tag:blogger.com,1999:blog-12655926136296331632008-06-17T06:13:32.516-07:00Coisas de ManogonManoel Gonçalveshttp://www.blogger.com/profile/16910758791979712421noreply@blogger.comBlogger65125tag:blogger.com,1999:blog-1265592613629633163.post-1075776212683007992008-06-17T05:58:00.000-07:002008-06-17T06:00:12.658-07:00Pintura<span style="font-family:trebuchet ms;">Quero um olhar diferente<br />Daquele que olha ao longe<br />E vê os pássaros voando<br />As folhas das árvores cantando<br />Balé de flores do campo<br />Sinfonia da água em cascata<br />Quero olhar para o céu<br />E ver a luz transpondo as nuvens<br />Sentar na relva úmida<br />Flutuar no vento vespertino<br />Observar o pôr-do-sol<br />E saber que depois dele<br />Nada mais é o que era<br />Já não há mais pássaros<br />Não se vê mais árvores<br />Muito menos montanhas<br />Rios ou cachoeiras<br />Flores e relva são meros rabiscos<br />Tudo perde seu significado<br />São simples silhuetas estranhas<br />Peças do mesmo cenário<br />Formas negras interessantes<br />Num fundo alaranjado<br />Elementos gráficos<br />De um belo quadro<br />Pelo grande Mestre pintado</span><br /><span style="font-family:trebuchet ms;"><br /><em>Manoel Gonçalves</em></span>Manoel Gonçalveshttp://www.blogger.com/profile/16910758791979712421noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-1265592613629633163.post-29927314728608572682008-06-14T17:02:00.000-07:002008-06-17T06:03:22.960-07:00Minhas Corredeiras<span style="font-family:trebuchet ms;">Sob minha janela<br />Correm águas cristalinas<br />E quem se banha nelas<br />Amor dos seus olhos mina<br /><br />Sob minha cama<br />Correm águas musicais<br />E o som que delas emana<br />Acalma a dor dos meus ais<br /><br />Sob meu corpo quente<br />Correm águas agitadas<br />Nutrem de vida a mente<br />Com suas idéias aladas<br /><br />Em minha alma inquieta<br />As águas que tanto escrevi<br />Carregam sentimentos de poeta<br />Emoções diversas que vivi<br /><br /><em>Manoel Gonçalves</em></span>Manoel Gonçalveshttp://www.blogger.com/profile/16910758791979712421noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-1265592613629633163.post-7491302166743744192008-06-13T06:04:00.000-07:002008-06-17T06:05:17.786-07:00Sussurro<span style="font-family:arial;">O sussurro na calada da noite chegou sorrateiramente aos seus ouvidos. Aquela voz, aqueles poemas, aquelas obscenidades… tudo conhecido e há muito não ouvido mais. Seria um delírio ou um sonho? Estaria ele escutando mesmo a rouquidão daquela voz suave e provocante a rondar sua nuca novamente. Ele nunca fora chegado a afetos demasiados banais para a sua criação e conduta de homem de negócios. Ah, mas com ela foi diferente desde o começo. O encontro na fila do cinema, os dois solitários (ela acabara de tomar um majestoso pé na bunda e ele sem expor suas emoções. Mas um esbarrão na saída da lanchonete e pipocas para todo lado foram o suficiente para marcar o início de um romance ardoroso, arrebatador e cheio de situações ousadas que ruborizavam as pessoas presentes, haja vista que o fato de ser local público ou privado nunca foi empecilho para ambos. Mas agora tudo era fumaça. Coisas que se desfiguram na névoa. A não ser quando a saudade derruba e o tédio arma o terreno para sentimentos de arrependimento e súplica. Nesses momentos, até um cheiro de ovo frito pode desencadear lembranças fortes. Ela era muito prendada na arte culinária e ele achava isso ótimo (o ovo era pedido especial dele para tomar o café da manhã). Mas sua paixão por gastronomia a aproximou de um chef francês que fazia algumas palestras no Brasil. O comunicado veio de forma simples, mas o corte que deixou foi profundo. Ele ainda não cicatrizou. E agora que a voz ecoava em seu ouvido, como um mantra do amor, ele revivia cada alegria e cada dor. Deu um salto e correu para o interruptor. Nada, nem sinal de qualquer vestígio dela. O jeito era se entregar às pilhas de papel dos relatórios e curtir a fossa ali mesmo ou socado num boteco qualquer. Quem sabe poderia pintar alguma coisa? Um esbarrão, coisas caídas, um jantar (desde que não fosse francês, é claro). O sussurro? Quem poderia ser? Ah, esquece, aquilo foi só um delírio de sua mente cansada, comprometida pelo álcool, e de sua paixão não correspondida. Os ecos eram de sua própria voz gritando para sua alma e vontade de viver esquecerem as mágoas e voltarem à vida.</span>Manoel Gonçalveshttp://www.blogger.com/profile/16910758791979712421noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-1265592613629633163.post-34973617627844465882008-06-09T09:39:00.000-07:002008-06-09T09:41:58.253-07:00Café da manhã<span style="font-family:arial;">O raio de sol entrou pela fresta da janela, fazendo com que ele acordasse. Nesse instante, também invadiu o quarto um cheiro envolvente de café. Ana levantara cedo e estava na cozinha, cantarolando e preparando um café reforçado para o casal. Depois da noite que passaram seria indispensável repor as energias. Talvez extasiado com as lembranças dos bons momentos, talvez porque moravam no 8º andar daquele edifício reformado, nas imediações do centro da cidade, mas o fato é que o barulho infernal do trânsito paulistano parecia não existir. Marcelo aproveitou mais alguns instantes daquela paz, e depois de muito se espreguiçar, como gato depois da soneca quando sai da almofada, andou pelo quarto e conferiu a cara amassada, barba por fazer e cabelo arrepiado. Constatou a necessidade de um banho urgente. Pela brecha da porta cuidadosamente encostada, viu Ana distraída com sua missão gastronômica. Saiu do banho e ainda com a lerdeza matinal, sentou-se na cama, diante da janela. O sol tímido havia sumido. A nuvem cinzenta que parecia só mais um dos reflexos da poluição, na verdade, era prenúncio de chuva.</span><br /><span style="font-family:arial;"><br />Abriu a janela e sentiu os pingos em sua face barbeada. Aquele ambiente bucólico o fez viajar no tempo, quando ainda era criança e morava com os pais na periferia da Zona Leste. O cheiro do café na casa toda, uma mulher cantarolando na cozinha, a preguiça em levantar para ir à escola, reforçada ainda pelas manhãs que eram surpreendidas pela chuva.<br /><br />O bairro ainda continha muitas áreas verdes e as ruas, quase em sua totalidade, eram de terra. Ambiente mais que propício para as travessuras de um garoto peralta e cheio de vida. Marcelo não era do tipo que ficava o tempo todo na rua, pois os pais lhe davam liberdade, mas sempre cobravam postura e respeito às “leis” de casa. Hora de entrar era hora de entrar e fim de papo. Mas Marcelo aproveitou bem sua infância, correndo pelo bairro e pelos morros que ainda existiam na época, de onde soltou muitas pipas, jogou pára-quedas feitos de plástico e com soldadinhos e brincava de um inocente polícia e bandido.<br /><br />Adorava quando chegava o fim de semana e podia acordar sem pressa, sentar na varanda de casa e simplesmente observar o movimento lento da rua. As nuvens se formavam e, antes que a chuva desabasse, ficava envolto em suas fantasias para determinar quais os bichos ou coisas que as nuvens formavam. Entrava e sentava à mesa da cozinha, observando sua mãe em meio à fumaça do café (uma cena digna de cinema ou de foto artística). Só acordava do transe com o chamado de sua mãe.<br /><br />- Marcelo. Marcelo. Ei, acorda rapaz. – era Ana adentrando no quarto, com uma bandeja repleta de guloseimas. Estou chamando há algum tempo, mas você não foi. Então resolvi trazer o café na cama. Aproveita que não é todo dia, hein!<br /><br />Marcelo voltou à realidade.<br /><br />O bairro onde cresceu se modificou muito. Os morros deram lugar às casas, sobrados e prédios populares. As ruas de terra foram impermeabilizadas pelo asfalto e as áreas verdes revestidas pelo concreto. Mas as lembranças são e sempre serão as mesmas. Tão puras quanto a imagem de sua mãe rodeada pela fumaça do café, com a luz amarelada em seu rosto, imagem à qual ele imortalizou em uma pintura. Não tão cheia de detalhes, não tão rica, mas com toda a essência.<br /><br /><em>Manoel Gonçalves</em></span><br /></span>Manoel Gonçalveshttp://www.blogger.com/profile/16910758791979712421noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-1265592613629633163.post-42422521448622521862008-06-07T06:10:00.000-07:002008-06-17T06:13:32.548-07:00Despedida de um suposto inocente<span style="font-family:arial;">Pela janela vejo a noite escura e sombria. Não há lua no céu, o que torna a noite mais enigmática. Uma sensação estranha permeia os meus sentimentos. Não sei exatamente o que me deixa assim, mas faço uma idéia. A noite silenciosa me convida às reflexões, às vezes banais, às vezes existenciais. Nessas últimas é onde me perco. Mas também é onde tenho a oportunidade de sair desse marasmo.</span><br /><span style="font-family:arial;"><br /><br />Não sei como vim parar aqui. Essa cela abarrotada de gente, fria e fedida. Um lugar onde a gente se esquece quem é e das coisas que mais gosta de fazer. Ontem, ao menos, foi diferente. Sai. Não fisicamente, é claro. Viajei por mundos distantes. Consegui vislumbrar além desse quadro de alvenaria. Voei acima das nuvens. Explorei os mares e seus segredos. Conquistei riquezas que jamais sonhava em possuir. Enfim, consegui sonhar. Era um paraíso. Mas a realidade crua me puxou de volta e cá estou, acuado, fragilizado e sem esperança.<br /><br /><br />Não lembro o que houve. Só sei que entrei num bar para espairecer. Andava meio desconfiado. Já havia algum tempo parecia não ser eu mesmo. Algo diabólico me rondava. Mas naquela noite o meu destino estava selado. Só me vem à memória que vi uma amiga, a qual platonicamente eu namorava, acompanhada por um cara. Meu mundo caiu. Tomei umas seis doses e tudo de apagou. Dizem que foi medonho, bárbaro. Mas eu não fiz nada. Só lembro-me de ter acordado na delegacia. E depois, aqui. Jurei inocência, mas ninguém acredita e riem da minha cara dizendo que aqui todos assim se definem.<br /><br /><br />Depois de tantas investigações, enfim, descobriram o verdadeiro assassino. E selaram sua condenação. Mas o pior foi saber que ele veio para o mesmo lugar que eu. Fiquei ao mesmo tempo furioso, por saber que ele é o culpado de eu estar aqui, e temeroso, pois sei que ele é cruel demais. Ele já soube que estou aqui e como não tem muito espaço nessa prisão, sei que em breve ele virá. Está furioso e disse que eu fui culpado por pegarem-no. E não gostou. Sua fúria está incontrolável. Jurou vingança. Disse que acabará comigo e que de hoje não passo. Tento lutar para me manter aqui, mas já não tenho mais forças. Acho que será essa noite. Ouço seus gritos aterradores. Não poderei enfrentá-lo. Sou fraco demais e não há espaço nesse corpo para nós dois. Então, só me resta contemplar a noite escura e me conformar. Sei que não vou sair daqui mesmo. Aqui não é lugar mesmo para pobres sonhadores. Eu seria devorado se permanecesse aqui. É melhor abrir espaço para a sua raiva e aceitar que ele suma com o que resta de mim. Sem esperança, é melhor deixar que tome o controle. Ele já é maior que eu mesmo e me engole aos poucos. Depois de ter “experimentado” o gosto do sangue, em vez de se arrepender, gostou. Serei a próxima vítima de sua falta de escrúpulos. Somente mais uma dentre as inúmeras que acho que fará. Pobres idiotas que aqui estão. Serão meros corpos com o passar dos dias. Ele os devorará. Minhas forças somem e as dele, criatura maligna, crescem. Só queria ter tido mais tempo e mais coragem para lutar. Faltam poucos momentos de lucidez. Os últimos. Depois, sei lá onde estarei. Serei apenas o reverso do espelho da outra face, a do mal. A que se mostrou mais forte e que está prestes a cometer mais um homicídio: o meu. Já não há mais tempo. Já não há mais nada.<br /><br /><br />...<br />...<br /><br /><br /><strong><em>Fujam pobres presas, pois ninguém ficará vivo ao meu lado... isso me fascina... sangue, ossos quebrados, olhos de súplica, gritos e... mais SANGUEEEEE!</em></strong><br /></span><br /></span>Manoel Gonçalveshttp://www.blogger.com/profile/16910758791979712421noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-1265592613629633163.post-58534404747404035732008-06-06T05:12:00.000-07:002008-06-06T05:25:03.054-07:00Tempos idos<a href="http://bp0.blogger.com/_as5oU3-bxGc/SEksY7NO4FI/AAAAAAAAAFs/rhpUbpvSoK8/s1600-h/ampulheta.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5208743250752364626" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_as5oU3-bxGc/SEksY7NO4FI/AAAAAAAAAFs/rhpUbpvSoK8/s320/ampulheta.jpg" border="0" /></a><br /><p align="left"><a href="http://bp3.blogger.com/_as5oU3-bxGc/SEkr281NltI/AAAAAAAAAFc/EG44WUl_k8E/s1600-h/ampulheta.jpg"></a></p><div></div><div></div><div></div><div></div><div></div><div></div><div></div><div></div><div></div><div></div><div align="center"><span style="font-family:trebuchet ms;">Era puro o dia<br />Quando a gente se via<br />E fosse mágoa ou alegria<br />Ninguém as escondia<br /><br />Eram memoráveis esses dias...<br />As manhãs tinham magia<br />A barba não crescia<br />E a coluna não doía<br /><br />O gesto que se fazia<br />Era de uma simpatia...<br />O povo passava e sorria<br />E todos diziam: Bom dia!<br /><br />Serão sempre meus esses dias<br />Mas eu quis, com certa ironia,<br />Sem muita pompa, só nostalgia,<br />Desnudá-los nesta poesia<br /><br /><br /><em><span style="font-size:85%;">Manoel Gonçalves</span></em></span></div>Manoel Gonçalveshttp://www.blogger.com/profile/16910758791979712421noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-1265592613629633163.post-39192345777238107172008-06-06T05:08:00.000-07:002008-06-06T05:10:40.376-07:00De repente<span style="font-family:trebuchet ms;">De repente me deu uma saudade<br />Mas de algo que não vivi<br />De repente me deu um medo<br />Mas daquilo que eu desconheço<br />De repente me senti aliviado<br />Mas ainda não sei porquê<br />De repente sai por aí<br />Mas completamente sem destino<br />De repente eu me vi perdido<br />Mas eu nem sabia para onde ia<br />De repente encontrei você<br />E aí... Ah, aí tudo fez sentido<br />A saudade, o medo, o alívio<br />Sair por aí, ficar a ver navios<br />E olhar para o horizonte<br />Encontrar o sol nascendo em seu sorriso<br />O raiar do dia em seus olhos<br />E o recomeço a cada beijo seu<br />De repente eu me senti feliz<br />E vi que os repentes dessa vida<br />Por mais repentinos que possam parecer<br />Fazem sentido um dia, assim, de repente...<br /><br /><br />Manoel Gonçalves</span>Manoel Gonçalveshttp://www.blogger.com/profile/16910758791979712421noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-1265592613629633163.post-14732760464208696482008-06-05T18:00:00.000-07:002008-06-06T05:08:02.267-07:00Comandante Mig<a href="http://bp3.blogger.com/_as5oU3-bxGc/SEkoebA7B4I/AAAAAAAAAFU/0CCdO-9BGRU/s1600-h/caixa.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5208738947143501698" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_as5oU3-bxGc/SEkoebA7B4I/AAAAAAAAAFU/0CCdO-9BGRU/s320/caixa.jpg" border="0" /></a><span style="font-family:arial;">Mig saiu correndo para se esconder. Não poderia ser visto. Ainda estava sem o seu traje e seria facilmente identificado. Aproveitou uma distração daquela que parecia ser uma intrusa em seu espaço e passou rapidamente pelo corredor. Com receio que ela se virasse de repente, saiu em direção à escada e a subiu com se estivesse fugindo do perigoso Rork, o monstro aterrorizante de três cabeças, capaz de desferir golpes mortais e enxergar em toda parte, tornando quase impossível o oponente escapar de sua fúria. Ainda bem que não era ele, senão Mig não teria a mínima chance. Pequeno e magrelo, mas com uma sutil deficiência em seu organismo, que apesar da sutileza, o impedia de ser tão ágil. Seria a presa fácil. Somente seu traje o colocaria em vantagem e o tornaria tão habilidoso quanto seu pensamento pudesse sugerir. Para sua sorte, Kork estava no extremo norte do planeta. Aquela “intrusa” era alguém que ele não conhecia, e por isso mesmo podia perceber sua presença.</span><br /><span style="font-family:arial;"><br /><br />Chegou ao topo da escada quase sem fôlego, olhou pelo corredor obscuro e localizou a porta que queria. Entrou e demorou alguns nano-luz de tempo lá dentro. Quando a porta abriu, Mig saiu imponente em seu traje negro e cinza. Agora sim ele estava preparado para enfrentar os perigos do caminho até sua nave, onde estaria a salvo de qualquer inimigo, ativando o escudo de camuflagem. E o obstáculo estava ali mesmo, muito perto de impedir a concretização de sua missão. Mig ativou um botão em seu traje e desceu a escada sem pisar na escada, flutuando a 5 microfeet do chão. Deslizou pelo corredor até o salão central. Já podia ver seu transporte mais a leste. Mas o curioso é que ela não estava no salão. Estava fácil demais. Olhou para um lado, olhou para o outro. Nada, absolutamente nada! Onde ela teria ido? Será que o havia seguido? Não, seu treinamento com os dark angels o havia munido de instintos que detectariam a presença dela. Como não tinha tempo para esperar, começou a se encaminhar para sua nave. Mas a pressa não o deixou perceber um vulto escondido em uma entrada no final do corredor. Quando Mig passou, ela veio por trás dele. Seus instintos o fizeram pular e ele gelou. Não era possível, como tinha sido tão descuidado. Olhou de canto de olho para aquela criatura e saiu correndo. Ela tentava se comunicar, mas o dialeto era ininteligível. Ele tinha que conseguir, faltava pouco para chegar à sua nave e ficar seguro. Jogou-se no chão, saiu rolando e estava quase, quando ouviu um grito, algo quase assombroso que quase o paralisou, mas agora sabia que conseguiria, sua missão estava salva.<br /><br /><br />- Migueeeeelll, cuidado menino, vai se machucar!<br /><br /><br />Mas Carlota sabia que seu filho não a escutaria. Não naquela hora em que ele era o comandante Mig, pilotando sua nave, digo caixa de papelão, e explorando os locais mais longínquos das galáxias. Quando Carlota chegou com a TV 29”, Miguel ficou entusiasmado, não só pela TV novinha, mas principalmente pela caixa, pois foi só o seu pai tirar a TV que ele se jogou dentro da embalagem, vestiu-se com algumas coisas, improvisou um chapéu e começou sua viagem.<br /><br /><strong>Manoel Gonçalves</strong><br /><br /><br /><em><span style="font-size:85%;">* Esse miniconto foi feito inspirado no rosto traquina do Gábi, filho de nossa amiga Simone, a qual tem em seu MSN uma foto dele dentro de uma caixa de papelão. Miniconto que fiz e publiquei no blog do </span></em><a href="http://blogdodesabafodemae.blogspot.com/"><em><span style="font-size:85%;">Desabafo de Mãe</span></em></a><em><span style="font-size:85%;">.</span></em></span><a href="http://blogdodesabafodemae.blogspot.com/2008/06/comandante-mig.html"></a><br /></span>Manoel Gonçalveshttp://www.blogger.com/profile/16910758791979712421noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-1265592613629633163.post-22132645176958136122008-06-04T13:38:00.000-07:002008-06-04T13:42:21.298-07:00Escreviver<span style="font-family:trebuchet ms;">Palavras surgem do nada<br />Rabiscadas numa folha<br />Estranhas, tortas<br />Apressadas<br />Estrofes não acabadas<br />No papel me expresso<br />Idéias, pensamentos<br />No texto impresso<br />Vontades, desejos<br />Sonhos, lamentos<br /><em><br />Manoel Gonçalves</em></span>Manoel Gonçalveshttp://www.blogger.com/profile/16910758791979712421noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-1265592613629633163.post-1938453491892834222008-06-04T13:35:00.000-07:002008-06-04T13:38:42.835-07:00Quebra-queixo<span style="font-family:arial;">Seu Luís é a prova de que o tempo, apesar de passar cada vez mais rápido (ao menos é essa a minha percepção), não é a mesma coisa para todos. Lembro da figura do seu Luís como se fosse uma marca do nosso bairro. Desde que recebi o alvará para poder ir à escola sozinho, lembro de vê-lo no horário da saída das aulas. Ali, parado, com ar pacato e meio bonachão. Sempre do mesmo jeito: sandálias de couro, calça de tergal, camisa meio rota e um aventalzinho. Espátula na mão e uma bandeja cheia da guloseima à sua frente, ele fazia a alegria da criançada. Não era para menos. Tomávamos um café mirrado antes de sair de casa e a aula acabava perto da hora do almoço. Parecia que o estômago ia varar pelas costas, que ia atacar a costela e ainda chupar o ossinho. Então, ao sair e dar de cara com o seu Luís, sempre que tínhamos dinheiro, era parada obrigatória. Aquele senhor, com olhos verdes e jeito de Dona Benta (personagem de Monteiro Lobato), bochechas rosadas e óculos arredondados, era querido pela garotada não era à toa, pois, mesmo quando não tínhamos dinheiro, acabava dando uma raspinha para os clientes mais fiéis. E assim, seguíamos nosso aminho na bagunça rotineira dos estudantes a caminho de casa.</span><br /><br /><span style="font-family:arial;">Mesmo depois de sair daquela escola, sempre que avistava seu Luís, parava e comprava um pedacinho de seu doce. Mas aí comecei a trabalhar e passei a ficar menos tempo no bairro. Seu Luís perdeu seus “clientes” para uma bomboniere que abriu em frente à escola e vendia cada vez menos. Porém, como disse antes, ele não evoluiu com o tempo. Fazer quebra-queixo era mais que um simples negócio para ele. Era segredo de família. Aprendeu com seu pai, que aprendeu com a mãe dele, a arte de fazer o mais saboroso doce. Mesmo sem vender direito, ela fazia todos os dias uma bandeja cheia e saía às ruas. Quando não conseguia vender, passava em algum bairro carente e doava tudo aos garotos pobres. Até por isso mesmo, vez ou outra recebia algumas doações de amigos e ex-clientes.</span><br /><br /><span style="font-family:arial;">Certa vez resolvi passear pelo bairro em que cresci e matar a saudade, ver se ainda conhecia alguém ou se lembrava dos lugares. E não é que vi seu Luís parado numa esquininha, já bem avançado nos anos, mas com o mesmo jeito de antes, porém, sem o mesmo brilho no olhar. Mas a fiel bandeja estava com ele e, ora quem diria, com o saudoso quebra-queixo. Não resisti. Tive de comprar e relembrar o gosto da infância. Aos poucos ele foi se lembrando de mim e ria como antes. Com um isto de pena e reverência por aquele bondoso homem, resolvi comprar seu doce todo. O que ia fazer eu nem tinha pensado. Certamente doaria em algum bairro carente, imitando o gesto do mestre. Ofereci-me para acompanhá-lo, mas acho que o orgulho de poder fazer as coisas conscientemente o impedia de aceitar ser levado como um velho gagá. Eu respeitei e me despedi.</span><br /><br /><span style="font-family:arial;">Nunca soube onde era sua moradia, mas me contaram que era paupérrima. Talvez se a conhecêssemos não compraríamos seu quebra-queixo. Por achar que seria anti-higiênico, por preconceito, por tabu, sei lá. Porém, a grande magia estava no cheiro que dela exalava. Seu Luís era super cuidadoso com o processo e fazia ainda no estilo de sua avó.Dois meses depois daquele prazeroso encontro seu Luís faleceu. Mas o engraçado é que eu não consigo passar pelo meu antigo bairro sem achar que o vejo lá, no mesmo cantinho, em frente à escola, com sua bandeja cheia de doce e um rodeado de crianças querendo sempre mais ou pelo menos uma raspinha.</span><br /><span style="font-family:Arial;"></span><br /><span style="font-family:Arial;">Manoel Gonçalves</span><br /><br /><span style="font-family:Arial;font-size:78%;"><em>* publicado também no blog Coeltânea Artesanal</em></span>Manoel Gonçalveshttp://www.blogger.com/profile/16910758791979712421noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-1265592613629633163.post-57765120530378526362008-05-20T12:39:00.000-07:002008-05-20T13:25:06.463-07:00As quatro estações<span style="font-family:trebuchet ms;">Em meu peito-criança<br />Carrego a doce lembrança<br />Do riso que vai na distância<br />Da minha saudosa infância<br /><br />Em meu peito-adolescente<br />Carrego ainda latente<br />Um coração sonhador<br />Que cria versos, canta amor<br /><br />Em meu peito-adulto<br />Aquilo que não sepulto<br />A inocência de gostar<br />Da brisa morna do mar<br /><br />Em meu peito-idoso<br />Carrego sempre orgulhoso<br />A infindável esperança<br />Pulsante de uma criança<br /><br /><br /><em>Manoel Gonçalves</em></span>Manoel Gonçalveshttp://www.blogger.com/profile/16910758791979712421noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-1265592613629633163.post-70372671447873491532008-04-19T07:28:00.000-07:002008-04-21T08:25:28.424-07:00A luz reveladora<span style="font-family:arial;">O homem acordou e saiu tateando. Apesar da escuridão total, sabia exatamente onde ficava cada obstáculo. De repente sentiu algo estranho, algo que nunca havia sentido. Uma sensação de medo e curiosidade tomou-lhe por inteiro. Um pequeno feixe de luz cortou as trevas e iluminou parcialmente seu rosto e algumas coisas ao seu redor. Seus olhos eram muito sensíveis e aquela fresta aberta o incomodava, mas ao mesmo tempo atiçava a sua mente dormente por tantos anos de breu. Aos poucos a luz se tornava mais abrangente e o calor que ela produzia acariciava sua pele. Apesar da estranheza, ele gostou. Piscou os olhos muitas vezes até que os mesmos se acostumassem e ficassem de vez abertos. Olhou à sua volta. Aquelas coisas que ele sempre tocava, mas não sabia o que era. Aproximou-se da parede. Havia alguma coisa ali pendurada. Ele se aproximou mais. Deu um urro e se afastou. Tinha visto alguma coisa, alguém dentro da parede. Inquieto com a situação, tentou chamar a atenção do ser, balançando os braços, ao que o outro também o imitava. Mexia-se para um lado e para o outro. O prisioneiro do espelho o seguia. Foi chegando de mansinho e tentou dar a mão ao “amigo”. Mas havia algo que o impedia. Sempre batia numa parede lisa invisível, como um vidro. Aos poucos foi percebendo que a imagem tinha o seu jeito e começou a se tocar para ver o que acontecia. Teve uma sensação de poder (do conhecimento) ao descobrir que era uma imitação dele. Olhava-se minuciosamente. Viu que tinha algo peludo que lhe cobria o rosto e que era o motivo de tanta coceira desde muito tempo. Com um objeto cortante tirou boa parte daquela coisa. O ambiente se iluminava cada vez mais. Ele percebeu que a luz passava por debaixo de uma madeira que tinha a meia altura um ferro. Tomou coragem e foi mexendo levemente até que o ferro cedeu. A madeira se mexeu e revelou um clarão intenso. Quando seus olhos, após o choque e a dor, se acostumaram, ele os abriu vagarosamente. Daí o assombro foi ainda maior. A luz revelou um mundo imenso, cheio de cores, formas, texturas, cheiros, intenso de vida, o qual ele ignorava completamente. Viu que era apenas uma poeira perto de tudo aquilo e que ainda tinha muito, mas muito a descobrir e aprender.</span><br /><span style="font-family:arial;"><br />Essa releitura de <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Mito_da_caverna">O Mito da Caverna</a>, escrita pelo filósofo <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Plat%C3%A3o">Platão</a>,</em> é tão somente para demonstrar o poder da alfabetização. Faço esse post (um pouco atrasado, pois o dia da blogagem coletiva foi ontem) para participar da campanha da <a href="http://meiroca.com/2008/04/18/o-que-voce-faz-para-acabar-com-o-analfabetismo-no-brasil-2/">Blogagem Coletiva contra o Analfabetismo</a>, iniciativa da <a href="http://saia-justa-georgia.blogspot.com/">Georgia</a> e da <a href="http://meiroca.com/">Meire</a> e abraçada por muita gente boa da blogosfera. O aprendizado é assim: quanto mais se estuda, mais se descobre, mais se completa e mais se tem a noção de ainda faltar muita coisa a saber. Eu, de fato, não faço tanta coisa para combater o analfabetismo, além de procurar sempre incentivar as pessoas ao meu redor à prática da leitura, ler para as minhas filhas e levá-las às livrarias, dar livros de presente para os familiares e mais chegados.<br /><br />Mas é engraçado e fascinante essa coisa toda, pois se não fosse o processo de alfabetização, você, caro leitor, não estaria lendo esse post, eu não teria esse blog e participaria de outros. E tudo ficaria na mais completa escuridão. Assim como as pessoas que não sabem ler, escrever ou interpretar o que lêem. Ao evoluírem para esse nível de conhecimento, as portas, janelas e tudo o mais no mundo se abrem para elas.<br /><br />Aprender é como a vida. Separados, somos apenas letras de um imenso alfabeto, que podem ou não fazer a diferença na história contada todos os dias. Mas juntos, somos como as letras que se dão as mãos e formam sílabas, palavras, textos imensos, dramas e romances do livro da vida. E a história não tem fim. Cada dia se escreve um capítulo diferente, onde pessoas unidas e engajadas constroem uma rica teia de relacionamento e desenvolvimento, fortalecendo as personagens, sejam elas principais ou coadjuvantes.<br /><br />E como a historinha citada no começo, ainda temos a aprender e ensinar também.<br /><br />Abraços.<br /></span><br /></span>Manoel Gonçalveshttp://www.blogger.com/profile/16910758791979712421noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-1265592613629633163.post-5835192351358914462008-04-15T09:46:00.000-07:002008-04-15T09:50:00.601-07:00Força interior<span style="font-family:trebuchet ms;">A força do que sinto<br />Que dilacera os órgãos<br />Desejando achar o ponto de vazão<br />E expande em som<br />Irradia em luz<br />Não está no que se vê<br />Não fica visível a olho nu<br />É preciso um microscópio<br />Não o científico<br />Mas sim o imaginário<br />Nascido das percepções<br />Do sentimento puro<br />Amor, respeito e carinho<br />Essenciais para entender<br />A força do que me move<br />Que me faz enxergar além<br />Muito além dos olhos alheios<br />A que me permite vislumbrar<br />A profusão de cores<br />Das diferentes auras ao meu redor<br />Flores raras do meu jardim<br />Que me faz viajar em pensamentos<br />Transcender o corpo físico<br />Achar a força interior<br />E a colocar em palavras e ações</span><br /><span style="font-family:Trebuchet MS;">Versos vivos da poesia que sou</span><br /><span style="font-family:trebuchet ms;"><br /><em>Manoel Gonçalves</em></span>Manoel Gonçalveshttp://www.blogger.com/profile/16910758791979712421noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-1265592613629633163.post-74741279289943696852008-04-15T09:00:00.000-07:002008-04-15T09:58:00.935-07:00Lábios<span style="font-family:trebuchet ms;">Ah, teus lábios<br />Que chamam<br />E dizem que amam<br /><br />Teus lábios<br />Molhados<br />Pintados<br />Lascivos de amor<br />Passeiam em meu corpo<br />Exploram sem pudor<br /><br />Arrepiam<br />Atiçam, enfeitiçam<br />Os poros retraem<br />Os pêlos eriçam<br /><br />Lábios que sinto<br />Toque suave<br />Cochicho ao pé do ouvido<br />Relaxa e deixa escapar um gemido<br /><br />Lábios em meu rosto<br />Incitam minha libido<br />Secam minha boca<br />Doce beijo que não vem<br />Será real essa boca?<br />Por que não me toca a minha?<br />O desejo é ardente<br />E a espera quase enlouquece<br />Não cega porque compensa<br />Com o calor enfim<br />Dos lábios quentes macios<br /><br /><em>Manoel Gonçalves</em></span>Manoel Gonçalveshttp://www.blogger.com/profile/16910758791979712421noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-1265592613629633163.post-2218430423188132392008-04-13T23:09:00.000-07:002008-04-15T10:12:11.763-07:00Retalhos<span style="font-family:trebuchet ms;">Nem tudo que escrevo<br />É o retrato do que sou<br />Nem tudo que penso<br />Revela minha essência<br />Nem tudo que faço<br />Pode me elevar ou condenar<br />Nem tudo que digo<br />Sai exatamente como quero<br />Nem tudo que respiro<br />É ar ou muito menos saudável<br />Nem tudo que bebo<br />É insípido e inodoro<br />Nem sempre encontro comigo mesmo<br />Mas estou em tudo que faço<br />Em cada pensamento vago<br />Do riso amarelo ao amor declamado<br />Estou em cada uma dessas coisas<br />Que não têm tudo exato<br />Mas refletem a colcha de retalhos<br />Que representa uma pessoa<br />E os pedaços juntados numa jornada inteira<br /></span><br /><span style="font-family:trebuchet ms;"><em>Manoel Gonçalves</em></span>Manoel Gonçalveshttp://www.blogger.com/profile/16910758791979712421noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-1265592613629633163.post-64729100694098444642008-04-12T09:00:00.000-07:002008-04-15T10:03:09.968-07:00Rito de beleza<div align="justify"><span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"><em>(texto publicado em 05/04 no blog </em></span><a href="http://livroaberto.wordpress.com/"><span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"><em>Livro Aberto</em></span></a><span style="font-family:arial;"><span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"><em>)</em></span><br /></span><br /><span style="font-family:times new roman;">Joana desligou o chuveiro, se secou e vestiu o roupão de seda. Pegou o creme hidratante, o espelho oval que fazia par com a escova de cabo trabalhado, presentes de seu amado marido Valter (juntamente com o roupão, onde estava envolvido também um bilhete com os dizeres: “para que fique ainda mais encantador o seu ritual de beleza, o qual me deixa qual poeta a admirar a sua musa lua”). Ela sentou-se em sua cama, levantou a perna esquerda, permitindo que o roupão se entreabrisse e revelasse parte de suas curvas, e lentamente iniciou a sua massagem de hidratação.</span></div><div align="justify"><br /><span style="font-family:times new roman;">Valter poderia muito bem se oferecer para fazer aquilo, como de fato fizera algumas vezes, mas o ritual todo o fascinava, era como assistir o nascer do sol na colina, não tinha nada a fazer a não ser admirar o acontecimento natural, a beleza do momento. Ela só olhava de canto de olho e sorria. Era como o brilho do sol a se espalhar na planície. Valter saboreava cada segundo. E assim se seguia até todo o corpo exalar o perfume adocicado do creme. Porém, o ápice era ver Joana pentear o cabelo. Era tão meiga em suas ações que fazia daquele instante algo sublime. Nem uma sereia de verdade seria capaz de enfeitiçar um homem daquele jeito. Ela parecia irradiar, sua aura poderia iluminar o quarto. Era um esplendor. E ele, como marujo em transe, se encaminhava para o seu mar, onde se agarrava ao corpo dela e já não via mais nada, era presa fácil envolta em seus braços, inebriada em seu perfume, sua pele, seu rosto e seus cabelos. Adormecia nos braços de Joana ou agarrado a ela, como se não quisesse que aquele instante tivesse fim.</span></div><div align="justify"><br /><span style="font-family:times new roman;">Não era um ritual de toda noite e nem sempre ele estava lá para assistir, pois às vezes chegava mais tarde do trabalho. Nesses dias, ela se aprontava toda e ficava a esperar, mas ainda deixava para escovar o cabelo um pouco antes de dormir, só para que ele visse. Não era nada extraordinário, mas era algo que o deixava contente e para ela já bastava.</span></div><div align="justify"><br /><span style="font-family:times new roman;">Porém, um dia, ele não chegou. Ela esperou em vão. Embora soubesse do acontecido, do acidente que o levara, Joana ficou por um tempo fazendo aquele mesmo ritual, deixando perto da cabeceira da cama o espelho e a escova, esperando que ele aparecesse de uma hora para outra e pudesse espiá-la novamente.</span></div><div align="justify"><br /><span style="font-family:times new roman;">Os anos passados fizeram de Joana uma mulher mais conformada com o que se sucedera. A escova foi guardada na gaveta, enrolada junto com o espelho num lenço de Valter. Os cabelos branquearam e ficaram mais ralos. A pele já não tinha mais o mesmo viço. As marcas no rosto não escondiam, porém, a alegria da vovó Joana em abraçar e apertar o netinho Valtinho ao fazer suas vontades.Mas nesta noite a lua brilha imponente no céu. Não há nuvens. Ela parece estar com o dobro do tamanho. Joana toma seu banho, se seca e veste o roupão. Vai para o quarto, abre a gaveta e pega a velha escova, cuidadosamente preservada. Já não tem mais a mesma elasticidade, mas ainda assim faz o seu rito de beleza. Penteia os cabelos prateados e deita-se. Coloca a escova e o espelho ao seu lado e fica esperando. Ela sabe que esta noite ele vem. Valter voltará para admirar sua musa e novamente se emaranhar em seus braços. E depois colocá-la em seus braços, esperando que ela finalmente adormeça com um delicado sorriso na face.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:times new roman;"></span> </div><div align="justify"><span style="font-family:times new roman;"><em>Manoel Gonçalves</em></span></div>Manoel Gonçalveshttp://www.blogger.com/profile/16910758791979712421noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-1265592613629633163.post-16772393300327595412008-04-02T19:00:00.000-07:002008-04-15T10:08:08.729-07:00Arte de Viver<span style="font-family:trebuchet ms;">Da arte não faço parte<br />Talvez nem faça a tal arte<br />É ela que, singela,<br />Esperta e sorrateira,<br />Se esconde em minha mente<br />Muito ágil e faceira<br />Usando os seus encantos<br />Desliza feito serpente<br />E me guia como fantoche<br />Revela, para minha sorte,<br />Quase como um deboche<br />Aquilo que quer de mim<br />Assim sendo, ela é o Norte<br />Não posso ser dela uma parte<br />Ela é que é meu estandarte<br />Meu jeito diferente de ser<br />De agir, de pensar e de ver</span><br /><span style="font-family:trebuchet ms;">É a arte que vive em mim</span><br /><span style="font-family:Trebuchet MS;"></span><br /><span style="font-family:Trebuchet MS;"><em>Manoel Gonçalves</em></span>Manoel Gonçalveshttp://www.blogger.com/profile/16910758791979712421noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-1265592613629633163.post-3210606370411128202008-03-31T14:34:00.000-07:002008-03-31T14:45:03.337-07:00Inércia<a href="http://bp1.blogger.com/_as5oU3-bxGc/R_FbLMNeJAI/AAAAAAAAAEA/GRO6RoYSILQ/s1600-h/Figura1.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5184024893894566914" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 121px; CURSOR: hand; HEIGHT: 162px; TEXT-ALIGN: center" height="166" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_as5oU3-bxGc/R_FbLMNeJAI/AAAAAAAAAEA/GRO6RoYSILQ/s320/Figura1.jpg" width="123" border="0" /></a><br /><div><div><span style="font-family:trebuchet ms;">O silêncio da espera<br />Vagar dos movimentos<br />Ignora minha mente<br />Deixa-me torpe, inconsciente<br />Mas apesar do som ausente<br />Há um zunido interminável<br />Por mais ninguém escutado<br />Ínfimo, imperceptível<br />Somente por mim audível<br />O ritmo inesperado<br />Do coração acelerado<br />Enquanto espero<br />Pacientemente<br />Parece parar tudo<br />Pára o vento<br />Cessa o relento<br />A pipa não voa no ares<br />O barco não flutua nos mares<br />Imóvel fica a folhagem<br />A rua fica deserta<br />Ninguém a caminhar<br />Nem pedestre pedindo passagem<br />Nem carro, nem moto<br />Nem guarda para multar<br />Pára o barulho da cidade<br />Somem as dificuldades<br />Não se conta o peso da idade<br />Nem há rugas de preocupação<br />Nenhuma nuvem, nem tempestade<br />Nem sol quente de verão<br />Só há o relógio<br />E os seus ponteiros armados<br />Que mesmo vagarosamente<br />Avançam sempre pra frente<br />Incansáveis, determinados<br />A minha espera pára tudo<br />Interrompe qualquer movimento<br />Só não consegue paralisar<br />As engrenagens do tempo<br /><br /><em><span style="font-size:85%;">Manoel Gonçalves</span></em></span></div></div>Manoel Gonçalveshttp://www.blogger.com/profile/16910758791979712421noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-1265592613629633163.post-4833424240447128892008-03-19T13:40:00.000-07:002008-03-19T13:44:16.999-07:00Menina Mulher<span style="font-family:trebuchet ms;">Gosto do seu jeito de menina<br />Do seu modo de se mover<br />Flutuando como bailarina<br />Escondes o róseo da face<br />Finge o mundo não ver<br /><br />Gosto do seu jeito de menina<br />Das suas formas de mulher<br />Do veneno que me contamina<br />Do seu olhar ardente<br />Que incendeia meu ser<br /><br />Gosto do seu jeito de menina<br />De sorrir, sentir e brincar<br />Gosto do seu jeito de mulher<br />De olhar-me de canto de olho<br />De me tocar e me encantar<br />De não deixar uma saída sequer<br />Senão a de lhe apreciar<br /><br />Gosto do seu jeito de menina<br />De como se transfigura no ar<br />Gaivota livre a voar<br />Dona da própria sina<br />Gosto do seu jeito de mulher<br />De suas rimas, suas canções<br />Da sua maneira de poder mexer<br />Com todas as minhas sensações<br /><br />Vai, gaivota, no céu<br />Seja menina<br />Seja mulher<br />Seja o vento, o mundo<br />Seja o que seu coração quer<br />Seja tudo que possa ver<br />Enfim, seja simplesmente<br />Como você realmente é</span><br /><span style="font-family:trebuchet ms;"></span><br /><span style="font-family:trebuchet ms;">Manoel Gonçalves</span>Manoel Gonçalveshttp://www.blogger.com/profile/16910758791979712421noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-1265592613629633163.post-53698728116727709252008-03-12T12:51:00.001-07:002008-03-12T12:58:45.934-07:00Desabafo de Mãe está de volta!<span style="font-family:arial;">Mães, pais, padrinhos, madrinhas, tios, tias, avós, amigos, todos. Corram para a frente da telinha, acessem o site do <a href="http://www.desabafodemae.com.br/">Desabafo de Mãe</a> e podem viajar à vontade. Ele está de volta. Ficamos um pouco fora do ar, por motivos de reformulação, para fazê-lo ainda mais interativo, dinâmico e com mais conteúdo, mas agora acabou o recesso (sem fazer alusão à política). O espaço é de todos, feito por muitos e para todos aqueles que amam os filhos ou crianças próximas, ou seja, para quem aprecia a arte (para não dizer dura, mas prazerosa tarefa) de educar as crianças. Visite cada espaço e não tenha medo ou vergonha de nos mandar um comentário, dúvidas, sugestão de tema para ser abordado ou mesmo um desabafo sobre a sua experiência com a maternidade ou paternidade. Ah, você não é pai nem mãe. Não tem problema. Se pensa em um dia entrar para esse time ou se interessa pelo assunto, venha nos conhecer.</span><br /><span style="font-family:arial;"></span><br /><span style="font-family:arial;">Um super abraço e aguardo sua visita.</span>Manoel Gonçalveshttp://www.blogger.com/profile/16910758791979712421noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-1265592613629633163.post-81385531208812224722008-03-11T14:06:00.000-07:002008-03-11T20:59:19.726-07:00Oculto<div align="left"><span style="font-family:trebuchet ms;">O pássaro não precisa que o fotografem em vôo para saber que voa. O sol não precisa aparecer sempre para que saibamos que ele está lá. Ninguém vê a formação do orvalho, mas toda manhã ele cobre as plantas e as deixa encantadoramente refrescadas. A lua não precisa aparecer para incitar o poeta a escrever seus belos versos. A pessoa amada não precisa ouvir sempre "eu te amo" para saber que alguém se preocupa com ela e quem ama transmite toda a força e sinceridade de seu sentimento em tudo o que faz, desde os atos mais simples até uma declaração mais fervorosa. O amor é recíproco, tenham certeza. Talvez não na mesma intensidade, talvez não na mesma linguagem. Mas ele está lá, marcando seu território e impedindo que sentimentos vis se apoderem da mente, do corpo e do espírito. Mesmo que os olhos não o vejam, o coração sentirá sempre e a mente não deixará que se apague. E assim, como o orvalho, toda manhã (ou qualquer outro período, conforme cada pessoa), ele se formará e se renovará, com a simplicidade de uma gota d’água, mas com a força de um desabrochar da flor, revelando a pureza e a beleza de quem o detém. É a paz que se sente ao sentar numa montanha e olhar o céu. Sentir-se pequeno frente ao céu alaranjado ao pôr-do-sol. E o espetáculo de um belo raiar do dia. Tudo isso misturado em nosso corpo, mera armadura forjada no ápice desse sentimento, preparando-se para irradiar a todos, como uma explosão da super nova, como o oxigênio que abraça carinhosamente o planeta e protege a diversidade de seu interior.<br /><br />Abraços.</span></div>Manoel Gonçalveshttp://www.blogger.com/profile/16910758791979712421noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-1265592613629633163.post-38987841546101731272008-02-19T10:26:00.000-08:002008-02-19T10:49:00.977-08:00Amigos presentes<div align="justify"><span style="font-family:arial;">Há pessoas que, mesmo que se passe um tempão ou que elas fiquem muito longe, são inesquecíveis e quando a reencontramos parece que as vimos poucos minutos atrás. Não interessa há quanto a conhecemos. São pessoas que deixam suas marcas em nossas vidas, pelo que fazem, pelo que pensam, pelo que representam ou simplesmente pela agradável presença. Sou um homem abençoado por ter muitas pessoas assim em minha vida, as quais não medem o que sinto por elas pelo tanto de vezes em que vou em suas casas ou pelas cartas ou telefonemas que faço (assim como eu também não as julgo por isso). São elas conhecidas de muitos anos, recentes, de trabalho, de escola, do bairro onde cresci, das andanças por aí, das navegações pela internet, dos contatos pelo MSN, enfim, não importa de onde, o que importa é o que sinto por elas e o que delas recebo em troca. Para essa ilustres figuras fiz o verso abaixo. Sintam-se homenageados com esse gesto simples. Abraços.</span></div><br /><br /><span style="font-family:trebuchet ms;"><strong>Amigos presentes</strong><br /><br />É engraçado como o tempo<br />Tão senhor do nosso destino<br />Pode se tornar tímido<br />Tão pequeno como um menino<br /><br />Quando a gente pensa<br />Nas pessoas que gostamos<br />Podem passar as horas<br />Podem voar os anos<br /><br />Ele parece não passar<br />Encontramos as pessoas<br />Falamos ao telefone<br />E surgem as lembranças boas<br /><br />Sentimos como se nada<br />Tivesse passado ou acontecido<br />Como fossem segundos<br />O tempo de fato vivido<br /><br />E assim é que é bom<br />Mesmo que distantes<br />Amigos a gente não esquece<br />Mesmo sem vê-los<br />Ou mesmo por perto tê-los<br />Sua presença é pressentida<br />E deles na vida nos servimos<br />São gelo no calor escaldante<br />E a lareira que nos aquece<br />A mão que nos procura<br />E o ombro quando pedimos<br /><br /><em>Manoel Gonçalves</em></span>Manoel Gonçalveshttp://www.blogger.com/profile/16910758791979712421noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-1265592613629633163.post-29240242338628067472008-02-16T12:08:00.000-08:002008-02-16T12:10:27.738-08:00Noite longa<span style="font-family:trebuchet ms;">A noite se arrasta<br />Madrugada adentro<br />O tique-taque não basta<br />Ela ignora o tempo<br /><br />Eu parado aqui<br />Largado no sofá<br />Sem vontade de dormir<br />Pensando o que rabiscar<br /><br />Essa folha branca na mesa<br />Parece ficar gigante<br />A mão não acha a leveza<br />E a inspiração está distante<br /><br />O jeito é deixar pra lá<br />Ver um filme ou ligar o som<br />Sair por aí para caminhar<br />Cair na noite, aproveitar o que é bom<br /><br />Talvez quando eu voltar<br />Quem sabe seja diferente<br />Talvez quando eu acordar<br />Quem sabe num banho quente<br /><br /><em>Manoel Gonçalves</em></span>Manoel Gonçalveshttp://www.blogger.com/profile/16910758791979712421noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-1265592613629633163.post-44209639515309147272008-02-15T11:22:00.000-08:002008-02-22T08:09:23.878-08:00Despedida de um suposto inocenteEste é um conto que foi publicado dia 9-02 no blog <a href="http://livroaberto.wordpress.com/">Livro Aberto</a>, editado pela <a href="http://acqua.wordpress.com/">Lunna Guedes</a>, do qual participo todos os sábados. Por falar nisso, amanhã (23-02) tem mais um. Confira!<br /><br /><br /><br />Abraços.<br /><br /><br /><br /><br /><br /><span style="font-family:arial;"><strong>Despedida de um suposto inocente</strong></span><br /><span style="font-family:arial;"><br /><br />Pela janela vejo a noite escura e sombria. Não há lua no céu, o que torna a noite mais enigmática. Uma sensação estranha permeia os meus sentimentos. Não sei exatamente o que me deixa assim, mas faço uma idéia. A noite silenciosa me convida às reflexões, às vezes banais, às vezes existenciais. Nessas últimas é onde me perco. Mas também é onde tenho a oportunidade de sair desse marasmo.<br /><br /><br />Não sei como vim parar aqui. Essa cela abarrotada de gente, fria e fedida. Um lugar onde a gente se esquece quem é e das coisas que mais gosta de fazer. Ontem, ao menos, foi diferente. Sai. Não fisicamente, é claro. Viajei por mundos distantes. Consegui vislumbrar além desse quadro de alvenaria. Voei acima das nuvens. Explorei os mares e seus segredos. Conquistei riquezas que jamais sonhava em possuir. Enfim, consegui sonhar. Era um paraíso. Mas a realidade crua me puxou de volta e cá estou, acuado, fragilizado e sem esperança.<br /><br /><br />Não lembro o que houve. Só sei que entrei num bar para espairecer. Andava meio desconfiado. Já havia algum tempo parecia não ser eu mesmo. Algo diabólico me rondava. Mas naquela noite o meu destino estava selado. Só me vem à memória que vi uma amiga, a qual platonicamente eu namorava, acompanhada por um cara. Meu mundo caiu. Tomei umas seis doses e tudo de apagou. Dizem que foi medonho, bárbaro. Mas eu não fiz nada. Só lembro-me de ter acordado na delegacia. E depois, aqui. Jurei inocência, mas ninguém acredita e riem da minha cara dizendo que aqui todos assim se definem.<br /><br /><br />Depois de tantas investigações, enfim, descobriram o verdadeiro assassino. E selaram sua condenação. Mas o pior foi saber que ele veio para o mesmo lugar que eu. Fiquei ao mesmo tempo furioso, por saber que ele é o culpado de eu estar aqui, e temeroso, pois sei que ele é cruel demais. Ele já soube que estou aqui e como não tem muito espaço nessa prisão, sei que em breve ele virá. Está furioso e disse que eu fui culpado por pegarem-no. E não gostou. Sua fúria está incontrolável. Jurou vingança. Disse que acabará comigo e que de hoje não passo. Tento lutar para me manter aqui, mas já não tenho mais forças. Acho que será essa noite. Ouço seus gritos aterradores. Não poderei enfrentá-lo. Sou fraco demais e não há espaço nesse corpo para nós dois. Então, só me resta contemplar a noite escura e me conformar. Sei que não vou sair daqui mesmo. Aqui não é lugar mesmo para pobres sonhadores. Eu seria devorado se permanecesse aqui. É melhor abrir espaço para a sua raiva e aceitar que ele suma com o que resta de mim. Sem esperança, é melhor deixar que tome o controle. Ele já é maior que eu mesmo e me engole aos poucos. Depois de ter “experimentado” o gosto do sangue, em vez de se arrepender, gostou. Serei a próxima vítima de sua falta de escrúpulos. Somente mais uma dentre as inúmeras que acho que fará. Pobres idiotas que aqui estão. Serão meros corpos com o passar dos dias. Ele os devorará. Minhas forças somem e as dele, criatura maligna, crescem. Só queria ter tido mais tempo e mais coragem para lutar. Faltam poucos momentos de lucidez. Os últimos. Depois, sei lá onde estarei. Serei apenas o reverso do espelho da outra face, a do mal. A que se mostrou mais forte e que está prestes a cometer mais um homicídio, o meu. Já não há mais tempo. Já não há mais nada.<br /><br /><br />Fujam pobres presas, pois ninguém ficará vivo ao meu lado... isso me fascina... sangue, ossos quebrados, olhos de súplica, gritos e... mais SANGUEEEEE!<br /><br /><br />Manoel Gonçalves</span><br /></span>Manoel Gonçalveshttp://www.blogger.com/profile/16910758791979712421noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-1265592613629633163.post-26630438408603717982008-02-15T11:18:00.000-08:002008-02-15T11:21:59.691-08:00Manogon no Coletânea Artesanal<span style="font-family:arial;">Está no ar mais uma edição do <a href="http://coletaneartesanal.wordpress.com/">Coletânea Artesanal</a>, com o tema Cenas Urbanas. Há dois textos meus nessa edição: Mutações (poema) e Quebra-queixo (conto).</span><br /><br /><span style="font-family:arial;">Visite, leia e comente. Ficarei honrado com a sua leitura.</span><br /><span style="font-family:arial;"></span><br /><span style="font-family:arial;">Abraços.</span>Manoel Gonçalveshttp://www.blogger.com/profile/16910758791979712421noreply@blogger.com