RTP1</a><br /><br /><span style="font-weight: bold;">Recentemente causou espanto que a revista Forbes, conhecida apologista do Capitalismo e das fortunas obscenas, ter incluído um criminoso narcotraficante na lista dos mais ricos. A surpresa não tem razão de ser. Pertinente seria a Forbes dizer quantos Madoffs, Banqueiros Ladrões e Burlões estão na sua lista com dinheiro roubado. Ou mais pertinente ainda seria perguntar e quantos dos super-milionários se recusam a ostentar a sua fortuna nas páginas da Forbes, temendo que isso dê pistas aos Tribunais de que eles também são afinal uma espécie de Madoffs - e portanto convém esconder o seu dinheiro roubado em vez de o mostrar. </span><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13812866-9191355564895198020?l=peakoilportuguese.blogspot.com'/></div>Luis Rochahttp://www.blogger.com/profile/12337689984724786054noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-13812866.post-174241425753594912009-02-13T07:30:00.000-08:002009-02-13T07:34:56.206-08:00<span style="font-weight: bold; font-family: arial;">A TERRA E O NOSSO FUTURO</span><br /><span style="font-weight: bold;">O tempo e o horizonte da agricultura familiar </span><br /><br /><span style="font-style: italic;">Paul Singer compara o modo como o agronegócio empresarial e a agricultura familiar se relacionam com o tempo: para o primeiro, a relação com o tempo é medida pelos prazos de envios dos relatórios à bolsa de valores a cada três meses. Já para a agricultura familiar, o horizonte são as gerações, os filhos e os netos. Essa diferença diz muito sobe os conceitos de desenvolvimento e progresso em debate hoje.</span><br /><br /><span style="font-weight: bold;">Katarina Peixoto</span><br /><br />Falando sobre agricultura familiar e economia no campo brasileiro, Paul Singer, Secretário Nacional de Economia Solidária (do Brasil) fez uma platéia de quase mil pessoas poder refletir sobre tempo, natureza humana e temporalidade das ações, na relação com o meio ambiente. O fôlego e a densidade do debate aberto pelo professor titular em macroeconomia da USP, contudo, não assustaram os participantes desta I Conferência Nacional. Nem poderiam. Com a simplicidade que lhe é característica, o professor analisou alguns dos problemas que têm contribuído para que a relação entre a humanidade e o planeta tenha tomado a forma de uma contradição manifesta. E a aparência de um destino.<br /><br />Um desses problemas é o modo como as atividades econômicas produtivas e lucrativas se relacionam com o tempo. Para o agronegócio empresarial que transformou a agricultura num dos braços do mercado de commodities, a relação com o tempo é medida pelos prazos de envios dos relatórios e balanços financeiros à bolsa de valores, em regra, a cada três meses. Já para a agricultura familiar, anotou Paul Singer, “o horizonte são as gerações, dos seus filhos, dos seus netos”.<br /><br />Um horizonte mais largo é por si só uma diferença importante? A destruição da natureza pelo homem é medida somente pelo tempo? Não, mas a qualidade das mudanças provocadas pelas atividades econômicas determinam, pelo menos ao longo dos últimos séculos, a temporalidade da vida na sociedade e, por conseguinte, da relação dos homens com a exploração, dominação e uso dos recursos da natureza. E é nessa qualidade que reside a diferença entre o potencial predatório do mercado de commodities em relação, por exemplo, à atividade econômica da agricultura familiar.<br /><br />Porque essa diferença evidencia que a qualidade das mudanças nos preços de commodities não depende de contrapartidas ou referências reais para se constituir, de modo que pode nunca deixar de ser uma mera arbitrariedade, não à toa chamada por Marx de fetiche. No reino da troca absoluta, nada se mede na realidade e a mudança deixa de ser categoria determinante da inteligibilidade dos fenômenos sociais.<br /><br />E é assim, despedindo-se da realidade, que a lógica capitalista se permite destruir recursos naturais como fosse uma conseqüência, se assim se pode dizer, natural. Em contrapartida, marcar o tempo na duração de gerações constitui uma qualidade completamente distinta de mudança na natureza, sobretudo na atual quadra histórica. Entender essa diferença, contudo, não requer compromissos com versões finalistas da história: não é o progresso versus o atraso o que explica a diferença entre a temporalidade do mercado de commodities e a temporalidade marcada nos rostos e na carne das pessoas que vivem de, com e através dos recursos naturais, como é o caso da agricultura familiar, exemplarmente.<br /><br />Disso se segue que não se trata de julgar a velocidade do mercado de commodities em oposição, puramente ideológica, à atividade produtiva das populações que produzem alimentos, segundo padrões sustentáveis, mas de levar o tempo a sério, como uma das características que determinam o estado das coisas no mundo, entre elas, a da atual crise de alimentos.<br /><br />Pode parecer evidente que a velocidade de uma colheita não é comparável à avaliação de preços numa tarde da Bolsa de Mercadorias Futuras. Então, o que é mesmo que torna essa velocidade um problema sério, inclusive quanto ao meio ambiente? Paul Singer responde a essa pergunta possível com um olhar prudente sobre a construção de modelos de sociedades, sobretudo a partir de “postulados” a respeito da natureza humana, isto é, a partir de abstrações; um olhar, vale dizer, que vê no diagnóstico das teorias neoclássicas da natureza humana um problema: se a medida do tempo não é única, quando tomada com referência às coisas que mudam e que são mudadas na natureza, faz sentido referir-se aos homens como indivíduos prontos e acabados?<br /><br />Com que autoridade se deduz e pretende legitimar um sistema econômico e político a partir de postulações sobre a natureza humana? Não estaria ela, a própria natureza humana, submetida ao tempo? Ou seria um conceito estático, caído no planeta recentemente, vindo sabe-se lá de onde? Para Singer, nós não apenas não conhecemos a natureza humana e não podemos pensá-la a despeito do fato de que ela está sempre mudando.<br /><br />Qual ou quais as contrapartidas às marchas do tempo de que se fazem as histórias, do capitalismo e das suas resistências? Qual o pressuposto metodológico que autoriza o marxismo a, desde sempre, sustentar a sua crítica à economia política em todas as suas variantes? O pressuposto é uma unidade entre pensamento e experiência, entre sujeito e objeto, entre intenção e extensão, que tornou a história e o pensamento do tempo histórico elementos centrais para o entendimento e a superação das contradições incontornáveis do capitalismo, que hoje ganham a dimensão de ameaça climática e alimentar, no planeta.<br /><br />É um pressuposto de que a prática ensina, à medida que a intenção organiza, e que autorizou Marx a ratificar a tese de que o conceito sem a intuição é vazio e de que a intuição sem o conceito é cega. É assim que as idéias e o exemplo de Paul Singer ganham, devidamente, força. Com a defesa de que o papel dos que pensam é observar, entender, examinar e experimentar, e não postular sociedades e homens fictícios.<br /><br />“Portanto”, disse enfaticamente o professor, “não temos modelo, e eu gostaria de afirmar isso com muita convicção a vocês”. Na autocrítica ao método, se assim se pode dizer, socialista, de que Singer se disse herdeiro, ele acrescenta o compromisso de tentar fazer empiricamente, segundo o velho método da tentativa e erro. Assim não se corre o risco, hoje mais evidente que nunca, de destruir, devastar e matar de fome. Assim não se perde a medida real do tempo, para se submeter ao espaço e ao poder que o delírio fetichista tem imposto às economias e estômagos do mundo, sobretudo do mundo pobre e já faminto.<br /><br />A medida real do tempo se faz de quê, afinal? Da vida das pessoas, de gente e do Planeta. Pode-se considerar a economia solidária como uma utopia; ou uma das iniciativas ingênuas e evasivas que caracterizaram a história da resistência moral à miséria que o avanço do capitalismo deixa como rastro. O problema dessa acusação não é tampouco só de natureza moral – ainda que também o seja -; nem é o preço que ela tem a pagar – que já está pagando; o problema dessa acusação é o destino de Baixio das Bestas, para o campo e as cidades brasileiras.<br /><br />Na abertura do mais vigoroso e bem dirigido filme brasileiro dos últimos anos, Baixio das Bestas, de Cláudio Assis, pode-se ler uma referência que talvez esclareça esse lembrete: “O tempo vai consumir os engenhos, a usina, a mim e a você”, porque, ao contrário do delírio das variantes da economia política do século XIX, cada vez mais capengas e autoritárias, nem o mercado, nem a natureza humana são eternos. Talvez seja isso, afinal, o que a atual crise global de preços e de abastecimento deixe como evidência, empiricamente verificável: a contradição entre humanidade e planeta não é destino.<br /><br />Fonte: <a href="http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15077">Carta Maior</a><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13812866-17424142575359491?l=peakoilportuguese.blogspot.com'/></div>Luis Rochahttp://www.blogger.com/profile/12337689984724786054noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-13812866.post-88269383484926779262009-01-12T16:56:00.000-08:002009-01-12T16:57:57.296-08:00<span style="font-weight:bold;">A crise toca a todos...</span><br /><script src="http://i.cdn.turner.com/cnn/.element/js/2.0/video/evp/module.js?loc=int&vid=/video/business/2009/01/08/rowlands.us.porn.industry.bailout.cnn" type="text/javascript"></script><noscript>Embedded video from <a href="http://www.cnn.com/video">CNN Video</a></noscript><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13812866-8826938348492677926?l=peakoilportuguese.blogspot.com'/></div>Luis Rochahttp://www.blogger.com/profile/12337689984724786054noreply@blogger.com1tag:blogger.com,1999:blog-13812866.post-17158410113117312212008-07-03T18:12:00.000-07:002008-07-03T18:34:56.985-07:00<strong><span style="font-size:130%;">Crise Financeira (2007-2008): colapso à vista nos EUA?</span><br /></strong><br />Citando o jornal holandês Finantial Telegraph de 28 de Junho de 2008:<br /><br /><blockquote>BRUSSEL/AMSTERDAM (DFT) - Fortis expects a complete breakdown of the American financial markets within days or weeks. This explains, according to the bank insurer, the series of interventions on Thursday with the aim of strengthening themselves by € 8 billion. "We are ready at the last moment. The U.S. is doing much worse than we had thought,” said Fortis chairman Maurice Lippens, who insists that CEO Votron shall not be replaced. Fortis expects bankruptcies of 6000 U.S. banks that have low coverage. "But the same goes also for Citigroup and General Motors, and thereby starts a complete meltdown in the U.S..”</blockquote>O artigo depois continua explicando como o grupo financeiro holandês-belga Fortis (Banco e Seguradora) está a passar por uma situação aflitiva, não faltando quem peça a demissão do seu executivo (CEO). O <a href="http://app2.diarioeconomico.com/de/bolsa/Ficha?cod=AMFOR">Fortis</a> perdeu cerca de 67% do valor das suas acções desde o ano passado.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13812866-1715841011311731221?l=peakoilportuguese.blogspot.com'/></div>Luis Rochahttp://www.blogger.com/profile/12337689984724786054noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-13812866.post-79554207758554720252008-06-21T16:46:00.000-07:002008-06-21T16:48:59.799-07:00<strong><span style="font-family:arial;font-size:130%;">Dependência e ineficiência energética em Portugal:<br />não diminui devido à politica do governo de Sócrates de promoção do transporte rodoviário</span></strong><br />por Eugénio Rosa [*]<br /><br />RESUMO DESTE ESTUDO<br /><br />O governo de Sócrates não tem qualquer estratégia para os problemas do País. Multiplica os concursos para mais auto-estradas (10, com um custo superior a 2,5 mil milhões de euros) e atrasa a modernização do transporte ferroviário convencional (ex. linha da Beira Baixa).<br /><br />A forte dependência enérgetica do País, num contexto de energia cada vez mais cara, é um dos problemas mais graves que Portugal enfrenta actualmente, constituindo também uma das causas da crise geral que abala a economia e a sociedade portuguesa. Em 2005, segundo o Eurostat, a taxa de dependência energética média da União Europeia (25 países) atingia os 56,2%, enquanto em Portugal alcançava 99,4%.Esta dependência energética está associada a uma elevada ineficiência no uso da energia, o que constitui até uma das suas causas. Como revelam os dados do Eurostat, em 2005, a "intensidade energética" portuguesa era superior à média da União Europeia dos 25 países em 17,8%; e se consideramos os 15 países mais desenvolvidos (UE15), a de Portugal já era superior em 30,6%. Por outras palavras, em Portugal para se produzir 1000 euros de riqueza (PIB) consome-se mais 17,8% de energia do que a média da UE25, e mais 30,6% do que a média da UE15. E nos últimos 11 anos (1994-2005) essa ineficiência energética, no lugar de se reduzir, até aumentou, portanto uma tendência contrária à registada na U.E.. Entre 1994 e 2005, a energia gasta para produzir 1000 euros de riqueza (PIB) aumentou de 234,54 kg "equivalente de petróleo" ( para 241,43 kg. (+ 2,9%) em Portugal, enquanto na UE25 diminuiu de 231,34 para 204,89 kg, (-11,4%) e, na UE15, desceu de 206,1 para 184,85 kg. (-10,3%).<br /><br />O principal consumidor de energia importada em Portugal é o sector de transportes. Já em 2002, este sector consumia 60% do petróleo, enquanto toda a industria transformadora gastava 14%, os serviços 8%, e o consumo da agricultura, pescas e industria extractiva era apenas de 4%. A grave distorção que se verifica actualmente no sistema de transportes em Portugal, agrava a ineficiência e a dependência energética, e sujeita o país à chantagem fácil dos patrões de transportes de mercadorias, como se verificou na recente "greve" dos patrões deste sector. Em 1995, a importância (peso ) do transporte rodoviário em Portugal era já significativamente superior à média da União Europeia, pois correspondia a 90,3% de todo o transporte interno, enquanto a média na UE25 era de 72,2% e, na UE15, de 76,6%. E entre 1995 e 2006, a situação agravou-se pois, em 2006, em Portugal o transporte rodoviário correspondeu a 94,9% do transporte total interno, enquanto na UE25 era de 77% e, na UE15, de 79,1%. Portanto, é o modo de transportes mais caro e poluente, que agrava a ineficiência e a dependência energética que tem, em Portugal, a quase exclusividade do transporte, pois cabe aos outros modos de transporte (ferroviário, fluvial e marítimo) apenas 4,1% do transporte total.<br /><br />Em Portugal, o transporte ferroviário de mercadorias é um transporte residual. Entre 1995 e 2005 (10 anos), o transporte ferroviário de mercadorias passou de 2019 milhões de t/km para 2422 milhões de t/km (+409 milhões t/km), enquanto, entre 2002 e 2005 (apenas 3 anos), o transporte rodoviário de mercadorias aumentou em 19158 milhões de t/km (+44,3%), pois passou de 29724 milhões de t/km para 42882 milhões de t/km. Este crescimento vertiginoso do transporte rodoviário de mercadorias determinou que, já em 2005, este transporte representasse no total "rodoviário + ferroviário" de mercadorias 94,7%, enquanto em países muito mais ricos, como a Alemanha, representava 76,3%; na Finlândia 76,6%; na Suécia 63,9%; etc... Esta grave distorção determina custos acrescidos para o País, pois o transporte rodoviário, em termos de eficiência e dependência energética, é muito mais caro, para além de ser mais poluente, e torna o País refém dos patrões privados de mercadorias como ficou claro. Em Portugal, o transporte individual de passageiros tem registado um forte crescimento desde 1995, pois , entre 1995 e 2006, o peso do transporte individual passou de 71,7% para 82,8% do transporte total de passageiros. Desta forma, o transporte colectivo de passageiros está-se a transformar num transporte residual (em 1995, representava 28,3% do total e, em 2006, apenas 17,2%). E isto apesar do transporte individual ser muito caro para o País e altamente poluente.<br /><br />Os sucessivos governos e, nomeadamente o de Sócrates, tem promovido o transporte rodoviário (mercadorias e individual), pois tem investido muito mais nas infra-estruturas rodoviárias (recordem-se os recentes anúncios por Sócrates e Mário Lino da construção de mais auto-estradas), e muito pouco nas ferroviárias. De acordo o MOPTC, em 2006 e 2007 cerca de 90% do financiamento feito através do Orçamento do Estado (PIDDAC) foi para infra-estruturas rodoviárias, cabendo `REFER, CP e metros menos de 10%. É urgente inverter esta situação. Infelizmente, nenhuma força politica ou social tem exigido isso com clareza.<br /><br />Um registo para terminar. Nas duas "greves " dos patrões (pesca e transportes de mercadorias) ficou claro o sentido de classe deste governo, ou seja, que interesses de classe ele defende. Como eram patrões, o governo satisfez rapidamente as suas principais reivindicações e ordenou que as forças da ordem não interviessem. Quando são trabalhadores as declarações do governo e o comportamento das polícias são bem diferentes. Dois pesos e duas medidas.<br /><br />As recentes "greves" dos patrões das pescas e dos transportes de mercadorias, a pretexto do aumento rápido dos preços dos combustíveis (os combustíveis representam entre 35% a 45% da estrutura de custos), cujas consequências são graves, nomeadamente nas pequenas empresas, em que a incapacidade e o espírito de classe do governo de Sócrates ficou é apenas um episódio de uma crise muito mais profunda, que certamente terá novos episódios no futuro, da dependência energética a que chegou o País, determinada por politicas erradas dos sucessivos governos, que estão a ser continuadas pelo actual governo como se provará neste estudo<br /><br />PORTUGAL É O PAÍS DA UNIÃO EUROPEIA EM QUE A DEPENDENCIA ENERGÉTICA É MAIS ELEVADA<br /><br />O quadro seguinte, construído com dados recentes divulgados pelo Eurostat, mostra a elevada dependência energética do nosso País no contexto dos países da União Europeia<br /><br />Tabela 1.<br /><br />Segundo o Eurostat, a taxa de dependência energética obtém-se dividindo as importações liquidas pelo consumo bruto de energia. E como mostram os dados do quadro, em 2005, a taxa energética média na União Europeia (25 países) atingia os 56,2%, enquanto em Portugal atingia 99,4%, portanto a dependência energética portuguesa era superior em 76,9% à média comunitária.<br /><br />A DEPENDENCIA ENERGÉTICA DO PAÍS ESTÁ ASSOCIADA À INEFICIÊNCIA ENERGÉTICA<br /><br />Portugal é, depois de Chipre, o país da União Europeia onde a dependência energética é mais elevada, mas é também o país onde para se produzir 1000 euros de riqueza (PIB) se gasta mais energia, e onde a ineficiência energética no lugar de se reduzir, como tem sucedido na U.E, até tem aumentado nos últimos anos como revela o quadro construído com dados do Eurostat.<br /><br />Tabela 2.<br /><br />A intensidade energética mede a quantidade de energia, calculada com base em "quilos equivalentes de petróleo" (pode ser também em toneladas equivalentes de petróleo, tep), que é necessário para produzir 1000 euros de riqueza ( PIB). E como revelam os dados do Eurostat, em 2005, a "intensidade energética" portuguesa era superior à média da União Europeia dos 25 países em 17,8%; e se consideramos os 15 países, mais desenvolvidos que constituíam a U.E. antes do alargamento, a de Portugal já era superior em 30,6%. Por outras palavras, em Portugal para produzir 1000 euros de riqueza (PIB) consumia mais 17,8% de energia do que a média da UE25, e mais 30,6% do que a média da UE15.<br /><br />E nos últimos 11 anos (1994-2005) essa ineficiência energética, no lugar de se reduzir, até aumentou, ou seja, registou uma tendência contrária à verificada na União Europeia. Assim, entre 1994 e 2005, a "intensidade energética" da economia portuguesa, ou seja, a energia gasta para obter 1000 euros de PIB passou de 234,54 Kg "equivalente de petróleo" (KEP) para 241,43 Kg., ou seja, agravou-se em 2,9%, enquanto na UE25 baixou de 231,34 para 204,89 Kg, (-11,4%), e na UE15 diminuiu de 206,1 Kg. para 184,85Kg. (-10,3%).<br /><br />O SECTOR DE TRANSPORTES É O PRINCIPAL CONSUMIDOR DE PETRÓLEO<br /><br />O principal consumidor de energia em Portugal com origem no petróleo são os transportes. Já em 2002, este sector consumia mais do que a industria como mostram os dados do quadro seguinte.<br /><br />Tabela 3.<br /><br />Em 2002, 60% da energia primária que tinha como origem o petróleo era consumido pelo sector de transportes, enquanto o consumo da industria transformadora correspondia apenas a 14%; o dos serviços a 8%; e o da agricultura, pescas e industria extractiva era apenas de 4%.<br /><br />A DISTORÇÃO NO SISTEMA DE TRANSPORTES AGRAVA A INEFICIÊNCIA E A DEPENDENCIA ENERGÉTICA E SUJEITA O PAÍS À CHANTAGEM FÁCIL DOS PATRÕES DE MERCADORIAS<br /><br />Portugal é o país da União Europeia onde é maior o peso do transporte rodoviário no transporte total como mostra o quadro seguinte, construído com dados do Eurostat.<br /><br />Tabela 4.<br /><br />Em 1995, a importância (peso) do transporte rodoviário em Portugal era já significativamente superior à média da União Europeia. Nesse ano, em Portugal correspondia a 90,3% de todo o transporte interno, enquanto a média na UE25 era de 72,2% e, na UE15, de 76,6%. Entre 1995 e 2006, esta situação agravou-se tendo atingido, neste último ano, em Portugal 94,9% de todos os transportes, enquanto na UE25 correspondia a 77% e, na UE15, a 79,1%. É o modo de transportes mais caro e poluente, que agrava a ineficiência e a dependência energética, que tem a quase exclusividade do transporte no nosso País, pois o que resta para os outros modos de transporte (ferroviário, fluvial e marítimo) é apenas 4,1% do transporte total.<br /><br />EM 3 ANOS O TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE MERCADORIAS AUMENTOU 44%, ENQUANTO O FERROVIÁRIO CRESCEU EM 10 ANOS APENAS 21% REPRESENTANDO, em 2006, APENAS 5,3%<br /><br />O transporte ferroviário de mercadorias é, em Portugal, residual como mostra o quadro .<br /><br />Tabela 5.<br /><br />Entre 1995 e 2005, o transporte ferroviário de mercadorias passou de 2019 milhões de t/km para 2422 milhões de t/km, ou seja, cresceu apenas 409 milhões de t/km (21%) enquanto, entre 2002 e 2005, ou seja, em somente três anos, o transporte rodoviário de mercadorias aumentou em 19158 milhões t/km (+44,3%). Este crescimento tão vertiginoso do transporte rodoviário de mercadorias determinou que, já em 2005, o transporte rodoviário representasse no total do transporte "rodoviário + ferroviário de mercadorias" 94,7%, enquanto em países muito mais ricos, como a Alemanha, representasse 76,3%, Finlândia 76,6%, Suécia 63,9%. Esta grave distorção determina custos acrescidos para o País, pois o transporte rodoviário, em termos de eficiência e dependência energética, é mais caro, para além de ser mais poluente, e torna o País refém dos patrões de mercadorias como ficou claro no recente conflito. E as medidas anunciadas pelo governo para satisfazer as reivindicações dos patrões dos transportes de mercadorias não vão no sentido de alterar esta situação; pelo contrário, têm como objectivo mantê-la e até reforçá-la.<br /><br />O TRANSPORTE INDIVIDUAL JÁ REPRESENTA MAIS DE 82% DO TRANSPORTE DE PASSAGEIROS<br /><br />Apesar do transporte individual ser muito caro (um carro um passageiro) e altamente poluente, ele tem crescido muito em Portugal, representando um valor muito elevado como mostra o quadro.<br /><br />Tabela 6.<br /><br />Em Portugal, o transporte individual de passageiros tem registado um forte crescimento desde 1995, pois , entre 1995 e 2006, o peso do transporte individual passou de 71,7% para 82,8%. Consequentemente, o transporte colectivo de passageiros reduziu-se sendo cada vez mais reduzido (em 1995, correspondia a 28,3% do total; em 2006, a 17,2%). E isto apesar do transporte individual ser muito caro para o País, agravando a ineficiência e a dependência energética, e altamente poluente.<br /><br />O GOVERNO TEM PROMOVIDO O TRANSPORTE RODOVIÁRIO PRIVADO DE MERCADORIAS E O INDIVIDUAL INVESTINDO MAIS NAS INFRAESTRTURAS RODOVIÁRIAS<br /><br />Os sucessivos governos e, nomeadamente o de Sócrates, tem promovido o transporte rodoviário de mercadorias e o transporte individual, como provam os dados do quadro seguinte.<br /><br />Tabela 7.<br /><br />De acordo com dados do Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, em 2006, o financiamento do Orçamento do Estado, através do PIDDAC, feito por meio da empresa Estradas de Portugal de infra-estruturas rodoviárias representou 89,5% do financiamento do investimento total de em infra-estruturas rodoviárias e ferroviárias e, em 2007, correspondeu a 90%. Em contrapartida, o financiamento do transporte ferroviário convencional (REFER + CP) representou apenas 1,6% do financiamento do Orçamento do Estado em 2006 e, em 2007, somente 2,5%. O financiamento dos metros (Lisboa, Mondego, Porto e Sul) representou, em 2006, 7,4% e, em 2007, somente 5,6%. Em relação ao financiamento comunitário, uma parte substancial foi também para as infra-estruturas rodoviárias (Estradas de Portugal) : 35,2% do total em 2006 e, em 2007, atingiu 52%. Portanto, o restante investimento realizado por estas empresas em infra-estruturas teve de ser financiado com os chamados "recursos próprios" que têm fundamentalmente como origem empréstimos obtidos junto da banca, o que determinou o aumento do seu endividamento. Isto, em empresas que já têm elevadíssimos passivos e quando as infra-estruturas públicas de transportes deviam ser financiadas fundamentalmente pelo Orçamento do Estado já que os portugueses pagam vários impostos (ISP e IA, e mesmo uma parcela do IVA) precisamente com esse objectivo. Em 2008, esta grave distorção não melhorou pois, de acordo com a Lei 55/2007 aprovada pelo PS, 600 milhões de euros do ISP são encaminhados directamente para as Estradas de Portugal, que foi transformada em sociedade anónima por este governo. Fica assim claro que o governo de Sócrates têm promovido também o transporte rodoviário e, dentro destes, o privado de mercadorias e o individual, na medida que continuou a canalizar a maior parte dos fundos públicos para infra-estruturas rodoviárias.<br /><br />É URGENTE INVERTER A GRAVE DISTORÇÃO DO SISTEMA DE TRANSPORTES<br /><br />A continuação de uma politica que tem promovido, na prática, o transporte privado rodoviário de mercadorias em prejuízo do transporte ferroviário, fluvial e marítimo de mercadorias; e o transporte individual em prejuízo do transporte público colectivo de passageiros, só poderá agravar a ineficiência e a dependência energética do País e, assim, contribuir para agravar e prolongar a grave crise económica em que o País está mergulhado. Durante os debates dos Orçamentos de Estado de 2006, 2007 e 2008, em que participamos como deputado, levantámos sistematicamente esta questão e, embora o ministro Mário Lino tenha reconhecido a sua justeza, o certo é que as propostas apresentadas por este governo têm ido sempre no sentido de considerar prioritário o investimento no rodoviário considerando secundário o na ferrovia convencional e no metro.<br /><br />Ignorar a realidade que a linguagem fria dos números revelam, e fazer passar a mensagem, mesmo que não seja de uma forma directa, que a solução está em baixar os preços dos combustíveis para manter um sistema de transportes assente no transporte rodoviário e, dentro deste, no transporte privado de mercadorias e no transporte individual, é seguir uma direcção errada e criar falsas expectativas que poderão sair muito caras ao País e aos portugueses. Numa altura de energia cada vez mais cara, é necessário aumentar significativamente o investimento público no transporte ferroviário convencional, fluvial e marítimo de mercadorias, e no transporte colectivo de passageiros, o que este governo não faz.. O silêncio que se observa actualmente sobre esta matéria e reivindicar soluções que se traduzem, na prática, pela manutenção do actual sistema de transportes caro e poluente, causador também da elevada ineficiência e dependência energética, só poderá contribuir para agravar e prolongar a actual crise. Os mini-metros das regiões metropolitanas de Lisboa e do Porto, a escassez e mau estado do material circulante do metro de Lisboa são exemplos do estado a que chegou todo o sistema de transportes colectivos causado pela politica dos sucessivos governos e continuada pelo governo de Sócrates perante o silêncio e passividade das forças politicas e sociais.<br />15/Junho/2008<br /><br />[*] Economista, edr@mail.telepac.pt<br /><br />Este artigo encontra-se em <a href="http://resistir.info/e_rosa/crise_energetica.html">http://resistir.info/e_rosa/crise_energetica.html</a>.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13812866-7955420775855472025?l=peakoilportuguese.blogspot.com'/></div>Luis Rochahttp://www.blogger.com/profile/12337689984724786054noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-13812866.post-80228054977819375732008-06-02T17:44:00.000-07:002008-06-02T17:46:41.407-07:00<strong><span style="font-family:arial;"><span style="font-size:180%;">Combustíveis e clima abalam o "american way of life"</span><br /></span></strong><span style="font-family:arial;font-size:85%;">1 DE JUNHO DE 2008</span><br /><br />O preço do petróleo e a mudança climática põem em xeque o modelo urbanístico dos EUA, baseado em grandes áreas residenciais. Levittown, o primeiro subúrbio residencial, lidera uma pequena revolução para reduzir o consumo.<br /><br />Em uma das ruas principais de Hicksville, um povoado de Long Island a uma hora do centro de Nova York, há um cartaz que recomenda aos motoristas: "Troquem o posto de gasolina pela estação de trem".<br /><br />Com os preços dos combustíveis na estratosfera e a ameaça de mudança climática fora de discussão, cada vez mais habitantes dessa região formada por quilômetros e quilômetros de zonas residenciais estão conscientes da necessidade de mudar de estilo de vida. Mesmo que seja por causa da conta de gasolina.<br /><br />Long Island ainda é a pátria das urbanizações características da classe média norte-americana, com casas de dois andares e jardins construídas no final da Segunda Guerra Mundial, coincidindo com o regresso de centenas de milhares de soldados e o início de uma longa era de prosperidade.<br /><br />Mas Suburbia -o nome dessa cidade imaginária que se estende de Long Island à Califórnia, de Chicago ao Texas- passa por um mau momento. Desde que foi criado há 60 anos, no que era um campo de batatas perto de Hicksville, Levittown, considerado o primeiro bairro residencial do país, Suburbia foi o cenário do "American way of life". Um estilo de vida indissociável da dependência do petróleo e do consumo energético desenfreado.<br /><br />A construção das urbanizações e a rede de autopistas ocorreram paralelamente. Sem as primeiras não se entende a dependência do automóvel pelos americanos. Quem vive em uma dessas áreas -e mais da metade dos 300 milhões de americanos vivem nelas- precisa do carro para ir comprar e trabalhar.<br /><br />Viver sem automóvel? Nem em Levittown é possível. "É muito difícil", diz Louise Cassano, ao volante de seu carro enquanto conduz o visitante pelas ruas do bairro prototípico.<br /><br />Cassano, casada e com dois filhos já adultos, mora aqui desde 1951. Quatro anos antes, a empresa familiar Levitt & Sons começou a construir as 17 mil casas para outras tantas famílias jovens que começavam do zero. Não está claro se Levittown foi realmente o primeiro, mas serviu de modelo para as centenas de subúrbios que brotaram por todo o país.<br /><br />Quando Cassano, que tem uma pequena empresa de relações públicas, chegou aqui, procedente do bairro nova-iorquino do Brooklyn, era menina. Seu pai era bombeiro e usava o único carro que havia na casa.<br /><br />"Não havia serviço telefônico. Os serviços de ônibus eram horríveis. Íamos sempre andando", lembra.<br /><br />As vantagens de viver em Levittown, porém, eram indiscutíveis. A área residencial representava o sonho da casa com jardim ao alcance de todos. Longe da sujeira e do ruído urbanos, o ambiente era limpo e seguro.<br /><br />"Nunca trancávamos a porta", diz Cassano. Com os anos, os moradores dessas regiões compraram outro carro. A gasolina era "de graça". A era de Levittown também foi a dos "malls", os imensos centros comerciais que serviram de rua principal dos bairros residenciais.<br /><br />Enquanto ocorria o êxodo para a periferia, o centro das cidades empobreceram e foram tomados pela violência e o abandono.<br /><br />O crescimento dos subúrbios tinha limites. Em seu livro "A Opção do Urbanismo", o urbanista Christopher B. Leinberg afirma que essa evolução "fomentou a decadência urbana, aumentou as emissões de gases do efeito estufa e contribuiu para o aumento da obesidade e da asma".<br /><br />Leinberg acredita que o esgotamento do modelo energético, as mudanças demográficas -a proporção de famílias com filhos diminuiu- e a crise imobiliária vão acelerar uma "mudança importante na maneira de viver e trabalhar de muitos americanos".<br /><br />Para reduzir drasticamente as emissões, seria preciso uma revolução: ou construir uma rede de transportes públicos que alcançasse todos os subúrbios do país -coisa improvável, nem que seja pelas dimensões dessas áreas residenciais-, ou que seus habitantes voltassem de repente para o centro das cidades. O repovoamento das cidades já é um fato, mas dificilmente representará a morte dos subúrbios.<br /><br />Enquanto isso, em Levittown buscam soluções mais realistas. Pioneiros há 60 anos, querem voltar a sê-lo agora. Tom Suozzi, o presidente do condado de Nassau, onde se encontra Levittown, lançou uma iniciativa para revigorar a área. Associado a empresas privadas, o condado ofereceu milhares de lâmpadas de baixo consumo, assim como facilidades para substituir as velhas caldeiras ou instalar painéis solares.<br /><br />Os Cassano trocaram as lâmpadas há dez anos e instalaram um aparelho para economizar combustível para a caldeira, o que reduz ao mesmo tempo a poluição e a conta de energia no fim do ano.<br /><br />"Temos de recrutar os americanos comuns", diz Brad Tito, assessor de Suozzi em questões ambientais. "As mudanças começam em casa."<br /><br />Fonte: La Vanguardia/<a href="http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=38042">Diário Vermelho</a><br />Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves / UOL Mídia Global<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13812866-8022805497781937573?l=peakoilportuguese.blogspot.com'/></div>Luis Rochahttp://www.blogger.com/profile/12337689984724786054noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-13812866.post-28987126950824079782008-06-01T16:29:00.000-07:002008-06-01T16:48:00.784-07:00<strong>A "sui generis" way of talking about Peak Oil</strong><br /><embed src="http://www.youtube.com/v/bVeXDHdQcIM&hl=" width="425" height="355" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent"></embed><br /><br />Nota: Falando sobre o Pico do Petróleo (Peak Oil) numa forma "sui generis". Uma ideia de uma activista do pico do petróleo norte-americana, chamada Kris Can.<br /><br />Thank you note: from Portugal (Europe) to Kris Can. Nice idea. It sure grabs the attention.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13812866-2898712695082407978?l=peakoilportuguese.blogspot.com'/></div>Luis Rochahttp://www.blogger.com/profile/12337689984724786054noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-13812866.post-87141631504546615202008-05-31T15:20:00.000-07:002008-05-31T15:28:27.742-07:00Nota: Finalmente... agora só falta que os burocratas do governo brasileiro sigam o exemplo e deixem de subsidiar a desflorestação, poluição e escravidão do seu "milagroso" etanol de cana de açúcar. Quanto cinismo têm estes políticos do Brasil que confundem ambientalismo com os lucros dos seus produtos para exportação no seu complexo agro-industrial.<br /><br /><strong><span style="font-family:arial;font-size:180%;">União Européia propõe fim do subsídio para o álcool (leia-se etanol)</span></strong><br /><span style="font-family:arial;font-size:85%;">21 DE MAIO DE 2008<br /></span><br />A Comissão Européia, o braço executivo do bloco composto pelos 27 países da UE, propôs o fim do subsídio pago aos agricultores para cultivar lavouras usadas na produção de biocombustível. A proposta faz parte de um pacote para tentar elevar a produção agrícola do bloco no momento em que a cotação de vários alimentos está batendo recorde.<br /><br />Pela proposta, a União Européia tentará fazer com que esses agricultores cultivem outros alimentos. Em nota, o bloco também disse não descartar que não será alcançada a meta de que 10% dos veículos da região usarão álcool até 2020.<br /><br />"A meta nunca foi alcançar a qualquer preço 10% de [carros movidos a] biocombustível. São 10% sob algumas condições rigorosas. Entre essas condições estão um esquema de sustentabilidade robusto e factível e a viabilidade comercial dos biocombustíveis de segunda geração. O esquema de sustentabilidade da UE está no momento sendo discutido no Conselho e no Parlamento europeus. Ele será o primeiro desse tipo no mundo. Ele precisará garantir que a produção não terá efeitos colaterais negativos e que será robusta e executável."<br /><br />O projeto do Conselho Europeu para a PAC (Política Agrícola Comum) do bloco prevê medidas como a redução do subsídio pago aos donos de propriedades maiores e o fim da exigência para que os produtores não cultivassem anualmente 10% das suas terras. "A UE reagiu com rapidez ao aumento repentino dos preços dos alimentos. Estamos lidando com um problema com múltiplas causas e várias conseqüências. Por isso, temos de agir ao mesmo tempo em várias frentes para solucioná-lo", afirmou, em comunicado, o presidente da Comissão Européia, o português José Manuel Durão Barroso.<br /><br /><strong>Alterações</strong><br /><br />O novo projeto, que vai até 2013, será encaminhado no próximo mês ao Conselho Europeu (que reúne os chefes de Estados) e precisa ser aprovado pelo Parlamento do bloco e pelos ministros da Agricultura da região. A expectativa é que ele só seja aprovado em novembro.<br /><br />Até lá, no entanto, o projeto deve sofrer alterações. A França, que é o principal produtor agrícola do bloco e o que mais recebe subsídios, se manifestou contra a proposta. O ministro da Agricultura, Michel Barnier, afirmou que alguns pontos "não são aceitáveis".<br /><br />Os franceses defendem que, com a alta dos preços dos alimentos, é cada vez mais importante a ajuda aos agrícolas. "A crise alimentícia nos dá um motivo para preservar a capacidade de produção que temos na Europa", disse Barnier. Já outros países, como o Reino Unido, defendem cortes mais profundos e afirmam que a subida dos preços tornou a ajuda desnecessária. A Alemanha também já disse ser contra a alguma das medidas.<br /><br />Para a comissária da Agricultura da UE, Mariann Fischer Boel, as novas medidas "são para dar liberdade aos nossos agricultores, para que eles possam atender a crescente demanda e responder rapidamente ao que o mercado está dizendo para eles". "Trata-se também de simplificar, racionalizar e modernizar a PAC e dar aos nossos agricultores os meios necessários para enfrentar os novos desafios, tais como as alterações climáticas."<br /><br /><strong>Brasil aprova</strong><br /><br />O ministro Reinhold Stephanes (Agricultura) disse que a decisão da União Européia de propor a eliminação do subsídios à produção de etanol deve ser festejada. "Isso traz boas perspectivas." Ele ressaltou que a medida precisará ser aprovada por todo o bloco e que há resistências de alguns integrantes da UE. Ele lembrou que, se aprovada, a medida levará de quatro a seis anos para ser implantada.<br />Apesar da cautela, Stephanes disse que esse posicionamento indica que os europeus estão propensos a rever os subsídios. "Isso mostra que a UE estava tendo problema de substituição da produção de etanol por alimentos, estava pagando subsídio alto e produzindo a um custo quase três vezes maior que o álcool brasileiro."<br /><br />Segundo Stephanes, no Brasil o custo de produção é de US$ 0,40 por litro, enquanto, na Europa, sobe para entre US$ 1 e US$ 1,20. Ele disse que a proposta não tem relação com eventuais mudanças na política de alguns países europeus de subsidiar a produção agrícola, mas sim com a preocupação com a falta de alimentos.<br /><br />Fonte: <a href="http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=37507">Diário Vermelho/FdeSP</a><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13812866-8714163150454661520?l=peakoilportuguese.blogspot.com'/></div>Luis Rochahttp://www.blogger.com/profile/12337689984724786054noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-13812866.post-6080272325682732842008-05-31T15:19:00.000-07:002008-05-31T15:20:19.619-07:00<strong><span style="font-family:arial;"><span style="font-size:180%;">Economia japonesa é pressionada por desemprego e inflação</span><br /></span></strong><span style="font-family:arial;font-size:85%;">30 DE MAIO DE 2008</span><br /><br />O desemprego no Japão atingiu seu maior nível em sete meses enquanto o gasto doméstico, produção industrial e início de construção de moradias caíram no mês passado em sinais mais profundos de uma economia em problemas na qual a inflação é vista caminhando para outro recorde na década.<br /><br />A inflação desacelerou para 0,9% em abril, graças a uma redução no imposto sobre a gasolina, mas economistas alertaram que é provável um aumento para cerca de 1,4% no número de maio, elevando a perspectiva de uma estagflação à medida em que a economia dos país desaquece.<br /><br />Os mercados, mirando o crescente custo de vida e a baixa taxa de juros de 0,5% no país, estão precificando um aumento na taxa de juros no ano que vem, apesar do Banco do Japão no mês passado ter reduzido probabilidade de elevar os juros.<br /><br />O banco central japonês está preocupado com a crise de hipotecas de alto risco, que já afetou as exportações do país para os Estados Unidos, e o efeito da elevação dos preços do petróleo e das matérias-primas.<br /><br />O surpreendente salto na taxa de desemprego para 4,0% segue grandes cortes no setor de construção e economistas apontam para mais problemas à frente -- com a proporção de vagas abertas disponíveis para candidatos caindo ainda mais em abril.<br /><br />Fonte: <a href="http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=37949">Diário Vermelho</a><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13812866-608027232568273284?l=peakoilportuguese.blogspot.com'/></div>Luis Rochahttp://www.blogger.com/profile/12337689984724786054noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-13812866.post-69022027627934958692008-05-18T18:46:00.000-07:002008-05-18T19:06:17.741-07:00<strong>A teimosia do Lobby pro-biocombustíveis</strong><br /><br />Enquanto os preços internacionais do petróleo e dos alimentos sobem, o Brasil - um gigante da produção agrícola - vê-se na insólita situação de ter de tomar medidas drásticas para controlar a inflação dos alimentos básicos, um assunto altamente sensível num país em que a grande maioria da população é pobre (e logo gasta quase todo o rendimento em comida).<br /><br /><a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u395569.shtml">A inflação sobe fortemente no Brasil (Folha online, 18 de Maio de 2008)</a><br /><br />Mais insólito é como o governo brasileiro prefere cortar os impostos de importações alimentares do que promover a produção interna de cereais alimentícios, quando o país tem amplas capacidades de se autoabastecer.<br /><br /><a href="http://vermelho.org.br/emergencia/maio/1505_pao_inflacao.asp">Contra a inflação, governo corta impostos do pão e do trigo (DV, 18 de Maio de 2008)</a><br /><br />Repare-se em alguns dos produtos que mais subiram no último mês (sublinho que se trata de inflação mensal e não anual), citando o jornal <em>Folha de São Paulo</em>: <br /><br />"Em abril, (...) subiram os preços do óleo de soja (8,82%), açúcar cristal (4,89%) e leite pasteurizado (3,41%)."<br /><br />Justamente produtos alimentares extraídos da cana de açúcar e da soja que tanto têm sido desviadas para a produção dos biocombustíveis.<br /><br />A este respeito mencione-se a seginte manchete do Brasil:<br /><br /><a href="http://vermelho.org.br/emergencia/maio/1505_safra_cana.asp">Energia: 70% da safra de cana-de-açúcar vira biocombustível</a><br /><br />Ou seja enquanto isso atinge-se níveis recorde de desvio de alimentos para a produção de combustíveis. E o governo brasileiro insiste na já decrebilizada ideia de que os biocombustíveis são uma panaceia para acabar de vez com a dependência do petróleo (nomeadamente nos transportes). Isto apesar da ONU junto com inúmeras organizações ecologistas e camponesas já apelidarem a produção de biocombustíveis como um "crime contra a humanidade".<br /><br />A irresponsabilidade do governo brasileiro de Lula, agora põe em risco até os alimentos essenciais dos brasileiros, o que num gigante agrícola é uma imensa ironia.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13812866-6902202762793495869?l=peakoilportuguese.blogspot.com'/></div>Luis Rochahttp://www.blogger.com/profile/12337689984724786054noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-13812866.post-58908439326620395232008-03-15T10:21:00.000-07:002008-03-15T10:22:34.155-07:00<strong><span style="font-family:arial;font-size:180%;">Pesquisa: para 70% dos economistas, EUA já vivem recessão</span></strong><br /><span style="font-family:courier new;">14/03/2008</span><br /><br />Economistas americanos estão cada vez mais certos de que os EUA entraram em recessão, segundo a mais recente pesquisa de previsões feita pelo Wall Street Journal. Dos 51 economistas que responderam a essa questão, 36 (mais de 70%), disseram no levantamento, realizado entre os dias 7 e 11 de março, que a economia está em recessão.<br /><br />Essa visão foi reforçada ontem com a divulgação de novos dados que mostram acentuada queda nas vendas do varejo no mês passado. "As evidências agora já não comportam dúvida", disse Scott Anderson, do Wells Fargo.<br /><br />O Departamento do Comércio dos EUA informou ontem que as vendas do varejo caíram 0,6% em fevereiro; se excluídas as categorias de automóveis e autopeças, que são mais voláteis, a queda foi de 0,2%. As quedas refletem uma acentuada desaceleração no consumo das famílias, que respondem por mais de 70% da atividade econômica dos EUA, num momento em que os americanos enfrentam uma alta dos preços de gasolina e alimentos e uma queda no valor da casa própria e outros ativos.<br /><br />O levantamento marca uma mudança vertiginosa rumo ao pessimismo em comparação com a pesquisa anterior, feita cinco semanas antes. Os economistas agora esperam que a folha de pagamento de empresas cresça em média só 9.000 vagas por mês nos próximos 12 meses. Antes se esperava aumento mensal de 48.500 vagas. Vinte economistas esperam que as folhas de pagamento cheguem de fato a encolher. Em média, eles previram que a taxa de desemprego estará em 5,5% em dezembro, ante os atuais 4,8%.<br /><br />O que está alimentando todo esse pessimismo? O relatório sobre o emprego divulgado na sexta-feira, que mostrou uma perda de 63.000 vagas em fevereiro, o segundo mês consecutivo de queda. Vinte e nove dos 55 economistas que responderam a essa questão disseram esperar que a economia se contraia no atual trimestre e 25 esperam que isso aconteça no segundo.<br /><br />Os economistas, em média, prevêem crescimento econômico pífio: só 0,1% em termos anuais no atual trimestre, e 0,4% no segundo.<br /><br />Embora a definição clássica de recessão seja a de dois trimestres consecutivos de declínio no PIB, Stephen Stanley, do RBS Greenwich Capital, ressaltou que o Birô Nacional de Pesquisa Econômica (NBER, na sigla em inglês), uma organização apartidária que é o árbitro oficial das recessões americanas, nem sempre segue estritamente essa definição. "Se a gente olhar a recessão de 2001, só houve um trimestre com PIB negativo, e pode nem haver um trimestre negativo na atual recessão", disse ele.<br /><br />Quase a metade dos economistas consultados disse que uma recessão este ano pode ser pior que as de 2001 e 1990-91. Em meio a tantos temores, eles esperam mais ação das autoridades econômicas. Segundo 63%, o uso do dinheiro público para lidar com a crise imobiliária é agora provável ou uma certeza, enquanto em média os economistas esperam que o Federal Reserve, o banco central, reduza a taxa básica dos juros, dos atuais 3% para 2% até junho.<br /><br />As autoridades monetárias do Fed se reúnem na terça, e o mercado já está incorporando a suas cotações um corte de 0,5 ponto porcentual na taxa de juros, bem como sinalizando a probabilidade de 90% de corte de 0,75 ponto. As autoridades não estavam, até esta semana, convencidas da necessidade de um corte de 0,75 ponto, dados os sinais de que a psicologia da inflação está se deteriorando.<br /><br />Mas essa opinião pode ter sido afetada pela constante turbulência no mercado de crédito, bem como pelos dados fracos de vendas no varejo e emprego. No mercado se diz que essa seria uma hora arriscada de fazer um corte de juros menor do que aquele que os investidores esperam. O Fed terá de pesar a urgência de enfrentar a crise do crédito contra o risco de parecer despreocupado com a inflação.<br /><br />O índice de preços ao consumidor de fevereiro será divulgado hoje e economistas consultados pela agência de notícias Dow Jones Newswires esperam um aumento de 4,5% em relação a um ano atrás.<br /><br />A maioria dos economistas espera que uma recuperação econômica comece no segundo semestre, quando o pacote governamental de estímulo econômico e os cortes das taxas de juros começariam a afetar a economia. Até o fim do ano, eles esperam que a inflação esteja num nível desconfortavelmente alto de 2,7%, o que levanta a questão de quando o Fed deveria começar a aumentar os juros.<br /><br />Para 84% dos economistas ouvidos, o Fed demorou para elevar os juros em 2003 e vai querer evitar esse erro. Mesmo assim, "vai levar algum tempo, na melhor das hipóteses, até que o Fed possa se sentir seguro de que a situação econômica se estabilizou", disse Bruce Kasman, do J.P. Morgan Chase.<br /><br />Uma coisa está clara: o cenário sombrio tornou o trabalho do presidente do Fed, Ben Bernanke, menos seguro, especialmente porque os EUA terão um novo presidente daqui a menos de um ano. Os economistas dão a Bernanke só 59% de chances de ser renomeado em 2010. "Se um democrata for eleito, ele não será renomeado, e [John] McCain também pode optar por outra pessoa", disse David Resler, da Nomura Securities.<br /><br />"Os problemas aconteceram sob a batuta dele", acrescentou Ram Bhagavatula, da Combinatorics Capital.<br /><br />Fonte: <a href="http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=34201">Diário Vermelho</a><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13812866-5890843932662039523?l=peakoilportuguese.blogspot.com'/></div>Luis Rochahttp://www.blogger.com/profile/12337689984724786054noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-13812866.post-53456241094600545132008-02-24T11:24:00.000-08:002008-02-24T11:26:39.604-08:00<span style="font-family:arial;"><strong><span style="font-size:180%;">Bancarrota em 2008?</span></strong><br /></span><strong><span style="font-family:arial;">Fevereiro 2008</span></strong><br /><br /><strong>Ignacio Ramonet<br />Le Monde diplomatique</strong><br /><br />Conseguirá o anúncio feito pela Reserva Federal americana de uma importante redução das suas taxas de juro evitar uma recessão nos Estados Unidos e afastar o espectro duma bancarrota mundial? Muitos peritos crêem que sim, receando quando muito uma redução do ritmo do crescimento.<br /><br />Mas outros analistas, embora adeptos do capitalismo, mostram-se muito inquietos. Em França, por exemplo, Jacques Attali profetiza que «em breve […] a Bolsa de Nova Iorque, caução da pirâmide dos empréstimos, irá desmoronar-se». Michel Rocard acrescenta mesmo: «A minha convicção é que isto irá em breve explodir» [1].<br /><br />Convém dizer que os sinais de desconfiança se estão a multiplicar. Mostra-o a actual “corrida para o ouro”, voltando o metal amarelo – cujas cotações, em 2007, aumentaram 32 por cento! – a desempenhar o seu papel de valor refúgio. Todos os grandes organismos económicos, entre os quais o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), prevêem uma diminuição do crescimento mundial.<br /><br />Quase tudo começou em 2001 com o rebentamento da bolha Internet. Para proteger os investidores, Alan Greenspan, nessa altura presidente da Reserva Federal americana, decidiu orientar os investimentos para o sector imobiliário [2]. Através de uma política de taxas muito baixas e de redução das despesas financeiras, levou os intermediários financeiros e imobiliários a incitar uma clientela cada vez maior a investir em imóveis. Foi assim estabelecido o sistema dos subprime, empréstimos hipotecários de risco e de taxa variável concedidos às famílias mais frágeis [3]. Mas quando a Reserva Federal, em 2005, aumentou a taxa de juro de referência (aquelas, precisamente, que acabara de reduzir), com isso desregulou a máquina e desencadeou um efeito dominó, fazendo vacilar o sistema bancário internacional a partir de Agosto de 2007.<br /><br />A ameaça de insolvência de quase três milhões de famílias, endividadas em cerca de 200 mil milhões de euros, levou à falência importantes instituições de crédito. Para se precaverem contra esse risco, estas tinham vendido uma parte dos seus créditos duvidosos a outros bancos, os quais os cederam a fundos de investimento especulativos, que, por sua vez, os disseminaram em bancos do mundo inteiro. Resultado: qual epidemia fulminante, a crise atingiu o sistema bancário como um todo.<br /><br />Importantes instituições financeiras – Citigroup e Merrill Lynch, nos Estados Unidos, Northern Rock, no Reino Unido, Swiss Re e UBS, na Suíça, Société Générale, em França, etc. – acabaram por admitir que tiveram perdas colossais. Algumas dessas instituições, para limitar o desastre, tiveram de aceitar capitais provenientes de fundos soberanos controlados por potências do Sul e das petromonarquias.<br /><br />Ainda ninguém sabe qual é a dimensão exacta dos danos. Desde Agosto de 2007, os bancos centrais norte­‑americano, europeu, britânico, suíço e japonês injectaram na economia centenas de milhares de milhões de euros sem conseguirem restaurar a confiança.<br /><br />Da economia financeira, a crise propagou-se para a economia real. E uma conjunção de factores – redução acelerada dos preços do imobiliário nos Estados Unidos (mas também no Reino Unido, na Irlanda e em Espanha), esvaziamento da bolha de liquidez, queda do dólar, restrição do crédito – fazem de facto temer um nítido recuo do crescimento mundial. A isso vêm ainda juntar-se outros fenómenos, tais como o aumento dos preços do petróleo, das matérias-primas e dos produtos alimentares. Ou seja, os ingredientes de uma crise que está para durar [4]. A mais importante desde que a globalização passou a constituir o quadro estrutural da economia mundial.<br /><br />A saída desta crise reside agora na capacidade que as economias asiáticas tenham para revezar o motor norte­‑americano. Nesse caso, isso será uma nova manifestação do declínio do Ocidente, pressagiando a próxima deslocação do centro da economia-mundo dos Estados Unidos para a China. E se assim for, a presente crise irá assinalar o fim de um modelo”.<br />_______<br /><br />[1] Respectivamente, L’Express, Paris, 13 de Dezembro de 2007, e Le Nouvel Observateur, Paris, 13 de Dezembro de 2007.<br /><br />[2] Cf. “Crises financières à répétition: quelles explications? quelles réponses?”, Fondation Res Publica, Paris, 2008.<br /><br />[3] Cf. André-Jean Locussol-Mascardi, Krach 2007. La vague scélérate des “subprimes”, Le Manuscrit, Paris, 2007.<br /><br />[4] Frédéric Lordon, O mundo refém do poder financeiro, Le Monde diplomatique, Setembro de 2007.<br /><br />Fonte: <a href="http://www.infoalternativa.org/autores/ramonet/ramonet115.htm">Informação Alternativa</a><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13812866-5345624109460054513?l=peakoilportuguese.blogspot.com'/></div>Luis Rochahttp://www.blogger.com/profile/12337689984724786054noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-13812866.post-66491326355639058292008-02-14T14:55:00.000-08:002008-02-14T14:57:18.563-08:00<strong><span style="font-family:arial;font-size:180%;">Opep cogita mudar preço do petróleo de dólar para euro</span></strong><br />9/02/2008<br /><br />O secretário-geral da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), Abdalla Salem el-Badri, reiterou que a organização poderá fixar o preço do petróleo em euro, em vez de dólar, em algum momento, em meio à contínua desvalorização da moeda norte-americana. "Talvez possamos precificar o petróleo em euro", disse el-Badri à revista Middle East Economic Digest, com sede em Londres, segundo entrevista divulgada no site da publicação. "Pode ser feito, mas levará tempo".<br /><br />Seus comentários reafirmam a preocupação de membros da Opep em relação à fixação do preço do petróleo em dólar, que perdeu cerca de 10% de seu valor em relação ao euro no último ano, embora dirigentes do cartel tenham ressaltado que qualquer mudança seria gradual.<br /><br />"Levou duas guerras mundiais e mais de 50 anos para que o dólar se tornasse a moeda dominante", acrescentou. "Agora estamos vendo outra moeda forte entrando (em cena), que é o euro."<br /><br />Alguns membros da Opep, sobretudo o Irã e a Venezuela, manifestaram publicamente seu interesse em não mais precificar o petróleo em dólares e talvez mudar para uma cesta de moedas. A adoção de cesta seria uma forma de os países da Opep protegerem o valor de suas exportações de petróleo do declínio do dólar em relação a outras moedas fortes. As informações são da agência Dow Jones.<br /><br />Fonte: <a href="http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=32167">Diário Vermelho</a><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13812866-6649132635563905829?l=peakoilportuguese.blogspot.com'/></div>Luis Rochahttp://www.blogger.com/profile/12337689984724786054noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-13812866.post-26564053942876116132008-02-12T08:59:00.000-08:002008-02-12T09:02:09.980-08:00<span style="font-size:180%;"><strong><span style="font-family:arial;">O espectro de 1929 ronda os Estados Unidos</span></strong><br /></span>11/02/2008<br /><br /><blockquote><em>A crise atual do capitalismo mundial é evidenciada, entre outras coisas, pelo “estouro” do sistema de créditos imobiliários nos Estados Unidos e pelo prejuízo de 10 bilhões de dólares registrado pelo Citibank, o maior desde 1945. Não se trata de uma crise qualquer, nem de “mais uma” entre tantas outras: de fato, ameaça transformar-se em uma quebra de grandes proporções. O espectro de 1929 assusta o mercado financeiro e expõe a olhos nus o frágil edifício sobre o qual se construiu a chamada “globalização”.</em></blockquote><br /><strong>Por José Arbex Jr.*</strong><br /><br />Nos Estados Unidos, centro do capitalismo mundial, centenas de milhares de famílias endividadas não têm mais de onde extrair recursos para pagar suas dívidas, especialmente numa situação em que mesmos os economistas mais “otimistas” admitem a chegada da recessão. Várias cidades do meio-oeste estadunidense apresentam hoje um cenário desolador, semelhante ao de Detroit, a antiga orgulhosa capital do automóvel, com prédios e casas abandonadas. Sãos os primeiros sinais visíveis da falência de um sistema que, ao longo dos anos 90 e início do novo século, transformou a economia em cassinos abertos ao capital especulativo.<br /><br />Como resume o historiador e economista Robert Brenner, colaborador da New Left Review: “Os anos desde o início do atual ciclo econômico, iniciado no começo de 2001, foram os piores entre todos. O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos foi o mais lento para qualquer intervalo comparativo, desde o fim dos anos 40, ao passo que a instalação de novas fábricas e equipamentos e a criação de empregos mantiveram-se, respectivamente, em níveis 1/3 e 2/3 inferiores à média geral do período pós-guerra. Os salários reais para os trabalhadores empregados diretamente na produção, cerca de 80% da força de trabalho, foram praticamente achatados, mantendo-se no nível de 1979.”<br /><br /><strong>Panela de pressão</strong><br /><br />O quadro geral não é muito diferente na Europa e no Japão. As manifestações dos jovens pobres que vivem nos subúrbios de Paris e de outras cidades francesas foram, corretamente, interpretadas como o “apito da panela de pressão” que ameaça estourar na Itália, na Alemanha, em Portugal e Espanha. Não é o caso, aqui, de explicar em detalhes os mecanismos da crise, mas sim de assinalar que o domínio do capital financeiro e especulativo sobre a economia real assegurado pelo neoliberalismo – isto é, o domínio do jogo de pôquer travado nas Bolsas de Valores e sistemas financeiros mundiais sobre a indústria e a produção de bens materiais – trouxe o mundo à beira do abismo.<br /><br />A China, cujo maior parceiro comercial são os Estados Unidos, também sente a ameaça representada pelos efeitos da recessão, podendo multiplicar o estrago em escala planetária. A demanda de matéria-prima, equipamentos e máquinas suscitada pelo extraordinário crescimento da economia chinesa na última década foi um dos motores da economia mundial, além de assegurar emprego na própria China (ainda que, em regiões altamente industrializadas, os salários praticados são vergonhosos, mesmo para padrões brasileiros). O desaceleramento eventual da economia chinesa vai produzir um efeito cascata em todos os países cujos produtos os chineses importam, incluindo, é óbvio, o Brasil.<br /><br />Quais serão, aliás, os efeitos da crise para o Brasil? Serão certamente nefastos, já que o país orientou o seu crescimento segundo um modelo agroexportador, totalmente dependente das flutuações do mercado internacional. Além disso, a brutal concentração de renda concentrou o controle da economia nas mãos de um pequeno punhado de empresas, a maioria das quais associadas ao capital transnacional ou diretamente controlada por grupos transnacionais. Com um mercado interno frágil (se houve aumento de trabalhadores com carteira assinada no governo Lula, a renda média caiu, isto é, houve o crescimento do trabalho desqualificado), a economia nacional é totalmente vulnerável às oscilações do capitalismo mundial.<br /><br />E quando o Brasil começará a sentir os efeitos da crise? Já começou, com o congelamento da queda das taxas de juros, assumido pelo Banco Central como “medida de cautela”. Isto é, o Brasil se dispõe a continuar remunerando o capital com as mais altas taxas de rendimento do mundo, por temer que a crise “seque” a fonte de dólares despejadas no país.<br /><br /><strong>Colchão de dólares</strong><br /><br />As reservas brasileiras somam, hoje, algo em torno de 200 bilhões de dólares. Segundo o governo Lula, isso representa um “colchão” confortável para aliviar os efeitos da crise. Mas se ela realmente se agravar como temem os economistas, incluindo alguns dos mais ardorosos defensores do neoliberalismo, como a revista Economist (que considera a “bolha especulativa” criada entre 2001 e 2005 como a maior, em todos os tempos), então as reservas brasileiras não serão de muita valia, pois todo o modelo econômico será colocado em questão.<br /><br />A tragédia, enfim, bate às portas do mercado mundial. Exagero? De jeito nenhum. Não por acaso, “mudança” é a palavra de ordem de Barack Obama, o pré-candidato “azarão” do atual processo de escolha dos candidatos à presidência dos Estados Unidos. Com essa simples mensagem, Obama conseguiu reunir as condições para deixar de ser um pré-candidato “exótico” e ver o seu nome seriamente levado a sério. Jovens, intelectuais, dirigentes sindicais e gente simples na rua apóiam Obama, por sentir a necessidade de “mudança”. Todos sabem que, do jeito que está, não dá mais para continuar.<br /><br />Não importa, aqui, discutir quais são as reais intenções de Obama, nem a qualidade das mudanças que um pré-candidato do Partido Democrata pode, de fato, realizar. O que importa é notar a total rejeição da opinião pública ao emblema máximo do mundo neoliberal: o presidente George Bush. Seu governo foi uma rara combinação de especulação financeira, corrupção e aventura militar, tudo ancorado no autoritarismo e repressão policial, para desembocar, agora, na crise. Se ela servir, ao menos, para colocar uma pá de cal no neoliberalismo, poderá então abrir novos caminhos para a luta de classes, nos Estados Unidos e no mundo.<br /><br /><em>* jornalista, professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC/SP) e doutor em História pela Universidade de São Paulo (USP</em><br /><br />Fonte: <a href="http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=32218">Brasil de Fato/Diário Vermelho</a><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13812866-2656405394287611613?l=peakoilportuguese.blogspot.com'/></div>Luis Rochahttp://www.blogger.com/profile/12337689984724786054noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-13812866.post-24180825140572568252008-02-08T17:41:00.000-08:002008-02-08T17:45:15.809-08:00<span style="font-family:arial;font-size:180%;"><strong>Diga-o com flores</strong></span><br /><span style="font-family:arial;">03/11/2007</span><br /><br /><strong>Uri Avnery<br />Gush Shalom</strong><br /><br />Alegrem-se, alegrem-se: a ministra dos Negócios Estrangeiros decidiu nomear uma comissão especial para tratar das “questões nucleares” da paz com os palestinianos.<br /><br />Sim, de facto. Em preparação para o encontro de Annapolis, o primeiro­‑ministro colocou a ministra dos Negócios Estrangeiros à frente das negociações com a Autoridade Palestina.<br /><br />Pode-se perguntar: não é natural que o ministério dos Negócios Estrangeiros trate da política internacional?<br /><br />Bem, pode ser natural em outros países. Em Israel, não é natural de todo.<br /><br />Já nos primeiros anos do estado, o ministério dos Negócios Estrangeiros era alvo de chacota. Um amigo meu compôs uns versinhos que podem ser mais ou menos traduzidos por «O ministério dos Negócios Estrangeiros / é muito importante / Porque sem ele / o que fariam os seus funcionários?»<br /><br />O estado nasceu em guerra. Os seus heróis eram os comandantes militares. O arquitecto do Estado, David Bem­‑Gurion, colocou os trilhos sobre os quais o estado se tem movido até hoje. Até ao seu último dia de trabalho, foi simultaneamente primeiro­‑ministro e ministro da Defesa. Nunca se deu ao trabalho de esconder o seu profundo desprezo pelo ministério dos Negócios Estrangeiros.<br /><br />Toda aquela geração partilhava desse desprezo. Homens de verdade, com o sotaque de Sabra, entravam no exército, tornavam­‑se generais e assumiam o ministério da Defesa. Os fracotes, com sotaque alemão ou anglo­‑saxão, entravam no ministério dos Negócios Estrangeiros, tornavam­‑se embaixadores e burocratas. A diferença era visível para todos.<br /><br />Isso também encontrava expressão nas relações pessoais: Ben-Gurion torturou o primeiro ministro dos Negócios Estrangeiros, Moshe Sharett, o qual via como um rival potencial. E de facto, quando Ben-Gurion decidiu, em 1953, recolher-se temporariamente na colonato de Sdeh Boker, no deserto, Sharett tornou­‑se primeiro­‑ministro. Pagou caro por isso: quando Ben-Gurion voltou do seu auto­‑exílio, atropelou Sharett e, ao preparar a campanha do Sinai de 1956, afastou-o pura e simplesmente.<br /><br />Entregou os Negócios Estrangeiros a Golda Meir, mas também lhe passou por cima. A campanha Sinai­‑Suez foi preparada pelo jovem Shimon Peres, director­‑geral do ministério da Defesa e servil admirador de Bem­‑Gurion. Ajudou a organizar a coligação franco-britânico-israelense para o ataque ao Egipto. Em troca da nossa prontidão em apoiar os franceses na sua guerra contra os insurgentes argelinos, os franceses deram­‑nos o reactor nuclear de Dimona. Tudo isto nas costas do ministério dos Negócios Estrangeiros.<br /><br />Ao longo dos anos, foi assim que se passou. As questões importantes das relações externas eram tratadas pelo gabinete do primeiro­‑ministro e pelo ministério da Defesa, com a assistência da Mossad. Os nossos embaixadores por todo o mundo tomavam conhecimento delas pelas notícias.<br /><br />Talvez isto não seja uma peculiaridade israelita de fazer as coisas. Actualmente, os presidentes e os primeiros­‑ministros conduzem a sua própria política externa. Voos rápidos, telefone internacional e o correio electrónico permitem­‑lhes comunicar-se entre si. Em quase todos os países, os ministros dos Negócios Estrangeiros vão­‑se rapidamente convertendo em empregados (ou empregadas) de escritório.<br /><br />No nosso país, isto é especialmente visível, dado o papel central que o exército desempenha na nossa vida nacional. No jogo de cartas israelense, um general vale mais que dez embaixadores. As avaliações da Inteligência Militar e os relatórios da Mossad sobrepõem­‑se a todos os documentos dos Negócios Estrangeiros – se alguém os lê sequer.<br /><br />Não consegui evitar sorrir quando li sobre a decisão de Tzipi Livni de formar uma equipa da paz.<br /><br />Há 51 anos, uma semana antes da campanha do Sinai, publiquei um artigo intitulado “O Estado­‑maior branco” que se tornou algo como a minha bandeira. Dizia que, dado que o alcance da paz era a principal missão do nosso estado, era inaceitável que não houvesse um corpo profissional encarregado exclusivamente dessa matéria. Propus a criação de um Ministério da Paz especial. O ministério dos Negócios Estrangeiros, sustinha eu, não era adequado para essa tarefa, dado que a sua principal função era empreender a luta internacional contra o mundo árabe.<br /><br />Para popularizar a ideia, afirmei que, como contraponto do “Estado­‑maior caqui”, que prepara operações de guerra, precisávamos de um “Estado­‑maior branco”, que se prepararia para as oportunidades de paz. Tal como o Estado-maior do exército prepara planos de contingência para situações militares, a equipa do Estado­‑maior branco deveria preparar planos para operações de paz. Essa equipa deveria ser composta por especialistas em assuntos árabes, diplomatas, psicólogos, economistas, especialistas em inteligência e assim por diante.<br /><br />Dez anos mais tarde, repeti esta proposta num discurso no Parlamento, posteriormente incluído numa antologia israelense de discursos importantes. Repeti a observação de que, em todo o imenso aparato governamental, com as suas dezenas de milhares de empregados, não havia sequer uma dúzia de funcionários encarregados de trabalhar pela paz.<br /><br />Isto foi precedido de um episódio bastante divertido. Eric Rouleau, um dos mais conhecidos jornalistas franceses em assuntos do Médio Oriente, organizou um encontro secreto entre mim e o embaixador tunisino em Paris. Isso foi depois de Habib Bourguiba, o lendário presidente da Tunísia, ter feito um discurso histórico em Jericó, no qual, pela primeira vez, exortara o mundo árabe a fazer a paz com Israel. Pedi ao embaixador para encorajar o seu presidente a prosseguir com essa iniciativa. O embaixador propôs um acordo: Israel usaria a sua influência em Paris para instar os franceses a melhorarem as suas relações com a Tunísia (que estavam num ponto baixo) e em troca Bourguiba renovaria a sua iniciativa.<br /><br />Corri para casa e marquei um encontro urgente com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Abba Eban. Trouxe com ele Mordechai Gazit, chefe da divisão do Médio Oriente. Eban ouviu o que eu tinha a dizer e respondeu com poucas palavras sem se comprometer. Quando ele saiu, Gazit explodiu numa gargalhada.<br /><br />«Você nem imagina como isto aqui funciona», disse ele. «Se Eban tivesse levado a sério o que você disse, e tivesse ordenado ao seu gabinete para preparar um relatório sobre as relações entre a França e a Tunísia, não conseguiriam encontrar ninguém para fazer o trabalho. Em todo o ministério dos Negócios Estrangeiros há talvez meia dúzia de pessoas que tratam de assuntos árabes».<br /><br />Então, fiz aquele discurso, e depois falei sobre ele com o primeiro­‑ministro Levi Eshkol; e mais tarde com o primeiro­‑inistro Yitzhak Rabin – mas nada saiu dali. Por isso me permito ser um pouco céptico sobre a iniciativa de Livni.<br /><br />Ultimamente, o antigo Secretário de Estado, Henry Kissinger, publicou um livro sobre a diplomacia como profissão. Ele afirma que os grandes ministros dos Negócios Estrangeiros tiveram um impacto muito mais amplo na história do que os reis e os comandantes militares.<br /><br />Não sou um dos grandes admiradores deste homem, que tem a minha idade e que, como eu, nasceu na Alemanha. Às vezes interrogo­‑me sobre o que teria acontecido se o pai dele tivesse emigrado para a Palestina e o meu pai para os EUA. Ter­‑me­‑ia eu tornado num ego­‑maníaco e num criminoso de guerra, e ele num activista da paz israelense?<br /><br />Mas estou bastante preparado para aceitar a tese central do livro: que nenhuma política externa séria é possível sem um claro e consistente objectivo de longo prazo.<br /><br />A ministra dos Negócios Estrangeiros israelita não tem tal objectivo. Ela discursa, declara e anuncia, mas não é claro para onde ela estaria a conduzir a nossa política externa, se lhe fosse permitido conduzi­‑la. Após dois anos no cargo, a sua imagem política é pálida e embaciada.<br /><br />Uma vez tenta ultrapassar Olmert pela esquerda, outra vez pela direita. Um dia fala sobre a necessidade de lidar com as “questões nucleares”, outro dia diz que o tempo não está maduro para um acordo definitivo. Ela apoiou a recente guerra do Líbano, mas agora critica-a severamente. Depois da publicação do relatório intermédio da comissão Winograd, exigiu a demissão de Olmert, tencionando substituí-lo ela mesma, mas quando essa pequena tentativa de putsch fracassou, ela permaneceu no seu governo e continua a partilhar a responsabilidade pelas suas acções e omissões.<br /><br />Livni detesta Olmert, e Olmert detesta Livni. É verdade, ambos vêm “da mesma aldeia” – o pai de Ehud e o pai de Tzipi foram ambos membros graduados do Irgun. Ambos foram criados na mesma atmosfera política de direita, ambos beberam da mesma fonte. Quando a mãe de Livni faleceu há algumas semanas, ficaram ao lado um do outro no funeral e cantaram o hino da Betar: «O silêncio nada vale / Sacrifica sangue e alma / Pela glória oculta…» (A Betar, que ainda existe, era o movimento juvenil de direita que deu nascimento ao Irgun.)<br /><br />O asco mútuo entre Ben-Gurion e Sharett, e entre Rabin e Peres repete-se hoje. Essas relações têm uma influência poderosa na política, de acordo com o famoso dito de Kissinger: «Israel não tem política externa, só tem política doméstica». (Parece­‑me que isto é verdadeiro para muitos países democráticos, incluindo os EUA.) A política externa de Israel emana de considerações domésticas: Olmert está determinado a sobreviver a qualquer custo. Dado que o seu governo inclui elementos de extrema­‑direita, e até fascistas, qualquer movimento real no sentido da paz conduziria à sua dissolução.<br /><br />Se um governo não tem um objectivo de longo prazo, como conduz a política? Kissinger não parece dar uma resposta a isto. Eu tenho uma: onde não há objectivo consciente, um inconsciente assume o controle, um objectivo preexistente que fornece um sentido como que por si próprio, por força da inércia.<br /><br />O código genético do movimento sionista leva­‑o a lutar contra o povo palestiniano pela posse de toda a Palestina histórica e pela expansão da colónia judaica do mar ao rio. Enquanto não for suplantado por uma decisão nacional de adoptar outro objectivo – uma decisão clara, aberta e de longo prazo – continuará a seguir o seu curso.<br /><br />Nenhuma decisão desse tipo amadureceu e foi adoptada. Os ministros falam sobre outras possibilidades, tartamudeiam sobre a “Solução dos dois Estados", fazem circular diversas palavras de ordem, fazem declarações e emitem decisões, mas na verdade, no terreno, a velha política continua inabalada, como se nada tivesse acontecido.<br />Se outra decisão tivesse sido adoptada, a mudança teria sido de longo alcance – da “linguagem corporal” do governo ao tom da sua voz. No momento, os acordes que fazem a música são ainda os do hino da Betar.<br /><br />Há alguma evidência da intenção de Olmert de não dar qualquer passo sério no sentido da paz? De facto, há. É a sua decisão de encarregar Tzipi Livni dos contactos com os palestinianos.<br />Se Olmert quer alcançar um avanço histórico, assegurar­‑se­‑á de que ele mesmo obterá o crédito total pelo feito. Se o entregar à sua rival, isso significa que não tem qualquer hipótese.<br /><br />Na semana passada, o governo holandês abordou o ministério dos Negócios Estrangeiros israelita com um pedido para permitir aos cultivadores de flores palestinianos da Faixa de Gaza exportar a sua mercadoria para a terra das tulipas.<br />Tzipi Livni, vice-primeira­‑ministra e ministra dos Negócios Estrangeiros, não foi capaz de atender a esse pedido modesto. O exército proibiu­‑o.<br />Ao contrário da bem conhecida expressão, eles não acreditam em dizê­‑lo com flores.<br /><br />Fonte: <a href="http://www.infoalternativa.org/autores/avnery/avnery075.htm">Informação Alternativa</a><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13812866-2418082514057256825?l=peakoilportuguese.blogspot.com'/></div>Luis Rochahttp://www.blogger.com/profile/12337689984724786054noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-13812866.post-87588455664427141412008-01-23T09:49:00.000-08:002008-01-23T09:57:13.292-08:00Nota: George Soros, um peso-pesado dos mercados financeiros (e do próprio capitalismo global) anunciou no Fórum de Davos o fim da era do Dólar. Depois disto ninguém me pode chamar catastrofista em questões monetárias (por dizer que o Dólar está a chegar ao fim da sua hegemonia global).<br /><br /><strong><span style="font-family:arial;font-size:180%;">Soros: É o Fim do Dólar como Moeda de Reserva Mundial</span></strong><br /><blockquote>``The current crisis is not only the bust that follows the housing boom, it's basically the end of a 60-year period of continuing credit expansion based on the dollar as the reserve currency,'' Soros said in a debate today at the World Economic Forum in Davos, Switzerland. ``Now the rest of the world is increasingly unwilling to accumulate dollars.''<br />(...)<br />``From the 1980s we had the belief in the magic of the marketplace, and the authorities were so successful that they started to believe in this market fundamentalism,'' he said. ``That's gone too far.'' In times of crisis, ``they suspended the rules and they bailed out the banks. That created an asymmetric incentive system, a moral hazard, that allowed the expansion of credit.''</blockquote><br />Fonte: <a href="http://www.bloomberg.com/apps/news?pid=20601170&refer=home&sid=aaqgpmbosZVM">Bloomberg </a><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13812866-8758845566442714141?l=peakoilportuguese.blogspot.com'/></div>Luis Rochahttp://www.blogger.com/profile/12337689984724786054noreply@blogger.com1tag:blogger.com,1999:blog-13812866.post-57392292504495275422008-01-18T19:41:00.000-08:002008-01-25T08:11:22.199-08:00Nota: Isto enquanto a <a href="http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=31228">ONU condena Israel por punir coletivamente os palestinos</a> - pela enésima vez. Mas não é irónico que até o Canadá acuse os EUA e Israel de torturar e violar os direitos humanos? Assim vai a decadência moral do império.<br /><br /><span style="font-family:arial;font-size:180%;"><strong>Canadá inclui EUA e Israel em lista de países com tortura</strong></span><br /><span style="font-family:arial;font-size:85%;">18 DE JANEIRO DE 2008</span><br /><br />O Ministério das Relações Exteriores do Canadá incluiu os Estados Unidos e Israel em sua lista de países onde prisioneiros sofrem risco de tortura, de acordo com um documento obtido pela agência Reuters ontem.<br /><br />O texto é parte de um manual sobre tortura para treinamento de diplomatas e menciona a prisão americana de Guantánamo, em Cuba, que mantém detido atualmente um cidadão canadense. Em sua definição de tortura, o documento cita técnicas de interrogatório usadas nos EUA, como nudez forçada, isolamento, privação do sono e manutenção de prisioneiros vendados.<br /><br />Ottawa, um aliado de Washington, tentou se distanciar do documento, que "não reflete a visão do governo", de acordo com um porta-voz do ministro das Relações Exteriores do Canadá, Maxime Bernier. O texto foi fornecido à Anistia Internacional durante um processo legal.<br /><br />Fonte: <a href="http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=31214">Reuters/Diário Vermelho</a><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13812866-5739229250449527542?l=peakoilportuguese.blogspot.com'/></div>Luis Rochahttp://www.blogger.com/profile/12337689984724786054noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-13812866.post-75845341371575364392008-01-18T19:11:00.001-08:002008-01-18T19:18:51.670-08:00Nota: A senilidade do governo Sócrates soma e segue. Agora até ignoram as declarações recentes de um comissário europeu dizendo que a UE vai rever as metas dos biocombustíveis para baixo, e enquanto isso a camarilha Sócrates utiliza a UE como justificação para subir as metas de consumo de biocombustíveis!? Onde está o "bom aluno" da UE, Sócrates agora? Pois é quando se trata de reconhecer problemas sociais e ambientais, Sócrates é o mau aluno.<br /><br /><span style="font-size:180%;"><strong>Governo aprova diploma que admite a incorporação de biocombustíveis até 20%</strong></span><br />Por: Tiago Figueiredo Silva<br /><br />O Governo aprovou hoje, em Conselho de Ministros, a resolução que aprova a incorporação de biocombustíveis nos combustíveis fósseis de 5,75% para os 10%, admitindo no entanto aumentar esta meta até aos 20%.<br /><br />"Esta Resolução vem estabelecer a estratégia para o cumprimento das metas nacionais de incorporação de biocombustíveis (combustíveis com origem em fontes renováveis) nos combustíveis fósseis (petróleo, gás natural e outros)", revela o documento.<br /><br />O Governo decidiu aumentar a incorporação de biocombustíveis nos combustíveis fósseis de 5,75%, para 10%, em 2010, num medida que pretende antecipar o objectivo da União Europeia para os biocombustíveis em dez anos, ou seja de atingir os 10%, em 2010, altura em que a UE prevê esta meta para 2020.(...)<br /><br />Resto da notícia: <a href="http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/nacional/economia/pt/desarrollo/1079194.html">Diário Económico</a><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13812866-7584534137157536439?l=peakoilportuguese.blogspot.com'/></div>Luis Rochahttp://www.blogger.com/profile/12337689984724786054noreply@blogger.com2tag:blogger.com,1999:blog-13812866.post-33204364916980434172008-01-17T10:37:00.000-08:002008-01-18T19:32:25.654-08:00Nota:O Goldman Sachs Group afirmou <a href="http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/internacional/economia/pt/desarrollo/1076001.html">recentemente </a>que a economia dos Estados Unidos caminha provavelmente para a recessão, pelo que prevê que a Reserva Federal norte-americana (Fed) reaja mediante a redução das suas taxas de juro de referência até 2,5%.<br /><br /><span style="font-size:180%;"><strong><span style="font-family:arial;">As Bolsas de todo o mundo se desmoronam enquanto a inflação dispara nos EUA</span></strong><br /></span>16/01/08<br /><br />16 de Janeiro 2008 - Continuam a surgir os maus dados económicos nos EUA e isso suscita reacções negativas nas Bolsas de todo o mundo. Desta vez a má notícia veio com os dados da inflação norte-americana, que se situou em 4,1% em 2007. Trata-se da maior subida de preços desde 1990.<br /><br />Em Espanha, que também conheceu à dias que a sua inflação de 2007 alcançou os 4,2%, estes dados arrastaram a Bolsa para uma queda que às 16:00 horas desta quarta-feira se situava em 1,4% no Ibex-35 (Bolsa de Madrid). O indicador espanhol situava-se abaixo dos 13.800 pontos.<br /><br />Às dúvidas sobre a desaceleração do sector imobiliário e o futuro económico espanhol, que tanto protagonismo estão a ter na pre-campanha eleitoral espanhola, se acrescentam além disso um estudo do Instituto de Prática Empresarial, que previu um crescimento médio do preço das casas de 1,9% em 2008, ou seja, por baixo da inflação.<br /><br />Queda bursátil<br /><br />Se na terça-feira foi o mau balanço anual do Citigroup que arrastou as Bolsas negativamente, os dados da inflação estado-unidense também se fizeram notar nas bolsas de todo o mundo: quedas de 1,10% para Frankfurt, de 0,89% para Londres, de 0,76% para Paris e de 0,29% para Milão.<br /><br />Na Ásia, Tóquio encerrou com um retrocesso de 3,35%, como consequência também da publicação do grau de implicação do principal banco do país, o Bank of Tokyo Mitsubishi UFJ, na crise das hipotecas subprime. Hong Kong caiu 5,37%, enquanto que Xangai e o Kospi sul-coreano sofreram perdas por cima dos 2%.<br /><br />Fonte: <a href="http://www.aporrea.org/internacionales/n107652.html">Aporrea</a><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13812866-3320436491698043417?l=peakoilportuguese.blogspot.com'/></div>Luis Rochahttp://www.blogger.com/profile/12337689984724786054noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-13812866.post-27954160291703367402008-01-16T07:40:00.000-08:002008-01-16T16:47:20.430-08:00Nota: E finalmente a União Europeia acordou para o eu tenho vindo a denunciar <a href="http://revolucao.wordpress.com/2007/06/06/etanol-e-biocombustiveis-problemas-sociais-problemas-ambientais-e-eficiencia-energetica/">à muito tempo</a>. Deve ter ser sido pelo artigo da <a href="http://www.powermag.com/ExportedSite/BlogArticles/65.htm">revista Science</a>.<br /><br /><span style="color:#000099;"><span style="font-size:180%;"><strong>A União Europeia admite que ignorou problemas ambientais e sociais ligados ao etanol</strong></span> </span><br /><br />14/01/08<br /><br />Londres, 14 Jan (PL) - A União Europeia (UE) reconheceu que não foi capaz de prever os problemas ambientais e sociais derivados da obtenção de biocombustíveis (o combustível que os Sem-Terra do Brasil chamam "agrocombustíveis" e "necrocombustíveis") a partir de vegetais. "Nós observamos que os problemas ambientais e sociais causados pelos biocombustíveis são maiores do que calculávamos. Por isso devemos ser mais cuidadosos", declarou o comissário para o meio ambiente da UE, Stavros Dimas, à BBC. O funcionário acrescentou que nas directrizes da UE devem estar incluídos os temas sociais e ambientais já que existem alguns benefícios derivados da utilização de biocombustíveis. Vários relatórios têm advertido para o aumento dos preços dos alimentos e para a destruição das florestas em consequência do objectivo de utilizar estas terras para a produção de plantas destinadas ao fabrico de etanol.<br /><br />Desde à alguns anos, os biocombustíveis têm sido vistos como a saída perfeita para os fabricantes de carros sob pressão para cortar as emissões de gases poluentes emitidos pelo uso da gasolina e do gasóleo. Ao invés de revolucionar os projectos de carros, eles poderiam reduzir a emissão de poluentes se os motoristas usassem mais combustíveis produzidos a partir de plantas, que teriam retirado CO2 da atmosfera durante seu crescimento. A União Europeia agarrou a ideia e estabeleceu suas metas de biocombustíveis.<br /><br />Desde então, estudos advertiram que alguns tipos de biocombustíveis quase não cortam as emissões e que outros podem levar à destruição de florestas, elevar o preço dos alimentos ou levar empresas com dinheiro a expulsar comunidades pobres das suas terras para convertê-las para o cultivo de matérias primas para biocombustíveis. Dimas disse que é vital que as regras da União Europeia previnam a perda de biodiversidade, que ele descreveu como o outro grande problema para o planeta, ao lado do aquecimento global.<br /><br />A nova posição tem consequências práticas<br /><br /><strong>O comissário europeu para o meio ambiente, Stavros Dimas, disse à BBC que será melhor para a União Europeia não cumprir sua meta de elevar a 10% a proporção do uso de biocombustíveis em relação ao total de combustíveis do que correr o risco de prejudicar o ambiente.</strong> Segundo Dimas, a União Europeia não previu os potenciais problemas provocados pelo uso de biocombustíveis. Estudos recentes advertiram sobre os aumentos de preços de alimentos e a destruição de áreas de florestas em consequência da produção de biocombustíveis. A União Europeia prometeu novas directrizes para garantir que sua meta para o uso de biocombustíveis não é prejudicial.<br /><br />Fonte: <a href="http://www.aporrea.org/tecno/n107526.html">Prensa Latina (PL)/Aporrea</a>, <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/01/080114_biocombustiveisuerw.shtml">BBC (versão brasileira)</a><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13812866-2795416029170336740?l=peakoilportuguese.blogspot.com'/></div>Luis Rochahttp://www.blogger.com/profile/12337689984724786054noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-13812866.post-39316685556617762682008-01-15T12:42:00.000-08:002008-01-15T12:59:42.075-08:00Nota: O Japão registou um crescimento do seu PIB <a href="http://japanjapan.blogspot.com/2007/12/japan-economy-20072008-moment-of-truth.html">de apenas 1,3%</a> segundo as autoridades oficiais. Para este ano as coisas prometem ser piores, a Goldman Sachs (entidade financeira dos EUA) reviu a sua previsão de crescimento económico do Japão em baixa de 1,2 para 1%, advertindo para o perigo de recessão. Mas outros analistas já dizem que a <a href="http://japanjapan.blogspot.com/2008/01/japan-leading-indicator-november-2007.html">recessão é um dado adquirido</a>. Como se isso não bastasse, <a href="http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=23943">o Japão corre risco de entrar numa fase de escassez de energia</a>.<br /><br /><strong><span style="font-family:arial;font-size:180%;">Economia japonesa também desacelera devido à crise nos EUA</span> </strong><br /><span style="font-family:arial;font-size:85%;">15 DE JANEIRO DE 2008</span><br /><br />O presidente do Banco do Japão (BOJ), Toshihiko Fukui, afirmou nesta terça-feira (15) que a economia japonesa se desacelerará por causa de uma queda "considerável" de investimento no sector imobiliário japonês, segundo a agência "Kyodo". Fukui explicou esta previsão de desaceleração na economia japonesa e anunciou uma revisão em baixa de sua avaliação económica de quatro das nove regiões do país.<br /><br />Esta é a primeira revisão em baixa do relatório económico regional desde que o banco central japonês começou a elaborá-lo, em Abril de 2005. No relatório económico regional publicado hoje, <strong>o banco central indicou a alta de preços do petróleo como outra das causas da desaceleração</strong>. Fukui também se referiu ao <strong>maior impacto que o previsto da crise das hipotecas de alto risco nos balanços dos bancos japoneses</strong>. Segundo sua opinião, as perdas das instituições financeiras japonesas poderão ser compensadas pela "vitalidade na gestão", já que os bancos japoneses estão menos expostos à crise hipotecária dos Estados Unidos que seus concorrentes europeus e americanos.<br /><br />Apesar das ameaças que existem sobre a economia japonesa, o presidente do BOJ disse que o Japão está no caminho de uma "expansão moderada". A detenção brusca do investimento no sector imobiliário japonês se deve a uma queda considerável na quantidade de obras iniciadas, por causa da entrada em vigor de uma nova legislação mais restritiva do sector.<br /><br />Fonte: <a href="http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=31028">Efe/Diário Vermelho</a><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13812866-3931668555661776268?l=peakoilportuguese.blogspot.com'/></div>Luis Rochahttp://www.blogger.com/profile/12337689984724786054noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-13812866.post-39747987970563032972008-01-09T18:18:00.000-08:002008-01-10T09:51:18.759-08:00<strong><span style="font-size:180%;">Etanol pode poluir mais que gasolina</span> </strong><br />09-01-2008<br /><em>A utilização de etanol produzido a partir de cana-de-açúcar, soja e de milho pode ser mais nociva ao ambiente do que a gasolina, segundo um recente artigo de um investigador norte-americano.<br /></em><br />William Laurance, do Instituto de Pesquisas Tropicais Smithsonian, com sede no Panamá, disse à Agência Lusa que o etanol produz um volume até 60 por cento menor de gases responsáveis pelo efeito estufa do que a gasolina, mas há outros parâmetros a ponderar. "Se consideramos outros parâmetros ambientais, entretanto, como o uso de fertilizantes, a grande quantidade de água e a desflorestação de áreas para o plantio, os efeitos ambientais do etanol são muito maiores", disse o investigador. "As pessoas precisam de ficar atentas aos impactos negativos do etanol, até porque os interesses da indústria da cana-de-açúcar não são necessariamente os mesmos interesses da sociedade", afirmou. O artigo, publicado numa recente edição da revista científica Science, foi baseado num estudo divulgado no ano passado na Suíça. Ao analisar 26 tipos de biocombustíveis produzidos actualmente, o estudo concluiu que 21 deles reduzem em mais de 30 por cento as emissões de gases responsáveis pelo efeito de estufa, na comparação com a gasolina. Nos tipos analisados, doze foram considerados mais nocivos ao ambiente do que os combustíveis fósseis, entre eles o etanol de milho dos Estados Unidos e o de cana-de-açúcar do Brasil. A lista dos biocombustíveis mais nocivos ao ambiente inclui ainda o biodiesel a partir de soja, produzido no Brasil, e o biodiesel a partir de palma, produzido na Malásia. William Laurance salientou que a crescente produção de etanol de cana-de-açúcar e do biodiesel de soja tem ocupado grandes áreas agrícolas, o que reduz a produção de grãos e aumenta o preço dos alimentos. "A produção de cana-de-açúcar utiliza grande quantidade de água, isso sem falar na poluição dos rios e os fertilizantes que, após serem quebrados em óxido nitroso, também vão afectar a camada de ozono", afirmou. O uso excessivo de fertilizantes é responsável pela maior parte dos gases do efeito estufa emitidos pela actividade agrícola em todo o mundo, com cerca de 2,1 mil milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) por ano. O excesso de fertilizantes provoca a emissão de óxido nitroso (N2O), que é cerca de 300 vezes mais potente que o CO2 na mudança do clima, segundo um recente relatório da organização ambiental Greenpeace. O contributo total da agricultura mundial para a mudança climática é estimado em algo entre 8,5 mil milhões e 16,5 mil milhões de toneladas de CO2, ou entre 17 por cento a 32 por cento das emissões de gases responsáveis pelo efeito de estufa.<br /><br /><strong>Nota: E ainda por cima o governo brasileiro insiste em aumentar a produção de Etanol de Cana-de-açúcar drasticamente. <a href="http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=30809">O governo do Brasil promete aumentar a produção para o triplo nos próximos 10 anos</a>. Mas os estudos científicos estão a acabar com esta farsa da suposta vantagem ecológica dos agro-combustíveis. Não senhor Lula! Saiba que desflorestção, poluição do ar e da água e trabalho escravo não ajuda o ambiente!</strong><br /><br />Fonte: <a href="http://observatoriodoalgarve.com/cna/noticias_ver.asp?noticia=19180">Observatório do Algarve</a><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13812866-3974798797056303297?l=peakoilportuguese.blogspot.com'/></div>Luis Rochahttp://www.blogger.com/profile/12337689984724786054noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-13812866.post-30639216710540215042008-01-08T18:52:00.000-08:002008-01-08T18:54:32.389-08:00<span style="font-size:180%;"><strong>O Video Mais Aterrador Que Já Se Viu</strong></span><br /><embed src="http://www.youtube.com/v/bDsIFspVzfI&rel=" width="425" height="355" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent"></embed><br />Para Relectir sobre o Aquecimento Global e as Alterações Climáticas.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13812866-3063921671054021504?l=peakoilportuguese.blogspot.com'/></div>Luis Rochahttp://www.blogger.com/profile/12337689984724786054noreply@blogger.com0