tag:blogger.com,1999:blog-135203442009-07-10T14:35:21.957-07:00PseudoVivemos fora da nossa autenticidade, sabendo no entanto que conseguimos encontrá-la, se quisermos. Combatamos tudo o que é Pseudo.PseudoTudo.PSEUDOhttp://www.blogger.com/profile/01316196875736005907noreply@blogger.comBlogger74125tag:blogger.com,1999:blog-13520344.post-8258775961661927812009-07-10T14:19:00.000-07:002009-07-10T14:35:21.970-07:00As termas da Montipa<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SlezxFWTIyI/AAAAAAAAALw/vKdd3Iaj-h0/s1600-h/junho_baia_pipas+025.JPG"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SlezxFWTIyI/AAAAAAAAALw/vKdd3Iaj-h0/s320/junho_baia_pipas+025.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356947937611162402" /></a><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SlezwoNnlzI/AAAAAAAAALo/rBjLg-kW5hQ/s1600-h/junho_baia_pipas_2.JPG"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 241px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SlezwoNnlzI/AAAAAAAAALo/rBjLg-kW5hQ/s320/junho_baia_pipas_2.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356947929790125874" /></a><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SlezwXG_TdI/AAAAAAAAALg/E5yqJ-HBRr0/s1600-h/junho_baia_pipas+019.JPG"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SlezwXG_TdI/AAAAAAAAALg/E5yqJ-HBRr0/s320/junho_baia_pipas+019.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356947925198917074" /></a><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/Slezv_zEFnI/AAAAAAAAALY/VPccvX4xuTk/s1600-h/junho_baia_pipas.JPG"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/Slezv_zEFnI/AAAAAAAAALY/VPccvX4xuTk/s320/junho_baia_pipas.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356947918941329010" /></a><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/Slezvnnn1ZI/AAAAAAAAALQ/Fh2nsCxPObo/s1600-h/Herminio+e+Pat+na+Bibala.JPG"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/Slezvnnn1ZI/AAAAAAAAALQ/Fh2nsCxPObo/s320/Herminio+e+Pat+na+Bibala.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356947912450889106" /></a><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SlexloDMYOI/AAAAAAAAALI/dDsyxIMyg7Q/s1600-h/Herminio+e+Pat+na+Bibala.JPG"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SlexloDMYOI/AAAAAAAAALI/dDsyxIMyg7Q/s320/Herminio+e+Pat+na+Bibala.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356945541744582882" /></a><br />Finalmente, mais um fim-de-semana de descanso. Se há alguns meses atrás eu constatava a diferente (e lenta) temporalidade ou noção de tempo aqui em Angola, ultimamente constato o exacto oposto. Os dias não chegam para resolver metade dos assuntos, e poucos ajudam. Realmente, aqui são necessários regras bem rígidas para que o trabalho apareça. Talvez seja o clima que faz com que quase todos funcionem numa “calma inexplicável” que por vezes roça a irresponsabilidade. Sem pormenores, só eu cá sei. Depois de uma semana de exaustão total, cheguei a um ponto de nem sequer conseguir elaborar um pensamento. Estava totalmente e mentalmente esgotada.<br />Foi tempo então, de planear rapidamente, uma ida às termas. Sou aquista ou termalista convicta, e ao saber da existência de uma espécie de instância termal perto Lubango, de imediato quis conhecer.<br />Depois de mais de duas horas de caminhos travessos através da Serra da Chela, chegamos à Bibala e seguimos depois em direcção à Montipa (que as pessoas pronunciam “Mutipa”). Dezenas de carros com suas tendas de campismo elaboradas já lá estavam. Fazia lembrar um pouco o campismo “à portuguesa”, com mesa posta para o jantar, rádio (geradores para várias coisas), tendas de grande qualidade, e até tachos a fazer o “estrugido” como manda a lei… (de relembrar que realmente eram quase todos portugueses…)<br />Nós estávamos numa onda de campismo o mais natural possível: arranjar lenha no local (à “catanada”), umas fêveras em “de vinha d’alho” num “tupperware”, um maduro tinto do Dão e pouco mais. Conclusão: às 19h00 lá estávamos, a comer umas fêveras na brasa no pão, só com a luz do luar (que por sinal, até ilumina bastante!).<br />Depois fomos espreitar a piscina. Oito da noite e tinha uma dezena de pessoas (principalmente crianças e jovens), e a água bem quente. Um sapo andava à volta da piscina.<br />Depois de uma noite de sono, acordámos de manhã com calor. Comprei essa tenda numa loja de produtos asiáticos por 2000 kwanza (cerca de 20 euros) e esperava que se desintegrasse, mas aguentou-se bem.<br />Ao pequeno-almoço, uma pequena fogueira para colocar água a aquecer para o café. Cheirar o mato. Olhar para o céu limpo. Respirar fundo e fazer umas posturas de Yoga discretamente. Ir ao WC (no mato). Comer pão com manteiga e café. Vestir o biquíni e saltar para dentro da água.<br />Acerca das propriedades químicas da água percebo pouco, mas não se tratavam de águas com muito enxofre: quase não tinham cheiro.<br />Existia muito “verdete” na piscina mas é limpa, e sabemos que há limpeza regular, pois à ida embora um “funcionário” veio cobrar 250 kwanza por carro (cerca de 2,5 euros)! <br />Uma espécie de hotel abandonado, as termas construídas por portugueses mesmo onde a água brota, fechadas a cadeado. A piscina com bancos em granito a toda a volta e mármore no chão.<br />Lá entrei e relaxei. O sol era forte mas estar na água quente não era insuportável. Deixei o corpo flutuar enquanto me dava umas lições de moral “tens de trabalhar menos, descansar mais, saber quando parar antes de cair de cansaço”. Mas, no final de tudo, o trabalho feito dá gosto de ver.<br />No dia anterior parti um dente (por acaso era um desvitalizado), e na hora de almoço (churrasco de chouriço criolo e barriguinhas de porco), parti a restante parte do dente. Pensei o que fazer. Os alunos tinham-me dito para ir à Namíbia quando o assunto é saúde. Quem tem o mínimo de rendimento em Angola, não trata de assuntos de saúde em Angola, mas sim na Namíbia.<br />Depois de almoço, mais um relax na piscina. Mas era sol de pouco dura. Entre arrumar tralha, fazer almoço, etc., já tinha passado o fim-de-semana. Não parecia durar. Tudo agora parece passar depressa demais.<br />Retornamos pela serra da Leba, uma vez que já fazia noite, e a estrada da serra da Chela é na realidade um caminho de cabras, bois e outros animais, que não tem luz, asfalto nem nada. Encontramos, no entanto alguns sinais de pedra portugueses, do tempo colonial.<br />De volta à cidade. Quase 21h00. Hora de um café antes de ir para casa (Café “Planalto, um dos melhores do Lubango”). O fim-de-semana acabava. E eu já a pensar em tudo o que tinha para fazer…<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13520344-825877596166192781?l=pseudotudo.blogspot.com'/></div>PSEUDOhttp://www.blogger.com/profile/01316196875736005907noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-13520344.post-7656919255379086622009-06-08T18:36:00.000-07:002009-06-08T18:56:43.794-07:00Era uma vez a Bibala<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/Si3BL4jGjdI/AAAAAAAAALA/u279cE2UN1c/s1600-h/termas+montipa.JPG"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/Si3BL4jGjdI/AAAAAAAAALA/u279cE2UN1c/s320/termas+montipa.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5345140742660984274" /></a><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/Si3BLt9CfbI/AAAAAAAAAK4/613o2bvPnD0/s1600-h/mae+lavando+filho+nas+termas+da+montipa.JPG"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 257px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/Si3BLt9CfbI/AAAAAAAAAK4/613o2bvPnD0/s320/mae+lavando+filho+nas+termas+da+montipa.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5345140739816979890" /></a><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/Si3An1jmUcI/AAAAAAAAAKw/IHTagtVORqo/s1600-h/boi+atravessando+estrada+bibala.JPG"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/Si3An1jmUcI/AAAAAAAAAKw/IHTagtVORqo/s320/boi+atravessando+estrada+bibala.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5345140123382469058" /></a><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/Si3An2keg4I/AAAAAAAAAKo/_rlIxd_p2cs/s1600-h/bibala2.JPG"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/Si3An2keg4I/AAAAAAAAAKo/_rlIxd_p2cs/s320/bibala2.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5345140123654587266" /></a><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/Si3AntwYqxI/AAAAAAAAAKg/G5YsRxqyaMo/s1600-h/bibala1.JPG"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/Si3AntwYqxI/AAAAAAAAAKg/G5YsRxqyaMo/s320/bibala1.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5345140121288616722" /></a><br />Domingo, 31 de Maio, partimos em direcção ao Namibe. Em trabalho misturado de prazer, como é sempre possível em Angola. Portátil e placa de banda larga debaixo do braço, um jeep, uns petiscos e claro, a matéria cinzenta indispensável para trabalhar na planificação de uma série de iniciativas.<br />A caminho, deixamo-nos levar pela curiosidade:desviamos para a Bibala. Uma pequena terra, entre o Namibe e o Lubango. Pela estrada “boa” serão mais de 100 km, sendo uma boa parte em terra batida e tendo de atravessar a serra da Leba, pela estrada “má”, serão 45 km, em terra batida, tendo de atravessar a serra da Chela (penso eu).<br />A chegada à avenida central (quiçá a única!) da Bibala, encontramos a biblioteca municipal, o registo e notariado, o hospital e toda uma serie de edifícios em bom estado. Só havia um café, que infelizmente não tinha café…era, por isso, um bar. Talvez nem isso, porque não tinha sumos, apenas cerveja e vinho (Monte Velho, note--se!)<br /><br /><br />Alguns de nós iniciámos conversa. Passado alguns minutos uma simpática moça já acedia em oferecer almoço ao nosso “chefe”. Ele falou-lhe que era da Universidade Gregório Semedo e que, lá, tínhamos muitos alunos da Bibala. Um moço que lá estava ligou para um desses alunos e disse-lhe para aparecer urgente lá no bar, sem explicar porquê. Passado 10 minutos estávamos numa mesa, rodeados de alunos, surpreendidos e até um pouco lisonjeados por aparecermos na Bibala! E também nós estávamos sensibillizados. Bebemos todos uma N´gola, falamos de Angola, da Bibala e da UGS. Eles mostraram-nos o Jango Comunitário, um espaço tipo fórum com capacidade para mais de 200 pessoas…ao lado, passeavam cabrinhas e suas crias…<br />Levados pela tal curiosidade, fomos conhecer uma das duas (penso eu) estâncias termais de Angola: as águas quentes de Montipa, a 7 km da Bibala. E lá estavam umas termas bem à moda portuguesa e uma piscina construída com mármores, com bancos em volta, enfim um sonho (como podem ver pela foto). À volta pupulavam tendas de campismo. O que foi outrora o Hotel e um café ou restaurante estava desactivado (mas à entrada das termas já havia um placa a dizer “Propriedade Privada”, indiciando que em breve o pequeno paraíso poderá deixar de estar acessível a todos). As aguas têm tratamento e cuidados de higiene pela administração da Província.<br />Depois de algumas horas bem passadas, chegava a hora da despedida: antes disso as fotos da praxe. Cá estamos, entre alunos (e alunos até de outras instituições de ensino superior, que decidiram acompanhar-nos!) e, no fundo, entre amigos!<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13520344-765691925537908662?l=pseudotudo.blogspot.com'/></div>PSEUDOhttp://www.blogger.com/profile/01316196875736005907noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-13520344.post-21693190070052265962009-06-08T18:22:00.000-07:002009-06-08T18:34:35.081-07:00Dupla Nacionalidade, Dupla Personalidade?Dos portugueses (e outros estrangeiros) ex-patriados em Angola, são muitos os que querem dupla nacionalidade. Almejam deixar de ter problemas com vistos e consulados. Porém, parece que ao vir para Angola alguns desenvolvem dupla personalidade (se é para melhor ou para pior, depende…). Em alguns aspectos, á o meu caso. Se a personalidade profissional parece manter-se, a personalidade dos tempos livres reformulou-se. Eu, viciada em FOX Life e AXN, em ficar no sofá enrolada na minha gata em frente ao aquecedor (e diga-se, ligado quase todo o ano), muito caseira e recatada, dou por mim a querer entrar em altos voos (ou melhor, picadas) todos os fins-de-semana. Nem sempre o trabalho deixa. Em casa, vejo uns filmes no PC (bendita seja a tecnologia que se não existisse então não sei o que seria!) e dou-me por satisfeita.<br />Outras personalidades mudam de outras formas. Há quem defenda que só vem para Angola quem tem “problemas”. Diz-se por aqui que muitas pessoas (de origem asiática e até portuguesa), para cá vieram por problemas com o fisco e com a justiça. Outros, procuram novas relações, e trazem consigo instabilidade emocional (que se reflecte no trabalho). Outros (o meu caso também) largam empregos precários para encontrar organizações (a precisar de ser reorganizadas), onde encontram reconhecimento e gratificação.<br />Mas, no fim de tudo, procurando a dupla nacionalidade…encontramos a dupla personalidade? Com qual ficamos quando a aventura acabar?<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13520344-2169319007005226596?l=pseudotudo.blogspot.com'/></div>PSEUDOhttp://www.blogger.com/profile/01316196875736005907noreply@blogger.com3tag:blogger.com,1999:blog-13520344.post-42422676789074164862009-05-08T08:57:00.000-07:002009-05-08T08:58:46.251-07:00O retorno ao LubangoDia 27 de Abril chegando ao Lubango, sabia desde logo que muito trabalho me esperava. A unidade de apoio académico do Lubango da Universidade Gregório Semedo tem de dar apoio aos seus alunos.<br />Esses alunos e alunas que tão pacientemente esperaram (e desesperaram) pelo retorno dos professores portugueses, impossibilitados de retornar mais cedo devido a problemas com vistos no consulado, entre outros.<br />Dias e dias consecutivos os alunos abordavam-nos, felicitando a nossa chegada. Alias, literalmente, desde a saída do avião que encontrei alunos! Obrigado a todos e todas pela vossa simpatia, presença e carinho!<br />Chegava a altura de trabalhar, trabalhar, planear, recuperar…enfim, palavras de todos os dias. Lançar pautas, fazer horários, planear aulas e apoios, marcar novos exames, reorganizar a unidade, motivar o pessoal e os alunos, repensar estratégias, etc.<br />E tem sido assim esta semana que passou. Trabalhosa mas gratificante.<br />Um abraço para todos aí em Portugal. Claro que tenho saudades de muita coisa. Já não vejo Televisão há mais de uma semana. E cancelei a TVcabo em Portugal. Para uma viciada como eu, é como um divórcio.<br />Mas, finalmente, consegui comprar internet (Unitel)! Agora falaremos mais vezes, isto, quando a Unitel quiser, pois também esta internet sofre de alguma “preguiça”!<br />Abraços e Beijos para toda a gente, amigos e colegas, meus pais, avós, tios e primo e outros que aceitem abraços e beijos de 8000 km de distância!!! <br />A vossa, Patt<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13520344-4242267678907416486?l=pseudotudo.blogspot.com'/></div>PSEUDOhttp://www.blogger.com/profile/01316196875736005907noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-13520344.post-29423161868770078762009-05-08T08:44:00.000-07:002009-05-08T09:09:41.379-07:00Angola continues…<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SgRYjXgZavI/AAAAAAAAAJw/akMtD6ADvXw/s1600-h/Herminio_barco_ilha_mussulo.JPG"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 150px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SgRYjXgZavI/AAAAAAAAAJw/akMtD6ADvXw/s200/Herminio_barco_ilha_mussulo.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5333485223342074610" /></a><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SgRYDGBzuaI/AAAAAAAAAJo/xG-D2AWqD-M/s1600-h/Pat_barco_para_ilha_Mussulo.JPG"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SgRYDGBzuaI/AAAAAAAAAJo/xG-D2AWqD-M/s200/Pat_barco_para_ilha_Mussulo.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5333484668894558626" /></a><br /><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SgRXcbMaaAI/AAAAAAAAAJY/_x84yI2pmtY/s1600-h/MiradourodaLua_Luanda.JPG"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 150px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SgRXcbMaaAI/AAAAAAAAAJY/_x84yI2pmtY/s200/MiradourodaLua_Luanda.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5333484004561283074" /></a><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SgRXcPwAUII/AAAAAAAAAJQ/VTqHG9CJSnM/s1600-h/Miradouro+da+Lua_Luanda.JPG"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SgRXcPwAUII/AAAAAAAAAJQ/VTqHG9CJSnM/s200/Miradouro+da+Lua_Luanda.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5333484001489342594" /></a><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SgRUZI9WUlI/AAAAAAAAAJI/0UeaoqChuhU/s1600-h/Belas_Shopping_Luanda.JPG"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SgRUZI9WUlI/AAAAAAAAAJI/0UeaoqChuhU/s200/Belas_Shopping_Luanda.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5333480649591771730" /></a><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SgRT0-47uoI/AAAAAAAAAJA/pfwNXQpwEGk/s1600-h/Ilha+do+Mussulo_Luanda_2.JPG"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SgRT0-47uoI/AAAAAAAAAJA/pfwNXQpwEGk/s200/Ilha+do+Mussulo_Luanda_2.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5333480028413606530" /></a><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SgRT0me_BDI/AAAAAAAAAI4/6kLyu4Vc-wo/s1600-h/Ilha+do+Mussulo_Luanda.JPG"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SgRT0me_BDI/AAAAAAAAAI4/6kLyu4Vc-wo/s200/Ilha+do+Mussulo_Luanda.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5333480021862319154" /></a><br /><span style="font-style:italic;"><span style="font-style:italic;"></span></span><br /><br />Cheguei de novo a Angola no dia 23 de Abril, para ficar em Luanda 3 dias. E que dias. As fotos ilustram (mais ou menos) bem o fascínio de algumas paisagens. Ainda que meia entorpecida pelo calor e humidade, que faz nascer dentro de nós uma preguiça estranha que não sabemos de onde vem, lá consegui arranjar energia para me mexer…<br />As fotos abaixo são da Ilha do Mussulo, em Luanda. Basicamente, uma paraíso esquecido, que outrora foi bem habitado. Ao contrário daquelas paisagens que vemos de outros países, de terras quase virgens, a ilha do Mussulo tem vários pequenos resorts (alguns já fechados), e moradias em cima da agua de fazer água na boca.<br />À chegada de barco, aterrei numa espreguiçadeira e, aqui, na ilha do Mussulo, o termo espreguiçadeira faz mesmo sentido. Eu, que tanto gosto de agua, só lá fui banhar-me uma vez. O resto do dia consolou-me a alma apenas olhar para a agua e saber que ela lá me esperava. Comprei um bikini a umas vendedoras que lá estavam (isto porque, por mais estranho que pareça, esqueci-me de trazer um bikini de Portugal! O subconsciente devia estar a dizer-me que vinha para cá para trabalhar…)<br /><br /><br /><br />Ao fim de umas horas em baixo da sombra, fomos fazer uma longa caminhada pela berma da água, em conversas temperadas por observações atentas e até, contextualizações históricas sobre Angola, e em particular, sobre o Mussulo.<br />Tomamos uma “Cuca” (cerveja Angolana) no “Sonho Dourado” um resort agradável que servia na altura o Buffet de Domingo. O Buffet parece ser habito ao Domingo. Das 12h00 às 16h00, por 5000 kwanza (cerca de 50 euros), quem vai ao “Sonho Dourado” come tudo aquilo que conseguir, desde mariscos, pratos típicos angolanos e outros (Nota:bebidas à parte).<br /><br /><br /><br />De volta à Luanda cosmopolita, vamos petiscar algo ao Shopping. Poderá parecer estranho publicar um foto de um shopping, afinal, todos sabemos o que é, e na Europa, passamos até bastante tempo neles. Mas aqui esta opção tem um valor acrescentado: descontruir algumas ideias que existem sobre Angola. O Belas Shopping tem cinemas, praça da alimentação, lojas de todo o tipo, um grande supermercado…enfim…é um Shopping!!!<br /><br /><br /><br />No dia seguinte, chegou a vez de conhecer as margens do rio Kwanza, ou como dizem aqui, a Barra do Kwanza, a zona onde o rio se encontra com o mar. Paramos num pequeno restaurante com alojamento de Bungalows, para espreitar a vista. Mais uma vez, um Buffet. Ainda tomamos café no fim de fazer umas horitas de praia, num outro restaurante (o nome semelhante a Restaurante Embondeiro), onde chegamos logo quando o Buffet estava a encerrar. Um Embondeiro é uma árvore típica, bastante grande, penso que até chegará a ser das maiores do mundo! Não cheguei a conseguir tirar um foto (pelo menos, não uma publicável!)<br />Por ultimo, apesar de estar cronologicamente fora de ordem, surge o “Miradouro da Lua”.<br /><br /><br /><br />O Miradouro da Lua é um fenómeno fantástico e belo para uma leiga em fenómenos naturais como eu. Sinceramente, às vezes apetece mesmo ficar na ignorância. Não saber exactamente o que causa estas esculturais paisagens e deixarmo-nos absorver. Mas, é preciso dizer. O Miradouro da Lua é uma especie de cratera gigante causada pelas chuvas. Foto alguma, algum dia poderá captar a sua essência. Com uma foto aérea poderia ver-se a sua grandiosidade, mas nunca a sua essência. Parece um Dali, uma expressão viva de surrealismo…<br />Com estes três dias descontruí algumas ideias-feitas que, por vezes, tinha acerca de Luanda. Fora o trânsito algo caótico e alguma pobreza (material), todos conversam, trabalham (cada um a tentar ganhar a sua gasosa), relaxam na rua. É verdade que vejo mais sorrisos no Lubango…e para lá vou de novo…<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13520344-2942316186877007876?l=pseudotudo.blogspot.com'/></div>PSEUDOhttp://www.blogger.com/profile/01316196875736005907noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-13520344.post-65890028922255921132009-03-02T09:27:00.000-08:002009-03-02T09:35:13.223-08:00Algarve…by Winter<a href="http://4.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SawXmEbph8I/AAAAAAAAAIg/C9XjU6A-ioE/s1600-h/pordosol_algarve.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 130px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SawXmEbph8I/AAAAAAAAAIg/C9XjU6A-ioE/s200/pordosol_algarve.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5308644003555149762" /></a><br /><a href="http://1.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SawXllvcYHI/AAAAAAAAAIY/gVvEULln4Jw/s1600-h/Algarve_2.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SawXllvcYHI/AAAAAAAAAIY/gVvEULln4Jw/s200/Algarve_2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5308643995316674674" /></a><br /><a href="http://4.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SawXcAxx3wI/AAAAAAAAAIQ/A97lZR67XxE/s1600-h/Algarve_1.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 130px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SawXcAxx3wI/AAAAAAAAAIQ/A97lZR67XxE/s200/Algarve_1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5308643830775537410" /></a><br /><a href="http://1.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SawXb5nruOI/AAAAAAAAAII/bZUF1MLLtMw/s1600-h/gaivota_algarve.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SawXb5nruOI/AAAAAAAAAII/bZUF1MLLtMw/s200/gaivota_algarve.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5308643828854143202" /></a><br />Tirei uns dias de férias para me afastar da dissertação de mestrado e relaxar. Fui para onde ninguém vai, como costuma ser o meu princípio: Quem vai para o Algarve em Fevereiro? O tempo esteve do nosso lado e o sol acompanhou-nos a todo o caminho.<br />Foram três dias de passeio, sem grandes ilusões turísticas. O Algarve, nu e cru, fora do seu tempo, sem ninguém, apenas com a natureza que possui e que é ignorada todo o ano. <br /><br />Porém, como sabemos o Algarve já não é português, para mal ou para bem. Quem se vê por lá é inglês, alemão ou semelhante, consoante as zonas de que passeia.<br />Dá vontade de viver no Algarve no Inverno, exceptuando claro o nível de vida que é elevadíssimo.<br /><br />No entanto, quem quiser passar lá umas noites a dois, por menos de 20 euros por noite, pode sempre aproveitar as promoções do www.destinia.com, um portal de compra de férias muito barato (às vezes mais baratos que portais portugueses!)<br />Desta vez, a nossa estadia foi do Aparthotl Bayside Salgados, na praia dos Salgados, em Albufeira. Não excessivamente requintado, mas recatado e com tudo que é essencial.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13520344-6589002892225592113?l=pseudotudo.blogspot.com'/></div>PSEUDOhttp://www.blogger.com/profile/01316196875736005907noreply@blogger.com1tag:blogger.com,1999:blog-13520344.post-62316398837418705482009-03-02T09:22:00.000-08:002009-03-02T09:35:22.400-08:00PoesiaOcasionalmente, volto ao meu verdadeiro ser. Poemas escritos recentemente, no passado e na semana passada…<br /><br /><br /><strong>Quebras-me</strong><br /><br />Quebras-me e deixas-me aqui estendida aos pedaços.<br />Q quebras-me sem sentires, sem saberes,<br />Quebras os laços que podiam existir.<br />Parece que te ouço rir quando me quebras <br />sem que te apercebas. Eu viro costas e<br />faço de conta que não ouço os teus passos,<br />nem a tua voz.<br />E deixo que me quebres, uma e outra vez<br />Porque me agarro ao nós que tu já não crês.<br />Reato-me e coso-me por dentro<br />E engulo em seco.<br />Volto amanhã para me quebrares como se<br />Me degolasses num escuro beco.<br /><br /><em>Em 2008</em><br /><br /><br /><strong>Hesitante</strong><br /><br />O passeio do receio é um caminho<br />Que faço hesitando,<br />Respirando a medo a cada dia,<br />Contendo um pouco mais de vida dentro de mim.<br />Guardo-me para mim, escondida<br />Para ninguém ver.<br />O receio de que o passeio mostre aos outros<br />Como sou consome-me a cada hora.<br />Na pressa da vida receio a demora, a perda, o tempo<br />Que se desgasta em minudências.<br />Passeio pela vida com medos e receios<br />Sem dizer, sem mostrar, sem os querer<br />Mas sem os negar.<br />Contenho em mim a verdadeira<br />Essência bem escondida e fico feliz<br />Por saber que ela lá está, e no entanto<br />Receio embarcar na busca por ela.<br />Então deixo-a estar lá,<br />Bem guardada dentro de mim, atrás do receio,<br />Enquanto passeio pela vida que vou vivendo hesitando.<br /><br /><em>Fevereiro de 2009</em><br /><br /><br /><strong>Leva-me</strong><br /><br />Leva-me para esses caminhos, esses do falado amor<br />Da intimidade, do afecto,<br />E convence-me a sair desta via do desassossego,<br />Do pensar, do alerta pessimista.<br />Se me conseguires levar a bem, devo ficar por lá.<br />Leva-me para longe destes pensamentos daninhos<br />Que são diabinhos que me corroem<br />E convence-me que amar é mais.<br />Leva-me e diz-me que não há volta e<br />Que a revolta que trago comigo<br />Desaparece por magia.<br />Mostra-me a tua via, a tua estrada,<br />Conduz-me de mão dada e eu só prometo deixar-me levar.<br />Depois, apaga os caminhos antigos,<br />Dá os meus diabinhos como perdidos<br />E mostra-me a tua auto-estrada de amar.<br /><br /><em>Em 2008</em><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13520344-6231639883741870548?l=pseudotudo.blogspot.com'/></div>PSEUDOhttp://www.blogger.com/profile/01316196875736005907noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-13520344.post-61447817702860536082009-03-02T09:19:00.000-08:002009-03-02T09:34:55.138-08:00Luanda...os últimos dias<a href="http://2.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SawVjNhnA1I/AAAAAAAAAIA/Ek44nzCULAg/s1600-h/vista_ilha+de+luanda_2.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 130px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SawVjNhnA1I/AAAAAAAAAIA/Ek44nzCULAg/s200/vista_ilha+de+luanda_2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5308641755433206610" /></a><br /><a href="http://1.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SawVi0WLLoI/AAAAAAAAAH4/nZ6fKawadd8/s1600-h/vista_ilha+de+luanda.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SawVi0WLLoI/AAAAAAAAAH4/nZ6fKawadd8/s200/vista_ilha+de+luanda.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5308641748674358914" /></a><br />Nos últimos dias de Dezembro, passei uma tarde em Luanda, na ilha de Luanda. As memórias já me falham e o tempo parece mesmo passar mais rápido cá em Portugal. Aquela tarde no Clube Náutico na ilha Luanda soube a uma semana de Férias.<br />Finalmente, seguem abaixo umas fotos. Relembro que sou uma falsa fotografa, pois já me rendi à digital, mas a minha alma lomografa continua cá…e vivia a espontaneidade e intuição (sem técnica…)<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13520344-6144781770286053608?l=pseudotudo.blogspot.com'/></div>PSEUDOhttp://www.blogger.com/profile/01316196875736005907noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-13520344.post-29434169882697439702009-03-02T09:13:00.000-08:002009-03-02T09:35:31.036-08:00Uma história infantil, para crianças e adultóides<strong>O Caracol Medroso</strong>-Uma história infantil, para crianças e adultóides<br />Era uma vez um caracol, que todos os dias saía do seu esconderijo e punha os corninhos ao sol. Este caracol não era um caracol qualquer, ele conseguia ver o que outros não queriam ver.<br />Ele punha os corninhos ao sol, e olhava, olhava, olhava tudo à sua volta.<br />As árvores, os rios, as folhas, os assobios do vento e dos humanos naqueles dias em que os humanos estranhamente apareciam para sentar-se na floresta, todos juntos, e riam.<br />Ele observava as nuvens, as pedras, os animais e os outros caracóis como ele, a colocar os corninhos ao sol.<br />Certo dia, viu um caracol seu amigo, morrer.<br />Ninguém sabia bem o que era “morrer” , mas nunca mais ninguém via os tais amigos caracóis que “morriam”.<br />Uns diziam que ia para o céu, outros diziam que ia para outra terra, para junto de outros caracóis que eram anjos., para junto do Deus dos caracóis.<br />O caracol começou a ter medo. Até aí, nunca soube o que era o medo, e mais nenhum caracol o percebia! “Vem para o sol, primo caracol”, diziam os outros, mas ele tinha medo, muito medo.<br />Medo das árvores porque podiam cair, medo das folhas que podiam esconder um buraco no chão, medo dos outros animais ou dos humanos que eram muito grandes, medo do escuro e até medo do sol!<br />O caracol passava o dia escondido com medo de algo desconhecido, com medo de tudo à sua volta, porque nada era certo, tudo poderia correr mal, e ele podia “morrer”. O seu coraçãozinho batia muito forte, parecia que ia saltar para fora do peito por causa daquele medo que ele sentia em todos os momentos. <br />Os outros caracóis vieram dizer que ele estava doente, e que isso não era vida de caracol.<br />Mas o caracol acreditava que qualquer coisa lhe ia acontecer. O medo crescia e crescia dentro dele, mas ninguém conseguia perceber. Até que um dia o caracol ficou paralisado, o medo já não o deixava mexer-se.<br />Sem se conseguir mexer ou fazer fosse o que fosse, nem os pequenos corninhos conseguia mover para que sentisse o sol a aquecer.<br />Os outros caracóis iam para o sol, de folha em folha, casavam, tinham bebes caracóis, iam à escola, e um dia desapareciam.<br />Mas o nosso caracol também estava a morrer, só que no mesmo lugar, em vez de viver a vida de caracol que era suposto viver.<br />Até que um dia, pelo meio de um raio de sol, viu algo a fazer sombra, a vir em direcção a si, uma coisa enorme, talvez um pé humano, talvez outra coisa grande e que parecia pesada, que vinha de cima, e só a poucos centímetros de distância é que o caracol deixou que o medo se transformasse em coragem e arrastou-se a correr, a correr como corre um caracol...muito devagar.<br />Desde esse dia o caracol teve todos os dias medo. Era mais vivido do que os outros caracóis que simplesmente viviam. Ele vivia e sentia o medo, percebia-o, deixava que o medo se instalasse e, depois, respirava fundo transformava todo esse medo em coragem, e fazia o que um caracol tinha de fazer: viver cada dia, correndo as folhas, ouvindo os rios, aquecendo ao sol.<br />(Como psicóloga, escrevi esta história com intuito educacional. Pode ser usada para ajudar crianças a lidar com o medo, não o perdendo, mas transformando-o em coragem e noutras intervenções)<br /><br />P.S. Respeite os direitos de autor. Para Citar esta história, utilize a seguinte referência bibliográfica:<br />Araújo, P.(2008). O Caracol Medroso:Uma história infantil, para crianças e adultóides. Acedido em Fevereiro (substituir mês) e Disponivel em (colocar link completo).<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13520344-2943416988269743970?l=pseudotudo.blogspot.com'/></div>PSEUDOhttp://www.blogger.com/profile/01316196875736005907noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-13520344.post-20593630898628929162009-02-06T08:47:00.000-08:002009-03-02T09:35:13.223-08:00Portugal, meu Portugal…<a href="http://2.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SawYK3OYD-I/AAAAAAAAAIw/98tHvRZ6wks/s1600-h/tomar.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SawYK3OYD-I/AAAAAAAAAIw/98tHvRZ6wks/s200/tomar.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5308644635664977890" /></a><br /><a href="http://3.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SawYKOeQCHI/AAAAAAAAAIo/7mfwYwCF_PM/s1600-h/ponte_chamusca_goleg%C3%A3.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SawYKOeQCHI/AAAAAAAAAIo/7mfwYwCF_PM/s200/ponte_chamusca_goleg%C3%A3.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5308644624725706866" /></a><br />Cheguei a Portugal no dia 14 de Dezembro, após quatro decolagens e quatro aterragens (de sucesso), e ao fim de mais de 24 horas sem dormir.<br />A viagem de oito horas no “Jumbo” tira qualquer pessoa do sério. Saí de Luanda com 32º de temperatura, cheguei a Lisboa com 9º e ao Porto com 6º. Arrepios de frio misturados com a emoção de finalmente estar de volta ao meu país. O frio cortava a pele de forma tal que me estremecia, mas também me enternecia…já não me lembrava o que era vestir um bom agasalho bem aconchegante, uma camisola de gola alta bem justa, um bom par de botas.<br />Portugal parece igual: o pessimismo, a crise, o frio, o stress no trânsito e, doutro lado, a amizade, o amor de família, o aconchego dos aquecedores e lareiras, a televisão, a minha gata, a minha casa…<br />Não passaram muitos dias até chegarem as saudades do Lubango. Do calor, de uma certa simplicidade de viver e pensar, de não ter de pensar em estratégias banais e quotidianas como arranjar lugar para o carro, comprar isto e aquilo para o Natal, combinar um café naquela hora naquele sítio, esclarecer pequenos mal-entendidos…<br />Umas semanas passaram e matei a saudade das noites frias, enrolada na minha gata em frente ao TV cine até de madrugada, das noitadas e jantaradas com os amigos, de passear de carro na marginal da Póvoa de Varzim e Vila do Conde para ver o mar revolto e os corajosos que fazem surf nesta altura.<br /><br />Depois, aproveitei estas pequenas férias de Natal, para conhecer Alpiarça, Tomar e Golegã, e confirmar as maravilhas portuguesas, que todos conhecemos, mas que quando chegamos ao nosso país depois de meses fora, sempre nos parecem mais empolgantes.<br /><br />Desde Dezembro que estou encarcerada em casa a acabar a tese de mestrado…e agora dizem-me que o mestrado "quase denada vale", que mais valia ter terminado o doutoramento…<br />Todos os dias cerca de oito a dez horas de trabalho com o ficheiro Word aberto, branco a fazer reflexo nos óculos. Vou alternado horários de trabalho com um filme ou yoga ou step, e quando faço uma coisa penso noutra<br />Agora, resta começar a preparação para o regresso, daqui a algumas semanas: de novo as malas e os vistos e os aeroportos…quem dera que fossemos vizinhos de Angola, por tantos motivos…<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13520344-2059363089862892916?l=pseudotudo.blogspot.com'/></div>PSEUDOhttp://www.blogger.com/profile/01316196875736005907noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-13520344.post-8622394453386639722008-11-26T07:36:00.000-08:002009-03-02T09:34:55.139-08:00A África prometida: Tombwa (Namibe)<a href="http://4.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SS1yfrAGe7I/AAAAAAAAAG4/IQcjzL-Wu1g/s1600-h/Vista+para+a+praia+do+Flamingo+Lodge.jpg"><img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SS1yfrAGe7I/AAAAAAAAAG4/IQcjzL-Wu1g/s200/Vista+para+a+praia+do+Flamingo+Lodge.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5272996627165379506" /></a><br /><a href="http://2.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SS1yfAtiGzI/AAAAAAAAAGw/dV-b67gbmrQ/s1600-h/Flamingo+Lodge_Namibe.jpg"><img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SS1yfAtiGzI/AAAAAAAAAGw/dV-b67gbmrQ/s200/Flamingo+Lodge_Namibe.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5272996615813208882" /></a><br /><a href="http://2.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SS1yejjA0GI/AAAAAAAAAGo/v4i5xMnB3K8/s1600-h/E+afastou-se+para+o+deserto.jpg"><img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SS1yejjA0GI/AAAAAAAAAGo/v4i5xMnB3K8/s200/E+afastou-se+para+o+deserto.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5272996607984455778" /></a><br /><a href="http://3.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SS1yeVMuENI/AAAAAAAAAGg/7oYNoVsDjMQ/s1600-h/%C3%A0+porta+do+Bar+Virei_Tombwa.jpg"><img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SS1yeVMuENI/AAAAAAAAAGg/7oYNoVsDjMQ/s200/%C3%A0+porta+do+Bar+Virei_Tombwa.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5272996604132856018" /></a><br /><a href="http://4.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SS1x6-kNPMI/AAAAAAAAAGY/IXQMWoNaJ-A/s1600-h/tabuleiro_de_damas_na_bomba.jpg"><img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SS1x6-kNPMI/AAAAAAAAAGY/IXQMWoNaJ-A/s200/tabuleiro_de_damas_na_bomba.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5272995996761930946" /></a><br /><a href="http://1.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SS1xcLJRlPI/AAAAAAAAAGQ/99PC76rxRJA/s1600-h/praia_namibe_tombwa.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SS1xcLJRlPI/AAAAAAAAAGQ/99PC76rxRJA/s320/praia_namibe_tombwa.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5272995467562685682" /></a><br /><a href="http://2.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SS1xby7rZ6I/AAAAAAAAAGA/cl92Ijo2mT4/s1600-h/praia_namibe_tombwa_2.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SS1xby7rZ6I/AAAAAAAAAGA/cl92Ijo2mT4/s320/praia_namibe_tombwa_2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5272995461063206818" /></a><br /><a href="http://2.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SS1xbziriLI/AAAAAAAAAGI/IrDu3kyNB1Q/s1600-h/Pelo+mar+adentro.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 209px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SS1xbziriLI/AAAAAAAAAGI/IrDu3kyNB1Q/s320/Pelo+mar+adentro.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5272995461226793138" /></a><br /><a href="http://3.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SS1xbR4Oz_I/AAAAAAAAAF4/QiJnPeDrUSs/s1600-h/Vista+para+a+praia+do+Flamingo+Lodge.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SS1xbR4Oz_I/AAAAAAAAAF4/QiJnPeDrUSs/s320/Vista+para+a+praia+do+Flamingo+Lodge.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5272995452190380018" /></a><br /><a href="http://1.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SS1wGz76OeI/AAAAAAAAAFw/7niRrmIOOFk/s1600-h/Saltos+para+carrinha_2.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SS1wGz76OeI/AAAAAAAAAFw/7niRrmIOOFk/s320/Saltos+para+carrinha_2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5272994001043732962" /></a><br /><a href="http://2.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SS1wG7aLtoI/AAAAAAAAAFo/ctFyFzqQSL8/s1600-h/Saltos+para+carrinha_1.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SS1wG7aLtoI/AAAAAAAAAFo/ctFyFzqQSL8/s320/Saltos+para+carrinha_1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5272994003049756290" /></a><br /><a href="http://3.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SS1wGUmSLuI/AAAAAAAAAFg/Cs4G5nVxzyI/s1600-h/Velvichia_3.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SS1wGUmSLuI/AAAAAAAAAFg/Cs4G5nVxzyI/s320/Velvichia_3.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5272993992631529186" /></a><br /><a href="http://2.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SS1wGOXqp8I/AAAAAAAAAFY/T2B8VYosQ60/s1600-h/Velvichia_2.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SS1wGOXqp8I/AAAAAAAAAFY/T2B8VYosQ60/s320/Velvichia_2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5272993990959605698" /></a><br /><a href="http://3.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SS1wGKgHVMI/AAAAAAAAAFQ/6wLNAnNi8oU/s1600-h/Velvichia_1.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SS1wGKgHVMI/AAAAAAAAAFQ/6wLNAnNi8oU/s320/Velvichia_1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5272993989921297602" /></a><br />22, 23, 24 e 25 de Novembro<br /><br />Finalmente, um fim-de-semana passado fora de casa! A África prometida. Anteontem, Sábado, partimos em direcção ao Namibe.<br />Ao fim de uma hora e trinta minutos, chegamos. A viagem do Lubango para o Namibe implica passar na serra da Leba e fazer as torneadas estradas cuja foto mostrei aqui no blog, há algumas semanas. Depois da serra da Leba, podemos contar com grandes e longas rectas de estrada de boa qualidade, que no entanto, devem ser atravessadas durante o dia, pois não existe iluminação, o que poderá trazer graves problemas, principalmente devido a animais que por vezes atravessam a estrada (não há rails) ou camiões em apuros (pois não há guias ou espaço de paragem em paralelo à via, que só tem uma faixa).<br />Durante a noite, após petiscos, fomos caminhar pela beira-mar, na marginal do Namibe. Que praia terá sido no passado! As palmeiras, o calçadão e algumas construções do tempo colonial indiciam que se trataria de um pequeno paraíso. Casas de banho publicas na praia, bancos para relaxar em frente ao mar, adereços encurvados de cimento colorido ao longo do calçadão, etc.<br />A caminhada a pé até ao porto marítimo serviu para conversas nostálgicas e para perceber a riqueza das histórias de vida de muitas pessoas que nasceram nos PALOP’s e que depois viveram e trabalharam em Portugal, tendo mais tarde regressado, no caso, a Angola. Pessoas que viveram numa época conturbada mas rica, cheia de ideias e ideiais, políticos e cívicos.<br />Depois de uma noite de sono curto, às 07h00 e pico da manhã o grupo preparava-se para partir. Após o café da praxe, navegamos em direcção à zona (e vila, provavelmente) e Tombwa.<br />De caminho, paramos apenas para fotografar as Velvichias, plantas única no mundo (ver foto). Conseguem sobreviver neste pequeno deserto…<br /><br />Tombwa é um local relativamente pequeno, essencialmente caracterizado pela grande quantidade de indústria piscatória que existiu (pelo forte cheiro a peixa, talvez exista ainda algo, mas muito pouco). A população tomou as instalações das indústrias abandonadas para suas casas e, ao que parecem, vivem e sobrevivem à custa do peixe. <br />Numa tentativa de ir visitar um braço de areia (pequena restinga do Tombwa), acabamos por enterrar a carrinha e ter de esvaziar os pneus um pouco de forma a poder sair (truque que desconhecia, claro!). <br /><br />As crianças tentam apanhar boleia da carrinha (ver Foto), cercam-nos, sorridentes pela (provavelmente) grande atracção do dia…estrangeiros atolados! Havia comprado um pacote de bolachas para entreter durante a viagem e, ao ver em particular um criança de 5 ou 6 anos com outra às costas (do mesmo jeito maternal que as mães carregam aqui os filhos, usando um pano [provavelmente a Samakaka, pano com estampado típico da Huíla] que atravessa o corpo debaixo do peito e faz com que a criança vá sentada encostada às costas da mãe), decidi que ia dar as bolachas… <br />Alguém perguntou:<br /><em>- Então, de quem é esse bebé que trazes? Não és pequenina para carregar um bebé sozinha nas costas? – a criança, abanou as missangas do cabelo, afirmando que não – Então, é teu irmãozinho? - Sim, respondeu, com o dedo na boca.</em>Perguntei ao grupo de 8 talvez nove crianças, -Quereis Bolachas?, -Sim, responderam em grupo de imediato. Comecei a distribuir bolachas, enquanto as contava e todas as crianças começaram a contar comigo, numa só voz: -Uma, duas, três…Muito bem, pensei e disse, pensei também que se tratava de um momento educativo que um psicólogo não pode desperdiçar! Contamos todos até dez e depois o grupo começou a engasgar…Ocasionalmente um ou outro lá sabia o doze e o treze, e entretanto, lá para o 15, acabaram as bolachas. Ainda deu uma segunda rodada para alguns, outros tentara enganar-me dizendo que ainda não tinham bolacha, - E estas migalhas na tua mão são de quê? - disse eu, com jeito malandro e elas faziam um sorrisinho encabulado e continuavam a estender a mão…<br />Partimos para conhecer mais detalhes. A cidade esteve semi-vazia até que de repente, talvez por volta das 11h todos começaram a aparecer na rua, uns com as cadeiras às costas (para ir para algum sitio onde não havia cadeiras, aliás, pratica comum nas escolas por aqui, pois as crianças levam as suas cadeiras!), outros muito bem vestidos, de vestidos e fatos, com folhos e cores berrantes, uns em grupo outros sozinhos, todos a dirigirem-se para algum lado, porém todos em diferentes direcções.<br />Era Domingo. Era dia de missa. Numa cidade tão pequena existem pelo menos 5 tipos de igrejas diferentes: A Igreja Pentecostal e/ou Evangélica (não me recordo bem), a Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Católica, etc. Lembro-me de alguém no carro comentar algo que me ficou marcado mas cujas palavras não lembro. O conteúdo reportava a algo do género…”numa cidade de tal forma isolada e pobre, realmente só a busca espiritual os pode ajudar ”<br />Depois de reencher os pneus com alguma dificuldade numa bomba de gasolina (aliás diga-se, bomba de gasóleo, pois esta só vendia gasóleo e a outra, do outro lado da cidade, só vendia gasolina!), partimos determinados a encontrar um local “típico” para petiscar. <br />Na bomba observei este jogo de damas improvisado (Ver foto), o que me lembrou da primeira vez que aprendi a jogar damas com o meu avô. Como não tínhamos tabuleiro, o meu avô rapidamente resolveu o assunto: a mim, criança, talvez nos seus 10 anos, colocou-me a pintar os quadrados numa folha de cartão, enquanto ele, foi buscar umas rolhas que cortou com cuidado às fatias, tendo pintado numas uma cruz e noutras nada…e já tínhamos as pretas e as brancas!<br /><br />Reparem que, em muitos outros sítios do mundo (nomeadamente Portugal), isto não acontece. Penso que já aconteceu. Hoje, talvez os gasolineiros ouçam o relato de futebol ou tenham TV, mas não jogam damas. E logo damas.<br />O local típico foi o “Bar Virei”. Um amontoado de história de Angola, com particular atenção para algumas tribos da Huíla. Mesas numeradas, bebidas e dinheiro (notas) de todo o mundo, máquinas fotográficas dos anos 60 ou 70, Velvichias secas, poemas esculpidos em pedaços de madeira, estatuetas diversas, quadros pintados a carvão com retratos tribais, cadeiras e bancos esculpidos à mão (cada um personalizado com o seu animal ou desenho tribal) e, só no fim, reparo na palavra PUB por cima do arco à entrada, o que me indicia influência britânica ou sul-africana.<br />Entre a parafernália, destaco esta foto e reflexão: “E afastou-se para o deserto em busca da verdade”.<br /><br />Os petiscos foram: moelas, caranguejos e cherne grelhado. Por volta das duas horas da tarde saímos em busca da tão almejada praia, pelo menos por mim. O ar da maresia já me havia acalmado na caminhada da noite anterior e fez-me esquecer um pouco as saudades e as preocupações profissionais e relacionais, implícitas no arrancar de um projecto novo num país a 8 mil quilómetros do meu…<br />Mas eu, que me julgavam por vezes tão cosmopolita, ainda sou a poveirinha que nasceu ao pé do mar e desejava brutalmente sentir o meu corpo ser abraçado por um oceano. Um oceano qualquer, de preferência mais quente que o da minha terra.<br />Foi no caminho de volta que vimos o sinal “Flamingo Lodge, a 23km”. Ficamos a pensar se seria mesmo a 23 ou a 2,3 km, porém cedo percebemos que iríamos fazer os vinte e muitos, numa picada de nos fazer saltar do banco. Por entre velvichias e planaltos que pareciam saídos de um western, seguimos parcialmente por um leito de um rio seco.<br />Em vinte e cinco minutos conseguimos entrever, ao longe uma pequena cabana no alto de um planalto e rimos. Mas assim que chegamos, respiramos fundo. Um arco recebia-nos à entrada e subimos dezenas de escadas para encontrar uma cabana de madeira, perfeitamente equipada, com uma agradável cozinha à vista, toalhas estampadas, esplanada ao sol e no interior, um envidraçado cm vista para uma praia extensa e deserta. O bar do Flamingo Lodge parecia saído de uma série americana da Califórnia, Malibu ou Hawai, mas o areal deserto e amplo era a África prometida. <br />Depois de um café saboroso e de uma pequena conversa com a gerente sul-africana (em inglês um pouco enferrujado), fomos até à praia. Eram três da tarde, mas mesmo assim, barrei-me com protector. Tentei encontrar um diamante perdido entre as rochas, mas trouxe apenas pedras. Ainda não foi desta que encontrei o diamante. Finalmente, consegui entrar na água depois daquele impacto e receio inicial. Era morna. O mar estava revolto, eu não entrava num oceano há pelo menos 3 meses, e estava a entrar pela primeira vez em águas africanas daí os receios. Deixei-me envolver nas ondas. Sentia finalmente as narinas a serem hidratadas (depois de muita secura nas primeiras semanas no Lubango), o sal a escorregar pela boca, os músculos dos ombros a descaírem em direcção ao chão. Era como se estivesse em casa. Com melhoria substancial da temperatura.<br /><br />Enquanto voltávamos o romance que a minha cabeça tem vindo a escrever continuava. Já há semanas que anseio voltar à escrita, mas parece que a vida e o universo não o querem de alguma forma. Deixei então, que pelo menos na minha cabeça, esse romance se fosse escrevendo, entre as paisagens e escarpas imensas, o ser catapultada dentro do carro, o vento a levar o cabelo para toda a parte (foi um feliz dia sem ar condicionado!), o pó da areia fina e do salitre por toda a cabine.<br /><br /><br />Já na Tundavala foi possível ficar sem palavras, respirar profundamente e sentir um vazio que dava vontade de morrer. Como se nesta vida, não fosse possível sentirmo-nos assim de novo e como se não valesse a pena correr para viver, ou viver a correr. Mas foi nestas montanhas, entre o Tombwa e o Namibe, em que perdemos noção da distância a que estamos das montanhas pastel, em que os olhos parecem iludir-nos que as palavras começaram a jorrar para o meu romance. Passado uns minutos pensei na tese por terminar e acabou o transe em que estava, talvez o nirvana…<br /><br /><br />Aqui seguem as restantes fotos...<br />Beijos e muitos abraços a todos!<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13520344-862239445338663972?l=pseudotudo.blogspot.com'/></div>PSEUDOhttp://www.blogger.com/profile/01316196875736005907noreply@blogger.com2tag:blogger.com,1999:blog-13520344.post-33476719661426353092008-11-09T06:02:00.000-08:002009-03-02T09:35:44.410-08:00O SaioteÉ domingo e chove aqui, no Lubango. Está frio e nublado. Só temos uma solução: trabalhar. Sem qualquer entretenimento, resta conversar com os colegas e agarrarmo-nos aos portáteis... <br /><br />Uma ultima short-story, também escrita em Lisboa, em 2005.<br /><br />O saiote<br /><br />Aos cinco anos gostava de ver a minha avó arranjar-se. Puxava bruscamente pelas roupas até se encaixarem nas suas formas redondas que herdei. Havia duas peças que me fascinavam: A “combinação” e o “saiote” - com passar dos anos e modas deixou de se usar a primeira. Minha mãe era demasiado magra e a roupa deslizava pelo corpo acima ou abaixo sem roçadura, daí que gostasse mais de observar a minha avó.<br />O encantamento do saiote ficou guardado mas presente ao destes anos, pois trabalhando em prêt-à-porter, esta era uma peça que vendia bem, principalmente para senhoras de 6 ou 7 décadas. Infelizmente nunca usei um, mas fascinavam-me as mil rendas, as cores suaves e o nylon (que em catraia chamava seda) e a volúpia que me parecia implícita naquele acto tão feminino de vestir o saiote, “enfiá-lo”, como se dizia.<br />Com a faculdade, o casamento e a carreira fui esquecendo esse pormenor meu, esse fetiche, essa curiosidade.<br />Um dia, pediram-me que escrevesse um conto “romântico”, disseram, o “Romeu e Julieta” das short-stories e, logo, achei que era demasiado sintética e pragmática para sobrevoar esse ceús românticos, onde deambulam as almas gémeas. Tentei, mas nada. Se parecia sair algo era seco, desprovido de emoção, não eram mais que descrições de actos. Sentia a ligeira sensação de derrota no corpo cozido no vapor de Agosto. Numa janela de 2.º andar de Lisboa tentei captar a paisagem para cenário do conto. Todavia, a caneta emperrava após um par de frases. Foi então que, ao fim de décadas, pareceu-me ver o saiote de uma senhora a dar a dar e a deixar-se entrever pela racha da saia castanha escura. <br />Saí sem pensar. Entrei no metro e segui para o Chiado onde sabia que encontraria lojas do hoje chamado “comércio tradicional”. Não sei bem para que queria o saiote: uso pouquíssimas saias, muitas com forro e adoro calças. Os saiotes devem ter sido pensados para peças feitas na costureira que, sem forro, seriam por certo incómodas.<br />Finalmente, numa loja com cheiro a mofo e letras douradas, permaneço sob o olhar admiradíssimo de um vendedor na ternura dos quarenta. Deseja rosa-bebé, azul-bébé ou Branco? Porque não há branco bebé?, pensei, Sim, pode ser o branco, por favor. Ah, Tamanho M. Sentia-me emocionada como se, apesar dos meus quase trinta anos, só agora me sentisse verdadeiramente mulher. Tenho o 38, o 40 e o 42, menina...isso de L’s e M’s não é p’ros saiotes. O 38 serve. Vi-o tirar aquela maravilha de dentro da caixa comprida acinzentada com letras caligráficas; estendeu-mo no balcão de madeira –picada pelo bicho- e perguntou-me se queria experimentar. Olhei-o como se o visse com os olhos de 5 anos, a escalar o corpo curvado da mãe da minha mãe. Levo este, quanto é?, 7 euros. Vim contente como uma menina que cumpriu o recado que lhe foi pedido, sabendo que terá doces à espera.<br />Chegada a casa atirei tudo para a cama e tirei as calças. Ao espelho, repeti então o célebre gesto, empinando-me como uma avestruz. Relembrei as coxas à “moda antiga” –que agora as mulheres querem-se a direito – e compreendi a sensualidade do roliço cilíndrico. Vesti uma saia pela cabeça que deslizou pelo saiote e corri o fecho écler. Narcísica, olhei no fundo dos meus olhos e tirei a roupa para repetir o ritual. Em dez minutos tinha história de paixões, hotéis, traições e beijos ardentes.<br />Cada vez que “enfio” o saiote, a “seda” chama pela minha feminilidade, e esqueço as “derrotas” do dia-a-dia, as dietas, a celulite, as calorias, as olheiras e tudo o que nos faz sofrer neste século XXI e consigo, enfim, reviver a doce e franca sensação de ser mulher.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13520344-3347671966142635309?l=pseudotudo.blogspot.com'/></div>PSEUDOhttp://www.blogger.com/profile/01316196875736005907noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-13520344.post-87670328837573126592008-11-09T05:57:00.000-08:002009-03-02T09:35:44.410-08:00A curiosidade não matou a gataMais uma short-story, mais arrumações...<br /><br />A curiosidade não matou a gata (Lisboa, 2005)<br /><br />"Truz, truz, truz”, seguido de “Miau, miau, miau” foram as últimas palavras que ouvi naquela noite. A seguir, ouvi o ranger da porta e uns gemidos estranhos. Confesso que sou pessoa não muito curiosa, ou se calhar não era e com este episódio passei a ser, mas aquele bater na porta às 4h30 da manhã pareceu-me suspeito.<br />Talvez seja o meu instinto de detective estivesse adormecido e tivesse despertado agora, não sei bem porquê.<br />O gato, ou gata, da vizinha de cima – a Madalena – raramente miava e, ficou desde logo combinado nas reuniões do condomínio que só se podia ter animais que não fizessem barulho, pois as paredes tinham má insonorização e estavam lá basicamente para não nos vermos uns aos outros a fazer coisas íntimas.<br />Os vizinhos desde prédio não têm intimidades: Três andares e cinco apartamentos (o rés do chão é só um), todos sabem os nomes uns dos outros e algumas profissões, e encontramo-nos todos uma vez por mês – contra a vontade de todos – para as tais reuniões.<br />Naquela noite fiquei deveras intrigada com aquele bater à porta: Há dias em que não <br />queremos saber de nada do que está à nossa volta e há dias que subordinaríamos tudo e todos para saber uma estupidez que nos mói a tola.<br />Vesti um robe e sorrateira comecei a subir as escadas para o 2.º esquerdo - eu moro no 1.º esquerdo. Passado dois ou 3 degraus tentei pensar como um detective ou um investigador qualquer, Se alguém me apanha tenho de ter uma explicação para dar de imediato senão ficarei mal!, e assim, voltei para casa e sentei-me no sofá em busca da explicação fidedigna, Café, açúcar, sal, está fora de questão pois não é algo que se precise às quatro da manhã; Dizer que ouvi um barulho estranho, sim, é isso, pensei, demonstra preocupação, vou franzindo o olhar e dirigindo o ouvido para a porta e se desconfiar que alguém está a dirigir-se à porta toco logo à campainha e pergunto, Está tudo bem? Desculpe Madalena, mas fiquei preocupada, e pronto, parece ser uma boa frase.<br />De novo, manhosa, subi até à porta dela e ouvi os gemidos, cada vez mais estranhos, a gata miava também de vez em quando o que mostrava que algo não era normal. Estava já o meu dedo na campaínha quando ouvi a Madalena dizer Força Agora, Força!, e regelei. Desci escada a escada com consciência plena que estava a invadir seriamente a privacidade de alguém. Corri para o sofã, encolhi-me e aconcheguei-me no robe e tentei dormir. Como fui capaz?, pensava.<br />De manhã, o dia começou chuvoso e os gemidos já não existiam. Era Domingo e a curiosidade devorava-me, consumia-me por dentro como um vício. Controlei-me, ainda eram onze horas da manhã e talvez ninguém gostasse de ser incomodado tão cedo. Chegaram umas pessoas barulhentas a comentar coisas alegremente, entre risinhos, subiram até ao 2.º esquerdo e “Bling, blong”, “Onde estão eles, Madalena? Oh, que giros, meu deus, que lindos! Eu quero um!”. Onde estão eles? Quero um?, não percebia nada. Outras pessoas felizes chegaram, “Então, aqui há gatos...!?”<br />Tinha-me deixado levar por deduções erradas: A gata tinha dado à luz. Enrolei-me de novo no meu robe a ver a chuva e a tentar voltar à pessoa não curiosa que era dantes.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13520344-8767032883757312659?l=pseudotudo.blogspot.com'/></div>PSEUDOhttp://www.blogger.com/profile/01316196875736005907noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-13520344.post-72038719549899669052008-11-09T05:27:00.000-08:002008-11-09T05:54:04.867-08:00"Profissão, Gestor de Espaço AutomóvelSem grandes entretenimentos, e com necessidade de consultar bastante material em CD que trouxe para Angola, encontro uma série de escritos não publicados.<br />Decido publicá-los agora, enquanto aguardo inspiração para novas escritas cá...<br /><br />Um abraço...<br /><br />Uma short-story (Lisboa, 2005)<br /><br />"Profissão, Gestor de Espaço Automóvel<br /><br /><br />Baloiçava o braço e repetia alto, com voz rígida e segura, “Eu sou profissional, va’mo lá q’ isto é sempre a andar! Sempre!”, todos os dias que eu lá passava. <br />Felizmente, não tenho carro, não tenho vontade de ter e adoro a chance de viajar ao “centro da terra”, cada vez que entro no metro: aquela escuridão, a tristeza das caras, as paredes sujas da combustão das “naves”, a rapidez com que as pessoas entram para a “nave”, enfim, adorável rotina de um solicitador novato a reviver Júlio Verne.<br />Um dia desta semana, trouxe o carro da Marina – a minha mais-que-tudo– nem sei bem porquê e tive de passar pela febre da arrumação: o parque é caro, aqui é faixa amarela, ali é garagem, acolá é privativo, até que, vem o arrumador na minha direcção e, educadamente digo “Você é o arrumador daqui?” – má ideia. As pessoas constroem nas suas cabeças as generalizações que lhes convem e, neste caso, este arrumador correspondia ao meu estereótipo, mas não gostou da terminologia e, com um ar pouco afável e imperioso disparou “Sou Gestor do Espaço Automóvel”, realmente só lhe faltava um fato e pouco mais para Gestor, porque a atitude estava lá toda, “Desculpe”, disse eu, tentando ganhar a causa, “Precisava de um lugar e pensei...”, “Sabe como diz o provérbio?”, colocou um ar sarcástico,“A pensar morreu um burro”. Sou pessoa calma, demais até e agora compreendia os desacatos que ocorriam, ocasionalmente, entre os “Gestores do Espaço Automóvel” e os donos das viaturas, “Já fui Gestor de outras coisas, mas isso agora não interessa nada, como diz a outra” – até tinha receio de interromper a divagação; Disse-lhe com ar indagador “Ai é? E então como é que...?”, “Pois, já se sabe, a vida dá muitas voltas; Aqui, perde-se um pouco da dignidade, mas trabalha-se honestamente, sem jogos sujos e ganha-se mais do que nos edifícios bonitos, com elevador e escritórios modernos”, olhou para cima enquanto respirou bem fundo. <br />Tinha acordado num dia reflexivo, predisposto para uma experiência surreal e, por isso, fiquei cativo naquele olhar por três segundos – que na correria urbana é uma eternidade. <br />Apontou-me um lugar e estacionei, azelha como quem já não conduz há meses. Fez sinais e gritou instruções e depois abandonou-me para ir atender outro cliente.<br />Ao passar, vi que estava a corrigir uma senhora que o tinha chamado de arrumador. Dei-lhe uma moeda de um euro, disse obrigada e desejei bom trabalho, “Vê, um euro em – olha para o relógio– 3,7 minutos, significa cerca de–pausa de dois segundos– 16 euros à hora, 112 euros ao fim de 7 horas e pouco mais de –pausa de três segundos– cem contos por semana!”, fiquei à espera da conta mensal, de boca semi aberta e expressão suspensa, “Que foi homem?Já ‘tá! Adeusinho.”, “Errr...pensei que ia acabar a conta e dar o valor mensal!”, disparou uma gargalhada com pitada de sarcasmo e paternalismo, “Isto aqui é como nos States...”, franzi o sobrolho e fiquei mais um vez à espera da sua explicação, “Faz-se a conta à semana”." (Escrito em lisboa, 2005)<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13520344-7203871954989966905?l=pseudotudo.blogspot.com'/></div>PSEUDOhttp://www.blogger.com/profile/01316196875736005907noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-13520344.post-81286798941827816742008-11-06T16:41:00.000-08:002008-11-09T05:52:46.876-08:00Chouriço com morangos<a href="http://2.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SRRe9fyq1nI/AAAAAAAAAEY/UcGJ1xIGvfs/s1600-h/leia2.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 233px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SRRe9fyq1nI/AAAAAAAAAEY/UcGJ1xIGvfs/s320/leia2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5265938274902005362" /></a><br /><a href="http://4.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SRRe9RZUmaI/AAAAAAAAAEQ/u_s_-L00VtY/s1600-h/leia1.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 212px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SRRe9RZUmaI/AAAAAAAAAEQ/u_s_-L00VtY/s320/leia1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5265938271037594018" /></a><br /><em>Nesta escassez de NET em Angola, todos os momentos são preciosos...aproveito estes minutitos de net para colar alguns posts que tenho escrito em Word...Foram escritos em dias diferentes, mas isso agora não interessa nada! O que conta é mesmo a reflexão, né?!</em><br /><br /><strong>Chouriço com morangos</strong><br />A caminho de uma noite no Falcons Bar (Clube Motard) dizem-me <br /><em><strong>“quem vem ao Lubango tem de comer chouriço e morango”</strong></em><br />Eu entendi chouriço com morangos, o que com certeza não seria mau de todo.<br />O chouriço era realmente bom, mas ainda não provei morangos que honrem a fama que Lubango tem…uma grande ironia para a ex-semi-vegetariana, que para já tem de comer aquilo que aparece e não aquilo que apetece…<br />Aqui, “tudo se come” dizem-me, depende, no entanto, das épocas. Nunca percebi grande coisa de cultivos, mas parece que os terrenos são um fenómeno para os meus ingénuos ouvidos. Quase qualquer coisa floresce e dá fruto, imensos animais se caçam e se comem e a quantidade de industrias e produtos fabricados noutros tempos é admirável.<br />Até agora provei alguns frutos daqui que nascem espontaneamente, os maboques, os luengos e as Nonchas.<br /><br />De resto, tenho me empanturrado com feijão com óleo de palma.Penso mesmo estar viciada em oleo de palma...mesmo!<br /><br />Hoje, dia 06 de Novembro, comi Peixe-burro, que estava uma delícia, temperado pela D.Martinha, a "governanta"! E aproveitei para saltear um feijão verde com algo, azeite, vinagre e farinha, numa farinheira à moda da minha futura sogra (Bjs para a Otília e Alfredo!)<br /><br /><br /><strong>A Seis de Novembro</strong><br />Faz hoje 6 semanas que cheguei em Angola. A noção de tempo, como eu já tinha dito antes, é muito diferente. Talvez quando possuir a internet e a Tvcabo a minha construção da temporalidade mude, mas para já, tenho a sensação de que já estou cá há anos...<br />Saudades, daquelas radicais, não tenho muitas, são outros tempos, em que falo com família e amigos todas as semanas, mas fazem-me falta aquelas pequenas coisas, como um cafezinho com a mãe, uma noitada fora com os amigos de longa data, uma noite enrolada no sofá quando o vento e a chuva abanam as portadas e eu me enrolo na minha gata e ela ronrona encostada a mim (aqui fica uma foto da minha gata, agora que estou mais saudosista, dá-me para estas coisas! Esta é a Leia!)…<br /><br /><br />Faz-me falta um bom filme (Ou TV, é verdade há 1 mês e meio sem ver TV!), e uma chá verde bem quente com uma torradinha com manteiga, enquanto me agarro à minha manta favorita…<br />Cá em Lubango, a nossa casa é espectacular (vejam fotos em posts anteriores)! Quem me dera (e a muitos de vós) ter uma casa assim em Portugal, não? Ainda para mais temos uma governanta fantástica, a D. Martinha, que é a felicidade em pessoa, o sorriso constante, a disponibilidade total…a ironia é que agora, que podia não fazer nada, não consigo “mandar” e dá-me vontade de fazer coisas como lavar a louça, fazer chá, etc….<br /><br /><strong>A Universidade</strong><br />Quanto à Universidade, o trabalho tem sido duro para todos. Todos corremos contra o tempo para dar as matérias e fornecer textos de apoio, tentando adaptarmo-nos à cultura, à forma de ser académica de Angola (todos os países são ligeiramente diferentes na sua atitude académica, por opção ou por constrangimentos diversos) e ao cansaço dos estudantes, pois grande parte são trabalhadores estudantes. <br />Quando vim para cá, tinham-me dito que “Sá da Bandeira”, actual cidade de Lubango, tinha fama por ser a cidade do conhecimento e que, desde o tempo dos portugueses, que havia muita sede de informação – confirma-se. O Slogan da Cidade é mesmo “Cidade do Conhecimento”.<br />As pessoas trabalham, de dias e/ou à noite e frequentam as aulas à tarde ou à noite. Às vezes, se olharmos com atenção, vemos o cansaço num ou noutro olhar, mas não é ofensivo, como alguns professores pareciam pensar em Portugal (até de mim, que também fui algum tempo trabalhadora-estudante), é um grande elogio, a pessoa estar a fazer aquele esforço por estar ali! Por vezes um ou outro aluno, fecha os olhos, lentamente abrindo e fechando as pálpebras de cansaço. Tentamos dinamizar ao máximo as aulas, com trabalhos práticos, grupais ou individuais, mas parece soar-lhe estranhas estas práticas, todavia depois afirmam gostar muito.<br />Por outro lado, são pessoas com uma educação única: os estudantes do ensino superior não entravam na sala, enquanto eu (docente) não lhes desse sinal para entrar, quiseram colocar de imediato as regras “na mesa” acerca de atitudes diversas como telemóveis, bater à porta, intervalos, avaliação, etc.<br />Há pouco tempo decorreu o primeiro momento de avaliação (frequência) e todos pareciam altamente nervosos…<br /><br /><strong>A ideia “europeia” de Angola </strong><br />Existe uma ideia preconcebida de Angola, muito errada. Aqui há tudo. Pode ser caro, às vezes mais difícil de encontrar, mas há tudo. Há cafés, há restaurantes, há comida de todo o tipo, enfim…<br />Muitas estradas estão menos boas (o que implica andar de carrinhas todo-o-terreno) mas a estrada para o Kunene, por exemplo, parece ser uma estrada muito recente que todos dizem estar à altura de uma auto-estrada portuguesa (se calhar até melhor, porque já paguei muitas auto-estradas em Portugal, que depois tinham buracos e obras!)<br />Segundo alguns alunos meus também (depois de uma aula sobre preconceitos e estereótipos em Psicologia Social), existem muito mais ideias feitas sobre Angola como, por exemplo, que “é um país onde existem muitos conflitos”. <br />O povo quer é paz, isso é certo, e parece ser um povo pacífico. Penso que estão dispostos a tudo para não cair em guerra de novo. Raramente se ouve notícias de violência.<br />Agora que o mundo parece assistir a uma importante viragem (refiro-me a Obama nos US of A e a tudo o que isso/ele poderá implicar!!!), é realmente o momento de começar a erradicar muitos preconceitos em relação a muita coisa….<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13520344-8128679894182781674?l=pseudotudo.blogspot.com'/></div>PSEUDOhttp://www.blogger.com/profile/01316196875736005907noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-13520344.post-25176964252652547792008-10-26T08:14:00.001-07:002009-01-25T09:58:58.393-08:00Carta de Lubango<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SQSUfrtaV1I/AAAAAAAAAD8/bYLnQvoNzdk/s1600-h/11.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 238px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SQSUfrtaV1I/AAAAAAAAAD8/bYLnQvoNzdk/s320/11.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5261493536705632082" /></a><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SQSUfKwAIGI/AAAAAAAAAD0/_ETKedHgMiU/s1600-h/13.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 239px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SQSUfKwAIGI/AAAAAAAAAD0/_ETKedHgMiU/s320/13.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5261493527858126946" /></a><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SQSUew5vG5I/AAAAAAAAADs/PuGMctoUgs8/s1600-h/12.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 238px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SQSUew5vG5I/AAAAAAAAADs/PuGMctoUgs8/s320/12.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5261493520919632786" /></a><br />Lubango, 26 de Outubro de 2008<br /><br /><br /><br />Caros familiares e amigos/as:<br /><br />Faz para a próxima semana, na quarta-feira, cinco semanas que estamos cá, em Lubango, Angola. <br />Vamos então fazer-vos um retrato fiel de como estamos e do que temos feito, porque já está na hora!<br />As fotos que aqui ilustram o “relatório” estão comprimidas e logo, se aumentarem muito, perdem qualidade, mas penso que dá para ver muita coisa! Além disso, penso que todas as fotos têm data!<br />Aproveito para pedir que reencaminhem este doc a alguém que por acaso não recebeu ou cujo envio tenha falhado (peço desculpa!)…<br />Não nos esquecemos de vós, mas realmente a logística aqui em Angola é difícil e ainda não temos algumas coisas, e logo não podemos contactar-vos com a frequência que gostaríamos!<br /><br />Como já puderam reparar ainda não temos internet, ou só temos de quando em vez, porque uma colega nossa angolana, a Prof. Ana Paula Santos (que dá a disciplina de TCE-Técnicas de Comunicação e Expressão), mas que viveu em Portugal durante 20 anos até ao ano passado tem internet (fornecedor:Movicel, que pertence ao “estado” angolano, quase como a nossa PT) e o Dr. Édio Martins ((ver foto ao lado e reparem que já todos temos t-shirts com o logotipo da Universidade!!!),), nosso coordenador do Projecto aqui, também tem (fornecedor: Unitel, que é privada). <br />Aproveitamos para vos apresentar o resto da equipa (podem querer” goglá-los”!No Google, claro!).<br />A Maria João Cabaço Moniz Barreto é também nossa colega professora, na área do Marketing, e o nosso outro colega Rashid Berrad é professor de direito, em parceria com o Hermínio.<br />De resto, vivemos numa moradia espectacular (já do tempo colonial), na morada: Residência da Universidade Gregório Semedo, Bairro Santo António, zona 5 (não adianta mandar correio, pois não existe distribuição postal); a casa tem piscina, estava danificada e a UGS recuperou e pintou tudo! Ainda não temos espelhos na casa de banho, e de vez em quando aparecem umas baratas e outros bichos estranhos…mas é normal. Aqui na sala, tem uma divisória com a última ceia de Jesus Cristo (depois vêm fotos), e tem uma varanda a toda a volta. Não precisamos de ar condicionado, apesar do calor, está-se bem aqui. (A foto ilustra a entrada da nossa casa e os colegas Maria João e Rashid sentados à entrada!)<br /><br />Além disso, não temos água directamente da rede, como quase toda a gente, mandamos vir cá uns camiões cisterna e temos duas grandes cisternas com água. A água quente é obtida através do cilindro que está no exterior, e nunca falta água quente! Ate queima! Ocasionalmente falta a luz, a certas horas do dia e, por vezes, ficamos parados, porque estamos totalmente dependentes dos Portáteis!<br />Ainda não temos televisão (é verdade, há um mês que não vemos TV!), mas estamos a estudar hipóteses de fornecimento de tv por cabo ou satélite.<br />De resto, temos um motorista e uma carrinha só para nós – chama-se Vado, e o pai é português (ele é mulato, e é muito simpático e paciente!).<br /> <br />Fotos: Eu a subir a uma árvore na serra da Leba e o Hermínio conquistador também na serra da Leba!)<br />Quando podemos vamos tomar um café ao Huila Café (podem pesquisar na net, mas qui fica uma pequena foto ao lado!) e ocasionalmente vamos ao Art-Doce, outro café. O café custa sempre 100 kwanzas que é aproximadamente um euro!<br /> <br />Em termos de supermercado, vamos a 3 principais: o Marivel que é perto da universidade, o Luege que é perto da nossa casa e o Nosso Super que é estatal e muito barato, porém fica afastado da cidade.<br />Todos os dias a nossa empregada, a D. Martinha, nos traz pão fresco a caminho daqui. Ela entra às 08h da manha e sai às 4h, mas fica sempre mais um pouco. Limpa a casa toda, lava, seca e passa a nossa roupa, e faz comida. Cozinha muito bem!<br />Já comemos feijão manteiga com óleo de palma e calulu de peixe (que leva peixe fresco e peixe seco, que é parecido com bacalhau, mas eles aqui secam vários tipos de peixe, por exemplo, hoje comemos carapau seco).<br />Tenho conseguido ocasionalmente fazer algumas refeições vegetarianas, e a única vez que me senti um pouco mal com comida até foi quando o Hermínio cozinhou um fantástico arroz de frango e eu comi imenso! (Demais, claro!)<br />Ao fim-de-semana não temos a D. Martinha e então cada um de nós vai cozinhando para os outros!<br />Quanto a passeios (Ver fotos acima), quando pudermos mandamos fotos, e se o Dr. Édio Martins for a Portugal pedimos para ele levar um CD e colocar no correio para vocês. Os correios aqui não funcionam bem, está tudo muito “internetizado”!!!<br />Já fomos à serra da Leba e à Tundavala, a tal famosa fenda gigante. Ao lado podem ver que o Hermínio já conseguiu matar umas saudades da guitarra, pois no Falcons bar convidaram-no a tocar…ele ainda vai dar o grande arranque do Jazz e Funk por aqui!<br />Abaixo seguem duas fotos de paisagens…talvez não tenha o impacto que esperavam, mas prometo que tentarei tirar mais pôr-do-sol africanos quando tiver tempo! <br /><br /> <br /><br />Hoje mesmo fomos ao Namibe ver as instalações da faculdade lá e comemos um camarão frito que podem ver na foto abaixo! Estava óptimo!<br /><br /> <br /><br />Seguem mais algumas fotos do Namibe, onde o Hermínio irá começar a dar aulas na próxima semana (eu, para já, apenas darei aulas no pólo do Lubango). Uma mostra os mamoeiros que existem à porta da casa dos professores no Namibe e outra é uma foto da avenida na marginal, ao pé do mar.<br /> <br /><br />Quanto à universidade, o arranque custou um pouco, mas já está tudo altamente funcional. Na secretaria temos 3 colegas, que também são todos nossos alunos: a D.Alice, a chefe de secretaria (que também esteve em Portugal durante 30 anos até ao ano passado num serviço público), o Brás e o Joel, que são administrativos.<br />Quanto às aulas, têm corrido bem (ver fotos de alunos, aulas e entrada da universidade e da nossa carrinha!). No início receámos pelo nosso sotaque e pelo dos alunos, temendo que não nos percebêssemos uns aos outros! Porém, com o tempo, as aulas tornaram-se divertidas e emocionantes, pois nunca vimos pessoas tão motivadas e até desesperadas para aprender! Ficam tristes quando falha a luz e não podemos dar mais aulas. O Hermínio até já continuou a dar aulas às escuras! Estamos a conceber umas sebentas-resumo das matérias, pois ainda não há biblioteca na universidade, e isso é que tem sido mais cansativo (o meu mestrado ficou em stand-by!).<br />Temos muitos alunos e alunas da Policia, militares, políticos, funcionários públicos, etc.!<br />Eu tenho apoiado também na parte pedagógica o Dr. Édio a ajudar a conceber os horários, esclarecer duvidas a alunos e professores, elaborar o calendário de exames e frequências, etc. A primeira frequência é já dia 01 de Novembro!<br />De resto, como já imaginavam, as coisas são realmente caras. <br />(ver foto de uma nota de 1000kwanza ao lado, o que são no fundo, cerca de 10 euros! Ah…aqui, não há moedas, ou melhor, há poucas e não circulam! Portanto há dias que tenho a carteira cheia de notas de 5, 10 kwanzas, o que representa na realidade 5 ou 10 cêntimos e nem dá para comprar um rebuçado!).<br />Um pacote de 500g de manteiga custa à volta de 5 euros (500 Kwanzas) e um pacote de leite custa 2 euros. As coca-colas e outros refrigerantes são muito baratos porque há cá uma fábrica desde os tempos coloniais. Cada coca-cola ou cerveja custa á volta de 50 cêntimos (ou seja aprox. 50 Kwanzas)!!! (1 euros são aproximadamente 103 kwanzas).<br />Outras Coisas baratas: o tabaco custa entre 50 cêntimos e um euro, o feijão e o arroz também são baratos, e a fuba (farinha de milho) , com que fazemos o pirão (ou funge), que acaba por ser uma espécie de puré também é muito barata!<br />Há quatro cervejas angolanas: a Cuca, a N’Gola, a Eka e a Nocal. Ainda só provamos as duas primeiras, e aqui no Lubango é que é fabricada a N’Gola, por isso é a que há mais e é muito boa!<br />As marcas de Café de cá também são muito boas, há o Ginga café, café “O pensador”, etc. Depois levamos para vocês provarem!<br />Algumas frutas que há por cá: o Mirangolo (que dá um doce para barrar o pão muito bom), a Amarula (que dá um licor espectacular), a papaia/Mamão (que temos à borla no nosso quintal), o abacate, a manga, o abacaxi (cá não há ananás!), etc.<br />Quanto à vida em Angola, como já sabiam, há muitas pessoas que não trabalham. O valor do trabalho aqui não é o mesmo para os europeus ainda. Podemos chamar desemprego ou não-emprego, mas o facto é que muitos não têm emprego, mas têm trabalhos, ou como nós dizemos têm “business”! Muitas pessoas que não têm emprego tem um Business, e algumas têm emprego e Business em paralelo! Não se vê fome, vemos e sentimos alguma pobreza material, mas eles e elas vendem de tudo na rua, coisas do campo, carregadores de telemóveis, fruta, legumes, galinhas, etc. Vamos dando de vez em quando uns pacotes de bolacha, pão, etc., mas as pessoas aqui parecem mais felizes.<br />Em termos de clima, não sei bem as temperaturas, mas há duas estações no ano: a época das chuvas de Outubro a Maio, e a época da seca, de Maio a Outubro. Já choveu bastante, blocos de gelo imensos durante 1 hora, e há vários dias que não chove. Mesmo quando chove apetece ir para a rua.<br />Quanto às nossas expectativas, acho que só quando recebermos o primeiro salário, começarmos a fazer mais contactos e a ter liberdade de movimentos é que podemos realmente avaliar a nossa situação.<br />O projecto parece estar consolidado aqui no Lubango, mas as aulas ainda não arrancaram no Namibe por dificuldades logísticas (ainda não temos 2 carrinhas e dois motoristas, pois o Namibe fica a 180 km daqui, no litoral).<br /><br />Mesmo assim não sabemos como as coisas vão correr, porque parece que o Dr. Edio vai arrancar com outros projectos da Universidade e temos algum receio de como ficarão as hierarquias por aqui…<br /><br />Eu tenho saudade de muitas coisas em Portugal, de tomar café com a minha mãe, com a Rosina e com o pessoal, dos jantares ou almoços em família, de adormecer no sofá enrolada na minha gata, da chuva e dos agasalhos, da Tv cabo, de passear pela beira rio de Fão, etc…Mas é bom saber que, mais tarde ou mais cedo, tudo isso estará aí à minha espera!<br /><br />Está a ser uma experiência fantástica, com todas as dificuldades de um arranque inovador, mas muito gratificante…no entanto, por mim, continuo com Portugal no Coração…vamos lá ver se com o melhorar das coisas, com mais tempo de lazer, praias etc, Angola me convence mais!<br /><br />Um grande abraço a Todos e até breve! O voo está marcado para dia 13 de Dezembro!<br /><br />(PS.Lamento mas tive de anexar asw fotos todas seguidas...ao invés de intercaladas nos sitios certos dos textos!)<br /><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SQSSGxUFy-I/AAAAAAAAADk/i2QQSj1rsGw/s1600-h/9.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SQSSGxUFy-I/AAAAAAAAADk/i2QQSj1rsGw/s200/9.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5261490909690055650" /></a><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SQSSGqSl5wI/AAAAAAAAADc/AqkSyz1l1MQ/s1600-h/10.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SQSSGqSl5wI/AAAAAAAAADc/AqkSyz1l1MQ/s200/10.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5261490907804722946" /></a><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SQSSGVwYJqI/AAAAAAAAADU/MMOGPPBqi04/s1600-h/16.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 111px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SQSSGVwYJqI/AAAAAAAAADU/MMOGPPBqi04/s200/16.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5261490902292506274" /></a><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SQSSF4oBM8I/AAAAAAAAADM/8SbJYf0UDLg/s1600-h/15.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 150px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SQSSF4oBM8I/AAAAAAAAADM/8SbJYf0UDLg/s200/15.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5261490894472819650" /></a><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SQSSFpmBC6I/AAAAAAAAADE/Gz3OQdW6tBM/s1600-h/14.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 110px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SQSSFpmBC6I/AAAAAAAAADE/Gz3OQdW6tBM/s200/14.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5261490890437888930" /></a><br /><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SQSOL3vZYXI/AAAAAAAAACU/YsWFwv_preI/s1600-h/4.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 150px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SQSOL3vZYXI/AAAAAAAAACU/YsWFwv_preI/s200/4.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5261486599268032882" /></a><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SQSOLklSOjI/AAAAAAAAACM/6Db8RUJ31kY/s1600-h/5.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 148px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SQSOLklSOjI/AAAAAAAAACM/6Db8RUJ31kY/s200/5.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5261486594125347378" /></a><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SQSOLvQIKcI/AAAAAAAAACE/cLtPVj82AeA/s1600-h/6.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 162px; height: 119px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SQSOLvQIKcI/AAAAAAAAACE/cLtPVj82AeA/s200/6.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5261486596989397442" /></a><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SQSOKxRaaaI/AAAAAAAAAB8/-9fhrxcAZzA/s1600-h/8.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 151px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SQSOKxRaaaI/AAAAAAAAAB8/-9fhrxcAZzA/s200/8.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5261486580351789474" /></a><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SQSOKtzKfBI/AAAAAAAAAB0/ClFuPcvgWV4/s1600-h/3.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SQSOKtzKfBI/AAAAAAAAAB0/ClFuPcvgWV4/s200/3.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5261486579419610130" /></a><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SQSM9To_1UI/AAAAAAAAABs/px94KJqx3xk/s1600-h/1.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 148px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SQSM9To_1UI/AAAAAAAAABs/px94KJqx3xk/s200/1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5261485249547720002" /></a><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13520344-2517696425265254779?l=pseudotudo.blogspot.com'/></div>PSEUDOhttp://www.blogger.com/profile/01316196875736005907noreply@blogger.com4tag:blogger.com,1999:blog-13520344.post-53372284935836279972008-09-27T16:12:00.000-07:002008-11-09T05:52:46.878-08:00<a href="http://2.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SN6_ypAn8AI/AAAAAAAAABk/utlTmzQ1hHY/s1600-h/pat.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SN6_ypAn8AI/AAAAAAAAABk/utlTmzQ1hHY/s200/pat.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5250845092283412482" /></a><br /><br />Legenda: Eu, em casa, frente à piscina vazia! Lubango, Angola<br /><br /><a href="http://2.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SN6_JtGDr4I/AAAAAAAAABU/q473jbDPR0E/s1600-h/pat_h_Serra_da_leba.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SN6_JtGDr4I/AAAAAAAAABU/q473jbDPR0E/s200/pat_h_Serra_da_leba.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5250844389005307778" /></a><br />Legenda: Nós, no cimo da Serra da Leba, Lubango, Angola<br /><br /><a href="http://4.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SN6_J3lAw0I/AAAAAAAAABc/x4Xs_oxCyE4/s1600-h/serra_leba.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SN6_J3lAw0I/AAAAAAAAABc/x4Xs_oxCyE4/s200/serra_leba.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5250844391819494210" /></a><br /><br />Legenda: Serra da Leba, Lubango, Angola<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13520344-5337228493583627997?l=pseudotudo.blogspot.com'/></div>PSEUDOhttp://www.blogger.com/profile/01316196875736005907noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-13520344.post-84914006112158744412008-09-27T16:03:00.000-07:002008-11-09T05:52:46.878-08:00Uma Psicóloga em Angola(Primeiro texto após chegada, dia 25/09/2008)<br /><br />Sempre me disseram “Tu que és psicóloga, deves estar sempre a analisar tudo”, e eu respondia honestamente que não, que não era nada assim, que a nossa formação se fazia no sentido contrário: Primeiro aprender todos os “rótulos”, as categorias, os conceitos, as patologias e, depois, desconstruir tudo, e saber ver cada pessoa como um ser “único e irrepetível”, conseguindo desligar o radar.<br />Claro, prestes a ir para oito mil quilómetros de distância da nossa casinha, seja para que sentido da bússola for, inevitavelmente uma pessoa liga o radar.<br />Depois de oito horas de voo num Jumbo, o radar já sai meio avariado. <br />Chegando a Luanda, o ar quente e seco que nos entra nas narinas enferruja um pouco mais o radar! O corpo ressente-se, mas dentro de minutos, adapta-se, pelo menos para já.<br />Luanda é confusa para o radar europeu, um pouco obsessivo já com a organização e com uma noção muito clara e até restringida da temporalidade.<br />Os carros são imensos, as estradas apertadas, a pobreza económica é visível, mas também o são os carros de alta-roda. Não há muitas pressas em quase nada, excepto talvez na estrada. Todos querem chegar rápido a qualquer lado, ou talvez o que aconteça de facto é que todos querem deixar de estar na estrada rapidamente.<br />Assim, a psicóloga de vez em quando liga o radar para analisar algumas coisas. <br />Há alguns dias, no Huíla-Café, por debaixo do vidro da mesa surgia um flyer a publicitar uma discoteca, que terminava com o slogan “Venha passar uma noite agradável e feliz”. O um olhar deteve-se e o meu radar ligou-se. Esta frase não passaria em nenhum departamento de marketing português, nem qualquer empresário português a escreveria no seu flyer. <br />A palavra feliz e isto é comprovado empiricamente na rua pelos sorrisos.<br />Lembro-me de um autor da Psicologia ou talvez da psicofisiologia, Penso que se chamava Ekl (e agora não tenho net suficientemente rápida para pesquisar!), que estudou as expressões faciais de pessoas para chegar a uma teoria sobre a forma como lemos as expressões faciais uns dos outros no quotidiano. Isto e fulcral para a comunicação entre os seres humanos. Não ser capaz de ler as faces dos outros pode levar a conflitos graves. <br /><br />O sorriso de Angola parece fazê-la funcionar. E não nos fará funcionar a todos?<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13520344-8491400611215874441?l=pseudotudo.blogspot.com'/></div>PSEUDOhttp://www.blogger.com/profile/01316196875736005907noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-13520344.post-78474197654551097822008-09-05T15:15:00.000-07:002008-09-05T15:30:22.537-07:00Psicanálise dos três porquinhos<a href="http://colunas.globoesporte.com/files/168/2008/04/tresporquinhos.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px;" src="http://colunas.globoesporte.com/files/168/2008/04/tresporquinhos.jpg" border="0" alt="" /></a><br /><em>“Era uma vez ...” </em> – começava a minha mãe a contar novamente a história dos três porquinhos.<br />Milhares de vezes lhe pedi, e milhares de vezes contou.<br />Era como se não conseguisse dormir em paz sem a sensação de certeza que uma casa de cimento é que nos protegia. Hoje que analiso, faz sentido. <br />Em todas as histórias havia lobos maus ou bruxas, fadas ou princesas, venenos ou feitiços. Mas nesta não havia nada disso.<br />Agora que me psicanaliso devidamente, gostava da história porque a solução era bastante fácil, acessível e concreta. Não era necessária uma chave mágica, uma reversão de feitiço ou determinada postura mental: a resposta era bastante básica. Tijolo em cima de tijolo, com cimento ou betão, não sei o que usavam na altura. No fundo, era uma obra da humanidade que salvava a humanidade (ou, este caso, os porcos).<br />Talvez devido à sua simplicidade eu gostasse da história.<br />Por outro lado, o lobo mau não queria um trono, um reinado ou conquistar o mundo: queria algo muito lógico, simples e básico: comida. <br />No entanto, hoje já nada faz muito sentido.<br />Inventamos casas cada vez mais sofisticadas, de cimento e betão armado, agora com alarmes e outros automatismos fabulosos.<br />Continuamos a fugir e a refugiarmo-nos nelas, em vez de enfrentar o lobo mau de uma vez. <br />Ou por outro lado, tornamo-nos no lobo mau porque comemos porcos sem a mínima piedade (se calhar por isso, sou vegetariana).<br />Não albergamos os nossos irmãos (porcos) quando eles precisam, quando as casas deles se mostraram demasiado fracas (veja-se todas as tragédias por todo o mundo e muitas vezes na nossa própria terra), agora, simplesmente viramos a cara não querendo ver os nossos irmãos porcos a serem trucidados por lobos maus.<br />Fechamo-nos então nos nossos palácios grandiosos e materialistas, hiper-protegidos de todos os lobos-maus exteriores, e começamos a fazer criação de lobos-maus interiores.<br />Porque o maior lobo mau que existe, existe em nós e chama-se medo.<br />(Voltemos ao básico, ao simples. Viver sem medo…porque o porco e o lobo eram animais e, pela ausência de córtex cerebral não podiam se compreender mutuamente e reconciliar-se. Nos podemos.)<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13520344-7847419765455109782?l=pseudotudo.blogspot.com'/></div>PSEUDOhttp://www.blogger.com/profile/01316196875736005907noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-13520344.post-45362818761091543282008-08-19T11:46:00.000-07:002008-09-05T15:30:56.118-07:00As Samskara e a largura dos cintosRecentemente, num passeio pelos saldos com a minha grande amiga, descobri uma <em>Samskara </em>muito básica.<br /><br />Uma definição de <em><strong>Samskara</strong> </em>que vos posso dar, tendo como base a definição constante no Dicionário do Hinduísmo é , samskaras são <em>"As impressões deixadas no subconsciente da mente por experiências (desta ou de vidas anteriores), que colorem e condicionam toda a vida, sua natureza, respostas, estados mentais, etc." </em><br /><br />Quando pensamos nisto, pensamos em coisas "grandes" da vida, como por exemplo, a forma como tomamos as nossas decisões, a forma como tratamos os outros ou reagimos ao que os outros dizem, etc.<br /><br />Mas, descobri recentemente uma <em>Samskara</em> tão básica, que acho que ilustra muito bem como estas impressões ficam presas na nossa mente e nos condicionam.<br /><br />Procurava um cinto.Um cinto para as calças. Procurava um cinto daquela determinada largura. A minha amiga perguntou "<em>Porque queres essa largura?</em>" E eu respondi, "<em>É a largura que têm as azelhas das calças</em>", e ala respondeu, "<em>E então...este dá</em>", mas eu não percebia. O cinto que ela me mostrava era muito mais fino do que as azelhas das calças. Aí consegui perceber que a minha Samskara me dizia que os cintos têm de ser exactamente da largura das azelhas...mas se são mais finos, porque não?<br /><br />Acabei por comprar um cinto muito fino e colocá-lo nas calças. E ficou bem.<br /><br />Esta estória pode assemelhar-se àquelas <strong>estórias Zen</strong>, e no fundo, acaba por ser isso mesmo. Precisava daquele insight (na expressão ocidental), ou de eliminar a minha Samskara, que me prendia àquela noção.<br /><br />Conclusão, passei a usar os cintos que me quero e me apetece, sem olhar ao tamanho das azelhas.<br /><br />Quando ouvimos aquelas pessoas (<em>a que muitas vezes chamamos "casmurras")</em>cismarem que sim porque sim, ou que não porque não, ou que sou assim e não há nada a fazer, sabemos que não estão prontos para mudar, pois têm medo de perder as suas Samskaras, que já lhes fornecem as respostas (automáticas)...e num mundo onde tudo se quer automático...até dá jeito.<br /><br />Resta agora, tomarmos consciência de todas as <strong><em>Samskaras</em></strong> que possuímos que nos condicionam todos os dias, para que nos possamos libertar delas, e fazer uma escolha livre e consciente de cada coisa, atitude ou situação.<br /><br />(P.S. Dedicada a Ti, amiga, que já estás livre de muitas <em>Samskaras</em>!)<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13520344-4536281876109154328?l=pseudotudo.blogspot.com'/></div>PSEUDOhttp://www.blogger.com/profile/01316196875736005907noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-13520344.post-66289006566436180772008-08-13T08:01:00.001-07:002008-09-05T15:30:38.139-07:00Onde está a inspiração?Todos os escritores precisam de inspiração. E encontram formas de a encontrar.<br />Porém, a inspiração que necessito agora vai além da escrita, é a inspiração da revisão...e essa não sei onde encontrá-la.<br />A tese de mestrado está um "patchwork" lindíssimo, mas mesmo o Patchwork precisa de harmonia e é dificil encontrá-la.<br />Mais uma vez não há soluções mágicas. Ainda espero por aquele momento de elevado insight, em que me vou sentar à frente deste computador e vou fazer tudo "de rompante", mas...e se esse momento (desta vez) não vem?<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13520344-6628900656643618077?l=pseudotudo.blogspot.com'/></div>PSEUDOhttp://www.blogger.com/profile/01316196875736005907noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-13520344.post-76041326835324763722008-08-08T12:16:00.001-07:002008-09-05T15:30:38.139-07:00Hi5Bem, lá aderi ao Hi5...<br /><br />http://pattaraujo.hi5.com/<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13520344-7604132683532476372?l=pseudotudo.blogspot.com'/></div>PSEUDOhttp://www.blogger.com/profile/01316196875736005907noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-13520344.post-12170235859729487412008-08-08T10:22:00.000-07:002008-09-05T15:30:15.111-07:00EuNo meio das referidas arrumações, encontro uma foto minha com 5 anos?Talvez 6 anos?<br />Quando olhamos para nós próprios ao longo da vida, ganhamos nova auto-consciência. E pensar que tantos milhões de pessoas não puderam (e nao podem?) hoje fazer isso.<br /><br /><a href="http://4.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SJyBSE_hguI/AAAAAAAAABM/Kr3Hl5Ww4CA/s1600-h/EU.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SJyBSE_hguI/AAAAAAAAABM/Kr3Hl5Ww4CA/s200/EU.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5232199014675481314" /></a><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13520344-1217023585972948741?l=pseudotudo.blogspot.com'/></div>PSEUDOhttp://www.blogger.com/profile/01316196875736005907noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-13520344.post-85772263431599721162008-08-08T10:20:00.000-07:002008-09-05T15:30:29.291-07:00FãoNada a acrescentar.<br /><br /><a href="http://3.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SJyAg0eBTKI/AAAAAAAAABE/J0FWz41y7iE/s1600-h/Imagem+014.jpg"><img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_LOGKHDRw7Iw/SJyAg0eBTKI/AAAAAAAAABE/J0FWz41y7iE/s200/Imagem+014.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5232198168426400930" /></a><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13520344-8577226343159972116?l=pseudotudo.blogspot.com'/></div>PSEUDOhttp://www.blogger.com/profile/01316196875736005907noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-13520344.post-40214545260908987682008-08-08T10:15:00.001-07:002008-08-08T10:17:09.394-07:00AngolaCaro Blog:<br /><br />Vou para Angola. <br /><br />Estarei perto de ti, mas de certa forma longe, mental e espiritualmente muito longe. Porque tu, meu blog, és português.<br />Depois de alguns anos a aceitar aqui que as propostas me surgiam, finalmente tomei toda a coragem em mim para agarrar aquilo que realmente queria.<br />Penso que, durante alguns meses da minha vida, deixei de ser quem realmente era. <br />Perdi um pouco de mim, e no entanto, consegui me redescobrir novamente, desta vez com mais clareza e lucidez.<br /><br />Descobri que o ser humano não pode ter sido concebido para estar numa secretaria oito horas por dia, ou pelo menos alguns seres humanos. <br />Consegui acabar com a ilusão do emprego perfeito, Nine-to-five (que já ninguém tem este horário), numa secretaria só para mim, com um computador só para mim e com fotos dos/as entes queridos/as em cima da mesa, ou agora, nos tempos modernos, no screen-saver ou no wall-paper. <br />O emprego em que sonhava fazer coisas fantásticas e ter ideias e defender quem precisa de ser defendido. O emprego onde uma equipa trabalha para melhorar a sociedade, o mundo ou uma pequena comunidade, que de alguma forma, precisa de apoio. <br />Em vez disso dei por mim numa teia enorme de burocracia, aprovações de tudo por um cadeia hierárquica, que defende a imagem da organização a todo o custo, em vez dos interesses dos/das tais que necessitam de apoio. <br />Dei por mim entre palavras como picar o ponto, cumprir os objectivos, preencher os formulários, recolher assinaturas, aprovar isto, remeter aquilo para aquele e para o outro, verificar se não se está a pisar terrenos de trabalho pantanosos, atender chamadas e reencaminhar processos. <br />O cúmulo da “administratividade”, se é que a expressão existe. <br />A coluna toda torta ao fim do dia, dores intensas nos olhos de estar perante o PC todo o dia – estas novas profissões trarão problemas gravíssimos no futuro, estou certa disso. O contacto humano limitado e o envio de emails para pessoas que estão a 3 ou 4 metros de nós tornou-se prática comum e aceite por todos. <br />De vez em quando, alguém pensava como eu e vinha falar pessoalmente comigo. Ao chegar a casa, esgotada mentalmente pela quantidade de solicitações e variabilidade das mesmas, só conseguia embrutecer em frente da TV antes de ir para a cama, e comprar cada vez mais pré-preparados congelados, prontos a tombar para micro-ondas. <br />Ler começou a ficar fora de questão. Começou a não haver tempo para hobbies, nem vontade de estar com outras pessoas socialmente. Durante o fim-de-semana conseguia ser eu própria durante talvez umas 30 horas, dar aulas de yoga, fazer umas sessões de psicologia, sentir que realmente estava a fazer algo útil, estar com alguns amigos e amigas e cozinhar uma jantarada de caril de soja.<br />Para outra pessoa, este emprego seria um sonho. Para mim, roubou-me a alegria e a personalidade.<br />O comodismo e o salário fixo ao fim do mês, bem como (a ilusão) de vínculo estável, estavam a entranhar-se e a ganhar terreno. Discursos como “até não é mau de todo, tem muitas benesses” começaram a aparecer, alternados com momentos de elevado nervosismo e actividades de elevada responsabilidade não recompensadas.<br />Ainda assim, reconheço que se trata de uma instituição quase perfeita em muitos sentidos para quem tem a vocação para a tal administratividade: um convívio por ano para colaboradores/as, condições especiais para colónias de ferias para filhos/as, horas-extra, sistema de “banco de horas” acumulado que se traduzia em dias de férias ao fim do ano, sistema de carreira altamente estruturado (equiparado à “antiga” função pública), com mais um dia de férias ao fim de 10 anos de trabalho, ao perfazer 40 anos e coisas assim, que não cheguei a explorar devidamente, pois arrepiava-me só em pensar no excesso de estrutura em que o ser humano é obrigado a viver nos dias de hoje. <br />Um taylorismo socialmente aceite. Até os velhos contra-mestres e os agentes de tempos e métodos estão a voltar a aparecer, nestes tempos em formatos de softwares de controlo de atendimentos (quem atendeu, porquê, como, quanto tempo, etc…)…<br />Ao viver assim, as pessoas encontram formas de coping com este tipo de força estruturada, têm excessivas preocupações com o seu aspecto, as roupas e marcas que vestem, a cor da bolinha do brinco ser igual ao rebordo da calça, outras com excessiva televisão (em parte o meu caso também), excessivas revistas cor-de-rosa, afastamento da vida cultural e social do país, desvinculação face às decisões políticas, não participação activa na sociedade, não preocupação com o ser humano, com a filosofia e com o estado das coisas, e antes um conformismo assustador do tipo “é a vida, não podemos mudar o mundo”…<br />Foi há vários meses que decidi que não podia ficar ali muito tempo. Se o ser humano não pode mudar o mundo, ninguém mais pode.<br />Quando lá cheguei abriram-me portas, deixaram-me expandir, e em poucas semanas estava a questionar demais e fui chamada à terra. Tratava os assuntos com demasiada rapidez e com prazer e esse rapidez virou-se contra mim, pois, em pouco tempo, tudo começou a cair em mim. <br />Depois, dei por mim a entrar na “onda” de tentar despachar coisas para os outros, porque já não queria tanta coisa…(coisa que condenava no início)<br />Chegou a um ponto, que rir tornou-se difícil. Sentia os músculos da face a serem puxados para o chão. Mas isto sou eu. Continuo a dizer que talvez existam pessoas felizes com esta estrutura.<br />Lembro-me que na primeira semana de trabalho, o sentimento de que não pertencia ali apareceu logo, mas ignorei-o e treinei a minha mente para se adaptar. <br />Pessoas ficavam ofendidas com coisas que eu dizia sobre as “coisas”, por pensaram que estava a falar das “pessoas”. Cheguei a um pouco de fazer voto de silêncio, antes, durante e após o horário de trabalho. Sentia que tudo o que eu pudesse dizer estava a ser analisado, “cuscado”, compartimentado.<br />Parecia que muita gente à minha volta estava em busca de algo que fosse uma ofensa! Como dizem os brasileiros, pareciam que estavam “em busca de brigas”.<br />O Voto de silêncio fez-me bem, apesar de não o ter seguido com a disciplina yóguica que deveria.<br />A seguir ao voto de silêncio, comecei o voto de “não quero saber”, não quero saber quem é quem, o que é que disse, quem quer o lugar de quem, quem fez isto ou aquilo, quem foi amigo/a de quem e se zangou, etc. Fazia o meu trabalho e saía assim que podia. Não queria envolver o pouco que restava mim própria nesse novelo. <br />Entrava no meu carro e na minha casa e desligava tudo o que fosse réstias disso. Aí comecei a perceber que não era assim que via o trabalho. Nunca o vi assim. Sempre quis chegar a casa e ligar o PC e registar ideias novas, trabalhar as coisas de outra forma, acabar um relatório…isso não era problema, porque para mim trabalho era uma actividade, e o ser humano não consegue viver sem uma actividade, e era óptimo que essa actividade pagasse as contas. <br />Se um dia tiver de ter uma actividade apenas que pague as contas e onde não exerça a minha profissão, então prefiro algo simples, como montar um comércio, e não ter todas as responsabilidades em cima dos ombros, por algo que não se gosta.<br /><br />Depois de horas fechada no mesmo sítio, comecei a compreender melhor a claustrofobia. Sempre que podia, ia respirar ar exterior. Sentava-me sozinha numa cantinho à beira de um lago a olhar para o céu e a perseguir uma nuvem com o olhar.<br />Só nesses pouco minutos por dia conseguia colocar-me num estado de ser do mundo, em vez do estado do ser de uma sala com 4 paredes. A mente abria-se e conseguia ir além das picuices que caracterizam o mundo chamado moderno.<br /><br />E finalmente o universo abriu-me a porta para o mundo. No início pensei que Angola ou Espanha ou Brasil seriam iguais, mas lentamente o fascínio por África entranhou-se em mim. Como dizia Pessoa, primeiro estranha-se, depois entranha-se (apesar de nunca ter sentido isso com a coca-cola, felizmente). <br /><br />África entranhou-se e despedi-me. Tive muito receios, mas mais uma vez esta organização, demonstrou um nível de excelência ao compreender a minha situação e ao permitir o desvincular sem problemas. Penso que a própria organização mais cedo ou mais tarde se aperceberia que o meu lugar não era ali, e é minha função perceber primeiro onde eu pertenço ou não pertenço. <br /><br />(A ironia de tudo isto é que comecei o Mestrado com a minha teoria de que a não-pertença [o desemprego] seria pior do que a pertença fictícia [ex. recibos verdes] e que, o melhor mesmo era a pertença total [emprego total]; e hoje, olho para a minha vida e mesmo por comprovar, a minha teoria cai por terra à luz da minha experiência pessoal: era mais feliz com a liberdade dos recibos, do que com a pertença total; medos diferentes, sentimentos diferentes, mas hoje o receio que sentia de não arranjar trabalho no mês seguinte quando estava a recibos, não se parece nada com o desespero de estar em pertença total infeliz.)<br /><br />Depois da desvinculação, exigências terríveis se seguiram, e foram 30 dias altamente esgotantes. Mas estava livre.<br /><br />Aprendi que sei lidar melhor com a incerteza e o devir da vida e do trabalho, do que com a complexidade de uma organização burocrática, e com stress de trabalhar fechada, condicionada por todo o lado a realizar trabalhos administrativos (que outros acham que não o são). <br /><br />Darei outras notícias, de Portugal ou de Angola<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13520344-4021454526090898768?l=pseudotudo.blogspot.com'/></div>PSEUDOhttp://www.blogger.com/profile/01316196875736005907noreply@blogger.com1