<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss'><id>tag:blogger.com,1999:blog-11318136</id><updated>2009-12-16T12:22:35.606-02:00</updated><title type='text'>ForEver PEMBA</title><subtitle type='html'>Atravesso o mar sempre azul...e, lá mais ao norte de Moçambique na costa oriental da África da esperança, deixando para tráz a neblina das madrugadas do tempo, vou redescobrindo os contornos sensuais da musa da saudade e das eternas recordações de minha adolescência.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://foreverpemba.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11318136/posts/default'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foreverpemba.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11318136/posts/default?start-index=26&amp;max-results=25'/><author><name>gotaelbr</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12948983417898741719</uri><email>portoamelia@gmail.com</email></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>1913</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11318136.post-6424462215982191016</id><published>2009-12-16T12:21:00.001-02:00</published><updated>2009-12-16T12:22:35.619-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Feliz Natal'/><title type='text'>Feliz NATAL !</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_oshdZv5Zmxc/SyjpndlQ7II/AAAAAAAAHEQ/IpiGhPIkuU4/s1600-h/felizn.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" ps="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_oshdZv5Zmxc/SyjpndlQ7II/AAAAAAAAHEQ/IpiGhPIkuU4/s400/felizn.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;Cada um de nós faz parte desse Milagre, dessa Maravilha que é o nosso Planeta.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;Cada um de&amp;nbsp;nós tem um&amp;nbsp;compromisso muito importante e significativo com a VIDA.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&amp;nbsp;FELIZ NATAL e UM ANO NOVO ABENÇOADO!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;object height="340" width="560"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube-nocookie.com/v/vLZ_ChUooJ8&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;color1=0x006699&amp;color2=0x54abd6"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube-nocookie.com/v/vLZ_ChUooJ8&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;color1=0x006699&amp;color2=0x54abd6" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="560" height="340"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;hr 'style: color black' /&gt; 
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O mapiko foi e continua a ser uma actividade lúdica que tem conquistado muitos adeptos e serve de pretexto ao longo dos tempos para servir de uma actividade competitiva, onde determina-se os melhores grupos cujo mérito advém no facto dos grupos pautarem pela linha da originalidade na dança e máscara. Contudo, em tempos muito recuados as actividades competitivas do mapiko originaram conflitos sangrentos entre grupos rivais desta dança que simboliza o povo makonde. As vitimas destes conflitos, na sua maioria jovens, acabavam morrendo muitas das vezes devido a gravidade dos ferimentos que eram feitos pelos batuques conhecidos por vinganga e outros viam-se salvos graças aos préstimos dos vakulaula que magicamente e usando o método de takatuka transferiam as feridas de um ponto do corpo para o outro que não representasse perigo de morte para a vítima. Este comportamento de jovens daquela época deixou marcas profundas na história do percurso do povo makonde, onde algumas linhagens, como por exemplo, vanachuluma e vamboei chegaram a cortar as suas relações sociais durante muito tempo devido a um triste e trágico episódio sucedido em tempos muito passados, conforme passo a narrar:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era uma atarde de domingo. O dia ia ao fim e a luz do sol desaparecia pouco-a-pouco anunciando a chegada da noite. O terreiro da aldeia dos vanachuluma achava-se cheio de gente que desde ao princípio da tarde assistia a competição de mapiko. O som dos tambores, de quando em vez intercalado pelo som do lipalapanda, avivava a povoação provocando um barulho ensurdecedor, próprio de ambiente festivo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tinha vindo na aldeia o grupo de mapiko de jovens vamboei que depois da actuação dos anfitriões foi convidado a mostrar o que mais sabia na arte de dançar o mapiko. Rapidamente, vinganga e ntodje soaram impetuosamente irrompendo o terreiro da aldeia de forma rude e um lipiko mboei saltou para o meio da roda humana dançando com estilo e conhecimento e acompanhando com perfeição o tam-tam dos tambores. Uma salva de palma encheu o terreiro e o intusiasmo apossou-se aos espectadores criando rastos de inveja no grupo de mapiko local. Decorridos alguns minutos, os tambores calaram-se e o grupo de percussionistas começou a cantar com ímpeto cânticos antigos enquanto o lipiko se dirigia às crianças e mulheres procurando domina-las pelo medo. Pouco depois, o som dos tambores voltou a fazer-se presente pondo em delírio os espectadores que acompanhando os cânticos dos percussionistas, batiam as palmas e ululavam de contentamento pela exibição espectacular do jovem lipiko mboei.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Passado algum momento, os tambores cessaram e o lipiko recolheu-se numa palhota que se encontrava nas imediações para descansar. Os percussionistas levaram os batuques ao lume para aquecer a pele que já se achava abrandada e, nesse instante, Apediupinde, um jovem da linhagem vanachuluma e percussionista do grupo juvenil local de mapiko, atravessou o centro da roda humana e bem perto do rosto de um dos jovens mboei, que na altura aquecia chinganga ao lume, disse com desdém:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Nós somos o melhor grupo de mapiko do planalto. – Passou a mão à cabeça e acrescentou. – Vocês não passam de um bando de mulheres que finge ser homem com todas suas propriedades somáticas e psíquicas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O jovem de chinganga ergueu-se, olhou para o interlocutor com ar de desconsideração e continuou a aquecer o batuque sem dizer uma palavra se quer. Apediupinde girou os calcanhares e voltou a atravessar o meio da multidão dizendo maldições inúteis com a testa vincada de profundas rugas devido ao facto do público nachuluma aplaudir e simpatizar-se pelo grupo juvenil mboei.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O som dos tambores voltou a irromper novamente o terreiro acompanhado do som lipalapanda que cortou o ar, vezes sem conta, chegando a ouvir-se nas povoações vizinhas do interior da floresta. O lipiko atirou-se ao meio da roda humana e recomeçou a dançar fazendo gestos para os espectadores. Dançou durante muito tempo afastado dos espectadores e depois, aproximou-se a um pequeno aglomerado de crianças. Os petizes fastaram-se desesperadamente assustados pela máscara envergada pelo lipiko. Apediupinde aproximou-se sorrateiramente o lipiko e empurrou-o energicamente caindo de seguida nos braços do público que imediatamente repudiou a atitude. Ngole, um jovem mboei, tomou o chinganga que tocava, correu rapidamente ao encontro de Apediupinde com o olhar rude e lábio inferior apertado entre os dentes. Assim que se encontrou perto, arremessou o chinganga cantra Apediupinde atingindo-o a testa. O público correu em debandada e num abrir e fechar de olho desenrolou-se uma luta feia entre jovens dos dois grupos de mapiko.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nisto, Apediupinde levou a mão à testa e de súbito, um jato de sangue regou a mão ensanguentando-a total e imediatamente. A cabeça andou-lhe a roda, deu três passos incertos e no fim, tombou no chão beijando violentamente a terra castanha do terreiro. Entretanto, Ngole foi agarrado pelos jovens nachuluma e acidentalmente uma catana atravessou-lhe a nuca. O jovem caiu por terra estrebuchando e regando-a de sangue quente. Vendo o sucedido os outros vamboei fugiram a sete pés.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Durante um instante breve como relâmpago, Apediupinde foi levado a casa de nkulaula, onde foi tratado com ervas e feito atravessar o meio da rachadura da nala para fazer takatuka. Quando passou para o outro lado da árvore, a ferida desapareceu misteriosamente da testa e veio alojar-se no braço. Depois, foi conduzido a casa, onde ficou a convalescer.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No entanto, ao anoitecer aquele dia, os parentes do Ngole removeram o corpo e dias depois o nkulungwa dos vanachuluma reuniu os jovens da sua povoação no terreiro, onde repudiou a atitude vergonhosa protagonizada contra os vamboei e proibiu o uso da violência e a realização de competições juvenis de mapiko na sua povoação. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dali em diante, jamais ocorreu um incidente similar no planalto makonde, contudo, o sucedido originou uma grande rivalidade disfarsada entre os jovens das duas linhagens que só veio a conhecer o seu término com a chegada dos portugueses.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;- Allman Ndyoko,&amp;nbsp;10/03/2008.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="text-decoration: underline;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;u&gt;GLOSSÁRIO&lt;br /&gt;&lt;/u&gt;Vakulaula –&lt;/strong&gt; O plural de nkulaula que significa curandeiro;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Vinganga –&lt;/strong&gt; O plural de chinganga que quer dizer batuques pequenos, achatados e meio delgados;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Nkulaula –&lt;/strong&gt; Curandeiro;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Takatuka –&lt;/strong&gt; Método tradicional que consiste na remoção mágica de uma ferida de um ponto do corpo para o outro que coloca em perigo a vida do paciente;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Ntodje – &lt;/strong&gt;Batuque delgado;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Nkulungwa –&lt;/strong&gt; Chefe da povoação;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Vamboei –&lt;/strong&gt; Plural de mboei que significa pessoas da linhagem mboei;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Mboei –&lt;/strong&gt; Alguém da linhagem mboei;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Vanachuluma –&lt;/strong&gt; O plural de nachuluma que quer dizer pessoas da linhagem nachuluma;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Nachuluma –&lt;/strong&gt; Alguém pertencente a linhagem nachuluma;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Lipiko – &lt;/strong&gt;Dançarino de mapiko geralmente mascarado; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Mapikos –&lt;/strong&gt; O plural de lipiko e também assim se chama a dança de máscara feita pelos makondes de Moçambique;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Ñala – &lt;/strong&gt;Árvore através da qual o curandeiro usa para fazer curativos ao doente através do uso do método de takatuka.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://contosepoesiasdoindico.blogspot.com/"&gt;Contos E Poesias Do Índico&lt;/a&gt; de Allman Ndyoko!&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;hr 'style: color black' /&gt; 
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Se deseja transcrever, mencione a origem e créditos!&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11318136-6663146873858853242?l=foreverpemba.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foreverpemba.blogspot.com/feeds/6663146873858853242/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=11318136&amp;postID=6663146873858853242&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11318136/posts/default/6663146873858853242'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11318136/posts/default/6663146873858853242'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foreverpemba.blogspot.com/2009/12/apontamentos-do-tito-xavier-ilha-do-ibo_15.html' title='Apontamentos do Tito Xavier - Ilha do Ibo - Vista aérea em 1960'/><author><name>gotaelbr</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12948983417898741719</uri><email>portoamelia@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='02676714525154773859'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_oshdZv5Zmxc/SyefyM63hMI/AAAAAAAAHD4/BPdsTYnIaGk/s72-c/aerea.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11318136.post-3143647575683286897</id><published>2009-12-15T03:23:00.001-02:00</published><updated>2009-12-15T03:28:33.128-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='M. Nogueira Borges'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='NÃO MATEM A ESPERANÇA - CAPÍTULOS VIII IX e X'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='histórias de soldados e guerreiros do ultramar'/><title type='text'>Não Matem A Esperança - M. Nogueira Borges - Capítulos VIII, IX e X</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_oshdZv5Zmxc/Sycd0t2AUiI/AAAAAAAAHDw/PK95f_ZSOns/s1600-h/mnba.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_oshdZv5Zmxc/Sycd0t2AUiI/AAAAAAAAHDw/PK95f_ZSOns/s200/mnba.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://foreverpemba.blogspot.com/2009/11/nao-matem-esperanca-capitulo-um.html"&gt;Capítulo I&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://escritosdodouro.blogspot.com/2009/11/nao-matem-esperanca-capitulo-dois.html#links"&gt;Capítulo II&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://foreverpemba.blogspot.com/2009/11/nao-matem-esperanca-capitulo-tres.html"&gt;Capítulo III&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://escritosdodouro.blogspot.com/2009/11/nao-matem-esperanca-m-nogueira-borges.html#links"&gt;Capítulos IV e V&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://escritosdodouro.blogspot.com/2009/12/nao-matem-esperanca-m-nogueira-borges.html#links"&gt;Capitulos VI e VII&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Não Matem A Esperança - Capítulo VIII&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;O Verão ia quente. Nas obliquidades dos montes, a verdura fresca e saudável das vinhas desaparecia; iam amarelecendo sob as inclemências solares, os bagos dos cachos aganavam. O povo andava alarmado. Previa-se um ano seco. Os proprietários faziam contas de cabeça, multiplicando ou dividindo, somando ou subtraindo, e o resultado era sempre o mesmo: «Ao valha-nos Deus! Que desgraça a nossa!». A Casa do Povo nunca teve tanta assistência. As gentes queriam ouvir que dizia o &lt;strong&gt;«Boletim Meteorológico»&lt;/strong&gt;. Depois, nas ruas sem luz e cheias de buracos, discutiam e comentavam: «Ora vejam bem! Aqui, na Espanha, que é mesmo ao lado, a chover e nós a secar! Até nisto nos levam vantage!».&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;Em cada dia que nascia olhava-se Abões a ver se vinham nuvens escuras. Mas não havia meio. Os poucos trabalhos que antecediam as vindimas eram feitos às manhãs e, até mesmo assim, não se podia com aqueles calores: «Um home com estes escaldões até se lhe consomem os ossos.».&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;Os lavradores iam imaginando os salários que deviam dar aos trabalhadores, na iminência quase certa, por aquele andar, de fracas colheitas. Estes, adivinhando os intentos daqueles, lamentavam-se. A chuva, no Inverno, por vezes mal recebida, agora, porém, não era capaz de vir refrescar aquele estio tórrido, os vinhedos e os corações das gentes: «Raios partam esta vida! Quando se julga que endireita logo quebra!». E, tomando a fresca depois da malga de caldo, os pais contavam com os filhos ao colo, outros anos em que de vez de se vindimarem uvas se vindimaram passas: «Um ano, já lá vão sete cobre ele, é que foi. Quem colhia cem só tirou p'raí umas vinte. A desproporção!».&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;Baldadas as implorações à natureza, a plebe lançou os olhares e as suas preces para a capelinha da Nossa Senhora da Ermida. Lembraram-se d pedir ao pároco para que a santa fosse levada para a Igreja matriz numa procissão de velas. É que já num ano isso se fizera e a chuva caíra. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;A aldeia movimentou-se. Ao longo dos caminhos e nas janelas das casas acenderam-se velas. Era estranho ver aquelas gentes de pavios a tremelicar na escuridão – pareciam figurantes de um filme histórico em desempenho de error. Em breve, a escultura da Senhora da Ermida, em cima dos ombros calejados, passava em seu andor repleto de flores. Os mistérios do terço eram rezados com fervor. O povo chorava. O povo que se embebedava e se anavalhava nas tabernas e nas esquinas, o povo que não pensava e fazia tudo que lhe mandavam fazer. Cânticos de louvor levavam à Senhora que sorria as esperanças dum povo que queria sobreviver e sorrir com ela, deitando para longe o enguiço da miséria. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;E aquela, na Igreja, em altar mais rico do que o da sua humilde capela, quedava-se, de sorriso moldado pelas mãos do esculpidor, sob as arcadas silenciosas e frias que, aos domingos, as vozes das gentes, rezando, aqueciam.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;E o povo, sempre devoto e fiel, continuava a acreditar no milagre da chuva.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Não Matem A Esperança - Capítulo IX&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;Indolentemente, baloiça-se nas suas pernas retezadas, roça o ventre no chão, e deita-se, preguiçosa, na sombra de um degrau. Três gatinhos, seus filhos, miando ansiosamente, acorrem, submissos, ao aconchego materno. Aquela estende-se ainda mais e as bocas esfomeadas ocupam-lhe o ventre. As folhas dos limoeiros e das macieiras revolvem-se sem destino à aragem da tarde. No alto, flocos de nuvens, umas metálicas e negras, outras azuis claras como os lilases, evolucionam cadentes, muito lentas, quase paradas... O sol, em rutilantes agulhas, trespassa a cortina daquelas, provocando cataratas no cimento. Ouvem-se risos desencontrados, acompanhados dos choros das crianças e dos ralhos das mães.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;- Quero broa... Tenho fome... Dá-me, mãe, dá?...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;- Já vai! Olha! Credo! Nem me deixas pousar o caneco! Santo Deus!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;E as crianças calam o estômago com o pão de milho. (Crianças tão puras e inocentes! É pena que a necessidade, que é negra e triste, vos vá tornando más!).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;Nas lajes do atalho, chocalham, agora, os socos de um camponês, à mistura com interrogações dezenas de vezes já repetidas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;- Pois é, Ti Tónio, a cava vai mal...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;- 'Stá dura... Se chovesse... Mas não há meio de cair uma pinga d'auga...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;- Deixe lá que se chovesse não era melhor. A rapaziada encharcava-se de lama...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;- Pois é, mas no meio disto tudo que tal um copázio?!...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;- Bá lá!... Já'agora!...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;E o chocalhar dos socos, à mistura com conversas dezenas de vezes já repetidas, perde-se na distância, até se abafar na taberna do Manuel da Antónia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;Negros abelhões poisam e voam em procura do néctar das flores matizadas. Um pássaro, entontecido pelo lumaréu, ziguezagueia, espadanando as asas frágeis, as asas da sua liberdade. Poisa num galho da ramada e aí se queda, observando à volta a confirmar a segurança do pousio. O monodiar dos melros e pintassilgos, presos acolá naquelas gaiolas, entoando, talvez a esperança de amanhã poderem voar e cantar sem clausuras: nervosos, inquietos, para cá e para lá, olhando para todos os lados, como que desconfiados, chapinando na água, para depois se sacudirem donairosos. Na casota, o rafeiro ladra ao camarada que lhe roubou um osso e aqueles que parecem ainda mais inquietos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;Um pobre bate ao portão e pede uma esmola «pela alma de quem lá tem».&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;A criada enche os recipientes das aves burguesas com água e outros com painço. O papagaio tagarela. Os gatos espantam-se. E o Chico vem regar os limoeiros.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;- Então o Zé?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;- Foi p'ra França.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;- Não me diga...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;- Foi. Levou o Manel, tamém. Atão foram ver mundo!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;- Há quanto tempo?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;- Não me alembra bem, mas p'raí há dois meses. Pois foram. Já escreveram e dizem qu'stão muito bem.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;- Melhor, melhor.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;- Deus os ajude. Fartavam-se de trabalhar e não supria nada, agora vamos lá ver... Já que não se arranjaram cá que se arranjem lá. Aquilo são outras terras!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;O Chico: camisa, calças e barba de oito dias, com uma carrada de filhos em casa: roxos, magricelas, semi-nús, a esburacarem o chão para mentirem à fome e que aguardam os primeiros contos de réis dos irmãos que estão em França para se vestirem e comerem mais à farta.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;- Oiça lá, ó senhor Chico: não gostava de ir até França?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;- 'Stá boa essa!... E a mulher e os filhos?... Isso é que mata tudo!... Se os tivesse já todos criados... Assim...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Não Matem A Esperança - Capítulo X&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;Não sei quando, onde e como protestaste para a vida. Conservo uma ideia vaga, uma ideia que, na sua vacuidade, me mostra a máscara de um sofrimento estranho, um sofrimento feito de humildade e amor que já é desta época.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;Trabalhaste nas ruas e nos caminhos, calcorreaste as subidas dos montes da minha terra, o teu corpo habituou-se cedo, talvez cedo de mais, a sentir na carne a aspereza da vida. Nasceste pobre como a grande maioria daqueles que habitam este planeta, mas a tua pobreza deu-te a formosura de que os ricos se julgam possuidores. Cresceste nas dificuldades, espicaçada pela negrura da necessidade. Aos dezasseis anos caíste na cilada, como uma ave na ratoeira, armada pelos homens traiçoeiros. Aí ficaste cativa, debaixo da prisão do céu, com as nuvens destapando o sol e, ao longe, a melodia recriando-se por entre as escarpas, no fundo das quais, o rio corria manso, farto de vagar, lambendo os seixos e, no alto, mulheres rindo às gargalhadas e outras chorando, tingidas de luto. Já não eras tua. Tinhas-te dado. Foi amor? Loucura? Que foi? Pensaste muito e nada concluíste. É sempre assim: o repentino foge, corre-se atrás dele, mas depois vem a perpetuidade real, a dolorosa certeza de que a vida se prolonga para além das cordilheiras em que o sol morre e a lua nasce. E já não se pode voltar atrás. Há dois caminhos: ou se ergue a cabeça e se continua ou se a baixa e se cai depois; a mentira não se admite, o fingimento não serve. Continuaste. Porquê? Nem tu o saberás.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;Porque será que as pessoas são tão más? Más como a fome que degola os inocentes que nascem das relações sexuais dos seres humanos, más como as guerras que os interesses fabricam e os políticos teimosos e fanáticos e cegos e gananciosos e maus sustentam, más como a manhosice das pessoas que lidam connosco nos cruzamentos e nos «stopes» da vida, más como, etc. Viveste no meio de pessoas más (como todos nós viveremos sempre), mas nunca te renegaste. Sofreste tudo com a paciência e a capacidade de amor que sempre te acompanhou. Sofreste a acção do tribunal da sociedade (sociedade porca e imunda) sem te importares, fazendo disso o alento para aguentar a vida, uma vida curta (como todas as vidas).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;Acartaste canecos de água e de vinho para o patrão que te possuirá. Nunca exigiste nada. As lágrimas ficavam para a noite, na solidão da tua cama, com a lua a fazer carícias nas telhas da casa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;Nasceu-te um filho. Um filho de pai rico e mãe pobre (que culpa temos nós da ato nascer-se assim. Vale mais nascer-se ou só de pais pobres ou só de pais ricos: há mais igualdade. Mas outros vieram e cada um havia de ser o que quisesse e as contingências permitissem. Não serias muito feliz se vivesses ainda hoje. Ver filhos partir às portas das tabernas a serem maltratados por este e por aquele é coisa que nenhuma mãe gosta de ver.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;Trabalhaste sempre, não desistias. Punhas rodilhas nos pés para que sangrassem menos. (Eu queria escrever a tua história com a fungível possibilidade de ela ir ao além túmulo! É-me impossível e terás de me perdoar).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;O senhor rico chamou-te. Deu-te o mesmo tecto. Mas antes não o tivesse feito; é que o vias ir, na escuridão da noite, ao encontro de outra mulher e até as portadas das janelas trancava com tábuas e pregos. Nada dizias, o coração fervendo, os vómitos do desgosto à flor dos lábios, os nervos ameaçando partir.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;Para matares a fome àqueles que eram do teu sangue ou imploravam debaixo das janelas (fala Peche! Diz como era, caramba!), tinhas que o fazer às escondidas de modo a não caíres nas embirrices de quem mandava. E, no entanto, o senhor rico que te seduzira, deixaria mais tarde proventos a quem nunca os mereceu e nem sequer eram de sangue igual, sabiam latim, cultivavam malícia. Mas não importa, pois não? Contentem-se os famintos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;Morreste ingloriamente numa tarde inglória da minha infância. Pediram um padre para que te fosse pôr no chão onde todos acabamos por apodrecer e esquecer, mas não veio ninguém. É que tu não eras casada à face da Lei e da sociedade, Porquê? Não sei. Pergunta-lhes, talvez os pseudomoralistas deste mundo te saibam responder.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;- Continua.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;NÃO MATEM A ESPERANÇA - &lt;/b&gt;&lt;a href="http://escritosdodouro.blogspot.com/2009/11/nao-matem-esperanca-capitulo-um.html#links"&gt;&lt;b&gt;Capítulo I&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://escritosdodouro.blogspot.com/2009/11/nao-matem-esperanca-capitulo-dois.html#links"&gt;&lt;/a&gt;NÃO MATEM A ESPERANÇA - &lt;/b&gt;&lt;a href="http://escritosdodouro.blogspot.com/2009/11/nao-matem-esperanca-capitulo-dois.html#links"&gt;&lt;b&gt;Capítulo II&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;NÃO MATEM A ESPERANÇA - &lt;/b&gt;&lt;a href="http://escritosdodouro.blogspot.com/2009/11/nao-matem-esperanca-capitulo-tres.html#links"&gt;&lt;b&gt;Capítulo III&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;NÃO MATEM A ESPERANÇA - &lt;a href="http://escritosdodouro.blogspot.com/2009/11/nao-matem-esperanca-m-nogueira-borges.html#links"&gt;Capítulos IV e V&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;NÃO MATEM A ESPERANÇA - &lt;a href="http://escritosdodouro.blogspot.com/2009/12/nao-matem-esperanca-m-nogueira-borges.html#links"&gt;Capítulos VI e VII&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;hr 'style: color black' /&gt; 
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Nogueira Borges - Capítulos VIII, IX e X'/><author><name>gotaelbr</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12948983417898741719</uri><email>portoamelia@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='02676714525154773859'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_oshdZv5Zmxc/Sycd0t2AUiI/AAAAAAAAHDw/PK95f_ZSOns/s72-c/mnba.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11318136.post-6563802758517605437</id><published>2009-12-14T18:36:00.002-02:00</published><updated>2009-12-14T18:48:43.697-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Corrupção em Cabo Delgado'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='corrupção em Moçambique'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='corrupção em Moçambique aumenta'/><title type='text'>Corrupção em Cabo Delgado aumenta: Mais de 50 milhões de meticais roubados ao povo.</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_oshdZv5Zmxc/Syaf4kpblBI/AAAAAAAAHDg/ATUmpOGh2nM/s1600-h/roubo.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" rs="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_oshdZv5Zmxc/Syaf4kpblBI/AAAAAAAAHDg/ATUmpOGh2nM/s400/roubo.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Durante o ano em curso, em Cabo Delgado, Roubados mais de 50 milhões de meticais do erário público.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No entanto, o governador de Cabo Delgado, Eliseu Machava, diz que os níveis de corrupção, em Cabo Delgado, estão a reduzir graças a reformas do sector público.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A Procuradoria Provincial de Cabo Delgado registou, durante este ano, um total de sete processos de desvio de fundos do estado, que ultrapassam mais de 50 milhões de meticais, dos quais dois foram acusados e julgados.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estes dados foram tornados públicos na última sexta-feira durante as comemorações do dia mundial de combate à corrupção. Os setes casos notificados foram subtraídos de um total de 14 processos de corrupção notificados durante o ano em curso, segundo fez saber Emília Chirindza, procuradora-chefe provincial.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os processos em alusão, segundo a nossa fonte, envolvem &lt;strong&gt;funcionários do estado que se dedicam a extorsão de valores a cidadãos que se dirigem a diversas instituições, procurando vários serviços, o que faz crer que na função pública a corrupção ainda está longe de ser eliminada&lt;/strong&gt;. Chirindza foi categórica ao afirmar que o conceito corrupção, formas de manifestação, seus efeitos e razões do seu combate exigem uma reflexão profunda de toda a sociedade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O governador de Cabo Delgado, Eliseu Machava, disse, na ocasião, que as reformas do sector público, introduzidas nos últimos anos, estão a concorrer para a redução de casos de corrupção na função pública, afirmando que o governo vai sempre levar a justiça os funcionários que se envolvem em esquemas de corrupção.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Porque os cidadãos que se envolvem em esquemas de corrupção desprestigiam os esforços do governo no combate à pobreza absoluta e envergonham os demais funcionários honestos”, lamentou.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entretanto, cidadãos entrevistados pelo o “O País” foram unânimes ao afirmarem que&lt;strong&gt; a corrupção não está a diminuir, mas sim a aumentar, contrariando, deste modo, as declarações dos governantes.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Miguel Akanaida, jornalista do jornal Horizonte, uma publicação local, disse a este matutino &lt;strong&gt;que todos os dirigentes do governo, em todos os níveis, são corruptos e são da mesma “panela”.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;“Todos são ladrões aqui em Cabo Delgado. temos exemplos claros de corrupção envolvendo administradores de Quissianga, Manuel de Limas Mário, de Macomia, Xavier Vancela, e de Namuno, Casimiro Calope, que roubaram fundos de iniciativa local, mas nada está acontecer. O tribunal diz que não tem provas, que provas quer? Se há cópias de cheques que até à imprensa teve acesso, não há nenhum combate à corrupção. São os mesmos que dizem isso”,&lt;/strong&gt; acusou.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para Gilberto Machona, em Cabo Delgado há sempre ladrões de fundos do estado, mas em nenhum momento foram julgados e condenados. &lt;strong&gt;“todos os anos bombardeam-nos com a mesma música. Como é que estão a combater se os ladrões dos fundos do estado andam impunês?”,&lt;/strong&gt; questionou.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em janeiro deste ano, cinco funcionários da direcção provincial do Plano e Finanças de Cabo Delgado, incluindo o respectivo director provincial, Paulo Risco, tinham sido detidos pelo ministério público, acusados de roubar mais de 50 milhões de meticais.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sobre este assunto, Nazimo Mussá, porta-voz da procuradoria provincial, esclareceu que todos os cinco funcionários vão ser julgados em data a anunciar. “O tribunal está fazer o seu trabalho e como não podemos interferir, estamos atentos a espera que isso aconteça. O certo é que vão ser julgados”, prometeu.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;- SEGUNDA, 14 DEZEMBRO 2009 08:53 REDACÇÃO - &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.opais.co.mz/opais/index.php?option=com_content&amp;amp;view=article&amp;amp;id=3495:roubados-mais-de-50-milhoes-de-meticais-do-erario-publico&amp;amp;catid=45:sociedade&amp;amp;Itemid=176" target="_blank"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;O PAÍSOnLine&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;hr 'style: color black' /&gt; 
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Assim prometem!</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_oshdZv5Zmxc/SyacxhGuVlI/AAAAAAAAHDY/k60pt3NPFjE/s1600-h/pemba.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" rs="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_oshdZv5Zmxc/SyacxhGuVlI/AAAAAAAAHDY/k60pt3NPFjE/s400/pemba.jpg" style="cursor: move;" unselectable="on" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pemba: Presidente do município promete mão dura contra construções ilegais - O&amp;nbsp;presidente do município de Pemba, Sadique Yacub, disse que vai haver mão dura contra construções ilegais na cidade, grosso modo, de barracas e lojas edificadas nos passeios da autarquia, visando corrigir os erros cometidos no passado, facilitados pelos secretários de bairro que concederam licenças, igualmente ilegais, para que tal fosse possível.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: justify;"&gt;Yacub, falando durante a V sessão ordinária da Assembleia Municipal, que decorreu de 7 a 9 de Dezembro corrente, disse que para tal vai agravar as taxas a pagar pela ocupação dos espaços que foram cedidos em conluio com os secretários dos bairros e os residentes que quiseram com isso tirar proveito, em detrimento da boa circulação dos peões e viaturas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: justify;"&gt;“Por exemplo, os passeios da avenida Eduardo Mondlane, todos foram ocupados por barracas, lojas, barbearias, enquanto que a estrada tinha reservado largos passeios e a passagem da vala de drenagem que evacua todas as águas cépticas da montante para o mar”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: justify;"&gt;O presidente do Conselho Municipal, acrescentou que naquela avenida ocorrem muitos acidentes, pois os peões disputam as estradas com as viaturas, não havendo sequer espaço para aqueles evitarem os automobilistas que por sua vez vêem-se na contingência de transitarem com medidas acrescidas de precaução, se bem que a avenida acabe ficando muito estreita, devido às pessoas que a invadem.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: justify;"&gt;Este cenário contrasta com os esforços envidados durante largos anos visando a construção de um mercado municipal, localizado na mesma avenida, entretanto não utilizado pelos vendedores que preferem edificar barracas, nas bermas da estrada.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: justify;"&gt;“Nós construímos um mercado, mas os agentes económicos não o estão a utilizar, consequentemente o municipio não está sequer a recuperar o dinheiro investido, quando na mesma rua há concorrentes que construíram ilegalmente os seus respectivos postos de venda”, disse.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: justify;"&gt;Para estancar este estado de coisas, o municipio, segundo o seu presidente, vai aplicar uma taxa de 3000,00 Mt pela ocupação do espaço e pela actividade comercial ao mesmo tempo que vai baixar significativamente as taxas a pagar pela ocupação das bancas no mercado municipal.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: justify;"&gt;“Vamos baixar as taxas no mercado e agrava as taxas das barracas que estão em locais impróprios. Quem não aguenta que vá ao mercado. Não podemos destruir, porque isso implicaria que tivéssemos que indemnizar as pessoas, porque de alguma forma houve quem em nome do município autorizou a construção. A saída é essa, pagam-nos muito dinheiro ou vão ao mercado, onde estamos à espera das taxas e temos muito lugar desocupado”, determinou.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: justify;"&gt;Enquanto isso, a Assembleia Municipal na última sessão deu aval à proposta do Conselho Municipal, do orçamento para o exercício de 2010, que aponta para uma receita e despesas de 102549000,00 Mt, superior em 22,59 por cento, quando comparado com o do ano anterior, se bem que estava fixado em 83655000,00 Mt.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: justify;"&gt;O órgão não viu inconvenientes para o aprovar por reunir todos os requisitos exigidos por lei para a sua aceitação, para pôr em marcha o funcionamento da edilidade durante o próximo ano em que as rubricas que vão consumir maior fatia serão as despesas com pessoal, 17314528,00 Mt, e bens e serviços, no valor de 16554500,00 Mt, para o que a Assembleia Municipal aprovou uma resolução, a 12/2009, de 8 de Dezembro deste ano.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;- Maputo, Segunda-Feira, 14 de Dezembro de 2009:: &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;a href="http://www.jornalnoticias.co.mz/pls/notimz2/getxml/pt/contentx/933881" target="_blank"&gt;Notícias&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;hr 'style: color black' /&gt; 
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João Baptista'/><author><name>gotaelbr</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12948983417898741719</uri><email>portoamelia@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='02676714525154773859'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_oshdZv5Zmxc/SyKsSkNz1NI/AAAAAAAAHDI/H6kELXQ062M/s72-c/fsjbatista.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11318136.post-2170034493902100813</id><published>2009-12-11T18:27:00.000-02:00</published><updated>2009-12-11T18:27:53.676-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Allman Ndyoko'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='MANGONDÈ'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos e Poesias do Índico'/><title type='text'>MANGONDÈ</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_CVUMNd3zqtA/SyGHOIP-0DI/AAAAAAAAADI/9qN1ZcfNYKA/s1600-h/mangonde.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_CVUMNd3zqtA/SyGHOIP-0DI/AAAAAAAAADI/9qN1ZcfNYKA/s400/mangonde.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Um bando de aves em vôo apressado cortaram a aldeia em diagonal enquanto andorinhas em seu estilo característico batiam as asas em franca liberdade no céu claro, fresco e azulado de Mahunda.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Kabwela, um homem afável da linhagem vamatambwe, alto, forte, de rosto tatuado e dentes afiados conforme mandava a tradição, atravessou o limiar da povoação empunhando uma catana na mão e levando nas costas um arco e flechas e seguiu um carreiro serpenteante que conduzia à floresta adentro. Andou no meio da floresta cerrada e tenebrosa ouvindo os pássaros que lhe cantavam serviçalmente naquela manhã bela e boa para um passeio no bosque. Com a barba desleixada, descalço, palmas ásperas e um andar na floresta experiente, Kabwela marchava firme com a fisionomia denunciando um homem maduro, vivido e que deleitara e usara abusivamente os prazeres da vida.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entretanto, aproximou-se a uma moita bem tenebrosa e logo deteve-se com pasmo. Recuou dois passos e voltou a deter-se fazendo bater as pálpebras vezes sem conta. Passou a mão aos olhos, esfregou-os rapidamente e continuou olhando fixamente na moita. Em frente dos seus olhos uma figura humana envolta em pano branco, semelhante ao que se envolve aos cadáveres, lhe aguardava cabisbaixa e em silêncio tumular. O sujeito tinha a face pálida, olhos esbugalhados e um olhar apavorado que denunciava uma excessiva insatisfação. Kabwela olhou-o fixamente e no fim, pareceu-lhe familiar. Matutou insistentemente procurando se lembrar do homem. Rapidamente veio-lhe a cabeça. Deitou no chão a catana, o arco e as flechas que trazia e tremendo de medo no meio da floresta fugiu a sete pés com as mãos sobre a cabeça e gritando aos berros:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Acudam-me, acudam-me, acudam-me...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De repente, a figura em volta em pano branco seguiu o gesto correndo atrás de Kabwela de forma incrível e sobre-humana. Pouco depois, Kabwela tropeçou um tronco escondido e enterrado no capim alto que predominava a floresta e logo o sujeito alcançou-o. Apeado em sua frente, o sujeito olhou-o assustadoramente com olhos ofuscantes e lhe rodeou com ar ameçador. Parou levando a mão às costas e, com uma rapidez indiscriptível, começou a bater Kabwela com uma haste delgada e flexível que parecia de uma árvore. Kabwela gritou forte e profundamente provocando um eco na imensidão da floresta, que se propagou imediatamente chegando a ouvir-se nas palhotas iniciais da povoação. No entanto, o sujeito bateu-lhe forte e feio e logo as lágrimas não tardaram a saltarem-lhe dos olhos. Desesperadamente tentou erguer-se para se escapulir, mas o homem de pano branco impediu-o deixando-lhe cair no tapete verdejante da floresta. Passado um momento, o agressor parou. Uma tempestade forte fustigou, repentinamente, a floresta e, precisamente, no ponto onde Kabwela lutava em vão para se pôr em fuga. Nesse instante, o agressor desapareceu misteriosamente entre nuvens densas e negras que, inexplicavelmente, formaram-se naquele ponto do bosque. Nisto, Kabwela ergueu-se com a cabeça mergulhada entre os braços. Soluçando fez uma ronda com os olhos em volta da floresta e temeroso fugiu, novamente, a sete pés fazendo caretas de dor.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sem olhar para atrás, Kabwela, correu incansavelmente como um antílope e depois de muito tempo e de uma fuga desorientada desembocou na aldeia reiniciando os berros como uma criança.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A povoação parou e os aldeões curiosos seguiram o infeliz cerimoniosamente até a sua palhota, onde no meio do quintal deixou-se cair chorando fortemente esgravatando a terra e, de vez enquando, cerrando os punhos cheios de areia. Kabwela chorou durante muito tempo lacrimejando copiosamente e depois calou-se. Dois anciãos sairam no meio dos curiosos que o assistiam e ajudaram-o a erguer-se do chão. Depois, banhado de areia, encaminharam-o à palhota, onde após uns breves instantes de silêncio, os anciãos quiseram saber:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O que sucedeu?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Kabwela calou-se. Passado algum momento suspirou profundamente, mergulhou a cabeça nas mãos e mentalmente começou a reviver o que lhe sucedera na floresta. No fim, soluçou uma vez e tremendo, respondeu:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ia andando a caminho da floresta, onde tencionava visitar as minhas armadilhas e arranjar algumas estacas para concertar o celeiro, quando, de súbito, numa moita tenebrosa vi um vulto envolto em pano branco. Parei, olhei fixamente e vi que era alguém que conhecia e que já não está no mundo dos vivos. Fiquei assustado e fugi. – Kabwela voltou a chorar fortemente limpando depois com a costa da mão um fio de ranho que lhe escorria pela narina abaixo. De seguida, calou-se e voltou ao ponto onde havia interrompido. – A pessoa perseguiu-me e junto de um tronco cai...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- É um mangonde. – Concluiu um dos anciãos. – É preciso sadaca para que não volte a reaparecer-lhe.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ele está aborrecido com alguma coisa. – Disse o outro ancião. – E para saber o que é será preciso consultar um wihyango.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não é preciso consultar a ninguém. – Disse Kabwela triste. – Ele é meu avô que não cheguei de conhecer e segundo os relatos da minha mãe, ele faleceu na floresta de kundonde, presumivelmente, devorado por leões quando voltava a povoação. Uma vez que não se teve certeza desse acontecimento, ninguém fez matanga. Quando hoje me batia, o avô fez referência a este assunto e advertiu-me que caso não fizesse nada algo fatal me sucederá.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Então, faça a cerimónia o mais breve possível. – Disse um dos anciãos. – Os mangondes não mentem e podem matar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Farei o mais breve possível para que o avô descanse em paz. – Disse Kabwela aterrorizado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Estas situações são frequentes e as pessoas que normalmente fazem isto são as que lhe negamos a cerimónia relativa à sua morte. Quando isto acontece eles vagueiam aqui na terra e não são recebido no mundo dos ancestrais. – Disse alguém entre os dois anciãos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Então, quer dizer que matanga constitui para os mortos um cartão de entrada no mundo dos antepassados. – Concluiu Kabwela juntando os braços no peito.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- É sim um cartão muito importante para os mortos entrarem no mundo dos antepassados.– Respondeu uns dos anciãos sentado à beira da cama dentro da palhota iluminada por uma lareira que ardia lentamente no centro exalando uma densa fumaça branca. – E para provar isso, a agressão feita hoje basta para ilustrar a importância que a cerimónia tem para as pessoas que passam para o outro lado do mundo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entretanto, os anciãos deixaram a palhota e foram às suas vidas, um gesto também imitado pelos curiosos que cercava o quintal do Kabwela.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dias depois, Kabwela fez matanga tendo , em memória ao seu avô, dado, no seu quintal, uma festa de invejar, onde os aldeões de Mahunda evocaram os espiritos dos antepassados de Kabwela, comeram, beberam e dançaram ao som secular dos tambores. Assim, após aquela festa pomposa à meneira makonde, Kabwela jamais voltou a avistar algo semelhante com o que havia visto na floresta naquela manhã clara, fresca e fatídica, confirmando-se assim o pensamento popular sobre a questão...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;- Allman Ndyoko,&amp;nbsp;19/03/2008.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;u&gt;&lt;b&gt;GLOSSÁRIO&lt;/b&gt;&lt;/u&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Vamatambwe –&lt;/strong&gt; Pessoas da linhagem matambwe;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Mangonde –&lt;/strong&gt; Espirito ou fantasma;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Wihyango –&lt;/strong&gt; Advinho que também pode ser curandeiro;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Kundonde –&lt;/strong&gt; Zona baixa do planalto dos makondes;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Matanga –&lt;/strong&gt; Cerimónia ou festa alusiva a morte de alguém familiar;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Sadaca –&lt;/strong&gt; Festa que se oferece as pessoas após ter prometido ao antepassados fazer em sua memória.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://contosepoesiasdoindico.blogspot.com/"&gt;Contos e Poesias do Índico&lt;/a&gt;.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;hr 'style: color black' /&gt; 
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São nomes e mais nomes que, por aí, começam a soar. Nomes e mais nomes, de pessoas e instituições. E, curiosa e sintomaticamente, os sinais exteriores de riqueza estão a desaparecer de certos sítios onde, habitualmente, se exercitavam as ofensas ao mais tolerante dos cidadãos e se despertavam da inconsciência os mais distraídos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em breve, não nos admiraremos que os mesmos que há tempos diziam “vamos discutir ideias, deixemo-nos de ofender pessoas” vão começar a defender que é legítimo que se comece a “denunciar”, com todas as letras, os seus próprios amigos. As “vitórias estrondosas”, as “vitórias esmagadoras” da Frelimo trouxeram-lhe sempre um custo difícil de gerir. Não será agora que as coisas se irão passar de maneira diferente. Desta vez, vai voltar a ser assim. Com uma economia de escassos recursos, para tantos na mesma casa, vai ser difícil encontrar recursos que saciem todos os que estão, agora, de boca aberta, à espera do que entendem por “merecido” lugar à sombra.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E é nesta luta que vai, com certeza, haver quem se exceda para oferecer um lugar, ao “sol”, de preferência aos “quadradinhos”, a quem for necessário abater, para deixar de lhe estorvar o caminho.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por isso, não nos admiramos que estarão de regresso, muito em breve, os tempos da “bufaria”, em que os verdadeiros trafulhas e candongueiros, com as suas habilidades politiqueiras e de grupo habituais, vão ser os sobreviventes. Os eternos sobreviventes, não fosse a sua idade avançada e a impiedade divina…&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando ainda era possível repreenderem-se os prevaricadores, seguir-se uma política de apelo à decência, &lt;strong&gt;vimos muitos arvorarem-se em libertadores da Pátria, para defenderem o seu direito às “batidas”, em nome da construção de uma burguesia nacional que, em abono da verdade, foi um projecto que redundou neste regabofe todo&lt;/strong&gt;, de que Diodino Cambaza, o ex-PCA da empresa Aeroportos de Moçambique, é, apenas, um menino de coro.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora, quando a “Era da Bufaria” regressar ao melhor palco de espectáculos que ainda aí vem, que dirão os que enriqueceram a reboque de favores ao “partidão”, quando o feitiço se virar contra o feiticeiro?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O caso “Aeroportos de Moçambique”, já aqui dissemos, é apenas a ponta do iceberg. Agora fala-se de muitas outras instituições e de nomes de indivíduos que até já ocuparam cargos ministeriais, mas não só.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E a procissão ainda vai no adro…&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Apesar do que se pode, desde já, tomar por esforços sensíveis e “positivos” (este para usarmos um termo de recorrência, sempre na ponta da língua dos yes men) no sentido das boas práticas e de moralização de costumes no Aparelho de Estado e instituições públicas ou participadas pelo Estado, temos, ainda, muitas dúvidas se este espectáculo vai passar da “rama”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O “Caso Carlos Cardoso” ficou-se pela “rama”. Quando se estava a ir ao cerne da questão, não foi Vasconcelos Porto a ir a Marracuene, mas foi alguém silenciar Cândida Cossa…&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O “Caso Siba-Siba” nem à rama chegou. Viu-se que até se tentou encontrar bodes expiatórios…&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O “Caso Manhenje” se passar da “rama” vai, com certeza, dar “ramada”que nunca mais acaba…&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já dissemos quanto basta: “Oh rama, que linda rama”…&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;-&amp;nbsp;Canal Mozambique, Ano 1 * N.º 96 * Maputo, Quinta-feira, 10 de Dezembro de 2009.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;hr 'style: color black' /&gt; 
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Ou apenas a tentativa comercial de consolidar o "combustível verde" como commodity. Ela carrega em si, antes de tudo, o risco da exploração degradante dos recursos naturais e dos trabalhadores do Caribe e da África."&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Objetivo do governo é consolidar produto como commodity. Transferência de conhecimento e investimentos são acompanhados de potenciais impactos sobre a vida de trabalhadores, comunidades tradicionais e meio ambiente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;Para que o etanol de cana-de-açúcar se torne uma commodity, é preciso ampliar o número de países produtores. Os empresários brasileiros e o governo federal sabem disso e, como estratégia para viabilizar as exportações do produto à Europa e aos Estados Unidos, incentivam a expansão da atividade sucroalcooleira na África e América Latina.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;"Para formar um mercado internacional, é preciso ter mais países ofertantes. Só assim vamos desenvolver um mercado futuro, com negociações em bolsa", afirmou Alexandre Strapasson, coordenador do Departamento de Cana-de-Açúcar e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;O alvo da política brasileira de expansão do monocultivo de cana são os países pobres. Em geral, eles têm maior disponibilidade de terra e de mão-de-obra barata e condições agroclimáticas mais favoráveis aos canaviais. Além disso, no caso dos países do Caribe e da África, possuem facilidade logística para vender aos Estados Unidos e Europa, respectivamente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os países caribenhos acumulam ainda uma vantagem fiscal: seu álcool não paga imposto na terra nos Estados Unidos, graças a um acordo preferencial de comércio com os norte-americanos, assinado em 1983 e renovado em 2000, conhecido como Iniciativa Caribenha (ou Caribbean Basin Initiative - CBI). &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No Brasil, a Divisão de Energias Novas e Renováveis do Ministério das Relações Exteriores (MRE) coordena o programa Pró-Renova. Como parte desse esforço, já foram assinados 60 memorandos de entendimento para cooperação técnica bilateral na área de produção de cana-de-açúcar. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Esses memorandos dividem-se em dois grupos: de um lado, o dos países desenvolvidos que demandam biocombustíveis e procuram o Brasil para saber mais sobre nossa experiência do etanol; do outro, o dos países em desenvolvimento, com vocação agrícola, nos quais a cana pode atuar como vetor de desenvolvimento", declarou o coordenador do Mapa. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Segundo ele, o memorando de maior sucesso foi assinado com os Estados Unidos, em 2007, para pesquisas conjuntas sobre a sustentabilidade do etanol de cana. Um dos focos do trabalho é a tentativa de criação de uma metodologia comum de quantificação das emissões de gases de efeito estufa. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A coordenadora da Divisão de Energias Novas e Renováveis do MRE, conselheira Cláudia Vieira Santos, detalhou o escopo da iniciativa: pesquisadores brasileiros e norte-americanos já realizaram estudos sobre a viabilidade da produção de etanol de cana em El Salvador, Haiti, República Dominicana, São Cristóvão e Névis e agora atuam em conjunto na Guatemala, Jamaica, Guiné Bissau e Senegal. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Longe de apenas responder a demandas pré-existentes, o Brasil tem adotado uma postura pró-ativa na política externa relativa ao etanol. Em outubro e novembro deste ano, por exemplo, uma equipe técnica composta por representantes do MAPA, do MRE e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) esteve em Botsuana, África do Sul, Angola, Zâmbia, Tanzânia, Zimbábue e Moçambique para ministrar um curso sobre o Zoneamento Agroecológico (ZAE) da cana-de-açúcar. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De acordo com Cláudia, o objetivo da ação foi o de "apoiar a capacitação de países africanos interessados em implementar ou já implementando programas nacionais na área de bioenergia". &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os esforços do governo brasileiro para aumentar o número de países produtores de etanol de cana não param por aí. Como visto no parágrafo acima, Maomé foi à montanha. Mas, neste caso, a montanha também veio a Maomé: o Mapa, em parceria com a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), realizou em Ribeirão Preto (SP), de 16 a 20 de novembro deste ano, a "I Semana do Etanol: compartilhando a experiência brasileira". &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O público foram gestores e empresários de cerca de 20 países de língua inglesa da África (como Botsuana, África do Sul, Nigéria e Quênia), da América Latina (como Jamaica e Guiana), da Ásia (como Vietnã e Tailândia) e da Oceania (Ilhas Fiji). Em 2008, a chamada "Ethanol Week" aconteceu em setembro, em Araras (SP), e se voltou aos representantes de 31 países de língua espanhola e portuguesa: Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai, Venezuela, El Salvador, Haiti, República Dominicana, Cuba, Costa Rica, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Benin, Burkina Faso, Costa do Marfim, Mali, Níger, Senegal e Togo. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Iniciativa privada&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De acordo com Alexandre Strapasson, os investimentos diretos de usineiros brasileiros em outros países são tímidos. "É um desafio convencer empresários do Brasil a investir na África e América Latina. Ainda mais porque eles enfrentam a concorrência de países europeus, que também estão interessados em produzir nesses territórios", justificou o gestor. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entre os grupos nacionais que já apostam na expansão da cana em território estrangeiro estão o Guarani e o Odebrecht. O primeiro, que possui seis usinas em São Paulo, passou a investir em Moçambique em 2007, comprando uma usina de açúcar construída em 1998. Por meio de um contrato renovável de concessão de terras públicas válido por 50 anos, os canaviais africanos do Grupo Guarani ocupam hoje 91 mil hectares, com plantio e colheita totalmente manuais. Na safra passada, a produção nessa unidade foi de 66 mil toneladas de açúcar. De acordo com a assessoria de comunicação da empresa, até o momento não há produção de etanol, mas "o governo de Moçambique, que possui participação acionária na Guarani, demonstrou grande interesse no setor de combustíveis renováveis por meio de projetos apresentados ao FMI [Fundo Monetário Internacional] e ao Banco Mundial". &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já o Grupo Odebrecht deve iniciar até o final de 2010 a produção de açúcar e etanol em Angola. A construtora brasileira tem participação de 40% na Companhia de Bioenergia de Angola, cujos demais sócios são a estatal petroleira Sonangol e o conglomerado angolano Damer. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Do ponto de vista da segurança energética, é importante ter outros países produzindo, a fim de mostrar aos consumidores que a oferta é estável", afirmou o diretor-executivo da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica), Eduardo Leão de Sousa, concordou com a avaliação. "Caso contrário, cria-se a situação do ovo e da galinha que vivemos atualmente: não existe um mercado consumidor consolidado, então muitos países hesitam em começar a produzir. Por outro lado, existem poucos países produtores, então o mercado consumidor não se consolida", explicou o representante da Unica. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por enquanto, a indústria brasileira que mais tem faturado com a política externa de incentivo à expansão da atividade sucroalcooleira é a Dedini, líder mundial na fabricação de equipamentos para o setor. "Nossas exportações cresceram 660% nos últimos 5 anos", comemorou o diretor de exportações da empresa, Antônio Pereira. Segundo ele, cerca de 10% do faturamento da Dedini vem do mercado externo, com clientes espalhados por 26 países, com destaque os localizados no Caribe e na África, além da Venezuela, Estados Unidos, Uruguai, Colômbia, Argentina, Bolívia e México. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Sinais de alerta&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A campanha brasileira para difundir o modelo de produção do etanol de cana-de-açúcar em larga escala não significa apenas a oportunidade de geração de renda em países em desenvolvimento, como propagandeia o governo. Ou apenas a tentativa comercial de consolidar o "combustível verde" como commodity. Ela carrega em si, antes de tudo, o risco da exploração degradante dos recursos naturais e dos trabalhadores do Caribe e da África. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na Guatemala, país exportador de açúcar, o Instituto de Estudos Agrários e Rurais - Idear, pesquisa há quase três anos as investidas do Brasil em território guatemalteco. O pesquisador Alberto Alonso Fradejas contou que a usina de açúcar Guadalupe Chawil Utz já invadiu zonas tradicionais de cultivo de alimentos. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um dos acionistas dela é o grupo sucroalcooleiro Pantaleón, que integra uma joint-venture formada também pelo colombiano Engenho Manuelita e pela brasileira Unialco. Juntos, os três construíram uma usina de açúcar e álcool no Brasil (a Vale do Paraná, em Suzanópolis - SP) e estão investindo na construção de uma usina de desidratação de álcool na Guatemala, com vistas ao mercado norte-americano. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em Moçambique, o ProCana promete gastar US$ 500 milhões e gerar 2 mil empregos diretos, usando tecnologia brasileira na produção de açúcar e etanol. Uma matéria do jornalista norte-americano Adam Welz, publicada em março deste ano no site "Mother Jones" (especializado em temas socioambientais), detalha os riscos do projeto. Cerca de 30 mil hectares de savana nativa deverão ser convertidos em canaviais em Massingir, a região mais seca do país, provocando perda de biodiversidade e consumo excessivo de água (aproximadamente 409 bilhões de litros por ano para irrigação). E 38 mil moradores do entorno do Parque Nacional do Limpopo serão obrigados a deixar suas terras. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A Constituição de Moçambique decreta que todas as terras do país são propriedade do Estado, que pode conceder autorização de uso a empresas por períodos de 50 anos. Essa concessão, no entanto, está condicionada à ausência de comunidades tradicionais no território. Pelo jeito lá, como no Brasil, boas leis não são garantia de boas práticas. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;- Por Thaís Brianezi, do Centro de Monitoramento de Agrocombustíveis - In&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;a href="http://www.reporterbrasil.com.br/exibe.php?id=1679" target="_blank"&gt;Repórter Brasil&lt;/a&gt; - Agª. de Notícias, 09/12/09.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Outros post's deste blogue sobre os polémicos "&lt;a href="http://foreverpemba.blogspot.com/2008/06/biocombustveis-levam-30-milhes-pobreza.html"&gt;biocombustíveis&lt;/a&gt;" e os interesses comerciais ambiciosos, de expansão de mercado que os cercam, "ocultando-se" em simultâneo e em segundo plano&amp;nbsp;prejuízos&amp;nbsp;sociais, ecológicos, de desiquilibrio ambiental&amp;nbsp;conseqüentes&amp;nbsp;e&amp;nbsp;provavelmente&amp;nbsp;irreparáveis !&amp;nbsp;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;hr 'style: color black' /&gt; 
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Que futuro ?</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_oshdZv5Zmxc/Sx_eg6ScHtI/AAAAAAAAHBw/_YHITBYigyw/s1600-h/mecufi.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" ps="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_oshdZv5Zmxc/Sx_eg6ScHtI/AAAAAAAAHBw/_YHITBYigyw/s400/mecufi.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;A questão ambiental debatida nos mais diversos fóruns internacionais e também, no momento, na conferência em Copenhague faz-nos refletir sobre atitudes e comportamentos quotidianos que não contribuem para um planeta sustentável e que implicam em mudanças de hábitos, em abdicarmos de interesses individuais para, com isso, contribuirmos para o bem e melhoria da sociedade que nos rodeia e para um futuro onde o assustador fantasma do aquecimento global possa ser amenizado e sobressaltar menos. &lt;/strong&gt;Porto Amélia no passado colonial (hoje Pemba) era exemplo de cidade planejada, ecologicamente equilibrada dentro do que se conhecia a respeito naquele tempo até 1975, de ruas amplas, limpas, arborizadas, edifícios airosos, modernos, perspectivando um futuro prometedor voltado para o turismo. Para isso contribuíram diversas figuras que, direta ou indiretamente a foram desenhando e lapidando como jóia rara encravada nas areias do imenso mar azul que a cerca. Citarei, entre outros, somente os Dr. Cristina e Tito Livio Xavier, como presidentes do município e o saudoso arquiteto Andrade Paes, idealizador e responsável pela construção de inúmeras residências belas e edifícios que ainda hoje fazem e dão ar de graça à atual Pemba. Uma Pemba que em 2009, sentimos estar crescendo desorganizada, super povoada, com esgotos a céu aberto, lixo nas ruas, informalidade desregrada e crescente praticada por um povo que busca sobreviver mas em rumo direto, inevitavel á crescente insalubridade da urbe e à destruição de suas praias... hoje, muitas delas (como as praias do Wimbe, Maringanha ou até Mecufi) transformadas em latrinas públicas, vitimas da erosão,&amp;nbsp;quase redutos murados, fechados por construções aleatórias ou não mas inconvenientes, redutos esses exclusivos e destinados a classes sociais mais “abonadas”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Ainda bem que a próxima cúpula sobre mudança climática de 2011 será na &lt;a href="http://g1.globo.com/Noticias/Tecnologia/0,,MUL1408804-6174,00-CUPULA+SOBRE+MUDANCA+CLIMATICA+DE+SERA+NA+AFRICA+DO+SUL.html" target="_blank"&gt;África do Sul&lt;/a&gt; como hoje anunciou a presidente da conferência em Copenhague, a dinamarquesa Connie Hedegaard.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem sabe e por proximidade, cheguem mais fortes a Moçambique e a Pemba as necessárias demandas para mudanças radicais de conduta e usos que são imperativas quando se trata da questão ambiental.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E, para “desenhar” um pouco mais nitidamente minha apreensão, transcrevo, de autoria de Edmundo Galiza Matos – 2008, um texto encontrado na net, que faz parte de suas “&lt;a href="http://wwwclube70.blogspot.com/2008/10/mecufi-impresses-aps-nove-anos-de_7134.html" target="_blank"&gt;Impressões após nove anos de ausência&lt;/a&gt;” da nossa querida Pemba e arredores:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;""&lt;strong&gt;Mecufi: Impressões após nove anos de ausência -&lt;/strong&gt; A erosão, é verdade, é um cancro maligno que dilacera impiedosamente o distrito costeiro de Mecufi. Há anos. Antes mesmo da independência nacional.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O fenómeno abate-se com maior inclemência sobre a praia e as várias tentativas para aplacá-lo de nada serviram. Os estudos científicos para a correcção da acção do oceano e do homem não passam disso mesmo. Muitos mas engavetados.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desapareceram da praia a prancha para o mergulho. Os parrôs implantados nas frondosas causuarinas nem sequer deixaram marcas. Do balneário só restam o entulho em forma de pedra. As raízes desventradas dos coqueiros são como que a prova de que ali se bebericava whisky com agua de lanho.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O barquito “pilotado” pelo velho Jenguesse já lá não está... para meu desgosto, uma vez que, para além da travessia (paga) para Kambala, com ele “navegavamos” entre os inúmeros canais e mangais até “aportar” em Muária, aldeia construída já depois da independência nacional.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O bar do Herculano Faria está numa lástima à espera que um diferendo qualquer, inexplicável, seja sanado. Ali perto funciona uma cabana feita com macuti.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Reduzido devido à invasão das aguas do mar o terreno que utilizavamos para acampanar com tendas feitas de macuti e bambu, simplesmente já não existe.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;- Em 31 de Outubro de 2008 - Edmundo Galiza Matos.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;hr 'style: color black' /&gt; 
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Gravura fictícia formada por imagens livres recolhidas na net&lt;/span&gt;&lt;b&gt;)&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Corria o ano de 1840. Nas terras do velho Mbavala, o rei makonde, o sol caia vermelho colorindo o manto verde da floresta. Um grande grupo de guerreiros makondes de troncos nus e com as partes intimas cobertas de pedaços de pano encardido, adquirido nos comerciantes árabes e aventureiros swahil, acompanhavam atentamente, no terreiro da povoação, o discurso contagiante do rei Mbavala. Enquanto discursava, corria nas suas terras, de boca em boca, a surpreendente notícia de aproximação de um grupo Nguni que raptava homens e mulheres e cobrava coersivamente tributos às populações das povoações que ia atacando enquanto avançava em direcção ao extremo norte do actual território de Moçambique. O grupo pertencia a um outro grande grupo de guerreiros Nguni proveniente de Zwangendaba que, por volta de 1837, estivera no vale do Zambeze e em zonas limítrofes semeando terrores entre populações endefesas e mais tarde atravessou o Zambeze, perto de Cachomba, tendo uma boa parte se dirigido para Tambara e outra para o norte atraído pelas notícias de existência de um rendoso negócio de ouro, marfim e escravos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu povo! – Disse o ancião com uma voz trémula. – Tenham coragem para enfrentar o inimigo que vem. Ele vem de longe e carrega o ódio nos olhos, por isso, vai destruindo tudo que lhe aparece na sua frente. Os nossos mensageiros trauxeram notícias frescas dando conta da aproximação do inimigo. Os nossos irmãos que vivem nas imediações da nossa povoação começaram a chegar aterrorizados pelas notícias da chassina que inimigo vai cometendo enquanto caminha ao encontro das nossas terras...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto o velho falava para a multidão de guerreiros, pequenos grupos de velhos, mulheres e crianças aproximavam-se sorateiramente às varandas das cabanas que se achavam no limiar do terreiro ávidos de acompanhar as palavras do Mabavala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Protejam as crianças, os velhos e as mulheres. Defendam com bravura a nossa tribo e toda a riqueza que os nossos antepassados nos deixaram. Cantem as canções de bravura e coragem para que dignifiquemos o sangue derramado pelos guerreiros mais valentes da nossa tribo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A multidão ululou, os guerreiros aceneram ao ar arcos e flechas e em conjunto deram o grito de coragem. Havia gente demais e o ar estava abafado. A noite entrava calma trazendo consigo estrelas e o nevoeiro. No alto, uma caravana de passáros cortou o céu num chilreio carregado de apavor. O velho calou-se. Acendeu um tabaco. Aspirou voluptosamente o fumo e, no fim, prosseguiu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vigiem as fronteiras do nosso reino. Coloquem homens em todos os cantos para que o inimigo não nos surpreenda. Na hora da chegada, toquem o lipalapanda – o chifre de antílope – para que todos saibam que o inimigo está nas nossas terras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calou-se novamente. Levou o tabaco aos lábios. Puxou duas vezes. Tossiu vezes sem conta e voltou ao ponto onde havia interrompido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu povo! – Disse o ancião com uma voz entrecortada e trémula. – Preparem esconderijos para que as crianças, os velhos, os enfermos e as mulheres grávidas possam se proteger contra a chassina que vem. Preparem as armadilhas que os nossos antepassados nos ensinaram e ordeno para que esta noite todos guerreiros fiquem de vigia cantando e dançando para afugentar o espirito do medo. O curandeiro Namakhoi fará o trabalho que lhe compete distribuindo alguns punhados de ervas que vos protegerão de todo o mal durante a batalha. Coragem, guerreiros! Coragem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O kôta virou-se para a corte, cruzou os braços nas costas e fez um sinal indiscrptivel para um dos anciãos mais antigo da tribo. De seguida, abandonou o terreiro dirigindo-se para a grande palhota andando com um cómico aprumo e movendo-se na noite tão cautelosamente como se estivesse a pensar em alguma coisa. Ao chegar a porta, mandou o mensageiro real reunir o chefe dos guerreiros, o curandeiro Namakhoi e outros ancião mais importantes da povoação e no fim, entrou na palhota fechando a porta nas suas costas. O kôta queria se inteirar de tudo, desde a estratégia da guerra até ao tipo da magia que o curandeiro Namakhoi pretendia usar para derrotar o inimigo. No entanto, o rufar dos tambores e o ecoar das vozes fizeram-se ouvir no terreiro. Vozes embaladas na brisa nocturna atravessavam a floresta densa do planalto dos makondes e homens fortes e valentes dançavam e cantavam canções de autores imemoráveis e perdidos na poeira do tempo cujas suas letras passavam de boca em boca e de geração em geração modificando-se constantemente de acordo com o momento. Os guerreiros dançavam em redor de uma grande fogueira contorcendo-se com abandono, simulando combates, zombando o inimigo e fumando bangui, a rainha da coragem. A medida que dançavam, as labaredas cresciam, a lenha ardia com intensidade e, de vez enquando, pequenas faúlhas saltavam no ar apagando-se rapidamente na noite fria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rei saiu da palhota, soltou um profundo suspiro e parado em frente da palhota pôs-se a contemplar no escuro a densa floesta, sentindo o ar frio da noite e aspirando o agradável aroma do planalto. Caminhou lentamente pelo quintal com os braços cruzados nas costas como era o hábito. Porém, deteve-se num tronco de Mula e sorriu consigo mesmo animando a sua face tatuada e dominada de profundos sulcos. O kôta recordava-se com saudade a sua juventude, principalmente, na época em que com bravura enfrentava gente de outras tribos que caçavam mulheres makondes nas machambas e riachos, afim de vende-las como escravas aos comerciantes árabes e aventureiros swahil. Fechou os olhos como se quisesse trazer de volta aqueles momentos e depois, deu meia volta e encaminhou-se novamente a palhota movendo-se com um aprumo forçado e cómico, típico da idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já a madrugada, um jovem, que o chefe dos guerreiros escalara para guarnecer as imediações da povoação, irrompeu no terreiro correndo apavorado e vomitando sangue coagulado. Os guerreiros Nguni haviam lhe mutilado a lingua e obrigado a se dirigir a povoação afim de anunciar a sua chegada. O tam-tam dos tambores cessou imediatamente; Dois guerreiros dirigiram-se a palhota real, anunciaram ao rei o sucedido e voltaram novamente ao terreiro, onde os outros guerreiros haviam já abandonado e tomado a posição no limiar da floresta e nos ramos das árvores que se espalhavam nas redondezas da povoação. O rei e a corte fugiram para a floresta, onde foram escondido num abrigo preparado para tal. De súbito, a povoação ficou silenciosa e quando o sol ia se erguendo lentamente e a queimar, pouco a pouco, o orvalho no capim e nos arbustos ouviu-se um forte ulular e um grande grupo de guerreiros Nguni vestidos de peles e munidos de lanças e escudos de peles de animais bravios irrompeu o centro da povoação, pilhando mantimentos e animais domêsticos, quebrando potes e outros objectos de barro, e, quando ia incendiar as palhotas, os guerreiros makondes lançaram-se contra o inimigo dirigindo-lhe flechas envenenadas com ervas selvagens. A batalha levou muito tempo e, usando uma táctica de guerra desconhecida entre os makondes, os guerreiros Nguni infringiram pesadas derrotas aos guerreiros do rei Mbavala. Os prisioneiros de guerra foram severamente humilhados e quase metade da população foi escoraçada numa louca perseguição até às margens do rio Rovuma, onde atravessando a nado e numa visível situação de desespero refugiaram-se para as terras do Tanganhica, rei dos Massai, no actual território da República da Tanzania. Um outro grupo de Makondes liderado pelo o rei deposto exilou-se nas terras do Mataca, o rei ajaua, na actual província do Niassa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, meses depois guerreiros makondes apoiados por homens valentes e corajosos da tribo ajaua expulsaram os invasores tendo-lhes perseguido até às terras mais distantes, em direcção ao centro do actual território de Moçambique . Passados alguns dias, o rei Mbavala e a sua corte regressaram do exílio acompanhado do rei Mataca. Porém, os que haviam atravessado o Rovuma jamais voltaram e por lá criaram a comunidade dos makondes da Tanzania. Nisto, alguns dias depois, houve uma grande festa na povoação que durou uma semana comendo-se carne caçada no interior da floresta, bebendo-se diversas bebidas tradicionais, dançando-se ao som dos tambores e assistindo-se diversas sessões de mapico. Como gratidão dos feitos heróicos dos guerreiros ajaua demonstrados no momento da expulsão e perseguição dos invasores, o rei Mataca recebeu de presente, do seu homólogo Mbavala, uma bela donzela para casar, uma enorme estátua de pau-preto com a sua figura «estampada» no tronco e teve de volta meia centena de mulheres da sua tribo que serviam de escravas nas residências oficiais dos membros da corte dos Makondes. Para além deste acto, houve uma cerimónia tradicional de firmamente de amizade entre as duas tribos, onde os curandeiros de ambos os lados foram convidados a oferecerem os seus préstimos por forma a abençoar aquela amizade que nascia e a garantir por via mágica a sua renovação de geração em geração até ao mais infinito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No último dia da estadia do rei Ajaua nas terra dos Makondes, o sol nasceu muito quente e os seus raios brilhavam intesamente resplandescendo manjestosamente sobre o tapete verde da floresta. Um grupo de flamingos sobrevoou silencioso a povoação e, no fim, aterrou numa pequena lagoa que se achava no extremo sul da palhota do rei Mbavala. Um grupo de crianças nuas e desnutridas brincava debaixo do sol em frente da palhota do chefe dos guerreiros Makondes e dois cães vadios atravessaram o terreiro perseguindo-se numa empolgante brincadeira. Dois guerreiros ajaua munidos de lanças afastaram-se repentinamente da porta da quarta palhota real. A porta abriu-se e o velho Mataca saiu seguido pela rapariga oferecida pelo seu homólogo Makonde. De olhos cerrados, o rei aspirou o ar frio do planalto, lançou um olhar apreciador ao seu presente e caminhou para o terreiro, onde a sua corte e os donos da terra o esperavam para a despedida. Ao chegar, foi servido um acento no alpêndre improvisado para a despedida. Pouco tempo depois, o kôta Mbavala ergueu-se e discursou para o seu povo agradecendo o apoio dos Ajaua e pedindo às duas tribos para que valorizassem a amizade conquistada contando a sua história às novas gerações. Já perto do fim do discurso, a sua voz ficou demasiadamente trémula e, nesse momento, foi interrompido por um seu funcionário que o encaminhou ao acento. Quando ia se sentar, o chefe dos guerreiros quis apoia-lo, mas o ancião apartou-o com os braços fazendo um gesto de protesto de quem diz não sou tão velho para precisar de apoio para se acomodar. De seguida, o som dos batuques irrompeu o espaço reservado para a despedida e um grupo de dançarinos começou a dançar no meio da roda humana que assistia ao espectâculo rindo e cantando. Ao cessar o tam-tam dos tambores, o kôta Mataca fez um breve discurso agradecendo a hospitalidade, os presentes oferecidos e a libertação das mulheres da sua tribo feitas escravas muito antes da invasão Nguni. No fim, prometeu aos Makondes retribuir o gesto da devolução das escravas, defendendo que já não havia mais razões para as duas tribos manterem a prática de captura de mulheres das duas tribos para fins de escravatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rei foi interrompido por uns aplausos que soaram de forma entusiástica. Contudo, quando os aplausos desvaneceram, o kôta retomou o discurso agradecendo vezes sem conta tudo quanto o povo Makonde havia lhe proporcionado. Dali, as duas cortes abandonaram o terreiro enquanto o rufar dos tambores se faziam sentir novamente e encaminharam-se na saída da povoação. Ao aproximar as paliçadas que circundavam a povoação, protegendo os habitantes contra os animais bravios, os dois reis apertaram-se as mãos efusivamente em sinal de despedida final e o kôta Ajaua deu meia volta e começou a caminhar juntamente com a sua corte e os seus guerreiros escoltando-o em todos os lados. O velho Mbavala não tinha ainda voltado para a povoação e se encontrava petrificado no sitio onde havia se despedido do amigo Ajaua, olhando-o de longe enquanto desaparecia por entre árvores frondosas e arbustos de meia altura que emergiam quase por toda a floresta. Quando os visitantes desapareceram, por completo, deixando a sua atrás vozes entrecortadas e trazidas pelo o vento, o velho encaminhou-se ao terreiro, onde pôs-se a assistir mais uma sessão de mapico até ao entardecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passados muitos anos, a amizade das duas tribos ainda continua manifestando-se sob forma de huvilo e a sua genese corre de boca em boca entre as novas gerações de Makondes e Ajauas.&lt;br /&gt;- Allman Ndioko, Moçambique,&amp;nbsp;17/05/2005&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;u&gt;VOCABULÁRIO:&lt;/u&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;b&gt;Huvilo&lt;/b&gt;&lt;/em&gt;&lt;b&gt; - &lt;/b&gt;Uma espécie de amizade carregado de aspectos cómicos e menos sérios;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;b&gt;Makondes&lt;/b&gt;&lt;/em&gt;&lt;b&gt; –&lt;/b&gt; Grupo étnico de Moçambique localizado no planalto de Mueda, província de Cabo Delgado. Note-se que existe na República da Tanzania outro grupo de Makondes conhecido por Makondes da Tanzania e que é originário do actual planalto de Mueda.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;b&gt;Ajauas&lt;/b&gt;&lt;/em&gt;&lt;b&gt; -&lt;/b&gt; Grupo étnico de Moçambique localizado no planalto do Niassa, no norte do país.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;b&gt;Mbavala&lt;/b&gt;&lt;/em&gt;&lt;b&gt; – &lt;/b&gt;Rei do povo Makonde.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;b&gt;Mataca&lt;/b&gt;&lt;/em&gt;&lt;b&gt; –&lt;/b&gt; Rei do povo Ajaua.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;b&gt;Kôta&lt;/b&gt;&lt;/em&gt;&lt;b&gt; –&lt;/b&gt; Pessoa mais velha que pode ser pai, mãe, avô, tio, etc.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;b&gt;Bangui&lt;/b&gt;&lt;/em&gt;&lt;b&gt; –&lt;/b&gt; Soruma ou melhor cannabis sativa;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;b&gt;Mula &lt;/b&gt;&lt;/em&gt;&lt;b&gt;–&lt;/b&gt; Árvore frondosa e muito alta frequente no planalto de Mueda. Entre os Makondes de Moçambique a Mula servia, desde os tempos remotos até altura da independência nacional, para sinalizar campas nas grandes florestas do planalto;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;b&gt;Lipalapanda&lt;/b&gt;&lt;/em&gt;&lt;b&gt; &lt;/b&gt;– Chifre de antílope, normalmente, usado para anunciar uma festa ou animar uma sessão cultural;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;b&gt;N’tela&lt;/b&gt;&lt;/em&gt;&lt;b&gt; –&lt;/b&gt; Erva medicinal que serve para curar alguma infermidade ou proteger qualquer mal. Normalmente tem tido efeitos mágicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://contosepoesiasdoindico.blogspot.com/"&gt;Contos E Poesias do Índico&lt;/a&gt; de Allman Ndyoko.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;hr 'style: color black' /&gt; 
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Se deseja transcrever, mencione a origem e créditos!&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11318136-1969259966298364203?l=foreverpemba.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foreverpemba.blogspot.com/feeds/1969259966298364203/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=11318136&amp;postID=1969259966298364203&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11318136/posts/default/1969259966298364203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11318136/posts/default/1969259966298364203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foreverpemba.blogspot.com/2009/12/apontamentos-do-tito-xavier-ilha-do-ibo.html' title='Apontamentos do Tito Xavier: Ilha do Ibo - Forte de S. José'/><author><name>gotaelbr</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12948983417898741719</uri><email>portoamelia@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='02676714525154773859'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_oshdZv5Zmxc/Sxlcjx-O7HI/AAAAAAAAHA0/XjGcbJABD2k/s72-c/forte.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11318136.post-1754515382653029458</id><published>2009-12-03T14:09:00.001-02:00</published><updated>2009-12-03T14:10:54.397-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='noticias de Moçambique'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='imprensa moçambicana'/><title type='text'>Ecos da imprensa moçambicana: Apenas oito das 129 empresas controladas pelo estado têm lucros.</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_oshdZv5Zmxc/SxfgnJaUJCI/AAAAAAAAHAs/HFFIo4NX14E/s1600-h/noticiasb.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" er="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_oshdZv5Zmxc/SxfgnJaUJCI/AAAAAAAAHAs/HFFIo4NX14E/s320/noticiasb.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;Apenas oito das 129 empresas controladas pelo Estado têm lucros - AS RESTANTES 121 REGISTAM PREJUÍZOS ENORMES SEGUNDO IGEPE.&lt;/strong&gt; Somente oito das 129 empresas participadas pelo Estado geram lucros em Moçambique e as restantes 121 registam prejuízos enormes, segundo o Instituto de Gestão das Participações do Estado (IGEPE), realçando que “algumas delas ignoram as boas práticas de gestão e nem sequer apresentam relatórios regulares das suas contas”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Para inverter o cenário, o IGEPE está a apurar a viabilidade da sua comparticipação na gestão das empresas onde é accionista, segundo Daniel Tembe, presidente daquela instituição estatal que não deu pormenores sobre a matéria.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Nos últimos oito anos, o Estado abdicou das suas participações em 150 empresas, de um universo de 279 que controlava desde 2001, de acordo ainda com Tembe, falando esta quarta-feira, em Maputo, durante um encontro de apresentação do guião de boas práticas de governação corporativa nas empresas participadas pelo Estado moçambicano.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;No encontro, o IGEPE analisou ainda o estabelecimento de sistemas de relatórios que facilitem a monitoria e avaliação do desempenho das empresas participadas pelo Estado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Um documento apresentado na ocasião realça que o Estado como proprietário deve estabelecer políticas e legislação que assegurem a gestão criteriosa da coisa pública a nível das empresas e deve assegurar que as empresas do Estado se sujeitem às mesmas condições competitivas de mercado, para além de encorajar a adoptarem códigos de conduta e de ética e aplicar os instrumentos regulatórios já aprovados nesse sentido.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Já como Estado sócio, o documento refere que a intervenção do Estado deve ser exercida de forma equivalente à dos sócios de direito privado nessas sociedades e que os direitos especiais do Estado devem estar claramente regulados e divulgados, destacando em seguida o documento que o Estado deve articular com os administradores por si nomeados a respectiva linha de intervenção nas sociedades.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;- (J. Ubisse) - Correio da Manh, Ano XIII, Nº 3207, Quinta-feira, 03/Dezembro/2009&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Os comportamentos que mais minam o ambiente de negócios em Moçambique - Corrupção, burocracia e oportunismo continuam.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- taxas mais elevadas da região no desalfandegamento aduaneiro, 45 dias para licença de construção, constam igualmente na lista.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- governo nega comentar o relatório do Banco Mundial.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(Maputo) Moçambique encontrase no grupo dos 50 países do mundo, onde o ambiente de negócios é o mais caótico. Últimos dados indicam que o país está quase na cauda no Ranking do Doing Business, que reflecte a idoneidade e facilidade para fazer negócios em determinado país. Neste momento, Moçambique encontra-se na posição 135 de um conjunto global de 185 posições.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dado este constrangimento ao desenvolvimento nacional, o governo através do Ministério da Industria e Comercio, decidiu contratar uma equipa de consultores do Doing Busines, (integrantes do Banco Mundial, BIRD) de modo a fazerem um pesquisa no c a m p o e c o n ó m i c o empresarial, com vista a se saber o que estará a atrasar o país em termos da criação de condições para o melhoramento do ambiente de negócios e a consequente atracção de investimentos para o país.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Resultados apresentados na manhã de ontem, na capital do país, pela equipa do Banco Mundial, apontam a corrupção, burocracia e oportunismo como, os comportamentos que mais dificultam o ambiente de negócios em Moçambique.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estes são tidos como verdadeiros atentados ao ambiente de negócios, disseram os consultores. Constam ainda na lista dos constrangimentos detectados por aquela equipa, o facto de Moçambique continuar a cobrar as maiores taxas aduaneiras dos últimos tempos (cerca de 120 dólares por scaning de cada contentor, contra os 16 dólares cobrados em alguns países), o que na óptica dos investigadores afugenta os investidores e importadores.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Também apontam a existência desnecessária das inspecções pré-embarques e com elevado custo, deficiente rede de transportes e comunicações, maior tempo de espera de licenças de construção ( cerca de 45 dias contra os 6 dias em alguns países) bem como a demora de processos judiciários em vários níveis.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estes comportamentos estão sempre associados a comportamentos corruptos a vários níveis.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Recomendações.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assim, aquela equipa de consultores recomendou, ao país, para que acelere o processo de criação de infra-estruturas melhoradas, que inicie de imediato a formação contínua de pessoal destinado ao mundo empresarial. Há também a necessidade urgente de juízes especializados para lidarem com processos de natureza económica, bem como, uma monitorização contínua dos projectos em curso.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;CTA reconhece esforços.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Embora reconhecendo o esforço que vem sendo desenvolvido pelo governo na procura e criação de um melhor do ambiente de negócios, a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), considera que as acções ainda são poucas comparadas com os avanços que se registam noutros países. Exemplo, citado foi o Ruanda que na última análise do Doing Business, subiu 75 pontos contra 5 pontos conseguidos por Moçambique.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“O governo está a implementar reformas, mas as implementa muito pouco. Ter uma licença para a construção é uma dor de cabeça” disse Orlando da Conceição, Director Executivo da CTA, para quem o país deve em primeiro lugar, procurar reduzir actos de corrupção burocracia e oportunismo, bem como, procurar concretizar as recomendações deixadas pelos consultores.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aliás, caso Moçambique adopte estas medidas poderá subir 10 a 15 lugares até finais de Abril próximo, de acordo com a equipa do Doing Business.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Governo não se pronuncia.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Facto estranho é que, no fim da sessão e como é habitual nestes encontros, tentamos abordar o governo para se pronunciar em relação ao relatório dos consultores, mas o seu representante simplesmente mostrou-se indisponível a abordar o assunto.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A preocupação colocada foi no sentido sabermos quais os esforços adicionais que seriam desenvolvidos pelo governo no sentido de concretizar as recomendações da equipa do Banco Mundial. Infelizmente, a responsável do Ministério da Indústria e Comércio escusou-se a responder, alegadamente porque a sua instituição (MIC) não tinha convidado a imprensa para o encontro.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;- (Hélio Lucasse e Redacção), MediaFax, Maputo, Quinta-feira, 03.12.09 *Nº4427.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Por 4 milhões de USD transaccionados 11 mil hectares de terra para produção de Jatropha em Moçambique.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Maputo (Canalmoz) - A SAB Mozambique criada em Maputo em Outubro pelas firmas italianas Leonardo Business Consulting e pela SECI API BIOMASSA vai adquirir por 4 milhões de USD os haveres da ESV Group Plc em Moçambique.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A ESV é uma sociedade cotada na Bolsa de Londres e presidida pelo britânico de origem iraniana Massou Alikhani. Ao ceder os seus haveres à ESV cede as suas plantações de Jatropha e os seus onze mil hectares de terra em Moçambique.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A SAB Mozambique fez uma joint-venture com duas sociedades italianas especializadas em energias renováveis: A API NOVA ENERGIA e SECI Energia Spa, parceira do Gruppo Maccaferri, como também noticiou esta semana o ION, que se edita em França.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;- (Redacção / ION), CanalMoz, Ano 1 * N.º 91* Maputo, Quinta-feira, 03 de Dezembro de 2009.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;hr 'style: color black' /&gt; 
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Nogueira Borges'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Não Matem a Esperança - Capítulos VI e VII'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='histórias de soldados e guerreiros do ultramar'/><title type='text'>Não Matem A Esperança - M. Nogueira Borges - Capítulos VI e VII</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_oshdZv5Zmxc/SwrZNLXj9tI/AAAAAAAAG-g/p-g4oBuCcDY/s1600/mnba.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_oshdZv5Zmxc/SwrZNLXj9tI/AAAAAAAAG-g/p-g4oBuCcDY/s200/mnba.jpg" yr="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://foreverpemba.blogspot.com/2009/11/nao-matem-esperanca-capitulo-um.html"&gt;Capítulo I&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://escritosdodouro.blogspot.com/2009/11/nao-matem-esperanca-capitulo-dois.html#links"&gt;Capítulo II&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://foreverpemba.blogspot.com/2009/11/nao-matem-esperanca-capitulo-tres.html"&gt;Capítulo III&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://escritosdodouro.blogspot.com/2009/11/nao-matem-esperanca-m-nogueira-borges.html#links"&gt;Capítulo IV e V&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Não Matem a Esperança - Capítulo VI&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;Procuro no poço da minha memória, vasculho as pedras rugosas, esgadanho a terra movediça e apalpo a tua recordação. Foste pobre. Trabalhaste que nem um desalmado, criaste calos nas mãos e na alma. Foste rico. Apertaste a bolsa furiosamente com um nagalho, amontoaste, quiseste fazer fortuna. Morreste. E o sonho de uma grande fortuna morreu contigo. E lá do teu mundo em que te esqueces, perguntarás: «Para quê?». Sim, para quê? Todas as fortunas servem para nada. Todas as fortunas se esvaiem. Conheci-te já velho. Eras um velho alto, forte, corado no rosto e amparavas-te a uma bengala e bebias o vinho por uma cabaça. Gastavas um cesto de vindima por ano, sentando-te todas as tardes, além, no fundo do quintal, com a tua bengala ao pé. Eu fugia para junto de ti quando alguém me batia pelas asneiras que a minha irresponsabilidade de criança cometia. Reconhecia-te autoridade para o meu refúgio. Fazia-te festas, colocavas-me no teu colo e beijavas-me, roçando o teu bigode na minha cara imberbe. Gostava de ti, sabes? Só não gostava quando te pedia um brinquedo e tu dizias que era um por ano. Tu lembras, não lembras? E eu, então, pegava num pedaço de cana e fazia-te a barba... E tu gostavas e davas-me tostões para rebuçados. Em casa, as criadas, tiravam-te, sem tu saberes, azeite e batatas, por que davas tudo por ração e a ração não chegava. Eu vi muitas vezes minha mãe chorar, à mesa, por que tínhamos que comer batatas sem azeite havendo tanto na dispensa. E as lágrimas de minha mãe eram o azeite. Era demais. Tu não reconhecias isso? E para quê? Morreste e cá deixaste. Dos que originaste nem todos te souberam seguir. Estavam habituados a pouco e depois de tu morreres, quando se viram commuito, estragaram. De nada valeu trabalhares que nem um galego e poupar que nem um avarento. Tu saberás perdoar-lhes como perdoaram a ti. Uma mulher te amou e sofreu e morreu a sofrer por ti. Deste-lhe um tecto igual ao que te cobria, mas não lhe deste o carinho, o amor, a lealdade que ela queria e merecia. Foste mau. Muito mau. Não te admires da minha sinceridade. Sabes, muita gente não gosta de mim porque não sei fingir e digo a verdade. E têm medo de mim assim, chamam-me antipático, bruto. O que eles queriam era que eu dissesse sempre que sim com eles, lhes aparasse todo o jogo. Mas eu não me acobardo naquilo que mais nobre e puro há no homem: a sua integridade moral. Não me importo que me detestem os mentirosos, os interesseiros (os que gostam mais deste ou daquele consoante lhes enchem mais ou menos a bolsa insaciável), os bonecos de luxo de estimação, os que batem com uma mão no peito e roubam com a outra, os que dão beijos pela frente e lançam punhais pela retaguarda. Não me interessa de nada. Antes assim, com a tranquilidade consciente, do que viver no meio desta escumalha toda sendo como eles. A esses mando-os dar uma voltinha pelo Marão da vida a ver se aprendem mais alguma coisa do que aquilo que a sua tacanhez lhes ensinou. Mas porque foste assim tão mau para com a tua mulher que sempre te guardou lealdade, te deu os TEUS filhos, para aquela mulher que nos tempos da sua juventude te entregou a reputação, cega por um amor puro? E porque não calaste as bocas porcas e ignorantes e incivilizadas do mundo, levando-a a uma Igreja para um padre vos pôr as alianças que se compram nas ourivesarias em negócio regateado? Sabes, a sociedade é assim. Faz-se porque é bonito, porque é o bem, porque a tradição manda, porque os preconceitos tapam os olhos da inteligência. Mas eu não te censuro por não teres ido à Igreja, o que eu te censuro é teres atraiçoado um amor autêntico (daqueles que não precisam de carimbos nem de selos), um amor do qual te vieram os filhos da tua vida. Isso não se faz. Uma mulher que é nossa é-o sempre até morrer. Não te rias dessa maneira. Repara que choro. E nós nunca devemos rir dessa maneira para uma pessoa que chora como eu, agora.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;Era uma criança quando morreste. O corpo ia-te pesando e a bengala já mal aguentava. E caíste um dia na cama para nunca mais te levantares. Eu vi-te. E chorava muito por saber que ias morrer (sim, eu já sabia que ias morrer, pois o meu sentido de criança pressentia-o). E tu querias sorrir para mim, mas a paralisia não te deixava. E eu ia-te beijar nos meus intervalos de brincadeira (perdoa-me o ter brincado com os meninos pobres da minha idade, enquanto tu morrias aos poucos). E as lágrimas (lágrimas de arrependimento e saudade que a morte sempre traz) saltavam-te para as faces ao veres-me na tua frente. Pensavas o que seria eu mais tarde, mais tarde quando o teu corpo frio e digno (não há posição mais digna que a morte) estivesse já nas fezes dos bichos subterrâneos. E pedias papel para escrever, mas a letra não se percebia, as mãos estavam-te presas pela inércia dos nervos; quererias emendar alguma coisa de que te tivesses arrependido? Há momentos assim: em que já é demasiado tarde para voltar atrás. Os que te amavam fizeram tudo para que vivesses. Os que te invejavam fizeram tudo para que morresses. Vieram médicos da família para te ver. Algumas pessoas que antigamente te batiam nas costas impediram que outros, vindos de longe com a sua fama aos ombros, diagnosticassem a tua doença; tinham medo que eles te salvassem. Mas deixa lá que já estás vingado – a morte é «privilégio» de todos. Morreste que nem um santo, dizem os que assistiram ao teu adeus (já reparaste que toda a gente morre como um santo?). E lembro-me do ambiente do dia da tua morte. Tenho ainda nos ouvidos os gritos de minha mãe que me cobriu toda com seu corpo a esconder-me da verdade e eu agarrei-me a ela e chorei também. E vi pessoas vestidas de negro que se mexiam em bicos de pés e cochichavam umas com as outras e se mostravam muito atenciosas para minha mãe. Tive nojo e medo dessas pessoas e estive mesmo para gritar (mas eu não podia, ainda era criança): «Cuidado!». Esses vultos entravam pela porta dentro, uns atrás dos outros, como se estivessem todos na rua à espera de que morresses. Depois trouxeram um tabuleiro, daqueles em que mandavas pôr os figos a secar, e depositaram-no em cima duma caixa. Vestiram-no bem, com gravata e tudo (a sociedade tem a preocupação de vestir os mortos como se vestem os políticos para botar discurso), puseram-te no tabuleiro e taparam-te com um lençol branco, enquanto umas velas (sempre detestei as velas, fazem lembrar os mortos), de pavios tristes, alumiavam o silêncio do teu corpo. Nessa noite dormi mais agarrado a minha mãe. Tive medo. Um medo que me dava ganas de gritar que eras nosso, de berrar àquela gente que me passava as mãos pela cara e dizia: «Meu menino, coitadinho!...» que se fosse embora velar os seus mortos lá em casa. Quando acordei já estavas na urna (tudo calculado, tudo calculado), uma urna bonita, cara, toda forrada, de não sei quantos contos de réis e até tinha uma chave dourada (hás-de-me dizer se resta alguma coisa disso). E aqueles vultos negros, de mulheres principalmente, cirandavam à volta como moscas zunindo. E levaram-te, numa tarde, com homens engravatados a pegarem-te no caixão e gritos desesperados de quem te via partir sem a esperança de que voltasses. E pela estrada fora, a gente que te acompanhava, ia de chapéus nas mãos com o ar de quem cumpria um ritual, muitos indo lá só com o receio do que os outros dissessem se não tivessem ido. Eu fiquei impávido, vendo-te levado por outros homens e não disse nada. Olhei sempre, sempre, até a multidão desaparecer no fundo da recta. Voltei, pelas mãos de minha mãe, à casa que ficou vazia sem ti. Sentia-se que faltava alguém, mas esse alguém nunca mais voltou.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Não Matem a Esperança - Capítulo VII&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma dessas famílias de saltimbancos que arrastam, de terra em terra, de feira em feira, sofrimento e miséria, pousou na aldeia. Armou sua barraca de pano. Simples a operação: um lençol que já fora branco e, agora, nem branco nem negro, não tinha cor, um pau espetado e aí está a cónica cortelha. Uns por cima dos outros ali dormirão seres humanos. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No dorso da burra, de pé, em equilibrismos e decorados falarios, aumentados por um funil, ergue-se o chefe.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Venham ver! Venham dois irmãos: um de sete outro de nove anos,fazerem maravilhas; fazem o salto mortal, dão cambalhotas e muitas mais coisas que só à vista se acreditam!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O povo escuta e interessa-se. A sua monotonia estremece. A indiferença transforma-se em curiosidade. Tudo que desperte estes espíritos adormecidos e mofosos tem atenção. O que esta gente precisa é, de vez em quando, de uns murros na sua rotina. São os velhotes, troncos curvados pelos anos, colete a boldrié, arrastando os tamancos, que se levantam das soleiras e dos bancos das tabernas e das casas a apreciar o «circo»; é o rapazio que deixa de esgadanhar o chão e brincar às escondidinhas para ir ver os «trapezistas»; os moços adultos ou adolescentes que abandonam a sueca ou o sete-e-meio e deixam de gritar «coringas!» no andor da capela para observarem os «saltimbancos». Em breves comenos, o terreiro está apinhado. Empurram-se uns aos outros na busca do melhor sítio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Bá, ó Zé, nada de empurras, ouviste?! Lá ver!...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Tu é que és o gordo ou quê?! Até parece que não cabes! Olha o catano!...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os mais idosos não procuram as melhores posições: dão-lhas. Têm direito à primeira fila, como família burguesa que marca de tarde as cadeiras da plateia para a sessão da noite. A garotada fura, de gatas, pelas pernas da assistência.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Que raio de canalha esta! Que andais aqui a fazer?! Ide para casa, ide!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;«A canalha», porém tem o direito de ver. Querem admirar as «maravilhas» dos «artistas».&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No cimo do animalejo, o chefe anuncia: «Atenção! Vamos começar o nosso espectáculo!». Desce. Pega num bombo e ataca-o com marteladas furiosas e estridentes. Dois rapazitos, troncos-só-ossos, olheirentos, faces amantinas, saiem da barraca. Perfilam-se. Fazem vénias de agradecimento aos assistentes que batem palmas. Um, deita-se numa manta, erguendo ao mesmo tempo os braços e encolhendo as pernas, o outro finca as mãos nos joelhos, os ombros nas mãos daquele e, num salto, fica erecto, pernas retesadas até a assistência se cansar de aplaudir. Levantam-se. Num imprevisto, o que parece ser o mais novo, dobra-se, no ar, num salto que deixa o povo boquiaberto.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Viste Chico? Fantástico! Isto é que é um salto mortal! Sim senhor! É objecto!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O miúdo desfaz-se em mesuras. O bombo, triunfante, trepida ainda mais. Agora muda de tom, silencia, quase. Aparece uma corda. Os rapazitos pedem que alarguem o círculo. O povo cede e afasta-se exageradamente. Um daqueles envolve a cintura na corda. O outro agarra a extremidade e faz girar o irmão num carrossel, a princípio lento, em seguida acelerado. O tamboril aumenta. Rufa. Com força. Mais força ainda. Mais ainda. Diminui. O carrossel humano roda devagar já. Aquele decresce até ao silêncio. O «artista» endireita a cabeça. Toca os pés na terra. Pára. A gente grita: «Bravo!». Aproveitando o entusiasmo, uma mulher, de saia e blusa pintadas de remendos, comida nas carnes, aparece, estendendo humilde, demasiado humilde, um prato. Aprimeira dádiva tilinta. A dois assobios um cão indolente e careca torna-se presente. Uma vergasta rodopia em retorces rápidos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Biscoito levante-se!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O cão ergue as patas dianteiras. Sem convicção. Maquinalmente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Quieto Biscoito!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O canídeo não se mexe.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Salta Biscoito!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assim fez. Ao retardador. Empoleirou-se nos ombros do garoto. De novo mais palmas. O Biscoito não agradece. O «Domador» acariça-o e cospe-lhe nas ventas. A mulher-mãe aparece com o prato das esmolas, como na missa um ajudante, e recolhe-se envergonhada, silenciosa, triste. O chefe-pai anuncia que «a primeira parte do espectáculo terminou. A segunda parte é daqui a alguns instantes.».&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enquanto as gentes comentavam, fumavam e zaragateavam, ele retirou-se e foi abafar os seus gritos onde ninguém lhe pudesse escutar as asneiras da revolta.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;- Continua.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;NÃO MATEM A ESPERANÇA - &lt;/b&gt;&lt;a href="http://escritosdodouro.blogspot.com/2009/11/nao-matem-esperanca-capitulo-um.html#links"&gt;&lt;b&gt;Capítulo I&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://escritosdodouro.blogspot.com/2009/11/nao-matem-esperanca-capitulo-dois.html#links"&gt;&lt;/a&gt;NÃO MATEM A ESPERANÇA - &lt;/b&gt;&lt;a href="http://escritosdodouro.blogspot.com/2009/11/nao-matem-esperanca-capitulo-dois.html#links"&gt;&lt;b&gt;Capítulo II&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;NÃO MATEM A ESPERANÇA - &lt;/b&gt;&lt;a href="http://escritosdodouro.blogspot.com/2009/11/nao-matem-esperanca-capitulo-tres.html#links"&gt;&lt;b&gt;Capítulo III&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;NÃO MATEM A ESPERANÇA - &lt;a href="http://escritosdodouro.blogspot.com/2009/11/nao-matem-esperanca-m-nogueira-borges.html#links"&gt;Capítulo IV e V&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;hr 'style: color black' /&gt; 
Este artigo pertence ao &lt;a href="http://foreverpemba.blogspot.com"&gt;For Ever PEMBA&lt;/a&gt;.&lt;br/&gt;
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Nogueira Borges - Capítulos VI e VII'/><author><name>gotaelbr</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12948983417898741719</uri><email>portoamelia@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='02676714525154773859'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_oshdZv5Zmxc/SwrZNLXj9tI/AAAAAAAAG-g/p-g4oBuCcDY/s72-c/mnba.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11318136.post-4495071763472218140</id><published>2009-12-01T15:03:00.001-02:00</published><updated>2009-12-01T15:04:20.915-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Justiça moçambicana'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='disputa de terreno em Pemba'/><title type='text'>Acontece em Pemba: Caso da disputa de terreno - Policarpo Napica condenado por ameaça ao empresário Arby</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_oshdZv5Zmxc/SxVKIZO7gyI/AAAAAAAAHAk/9gGfJBxJ9C4/s1600/noticiasb.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_oshdZv5Zmxc/SxVKIZO7gyI/AAAAAAAAHAk/9gGfJBxJ9C4/s320/noticiasb.jpg" yr="true" /&gt;&lt;/a&gt;O Tribunal Judicial da cidade de Pemba condenou ontem Policarpo Napica, actual director provincial da Coordenação da Acção Ambiental, em Cabo Delgado, a 40 dias de prisão, substituíveis por multa à taxa diária de 30,00 MT e indemnização no valor de 3.000,00 MT, pelo crime de ameaça ao empresário Arby Mussa, autorizado pelo Conselho Municipal a erguer um complexo comercial, num terreno em relação ao qual a familia Napica, de que Policarpo faz parte, diz ser seu em virtude de estar a usá-lo há mais de quatro décadas, embora sem nenhuma documentação que confirme a sua titularidade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O réu vai ainda condenado a pagar 100,00 MT de imposto de justiça e 300,00 MT de emolumentos. O Tribunal, depois de discutida e analisada a causa do auto de denúncia, bem como as respostas de todos os intervenientes processuais, considerou suficientemente provado que Polipcarpo Napica deslocou-se ao estabelecimento do denunciante, por volta das 18 horas de 16 de Outubro passado, onde disse que se aquele continuasse a mexer naquele terreno lhe iria prejudicar a vida.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na mesma data, no período da manhã, acabava de ser partido parcialmente o carro do empresário pela mãe de Policarpo, que evocando que o terreno é seu tomou tal atitude criminal devido a um pretenso estado de nervosismo que então se lhe havia apossado, facto que levou o tribunal a concluir que naquele momento, tendo declarado que iria prejudicar a vida do empresário, o réu pregou um susto àquele, atendendo ao que havia sucedido na manhã do mesmo dia, no terreno em disputa, de tal sorte que a conduta de Napica é considerada idónea para perturbar o sentimento de segurança ou tranquilidade de Arby Mussa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Este processo deveria ter tido desfecho no passado dia 9 de Novembro, mas interessava ao tribunal ouvir as declarações de um agente da Polícia, que esteve na base da instrução preparatória, para provar se Policarpo Napica havia pronunciado, como alegava o denunciante, em plena esquadra, a frase “se continuares a mexer naquele terreno vou prejudicar a sua vida”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O referido agente, Khalebe Domingos, esteve ontem no tribunal e confirmou que Napica disse inclusive que “quando eu afirmei assim não sabia que era crime”, declaração que entretanto não juntou aos autos, mas que ficou patente no registo de ocorrência da esquadra.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;SENTENÇA DA MÃE SERÁ LIDA HOJE&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enquanto isso, a sentença referente ao crime de destruição parcial da viatura do empresário, pela senhora Maria Arminda Rosário Napica, mãe do réu acima citado, será lida esta manhã, no mesmo tribunal, depois que esta instãncia judicial examinou os documentos que ordenara a sua junção, para que permitisse aquilatar a legitimidade da pertença do terreno, razão que foi usada pela ora ré, ao tomar a atitude que tomou ao partir o vidro pára-brisas do camião de Arby Mussa, que na circunstãncia estava a descarregar material de construção no terreno que lhe foi concedido pelo Conselho Municipal para construir infra-estruturas comerciais.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Os documentos aqui presentes, que pedimos fossem juntos, não são suficientes para obstar que o julgamento prossiga”, justificou-se o juiz Salomão Manhiça, sob a responsabilidade de quem está este caso que está a mexer com a sociedade pembense, dada a reputação inicial dos envolvidos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A representante do Ministério Público, a procuradora Fatilina Matsimbe, que havia sugerido tal junção, ontem disse, que em jeito de alegações, permitir que o tribunal prossiga com o julgamento, tendo em conta que a ré confessou expontaneamente o crime e que na decisão tivesse em conta a sua idade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A defesa do ofendido, liderada por Acácio Mitilage, pediu ao Tribunal justiça, tendo em conta que o acto foi premeditado, na via pública e usando uma manifesta superioridade. Para fechar, disse: tem que acabar a atitude de superioridade de algumas familias sobre outras. Há gente que por causa do seu passado ou cargos que ocupam, gostam de humilhar outros cidadãos. A Lei tem que funcionar!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por seu turno, Roldão da Conceição, defensor da familia Napica, pediu ao tribunal absolvição da sua constituinte, pois em sua opinião esteve em legítima defesa, se bem que o terreno foi adquirido pelas normas costumeiras, partindo do facto de que aquela familia vive alí há mais de 40 anos e que há documentos da Assembleia Municipal e da empresa de águas que interditam construções naquele local.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ontem mesmo, soube que há mais processo ligado a este intrincado caso da disputa de terreno, desta feita movido por mais um filho de Maria Arminda Napica, Júlio Napica, que alega ter sido difamado pelo motorista da viatura que a sua mãe partiu, por ter afirmado que a velha foi instrumentalizada pelo filho, que esteve antes no local e foi buscá-la para cometer o tal acto. Estes casos colateriais, entretanto, antecipam ao principal, que corre os seus trâmites no Tribunal Provincial Judicial de Cabo Delgado, sobre a disputa de terreno entre a familia Napica e o empresário Arby Mussa, por causa do qual nasceram estes outros.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;- Maputo, Terça-Feira, 1 de Dezembro de 2009, &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.jornalnoticias.co.mz/pls/notimz2/getxml/pt/contentx/926845" target="_blank"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Notícias&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;hr 'style: color black' /&gt; 
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Esta informação foi dada a conhecer ao «Canalmoz», ontem, por Luís Couto, director executivo da «INTERCAMPUS», uma agência criadora de marcas, à margem de um «Workshop» sobre as melhores marcas de Moçambique. Fazem parte do grupo dos oito melhores sectores, das marcas eleitas, nomeadamente o sector da energia, do desporto, eventos, telecomunicações, bebidas, bens de consumo imediato, banca, seguros e combustíveis. O anúncio oficial desta eleição foi feontem à noite num dos hotéis da capital do país.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No «workshop» foram ainda apresentadas palestras sobre temas tais como Moçambique poderá tirar vantagens do Mundial 2010, usando a sua marca tendo em conta as grandes potencialidades que possui; perceber o papel e a força da marca para se entender o futuro do mercado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;... Segundo, ainda, Luís Couto, o projecto melhores marcas de Moçambique tem como finalidade enaltecer as melhores marcas moçambicanas, a sua importância e a maneira como elas podem ser divulgadas, promovidas e cimentadas. “ O projecto está, neste momento, a ser divulgado através de um programa televisivo semanal em que os directores de marketing das diversas instituições falam das respectivas marcas”, disse Couto tendo ainda revelado que para a eleição das oito melhores marcas se baseou num inquérito feito a cerca de 15 mil instituições, em todas as cidades capitais provinciais e distritais, sobre as cerca de 101 marcas existentes.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“ Sobre as marcas em Moçambique há coisas muito boas. Só que há ainda muito que fazer desde a sua criação à sua identificação com o cliente dos produtos alvos. Este é que é o nosso maior objectivo. Pois o objectivo das marcas é promover as vendas”, disse o nosso entrevistado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Viagem ao mundo das marcas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dados colhidos pela nossa reportagem, durante as palestras realizadas no «workshop», dão conta de que a força da marca é a saúde de uma empresa. Segundo o palestrante, Luís Falcão, da OGILVY-Moz, construir uma marca é como “plantar e cuidar de um «Bonsai»” -a frágil árvore anã que os japoneses exportam para todo o mundo - “pois os cuidados têm de ser permanentes, delicados e exigem conhecimentos profundos e muitas das vezes os resultados demoram anos a chegar”, disse. Para ele, não existe no mundo uma única empresa bem rentável sem marca. “As marcas mais fortes são as mais rentáveis. Qualquer consumidor está sempre disposto a pagar um pouco mais pela sua marca. É esta diferença que torna as marcas mais rentáveis”, disse acrescentando que é o caso, por exemplo, da Coca-cola considerada “ em termos financeiros a marca mais valiosa do mundo”. “As empresas mais rentáveis do mundo já entenderam esta realidade e é apenas por isso que respeitam e cuidam das suas marcas. As empresas sabem, acima de tudo, que para construir uma marca pode se demorar anos de muito trabalho. Mas que para destruí-la basta violar ou desrespeitar o seu núcleo, o que pode só durar apenas alguns dias”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;- Alexandre Luís, Canalmoz. (Clique na imagem ilustrativa acima para ampliar)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;hr 'style: color black' /&gt; 
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João Baptista'/><title type='text'>Apontamentos do Tito Xavier: Ilha do Ibo - Igreja de S. João Baptista</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_oshdZv5Zmxc/SxUbaku14qI/AAAAAAAAHAc/LXkCZw9ArpE/s1600/iboigrejac.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_oshdZv5Zmxc/SxUbaku14qI/AAAAAAAAHAc/LXkCZw9ArpE/s400/iboigrejac.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Clique na imagem para ampliar. Fotografia propriedade de Tito Lívio Esteves Xavier (realizada antes de 1975), oficial da P. S. P. reformado, piloto de aviões e helicópteros em Cabo Delgado e antigo presidente da Câmara Municipal de Porto Amélia, que faleceu recentemente em Lisboa, dia 27 de Outubro de 2009.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Post anterior sobre os "&lt;a href="http://foreverpemba.blogspot.com/2009/11/ibo-forte-rituto.html"&gt;Apontamentos do Tito Xavier&lt;/a&gt;".&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nota - A fortaleza de S. João Baptista, construída, na ilha do Ibo, entre 1789-1794, destinava-se, essencialmente, a defender os interesses comerciais de Moçambique, então, nas mãos dos mercadores mouros da costa, árabes e franceses.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi, até a transferência da capital do distrito de Cabo Delgado, do Ibo para Pemba, que teve lugar na última década do século XIX, o quartel da guarnição militar e nunca foi um entreposto ou prisão de escravos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Existia na Vila uma cadeia civil instalada no forte de S. José, erigido, nos meados do século XVIII, e, mais tarde, no fortim de Santo António, construído, em 1818. Aí, eram encarcerados, no cumprimento de penas de delito comum, pessoas livres e escravos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É mera fantasia afirmar-se serem mortos, por dia, 50 a 60 escravos. Só quem desconhece a importância dos escravos - de tráfico e domésticos - nas sociedades africanas e coloniais é que se permite fazer afirmações desta natureza.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Recordo que, em 1798, a população das Ilhas de Querimba era de: 1753 pessoas livres, 1156 pessoas livres descendentes de escravos e de 5993 de população escrava.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esta era propriedade da população livre.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os escravos de tráfico chegados às Ilhas eram guardados pelos mercadores nas suas casas, em locais adequados.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quanto aos escravos domésticos, viviam nos quintais das casas dos senhorios, não se colocando o problema de fuga.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No que toca ao guia da visita, sr João Baptista direi que foi um excelente funcionário da Administração do Ibo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;- Carlos Bento comentando em "&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;a href="http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?mode=thread&amp;amp;fokey=ex.stories/548624&amp;amp;va=1864026&amp;amp;p=stories&amp;amp;op=view" target="_blank"&gt;Nas Quirimbas com Mia Couto: Viagem a uma Moçambique desconhecida&lt;/a&gt;"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;hr 'style: color black' /&gt; 
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João Baptista'/><author><name>gotaelbr</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12948983417898741719</uri><email>portoamelia@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='02676714525154773859'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_oshdZv5Zmxc/SxUbaku14qI/AAAAAAAAHAc/LXkCZw9ArpE/s72-c/iboigrejac.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11318136.post-4093332236802772446</id><published>2009-11-26T19:45:00.002-02:00</published><updated>2009-11-26T19:48:08.873-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='corrupção em Moçambique'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pobreza em Moçambique'/><title type='text'>Apesar das ajudas internacionais o número de pobres e dos muito pobres continua a aumentar em Moçambique</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_oshdZv5Zmxc/Sw72Y4n5GVI/AAAAAAAAG_I/MujpslGutx8/s1600/pobreza.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/_oshdZv5Zmxc/Sw72Y4n5GVI/AAAAAAAAG_I/MujpslGutx8/s200/pobreza.jpg" yr="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;ONDE VÃO (OU EM QUE BOLSOS VÃO PARAR) OS MIL MILHÕES DE DÓLARES (667 MILHÕES DE EUROS) EM AJUDAS INTERNACIONAIS DOADAS ANUALMENTE A&amp;nbsp;MOÇAMBIQUE ?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Moçambique - Crescimento económico sem correspondência na diminuição da pobreza. &lt;/strong&gt;&lt;a href="http://www.portalangop.co.ao/motix/pt_pt/noticias/africa/2009/10/48/Crescimento-economico-sem-correspondencia-diminuicao-pobreza,fa6837f4-1130-4927-8c44-edbc1875f559.html" target="_blank"&gt;AngolaPress, 26-11-2009-20:57&lt;/a&gt;, Lisboa - O crescimento económico em Moçambique não tem correspondência na diminuição da pobreza e apesar das ajudas internacionais o número de pobres e dos muito pobres naquele país continua a aumentar, considerou hoje (quinta-feira) em Lisboa o investigador britânico Joseph Hanlon. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Jornalista e docente em Inglaterra, Joseph Hanlon falou à Lusa à margem da conferência "Pobreza e Paz nos PALOP", organizado pelo Centro de Estudos Africanos do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e Empresa, que termina hoje em Lisboa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Retomando as ideias que expressou no livro intitulado "Há mais bicicletas - mas há Desenvolvimento?", lançado em Julho desde ano em Maputo, Hanlon leu hoje na conferência o texto "No peace without jobs" ("Sem empregos não há paz"), em que desenvolveu o conceito que chamou de "paradoxo moçambicano".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Apesar da maciça ajuda dos doadores internacionais: mil milhões de dólares anualmente (667 milhões de euros), cada vez há mais pobres, cada vez aumentam mais os índices de pobreza", salientou, acentuando que a redução da pobreza "foi menor do que devia ter sido".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Defensor de mais investimentos na agricultura - "para garantir maior auto-suficiência alimentar e menos êxodo rural" -, Joseph Hanlon lamentou que os doadores internacionais - "que garantem cerca de metade do orçamento de Estado moçambicano" -, continuem a insistir nos investimentos nos sectores sociais.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O problema reside no facto de Moçambique receber mais ajuda externa do que outros países africanos, "correspondendo ao que os doadores lhe dizem para fazer".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estas "pressões" conduzem àquilo que Hanlon classificou como "armadilhas que a pobreza coloca à paz".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A título de exemplo, recordou dois casos passados no distrito de Montepuez, na província de Cabo Delgado, norte do país.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Primeiro o ocorrido em 2000, em que mais de uma centena de pessoas foi morta em circunstâncias apresentadas como resultado da luta política e, mais recentemente, no passado dia 11, a morte de funcionários do Ministério da Saúde, às mãos de populares, que os acusaram de terem tentado infectá-los com o bacilo da cólera.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A falta de informação está na base deste último episódio que Hanlon caracterizou como "exemplo de mais um caso em que os pobres respondem ao receio de que os ricos os queiram matar".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Num plano mais geral, Joseph Hanlon questiona-se sobre o que "correu mal", em que o aumento da ajuda internacional não foi acompanhado da diminuição do número de pobres.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Que foi que correu mal? Dos grandes projectos não resultam mais empregos e nem se pode falar em aumento do consumo interno, porque com mais pobres, e como estes não têm dinheiro, não compram nada", sintetizou.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;hr 'style: color black' /&gt; 
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Nogueira Borges'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='histórias de soldados e guerreiros do ultramar'/><title type='text'>Não Matem A Esperança - M. Nogueira Borges - Capítulos IV e V</title><content type='html'>&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_oshdZv5Zmxc/SwrZNLXj9tI/AAAAAAAAG-g/p-g4oBuCcDY/s1600/mnba.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_oshdZv5Zmxc/SwrZNLXj9tI/AAAAAAAAG-g/p-g4oBuCcDY/s200/mnba.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://foreverpemba.blogspot.com/2009/11/nao-matem-esperanca-capitulo-um.html"&gt;Capítulo I&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://escritosdodouro.blogspot.com/2009/11/nao-matem-esperanca-capitulo-dois.html#links"&gt;Capítulo II&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://foreverpemba.blogspot.com/2009/11/nao-matem-esperanca-capitulo-tres.html"&gt;Capítulo III&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Não Matem a Esperança - Capítulo IV&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;A cabeça inclinava-se para a frente, imóvel, sem o mínimo trejeito, o que tornava a sua corcunda mais pronunciada. Os olhos grandes, circundados por lívidas olheiras, eram dois candeeiros volantes que se destacavam débilmente daquele conjunto alvacento que as longas barbas formavam com a sua devastada cã. A cobrir-lhe a camisa, sujíssima, um casaco coçado, cheio de nódoas, bolsos rotos, um dos quais continha um pedaço de pão recesso, que a macienta mão daquele velho defendia ciosamente. As calças fendidas, nos joelhos, mostravam a magreza das suas pernas, que facultava a antevisão dum corpo sóbrio de carnes e abastado de ossos. Completavam a sua paradoxal indumentária uns sapatorros gastos e esburacados.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Fora assim: à luz duma noite, aquela estátua de homem moldada pelas mãos da vida, zurzida pelas surpresas do mundo. E, agora, voltava a vê-lo. Aproximava-se. Os seus passos eram concisos. Sentiu desejo de ir ao seu encontro, abraçá-lo e dizer-lhe: «Aqui me tens! Diz se precisas de mim!». Aquele velho, indiferente, passou, desprendido, absorto, como se no mundo só houvesse ele, atento ao lajedo do passeio que os seus pés calcorriavam apressados. Segui-o. Viu-o agachar-se e agarrar uma perisca. Correu para ele e ofereceu-lhe cigarros.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;- Tome; Fume daqui!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;- Pedi-lhe alguma coisa?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;- Não, mas...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;- A mim nunca ninguém me deu nada! Não é agora que vou aceitar! Não preciso de nada!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Estático, meio atarantado, deixou-o desaparecer, curvado, investigando o chão.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Não Matem a Esperança - Capítulo V&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chegou lá cima cansado e o suor a escorrer-lhe do corpo. A garganta ardia, a cabeça latejava como marteladas compassadas de martelo-pilão. Com cospe e o lenço limpou reticenciados de sangue que, ao longo da subida, as silvas tinham escrito nas partes dos pés que as sandálias não protegiam e a que algumas moscas se entregavam já inebriadas. Arrancou meia dúzia de giestas e sentou-se. Reclinou-se lentamente até se estender todo. Deixou-se estar. Olhou o céu: cinzento, dum cinzento negral, a acariciar os cerros dos montes. À sua direita, o sol sorri-lhe por entre as folhas. O ar do restolho, pinheiros e eucaliptos, alegra-o. Sôfrego, aspira-o bem para dentro, como a querer levá-lo ao fundo de si mesmo. Estorninhos esvoaçavam, uma toutinegra canta, escondida na copa de alguma árvore. As moscas nem aqui o largavam, mas quanto mais conhecia os homens mais adorava as moscas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lá no fundo, o rio, num S tipográfico, corre preguiçoso e envergonhado e quase seco. No outro dia andou lá com a malta e nem sequer se molharam. «Ingrato! No Verão não nos tiras o calor, mas no Inverno, se te der na real gana, até as casas nos levas!» - Isto diria aquele campónio, em frente, dobrado para a terra.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Encaixilhados pelos troncos, enormes manchas de vinhedos cobrem de verde montes ondulantes, ora espigando-se para o alto, ora descendo suavemente. Os socalcos, sustidos por paralelas paredes, lembram mastabas egípcias. Aqui e ali, como títeres impassíveis perante tamanha grandeza, casas de fachadas insensíveis, algumas com vestustos brasões a lembrar aos &lt;strong&gt;ignorantes&lt;/strong&gt; que ali viveu &lt;strong&gt;gente da grande&lt;/strong&gt; e à janela das quais alguma jovem enclaustrada sonha coisas lindas, suspira de amor pelo moço da lavoura; outras, insignificantes, à porta das quais alguma criança esfomeada suspira pão; postes com formas de foguetões levam a electricidade às casas dos que a podem ter.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um ruído característico intromete-se-lhe. Vira-se. Lá vai ele: ronceiro, arrastando-se penosamente na subida de trilhos de linha reduzida. Apita forte, não vá algum distraído oferecer a vida a uma porcaria daquelas. Dobrou no fundo da recta-subida. E aquele pouca-terra-pouca-terra perde-se na distância.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Começa a escurecer. Muda de lugar. Um coelho salta-lhe aos pés. Vai para as rochas. É aqui, diz o povo, que aparece o Titonga. Sim, o Titonga morreu numa luta à navalhada com o Bragão que cumpre agora os vinte e cinco anos de cadeia. «Que luta rapazes! Ah! Caramba! Pareciam dois lobisomens! Até bufavam, pá! Porra! Aquilo metia impressão!». Sim, o povo diz que foi assim. E porquê? Ora... Porquê? «Uns copázios a mais e aí está a desgraça de um home... A cabeça começa a andar à roda, palavra puxa palavra, a família (que não devia ser chamada para nada) é ofendida e pronto...». O Titonga é que morreu. Calhou ser ele. Bem, «ele tamém era umfraca-chiças...». E, agora, a «alma penadinha» do Titonga anda por cá. Por volta das duas da manhã é que ele aparece nestas fragas. Houve já quem lhe falasse. Os guardadores de vinhas que vêm até aqui passar pelo sono, já todos o ouviram dizer: «Olhai rapazes, aquele que me matou está agora a sofrer enquanto eu sou feliz». Houve um daqueles, o Fernando Verde, que lhe chegou a responder: «Deixa-te lá estar muito tempo sem mim nessa tal felicidade. Eu prefiro esta de cá. E o Fernando Verde criou fama na aldeia e arredores.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O sol vai finando. No ocaso, apenas uma mancha semi-circular dum alaranjado castanho. A terra está em sombra. É a hora dos velhos do asilo virem para o seu passeio desentorpecer os músculos já no fim. Escuta-se mais distintamente, perdida no éter, a algaraviada das crianças. A tigela do caldo com migalhas de pão tornou-as alegres e satisfeitas, mas, logo, ao deitar, adormecerão com a fome a roer-lhes as entranhas. As avé-marias soam no campanário da Igreja, uma Igreja muito antiga e muito velha, amparada por escoras de pinho. No alto, pequenos novelos roxos de nuvens, aquelas nuvens que chegam com a noite para poderem galopar à vontade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Põe-se de pé nas rochas. Abarca num relance tudo o que se lhe apresenta. Com avidez, absorve o ar já frio, e aí vai ele, coração contente, sorrir às crianças da sua aldeia.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;- Continua.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;NÃO MATEM A ESPERANÇA - &lt;/b&gt;&lt;a href="http://escritosdodouro.blogspot.com/2009/11/nao-matem-esperanca-capitulo-um.html#links"&gt;&lt;b&gt;Capítulo I&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://escritosdodouro.blogspot.com/2009/11/nao-matem-esperanca-capitulo-dois.html#links"&gt;&lt;/a&gt;NÃO MATEM A ESPERANÇA - &lt;/b&gt;&lt;a href="http://escritosdodouro.blogspot.com/2009/11/nao-matem-esperanca-capitulo-dois.html#links"&gt;&lt;b&gt;Capítulo II&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;NÃO MATEM A ESPERANÇA - &lt;/b&gt;&lt;a href="http://escritosdodouro.blogspot.com/2009/11/nao-matem-esperanca-capitulo-tres.html#links"&gt;&lt;b&gt;Capítulo III&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;hr 'style: color black' /&gt; 
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